sexta-feira, 21 de maio de 2010

33501até 33550

33501

Rondando cada instante desta vida
Aonde quis estar eternamente
Vivendo o frenesi onde aparente
A sorte quanto mais é decidida
Na voz de quem deseja em colorida
Manhã o que decerto uma alma sente
E quanto mais o canto é bom, freqüente
Uma alma muitas vezes sem saída
A dolorida imagem do passado
O corte cada vez mais demorado
O peso de sonhar que me lanhava,
O vento em tempestade, o medo atroz
E agora quando em ti encontro a foz
A vida não seria mais escrava.

33502

Cevando com ternura cada fato
Deitando sobre as flores brilho e sol,
O amor quando se entorna em arrebol
Deitando esta ternura eu me retrato
E bebo sem saber da dor maltrato
Tampouco de outra insânia, sigo em prol
Do quanto poderia girassol
Vivendo por viver um solo grato,
Assisto ao que pudesse ser melhor
No corpo extasiado este suor
Deixando marcas tantas nos lençóis
E assim em noite imensa lua cheia
A sorte se transforma e nos recheia
Em plena madrugada tantos sóis...

33503

Abrindo o coração ao que pudera
Sentir sem ter momentos de temor
E quando vejo o canto se propor
Deixando qualquer medo em vaga espera,
Assisto ao renascer da primavera
E beijo com ternura beija-flor
Riscando cada espaço sedutor
Esqueço o meu passado e a vida gera
Além de simplesmente ser feliz
Vivendo tudo aquilo que mais quis
Esboço este sorriso em glória e luz,
Assim ao perceber tanta beleza
Não quero combater a correnteza
À qual por tantas vezes eu me opus.

33504

Eu estarei aí onde seguiste
Com passos mais felizes sol e lua,
Minha alma vai seguindo junto à tua
O velho sentimento sempre em riste
E quando a natureza inteira assiste
O sonho onde a verdade continua
Risonho caminhar em alma nua
Porquanto o próprio amor já seja triste
Eu tento desvendar cada segredo
E quanto mais aos braços me concedo
Procedo como fosse um libertário
Caminho andando em cores mais diversas
Ainda sobre o espaço teimas, versas
Singrando amor imenso e bom corsário.

33505

Ninguém se comparando com aquela
Que a vida me ensinou ser mais além
E quando a realidade nos contém
A vida noutra face se revela,
E tanto quanto posso já se atrela
E bebe da alegria onde convém
Saber da eternidade deste bem
No qual a poesia agora sela,
Medonha face escusa do passado,
Aonde noutro tempo maltratado
Apenas percebera alguma luz,
E quando noutro tanto encanto e riso
Seguindo sem pensar ao paraíso
O próprio desejar já nos conduz.


33506

Fagulhas de uma vida simplesmente
Espalham-se na casa, sala e quarto
E quando todo o sonho assim reparto
O tempo na verdade não mais mente,
Resolvo cada passo onde freqüente
E deixo o coração deveras farto,
E assim ao renovar, viver o parto
A vida noutra vida se apresente,
Eclético luar em luzes tantas
E quando noutra cena tentas cantas
Esbarras dentro em mim e adentra o sonho,
Assim ao me entregar sem perguntar
Bebendo cada gole do luar
O tempo mais feliz quero e componho.


33507

Vivendo por viver já não agüento
Sequer as mesmas ondas do passado
E tanto poderia ter mudado
A direção atroz de cada vento
E sendo assim se tento meu provento
Na força incontrolável do machado
O corpo pelo medo já lanhado
O tempo não aceita outro argumento,
Cercado pela mesma insanidade
E vejo o que talvez não desagrade
Mas cansa este andarilho em torpe sonho,
Aguardo por notícias que não vêm
E sigo novamente sem ninguém
Ao quanto sem defesas me proponho.

33508

Os males que me invadem todo o ser
Adentram pensamentos, sonho e fato,
E quando noutro tanto me resgato
Vencido pelas ânsias do querer
Jogado pelas ruas pude ver
Apenas o que tange em vão retrato
O fato se mostrara mais ingrato
Bebendo cada gole sem saber
Do quanto poderia ser diverso
O mundo sobre o qual quando converso
Arranco estas medalhas do meu peito,
O amor não tendo mais um só alento
Atrocidade dita o pensamento
E assim prossigo embalde insatisfeito.

33509



Estando junto a ti por outro lado,
Depois de ter vencido cada engano
Herdando deste encanto velho dano,
O preço sendo pago do passado,
Vestido pela insânia, retalhado
Caminho prometido agora insano,
O quanto a cada dia mais me dano,
Não tendo novo mundo em mim gerado,
Cadenciando o passo rumo ao quanto
Pudesse acreditar enquanto canto
E teimo contra a fúria das marés
Esqueço cada passo que inda deste
E quando se aprofunda o que reveste
Desvendo a minha vida de viés.

33510

Esqueço minhas dores, ressuscito
Após os mais dispersos passos dados
E quando nos espaços lanço os dados
Tentando versejar sobre o infinito
O corte deste encanto mais aflito
Esbanja com terror tais engradados
Os dias entre dias malfadados
E neste caminhar estendo o rito,
Acordo e com paixão não me proponho
A ter além de apenas mero sonho
Vestir esta fantástica ilusão
Jorrando dentro em mim sangues diversos
Ascendo à maravilha em risos versos,
Agasalhando a morte desde então.


33511

Amor p’ra ser amor ama o amado
Embora muitas vezes não mereça
A sorte quando morta já se esqueça
Do quanto não mais deixa por legado,
E assim ao ter meu sonho abençoado
A vida gira e toma uma cabeça
Rondando cada noite me obedeça
O fato de saber do velho enfado,
Desencadeia a vida noutra vida
E assim se perpetua a nossa história
Porquanto viva tendo esta memória
Do peso que jamais alguém divida
Vencer os meus caminhos mais atrozes
E ter em mesmos tons diversas vozes.

33512

Com gosto, no segundo, do infinito
Aperta o coração este abandono
E sendo sem juízo medo ou dono
O corte que pensara mais aflito
Tentando descrever o já descrito
Rezando na cartilha morto o sono,
Jazendo dentro em mim o velho trono
Cadáver na verdade mais bonito.
Eu sinto e me aproximo do que um dia
Pudesse imaginar em poesia
Não fossem os botecos e calçadas,
Arcar com meus enganos e teimando
Lutar contra este véu fusco e nefando
Em luas quase sempre não alçadas.

33513


Por isso te pretendo como um todo
E deste cada parte é necessária
Apátrida manhã diz procelária
E dela não se vê sequer mais modo
De ter nas mãos o rito dito engodo
Perpetuando a glória quando é vária
Acordo dentro em mim a luminária
E tento versejar quando me podo.
No pântano que expões a cada ausência
Encontro com vontade esta anuência
Do verso feito em treva ou mesmo em luz,
Sombria noite em brumas e neblinas
Querência mais diversa e me fascinas
Enquanto noutro canto me compus.


33514


Sem teu amor, decerto, lodo e frio
Servindo de alimento ou de descanso,
No quanto poderia e não avanço
Apenas seja mero desafio,
E tento aproximar fogo e pavio
E assim enquanto ao nada já me lanço
No beijo sonegado me esperanço
O corte se aproxima em faca e fio.
Resumo noutro verso o meu destino
E bebo cada gole em torpes sanhas
E quantas vezes pensas que me ganhas
Negando cada passo onde fascino
Meu erro contumaz acreditar
Nas velhas ignorâncias de um luar.

33515


Persigo meu amor noutra estalagem
E risco o velho nome de um cenário
Por vezes ou nem tanto necessário
Seguindo sem saber velha viagem,
O medo não produz sequer aragem
E bebo cada gole temerário,
A vida cobra assim imenso erário
E tanto poderia ser a pajem
Do vendaval intenso aonde eu possa
Viver o coração no quanto endossa
A sorte mais audaz em versos feita
E sendo sempre assim nosso futuro
Um passo sem destino pelo escuro
E vejo a minha vida sendo aceita.

33516

Em vastas caminhadas de minha alma
Encontro vendavais e são distintos
Dos dias mais ferozes hoje extintos
Aonde a solidão ainda acalma
Conheço esta verdade e quando a calma
Vencendo os meus temores e os absintos
Bebidos pelos ermos dos instintos
Traçando o que pudera ser um trauma,
Levando sempre a sério o meu caminho
E resolutamente me avizinho
Do fim da mesma história começada
Nos antros do que seja imaginário
O peso do viver traça o cenário
E nele não se vê mais quase nada.

33517


Por dentro deste amor viajo enquanto
Fartando-me do sonho mais audaz
Ninguém se mostraria e quando traz
Diversidade imensa, assim eu canto
E risco sem saber qualquer quebranto
Perdido caminheiro mais mordaz
Peçonhas costumeiras tanto faz
E o preço que se paga vale o manto,
Medonha face expondo a cada riso
E nele novo dia mais preciso
Arcando com os erros costumeiros,
Assino com o sangue cada frase
Porquanto a própria vida já defase
Deixando no passado meus luzeiros.

33518

Ao mesmo tempo dói e me serena
O parto desconexo da razão
E beijo qualquer nova floração
Sabendo desvendar diversa cena
O quanto a nossa lua se fez plena
E o vento prometera a viração
Chamados do passado mostrarão
Apenas a verdade mais amena.
Esgoto com palavras versos frases
O todo que talvez ainda trazes
Imerso no vazio deste mundo
No qual sem ter certeza me adentrando
A farpa cada vez se apresentando
E dela noutro tanto me aprofundo.

33519

Sentindo teu desdém, me desespero
E tento navegar contra as marés
Atando com terror corrente em pés
Os dias entre tantos destempero,
Resisto mais além do que sincero
Caminho permitido sem galés
E quando se percebe outro revés
O vento mais suave se faz fero,
Levado pelo engano costumeiro
Restando dentro em mim ledo luzeiro
E nele poderia até sentir
O fogo da paixão que não viesse
E assim ao mergulhar em sonho e prece
Encontro desvendando este elixir.


33520


E quase me entregando, sem sentidos
Aos tantos desafios, corpo e mente
Tateio contra a fúria novamente
E beijo com ternura os já perdidos
Caminhos entre tantos resolvidos
E nada do que ainda sonho mente,
A voz do meu passado não desmente
Desanda dentro em mim torpes libidos,
O sexo se faz falta ou se promete
O corpo noutro corpo que arremete
A fúria desenhada desde quando
O mundo se fizera em tez diversa
Assim para começo de conversa
Amar jamais seria ato nefando.

33521

Ao mundo que perdido não mais quero
Tampouco quis a glória do não ser
Ao menos poderia com prazer
Viver algum momento mais sincero
E quando noutra face degenero
Perdido entre os caminhos do querer
Vencido plenamente e sem poder
Saber aonde ainda teime espero
Vestir esta mortalha e nela crendo
Beber do quanto fora em estupendo
Momento esta heresia contumaz,
Não teimo mais tropeços pela vida
E quando a realidade se atrevida
Expressa novamente um passo audaz.

33522

De tanto amor que sempre tem havido
Nos ermos das diversas ilusões
Enquanto novamente não expões
O tempo se percebe despedido,
Restando o que pudesse enaltecido
Nas ânsias de outros dias e estações
Agora mais distante dos verões
Inverno dentro em mim enternecido
Resolvo vez em quando algum disfarce
Porquanto a própria vida sempre esgarce
E molde sem sentido verso e frase
Pudesse acreditar no que não creio,
Mas sigo sempre aquém ou mesmo alheio
Ao quanto cada dia mais atrase.

33523

Ávido de saber por onde andaste
Seguira cada estrela em noite imensa
E quando novo tempo me convença
Desta fatalidade onde o desgaste
Ao qual com toda incúria me legaste
Deixando para trás a tarde tensa
E nela se percebe a recompensa
Diversa da que tanto dispensaste
Ocasionando em mim dor e tempero
E gesto mais audaz onde venero
O beijo amaldiçoa e me escarrara
Acordo sem saber se existe ainda
A solução que o tempo não deslinda
Nem mesmo quando a noite se escancara.

33524

No tempo em que vivias outras trilhas
Dispersos caminhares noite afora
A morte quando muito me devora
E nela se preparam armadilhas
E sei que quanto mais cruéis empilhas
Resíduos do que fomos se decora
Cenário sem mortalha trama em flora
Diversa as velhas tocas e não brilhas
Retintas ilusões entre as diversas
E geras sem pensar novas conversas
Adentrando luares entre os sóis
As almas encetando novos rumos
E neles outros tantos geram fumos
Arcando com terríveis girassóis.

33525

Nem sinto, mas causando tal desgaste
Que ainda não pudera acreditar
Toando mesmo quando a divagar
O peso não pudesse ser contraste
O corte se aprofunda e sonegaste
O mundo quando possa imaginar
Outrora descansando devagar
Roubando do caminho o que foi haste
Cansado de seguir sem ter destino
No pouco que me resta e me alucino
Anunciando o fim da velha história
Legando este tentáculo se tanto
Ainda noutro verso teimo e canto
Porquanto seja a vida merencória.


33526

Revivo tais saudades maltrapilhas
Usando do meu verso solidário
E sei o quanto mesmo solitário
Caminho aonde ausente teimas, trilhas,
Rescindo meus engodos armadilhas
E neles outro canto é necessário
Vencer os meus destinos de corsário
E ser o que pudesse em tantas milhas
Andando pelas ruas, multidões
E nelas entre tantas direções
Apenas direciono verso enquanto
No corpo apaziguando esta promessa
A vida noutra vida já tropeça
E cada qual seguindo no seu canto.



33527

Bem sei que nada mais resta do fato
Do qual se pernoitara esta esperança
A boca escancarando outra mudança
E nela com horror eu me retrato
Vestindo da ilusão quebrando o prato
Aonde na passagem nada alcança
Resisto enquanto ao tanto já se lança
O medo noutro fardo, meu destrato.
Ocasionando assim o fim da festa
E quanto mais a gente tenta e gesta
O beijo se adiando para quando
O pântano dissolve em luzes fátuas
Riscando os meus anseios vis estátuas
E o corte cada vez se aprofundando.

33528

Queimaste da gaveta esse retrato
No qual algum sorriso se adivinha
A sorte na verdade nunca minha
E nela com terror velho contrato,
O beijo navegando tal regato
A porta mais trancada e tão mesquinha
Enquanto cada passo desalinha
Outrora venceria este maltrato,
Lavando com meu sangue este passado
Com tantas emoções sempre regado
Risonha madrugada em plena rua,
Mas nada do que fomos continua
O peso verga o corpo já cansado
E a bruma esconde agora toda a lua.


33529


Ao emanar amor em cada poro
Pudesse até pensar noutro momento,
Mas quando mais distante em desalento
Ainda sem presença tua eu choro,
O rosto quando muito digo e imploro
E posso até sentir o manso vento
E quando a solução buscando invento
Nos ermos do vazio eu já me escoro,
O tempo não pudesse ser assim
Quem sabe novamente chegue ao fim
O mundo que pensara mais feliz,
As farpas no caminho, outros dias
E assim enquanto ao longe tu sorrias
O mundo não traria o que eu mais quis.


33530


Sempre, quando te vejo louco fico
E tento disfarçar este abandono
No tanto quanto eu possa já me adono
E o dia em paciência imensa estico,
O quanto se pudesse ser mais rico
Ou mesmo perceber diverso sono,
Mergulho neste mar aonde eu clono
E sei que na verdade não me explico,
Fugacidade dita realmente
O que talvez pudesse, mas somente
A vida traça em cores mais complexas
Palavras que me dizes, tão perplexas
Gerando a cada fato outra semente
Não deixam rotas várias desconexas.


33531

Nos olhos que me mostras, me demoro,
E tento desvendar velho segredo
E desta mesma forma já procedo
Veiculando à sorte onde decoro
O rumo sem saída e não afloro
Sequer do pensamento qualquer medo,
E sendo condenado ao vão degredo
Nas ânsias de um delírio agora ancoro,
Revivo sem certeza cada passo
E quanto mais atroz caminho eu traço
Eu bebo desta espúria insensatez
O verbo se retorna e do passado
Futuro noutro instante desenhando
Enquanto este presente já desfez.

33532


Em tanto amor que tenho me edifico
Embora saiba a queda inevitável,
O solo aonde outrora fora arável
Agora noutro tanto escarifico,
E beijo cada angústia teimo e fico
Bebendo deste sonho que intragável
Pudesse ser ao menos amigável
E o todo se restando não explico,
Resido neste instante aonde eu quero
Saber de outro momento mesmo fero
E ter esta incerteza a me mover
Acasos entre caos e casos fartos
Deixando sempre abertos velhos quartos
Aonde outro momento eu pude ver.

33533


Mas sabes que não volto sem perdão
Tampouco quis assim o recomeço
E sendo mais comum este adereço
E nele novos tempos mostrarão
O verso sem qualquer novo senão
E o vento com meus ermos se do avesso
Não sabe do caminho ou endereço
E morre sem sentido ou direção,
Esgarçam-se palavras entre tantas
Ainda que deveras me agigantas
Não perco a direção em contratempo
O parto sonegara alguma chance
Por mais que no vazio já se lance
A voz não mais concebe rumo e tempo.

33534

Por isso te proponho nova vida
Embora saiba ter felicidade
Não quero mais viver se desagrade
Quem bebe desta sorte, vã bebida,
O vasculhar minha alma em despedida
No quanto realçando liberdade
Deixara como sombra, a qualidade
Amortalhada sorte decidida.
De todas as peçonhas costumeiras
Ainda nas verdades mais inteiras
Ligeiras noites vagam sem a lua
Meu verso preparando enfim o bote,
A vida não procura esta mascote
Enquanto ao léu deveras já flutua.

33535


Abrindo com certeza o coração,
Esqueço qualquer sombra do que eu quis
E vejo este retrato um aprendiz
Perdido sem saber de solução
O verso noutra forma e dimensão
Pudesse transformar o que não fiz
Mereço pelo menos ser feliz,
Mas sei que não conheço esta estação
Acordo e mesmo assim não mais seria
A vida noutro tempo em alegria
Resisto quanto pude, mas somente
O caos ainda vejo em minha frente
E tudo não passara de mentira
Aonde a morte agora em vão me atira;

33534

Pedindo, por favor, não mais divida
A senda desejada em luz tão farta
E quando esta verdade se reparta
Após o que pensara ser a vida,
No fardo desta história percebida
A morte se transforma em cada carta
E quanto mais o medo me descarta
A fonte noutra face soerguida.
Legados do passado dentro em mim,
O vento se mostrara sem um fim
Dos charcos que freqüento, o mais comum
Transcende à própria luta em persistência
E assim ao se perder uma inocência
Voltando novamente a ser nenhum.

33535

Se nada saberia te dizer
Escondo-me debaixo deste vago
E quando no vazio agora alago
O morto se mostrara sem saber
Escondo a poesia e posso ver
O temporal tomando todo o lago,
E quando a realidade não afago
Começo novamente a me perder.
Lesando cada fato desta vida
E tendo sem saber desde a saída
O fim descrito em fúria, medo e morte
No peso mais atroz desta esperança
O corte regenera a temperança,
Mas quando em desamor perco o suporte.


33536


Pedindo-te que fiques por aqui
Depois de ter sentido tanta ausência
De quem se fez apenas paciência
E com toda a certeza já perdi,
O vento se espalhando diz de ti
E não mereço mais tanta inclemência
Negando o que restara em convivência
Ciência deste encanto percebi,
Mas nada se aproxima do refugo
E quanto novamente o tempo alugo
Riscando deste mapa algum sinal,
Eu busco ancoradouros entre tantos
E sinto nos diversos desencantos
O mundo neste velho ritual.

33537

Achando-te começo a me perder
E sei quanto é difícil caminhar
Em meio aos pedregulhos e vagar
Sem ter sequer destino a perceber
O vento do tamanho desprazer
Dourando com ternura o céu e o mar
Gerindo com terror a me tocar,
Enaltecendo a vida em bem querer,
Mas tudo é simplesmente fútil sonho
E quando novamente eu me reponho
Nas variantes todas desta vida,
O quanto percebera em dimensão
Diversa da que trama o coração
Não vejo mais a sorte já perdida...


33538


De amores que mais livre, me prendi
E sei que nesta algema libertária
A sorte não seria temporária
Não fosse o que deveras vejo aqui,
O rumo atormentando percebi
E nele cada noite solitária
Aonde se pudesse a necessária
Vontade de sorver o que bebi,
Ocasos entre fardos ardem tanto
E tento disfarçar e enquanto canto
A cada canto vejo a mesma cena
Desnuda realidade não sonega
E quando caminhara em luz tão cega
A própria realidade me envenena.


33539

Por Deus, abençoada a minha sorte
E sei que não mereço tanta luz
Mas quando a minha senda reproduz
O mundo que deveras me suporte
Eu tendo a sensação de fino corte
Ao qual com temperança não me opus
Diverso do caminho que eu propus
A vida não seria um mero esporte.
Levando para além do mesmo cais
Enfrento novamente temporais
E assisto aos meus momentos mais cruéis,
Resisto o quanto posso, mas insisto
O tempo se mostrara até benquisto,
Porém quando resumo bebo os féis.

33540


Eu te amarei querida até na morte
E mesmo que a mortalha não recubra
Uma alma dolorosa amarga e rubra
O tempo novamente me conforte,
Assim ao caminhar, sobejo e forte
Ainda que deveras não descubra
O quanto a solidão, inda me cubra
Eu posso perceber o fino corte.
Assaz maravilhosa a vida encontra
Ao mesmo tempo tudo desencontra
E segue sem saber de algum alento,
As velhas cordoalhas arrebentam
Palavras do passado me atormentam
Moldando novamente o pensamento.

33541

Vaidade tanto fere quem deseja
Além de meramente algum instante
E sendo a vida assim, tanto adiante
O passo quando a noite já se almeja
O risco de sonhar, velha peleja
Na qual a cada fato mais encante
Quem tanto poderia deslumbrante
Caminho aonde a vida não poreja
O prazo terminando não permite
O quanto deste encanto e vão convite
Ao todo perfilado em fantasia,
Agora nada resta do que eu fui
E quando este passado ainda influi
Futuro com certeza não havia.

33542


Tomando de soberba o coração
A sorte desdenhosa, mas freqüente
No quanto ainda mesmo se apresente
Mudando com ternura a direção
Envolta pelas rédeas do senão,
E o peso se tornara um penitente
Vergão aonde o medo não consente
Nem mostre nova face ou dimensão,
Restando a quem tentara alguma sorte
Apenas o vazio em que comporte
O fardo mais medonho e mais cruel,
Assim não poderia estar contigo
Se tanto me percebo em desabrigo
O velho caminhar exposto ao léu.

33543



Por noites, madrugadas procuramos
E quando não sabemos de outra senda
A sorte com certeza não atenda
Sequer outros propósitos, erramos,
E tanto poderíamos nos ramos
Diversos desta outrora morte ou lenda
Restando a tempestade em que se estenda
A mão aonde nada mais cevamos,
Esgarçam-se momentos mais felizes
E sei dos meus tormentos e deslizes
Atrizes da emoção palavras são
Ações entre pernoites e vergastas
Enquanto em poesia tu desgastas
Procuro novamente a embarcação.

33544

Amor que nos transmita uma emoção
Além dos velhos fatos mais vulgares
E quando com ternura provocares
Vontades em fantástica erupção
Servindo de mortalha ao coração
Os velhos e terríveis vis altares
Tocados pelas ânsias ganham ares
E tramam sem saber novo verão,
Resisto ao que pudesse ser ainda
A sorte noutra senda mais infinda
Retalhos dentre em nós navegam mortos
Dos vândalos caminhos e oceanos
Acumulando em mim diversos danos,
Não vejo nem sinal dos tantos portos.


33545

O mar quando se quebra em quente areia
Depois de tempestades e procelas
Enquanto sonegando lemes, velas
Transcorre sob as ânsias da sereia
E quando esta vontade me incendeia
No quanto possa ser e mesmo atrelas
Não tendo novo rumo já revelas
A lua desairosa mesmo cheia,
E o caminhar vazio em noite escusa,
Do quanto poderia, sempre abusa
Da sorte mesmo quando nada vês
Os meus demônios abro em luz etérea
E quando esta beleza é mais venérea
A vida procurando seus porquês.

33546



Acalma esse calor que queima tanto
E deixa como um fato incontestável
Momento que eu pensara detestável
Mas muda a cada ausência e em novo canto,
Resisto na verdade ao desencanto
E nele beijo a boca do insondável
Caminho aonde o mundo quis arável
E bebo sem saber se ainda é quanto
Farrapos de mim mesmo pela sala,
E tanto quanto pode a voz não fala
Das farsas costumeiras, eiras, beiras
E ainda quando assim foges e esgueiras
Na imensa charqueada dita vida
A movediça sorte não duvida.


33547

Teus olhos, o meu peito se incendeia,
Farturas entre risos gargalhadas
As sortes noutras faces ou estadas
A porta na verdade não permeia
E quando a minha vida devaneia
Vagando sem destino ou galopadas
Manhãs procuram velhas madrugadas
Tentando vislumbrar a lua cheia
Exímio passageiro do vazio
Ainda que pudesse não recrio
Caminho aonde um dia bem soubera
Vencer com calma tantos temporais
E sei que na verdade nunca mais
A vida me trará tal primavera.


33548


Só beijos e desejos meu encanto
Aonde a juventude ainda habita.
A sorte não seria tão bonita
Enquanto em desespero nada canto,
Persisto e procurando sem espanto
Viver a sorte feita em tal pepita
Ainda que esta história não repita
Final eu adivinho ou adianto,
Centelhas entre fúrias e terrores
Ausentes dos meus olhos belas flores
Dos espinheiros guardo na lembrança
O fato de existir e não ter mais
Nos olhos os anseios magistrais
Aonde o meu futuro não alcanç.


33549


Encantos que me trazes, minha amada,
Durante a nossa bela mocidade
Agora quando o inverno toma e invade
Não resta deste todo o mero nada,
Escudos, proteção, mas desarmada
Uma alma com terror já se degrade
E quanto mais audaz o peito brade
Maior esta certeza desolada,
E bebo cada gole da aguardente
Jogada pelos cantos deste quarto
Até que na verdade em sonhos parto
Porquanto outro planeta enfim freqüente
E assim a morte em vida traduzindo
O quanto se pensara outrora infindo.

33550


Não vejo solução senão amar-te
E sendo seu fiel tolo escudeiro
Tentando proteger o corriqueiro
Caminho aonde toda a sorte parte
E sigo sem saber deste descarte
No qual jogado fora num cinzeiro
Amor que imaginara ser braseiro
Ancora noutro rumo, Vênus, Marte...
Peçonhas destiladas num sorriso
Orgásticas palavras? Nunca mais
E o beijo prenuncia os vendavais
O toque mais audaz tanto impreciso
Resenhas entre senhas e cenários
Os dias morrem turvos, temerários.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

33441 até 33500

33441

A mente me remete a manso credo
E nele procurando algum alento
Enquanto noutra face me atormento
No mundo mais atroz já não enredo
E o passo aonde tudo teimo e vedo
Bebendo cada gole num momento
Diverso do que possa o pensamento
Eu mesmo sem saber já me degredo,
E sinto ser possível noutro tanto
Vivenciar o brilho deste olhar
Pudesse novamente te encontrar
Quem sabe, noutra senda, novo canto.
Mas tudo fora apenas ilusão
E os dias com certeza matarão...


33442

Vencido pelas tramas do querer
Depois desta batalha sem descanso
Enquanto cada passo eu não alcanço
Procuro enfim tocar e até saber
Sanando o meu caminho em desprazer
Buscando qualquer forma de remanso
Tocado pela angústia me esperanço
E morro todo dia a te perder.
Negar esta magia e ter apenas
Dos todos revividos meras cenas
Não passa de total estupidez
O mundo gira e torna sem sentido
O quanto noutro fato repetido
Agora veramente se desfez.

33443


Nas sendas do querer já me enveredo
E tento desvendar a curva aonde
O mundo sem sentido ora se esconde
E toda a poesia ainda vedo,
Resido no passado e nada trago
Senão as mesmas marcas, cicatrizes
E ainda se vencesse meus deslizes
Pudesse da alegria algum afago,
Mas quando se redime cada passo
No falso caminhar em noite escusa
A boca sem palavra espaço cruza
E tento na medida em que desfaço,
Ourives da ilusão mero poeta,
A sorte não seria mais completa.


33444

Embora tantas lutas, vou vencer
Depois das madrugadas em botecos
Os dias entre tantos repetecos
Não deixam mais o sol aparecer,
Restaram dentro em mim diversos ecos
Dos dias entre tanto bem querer
E agora começando apodrecer
Apenas bofetões e petelecos.
Não posso crer na face desdenhosa
Daquela que se rindo quer e glosa
Futuro de um paspalho que nem eu.
O quanto quis deveras creditar
À toda maravilha do luar
E nada do futuro apareceu.


33445

Não pense que compensa essa batalha
Nem mesmo tome a faca destas mãos,
E quando se refazem novos nãos
A própria dor deveras me atrapalha
Quem dera se pudesse na navalha
Cravando pelas ânsias velhos chãos,
E tendo nos meus dias os irmãos
Que a própria vida traça enquanto espalha.
Resumo dentro em mim diversa face
E quando no passado ainda grasse
O passo dado em falso, uma promessa
Do todo ainda vivo ou inaudito
No amor querendo ou não, nunca acredito
História mal termina e recomeça...


33446


Em campos delicados sem peçonha
O parto propicia uma esperança,
Mas quando a tempestade já me alcança
A mão que eu desejara nunca sonha,
E bebo do passado e nele ponha
O quadro em tênue luz, nova aliança
Assisto sem sentir velha lembrança
Embora a face escusa e mais bisonha
Da vida se reflete em meu espelho,
E tanto quanto velho me aconselho
Metendo o meu bedelho nesta história
Vistoriando os erros e os engodos
Adentro sem sentir diversos lodos
Guardados nalgum canto da memória.

33447



Querer quando nos quer a dor espalha
E toma o que pudesse ainda em pé,
Vivendo sem certezas sigo até
Lembrar desta emoção, fogo de palha,
Resido plenamente na fornalha
A sorte se transforma em plena fé,
E quando se pensara sem galé
A ponta se aproxima, é da navalha.
Nos fios e nos cortes mais audazes
Os olhos em terror ainda trazes
E bebes do meu sangue até o fim,
Exausto desta luta nada vejo
E tento conviver com o desejo
Da morte que inda habita dentro em mim.


33448


E traz o nosso amor, quando se sonha.
Depois de cada passo rumo ao nada,
O pendular desvio desta estrada
Por vezes mesmo assim dura e medonha,
No todo quanto muito se proponha
Resolvo novamente a alvoroçada
Noturna voz em plena madrugada
Sem ter a testemunha que se oponha.
Rescaldos do que foram meus momentos
E neles entre tantos fogos, ventos
Mentiras são apenas mais formais,
E quando se pensara noutra face
O quanto do passado ainda grasse
Responde a cada ausência: nunca mais.


33449


Mas desarmado vou para o teu lado
E tento discernir razões bastantes
E nelas cada passo que adiantes
Traduzem sem sentido velho enfado,
Embarco neste sonho desolado
E tanto poderia diamantes
E neles outras cenas deslumbrantes
Mas tudo se resume no passado,
Chacotas? Gargalhadas de bufões
E nelas outros dias me propões
Vestindo a fantasia de palhaço
E quando em tal medonha solidão
O corte me tragando para o chão,
Os pés noutros vazios embaraço.


33450

Somente de querer-te bem, armado
Este cenário aonde eu possa
Vencer com tal carinho qualquer troça
E tendo com certeza sempre ao lado
Quem tanto poderia ter amado,
A vida então seria agora nossa,
Mas logo que me jogas nesta fossa
Meu passo não se fez cadenciado,
Reinando sobre o fim do meu caminho
O corte se aprofunda e de mansinho
Eu bebo cada gole que me deste,
Assim ao se encontrar a indiferença
Não tendo mais sequer quem me convença
Prefiro o velho solo, mesmo agreste.


33451

Longe de ti vivendo em solidão
Tentando pelo menos um descanso
Vagando pelas ruas não alcanço
Sequer o quanto eu quis em direção,
Semeio a tempestade e a negação
De um dia mais suave, ledo e manso
Enquanto no passado inda me lanço
Os dias não seriam como são
Meus olhos procurando no horizonte
A estrela que decerto já desponte
E mude toda a face denegrida
Do todo que pensara ser melhor
E deixa tão somente dor suor
Matando o que restara em minha vida.

33452


Verdades e mentiras são reflexos
Da mesma imagem feita em vário prisma
E quando noutros ermos a alma cisma
Momentos mais diversos e perplexos
Ainda não vencendo os meus complexos
As costas se lanhando, a vida abisma
Tentando confirmar enquanto crisma
Traçando criptas várias e profundas,
As cenas entre as asas liberdade
E o medo com ternura se inda invade
As almas entre tantas vagabundas.
E o corte se vendendo a cada esquina
No quanto me tortura já domina.

33453

O sangue que se espalha em cada chão
Rezando pelo credo da esperança
Morrendo quando ao largo já se lança
Deixando a própria vida em negação,
De todos os despeitos, leito em vão
Retorno e busco ainda uma aliança
E o fogo se espalhando em corpo e dança
Gerando novo tempo em floração,
Bizarros caminhantes noite afora
E o peso do cansaço ainda aflora
E toma sem defesas caminheiros
Dos ícones comuns nada mais trago,
O fardo se mostrando em dano e estrago
E nele falsos olhos são luzeiros.

33454

Amores se viverem sem perdão
Nem mesmo poderiam ter a sorte
Da qual mesmo diverso o velho aporte
Produz reflexo inútil, diversão.
Jorrada pelas ruas negação
Do perdulário mundo em vil suporte
Porquanto a fantasia sempre corte
O pântano persiste mesmo assim,
Jogasse os meus demônios nas esquinas
E tendo noutros sonhos mais ladinas
Manhãs que me trouxessem poesia,
Eu caço cada rastro do que ainda
Ao longe sem juízo se deslinda
Enquanto a realidade desafia.

33455

Nas dores sempre encontram adversárias
As velhas sonhadoras carcomidas
E quando se pensassem despedidas
As sombras não seriam necessárias,
Mas tanto quando podem procelárias
Histórias entre tantas construídas
Rasgando a poesia não duvidas
Palavras são somente imaginarias,
Os mares entre as ondas e tempestas
Os ritos costumeiros dizem festas
E mortes numa ponta de punhal,
Apodrecido sonho neste esgoto
E quando me apresento semi-roto
Expresso esta vontade terminal.

33456


Se não te importas sinto tal tormento
Por onde adentro espécies mais diversas
E nelas entre fogos e conversas
Encontro finalmente algum alento,
Vencido pela força deste vento
Singrando por caminho onde dispersas
E tentas preservar enquanto versas
Vestindo com ternura o sofrimento,
Antigos navegantes do passado,
Sorriso muitas vezes relegado
Ao quadro entre as espumas discernido,
Esboço alguma luz onde demora
A vida noutro tempo e sem ter hora,
O quadro há tanto vejo apodrecido.

33457


Canções que inda pudessem traduzir
Manhãs entre diversas tempestades
E quantas vezes teimas ou degrades
Deixando muito além qualquer porvir,
O todo se sentindo ao esvair
O verso aonde busca as liberdades
E sabe discernir em claridades
O medo que pudesse pressentir,
Jangadas pelo mar, vivo oceano
E quanto me percebo e já me dano
Desafiando os sonhos mais felizes
Encontro os mesmos erros do passado
E tendo apenas nada sempre ao lado
Recolho dos escombros os deslizes.


33458


Andando pelas ruas dos meus sonhos
Adentro cada esquina, beco e vale
Aquieto o coração e teimo em vale
Os ritos mais audazes e tristonhos,
Assim os meus caminhos enfadonhos
Aonde nada pense ou mesmo fale
Num éter mais distante ora resvale
E beije tempestades, são medonhos
Os ritos entre tantas heresias
E ainda quando nada ao longe vias
Seria muito bom ao andarilho
Em tantos empecilhos e mentiras
Os olhos prenunciam velhas miras
Enquanto no passado teimo e trilho.


33459


Andando pelas ruas da cidade
Vagando por imensas solidões
E quando novos tempos em versões
Diversas da que tenta a claridade
Expressa novos tempos, a verdade
Negando com temor as diversões
Matara há tantos anos os verões
Restando tão somente a frialdade.
Ascendo ao que pudesse ser além
E sei o quanto nada mais contém
Senão a fantasia em tom maior
Mas quando me percebo em luzes frias
Restando tão somente as melodias
O rumo já conheço até de cor.

33460


Negando o meu caminho enquanto tentas
Sentir as tuas luzes mais intensas
E nada do que ainda queres pensas
Produz com mais furor estas tormentas,
E quando noutros dias alimentas
As ânsias onde os medos já compensas
Esqueces das sofríveis recompensas
Resido no caminho em luzes lentas
O coração americano exalta
A sorte que deveras faça falta
E o beijo sonegado de quem segue
A rota desairosa da ilusão
E vejo com terror ou emoção
O gozo terminal que me sossegue.

33461

Que quase me enlouqueço sem prazer
Depois de tantos anos entre os nadas
As sortes noutras sendas já lançadas
Vontade de tentar ou me esquecer
O resto do que eu fora passo a ver
E dele refazendo as tais estadas
Em noites quase sempre desoladas
Ausente de um instante em bem querer
Sem saber se ainda tenho qualquer luz
Adentro em tantas brumas e me esqueço
Da sorte no passado um adereço
Aonde cada cena reproduz
A mesma fantasia inútil e vaga,
Aonde a solidão amiga afaga;


33462

Agridoce caminho em tez temível
Gananciosamente expresse este Satã
Tornando a minha história sempre vã
E veste o quanto pude em tez sofrível.
Aonde amor pudera combustível
Galgando esta ilusão dorido afã,
Escuto a voz ingrata e até malsã
De quem pensara a vida noutro nível,
Carcomidas senzalas dentro em mim
E o pântano gerado desde o fim
Atravessando a vida sem defesas,
E sei deste vazio onde me crio
E quando noite afora desafio
Encontro na mortalha tais belezs.

33463

Durante as minhas noites invernais
Restando do passado mero gozo
E tendo o meu caminho caprichoso
Desejo desta vida sempre mais,
E vendo novamente estes banais
Caminhos rumo ao quanto majestoso
Pudesse ser apenas andrajoso
Mergulho nestes rios mais venais,
Aventureiro sonho da criança
Que quando a morte chega e toma e alcança
Principiando a noite eterna e fria
Nos ermos de minha alma adentra e glosa
Restando apenas pedra invés de rosa
E o peso que vergara a fantasia.


33464

Esfuma-se a verdade entre meus dedos
E sei não mais caber qualquer resposta,
A face da ilusão se decomposta
Traduz apenas erros e degredos,
Os olhos entre frios e rochedos
A morte noutra tanta se proposta
Cortando a minha pele e em cada posta
Revelam-se decerto meus segredos,
As ânsias contumazes, outros rumos
E neles os meus dias meros fumos
Encontram soluções ou mesmo tentam,
Dos rios que pudesse transformar
Em luas, alvas mansas, ritos mar,
Distantes dos olhares se apresentam.


33465

Elevam-se diversas sensações
E nelas pensamentos e paisagens
Vagando por caminhos em visagens
Enquanto novos dias inda expões
Resisto às mais doridas comoções
E beijo com terror tuas vantagens
No vandalismo exposto em tais viagens
Voltando ao que pudesse exposições
Repleto do vazio que me deste
E o corpo se mostrara até celeste
E entranha por espaços siderais
O fardo se apresenta insustentável
O dia não seria mais tragável
Não fossem estas luas imortais.

33466

Diversos carrilhões em noites escura
Das brumas e dos sonhos os novelos
E quando me percebo até contê-los
Sabendo do tormento e da loucura,
O peso não se mede e nem se cura,
E teimo entrando em vários pesadelos,
Dos dias que vivemos sequer selos
O corte se propõe sem a ternura,
O fim se aproximando em cada gole
E quando a vida atroz tomando engole
Restando o que pensara ser apenas
Carcaça carcomida de um fantoche
E agora exposto em meio ao vão deboche
Prenunciando noites mais amenas.

33467

Malgrado este caminho em pedra e fúria
O sangue derramado nas estradas,
As horas muitas vezes mal fadadas
E nelas beijo apenas a lamúria
Acordo e quando bate o coração
Latinoamericana fantasia
De quem se acostumara em heresia
E bebe com total sofreguidão
Os ventos benfazejos mais distantes
As campas e os delírios mortes cenas
Enquanto com ternura me envenenas
Roubando os meus suaves diamantes
O tango, o dengo, o risco o riso e a sorte
Já não mais conhecendo quem conforte.


33468


Minha garganta espalha em riso e pranto
Estrelas entre medos e chacais
O canto se espantando em teus cristais
Deixando tão somente este quebranto
Angústias e acercando do meu passo
E o peso de viver já mais conforta
A ausência trama dor e sem a porta
Não tendo nada que inda faço
Senão sementes mortas pelo chão,
Reclamo alguma sorte que não vem,
E o corte se aproxima e sem ninguém
Inúteis solos entre farto grão
Os medos perfilados na janela
Apenas morte e dor já se revela.

33469

Ausência de esperança a cada passo
E um pária desfilando pela rua
Bebendo cada gole desta lua
Aonde sem saber caminho eu traço
O fardo carregado ainda caço
E nisto a minha ausência continua
Riscando com terror a imensa e nua
Vontade de seguir e ter no laço
Realces mais diversos das estrelas
E quando numa ausência me desfiz
Tentara pelo menos ser feliz
E as horas sem sequer crer e contê-las
Esvaem-se no vazio de uma noite
Imersa em tempestades vago açoite.


33470


Arrisco-me a sentir o quanto pude
Vencer além do medo contumaz
Sentir a tempestade feita em paz
Matando desde sempre a juventude
E quando procurara algum açude
O mundo num instante já desfaz
E sei o quanto pude ser capaz
E nada que decerto ora se mude,
Resolvo com meus erros as promessas
E tanto quanto posso recomeças
Fingindo ser feliz ou mesmo quando
Realizasse um sonho noutra vez
Do todo que alegria outrora fez
A sorte sem temor se revelando.

33471

Viajo por espaços entre luas
E vejo etéreas luzes, astros tantos
E quando mergulhando em tais encantos
As almas entre brilhos belas nuas
E sei que tu também vagas flutuas
E bebo da alegria dor e prantos
Momentos mais diversos claros mantos
E neles entre sonhos continuas
Riscando estes planetas, maviosa
tu Sondas com palavras; majestosa
Certezas entre brilhos mais audazes
Poeiras estrelas vivas trazes
E moldas com canções etéreos ritos
Espaços sem limites, infinitos...

33472


Voasse em liberdade noites claras
E nelas as escadas para o céu
Riscando cada noite claro véu
E nele novos sonhos tu declaras
E quando com teus brilhos tu me amparas
Girando cada estrela em carrossel
Bebendo gota a gota risco e mel
Ao mesmo tempo em luas escancaras
Das réstias siderais momentos tais
Enfrento tempestades sóis e ritos
Alçando sem defesa os infinitos
Vencido por momentos sem iguais
Espalho minha voz em vento e gozo
Sentindo o teu vagar mais majestoso

33473


Esculpo ventanias aos teus pés
E risco novos tantos benquereres
E quanto mais diversos tu puderes
Os riscos entre luas de viés
Os gestos amarrados em galés
E nelas os caminhos que quiseres
Bebendo com ternura tais mulheres
Diversas das que tanto teimas e és
Rosários constelares desço enquanto
Ainda sem destino em velho manto
Incensos entre luas mares riscos
Os tempos mais audazes não virão
Certeza redundando em negação
Gerando passos mortos ou ariscos.

33474

A sombra do passado em risco e gozo
O pantanal persiste dentro em mim,
Chegando neste instante riso e fim
Ainda mesmo assim sigo andrajoso
O amor quando se faz contagioso
Resiste a qualquer vento e traz enfim
Mortalha aonde faço o meu jardim
E bebo cada gole prazeroso
As hordas se espalharam pelas ruas,
Sinais obedecera em almas nuas
Jorrando em tempestades céu e mal
Esgarço melodias do futuro
E sei que no final nada procuro
Nem mesmo o que pudesse ser degrau.


33475

Os corpos dos mendigos e das cegas
As portas entre as várias tempestades
Enquanto na verdade não agrades
Por meio de tormentas me navegas,
Ao menos almas turvas que carregas
Gestadas por temor ou veleidades
No todo quanto muito ainda brades
E teimas todas ânsias quando empregas
A morte por cenário ou por encanto
E cismo sem saber do quase canto
Jogado pelas ruas simplesmente
Um pária a prostituta o gozo e o riso
Ensinam novamente o paraíso
Enquanto o credo inútil volta e mente.


33476


Ouvindo o que pudesse em vida e dia
Andando pelos becos, botequim
Restando pouco ou nada do que vim
Enquanto este portal nada traria
Senão esta mortalha onde vestia
Medonha caricata face em mim,
Pessoas remarcadas pelo fim
E o pórtico deveras não se abria,
Crisântemos e lírios no canteiro
O parto prenuncia o derradeiro
Momento após a velha tempestade
Assim amortecido riso e pranto
Ainda sem sentido ou medo canto
E nada mais traria a mocidade.


33477

Resisto ao fato quando não conheço
E sei desta figura em cruz e fato
O pouco do que bebo não retrato
Apenas revivendo este endereço
A moça sem saber do meu tropeço
O gozo anunciado toma o prato
E deixo para trás medo e regato
Regalos entre tantos, endereço,
Fartura de prazer em tons diversos
E assim na estupidez de velhos versos
O medo não transcende ao que seria
O fardo inusitado de quem busca
Vencer com calmaria a noite fusca
E deixa para trás a fantasia.

33478


Nada pode ou já pode enquanto venta
Vestígios de uma lauta refeição
Jogadas pelas ruas bebo o chão
E sinto alma feroz e até sedenta
Enquanto do passado uma tormenta
Ditando com temor a direção
Do vento noutro fardo beijo o não
E toda a fome invade ou violenta
Ontem eu poderia ser diverso
Mas quanto no futuro sigo imerso
Atravesso temporais e saio às ruas
Desnuda madrugada em luzes fartas
E quando da verdade ainda partas
Estrelas entram belas donas nuas

33479

Regulas os meus dias com a forca
E teima noutro fato mais audaz
O jeito é caminhar em plena paz
A porta gera a morte e tenta uma orca
Ainda quando a sorte não emborca
E o corpo sem sentido satisfaz
A faca com dois gumes é tenaz
Adentra cais e porto e tudo enforca
Gravata após gravata e sem gravetos
Os medos entre sonhos pedem vetos
Impedem que eu caminhe contra o vento
Assisto às derrocadas cada instante
E beijo a tua boca provocante
Enquanto noutro tanto me alimento.

33480

Os sons destas guitarras dissonantes
Os versos entre néscias companhias
E ainda novo tempo perecias
Deixando para trás os vãos instantes
Porquanto quanto muito te adiantes
E nestas horas sinto as mãos vazias
De quem ao imperar não saberias
Vencer os meus caminhos diamantes
Escrevo com palavra, sangue e fogo
Até que se percebe o novo jogo
Em rogo transformado ou nada mais,
E assiduamente tento outra saída
Vencida há tanto tempo a minha vida
Partidos entre as mãos velhos cristais.
33481

A voz da prostituta num motel
A bala atravessando esta garganta
E quando noutro tanto se levanta
Acende com terror tal carrossel
Vagando pelo espaço sempre ao léu
O forte se mostrara em luta tanta
Enquanto ao mesmo encanto desencanta
Fazendo da ilusão torpe papel,
A voz anunciando morte e gozo
Assim caminho sempre pedregoso
Prepara qualquer queda e nele espelho
O pântano que resta dentro em mim
Cheirando ao vil perfume, riso e gim,
O amor em torpe voz mete o bedelho.

33482

Resisto quanto posso ou não pudera
Vencer o que jamais reconhecera
E assim a morte toma noutra esfera
Gerando o que pudesse risco e fera,
A porta se abriria quando espera
O bote nunca dado e merecera
Saber do quanto a vida se tempera
Do corte que aprofunda e perecera
A face desmedida do prazer
Gestada pela insânia do saber
O quanto é dolorosa a primavera,
Olhando de soslaio posso ver
A face desmembrada do querer
E nela toda a vaga desespera.

33483

Ainda que te fosse confortável
O pulo deste gato não ensino
E tanto quanto podre ou cristalino
O mundo não seria mais arável
Nem mesmo estrela vaga ou incontável
E nela garimpando o meu destino
Medida exata aonde me domino
E risco cada passo noutro amável
Vencido pela força da inconstância
Ao menos poderia ter a infância
Já tanto despedida dos meus dias,
E assim ao me saber em nova face
Do quanto ainda quero e nada grasse
Não posso mais ouvir tais melodias...

33484

Os dedos ao tocarem tua pele
Não tentam soluções nem poderia
Sentir a mesma dor quando arrepia
Nem tanto quanto ainda ao longe apele
A voz que se aproxima e me repele
O corte noutra imensa confraria
O gelo com terror se desfaria
E o pantanal em mim já te repele,
Selando o meu futuro no vazio
A parte que me cabe desafio
Arisco companheiro deste nada,
Ainda no passado convivendo
E tento discernir o que vivendo
Gerasse o que restasse, quase nada.

33485

Ganhando tempestades entre luas
E singro velhos cantos, mesmo hotel,
Riscando com horror velho papel
Estrelas espalhadas todas nuas
E assim ao mergulhar onde flutuas
O risco se mostrando quase em fel
Vagando sem destino risco e léu
Reticências entre torpes luzes vagas,
E assim aos mais recônditos nas plagas
Anseios entre festas, riscos mortes
Apenas ao sentir o que pudesse
Traçar ouro diverso do que desse
Adentro com ternura velhos cortes.


33486

Inusitadamente tento o grito
E sei que não mais vale a quem caminha
Vontade que julgara tua ou minha
Repete sem saber o mesmo rito
E nele se percorre este infinito
Aonde a poesia não se aninha,
Resinas de uma vida, morte vinha
Riscando com temor céu mais bonito,
Verdejo com ternura aonde morro
E quando noutro tanto me socorro
Redundas no que posso ou não pudera
Gerando o meu temor em noite vã
Matando o que restara da manhã
Risonha e delicada bela fera.


33487

Das cordas das guitarras berros rimas
E quantas vezes navego sem destino
Encontro cada faca e me fascino
Enquanto pelo nada também primas.
E assassinando a morte não redimas
Do peso do viver onde domino
Com todo o meu temor velho destino
Envolto pelas mãos em tais vindimas
Jorrando sanguinário coração
Mortalha se aproxima em solução
E o fardo se divide a cada passo,
Na inútil tentativa de voar
A morte se aproxima devagar
E assim a cada ausência me desfaço.


33488


Risonhas madrugadas, dias vãos
E o mesmo amanhecer em bruma e treva
O quanto de minha alma ainda neva
Espalha meus terrores pelos chãos,
Adentro o que não fora além do cais
E tento novamente discernir
O quanto poderia no porvir
E sei que não verei aqui jamais,
Os olhos procurando um horizonte
A voz se retumbando dentro da alma
A morte tão somente o que me acalma
Na faca e no revólver já se aponte
E morto sem palavra verso e gozo
Enfim serei deveras majestoso.

33489

Néscios caminhares entre luas
E delas cada gole em claros sons
Esqueço do passado velhos dons
E beijo carnes podres, mortas nuas,
Ainda pelas ânsias destas ruas
E nelas outros dias foram bons
Refaço com horror supremos tons
E beijo enquanto ainda além atuas
Imaginando luzes onde não
Soubesse de outro prumo ou direção
Resolvo meus problemas, vou sozinho,
E dane-se esta estrela em noite clara,
A porta do passado não ampara
E entorno outra garrafa, podre vinho.

33490

Não quero mais saber da posse e gozo
Do riso sem constâncias noites vis
E quando me pensara um aprendiz
O corpo noutro fardo, se andrajoso
Promete mergulhar no pedregoso
Caminho feito em turvos vãos gentis
Momentos onde a vida meretriz
Percebe o que pensara majestoso
Resisto aos meus anseios quando tento
Riscar o nome teu do pensamento
E ter noutro momento uma alegria,
E cravo minhas unhas neste porto
Aonde se pensara outrora morto
E agora noutro canto revivia.


33491

Jogado pelas ruas ritos riscos
E beijo a podridão que me legaste
A sorte noutro tanto sem contraste
Expondo com terror velhos petiscos
E os dias se mostrassem mais ariscos
E neles o que tanto diz desgaste
Reparte com a morte o que negaste
Gerando com amor velhos confiscos,
Alego ser feliz quando não fora
Uma alma com ternura sofredora
Acorda envolta em tons maravilhosos
E os ditos entre tantas heresias
Servindo na medida em que dizias
Dos cortes muitas vezes caprichosos.


33492

Sentindo o teu perfume em noite clara
A volta dos meus sonhos me traria
Ainda o que pudesse em poesia
Enquanto a realidade se declara
Ausente desta lua e já me ampara
Mudando com certeza a ventania
E amor quando em delírio fantasia
A sorte molda imensa, doce e rara.
Num brinde cristalinas formas, risos
E assim ao adentrar em paraísos
Jogadas roupas caem pelo chão,
No todo deste instante incomparável
O mundo novamente navegável
Roçando pele em pelo no colchão.

33493

Beijar a tua boca, pele e o todo
Riscando com ternura cada parte
O amor quando demais não se reparte
E deixa-se viver sem ter engodo,
Adentro fantasias rodo o lodo
E morro sem sequer saber de aparte
A dor se condenando ao vil descarte
Girando o tempo inteiro deste modo,
Vagando por estrelas luas céus
E sinto descobertos belos véus
Tua nudez exposta sobre a cama,
Convite sensual e sem limites
No quanto deste encanto tu permites
A vida noutra face vem e chama.

33494

Esqueço do meu nome, minha vida
E bebo cada gota que espalhaste
Num mundo aonde amor se vez uma haste
A história a toda noite repetida,
No quanto cada luz é refletida
No olhar em negritude, tal contraste
Permite quanto mais iluminaste
Vencer a minha dor, velha ferida,
E assim relembro em ti a eternidade
Da qual procuro sombras na cidade
E encontro tão somente quando aqui
Desnuda maravilha se propondo
O mundo noutro tanto se compondo
E nele me encontrando me perdi.

33495

Amando com beleza e com ternura
Sabendo vicejar esta esperança
Aonde cada tempo já se lança
E toda a minha sorte se emoldura,
Vencer com tal beleza uma amargura
A vida novamente em tal mudança
Gerando a cada instante a temperança
Deixando para trás dor e loucura,
Resisto o quanto posso e até desdenho
O mundo noutro instante, velho cenho
Resíduos de uma vida sem sucesso,
E quando nos teus braços sou feliz,
Vivendo o que decerto eu sempre quis
O sonho mais ausente, eu recomeço.

33496

Eu te agradeço o fato da partida
E nela reviver cada pedaço
Aonde com horror se me desfaço
Apenas recupero a minha vida,
O corte se aprofunda e quando acida
A vida noutro tanto sem espaço
Gerando esta ventura que ora traço
Nas ânsias de uma velha despedida.
Legado que me deste de presente
No todo aonde a morte se apresente
Pressinto a solução de antigos temas,
Porquanto nada fazes nem tu és
A vida se propõe noutro viés
Enquanto ainda teimas e me algemas.

33497

Arrisco-me a sonhar embora tente
Viver sem tal romântico pendor
Saber das minhas ânsias medo e dor
No quanto cada dia é mais dolente
O peso do sonhar quando se sente
Traduz imagem dura em sedutor
Caminho desairoso feito em flor
Matando do futuro uma semente
Mais que simplesmente mil palavras
Os sonhos entre luzes também lavras
E colhes mansamente esta ternura
Aonde esta colheita se fizera
Gerando novamente a primavera
E assim tanta beleza já perdura.

33498

Negando o que pudesse calmaria
O mundo gera a paz que eu procurava
Enquanto a tempestade dita a lava
Amor em novo tempo se recria
E gera com ternura a fantasia
Na qual porquanto seja imensa e brava
Minha alma noutro instante já se lava
E toda a sorte traz a alegoria
De um tempo aonde nada mais se faz
Senão esta brandura e imensa paz,
Capaz de vencer fortes temporais
E tudo se renova com o verso
E nele se me encontro agora imerso
As dores não voltando nunca mais.

33499

Vencendo os temporais, coriscos, raios
E nestas madrugadas pude ver
O quanto amor se mostra em tal prazer
Deixando para trás medos lacaios
E os cortes mais profundos não mais vejo
Apenas os momentos mais felizes,
Embora sejam tantas nossas crises
Encontro nos teus braços meu desejo
E sei desta alegria mais audaz
Na qual realidade traça o brilho
Por onde noutro tanto inda palmilho
Buscando finalmente a vida em paz.
Resisto aos vendavais mais costumeiros
E bebo nos teus lábios meus luzeiros.

33500

Mistérios de uma noite imensa e fria
Aonde nada mais vejo e portanto
O mundo que talvez trouxesse encanto
Atrás de cada bruma se escondia,
Mas quando ouvindo em ti a poesia,
As sortes se desnudam, e nego o pranto
Sabendo que eu te quero, o muito e o tanto
Marcada em minha pele esta alegria
Caminhos para o amor são bem diversos
E quando se percebem mais perversos
Em versos ou nas dores, tanto faz
Adentro sem perguntas nem respostas,
Vergastas açoitando minhas costas
Quem sabe no final encontre a paz?
33401



Abraços nem sementes que perfumo,
Sangrando a cada ausência ou melhor visto,
E quando da verdade ainda insisto
A vida prenuncia um novo rumo,
O tanto do que posso ainda invisto
E quando nada vem, já não desisto
Bebendo do caminho até o sumo.
Sou mero cantador e nada tenho
Senão este vazio aonde empenho
O mundo que imagino num repente,
Meu verso se vestindo em solidão
As almas em cruel exposição
Nem mesmo alguma imagem se pressente.


33402

Esqueço meu caminho, caço a sina
E tento desmanchar teias e vãos
E quando se mostraram novos chãos
A sorte não concebe nem domina,
Vestindo sem ternura o que fascina
Encontro realmente os velhos nãos
E teimo conceber alhures grãos
Na fonte que deveras ilumina
Filhos dos meus sonhos nada temos
Nem mesmo o que pudessem ser os remos
Ou quanto além o gozo de um anseio
E tento imaginar outra saída
Aonde não perdera inteira a vida
E assim o nada além teimo e rodeio.


33403

E nem amar estrela mais consente
Quem vive em artifícios sonhos vários
E tantos dias morrem necessários
Minha alma da verdade sempre ausente
E o fardo se carrega, um penitente
Caminho adentra rios e corsários
E beijo novos tempos ou adversários
Imaginário jogado ou quase e rente.
Farrapos entrelaçam passos, sonhos,
E pendulando em dias enfadonhos
Resisto ao quase ser e me abandono,
Negando o que pudesse sendo assim
O vértice apontando para o fim
Dos erros e das ânsias sigo o dono.


33404


Quem dera se pudesse, ouviu estrela,
A voz de um caminheiro, um andarilho
Bebendo cada gota deste trilho
E sabe muito bem como envolvê-la
Na seda anunciada em noite imensa
Farrapo humano vive sem sentido,
E o fardo novamente pressentido
No quanto pouco vale, mas compensa
Escandalizando a vida em voz miúda
Arrasta-se em medonhas fases mortas,
E vejo abrindo enfim diversas portas
Enquanto cada ausência enfim me ajuda
A ter no não segredo contumaz
Vivendo o que a verdade não mais traz.


33405


Viver mesmo que, embora, só chorando,
Depois de ter sentido qualquer luz
Vergando sobre imenso peso e cruz
O carma noutro tanto se mostrando,
Resisto e poderia noutro bando
Ao qual insensatez; ainda pus
E gero dentro em mim o mesmo pus
Aonde poderia mais nevando,
Catando os meus pedaços pela rua
Uma alma sem juízo continua
Riscando cada verso em luz sombria
Partindo do principio, meio e fim,
O jeito é me levar e mesmo assim
Sentir o quanto a estrela não mais guia.


33406


A lua que te trouxe, iluminando
A noite sobre vilas e favelas
Enquanto noutra face tu revelas
O tempo mais suave, audaz o bando
Do verso em controvérsia se tomando
Pintando com ternura velhas telas
E sei destas montanhas raras belas
E nelas vejo o mundo me tocando,
Ausente dos teus olhos neste instante
Exatamente quando eu poderia
Viver este momento deslumbrante
Augúrios tão diversos ditam sorte
Aonde quis o brilho e a galeria
Apenas desvendando enfim, a morte.


33407

E nada mais fazer senão vivê-la
Estranhos dias mortos nesta sala
O quanto a solidão ainda fala
E bebe cada gole desta estrela,
Estréias entre festas e belezas
Os velhos dançarinos da esperança
Aonde na verdade nada lança
Gerando a cada ausência esta incerteza
Não sei quê nem pudera mesmo crer
Vazio aonde tudo acontecia
Mudando outro caminho a noite fria
Marcando com terror e desprazer,
A morte se mostrara uma façanha
Aonde na verdade a sorte ganha.


33408


Restando tão somente o sol imenso
Depois da noite imensa em que fugiste
O coração mortalha amarga e triste
Aonde na verdade me convenço
Do peso do viver em solidão
E tanto poderia ser diverso,
Sangrando dentro em mim um velho verso
Perdendo cada vez a direção,
Morrendo sem sentir a sua história
Matando o que inda fosse companhia
O corte sonegando a fantasia
A morte revivendo esta vitória
E toda esta certeza se mostrara
Na face mais audaz, intensa e clara.


33409

A vida não mais cabe em carapuça
A quem tanto queria um novo tanto
E quando sem saber sentido eu canto
A sorte noutro instante se esmiúça
A faca quando assim adentra e aguça
A fome se mostrando em tal quebranto
Enquanto cada sombra ainda espanto
A vida noutra vida teima e fuça,
Rasgando o que pudesse solução
Matando a minha luz, mesmo diversa
E sei que a solidão andara imersa
Nos braços desta vaga sensação
E tudo fora vão mesmo por perto
Abrindo dentro em mim medo e deserto.


33410



Amor, não se fazendo dos cuidados
Aonde pude crer noutro momento
Traçando a cada dia o desalento
Deixando para trás velhos legados,
E quando noutro tanto estão riscados
Os passos neste velho sofrimento
Ainda a solução se existe invento
E morro em meio aos gozos e pecados.
A boca desdentada e sem segredos
Os olhos entre chamas, rumos medos
E os fumos encetando a bruma em mim
Não quero remissão tampouco engodo
Apenas sou pedaço deste todo
Jogado atrás da porta, no jardim...

33411

Se torna quase sempre um instrumento
Na voz de quem deseja novamente
Viver o que talvez não se apresente
Tocando com terror cada momento
E quando do vazio eu me alimento
Porquanto cada dia se apresente
Na forma mais completa ou coerente
O verso se mostrara em desalento,
Sentido esta emoção aonde um dia
Soubera discernir da poesia
O gosto delicado ou mais feroz,
No peso do viver a sorte imersa
E quando noutro instante a vida versa
Permite enfim ouvir a própria voz.

33412

De sonhos e de cantos mais velados
Os dias se fizeram tão cruéis
E bebo dos caminhos feitos féis
E neles outros tantos revelados,
Gerando no passado novos fados
Esqueço os velhos duros carretéis
E tento novamente em teus anéis
O templo noutro fardo anunciado,
A vida não seria tão fugaz
Pudesse transformar o que se faz
Nem mesmo o que proponho agora ou tanto,
E o corte abençoando novos rumos
Galgando com terror diversos prumos
E quando não me vejo, já me espanto.

33413

Ecoa no meu peito um sentimento
E sei que nada vale senão isto,
E quando noutro fato não insisto
Procuro pelo menos sortimento,
E quase poderia um excremento
Porquanto por pensar ainda existo,
E lavo minhas mãos, matando Cristo
Enquanto noutro tanto me atormento.
Resisto ao mais atroz dos meus caminhos
E beijo tempestades, faço ninhos
Nos antros dos teus ermos mais atrozes
Roçando a minha pele com ternura
Ainda não se vendo o que procura
Esqueço totalmente as vagas vozes.


33414



Divinos os teus rastros que percorro
Vagando pelos ermos de minha alma
E quando a realidade não acalma
Nem mesmo na alegria eu me socorro
Vivendo sem sentido ou pelo menos
Traçando novos rumos desde quando
O mundo noutro tanto demonstrando
Momentos mais diversos e serenos,
Os dias passariam solitários
Não fosse esta ilusão e nela vejo
A sombra mais sublime de um desejo
Amores não serão totalitários
E sei das dissonantes direções
Aonde noutro tanto me compões.


33415


Amares nunca dantes percorridos
Expressam a verdade aonde outrora
A vida sem juízo se demora
Deixando os sentimentos nos olvidos
Resisto ao que pudessem meus sentidos
E o corte se apresenta e nos decora
Ainda a realidade não devora
Quem tem no seu olhar dias perdidos,
Arcar com desenganos e teimar
Vencendo com ternura algum luar
E ser além de tudo apenas cais,
Assim entranha em nós esta esperança
Enquanto a cada dia a voz se lança
Tocada por intensos temporais.


33416

Escapo numa escarpa, monte, morro
E tento algum refúgio aonde outrora
O vento se mostrara sem demora
E ainda noutros campos eu percorro
Vencido pela angústia simplesmente
E tendo nos meus olhos o futuro
Cevando cada corte em que procuro
Tocar com harmonia corpo e mente,
No féretro dos sonhos contumazes
Momentos são diversos e talvez
Distante do que agora ainda vês
Outrora noutros tempos inda trazes
Os olhos num acento mais suave
Ainda que a verdade dome e entrave.


33417

Rochedos dos meus sonhos vãos, perdidos
Enfrentam as marés audaciosas
E quando mais distante ris e glosas
Tocando com terror os meus sentidos
Ermidas que eu criara em repetidos
Caminhos noutra senda majestosa
Porquanto a vida seja prazerosa
Toando ainda em mim fartas libidos
Eu sinto-me aflorando a cada instante
E vejo noutro tanto o deslumbrante
Anseio onde ardilosa noite traga
Além deste perigo ou mesmo medo,
O quadro desvendando tal segredo
Expõe no coração a imensa chaga.


33418

Mas, sendo quem não fora, quem me dera
Pudesse transcorrer em paz ao menos,
E quando dias claros ou amenos
Transcendem ao que fora primavera
O peso do passado degenera
E traça com terrores os venenos
E neles outros tantos vivem plenos
Matando esta alegria, ou mesmo a fera
Ainda se habitando no talvez
E nela cada fato em que tu crês
Realça a face mesmo decomposta,
O corpo entrincheirado entre os rochedos
E os dias relegando os meus segredos
Conforme a fantasia fosse imposta.

33419

Ser mar e navegar teu coração
Depois de conhecer farta tormenta
Aonde a própria vida se apresenta
Mudando qualquer rumo ou direção
Condeno-me à vital exposição
E nela toda a glória dessedenta
A fúria de uma carga aonde aumenta
As melodias torpes, a canção.
Esqueço nos meus versos cada enredo
Por onde adentraria em noite escusa
Assim ao me entregar sem ter medidas,
Vencendo as dissonâncias destas vidas
O charco dentro em mim retorna e abusa.


33420


Buscando em meu outono, a primavera
Jamais imaginara quando o inverno
Tomando este caminho agora terno
Gerasse com terror dura quimera
A vida nos condena e nunca espera
Enquanto no passado eu já externo
Vivendo o poderio deste inferno
E disto cada noite se tempera
Na fúria de um alento desumano,
O caos vai me tomando e o desengano
Persiste mesmo após o nada vir,
E quantas vezes tento outra medida
Porém a minha história sendo urdida
Nas ânsias delicadas do porvir.

33421

Pedindo, nos meus versos, teu perdão
Eu sinto que talvez nada viesse
Na tola sensação de intensa prece
Mortalha se apresenta em solução,
O quanto nada diz deste verão
E nele nada mais tenta e obedece
O passo sem destino ora se tece
Gerando novamente a podridão,
Resquícios deste pouco aonde um dia
Entrara sem saber se ainda havia
O cômodo caminho em luz intensa
No fato de sonhar eis a verdade
O mundo quando mesmo se degrade
Ainda do passado me convença.


33422


Amor que me maltrata, mata e cura,
Não pode ser assim freqüentemente
Usado como fosse imprevidente
Caminho para a insânia, pra loucura
E quando novo tempo me amargura
O velho sem remédios já consente
E assim noutro cenário se apresente
O porte mais audaz, dor e ternura.
Respiro com ajuda de aparelhos
E sinto congelados meus artelhos
E velhos andarilhos dentro em mim,
Mordazes criaturas são decerto
O porto aonde agora desconcerto
Marcado com terror ar e jardim.

33423

Perdi a minha vida, na procura
Do quanto poderia ser ainda
Depois da noite amarga e agora infinda
Resquícios desta sorte que amargura
E quando noutro tanto a vida cura
Ou mesmo não pudesse ser mais linda
A face em descompasso já nos brinda
Com toda ansiedade e me tortura.
Capacho do que fora insanidade
Restando dentro em mim tola verdade
Na qual eu procedendo desta forma
Espreito atocaiada fera quando
O mundo novamente me tomando
Com toda insensatez já me deforma.

33424


Destino prega em mim por vezes peças
E quando penso em ter a solução
Dispersa melodia desde então
E nela cada passo que inda empeças
As horas não seriam mais promessas
Tampouco quero ver a dimensão
Do medo noutro fardo ou na amplidão
Aonde cada frase recomeças
Ousando com palavras agressivas
As almas sem saber se mortas, vivas
Apenas seguem ermos dentro em mim,
Na fúnebre presença do passado
Olhando este momento disfarçado
Transcendo ao que pudesse ser enfim.


33425



Embora muitas vezes já superes
As dores costumeiras da esperança
Enquanto no vazio a vinda lança
Ainda sem juízo destemperes
E mudes com terror o que puderes
O quanto não se vendo uma aliança
A vida noutro tanto já balança
Modula dentro em nós homens, mulheres.
Assisto ao quanto pude e não sabia
Da velha mocidade em atitude
Deixando para traz o que se mude
Negando qualquer fonte em poesia,
Caindo sem saber de cada passo,
Apenas o vazio ainda eu traço.


33426

Na vida quase nada que te impeça
A cometer os erros mais banais
E quando noutra face buscas cais
A sorte na verdade já tropeça
Esboço reações fenomenais
E tento assim juntar peça por peça
Até que este inverdade recomeça
E gera novos dias desiguais,
Amar e ter nos olhos com paixão
O encanto que se mostra em compaixão
Vergastas sobre as costas, tanto lenho,
Mas sei do quanto pude acreditar
Na sorte desdenhosa do pomar
Aonde nem fruto mais contenho.


33427

Recebes com carinho em tua tenda
Quem tenta disfarçar algum sorriso
E sei do mais dorido ou mais conciso
Caminho aonde tudo se desvenda,
Nem mesmo a poesia ainda atenda
A sorte de quem bebe sem juízo
E o fardo navegando este impreciso
Traçado retirando após a venda,
Esgarça-se em diversos espinheiros
E gera novos tempos; dos arqueiros
A mira se aproxima do ideal.
E assim cupido expondo numa seta
A sorte que me fez pensar poeta
E ter no verso imenso cais e nau.

33428


Porém se amores mostram suas faces
E tantas vezes mudam o cenário
O quadro antes diverso e temporário
Agora noutro tanto ainda embaces,
E quando tentaria sem impasses
Vencer além do todo necessário
O rumo noutro morto ou mesmo vário
Traçasse com terror aonde grasses
Esqueço das palavras que eu te disse
A vida refletindo esta mesmice
Não deixa mais sequer um vago espaço
E assim ao se mostrar inconseqüente
Nos olhos a esperança quando ausente
Sou presa e sendo assim, mesmo me caço.


33429

E mordem como fossem violentos
Articulando em fúria finos dentes
E quando a dor maior inda não sentes
Não vês os mais diversos sofrimentos,
Vivendo sem saber dos fortes ventos
E neles outros tantos persistentes
Porquanto nos meus dias não te ausentes
Mordaças poderiam ser ungüentos.
Acordo e sem ninguém aqui do lado
O peso do sonhar acumulado
Gerado pelo intenso pesadelo,
Assim pudesse ao menos crer no fato
Aonde com terror eu me retrato
Gestando dentro em nós total desvelo.

33430


Os sonhos mais difíceis anteparas
Enquanto este lacaio coração
Beijando com temor e solidão
As farpas entre tantas, mil escaras
E quando em sortilégio me escancaras
As portas deste imenso e vago não
No pórtico da imensa ingratidão
Jargões predominando nas searas,
Ecléticos caminhos entre tantos
E sei serem comuns os desencantos
E neles o que ainda pode e cura
Traçar com mais ardência tal ternura
E vendo retratada a face obtusa
Do amor que sempre afeta, ataca e acusa.


33431

Em busca dos divinos, bons ungüentos
Depois de perceber a dor intensa
E nela cada dia bem mais tensa
Visão destes terríveis sofrimentos,
E quando noutro tanto os desalentos
Aonde nada mais quer e convença
A morte então seria a recompensa
E dela se fazendo tais proventos
Percorro cada passo rumo ao nada
E tento quando vejo disfarçada
A face desta insânia contumaz
Seguir sem ter remédios, noite afora
E agora a solidão que me decora
Gerando finalmente alguma paz.


33432

Vivendo deste amor qual peregrino
Sem ter sequer descanso, busco apenas
As mãos onde deveras me serenas
E tomas minha vida e te alucino
O quanto poderia ser destino
Rever as velhas duras, magas cenas
E sei das maravilhas das sirenas
Aonde com ternura sol a pino
Adentro mares tantos e procuro
Porquanto mesmo quando em mim escuro
O tempo se aproxima em raro sol,
Medonha face expondo este vazio
E quando noutro tanto já desfio
Encontro o teu olhar, manso farol.


33433



Que trama sem saber do seu caminho
Pedaço deste sonho invés do todo
E ainda se pudesse deste modo
Viver outro momento mais sozinho
E sendo costumeiro algum carinho
Por mais que a vida trague sempre o lodo
Realço novamente o mesmo engodo
Do qual a cada dia me avizinho,
Perguntas sem respostas sei de tantas
E quantas vezes teimas e adiantas
O passo rumo ao quanto poderia
Vencer em luz suave a escuridão
Traçando com ternura esta amplidão
Ainda que ela seja leda e fria.


33434


Amor por ser amor, faz seu destino
E nada impediria ser assim,
Início desenhando meio e fim
E quando me percebo não domino
Sequer o passo em vão e me alucino
Menino que pensara no jardim
Agora morre em vida e mesmo assim,
O velho coração eu azucrino.
Percebo em tais nuances minha vida
Há quanto sem temor em despedida
Rendido aos meus quereres mais ousados,
E assim sem ter sequer tal percepção
Procuro o meu destino e sei em vão
Os dias não seriam bem traçados;


33435



E nele mesmo incrusta fim e ninho
Verdugo dos meus sonhos que apascenta
E quando gera enfim nova tormenta
Diversa do que ainda em vão caminho
Percebo quanto inútil crer no vinho
Aonde toda a sorte violenta
O passo rumo ao nada e quando tenta
Eu estarei aqui, ledo e sozinho.
Medonhas mãos da dita sobre mim,
Chegando mansamente até meu fim
Inevitavelmente sei que é disto
O fardo de viver e não me canso
Ainda quanto mais busco um remanso
Na luta sem sossego eu teimo e insisto.


33436



Ao menos se escutasse minha prece
Quem faz das suas mãos esta vergasta
Enquanto a realidade não me basta
A fantasia ao léu ainda tece
Momento mais atroz e recomece
Vivendo sem ternura e já se afasta
Do peso deste sonho e quando arrasta
Até cada momento em vão se esquece.
Residualmente bebo cada gota
E nela se a verdade se faz rota
A rota se perdera há muitos anos,
Dos vários desatinos contumazes,
Os restos das mortalhas que me trazes
Prometem ser apenas meros panos.

33437


Mas tolo coração, não obedece
Quem tanto poderia acreditar
Na vida noutra senda e mergulhar
No quanto do vazio se oferece,
Porquanto a poesia não confesse
Nem mesmo se pudesse imaginar
O quadro em desatino sem lugar
Não deixa mais sentir qualquer benesse.
O fardo do viver insuportável
Negando qualquer dia mais amável
Arável solo esboça esta aridez,
E tudo não passando de promessa
Enquanto a minha vida recomeça
O sonho de outra senda se desfez.


33438


Espero que me queiras afinal
A vida não promete nem resolve
E quando a realidade se dissolve
Translada para o fim o ritual
No corpo abençoado da esperança
A farpa quando adentra faz estrago
E todo o meu caminho quando alago
Com fúria nova senda já se alcança
Resisto muito embora seja assim
Venal comportamento de quem ama,
E tendo contumaz diverso drama
O peso destroçando tudo em mim,
Agasalhando o sonho, bem pudera
Viver distante ao menos desta fera.

33439

Querer que tanto trago, querer gero
E faço da querência quase um mote,
E quando esta presença a vida note
Diversa do que tanto ou mais sincero
Pudesse consolar e desespero
Sabendo da mortalha feita em bote
A moça aprofundando o seu decote
E o medo se mostrando mais que eu quero.
Resumo meus enganos nestes seios
E busco controlar velhos anseios
Receio não saber da direção
E o salto se prepara rumo ao quanto
O amor não poderia neste canto
Tramar outro caminho, mesmo em vão.

33440



Em versos dedicando bem e mal
Não tento mais saber de rumo e fim,
Assim ao perceber morto o jardim
A vida não refaz tal ritual
E quando se mostrara sensual
Delírio desejoso trago em mim
A fonte pela qual se ainda vim
Esqueço qualquer trama desigual
Eu vejo este reflexo neste espelho
E quando noutro tanto me aconselho
Reflito o que pudesse ser diverso
Do todo arremessado na parede
Ainda tenho em ti dispersa sede,
Mas nada que me faça estar imerso.

33351 até 33400

33351

As nuas melodias ritos sonhos
Referem-se ao que tanto quis e nada
Gerasse nova sorte aonde cada
Momento poderia em enfadonhos
Caminhos procurar novos bisonhos
Ou mesmo reviver a velha estrada
Uma alma agora amarga ou invernada
Adentra tais cenários mais medonhos,
E sei do quanto pude e não devia,
O fruto abençoado em utopia
Gestado com carinho vira aborto
Assim ao me mostrar defronte espelho
O olhar calado e turvo, mais vermelho
Denota este futuro semimorto.

33352

Que fazem de meus olhos mais risonhos
Os cortes mais profundos que me deste
E quando a ponta surge forte e agreste
Os olhos noutros dias são tristonhos.
Assino a cada ausência o meu final,
E bebo em fartos goles a saudade,
No todo que talvez jamais agrade
Eu tento alçar a vida num degrau
E arrisco em precipícios, neste abismo
O passo rumo ao tanto que não tive,
E sei do vendaval aonde estive
E tento na medida em que não cismo,
Resquícios de uma vida noutra face
Gestada pela dor do medo e impasse.

33353

Mergulharia a voz no quanto ainda
Pudesse acreditar a não teria
Senão a mesma face em sincronia
E nela a solidão que seja infinda,
Garimpo a fantasia e se deslinda
A morte que deveras poderia
Reger qualquer momento de alegria
Portanto novo tempo já se finda,
E aos meus alentos regredira
Enquanto a solidão acerta a mira
E o fardo não mais posso suportar,
Vestindo de ironia ou de sarcasmo
Seguindo cada passo bem mais pasmo,
Espero novamente começar.

33354

Satisfação é fato mais ausente
Dos olhos entre trevas, brumas, frio
E quantas vezes teimo e subo o rio
Num ato que se mostre fascinante,
E quando noutro tanto se adiante
O medo ressonando cada fio
Do especular desejo desafio
Perdido em meio ao mundo me agigante.
E risco cada nome desta agenda
Aonde na verdade nada atenda
Senão este cenário em dor ou paz,
E a fonte inusitada se permite
Viver além do caos, qualquer limite
E ser a cada ausência mais tenaz.


33355

Chegando ao fim da linha, nada levo
Senão esta saudade ou mesmo o fardo
E quando noutro tanto mero bardo
Vivera a solidão em tom longevo,
Riscando cada passo até me atrevo
A ter além da pedra, espinho e cardo
A vida refazendo o mesmo dardo
Penetra friamente e assim me entrevo.
Paradas entre fontes e delírios
Resultam tão somente nos martírios
E deles costumeiras ilusões,
Não posso mais falar do que se veria
Aquém desta verdade ou fantasia,
E nela todos erros tu repões.

33356

O mundo dando voltas gira tanto
E quando se percebe inevitável
Seguir outro caminho mais arável
Ainda sem destino desencanto,
Refiro-me ao viver qual fosse um manto
E nele todo tempo desbotável
Restando o que pudesse ser tragável
Jogado pela casa em algum canto.
Jangadas procurando um cais suave,
Minha alma noutro tanto se faz ave
E ceva com terror ou com ternura
A velha charqueada costumeira
E nela se traçando esta bandeira
Aonde todo o mundo se amargura.

33357

Sangrando contra a fúria do vazio
Adentro nas entranhas mais fugazes
E sei quantas vezes tu me trazes
Esqueces estopim, fogo e pavio,
E o vasto caminhar onde procrio
Momentos mais doridos e mordazes,
Não representam meras tolas fases
E o manto não protege mais do frio.
Impotências diversas, morte à vista
O fim do entardecer uma alma avista
Prevendo a noite em toda turbulência
Capitulando assim sem luta ou medo,
Condeno-me deveras ao degredo
Do fim eu tenho e sei plena ciência.


33358



E em plenas alegrias continuas
Depois de teres mesmo destruído
O quanto poderia dividido
E agora se mostrando em turvas luas,
E quando noutro tanto as almas nuas
Resolvem seus engodos, vou perdido,
E tento noutro tanto resolvido,
Mas quando te revoltas vens e atuas,
Flutuas entre estrelas e fantoches,
Olhares são de penas ou deboches
Dos broches na camisa, sem medalhas
Orientando o passo, a negação,
Constrito caminhar em direção
Ao quanto na verdade me atrapalhas.


33359


Jazigo do que fora uma alegria
Mortalha se tecendo no não ser
O medo transcorrendo sem poder
Viver o que talvez fosse alegria,
Resisto e quantas vezes já se adia
A morte sem defesas do querer,
Reverto o meu caminho e tento ver
O quanto nada mais se poderia,
Vestindo as ilusões em noite pária
Bebendo cada gota procelária
Das velhas porcelanas, nem sinais
Esgoto-me com frágeis sons e sonhos,
Os cantos entre temas mais medonhos
Demonstram ritos ledos, terminais.


33360

No meu momento feito em dor e riso
Condões arrebentados, cortes fundos
E quando não pudesse noutros mundos
Sentir felicidade em tom preciso,
O verso se mostrando em pré juízo
Tramando corações mais vagabundos
Os dias são ferozes e rotundos
E neles o que resta eu não matizo.
Esqueço cada frase em atos falsos,
E bebo com meus pés cortes descalços
Das velhas podridões neste quintal
Assim ao perceber noutro varal
As roupas se quarando penso ver
O tempo noutro tempo renascer.


33361


As Ruas e destinos são festejos
E nesta roda viva a vida passa
E quanto tanto penso na fumaça
Tocando com terror velhos desejos
Ainda se pudessem mais sobejos
O quanto na verdade dita a traça
E a sorte sem remédios nada traça
Deixando para trás antigos pejos
Os versos entre verso inversões
As vagas entre velhas emoções
E o manto destroçado da esperança
Morrer é ter nas mãos a solução
E sei do quanto possa em negação
Enquanto se refaz uma aliança.


33362

Despeço-me da vida como quem
Saneia seus enganos e procura
Ainda quando a sorte mesmo dura
De todos os vazios me provém,
Negando qualquer brilho, ainda vem
A sorte noutra face mais escura
Tentando renovar a velha jura
E beijo a solidão, divino bem.
Abraço os meus pedaços pelas ruas
E sei das fantasias antes cruas
E agora desenhadas com clichês
Tateio pelas noites e se vejo
O quanto noutro encanto mais desejo
Só sei que no final, tu não me vês.


33363

Arrasto pelas ruas o meu sonho
Escalpelado rito em tom sombrio,
O gesto aonde eu mesmo me esvazio
E nele todo o rumo já não ponho,
Escrevo com ternura ou quando oponho
Descanso após seguir o imenso rio
Levando pelas margens e me estrio
Na faca, adaga, foice em ar medonho,
Das arcas e das ancas marejado,
O parto tantas vezes renegado
No aborto costumeiro de onde venho,
O pantanal traçado em movediço
Caminho pelo qual se já cobiço
Adentro com terror em torpe cenho.

33364

Falar das esperanças quando a tarde
Tomada pelas nuvens vem e invade
Promete qualquer dor e tempestade
Ainda que este tanto se retarde,
O verso quando muito não aguarde
E nele cada parte diz verdade
Ou pesa sobre as costas e degrade
Enquanto a vergastada adentrando arde.
Jorrando pelas ruas meu esgoto
O tempo se mostrara agora roto
E o pensamento gera insensatez,
Ainda poderia ser feliz
Se toda a realidade contradiz
A santidade imensa em que tu crês.

33365


Não pude conceber eucaristia
E nem acredito mais num vago Deus
Vendido pelas mãos dos fariseus
E quantas vezes morta a fantasia
Negando uma esperança a quem queria
Alguma nova vida sem adeus,
Os erros que deveras fossem meus
Não podem invadir a sacristia.
Os amores maiores e sensatos
Os dias entre ritos e maltratos
Em atos mais audazes e ferozes,
Meus rios sem fluência, em corredeiras
Adentram pelas selvas derradeiras
E perdem seus destinos, suas fozes.


33366

Felicidade morta à faca e bala
Enquanto desmaiando a sensatez
No porto aonde tudo se desfez
Nem mesmo este vazio ainda abala
Quem sabe e na verdade nada fala
Senão o quanto pude e já revês
No fardo condenando à lucidez
Quem sabe ser das lutas, a vassala.
Reconstituindo o barco do passado
Levando os amuletos dentro em mim
Esqueço qualquer forma e sendo assim,
O canto noutro encanto abandonado
Resiste e tanto pode ser diverso
Rasgando cada frase deste verso.

33367

Brilhando muito além de qualquer sol,
Cirandas entre noites luas belas
E quando no passado ainda atrelas
O todo que se fez em arrebol,
Restando da vivência nem farol,
E assim ao desenhar terríveis telas,
Porquanto noutros tantos mais revelas
Tentando ser apenas caracol,
Eu vejo o que pudesse ser assim,
E nunca acreditei tivesse fim.
O parto prometido não virá
O mundo noutro tanto me mostrando
O fardo mais atroz, vago e nefando
Nevando dentro da alma desde já.


33368

Mormaços que carrego dentro da alma
Não deixam mais a luz de um claro dia
E toda esta vacância se previa
Conheço minha vida em cada palma,
Deixando para trás o medo e o trauma
Quando inocentemente esta alegria
Gerava noutra face a hipocrisia
Nem mesmo esta incerteza ainda acalma,
O vasto caminhar já sonegado,
O dia noutro tanto amarrotado
E o cândido caminho em tez dorida,
Assim ao se mostrar a face escusa
Da vida quando a sorte usando abusa
Matando o que restara de uma vida.


33369

Realejos dos meus tempos de criança
Ainda procurando qualquer sorte
E nela se mostrara apenas morte
Aonde a cada ausência a vida lança
Pudesse reviver cada lembrança
E ter ao menos sonho que suporte
O passo sem ternura e sem aporte
Gerando alguma forma de mudança
Navego em tempestades, sou assim,
O mundo se perdendo dentro em mim
Jamais me permitindo um tom maior
Apenas nos meus olhos lacrimejo
E quando noutro ensaio diz desejo
Reside dentro da alma este suor.


33370

Pudesse acreditar noutro cenário
Aonde esta criança hoje disforme
Ainda que em verdade nada informe
Da fome traz o grito necessário,
Medonha face escusa do corsário
Que quando se aproxima e se conforme
Nas ânsias do que eu fui ainda dorme
Arrebentando assim qualquer armário,
O vento não pudesse transformar
E nem se balançasse céu e mar
Mesquinha caricata face exposta
Minha alma se mostrando ora desnuda,
Enquanto noutro tanto ainda ajuda
No fundo se retrata e ainda gosta.

33371

Quem me dera se todos os desejos
Pudessem traduzir além do caos,
E quando não se vêm mais os degraus
Que possam me levar aos mais sobejos
Caminhos onde tanto quis saber
Da sorte semelhante à liberdade,
E no tanto quanto possa a claridade
Viver esta alegria em tal prazer
Riscando já do mapa qualquer marca
Do quanto pude um dia acreditar
Na força incomparável do luar
Aonde a fantasia tola embarca
Unindo este vazio ao nada além
Apenas solidão, ainda vem...

33372

Realizassem por certo uma esperança
Os dias mais atrozes ou ferinos
E quando se tentara em desatinos
Vencer qualquer caminho em vã mudança
Porquanto uma alma tenta, tenta e cansa
Cenários são deveras mais ladinos
E bebo do dobrar dos velhos sinos
Deixando uma alegria na lembrança;
Participando assim deste fatal
Momento aonde em sombras já me fiz
O quanto se pudera um aprendiz
Riscado pela vida e descartado,
A morte se aproxima e me redime,
Assim na sensação de dor e crime,
Vestindo o velho terno amarrotado.

33373



Mas, nada , estou assim muito feliz,
Depois de não saber se tento ou não
Riscar do mapa rumo e direção
E quanto mais audaz inda eu me quis,
O fardo se pesando na raiz
Tombando com terror mergulho ao chão,
E sinto novo tempo em provação
Porquanto o corte traça o que se diz
Nas mãos do vendilhão de uma esperança
A faca se afiando agora lança
E adentra sem defesas o meu porto,
Cadenciando o passo rumo ao nada,
Apenas o que fora madrugada
Encontra-me deveras semimorto.

33374

Sabendo que virás ao fim do dia
Trazendo esta mortalha que se tece
Nas mãos de quem deveras já me esquece
E noutra face mostra hipocrisia,
Restara qualquer luz e a serventia
Do todo quando ao nada me obedece
Fartura de ternura dita a messe
E o pântano decerto ora se urdia.
Não quero este trambolho feito em rito,
Nem mesmo se pudesse ainda grito
E tento disfarçar a imensa lama,
No pasto que me deste de presente,
O vândalo delírio não se ausente
E quanto mais atroz, bem mais reclama.

33375


O brilho dessa vida, sempre traz
Resquícios de um momento aonde eu pude
Deixar qualquer formato de atitude
Ainda sem sentidos, para trás,
E noutro imaginário mais audaz
Resisto embora ausente a juventude
Mutável caminhar já não ajude
Quem tenta outro destino e nada faz.
Servir como se fosse mero apoio
E ter a sensação de torpe arroio
Deixando prosseguir em rio imenso
O fardo dividido no começo
Encontra noutra foz seu endereço,
Desculpe mas não posso e nem convenço.

33376


Revivendo invadindo a poesia
O carma sem sentido que adentrara
A morte não se mostra sempre clara
Enquanto a minha sorte não se adia,
O parto procurara em noite fria
Cenário bem diverso e desampara,
A vida noutra face sempre apara
O sonho aonde o sonho não seria
Somente esta senzala que me deste
Rasgando com terror a imensa veste
Desnuda companhia do passado
Acostumando ao erro mais freqüente
Enquanto este vazio se pressente
A morte me servindo de legado.

33377


Trazendo, ao fim da vida, uma alegria
A cena não reflete a realidade,
Porquanto bem mais alto ainda brade
A voz noutro momento não seria
Apenas o reflexo da alegria
Nem mesmo manteria a qualidade
E toda esta incerteza desagrade
Quem gera esta mortalha todo dia,
Não posso mais sorrir e me completo
No fardo costumeiro e predileto
E dele tramo o fim em solidão,
Não deixo qualquer sombra, rastro ou passo,
E quando sem defesas me desfaço
Mesquinharias tomam todo o chão.

33378

Quem dera se eu pudesse te dizer
Do faro costumeiro de sonhar
E ter ainda em mim qualquer lugar
Aonde novo tempo se faz ver,
Não tendo nem sequer no que inda crer
Vagando sem destinos, quero um ar
E teimo sem ter asas em voar
Até noutro cenário perecer.
Amargo a realidade e sem futuro
O passo rumo à dor em solo duro
Esconde estes demônios que me deste
E assim a cada ausência mais profana
A sorte com ternura já me dana
E apenas o vazio me reveste.


33379


DA SENSAÇÃO CRUEL DESSA SAUDADE
E o tempo de viver já não bastara
A porta noutra face desampara
Enquanto o frio adentra e tudo invade,
Não vejo nesta vida a qualidade
E tanto poderia ser mais rara
Ferrenha teimosia dita a escara
E nela cada ausência me degrade.
Perene insanidade, o que inda resta
Pensara no passado riso e festa
E agora no velório vejo as cenas
De quem se fez hipócrita e venal
Ousando desfrutar do ritual
Enquanto satisfeita me envenenas...

33380

DIZER-TE QUE, SEM TI , MELHOR MORRER,
Balela simplesmente e nada mais,
Os dias não seriam desiguais
Nem mesmo outro momento a me colher
Percebo a insanidade e posso ver
O quadro em faces turvas, mas banais
Na espreita desta morte, vis chacais
Bebendo a se fartar, todo o poder.
Expresso com palavras o que sinto
Sabendo do caminho agora extinto
Por onde ainda havia a temperança
A morte não redime qualquer erro,
E sendo assim diverso o meu desterro,
Ao menos plena paz minha alma alcança.


33381

VOU PROCURAR-TE EM TODA CLARIDADE.
Sabendo quanto escura a madrugada
Em brumas já composta aonde o nada
A cada passo atroz tanto degrade,
Riscando com terror a imensidade
Mergulho no vazio da alvorada
E bebo a sorte agora solapada
Negando com horror a liberdade,
Escassas luzes ditam o futuro
E quando na verdade não procuro
Sinais que possam tanto redimir
Engodos costumeiros não perfaço
E bebo a cada dia novo espaço
E sei bem mais distante o que sentir.

33382

JAMAIS EU SABERIA QUEM HÁ DE
Dizer do verso manso ou mesmo atroz,
Se nada nem ninguém escuta a voz
Que ainda por mais louco tente ou brade,
O fato é quando houver necessidade
Rasgando a tempestade beijo a foz,
E sei do que pudesse ainda em nós
Traçar qualquer luar, diversidade;
Meu verso se enfadando sem ninguém,
No quanto ainda teima e não contém
Resumo a minha vida desde agora,
E tento disfarçar, mas não consigo,
A cada ausência sinto este perigo
Na curva aonde a sorte se demora.


33383


INFORMAR A ESSE LOUCO SEM PORQUÊS
O quanto é necessário ter além
Do nada aonde o tudo não convém
Diverso do que ainda teimas, vês
Poeira nos sapatos? Nelas crês
E sabes desta história muito bem,
Vivera tanto tempo sem alguém
E mesmo que tivesse eram clichês
Cercado pelas lanças das promessas
Aonde cada engano recomeças
E mentes quando ris com paz incauta.
O tempo transcendendo à própria vida
O corte traz a face dividida
E dela não se sente a menor falta.

33384

EM QUE CANTO, EM QUE RUA NA CIDADE
Esconde quem pudesse ser assim
O vandalismo toma tudo em mim
Porquanto a própria história desagrade,
Restando o que pudesse em claridade
Deixando para além fúria e jardim,
A porta não se abrindo e sendo enfim
Residual caminho sem ter grade
Não pode mais sentir sequer o vento
E quando tantas vezes teimo e tento
Atento ao que talvez inda pudesse
Refino com palavras mais gentis
O que deveras tanto ou nada quis
Matando desde sempre essa benesse.


33385

EM QUE MUNDO ELE SOUBE TE PERDER,
Já que pudera ao menos crer possível
Um novo caminhar bem mais plausível
Vivendo cada gota do querer,
Assim também me sinto ao perceber
O todo se mostrando divisível
E o corte se profana em dor incrível
Mortalha cada dia a se tecer.
O fado de viver em chuva e medo,
E tanto não pudera outro segredo
Senão o mesmo e frio vendaval,
As pessoas correndo pelas ruas
E quando na calçada continuas
Imagem deste amor, residual...

33386


Procuro-te nas ruas e nas tramas
Aonde poderia acreditar
No verso noutro tanto a se mostrar
E quando se percebe nem mais chamas
Os versos de uma lua em velhos dramas
Restando sobre a terra a divagar
Esboço outro momento sem luar
E quando nem percebes, ditas lamas,
Chovendo dentro em mim a noite inteira
O porte se mostrara mais venal,
Estrela galga espaço em desigual
Caminho sobretudo em tal ladeira
Aonde desabara há tantos anos
Os velhos e doridos desenganos.

33387

Refém dos meus momentos mais audazes
E neles os discursos mais venais
Arreio o coração e em passos trazes
Os olhos entre fúrias vendavais,
Ariscos caminhares entre as fazes
Bebendo desta sorte quero mais
E sei que ainda mesmo quando atrases
Os dias não seriam mais iguais,
A prata desta lua deita em cores
Diversas dos momentos onde fores
E traça este vazio no futuro,
O sol que redimindo a noite fria
Jamais noutra alvorada mostraria
Deixando o meu caminho ainda escuro.


33388


Levanta o coração quem tenta ver
O mundo noutra face ou mesmo nesta
E quando a minha boca já não presta
Reside bem além teu bem querer,
O fado de sonhar e de viver
Adentra sem saber por toda fresta
E teima com inútil fútil festa
Deixando no passado algum prazer,
Existo por saber de outro momento
E sei que ainda mesmo quando invento
O tempo não permite acreditar
Nas fontes mais diversas da esperança
E quando esta saudade ainda alcança
Resolvo a minha vida devagar.


33389

Serena dentro em mim a tarde inteira
E beijo o temporal que inda virá
Sabendo que deveras tomará
Janela sonho pedra em vã ladeira
E quando a realidade enfim se esgueira
Deixando esta saudade aqui ou lá,
O tempo novamente cobrará
Porquanto a minha sorte é derradeira,
Coragem coração e nada disto
Percebo quando mesmo quero e insisto
Resisto e nada traça outro caminho,
Bebendo em tua boca o fel e o medo,
Ainda noutra face me concedo
E sigo sem defesas, pois sozinho.


33390


Jargões do eu passado em harmonia
Belezas sem igual, cabelo ao vento
E quando noutro tanto o pensamento
Perfaz a mesma história, ventania,
Acordo de manhã e bebo o dia
Ao mesmo tempo tento e desalento
Riscando cada frase em pensamento
Aonde nada mais jamais urdia,
Digo ao que pudesse ser assim
O vândalo resíduo que há em mim
Capenga coração já não comporta
A morte anunciada na tocaia,
E quando vejo o sol beijando a praia
Fechando esta janela, a casa, a porta...


33391

AGORA QUE AS PALAVRAS SÃO NEFASTAS
E o tempo não renova a velha história
Matando o que inda resta na memória
Enquanto dos meus passos tu te afastas
Palavras sem sentido sendo gastas
Prenunciando a vida dura e merencória
E nela sem saber qualquer vanglória
O quanto não querias sendo castas
As luas entre nuvens noite afora
E quando a poesia já se ancora
Resistes ao chamado da paixão
E vês o teu fantoche pelas ruas,
Estrelas entre noites belas luas
E nelas nem sequer a direção...

33392



AGORA QUE MEU MUNDO JÁ PERDI
Jogado pelos bares e sarjetas
Ainda quanto mais queres, prometas
Bem mais distante estou ora de ti,
O vento se percebe e pereci
Nas ânsias mais atrozes dos cometas
E quando viajasse por planetas
Diversos destes todos que bebi,
Acordos entre ritos e resenhas
A morte pouco a pouco mais desenhas
Nas franjas da ilusão torpe verdade,
E sei do quanto pude imaginar
Erguendo a cada engano um patamar
Aonde se veria esta cidade..


33393

QUANTO MAIS ME APROXIMO, MAIS T'AFASTAS
Sabendo do que tanto poderia
Traçar com dor ou mesmo em alegria
As noites mais felizes, ricas, bastas,
E tendo em minhas mãos velhas vergastas
No corte aprofundado dia a dia
O vento não proclama a fantasia
E nem as mesmas horas inda gastas
Negando qualquer sorte ou até medo
E quando de outro jeito assim procedo
Concertos entre tantas ilusões
Servindo de alimária nada quero
E se pudesse ainda ser sincero
Bebendo tão somente podridões.


33394

Uma estrela ascendendo no meu sonho
Vagando solitária em noite imensa
No quando do desejo se compensa
O risco na verdade não proponho,
O fardo carregado se é medonho
Traçando a realidade bem mais densa
E nela toda a fúria não convença
Quem luta com terror, claro e enfadonho.
Dos prazos concedidos pela sorte
Prenunciando assim a minha morte
Não passo de somente um vago não,
Brumosa noite adentra o que ora sinto
E vejo este momento agora extinto
Nas ânsias da terrível negação.

33395

Em brisas, maciez, em plena festa
A sórdida presença de quem tenta
Vencer esta ilusão louca e sedenta
Abrindo do meu peito cada fresta
E quando no final já nada resta
O beijo se aproxima da tormenta
E assim a morte enfim que se apresenta
Aos poucos sem caminho desembesta
Pecado por pecado, é bem melhor
Usar as artimanhas do suor
Do que vender a cara de santinha,
No porto dos vinagres, vinho morto,
Ausência de esperança dita o porto,
Vadia madrugada fora minha.


33396


De tudo que sonhei, nada mais resta,
Tampouco quero sombras do passado,
Vivendo do futuro ou desolado
Não chego ao fim da noite em plena festa,
O bêbado caminho já se empresta
E traça com destroços meu legado,
O quando deste sonho sonegado
A vida de outra forma nunca atesta.
Resido no que tanto pude crer
E sem saber sequer do alvorecer
Eu quero que este tempo já se dane,
O amor não vale mais nenhum centavo
E quando do vazio assim me lavo,
O velho coração entrando em pane.


33397


Senão o meu caminho sem promessas
Valia alguma coisa, mas sei bem
Do quanto em nada tendo nada vem
E nestas heresias tu começas
Bebendo cada gota se às avessas
Do tanto que pudera ser aquém
O riso destroçado não mais tem
Embora teus pecados não confessas,
Extraio cada gota deste esgoto
E sei o quanto posso boquirroto
Vencer os meus temores, dissonância;
Partindo do princípio chego ao nada,
Assim a mesma história decorada
Gerada pela eterna discrepância.


33398


Estrela que vivendo nas avessas
Dos dias entre trevas dores brumas
E quando na verdade me acostumas
As velhas heresias recomeças
E assim conforme andando mais tropeças
E nestas emoções diversas rumas
Enquanto no banheiro ainda fumas
Negando o que seriam as promessas,
Desoladora imagem dita o abril
E o todo que deveras se previu
No outono em tons dispersos se tornando,
Aonde em tempestades se fez tanto
O amor não poderia novo encanto
As andorinhas fogem noutro bando.

33399

Transforma meu viver mais enfadonho
O parto em dores feito, sem sentido,
O quadro há tanto tempo repartido
E o peso sem saber no quanto sonho,
Eu venço o meu caminho e te proponho
Outro momento além do ser urdido
Pesando nos meus ombros decidido
Caminho aonde vejo em ar medonho,
O cardo se aproxima e cada espinho
Traçando com terror o meu caminho
Gargalha-se o vazio dentro em mim,
Aprofundando o corte nada tendo
O mundo sem caminhos se perdendo
Restando este consolo, uísque e gim.


33400


Abraço tal estrela que não sente
Sequer esta presença e poderia
Traçar com mais ternura a noite fria
E até quem sabe mesmo vê-la quente
Revejo cada passo e se desmente
A fonte desta etérea fantasia
E enquanto a realidade bendizia
O mundo noutra face é mais descrente.
Realizando assim o meu desejo
Ainda novo tempo se prevejo
Refém do que se fora já não basta
Por isso minha amiga, dê o fora
A vida noutro tanto ora se ancora
Do teu itinerário enfim se afasta.