sexta-feira, 16 de abril de 2010

29910/11/12/13/14/15

29910

“não te esqueças, meu senhor”
Quantas vezes poderia
Tanta luz em noite fria
Se eu tivesse enfim, o amor
Nada pode recompor
O meu sonho em fantasia
Onde a sorte mostraria
Qualquer rumo a se propor
Verso feito em noite mansa
A verdade sempre alcança
Neste tanto que sou tua
A mortalha do passado,
Noutro tempo desolado,
Hoje em dia não atua...

SOBRE VERSO DE DEDETE


29911


“Sentindo esse desejo exacerbado”
Aonde a sorte dita o meu caminho
Se eu tenho com ternura este carinho
A solidão deixando no passado
Momento com prazeres desvendado
Jamais caminharei, pois, tão sozinho
E quando do teu lado me avizinho
Encontro novo rumo em flóreo prado,
Sabendo desta eterna primavera
A vida em tua vida se tempera
Gerando eternidade em cada verso
E quando imaginara mais distante
Agora ao perceber-te fascinante
No encanto deste amor eu sigo imerso.

SOBRE VERSO DE MARIO ROBERTO GUIMARÃES


29912


“Um cansado colibri”
Procurando primaveras
E decerto não esperas
O que tanto quero em ti
Se eu pudesse o que perdi
Novamente em novas eras
Ao matar velhas quimeras
Louco amor eu concebi
Sorte amarga de quem sonha
Sorte dura e tão medonha
Cada dia mais se afasta
Minha vida sem amor
Vai perdendo toda a cor
Dia a dia mais medonha...

SOBRE VERSO DE MAVI


29913


“O pêndulo seguia desvirtuando”
O dia após o dia, mês a mês
Diverso do que agora ainda vês
Aonde imaginara bem mais brando
E sei o quanto sinto mais nefando
A vida sem saber sequer porquês
Alheio caminheiro; já não crês
Nem mesmo se decerto demonstrando
A senda preferida, a mais gentil,
Ainda que outro rumo, pois sentiu
Quem tanto procurara a mansidão,
Por certo não teria outro momento
Se eu quando mais distante me atormento
Inverno dominando algum verão.

SOBRE VERSO DE SOGUEIRA


29914


“Firmes, frouxos, sinceros d’improviso”
Os versos que ora faço para ti,
Um repentista sonha e me perdi
Tomado pela sorte, sem juízo
E quando percebera este impreciso
Caminho pelo qual eu percebi
O rumo enfim traçado, lá e aqui
No encanto em que deveras me matizo,
O laço mais sublime poderia
Gestar dentro de nós esta aliança
À qual a poesia ora se lança
Traçando a cada rima uma alegria
E quantas vezes; bebo este aguardente
E nele este torpor que me apascente,

SOBRE VERSO DE MVA


29915


“Os trovadores vão formar corais”
Aonde a poesia dita uma ilha
E nela o sonhador decerto trilha
Momentos com nobreza, magistrais
E quando se mostrassem portos, cais
Palavras são deveras a armadilha
Cadência em rica rima sempre brilha
Traçando versos raros, divinais
E posso em vossas tramas mergulhar
Silvia Araujo POETISA Motta
Aonde a poesia sempre brota
E tem com tal sobeja um raro altar
E nele a fantasia rege a trova
Que um mero repentista agora prova,


SOBRE VERSO DE SILVIA ARAUJO MOTTA

29896/97/98/99/900/01/02/03/04/05/06/07/08/09

29896


“Nas noites em que a lua vai dormir”
Por sobre estas colinas, no além-mar
A cada instante volto a me lembrar
Do quanto poderia inda sentir
O amor ao dominar o meu porvir
Traçando com beleza este luar
E nele novamente me entregar
Sabendo do prazer, doce elixir,
E sendo assim a vida nos impõe
Momento prazeroso onde se expõe
O sonho aonde o pouco se completa,
Por isso neste encanto tropical,
Revejo o meu divino Portugal
Agradecendo a Deus por ser poeta!


SOBRE VERSO DE HENRICABILIO


29897



“Por isso não se pode arrefecer”
Quem tanto batalhasse por um dia
Aonde a sorte imensa merecia
Ao menos um momento de prazer,
A vida dominando todo o ser
E neste belo encanto, a melodia
Que tantas vezes ouço como ouvia
Nas horas em que pude te conter.
Beleza sem igual, doce desejo
E nele saciado enfim prevejo
Um raro sol exposto na manhã
Lutar a cada instante sem fugir
Garantirá decerto um bom porvir
Valendo sempre enfim, o imenso afã...

SOBRE VERSO DE REGINA COSTA

29898


“Deus entregou a terra ao ser vivente”
E pode com tal ato demonstrar
O quanto se é capaz mesmo de amar,
Embora o fim de tudo se apresente
Na mão que mais feroz já violente
O que se fez supremo, um belo altar
E assim a cada dia desfiar
A morte noutro tanto e desalente
Quem sonha com momento mais suave
Ao destroçar assim, seu barco e nave
Apenas o final, um sacrilégio,
Pudesse adivinhar esta amargura
Do Criador diversa criatura
Não teria jamais poder tão régio...

SOBRE VERSO DE CLAUDIO CAMARGO MARTINS

29899


“Valeria pelo fato”
De um momento mais audaz
O que tanto satisfaz
E deveras desacato,
Não podendo este regato
Ser diverso e tão falaz
Onde busco ainda a paz
Só percebo este maltrato,
Riscos tantos nesta vida
Tateando muitas vezes
Já não somos mais as reses
Nem tampouco a despedida
Sendo urdida a cada não
Possa dar a direção.

SOBRE VERSO DE EDSON PAULUCCI


29900


“Solidão cinzelou-se nos meus dias”
Aonde poderia acreditar
Na sorte bem diversa a me guiar
E nela com certeza já porfias
Mudando a direção, sem agonias
E quando mergulhasse no teu mar
Sabendo da beleza a se mostrar
Traçando com ternura garantias
De um tempo mais tranqüilo e nele eu vejo
Incomparável luz; vivo e sobejo
Caminho que me leve à perfeição
De um claro amanhecer em plenitude
E quando a solidão aos poucos mude
As sendas mais sublimes se farão.

SOBRE VERSO DE DENISE SERVEGNINI


29901


“E o teclado ficou mudo”
Quando poderia ter
Um momento de prazer,
Mas agora se transmudo
Poesia; eu não me iludo
E decerto passo a ver
No talvez pudesse ser
Bem diverso, e assim me mudo,
Solitário? Vez em quando
E se tanto me mudando
Coração já não descansa
A verdade dita a sorte
Tendo o verso que conforte,
Minha vida será mansa...

SOBRE VERSO DE KATE WEISS


29902


“Escravo da visão descreve o medo”
Qual fosse qualquer queda após a escada
A porta muitas vezes arrancada
Não sabe mais guardar qualquer segredo,
E quando em poesia eu me concedo
Vibrando com a noite enluarada
Romântica figura não diz nada,
Neon tecendo em brilho novo enredo,
Assíduo companheiro da loucura
Lunática presença me assegura
Nos bares, aguardentes, taça e vinho,
Mas quando me percebo em luz intensa,
Do quanto poderia em recompensa
Voltando para a casa, estou sozinho....


SOBRE VERSO DE DUDU DE OLIVEIRA


29903


“Hei de amar-te por toda eternidade”
Assim não calarei mais o desejo
De ter a cada instante o que não vejo,
Mas sinto com mais força ora me invade,
Viver imensidão, felicidade
E nela todo o sonho em que azulejo
A vida num momento mais sobejo
Deixando para trás realidade.
Amar-te e crer deveras neste alento,
E quando me tocasse o sofrimento
Sabia novo rumo em minha vida,
Assíduo companheiro da ilusão
Certezas ou promessas guiarão
O passo sem saber da despedida...

SOBRE VERSO DE EDITH LOBATO


29904


“Meu tempo completo”
No verso que faço
Assim sigo o traço
Perfeito e dileto
E se desafeto
Tomando este espaço
O rumo que caço
Deveras concreto
Permite esta lavra
A cada palavra
Tecendo infinito,
E sendo poeta
Amor minha meta,
O verso é meu grito!

SOBRE VERSO DE SUNNY LÓRA

29905


“Hoje procuro em terra a embarcação”
Que possa me trazer algum alento,
A vida se perfaz em sofrimento
Enquanto no infinito a direção
Meu verso se completa em tanto não,
Mas nele vez em quando me apascento
Domando o mais complexo pensamento
Aonde quis um dia meu verão
O tempo sonegando cada fato
E tanto noutro tanto me retrato
Que eu possa me fazer de luz e brilho,
Assim ao me entregar à poesia
Um quanto ainda vivo fantasia
Diverso deste engodo que ora trilho.

SOBRE VERSO DE NATHAN DE CASTRO.


29906


“Se os caminhos são confusos”
Muitas vezes diz engano
O que penso em desengano
Complicando velhos fusos
E se em tantos parafusos
Dita o mundo soberano
O que tanto ainda ufano
Serve apenas aos desusos
Entre abusos, usos, farpas
Entre cortes, sortes; vejo
O que dita o meu desejo
Penetrando por escarpas
Logo o vale se aproxima
Melhorando uma auto-estima.

SOBRE VERSO DE MIGUEL JACÓ.



29907



“Por sobre o vasto mar e seu atol”
Solares maravilhas encontrei
Dourando com ternura a minha grei
Tocando com beleza este arrebol,
E quando permitisse assim a o sol,
O quadro pelo qual me emoldurei
Beleza sem igual eu naveguei
Amor se demonstrando ser de escol,
E tanto poderia ser assim
A vida deveria ter em mim
Tranqüilidade imensa em tal beleza
E quando me sentisse mais feliz
A sorte desairosa não desdiz
Levada pela rara correnteza.

SOBRE VERSO DE ARÃO FILHO.


29908


“Tremo com o silêncio dos honestos”
E sinto assim que pode ainda haver
Depois de tanto inglório desprazer
Momentos que não sejam tão funestos
Não posso perceber entulhos, restos
Aonde poderia mesmo crer
Num raro e tão sobejo amanhecer
Deixando para trás torpes incestos
Na sorte em derrocada, dor cruel
O mundo não traduz o seu papel
E mata qualquer sonho de um momento
Ao menos onde eu possa desvendar
Beleza tão poética em luar
E nela com certeza enfim me alento.

SOBRE VERSO DE JACÓ FILHO.


29909


“Traz a festança revirando a ceia”
A forte tempestade em que se vê
A vida sem saber sequer por que
E nela cada angústia se receia,
A lua que pensara outrora cheia
Agora bem distante não mais crê
Na vida em desregrado rumo e o se
Domina a realidade em que se anseia
A sorte no horizonte desvendada
Raiando com o sol numa alvorada
Aonde iridescente raio eu vejo,
E quando se tornasse tão brumosa
A morte se mostrando caprichosa
Matando o que eu sonhara em azulejo

SOBRE VERSO DE VITOR DE SILVA

29882/83/84/85/86/87/88/89/90/91/92/93/94/95

29882

“A vila estava enfeitada”
Coração na boca, o sonho
Antes fosse mais risonho
Poderia ensolarada
A manhã felicitada
Pelo quanto recomponho
Do meu dia e me proponho
Renascer após o nada
Onde tanto poderia
Já não cabem mais palavras
E os meus versos ditam lavras
Sorte em festa? Não desvendo,
Mas encanto que estupendo
Renascendo em poesia...


SOBRE VERSO DE ALEXANDRE TAMBERELLI


29883

“Eu queria um poema que imprimisse”
Em minha tez além do sofrimento
Aonde tatuasse o pensamento
E nele novo tempo que inda visse
O olhar que na verdade não cobice
O quanto em cada verso dita alento
Porém se para tal vivo talento
Já não suportaria uma mesmice
E assim ao me entregar sem norte ou rumo
Errático cometa se eu me assumo
Enfrento os vendavais tão corriqueiros
Poeta/agricultor sabe as searas
E nelas muitas vezes tu me amparas
Gestando em calmaria estes canteiros.


SOBRE VERSO DE GABRIEL CHERUBASH

29884


“Sem forças recolhi meu amor parco”
Bebendo desta sorte tão funesta
E agora na verdade o que me resta
Levar como puder, a vida, o barco,
E sendo assim se errôneo mesmo eu arco
Enganos dominando a minha festa
Abrindo o coração, imensa fresta
O mundo se eu pudesse aqui abarco,
Mas vivo por viver e toco a vida
Embora reconheça uma saída
Embarco neste amor, mesmo sofrido
Herdando dissabores, nas tabernas
Diverso do que tanto agora externas
Ainda onde não fosse por libido.

SOBRE VERSO DE JRPALACIO


29885


“O que ela tem de bela tem de esnobe”
E assim bem poderia acreditar
Na deusa deste imenso lupanar
Não fosse desfilar com tanto bob
Querida, por favor assim não sobe
Tampouco se eu tentasse desvendar
Magias onde outrora fiz altar,
E agora nem se fosse por um hobby.
O quanto me fizeste de panaca
Meu barco noutro cais, amiga, atraca
Estorvo? Já me basta a solidão.
E tanto poderia ter nuances,
Mas quando pavoneias nunca alcances
Dos meus anseios todos, direção.

SOBRE VERSO DE GONÇALVES REIS


29886


“Nesse seu ar distante e indiferente”
A vida não mostrasse novo brilho
Enquanto fantasio e maravilho
Cenário onde se possa ou mesmo tente

Viver novo momento iridescente
E dele com ternuras eu polvilho
Diversa realidade onde palmilho
E beijo este passado, adolescente.

Sabendo do presente em que me vejo
Tocado num instante e num lampejo
Somente pela luz tão variável

Do encanto num segundo e nada além
Lembrança de outros dias ora vem
Transformando o implausível, palatável.

SOBRE VERSO DE KATHLEEN LESSA


29887

“Repetir eu não queria”
Mesmo engodo do passado,
E ao me ver tão desolado
Senda amarga e mais sombria
Destilando a poesia
Mesmo texto decorado,
Outro engano, tolo enfado
Repetindo antigo dia
Onde pude ser feliz,
Quando fora um aprendiz,
Mas ao ver as cicatrizes
Tatuadas; pesadelo
Tão somente por revê-lo
Desencantos? O que dizes.

SOBRE VERSO DE CELINA FIGUEIREDO


29888


“Princesa nunca fui, sequer pretendo”
O mundo transformando este castelo
Na angústia do sonhar, momento belo
Que fora noutro tempo, um estupendo
Delírio, mas agora que desvendo
Somente em minhas mãos, duro rastelo,
O quanto poderia e me enovelo
Nos dias em que a dor já me contendo
Não trazem nem as sombras do que fora
Uma alma muitas vezes sofredora
E nela esta verdade se completa,
Decerto caminheira do infinito,
O encanto tão passado eu exercito
No quanto traduzisse o ser poeta.

SOBRE VERSO DE HLUNA

29889


“Pouco a pouco subiríamos”
Ao que tanto desejamos
Se deveras formos ramos
Do que tanto concebíamos
E decerto percebíamos
Que sem termos, sermos amos,
Liberdade nós galgamos
Muito além do que sabíamos,
Coração se libertário
Sabe o quanto é necessário
Na verdade ter um sonho
E se dele eu me deserto
O meu segue incerto
O meu canto, então, medonho!

SOBRE VERSO DE REJANE CHICA






29890


“Pela encosta da praia vou vagueando”
Seguindo cada passo deste sonho
E nele com certeza eu me proponho,
Ao um dia mais tranqüilo, ou mesmo brando,
Ao ver as andorinhas, belo bando
Migrando pelos ares num risonho
Caminho, solitário; então me exponho,
A fantasia em dores sonegando
Um dia mais tranqüilo em ondas calmas,
Aonde se entregando nossas almas
Pudesse acreditar enfim no amor,
Porém tantas procelas vida afora
E o medo de seguir intenso aflora
Negando todo passo em vão torpor...

SOBRE VERSO DE HELENA GRECCO.


29891





“Bela rosa tem espinhos”
Deles fujo enquanto posso,
Mas encanto agora endosso
Quando sinto os teus carinhos,
Outros dias vãos, sozinhos
Sem o sonho teu e nosso,
Quanto em ti eu me remoço
Como eu fosse raros vinhos
E ao vagar em mansas ondas
As borrascas que me escondas
Perpetrando tal magia,
A minha alma embevecida
Quando estás em minha vida,
Noutro tanto fantasia...

SOBRE VERSOS DE OLHOS DE BONECA



29892


“A felicidade é uma triste canção”
E quando se pudesse ainda acreditar
Nas ânsias mais sutis e delas céu e mar
Singrando em tempestade, espúria direção,
A cada novo cais, eu sinto outro tufão,
A vida não podia assim determinar
A vária realidade e nela irei buscar
Apenas temporais, os nortes me trarão?
Assíduo sonhador eu tento outra saída
A morte desenhada aos poucos doma a vida
E a despedida então entranha cada verso,
Pudesse navegar em águas mais tranqüilas,
Porém quando a verdade amarga tu destilas,
O canto que ora faço, em si mesmo diverso.


SOBRE VERSO DE NEUSI SARDÁ.


29893


“Pintar co’o colorido da ilusão”
Um mundo mais suave e mesmo enquanto
Tentando novo manto e sem quebranto
Vibrasse nos delírios do sertão
Sabendo dos momentos que trarão
Caminhos para quem se perde ou tanto
E tendo esta certeza agora eu canto,
Matando o que pudesse solidão,
Escrevo cada verso como fosse
A vida este tormento que agridoce
Trouxesse tanta paz quanto a procela
Assim seara imensa descoberta
Enquanto me acolhendo ora deserta
Dicotomia intensa me revela...

SOBRE VERSO DE ANA MARIA GAZZANEO.



29894


“É lúdico enquanto dura”
E terrores logo após
Tanto assim os mesmos nós
Produzindo esta amargura
Aonde outrora quis ternura
Quando alenta é meu algoz,
E se manso diz feroz
Maltratando me depura,
Sendo assim a cada instante
Nave firme ou flutuante
Gera rosas nos espinhos
E se tento navegar
Ressecando céu e mar,
Quando traça os meus caminhos...

SOBRE VERSO DE CESAR LICZIBINSKI


29895

“Por aquela extensa e sinuosa estrada”
Vagando o caminheiro em busca de algum cais
Aonde não tivesse apenas vendavais
A sorte tanta vez há tempos destroçada
E nela não se vê sequer uma alvorada
Resposta a cada passo, assim se diz jamais,
Enquanto em vosso encanto, aos poucos derramais
Momento em que talvez ainda reste o nada.
Vencido pela angústia expondo a cada engodo
O quanto do meu passo enfrenta sempre o lodo
Mudando a direção deveras poderia
Saber porto seguro e nele enfim colher
A dádiva sublime e nela este prazer,
Porém somente a dor e nela esta agonia...


SOBRE VERSO DE NILS ZEN

quinta-feira, 15 de abril de 2010

29866/67/68/69/70/71/72/73/74/75/76/77/78/79/80/81

29866



“Ajustar sílabas num verso estreito”
Traçando o sentimento em poucas linhas
E quando se percebe te avizinhas
Do rumo que deveras satisfeito
Trazendo viva voz ao mais perfeito
Fazendo das palavras tuas, minhas,
Plantando maravilhas, não daninhas,
O encanto num soneto tem seu pleito
E dele se mostrasse em tom suave
Liberto caminheiro sabe da ave
E como fosse assim um passarinho
O coração cigano de um poeta
Grassando em fantasia se liberta
Bebendo das palavras, raro vinho.

SOBRE VERSO DE ÁLVARES PARAHYBA




29867


“Um sereno mirante em sáfara vereda”
Transgride com tal fúria a que se fez bacante
E vendo este caminho enquanto se agigante
A sorte noutro encanto, ao menos já conceda
A quem se fez poeta e assim quer e segreda
Falando sobre o tanto aonde fascinante
Orgástica alameda e nela a cada instante
O mundo se traduz; loucura em que proceda
O rito sensual e dele não se negue
Sequer a fantasia aonde já navegue
O tanto que desejo e sei ser muito além
Da senda preferida e sempre desejada
Alçando o paraíso insana madrugada
Aonde cada gozo, o que mais nos convém...


SOBRE VERSO D FÁBIO R


29869


“Depois da benzedura fico quieto”
Já não comporta a porta em que engana
Assim a minha vida é mais profana
E o sexo meu assunto predileto,
E quando se prepara algum afeto
A morte não se mostra soberana
Enquanto este calor em mim se ufana,
Meu verso não seria mais completo
Não fosse esta certeza aonde vejo
Momento mais tranqüilo em azulejo
Ditando alguma sorte pra quem tanto
Sabendo usufruir sem mais perguntas
As almas em sevícia seguem juntas
Usando da nudez divino manto...


SOBRE VERSO DE JIMII

29870

“A vida que tem também faces ferozes”
Ao trazer a dor repete velha história
E dela se faz o que bem sei vanglória
E ninguém mais escuta nossas vozes
Os dias comuns, mordazes quando atrozes
Não sabem jamais o que fora vitória
E traçam do não destroços da memória
Sabendo o terror e neles meus algozes
E do que passou prevejo o que virá
Caso a direção não mude desde já
Mudança sutil ao menos poderia
Gestar nova luz e dela com certeza
O que se faz vil devorando tal presa
A faca nas mãos matando a fantasia.

SOBRE VERSO DE ROMMEL WERNECK

29871

“O azul do beija-flor, o azul da arara,”
Azulejando o céu de uma esperança
Aonde o olhar azul da sorte lança
O sul em azuis tons, o sol aclara,
E quando outrora blues agora em rara
Sobeja fantasia a vida avança
E assim em tons marinhos não se cansa
E a cada nova sorte anil declara,
Esboças o matiz desta alvorada
E nela se porfia novo tempo,
Deixando em tons sombrios contratempo
Iridescência em sonhos declarada
E nesta confluência, belos tons
Os dias com certeza serão bons.

SOBRE VERSO DE NILZA AZZI.


29872

“Pinta o sete, celeste e tupi,”
Coração que se fez mais feliz
Um eterno e sincero aprendiz
Do que tanto sabia ou perdi
Existindo a promessa que em ti
Reconheço e deveras eu quis
Não permita maior cicatriz
Do que aquela que sei desde aqui
A esperança traçando outra senda
Onde outrora se fez mais cruel
Verdejante esta mata, este céu
De um anil bem maior se desvenda
Atendendo ao que tanto sonhei
Da justiça dourando esta grei.

SOBRE VERSO DE AMARGO







29873

“Pra quê querer a cruz, dar asas à vaidade?”
Não poderia mesmo ainda acreditar
Num dia em que esta vida imersa em luz solar
Diversa deste nada aonde já degrade
Encanto de outro tempo, esboço uma saudade
E vejo tão somente o frio me tomar
Matando o que pensei em sol por sobre o mar,
E apenas o vazio enfim domina e invade.
Seara destroçada, assim vejo o futuro
Aonde poderia um cais manso e seguro
Palavra que se lavre em paz e temperança
Agora sem esteio eu sinto amortalhada
A velha poesia ausente ou desolada,
Ao ver o teu soneto entranha esta esperança!

SOBRE VERSO DE FIORE CARLOS

29874

“onde o vento feroz vem celebrar a Morte”
Assisto à derrocada aonde houvera um sonho
Cenário se enlutando em ar duro e medonho
Pudesse ter aqui ao menos novo norte
Das brumas tão venais a vida em vil aporte
O quanto em solidão num ar torpe e tristonho
Enquanto outro momento, às vezes eu proponho
E dele qualquer luz, espero que comporte.
Mas sei quanto é sofrida a vida de quem tenta
Vencer com calmaria a fúria da tormenta
E nada conseguindo, entraves corriqueiros
E neles se revela a sorte desdenhosa
De quem ao ver a dor, da dor intensa goza
Meus versos do final são meros mensageiros...


SOBRE VERSO DE VIDENTE








29875


“Há de entender que as cores da saudade”
Transformam o passado em viva voz,
E assim ao mergulhar em cena atroz
Apenas a lembrança desagrade,
E cria novamente tola grade
Aonde poderia em novos nós
Matar este passado mais feroz
E quando isto se torne realidade
A espessa maravilha feita em luz
Pudesse novamente além da cruz
Gerar outro momento em luz sublime,
Mas quando renascido este vazio,
A cena em que meu verso, pois desfio
Desnuda em torpe luto, um velho crime

SOBRE VERSO DE CIRO DI VERBENA


29876


“ATUA EM MINHA VIDA, ASSIM TÃO BELA”
A sorte desenhada em tantos brilhos
Os sonhos são deveras andarilhos
Enquanto a poesia me revela
O tanto que se em luzes farta sela
A vida em novos rumos, claros trilhos
Não vendo a cada passo os empecilhos,
Perfaço a poesia como a tela
Que tanto poderia me trazer
Além de simplesmente algum prazer
A magistral idéia do perfeito,
Distante desta senda, nada faço
E tento reparar errôneo traço,
Mas mesmo assim no verso eu me deleito!


SOBRE VERSO DE RONALDO RHUSSO


29877


“Ser feliz é um átimo na vida”
Um instantâneo apenas, nada mais
Enfrento a cada dia os vendavais
Buscando, labirinto, uma saída
E tanto se prepara a despedida
Enquanto os versos fossem mais venais
E deles adivinho este jamais
Do qual a sorte atroz se faz urdida,
Esgueiro-me entre as sendas mais terríveis
Buscando novos tempos impossíveis
E neles o que tanto ainda agrade
Quem sabe poderei de certa forma
Beber a fantasia que transforma
Gerando enfim em mim: felicidade!

SOBRE VERSO DE EMÍLIO CASTRO ALVES



29878

“Acendo outro cigarro, o fumo me conforta...”
Assim ao me entregar aos sonhos do passado
O mundo que eu sonhara há tanto abandonado
Abrindo o coração; antiga e torpe porta
Enquanto esta ilusão ainda chega e aporta
O corte a cada não eu sinto aprofundado
O amor que eu tanto quis; num bar tão desolado
Seara da esperança eu sinto agora morta,
E o vento na janela, a vida noutro rumo
E como este cigarro aos poucos eu me esfumo
E vejo a solidão tomando todo espaço
Aonde poderia ainda crer na sorte
Diversa da que tenho e ainda me porte
O olhar nesse horizonte, ausente, morto, lasso...

SOBRE VERSO DE GOLBERY CHAPLIN


29879


“Pra que meu mundo só de azul se vista”
Entranho pelos céus em azulejo
E quando alguma bruma inda prevejo
Momento que envilece não assista
Quem tanto percebera e até insista
Singrando cada via do desejo
E tanto se formando num lampejo
A sorte que é deveras tão benquista
Assisto aos derradeiros pesadelos
E quando vejo o azul ora envolvê-los
Tornando a minha noite mais risonha
Agraciando a messe de viver
Com tal imensidão feita em prazer,
Uma alma tenta o anil, liberta sonha...

SOBRE VERSO DE OKLIMA


29880


“Invento, quando em vez, fazer aposta”
Sabendo da derrota antes do fato
E tanto quanto posso me maltrato
A vida a cada passo mais desgosta
De quem se imiscuindo sabe a crosta
E dela se percebe novo trato
O vento se transcorre em desacato
Palavra; eu não aceito quando imposta,
E tento a liberdade a cada passo
E tanto se pudesse, mas não faço
Do gozo temerário em vaga sorte,
Reveses eu conheço já de cor,
Não sei ser se menor tanto ou maior
Apenas que o prazer dome e comporte.

SOBRE VERSO DE PAULO CAMELO

29881


“Duração de uma ruga retocada”
Especular vontade num aborto
Assim uma esperança em ar já morto
Não deixa que se veja além mais nada
E quando se propõe uma alvorada
Nefanda realidade dita o porto
E sigo; quantas vezes, mais absorto
Revivo a cada não a madrugada
Aonde em disparates me perdera
E tanto não pudera ou concebera
Ainda o renascer, mesmo tardio
Percorro as velhas sendas do que fora
E agora se percebe tentadora
A morte em cada verso, desafio...


SOBRE VERSO DE CARTA E VERSO

29860/61/62/63/64/65

29860

“Tendo às mãos o poder de ser feliz,”
Eu sei o quanto posso caminhar
Sabendo quando devo navegar
Vivendo o que deveras eu bem quis,
Assisto à derrocada e a cicatriz
Expressa a realidade aonde o mar
Pudesse cada sonho transformar
E tanto quanto pude se desdiz
O passo noutro tanto em que buscara
Além da vida atroz, feroz e amara
O brilho iridescente da manhã
E sei da luta audaz que ora perfaço
Ganhando pouco a pouco em duro traço
O corte mesmo quando a vida é vã.

SOBRE VERSO DE ELISCHA DEWES


29861


“Bebei do seu fragor, o vinho tinto e puro,”*
E trace com carinho o mundo que virá
E dele novamente o sol se mostrará
Enquanto em fantasia atroz assim perduro,
Vencendo a tempestade e tendo o que procuro
O mundo mais tranqüilo e disso desde já
Eu faço com meu verso o quanto poderá
Trazer felicidade em céu outrora escuro,
Não tendo mais a dor aonde se previra
A morte em vida ou mesmo a solidão venal,
O passo que perfaço adentra imenso astral
E assim se molda a sorte e quando a paz é mira
Atiro-me no encanto aonde traduziste
O coração em luz, antigamente triste...

SOBRE VERSO DE EDIR PINA DE BARROS

29862


“Timbre viril no sangue, a inconseqüência”
Funesta realidade em que se vê
Um mundo aonde tanto e sem por que
A vida se mostrando em inocência
Assim ao perceber total ausência
Do fato que mostrara e sem se crê
Na solução porquanto se revê
História com terrível anuência
Do pendular caminho onde porfio
O quanto pude até num desafio
Fazer novo soneto em tom maior,
Jazigo da esperança o verso atroz,
E nele se escutando a minha voz,
Estrada para o fim, eu sei de cor....

SOBRE VERSO DE MIGUEL EDUARDO GONÇALVES

29863

“O nexo de viver, um tempo original.”
Aonde se pudesse acreditar
Mais forte do que céu, luar e mar
O verso se mostrasse triunfal
Ascendo assim degrau após degrau
Ao quanto mais desejo imaginar
Vencendo os meus temores, devagar
Encontra um sereno então a nau
Porquanto não gestasse outro caminho,
E quando me encontrasse mais sozinho
Pudesse neste pouco, muito ou tanto
Erguendo o meu olhar neste horizonte
Sabendo a direção na qual se aponte
O rumo noutro encanto que ora canto.

SOBRE VERSO DE DIANA GONÇALVES

29864

“quisera amar-te, mas não sou capaz,”
E assim talvez consiga ver o quanto
Depois de tantas dores, desencanto
Encontro finalmente a imensa paz,
E quanta fantasia o sonho traz
Embora se perceba torpe manto
Aonde a solidão, duro quebranto,
Traçando um dia a dia tão mordaz,
Mas quando no oceano da ilusão
Mergulho e percebendo a direção
Dos barcos eu desvendo assim o cais,
E dele me ancorando em fantasia,
A mão que tanto acolhe enquanto guia
Traçando novos dias, magistrais.

SOBRE VERSO DE ELODY

29865


“E pudessem então explicar essa dor”
Que aqui conserva o medo aonde poderia
Saber tão simplesmente apenas da alegria
E nela novamente o rumo recompor,
Quisera acreditar e assim sem mais temor
Urdindo com meu verso a imensa fantasia
Aonde o caminhar deveras me traria
Além desta mortalha o bem do grande amor,
Pudessem me falar, os sonhos, pesadelos
Que a cada nova noite estúpida revê-los
Trazendo ao sonhador a fúria das tempestas
E delas se mostrasse um novo alvorecer
Enquanto se traçasse assim em tal prazer
A luz em galhardia, aonde a paz tu gestas.


SOBRE VERSO DE MARCELO BANCALERO

HOMENAGEM A ISAIAS GAMBOA

LA SONRISA DEL RETRATO


Pintaba un gran artista la figura
de una mujer; pero en la boca había
un rasgo que a su genio se escondía,
que escapa al pincel y a la pintura:
una sonrisa de ideal belleza,
que era como un destello de ternura
perdido en una sombra de tristeza.

De repente el pintor, en la ansia loca
del genio que al crear se inmortaliza,
en un golpe de luz trazó en la boca
la secreta expresión de la sonrisa.

Miró su obra el artista un largo rato
con la muda ansiedad del embeleso.
Y, después, en un íntimo arrebato,
acercóse frenético al retrato,
y borró la sonrisa con un beso.

ISAÍAS GAMBOA
















1



“Desmanchou o sorriso com um beijo”
Dessedentando o quando desejara
A sorte noutra senda bem mais clara
E dela este momento qual lampejo
No qual a cada instante enfim prevejo
O quanto poderia ser mais rara
A vida aonde o sonho se embarcara
Gestando algum instante mais sobejo.
Não pude desvendar outro caminho
Somente deste amor em que me alinho
Vibrando com ternura aonde um dia
O verso se fez forte e com ternura
Assim a vida gera esta moldura
Aonde guardo viva a fantasia...


2


“frenético, acercou-se do retrato,”
Quem tanto desejara novo alento
E quando se mostrara em sofrimento
A sorte desandando noutro fato
Aonde poderia ser regato
Imensa corredeira e em tal tormento
A foz já se distando, o pensamento
Traçando outro caminho mais ingrato.
Assume-se decerto este cenário
Gerado por que tanto em abandono
Porquanto da ilusão teimo e me adono,
O amor seria um mal tão necessário,
Viceja uma esperança mais sutil,
O quanto desejei? Nunca se viu...


3


“E depois num momento eu me arrebato”
E sigo contra toda esta vileza
Do amor que quando traz uma incerteza
Gestando invés de luz, algum maltrato,
Refém de alguma fúria já passada
Não posso caminhar, perco o futuro,
E quando de outro tanto me asseguro
Ainda não vislumbro quase nada,
Estrada sem sequer acostamento,
O peso da promessa não cumprida
Não deixa a quem porfia uma saída
E assim esta mortalha eu apresento
No cerne da questão, amor e glória
Ao fim só vejo em dor, luz merencória.


4


“Com a muda ansiedade da beleza”
Que pode me trazer dor e transtorno
Enquanto ao meu passado não retorno
Ainda segue viva esta incerteza,
E sendo ao fim de tudo, mera presa
Aonde se pensara em tempo morno,
A vida sem sequer qualquer adorno
Não traça o que eu buscara, e sem surpresa
Eu teimo contra a força da ilusão
E dela novos medos moldarão
Cenário em que se vê caricatura
Do sonho transformado em pesadelo
Pudesse, meu amor, enfim contê-lo,
Porém a tua ausência me tortura.


5


“Mirando; o artista esta obra em longo tempo”
Percebe quantas cores, mil matizes,
Deixando para trás velhos deslizes,
A sorte superando o contratempo.
Mas tudo não passando de esperança
E dela não se vê mais um sinal
Aonde poderia triunfal
Ao mesmo desvario já se lança
A vida em tal mortalha desenhada,
Assisto esta beleza com tal zelo
E mesmo este cenário posso vê-lo
Diverso do que tanto vira em nada,
Disfarço, mas percebo deste artista
A força de quem teima e não despista.

6

“A secreta expressão de algum sorriso”
Trazendo paz a quem tanto soubera
Da vida como amarga e dura fera
E dela cada passo em tom preciso
Mergulha neste imenso prejuízo
Aonde não se vê mais primavera
E quando a realidade se tempera
Traçando um passo atroz, mesmo impreciso
Ainda poderia crer num fato
No qual a cada passo me retrato
Enquanto me fizesse mais feliz,
O mundo esvaecendo alguma luz
Invade cada dia em que me pus
Tentando desvendar o quanto eu quis.


7


“com um golpe de luz trançou na boca”
Beleza de um sorriso à Mona Lisa
A sorte muitas vezes não avisa
Enquanto noutra senda já se aloca
E assim ao se mostrar bem dividida
Mesquinharia dita o que pudesse
E mesmo se inda houvesse rito ou prece
De nada valeria em minha vida,
Perdido sem sentido há tantos anos
Apenso no futuro em Luz sombria,
O quanto ao nada ser o hoje me guia
Gerindo o que me resta: desenganos,
Não pude ter comigo um novo sol,
Neblina dominando este arrebol...



8


“do gênio que ao criar se imortaliza”
Traçando em perfeição; belo cenário
O quanto se fizesse necessário
Trazendo invés da fúria, mansa brisa,
Descrevo com ternura cada verso
E dele renascendo outro soneto
E enquanto na esperança eu me arremeto,
O mundo que pensara mais perverso
Expressa a redenção de quem partira
E enfrenta as mais terríveis tempestades
Portanto quando incerta me degrades
Apagas a ilusão que é tosca pira
E o quanto em carrossel a vida trama
O quanto poderia ter em chama...



9


“De repente o pintor numa ânsia louca”
Expressa com beleza bem sutil
Aquilo que somente o amor previu
E desta maravilha se treslouca
Uma alma enamorada mesmo quando
Em ares mais sombrios se percebe
O quanto em desamor vida se embebe
Aos poucos fantasia, assim, matando,
Esgares costumeiros, nada além
Assim se perpetua o que sofri,
Procuro insanamente e sei de ti
Somente pelas ânsias que contêm
A vida noutra esfera mais atroz
Rompendo o que pensara em fortes nós.


10



“perdido numa sombra de tristeza”
Assisto à derrocada deste sonho
E quando à realidade atroz me oponho
A vida não prepara outra surpresa
E sigo quando quero quase ileso,
Mas sei das Dores tantas de outras eras
E assim quando em terror tu me temperas
Matando este delírio que ora prezo,
Acendo esta lanterna e posso ver
Apenas os sinais que tanto quis
Morrendo a cada dia este infeliz
Não poder conceber qualquer prazer
Aonde merecia alguma chance,
Da luz que redimisse, nem nuance...


11

“O que era como um brilho de ternura”
Agora se mostrando muito mais
Vencendo em mansidão os vendavais
A sorte finalmente se assegura
No passo mais audaz em que se cria
O tempo mais tranqüilo em calma foz,
Assim o que pensara outrora atroz
Deveras noutra face mais sombria
Encontro com total beleza quando
O mundo se mostrara mais gentil
E tendo esta certeza aonde viu
O amor noutro caminho transbordando,
Inunda-se de sonho e de esperança
A vida que em tais cores sempre avança.


12


“um sorriso de esplêndida beleza,”
Traçado pelas mãos de que conhece
Ao mesmo tempo dita a plena messe
Matando o que já fora uma incerteza
E assim ao se vencer a tempestade
Não pude mais sentir sequer alento
E quando nos teus lábios me apascento
Ternura incomparável, pois me invade
E posso ter nas mãos o novo dia
E dele cada verso se fará
Tocando desde aqui e desde já
A sorte com sobeja maestria,
Refém deste momento em luz imensa
Uma alma noutra coisa não mais pensa...


13


“que escapava ao pincel e à pintura”
As sombras de um passado mais mordaz,
Mas quando esta ventura agora traz
A mão que tanto fia e me assegura
Cenário mais bonito em que prevejo
Realizados todos os delírios
Deixando no passado tais martírios
O mundo com ternura em verso eu vejo
E bebo cada gota do que fora
Além de mera luz, intensidade
Matando o que restara em mim, saudade
Uma alma volta a ser tão sonhadora,
E tendo esta certeza em seu buril,
A sorte novo tempo em paz, previu..



14


“um rasgo que a seu gênio se escondia,”
Gerando a melhor sorte a quem se dera
Desesperança atroz, temível fera
Já não conhece mais a luz do dia,
Mortalha que tecera esta agonia
Delírio de um poeta em primavera?
Não mesmo, minha sorte se tempera
No brilho que este olhar ora irradia,
E vejo novo mundo em minha frente
O quanto do prazer já se pressente
Acrescentando luzes a quem tanto
Soubera desfiar com verso e canto,
O mundo mais feliz que me apascente
Deixando no passado algum quebranto.



15



“Da formosa mulher em que se via”
Beleza incomparável, doce encanto,
Amando muito além não tendo o pranto
Que tanto maltratara à revelia
Dos sonhos onde a luz já não porfia
Nem mesmo se tecesse um novo manto
O peso do viver, e me adianto
Traçando com ternura novo dia,
Quem sabe a cada verso que ora faço
O mundo se permita em belo traço
E gere do vazio um novo mundo
Assim ao me sentir bem mais feliz,
Vivendo a glória intensa a qual prediz
O quadro em tanto brilho, mais profundo...


16


“Pintava um grande artista uma figura”
E dela se trazia em cores fartas
As sendas mais diversas, dita as cartas
E delas se percebe esta brandura
O quanto desta vida me assegura
As ondas mais sublimes se descartas
E quando para além já não mais partas
A sorte mais sublime se emoldura
No quadro feito em glória e tal beleza
Que tanto mostra o quão iridescente
O mundo quando o amor doma e apresente
A vida noutro encanto, e assim se preza
Os mais brilhantes tons, raros matizes
Deixando os meus momentos mais felizes...

29854/55/56/57/58/59

28954

“O que era como um brilho de ternura”
Agora se mostrando muito mais
Vencendo em mansidão os vendavais
A sorte finalmente se assegura
No passo mais audaz em que se cria
O tempo mais tranqüilo em calma foz,
Assim o que pensara outrora atroz
Deveras noutra face mais sombria
Encontro com total beleza quando
O mundo se mostrara mais gentil
E tendo esta certeza aonde viu
O amor noutro caminho transbordando,
Inunda-se de sonho e de esperança
A vida que em tais cores sempre avança.


29855


“um sorriso de esplêndida beleza,”
Traçado pelas mãos de que conhece
Ao mesmo tempo dita a plena messe
Matando o que já fora uma incerteza
E assim ao se vencer a tempestade
Não pude mais sentir sequer alento
E quando nos teus lábios me apascento
Ternura incomparável, pois me invade
E posso ter nas mãos o novo dia
E dele cada verso se fará
Tocando desde aqui e desde já
A sorte com sobeja maestria,
Refém deste momento em luz imensa
Uma alma noutra coisa não mais pensa...


29856


“que escapava ao pincel e à pintura”
As sombras de um passado mais mordaz,
Mas quando esta ventura agora traz
A mão que tanto fia e me assegura
Cenário mais bonito em que prevejo
Realizados todos os delírios
Deixando no passado tais martírios
O mundo com ternura em verso eu vejo
E bebo cada gota do que fora
Além de mera luz, intensidade
Matando o que restara em mim, saudade
Uma alma volta a ser tão sonhadora,
E tendo esta certeza em seu buril,
A sorte novo tempo em paz, previu..



29857


“um rasgo que a seu gênio se escondia,”
Gerando a melhor sorte a quem se dera
Desesperança atroz, temível fera
Já não conhece mais a luz do dia,
Mortalha que tecera esta agonia
Delírio de um poeta em primavera?
Não mesmo, minha sorte se tempera
No brilho que este olhar ora irradia,
E vejo novo mundo em minha frente
O quanto do prazer já se pressente
Acrescentando luzes a quem tanto
Soubera desfiar com verso e canto,
O mundo mais feliz que me apascente
Deixando no passado algum quebranto.



29858



“Da formosa mulher em que se via”
Beleza incomparável, doce encanto,
Amando muito além não tendo o pranto
Que tanto maltratara à revelia
Dos sonhos onde a luz já não porfia
Nem mesmo se tecesse um novo manto
O peso do viver, e me adianto
Traçando com ternura novo dia,
Quem sabe a cada verso que ora faço
O mundo se permita em belo traço
E gere do vazio um novo mundo
Assim ao me sentir bem mais feliz,
Vivendo a glória intensa a qual prediz
O quadro em tanto brilho, mais profundo...


29859


“Pintava um grande artista uma figura”
E dela se trazia em cores fartas
As sendas mais diversas, dita as cartas
E delas se percebe esta brandura
O quanto desta vida me assegura
As ondas mais sublimes se descartas
E quando para além já não mais partas
A sorte mais sublime se emoldura
No quadro feito em glória e tal beleza
Que tanto mostra o quão iridescente
O mundo quando o amor doma e apresente
A vida noutro encanto, e assim se preza
Os mais brilhantes tons, raros matizes
Deixando os meus momentos mais felizes...

29849/50/51/52/53

29849

“A secreta expressão de algum sorriso”
Trazendo paz a quem tanto soubera
Da vida como amarga e dura fera
E dela cada passo em tom preciso
Mergulha neste imenso prejuízo
Aonde não se vê mais primavera
E quando a realidade se tempera
Traçando um passo atroz, mesmo impreciso
Ainda poderia crer num fato
No qual a cada passo me retrato
Enquanto me fizesse mais feliz,
O mundo esvaecendo alguma luz
Invade cada dia em que me pus
Tentando desvendar o quanto eu quis.


29850


“com um golpe de luz trançou na boca”
Beleza de um sorriso à Mona Lisa
A sorte muitas vezes não avisa
Enquanto noutra senda já se aloca
E assim ao se mostrar bem dividida
Mesquinharia dita o que pudesse
E mesmo se inda houvesse rito ou prece
De nada valeria em minha vida,
Perdido sem sentido há tantos anos
Apenso no futuro em Luz sombria,
O quanto ao nada ser o hoje me guia
Gerindo o que me resta: desenganos,
Não pude ter comigo um novo sol,
Neblina dominando este arrebol...



29851


“do gênio que ao criar se imortaliza”
Traçando em perfeição; belo cenário
O quanto se fizesse necessário
Trazendo invés da fúria, mansa brisa,
Descrevo com ternura cada verso
E dele renascendo outro soneto
E enquanto na esperança eu me arremeto,
O mundo que pensara mais perverso
Expressa a redenção de quem partira
E enfrenta as mais terríveis tempestades
Portanto quando incerta me degrades
Apagas a ilusão que é tosca pira
E o quanto em carrossel a vida trama
O quanto poderia ter em chama...



29852


“De repente o pintor numa ânsia louca”
Expressa com beleza bem sutil
Aquilo que somente o amor previu
E desta maravilha se treslouca
Uma alma enamorada mesmo quando
Em ares mais sombrios se percebe
O quanto em desamor vida se embebe
Aos poucos fantasia, assim, matando,
Esgares costumeiros, nada além
Assim se perpetua o que sofri,
Procuro insanamente e sei de ti
Somente pelas ânsias que contêm
A vida noutra esfera mais atroz
Rompendo o que pensara em fortes nós.


29853



“perdido numa sombra de tristeza”
Assisto à derrocada deste sonho
E quando à realidade atroz me oponho
A vida não prepara outra surpresa
E sigo quando quero quase ileso,
Mas sei das Dores tantas de outras eras
E assim quando em terror tu me temperas
Matando este delírio que ora prezo,
Acendo esta lanterna e posso ver
Apenas os sinais que tanto quis
Morrendo a cada dia este infeliz
Não poder conceber qualquer prazer
Aonde merecia alguma chance,
Da luz que redimisse, nem nuance...

29844/45/46/47/48

29844



“Desmanchou o sorriso com um beijo”
Dessedentando o quando desejara
A sorte noutra senda bem mais clara
E dela este momento qual lampejo
No qual a cada instante enfim prevejo
O quanto poderia ser mais rara
A vida aonde o sonho se embarcara
Gestando algum instante mais sobejo.
Não pude desvendar outro caminho
Somente deste amor em que me alinho
Vibrando com ternura aonde um dia
O verso se fez forte e com ternura
Assim a vida gera esta moldura
Aonde guardo viva a fantasia...


29845


“frenético, acercou-se do retrato,”
Quem tanto desejara novo alento
E quando se mostrara em sofrimento
A sorte desandando noutro fato
Aonde poderia ser regato
Imensa corredeira e em tal tormento
A foz já se distando, o pensamento
Traçando outro caminho mais ingrato.
Assume-se decerto este cenário
Gerado por que tanto em abandono
Porquanto da ilusão teimo e me adono,
O amor seria um mal tão necessário,
Viceja uma esperança mais sutil,
O quanto desejei? Nunca se viu...


29846


“E depois num momento eu me arrebato”
E sigo contra toda esta vileza
Do amor que quando traz uma incerteza
Gestando invés de luz, algum maltrato,
Refém de alguma fúria já passada
Não posso caminhar, perco o futuro,
E quando de outro tanto me asseguro
Ainda não vislumbro quase nada,
Estrada sem sequer acostamento,
O peso da promessa não cumprida
Não deixa a quem porfia uma saída
E assim esta mortalha eu apresento
No cerne da questão, amor e glória
Ao fim só vejo em dor, luz merencória.


29847


“Com a muda ansiedade da beleza”
Que pode me trazer dor e transtorno
Enquanto ao meu passado não retorno
Ainda segue viva esta incerteza,
E sendo ao fim de tudo, mera presa
Aonde se pensara em tempo morno,
A vida sem sequer qualquer adorno
Não traça o que eu buscara, e sem surpresa
Eu teimo contra a força da ilusão
E dela novos medos moldarão
Cenário em que se vê caricatura
Do sonho transformado em pesadelo
Pudesse, meu amor, enfim contê-lo,
Porém a tua ausência me tortura.


29848


“Mirando; o artista esta obra em longo tempo”
Percebe quantas cores, mil matizes,
Deixando para trás velhos deslizes,
A sorte superando o contratempo.
Mas tudo não passando de esperança
E dela não se vê mais um sinal
Aonde poderia triunfal
Ao mesmo desvario já se lança
A vida em tal mortalha desenhada,
Assisto esta beleza com tal zelo
E mesmo este cenário posso vê-lo
Diverso do que tanto vira em nada,
Disfarço, mas percebo deste artista
A força de quem teima e não despista.

HOMENAGEM A ÂNGELO DE LIMA

SONETO

Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz, do esquecimento...

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára m cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado...
Pára e fica e demora-se um momento.

Pára e fica na doida correria...
Pára à beira do abismo e se demora
E mergulha na noite escura e fria

Um olhar de aço que essa noite explora...
Mas a espora da dor seu flanco estria
E ele galga e prossegue sob a espora.


ÂNGELO DE LIMA





1

“E ele galga e prossegue sob a espora”
Dos medos e terrores que amealho
Enquanto se procura por atalho
O medo de viver a sorte escora
E muda a cada passo enquanto tem
A vida em desmedida dor intensa
Sem ter sequer quem tanto me convença
Do gozo prosseguindo muito aquém
Amortecida dor em passo errático
Corcel das esperanças segue ao léu
Aonde poderia ter um céu
O canto não mostrara em senso prático
Senão este vazio que inda trago,
Matando a placidez de um torpe lago.


2

“Mas a espora da dor seu flanco estria”
E gera este temor enquanto sigo
Deveras procurando por abrigo
A noite não seria tanto fria
Não fosse a realidade tão atroz
E quando se percebe mais distante
A sorte noutra face deslumbrante
Calando do meu peito a intensa voz
Não pude ser assim sequer poeta
E tanto quis decerto novo prumo,
Engodos reconheço e logo assumo
A fúria noutra tanta se completa
A melodia morre e não traduz
Sequer um simples facho, opaca luz.


3


“Um olhar de aço que essa noite explora”
Galgando o quanto pude e não existe
Sentindo o meu destino alheio e triste
O quanto percebera e vai embora
Amarro os meus tormentos com o resto
Em gotas mais sutis e nada vejo
Sequer o que pudesse algum lampejo
Aonde se mostrara ora indigesto,
Assisto aos meus momentos mais doídos
E nunca poderia imaginar
Encanto no horizonte sem luar
Os versos noutras sanhas são sentidos
E quando me conduzo ao mesmo não
Da trama nem sentido ou direção.


4


“E mergulha na noite escura e fria”
Esta alma sem destino alheia ao quanto
Ainda em solilóquio, tolo eu canto
Enquanto não percebo a fantasia
Da qual a vida agora não percebe
Sequer qualquer momento mais tranqüilo
E quando a dor sem tréguas eu desfilo
Tornando mais cruel a velha sebe
Recebo o mesmo não tão costumeiro
E morro sem saber doutro momento
Senão imenso medo e me atormento
E quando atocaiado não esgueiro
Enfrento esta tocaia em que me deste
O solo que ora cevo, embora agreste.


5


“Pára à beira do abismo e se demora”
Enquanto não percebe solução
Assim outros caminhos não trarão
Nem mesmo a poesia e sem demora
A vida se esvaindo neste tanto
Aonde se pudesse acreditar
Nas tramas tão diversas e entranhar
Ao menos qualquer, mas falso o encanto
E dele nada tenho mesmo quando
Pensara noutro rumo sem penhascos,
Quebrando da esperança finos frascos
Fiascos com terror se preparando
E nada do que possa ainda arrisco,
O amor que outrora quis, agora arisco.


6


“Pára e fica na doida correria”
Sem rumo ou norte enquanto não se vê
Ainda procurando algum por que
A sorte desta forma desafia
O encanto que talvez inda pudesse
Traçar novo sentido, mas se vejo
O mundo sendo apenas um lampejo
O prêmio se desvia e não o merecesse
Quem busca novamente outro caminho
Embora muitas vezes perfilasse
Além do que se molda neste impasse,
Do fim a todo engano me avizinho
E sinto ser deveras o que resta
A quem se deu em face nunca honesta.

7


“Pára e fica e demora-se um momento.”
Ainda pasmo enquanto não mergulho
Sabendo a cada passo um pedregulho
No vago desta dor tanto lamento
E quando sou assim apenas morto
Deveras não consigo outra saída
E sei somente o pranto em despedida
Aonde poderia haver um porto,
Mesquinha luz cevada a cada dia
E nela me remeto sem respostas
Expondo o que decerto não mais gostas
Ainda novo rumo poderia
Quem segue errôneo passo rumo ao nada,
Já tendo a sua sorte desvairada...



8

29837/38/39/40/41/42/43

29837


“Ante um abismo súbito rasgado”
Encontro o meu futuro em ar sombrio
Odiosa realidade desafio
Errôneo caminhar desde um passado
Aonde se fizera em ar medonho
O mundo que se mostra neste instante
Apenas num cenário tão frustrante
Matando o que sobrara de algum sonho
E deste nada ser eu mesmo sinto
O quanto poderia ser diverso
E tento com audácia um universo
Sabendo deste mundo agora extinto
E tanto quis oásis, mas miragem
Percebo na desértica paisagem.

29838


“Como pára um cavalo alucinado”
Assim eu me encontrava quando vi
A sorte tão diversa viva em ti,
Mudando o que pensara ser legado,
Vivesse qualquer forma de prazer
Apenas bastaria para quem
Entranha no vazio enquanto tem
Somente esta mortalha e sem se ter
Ao menos um momento de alegria
Esgota-se no não, terrivelmente
E quando outro caminho não pressente
Concebe a realidade vã sombria
E nela não colhendo mais as flores
Os grãos que ora cultiva: dissabores...

29839



“Pára surpreso, escrutador, atento,”
Ao ter esta diversa natureza
Da vida que se trama em incerteza
Deixando tudo ao velho e vário vento,
Aonde poderia haver a brisa
Tempesta se formando em ar sutil,
Decerto outro caminho se previu,
Mas quando a morte vem e não avisa
Medonha face exposta neste espelho
E dela se resulta outra tramóia
Uma alma sem guarida, alheia, bóia
E tenta procurar novo conselho,
Mas quando se percebe solitária
A sorte tão somente é temerária...


29840

“Ia em busca da paz, do esquecimento”
Que ao menos me alentasse após procelas
E quando outros desníveis, celas, selas
A vida revivendo o sofrimento
Alhures poderia ter a sorte
Que tanto desejara e nunca vira,
O amor quando demais acende a pira
Incendiando tudo e sem suporte
A noite se tornando em duras mágoas
Geridas pelo sonho em que frustrava
Resisto à tal maré, imensa e brava,
Reviso com terror as velhas fráguas
E tento desvendar este segredo,
Jazigo de mim mesmo, enfim eu cedo.

29841

“Na doida correria em que levado”
Correra após as tantas tempestades
Sabendo a cada passo velhas grades
Revivo as duras mágoas do passado,
Servindo de alimária a quem se fez
Somente em turva face, este bufão,
O tempo não promete viração
E nesta turva cena a insensatez
Tomando o que pudera ser ameno
Não tendo mais saída, rumo ao fim,
Destroço, tão somente, sigo assim,
E a cada novo não eu me enveneno,
Riscando assim do mapa a fantasia
A morte sem defesa se porfia.

29842

“Como que de repente refreado”
Depois de inúteis buscas onde tanto
Pudera ter visão do desencanto
Aonde o meu caminho eu vi guiado
Resisto, mas somente resistir
Não deixa qualquer chance que se veja
A sorte que pensara mais sobeja
Renega alguma luz em meu porvir,
Assim ao percorrer a mesma senda
Aonde tanto quis e não sabia
O mundo desabando em heresia
Sem ter sequer vontade que se atenda
Desvenda este cenário que de horror
Não deixa nem nuance de um amor.



29843


“Pára-me de repente o pensamento”
E apenas percorrendo a solidão
O tempo gera a mesma negação
E dela se percebe este momento
Assaz cruel aonde se mostrasse
Qualquer cenário torpe, tosco e frio
O tanto que pudesse, já desfio,
Somente encontro ao fim o mesmo impasse
Na face caricata que se vê
Na especular razão, tento uma luz
E quando a mesma imagem reproduz
Sem ter algum motivo, sem por que
Mergulho neste abismo e sigo ao léu,
Vagando por estrelas, meu corcel...

29830/31/32/33/34/35/36

29830

“E ele galga e prossegue sob a espora”
Dos medos e terrores que amealho
Enquanto se procura por atalho
O medo de viver a sorte escora
E muda a cada passo enquanto tem
A vida em desmedida dor intensa
Sem ter sequer quem tanto me convença
Do gozo prosseguindo muito aquém
Amortecida dor em passo errático
Corcel das esperanças segue ao léu
Aonde poderia ter um céu
O canto não mostrara em senso prático
Senão este vazio que inda trago,
Matando a placidez de um torpe lago.


29831

“Mas a espora da dor seu flanco estria”
E gera este temor enquanto sigo
Deveras procurando por abrigo
A noite não seria tanto fria
Não fosse a realidade tão atroz
E quando se percebe mais distante
A sorte noutra face deslumbrante
Calando do meu peito a intensa voz
Não pude ser assim sequer poeta
E tanto quis decerto novo prumo,
Engodos reconheço e logo assumo
A fúria noutra tanta se completa
A melodia morre e não traduz
Sequer um simples facho, opaca luz.


29832


“Um olhar de aço que essa noite explora”
Galgando o quanto pude e não existe
Sentindo o meu destino alheio e triste
O quanto percebera e vai embora
Amarro os meus tormentos com o resto
Em gotas mais sutis e nada vejo
Sequer o que pudesse algum lampejo
Aonde se mostrara ora indigesto,
Assisto aos meus momentos mais doídos
E nunca poderia imaginar
Encanto no horizonte sem luar
Os versos noutras sanhas são sentidos
E quando me conduzo ao mesmo não
Da trama nem sentido ou direção.


29833


“E mergulha na noite escura e fria”
Esta alma sem destino alheia ao quanto
Ainda em solilóquio, tolo eu canto
Enquanto não percebo a fantasia
Da qual a vida agora não percebe
Sequer qualquer momento mais tranqüilo
E quando a dor sem tréguas eu desfilo
Tornando mais cruel a velha sebe
Recebo o mesmo não tão costumeiro
E morro sem saber doutro momento
Senão imenso medo e me atormento
E quando atocaiado não esgueiro
Enfrento esta tocaia em que me deste
O solo que ora cevo, embora agreste.


29834


“Pára à beira do abismo e se demora”
Enquanto não percebe solução
Assim outros caminhos não trarão
Nem mesmo a poesia e sem demora
A vida se esvaindo neste tanto
Aonde se pudesse acreditar
Nas tramas tão diversas e entranhar
Ao menos qualquer, mas falso o encanto
E dele nada tenho mesmo quando
Pensara noutro rumo sem penhascos,
Quebrando da esperança finos frascos
Fiascos com terror se preparando
E nada do que possa ainda arrisco,
O amor que outrora quis, agora arisco.


29835


“Pára e fica na doida correria”
Sem rumo ou norte enquanto não se vê
Ainda procurando algum por que
A sorte desta forma desafia
O encanto que talvez inda pudesse
Traçar novo sentido, mas se vejo
O mundo sendo apenas um lampejo
O prêmio se desvia e não o merecesse
Quem busca novamente outro caminho
Embora muitas vezes perfilasse
Além do que se molda neste impasse,
Do fim a todo engano me avizinho
E sinto ser deveras o que resta
A quem se deu em face nunca honesta.

29836


“Pára e fica e demora-se um momento.”
Ainda pasmo enquanto não mergulho
Sabendo a cada passo um pedregulho
No vago desta dor tanto lamento
E quando sou assim apenas morto
Deveras não consigo outra saída
E sei somente o pranto em despedida
Aonde poderia haver um porto,
Mesquinha luz cevada a cada dia
E nela me remeto sem respostas
Expondo o que decerto não mais gostas
Ainda novo rumo poderia
Quem segue errôneo passo rumo ao nada,
Já tendo a sua sorte desvairada...

HOMENAGEM A MANUEL ODORICO MENDES

Mas da puerícia o gênio prazenteiro
Já transpôs a montanha, e com seus risos
Recentes gerações vai bafejando:
Aquém ficou a angústia que moderas
Ó compassiva tarde! Olha-te o escravo,
Sopeia em si os agros pesadumes;
Ao som dos ferros o instrumento rude
Tange, bem como em África adorada,
Quando, tão livre! o filho do deserto
Lá te aguardava; e o eco da floresta,
Da ave o gorjeio, o trépido regato,
Zunindo o vento, murmurando as sombras,
Tudo em cadência harmônica lhe rouba
A alma em mágico sonho embevecida.
(Hino à Tarde)

MANUEL ODORICO MENDES


1

“A alma em mágico sonho embevecida”
Vasculha cada canto do que fora
Apenas uma imagem tentadora
E agora vai tomando a minha vida
Audácia traduzindo uma saída
Diverso do que tanto em sofredora
Face já se mostrara redentora
E sei que há tanto tempo está perdida,
Assisto ao meu momento terminal
Enfrento os temporais e deles vejo
Além do que pensara o meu desejo
Momento em que na ausência de degrau
Escalo meus anseios, sinto abismo
E em tais beirais atrozes, inda cismo...


2

“Tudo em cadência harmônica lhe rouba”
Meu sonho em luzes feitas, hoje morto
O tempo sonegando qualquer porto,
Qual fosse algum leão sem garra e juba
Assim ao caminhar em noite escusa
A morte se aproxima do poeta
E a vida aonde fosse mais dileta
Dos erros, dos enganos vis, abusa.
E sendo um andarilho sem destino
Amortalhada senda é o que inda resta
Uma alma em tenebrosa voz funesta
A cada novo engodo, desatino,
E sinto a sorte em voz já procelária
Encontro na esperança uma adversária.

3

“Zunindo o vento, murmurando as sombras,”
Enquanto não relutas e maltratas
Searas dos meus sonhos tão ingratas
Mergulham no vazio em que me assombras,
E tanto poderia ser feliz
Na ausência do terror que agora rege
O mundo sem destino; eu perco a sege
E a própria realidade contradiz
O sonho mais audaz, há tanto tempo
Imerso no vazio que legaste
Uma esperança atua e em tal contraste
Perece a cada novo contratempo,
Espúria fantasia, ledo engano,
O mundo se desvia noutro plano...


4


“Da ave o gorjeio, o trépido regato,”
Assistem ao meu fim e nada sei
Do quanto poderia noutra grei
Se em mera fantasia eu me retrato,
Vencer os dissabores? Ledo fato
Vagando pelo quanto mergulhei
Não posso caminhar se decifrei
O medo pelo qual um mundo ingrato
Expressa este vazio pelo qual
O quanto se podia em magistral
Momento nada esboça e dita o fim,
Encontro esta brumosa tarde aonde
Uma esperança tola já se esconde
E seco, vejo sempre o meu jardim...

5


“Lá te aguardava; e o eco da floresta,”
Ressoa dentro em nós, meros poetas
E quando a fantasia tu deletas
Apenas a verdade atroz me resta,
E assim ao me saber sem eira ou beira
Disperso cada passo rumo ao nada,
E tanto poderia quanto agrada
Sonhar com nova senda que se queira
Ausente dos meus dias tal momento
E nele sendo audaz, ainda quero
Fazendo deste sonho o mais sincero
Saber aonde existe algum alento,
Sofrido caminheiro do passado,
Apenas a mortalha é meu legado...


6


“Quando, tão livre! o filho do deserto”
Seguindo por savanas, ritos vários
E nelas passos loucos, temerários
Deixando a solidão sempre por perto
O quanto poderia ter aberto
Caminhos que bem sei são necessários
E os dias não seriam tais falsários
Nem mesmo contra a fúria assim me alerto,
E tanto quis diversa mansidão
Sabendo das mortalhas que virão
Na caça sendo a presa, de um amor,
O mundo se mostrando em tom sombrio
Por vezes meu destino desafio,
Mas sinto como herança tal terror.

7


“Ao som dos ferros o instrumento rude”
Brandindo em tempestades mais cruéis
E delas se percebem carrosséis
Deixando no passado a juventude
E quantas vezes luto e mesmo pude
Sentir este amargor da vida em féis
E nele em tantos brados, decibéis
Fazendo com que o passo enfim se mude,
Nesta atitude vejo a derrocada
Do quanto quis em mim outra fornada
De sonhos em momentos mais gentis
Apenas o vazio se recria
Aonde poderia a fantasia
E o mundo novamente, não mais quis...


8


“Sopeia em si os agros pesadumes;”
Negando alguma luz nesta seara
A vida com terrores se escancara
Deixando para trás cores, perfumes,
E quanto mesmo à dor já te acostumes
A sorte destilando a mais amara
Vontade de beber que se prepara
Em tons diversos, tétricos costumes,
Assisto à derrocada do meu sonho
Num ar que sei deveras tão medonho
E a morte bate assim em minha porta
O quanto poderia ter de paz
A cada amanhecer, bem mais mordaz
Vislumbra uma esperança; há tanto morta...


9


“Ó compassiva tarde! Olha-te o escravo,”
Que tenta vislumbrar ainda a lua
Aonde em tom grisalho continua
Num céu tempestuoso, atroz e bravo,
Do quanto poderia e assim já travo
O passo que deveras não flutua
A sorte se mostrando nua e crua
O peso do viver ditando o agravo.
O pendular momento diz do não
Aonde se queria afirmação
A vida em solilóquio se fazendo
E dela nada herdando senão isto
Aonde se pudesse, já desisto,
A morte é o que me resta em dividendo...


10


“Aquém ficou a angústia que moderas”
Dos passos onde pude imaginar
Ainda houvesse a força de um solar
Momento se expressando em primaveras
E quando se vislumbram as quimeras
Cansado muitas vezes de lutar
Teimoso quando vou desafiar
As hordas dos tormentos que me deras,
Assim ao me entregar nada levando
Senão este agasalho mais nefando
Traçado como fosse uma mortalha
A senda que pensara fosse minha
Agora que da morte se avizinha
Ainda insanamente, enfim, batalha...

11


“Recentes gerações vai bafejando”
Aonde a fera imensa produzira
O peso do passado se prefira
Ao quanto se mostrasse bem mais brando
Momento aonde vejo se aprumando
A morte a cada tiro mais retira
A vida se perdendo em torpe mira
E dela nada sei se transformando,
Amar e ser feliz, uma ilusão
E quantas vezes luto contra o não
Do qual não escapara um só segundo,
Seguindo os falsos passos de quem tenta
Vencer com mansidão esta tormenta
Nas ânsias desta dor eu me aprofundo.

12


“Já transpôs a montanha, e com seus risos”
A senda descoberta em luz suave
Porquanto ainda mesmo o sonho agrave
Expõe ao sonhador os paraísos,
E tendo acumulado prejuízos
O quanto se percebe em dura trave
E nela a vida em dor ditando a nave
Mergulha nesta insânia mata os sisos,
Arranco dos meus olhos o passado,
Mas quando vejo o fim determinado
Desde o momento atroz em que te vi,
Assisto à derrocada deste empenho
Ainda em ilusões terríveis venho
Sabendo desde sempre o que perdi...


13


“Mas da puerícia o gênio prazenteiro”
Legando ao nada apenas o que sou,
Vazio dos meus sonhos me ditou
E dele a cada passo não me esgueiro
Vivesse a mansidão deste canteiro
Aonde uma esperança em vão gerou
Outra esperança atroz e mergulhou
Negando o que cevara um jardineiro,
Risonhos dias, noites mais felizes?
Se a cada amanhecer me contradizes
A tarde não seria diferente,
Assim ao me entregar sem mais batalhas
Encontro as mesmas facas e navalha
E delas esta dor que não se ausente...

29824/235/26/27/28/29

29824

“Sopeia em si os agros pesadumes;”
Negando alguma luz nesta seara
A vida com terrores se escancara
Deixando para trás cores, perfumes,
E quanto mesmo à dor já te acostumes
A sorte destilando a mais amara
Vontade de beber que se prepara
Em tons diversos, tétricos costumes,
Assisto à derrocada do meu sonho
Num ar que sei deveras tão medonho
E a morte bate assim em minha porta
O quanto poderia ter de paz
A cada amanhecer, bem mais mordaz
Vislumbra uma esperança; há tanto morta...


29825


“Ó compassiva tarde! Olha-te o escravo,”
Que tenta vislumbrar ainda a lua
Aonde em tom grisalho continua
Num céu tempestuoso, atroz e bravo,
Do quanto poderia e assim já travo
O passo que deveras não flutua
A sorte se mostrando nua e crua
O peso do viver ditando o agravo.
O pendular momento diz do não
Aonde se queria afirmação
A vida em solilóquio se fazendo
E dela nada herdando senão isto
Aonde se pudesse, já desisto,
A morte é o que me resta em dividendo...


29826


“Aquém ficou a angústia que moderas”
Dos passos onde pude imaginar
Ainda houvesse a força de um solar
Momento se expressando em primaveras
E quando se vislumbram as quimeras
Cansado muitas vezes de lutar
Teimoso quando vou desafiar
As hordas dos tormentos que me deras,
Assim ao me entregar nada levando
Senão este agasalho mais nefando
Traçado como fosse uma mortalha
A senda que pensara fosse minha
Agora que da morte se avizinha
Ainda insanamente, enfim, batalha...

29827


“Recentes gerações vai bafejando”
Aonde a fera imensa produzira
O peso do passado se prefira
Ao quanto se mostrasse bem mais brando
Momento aonde vejo se aprumando
A morte a cada tiro mais retira
A vida se perdendo em torpe mira
E dela nada sei se transformando,
Amar e ser feliz, uma ilusão
E quantas vezes luto contra o não
Do qual não escapara um só segundo,
Seguindo os falsos passos de quem tenta
Vencer com mansidão esta tormenta
Nas ânsias desta dor eu me aprofundo.

29828


“Já transpôs a montanha, e com seus risos”
A senda descoberta em luz suave
Porquanto ainda mesmo o sonho agrave
Expõe ao sonhador os paraísos,
E tendo acumulado prejuízos
O quanto se percebe em dura trave
E nela a vida em dor ditando a nave
Mergulha nesta insânia mata os sisos,
Arranco dos meus olhos o passado,
Mas quando vejo o fim determinado
Desde o momento atroz em que te vi,
Assisto à derrocada deste empenho
Ainda em ilusões terríveis venho
Sabendo desde sempre o que perdi...


29829


“Mas da puerícia o gênio prazenteiro”
Legando ao nada apenas o que sou,
Vazio dos meus sonhos me ditou
E dele a cada passo não me esgueiro
Vivesse a mansidão deste canteiro
Aonde uma esperança em vão gerou
Outra esperança atroz e mergulhou
Negando o que cevara um jardineiro,
Risonhos dias, noites mais felizes?
Se a cada amanhecer me contradizes
A tarde não seria diferente,
Assim ao me entregar sem mais batalhas
Encontro as mesmas facas e navalha
E delas esta dor que não se ausente...

29817/18/19/20/21/22/23

29817

“A alma em mágico sonho embevecida”
Vasculha cada canto do que fora
Apenas uma imagem tentadora
E agora vai tomando a minha vida
Audácia traduzindo uma saída
Diverso do que tanto em sofredora
Face já se mostrara redentora
E sei que há tanto tempo está perdida,
Assisto ao meu momento terminal
Enfrento os temporais e deles vejo
Além do que pensara o meu desejo
Momento em que na ausência de degrau
Escalo meus anseios, sinto abismo
E em tais beirais atrozes, inda cismo...


29818

“Tudo em cadência harmônica lhe rouba”
Meu sonho em luzes feitas, hoje morto
O tempo sonegando qualquer porto,
Qual fosse algum leão sem garra e juba
Assim ao caminhar em noite escusa
A morte se aproxima do poeta
E a vida aonde fosse mais dileta
Dos erros, dos enganos vis, abusa.
E sendo um andarilho sem destino
Amortalhada senda é o que inda resta
Uma alma em tenebrosa voz funesta
A cada novo engodo, desatino,
E sinto a sorte em voz já procelária
Encontro na esperança uma adversária.

29819

“Zunindo o vento, murmurando as sombras,”
Enquanto não relutas e maltratas
Searas dos meus sonhos tão ingratas
Mergulham no vazio em que me assombras,
E tanto poderia ser feliz
Na ausência do terror que agora rege
O mundo sem destino; eu perco a sege
E a própria realidade contradiz
O sonho mais audaz, há tanto tempo
Imerso no vazio que legaste
Uma esperança atua e em tal contraste
Perece a cada novo contratempo,
Espúria fantasia, ledo engano,
O mundo se desvia noutro plano...


29820


“Da ave o gorjeio, o trépido regato,”
Assistem ao meu fim e nada sei
Do quanto poderia noutra grei
Se em mera fantasia eu me retrato,
Vencer os dissabores? Ledo fato
Vagando pelo quanto mergulhei
Não posso caminhar se decifrei
O medo pelo qual um mundo ingrato
Expressa este vazio pelo qual
O quanto se podia em magistral
Momento nada esboça e dita o fim,
Encontro esta brumosa tarde aonde
Uma esperança tola já se esconde
E seco, vejo sempre o meu jardim...


29821


“Lá te aguardava; e o eco da floresta,”
Ressoa dentro em nós, meros poetas
E quando a fantasia tu deletas
Apenas a verdade atroz me resta,
E assim ao me saber sem eira ou beira
Disperso cada passo rumo ao nada,
E tanto poderia quanto agrada
Sonhar com nova senda que se queira
Ausente dos meus dias tal momento
E nele sendo audaz, ainda quero
Fazendo deste sonho o mais sincero
Saber aonde existe algum alento,
Sofrido caminheiro do passado,
Apenas a mortalha é meu legado...


29822


“Quando, tão livre! o filho do deserto”
Seguindo por savanas, ritos vários
E nelas passos loucos, temerários
Deixando a solidão sempre por perto
O quanto poderia ter aberto
Caminhos que bem sei são necessários
E os dias não seriam tais falsários
Nem mesmo contra a fúria assim me alerto,
E tanto quis diversa mansidão
Sabendo das mortalhas que virão
Na caça sendo a presa, de um amor,
O mundo se mostrando em tom sombrio
Por vezes meu destino desafio,
Mas sinto como herança tal terror.


29823


“Ao som dos ferros o instrumento rude”
Brandindo em tempestades mais cruéis
E delas se percebem carrosséis
Deixando no passado a juventude
E quantas vezes luto e mesmo pude
Sentir este amargor da vida em féis
E nele em tantos brados, decibéis
Fazendo com que o passo enfim se mude,
Nesta atitude vejo a derrocada
Do quanto quis em mim outra fornada
De sonhos em momentos mais gentis
Apenas o vazio se recria
Aonde poderia a fantasia
E o mundo novamente, não mais quis...

HOMENAGEM A VIRGÍLIO

1

“Pois tantas iras em celestes peitos”
Trazendo em fulgurantes formas várias
Além das mais diversas procelárias
Transcendem ao que fossem mansos pleitos
Assim ao se mostrar em ares tantos
Amores embrenhando meus caminhos
E se eles desventura quis sozinhos
Tomando a minha face dores, prantos
Mesquinhos caminhares, dias vãos
E assim ao renegarem sonhos, grãos
A ceva transcorrendo em aridez
Do quanto poderia ser tranqüilo
O medo que odiento, pois destilo,
Reflete o que deveras se desfez.

2

“A lances tais passar, volver tais casos.”
E quanto mais pudesse acreditar
Na fúria desvairada deste mar
As sortes se moldando em tais ocasos
Os dias em tormenta, dor intensa
E quando poderia crer suave
A cada turbilhão que tanto agrave
Não tendo quem decerto me convença
Melífera expressão de poesia
Há tanto se perdendo em luz diversa
Caminho pelo qual o sonho versa
E dele tão somente a sombra guia
Levando ao nada além do quanto pude
Seguindo por estrada néscia e rude.


3


“Compeliu na piedade o herói famoso”
Sabendo desde quando poderia
Vencer a tempestade mais sombria
E crer noutro momento majestoso,
Assim a vida traça em rumos vários
Discórdias entre fúrias e terrores
E quando se mostrassem sonhadores
Os dias não veriam os adversários
E sem saber decerto rumo ou meta
Pudesse caminheiro sem destino,
Vagando enquanto alheio me fascino,
Vivendo as fantasias de um poeta
E assim ao me sentir bem mais liberto
As ânsias do não ser risco e deserto.

4

“Ou por que mágoa a soberana déia”
Que tanto poderia me trazer
Qual sílfide um momento de prazer,
Mas quando se percebe em panacéia
Amor não traduzindo a realidade
Aonde em refrigério poderia
E nada do que tanto eu quis um dia
Expressa este terror, a fúria invade
E toma cada passo de quem fora
Somente um andarilho imerso em não
Errático cometa, a direção
Tomada pela sorte tentadora
De quem se fez além do pudera
E entrega-se ao furor da deusa, fera.

5

“Musa, as causas me aponta, o ofenso nume,”
Sangrantes noites turvas, dias ledos
E quando se percebem seus segredos
Diverso do que ainda tente e rume
O quanto poderia ser mais claro
O dia feito em brumas, nada diz
Gestando a cada não a cicatriz
Espúrio caminhar que assim declaro
E nele as ânsias ditam o vazio
Portanto ser feliz, tola quimera
E quando novo gozo já se espera
Descrente do futuro eu desafio
A imensidade feita em trevas tantas,
E tu ao me sentires vil, quebrantas.

6

“E o lembrado rancor da seva Juno;”
Que tantas vezes dita guerra em ódio
Procura pelos louros, gládio e pódio
E quando me percebe, não me puno
Cansado de lutar inutilmente
Porquanto a própria vida dita a sorte
Sem ter a dimensão mesmo do corto
Ainda esta mortalha se apresente
Vencido muitas vezes, sonhador
Perpetuando a dor do não ser mais,
Buscando novos dias magistrais
E neles cada verso a se propor
Pudesse transcorrer em plena paz
Aquilo que eu bem sei, hoje, mordaz.

7

“Muito o agitou violenta mão suprema,”
Guerreiro contra as tantas injustiças
Enfrento o dia a dia; torpes liças
E nelas a vontade não se extrema
Mudando a direção do quanto pude
Saber tanto diverso o caminhar
Singrando em tempestade o imenso mar
Perdendo no não ser, a juventude
Quisera a florescência que não vejo
Quisera outro tanto em paz e luz,
Mas quando à realidade enfim me opus
O quanto poderia em tom sobejo
Apenas ao relento me condena
E a vida nunca mais seria amena...


8


“Trouxe-o primeiro o fado. Em mar e em terra”
O medo de seguir contra a torrente
E nela todo o não atroz se sente
Enquanto uma esperança já se encerra
Mundana sorte dita este caminho
Ausência de ternura, morte em vida
E quanto se percebe sem saída
O quanto poderia mais sozinho,
Vencido pela angústia nada tendo
Ao menos poderia crer no fato
Diverso deste quando eu me retrato
Ocaso de um viver que se perdendo
Não gera outra semente e chega ao fim
Deixando desolado este jardim...


9


“A avidez do colono, empresa grata”
Cevando com ternura em mansidão
Mantendo esperançosa plantação
Assim em tal desejo se arrebata
O sonho mais audaz que poderia
Gerindo cada passo rumo ao tanto
Aonde se tentasse novo manto
Tecido pelas mãos da fantasia,
A vida não permite que se creia
Nas variantes todas de um amor,
Podendo ser quem sabe o agricultor
Que tanto produzira mesmo à meia
E assim ao se fazer em nova senda
Desejo de quem sonha já se atenda...


10

“Fiz que as vizinhas lavras contentassem”
Com toda esta certeza que se trama
Aonde se pensara em charco e lama
Momentos mais felizes se cevassem,
Assolam-me vontades mais audazes
E delas a colheita é garantida
Ao renascer em mim o bom da vida
No quanto ainda em luzes tu me trazes,
Descreve-se noctâmbulo caminho
Aonde por dever eu me alinhava,
A vida não se vê nem serva, escrava
Se em teus dias melhores já me alinho,
Assim não se derrota quem porfia
Usando como esgrima a poesia.


11


“Rudes canções, e egresso das florestas,”
Vagando pelas ânsias do que posso,
O amor que tantas vezes cri ser nosso
Agora em novos rumos, tu já gestas
Vencido pela angústia nada sinto
Somente esta vontade de esquecer
Aonde poderia amanhecer
O sol há tantos anos quase extinto
Neblinas decorando este horizonte
Grisalho este caminho em que me perco,
As sortes mais atrozes fecham cerco
Sem ter qualquer saída, não se aponte
Sequer a direção do pensamento
E assim me vendo só, eu me atormento.


12


“Eu, que entoava na delgada avena”
Enriquecendo o passo com o sonho,
Enquanto aos meus caminhos me proponho
A vida em derrocada já se acena,
Não posso suportar tamanho engodo
E vejo o meu retrato em luzes grises
Ao perceber na vida tais deslizes
Enfrento agora ao fim, imenso lodo
E podo-me dos sonhos mais falazes,
Mergulho nesta insânia que me deste,
Aonde se fez belo, agora agreste
Traçando este viver que enfim me trazes,
Morrendo qual se fosse um esfaimado
Cordeiro exposto às fúrias deste prado.



SOBRE VERSOS DE VIRGÍLIO
ENEIDA
TRADUÇÃO DE MANUEL ODORICO MENDES

29812/13/14/15/16

29812


“Trouxe-o primeiro o fado. Em mar e em terra”
O medo de seguir contra a torrente
E nela todo o não atroz se sente
Enquanto uma esperança já se encerra
Mundana sorte dita este caminho
Ausência de ternura, morte em vida
E quanto se percebe sem saída
O quanto poderia mais sozinho,
Vencido pela angústia nada tendo
Ao menos poderia crer no fato
Diverso deste quando eu me retrato
Ocaso de um viver que se perdendo
Não gera outra semente e chega ao fim
Deixando desolado este jardim...


29813


“A avidez do colono, empresa grata”
Cevando com ternura em mansidão
Mantendo esperançosa plantação
Assim em tal desejo se arrebata
O sonho mais audaz que poderia
Gerindo cada passo rumo ao tanto
Aonde se tentasse novo manto
Tecido pelas mãos da fantasia,
A vida não permite que se creia
Nas variantes todas de um amor,
Podendo ser quem sabe o agricultor
Que tanto produzira mesmo à meia
E assim ao se fazer em nova senda
Desejo de quem sonha já se atenda...


29814

“Fiz que as vizinhas lavras contentassem”
Com toda esta certeza que se trama
Aonde se pensara em charco e lama
Momentos mais felizes se cevassem,
Assolam-me vontades mais audazes
E delas a colheita é garantida
Ao renascer em mim o bom da vida
No quanto ainda em luzes tu me trazes,
Descreve-se noctâmbulo caminho
Aonde por dever eu me alinhava,
A vida não se vê nem serva, escrava
Se em teus dias melhores já me alinho,
Assim não se derrota quem porfia
Usando como esgrima a poesia.


29815


“Rudes canções, e egresso das florestas,”
Vagando pelas ânsias do que posso,
O amor que tantas vezes cri ser nosso
Agora em novos rumos, tu já gestas
Vencido pela angústia nada sinto
Somente esta vontade de esquecer
Aonde poderia amanhecer
O sol há tantos anos quase extinto
Neblinas decorando este horizonte
Grisalho este caminho em que me perco,
As sortes mais atrozes fecham cerco
Sem ter qualquer saída, não se aponte
Sequer a direção do pensamento
E assim me vendo só, eu me atormento.


29816


“Eu, que entoava na delgada avena”
Enriquecendo o passo com o sonho,
Enquanto aos meus caminhos me proponho
A vida em derrocada já se acena,
Não posso suportar tamanho engodo
E vejo o meu retrato em luzes grises
Ao perceber na vida tais deslizes
Enfrento agora ao fim, imenso lodo
E podo-me dos sonhos mais falazes,
Mergulho nesta insânia que me deste,
Aonde se fez belo, agora agreste
Traçando este viver que enfim me trazes,
Morrendo qual se fosse um esfaimado
Cordeiro exposto às fúrias deste prado.

29805/06/07/08/09/10/11

29805

“Pois tantas iras em celestes peitos”
Trazendo em fulgurantes formas várias
Além das mais diversas procelárias
Transcendem ao que fossem mansos pleitos
Assim ao se mostrar em ares tantos
Amores embrenhando meus caminhos
E se eles desventura quis sozinhos
Tomando a minha face dores, prantos
Mesquinhos caminhares, dias vãos
E assim ao renegarem sonhos, grãos
A ceva transcorrendo em aridez
Do quanto poderia ser tranqüilo
O medo que odiento, pois destilo,
Reflete o que deveras se desfez.

29806

“A lances tais passar, volver tais casos.”
E quanto mais pudesse acreditar
Na fúria desvairada deste mar
As sortes se moldando em tais ocasos
Os dias em tormenta, dor intensa
E quando poderia crer suave
A cada turbilhão que tanto agrave
Não tendo quem decerto me convença
Melífera expressão de poesia
Há tanto se perdendo em luz diversa
Caminho pelo qual o sonho versa
E dele tão somente a sombra guia
Levando ao nada além do quanto pude
Seguindo por estrada néscia e rude.


29807


“Compeliu na piedade o herói famoso”
Sabendo desde quando poderia
Vencer a tempestade mais sombria
E crer noutro momento majestoso,
Assim a vida traça em rumos vários
Discórdias entre fúrias e terrores
E quando se mostrassem sonhadores
Os dias não veriam os adversários
E sem saber decerto rumo ou meta
Pudesse caminheiro sem destino,
Vagando enquanto alheio me fascino,
Vivendo as fantasias de um poeta
E assim ao me sentir bem mais liberto
As ânsias do não ser risco e deserto.

29808

“Ou por que mágoa a soberana déia”
Que tanto poderia me trazer
Qual sílfide um momento de prazer,
Mas quando se percebe em panacéia
Amor não traduzindo a realidade
Aonde em refrigério poderia
E nada do que tanto eu quis um dia
Expressa este terror, a fúria invade
E toma cada passo de quem fora
Somente um andarilho imerso em não
Errático cometa, a direção
Tomada pela sorte tentadora
De quem se fez além do pudera
E entrega-se ao furor da deusa, fera.

29809

“Musa, as causas me aponta, o ofenso nume,”
Sangrantes noites turvas, dias ledos
E quando se percebem seus segredos
Diverso do que ainda tente e rume
O quanto poderia ser mais claro
O dia feito em brumas, nada diz
Gestando a cada não a cicatriz
Espúrio caminhar que assim declaro
E nele as ânsias ditam o vazio
Portanto ser feliz, tola quimera
E quando novo gozo já se espera
Descrente do futuro eu desafio
A imensidade feita em trevas tantas,
E tu ao me sentires vil, quebrantas.

29810

“E o lembrado rancor da seva Juno;”
Que tantas vezes dita guerra em ódio
Procura pelos louros, gládio e pódio
E quando me percebe, não me puno
Cansado de lutar inutilmente
Porquanto a própria vida dita a sorte
Sem ter a dimensão mesmo do corto
Ainda esta mortalha se apresente
Vencido muitas vezes, sonhador
Perpetuando a dor do não ser mais,
Buscando novos dias magistrais
E neles cada verso a se propor
Pudesse transcorrer em plena paz
Aquilo que eu bem sei, hoje, mordaz.

29811

“Muito o agitou violenta mão suprema,”
Guerreiro contra as tantas injustiças
Enfrento o dia a dia; torpes liças
E nelas a vontade não se extrema
Mudando a direção do quanto pude
Saber tanto diverso o caminhar
Singrando em tempestade o imenso mar
Perdendo no não ser, a juventude
Quisera a florescência que não vejo
Quisera outro tanto em paz e luz,
Mas quando à realidade enfim me opus
O quanto poderia em tom sobejo
Apenas ao relento me condena
E a vida nunca mais seria amena...

HOMENAGEM A CORNEILLE

1

“Ou talvez que o prazer em luto convertido”
Gerasse tão somente a dor de uma saudade,
Mas quando se percebe o medo que degrade
Gestando agora em mim a dor de um vago olvido
O tanto que pudesse e nada se mostrando
Aquém do quanto sonha uma alma em luzes feita
A sorte traz o não e nada satisfeita
Mortalha de um amor em traço mais nefando
Atroz caminho eu vejo e quanto poderia
Viver noutro momento ainda alguma luz
E dela se traçando o fardo que conduz
À fúria do vazio e mata uma alegria
Acolhe-me o terror e dele vejo apenas
Medonha tempestade em duras, frias cenas...


2

“Depressa um tal terror vereis desvanecido”
Assim ao se mostrar a face em desencanto
Amor que imaginara agora ainda canto
Embora mesmo saiba há tempos esquecido
Domando o manso peito a incúria em tal libido
E tanto poderia a sorte sem quebranto
Vestindo o meu prazer em claro e doce manto,.
Mas quando me percebo incêndio desmedido,
A porta já se abrindo e nela se percebe
O quanto em desalento expressa insana sebe
Medalha traduzida em gozo indiferente
O amor que tanto quis e sei bem mais sutil,
Disperso caminhar aonde se previu
O peso de uma vida, ainda se apresente....


3


“E que maior presságio que o meu abatimento?”
Não pude controlar uma ânsia sem igual
E dela o corpo pede em louco ritual
A furiosa noite e nela me atormento
Singrando o mar imenso imerso em tal tormento
O corpo se desnuda em face sensual
E quando se aproxima o gozo magistral
Apenas se mostrando assim duro lamento
O amor não poderia ainda ser diverso
Do que tanto queria e nega cada verso
Composto em tez suave, ou mesmo mais atroz,
Senzala dita a sorte estúpida e mordaz,
E quando poderia ao menos manso e em paz,
Uma explosão de insânia agora toma a voz...


4


“O rosto da fortuna se muda num momento;”
Gestara há pouco tempo a mansidão, mas vejo
O quanto em desvario assenta-se um desejo
E dele não tendo além deste tormento
No qual se traduzindo imenso sofrimento
Pudesse ver enfim o céu num azulejo,
Mas tudo não passando apenas de um lampejo
O mundo sem caminho entregue ao sentimento
Atroz de quem se quer e sabe muito bem
Que tanta dor somente amor por si contém
Negando a melhor sorte a quem busca esperança
E ao medo mais feroz a vida se mostrando
Em ar tempestuoso, as luzes falso bando
No quarto em desespero, o gozo em dor se lança.


5

“Metade da alegria conhece já perdida”
Quem tanto desejara além de um só segundo
E quando nesta senda atroz eu me aprofundo
Perdendo o que restara ainda desta vida
A senda desvendada eu vejo sem saída
O coração audaz outrora um vagabundo
Agora deste pouco ou quase nada inundo
Sabendo tão somente a imensa despedida
Da qual não mais pretendo apenas perceber
O quanto se faria a vida em desprazer
Seria bem melhor ao menos ver deveras
O que não mais encontro em dores e tormentas
Decerto quando vês em faces violentas
Aquelas que gentis, pensara primaveras...

6

“Cumpriram; mas minha alma turbada, e abatida”
Ao ver assim a dor das cenas mais atrozes
Sabendo que encontrara assim os meus algozes
Deixando a minha estrada agora sem guarida
Esqueço a realidade e dela se duvida
Ainda em força e verso, enquanto ouvindo as vozes
Do tanto que jamais em mim souberam fozes
E destes temporais aos quais eu me remeto
Tomando cada verso, espúrio este soneto
Gerado pelo medo e nada me conforma,
O quanto poderia a sorte ser diversa
Assim mesmo se vê no nada em que se versa
A palidez criada aflora em triste forma.

7


“E se os vossos desejos se cumpriram, e já”
Do amor que concebera apenas o resquício
Do todo que sonhar, encontro o precipício
E sol onde entreguei a sorte moverá
Apenas o vazio e assim não brilhará
O peso do passado, imenso e duro ofício
Negando algum caminho e assim foi desde início
Servindo-vos de açoite e enquanto servirá,
Nefasto dia eu vejo e tanto quis outrora
A sorte bem diversa e em tez atroz decora
O dia mais sombrio aonde eu nada vejo
Somente a tempestade e dela se porfia
O quanto pode ser em doce alegoria
Matando em desvario, o fúnebre desejo...


8


“Bem podereis julgar, se o filho o deixará:”
E quando isto ocorrer na ausência deste filho
A morte se traçando em duro e amargo trilho
Desvenda o meu futuro aqui e desde já
Matando pouco a pouco o quanto em esperança
Pudesse imaginar quem tanto enfim sonhara
A sorte molda então nefasta chaga, escara
E o medo a cada dia aumenta e sempre avança.
Expondo o que se fez além de mero sonho,
O todo que pudesse ainda me trazer
Após a tempestade algum alvorecer
Esboça este terror num ar duro e medonho,
Assim eu vejo o fim e nada além do vago,
Apenas caricata a face que hoje eu trago...



SOBRE VERSOS DE CID
CORNEILLE

TRADUÇÃO DE ANTONIO FELICIANO DE CARVALHO