sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Amar e poder crer na luz do dia
E ter dentro de mim esta certeza
Da sorte desenhada sem surpresa
Aonde todo amor me tocaria,

Vestindo a mais sublime fantasia
E nisto não temer a correnteza
Dos sonhos mais agudos, ser a presa
Ousando neste mundo em poesia.

Resumos de outros tempos, luz e glória
A vida remoendo na memória
Momentos que se foram; voltarão?

A fêmea grita em mim e nada a cala
Um homem desfilando nu na sala
Levando junto a si meu coração.

A força que se emana deste bem
Gerando a cada passo este horizonte
Moldando este caminho que me aponte
O quanto em maravilha a vida tem,

Cansada de lutar? O amor contém
Deveras nos seus passos rumo e ponte
Qual fosse um sol imenso que desponte
Nesta divina luz que agora vem

Raiando dentro da alma de quem sonha
E sabe mesmo em tarde mais tristonha
Da lua feita em paz e claridade,

Por isso é que sabendo deste fato
No amor do Meu Senhor vejo e retrato
O dom desta maior felicidade.

O quanto eu poderia inútil poesia
Falar deste sutil momento em dor e medo
E quando novamente um passo ora concedo
Gerando o que tentara além da fantasia.

O mundo na verdade, aos poucos me traria
O rústico cenário e nele este segredo
Tramando com certeza o quando do degredo
Pudesse ser diverso e mesmo em agonia.

Recebo o teu carinho, amiga e na verdade
O passo sem sentido, aos poucos já degrade
O todo desenhado e nada consumido,

Ainda quando quis felicidade plena
A luta sem certeza, aos poucos me condena
E nisto vejo o tempo, aonde o dilapido.


Não deixe que esta dor querida amiga
Destroce cada sonho que inda trazes
A vida se desenha em tantas fases
E enquanto às vezes fere nos abriga,

A sorte fabulosa que persiga
Ou mesmo se perdendo sem os ases,
As cartas sobre as mesas mais audazes
Demonstram quanto a luta além prossiga.

O sonho desejado e mais querido,
O tempo noutro tempo hoje lapido
E espero uma colheita em amizade,

Do todo que cevara; o mais sublime
Traduz todo este encanto que redime
E traz à caminheira a liberdade.

A força que se emana deste bem
Gerando a cada passo este horizonte
Moldando este caminho que me aponte
O quanto em maravilha a vida tem,

Cansada de lutar? O amor contém
Deveras nos seus passos rumo e ponte
Qual fosse um sol imenso que desponte
Nesta divina luz que agora vem

Raiando dentro da alma de quem sonha
E sabe mesmo em tarde mais tristonha
Da lua feita em paz e claridade,

Por isso é que sabendo deste fato
No amor do Meu Senhor vejo e retrato
O dom desta maior felicidade.


Meu mundo se desenha em amizade
Traçando a cada passo a nova imagem
Que um dia imaginara ser miragem
E agora bem mais alto teime e brade,

O amor quando demais diz liberdade?
Não posso em tão sublime paisagem
Ousando com certeza em nova aragem
Bebendo o quanto quero e mais agrade,

Legado que carrego de outras eras
E nelas outras tantas que temperas
Gerando com ternura amor profundo.

E o peso de uma vida em dores tantas
Ao rumo em que prossegues e garantas
A mais bela razão de todo um mundo.

Feliz aniversário, meu amigo,
O tempo passa e a vida continua
Ousando neste passo sob a lua
E neste desenhar tanto me abrigo,

O quanto poderia e estar contigo
Traduz uma beleza onde flutua
Marcando com razão e se cultua
O todo desenhado que persigo.

A luta eu sei diária e sem descanso
E quando neste instante a ti alcanço
Podendo te abraçar e agradecer.

A vida nos trazendo uma surpresa
Imensa e tão sublime esta beleza
De um ano a mais poder aqui te ter.




Já não me caberia acreditar
Nos ermos de minha alma sem proveito
E quanto deste sonho não aceito
Bebendo cada raio do luar,

Lutando sem saber onde parar
Meu verso se ilumina e vai desfeito
Do todo sem sentido eu me deleito
E traço o tempo inteiro a navegar;

Encontro os meus momentos mais audazes
E sei deste cenário enquanto trazes
Apenas sortilégios, nada mais.

Mergulho no passado e vendo apenas
O quanto na verdade não acenas
E nisto os dias morrem desiguais.





Quando a solidão ronda meu quarto
Imersa em noite escura, opaca e morta
Espero alguém batendo em minha porta,
Porém deste vazio eu não me aparto.

Um homem que pudesse após já farto
Trazer com tal carinho o quanto exorta
O todo desejado e assim se importa
Do quanto em tal prazer tenho e reparto.

Um homem cuja essência feminina
Presume o quanto quero ao ser menina
Após a fúria feita em fêmea e fera.

Que tanto me proteja e já sem medo
Bebendo cada gole que concedo
Além do quanto em vida busque e espera.

Do pouco que inda cabe a quem procura
Vencer os desacordos mais vulgares
Ainda quando ao longe mal notares
A sorte não traria bem ou cura,

O corte se apresenta e se perdura
Marcando com terror os meus altares
E os antros mais audazes, vis lugares
Aos poucos ronda o sonho em tal loucura

E o canto sem sentido nem razões
Aonde tu persistes e compões
Os ermos mais audazes de uma vida

Já tanto diluída entre vazios
E os olhos procurando desafios
A luta se percebe já perdida.



Não pude perceber o quanto quis
Quem tanto se fizera quase um deus,
Os olhos sem destino, num adeus
O tempo se perdendo por um triz

Renasço do passado e sei do gris
Cenário aonde os dias fossem meus
Os cantos se perdendo em apogeus
Diversos do que tanto outrora eu fiz

A faca tem seus gumes, disto eu sei
A sorte dita em morte a própria lei
E o frágil sonhador já não teria

Sequer onde apoiar os pés e a queda
Traduz o descaminho e me envereda
A luta profanando em tal sangria.



Não mais comportaria qualquer sonho
E o pouco que inda resta não traduz
Ainda alguma coisa além da cruz
Nem mesmo o que pudesse e decomponho

Resumos de outras era num medonho
Caminho feito em trevas, nunca em luz
E o quanto poderia reproduz
Apenas o que louco, a ti proponho.

O verso sem sentido, o caos em nós
A luta se demonstra e sei algoz
O engodo; aonde eu tento um novo rumo.

Do errático poeta a menor sombra,
Somente esta verdade que me assombra
Moldando a minha vida em desaprumo.


Eu quero simplesmente um dia ser feliz
E ter em minhas mãos o amor sem ter medida
A vida imaginada há tanto já perdida
Dos sonhos sem futuro, o canto por um triz.

Amar e ter no olhar o quanto mais eu quis
A noite anunciada e nela a despedida
Uma esperança morta; há tanto, envilecida
Jazendo noutro enredo, em turvo e vão matiz.

A fêmea gira em torno das lâmpadas do sonho
E quanto mais o toco, o sinto vão, medonho,
E nada do que eu quero um dia inda terei

A voz já sem cuidado, o tempo, o sonho embarga
Não mais suporto a ausência, imensa e dura carga
Masmorras da esperança? Eu não suportarei...


A divisão permite um novo dia
E nisto se presume a liberdade,
Na força incomparável da amizade
A luta nada doma nem adia,

O ser e caminhar nos mostraria
O quanto neste mundo sempre agrade
E vence com firmeza qualquer grade
Tramando em tal verdade a fantasia.

Amiga, quando estou junto contigo
Aos sonhos mais sublimes eu prossigo
Vencendo os meus temores: solidão.

Na mesma direção, belo caminho
E assim mesmo num tempo tão mesquinho
Momentos fabulosos se verão.


Amar e ser feliz? Quem dera se eu pudesse...
A vida traz somente a mesma solidão
Em bares noites vãs; meus olhos não verão
Sequer o que talvez ainda em paz quisesse.

O tempo se desdenha; inútil qualquer prece
Um átimo e não vejo ainda a solução
Castelos, fantasia, apenas ilusão.
E o canto sem sentido ao longe em vão se expresse.

Amar e ter no olhar quem tanto desejara
Manhã surgindo bela, a vida tenra e rara
Num sol à beira mar, na praia do meu sonho

Um homem que me toque e traga o protetor
Cenário abençoado em tons de claro amor.
Porém somente eu vejo, um mundo atroz, medonho...

Por onde anda o Natal? Já não vê
Sequer algum sentido nesta data
Senão a que em verdade só retrata
A vida sem destino e sem por que.

Procuro uma esperança, mas cadê?
O nó de uma amizade se desata
A fúria se espalhando, fogo em mata
Apenas no supérfluo, o que se crê.

Um Cristo abandonado em qualquer canto
Jogado pelas ruas: fome e dor
Um pária se desnuda e não me espanto

Ao ver a macilenta face exposta
Aonde poderia um redentor,
A humanidade nua e decomposta.

Do amor já sem sentido, outro caminho traço
E tento após a queda um novo amanhecer
Aonde poderia ainda em tal prazer
Saber do que em verdade agora sei escasso.

E quando me percebo; ausente ou vago espaço
No quanto a própria vida insiste em me tolher
Dos sonhos mais sutis; procuro perceber
O quanto me trouxesse ainda o mesmo laço.

Mas sei das minhas vis angústias noite afora
A poesia viva invade, toma e aflora
Ancora o meu anseio e nada mais teria

Senão a velha face atroz e distorcida
Do quanto poderia e morta em plena vida
A sombra da esperança, apenas utopia...



Um tempo aonde o todo imaginável sonho
Trouxesse algum alento e luz a quem caminha
Ousando na esperança e nela o que se alinha
Presume este cenário e nele eu me proponho.
Ousasse acreditar ainda num risonho
Desejo sem igual, a sorte tua e minha
De quem sabendo a vida aos poucos avizinha
O temporal atroz, mordaz duro e medonho.
Uma mulher conhece a solidão de perto
E quando ao longe vendo o mundo que deserto
Bebendo a imensidão da noite que não veio,
Aquela que se fez além de mero ocaso,
Não sei e quando tento aos poucos já me atraso
Seguindo sem destino, em mero devaneio.

A tétrica incerteza em noite sem valia
Ousasse acreditar apenas no vindouro
E quando em vão procuro algum ancoradouro
Encontro tão somente a voz da poesia.

Aonde mergulhasse e nisto não teria
Sequer algum cenário enquanto nascedouro
Da pútrida verdade e nela se me douro
Ainda que pudesse, apenas agonia.

Gerando em consonância; errático cenário
Enquanto se cerzisse um mundo imaginário
A vida moldaria ausência e nada além

Carcaça da ilusão tomando o quanto resta
Da imagem mais mordaz espúria, vã, funesta
Traçando em noite escura um mundo sem ninguém.


Num éter se transforma o quanto pude outrora
Vagando sem sentido em noite sideral
Sinceramente exposto ao ar raro e venal
Minha alma navegando aonde o fim demora.

A sorte em sortilégio o tempo que apavora
Negar o quanto pude em ar torpe e fatal
Ainda que restasse ao peito algum degrau
A queda inusitada expressa qualquer hora.

Ascendo ao quanto fui; lunática expressão
E sei do meu cansaço e trágica emoção
Exposta ao vento e sigo aquém do que devia.

Nos ermos do infinito a voz se perde ao fundo
E quando no silêncio ainda em vão me inundo
O amor já não moldara além desta utopia.

Não posso caminhar contra tal fúria
E vendo a minha sorte desmedida
Aonde poderia haver a vida
Somente se imagina a vaga incúria

A luta se traduz em tal penúria
E a sorte sem sentir qualquer saída
Gerasse a noite em nós, sem despedida
Marcando o dia a dia com lamúria

E nada se desenha após a queda
Pagando esta esperança em vã moeda
Gestada pelo medo e nada mais.

O tempo diz do quanto poderia
Ousar e acreditar noutra utopia
Que em vãos momentos, tola; derramais.



Jogado sobre a roca, imenso e turvo mar
A luta sem derrota e penso no futuro
Somente tendo em mãos os dias que procuro
Sabendo que ao final só possa naufragar.

Espúria fantasia aonde provocar
O sonho sem tormenta em dia mais escuro,
Ainda que sentisse o sonho onde perduro
Marcando o que pudera e tento disfarçar

Não poderei seguir aquém do quanto tenho
E vendo o meu caminho aonde em tolo empenho
Espero tão somente a noite em meus atóis

Vencido pelo sonho e quanto mais destróis
O rumo sem sentido, o barco sem convés
Exposto à tempestade e a fúria das marés.

Não pude acreditar no quanto ainda tento
Vestígios desta vida invalidez completa
E quanto mais ao longe o sonho se repleta
A noite traça o medo e nele o vago vento,

Esqueço o que pudera em pleno sofrimento
E tento acreditar ainda em ser poeta,
Vencido pelo Amor, na entorpecida seta
Do quanto poderia apenas atormento.

Resisto ao vendaval e bebo do vazio
Gestando sem sentido o quanto desafio
Matando dentro da alma o resto que inda trago,

Ainda que pudesse expressa solidão
Tramando com certeza os dias que virão
Negando ao sonhador qualquer carinho e afago.

Um maço de cigarros sobre a mesa
O tempo se resume no jamais
E tento imaginar em dias tais
O quanto a vida imerge em correnteza.

No medo transbordando em incerteza
Diversos os desenhos mais venais
E sinto meus caminhos desiguais
Tentando na verdade não ser presa.

Eclodem quais crisálidas, estrelas
E quando se percebe em glória, o vê-las
Encontro retratada a eternidade.

E o caos gerado em nós não poderia
Vencer o quanto resta em agonia
E o todo noutro infausto nos degrade.


Ainda que pudesse em amizade
Pousar o meu caminho em noite clara
E nisto a imensidão tomando aclara
E traça o quanto tento em liberdade,

E o tempo noutro tempo já se evade
Marcando com ternura esta seara
A luta se desenha e se prepara
Rompendo o que pudesse ser em grade.

O medo se desenha bem distante
Enquanto o dia a dia se garante
Nos ermos de minha alma sonhadora

Diverso do que tanto poderia
Encaro com certeza esta magia
E nela o quanto quero ou mesmo fora.


Já não comportaria acreditar
Nos erros costumeiros de quem sonha
E a vida se desenha mais risonha
Ainda que pudesse em paz amar.

No tolo e sem sentido caminhar
A sorte mesmo atroz, leda e enfadonha
Presume a solidão e assim componha
O quanto desejei sem me notar.

Escoltas mais diversas: sonho e luz
Ainda quando o nada se produz
Vencendo o descaminho mais constante.

Apesar de saber da inútil face
Meu mundo na verdade não mais trace
O que numa emoção toma e garante.


Um dia mais feliz, quem sabe venha
E trague no sorriso deste que amo
O tempo se mostrando a cada ramo
E nisto a solidão percebe a senha,

Vencida pelo engodo, a luz mantenha
O todo quando muito quero e clamo,
Viceja dentro da alma o que inda tramo
E bebo deste sonho em brasa e lenha.

Mergulho nos teus braços sedutores
Seguindo sem pensar por onde fores
Tocada pela mágica esperança

E o cândido cenário só reflete
O mundo que desejo e me compete
E nele meu prazer nunca se cansa.


Não pude e não tentasse mergulhar
No errático desenho desta vida
Marcada pela sorte destruída
Distante do que pude em céu e mar.

A luta a cada instante a se tramar
Ruína da esperança carcomida,
Mergulho sem sentido em desprovida
Vontade de cerzir e de somar.

Amante da emoção maior; amiga,
O corte não impede que prossiga
Seguindo sem temor nova emoção,

A lua dentro da alma rege o sonho
E em cada novo verso que componho
Momentos de amizade moldarão.


Incauta sonhadora; apenas vejo
O mundo sem sentido e sem razão
Os olhos na verdade não trarão
O quanto mergulhasse a cada ensejo,

E sei do teu olhar em azulejo
Cenário aonde os dias moldarão
Apenas novamente algum verão
E nisto cada passo sem desejo.

Estranhas luzes ditam meu futuro
E sei o quanto possa e não procuro
Senão a mesma paz que me entranhasse.

Amar e ser feliz? Já não me basta
A vida se desenha amarga e gasta,
Mostrando com temor a velha face.


Não quero acreditar noutro momento
Aonde em ávida impressão já não pudera
Estar exposta à sorte da pantera
E nela sem sentido me alimento

Amar e caminhar e ir contra o vento
Gerando o que deveras degenera
Espero o que pudesse e destempera
Marcando com terror meu sofrimento.

Perdida sem sentido nem razões
Eu sei do quanto pude e tu me expões
Momentos mais diversos, verso e prosa

Ainda quando quero ser amada
A noite se imagina e desenhada
Desnuda-se divina e majestosa.


O medo se aproxima em cada olhar
Da sorte sem sentido e nem porquês
Ainda quando o sonho se desfez
Pudesse noutro intento caminhar,

Seguindo sem saber onde parar
O todo que em verdade inda não vês
Marcando as minhas dores nesta tez
Aonde desejara outro lugar,

Amante da esperança, tolamente
A luta a cada passo não desmente
O quanto ainda tenho dentro em mim,

Depois de certo tempo em vão repasto,
O corte desenhado agora gasto
Impede esta florada em meu jardim.


Já não mais poderia ainda acreditar
Nos ermos de minha alma aonde se escondendo
O todo traduzido em turvo e vão remendo
Apenas me traria o tolo caminhar

Encontro neste espelho o quanto fui buscar
E neste meu momento a vida em novo adendo
Herdando do passado apenas o que entendo
Qual fosse a fantasia e nela o mergulhar.

A sórdida ilusão invade quem pudera
Traçar a solidão e quando a vida é fera
Tocaia após espreita e o nada por resposta

A luta em justa cena apenas nos contente
E mesmo poderia ainda impertinente
Enquanto se resume a sorte se desgosta.


Meu tempo em noite vaga apenas poderia
Alçar quanto me resta e nada mais podendo
Senão falsa impressão atroz deste remendo
Ditame aonde o mundo expressa esta agonia,

A vida se desenha e nesta fantasia
O mundo se moldara e nada mais entendo
E o tempo se aproxima e nisto não me estendo
Aquém do grande amor e nada mais teria.

Jogada sobre a praia, a sorte dita o prumo
E quanto mesmo quero amor e nisto assumo
O todo desenhado em leve contratempo,

Quebrantos são comuns em quem sonhara tanto
E ao fim deste soneto apenas eu garanto
O mundo que enfrentara alheio e vago tempo.


Augusta maravilha em noite constelada
Gerando etérea luz envolta por neblinas
E neste desenhar o quanto me fascinas
Traduz a minha sorte em rara madrugada,

Após tanto sentir e crer no mesmo nada
Aonde com firmeza em tramas me assassinas
Brumosa senda exposta e nela determinas
A voz de quem pudera e segue aquém cansada.

Vestígios mais sutis de um tempo mesmo rude
E neste caminhar o passo desilude
Trazendo em desamor o quanto pude crer

Bem antes do momento em rara cortesia
No traço mais audaz, o mundo se traria
Ainda imensamente em raro amanhecer.


Deitada em nobre leito a bela dama
Impávida presença em lua clara
O sonho tantas vezes se declara
E nisto outra certeza a vida trama,

Pudesse da emoção em bela chama
Viver esta ilusão imensa e rara
Na perolada estância onde se ampara
O todo desenhando além do drama,

A lívida presença desta que
Meu sonho ora deslinda em noite imensa,
O quanto em teu olhar a vida pensa

E sabe algum sentido e já se vê
Na imaginária noite, apaixonada
Imagem noutra face revelada.

Ascendo ao quanto pude em tempo alheio
Vencida pela angústia e nada além
O todo desenhado não mais vem
E o tempo noutro encanto mal semeio

Vestindo esta ilusão, em devaneio
Após o que pudera sem ninguém
Procuro algum caminho e sigo bem
O mundo onde decerto a paz rodeio.

Já não me caberia melhor sorte
No passo em desafio o que comporte
Não basta pra quem tanto se prometa

Nas vagas do infinito a te buscar
Expressas nos teus olhos o luar
Enquanto o coração, mero cometa.

O amor pudesse ter além da velha esfera
Protótipos de um tempo ainda que venal
Seria muito bom ou mesmo esse ideal
Aonde desenhasse a nova primavera.

O corte quando adentra e a vida destempera
Acréscimos de dor e nada em desigual
Caminho se aproxima e traça em bem ou mal
O medo sem sentido e a solidão tão fera.

Não quero acreditar tampouco necessito
No cais sem sentimento, exposto ao vão granito
E em versos mais sutis no alexandrino sonho

Esbarro no meu erro e vejo o quanto resta
Da sorte sem fartura e mesmo até funesta
Moldando noutro verso o que demais proponho.


Jogado sobre o nada apenas enfrentando
O medo contumaz de quem se fez alheio
Aos sonhos tão comuns e quando devaneio
Procuro outro caminho e vejo o tempo brando

Aonde muita vez pudesse mergulhando
Ousar noutro cenário e nisto até rodeio
Cerzindo este delírio e quando assim anseio
Vagando sem saber o quanto ou mesmo o quando

Não pude imaginar sequer um novo dia
E neste caminhar invado o que teria
No olhar de sonhador, poeta sem destino,

Vencido pelo caos e nada mais me importa
Marcando em consonância a vida em sua porta
E nisto com temor aos poucos me alucino.

Amigos que carrego no meu peito
De velha sonhadora, poetisa
A vida tantas vezes se matiza
E traça este caminho onde deleito

Vencendo o que pudesse agora aceito
O quanto desta sorte sempre avisa
E o rosto vai se expondo sempre à brisa
Embora o meu cantar já contrafeito.

E sinto a tua mão macia, amigo
E quantas vezes tendo o que persigo
Encontro a rara fonte da amizade

Que traz ao meu caminho um farto brilho
E o todo que inda trago, eu compartilho
Gerando dentro da alma a claridade.


Não mais eu poderia acreditar
Nas ânsias de quem busca finalmente
O quanto da existência mesmo mente
E traz outro caminho a se moldar,

No fim de certo tempo a me rondar
Tocando o coração, o sonho e a mente
E nada que pudesse tão premente
Pudesse noutro rumo desenhar

Amiga, ao te encontrar com mansidão
Meus dias noutros tantos erguerão
A imensa maravilha de uma vida

Há tanto sem caminho, em raro cais
E nestes nossos dias desiguais
A luz desta amizade é construída.

Amar e ter além do quanto poderia
Ousar em noite imensa apenas por querer
Vencer o quanto pude e tento amanhecer
Gerando dentro da alma a solução de um dia

A luta se desenha em tal alegoria
O tempo não pudesse e nem mesmo o saber
Gestando dentro em mim o quanto pude crer
Negando o que restara ainda em fantasia.

Eu bebo em tua boca a luz deste insensato
Momento onde cansado; às vezes já constato
O quanto pude ou nunca enquanto mais quisesse.

Da catedral do sonho amor se faz intenso
E neste desenhar, o quanto me convenço
Traduz um verso em rara e mansa, doce prece.


Lutas sem sentido
Não tento descobrir as lutas sem sentido
E nada do que eu possa ainda me permite
Viver o quanto tente aquém deste limite
Há tanto desejado e sei que agora olvido.

No passo sem razão, aonde dilapido
O corte que se vendo e nele se acredite
Gerando abençoado um mundo onde palpite
O termo mais audaz em sonho decidido.

A voz, a violência o tempo e a luta em vão
Ainda quando vejo os dias que virão
Restando ao sonhador uma ancoragem além,

O mundo sem proveito e o passo em contra-senso
Ao menos não pudera e nisto sei que penso
Traçar esta verdade e nela o que convém.


A liberdade ronda quem sonhara
Com todo este esplendor em festa e gozo,
O mundo tantas vezes majestoso
Espalha a sensação suprema e clara

O amor quando demais já se prepara
E traça outro cenário, e caprichoso
Por vezes se mostrando pedregoso
Ou livre e maviosa tal seara.

Deitando em raro prado a fantasia
Do quanto libertário me traria
Somente um novo raio em esperança.

A luta sem sentido já nos cansa,
Mas quando se deseja uma utopia
Amor inigualável; paz alcança.


A luta pelo encanto feito em luz
Já não me cansaria enquanto tento
Vencer a luta contra o sofrimento
Ousando aonde o todo me conduz,

E o passo noutro passo reproduz
Vestindo com ternura um raro alento,
E o mundo desenhando em pensamento
Traçando o que deveras nos seduz.

Espero a liberdade a cada passo
E neste desejar meu mundo eu traço
Nos braços de quem amo; bela rede.

Tecendo outro momento sem igual,
O rumo se mostrando magistral
Bem mais que simples foto na parede.

Amigos quando o tempo nos desnuda
E traz novo momento a cada instante,
O sonho que deveras me agigante
A noite com belezas sempre acuda,

A sorte que pensara tão miúda
A fonte muitas vezes deslumbrante
E o nada se apresenta e segue avante
Vencendo o quanto pude e o tempo muda.

Negando qualquer queda no futuro
O sonho, companheira, eu asseguro
Jamais se negaria a quem se dera

E o tanto que busquei em harmonia
Aos poucos nos teus braços eu teria
Ousando reviver em sublime era.


Meu mundo desabando aonde nada mais
Pudesse acreditar e nem mesmo seguir
Ainda que vivesse e tendo o que há por vir
Imerso num momento e nele demonstrais

Os ermos deste sonho e nele em desiguais
Caminhos; sei do quanto eu possa, um elixir
Ousar em verso e voz, o todo que ao sentir
Trouxesse noite rara em versos mais banais.

Amar e ter certeza, embora seja frágil
Do passo sem proveito, e mesmo quando em ágil
Cenário porventura, ainda se desenha

O tempo diz do vão e nada mais servindo
Aquém do que pudera e neste caos o infindo
Martírio desolando, ousando em velha ordenha.


Não mais me caberia ao menos um momento
E nada do que pude ou mesmo inda tentasse
Vencesse a realidade e neste torpe impasse
O corte se apresenta e nisto sigo sempre atento,

O prazo determina o quanto quero e tento
E molda o que seguisse e nesta velha face
O pouco que inda resta; ao menos já mostrasse
A força sem igual do imenso sentimento

Amar e ter no olhar a sorte mais diversa
E quando a gente busca o todo desconversa
E traça no futuro a sombra que eu buscara,

O canto em harmonia, um risco a mais que encampo
Ousando além da noite um raro pirilampo
Tomando em claridade, a noite imensa e rara.


Amiga, a vida sempre nos permite
Um novo amanhecer mesmo brumoso
E quando se percebe o todo em antegozo
Já não me caberia ainda algum limite,

E o prazo determina o quanto se acredite
Marcando o que pudera em rumo fabuloso,
Espero caminhar e nisto o perigoso
Cenário se repete e a paz sempre palpite.

Escassamente vejo o fim do sonho
E quando novo passo além componho
Invisto sem temor neste momento,

E o tanto que pudera sendo assim,
Vestindo o quanto resta dentro em mim,
Aos poucos nesta lua, amor fomento.

Já nada mais pudera quem teimava
Na luta sem descanso ou sem proveito
E quanto deste tempo sendo aceito
Gestando o coração em sonho e lava,

Minha alma sem sentido algum e escrava
Do quanto noutro tempo em raro leito
Moldando sem temor onde deleito
O corte acentuado rompe a trava.

Vestindo a solidão nada mais tento
Sequer o que pudesse contra o vento
E sendo de tal forma a fantasia

Gerando novamente o quanto pude
Espero outro momento e mesmo rude
A noite com certeza me invadia.


A morte vem rondando mansamente
E toca o quanto pude acreditar
Ousando no momento a se moldar
Toando sem sentidos corpo e mente

O mundo se mostrasse mais descrente
Regendo cada dia e me mostrar
Desnuda fantasia a remontar
O quanto na verdade impunemente.

Invisto cada passo no futuro
E sei do quanto possa e me asseguro
Presumo meus enganos costumeiros

E tento embora tolo viajante
Vencer o quanto possa e se garante
Gestando dentro da alma estes canteiros.

Seguindo cada passo do Senhor
Ousando num amor eterno e claro
Aonde todo instante em paz preparo
E sigo Teus sinais por onde eu for.

Trazendo nos meus olhos, redentor
Cenário desejado, amado e raro,
A cada novo verso a Ti declaro
Meu mundo sem sequer qualquer temor.

Amigo, irmão e Pai, meu companheiro
De todas as batalhas, mesmo rudes
Só peço que deveras mais ajudes

Quem ama teu caminho, o verdadeiro
E segue coração aberto ao vento,
Mantendo em Ti, mais firme o pensamento.


Não quero acreditar nas ânsias de um passado
Aonde o meu caminho há tanto se perdendo
Não deixa que se veja apenas um adendo
E o corte; noutro engodo, espreito lado a lado

Meu canto sem descanso agora anunciado
E o verso sem limite inverso em dividendo
Aos poucos noutra face o quanto se estendendo
Deixando cada engano, acaso abandonado.

Jogado sobre o solo, o medo continua
E bebo deste encanto aonde o nada traz
Senão a mesma voz audaz e até falaz

Deixando para trás o quanto fora a lua,
Espero algum momento e nisto sendo assim,
O medo se traçando expressa então meu fim.


Poder falar da vida enquanto amor
Ousando na palavra sensual,
O quanto imaginara nesta nau
Vencendo esta procela aonde eu for,

Abrasa-me a saudade, sei da dor
E vivo outro momento desigual,
Resumos de meu tempo em sol e sal
Ouvindo a voz de um tempo sedutor.

Jogada sobre as ondas deste mar,
Ainda que pudesse navegar
Naufrago na esperança de quem ama,

A luta não cessando um só segundo
E quando neste passo eu me aprofundo
Enfrento este caminho em lodo e lama.


A dor de uma saudade me invadindo
Tocando dentro da alma de quem sonha
E sei que a vida traça esta medonha
Audácia aonde o tempo fora lindo,

E quanto noutro sonho distraindo
A sorte se transforma e mais bisonha
Além do que em verdade nos proponha
Um tempo sem igual, audaz e infindo.

Já não comportaria outro futuro
E quando vejo a vida e me asseguro
Dos erros contumazes de quem tenta

Saudade de quem foi e não voltara
Deixando a solidão, fria seara
Enquanto uma ilusão, esta alma tenta.


Amigos pela vida eu fui deixando
E nada do que trago diz da sorte
E sem ter quem deveras me conforte
O tempo dentro da alma não é brando.

O sonho no vazio se moldando,
Restando tão somente a minha morte,
A vida já não tendo mais um norte,
Meu mundo noutro engodo se tornando.

Audaciosamente quis saber
Da sorte num suave amanhecer
E nada do que o tempo me dizia

Pudera imaginar novo momento
E quando me perdendo, ainda tento
A luz se torna mera fantasia.


O amor nos conquistando dia a dia
Traduz a cada instante outro cenário
E o quanto fosse outrora temporário
Num mar de rara luz explodiria,

Vagando sem sentido, não teria
O canto mais suave de um canário
Amor ao desenhar o itinerário
Presume o quanto quero e até veria.

O mundo se traduz felicidade
Nos ermos de quem tanto busca e agrade
Vivendo a sensação de plenitude

E nada mais deveras nos mostrasse
A vida superando algum impasse,
E nisso cada sonho nos ajude.

Já não me caberia outra saída
Senão a de tentar felicidade
E nisto vejo em ti a claridade,
Há tanto, desejada e sempre urdida,

A luz que imaginara sendo ungida
No quanto possa imensa liberdade
O mundo se traduz enquanto invade
Com toda esta beleza nossa vida.

Amar e ter no olhar o Paraíso
E quando nos teus olhos eu matizo
Bebendo cada gole da esperança

Meu rumo se aproxima dos teus passos
E embora tantos dias mortos, lassos,
Ao éter da alegria o mundo avança.

Amar e ter nas mãos o quanto pude
Vencendo os meus fantasmas do passado,
A solidão; carrego aqui do lado
E bebo a fantasia mesmo rude,

E o preço do sonhar já desilude
Deixando o coração amargurado
Tramando o que pudera e quando invado
Revejo a já distante juventude.

O amor que imaginara mais presente
Este homem mais audaz, hoje apresente
Bem mais que o mero sonho, ou ilusão.

A trama mais audaz aonde atroz
Já não sossega mais e toma a foz
Domando os desalentos que virão.


Já não suportaria a luz deste momento
Aonde o meu caminho esbarra no passado
E o quanto poderia há tanto abandonado
Gerando no final, apenas meu lamento,

E quando mergulhara além no firmamento,
O canto sem remédio, sem luta, demonstrado
Restando ao caminheiro a sorte de um legado
Ousando muito aquém do mero pensamento.

Viceja dentro da alma o brilho que procuro
E sei do grande amor, deveras mais seguro
E nele cada engano traduz uma partilha,

Vestindo o quanto pude e nada mais convença
O sonho por si só traçando a recompensa
Enquanto o ser feliz, a vida em paz polvilha.


Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos,
te pareces al mundo en tu actitud de entrega.
Mi cuerpo de labriego salvaje te socava
y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.
Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros
y en mí la noche entraba su invasión poderosa.
Para sobrevivirme te forjé como un arma,
como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda.
Pero cae la hora de la venganza, y te amo.
Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme.
Ah los vasos del pecho! Ah los ojos de ausencia!
Ah las rosas del pubis! Ah tu voz lenta y triste!
Cuerpo de mujer mía, persistirá en tu gracia.
Mi sed, mi ansia sin limite, mi camino indeciso!
Oscuros cauces donde la sed eterna sigue,
y la fatiga sigue, y el dolor infinito.


PABLO NERUDA


Tocando no teu corpo, em rara espera
Vencendo os meus temores do passado,
O quanto pude crer no imenso prado
Reinando sobre nós a primavera,

A sorte mesmo quando destempera
O dia noutro tanto anunciado,
Resgate de um momento onde me invado
E bebo com ternura o quanto espera,

Ao crer nesta emoção e ver além,
Do quanto com certeza nos convém
Eu sigo cada passo rumo ao tanto,

E vendo em teu olhar a claridade
Enquanto esta emoção deveras brade
Um dia mais tranquilo e em paz garanto.


O mundo se renova a cada instante
E o quanto mais velhusco ou mesmo atroz
Não traça por si só algum algoz
Nem mesmo o mais moderno isto garante,

O todo não traduz o deslumbrante
Em consonância ouvindo a mesma voz
E nada do que possa ser feroz
Expressa o quanto pude doravante,

As ânsias são diversas e presumo
Meu passo no que tento em novo rumo
Mantendo no timão a liberdade,

No caos gerado após o não se ver
A vida desvalida em desprazer
Aos poucos sem sentido algum já brade.


O mundo se renova a cada instante
E o quanto mais velhusco ou mesmo atroz
Não traça por si só algum algoz
Nem mesmo o mais moderno isto garante,

O todo não traduz o deslumbrante
Em consonância ouvindo a mesma voz
E nada do que possa ser feroz
Expressa o quanto pude doravante,

As ânsias são diversas e presumo
Meu passo no que tento em novo rumo
Mantendo no timão a liberdade,

No caos gerado após o não se ver
A vida desvalida em desprazer
Aos poucos sem sentido algum já brade.



O mundo se renova a cada instante
E o quanto mais velhusco ou mesmo atroz
Não traça por si só algum algoz
Nem mesmo o mais moderno isto garante,

O todo não traduz o deslumbrante
Em consonância ouvindo a mesma voz
E nada do que possa ser feroz
Expressa o quanto pude doravante,

As ânsias são diversas e presumo
Meu passo no que tento em novo rumo
Mantendo no timão a liberdade,

No caos gerado após o não se ver
A vida desvalida em desprazer
Aos poucos sem sentido algum já brade.


Enquanto comportasse além do sonho
Um tempo mais feliz imerso em luz
Ao tanto quanto busco e reproduz
Meu mundo noutro passo hoje componho

E vejo a claridade onde proponho
Meu canto se mostrando enquanto o pus
Vencendo esta agonia, leda cruz
Vestindo o que pudesse e assim reponho.

A luta não cessando um só instante
O canto na verdade me adiante
Apenas o que possa e mesmo queira

A lua que ora invade cada quarto
Desenha este cenário que comparto
Traçando a minha sorte derradeira.


Não tento prosseguir nem mais pudera
Apenas conseguindo um novo sonho
Desdita traduzindo o ser medonho
Gerando o que deveras trama a fera

O prazo determina o quanto espera
E bebo deste céu claro e risonho,
Meu canto se mostrara aonde ponho
O tempo sem sentido e destempera.

Alucinadamente nada trago
Senão este cenário frágil, vago
Mergulhos dentro da alma, nada além

Do errático caminho em desventura
E quando a solução não mais perdura
Apenas o vazio me contém.

Pudesse acreditar noutro caminho
Vencendo os dissabores entre as quedas
E quanto noutro passo ainda enredas
Meu mundo se anuncia mais mesquinho,

Apenas o que pude num mansinho
Cenário aonde embora o sol já vedas
Os erros entre as sendas que enveredas
Esquecem tão somente cada espinho.

Espalho com ternura o que se faz
E sei deste momento mais audaz,
Nas ânsias de quem sabe o quanto quer,

E sinto este bafejo da esperança
Enquanto a liberdade em Cristo alcança
No amor que agora sei não ser qualquer.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Explode coração em tanto brilho
Traçando com candura o que queria
E bebo em tua boca a poesia
Na qual meu sentimento sempre trilho,

Após este destino de andarilho
Tramando enquanto o nada se faria,
Morrendo pouco a pouco, em novo dia,
Eternidade agora em paz palmilho,

Presumo além do todo o quanto quero
E sei deste sentir claro e sincero
Prazeres tão diversos me entranhando,

Aonde a luta molda simplesmente
O quanto se anuncia e não mais mente,
Meu tempo se desenha bem mais brando.

--------------------x-----------------

Ditosa madrugada; aonde eu pude
Vencer os dissabores, pesadelos,
Momentos que talvez ao revivê-los
A vida tome em paz nova atitude,

Mortalha sendo atroz, audaz e rude,
Segura firmemente estes novelos,
E quando se perdendo sem tais zelos,
O marco desenhado nos transmude.

Gerando apenas sonho e nada mais,
Ousando desfilar além do cais
No cântico suave em tom maior,

Meu mundo junto ao teu, em concordância
A vida se traduz e desde a infância
Estrada para o sonho eu sei de cor.

------------------x--------------------

As tramas desta sorte embaraçadas
E nada mais teria senão isto,
A flor em todo espinho; agora assisto
Espero o renascer em alvoradas

Diversas ilusões, quaisquer estradas,
O tempo sem temor; mas não resisto
E quando noutro ponto ainda insisto
As sortes vão deveras mais vedadas.

Alheio ao desvendar de qualquer mote,
Somente o descaminho já se note
Marcando com temor o dia a dia,

Negar a sensação de ter no olhar
Talvez o que inda possa desfrutar
Sabendo que ao final, nada viria.


---------------------x-----------------------


Esta manhã jamais existiria,
O tempo sem o sol em nuvens tantas
E quanto mais procuras, desencantas
A vida se transforma em agonia,

A luta se apresenta e não viria
Sequer as noites claras, pois espantas
Com teus delírios torpes já quebrantas
Marcando o que pudera e não veria.

Ausento do futuro, morro agora,
Apenas este sonho revigora?
Meu canto sem sentido e sem porquês,

Havia muito além deste desejo,
E quando no final mais nada vejo,
O canto sem apoio se desfez.

----------------------x-----------------------


Não quero outra vida após a vida
Já basta de sofrer cada segundo,
E quando no vazio eu me aprofundo
A estrada imaginada ora perdida,

Medonha tempestade, esta ferida,
O velho coração de um vagabundo,
E quando do vazio enfim me inundo
A própria persistência não debrida,

Anseio pelo menos um momento
E quando vejo a sorte e me atormento
Bebendo deste infausto costumeiro,

Adentro na mortalha que me deste,
E o solo sem futuro, árido, agreste
Matando o que pensara jardineiro.

------------------x-----------------------


Coração disparando no meu peito
Apenas dita o medo e nada mais,
Ainda que se vissem temporais
O todo noutro engodo não aceito,

E o rumo se desenha em novo pleito
Anseio pelos dias magistrais,
Porém em versos tolos e banais
Atocaiada sorte em vão espreito,

Escalo os meus tormentos e percebo
O sonho como fosse algum placebo
E a vida se desdenha um pouco além,

Num cântico sem rumo e sem valia,
A sorte noutro tanto morreria,
E sei que após o sonho, nada vem.


---------------------x---------------------------



Preparo o coração para este engano
E sei das vergastadas mais doridas
Assim ao desenhar diversas vidas
Feridas entre tantas, desumano.

E quando no final eu já me dano,
Encontro as mesmas ledas avenidas
E sinto as vagas noites repartidas,
No tanto quanto eu quis, diverso plano.

Mergulho nos teus braços, teu regaço
E quando se percebe nada traço
Somente o desenredo vivo na alma,

Uma ilusão tomando assim a cena,
A noite sem alento nos condena
E apenas ilusão ainda acalma.

--------------------------x-----------------------


Ousando e caminhando muito além
Do quanto poderia imaginar,
Tentando contra a fúria navegar,
Sabendo o que esperança inda contém,

O rumo se traduz pelo desdém
E aonde imaginasse um raro mar,
Apenas o naufrágio a nos tomar,
E o preço que se paga, eu sei tão bem,

Não pude ser feliz, nem mesmo em sonho,
E o quanto se anuncia tão medonho
Presume o fim de tudo, logo após,

O cântico senil e sem juízo,
Ainda quando posso tento e biso,
Mas sei quanto cerceia – o tempo – a voz.

--------------------------x---------------------


Amor que nasce logo após o medo
Trazendo a lua plena e sertaneja
Aonde cada brilho se deseja
E o tempo já sem tempo ora concedo,

Vivendo o que pudera após degredo
Minha alma sem sentido algum não veja
A dor que na verdade ora poreja
Marcando com terror cada segredo,

Vasculho dentro em mim e nada tendo
Apenas o cenário mais horrendo
Girando em carrossel, repete engano,

Estrelas que julgara fossem minhas,
Palavras tão diversas e daninhas,
Enquanto a cada queda mais me dano.

-----------------------x--------------------


Resumos de outras eras, tão somente
O preço a se pagar não mais permite
O quanto cada fato sem limite
Sonega da esperança esta semente,

A senda mais diversa num repente
Enquanto com terror ora palpite
E trace na esperança o que acredite
Marcando o dia a dia, penitente.

Mergulho neste ocaso e nada levo
Senão este momento mais longevo
Vencido pelo caos e nada além

Depois de certo tempo em medo e dor,
Aonde se pudesse um refletor
Apenas vislumbrando o que não vem...

------------------------x------------------


Já não suporto mais sequer o peso
Da consciência amarga e assim ferida,
No quanto sem saber tanto duvida
Quem busca ser deveras quase ileso,

O canto na garganta segue preso,
A luta noutra face presumida,
A morte a cada instante vejo erguida
E o coração prossegue amargo e teso.

Negando qualquer sorte que inda venha,
Sem ter o que pudesse e me convenha,
Amargas noites ditam meu futuro,

Mortalhas entre enganos, sendo assim,
A vida se anuncia e traz o fim,
E nele tão somente eu me torturo.

--------------------------x---------------------


Se já perdemos tudo o que quisemos
E nada mais restara senão isto,
Ao mesmo tempo luto e enfim desisto,
O mundo noutro caos; nós esquecemos,

E a luta se aproxima e traz os demos
E neles outros tantos; não resisto,
Aprendo a caminhar, e quando insisto
A vida não traria ao mar meus remos,

Numa expressão dolosa e sem valia,
A sorte desnudando a fantasia
A morte se aproxima e não reclame,

Deveras o que pude ver além
Somente esta expressão vaga contém
Das dores e temores, vil enxame.
A vida se desenha em tal mormaço
E traça o que pudera em tom disperso
E quando para além do sonho eu verso
Apenas o desenho amargo eu traço,

E quando eu poderia; este cansaço
Tomando com temor meu universo
Gerando o que eu temera; mais perverso
Deixando este caminho em luz escasso,

Vagando sem sentido, sigo só,
A luta se desenha e vou sem dó
Do quanto tanto quis e não tivera,

A lua se desenha e noutro céu
As nuvens recobrindo turvo véu,
A solidão expressa esta quimera.


--------------------x----------------


O tanto que pudesse e não veria
A luta se espalhando contra o vento
Ainda quando o sonho eu alimento
A morte se aproxima em agonia,

Assegurando o passo onde queria
O mundo se tramando em desalento
E quando na verdade um passo eu tento
Apenas resta a sombra, alegoria.

Aprendo com meus erros, nada mais,
E vejo os mais diversos temporais
Expresso com meu verso o que inda resta

Aonde imaginara claridade
A vida se transforma e já degrade
Cessando num momento qualquer festa.


-------------------------x------------------


Pudesse me sentir bem mais seguro,
Mas nada do que tento tem sucesso,
E quando para o nada enfim regresso,
O tempo se tornando mais escuro,

O solo onde plantara agora duro
O tanto se traduz e se tropeço
O quanto poderia e te confesso,
Apenas no vazio me asseguro,

Incauto navegante sem timão,
Ausente da esperança, coração
Não traz sequer sorriso ou mesmo brilho,

Sem norte cais ou porto, sigo alheio
E quando a solidão teimo e rodeio,
Somente esta agonia ora palmilho.


-------------------------x---------------------


Legados que inda trago do passado
Montanhas escaladas? Nada disto,
Aos poucos noutro engodo já desisto
E bebo deste sol anunciado,

Vencendo o que pudera desagrado
Ainda quanto quero e sempre insisto
Vestindo esta ilusão, não mais persisto
E vejo o dia a dia degradado,

Legados entre enganos, tão somente
Se tanto na verdade me alimente
O sonho que cultivo sem razão,

As horas noutra frágil direção,
A luta se transforma e plenamente
Apenas outros erros se verão.


-----------------------------x-------------------


Temporal anuncia o fim da tarde
E as nuvens dominando este horizonte
O quanto na verdade desaponte
Transforma o que deveras nos aguarde,

A luta sem sentido não retarde
O passo ultrapassando qualquer ponte,
A morte se desenha e quando aponte,
Mais nada com certeza nos resguarde,

Assisto ao fim de tudo em camarote,
E quanto mais procuro mais se note
O fim desta esperança em ousadia,

Aonde cada instante foi diverso
Ainda sem sentido noutro verso
O mundo nada mais, pois me traria.


----------------x--------------------


Olhando tuas coxas, tuas pernas
A noite desenhando mais sutil,
Vontade se traduz onde se viu
E gera com delírio quando internas

As noites mais vibrantes, mesmo eternas
E bebo com certeza este gentil
Momento sem pudor e assim previu
Palavras sem temores, lindas, ternas.

Assíduo sonhador, mero poeta
A vida num instante se repleta
Ousando com ternura onde não trago

Sequer uma alegria em meu olhar,
Pudesse deste todo descansar
Vivendo pelo menos um afago.


------------------------x---------------------

O trago num cigarro, a noite espessa
A vida sem temor e o que inda vejo
Depois do que deveras mais desejo
O tanto faz girar cada cabeça,

A luta sem ter nada que obedeça
O medo noutro cais, um velho ensejo,
O prazo se esgotando e assim prevejo
Somente o que decerto engano teça

A senda consagrada em luz e brilho,
Negando o quanto venha no futuro,
O passo muito além num tempo escuro,

Caminho sem sentido que agora trilho,
Matilhas entre tantas, invernadas,
Palavras que deveras louca, bradas.

---------------------x---------------------


Arpoas com firmeza cada engano
E trago noutro prazo o que pudesse
Trazendo no final a luta e a prece
E nisto em todo passo mais me dano,

Vencido pelo medo soberano
Ao menos noutro rumo se obedece
A sorte pouco a pouco o tempo esquece
E vejo o quanto eu pude, desumano.

Vestir esta ilusão conforme um dia
Ainda noutra face moldaria
Marcantes e profanos dias sigo,

E tento caminhar contra a maré
E sei do que talvez veja sem fé
Tramando o que pudera estar contigo.


-----------------------x--------------------


Açoda-me o saber em leda farsa
Meu mundo não teria nova chance
E quando no final além avance
A vida se tornara mais esparsa,

Dos sonhos, meretriz, mera comparsa,
Apresentando o quanto em vão se lance
O mundo não traria outro nuance
E o canto sem proveio já se esgarça.

Acirro os velhos ermos dentro da alma
Somente esta mortalha agora acalma
Quem tanto procurara e nada vira,

Aonde me entregara sem ter pressa,
Vazia a própria senda se confessa
Tramando sem sentido esta mentira.


-----------------------------x--------------------


Não pude acreditar num só acorde
Dos tantos que tentara inutilmente
E quando na verdade se apresente
Somente o que teimara e não recorde,

Ainda que se visse, a vida morde
E traz o que deveras é descrente
Gestando com temor o que pressente
E sei quando demais nem mais acorde;

Nefasta face espúria de quem sonha,
Arcando com a sorte mais bisonha
E neste delirar o quanto resta

Expressa este momento em turbulência
Tomando com vigor a consciência
Na vida sem proveito e mais funesta.


-----------------------x---------------------

Ainda quando Amor reinasse em paz
Moldando este caminho, um manso prado
O tempo noutro tanto desenhado
O canto se mostrasse mais audaz,

E quando na verdade o mudo traz
Somente o campo enquanto além evado
O corte tanta vez anunciado
No olhar mesmo dorido e mais mordaz,

Pudesse desenhar com mais afeto,
Mas sei do quanto possa e não completo
Sequer o que tentara inutilmente

Meu tempo de viver tanto iludindo,
O quanto imaginara ser infindo,
Decerto a cada instante toma e mente.


-----------------------x----------------------



Meu carma é prosseguir na imensa luta
E nada se apresente após o fim,
Ausenta-se esperança dentro em mim,
Enquanto cada passo se reluta,

A vida se transforma e mesmo astuta
No tempo sem sentido diz enfim,
O quanto poderia ser assim,
Apenas o temor aquém se escuta.

Regendo cada passo rumo ao nada,
Além da turva noite anunciada
Já não verei sequer o imenso sol.

Domínios tão diversos, abandono
E quando na verdade eu desabono,
Somente a solidão dita arrebol.

----------------------x------------------


Negar a própria luz e ser aquém
Do errático cometa sem juízo
A vida acumulando em prejuízo
Apenas o que tanto ou nunca vem,

Alheio ao caminhar sei do desdém,
E tento imaginar algum sorriso,
Mas quando neste gris eu me matizo
Não tenho no meu sonho mais ninguém.

Ausentam-se palavras, vou sozinho
E sei do quanto possa mais mesquinho
Aprendendo talvez em nova queda,

Meu passo sem ter norte, segue alheio
Ao todo que deveras, não rodeio,
E em trevas a minha alma se envereda.


----------------x------------------------------


O manto consagrado em luz suprema
Transmite tão somente o que desejo
E sei do quanto possa a cada ensejo
E nada do que em vida a vida tema

A luta na verdade dita a gema
E traz o quanto possa e não prevejo,
Anseio com ternura e até dardejo
Ousando no romper de cada algema,

Vencer os meus grilhões, velhas correntes
E quando novo mundo me apresentes
Abrir meu coração e mergulhar,

Sabendo ser diverso e mavioso
O mundo num desenho majestoso,
Traçando para todos, mesmo mar.



------------------------x---------------------

Meu canto se traduz em liberdade
E nela cultivando outro momento
Aonde com certeza busco e tento
Atento caminhar que não degrade,

Ausenta-se do olhar a dura grade,
E nada mais deveras eu lamento,
Vivendo com liberto pensamento
Apenas bebo além a claridade,

O rumo se aproxima e toma a sorte
E nisto com beleza nos conforte
Suprema fantasia em tom audaz,

No quanto fui feliz e não sabia
Viceja dentro da alma a poesia
E o canto se desenha em pura paz.


------------------------x-------------------


Presumo após a queda o que viria
E sei do meu momento em dor e medo,
Ainda quando inútil me concedo
Erguendo o meu olhar em fantasia,

A própria dor deveras me assedia
E bebe cada gole, desde cedo
Mudando para sempre o velho enredo,
O tédio na verdade é o que me guia,

Arcando com enganos, é comum
Depois de certo tempo sou nenhum
E o termo se anuncia em decadência,

Ainda que pudesse ser feliz,
O mundo noutra rota contradiz
E disto tenho enfim plena ciência.


------------------x---------------
Trazendo nos meus olhos o cajado
Enfrento estas escarpas, minha vida
E tento no horizonte o que se acida
E molda outro caminho em mesmo enfado,

Inutilmente tento e já me evado
Do porto aonde outrora a presumida
Palavra não me traz, sendo perdida
A luta sem sentido, amargo Fado,

Amar e ter o senso do infinito
É tudo o que decerto eu necessito,
Embora saiba bem deste vazio,

O canto sem proveito, o verso vago,
E quando noutro rumo ora divago,
Apenas nada falo, silencio.


------------------x-----------------

Somente o que restara e ali ficava
Marcando com dorida intensidade
O quanto se desdenha e na verdade
A vida se presume em mera trava,

O tempo desdenhoso, intensa lava
Que quanto mais venal decerto invade
E gera esta temida tempestade,
E dela uma alma aquém seguindo escrava,

Espero em longa espreita o que viria
E sei que ao fim de tudo esta utopia
Não deixa mais um rastro e sigo em frente,

Ainda quando amar se fez constante
Meu passo no não ser só me garante
A luta que mordaz, já não enfrente.

------------------x-------------------


Meu coração corsário, qual cigano
Vagando sem ter rumo nem destino
E quando noutro passo me alucino
Aos poucos sem defesas eu me dano,

O tempo noutro tempo é desengano
E o medo se anuncia em desatino,
Apenas o que pude; pequenino,
Vencido pelo medo em cada plano,

Austeridade eu busco e nada vejo
Somente o desandar deste desejo
Apresentando enfim outro momento,

A rústica beleza se transforma
E a fera se desenha de tal forma
Moldando cada passo e me atormento.


------------------------x------------------


Nas praias tão desérticas do sonho,
As ondas entre tantas penedias,
Amores pelos quais tu já virias,
Mas nada mais do quanto em luz componho.

Cenário se transforma em enfadonho
E trama sem sentido fantasias
Marcando cada espaço em árduos dias,
Meu barco noutro mar então eu ponho.

A luz não mais se vendo aonde outrora
Apenas o temor ainda ancora
Navego contra a fúria das marés

E sei que posso mesmo até sonhar,
Mas quão distante estou do raro mar,
E sinto o meu caminho de viés.


------------------------x--------------------

Ao alongar meu passo nesta areia
Ousando muito mais do que pudesse
A via não trouxera sequer messe,
E apenas a saudade me rodeia,

A luta sem destino que incendeia
Ainda nada além do medo tece,
E o quanto poderia e não viesse,
Moldando a lua aquém atroz e alheia,

Vacante sensação de amor em nós
O tanto que pudesse perde a voz
E o vento espalha o verso em medo e caos,

Os sonhos são deveras pesadelos,
E quando posso enfim, após revê-los
Presumo quão inúteis nossas naus.


------------------------x----------------------


Ao menos poderia em piedade
Trazer algum alento ao navegante
Que tanto mar enfrente, e neste instante
Apenas traz o sonho que o degrade,

Ausente do viver a liberdade,
O manto se mostrara doravante,
Gerado pelo caos e flutuante
Meu tempo noutro tanto já se evade.

Vestindo a mera sombra do que eu fora,
Uma alma tantas vezes sonhadora
Já não se mostra mais sequer enquanto

O tempo se desenha sem proveito,
Destarte cada engodo enfim aceito
E bebo o que pudera e não garanto.


------------------------x----------------


Das Musas e das Divas nada mais
Que meras excrescências; vejo agora
E quando a solidão invade e aflora
Marcando com temores desiguais,

As horas entre tantas noutro cais,
A sorte sem juízo nos devora
E o parto na incerteza se demora
Ousando contra os tantos vendavais,

Floresce dentro da alma a juventude
E sei do quanto possa e mesmo ilude
Quem sonha com palavras mais gentis,

Não tendo este momento em claro amor,
Buscando aonde arar o agricultor
Enquanto nada encontra se desdiz.

----------------x----------------
O amor que a cada instante nos transforma
E nova sensação trama e descreve
Trazendo enquanto a noite dita em neve
Calor que tanto toca e molda a forma,

E quando se transborda; já se atreve
Não segue na verdade lei e norma,
Do quanto existiria nos informa
E o tempo abençoado o sonho ceve.

Cerzindo em rara teia a maravilha
Aonde com certeza tanto brilha
Na constelar imagem, torvelinho

Regendo a cada passo, esta tiara
A lua desenhando a noite clara,
Enquanto nos teus braços eu me aninho.



-------------x--------------------


Diversas dimensões do mesmo dia
Fortuna dita em raios mais diversos
O quanto poderia ter nos versos
A senda que decerto ora me guia,

E quando se inundando em poesia,
Traçando meus momentos onde imersos
Os olhos se apresentam; universos
E neles outros tantos; paz veria.

Nesta infinita imagem luz e tramas
Enquanto com ternura tu reclamas
A viva sensação da eternidade,

Num átimo mergulho nos teus braços
E sinto mais distantes dias lassos
Enquanto esta beleza em luz me invade.


------------------x----------------------


Brandura dita o quanto da verdade
Expressa a maravilha de sentir
O amor ao dominar cada porvir
Deveras noutra face nos agrade,

Fortuna ultrapassando a realidade,
Expressa esta emoção, e sei que ao vir
Jamais se poderia redimir
O engodo que viria e se degrade,

O tempo sem amor já não conta,
Aquém do desenhado desaponta
E trama tão somente a queda e o fim,

Enquanto imaginara novo trilho,
Ainda mais distante não palmilho,
Nem mesmo o coração dita ao que vim.


-----------------x----------------


Um sofrimento mágico e sutil,
Gerado pela ausência de quem quero,
Momento tão diverso amargo e fero
Aonde o mero nada olhar reviu,

Expressa esta saudade e sei que é vil,
O tempo além do tempo e desespero,
No quanto poderia e destempero,
O velho coração atroz, senil.

Porém quando tu voltas noutro instante
Meu sonho em cada luz ora garante
Etérea fantasia em tal segredo,

E qual fosse delírio ou mesmo até
Imensidade feita em brilho e fé
Aos teus carinhos quero e me concedo.


----------------x----------------------


Enlouquecendo além o pensamento
Diversidade feita em luz e sonho,
E quando nos teus braços me componho
Tocando com vigor o sentimento,

Ainda quando muito me alimento
Do passo tantas vezes mais risonho,
Sabendo deste encanto eu te proponho
Bem mais do que pudera num alento,

Encontro cada rastro que deixaste,
A vida noutra face em tal contraste
Traduz uma esperança e sei do quanto,

O amor já poderia nos trazer
Além de qualquer canto, e até prazer
Momento aonde em paz eu me agiganto.


-------------------x-------------------


Cuidasse dos meus dias solitários
Tentando adivinhar novo caminho,
Aquele que se fez sempre sozinho
Teria noutros sonhos rumos vários.

E sei dos desalentos, dos corsários
Do mar que imaginara e se me alinho
Ao quanto não se fora tão mesquinho
Engodos são sutis e imaginários?

Explodem dentro da alma cores tantas
E nestes dias claros me garantas
Apenas o momento aonde eu possa,

Vencer com plenitude cada engodo,
Assim o grande amor, além do todo
Traduz o quanto quero em sorte nossa.


--------------------x-----------------------


Amor quisesse além do mero nicho
Aonde se desenha outro cenário,
Vencendo com seu passo solidário
O olhar enamorado e em paz capricho,

Procuro desdenhar o quanto é rara
Presença deste encanto insuperável
Tornando este caminho inigualável
E assim a sorte imensa se escancara,

Vacante coração tempos atrás
Agora se desenha de tal sorte
Que tendo com ternura quem conforte
Encontra tão somente o que se traz

No sonho desejado por quem ama,
Mantendo da esperança a breve chama.


---------------------x------------------------


Ausência dominando o meu caminho
Aonde tantas vezes se previra
A lida desenhada em verso e lira,
Enquanto do infinito eu me avizinho.

Pudesse ter em paz além do vinho
Brindando com a sorte o que se atira
Nos olhos de quem tanto já prefira
Um canto mais audaz, feito em carinho,

Ribeiras e riachos, noites vãs
E sinto que terei noutras manhãs
Respostas que procuro há tantos anos,

Viceja dentro da alma esta esperança
E quando no final ao nada lança
Esgueiro entre os vazios, trago os danos.


-------------------------x-------------------

O quanto desta vida se quisera
Após adormecida esta esperança
A sina mais diversa não se alcança
Deidade se transforma agora em fera,

Da sílfide moldada em vã quimera
O marco com ardor, temor avança
E sei do quanto pôde em temperança
Trazer o que deveras não se espera.

Acostumado aos erros; sentimento
Enquanto noutro passo, eu só lamento
A vida não traria a juventude

E amarga realidade dita o quanto
Pousasse muito além e assim garanto,
O canto que decerto desilude.


----------------------x--------------------


A morte de um amor representando
O fim de um ciclo aonde fui feliz
Trazendo o que de fato contradiz
Saudade revivendo vez em quando,

Meu tempo de viver, já se negando
O quanto sem certeza ao menos quis,
Vagando noutro porto, este aprendiz,
Aos poucos terminando o que foi brando.

Sonegas as verdades e os enredos
E neles outros tantos mortos, ledos
Apenas congregando a dor e o tédio,

A cura não existe e o lenitivo
Tornando-nos dos sonhos um cativo,
Matando o que pudera ser remédio.


----------------------x--------------------



Ingratas noites vagas entre farpas
E nelas outras tantas perfiladas,
As horas que julgara abençoadas
Enfrentam tempestades, vis escarpas,

Ouvindo muito além o som das harpas
As sortes noutras rotas desenhadas,
Pudesse imaginar novas estradas,
Açudes vão vazios sem as carpas

E nada mais teria no futuro
Somente o que deveras asseguro
E sinto em tal tormenta me tocando,

Meu mundo se desenha em tom diverso
E quantas vezes rumo ao nada eu verso,
Tentando algum momento bem mais brando.


-------------------------x-------------------][

Impérios não resistem ao potente
Senhor que ronda e toma já de assalto
E nisto cada instante ora ressalto
E vejo aonde além luz apresente,

O quanto poderia um penitente
Vencido pelo encanto em sobressalto,
Vagando pelos morros e no asfalto
Gestando este sutil parturiente,

Amor não mais sossega e rouba a cena
Enquanto me apazigua e me envenena
Ao mesmo tempo doma e nos liberta,

Trazendo muito além do que eu podia,
Expressa com certeza esta iguaria
Que enquanto nos domina, nos deserta.


------------------x-------------------

Minha alma compartilha cada espaço
E dita com seus medos e falácias
Ainda que pudesse em vãs audácias
Trazer o quanto quero e mesmo traço,

Em palacetes, ruínas e taperas
A luta não mais cessa e chego ao fim
Na mesma sensação da qual eu vim,
Exposto ao vendaval em noites feras.

Em solilóquio busco uma resposta
E nada se trazendo além do inverno
E quando dentro da alma amor interno,
A face se desenha aquém e exposta,

O manto já puído da ilusão,
Transforma qualquer sim em mero não.


---------------x--------------


Partindo do princípio que este sonho
Jamais se convertera em realidade,
A cada novo instante mais degrade
E nisto outro momento o decomponho,

Ainda quando pude em enfadonho
Cenário desnudar outra verdade,
A senda mais tranquila desagrade
Quem tanto quer um dia mais risonho,

Negando qualquer rumo, o desamor
Transcende ao que pudesse num louvor
Marcando a ferro e fogo em carne viva

Do brilho feito em luz, a vida priva
E sendo esta palavra libertária
Por vezes traz a treva, ou luminária.

---------------------------x-------------------
O tempo; este corcel incontrolável
Seguindo as velhas regras, galopando
A cada novo instante renovando
Num ciclo que sei ser interminável,

No quanto poderia ter tocável
O todo que se molda desde quando
A sorte noutra sorte se tomando,
Apenas um cenário inigualável.

Reprises? Quem me dera, nunca mais,
As horas tão diversas, desiguais
Até que o jogo chegue ao seu final,

Após o nascimento e o batistério,
A vida em tal mistério ao cemitério
Galopa rumo ao tosco funeral.


As tantas noites soltas pela vida
O verso que tentara e não viera,
A senda mais diversa leda e fera,
A porta já trancada e consumida,

No quanto a própria história vai perdida,
A luta como fosse esta quimera
Depois de tanto tempo degenera
E trama a mesma lida, ora perdida.

Acasos entre ocasos, caos e casos
Até a pá de cal sobre o que resta,
Na cena mais diversa ou indigesta

Na morte do sentido destes vasos,
Exangue se prepara ao renascer
Em formas que tão vis, jamais vou ver.

O verso se aproxima em ato e sonho
Do quanto concebera em velhos dias,
Ousando com temor, mil fantasias
Aonde o descaminho; inda componho,

Percebo a cada instante o quão medonho
Meu mundo; e nele em dores vãs regias
Marcando com terror em agonias
A sorte que deveras decomponho,

Das cinzas de onde vim para onde vou
O nada após o nada me restou,
E o fato se transforma em corriqueiro,

Aquele que sonhava com jardim,
Renova-se afinal e sei que ao fim,
Também eu farei parte do canteiro.

Recrudescendo a guerra a cada instante
Açoda-me a incerteza e nada veio,
Ainda quando pude mais alheio,
Somente o desconforto se garante,

No quanto meu caminho é delirante
E sigo sem sentido algum, receio
Os tempos entre ocasos. Busco um meio
E nada se apresenta doravante.

Escusas não resolvem, muito menos
Momentos que pudera mais amenos
Vivendo esta incerteza até o fim,

Acrescentando ao verso uma emoção
E nela outras palavras moldarão,
Ditame pelo qual ao nada eu vim.



-------------------------------------------------


Já não comportaria mais sequer
Um tempo aonde eu possa caminhar
Vencendo os meus anseios, céu e mar
Na maravilha em deusa, esta mulher

A vida aonde a pude desejar
Não deixa que se veja mais qualquer
Vontade do que possa e se vier
Traria esta certeza a nos rondar,

Vagando pelas noites, ermas, frias
Aonde no final nada querias
Encontro apenas nada após o nada

O tempo se esvaindo sem sentido,
Aos poucos o meu dia além olvido
E sigo sem saber em nova estrada.

-------------------------------------------------

Levando dentro da alma esta vontade
Que tanto nos açoda e nos condena
A vida se apresenta mais serena
A quem todo este sonho agora invade,

E sei da mais dorida tempestade
A sorte não seria o que envenena,
Nem mesmo quando esta alma é tão pequena
Ousando muito além da liberdade,

No fim já não teria qualquer brilho
Quem segue outro caminho e já me pilho
Na ausência de esperança, fim de tarde,

Sem nada que pudesse ainda ver,
Apenas o caminho a se perder
Sem ter o quanto possa e nem resguarde.

---------------------------------------------------

Nós somos sonhadores, tão somente,
A vida nos tornou loucos varridos
E os olhos entre tantos vão perdidos
Tentando neste solo uma semente,

E quando a própria vida ora nos mente
Trazendo na verdade os presumidos
Caminhos entre tantos resumidos,
E assim o sonho doma corpo e mente

A poesia aos pouco agoniza,
Qual pluma se perdendo em frágil brisa
Palavra não ecoa, morre só,

Mas mesmo assim lutamos contra a fúria
Da grana e do poder, da tosca incúria,
Sonhando com estrelas, piso em pó.

-----------------------------------------------------------
Já não comporta em mim alguma sorte
Desdita se tornando mais freqüente
E quanto mais a vida aquém se sente
Do todo que decerto nos comporte,

A luta se desenha e traz em norte
A rara plenitude que não mente
E marca este caminho mais dolente,
Gestando um natimorto e turvo norte.

Carcaça de ilusões, mera fornalha
E quantas vezes; sigo e se batalha
Tentando vislumbrar algo e não vejo

Sequer a menor sombra do que fora
A sorte tantas vezes tentadora,
Perdida num momento em vão lampejo.

----------------------------------------------------------

Não pude e não quisera a menor chance,
O tanto se perdendo em quase nada,
A voz se transformando e desgrenhada
A sorte nada mais, decerto alcance.

O sonho noutro passo já se lance
E mostre a estrela rara e desenhada,
A minha vida então iluminada,
Pudesse se pensar nalgum relance,

Vestindo a mesma farda, medo e dor,
E nada mais aguarda um sonhador
Senão a mesma infâmia o mesmo vago,

Ainda se existisse Deus indago
E visto a fantasia em ar atroz,
Tentando adivinhar o que há de nós.



Levando dentro da alma a mesma face
Ainda que diversa, ouso além
E bebo do vazio que contém
O quanto na verdade se moldasse,

E quantas vezes; sinto o que se trace
Gerado pelo caos, ledo desdém,
Procuro inutilmente por alguém
E nada mais conduz ao que esperasse,

Vagando sem destino qual cometa
Ainda que ao jamais; vida arremeta
Meus sonhos são diversas cordilheiras,

Abutres, rapineiras aves trago
No olhar onde o não ser fazendo afago
Traz na mortalha atroz suas bandeiras.


Não trago qualquer marca do passado,
Sequer tal cicatriz que, tatuada
Expressa a imensidão da vaga estrada
E nela outro caminho desenhado,

Apenas ao sentir em ledo enfado
Fortuna tanta vez abrutalhada
Cerzindo do não ser o mesmo nada,
Enquanto pouco a pouco, aquém me evado.

Espero pelo menos num momento,
Viver o quanto possa e se me alento
Eu me alimento então desta esperança

Diversa magnitude dita o tanto
Aonde sem firmeza não garanto
Sequer o que este passo não avança.




Morrer e ter apenas a certeza
De um nada que deveras tomará
O quanto inda talvez e desde já
Seguisse seu destino e natureza,

A luta se desenha e sendo presa
Do todo que decerto tornará
O mundo sem sentido e aqui ou lá
Apenas o vazio por surpresa,

Negar qualquer anseio, ser aquém
Do quanto imaginara e nada vem
Somente a mesma face em dor e tédio,

Mortalhas? Lutos? Erros contumazes,
Apenas o sorriso que hoje trazes
Enquanto as larvas fazem seu assédio.





Bisonhamente crera num momento
Nos ermos mais longínquos da emoção,
E quantas vezes sinto imprecisão
Enquanto qualquer erro eu alimento,

Vencendo a cada engodo o desalento,
Navego e sei dos termos que trarão
Sementes desta rude ingratidão,
Ao espalhar o canto noutro vento.

Assento esta poeira e tento mais,
Os dias se perdendo, desiguais
Erráticos momentos, caos e queda,

E quando me aproximo do meu fim,
Apenas desenhando o que há em mim,
A vida sem sentido se envereda.






Legados que inda trago do passado,
Acrescentando ao tempo algum segundo,
O quanto poderia e já me inundo
Do rumo noutro tanto desenhado,

Ocasos entre medos, meu legado,
O tanto quanto quis bem mais profundo
E neste caminhar um vagabundo,
Expressa este cenário desolado.

Esqueço do que um dia fosse assim,
O tempo se aproxima do seu fim,
Marcando a ferro e fogo a fantasia,

Já nada mais resiste à fera sorte
Nem mesmo qualquer trama me conforte,
Talvez o que inda reste eu não veria.




Num tempo aonde eu possa prosseguir
Ousando contra erráticos momentos
E sei dos meus caminhos, desalentos
Já não vislumbro nada no porvir,

A luta se repete e me repele
Enquanto o que tentara não vestira,
As ledas ilusões, cada mentira
O lobo de carneiro veste a pele,

E o salto se prepara na tocaia,
Ainda quando quis alguma luz,
Cenário sem sentido reproduz
E quanto mais procuro a vida traia,

E vence os dissabores, desafetos
Matando os meus caminhos mais diletos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Mis versos dicen mucho de esperanza
E así pienso en la vida como ha sido
Después de cada engaño en cuanto avanza
Momento en cuanto en paz ya no me olvido

La noche nos dichando lo que alcanza
Y trama con dulzura ese sentido
Cupido se presume y en bella lanza
Tornando cada día allá, vivido.

No pude transformar esa emoción
E traigo dentro en mí la dirección
Haciendo de eso canto, libertad,

Empiezo nuevo verso en plenitud
Y sé lo cuanto posa aún se ayude
Vivir toda alegría en cualidad


mi sueño en noche trae la plena luna
y vivo ese momento en libertad
seguiendo con blandura y claridad
mi alma aun desea allá la escuna

asi mi suerte trae el raro brillo
y cuando canto y escucho tu canción
tocando con belleza; corazón
para tu brazo yo voy, claro y sencillo

después de tanto tiempo, soledad
ahora cuanto quiero en libertad
lo todo que deseo en uno instante

la suerte más diversa díce rumo
y cuando clara noche yo presumo
mi canto lo deseo radiante


Teu coração imenso e em raros dons
Presume a eternidade feita em versos,
E sei do quanto possam universos
Trazendo em maravilha, belos tons,

E sei quanto é possível plenamente
Ousar numa palavra mais sutil
E nisto todo o encanto onde se viu
Domina que se entrega corpo e mente,

Assim querido amigo ao perceber
O quanto se traduz felicidade
E o verso com brilhante liberdade
Presume a divindade de viver,

Que Deus a ti deveras já consagre,
No amor que solidário diz milagre.


Distância diz saudade e simplesmente
Tocando o coração de quem se fora
Trazendo a mesma imagem sonhadora,
E sei quanto ela ronda a nossa mente,

Assim cada momento se apresente
Na forma mais sutil e tentadora,
Palavra tão gentil e receptora
Permite cada verso mais contente

Voltando pro recanto aonde um dia
Pudera transbordar em poesia
E nisto me mostrando mais feliz,

E quando me entregando a tal certeza
A vida se desenha e traz surpresa
E nisto tenho mais do que já quis.
Meu verso; aonde o sinto e tanto o desejara
Pousando mansamente além de qualquer cais,
O dia entre gentis momentos quer bem mais
Do que talvez pudesse enfim cada seara

A noite se aproxima e dita a sorte rara
E nela se desenha além dos madrigais
Momentos tão sutis e sei que desiguais
Marcando a cada verso o quanto se prepara,

Num átimo mergulho e bebo esta excelência
Podendo muito além de toda consciência
Sentir o teu perfume, a deusa mais querida,

E nisto caminhar e ter bem mais que possa
Sabendo da emoção, deveras toda nossa
Mudando a direção da sorte e desta vida.
Não vou deixar que o vento me carregue
E traga nada além de versos tortos,
Meu barco não se pondo noutros portos
Enquanto a vida além teima e prossegue,

O tanto que pudera e assim já segue
Em dias na verdade semimortos,
Há muito alimentando natimortos
E o quanto se desenha e não consegue

A vida se aproxima de tal fato
E quando algum sentido enfim resgato,
Percebo o mesmo caos aonde houvera

Somente o que tentei e não sabia
Vivendo o desengano e a fantasia
Matando em duro estio a primavera.

Quisera tão somente alguma sorte
Depois de tantos erros, costumeiros
E quando me percebo sem luzeiros
Não tendo nem o quanto me conforte,

Meu passo que pudera ser mais forte
Os dias entre tantos jardineiros
Ousando nestes campos derradeiros
E nada mais que eu tente inda suporte,

Vagando sem destino, imenso mar,
Pudesse noutro enredo desenhar
A vida sendo assim, suave e mansa,

Mas quando vejo o brilho do nefasto,
Meu mundo se demonstra agora gasto
E o tanto quanto quis, decerto cansa.


Não pude e nem devesse ainda ver
Após o quanto resta dentro em mim
Marcando o meu início, até o fim,
Vivendo o que pude sem saber,

O canto sem saber o que trazer
E deixo o meu cenário e sei que assim
O tempo se aproxima e vejo enfim
A vida sem sentir em vão querer,

Ausento dos meus dias, e prossigo
No quanto tantas vezes vou contigo
Tentando no final algum alento

O passo se desenha sem sentido
E o quanto poderia agora olvido
Enquanto com certeza a luz eu tento.

Espero o que inda resta do passado
E gera o meu momento mais gentil,
Depois do quanto pude e se reviu
Assim a cada instante além evado,

Não posso desenhar a vida em fado,
Semente que deveras não se viu,
Matando o quanto em pouco repartiu
Deixando para trás qualquer legado.

Meu passo sem sentido, um erro a mais,
Olhando para os velhos temporais
Não posso enfim sentir senão a queda

E a morte se anuncia sem segredo
Enquanto alguma paz inda concedo,
Meu mundo no vazio se envereda.


O amor tem seus ditames e percebes
O quanto deste sonho é falso ou brilha,
E quando noutro espaço ou noutra trilha
Desvendas o cenário em novas sebes,

Desta magia intensa se te embebes
A vida se traduz em armadilha
Ao mesmo tempo trai e já polvilha
Belezas tão diversas que recebes.

Sentido tantas vezes emblemático
Do canto de um poeta, o bem temático
Que tanto nos maltrata e nos seduz,

E enquanto nos transporta além do céu,
Envolve e como fosse um carrossel
Entrega e nos sonega a rara luz.



No quanto pude crer e não soubera
Assim ao se sentir o mundo em rotas
Diversas das que traçam e denotas
Ousando muito além desta monera

A sorte se desenha em vã quimera
E nisto noutro senso não esgotas
Sabendo quanto possa em vagas notas
E gesta o que decerto degenera.

Moldasse cada engodo de tal forma
Na qual todo momento em vão deforma
Somente este sinal em luta e tédio,

Ainda que talvez restasse um sonho,
Meu passo na verdade este enfadonho
Caminho se perdendo em vago assédio.


No peso se soltando a sorte vejo
Diversa da que tanto procurei,
E quando imaginara em norma e lei
O mundo desenhado em tal desejo,

Ainda mais distante um realejo
Falando do passado aonde entrei
E neste vago tempo eu mergulhei,
E nada no final inda prevejo.

Esculpo do alabastro cenas várias
E sigo em noites turvas solitárias,
Ousando num instante esperançoso.

O prazo se transforma e de tal arte
O mundo na verdade se reparte
E gera o que quisesse em antegozo.


Meu canto em qualquer canto encantos quer
E quando no quebranto se perdendo
O sonho se transforma num remendo
Buscando inutilmente uma mulher

Que tantas vezes sonho e se vier
O mundo noutra face já prevendo
O quanto poderia em raro adendo
Diversa magnitude e o que puder.

Belezas mais sutis e sensuais
Do tanto desenhado busco mais
E bebo cada gota que me dás,

A lua testemunha cada toque,
Amor quando demais tanto provoque,
Moldando logo após a imensa paz.


Não pude acreditar no que tivera
Apenas outra face e desdenhando
O dia que deveras fosse brando
Marcando o meu final de primavera

A luta a cada instante destempera
E gera outro momento anunciado
No encanto tantas vezes degradado
Seara se aproxima do que espera,

A vida noutra esfera se perdendo
E o tanto que pudera hoje é remendo
De um vago desenhar já sem suporte

Do manto consagrado da esperança
Apenas o vazio ora se alcança.
Deixando para trás o sonho, o norte.


Já não comportaria algum alento
Quem tanto procurara pelo menos
Viver dias tranquilos e serenos
E novo caminhar então invento,

O mundo se desenha em sortimento
E vejo outros cenários mais amenos
E sei dos olhos vagos, antes plenos
E cada poesia diz lamento,

No tanto quanto pude e não pedisse,
O tempo transtornando esta mesmice
O caos após o caso dita o rumo

E sei do que seria muito além
E quando na verdade o mundo vem
Somente no teu passo o meu resumo.


O vilarejo dorme em noite mansa,
Um cão perdido ladra; e a vida segue
Ainda quanto mais tudo sonegue
E vejo outro momento e nada alcança

A sorte se desenha em temperança
E quando no final nada prossegue
Minha alma se perdendo não carregue
Sequer o menor brilho e assim se cansa,

As horas invadindo a madrugada
Após o amanhecer o mesmo nada
E o canto se perdendo muito além.

A luta desenhando o quanto é rude
Viver o que decerto tento e pude
Sabendo que ao final já nada vem.


3

Apenas coligindo um novo engodo
Espero caminhar e já coíbe
A vida que deveras nos inibe
E traça além do caos o velho lodo,

Ainda que pudesse com denodo
O tempo por si só dita e proíbe
O canto se desvenda e desinibe
Quem faz da fantasia além do todo;

Arcando com enganos, tento a paz
E sei do que deveras satisfaz
Poética expressão em tal lamento,

Ainda quando ausente dos meus olhos,
Apenas no canteiro tais abrolhos
Enquanto outra esperança eu alimento.


4


Já não mais poderia acreditar
Nos sonhos tão diversos; poesia
E quando na verdade não veria
Sequer o menor brilho de um luar,

A vida noutra face; a se mostrar
Enquanto o que pudera não mais guia
Quem tanto na verdade fantasia
E gera o que tentara desvendar,

Alçando o paraíso aonde pude
Vencer cada cenário e mesmo rude
A juventude morta atrás da porta,

O passo sem sentido se desenha
E o canto noutro rumo sempre venha
Enquanto a solidão no cais aporta.

5

Marcando cada verso com o tempo
De ter e imaginar um novo passo
Ainda que deveras descompasso
O todo se desenha em contratempo,

Errático momento em luta inútil
Amar e perceber noutro segundo
O quanto no vazio eu me aprofundo
E vejo este caminho atroz e fútil,

E sei do meu cenário mais audaz
E nada do que possa se aproxima
Moldando sem sentido algum a rima
E nisto o canto expressa ausente paz.

O verso se desenha noutra forma,
E quando no passado o que se forma
Expressa o que perdi e a morte traz.

6

Ainda que pudesse crer no fato
E nisto presumir qualquer alento,
A vida se transforma e num tormento
O mundo se desenha em desacato,

Ainda mesmo assim nada constato
E bebo do caminho aonde tento
Vencer o mais dorido sofrimento
E nisto outro momento em vão retrato

Recatos variados, em recantos
E neles outros ermos são meus cantos
Matando a sensação de ser feliz,

O quanto pude e tento não veria
Sequer o que deveras a alegria
Um dia sem sentido inda desdiz.

7

Perdoa cada engano de um poeta
Que tanto acreditara noutra sorte,
A vida se desdenha e traz na morte
O quanto poderia e se completa,

A luta no vazio se repleta
E o medo sem sentido não conforte
Quem trama no passado e em cada corte
Adentra este momento em rumo e seta.

A voz já se perdendo sem razão
Os dias entre tantos moldarão
Apenas o vazio e nada mais,

Depois do sentimento mais atroz
Já nada mais calando a minha voz,
Os dias se repetem, são iguais.


8


Vieste desta noite enamorada
Trazendo em teu sorriso o quanto eu quero
E sei deste momento mais sincero
Raiando como à noite uma alvorada,

O todo se aproxima e deixa o nada
Ausente do cenário onde tempero
Meu canto com certeza outrora fero
Agora traz a sorte desejada

Desenhos variáveis, dor e amor
O verso disto tudo refletor
Vibrando com ternura em cada passo,

O mundo se aproxima do apogeu
E o tanto quanto quero e amanheceu
Presume a maravilha que hoje eu traço.

9


Não quero acreditar no que viera
Nem mesmo na vontade sem sentido,
O passo noutro passo resumido
Apascentando enfim a dura fera

O mundo na verdade se tempera
E trama o que deveras sempre olvido
Meu passo noutro rumo presumido
A luta se aproxima do que espera

Uma expressão diversa e mais feliz
Ousando no que possa e sempre diz
Aquém do quanto rompe a cada engano,

E quando me iludira em solidão
Sabendo dos vazios que virão,
Depois de certo tempo enfim me dano.


10


A brisa vai tocando a minha face
Em mansidão suave e juvenil,
Aonde o que pensara a vida viu
E nada na verdade se mostrasse,

Ainda que pudesse noutro impasse
O canto quando o sonho dividiu
Tramando o que eu tentara mais gentil
E o mundo sem sentido maltratasse.

Vagando sem saber sequer aonde
O meu caminho sem sentido já se esconde
E nisto se desenha muito além

Do caos que se improvisa a cada verso,
Meu mundo no teu canto segue imerso
Enquanto a fantasia inda não vem.

1

Já nada caberia no caminho
De quem se fez aquém da liberdade,
Porém ao superar corrente e grade
O tempo noutro sonho eu acarinho

E vivo muito além do ser sozinho
Que tanto se perdera em claridade,
Ousando neste encanto que ora brade
Trazendo cada canto onde me aninho.

Vencer os meus anseios e temores,
Seguir cada cenário enquanto fores
E nisto presumir nova alvorada,

A luta se desenha dia a dia,
Mas quanto mais o sol já brilharia
Traria no final a nova estrada.

2

O tanto quanto possa acreditar
Moldando na verdade o que viria,
E bebo com prazer a fantasia
E nela me permito até sonhar,

Ousando cada passo neste mar
Aonde o meu cenário me traria
Além do quanto bebo em poesia
O brilho que traduz algum luar,

Tristezas? Já não quero e no final
A vida se desenha em ritual
Diverso e molda a paz que tanto eu quis,

Depois de tanto tempo eu sei agora
Que quando esta alegria vem e aflora
Eu posso enfim dizer que sou feliz.


3

Perguntas sem resposta? Sei de tantas
E quando no final nada me dizes
Os sonhos são eternos aprendizes
E neles nada mais tanto garantas,

Ausento cada passo e quando espantas
Deixando tão somente cicatrizes
Os céus que inda pensara serem grises
No fundo noutras cores me adiantas,

Escuto a voz do mar e num marulho
O passo em precisão molda e mergulho
Nos ermos deste fato mais audaz,

O canto sem temor em glória e luz
Ainda quando em nada reproduz
Transcende ao que desejo: apenas paz.


4


Saudade de quem foi e não viria
Ousando muito além deste cenário,
O canto tão sereno de um canário
O tempo se transtorna em melodia,

A lua desenhada em poesia,
O sonho dita além o itinerário
E bebo deste encanto imaginário
Vagando muito além do que podia,

A vida se redime do passado
E quando na verdade teimo e brado
Ousando na esperança mais sutil,

O quanto se apresenta e já se viu
Transporta dentro da alma esta emoção
Moldando os dias claros que virão.


5


Não pude perceber sequer o quanto
Meu mundo sem teu mundo ainda existe,
E quando o coração somente insiste
E vaga sem saber aonde espanto

O passo sem sentido, não garanto
E o quanto se traduz em sonho triste,
O nada se desenha e não persiste
Além desta verdade em medo e pranto,

Ainda que pudesse ser diverso
Meu canto se presume em cada verso
E bebe esta emoção, rara aguardente,

Deveras sou feliz, mas mesmo assim,
Vagando o quanto pude crer no fim,
Apenas outra via se pressente.


6

Já não me caberia acreditar
Nos sonhos mais sutis, felicidade,
E quando meu caminho tanto agrade
Marcando o que pudesse imenso mar,

A luta se transforma e em tal sonhar
Ainda quando rompe a mera grade
O tanto quanto quero em liberdade
Trazendo ao que pudera imaginar.

Ascendes num momento inusitado
Vencendo o que deveras tento e brado
Ousando na alegria de te ter,

Amar e acreditar no que se veja
Ainda quando uma alma mais andeja
Procura inutilmente algum prazer.


7


Cidades tão diversas, sonhos meus,
E o canto se desenha multiforme
Ainda que meu passo se deforme
Preparo a cada instante um novo adeus,

Vagando sem saber dias ateus
Invado o que pudera e já disforme
Sem nada que inda reste ou tanto informe
A vida mergulhando em perigeus.

Ansiosamente procurasse um porto
E sei do quanto possa semimorto
Vagar entre as estrelas mais distantes,

Os erros são comuns a quem se espreita
E nada no final a vida aceita
Sequer o que puderas e garantes.

8

No tempo de sonhar sem ter sentido
Meu canto se apresenta em discordância
Ainda quando quis em tal estância
O sonho na verdade dilapido,

Meu verso não seria mais ouvido
Nem mesmo o que pudera em tal constância
Regendo com temor em discrepância
O quanto se presume e sei perdido,

O caos se desenhando dentro da alma,
A poesia mansa vem e acalma
Trazendo alguma luz, mesmo que frágil,

Sentidos e razões palavras tantas
E nelas outro momento, enfim garantas
Num tempo mais suave audaz tão ágil.

9

Ao quanto se orquestrasse este caminho
Em meio aos mais diversos temporais,
As horas invadindo onde tu trais
O passo mais audaz em vago espinho,

O rumo se apresenta mais daninho
Meu verso entre momentos desiguais
Palavras na verdade mais venais
O tempo sem ter tempo vai sozinho,

O quanto deste encanto já não trago
Brumosa sensação em ledo afago,
Divago e nada tenho em noite imensa,

Ao som deste piano, a noite passa,
A sorte se apresenta tão escassa,
E o tanto que me resta não compensa.

10

Amor que inanição matasse outrora
Já não mais poderia resistir
E quando se desenha sem porvir
Aos poucos cada engano mais devora,

O tempo sem sentido me apavora,
A trama se mostrara e presumir
Seria tão somente o repartir
O quanto na verdade não ancora,

O mundo em sensação diversa e rude
Marcando cada passo como pude
Matando a poesia a cada instante

No rumo sem sentido nada tenho
Somente o que pudera em ledo empenho
E o medo no final nada garante.


1

Meus sonhos em ruínas; trago apenas
Palavras sem sentido e sem razão
Os dias entre tantos moverão
Somente cada engodo onde condenas,

Ainda quando possa em mais serenas
Palavras; reina em nós a ingratidão,
Os dias em fracasso mostrarão
Engodos onde tanto me envenenas,

A sórdida presença da esperança
Ao nada com certeza já me lança
E venço os desafios? Nem sei mais...

Aonde quis luzeiros, resta o nada
A noite que pudera enluarada
Expressa estes anseios ancestrais.

2

À beira deste mar que não viria
O sonho se perdendo sem sentido,
O passo noutro engodo presumido
Marcando com temor esta agonia,

A luta não traria a fantasia
E o canto na verdade nunca ouvido
Enquanto a cada engano mais me olvido
Do tempo que deveras não teria.

As ansiedades dizem do passado,
E quando a cada engano enfim me evado
Percebo o que pudesse ser assim,

No pranto desenhado a cada engano,
Aos poucos na verdade se me dano,
Chegando pouco a pouco ao ledo fim.

3


Segredos do passado, eu desconheço,
Vagando sem sentido e sem temor,
Ainda quando pude noutro amor
Traçar o que talvez dita endereço

E a cada novo passo outro tropeço
Ousando na verdade decompor
E sei do meu caminho em tal pudor
Deixando para trás o que mereço.

Presumo alguma luz e não viria
Sequer o que pudesse em harmonia
E nada mais teria senão isto,

Depois de tanta luta inutilmente
O quanto se tentara e a vida mente
No fim da imensa luta; eu já desisto.

4


Quem possa mais amar trazia além
Do tempo quando o tempo diz do farto,
A lua que invadira outrora o quarto
Decerto já sem brilho não mais vem,

E o passo se aproxima e com desdém
O tanto quanto alerto e assim comparto
Renega esta esperança aborta o parto
E deixa o meu caminho onde não tem,

Apreços entre enganos e temores
Seguindo cada passo aonde fores
Em flores e jardins? Bem que eu queria,

Mas sei do inútil tempo a se mostrar
Gerando o que pudesse imaginar
No todo em incerteza ou agonia.


5


Na sombra quero a luz que amor moldasse,
Mas sei do meu passado e no futuro
Cenário se mostrando além e escuro
A vida se traduz em turva face,

E quando no final o nada eu grasse
Apresentando enfim o que asseguro
Marcando com temor o quanto juro
E tantas vezes morro e nada trace

Senão a desventura costumeira
De quem com tantas luzes tanto queira
Vencer os dissabores, ser feliz,

O marco desenhando cada ausência
Aonde se buscara em coerência
Apenas o que o canto já desdiz.


6

A lua se desenha na minguante
E o tempo se anuncia após o caos
A luta entre diversos traz aos maus
O quanto esta mortalha me garante,

O cerne apodrecido, num instante
Ainda se presumem tais degraus
E os olhos variando noutros graus
Os cantos num cenário horripilante,

Correntes arrastando; uma esperança
Ao longe se perdendo não alcança
Senão as mesmas torpes velharias,

Nos antros de tua alma carcomida
O quanto se restara em leda vida,
Aos poucos sem temores matarias.

7

Aclaro o pensamento e busco além
O que já não me cabe e nem pudera
Sentindo mais diversa a primavera
O tanto quanto quero já não vem,

Ausento dos meus passos, sou ninguém
E trago a cada instante a velha fera
E nela se teimasse a primavera
Somático momento nega o bem.

Bafejos desta audaz e torpe morte
Sem nada nem o sonho me conforte
E o manto se apodrece devagar,

Amante das escuras madrugadas
As noites entre tantas mais nubladas
Procuro ainda um raio de luar.

8

Engenhos variados, dias tais
Aonde o meu caminho em vício e medo
Apenas ao final tanto o concedo
Vivendo entre diversos vãos cristais,

Momentos que julgara entre fatais
Cenários desenhando este degredo
A vida não traria um só segredo
Os sonhos que inda trago; ocasionais,

O preço a se pagar já não perfila
E a sorte desdenhosa cala a lira,
A vida não renova o que mais quis,

Carcaça tartamuda segue vaga,
E o quanto poderia e enfim divaga
Não deixa que se veja outro matiz.


9

Aonde se presume o que inda existe
O verso não traria qualquer sorte,
E sei do que deveras me conforte
Ainda quando sigo olhar em riste

Negando o que pudera e assim persiste
Sem ter sequer alguém que me suporte
O todo desairoso noutro norte
Meu canto se desenha bem mais triste,

Ocasos entre casos, caos e medo,
E quando no final nada concedo
Senão a minha luta desvairada,

A morte se aproxima e na tocaia,
Ainda que deveras não me traia
Transforma o muito pouco agora em nada.

10

Equiparando os sonhos, só me resta
As sortes do diverso funeral,
E o tempo se moldando noutra nau,
Ainda se aproxima desta fresta,

A luta tantas vezes mais funesta,
O corte se apresenta bem ou mal,
O calafrio dita o desigual
Caminho entre rancor temor e festa,

Das brumas e das turvas noites vãs
No vórtice dos passos, as manhãs
E os ermos entre enganos, costumeiros,

Ainda que pudesse crer no eterno
Apenas adentrando o tosco inferno,
Já não conceberia mais luzeiros.

Não quero nem tampouco poderia
Ousar em ser além de meramente
Um sonho onde se veja ou mesmo tente
Rondar a deusa imensa: poesia.

O canto quando feito em harmonia
Domina sem defesas nossa mente
E o tanto que se vendo se apresente
Expressa a divindade em melodia.

Das Musas, deusas, ninfas, a mais bela
Aquela que em magias nos revela
A sacrossanta e rara luz que eclode

Num raro e bom momento em glórias feito,
E quando nestes versos me delito
Um mundo em tom superno nos açode.



1

A vida deste vago observatório
Mostrasse num momento outro cenário
E o tom que se fizesse mesmo vário
Pudesse demonstrar o peremptório

Caminho aonde o mundo em território
Diverso se desenhe em relicário
E quando se desnuda solidário
O sonho vai além do parlatório.

E traz cada momento e novo brilho
E neste desvendar o quanto eu trilho
Converge com certeza, rumo e sorte,

Assim o meu delírio se moldando
No passo mais suave desde quando
O encanto sem igual já nos conforte.

2

Não tive melhor sorte quando quis
Vencer os meus anseios no passado,
E o tempo noutro rumo agora evado
E sigo o que pudesse e sou feliz,

A vida se desenha em tal matiz
E nisto em novo passo se me agrado
Presumo da esperança este recado
E nele todo o sonho em que me fiz,

Poética expressão em verso e prosa
A luta se desenha e majestosa
Enfrenta os temporais e vence todos,

Assim a própria sorte nos transforma
E quando o coração ditando a norma
Enfrenta com firmeza os vãos engodos.

3

Arão, na majestade de teus versos
Beleza sem igual, sublime passo
Ousando aonde o sonho é mais escasso
Trazendo para cá mil universos,

E quando vejo os cantos, pois emersos
A vida dita; em paz, raro compasso
Destarte o quanto é belo traz um laço
Aonde se aproximam tons diversos,

E tendo esta certeza do que é belo
Ousando na palavra este rastelo
Que ceva este futuro mais brilhante,

Perdoe, mas sei bem quanto és capaz,
E nisto no final lapidarás
A cada novo verso um diamante.

4

Num paralelepípedo jogado,
Cadáver da esperança velha pária,
A luta tantas vezes temerária
O quanto se traduz enquanto evado,

O corpo apodrecido, enfim degrado
E sei da mesma senda solitária
Ousando na palavra que é contrária,
Mas tem sentido audaz e desejado.

Num átimo mergulho neste anseio
E quanto mais deveras eu receio
A vida se anuncia com firmeza,

Meu verso se presume e sei tão bem
Do quanto poderia e sempre vem
Gerando e transformando a correnteza.

5

Já nada mais coubera além do fato
Gerado pelo sonho em tom febril,
O amor quando demais além se viu
E neste caminhar tanto constato

Meu verso com firmeza; se o resgato
Gestando dentro da alma em raro ardil,
O quanto poderia e mesmo vil,
Aos poucos noutro passo me retrato,

Amar e ter no passo em frenesi
Certeza do que tanto concebi
Vibrante sensação de ser bem mais,

Ainda que pudesse ser diverso
Trazendo para esta alma outro universo
Mergulhos entre mundos siderais.


6

O quanto no hipocampo guardo fatos
Diversos que vivera no passado,
E neste desenhar o maltratado
Caminho se traduz noutros retratos,

Os dias são diversos e em tais atos
O tempo poderia desenhado
No caos aonde apenas se me evado
Resumo o que tivesse em tons ingratos,

Espero após a curva outra palavra
A luta na verdade não se lavra
E o medo se anuncia no punhal,

Ainda quando quis a reticência
A vida não pudera em consciência
Traçar outro momento desigual.

7

Além do que pudesse em tal orquídea
Beleza sem igual, insuperável,
O sonho aonde o quis quase palpável
Palavra que deveras não diz mídia

Sem nada que pudesse nem tentasse
Ousando num silente caminhar,
A luta se desenha e enfrento o mar
Oferecendo ao todo a minha face,

Resplandecente tom em esperança
Esverdeada luz que agora vem
E quando se aproxima diz de alguém
Aonde o meu caminho em paz se lança

Depois de certo tempo, solidão,
Já não teria mais qualquer razão.

8

Não pude acreditar noutro caminho
E vejo apenas isso e nada mais,
Ainda que pudesse em desiguais
Cenários; vou mantendo o velho ninho,

E quando mansamente eu me avizinho
Dos tempos entre tantos, magistrais
Ousando acreditar nestes cristais
Deixando para trás qualquer espinho,

Negar o quanto tenho dentro da alma,
Já na verdade nada mais acalma
Quem fez da poesia o seu alento,

A luta se aproxima do final,
E bebo com certeza o que afinal
Em meio aos temporais diversos, tento.


9

Um astro se perdendo neste espaço
Sem rumo e sem saber da direção
Aonde se desenha sem razão
O tempo noutro canto mais escasso,

O preço a se pagar, audaz e lasso,
Enfrento a cada engano um furacão
Vibrando com ternura em erupção
O marco desenhado em paz eu traço,

Espero alguma sorte e nada vem,
Ainda quando resta um raro bem
Alheio mais sutil cenário eu sigo,

Após a derrocada deste sonho,
O quanto ainda quero e mal proponho
Jamais traria assim junto comigo.


10

A flor sempre mais bela do jardim
Ditando com amor esta emoção
E nela novos dias mostrarão
O quanto tanto anseio dentro em mim,

Não posso controlar e sei no fim,
Além do que pudesse uma razão
Meu mundo no teu lado em explosão
Dourando o quanto quero e sei enfim,

Vagando sem temor, noites diversas
Palavras entre as quais em paz tu versas,
Num corpo delicado e sensual,

Cenário em absoluta liberdade
Meu sonho te deseja e na verdade,
O amor que segue além: consensual.


1

Semblantes tão diversos, sonho e ocaso,
O tempo não presume novos passos
E sei quanto pudera nestes traços
Viver o que emoção ditando, aprazo,

O verso segue além do quanto atraso
Meus olhos entre versos mesmo lassos
E sinto esta verdade aonde os laços
Estreitam cada dia onde me abraso,

No quanto ser feliz pudesse além
E na verdade o mundo inda convém
Ao sonhador os passos mais sutis,

Depois de certo tempo, em dor e medo,
Ao todo com certeza me concedo
E sei do quanto possa e mesmo quis.

2

Nesta áurea Minas vejo este poeta
Irradiando em Marco além do sonho
E cada novo encanto onde me ponho
A sorte de tal monta se completa

Ousando agradecer a tão dileta
Palavra de quem sabe e assim proponho
Viver em consonância este risonho
Caminho aonde a vida em paz, repleta,

Neste horizonte belo, nas Gerais
Ainda ouvindo raros madrigais
Na voz deste que traz pura emoção,

Assim, querido amigo, meu irmão,
Estendo com prazer a admiração
Aos versos que tu fazes: magistrais!!


3

Ainda quando a sorte não pudesse
Traçar outro caminho ou mesmo até
Regendo com ternura a nobre fé
E nisto se presume a rara messe,

O quanto da palavra o tempo tece
E o risco de sonhar por ser quem é
Transcende ao mais sublime e do sopé
Imagem mais perfeita transparece.

O canto em concordância, em harmonia
E o tanto quanto pude e mais teria
Pousando mansamente no teu peito,

Ainda quando pude acreditar
A vida trouxe o raro bafejar
E neste desenhar eu me deleito.


5


Amiga tantas vezes se permite
Um dia mais feliz, ou pelo menos
Momentos que pudessem mais serenos
Ultrapassado a dor, vago limite,

E quando na verdade o sonho dite
Trazendo novos passos raros plenos
Os olhos buscam fatos mais serenos
E neles cada verso em paz palpite,

Ousando acreditar e ser feliz
No tanto quanto pude e mesmo quis
Vencer os meus tormentos e desditas,

Assíduo sonhador; agora eu trago
Meus olhos num momento em raro afago
E sei das nossas sendas infinitas.

6


Meu canto se aprofunda enquanto busco
Vencer os meus tormentos e procuro
Após o desenhar em tom seguro
O sonho que pudera em lusco fusco,

Assim cada momento mesmo brusco
Gerando outro sincero e enfim perduro
Traçando o quanto veja além do muro
Sabendo ser meu verso mais velhusco,

Apresentando o sonho em despedida
E a luta noutras tantas envolvida
Seara sem temor, mesmo horizonte

Aonde perfilasse esta emoção
Os dias entre tantos me trarão
A rara fantasia onde desponte.

7

O mundo se resume a cada instante
No fátuo delirar de quem processa
A luta que deveras sem promessa
Apenas o vazio em nós garante,

O todo se moldara alucinante
Somente o quanto tenho e me interessa
Ousando na palavra que tropeça
Momento sem igual e deslumbrante,

Acolho sem sentido algum o sonho
E quando noutro ensaio eu me proponho
Expressamente trago esta esperança

E dela cada verso segue além,
Marcando o que pudera e inda convém
Além do que decerto nos alcança.

8

Uma expressão tão rara em fantasia
Permite o quanto dite o coração
Moldando a cada instante a direção
Numa expressão mais nobre: poesia.

Que tanto nos traduz em alegria
Ou mesmo nos provoque esta emoção
Prevendo dias nobres que virão,
Além do quanto sonho ou mais queria,

Amigo, nos teus versos eu desenho
O mundo aonde cada novo empenho
Ultrapassando a vida se eterniza,

Um trovador rendendo esta homenagem,
Meu pensamento agora em tal paisagem
Encontra em harmonia a suave brisa.


9

Nas tantas alegrias, versos nobres
A luta se desenha sem descanso
E quando no final em ti alcanço
O sonho onde deveras nos recobres,

As sensações diversas que descobres
Ousando muito além deste remanso
Um coração audaz e às vezes manso
Transcende ao quanto queres e recobres,

O preço que se paga por amar,
Jamais eu pude ver e até sonhar
Com toda esta certeza em versos tais,

Trazendo em harmonia o quanto toca
Quem sabe da certeza e além da roca
Invade praias belas, magistrais.


10

Navego sobre as ondas, meu saveiro
Já sabe deste cais que vê além
E o todo na verdade mais convém
A quem se deu deveras mais inteiro,

O canto se pudesse derradeiro
O tanto quanto possa e já contém
Traduz esta emoção e sei tão bem
O mundo se entregando, verdadeiro,

Apraz-me recordar cada momento
E sei do quanto possa e sigo atento
Ao mágico cenário em poesia

Vestindo alegoria em tom suave
Meu canto já se atreve e feito uma ave
Aos sonhos mais diversos levaria.


1

Enquanto a própria vida nos ensina
A termos muito além de mero sonho,
O tanto que desejo e assim componho
Explode na emoção em rara mina,

Emana-se do canto e determina
A lida aonde o todo ou mais proponho,
Viceja dentro da alma o bem que ponho
Na senda mais audaz, uma menina,

Saudade do que foi e não voltara
A luta se desenha e quando é clara
Esta certeza dita novo rumo,

Uma esperança a mais, noutro momento
E quanto mais o verso que alimento
Expressa o quanto quero e em paz consumo.

2

Não tive e não teria a menor chance
De ser o que pudera e desejasse
Ao superar em paz qualquer impasse
Ao todo num segundo sempre avance

E sei do quanto vejo em tal romance
E nisto nova senda se traçasse
O prazo no final determinasse
O quanto se desenha e mais alcance,

A sorte se anuncia noutro instante
Destarte cada passo se garante
Moldando uma alegria sem igual,

O sonho se apresenta após o nada
E vejo esta manhã anunciada
Num sólido cenário magistral.

3

Não tento acreditar no que não veio
E nem pudesse mesmo, sendo assim,
O mundo se tramando dita enfim
O quanto se apresenta em tal receio,

Expresso cada verso e sigo alheio
Ao tanto que pudesse em estopim
Minha alma liderando este motim,
O tempo desdenhoso em devaneio,

Ascendo ao que tentasse mais diverso
E quando para além do todo eu verso
Um átimo transforma toda a senda,

Depois de tanto tempo sem sentido,
O mundo aonde o canto agora olvido
Nem mesmo a poesia ora desvenda.


4

Encontro cada traço, aonde outrora
A vida não moldasse uma esperança
E quando no final o tempo avança
Marcando aonde a sorte desancora,

O tempo sem sentido me apavora
Ainda guardo viva esta criança
E nela novo rumo em semelhança
Apenas o vazio ainda aflora

E sigo sem sentido e privilégio
O todo quando o quis audaz e régio
Na esplendorosa fonte em harmonia,

O cântico se traça a cada instante
E o manto mais sobejo e deslumbrante
Traduz o quanto possa e até queria.


5

Fazendo do soneto este alimento
Que esta alma necessita e se provê
A vida se desenha em tal por que
E o verso; aonde tanto me fomento

Expressa o que pudera num momento
E flórea fantasia a sorte vê
Vencendo tantas vezes traz um quê
Aonde pude ver um raro alento,

Mergulho nos teus braços, namorada
E sei da sorte além sendo tramada
Apraza-me saber desta ventura

E quanto mais tentasse outra diversa
A lua sobre nós imensa versa
E traça cada raio com ternura.
Não vou deixar que o vento me carregue
E traga nada além de versos tortos,
Meu barco não se pondo noutros portos
Enquanto a vida além teima e prossegue,

O tanto que pudera e assim já segue
Em dias na verdade semimortos,
Há muito alimentando natimortos
E o quanto se desenha e não consegue

A vida se aproxima de tal fato
E quando algum sentido enfim resgato,
Percebo o mesmo caos aonde houvera

Somente o que tentei e não sabia
Vivendo o desengano e a fantasia
Matando em duro estio a primavera.

Quisera tão somente alguma sorte
Depois de tantos erros, costumeiros
E quando me percebo sem luzeiros
Não tendo nem o quanto me conforte,

Meu passo que pudera ser mais forte
Os dias entre tantos jardineiros
Ousando nestes campos derradeiros
E nada mais que eu tente inda suporte,

Vagando sem destino, imenso mar,
Pudesse noutro enredo desenhar
A vida sendo assim, suave e mansa,

Mas quando vejo o brilho do nefasto,
Meu mundo se demonstra agora gasto
E o tanto quanto quis, decerto cansa.


Não pude e nem devesse ainda ver
Após o quanto resta dentro em mim
Marcando o meu início, até o fim,
Vivendo o que pude sem saber,

O canto sem saber o que trazer
E deixo o meu cenário e sei que assim
O tempo se aproxima e vejo enfim
A vida sem sentir em vão querer,

Ausento dos meus dias, e prossigo
No quanto tantas vezes vou contigo
Tentando no final algum alento

O passo se desenha sem sentido
E o quanto poderia agora olvido
Enquanto com certeza a luz eu tento.

Espero o que inda resta do passado
E gera o meu momento mais gentil,
Depois do quanto pude e se reviu
Assim a cada instante além evado,

Não posso desenhar a vida em fado,
Semente que deveras não se viu,
Matando o quanto em pouco repartiu
Deixando para trás qualquer legado.

Meu passo sem sentido, um erro a mais,
Olhando para os velhos temporais
Não posso enfim sentir senão a queda

E a morte se anuncia sem segredo
Enquanto alguma paz inda concedo,
Meu mundo no vazio se envereda.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Meu verso se falasse desse amor
Que tantas vezes quis e nunca veio
Deixando para trás, o quanto alheio
Encontro noutro rumo o teu rancor,

A luta se desenha em tentador
Caminho aonde possa e não receio
Seguindo mesmo quando em devaneio
O prazo determina este fator.

Acolho cada sonho e sei também
Que enquanto este quebranto avança e vem
Domina o meu anseio e marca em fúria,

O corte se aprofunda e da navalha
A luta se desenha enquanto espalha
Sombria noite traz somente incúria.


2

Os dias mais felizes? Nem notícias...
As sortes são deveras tão mutáveis
E os sonhos são terrenos mais aráveis
E tramas noutros passos as delícias,

E quando não tivesse mais carícias
Momentos mais diversos e tragáveis,
E neste caminhar são incontáveis
As horas mais atrozes em sevícias.

Ausento da esperança e mal presumo
O quanto se perdera noutro rumo
Pousando num instante sem sinal

Do medo mais audaz, o quanto resta
Gerando a velha sorte em leda fresta,
E o tempo se desenha mais venal.

3


O manto se transcende em raro tom
E o prazo terminando nada deixa
Somente o que pudera noutra queixa
Vencendo esta tormenta, um ledo som.

Ainda quando vejo em teu neon
A sorte não se quer e sempre queixa
Ainda que tivesse enfim a gueixa
Amar já não seria em paz meu dom.

O ocaso se aproxima e no horizonte
Um outonal cenário agora aponte
E deixa a velha fonte alheia e extinta,

O tanto quanto pude e não se vendo
Traduz o que tivesse e sei do horrendo
Momento enquanto a sorte minta.


Meu canto em descaminho não pudera
Vencer o quanto trago dentro em mim,
E o medo se desenha e dita enfim
Somente o que decerto desespera,

Apenas se apresenta noutra esfera
E sei do quanto possa em estopim
Diverso do que trace algum motim
E mata com temor a antiga fera,

Não pude acrescentar sequer um til
Aonde o tempo apenas não previu
Sequer qualquer momento além do todo,

O passo se resume noutra queda
E quando a vida além já se envereda
O tempo se desenha em vago engodo.


2

Não pude acreditar e nem tivesse
Qualquer cenário aonde a vida dita
O quanto se apresenta e não mais cita
A luta que se perde em vaga messe,

O canto se desenha e nesta prece
A sorte tantas vezes mais maldita
Aonde se quisera uma pepita
Aos poucos esperança já fenece.

E o que já se oferece não traduz
Sequer o menor toque desta luz
E no redemoinho sigo só,

Do amor que imaginara sequer sombra,
Apenas o passado que me assombra,
Do todo não se vendo nem o pó.


3

Ulula além o vento e traz no fim
Cenários mais sombrios, caos e medo
E quanto de tal forma eu me concedo
Vivendo sem saber por quanto eu vim,

No prazo determino e sinto em mim,
Além do que pudera ser mais ledo,
O manto destruído sem segredo
Degredo que anuncia outro motim,

Apenas nada tenho e nem se vira
Somente quando os ermos da mentira
Expressam com temor realidade,

A morte se aproxima e dita o rumo,
Do tanto quanto possa e mesmo assumo
Cenário que em delírio já degrade.


4

Não vejo qualquer luz após a queda
E sei do meu cenário em turbulência
Ainda se pudesse com ciência
Viver aonde a sorte se envereda

A luta noutro fato enfim se enreda
Tomando com loucura a consciência
E nada mais pudesse em providência
Senão a sorte amarga onde se seda

Futuro sem sentido e sem razão,
Ao menos novos dias poderão
Tramar qualquer alento a quem sonhara,

Depois de cada infausto, a mesma sorte
E nisto sem ter nada que conforte,
Apenas vejo espúria a vã seara.


5

Navego entre os diversos mares quando
O cais se desenhasse muito além
E o tempo na verdade não mais tem
Sequer o que pudera desabando,

O marco noutro tanto desenhando
E vendo no final o que este alguém
Mostrasse com certeza o quanto vem
E deixa para trás inteiro o bando,

A súcia se desenha em tal matilha
E o medo na verdade sempre trilha
Espúrios caminhares sem sentido,

Meu ermo desejar já se perdera
E quanto mais pudera e percebera
Maior o quanto resta e dilapido.


6

Não tendo outro sentido sigo alheio
Ao quanto pude e nada mais tivera,
A luta se desenha e a primavera
Espera muito mais do que rodeio,

Ainda quando fora e nisto anseio
A sorte mais audaz; feita em quimera
E o tanto quanto trama noutra esfera
Produz após o todo algum receio,

Recebo de teus olhos cada brilho
E quando noutro encanto agora trilho
Vagando sem sentido e sem porquês

Ousando ser além do que queria
Apenas resta em nós farta utopia
E nela outro momento já não vês.

7

Escrevo em cada verso o sentimento
E nada mais pudesse senão isto
E quando no final tento e desisto,
A vida se traduz e desalento,

Abrindo o coração tramando o vento
E neste amanhecer no que consisto
Expresso o que deveras mal conquisto
E bebo no final o sofrimento,

Anseios e temores são frequentes
E mesmo que diversos rumos tentes
Os erros são comuns e neste passo,

Apenas o vazio determina
O que pudesse ser ausente mina
E bebo do futuro mesmo escasso.

8

Escassos dias dizem luzes quando
O mundo se pudera ser diverso
E sei que muito além distante verso
E bebo da incerteza nos tomando,

Ainda que pudesse se moldando
Tentando qualquer tom aonde imerso
Gerasse em redenção outro universo
Aos poucos se trazendo em contrabando,

Negando qualquer passo que inda traga
A luta se desenha e traz na adaga
O fio que penetra e se transforma,

Num único momento sigo ao fim
Bebendo do que possa em vinho e gim,
E a morte se tomando como norma.

9

A pútrida incerteza de quem sonha
Com toda a serventia de um amor,
Aos poucos noutra face; decompor
Deixando esta faceta mais medonha,

Ainda que deveras tente e ponha
O passo sem sentido, redentor,
Não traça na verdade além da dor,
E nisto cada engano me envergonha,

A luta não traduz realidade
E o prazo se transforma enquanto evade
E gera outro cenário sem sentido,

Não quero acreditar no quanto ilude,
O sonho de quem fora amargo e rude,
Aos poucos noutro engano o dilapido.


10


Não possa neste todo ser diverso
Do cântico onde ousasse em liberdade,
Ao menos deste todo nem metade
Transcende ao que coubera no universo,

E quando em direção alheia eu verso
Deixando para trás toda a saudade,
A morte se anuncia e já degrade
O quanto poderia mais disperso,

Ausente dos momentos mais felizes
O medo que em verdade contradizes
Expressa o que não tenho e nem teria,

Ainda sem sentir qualquer alento,
O mundo se entregando e me fomento
Do pouco que me resta em fantasia.
Num posso acreditá nu qui se diz
Nas banda do sertão da minha terra,
A gente se perdendo o tempo encerra
O quanto cum certeza tanto eu quis.

Se fui ou num pudésse sê filiz
Viveno quanta veiz já nem mais erra
O véio coração enfrenta a guerra,
Mas continua sempre um aprendiz,

Ansim o meu caminho diz do nada
E nisso vou sumino nessa estrada
Tramano otra arapuca, uma armadia,

O tempo sem te tempo di discanso,
O meu oiá cansado quando arcanço
O sonho qui jamais inda pudia.


2

Oiano para trais cum piedade
Dos dia mais sufrido que passemo,
O tempo qui me assusta como um demo
Quar fosse praga e dô diz da sodade,

E quano na verdade a luta invade
Os dia cumpricado qui vivemo
Nus passo sem sentido, nós vortemo
Dexano no passado a craridade,

Os ói procura a lua e nada tem,
Dispois de tanto medo e sem arguém
Qui póssa consolá um cantadô,

No sumo da esperança, uma cachaça
A sorte sem sabê de nada traça
Sumente um dia triste e sufredô.


3

A vida num se cansa di mostrá
Nos passo cumpricado em noite escura
Ainda qui a verdade se pércura
Sabeno a véia istória desde já,

O tempo vai passano e vô falá
Enquanto a solidão diz amargura
Nem mermo um dia em pais vida assegura
E o sonho se perdeno aqui ou lá,

Metade do que fálo ninguém pensa,
A luta de quem sabe sê imensa
A noite perseguida prú quem ama,

Trazeno ao meu oiá intêra a lua,
Ponteio essa viola e a sorte crua
Bebeno essa vontade em luz e chama.

4

Sujeito mintiroso cumo o quê
Fazeno qui enxergasse quem num via,
A vida se mudano em agunia
O tempo já num dá qualque prazê,

A boca qui foi feita pra mordê
Causando no verdade essa arrelia
Falano do qui trais e num sabia
Venceno o quanto tenho por vencê,

Vancê num sabe nada dessa vida
E quano mais armenta essa firida
É munto mais pió do qui pensava

Quem sabe no finár ainda venha
E acende cum carinho a véia lenha
Inquanto o passo agarra i já me intrava.

5

Num fálo pur falá e nem discanso
Dispois de todo dia lá na roça
A vida trais o quanto a gente possa
E ansim a cada passo mais avanço.

Quem tem o coração mais doce e manso,
Ainda qui a verdade dando coça
Trazê inquanto a vida numa adoça
Cunforme u mufuá eu sarto e danço.

Os ói percura apenas uma luiz
E sigo o meu caminho, a minha cruiz
Fazeno dos meu verso qui ponteia

Viola qui só farta ansim dizê
Do mundo e nele tento argum prazê
Na lua qui esparrama intêra e cheia.

6

O canto se aprendeno di premera
Num dexa qui se fale noutra sorte,
A luta quano o sonho é munto forte
Trazeno a minha sorte companhera,

O tanto qui pudera e num mais quera
Vivê na poesia qui suporte
O prazo se espaino cura o corte
E trais no coração nova bandera,

Fazeno dessa inxada o meu sustento
O novo amanhecê trabaio e tento
Bebeno esta cachaça, a liberdade,

Dispois de tanto tempo tão sozinho
A moça se aproxima do caminho
Dexano esse prefume de sôdade.

7

Robáda pela vida uma esperança
Num dexa nem sinár pur onde passa
E quano se aproxima otra disgraça
Meu mundo na batáia enfim se cansa,

Num pósso nem falá dessa lembrança
A mão vai preparano nessa massa
O tempo quando o rumo diz e caça
A luta qui roçano já me arcança.

Viage qui pudésse notro passo
Inquanto com certeza o dia eu traço
Pintano cum meus ói essa beleza

O céu tudinho azul em forte sór
O sonho qui se qué sempe miór,
Dexano no camim essa incerteza.