quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

51641/50

641

Saber do desprazer
A cada novo engano
E quanto mais me dano
Maior o meu sofrer,
Negando o amanhecer
O risco em novo plano
O tempo soberano
Não deixa nada ver,
Alheio ao que inda possa
A sorte dita a fossa
E gera a queda após,
Mergulho neste vago
Caminho onde divago
E perco rumo e foz.

642

A vida feita em farsa
Apenas nos traduz
Ausência em sonho e luz
E nada mais disfarça,
O corte, a sorte, a garça
Além já não conduz
O sonho reproduz
E o tempo sempre esgarça,
Vestindo esta ilusão
Os tempos moldarão
Somente este vazio
E sei da minha sorte
Traçada além do corte
E o todo eu desafio.

643

Não pude e nem tentara
Além da queda e a dor
O mundo em tal sabor
Traduz a sorte amara,
E o quanto se prepara
E gera o dissabor
Matando cada flor
Tomando esta seara,
A sorte não pudesse
Trazer o que merece
Quem sonha e tanto luta,
Depois de certo tempo
Envolto em contratempo
A senda se faz bruta.

644


Ouvir a voz de quem
Pudesse desenhar
Momento a navegar
Após tanto desdém
E ser feito refém
Dos raios de um luar
Aonde começar
E ter o quanto vem
Não pude e nem quisera
Saber da turva espera
Em noite solitária
A morte desenhando
O tempo desabando
A vida é temerária.

645

Não quero a solidão
Tampouco a dura senda
Aonde o nada atenda
E trague outra expressão
A lua em dimensão
Diversa além se estenda
E nada mais entenda
Quem bebe a ingratidão
Acordo cada sonho
E mergulho onde proponho
Cenário sem igual,
Apenas tempestade
Enquanto já degrade
Meu cenário em tom venal.

646

Negando a minha sorte
O que pude no passado
Ditando o quanto invado
E nisto meu suporte
Ainda que conforte
O rumo em que ora brado
Causando tanto enfado
Mudando o passo e o norte,
Espero qualquer luz
E gero o que produz
Apenas a alegria
E nada mais se vendo
Além do dividendo
Do amor em fantasia.

647

Meu canto sem proveito
O rumo onde pudera
Apascentar a fera
Deitando onde deleito
Vagando satisfeito
Marcando o que me espera
Vencendo o quanto gera
A noite me seu proveito,
Espero apenas isso
E quanto mais cobiço
Deveras mais não vejo
Somente o que inda trago
Presume o novo afago
Distante do desejo.

648

O sonho não se cala
E o tempo desilude
Aonde em juventude
Minha alma mais vassala
A vida adentra a sala
E gera o canto rude
E nisto quanto eu pude
A luta me avassala
Gerando após a queda
O quanto se envereda
Sem rumo e precisão,
Marcando com meu verso
O quanto inda disperso
E busco em solidão.


649

Outro tempo não podia
Quem se fez além do cais
E nada enfrenta os vendavais
Nem mesmo esta agonia
O corte me traria
Somente os funerais
E nisto os dias tais
Apenas na agonia
Adentro mar imenso
E bebo enquanto penso
A sorte que não veio
Ponteia o coração
Mudando a direção
Do sonho em devaneio.

650

Já não mais vejo a luz
E nada me conforta
Abrindo a velha porta
A luta reproduz
Carpindo o que conduz
A sorte então se aborta
A vida audaz e torta
O corte não reluz
E o tempo desenhado
Expressa o meu passado
Sonega algum futuro
E o quanto inda pudera
Vencer em primavera
No fim nada asseguro.

51631/640

631

O amor jamais coubera em nós
E o tempo denuncia a morte e a dor,
Aonde poderia e quer e for,
A sorte não desenha nada após,

A luta desdenhosa, mesmo algoz
Marcando com seu canto o dissabor
Gerando o que pudesse em multicor
Trazendo dentro da alma a mesma foz,

Meu mundo se desdenha e nada gera
E a luta se transforma em leda espera
E nada mais pudera senão isto,

E vendo retratada a minha face
Aonde quer que possa e mesmo grasse
Depois de certo tempo, enfim, desisto.


632

Pudesse inda contigo ter a sorte
De ter novo momento feito em paz
Meu canto se desenha e mais audaz
A luta sem ter nada que conforte,

Percorro o meu caminho e sem o norte
O tanto quanto possa e nada faz
Apenas solidão a vida traz
E gera o que talvez não me comporte

A luta sem descanso, outrora cedo
Agora desvendando outro segredo
Expressa a solidão e nada além,

Depois de certo tempo, angústia e dor
O mundo se desenha em dissabor
Somente este vazio agora vem.

633

A voz já dominando o sonho
Apenas o vazio se moldara
E nada mais pudesse em noite amara
O tempo se transforma em tom medonho,
Aonde mais pudesse e não proponho
Somente se estendendo em tal seara
A luta noutra face se escancara
E gera o que tentara enquanto enfronho,
Espero a luta e bebo a paz,
O corte se mostrando aonde traz
A face sem medida e sem razão,
Meus erros cometidos, sou sincero,
Traduzem muito além do que mais quero
Toando desde sempre sem senão.

634

Um tempo mais diverso poderia
Traçar novo caminho em minha vida
A sorte tantas vezes já perdida
Marcando com delírio a fantasia

Bebendo a me fartar tanta alegria
Ainda quando a morte se decida
A dita na verdade desprovida
Somente noutro passo levaria.

O mundo sem sentido e sem razões
Aonde sem certeza tu me expões
A marca desta luta em vaga luz,

Aonde se queria novo rumo,
Aos poucos noutro engodo eu me consumo
E o todo sem certezas reproduz.


635

Enquanto eu me disperso do cenário
Tentando acreditar noutro momento
A vida vai se expondo em ledo vento
Além do que pensara necessário,

Meu canto muitas vezes temerário
Gerado pela dor do alheamento,
O quanto poderia o pensamento
Mudando com certeza o itinerário.

O tempo se desenha em tom diverso
E quando na verdade busco e verso
Rasgando esta amplitude em céu imenso,

Ainda que pudesse nada trago
Sequer outro caminho em raro afago,
E nesta solidão eu me compenso.

636

Meu canto temerário nada diz
Nem possa me trazer felicidade,
Sonega o que pudera em claridade
E traça tão somente a cicatriz,

Ainda que lutasse por um triz
A vida pouco a pouco já degrade
E tenta muito além a liberdade
Diversa da que tenho ou mesmo quis.

A sorte se diverge e rege o vão
Olhando para além na imensidão
Apenas o cenário se desponte

Traçando o que inda resta dentro em mim,
O mundo desdenhando agora o fim
Renega o que pudesse ser a fonte.

637

Perverso caminhar em noite vã
O medo sem sentido, a dor e o tédio
E o quanto se pudera ser remédio
Matando em nascedouro esta manhã;

A noite dentro da alma nada dita
Senão o que pudesse ser diverso
E quando noutro rumo ainda verso
A luta se aproxima em vã desdita,

O caminho se mistura e gera o caos
A sorte desfigura o que inda vinha,
Quem sabe da dor mesquinha
Acorda seus instintos ledos, maus.

E traça novamente o que não veio
Marcando cada passo em vão receio.


638

Versejo em ilusões momentos tais
Aponto com meus olhos novos sóis
E quando cada sonho tu destróis
Momentos que julgara divinais

Faceta mais real em desiguais
Caminhos onde tudo matas, róis
E o corte se mostrando sem faróis
Marcando os meus tormentos já fatais.

Espero qualquer sorte e nada vem,
Somente o mesmo olhar feito em desdém
E nisto o que pudesse não produzo

Aprendo com a dor e sei do quanto é rude
O mundo que deveras não se mude,
Num ato tão atroz quanto confuso.


639

Refém do que pudera ser melhor
O tempo não desenha sem a luz
E quando se apresenta aonde o pus
Cenário demonstrando este arredor,

Apenas desenhando em tal suor
Delírios destes corpos belos, nus
E o canto na verdade nos seduz
E vivo deste mundo o bem maior

Do amor que se fizera sem sentido
O todo noutro passo resumido
Gestando a claridade a cada instante,

O mundo sem temor, leda promessa
Aos poucos noutra senda recomeça
E gera este cenário deslumbrante…


640

Pudesse envelhecer em calmaria
Vencendo os meus anseios e temores
Seguindo cada passo aonde fores
Gerando dentro em nós a fantasia,

A sorte muitas vezes poderia
Traçar outros momentos e louvores.
Mas quando se perdendo em desamores
A luta com certeza me agonia.

Meu mundo se desenha em novos tons
Enquanto os dias fossem bons
O canto desejasse apenas paz,

Mas sei do quanto resta em noite amarga
A voz já sem resposta então se embarga
E apenas o vazio não compraz.

51621/30

621

Meu canto em liberdade se espalhasse
E nisto novo tempo inda veria
E quantas vezes; vendo a fantasia
Espelho renegando em nova face
O mundo aonde o passo se embarace
A luta por quem sabe um novo dia
Ousando muito mais do que teria
Cerzindo o meu caminho aonde eu grasse,
Em refrigério o tempo não produz
Sequer o que pudesse e faço jus
Num ato em discordância ou mesmo rude,
Apenas o que tento se resume
No canto sem sentido em ledo ardume,
Vivendo muito menos do que eu pude.

622

A luta não termina e nem pudera
Ousar sem ter sequer um novo rumo
E quando no finale eu me acostumo
A solidão expressa esta quimera,
Vencido pelo espaço de quem gera
A luta sem saber talvez do insumo,
E visto a fantasia enquanto aprumo
Meu passo no que pôde primavera.
Argúcia não traduz mais a expressão
Em novos dias outros se verão
Especular anseio de um desdém,
E o quadro se tingindo em tom atroz
Negando cada passo, morta a voz
Somente o mar insólito inda vem.

623

Um ato libertário traz no sonho
O canto sem sentido em represália
E a sorte se alvoroça, e desta dália
Apenas a daninha hoje componho,
E o tanto quanto o quis, sendo bisonho
O vento sem destino além se espalha
E o corte mais audaz desta navalha
Produz o que buscasse e não reponho,
Mordaça cala a voz de quem podia
Ousar e ter no olhar em fantasia
a sorte mais diversa e mesmo até,
Rompendo a cada instante o que te algema
A vida noutro fato gera o tema
E trama a realidade em rara fé.

624

As ânsias entre os ermos de minha alma
O corte se apresenta a cada instante
E nisto o meu caminho me garante
O todo que deveras não me acalma,
Esqueço esta razão e nada dita
O pouco que inda trago do passado,
E quando meu caminho agora invado,
A luta se mostrara então finita,
Ocasionando a queda após o fato
Meu mundo sem sentido e sem proveito
Aonde na verdade nada aceito
Expressa o que deveras mal constato,
Negar qualquer anseio e ver além
Expressa o meu cenário em vão desdém.


625

Não pudera mais seguir
O que tanto quis outrora
O caminho revigora
Como fosse um elixir
O cenário a permitir
A paixão quando se aflora
O temor que desancora
O meu mundo a dividir
No vazio sem proveito
Outro tempo não aceito
Nem tampouco posso mais,
Enfrentando a fantasia
Novo sonho moldaria
Entranhando os vendavais.

626

O tempo destroçando o quanto ainda
Resiste dentro da alma de quem busca
A sorte mesmo quando amarga e brusca
E toda esta esperança aquém se finda,

No prazo determina o fim de tudo
E o cântico pudesse ser suave
Aonde o meu caminho já se agrave
Deveras sem defesas desiludo,

Espero alguma sorte que não veio
E bebo esta aguardente mais atroz,
O todo se moldando dentro em nós
Expressa este caminho e sigo alheio,

A morte me redima deste engodo
E trace meu futuro em charco e lodo.

627

As flores da ilusão; eu não veria
Tampouco novo sol em rara luz
Ao quanto meu caminho me conduz
Imagem mais amarga e tão sombria,

A luta se moldando a cada dia
E nisto cada engano gera a cruz
Garbosa tentação tanto seduz
Quem sabe no final inda viria,

E o medo tal constância, este ditame
Aonde cada noite em vão se exclame
Jogado na sarjeta o mero pária,

A morte serenando o quanto eu quis
Deixando demarcada a cicatriz
Na velha fantasia, diversa e vária.

628

Consoladora imagem de quem tanto
Pudera apresentar novo caminho
E quando dos teus braços me avizinho
Apenas o final tento e garanto,

O mundo se produz em medo e pranto
Cerzindo esta ilusão, sigo sozinho
E bebo em tua boca o mais daninho
Cenário aonde o todo diz quebranto.

Ascendo ao quanto pude e nada veio
O canto sem sentido, e sem receio
A lenda se espalhando sem sentido,

O medo não condiz com meu futuro
E o passo no vazio eu configuro
Meu mundo com certeza destruído.


629

No sossegado encanto de quem tenta
Vencer com calmaria o que não vinha
A luta que pensara ser só minha
Gerando após o caos nova tormenta,

A sorte tantas vezes turbulenta
O manto na verdade não continha
Sequer a fantasia aonde tinha

A marca mais sutil, mesmo sedenta.
escapo dos enganos e prossigo
Buscando no vazio algum abrigo

Sabendo dos meus erros contumazes
Negar cada momento em luz e brilho
Aonde sem destino inda palmilho
Bebendo em cada lua várias fases.


630

Aspiro ao manso sonho de quem preza
A vida num momento mais gentil
E assim a cada alento o que se viu
Transforma o que decerto ainda pesa

E gesta a luta mesmo quando ilesa
A sorte detalhada, amarga e vil,
O canto noutro tanto refletiu
O que neste caminho nos despreza.

Pousando muito além do quanto pude
Viver sem ter no olhar sequer o rude
Cenário aonde o mundo desencanta

A mola propulsora da esperança
Ao nada num momento já nos lança
E nisto a voz se prende na garganta.

51611/20

611

Pudesse meu canto
Em tanta promessa
A vida começa
E tento e garanto
Além deste encanto
A sorte diz pressa
E o medo tropeça
No corte em quebranto
Viver plenitude
Quando se mude
O mundo que é mudo
Invade o caminho
Gerando este ninho
Amor; mero escudo?

612

Beber da vontade
De ter outro sonho
E nada componho
Sequer liberdade,
A sorte se evade
O canto; eu proponho
E sei do medonho
Delírio que brade
Matando o que tenho
Um simples desenho
Vital importância
A luta não vence
Tampouco em non sense
Gerando inconstância.

613

Beber cada luz
E ter noutro passo
O quanto ora traço
E se reproduz
Amor já seduz
E leva ao cansaço
Procuro um regaço
Encontro outra cruz,
Esgoto meu mundo
E quando me inundo
Do todo ou do vão,
As sortes diversas
Aonde tu versas
Traçando o senão.

614

Aprendo bastante
E nada me impede
Do quanto concede
O passo adiante,
E sei doravante
No vago procede
A luta que mede
O mar se garante
Vivendo o cenário
Sonhar solidário
Em termos comuns
Dos sonhos que tento
Apenas tormento,
Delírios? Alguns...

615

Amor compartilha
Não soma nem tira
A sorte interfira
E gera esta trilha
No rumo onde brilha
Além da mentira
A vida retira
Enquanto polvilha,
Cerzir esperança
No passo onde lança
A luta sem fim,
Querendo este rumo
Em ti eu me assumo
Sem guerra ou motim.

616


Beijar mansamente
O tanto que possa
Da vida mais nossa
E nada desmente
O quanto apresente
Da luta que endossa
O sonho nos roça
E trama este urgente
Caminho que em paz
Amor sempre traz
E gesta outro encanto,
Vislumbro o futuro
Num dia seguro
Sem mágoas nem pranto.

617

A sorte maldita
A luta não traça
A vida se escassa
Nem tudo permita
Uma alma palpita
E gera o que passa
No quanto em fumaça
O tédio se evita,
Vencer temporais
Querer sempre mais
E ter esta sorte
De ser bem além
Do quanto inda tem
Que tanto conforte.

618

Não resta outra frase
Nem mesmo outro medo
Aonde procedo
A vida, esta fase
E nada se atrase
O rumo mais cedo
O tempo eu concedo
E gere esta base,
O canto sereno
Ao quanto me aceno
Bebendo o futuro,
Meu passo sem nexo
Olhar meu reflexo
Saltar outro muro.

619

No canto sem paz
No tempo sem luz
Ao todo conduz
O quanto se faz,
Pudesse tenaz
Viver onde pus
O sonho, eu compus
E nada se traz
Apenas a luta
E quando reluta
A astuta verdade,
Mergulho no encanto
E bebo do quanto
Amor nos invade.

620

Eu quero poder
Estar junto a ti
E tudo eu senti
No imenso prazer
Do quanto quis ser
E nisto eu venci
O sonho que vi
Marcante saber
Singrar oceano
Aonde me dano
Ou mesmo me alio,
Do sonho vivido
O canto eu lapido
Em tal desafio.

51601/10

51601

Falar de tanto amor quanto possível
Qual fosse um raro néctar, um maná
E o mundo num instante moldará
O passo noutro rumo ou novo nível,
Quem dera se pudesse ser mais crível
A senda desenhada desde já
Restando dentro da alma mudará,
Porém sei deste sonho incoercível.
A sorte desdenhosa dita o rumo
E quantas vezes; tento e me resumo
Na ausência mais completa de esperança;
A luta não se cansa, mas no fim
Do sonho nada resta e sigo assim,
Aonde esta vontade em vão me lança.

602

Nos templos desenhados no vazio
Meus antros entre altares, quedas, arcos
E os dias mais felizes são tão parcos
Que mesmo após o fim, nada recrio.
Apenas tão somente desafio
E sei dos meus caminhos, perco os barcos,
As esperanças tolas; sendo marcos
De tempos que hoje vejo por um fio.
Depois de tanta luta e sempre em vão,
Destinos mais diversos mostrarão
Somente este vazio dentro da alma,
A solidão deveras me tocando,
Aonde se quisera mesmo brando,
Nem mesmo a solidão atroz me acalma.

603

Um mausoléu em meio ao vão deserto
Depois de tantos anos, solitário.
O mundo; eu sei que tanto é necessário
E o velho caminhar inda desperto,
Mantendo o coração além e aberto,
O rumo se moldara em tom mais vário,
O canto noutro tom e itinerário,
Do nada que inda teimo enfim me alerto.
Resumos de outras eras, outro fato,
E o tanto quanto quis já não constato
Marcantes heresias dias mortos,
E os olhos procurando algum descanso,
Apenas no final; a noite, alcanço
Fazendo destas brumas os meus portos.

604

Não pude e nem quisera ter nas mãos
Momentos mais felizes. Mero mito,
E o tanto quanto busque, eu acredito
Jamais semearia áridos chãos,
Os dias na verdade foram vãos
E o corte marca o tempo onde é finito
O sonho que deveras necessito,
Mas traz os dias toscos, tantos nãos.
Escuto o imenso vento em turbulência
A vida se transforma em inclemência
E a luta não termina. Continua.
Exposto sob as sendas do passado,
Apenas os meus ermos quando invado
O tempo sem ter freio, em vão flutua.

605

Arcaico sonhador se faz presente
E bebe cada gole da ilusão,
Mas sei dos meus momentos desde então
E nada além do fim já se apresente,
Traçando nos meus olhos, o indigente
Tormento aonde a vida faz serão
Os sonhos no final nada trarão,
Sequer o que pudera urgentemente.
Apenas apresento o fim do jogo
Sem medo sem caminho paz ou rogo,
Alegro-me talvez por ter enfim
Sabido desta fútil vilania
Aonde se adormece a poesia
E morro desde quando em vão eu vim.

606

Minha alma nas charnecas da ilusão,
O lodo, a lama, o limo, o caos e a sorte
E nada na verdade me conforte
Nem mesmo esta semente, inútil grão.
Os erros no final transformarão
Traçando sem sentido a minha morte,
E o todo que pudera noutro porte
Expressa a mais dorida solidão;
Escassa luz adentra cada quarto
E quando noutro rumo eu me reparto
Tentando acreditar, dicotomias,
No fundo sem proveito e sem alento,
O quanto do meu mundo ora fomento
E nele em tantas noites, mentirias.

607

Já não suporto mais ouvir a voz
De quem por tanto tempo fora minha,
A lida se mostrara mais daninha
E o passo sem sentido, meu algoz,
Não vendo na verdade nada após,
Apenas solidão aonde vinha
A luta não se cansa e desalinha
Marcando o que restasse dentro em nós,
Apresentar meu canto e crer no encanto
Ainda que pudesse eu não garanto
Sequer qualquer momento de alegria,
A morte ronda a cama bebe o olhar,
E quando noutro instante me entregar
Já nada mais deveras restaria.

608

Presumo tão somente um dia a mais
E nada em mesquinhez ou covardia,
Meu tempo o próprio canto sempre adia
E gera outros tormentos tão iguais,
As contas são diversas e banais,
Apenas o que resta em heresia
Matando o meu caminho em agonia
Vencendo os mais diversos vendavais;
Vestira tão somente o meu anseio
E quando a palidez ora rodeio
Nos seios da esperança avança o corte,
Alegram-me visões de novo tempo,
E o tanto se mostrara em contratempo
Gerando no final apenas morte.

609

Não tenho uma saída
Nem mesmo pude ver
O quanto do querer
Domina cada vida,
A sorte presumida
O passo a se perder
O raro enaltecer
Da luta decidida,
Meu mundo e nada mais
Os dias desiguais
Repastos para a dor,
Ainda que pudesse
A vida sem tal messe
Expressa o dissabor.

610

Um gole de café
Um pouco de esperança
A mesa posta, a lança
A sorte a farsa a fé,
E o tanto e por quem é
A morte toca e avança
Ainda em tal pujança
Andando sempre a pé
O rústico cenário
O canto de um canário
E o tempo se esvaindo.
A lida recomeça
A vida vai sem pressa,
E aos poucos me iludindo.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

51571/51600

51571

Pudesse no horizonte em manso olhar
Apenas descobrir a silhueta
Daquela a quem o sonho me arremeta
E traz vero sentido ao verbo amar,
Tentando nos teus braços me entregar
A noite se desenha e me prometa
Jamais se resumir numa falseta
Nem mesmo outro delírio desenhar,
Apresentando a sorte onde me dera
Gerando dentro em mim a primavera
Há tanto procurada e já perdida,
A sorte noutra face se desenha
E o quanto deste sonho ainda venha
Reinando sobre toda a minha vida.

2

As horas solitárias, vagas, pálidas
O medo se desenha em cada face,
Aonde novo rumo se moldasse
As ilusões decerto são crisálidas,
As sensações diversas, mesmo as cálidas
O tempo se traduz e tanto passe
O quanto noutro canto se mostrasse
Deixando para trás noites esquálidas.
Esquartejando os sonhos, onde pude
Vencer o meu caminho atroz e rude
Gerando algum instante de emoção,
A presa predileta da esperança
Aos poucos sem um cais agora cansa
E sabe desta vida em solidão.

3

Restando algum luar dentro do peito,
O mundo se desenha noutra forma
E o caos domina tudo e já deforma
Devora cada sonho onde me deito,
E sei do quanto pude e não aceito
Sequer a solidão quando se informa
Da luta que deveras só deforma
O prazo noutro rumo ora desfeito.
Espúria criatura nada traz
Servindo de mortalha a quem, mordaz
Apresentara a morte como um sonho,
E bebo da sanguínea sensação
Da luta que bem sei etérea e em vão
Enquanto nada mais busco ou proponho.

4

Já não me iludiria com tal fato,
Apenas sou sincero e nada mais,
Os dias se repetem, sempre iguais
E nestas dores tantas; meu retrato
E quando a solidão enfim constato
Seguindo cada passo e tu me trais
Enquanto na verdade sem um cais
O marco se desenha em tal destrato,
Somente desacato o quanto resta
No peito de quem tenta ver em festa
Aquilo que jamais pude viver,
A morte me apascenta em face morna
E sei da desventura que se entorna
Matando num instante o amanhecer.

5

Sou verme e de tal forma sigo alheio
Aos tantos vãos desejos da ilusão,
E sei que no final a solidão
Trará cada momento e não receio,
Apenas quando muito devaneio
E tento prosseguir em direção
Diversa, mas meus olhos mostrarão
Somente ao quanto pude e nada veio.
Ao ver-me inerme e posto assim de lado
Já nada mais pudera e enfim me evado
Dos cânticos perdidos noutro rumo,
Engodos tão frequentes numa vida
Propensa a se findar, num suicida
Caminho para o qual em paz me aprumo.

6

Negar o que inda possa haver em mim
E ter apenas nada em referência
A luta se mostrara em indulgência
E o tempo se apresenta já no fim,
O corte da esperança, este estopim
Não é somente mera coincidência
A lua se desenha em inclemência
Mostrando cada engano de onde eu vim,
Escassas luzes ditam meu futuro
E nada mais que possa eu asseguro
Somente esta semente que não brota,
A porta se fechara e me atormente
Saber da solidão, turva corrente
Meu barco vai sem rumo em tosca rota.

7

Somente o que me resta
Após o nada enquanto
A vida eu não garanto
A sorte é desonesta,
Abrindo a rude fresta
Tormenta e desencanto
Ao ter no olhar o pranto
A morte ao fim se empresta
E gera a solitude
E nela o que mais pude
Apenas não traria
Sequer o quanto em paz
A sorte se desfaz
E mata a fantasia.

8

A vida em gargalhadas
As horas em fastio
Os erros, desafio
Marcantes alvoradas
E sei dos velhos nadas
E neles cada fio
Traduz meu desvario
Enquanto me degradas,
Desfraldas ilusões
E sei que quando expões
Os versos noutro tom
A sorte se desdenha
E marca cada senha
O amor seria um dom...

9

Não tenho este conforto
De quem pudesse amar
E sei do caminhar
Além de qualquer porto,
Aonde quis aborto
O tempo a desenhar
Qualquer outro lugar,
Apenas semimorto,
E sinto o quanto escasso
O dia quando o traço
Vestindo a luz em paz,
Destarte não suporte
A luta sem um norte,
O canto mais mordaz.

51580

Sou nada e ao nada volto
Depois de tanta luta
A vida sendo astuta
O passo aquém me solto,
E trago e não me escolto
Nos ermos de quem luta
A sorte atroz e bruta
À toa eu me revolto,
Espero uma tocaia
E o quanto a vida traia
Expressa esta verdade,
Apenas sendo assim
Espero o medo e enfim
A solidão me agrade.

1

Não tendo mais saída
Depois de tanto engano
Aonde me profano
Programo nova vida,
A sorte dividida
A luta em novo plano
O corte onde me dano
A morte presumida,
Bebendo da saliva
De quem já sobreviva
No amor em temporais
Dos ermos mais vulgares
Os rios que tramares
Dos mares, velhos sais.

3

Vestígios de ilusão
Apenas o que trago
E sei do velho afago
Diversa dimensão,
Os erros que virão
O corte onde me alago
Somente em vão divago
Buscando a solução
Esqueço cada engodo
E sei do imenso lodo
Aonde divisara
O mundo sem um traço
E nisto nada faço
A sorte? Apenas rara.

4

Já não comportaria
Nem mesmo alguma luz
O quanto reproduz
Da velha fantasia
Ainda se veria
O tanto que conduz
E nada inda faz jus
E nisto esta agonia.
Gerindo o passo em vão
Os dias me trarão
Apenas face amarga
A voz já não se ouvindo
O amor que penso infindo
Aos poucos, vai, me larga...

5

Desejos entre anseios
Diversos e vorazes
A vida em novas fases
Delírios, belos seios
E tantos devaneios
Os passos onde trazes
As horas quando fazes
Dos sonhos velhos meios,
Erguendo o meu olhar
Neste horizonte além
O tanto que convém
Não vale mais tentar
Vencido pelo nada
Aguardo a derrocada.

6

O medo se traduz
No olhar de quem pudera
Vencer a velha fera
E ter no peito a luz
E o quanto reproduz
Da sorte e nada espera
Apenas se tempera
A vida em dor e cruz,
O medo é companheiro
E sei do meu canteiro
Em ledo espinho e dor,
Vagando sem sentido
Meu canto resumido
No raro dissabor.

7

A mão que acaricia
Também esbofeteia
A lua não viria
Somente plena; cheia,
A morte em agonia
Deveras devaneia
E gera a fantasia
E nada mais receia,
Perfume de esperança
Apenas a mentira
E o corte quando avança
Retalha em fina tira
O quanto da fiança
A vida já retira.

8

Bebendo desta mágoa
O quanto resta em mim,
A vida onde deságua
Traduz inteiro o fim,
A sorte noutra frágua
O fogo traz assim
Refém que dentro d’água
Esqueço por que vim,
Esgoto o quanto pude
E nada mais teria
Além do céu mais rude
A sorte em agonia
Marcando em atitude
O quanto não queria.

9

Cindindo o meu caminho
Nas ânsias de um vazio
E quando em ti me aninho
O sonho sempre crio,
Vagando tão sozinho,
Amor é desafio,
E nisto me avizinho
Do intenso desvario,
Bebendo a sorte atroz
Já nada me coubera
Cessando a minha voz
Mortalha em rara espera
O rio perde a foz
O sonho? Uma cratera.

51590

Não quero outro momento
Diverso do que vivo
E sei do ser cativo
E nisto me atormento,
O sonho que alimento
O passo onde me crivo
Do ser mais criativo
Vivendo em raro alento,
Pudesse acreditar
Nos dias que virão
E sei da solidão
E nisto a me buscar
Enfrento o que restara
Aquém desta seara.

1

No caos que a vida traz
O mundo não soubesse
Vencer e crer na messe
Que sei ser mais audaz,
Mas quando a rude paz
No fim não se oferece
O todo se merece
E gera o caos tenaz,
Além do quanto possa
A vida sendo nossa
Espera alguma sorte
Meu verso se perdendo
A vida este remendo
Que nunca mais conforte.

2

Ouvir o mar em mim
Beber deste desejo
E quanto mais almejo
Maior será meu fim,
O tempo de onde vim
O canto em que me vejo
A morte num lampejo
Traçando sempre assim,
O vândalo cometa
Aonde se arremeta
Presume a mesma queda
Meu mundo se envereda
Nos ermos de minha alma
E nada mais me acalma.

3

Já nada mais trazendo
Quem tanto quis a sorte
E quando não conforte
A luta em tom horrendo,
Aos poucos vou morrendo
Sem nada que suporte
A vida diz do corte
Aos poucos se prevendo,
Percebo o fim de tudo
E quando em vão me iludo
Esgoto a caminhada
No pouco que inda resta
A solidão atesta
Apenas este nada.

4

Mensagem de esperança?
Quem dera se eu pudesse
A vida não merece
Sequer o que se avança
Proponho em tal mudança
A sorte noutra messe
E o vago que entorpece
Sonega uma aliança.
Medonha luz em nós
O mundo velho algoz
Jamais descansaria
Enquanto a sorte muda
E nada mais ajuda
A luta se faz fria.

5

Não tenho mais caminho
E sigo sempre alheio
Ao quanto mais receio
Ou mesmo sou daninho,
Vestindo o mais sozinho
Cenário onde permeio
Meu passo em tom alheio
Avinagrando o vinho,
Escassa luz que trago
No fundo sendo vago
O mundo que desdenho
Do todo imaginário
Apenas temerário
E tosco, vão desenho.

6

Sem ter um refrigério
Minha alma em polvorosa
Matando qualquer rosa
A vida sem critério,
O passo sem mistério
O quanto é caprichosa
A sorte majestosa
Calando algum império.
E o tempo destroçando
O mundo desde quando
Pudera acreditar
No quanto não havia
Sequer em fantasia
Cansado de lutar.

7

Nos ermos da esperança
O tempo se desnuda
E a sorte sem ajuda
Ao nada enfim me lança
E quando o tempo avança
A luta se amiúda
E tanto nada muda
Enquanto o fim alcança
Espreito outro momento
E sei que sempre tento
Até quando não pude
Vestindo a fantasia
De quem tanto queria
E a vida desilude.

8

Não resta quase nada
Do todo que buscava
A sorte mera lava
A luta desolada,
E quanto mais se evada
Do corte quando trava
o passo desta escrava
Vontade desdenhada,
Negar qualquer alento
E sei no quanto tento
Apenas outro passo,
Vestindo a face espúria
Somente esta penúria
Num tempo mais escasso.

9

A sólida certeza
Da morte que já vejo
Bebendo o meu desejo
E dele sendo presa,
A luta sem surpresa
O corte mais sobejo
O medo onde prevejo
A imensa correnteza,
Navego contra a fúria
Da imensa tempestade
E o passo se degrade
Apenas sem lamúria
O tempo se renega
Numa alma fria e cega.

51600


Não tive nem teria
A sorte que buscara
A luta se declara
E nada mais viria
Sequer a fantasia
Tomando a noite clara
A cena bem mais rara
Jamais se revivia,
E o prazo determina
O quanto em cristalina
Vontade não virá
O mundo desatando
O corte desenhando
A morte desde já.

51561/70

51561

Constelares meus sonhos, vida em paz
O amor já não bastasse por si só,
E renascendo sempre deste pó
O todo noutro instante quer e faz,

Meu canto se traçando em plenitude
Amar e ter nas mãos a direção
Dos dias mais felizes que virão
E toda a realidade agora mude,

Esbarro nos meus erros do passado,
Saudade não traduz o que revela
Minha alma libertária além da cela,
O sonho noutro rumo, desenhado.

Mas tendo esta emoção em vivos tons
Decerto os novos tempos serão bons.

562

As puras emoções da mocidade,
Apenas são resquícios de outras eras,
E quando noutro passo destemperas
A vida traz à tona a realidade,
O quanto poderia e já se evade
As lutas são diversas; tais quimeras
Marcando com horror as vãs esperas
E o tempo se prepara em tempestade,
Audaciosamente quis a paz,
Mas sei que na verdade nada traz
Quem tanto quis a luz e não sabia,
A turva realidade dita as normas
E quando noutro engodo me deformas
O sonho se transforma em agonia.


563

Meus olhos tantas vezes mais sombrios
Procuram um alento onde não há
E o tempo se desenha desde já
Envolto nestes árduos desafios
Pudesse não mais ter tais desvarios
E o mundo noutra face moldará
O quanto se perdera e perderá
As sobras dos meus dias, velhos rios.
Atrocidades várias, solidão,
As horas que deveras moverão
Apenas os meus passos rumo ao nada,
Aquém desta atitude libertária
A mansidão que eu quis, mais solidária
Aos poucos noutro rumo se degrada.

564

Os dias que pudessem mensageiros
De sonhos mais felizes, já não vejo
E o quanto me restara em vão desejo
Não traz sequer a luz aos meus canteiros,
No olhar sem ilusão, velhos luzeiros
O prazo determina e só prevejo
O canto tantas vezes malfazejo
E nele os meus momentos derradeiros,
Ausente do que fora uma esperança
Apenas o vazio agora avança
E gera em destempero o fim de tudo,
Um velho navegante sem o porto,
Somente sobrevivo e quase morto
Aos poucos sem defesas eu me iludo.

565

Ainda que cultive as violetas
E delas imagino várias cores,
A vida não traduz as belas flores
E nisto cada engodo que cometas,
As sortes mais dispersas e arremetas
Aonde quer e sei já não te opores
Apenas revivendo dissabores
As alegrias vagam, são cometas.
Derramas sobre mim tanta ilusão
E sei dos dias turvos que trarão
Somente o quanto pude e não tivera,
A marca da pantera em presas, garras
Dos passos mais audazes já desgarras
O sonho me arremessa em turva esfera.

566


As horas sem porquês e sem delongas
Os medos aflorando em minha pele
E o quanto do vazio me compele
Enquanto descaminhos; sempre alongas,
Acordo vez em quando e sei do quanto
Pudera sem sentir novo momento
E o tanto se desfaz em excremento
E o mundo noutro caos já não garanto.
Expressos onde a vida dita o fim,
Egresso da ilusão nada me resta
A sorte se perdendo em leda fresta
Não deixa nem sinal enquanto eu vim.
O mar se desbravando em vã procela
Amor que não se dá não se revela.

567

As sobras da emoção, noites revoltas
Palavras sem sentido ou previsão
Os tempos com certeza moldarão
As horas sem juízo, mortas, soltas,
Adentro o quanto quis e nada havia
Bebendo cada gole deste infausto
Meu mundo se perdendo em holocausto
O quanto trago na alma é fantasia,
O marco mais audaz, em leda espera
Da parte que me cabe, nada tenho,
Apenas a lembrança de um desenho
Moldando o que pensa em tétrica era
Acordo solitário e sorvo o fel
Tentando descobrir um novo céu.

568

Soltando ao vento as belas cabeleiras
Encontro-te defronte ao mar imenso
E quanto mais em ti, eu teimo e penso
Decerto já bem sei que não me queiras
E desta forma sinto quando esgueiras
Num ato tão venal porquanto tenso
E o mundo se mostrara e sei do intenso
Caminho rumo às sortes derradeiras.
Nefasta realidade dita o mundo
E sei do nada em paz e assim me inundo
Da sensação que apenas desafia
O caos dentro do peito, em ledo fim,
Versando sobre a morte viva em mim,
Encontro algum sentido na agonia.

569

Os meus cabelos todos sendo brancos
Traduzem cada parte de uma vida
Já tanto pelo tempo, destruída
Marcada entre tormentos, vãos arrancos,
E a queda destes tétricos barrancos
A sorte nunca mais foi concebida
E o manto numa face já puída
Os olhos sem sentido, seguem francos.
Assas maravilhosa, a tarde traça
A noite se perdendo em luz escassa
E o canto sonegando o amanhecer
No agrisalhar dos sonhos, nada veio
Somente o meu caminho e sei que alheio
Ao fim se esvairá todo o meu ser.

570

O mundo se desenha amargo e vasto
E o tanto quanto quis não mais pudera
Gerando dentro em mim a leda espera
E o todo se moldando aonde afasto,
Meu passo sem ternura, sem repasto,
O corte na verdade destempera
E a morte noutro rumo eu sei que gera
Somente este momento mais nefasto,
Escusas não permitem novo engano,
E quando no final em vão me dano,
Apenas bebo a trágica loucura
De quem se fez audaz e nada tendo
Resume cada sonho num remendo
E o cais já se sem sentido algum procura.

51551/60

51551

“Congelo as mãos e o peito” em pleno inverno
Dos sonhos sem saber de uma esperança
E o quanto da saudada toma e avança
E nela sem defesas já me interno,
Meu mundo que quisera bem mais terno
Agora no vazio então se lança
Perdendo pouco a pouco a confiança
Naquilo que pensara ser eterno.
Assombros, madrugadas, noites frias
Restando tão somente as fantasias
E delas me alimento, e nada mais.
Dos sonhos mais audazes o que resta
Imagem distorcida que me atesta
Da sorte desvalida em vendavais.

Sobre verso de Camila Cabral.

51552

Eleva-se o pensar além do quanto
Pudera o sentimento ou mesmo quis,
E sendo de tal forma mais feliz
Em libertário passo, eu tento e canto,
Ainda quando vendo o desencanto
Ou mesmo a mais temida cicatriz,
Meu passo jamais cessa e contradiz
O amor se desenhando e me adianto.
São certas emoções diversas
Os sonhos onde tanto além dispersas
Vagando sem sentido ao auferir
O mundo tanta vez a nos ferir
O sonho se traduz em liberdade
Encorajando o tanto que me invade.

51553

Em formas tão diversas, vida e sonho
Eflúvios de uma história sem sentido
E o quanto se pensara resolvido
Apenas traduzindo o que proponho
Vestígios deste encanto ou mais medonho
Cenário aonde o tempo desprovido
Expressa a solidão e nado duvido
Do passo sem destino onde me ponho,
Escassos dias dizem do abandono
Sidérea fantasia e desabono
O pântano que teimo em percorrer,
Depois de tantos anos, constelar
O todo que pudesse a divagar
Aguardo, inutilmente, o amanhecer.

51554

Em alvas luas vejo os sonhos meus
E errático desvendo os meus anseios
Pudesse te tocar; divinos seios,
Porém tantos caminhos são de adeus,
Alheio ao que pudesse ser diverso
Expresso em solidão, medo e temor
O canto se moldando em tal louvor
Gerando dentro em nós nosso universo,
E bebo em tua boca esta amplidão
Vestindo a minha sorte de tal forma
Enquanto a plenitude em paz me informa
Dos dias mais sensatos que virão,
Apenas após quedas revolvendo
O amor que outrora fora um vão remendo.

51555

Entre os luares vários noites claras
Penetro os meus anseios e volvendo
Ao quanto no passado foi remendo
E agora noutro rumo tu preparas
As horas sem demora belas, raras,
O corpo no teu corpo se envolvendo
E o manto já puído me trazendo
A mágica poção, amor que encaras,
E as duras ilusões, claras palavras
Aonde com razão amores lavras
Gerando esta emoção sem paralelo
E ao todo me entregando num momento
Enquanto nos teus braços meu provento
Um sentimento; a paz: busco e revelo.

51556

Brumosa noite envolta na saudade
Ditando o quanto fora e não volvera
A sorte se perdendo, leda cera
A vida renegando a claridade,
E o passo sem destino agora evade
E traz o mesmo caos onde vivera
A senda desejada se perdera
Aquém do que pudesse a liberdade,
Ausento do meu sonho mais vulgar
E sei do quanto pude imaginar
Sem ter sequer alento ou mesmo paz,
A vida se aproxima em desencanto
Do quanto procurara e não imanto
Morrendo quando o sonho se desfaz.

51557

Vagas imagens ditam o futuro
Alagas com miragens o meu sonho
E quando tu divagas; eu proponho
Apenas o que possa e te asseguro,
Meu ermo caminhar em tempo escuro
O gesto sem sentido, o mais bisonho
Momento aonde resta o que componho
Num ato tão nefasto quanto duro,
Expresso a fantasia em tom maior,
Mas vejo a solidão ao meu redor
E nada me aproxima desta luz,
Somando o que inda tento nada vindo
O marco se desenha e já ruindo
O todo num cenário onde me pus.

51558

Fluidas noites dizem do que outrora
Pudesse em consistência transcrever
Marcando cada parte do meu ser
Com toda a sensação que não ancora,
O sonho sem destino me apavora
E gera a turbulência sem se ver
Pudesse noutro passo revolver
A luta sem sentido que ora aflora
Escassamente a mente me arremete
E traz o que deveras não compete
A quem se fez aquém do que queria,
E o vasto deste céu já se perdendo,
No todo dividido em tom horrendo
Matando sem defesas, fantasia.

51559

As horas mais audazes, cristalinas
Ditames de outros tempos onde eu pude
Viver o quanto resta, juventude
Enquanto noutra face me fascinas,
As farsas de outros tempos, quando minas
Mudando quando o brando se transmude,
Deixando para trás o passo rude
E nisto novos sonhos determinas,
Amar e ser feliz? Leda ilusão,
Os dias se revelam desde então
Marcantes como fossem meras luzes
E sem saber sequer o que viria
Bebendo em tua boca a poesia
Que enquanto amada, geras, reproduzes.

51560

A vida traz no olhar tão raro incenso
E nele me inebrias mansamente,
O quanto se pudera e se apresente
No amor onde deveras me compenso,

O passo sem destino mesmo imenso
A luta contra o medo doma a mente
O todo no caminho já pressente
Marcantes emoções num mundo tenso.

Eu quero e posso até assim sonhar,
Vagando sem destino céu e mar
Traçando nos teus seios, porto e cais,

Aprendo a ser feliz, cada momento
E neste delirar intenso invento
A vida entre mil sonhos sensuais.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

51541/50

51541

A vida não permite mais um fulcro
E o tanto que pudera já não faço
O sonho noutro rumo segue o traço
Que apenas determina meu sepulcro
O corte se aprofunda e nada vejo
Sequer o que pudera acreditar
A luta sem ter nada a me mostrar
Moldando cada toque em vão lampejo,
Aprendo e me percebo neste túmulo
Os erros me ensinando a cada dia
Ao menos a verdade vivencia
E o tempo se anuncia desde o cúmulo,
E traz apenas ermos nada mais
E assim sem tais guaridas tu te esvais.

51542

O meu olhar procura apenas isso,
Um mar onde eu pudera ter a fonte
Que tanto me oriente enquanto aponte
O quanto sem temor algum cobiço,
O mundo tantas vezes movediço
E nada mais pudera além da ponte
O canto que talvez me desaponte
Aos poucos recupera o antigo viço.
Jogado nalgum canto desta sala
Saudade pouco a pouco me avassala
E cala o que pudesse ser maior
Levando a mesma cena que ao redor
Gerasse outro momento dentro em nós
Mostrando tão somente o nada após.

51543

Embalos entre sonhos e ternuras
E quando no final já nada existe
O meu olhar atroz deveras triste
Enquanto noutro rumo tu perduras
As sombras do passado, as amarguras
O corte que decerto inda persiste
E o manto quando muito não resiste
Rastreio passos turvos em torturas,
Sobrevivente apenas. Quem me dera
Pudesse reaver a primavera
Neste invernal caminho rumo ao fim,
E a lua que entre brumas se escondeu
Traduz o quanto resta e sei só meu,
Tornando sem sentido o meu jardim.

51544

Buscando este infinito a cada passo
Jamais acreditei noutro sentido
E o tempo muitas vezes redimido
Expressa tão somente o que desfaço
A morte noutro engodo toma espaço
E o peso na verdade desprovido
Do canto com certeza reprimido
E o verso se demonstra em tal cansaço;
Abraço a redenção de quem tentara
Tocar extremos claros da seara
E apenas apodrece em solidão,
Pó que jamais verá um novo dia
Enquanto o meu caminho eu perderia
O sonho se mostrara atroz e vão.

51545

Amor seria um mito e nada além
O caos se transbordando a cada instante
O fim noutro cenário não garante
Sequer o quanto quero e nunca vem,
O manto se desenha e sem ninguém
O peso se acumula e doravante
Seguindo sem cansar, sempre adiante
Dos sonhos sou somente algum refém,
Revejo os meus anseios e não tento
Cerzir e nem tecer a mansidão
A luta se desenha desde então
Na pútrida certeza do vazio,
E quando me sentira mais tranquilo
Apenas o meu corpo em vão desfilo
E o tempo em contratempo ora desfio.


51546

Auroras entre quedas e tormentas
As brumas mais atrozes que inda vejo
Transformam o que tento em azulejo
Em áreas tão ferozes, turbulentas
E quando alguma sorte ainda tentas
O medo no final ditando o ensejo
Meu verso sem sentido algum dardejo
Enquanto um novo porto além inventas,
Esqueço cada passo que inda resta
E o peso na verdade nega a festa
A fresta se vedando a quem porfia,
Imóvel nada tendo em minhas mãos
Marcando com ardume dias vãos
Matando o que pudera em fantasia.

51547

A vida sonegando a consciência
Gerando sem constância a tempestade
E o quanto desejara em liberdade
Agora não se tem sequer ciência
A luta não seria coincidência
O passo sem sentido desagrade
Quem tanto quis a imensa claridade
Aos poucos se enredando em tal demência
Apresso-me a tentar algum apreço
E sei que no final nada mereço
Senão a mesma queda costumeira,
E sendo de tal forma a vida eu bebo
O amor como se fosse algum placebo
Aonde a solução em vão se queira.

51548

Meus olhos no vazio se perdendo
O tempo não traduz o que mais quero
E sei do sentimento amargo e fero
Retalhos de minha alma num remendo,
E o prazo noutro tanto em dividendo
O marco que pudesse e destempero
O nada dentro em mim já degenero
Blindando o meu caminho, vou vivendo,
Apenas não concebo a liberdade
E sinto cada algema, fria grade
Correntes que inda atastes nos meus pés
Pudesse acreditar em novo dia
E nisto com certeza mudaria
Meu rumo sem saber destas galés.


51549

No cintilar dos olhos de quem ama
A sorte se transforma e já fulgura
A noite que pudesse ser escura
Agora se inundando em rara chama
meu verso sem sentido também trama
A vida aonde o todo se emoldura
Cansado de viver em tal obscura
Verdade que deveras tanto inflama,
Esqueço o quanto tenho e não mais quero
O mundo solitário se faz fero
Mujique que tentara a liberdade
No quanto imaginara um samovar
Apenas o vazio de um luar
E o canto sem razão que a vida brade.

51550

Meu mundo desenhando além um astro
E neste passo esboço a sensação
Do tempo sem sentido ou direção
E aquém do quanto quis enfim me alastro
Seguindo com certeza cada rastro
Os dias sem certeza me trarão
Apenas o que resta em solidão
Tomando do navio qualquer lastro,
Mergulho neste mar em ledo abismo
E quando noutro passo em vão eu cismo
O corte aprofundasse muito além
Do quanto pude ver e não teria
Sequer um mero tom de fantasia
E a morte sem ressalvas logo vem.

51531/40

31

Já não mais conseguira
Após a queda em vão
Da sorte a dimensão
Que tanto hoje interfira
E o todo se retira
Marcando a direção
Do mundo em sedução
Audaz, leda mentira.
Quisera ter a mais
Que o todo aonde vais
Numa expressão dileta
E o quanto pude ou nada
Dissesse enquanto brada,
Apenas sou poeta.

32

Jogado sobre a areia
Um barco sem saber
Aonde conceber
O que inda me rodeia
A vida se permeia
E gera o bem querer
Servindo sem poder
A luta segue alheia,
Ao menos pude ver
E nada mais fazer
Senão acreditar
Nos ermos de minha alma
Ainda quando acalma
Pudesse desvendar.

33

O quanto incidiria sobre nós
Da fúria mais fugaz ou mesmo atéia
E quando a vida dita em assembléia
Ousando em consonância erguer a voz,
O nada se atando em ledos nós
A sorte remodela cada idéia
Atores se misturam na platéia
E o corte se mostrara nosso algoz,
Esbarro nos engodos e procuro
Profusas emoções onde não há
Sequer o que pudesse aqui ou lá
Restando dentro da alma a solitude
Que tanto quanto apraz já desilude.

34

No azul do firmamento o tom profundo
De quem se fez aquém do quanto quis
E o tempo se moldara, este infeliz
Tomando sem saber cada segundo
E quando no vazio ora me inundo
E sigo a minha sorte por um triz,
Etereamente sou qual aprendiz
No velho coração de um vagabundo,
Esqueço e por ventura nada faço
Ainda que seguisse cada traço
Não cabe uma ilusão e nem pudera
Sacio com ternura o quanto trazes
E sei da solidão em tantas fases
A sorte que eu queria; hoje eu sei mera.

35

Dos sulcos cada grão dita o futuro
E nada do que fora ainda trama
A luta como fosse um velho drama
Aonde o meu vazio eu configuro,
Saltando sem defesas sobre o muro
Minha alma sem sentido tanto clama
E o peso me envergando quando inflama
Expressa esta ilusão, nela perduro.
Exalto os meus anseios com tal medo
E sigo cada passo onde procedo
Vencido pelos ermos de quem tenta
Seguir a imensidão do seu caminho,
E quando da mortalha eu me avizinho
A vida se desnuda mais sangrenta.

36

Encerra dentro da alma este mistério
De quem se fez apenas sonhador,
E o canto coagindo redentor
Traçando o que pudesse ser mais sério,
A vida renegando algum império
Matando o quanto resta em vão fervor,
A luta se espalhando em desamor
O todo se perdendo sem critério.
Esqueço o que inda possa presumir
E nada mais pudesse resumir
Nas ânsias mais vorazes. Solidão.
E o tempo sem perdão assim se escoa
Meu mar já não conhece uma canoa
E traça no vazio a embarcação.

37

O quanto me acompanha o verso e o sonho
Não pude e nem tentara acreditar
Nos erros tão comuns e me entregar
Aonde novo tempo em vão proponho,
Os erros onde o passo atroz componho
E o medo de quem sabe permutar
A luta pelo anseio de um lugar
Por vezes salutar ou mais medonho,
Nos olhos o cenário se reflete
E o todo quando vago não compete
A quem pudesse mesmo ter em mente
O cântico voraz da realidade
E o tempo se perdendo enquanto evade
No vasto caminhar tudo desmente.

38

Acompanhando o nada que pudesse
Traçar o mais profano sonho enfim,
A vida se prepara em tal motim
E nada mais traduz a sorte em messe,
O quanto do meu passo nada tece
E o livre caminhar ditando o fim,
Ao menos poderia ter em mim,
A sorte que quem ama em paz merece,
Não vendo outra saída, sigo alheio
E quando meu delírio em vão rodeio
Encontro retratado especular
Cenário sem certeza e mesmo rude,
Aonde tudo quero e nada mude,
A sorte não pudesse me entregar.

39

Crisântemos e lírios no canteiro
Meu passo em descompasso apenas vejo
E o todo que pudesse num ensejo
Matando o meu caminho derradeiro,
Ainda que pudesse aventureiro,
O fim do meu momento em que desejo
Colher da imensidão este azulejo,
Sindrômica loucura dita a regra
E quando no final se desintegra
Escassa referência de esperança
A luta não provê quem tanto quis
E sabe que cevando a cicatriz
Ao nada num instante em vão se lança.

51540

Imersa na amplidão do pensamento
A sorte que pudera e não sentira
Traçando noutro infausto a leda mira
Tramando o que pudesse e não alento,
Numa explosão sem rumo, bebo o vento
E o caos a cada passo se retira
E mesmo quando o nada se prefira
Aos poucos sem destino me arrebento,
Vencido pelo caos e nada mais,
Ainda bebo as noites, vendavais
E verso para o nada em abandono,
Diversa sensação de quem se fez
Além da mera e torpe insensatez
Nem mesmo uma esperança em vão abono.

51521/30

21

Não pude controlar
As ânsias costumeiras
E quanto mais tu queiras
Diverso caminhar
Ainda em tal lugar
As horas derradeiras
Marcantes corredeiras
No manto a mergulhar
Vagasse entre os meus ermos
E quanto mais nos vermos
Veremos outros danos,
Os sonhos não validam
Os dias onde lidam
Apenas desenganos.

22

Marcar com cada escasso
Momento o que inda venha
E o tempo noutra ordenha
Expressa o quanto traço
Do mundo sem espaço
Da luta onde se empenha
A sorte não convenha
E deixa o sonho lasso,
Carpindo a leda ausência
De quem em tal ciência
Pudesse, mas não veio,
O olhar sem direção
O tempo e a precisão,
Mergulho em devaneio.

23

Marcar em cicatriz
Profunda o que pudera
Trazer além da espera
O todo que mais quis,
O risco do aprendiz
A luta destempera
Ainda em primavera
O corte em tal raiz,
Vencido pelo ocaso
Ao todo se me atraso
Não vejo outra saída
Perdera desde início
No imenso precipício
Qualquer sinal de vida.

24

Marcar em cada espaço
O tempo sem sentir
O quanto no porvir
Ainda quero e traço
Meu canto mais devasso
O todo a competir
Sem nada a redimir
O mundo agora escasso,
Esqueço por ventura
E nada se afigura
Somente a solidão,
A luta sem proveito
O resto onde me deito
O céu, leda amplidão.

25

Arquivo cada sonho
E tento novamente
Embora se apresente
Um ar tosco e medonho,
Aonde em vão me enfronho
Buscando o que somente
Trouxera uma semente
E nada mais componho,
Vestindo esta ilusão
Em verso e sedução
A dama se faria
Reinando sobre tudo
E quanto mais me iludo,
Maior esta agonia.

26


Deixara para trás
O tanto que te quis
E sei ser mais feliz
Ao passo onde se faz
O dia mais audaz
Marcando em chamariz
O todo não desfiz
E a luta nada traz,
ausento do que invisto
E sei que apenas nisto
O mundo se resume,
Do todo que viria
A noite em fantasia
Expressa o vão perfume.

27



Negociando a queda
Sem fato consumado
Aonde tento e brado
A luta se envereda
E o nada quando veda
O passo sonegado
Meu tempo desenhado
O meu futuro veda,
Aquém do quanto tenho
E sei deste desenho
Em vária garatuja
Minha alma me condena
E nada mais em cena
Senão esta alma suja.

28

Viver a hipocrisia
E crer noutro momento
Ainda quando invento
O sol não me traria
A luz que se irradia
No olhar do pensamento
O mundo em desalento
A sorte sempre fria,
E tento sem sucesso
A vida em tal regresso
Pregressa sensação
De um dia mais dorido
E nada resolvido
Apenas negação.

51529

Um verso, numa frase
O todo se desfaz
O corte mais mordaz
Meu passo sempre atrase
E a vida dita em fase
Diversa o que se faz
O manto satisfaz?
Negando o que me embase,
Apenas sou assim
Resulto deste fim
E mato o que inda sobre,
O tempo se desnuda
A sorte queda muda
Fingindo então ser nobre.

51530

Seria muito mais
Que o corte em leda esfera
A noite destempera
Em vários vendavais
E quero e me contrais
O tempo sem espera,
A morte desta fera
Não posso ver jamais,
Esqueço o que inda trago
Ao largo deste mago
Momento em tom atroz,
Calando o que me resta
A vida desonesta
O mundo já sem foz.

51511/20

11

Não pude perceber
Sequer algum momento
E nisto quando tento
Talvez passando a crer
No quanto quis saber
Estranho sentimento
Roubando o desatento
Caminho a percorrer,
Depois de tanto engano
Se eu sinto que me dano
No fundo nada levo,
O mundo mais audaz
Pudera e jamais traz
O encanto mais longevo.

12

Cenário compartilho
Com quem tanto queria
Ousando em alegria
O canto em estribilho
Assim quando palmilho
As sendas da utopia,
Invado a alegoria
E a morte eu também trilho,
Vagando sem sentido
O quanto decidido
Do passo que não veio,
Na sorte desditosa
A vida também glosa
O canto em vão receio.

13

Aprendo com meu erro
E sei do quanto veja
A sorte malfazeja
Gerando este desterro
Aonde enfim o aterro
Na vida que dardeja
A sombra mais sobeja
O corte em ledo cerro,
Mergulho neste caos
E sei dos tempos maus
Em naus e em portos vagos,
Meu mundo sem sentido,
O passo resumido
Imerso em teus afagos.

14

A ponta do que tanto
Parece bem maior
Gerando após suor
O que já não garanto,
Mergulho e neste encanto
O mantra eu sei de cor,
E o quanto fui menor
No passo eu agiganto,
Gerindo cada engano
A vida onde me explano
Explode em dor e medo
No fim eu me concedo
E sei de cada plano
E dele o seu segredo.

15

Visões, dicotomias
Diversas sortes trago
E sei quando me alago
No quanto não bebias
Tomando em heresias
As horas que divago
O corte sem afago
Mortalhas, fantasias.
E sumo após a queda
Aonde o nada enreda
As rédeas não domino,
Depois de certa audácia
A vida em tal falácia
Completo desatino.

16


Bebendo a me fartar
Desta aguardente atroz
Já nada mais em nós
Pudesse desvendar
Sem rumo e sem lugar
Apenas resta a voz
De quem se fez veloz
Ao tanto caminhar,
Negar qualquer anseio
E quando além rodeio
Bradando contra a sorte,
No fundo nada tenho
Apenas o desenho
De quem já não comporte.

17

Mensagens mais diversas
E nelas outras tantas
E quando desencantas
Além dos mares versas
E sei que desconversas
E logo me adiantas
As horas que quebrantas
E as ânsias são dispersas,
Não pude e nem quisera
Viver em tanta espera
Sabendo que no fim,
Apenas o vazio
Aonde eu desafio
O resto vivo em mim.

18

A morte se anuncia
E vence cada ocaso
O tempo não aprazo
Na noite bem sombria
Ainda em poesia
O risco de um atraso
A vida em tal descaso
Já nada me traria,
A sórdida presença
Do que não me convença
Nem diga o que prefira
Esbarra no meu ego
E quando o vão carrego
A luta errando a mira.

19

Necessitara apenas
De um dia mais feliz
E o quanto outrora quis
Agora me condenas,
Já nada mais serenas
O sonho por um triz
O corte e a cicatriz
Enquanto me envenenas
Não tento outro cenário
E sei do solitário
Momento que terei
Após este mergulho
No quanto inda vasculho
A inútil, fútil, grei.

51520

Ouvisse quem pudera
Gestar outro momento
E quando o sonho eu tento
A noite destempera
E o manto degenera
Exposto sempre ao vento,
E assim meu pensamento
No vago desespera,
Aprendo ou mesmo quero
Em tudo ser sincero
E errático desenho
Etérea juventude
Ao menos inda ilude
E nada mais detenho.

51501/10

51501

Esqueço cada passo
Aonde pude outrora
Viver o que apavora
E ter onde desfaço
O rumo noutro traço
E o todo desancora
A luta revigora
E mostra o tom escasso,
Espreito na tocaia
O quanto a vida traia
E vejo tão somente
A luta sem descanso
E quando nada alcanço
O tempo atenta e mente.

51502

Pensar neste vazio
No corte mais profundo
E neste vago mundo
Aonde o desafio
E sei do vale, o rio
E tanto num segundo
Enquanto vagabundo
Seguisse em desvario.
Ausento do que pude
Cerzindo o quanto é rude
O rumo sem destino,
E nada mais traduz
O quanto ausente em luz
Deveras não domino.

51503

Solúvel como um sonho
O mundo; aonde adentro
Procuro um novo centro
E nada mais proponho,
O quanto decomponho
E nisto me concentro
Deixando bem no centro
O tempo mais tristonho
E vago sem sentido
Aonde desprovido
Do todo nada tinha
Somente o que perdendo
Moldara em tom horrendo
A voz torpe e mesquinha.

51504

Abrindo este cenário
Em claros raros sóis
E nada mais constróis
Além do necessário,
O mundo em seu fadário
Pudesse em teus faróis
Viver quanto remóis
Nos ermos, solidário.
Esqueço do meu canto
E sei que ora me espanto
E salto sobre o nada,
A luta se esvaíra
Nos ermos da mentira
Nas ânsias desta estada.

51505

Não pude e nem tentara
Vencer o quanto havia
Da torpe fantasia
Ou mesmo desta amara
Vontade onde se ampara
A luta em sincronia
Poeira restaria
Na estrada em vã seara,
Acordos sonegados
Os dias relegados
Aos ermos de quem tenta
Tecer com emoção
As horas que trarão
Apenas vã tormenta.

51506

O tanto nada diz
Se não pudesse ouvir
O mar quando bramir
O tempo em cicatriz
Gestando por um triz
O quanto sei por vir
E nada a resumir
O passo onde se quis,
O corte se aprofunda
E nada mais me inunda
Senão a solidão
E a sorte tanto imunda
No tanto que oriunda
Expressa a dimensão.

51507



Bebendo sem descanso
Do todo que não vira
Apenas a mentira
Aonde ainda alcanço
Traduz este remanso
E nada mais retira
Senão a velha mira
Em vão sequer avanço,
E blindo cada passo
Enquanto me desfaço
E sinto a dor imensa
Do quanto pude outrora
A luta que apavora
Renega a recompensa.

51508

Compassos diferentes
Em ritmos confortáveis
E nisto mais tragáveis
Os sonhos que pressentes
No quanto me apresentes
Os olhos entre afáveis
Caminhos mais aráveis
Sorrisos pertinentes,
E o tempo que contemplo
Gerando em mim teu templo
Exemplo do que pude
Viver sem ter apenas
O olhar onde condenas
O canto em plenitude.

51509

Meu verso sem futuro
Ninguém mais o lerá
E o todo desde já
Negando o que procuro
Gerando neste escuro
A sorte não virá
E o corte moldará
O quanto em vão perduro,
O prazo se esgotando
Meu canto em contrabando
Arcando com engano
E quando mais me orgulho
E neste vão mergulho
Deveras já me dano.

51510


O medo não traduz
O todo que inda tenho
E quando além desenho
O mundo em contraluz
Ao tanto que me opus
O ritmo não convenho
E sei do vago empenho
Na velha e farta cruz,
Humana desventura
A luta não depura
E trama este silente
Cenário em turbilhão
Na vaga dimensão
O rumo em vão se tente.

51491/51500

491

Ao misturar os tons
Diversas emoções
E nelas tu me expões
Momentos raros, bons
A vida traz seus dons
E várias sensações
Em lábios seduções,
Nos carmesins batons,
A lua se envolvendo
E nisto cada adendo
Presume um canto além,
Eu te amo simplesmente
Embora tanto ausente
Em sonho sempre vem...

492

O tempo desacerta
E gera outro momento
E nisto sempre invento
A luta em ledo alerta
O rumo se conserta
O tanto em desatento
Gestando o sofrimento
Na porta sempre aberta,
Vagando sem um prumo
O quanto me acostumo
Ao sumo que viria
Bebendo em tua pele
O amor que nos compele
E trama a fantasia.

493

A vida em leda busca
Numa avidez sem par
Pudesse desenhar
Além da sorte brusca
O manto mais suave
O canto mais gentil
Ainda quando viu
A liberdade escave
O farto onde me pondo
Ao tempo sem fastio,
No fundo desafio
E sei que não me escondo,
Ousando ser feliz
Traçando o quanto eu quis.


494

A descoberta sorte
Sem nada que provenha
Marcando em velha senha
O quanto não suporte,
A vida não conforte
Quem tenta nova ordenha
E sei que não convenha
Senão quando comporte
O ledo caminhar
Ainda a se mostrar
Desnuda luta em paz,
E o rastro se abandona
Gerando e vindo à tona
O passo mais audaz.

495

O mundo colorindo
O sonho de quem tenta
Vencer velha tormenta
Ou mesmo distraindo
O passo quando infindo
Gerasse a turbulenta
Vontade que fomenta
O mundo em vão caindo,
Ocasos entre infaustos
E os velhos holocaustos
De nada adiantassem
Assim ao me entregar
Nos claustros do sonhar
Os dias se negassem.

496

Cotidianamente
Errando ou acertando
O tempo que quis brando
Agora segue e mente
E o todo num repente
Ou mesmo em contrabando
No quadro se moldando
Matando o quanto urgente,
Esqueço o que viria
E bebo a fantasia
Em goles mais vorazes
E após cada momento
O nada onde me alento
Deveras não me trazes.

497

A luz dança no olhar
De quem pudesse além
Do quanto sempre vem
Ainda imaginar
Ousando navegar
O mar e ser refém
Do amor em raro bem
E nisto se entregar,
Vagando sem resposta
A sorte decomposta
A luta não se cansa
E o verso mostra o fim
Do quanto existe em mim
São frutos da lembrança...

498

O vento nas folhagens
Os dias são diversos
E sei dos tantos versos
Ousando em tais miragens
Dispersas nas aragens
Os tempos e universos
Os dias onde imersos
Os passos são viagens,
Vagando em vário tom,
O corte o sonho e o som,
Resumo em vento e dor,
A luta não dispensa
E o tanto em noite imensa
Traduz tal dissabor.

499

Escrevo em verso e sonho
O quanto pude ver
Do raro amanhecer
Aonde em paz me ponho
E bebo este risonho
E louco alvorecer
Do todo noutro ser
E nisto eu me proponho,
Vestindo a fantasia
Jamais eu poderia
Viver o quanto é rude
O mundo sem um traço
Do quanto tento e passo
E a sorte ao fim ilude.

51500

Apenas adereço
Do quanto pude e nada
A sorte degradada
O mundo que eu mereço,
O prazo eu obedeço
E sei desta guinada
A frase mais ousada
Aquém deste endereço,
Tropeço e quando caio,
Olhar distando o raio
Troveja esta ilusão,
Dos tantos que pudera
Marcando a leda esfera
Os sonhos mudarão.

51481/90

481

Tempestuosa sorte
Traduz o quanto resta
Do tanto ainda em festa
E nada mais comporte
Senão qualquer suporte
Ou mesmo a mais funesta
Imagem que me atesta
A luta sem aporte,
Expresso outro caminho
E quando me avizinho
Do fim já não consigo
Viver o quanto pude
Nem mesmo em atitude
Audaz em desabrigo.

482

Escrevo além do canto
Encanto onde tivera
Uma expressão que dera
A vida o seu encanto,
Apenas não garanto
O quanto desespera
A vida mais austera
O medo onde agiganto
Errático cometa
Aonde se arremeta
Mentiras coletando,
O prazo determina
A luta cristalina
E o tempo em ledo bando.

483

Janela sempre aberta
Dos sonhos e tentasse
Viver sem mais impasse
Aonde o tempo alerta
A vida me deserta
E gera o que moldasse
Na sombra que se trace
A velha descoberta
Espero algum alento
E teimo enquanto tento
Vencer o que inda resta
Do medo ou sortilégio
A morte em tom mais régio
Expressa a tosca festa.

484

Canetas entre os dedos
Olhares sem saber
O quanto possa ver
Além destes segredos,
Os dias em tais medos
O canto a perceber
Rastreia amanhecer
E sabe os sonhos ledos,
Enredos variados
Os dias demarcados
Os dados sobre a mesa
A vida sem surpresa
A presa dos meus sonhos
O mundo em harmonia?
Nem mesmo poderia
Em dias tão medonhos.

485

Abrir venezianas
E crer no imenso sol,
Tomando este arrebol
Em luzes soberanas,
Mas quando logo danas
E tento algum farol
Amor vibrando em prol
Enquanto aquém explanas
As horas mais sombrias
E nelas me trarias
Apenas o sinal
Demônios dentro da alma
A fúria não se acalma
E gera o meu final.

486


Levado para além
Do quanto quis e trago
A vida sem afago
O mundo sem um bem,
O todo diz de alguém
Enquanto em vão divago
E bebo enquanto alago
Meu passo em tal desdém,
Refém da fantasia
Aonde poderia
Vencer o que não pude,
O tempo se desenha
Diverso do que tenha
Em tom amargo e rude.

487


Em filigrana o sonho
Expressa o que não veio
E o tempo sem receio
Ainda em vão proponho
E quando enfim me oponho
O tanto sigo alheio
E o vago mar rodeio
Num ar triste e bisonho,
Marcando a minha voz
Cevando a dura foz
Algoz de quem seria
Além de meramente
O todo se apresente
Em tom de hipocrisia.

488

O sol em luz suave
Adentra esta janela
E quando se revela
Além de algum entrave
A sorte feita em ave
Aos poucos rompe a cela
E o mundo então se atrela
Etérea e frágil nave,
A poesia traz
O quanto mais audaz
Pudesse ser o sonho,
Expondo realidade
O tanto que me invade
Expressa o que proponho.


489

Deserta sensação
Da página que em branco
Trouxesse o quanto é franco
O tempo em negação,
As horas me trarão
O dia em tal barranco
E o quanto ainda arranco
Expressa a direção,
Esgarço em verso e vejo
Apenas o desejo
Sem nexo e num fastio
Enquanto bebo a vida
A luta desprovida
Esconde o que não crio.

51490

Um Deus paisagista
Pudesse imaginar
Beleza que sem par
Olhar jamais assista
E o tempo, velho artista
Ao quanto emoldurar
O todo em tal lugar
Traçando o que se avista
Resumo em verso e sonho
O quanto te proponho
E nunca tu virás,
Mas sei do quanto é falho
E nada mais eu valho
Apenas vão, mordaz.

51471/80

471

O luto em que meu sonho
Adentra a noite em mim,
Grassando até o fim
Num ar tosco e bisonho,
Ainda quando o ponho
Vagando sempre assim,
Marcando o quanto enfim
Trouxesse em ar medonho,
Esqueço o verso e vejo
Apenas num lampejo
A sorte sem remédio
E o todo se aproxima
Do quanto em ledo clima
Expressa o ledo assédio.

472

O tanto que em terrores
Temesse ou mais pudera
Vestir quando se espera
A vida enquanto fores
E nada dita em cores
O quanto em primavera
O mundo degenera
Sem nunca mais te opores,
Esqueço o verso e vago
Além do velho afago
Mergulho no vazio,
E bebo sem sentido
O rumo resumido
Apenas neste estio.

473

Espectros de uma vida
Há tanto sem mais crença
E quanto se convença
Da história já perdida
A cada despedida
O nada me compensa
E gera o que dispensa
A sorte desprovida,
Apenas não teria
A luta em agonia
O mundo sem sentido,
Resulto deste vago
Caminho e se divago
Aos poucos já me olvido.

474

Aurora se perdendo
Nas trevas da esperança
Aonde o mundo lança
Cenário vago e horrendo,
O quanto se querendo
E o tempo em tal vingança
Marcando em fúria e lança
O medo num adendo,
Espero qualquer rumo
E vejo deste sumo
O todo sem proveito,
E quanto mais te quero
E sendo ora sincero
No fim mais nada aceito.

475

Infelizmente trago
No olhar a mesma luz
Que um dia reproduz
O verso amargo e vago,
O tempo onde divago
O cais não me conduz
Nem mesmo já seduz
O todo aonde alago,
O prazo onde se estende
A vida não defende
Quem tanto quis além
O marco se desenha
Na face aonde venha
E nada após já vem.

476

Seguindo sem paragem
A tola hipocrisia
Aonde o que teria
Sonega esta miragem,
Vencido aonde ultrajem
Os ermos da alegria
O mundo em sintonia
A sorte nega o pajem,
E o cais expõe o quanto
Meu mundo em desencanto
Na escuridão traduz
O medo sem emenda
A luta se desvenda
Num sonho em contraluz.

477

Imenso furacão
A luta já não cessa
Além desta promessa
Os dias não terão
Sequer a solução
Aonde recomeça
A vida e além tropeça
Na vaga sensação,
Esgoto o meu caminho
Enquanto em desalinho
O verso não sossega
A luta continua
Invade cada rua
Embora siga cega.

478

A sombra do que fomos
O medo sem sentido,
E nada mais duvido
Sequer dos velhos gomos,
E sei de antigos tomos
O tempo desprovido
O corte resumido
Aonde nos expomos
E sinto o que viria
Além da fantasia
Num átimo, ou no tanto,
Apenas mergulhasse
Na vida onde este impasse
Ausente ora garanto.

479

Aonde quis a rosa
Espinhos entranhando
O tempo se nublando
A vida caprichosa
Estrada pedregosa
O templo mais infando
E o corte desde quando
A luta não mais goza
Do risco de sonhar
Do arisco caminhar
Imerso no vazio,
Excita-me o saber
Que nada a se tecer
Expressa o desvario.

480

O triste olhar de quem
Pudesse imaginar
O quanto de um luar
A vida ainda tem
E sei do quanto vem
No rumo a desenhar
Ausência a nos tocar
E sei que sou ninguém
Na fúria que se espelha
A sorte em cada telha
A porta não se abrira
E o mundo desfilando
O dia desde quando
Apenas vi mentira.

51461/70

461

Em busca do que tanto
Pudesse traduzir
Num ato que há por vir
O medo onde garanto
A queda em desencanto
O todo que ao sentir
Já não possa eximir
Meu barco em ledo pranto
Vagando sem destino
E sei que determino
O fim de cada anseio
Vestindo a melhor sorte
Ainda me comporte
O mundo em devaneio.

462

No leito aonde um dia
A sorte em pesadelo
Trouxesse em tal desvelo
A face em ironia,
O quanto poderia
Ou não tento revê-lo
O canto feito em gelo
E a noite mais sombria,
O rumo se perdendo
No quanto em dividendo
Pudesse me entranhar
Navego contra a fúria
Da sorte em leda incúria
Buscando descansar.

463

Levanto os olhos quando
Neste horizonte a lua
Exposta bela e nua
Aos poucos se entregando
Ao todo derramando
E nada mais cultua
Enquanto ali flutua
O tempo em sonho brando,
A rústica presença
De quem já me convença
Do dia que virá,
Não tendo outra saída
A sorte concebida
Renego desde já.

464

O todo sempre mente
E traça outro sinal
Aonde o temporal
Aos poucos inclemente
Fulgura plenamente
E marca em desigual
Caminho o ritual
No quanto se apresente,
Expresso este delírio
E sinto em tal martírio
O medo mais fugaz
A rústica presença
De quem deveras pensa
E nada ao fim me traz.

465

A vida em tais camadas
Moldando novos dias
E neles não virias
As sortes desejadas,
Ausento as alvoradas
E bebo as fantasias
E nestas heresias
As horas; sempre evadas,
Cevando novo tento
Aonde sempre atento
Invento alguma luz,
Após o meu momento
O corte em sofrimento
Expondo o que não pus.

466

A vida se desdobra
E gera outro fascínio
E quando sem domínio
Memória não recobra
A luta dita a sobra
E quando em vaticínio
Sem nada que ilumine-o
Meu mundo ao sonho dobra,
Esbarro nos enganos
E tento após os danos
Os dias mais audazes
E sei que no final
Imagem desigual
Alheia tu me trazes.

467

Angelical figura
Exposta em sonhos claros
E os dias sendo raros
A sorte configura,
E nada em tal ternura
Trouxesse meus amparos
E sei dos mais amaros
Momentos sem a cura
Dos ermos de minha alma
Ainda quando acalma
A luta não termina,
Depois de certo ocaso
O quanto tento, aprazo
Expresso em leda sina.

468

O quanto fosse teu
O sonho onde me entrego
Embora siga cego
Meu mundo se verteu
Lutando amanheceu
Aonde em paz trafego
E bebo ou mais me emprego
No rumo outrora meu,
Ascendo ao que pedisse
Vivendo esta tolice
Esbarro no final,
E tento após o todo
A vida sem engodo,
Porém sequer sinal.

469

Minha alma numa espera
Aonde poderia
Ousar em agonia
A sorte destempera
E quando degenera
Expressa a fantasia
E mata em agonia
O quanto não pudera
Vencer o meu caminho
E trago além do ninho
O medo sem sentido,
Esqueço cada passo
E quando além eu traço
Meu canto dilapido.

470

Minha esperança morre
Aonde nada houvera
Sequer a primavera
E o todo me socorre
Gerando o velho porre
E quanto mais tempera
A vida noutra esfera
Tramando o mesmo escorre,
Espero após o fim
O renascer em mim
Do todo que não veio,
Apenas recolhendo
O mundo em dividendo
A sorte sem receio.

51451/60

451

A lira em tons diversos
Ousasse muito além
Do quanto sei que vem
E traz em novos versos
Momentos mais dispersos
E sei de todo o bem
Marcando o que convém
Mergulho em universos
E bebo do passado
Aonde sonegado
O tempo não me traz
Sequer qualquer alento
E sinto o quanto tento
Num ato mais audaz.

452

Vivesse em tom suave
O quanto a vida trama
E nada deste drama
Mudasse o quanto entrave
E o prazo não agrave
O mundo em leda chama
E quando o tempo escama
A morte inda desbrave.
Ausento enquanto teimo
E sei por onde queimo
O caos dentro do peito,
A luta se provendo
Do todo em que o remendo
Deveras sempre aceito.

453

Porquês que tanto quis
Não vejo mais sinais
E nestes vendavais
Os ermos por um triz
O céu se expondo gris
Os erros são fatais
Os mantos de cristais
O terno feito em giz,
A luta desafia
E mata em ironia
Apresentando então
Agônica vontade
Aonde se degrade
O rumo e a direção.

454

O jovem que morrera
Há tanto noutro engodo
Imerso neste lodo
Desmancha toda a cera
E o peso conhecera
Sem brilho e sem denodo
O tanto nega o todo
E enfim não procedera,
Escassa valentia
E nada mais viria
Sequer o que inda resta
Do todo onde pudera
Apresentar outra era
A morte agora infesta.

455

O dia onde tentando
Saber qual direção
Do errático porão
As lutas desde quando
O mar em contrabando
O bando em precisão
Os tempos mudarão
O traste me tocando
E o caos dentro do peito
Aonde eu não aceito
Sequer qualquer conselho,
O marco mais atroz
Gerando a dor em nós
E assim eu me ajoelho.

456

Um canto assustador
Em linhas mais dispersas
Aonde além tu versas
Marcando em medo e dor,
O corte redentor
As horas; desconversas
E sei destas imersas
Manhãs matando a flor,
Esboço algum sorriso
E o quanto mais preciso
Não diz do que se tenta
A luta não termina
Nem mesmo em cristalina
Ou noite turbulenta.

457

Das águas deste rio
Ao mar em estuário
O tempo é necessário
E nele eu desafio
Bebendo o mais sombrio
Ou mesmo temerário
O corte temporário
O todo em desvario,
Esqueço o que pudesse
Ainda quando tece
A vida em plena dor,
Ao menos pude ver
O sol ao se esconder
Traçando sem ardor.

458

A vida quando embarque
O todo no não ser
Pudesse então tecer
Dos sonhos ledo parque,
O todo não abarque
O quanto pude crer
Lutando contra o ser
O passo não demarque
O fim de toda sorte
O pranto que conforte
O forte que se invada,
A luta não termina
E o pasto, uma égua, a crina
A noite constelada.

459

Batendo dentro da alma
A sorte em tons atrozes
Negando minhas vozes
A luta não se acalma
E sei do quanto a palma
Pudesse em novas fozes
Vencer os meus algozes
Sem ter sequer um trauma,
Mas tanto que desejo
E nada mais andejo
Que o sonho sem proveito,
O rumo se decide
Enquanto a vida incide
E o tempo não aceito.

460

Sorrir mesmo ou chorar
Independentemente
Do quanto se apresente
Ou nada mais tocar
A sorte a divagar
O olhar tão inclemente
Ainda que se tente
O pouco diz do mar,
Areias escaldantes
E nada mais garantes
Senão cada tormenta
A vida em tal procela
Produz o que revela
E o sonho ela alimenta.

51441/50

441

A trágica expressão
Da imensa solitude
Aonde nada pude
E sei da dimensão
Dos ermos que trarão
Aquém da juventude
O passo onde se ilude
O medo em precisão,
Ainda que a redoma
No fundo não me doma
A sorte não varia,
Espero alguma luz
E o quanto se produz
É noite leda e fria.

442

Na plena insensatez
O marco mais audaz
Deveras não me traz
O quanto ainda crês
O risco, a lucidez
A ausente ou turva paz
E sei quanto é capaz
Do todo que não vês
Esbarro nos enganos
E sei dos meus profanos
Caminhos sem sentido,
No parto sonegado
No tempo desejado
O todo agora olvido.

443

Levando em meu olhar
A luz deste horizonte
E o sol já não desponte
Marcante navegar
Ausência a se tomar
E nisto a leda fonte
Matando o que me aponte
Ou mesmo a naufragar
Esqueço o quanto tenho
E sei aonde o empenho
Transcende ao que viria,
O medo que me ronda
A sorte nega a sonda
Sonega a fantasia.

444

Bufões entre diversos
Momentos paz e guerra
A sorte não encerra
Sequer meus universos
E bebo dos meus versos
Enquanto a luta emperra
E mata o que desterra
Nos tempos mais perversos,
Versando sobre o nada
A luta desenhada
Esboça o ledo fim,
Do todo que inda trago
Sequer qualquer afago
Divago em vão motim.

445

Nas árvores que trazes
No olhar de quem se fez
Além da sensatez
A vida em tantas fases
No quanto que inda aprazes
O mundo, estupidez
A vida em cupidez
A luta em ermas frases,
O corte se aprofunda
E o todo diz da imunda
Verdade sem fastio,
E o vento noutra rota
Aonde a vida brota
Expressa o desafio.

446

Poder acreditar
No quanto a vida traça
E gesta além da escassa
Vontade de lutar
O medo a se moldar
Aonde se esfumaça
E o todo também passa
Aos poucos, devagar,
Ousando num instante
O quanto se garante
Depois da tempestade,
Já não me caberia
Apenas fantasia
O sonho doma e brade.

447

Não combinasse nada
E o tempo não mudara
A face da seara
Aonde derrotada
A noite alucinada
A vida jamais clara
O corte desampara
E traga a madrugada,
Um pária coração
Sem rumo ou previsão
Apenas se entregando
Ao modo sem sentido
E nisto o que duvido
Matando em tom infando.

448

À prosa o vento traz
Harmônica vontade
Do quanto se degrade
Ou mesmo não se faz,
O passo dado atrás
Da luta que se evade
A morte, a realidade
O prazo em tom mordaz
Alucinadamente
O quanto a vida mente
Desmente qualquer sonho
E vendo o meu caminho
Sem nada onde me alinho
O tempo é mais bisonho.

449

O quanto conhecia
Do todo e não soubera
Apascentar quimera
Pousando na agonia
A vida em utopia
Aos poucos degenera
E o verso destempera
E nada mais teria
Sequer o que busquei
A luta em nova grei
O caos dentro de mim,
Depois de certo alento
Somente o sofrimento
Acende este estopim.

450

A luta na verdade
Incendiando o peito,
E sei que insatisfeito
Matei felicidade.
Ausente liberdade
Pudesse noutro pleito,
Mas quando nada aceito
A luta se degrade,
O manto se puíra
Recolho cada tira
E vibro em meus retalhos
Os dias que virão
Na certa em negação
Serão somente falhos.

51431/440

431

Olhando para a Terra
Expressos entre caos
E os dias sem as naus
A luta não se encerra
E o quanto já desterra
Os dias em degraus
Olhares turvos, maus
A morte dita a guerra,
Não posso e nem tentasse
Vencer qualquer impasse
Ou mesmo novo tempo
Desenha novamente
O que renova a mente
Num ar em contratempo.

432

Envio para além do pensamento
Sinais que poderiam me trazer
Além do quanto quero em tal prazer
A vida numa sorte onde alimento
O passo sem sentido e me atormento
Vagando sem saber onde o poder
Gerasse novo canto em bem querer
Ou mesmo no final o que inda tento,
Expresso a solidão a cada passo
E quando no final; volto e desfaço
Meu canto não teria melhor sorte,
Destarte um caminheiro sem um porto
Apenas resumindo sem conforto
A luta que deveras tanto corte.

433

Vagando sobre o quanto
Ainda não viria
Nem mesmo poderia
Ousar em novo encanto
A sorte diz do manto
Aonde se traria
A morte em agonia
Ou ledo e forte espanto,
O caos dentro desta alma
A luta não se acalma
E o mar eu abandono,
Depois de tantos erros
A vida em tais desterros
Do nada enfim me adono.

434

O tempo traz as cãs
E os olhos se perdendo
No quadro mais horrendo
Ausentes as manhãs
Aonde foram vãs
No toque me envolvendo
Apenas o remendo
E nele meus afãs,
As sortes e fortunas
As ondas, mares dunas
E coadunas quando
O tanto se esvaindo
O mar que quis infindo
Meu sonho divagando.

435

Palavras tão morosas
As sombras do passado
O tempo sonegado
A morte em raras rosas
As lutas caprichosas
E vejo enquanto evado
O todo já levado
Imerso em nebulosas.
O tanto o tento e o tinto
Momento onde pressinto
A vida sem sentido,
E o caos gerando o fim
Do todo que há em mim,
Já nada resolvido.

436

Deixando nalgum canto
O tanto quanto pude
Vencer em atitude
Ou mesmo em desencanto
O corte num espanto
A luta em plenitude
Na sorte esta virtude
Marcando o que agiganto,
A faca tem dois gumes
E quando além tu rumes
Verás o fim de tudo,
Meu passo sem sentido
O dia resumido
No todo onde me iludo.

437

Das rosas a estação
Nos olhos o vazio
O tempo onde recrio
Marcando a dimensão
Dos erros que verão
O quanto ora desfio,
E o dia mais sombrio
O manto em turbilhão,
Acordo em alvoroço
O sei do quanto em fosso
A vida se fizera
Marcando em discordância
Negando nova estância
Em leda primavera.

438

Morrendo a cada instante
Um pouco ou muito mais
Os dias são iguais
E nada me garante
Nem mesmo doravante
O quanto quero em cais
E sei dos temporais
Seguindo sempre avante,
O ledo caminhar
A noite a se moldar
Em trevas tão somente
Do brilho deste sol
O mundo sem farol
Sonega uma semente.

439

Clemência aonde um dia
Pudesse acreditar,
Mas nada no lugar
Trouxesse a fantasia
O corte se veria
Imenso a me tragar
E o canto a se entregar
Em leda fantasia,
Mergulho neste abismo
E quando além eu cismo
O prazo me extermina
A luta que incentiva
Nem mesmo o que se viva
Expõe a turva mina.


51440

Inverno em bombardeio
Acenas com a morte
E nada tendo aporte
Apenas já receio
O quanto em cada seio
Do mundo nos conforte
E tanto se quis forte
Quem nunca mais anseio,
Escalo cordilheiras
E quando além me queiras
Escassa dimensão
Do mundo sem proveito
E quando me deleito
Os dias dizem não.