1
O amor que nos completa plenamente
E torna a nossa vida mais feliz,
Ousando muito além do que já fiz
Navega sem pudores corpo e mente,
No quanto em maravilhas se apresente
Querendo muito além, pedindo bis
No jogo mais gostoso e mais ardente
Promessa se cumprindo totalmente
Azulejando em paz, claro matiz.
Assim as nossas noites se repetem
Em corpos desejosos se refletem
Os raios desta lua avermelhada,
Uma ânsia desmedida, languidez
E assim em tanta insânia agora crês
Ao invadirmos, plenos, madrugada...
2
Além do quanto quero e também queres
A noite não se cala e em teus gemidos
Prazeres devorados e sentidos,
Servidos em banquetes, mil talheres,
Tu és a magistral entre as mulheres
Teu corpo se entregando em pressentidos
Delírios tantas vezes repetidos,
Bem mais do que sonhaste ou já tiveres.
Assim ao nos amarmos sem limites
No quanto deste encanto me permites
Adentro sem perguntas, as fronteiras
A sílfide desnuda em minha cama
Num sorriso maroto me reclama
Repetem-se as entradas e bandeiras.
3
Tu sabes conquistar e não se nega
Aos mais incríveis rumos da loucura,
Assim a nossa noite se perdura
E o coração audaz jamais sossega,
Numa ânsia refletindo a farta entrega
No gozo que nos toma e nos tortura
E entorna com delírios tal brandura
Num mar incandescente se navega.
As rotas entre grutas, furnas, locas
Os barcos encontrando cais e rocas
Numa explosão convulsa, a tempestade
Umedecendo enfim cada ancoragem
Tornando bem mais bela tal paisagem
E o gozo sem limite enfim invade.
4
Não quero e nem preciso te falar,
Apenas mergulhar em tanto brilho
E quanto mais adentro, maravilho
Vontade de voltar e de singrar
Este divino e farto, raro mar,
Aonde o coração deste andarilho
Encontra um cais seguro e compartilho
Do imenso privilégio de te amar.
Em rotas fascinantes descobertas
Viagens por debaixo das cobertas
Delírios entre seios, coxas, pernas,
As horas mais audazes, loucamente
O quanto desta luz invade e sente
Tornando as nossas noites bem mais ternas.
5
Amor que nesta vida é condutor
Dos passos rumo ao farto Paraíso,
E quando me percebo e me matizo
Nas ânsias mais vorazes deste amor,
Percebo deste céu, a imensa cor
Vagando sem a neve nem granizo,
Encontro muito além do que preciso,
Num cais sempre divino e encantador.
Resumos desta vida em plenitude
E nada nem o medo mais me ilude
Somando multiplico o meu prazer,
E sinto-te ao orvalhares teu desejo,
Do corpo em contração, raro latejo
E ao me encontrar em ti, vou me perder.
6
Imenso sentimento em que eu entranho
Vontade incomparável de poder
Viver sem ter limites o prazer
Sabendo a cada instante um novo ganho,
O amor quando demais, farto e tamanho
Tomando com vontade nosso ser
No quanto penetrando posso ver
Luar em brilho farto onde me banho.
Irresistivelmente perpetuas
Enquanto imagens claras, belas, nuas
Dourando em prata a noite enlanguescente
No gozo dividido compartilho
Sorvendo desta imensidão tal brilho
Hedônico delírio que apascente.
7
Ansiosamente encontro-te já nua
Deitando em suas redes me entrelaço
E quando a cada instante mais eu traço
Beleza sem igual invade e atua,
Vontades consonantes, minha e tua
Ocupam desta cama todo o espaço
Até que no final, tão farto e lasso
O coração se embebe e assim flutua.
Rasgando este horizonte segue além
No quanto de loucura enfim contém
Deixando para trás qualquer tormento,
Dos gozos mais audazes e felizes
Vivendo todo o sonho que me dizes
Do teu prazer enfim, eu me alimento.
8
Edênicos delírios, noite afora,
No corpo desta deusa o meu altar,
Vontade de poder e saciar
A fome sem limites que se aflora,
E quando minha pele em ti decora
O corpo noutro corpo a se entregar
Num imenso e delicado, doce arfar
Iridescente noite se demora,
E adentra amanhecer, bebe a alvorada
Reflete nesta cama o imenso sol,
Domina com loucura este arrebol,
Na intensidade a sorte desenhada,
E quando extasiados descansamos
Em novas aventuras, pois, sonhamos.
9
O quanto desta insânia diz regalo
E o tempo não se descansa um só momento,
No amor que mais amor bebo e fomento
Momento sem igual; compartilhá-lo.
Vivendo sem limites, sou vassalo
E desta fantasia, sacro ungüento
Felicidade entranha o pensamento
E sem qualquer fronteira, não me calo,
E resolutamente repetimos
Caminhos que deveras dividimos,
Levando ao mais completo e delirante
Cenário aonde a lua diz platéia
Vontade se tornando a panacéia
Aonde cada instante se agigante.
10
A tela se desenha em sensuais
Delícias e matizes convergentes
E quando tu também deveras sentes
Momentos explosivos, rituais,
Em tantas maravilhas os sinais
De um Paraíso em vida que em ardentes
Delírios sem pudores apresentes
Querendo e repetindo muito mais.
Sorvendo cada gota deste orvalho,
No quanto ao mais sublime eu sempre atalho
O rumo que conheço já de cor,
Vibrando em consonâncias, gozo farto,
Iluminando assim todo este quarto,
De todos os caminhos, o melhor.
1
Vivendo o nosso amor até o fim
Sem medos nem pudores. Simplesmente
No quanto tanta luz já se apresente
Encanto desejado e vivo em mim.
Navego no teu corpo e chego assim
Ao gozo mais supremo, totalmente.
Sentindo este perfume que envolvente
Infunde nossa cama qual jasmim,
Vagando pelas noites, rara estrela
Maravilhosamente ao percebê-la
Desnuda em ansiedades e desejos
A noite se enluara neste instante,
E tendo-te decerto fascinante
Cobrindo-te com sonhos, luzes, beijos...
2
Jamais me esqueceria desta rosa
Divina em raros tons, doce perfume,
No quanto em tais prazeres amor rume
Na noite mais audaz, clara e fogosa.
Derramas teus rocios majestosa
Sentindo-te superna em farto ardume
A vida se esquecendo de um queixume,
O quanto deste encanto a vida goza.
Tocando a minha pele, mansamente
Na intensa maravilha me apascente,
Requebros e quadris, loucos orgasmos,
Passado em ar sombrio? Nunca mais!
Agora exposto aos ritos magistrais
Olhares se entornando quase pasmos.
3
Trazendo este jardim tão bem cuidado
Vivendo cada instante como fosse
Um tempo mais audaz num agridoce
Caminho muito além do imaginado,
Risonhas noites bebo e da profana
Delícia deste corpo desvendada
Adentro sem sentir outra alvorada
Do quanto se propõe o tanto ufana
Amor incontestável, sem lamento.
E tudo quanto posso imaginar
Encontro neste imenso e belo mar,
Aonde sem temores onda enfrento
E bebo em teus suores, farto sal,
Num ato sem limites, sem igual.
4
Regando com afeto e puro ardor
O quanto do desejo se aflorasse
E a vida se mostrando em mansa face
Vivendo tão somente o grande amor,
E quando noutro rumo um sonhador
Caminho aonde o sonho já se trace
Sem medo do futuro e sem impasse
Nas mãos deste delírio, sedutor.
Vibrando em teu prazer delírios tantos
Teus seios delicados, teus encantos,
Momentos sem igual, deliciosos
E assim nesta vontade de viver
O todo imaginado em tal prazer
E neles explosões em fartos gozos.
5
O velho e dedicado lavrador
Desvenda em teus canteiros florescências
E quando dos teus sonhos afluências
Vibrando em sintonia, gesta a flor,
Dos teus anseios, mero agricultor
Vivendo sem temor inconseqüências
E nelas sem saber de impaciências
Adentro o meu outono em pleno amor,
Primaveris vontades, flóreo rumo
E quanto mais te quero, insano sumo,
Bebendo sem fastio deste tanto
Aonde se mostrando em tal fartura
Prazer sem mais limites se procura
A vida sem pudores, sem quebranto.
6
A flor mais desejada
A rosa em meu canteiro
No amor mais verdadeiro
A senda decorada,
Aflora-se na estrada
E bebo o derradeiro
Caminho corriqueiro
Buscando esta alvorada
E nela entranho em festa
O quanto inda me resta
Da vida em gozo e sonho,
Assim sem mais pudores
Seguindo aonde fores
O amor; quero e proponho.
7
Encantado caminho
Aonde penetrasse
E sem qualquer impasse
Bebendo deste vinho
No amor onde adivinho
O canto em que se trace
O mundo em sonho grasse
Jamais serei sozinho,
Vivendo em plenitude
Sem nada que me ilude
Apenas por viver,
Singrando no teu mar
Aonde me encontrar
Nas sendas do prazer.
8
Bebendo cada gota
Do amor sem ter limites
Sem nada mais que evites
A sorte intensa e rota
No quanto já se esgota
A vida enquanto grites
E gozes e palpites
No amor além da cota,
Vibrando em tais momentos
E neles sem tormentos
Sabendo desvendar
O quanto te desejo
Além do que prevejo
Ou possa enveredar.
9
Não posso me esquecer
Do quanto mais anseio
Tocando cada seio
Imenso bem querer,
Até que num prazer
A vida sem receio
Ao todo quanto veio
No encanto a se perder,
Vivendo em harmonia
Gerando a cada dia
Um novo e intenso sonho
Aonde mergulhando
Sabendo desde quando
Ao tanto me proponho.
10
Tu és a delicada
E rara senda aonde
O amor já me responde
E gera a nova estada
E nela desejada
Vontade em rara fronde
No quanto quero e esconde
A sorte anunciada,
Vivendo sem temores
Incríveis raras flores
Cevadas no canteiro
Do amor inconseqüente
E nele se apresente
Além e verdadeiro.
PARA TANTOS, PRINCIPALMENTE MARCOS GABRIEL, MARCOS DIMITRI E MARCOS VINÍCIUS. MINHA ESPERANÇA. RITA PACIÊNCIA PELA LUTA.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
36011 até 36020
1
O que penso da vida senão isto,
O amor mais desejado e mais sublime
E tendo tudo aquilo quanto estime
Nos rumos mais audazes eu persisto,
E quando te percebo nua insisto
No gozo mais audaz que me redime
Da dura realidade e me aproxime
Do verdadeiro amor e nele existo
Apenas mergulhando sem defesas
Seguindo as mais diversas correntezas
Bebendo cada gota deste orvalho
Por onde traduziste o teu prazer,
Até que possa enfim amanhecer
Trazendo o rotineiro e em vão trabalho.
2
O quanto do teu colo é meu abrigo
E traz a paz aonde eu procurava
A vida noutra face, espúria lava,
E agora em calmaria enfim prossigo,
Vestindo da ilusão sempre contigo,
Minha alma se preserva e nada agrava
O passo rumo ao tanto onde esperava
A intensa sensação que ora persigo.
Vivendo claramente esta ventura
O quanto do prazer dita a procura
E o nada do passado me entranhando,
Agora quando em ti me dessedento
Tocado pelo intenso e raro vento,
Um novo mundo eu vejo se moldando.
3
Não fecho mais meus olhos pra sonhar,
A vida estando em ti deveras é
O quanto mais desejo e tenho fé
Jamais vou deste encanto separar,
E quando mergulhara no teu mar
Sabendo as variantes da maré
Vivendo cada instante sigo até
O mundo noutra face se aflorar.
Escassas noites vagas, não mais quero
E sendo assim decerto mais sincero,
Encontro em ti total satisfação
Altares entre chamas, camas, gritos,
Momentos mais afoitos e bonitos
Gerando a mais sublime floração.
4
Quisera eternamente estar em ti,
Vivendo sem perguntas nem respostas
As horas entre gozos sendo expostas
Do quanto em tanto brilho me perdi,
Contigo na verdade eu aprendi
E sei que disto tudo também gostas
As nossas emoções sendo compostas
Do intenso fervilhar em frenesi.
Sedento e me sedando nos teus laços,
Deixando para trás velhos cansaços,
Abraços entre noites mais felizes,
E quando me entranhando no teu porto,
Meu barco na verdade em tal conforto
Enfrenta com doçura alguns deslizes.
5
Ao vê-la aqui comigo, amada minha
A sorte se mostrara em plena luz,
E quando nosso amor se reproduz
Mantendo com vigor a mesma linha,
O quanto do supremo se avizinha
Num apogeu sublime que seduz
Além do que decerto eu te propus
Uma alma se liberta, uma avezinha
Galgando os céus imensos do prazer.
E quando se percebe o bem querer
A divindade feita em gozo e brilho
Seguindo sem temores, cada passo
Nos braços de quem amo eu me desfaço
E paraíso em vida, hoje palmilho.
6
Atravessando em ti tais oceanos
Sorvendo cada gota em temporais
Desejo e com certeza quero mais,
Deixando sutilmente os desenganos,
Na cama abandonados, quedos panos,
Delírios entre ritos sensuais
Em posições decerto originais
Descrevem paraísos sobre-humanos.
E atendo ao que tu queres, e também
Deliras quando o imenso gozo vem
Numa explosão deveras fascinante,
E assim já sem pudores noite afora,
Volúpia insaciável nos devora
E volta a renovar-se a cada instante.
7
Adentro tantos rastros e procuro
Quem sabe com prazer deliciar-me
A vida se passando sem alarme
O tempo não se mostra mais escuro,
E quando nos teus mares eu perduro,
Dos fartos méis diversos alagar-me
Beleza incomparável, raro charme,
Um corpo desenhando em raro apuro,
Eflúvios da paixão em flórea senda
Na fulva cabeleira já se estenda
O quanto dos meus dias se traçara
Orgásticos delírios refletindo
Um tempo mais audaz, risonho e lindo
Edênico caminho se escancara.
8
Buscara qual oásis num deserto
Esta odalisca feita em juventude,
No quanto se mostrara em atitude
O peito agora exposto e sempre aberto,
Depois de tanto tempo não me alerto
Nem mesmo a fantasia ainda ilude
Quem sabe caminhar em plenitude
E a cada gozo intenso mais desperto
O amor que me trouxesse a redenção
Dessedentando a vida outrora em vão
Gerando esta sobeja maravilha,
Minha alma se entranhando do prazer
Gostoso de te dar e receber
Na intensa claridade que ora brilha.
9
Enlanguescida em lúbrica vontade
Teu corpo serpenteia sobre o meu,
O quanto deste intenso concedeu
A fúria que decerto nos invade,
O amor ultrapassando a realidade,
Divina fonte aonde se embebeu,
Meu corpo te procura e sendo teu
Sublime fantasia que me agrade,
Resolutos seguimos noite afora,
E quando este desejo aqui se ancora
Não mais conseguirei me libertar
E vendo-te desnuda em minha cama,
O amor sem mais limites vem e clama
Envolto pelos raios de um luar.
10
Vagando pela noite insaciável,
Tocando sem fronteiras a nudez
Na qual o nosso amor, insensatez
Encontra seu terreno mais arável,
O tempo noutro tempo imaginável
O quanto te desejos e me crês
Assim ao se encontrar o que se fez
No gozo mais feliz e incontrolável,
Recebo o teu afeto e continua
A lua sobre ti divina e nua,
Enquanto a noite em prata nos consome,
Sedento cavaleiro em noite imensa
Meu corpo no teu corpo em recompensa
Matando toda a sede e toda a fome.
O que penso da vida senão isto,
O amor mais desejado e mais sublime
E tendo tudo aquilo quanto estime
Nos rumos mais audazes eu persisto,
E quando te percebo nua insisto
No gozo mais audaz que me redime
Da dura realidade e me aproxime
Do verdadeiro amor e nele existo
Apenas mergulhando sem defesas
Seguindo as mais diversas correntezas
Bebendo cada gota deste orvalho
Por onde traduziste o teu prazer,
Até que possa enfim amanhecer
Trazendo o rotineiro e em vão trabalho.
2
O quanto do teu colo é meu abrigo
E traz a paz aonde eu procurava
A vida noutra face, espúria lava,
E agora em calmaria enfim prossigo,
Vestindo da ilusão sempre contigo,
Minha alma se preserva e nada agrava
O passo rumo ao tanto onde esperava
A intensa sensação que ora persigo.
Vivendo claramente esta ventura
O quanto do prazer dita a procura
E o nada do passado me entranhando,
Agora quando em ti me dessedento
Tocado pelo intenso e raro vento,
Um novo mundo eu vejo se moldando.
3
Não fecho mais meus olhos pra sonhar,
A vida estando em ti deveras é
O quanto mais desejo e tenho fé
Jamais vou deste encanto separar,
E quando mergulhara no teu mar
Sabendo as variantes da maré
Vivendo cada instante sigo até
O mundo noutra face se aflorar.
Escassas noites vagas, não mais quero
E sendo assim decerto mais sincero,
Encontro em ti total satisfação
Altares entre chamas, camas, gritos,
Momentos mais afoitos e bonitos
Gerando a mais sublime floração.
4
Quisera eternamente estar em ti,
Vivendo sem perguntas nem respostas
As horas entre gozos sendo expostas
Do quanto em tanto brilho me perdi,
Contigo na verdade eu aprendi
E sei que disto tudo também gostas
As nossas emoções sendo compostas
Do intenso fervilhar em frenesi.
Sedento e me sedando nos teus laços,
Deixando para trás velhos cansaços,
Abraços entre noites mais felizes,
E quando me entranhando no teu porto,
Meu barco na verdade em tal conforto
Enfrenta com doçura alguns deslizes.
5
Ao vê-la aqui comigo, amada minha
A sorte se mostrara em plena luz,
E quando nosso amor se reproduz
Mantendo com vigor a mesma linha,
O quanto do supremo se avizinha
Num apogeu sublime que seduz
Além do que decerto eu te propus
Uma alma se liberta, uma avezinha
Galgando os céus imensos do prazer.
E quando se percebe o bem querer
A divindade feita em gozo e brilho
Seguindo sem temores, cada passo
Nos braços de quem amo eu me desfaço
E paraíso em vida, hoje palmilho.
6
Atravessando em ti tais oceanos
Sorvendo cada gota em temporais
Desejo e com certeza quero mais,
Deixando sutilmente os desenganos,
Na cama abandonados, quedos panos,
Delírios entre ritos sensuais
Em posições decerto originais
Descrevem paraísos sobre-humanos.
E atendo ao que tu queres, e também
Deliras quando o imenso gozo vem
Numa explosão deveras fascinante,
E assim já sem pudores noite afora,
Volúpia insaciável nos devora
E volta a renovar-se a cada instante.
7
Adentro tantos rastros e procuro
Quem sabe com prazer deliciar-me
A vida se passando sem alarme
O tempo não se mostra mais escuro,
E quando nos teus mares eu perduro,
Dos fartos méis diversos alagar-me
Beleza incomparável, raro charme,
Um corpo desenhando em raro apuro,
Eflúvios da paixão em flórea senda
Na fulva cabeleira já se estenda
O quanto dos meus dias se traçara
Orgásticos delírios refletindo
Um tempo mais audaz, risonho e lindo
Edênico caminho se escancara.
8
Buscara qual oásis num deserto
Esta odalisca feita em juventude,
No quanto se mostrara em atitude
O peito agora exposto e sempre aberto,
Depois de tanto tempo não me alerto
Nem mesmo a fantasia ainda ilude
Quem sabe caminhar em plenitude
E a cada gozo intenso mais desperto
O amor que me trouxesse a redenção
Dessedentando a vida outrora em vão
Gerando esta sobeja maravilha,
Minha alma se entranhando do prazer
Gostoso de te dar e receber
Na intensa claridade que ora brilha.
9
Enlanguescida em lúbrica vontade
Teu corpo serpenteia sobre o meu,
O quanto deste intenso concedeu
A fúria que decerto nos invade,
O amor ultrapassando a realidade,
Divina fonte aonde se embebeu,
Meu corpo te procura e sendo teu
Sublime fantasia que me agrade,
Resolutos seguimos noite afora,
E quando este desejo aqui se ancora
Não mais conseguirei me libertar
E vendo-te desnuda em minha cama,
O amor sem mais limites vem e clama
Envolto pelos raios de um luar.
10
Vagando pela noite insaciável,
Tocando sem fronteiras a nudez
Na qual o nosso amor, insensatez
Encontra seu terreno mais arável,
O tempo noutro tempo imaginável
O quanto te desejos e me crês
Assim ao se encontrar o que se fez
No gozo mais feliz e incontrolável,
Recebo o teu afeto e continua
A lua sobre ti divina e nua,
Enquanto a noite em prata nos consome,
Sedento cavaleiro em noite imensa
Meu corpo no teu corpo em recompensa
Matando toda a sede e toda a fome.
36001 até 36010
1
Criando nosso amor onde não tinha
Sequer a menor sombra de esperança
Ao largo deste vão caminho avança
A sorte que desvendo em tez daninha,
Revelo toda sorte aonde aninha
O corte mais audaz em seta e lança
E vendo esta improvável confiança
Aonde nem sequer sonho continha,
Revelo-me surpreso, mas nem tanto
E quando neste verso amor eu canto
Sabendo quanto posso ser ainda
Feliz embora a dita se negasse
A vida se mostrando em nova face,
Com esta fantasia a paz já brinda.
2
Nós somos deste barro como irmãos,
E tendo nossos olhos no horizonte
Aonde um novo tempo já se aponte
Cevando da esperança tantos grãos,
Os dias que pensara serem vãos
Vislumbram novamente a rara fonte
Unindo nossos passos, bela ponte
Deixando para trás os vários nãos,
E a vida se perfaz em plenitude
Embora cada dia se transmude
E transfundindo sonhos mais audazes
Bebendo desta sorte sem igual
O amor seguindo assim seu ritual
Nas delicadas ânsias que me trazes.
3
A vida sem futuro em treva feita
Durante tanto tempo desfiara
Na face mais amarga da seara
Aonde uma tristeza se deleita,
E quando noutro rumo, satisfeita
Promessa mais audaz já se declara,
O quanto deste sonho enfim ampara
Uma alma mera e triste em dura espreita
E ser feliz agora se apresenta
Porquanto a sorte fora mais sedenta
Buscando cada mina aonde um dia
Pudesse saciar o meu delírio
Deixando para trás dor e martírio
No verso aonde a messe se desfia.
4
De antigas traições, tantas guerrilhas
Durante muito tempo acreditei
Na intensa fantasia em turva grei
Por onde na verdade ainda trilhas,
As almas entre tantas armadilhas
Buscando da ilusão a sorte e a lei,
Enquanto nos teus braços mergulhei
Tocado pelas luzes que polvilhas,
Assim ao me mostrar inteiramente
A vida noutra face não desmente
O quanto quis e tenho desde quando
O amor se emoldurara em rara tela
Nesta vontade imensa se revela
O mundo noutro tanto se formando.
5
Enquanto em mira certa me atingiste
Transformando o viver outrora atroz
Sabendo da esperança viva em nós
O coração que fora sempre triste
Agora noutra estrada em paz persiste
Chegando mansamente em calma foz,
O mundo solitário vil algoz
Às tramas deste sonho não resiste.
E eu vejo e bebo em fonte bem mais limpa
O quanto desta jóia se garimpa
Nas noites desvendas em segredos,
Meus dias entranhando fantasias
Vivendo o que decerto mais querias
Deixando os sofrimentos meros, ledos...
6
O anseio que a vontade reproduz
Na face mais feliz de um novo caso,
A vida sem saber de rumo ou prazo
Bebendo com fartura tanta luz
Deveras ao mais alto me conduz
Deixando no passado o vil ocaso,
E quando deste sonho tanto aprazo
Vivendo este caminho e nele eu pus
O barco da ilusão, leve saveiro
E sendo da esperança um timoneiro
Encontro finalmente em ti meu cais,
E sorvo cada gota que se emana
Na imagem mais airosa da profana
E sacra fantasia em vendavais.
7
Se nós somos assim iguais em tudo
Desejos coincidentes, gozos fartos,
Dourando em alegria tantos quartos
Não posso me conter e não me iludo,
O quanto desejara e me transmudo
De mim gerando assim diversos partos,
E fôssemos; na cama quais lagartos,
Alçando paraíso em ti me grudo
E rendido aos desejos sem defesas
Na cama se explodindo em sobremesas
Farturas de um banquete em tom orgástico
O amor sem ter segredos nem limites
No quanto também queres e acredites
Gerando este momento tão fantástico.
8
Nascidos nesta luz em plenitude
Reinando sobre nós a claridade
Enquanto o grande amor assim me invade
E vejo mais tranqüilo esta atitude
No quanto a vida às vezes nos ilude
E sei no teu olhar a realidade
Não vejo e não pretendo mais a grade
No quanto revivesse a juventude
No olhar extasiado de quem ama,
Mantendo com certeza intensa chama
Sem dramas, tramas noites fabulosas,
Destes canteiros tantos que inda adentro
No teu gozo supremo eu me concentro
E bebem os rocios, tuas rosas.
9
Sangrados pelo amor que não permite
Sequer um só momento em desafeto,
O corpo no teu corpo me completo
E a noite ultrapassando algum limite,
No quanto cada sonho se acredite
E nele o mais sublime e predileto
Caminho aonde reina o tão dileto
Sonhar sem ter de alguém qualquer palpite.
Resumos desta vida em tom voraz
Farturas entre noites mais profanas
As horas entre tantas soberanas
E nelas todo o gozo enfim se faz,
Resumos de momentos geniais,
Repito e na verdade eu quero mais.
10
Duvido que inda exista mor amor
Nas tantas e diversas vãs searas
E quando nos teus braços tu me amparas
Sentindo do teu corpo este calor,
Tocado sem juízo e sem pudor,
E nele se bebendo sempre às claras
Delícias onde em gozos me preparas
Na intensa maravilha a se compor.
Resultam-se nas ânsias mais sedentas
E quando nos teus braços me apascentas
Da guerra que se faz no dia a dia,
Batalhas em lençóis, sedas, cetins,
Momentos desejosos, sempre afins
Do quanto em plenitude se faria.
Criando nosso amor onde não tinha
Sequer a menor sombra de esperança
Ao largo deste vão caminho avança
A sorte que desvendo em tez daninha,
Revelo toda sorte aonde aninha
O corte mais audaz em seta e lança
E vendo esta improvável confiança
Aonde nem sequer sonho continha,
Revelo-me surpreso, mas nem tanto
E quando neste verso amor eu canto
Sabendo quanto posso ser ainda
Feliz embora a dita se negasse
A vida se mostrando em nova face,
Com esta fantasia a paz já brinda.
2
Nós somos deste barro como irmãos,
E tendo nossos olhos no horizonte
Aonde um novo tempo já se aponte
Cevando da esperança tantos grãos,
Os dias que pensara serem vãos
Vislumbram novamente a rara fonte
Unindo nossos passos, bela ponte
Deixando para trás os vários nãos,
E a vida se perfaz em plenitude
Embora cada dia se transmude
E transfundindo sonhos mais audazes
Bebendo desta sorte sem igual
O amor seguindo assim seu ritual
Nas delicadas ânsias que me trazes.
3
A vida sem futuro em treva feita
Durante tanto tempo desfiara
Na face mais amarga da seara
Aonde uma tristeza se deleita,
E quando noutro rumo, satisfeita
Promessa mais audaz já se declara,
O quanto deste sonho enfim ampara
Uma alma mera e triste em dura espreita
E ser feliz agora se apresenta
Porquanto a sorte fora mais sedenta
Buscando cada mina aonde um dia
Pudesse saciar o meu delírio
Deixando para trás dor e martírio
No verso aonde a messe se desfia.
4
De antigas traições, tantas guerrilhas
Durante muito tempo acreditei
Na intensa fantasia em turva grei
Por onde na verdade ainda trilhas,
As almas entre tantas armadilhas
Buscando da ilusão a sorte e a lei,
Enquanto nos teus braços mergulhei
Tocado pelas luzes que polvilhas,
Assim ao me mostrar inteiramente
A vida noutra face não desmente
O quanto quis e tenho desde quando
O amor se emoldurara em rara tela
Nesta vontade imensa se revela
O mundo noutro tanto se formando.
5
Enquanto em mira certa me atingiste
Transformando o viver outrora atroz
Sabendo da esperança viva em nós
O coração que fora sempre triste
Agora noutra estrada em paz persiste
Chegando mansamente em calma foz,
O mundo solitário vil algoz
Às tramas deste sonho não resiste.
E eu vejo e bebo em fonte bem mais limpa
O quanto desta jóia se garimpa
Nas noites desvendas em segredos,
Meus dias entranhando fantasias
Vivendo o que decerto mais querias
Deixando os sofrimentos meros, ledos...
6
O anseio que a vontade reproduz
Na face mais feliz de um novo caso,
A vida sem saber de rumo ou prazo
Bebendo com fartura tanta luz
Deveras ao mais alto me conduz
Deixando no passado o vil ocaso,
E quando deste sonho tanto aprazo
Vivendo este caminho e nele eu pus
O barco da ilusão, leve saveiro
E sendo da esperança um timoneiro
Encontro finalmente em ti meu cais,
E sorvo cada gota que se emana
Na imagem mais airosa da profana
E sacra fantasia em vendavais.
7
Se nós somos assim iguais em tudo
Desejos coincidentes, gozos fartos,
Dourando em alegria tantos quartos
Não posso me conter e não me iludo,
O quanto desejara e me transmudo
De mim gerando assim diversos partos,
E fôssemos; na cama quais lagartos,
Alçando paraíso em ti me grudo
E rendido aos desejos sem defesas
Na cama se explodindo em sobremesas
Farturas de um banquete em tom orgástico
O amor sem ter segredos nem limites
No quanto também queres e acredites
Gerando este momento tão fantástico.
8
Nascidos nesta luz em plenitude
Reinando sobre nós a claridade
Enquanto o grande amor assim me invade
E vejo mais tranqüilo esta atitude
No quanto a vida às vezes nos ilude
E sei no teu olhar a realidade
Não vejo e não pretendo mais a grade
No quanto revivesse a juventude
No olhar extasiado de quem ama,
Mantendo com certeza intensa chama
Sem dramas, tramas noites fabulosas,
Destes canteiros tantos que inda adentro
No teu gozo supremo eu me concentro
E bebem os rocios, tuas rosas.
9
Sangrados pelo amor que não permite
Sequer um só momento em desafeto,
O corpo no teu corpo me completo
E a noite ultrapassando algum limite,
No quanto cada sonho se acredite
E nele o mais sublime e predileto
Caminho aonde reina o tão dileto
Sonhar sem ter de alguém qualquer palpite.
Resumos desta vida em tom voraz
Farturas entre noites mais profanas
As horas entre tantas soberanas
E nelas todo o gozo enfim se faz,
Resumos de momentos geniais,
Repito e na verdade eu quero mais.
10
Duvido que inda exista mor amor
Nas tantas e diversas vãs searas
E quando nos teus braços tu me amparas
Sentindo do teu corpo este calor,
Tocado sem juízo e sem pudor,
E nele se bebendo sempre às claras
Delícias onde em gozos me preparas
Na intensa maravilha a se compor.
Resultam-se nas ânsias mais sedentas
E quando nos teus braços me apascentas
Da guerra que se faz no dia a dia,
Batalhas em lençóis, sedas, cetins,
Momentos desejosos, sempre afins
Do quanto em plenitude se faria.
35991 até 36000
1
Tua beleza traz o alvorecer
Dos sonhos mais sutis, felicidade
E quando tanta luz assim invade
Bebendo com delírio tal prazer
Vivendo a imensa glória eu posso ver
Além do que decerto mais agrade
O mundo com imensa claridade
Tornando novamente a me envolver
Nas tramas mais diversas da alegria
Aonde novamente se recria
Um tempo mais amável e feliz,
E resolutamente nada trago
Do quanto do passado nega o afago
E nele uma incerteza contradiz.
2
A delicada forma que ilumina
Trazendo para mim este clarão
Mudando dos meus passos direção
Na fonte desejada, rara mina,
O quanto esta vontade me domina
E bebo desta luz à exaustão
Sabendo dos momentos que virão
E neles toda a glória me alucina,
Riscando do passado cada traço
E quando nos teus olhos eu refaço
O passo rumo ao tanto eu posso ver
Após a tempestade mais sutil,
O quanto deste amor já se previu
Num raro e belo sol nos envolver.
3
Amor quando demais se torna um rito
E tantas vezes sigo o itinerário
Dos sonhos quando penso ser corsário
Vagando neste instante este infinito
Delírio aonde mesmo eu acredito
Neste momento claro e necessário
Por vezes outro mundo temerário
Deixando para trás o intenso grito,
Restando dentro em nós tanta certeza
E quando se mostrando sobre a mesa
As fartas iguarias, noite afora,
O gozo costumeiro e mais voraz
No quanto deste amor, amor se faz
Na intensa sensação que nos devora.
4
Paixão que se demora e nos apóia
Qual fosse inconseqüente maravilha
E quando meu caminho a ti palmilha
Traçando incomparável bela jóia
E toda este certeza doma a glória
Porquanto ser feliz já poderia
Deixar com mais presteza esta alegria
E nela a sensação rara vitória
Dos antros entre noites desvendando
As rotas, grutas, furnas delicadas,
Vontades em desejos saciadas
Delírios invadindo em louco bando,
Assim nesta emoção incontestável
O mundo noutra face incomparável.
5
Evito teus espinhos bela flor
E tento desvendar o teu segredo
E quando aos teus encantos me concedo
Qual fora meramente um beija-flor
Vibrando em sintonia neste amor
E nele sem temor, pavor ou medo,
Vivendo esta ternura em manso enredo
No quanto tenho tanto a te propor,
Vislumbro um raro sol sobre o canteiro
E neste instante sou teu jardineiro
Cevando com brandura cada passo
E tanto mergulhando no teu colo,
Das ânsias mais vorazes eu me assolo
Enquanto a redenção em ti eu traço.
6
Tu és a mais sublime e bela rosa
Cevada nos meus sonhos, pois em ti
O amor que tantas vezes pressenti
Delírio de uma noite majestosa
Enquanto meu caminho em caprichosa
Vontade noutro rumo eu descobri
Ao vê-la tão sublime eu conheci
A sorte mais perfeita e então airosa,
Recebo dos teus braços a certeza
De um dia mais bonito e na grandeza
Da noite enluarada sou teu par
Teus seios, tuas mãos, um arrepio
E quando bebo em glória teu rocio
A cada amanhecer de novo amar.
7
Ao percebê-la enfim acreditara
Na vida mais tranquila, ou mesmo tento
Sentir com alegria este provento
Da noite bem suave ou mesmo clara,
No amor quando deveras se declara
E doma com certeza um forte vento,
Tomando sem temor o sentimento
E assim a minha história em ti se ampara.
O quanto pude mesmo acreditar
No sol sem ter limite a nos tocar
Tornando esta manhã bem mais bonita,
A vida noutra vida se entranhando
Um mundo bem melhor, suave e brando
Aonde em sonhos raros se acredita.
8
Sentidos mais exatos verdadeiros
Tomando com ternura tantos dias
E neles com certeza poderias
Traçar com alegria meus canteiros
Os olhos entre nuvens bebem luzes
E nelas outros dias geram sóis
E sinto nos teus passos os faróis
Por onde na verdade me conduzes,
Eu sei e te percebo muito além
Do amor tão simplesmente e nada mais,
Assim ao enfrentar tais vendavais
Na sorte abençoada que contém
O amor incomparável, raro brilho
No qual a cada passo mais eu trilho.
9
O quanto desejara e nada vinha
Senão a velha sombra de um momento
Aonde com ternura me apascento
E até pensei que fosses toda minha,
Mas quando a realidade se avizinha
E beijo tão somente este lamento
A vida sonegando o sentimento,
Cevando em ilusões esta daninha,
Mas posso renascer em cada abraço
E nele novo tempo em ti eu traço
Risonho amanhecer mudando o rumo
Enquanto se pudesse acreditar
Na força mais incrível deste amar,
Tomando o meu viver, decerto um prumo.
10
O quanto me ferira em tais espinhos
Durante a minha vida em dores feita
E agora quando a lua em nós se deita
Jamais nos sentiremos mais sozinhos,
Adentro em mansidão nossos caminhos
E neles poesia se deleita
A sorte desejosa já se aceita
E expressa com brandura teus carinhos,
Assim ao me entregar sem mais pensar
No quanto poderia imaginar
Um mundo mais alheio eu posso ver
Em ti maravilhado o brilho intenso
E quando nos teus olhos quero e penso
Imensa fantasia a se colher.
Tua beleza traz o alvorecer
Dos sonhos mais sutis, felicidade
E quando tanta luz assim invade
Bebendo com delírio tal prazer
Vivendo a imensa glória eu posso ver
Além do que decerto mais agrade
O mundo com imensa claridade
Tornando novamente a me envolver
Nas tramas mais diversas da alegria
Aonde novamente se recria
Um tempo mais amável e feliz,
E resolutamente nada trago
Do quanto do passado nega o afago
E nele uma incerteza contradiz.
2
A delicada forma que ilumina
Trazendo para mim este clarão
Mudando dos meus passos direção
Na fonte desejada, rara mina,
O quanto esta vontade me domina
E bebo desta luz à exaustão
Sabendo dos momentos que virão
E neles toda a glória me alucina,
Riscando do passado cada traço
E quando nos teus olhos eu refaço
O passo rumo ao tanto eu posso ver
Após a tempestade mais sutil,
O quanto deste amor já se previu
Num raro e belo sol nos envolver.
3
Amor quando demais se torna um rito
E tantas vezes sigo o itinerário
Dos sonhos quando penso ser corsário
Vagando neste instante este infinito
Delírio aonde mesmo eu acredito
Neste momento claro e necessário
Por vezes outro mundo temerário
Deixando para trás o intenso grito,
Restando dentro em nós tanta certeza
E quando se mostrando sobre a mesa
As fartas iguarias, noite afora,
O gozo costumeiro e mais voraz
No quanto deste amor, amor se faz
Na intensa sensação que nos devora.
4
Paixão que se demora e nos apóia
Qual fosse inconseqüente maravilha
E quando meu caminho a ti palmilha
Traçando incomparável bela jóia
E toda este certeza doma a glória
Porquanto ser feliz já poderia
Deixar com mais presteza esta alegria
E nela a sensação rara vitória
Dos antros entre noites desvendando
As rotas, grutas, furnas delicadas,
Vontades em desejos saciadas
Delírios invadindo em louco bando,
Assim nesta emoção incontestável
O mundo noutra face incomparável.
5
Evito teus espinhos bela flor
E tento desvendar o teu segredo
E quando aos teus encantos me concedo
Qual fora meramente um beija-flor
Vibrando em sintonia neste amor
E nele sem temor, pavor ou medo,
Vivendo esta ternura em manso enredo
No quanto tenho tanto a te propor,
Vislumbro um raro sol sobre o canteiro
E neste instante sou teu jardineiro
Cevando com brandura cada passo
E tanto mergulhando no teu colo,
Das ânsias mais vorazes eu me assolo
Enquanto a redenção em ti eu traço.
6
Tu és a mais sublime e bela rosa
Cevada nos meus sonhos, pois em ti
O amor que tantas vezes pressenti
Delírio de uma noite majestosa
Enquanto meu caminho em caprichosa
Vontade noutro rumo eu descobri
Ao vê-la tão sublime eu conheci
A sorte mais perfeita e então airosa,
Recebo dos teus braços a certeza
De um dia mais bonito e na grandeza
Da noite enluarada sou teu par
Teus seios, tuas mãos, um arrepio
E quando bebo em glória teu rocio
A cada amanhecer de novo amar.
7
Ao percebê-la enfim acreditara
Na vida mais tranquila, ou mesmo tento
Sentir com alegria este provento
Da noite bem suave ou mesmo clara,
No amor quando deveras se declara
E doma com certeza um forte vento,
Tomando sem temor o sentimento
E assim a minha história em ti se ampara.
O quanto pude mesmo acreditar
No sol sem ter limite a nos tocar
Tornando esta manhã bem mais bonita,
A vida noutra vida se entranhando
Um mundo bem melhor, suave e brando
Aonde em sonhos raros se acredita.
8
Sentidos mais exatos verdadeiros
Tomando com ternura tantos dias
E neles com certeza poderias
Traçar com alegria meus canteiros
Os olhos entre nuvens bebem luzes
E nelas outros dias geram sóis
E sinto nos teus passos os faróis
Por onde na verdade me conduzes,
Eu sei e te percebo muito além
Do amor tão simplesmente e nada mais,
Assim ao enfrentar tais vendavais
Na sorte abençoada que contém
O amor incomparável, raro brilho
No qual a cada passo mais eu trilho.
9
O quanto desejara e nada vinha
Senão a velha sombra de um momento
Aonde com ternura me apascento
E até pensei que fosses toda minha,
Mas quando a realidade se avizinha
E beijo tão somente este lamento
A vida sonegando o sentimento,
Cevando em ilusões esta daninha,
Mas posso renascer em cada abraço
E nele novo tempo em ti eu traço
Risonho amanhecer mudando o rumo
Enquanto se pudesse acreditar
Na força mais incrível deste amar,
Tomando o meu viver, decerto um prumo.
10
O quanto me ferira em tais espinhos
Durante a minha vida em dores feita
E agora quando a lua em nós se deita
Jamais nos sentiremos mais sozinhos,
Adentro em mansidão nossos caminhos
E neles poesia se deleita
A sorte desejosa já se aceita
E expressa com brandura teus carinhos,
Assim ao me entregar sem mais pensar
No quanto poderia imaginar
Um mundo mais alheio eu posso ver
Em ti maravilhado o brilho intenso
E quando nos teus olhos quero e penso
Imensa fantasia a se colher.
35981 até 35990
1
Eu pudesse te encontrar
Nas veredas, nos caminhos,
Mas em tempos tão mesquinhos
Persistindo num vagar
Sem saber de algum lugar
Muito além de tais espinhos
Entrelaces e carinhos,
Tanto pude desejar.
Quando a sorte é soberana,
Porém tudo nos engana
O meu cais fica distante,
Vejo além deste horizonte
Onde amor ainda aponte
Esta ponte fascinante.
2
Se ninguém escuta a voz
Deste ledo coração
Procurando desde então
Um caminho mais veloz
Onde possa em novos nós
Traçar rumo e direção
Enfrentando o mundo vão
E decerto mais atroz,
Novamente me embebendo
Deste canto e percebendo
Novo tempo que virá,
Já restando neste canto,
Noutro tanto se me encanto
Encontrando desde já.
3
Meu ouvido rente ao chão
Esperando esta chegada
Tanta vez anunciada
Noutras tramas no verão,
Mas agora não virão
As manhãs, morta alvorada
Minha vida destroçada
Busca nova direção,
Se não vens, azar o teu,
O meu mundo se escondeu
Nas neblinas, porém sol
Renascendo novamente
Noutra face se apresente
Dominando este arrebol.
4
Meu amor servido à mesa
De quem tanto quis outrora
Sem saber já de demora
E não vendo a correnteza
Onde sonho ser a presa
Quando amor enfim devora
A saudade assim descora
Renegando uma leveza.
Sigo alheio em noite fria
E se tanto mais queria
Nada quero neste instante
O mergulho noutro colo,
Sem terror, temor ou dolo,
Deve ser mais fascinante.
5
Longe mesmo do que um dia
Eu pensara poder ter
Nas searas do querer
Outra face em alegria,
No que tange à fantasia
Nada mais eu posso ver
E se tento amanhecer
Não conheço esta utopia.
Mas se insisto e se consigo
Bem diverso do castigo
Que prometes; ilusões.
Nos meus ermos continuo
E se em vão mesmo flutuo
Libertárias direções.
6
Quando ouvindo muito além
Do que possa mesmo crer
Nas sementes do prazer
Eu concebo o teu desdém,
Recebendo e sei que tem
Outro olhar a perceber
O que possa acontecer
Não concebo novo bem,
Mas se tanto não me queres
Sei dos sonhos se puderes
E decerto não me ilude
O viver em claridade,
Tão sofrível falsidade
Desvario em juventude.
7
Não pudesse acreditar
Nas searas mais atrozes
Quando ouvira novas vozes
E decerto a desvendar
Outros raios de um luar
Onde possa sem algozes
Nem deveras inda poses
Neste falso desenhar
Bebo em gotas privilégio
Deste sonho agora régio
De um momento além do cais,
E se tanto me sonega
Esta vida quase cega
Vejo em sonhos muito mais.
8
Se partisse do princípio
De que tanto desejara
Muito além da sorte rara
Ou deveras já dissipe-o
Caminhar em noite escura
Entre tantas fantasias
E se quando negarias
A minha alma te procura
Nas searas mais audazes
Ou nos ermos do passado,
Sendo assim tão maltratado
Neste pouco que me trazes
Bases outras, novo sonho
Onde em luzes me proponho.
9
Caçador das ilusões
Onde nada se mostrasse
E teimando em tal impasse
Novos dias sem verões
Ou dispersas emoções
Porém tudo já não grasse
E se mostra em turva face
O que agora não repões
Caminhando finalmente
Novo tanto se apresente
Neste pouco que restara,
A semente em solo agreste
Da maneira que me deste
Nunca mais em mim brotara.
10
Poderia na velhice
Ter ao menos ilusão?
Eu bem sei que este senão
Quando a vida contradisse
Refletindo esta mesmice
Nelas olhos não verão
Horizonte em precisão,
Sendo amor mera tolice,
Arco mesmo com meus erros
E condeno-me aos desterros
Entre sendas mais sutis,
Do que tanto desejei
Noutra face, noutra grei
O teu sonho nunca quis.
Eu pudesse te encontrar
Nas veredas, nos caminhos,
Mas em tempos tão mesquinhos
Persistindo num vagar
Sem saber de algum lugar
Muito além de tais espinhos
Entrelaces e carinhos,
Tanto pude desejar.
Quando a sorte é soberana,
Porém tudo nos engana
O meu cais fica distante,
Vejo além deste horizonte
Onde amor ainda aponte
Esta ponte fascinante.
2
Se ninguém escuta a voz
Deste ledo coração
Procurando desde então
Um caminho mais veloz
Onde possa em novos nós
Traçar rumo e direção
Enfrentando o mundo vão
E decerto mais atroz,
Novamente me embebendo
Deste canto e percebendo
Novo tempo que virá,
Já restando neste canto,
Noutro tanto se me encanto
Encontrando desde já.
3
Meu ouvido rente ao chão
Esperando esta chegada
Tanta vez anunciada
Noutras tramas no verão,
Mas agora não virão
As manhãs, morta alvorada
Minha vida destroçada
Busca nova direção,
Se não vens, azar o teu,
O meu mundo se escondeu
Nas neblinas, porém sol
Renascendo novamente
Noutra face se apresente
Dominando este arrebol.
4
Meu amor servido à mesa
De quem tanto quis outrora
Sem saber já de demora
E não vendo a correnteza
Onde sonho ser a presa
Quando amor enfim devora
A saudade assim descora
Renegando uma leveza.
Sigo alheio em noite fria
E se tanto mais queria
Nada quero neste instante
O mergulho noutro colo,
Sem terror, temor ou dolo,
Deve ser mais fascinante.
5
Longe mesmo do que um dia
Eu pensara poder ter
Nas searas do querer
Outra face em alegria,
No que tange à fantasia
Nada mais eu posso ver
E se tento amanhecer
Não conheço esta utopia.
Mas se insisto e se consigo
Bem diverso do castigo
Que prometes; ilusões.
Nos meus ermos continuo
E se em vão mesmo flutuo
Libertárias direções.
6
Quando ouvindo muito além
Do que possa mesmo crer
Nas sementes do prazer
Eu concebo o teu desdém,
Recebendo e sei que tem
Outro olhar a perceber
O que possa acontecer
Não concebo novo bem,
Mas se tanto não me queres
Sei dos sonhos se puderes
E decerto não me ilude
O viver em claridade,
Tão sofrível falsidade
Desvario em juventude.
7
Não pudesse acreditar
Nas searas mais atrozes
Quando ouvira novas vozes
E decerto a desvendar
Outros raios de um luar
Onde possa sem algozes
Nem deveras inda poses
Neste falso desenhar
Bebo em gotas privilégio
Deste sonho agora régio
De um momento além do cais,
E se tanto me sonega
Esta vida quase cega
Vejo em sonhos muito mais.
8
Se partisse do princípio
De que tanto desejara
Muito além da sorte rara
Ou deveras já dissipe-o
Caminhar em noite escura
Entre tantas fantasias
E se quando negarias
A minha alma te procura
Nas searas mais audazes
Ou nos ermos do passado,
Sendo assim tão maltratado
Neste pouco que me trazes
Bases outras, novo sonho
Onde em luzes me proponho.
9
Caçador das ilusões
Onde nada se mostrasse
E teimando em tal impasse
Novos dias sem verões
Ou dispersas emoções
Porém tudo já não grasse
E se mostra em turva face
O que agora não repões
Caminhando finalmente
Novo tanto se apresente
Neste pouco que restara,
A semente em solo agreste
Da maneira que me deste
Nunca mais em mim brotara.
10
Poderia na velhice
Ter ao menos ilusão?
Eu bem sei que este senão
Quando a vida contradisse
Refletindo esta mesmice
Nelas olhos não verão
Horizonte em precisão,
Sendo amor mera tolice,
Arco mesmo com meus erros
E condeno-me aos desterros
Entre sendas mais sutis,
Do que tanto desejei
Noutra face, noutra grei
O teu sonho nunca quis.
35971 até 35980
1
Pudesse te tocar, desnuda diva
E ter teu corpo unido ao meu agora,
O quanto da vontade me devora
Enquanto a fantasia me cativa
E beijo a tua imagem sempre viva
E quando novamente em mim se aflora
A força incomparável onde ancora
Saveiro da esperança e nada priva.
Resisto o quanto posso, mas mergulho
Nas sendas mais audazes e vasculho
Delírios entre tantas sendas raras,
E quando me entranhando em ti me embebo
Deste rocio em gozo que recebo
E nele teus prazeres escancaras.
2
Delírios entre noites mais audazes,
Palavras e vontades consoantes,
Por quanto ainda queres e agigantes
Momentos delicados quando trazes
Nos olhos os momentos tão tenazes
Deixando noites claras fascinantes
E nelas outras tantas me adiantes
A vida se mostrando além das frases
E sonhos tão somente, com tal fúria
A noite se passando sem lamúria
Na insensatez sublime e fabulosa
Do quanto se querendo muito mais,
Vislumbro em cenas raras sensuais
O amor quando deveras doma e goza.
3
A pele arrepiada, o toque manso
Carícias e carinhos se trocando,
O dia se promete bem mais brando
Enquanto o Paraíso agora alcanço
E quando sem fronteiras teimo e avanço
Um quadro mais sutil se desenhando
E nele novamente mergulhando
Tramando neste gozo algum remanso.
De toda esta beleza em tom suave
O amor ao se mostrar qual fosse nave
Levando para além em siderais
Caminhos desenhados pelo quanto
Deste desejo imenso quero e canto,
Sabendo que eu te quero muito mais.
4
Inesquecível noite se anuncia
Nas tramas em delírios e lençóis
Enquanto vejo em luas claros sóis
Bebendo em madrugada intenso dia,
O amor deveras toma a fantasia
E entranha nos meus olhos tais faróis
Os sonhos te procuram, girassóis
Qual fosse a mais incrível ardentia.
Resido em cada instante em que tu vens
E sorvo inesgotáveis, raros bens
Adentro templos feitos em prazer,
E quando mergulhando sem defesa,
Seguindo sem pensar a correnteza
Até que surja ao longe o alvorecer.
5
Pudesse acreditar nas mãos do amor
Que tanto nos conduz e nos maltrata
A face da ilusão demais ingrata
Moldando com ternura a turva cor,
No quanto tenho e busco te propor
Nos laços dos desejos, a vida ata,
Porém este vazio já retrata
O quanto se bebera em dissabor.
Após te perceber de mim alheia
A lua em brumas tantas se rodeia
E o caos se aproximando neste céu,
Galopa sem destino, o pensamento
E quando me percebo e mesmo tento
Ausente dos meus olhos, meu corcel.
6
Pudesse em teus fascínios discernir
A plena maravilha deste amor,
Mas nada do que eu possa te propor
Trará qualquer anseio no porvir,
Um pária se perdendo sem sentir
Senão as mesmas faces deste horror
Aonde se embebera em medo e dor,
Sangria a cada instante pressentir,
No olhar ausente e tosco de quem ama,
E sabe tão distante a velha trama
Mesquinhos dias, morte se aproxima,
E quando mergulhando em tal abismo
Porquanto sem destino teimo e sismo,
Sem nada que deveras me redima.
7
O quanto poderia ser feliz
Quem sonha com momentos, simplesmente
Enquanto a vida aos poucos me desmente
Negando cada instante que já quis,
O corte se aproxima da raiz
E o vento em tempestades inclemente
Riscando o meu caminho plenamente
Cevando a cada ausência a cicatriz.
O parto se transforma em mero aborto
O quanto se ausentando qualquer porto
Um barco que deveras à deriva
Não tendo mais saída naufragando
O dia noutra face se nublando
Minha alma tão somente sobreviva.
8
O amor não poderia ser assim,
Riscando dos meus dias a alegria
E quantas vezes bebo esta utopia
Sabendo desta história viva em mim,
Preparo finalmente para o fim
E bebo desta espúria fantasia
E quando outro momento se recria
Percebo este vazio de onde vim
E retornando ao nada, sou capaz
De acreditar ao menos numa paz
Gerada pela morte salvadora,
E quantas vezes luto e não se vê
Da vida mais talvez qualquer por que
Diverso do que um dia em sonhos fora.
9
Sem prazos, nem momentos, morte eu vejo
E sei que a redenção passa por isto,
E quando no final teimo e desisto,
Apenas entregando-me ao desejo
Do quanto poderia e nunca almejo
E sei que na verdade se inda existo
Ou mesmo contra a fúria em dor resisto
Mortalha se tecendo já sem pejo.
Das várias estações, o duro inverno
Prepara o meu caminho para o inferno
E sinto-me tomado pelo fogo
Cansado de lutar inutilmente,
O quanto do vazio se apresente
Jamais pressentiria qualquer rogo.
10
Eternamente em mim vivo a penumbra
E beijo esta mortal face sombria
E quantas vezes mesmo poderia
Viver o que deveras nos alumbra,
Porém apenas nada se vislumbra
Marcando com temor o dia a dia,
Assim nefasta nasce a poesia
E nela esta mortalha se deslumbra,
Resquícios de uma vida inconseqüente
E agora que o final já se apresente
Mergulho nos abismos que criara
Agonizando apenas, nada mais,
Os dias rotineiros são iguais
Minha alma perpetua a chaga, a escara.
Pudesse te tocar, desnuda diva
E ter teu corpo unido ao meu agora,
O quanto da vontade me devora
Enquanto a fantasia me cativa
E beijo a tua imagem sempre viva
E quando novamente em mim se aflora
A força incomparável onde ancora
Saveiro da esperança e nada priva.
Resisto o quanto posso, mas mergulho
Nas sendas mais audazes e vasculho
Delírios entre tantas sendas raras,
E quando me entranhando em ti me embebo
Deste rocio em gozo que recebo
E nele teus prazeres escancaras.
2
Delírios entre noites mais audazes,
Palavras e vontades consoantes,
Por quanto ainda queres e agigantes
Momentos delicados quando trazes
Nos olhos os momentos tão tenazes
Deixando noites claras fascinantes
E nelas outras tantas me adiantes
A vida se mostrando além das frases
E sonhos tão somente, com tal fúria
A noite se passando sem lamúria
Na insensatez sublime e fabulosa
Do quanto se querendo muito mais,
Vislumbro em cenas raras sensuais
O amor quando deveras doma e goza.
3
A pele arrepiada, o toque manso
Carícias e carinhos se trocando,
O dia se promete bem mais brando
Enquanto o Paraíso agora alcanço
E quando sem fronteiras teimo e avanço
Um quadro mais sutil se desenhando
E nele novamente mergulhando
Tramando neste gozo algum remanso.
De toda esta beleza em tom suave
O amor ao se mostrar qual fosse nave
Levando para além em siderais
Caminhos desenhados pelo quanto
Deste desejo imenso quero e canto,
Sabendo que eu te quero muito mais.
4
Inesquecível noite se anuncia
Nas tramas em delírios e lençóis
Enquanto vejo em luas claros sóis
Bebendo em madrugada intenso dia,
O amor deveras toma a fantasia
E entranha nos meus olhos tais faróis
Os sonhos te procuram, girassóis
Qual fosse a mais incrível ardentia.
Resido em cada instante em que tu vens
E sorvo inesgotáveis, raros bens
Adentro templos feitos em prazer,
E quando mergulhando sem defesa,
Seguindo sem pensar a correnteza
Até que surja ao longe o alvorecer.
5
Pudesse acreditar nas mãos do amor
Que tanto nos conduz e nos maltrata
A face da ilusão demais ingrata
Moldando com ternura a turva cor,
No quanto tenho e busco te propor
Nos laços dos desejos, a vida ata,
Porém este vazio já retrata
O quanto se bebera em dissabor.
Após te perceber de mim alheia
A lua em brumas tantas se rodeia
E o caos se aproximando neste céu,
Galopa sem destino, o pensamento
E quando me percebo e mesmo tento
Ausente dos meus olhos, meu corcel.
6
Pudesse em teus fascínios discernir
A plena maravilha deste amor,
Mas nada do que eu possa te propor
Trará qualquer anseio no porvir,
Um pária se perdendo sem sentir
Senão as mesmas faces deste horror
Aonde se embebera em medo e dor,
Sangria a cada instante pressentir,
No olhar ausente e tosco de quem ama,
E sabe tão distante a velha trama
Mesquinhos dias, morte se aproxima,
E quando mergulhando em tal abismo
Porquanto sem destino teimo e sismo,
Sem nada que deveras me redima.
7
O quanto poderia ser feliz
Quem sonha com momentos, simplesmente
Enquanto a vida aos poucos me desmente
Negando cada instante que já quis,
O corte se aproxima da raiz
E o vento em tempestades inclemente
Riscando o meu caminho plenamente
Cevando a cada ausência a cicatriz.
O parto se transforma em mero aborto
O quanto se ausentando qualquer porto
Um barco que deveras à deriva
Não tendo mais saída naufragando
O dia noutra face se nublando
Minha alma tão somente sobreviva.
8
O amor não poderia ser assim,
Riscando dos meus dias a alegria
E quantas vezes bebo esta utopia
Sabendo desta história viva em mim,
Preparo finalmente para o fim
E bebo desta espúria fantasia
E quando outro momento se recria
Percebo este vazio de onde vim
E retornando ao nada, sou capaz
De acreditar ao menos numa paz
Gerada pela morte salvadora,
E quantas vezes luto e não se vê
Da vida mais talvez qualquer por que
Diverso do que um dia em sonhos fora.
9
Sem prazos, nem momentos, morte eu vejo
E sei que a redenção passa por isto,
E quando no final teimo e desisto,
Apenas entregando-me ao desejo
Do quanto poderia e nunca almejo
E sei que na verdade se inda existo
Ou mesmo contra a fúria em dor resisto
Mortalha se tecendo já sem pejo.
Das várias estações, o duro inverno
Prepara o meu caminho para o inferno
E sinto-me tomado pelo fogo
Cansado de lutar inutilmente,
O quanto do vazio se apresente
Jamais pressentiria qualquer rogo.
10
Eternamente em mim vivo a penumbra
E beijo esta mortal face sombria
E quantas vezes mesmo poderia
Viver o que deveras nos alumbra,
Porém apenas nada se vislumbra
Marcando com temor o dia a dia,
Assim nefasta nasce a poesia
E nela esta mortalha se deslumbra,
Resquícios de uma vida inconseqüente
E agora que o final já se apresente
Mergulho nos abismos que criara
Agonizando apenas, nada mais,
Os dias rotineiros são iguais
Minha alma perpetua a chaga, a escara.
35961 até 35970
1
Amor que se sonega e traça rumos
Diversos e embalsama uma esperança
Enquanto no vazio já se lança
Revela a sensação de escassos fumos,
E quando me perdendo sem aprumos
Apenas noutro olhar a temperança
Resíduos de outros tempos na lembrança
Dispersam com terror os doces sumos.
A face desdentada, o olhar sombrio,
O medo se espalhando em desvario
O ritmo se percebe em tom disperso,
E quando inutilmente busco a luz,
Bebendo a cada passo o quanto pus
Inutilmente em mar por onde verso.
2
Acode-me este vazio em noite terna
E tento vislumbrar qualquer detalhe
Da vida quando o sonho se retalhe
Buscando finalmente uma lanterna,
No quanto a realidade me consterna
E sinto da esperança um mero entalhe,
Vivendo cada dia enquanto talhe
A carne em dor intensa a vida inverna,
Aguardo tão somente o derradeiro
Acorde aonde possa ser inteiro
Por mais que a própria vida me degrade,
Sorvendo a minha morte em goles fartos,
Das alegrias sinto em claros partos
A morte que me trague a liberdade.
3
Abrindo os velhos olhos de quem tanto
Sonhara com momentos mais felizes,
E apenas entre dores, cicatrizes
Entranha pelo vago desencanto,
Proliferando a dita em tal quebranto
E quando na verdade tu desdizes
Não vês os meus caminhos em deslizes
E a rota sensação do antigo manto
Jogado sobre os ombros de quem ama,
E sei da inútil farsa em dura trama,
Resido no talvez e disto eu sei
O mundo que pensara todo meu
Há tanto sem destino escureceu
Tomando em tez brumosa inteira a grei.
4
A mesquinhez de um dia mais falível
Imerso em tantas dúvidas traduz
A falsa sensação de tola luz
Num tempo quase alheio ou implausível,
Rasgando o que pudesse ser mais crível
Enfrento tão somente o quanto opus
Meu mundo noutro passo em contraluz
Uma esperança nunca mais visível.
Puída fantasia que ora visto,
E quando nesta senda inda persisto
Restando muito pouco de algum sonho,
O todo se esvaindo passo a passo
Apenas os meus ermos vagos grasso
Num dia tão atroz quanto medonho.
5
Ao receber um beijo em tantas rugas
As marcas de uma vida em tom sombrio,
O olhar para mim mesmo já desvio
E busco na ilusão diversas fugas,
Acordo em dissonância com verdades
E sei deste fantoche que inda resta
Imagem desairosa e tão funesta
Aprisionado sonho em torpes grades.
Perdoe-me decerto por sonhar,
O cardo no caminho, a pedra e o medo,
E quando alguma luz inda concedo
Tentando a fantasia desvendar,
Espelho me traduz sem mais mentira
O quanto a realidade adentra e fira.
6
Amar e ser feliz, compondo em luzes
As sombras da existência quase vã,
E quando se percebe esta manhã
E nela novos brilhos reproduzes,
Os dias mais audazes; se reluzes
Produzes no meu peito um novo afã
Embora entranhe apenas mera cã
Diverso do que pensas me seduzes,
Apenas um momento e nada mais,
Os dias se repetem são iguais
Rotina desvendando a realidade,
Porquanto acreditar neste impossível
Caminho aonde mesmo este implausível
Delírio novamente vem e invade.
7
Sedento caminheiro em tal deserto
Dos sonhos mais atrozes eu percebo
Da amarga realidade em que me embebo
O passo sem destino ou rumo certo,
E quando se apresenta mais aberto
O coração deveras vil placebo
O tanto que pudesse e não concebo
Aos poucos de outros sonhos eu me alerto
E rumo em horizonte mesmo falso
Meu passo penetrando o cadafalso
Sem nada que deveras me socorra
Apenas a lembrança do que um dia
Talvez pudesse ser uma alegria,
Porém me preparava pra masmorra.
8
As sombras dos meus ermos passos, sigo
E tento desvendar qualquer seara
Aonde a própria vida se escancara
Vencendo a cada curva outro perigo.
Amordaçado sonho, em vão prossigo
A vida não seria nunca clara
A morte se aproxima e se prepara
Gerando finalmente em seu jazigo
O abrigo que servira de legado,
Apenas do que tanto imaginei,
Mortalha em ilusões; eu desfiei
No fim há tanto tempo desejado.
9
Eu tento vislumbrar alguma luz
Aonde se pudesse crer na vida,
Mas quando se entranhara sem saída
O labirinto enorme onde compus
Meu passo se resume em fardo e cruz
No quanto se pensara ser urdida
A sorte se prepara em despedida
E desampara mesmo quem produz
Os sonhos entre tantas heresias,
E quando na verdade tu mentias
Traçando em desespero o que pudera
Singrar novo oceano mais distante
Semente a cada broto degradante
Matando sem perdão a primavera.
10
Rosnando do meu lado esta delícia
E nela o precipício delirante,
No quanto meu desejo se agigante
A vida sem terror e sem sevicia
No olhar mais sorrateiro e com malícia
O todo se renova a cada instante
E bebo água sutil e fascinante
Das dores e dos medos, nem notícia,
Assim entre lençóis, bocas e pernas,
As horas são deveras quase eternas
E o gozo prometido se transborda,
Porém um sonhador tão solitário
Ao ver este caminho imaginário,
Num canto abandonado, enfim acorda.
Amor que se sonega e traça rumos
Diversos e embalsama uma esperança
Enquanto no vazio já se lança
Revela a sensação de escassos fumos,
E quando me perdendo sem aprumos
Apenas noutro olhar a temperança
Resíduos de outros tempos na lembrança
Dispersam com terror os doces sumos.
A face desdentada, o olhar sombrio,
O medo se espalhando em desvario
O ritmo se percebe em tom disperso,
E quando inutilmente busco a luz,
Bebendo a cada passo o quanto pus
Inutilmente em mar por onde verso.
2
Acode-me este vazio em noite terna
E tento vislumbrar qualquer detalhe
Da vida quando o sonho se retalhe
Buscando finalmente uma lanterna,
No quanto a realidade me consterna
E sinto da esperança um mero entalhe,
Vivendo cada dia enquanto talhe
A carne em dor intensa a vida inverna,
Aguardo tão somente o derradeiro
Acorde aonde possa ser inteiro
Por mais que a própria vida me degrade,
Sorvendo a minha morte em goles fartos,
Das alegrias sinto em claros partos
A morte que me trague a liberdade.
3
Abrindo os velhos olhos de quem tanto
Sonhara com momentos mais felizes,
E apenas entre dores, cicatrizes
Entranha pelo vago desencanto,
Proliferando a dita em tal quebranto
E quando na verdade tu desdizes
Não vês os meus caminhos em deslizes
E a rota sensação do antigo manto
Jogado sobre os ombros de quem ama,
E sei da inútil farsa em dura trama,
Resido no talvez e disto eu sei
O mundo que pensara todo meu
Há tanto sem destino escureceu
Tomando em tez brumosa inteira a grei.
4
A mesquinhez de um dia mais falível
Imerso em tantas dúvidas traduz
A falsa sensação de tola luz
Num tempo quase alheio ou implausível,
Rasgando o que pudesse ser mais crível
Enfrento tão somente o quanto opus
Meu mundo noutro passo em contraluz
Uma esperança nunca mais visível.
Puída fantasia que ora visto,
E quando nesta senda inda persisto
Restando muito pouco de algum sonho,
O todo se esvaindo passo a passo
Apenas os meus ermos vagos grasso
Num dia tão atroz quanto medonho.
5
Ao receber um beijo em tantas rugas
As marcas de uma vida em tom sombrio,
O olhar para mim mesmo já desvio
E busco na ilusão diversas fugas,
Acordo em dissonância com verdades
E sei deste fantoche que inda resta
Imagem desairosa e tão funesta
Aprisionado sonho em torpes grades.
Perdoe-me decerto por sonhar,
O cardo no caminho, a pedra e o medo,
E quando alguma luz inda concedo
Tentando a fantasia desvendar,
Espelho me traduz sem mais mentira
O quanto a realidade adentra e fira.
6
Amar e ser feliz, compondo em luzes
As sombras da existência quase vã,
E quando se percebe esta manhã
E nela novos brilhos reproduzes,
Os dias mais audazes; se reluzes
Produzes no meu peito um novo afã
Embora entranhe apenas mera cã
Diverso do que pensas me seduzes,
Apenas um momento e nada mais,
Os dias se repetem são iguais
Rotina desvendando a realidade,
Porquanto acreditar neste impossível
Caminho aonde mesmo este implausível
Delírio novamente vem e invade.
7
Sedento caminheiro em tal deserto
Dos sonhos mais atrozes eu percebo
Da amarga realidade em que me embebo
O passo sem destino ou rumo certo,
E quando se apresenta mais aberto
O coração deveras vil placebo
O tanto que pudesse e não concebo
Aos poucos de outros sonhos eu me alerto
E rumo em horizonte mesmo falso
Meu passo penetrando o cadafalso
Sem nada que deveras me socorra
Apenas a lembrança do que um dia
Talvez pudesse ser uma alegria,
Porém me preparava pra masmorra.
8
As sombras dos meus ermos passos, sigo
E tento desvendar qualquer seara
Aonde a própria vida se escancara
Vencendo a cada curva outro perigo.
Amordaçado sonho, em vão prossigo
A vida não seria nunca clara
A morte se aproxima e se prepara
Gerando finalmente em seu jazigo
O abrigo que servira de legado,
Apenas do que tanto imaginei,
Mortalha em ilusões; eu desfiei
No fim há tanto tempo desejado.
9
Eu tento vislumbrar alguma luz
Aonde se pudesse crer na vida,
Mas quando se entranhara sem saída
O labirinto enorme onde compus
Meu passo se resume em fardo e cruz
No quanto se pensara ser urdida
A sorte se prepara em despedida
E desampara mesmo quem produz
Os sonhos entre tantas heresias,
E quando na verdade tu mentias
Traçando em desespero o que pudera
Singrar novo oceano mais distante
Semente a cada broto degradante
Matando sem perdão a primavera.
10
Rosnando do meu lado esta delícia
E nela o precipício delirante,
No quanto meu desejo se agigante
A vida sem terror e sem sevicia
No olhar mais sorrateiro e com malícia
O todo se renova a cada instante
E bebo água sutil e fascinante
Das dores e dos medos, nem notícia,
Assim entre lençóis, bocas e pernas,
As horas são deveras quase eternas
E o gozo prometido se transborda,
Porém um sonhador tão solitário
Ao ver este caminho imaginário,
Num canto abandonado, enfim acorda.
35951 até 35960
1
Os poemas que imagino sendo meus
Adentram por caminhos onde eu tento
Ou mesmo libertando o pensamento
Deixando para trás algum adeus,
Mergulho entre diversos apogeus
E sinto a cada frase que ora invento
Palavra em cujo senso me acrescento
Entranho luzes plenas, bebo breus.
Restando então calado onde pudera
Gerar ou denegrir qualquer quimera
A fera que apascento me devora,
Assim ao ser poeta, a vida nega
Enquanto outro momento me carrega
No instante derradeiro, vai embora.
2
A minha terra é feita em frases, ditos
E tento caminhar por onde o tanto
Pudesse renovar enquanto canto
Em dias mais terríveis ou benditos,
Os versos sendo assim quase infinitos
Olhando de soslaio em cada canto,
O corte se refaz e o velho manto
Traçado em dias turvos ou bonitos.
Fazendo da palavra uma vassala
Ao mesmo tempo domo e ela me cala
Restando com destreza em tom sutil
A imagem que pretendo ou me desvio,
Adentrando meandros deste rio
Aonde o que se espera não se viu.
3
Cotidiano quando assim retrato
No verso ou na palavra, pensamento,
Do quanto existe ou não tento e alimento
E sei quando disperso sonho e fato,
Do mar incomparável ao regato
Bebendo com certeza o mesmo vento
E dele se deveras sei provento
O corte se aprofunda e não desato
Mesquinho ou mais vulgar, resumo em paz
O tanto quanto pude e não sei mais,
Vencidos caminheiros desiguais
E neles não se vendo mais a paz,
E farto de mentiras e delírios
Não quero viver luzes nem martírios.
4
A vida se repete em qualquer praça
Nos bancos do jardim, casas, quintais
E quando se imagina muito mais
Apenas o vazio vem e abraça
O quanto se pensara ser a caça
Espanto os meus diversos e venais
Caminhos entre tantos desiguais
E vejo a solidão envolta em traça;
Mas como rotineiro viandante
Por quanto a vida às vezes se adiante
Ou negue cada passo, mesmo assim,
Eu sei do quanto posso ou não teria
Sequer esta visão em poesia
Traçando do princípio, o meio e o fim.
5
Procuro qualquer luz, nova lanterna
Aonde eu possa mesmo discernir
As cruzes do passado e as do porvir
No quanto a realidade não se externa,
A voz sutil e turva mesmo terna
Não deixa mais o quanto pressentir,
Nem mesmo bebo em ti o que impedir
Caminho para a redenção eterna.
O vandalismo esgota a realidade
No tento mais temível que se agrade
A fútil e fantástica ilusão
Do tanto que pensara em solo firme
Sem nada que deveras me confirme
Guardados nestas sombras, no porão.
6
Procuro qualquer porto, uma estalagem
Aonde possa ter algum suporte,
Depois de perceber quem não conforte
Deixando para trás qualquer miragem,
O vento se mostrando em nova aragem
Apenas sem sentindo, rumo ou norte,
Jogando o meu caminho à própria sorte
Não deixo de tentar nova viagem.
Expulso os meus demônios e me entrego
Ao quanto poderia e não sonego
Vivenciar a face verdadeira
Da vida noutra escora ou noutro tempo,
E quando mergulhando em contratempo
A morte da esperança é mensageira.
7
Procuro algum caminho se inda os há
E tento desvendar outra promessa
Enquanto o dia a dia se endereça
Marcando o que pudera desde já,
Olhando para além encontro cá
O corte que deveras recomeça
E toma esta fatia e já sem pressa
Jamais a minha sorte negará.
O caos se dissemina em cada verso
E os sonhos mais audazes desconverso
Tentando novamente o que não vejo,
O fardo se pesando incrivelmente,
Aos poucos o vazio enfim se aumente
Tomando todo espaço do desejo.
8
De todos os meus mortos, eu sei bem
Os vários e terríveis temporais
Ou mesmo numa ausência em luz e cais
Apenas a lembrança e quando vem,
Desisto desta vida com alguém
E sei que solitário ganho mais,
O olhar que disse sempre hoje é jamais
O fardo é meu e sei quanto contém
Dos tantos desvarios de uma vida
Nas ânsias de um delírio sendo urdida
Arisca madrugada morre alheia
Ao quanto poderia ainda haver
Em raro e tão sublime anoitecer
Na lua em plenitude, sempre cheia.
9
O passo doentio da paixão
Transforma qualquer vento em temporal,
Assim neste diverso e desigual
Caminho se perdera a direção
E sei do quanto posso ou mesmo não,
E sigo sem destino o ritual
Aonde poderia haver a nau
E sinto tão somente o furacão
Nefasta madrugada, luz sombria
A porta na verdade não se abria
Desertos que habitara sobrevivem
E os olhos mais ativos no horizonte
Aonde falsa luz inda desponte
Com fantasias tolas já convivem.
10
O ser ou não assim mais explosivo
Depende dos momentos e se eu tento
Sorver com alegria o sofrimento
E desta forma insana sobrevivo,
Jamais me imaginei do amor cativo
E quando novo passo eu alimento
Alheio ao que comande o pensamento
Das ânsias mais espúrias já me crivo
E resolutamente sigo em frente
Sem nada que inda possa ou mesmo atente
Invento uma desculpa e me esgueirando
Adentro as velhas tramas e trapaças
E quando além dos olhos teimas, passas
Mergulho neste mundo em contrabando.
Os poemas que imagino sendo meus
Adentram por caminhos onde eu tento
Ou mesmo libertando o pensamento
Deixando para trás algum adeus,
Mergulho entre diversos apogeus
E sinto a cada frase que ora invento
Palavra em cujo senso me acrescento
Entranho luzes plenas, bebo breus.
Restando então calado onde pudera
Gerar ou denegrir qualquer quimera
A fera que apascento me devora,
Assim ao ser poeta, a vida nega
Enquanto outro momento me carrega
No instante derradeiro, vai embora.
2
A minha terra é feita em frases, ditos
E tento caminhar por onde o tanto
Pudesse renovar enquanto canto
Em dias mais terríveis ou benditos,
Os versos sendo assim quase infinitos
Olhando de soslaio em cada canto,
O corte se refaz e o velho manto
Traçado em dias turvos ou bonitos.
Fazendo da palavra uma vassala
Ao mesmo tempo domo e ela me cala
Restando com destreza em tom sutil
A imagem que pretendo ou me desvio,
Adentrando meandros deste rio
Aonde o que se espera não se viu.
3
Cotidiano quando assim retrato
No verso ou na palavra, pensamento,
Do quanto existe ou não tento e alimento
E sei quando disperso sonho e fato,
Do mar incomparável ao regato
Bebendo com certeza o mesmo vento
E dele se deveras sei provento
O corte se aprofunda e não desato
Mesquinho ou mais vulgar, resumo em paz
O tanto quanto pude e não sei mais,
Vencidos caminheiros desiguais
E neles não se vendo mais a paz,
E farto de mentiras e delírios
Não quero viver luzes nem martírios.
4
A vida se repete em qualquer praça
Nos bancos do jardim, casas, quintais
E quando se imagina muito mais
Apenas o vazio vem e abraça
O quanto se pensara ser a caça
Espanto os meus diversos e venais
Caminhos entre tantos desiguais
E vejo a solidão envolta em traça;
Mas como rotineiro viandante
Por quanto a vida às vezes se adiante
Ou negue cada passo, mesmo assim,
Eu sei do quanto posso ou não teria
Sequer esta visão em poesia
Traçando do princípio, o meio e o fim.
5
Procuro qualquer luz, nova lanterna
Aonde eu possa mesmo discernir
As cruzes do passado e as do porvir
No quanto a realidade não se externa,
A voz sutil e turva mesmo terna
Não deixa mais o quanto pressentir,
Nem mesmo bebo em ti o que impedir
Caminho para a redenção eterna.
O vandalismo esgota a realidade
No tento mais temível que se agrade
A fútil e fantástica ilusão
Do tanto que pensara em solo firme
Sem nada que deveras me confirme
Guardados nestas sombras, no porão.
6
Procuro qualquer porto, uma estalagem
Aonde possa ter algum suporte,
Depois de perceber quem não conforte
Deixando para trás qualquer miragem,
O vento se mostrando em nova aragem
Apenas sem sentindo, rumo ou norte,
Jogando o meu caminho à própria sorte
Não deixo de tentar nova viagem.
Expulso os meus demônios e me entrego
Ao quanto poderia e não sonego
Vivenciar a face verdadeira
Da vida noutra escora ou noutro tempo,
E quando mergulhando em contratempo
A morte da esperança é mensageira.
7
Procuro algum caminho se inda os há
E tento desvendar outra promessa
Enquanto o dia a dia se endereça
Marcando o que pudera desde já,
Olhando para além encontro cá
O corte que deveras recomeça
E toma esta fatia e já sem pressa
Jamais a minha sorte negará.
O caos se dissemina em cada verso
E os sonhos mais audazes desconverso
Tentando novamente o que não vejo,
O fardo se pesando incrivelmente,
Aos poucos o vazio enfim se aumente
Tomando todo espaço do desejo.
8
De todos os meus mortos, eu sei bem
Os vários e terríveis temporais
Ou mesmo numa ausência em luz e cais
Apenas a lembrança e quando vem,
Desisto desta vida com alguém
E sei que solitário ganho mais,
O olhar que disse sempre hoje é jamais
O fardo é meu e sei quanto contém
Dos tantos desvarios de uma vida
Nas ânsias de um delírio sendo urdida
Arisca madrugada morre alheia
Ao quanto poderia ainda haver
Em raro e tão sublime anoitecer
Na lua em plenitude, sempre cheia.
9
O passo doentio da paixão
Transforma qualquer vento em temporal,
Assim neste diverso e desigual
Caminho se perdera a direção
E sei do quanto posso ou mesmo não,
E sigo sem destino o ritual
Aonde poderia haver a nau
E sinto tão somente o furacão
Nefasta madrugada, luz sombria
A porta na verdade não se abria
Desertos que habitara sobrevivem
E os olhos mais ativos no horizonte
Aonde falsa luz inda desponte
Com fantasias tolas já convivem.
10
O ser ou não assim mais explosivo
Depende dos momentos e se eu tento
Sorver com alegria o sofrimento
E desta forma insana sobrevivo,
Jamais me imaginei do amor cativo
E quando novo passo eu alimento
Alheio ao que comande o pensamento
Das ânsias mais espúrias já me crivo
E resolutamente sigo em frente
Sem nada que inda possa ou mesmo atente
Invento uma desculpa e me esgueirando
Adentro as velhas tramas e trapaças
E quando além dos olhos teimas, passas
Mergulho neste mundo em contrabando.
35941 até 35950
1
Usando rimas ricas, peito pobre
Tateia inutilmente e nada colhe
A vida a cada passo mais me tolhe
Enquanto a realidade se descobre
O mundo que pensara ser tão nobre
Apenas os fantasmas já recolhe
E o pendular caminho não se escolhe
A mera fantasia tudo encobre.
Restando dentro em mim tal atitude
Porquanto a realidade mesmo ilude
Não pude perceber outra seara,
A sorte se moldando em tom diverso,
Somando cada força de algum verso
À morte todo passo em vão prepara.
2
Não posso mais pensar em ter a paz
Que tanto desejara e sei distante
Ainda quando em sonhos agigante
O corte se apresenta mais tenaz,
E tanto poderia quanto faz
A porta se trancando em inconstante
Delírio que deveras se adiante
E mostre a realidade vã, mordaz;
Resumo em luzes turvas a existência
O fato de sonhar é penitência
E tanto poderia ser diverso
Se o mundo fosse assim bem mais tranqüilo
E quando no vazio enfim desfilo,
Seguindo neste vago mundo imerso.
3
Viver esta saudade e nada mais,
Resoluto tentara alguma luz
E quanto mais exposta a dor e a cruz,
O corte se aprofunda sem jamais
Vencer os meus temores ancestrais
E neles cada verso em que propus
O mundo mais diverso em contraluz,
Porém das ilusões, sequer sinais,
A sombra de quem fora há tantos anos,
Causando novamente frios danos
E as ânsias dominando a poesia,
A sorte se apresenta em nova face,
Ainda que decerto me desgrace
Restando viva sombra em fantasia.
4
Jogado sobre as pedras deste porto
Ancoradouro há tanto abandonado
O reino que buscara, desolado
Apenas resistindo, semimorto,
E quando noutra face em desconforto
Entrego-me ao vazio, meu legado,
O corte pronuncia-se velado
Dos tantos que julgara mero e absorto
Resisto o mais que posso, mas sei bem
O quanto deste nada me contém
E o peso da existência vergando haste,
No todo imaginário e mais feliz,
Realidade invade e contradiz
Enquanto uma esperança me negaste.
5
Ocasos desta vida em tom sombrio,
Os ermos de minha alma eu inda tento
Porquanto entregue ao mero sofrimento
O dia a dia apenas desafio,
Desatinadamente busco o rio
E quando nova história enfim invento
Tocado pela força deste vento
Tomado por completo desvario,
Arranco dos meus olhos o horizonte
Por mais que um novo dia já se aponte
A morte não me deixa um só segundo,
Seguindo os velhos rastros que deixaste
Invés da fantasia outro desgaste
E assim nestas mortalhas me aprofundo.
6
Pudera acreditar na voz de quem
Traçando em fantasia novas sendas,
E quando a realidade tu desvendas
Do passo que virá seguindo aquém,
Resumo minha vida no que tem
Em fases discordantes não entendas
E sei das costumeiras, vãs contendas
Deixando no passado o mesmo alguém
Por vezes acredito ter enfim
O amor que imaginara e sei que em mim
Talvez pudesse ser a salvação,
Heréticos caminhos descobertos
Os céus das esperanças encobertos,
Negando desde sempre algum verão.
7
Olhando para trás não descortino
O fardo acumulado pelos anos,
E quando imaginara novos danos
Apenas o vazio em meu destino
Aonde poderia cristalino
O mundo se mostrando em desenganos
E os erros costumeiros e profanos
Nas sendas onde atroz me desatino,
Resulto nesta sombra que indolente
Caminha em busca apenas do nascente
Sabendo ser o sol, mera ilusão,
E o todo se dilui a cada queda,
O passo noutra face já se veda
Mudando com certeza a direção.
1
Domina o pensamento plenamente,
Não deixa mais espaços para nada,
A solidão devora e a madrugada
Em trevas e neblinas já se sente,
O quanto poderia e nada atente
Para os caminhos ermos desta estrada,
A sorte noutra face desenhada
Agora se transforma em penitente.
Vasculho alguns recantos do passado
E bebo deste mundo avinagrado
Medonhas e terríveis fantasias
Afloram a me entranham, vã promessa
O tempo que em vazio já se expressa
E os sonhos se inda restam, esvazias.
2
Chegando mansamente à minha porta
Rondando atocaiando cada passo
O quanto imaginara sendo escasso
Jamais outro caminho em paz aporta,
Olhando de soslaio nada importa
A fé no que virá, falta de espaço
Mergulho neste nada aonde traço
A solidão atroz que a vida corta.
Joguete entre as terríveis ilusões,
Buscara inutilmente direções
E os dias se repetem; sempre iguais,
Porquanto poderia acreditar
Numa esperança tola que a vagar
Revolve tais momentos espectrais.
3
Sentindo o vento ainda no meu rosto,
Realço com temores cada dia
E o quanto ainda em mim se poderia
Viver além do muito já proposto
Encontra amarga face do desgosto
A noite se mostrando sempre fria,
O verso se perdendo em agonia,
A liberdade ausente, o mundo trai,
Fagulhas do que fora sentimento
Expostas ao temível forte vento
A chuva em tempestade agora cai.
Usando rimas ricas, peito pobre
Tateia inutilmente e nada colhe
A vida a cada passo mais me tolhe
Enquanto a realidade se descobre
O mundo que pensara ser tão nobre
Apenas os fantasmas já recolhe
E o pendular caminho não se escolhe
A mera fantasia tudo encobre.
Restando dentro em mim tal atitude
Porquanto a realidade mesmo ilude
Não pude perceber outra seara,
A sorte se moldando em tom diverso,
Somando cada força de algum verso
À morte todo passo em vão prepara.
2
Não posso mais pensar em ter a paz
Que tanto desejara e sei distante
Ainda quando em sonhos agigante
O corte se apresenta mais tenaz,
E tanto poderia quanto faz
A porta se trancando em inconstante
Delírio que deveras se adiante
E mostre a realidade vã, mordaz;
Resumo em luzes turvas a existência
O fato de sonhar é penitência
E tanto poderia ser diverso
Se o mundo fosse assim bem mais tranqüilo
E quando no vazio enfim desfilo,
Seguindo neste vago mundo imerso.
3
Viver esta saudade e nada mais,
Resoluto tentara alguma luz
E quanto mais exposta a dor e a cruz,
O corte se aprofunda sem jamais
Vencer os meus temores ancestrais
E neles cada verso em que propus
O mundo mais diverso em contraluz,
Porém das ilusões, sequer sinais,
A sombra de quem fora há tantos anos,
Causando novamente frios danos
E as ânsias dominando a poesia,
A sorte se apresenta em nova face,
Ainda que decerto me desgrace
Restando viva sombra em fantasia.
4
Jogado sobre as pedras deste porto
Ancoradouro há tanto abandonado
O reino que buscara, desolado
Apenas resistindo, semimorto,
E quando noutra face em desconforto
Entrego-me ao vazio, meu legado,
O corte pronuncia-se velado
Dos tantos que julgara mero e absorto
Resisto o mais que posso, mas sei bem
O quanto deste nada me contém
E o peso da existência vergando haste,
No todo imaginário e mais feliz,
Realidade invade e contradiz
Enquanto uma esperança me negaste.
5
Ocasos desta vida em tom sombrio,
Os ermos de minha alma eu inda tento
Porquanto entregue ao mero sofrimento
O dia a dia apenas desafio,
Desatinadamente busco o rio
E quando nova história enfim invento
Tocado pela força deste vento
Tomado por completo desvario,
Arranco dos meus olhos o horizonte
Por mais que um novo dia já se aponte
A morte não me deixa um só segundo,
Seguindo os velhos rastros que deixaste
Invés da fantasia outro desgaste
E assim nestas mortalhas me aprofundo.
6
Pudera acreditar na voz de quem
Traçando em fantasia novas sendas,
E quando a realidade tu desvendas
Do passo que virá seguindo aquém,
Resumo minha vida no que tem
Em fases discordantes não entendas
E sei das costumeiras, vãs contendas
Deixando no passado o mesmo alguém
Por vezes acredito ter enfim
O amor que imaginara e sei que em mim
Talvez pudesse ser a salvação,
Heréticos caminhos descobertos
Os céus das esperanças encobertos,
Negando desde sempre algum verão.
7
Olhando para trás não descortino
O fardo acumulado pelos anos,
E quando imaginara novos danos
Apenas o vazio em meu destino
Aonde poderia cristalino
O mundo se mostrando em desenganos
E os erros costumeiros e profanos
Nas sendas onde atroz me desatino,
Resulto nesta sombra que indolente
Caminha em busca apenas do nascente
Sabendo ser o sol, mera ilusão,
E o todo se dilui a cada queda,
O passo noutra face já se veda
Mudando com certeza a direção.
1
Domina o pensamento plenamente,
Não deixa mais espaços para nada,
A solidão devora e a madrugada
Em trevas e neblinas já se sente,
O quanto poderia e nada atente
Para os caminhos ermos desta estrada,
A sorte noutra face desenhada
Agora se transforma em penitente.
Vasculho alguns recantos do passado
E bebo deste mundo avinagrado
Medonhas e terríveis fantasias
Afloram a me entranham, vã promessa
O tempo que em vazio já se expressa
E os sonhos se inda restam, esvazias.
2
Chegando mansamente à minha porta
Rondando atocaiando cada passo
O quanto imaginara sendo escasso
Jamais outro caminho em paz aporta,
Olhando de soslaio nada importa
A fé no que virá, falta de espaço
Mergulho neste nada aonde traço
A solidão atroz que a vida corta.
Joguete entre as terríveis ilusões,
Buscara inutilmente direções
E os dias se repetem; sempre iguais,
Porquanto poderia acreditar
Numa esperança tola que a vagar
Revolve tais momentos espectrais.
3
Sentindo o vento ainda no meu rosto,
Realço com temores cada dia
E o quanto ainda em mim se poderia
Viver além do muito já proposto
Encontra amarga face do desgosto
A noite se mostrando sempre fria,
O verso se perdendo em agonia,
A liberdade ausente, o mundo trai,
Fagulhas do que fora sentimento
Expostas ao temível forte vento
A chuva em tempestade agora cai.
35931 até 35940
1
Saudades de quem foi e não mais quis
Saber da casa eternamente aberta
Enquanto esta lembrança não deserta
Jamais eu poderia ser feliz.
O quanto desta vida contradiz
O coração volúvel, mas alerta
E quando um novo amor vem e desperta
Apenas da saudade chamariz.
Qual fora algum espectro imorredouro
Buscando por um cais, ancoradouro
E nada se mostrando senão este
Depois que tu partiste; nada resta
Senão esta loucura em vão, funesta
É como se jamais, amor morreste.
2
Rondando qual espectro a minha casa,
Não deixa um só momento em paz, enquanto
Turvando assim meu céu em negro manto
Reacendendo em mim a velha brasa.
O tempo neste instante em vão se atrasa
E o mundo se promete em desencanto,
Lembrança de outros dias não espanto
Nem mesmo diluindo se defasa.
O quanto fui feliz ou muito menos,
Apenas entranhara em tais venenos
Uma alma sonhadora e nada mais,
E o barco sem saber de outro caminho
Retorna como estúpido velhinho
Volvendo sem querer ao mesmo cais.
3
Refeito dos meus erros, nada peço
E tento apenas isto: acreditar
Que possa novamente caminhar
Enquanto das amarras me despeço,
E quando noutro engodo enfim tropeço
Enveredando sempre este lugar
Não adianta mais sequer lutar
O amor que tanto nego, assim confesso.
O fato de tentar a liberdade
Embora em cordoalhas da saudade
Talvez permita crer ser mais possível
Um novo amanhecer mesmo implausível
Saudade com seu ar imperecível
De novo a cada noite vem e invade.
4
Restara muito pouco do que fomos,
Mas mesmo assim alenta-me saber
Do mundo caminhando a entorpecer
Qual livro renovando velhos tomos,
E agora quão diversos inda somos,
Não temos mais da vida o desprazer
De tanto acreditar no bem querer
Fatias estragadas, tolos gomos.
E assim ao percebermos novo dia
Porquanto além já morre a fantasia
Rompendo da ilusão temida grade,
Tentando acreditar numa esperança
Por mais que a minha vida enfim avança
Ainda sinto o peso da saudade.
5
Olhando para os ermos dos meus dias
E neles as entradas e bandeiras
Searas mais antigas, corriqueiras
E delas meras sombras, fantasias,
Enquanto o renovar tu mais querias
E mesmo tão distante eu sei que queiras
As hordas de fantasmas derradeiras
Invadem e derramam tais magias,
E quando a panacéia se pensara
O todo noutra face demonstrara
O quanto inútil fora a minha vida,
Assim ao perceber mera indulgência
De quem se imaginara mais decência
A história realmente está perdida.
6
Ocasionando apenas tempestades
Enquanto poderia haver bem mais
Transtornos repetindo vendavais
E neles as lembranças, as saudades
Ditames desta vida em turvas grades,
Ausência de esperança em ledo cais
O quanto nos meus sonhos nunca mais
Terei quando deveras inda brades.
Rondando a falsa imagem de um legado,
O corpo há tanto tempo estraçalhado
Apodrecido em vida, tão somente,
E assim o quanto tive e já perdi
Revivo a cada instante estando aqui
Somente esta saudade se apresente.
7
Apático e venal qual fosse um dia
O resto de um medonho caricato
No quanto da ilusão eu me retrato
Gerando nova senda em fantasia,
O tempo na verdade poderia
Tramar cada momento, mas ingrato
E quando das amarras me desato
A sorte se mostrando hipocrisia,
Cursando o velho rio para o nada
Da foz há tanto tempo imaginada
Sequer qualquer lembrança, sigo alheio,
Reflito esta ameaça de uma sorte
Sem nada que decerto me conforte
Apenas a saída, em vão, rodeio.
8
Presumo acreditar no quanto posso
Vencer os descaminhos nesta senda
Sem ter sequer quem saiba ou mesmo entenda
O quanto deste tanto nunca é nosso,
E quando noutro rumo ainda endosso
O passo procurando quem me estenda
As mãos e possa além de mera lenda
Viver além do espólio que ora aposso.
Realço meus enganos, vou ao fim
Bebendo esta aguardente, o vinho e o gim
Entranhas da ilusão se penetrando,
Afãs diversos teimo, inutilmente,
Apenas o final já se apresente,
Num ar tempestuoso e mais nefando.
9
Viver e acreditar no amanhecer
Embora reconheça os descaminhos
De quem cevara em vida tais espinhos
E sente a sua vida esvaecer
No torpe caminhar, já me perder,
Os dias se repetem tão mesquinhos
Meus olhos procurando ledos ninhos,
Nos vinhos da tristeza me embeber,
Restando apenas isto e nada mais,
Desisto do que fosse sem jamais
Sentir qualquer alento em vida vã,
A morte preconiza-se deveras
E adentro as derradeiras primaveras
Sabendo; não terei novo amanhã.
10
Prenunciado o fim, apenas isto
E nada se compara ao que inda tento
Enfrento peito aberto o forte vento
E quanto mais dorido, mais insisto,
Apenas persistindo, pois existo
E sei que ao fim de tudo em mero alento
A sombra do que fora sofrimento,
A morte sutilmente inda despisto
E quando inda me visto de ilusões
E nelas outras faces tu me expões
Dos dias mais sombrios, terminais,
Eu penso noutras sortes mais felizes,
Mas quando te aproximas e desdizes
Certeza traça em mim o nunca mais.
Saudades de quem foi e não mais quis
Saber da casa eternamente aberta
Enquanto esta lembrança não deserta
Jamais eu poderia ser feliz.
O quanto desta vida contradiz
O coração volúvel, mas alerta
E quando um novo amor vem e desperta
Apenas da saudade chamariz.
Qual fora algum espectro imorredouro
Buscando por um cais, ancoradouro
E nada se mostrando senão este
Depois que tu partiste; nada resta
Senão esta loucura em vão, funesta
É como se jamais, amor morreste.
2
Rondando qual espectro a minha casa,
Não deixa um só momento em paz, enquanto
Turvando assim meu céu em negro manto
Reacendendo em mim a velha brasa.
O tempo neste instante em vão se atrasa
E o mundo se promete em desencanto,
Lembrança de outros dias não espanto
Nem mesmo diluindo se defasa.
O quanto fui feliz ou muito menos,
Apenas entranhara em tais venenos
Uma alma sonhadora e nada mais,
E o barco sem saber de outro caminho
Retorna como estúpido velhinho
Volvendo sem querer ao mesmo cais.
3
Refeito dos meus erros, nada peço
E tento apenas isto: acreditar
Que possa novamente caminhar
Enquanto das amarras me despeço,
E quando noutro engodo enfim tropeço
Enveredando sempre este lugar
Não adianta mais sequer lutar
O amor que tanto nego, assim confesso.
O fato de tentar a liberdade
Embora em cordoalhas da saudade
Talvez permita crer ser mais possível
Um novo amanhecer mesmo implausível
Saudade com seu ar imperecível
De novo a cada noite vem e invade.
4
Restara muito pouco do que fomos,
Mas mesmo assim alenta-me saber
Do mundo caminhando a entorpecer
Qual livro renovando velhos tomos,
E agora quão diversos inda somos,
Não temos mais da vida o desprazer
De tanto acreditar no bem querer
Fatias estragadas, tolos gomos.
E assim ao percebermos novo dia
Porquanto além já morre a fantasia
Rompendo da ilusão temida grade,
Tentando acreditar numa esperança
Por mais que a minha vida enfim avança
Ainda sinto o peso da saudade.
5
Olhando para os ermos dos meus dias
E neles as entradas e bandeiras
Searas mais antigas, corriqueiras
E delas meras sombras, fantasias,
Enquanto o renovar tu mais querias
E mesmo tão distante eu sei que queiras
As hordas de fantasmas derradeiras
Invadem e derramam tais magias,
E quando a panacéia se pensara
O todo noutra face demonstrara
O quanto inútil fora a minha vida,
Assim ao perceber mera indulgência
De quem se imaginara mais decência
A história realmente está perdida.
6
Ocasionando apenas tempestades
Enquanto poderia haver bem mais
Transtornos repetindo vendavais
E neles as lembranças, as saudades
Ditames desta vida em turvas grades,
Ausência de esperança em ledo cais
O quanto nos meus sonhos nunca mais
Terei quando deveras inda brades.
Rondando a falsa imagem de um legado,
O corpo há tanto tempo estraçalhado
Apodrecido em vida, tão somente,
E assim o quanto tive e já perdi
Revivo a cada instante estando aqui
Somente esta saudade se apresente.
7
Apático e venal qual fosse um dia
O resto de um medonho caricato
No quanto da ilusão eu me retrato
Gerando nova senda em fantasia,
O tempo na verdade poderia
Tramar cada momento, mas ingrato
E quando das amarras me desato
A sorte se mostrando hipocrisia,
Cursando o velho rio para o nada
Da foz há tanto tempo imaginada
Sequer qualquer lembrança, sigo alheio,
Reflito esta ameaça de uma sorte
Sem nada que decerto me conforte
Apenas a saída, em vão, rodeio.
8
Presumo acreditar no quanto posso
Vencer os descaminhos nesta senda
Sem ter sequer quem saiba ou mesmo entenda
O quanto deste tanto nunca é nosso,
E quando noutro rumo ainda endosso
O passo procurando quem me estenda
As mãos e possa além de mera lenda
Viver além do espólio que ora aposso.
Realço meus enganos, vou ao fim
Bebendo esta aguardente, o vinho e o gim
Entranhas da ilusão se penetrando,
Afãs diversos teimo, inutilmente,
Apenas o final já se apresente,
Num ar tempestuoso e mais nefando.
9
Viver e acreditar no amanhecer
Embora reconheça os descaminhos
De quem cevara em vida tais espinhos
E sente a sua vida esvaecer
No torpe caminhar, já me perder,
Os dias se repetem tão mesquinhos
Meus olhos procurando ledos ninhos,
Nos vinhos da tristeza me embeber,
Restando apenas isto e nada mais,
Desisto do que fosse sem jamais
Sentir qualquer alento em vida vã,
A morte preconiza-se deveras
E adentro as derradeiras primaveras
Sabendo; não terei novo amanhã.
10
Prenunciado o fim, apenas isto
E nada se compara ao que inda tento
Enfrento peito aberto o forte vento
E quanto mais dorido, mais insisto,
Apenas persistindo, pois existo
E sei que ao fim de tudo em mero alento
A sombra do que fora sofrimento,
A morte sutilmente inda despisto
E quando inda me visto de ilusões
E nelas outras faces tu me expões
Dos dias mais sombrios, terminais,
Eu penso noutras sortes mais felizes,
Mas quando te aproximas e desdizes
Certeza traça em mim o nunca mais.
terça-feira, 8 de junho de 2010
35921 até 35930
1
A sorte caprichosa em tons sombrios
Devassa cada passo que inda possa
Viver aonde a vida se destroça
Mergulho nos meus ermos desafios
Tentando perceber quaisquer desvios
Por onde a solidão já não se apossa
E encontro tão somente a queda e a fossa,
Devastações ditando ares mais frios,
Esboço algum sorriso, incoerência
O quanto me protejo da demência
E nada se percebe além do vão,
O passo solitário se persiste
E meu olhar decerto amargo e triste
Buscando qualquer mera solução.
2
Ermida que carrego dentro da alma
Não deixa que se veja além do vago
Caminho aonde em trevas eu me afago
E nada nem a morte mais me acalma,
Expresso em poesia o que mais sinto
E teimo contra a solidão embora
Eu saiba do vazio em que se aflora
O quanto deste nada fora extinto,
Apenas a peçonha em cada olhar
E nada do que possa ainda vir,
Medonho em ar sombrio o meu porvir,
Uma alma inconsistente a divagar
Procura pelo menos uma chance,
Mas nada vejo além ao meu alcance.
3
Pacientemente busco alguma luz
E tento revelar o que há em mim,
Mas quando vejo alheio este jardim
No qual toda esperança um dia eu pus,
Assenta-me a vontade em contraluz
E teimo até sangrar sabendo enfim
O quanto do vazio trago e assim
O medo noutra face agora expus,
E solitário tento discernir
Na mera fantasia, este elixir
Porquanto a vida nega uma existência
De quem se fez além de mera sombra,
O quanto do passado ainda assombra
Qual fora a mais terrível penitência.
4
Vivendo tão somente em desamor,
Audaciosamente desejara
A vida novamente em lua clara,
Mas quando me percebo em tal pavor,
Aprendo a discernir a imensa dor
E nela se aprofunda a vil escara
Por onde a morte adentra e se prepara
Tornando mais cruel o meu labor,
O farto imaginar já não podia
Conter a solidão nesta sangria
E tudo se esvaindo num instante
O fato é que decerto inda resisto
E sei o quão cruel existe nisto
Cenário a cada passo degradante...
5
Aplaco a tempestade em voz macia,
Mas nada se resulta nesta paz
Que tanto merecia e se desfaz
Enquanto a solidão tola recria
O passo rumo ao nada, esta heresia
E nela nova face mais mordaz,
Do quanto em tempestade já se traz
A vida numa imensa hipocrisia,
Resolvo meus problemas e me perco
A solidão fechando assim o cerco
Esterco de um futuro inconsolável,
Mesquinhos dias; vejo e nada além
Da imensa turbulência a cada passo,
E quando novamente me desfaço
Apenas o vazio me convém.
6.
Em soluçante voz, a despedida
De toda esta incerteza a mais venal,
Meu passo permanece sempre igual,
Porquanto mais atroz se vê a vida,
No quanto a realidade sempre agrida
E bebe deste sangue em ritual,
O corte se amortalha e traz no mal
O pendular desejo aonde acida
Quintais do meu passado, abandonados
Os olhos solitários destroçados
E os riscos de sonhar são muito mais
Do quanto poderia até supor,
O mundo noutra cena e se compor,
Porém são meros sonhos terminais.
7
Aonde não se vê nascerem flores
Canteiros em completa sensação
Da turva e tão temível solidão
Sem nada nem sequer inda propores
O quanto desta vida em dissabores
Os dias mais terríveis poderão
Traçar nesta completa indecisão
Ausência mais cruel de antigas cores,
Agrisalhando o passo rumo ao nada,
Assim a minha sorte imaginada
Resume alguma luz, mas inconstante,
A solitária noite em tom sombrio,
Apenas imagino e desafio
Tentando olhar deveras adiante.
8
Motivos que procuro para a vida
Na ausência de esperança, ledo caos,
E quando imaginara ao longe as naus
Naufrágio se mostrando em despedida,
A farpa se entranhando na ferida
E os ventos adentrando tais degraus
Os dias se mostraram sempre maus,
Cortando dos meus sonhos a saída
Resumo de total incompetência
Procuro inutilmente a coerência
E tento vislumbra algum segundo
Diverso deste fátuo caminhar
E quando me imagino a desvendar,
Nas tramas solitárias me aprofundo.
9
Olhasse meu passado e então veria
A morte a cada instante mais presente,
O corte noutra face se apresente
E a vida solitária e mais sombria,
O quanto do mundo em agonia
Não vejo senão isto finalmente
E quando dos meus olhos segue ausente
Traçando invés de paz, melancolia
No fundo deste poço nada além
Do mundo aonde o resto me contém
Escória, mero pária resto e entulho,
Dos dias mais terríveis sombra e fonte
Sem nada que deveras inda aponte
O quanto imaginara; pedregulho.
10
Alheio ao que inda possa transcorrer
Na vida em solitárias caminhadas,
Ainda vejo ausentes alvoradas
O sol há tanto tempo vi morrer,
No quanto imaginara algum prazer
As horas seguem vãs e até veladas
As mansas ilusões já depredadas,
A solidão ditando o meu viver,
O conteúdo extenso de uma noite,
Resume neste vago e atroz pernoite
No qual nada percebo, nem a dita
E a mera fantasia se transforma,
Apenas do vazio toma a forma
Decerto mais mordaz, turva e maldita.
A sorte caprichosa em tons sombrios
Devassa cada passo que inda possa
Viver aonde a vida se destroça
Mergulho nos meus ermos desafios
Tentando perceber quaisquer desvios
Por onde a solidão já não se apossa
E encontro tão somente a queda e a fossa,
Devastações ditando ares mais frios,
Esboço algum sorriso, incoerência
O quanto me protejo da demência
E nada se percebe além do vão,
O passo solitário se persiste
E meu olhar decerto amargo e triste
Buscando qualquer mera solução.
2
Ermida que carrego dentro da alma
Não deixa que se veja além do vago
Caminho aonde em trevas eu me afago
E nada nem a morte mais me acalma,
Expresso em poesia o que mais sinto
E teimo contra a solidão embora
Eu saiba do vazio em que se aflora
O quanto deste nada fora extinto,
Apenas a peçonha em cada olhar
E nada do que possa ainda vir,
Medonho em ar sombrio o meu porvir,
Uma alma inconsistente a divagar
Procura pelo menos uma chance,
Mas nada vejo além ao meu alcance.
3
Pacientemente busco alguma luz
E tento revelar o que há em mim,
Mas quando vejo alheio este jardim
No qual toda esperança um dia eu pus,
Assenta-me a vontade em contraluz
E teimo até sangrar sabendo enfim
O quanto do vazio trago e assim
O medo noutra face agora expus,
E solitário tento discernir
Na mera fantasia, este elixir
Porquanto a vida nega uma existência
De quem se fez além de mera sombra,
O quanto do passado ainda assombra
Qual fora a mais terrível penitência.
4
Vivendo tão somente em desamor,
Audaciosamente desejara
A vida novamente em lua clara,
Mas quando me percebo em tal pavor,
Aprendo a discernir a imensa dor
E nela se aprofunda a vil escara
Por onde a morte adentra e se prepara
Tornando mais cruel o meu labor,
O farto imaginar já não podia
Conter a solidão nesta sangria
E tudo se esvaindo num instante
O fato é que decerto inda resisto
E sei o quão cruel existe nisto
Cenário a cada passo degradante...
5
Aplaco a tempestade em voz macia,
Mas nada se resulta nesta paz
Que tanto merecia e se desfaz
Enquanto a solidão tola recria
O passo rumo ao nada, esta heresia
E nela nova face mais mordaz,
Do quanto em tempestade já se traz
A vida numa imensa hipocrisia,
Resolvo meus problemas e me perco
A solidão fechando assim o cerco
Esterco de um futuro inconsolável,
Mesquinhos dias; vejo e nada além
Da imensa turbulência a cada passo,
E quando novamente me desfaço
Apenas o vazio me convém.
6.
Em soluçante voz, a despedida
De toda esta incerteza a mais venal,
Meu passo permanece sempre igual,
Porquanto mais atroz se vê a vida,
No quanto a realidade sempre agrida
E bebe deste sangue em ritual,
O corte se amortalha e traz no mal
O pendular desejo aonde acida
Quintais do meu passado, abandonados
Os olhos solitários destroçados
E os riscos de sonhar são muito mais
Do quanto poderia até supor,
O mundo noutra cena e se compor,
Porém são meros sonhos terminais.
7
Aonde não se vê nascerem flores
Canteiros em completa sensação
Da turva e tão temível solidão
Sem nada nem sequer inda propores
O quanto desta vida em dissabores
Os dias mais terríveis poderão
Traçar nesta completa indecisão
Ausência mais cruel de antigas cores,
Agrisalhando o passo rumo ao nada,
Assim a minha sorte imaginada
Resume alguma luz, mas inconstante,
A solitária noite em tom sombrio,
Apenas imagino e desafio
Tentando olhar deveras adiante.
8
Motivos que procuro para a vida
Na ausência de esperança, ledo caos,
E quando imaginara ao longe as naus
Naufrágio se mostrando em despedida,
A farpa se entranhando na ferida
E os ventos adentrando tais degraus
Os dias se mostraram sempre maus,
Cortando dos meus sonhos a saída
Resumo de total incompetência
Procuro inutilmente a coerência
E tento vislumbra algum segundo
Diverso deste fátuo caminhar
E quando me imagino a desvendar,
Nas tramas solitárias me aprofundo.
9
Olhasse meu passado e então veria
A morte a cada instante mais presente,
O corte noutra face se apresente
E a vida solitária e mais sombria,
O quanto do mundo em agonia
Não vejo senão isto finalmente
E quando dos meus olhos segue ausente
Traçando invés de paz, melancolia
No fundo deste poço nada além
Do mundo aonde o resto me contém
Escória, mero pária resto e entulho,
Dos dias mais terríveis sombra e fonte
Sem nada que deveras inda aponte
O quanto imaginara; pedregulho.
10
Alheio ao que inda possa transcorrer
Na vida em solitárias caminhadas,
Ainda vejo ausentes alvoradas
O sol há tanto tempo vi morrer,
No quanto imaginara algum prazer
As horas seguem vãs e até veladas
As mansas ilusões já depredadas,
A solidão ditando o meu viver,
O conteúdo extenso de uma noite,
Resume neste vago e atroz pernoite
No qual nada percebo, nem a dita
E a mera fantasia se transforma,
Apenas do vazio toma a forma
Decerto mais mordaz, turva e maldita.
35911 até 35920
1
Perdoe-me deveras pela vida
E se inda existo aqui, eu te garanto
Cevando a cada dia novo pranto
No quanto poderia ainda urdida
A dita noutra face onde surgida
A paz em pleno olhar, mas desencanto
Roubando cada cena dita o manto
E nele imagem torpe e já puída.
Perdoe-me por ser deveras isto,
E sendo tão venal inda persisto
Na luta inconsciente contra a morte.
Quem sabe noutra senda eu poderia,
Ao menos ter a sombra da alegria,
Porém esta esperança o tempo aborte.
2
Aonde não pudera acreditar
Nas velhas orações, inúteis crenças
Porquanto ainda mesmo te convenças
Da força em que podia navegar,
O mundo percebendo desabar
Entranha com terrores desavenças
E sei das mais diversas quanto extensas
Ausências do que fora algum lugar
Existo e sendo assim, ainda insisto
Por mais que minha vida gere um misto
De dor e de tormenta, nada mais,
Desiludido eu tento alguma luz,
Mas quando me percebo em fardo e cruz,
Os dias se repetem tão iguais...
3
Aprendo com palavras doloridas
A caminhar em meio às turbulências
Ainda que pudessem indulgências
As horas entre trevas pressentidas,
Os cortes mais atrozes e as feridas,
Do quanto ainda vivas inocências
As mortes são capazes de excrescências
E nelas soluções para tais vidas,
Eu vejo este cenário decomposto
E quanto mais adentro este desgosto
Meu rosto se tornando em tez sombria,
Das ilusões outrora um passageiro,
Agora neste rumo, verdadeiro,
Apenas busco a morte dia a dia...
4
Audaciosamente inda persiste
A face mais audaz de quem proponha
Vencer a realidade mais medonha,
E tendo a cada instante a voz mais triste,
Resumo no que tanto não desiste
Nem mesmo transitando em enfadonha
Estrada aonde a vida decomponha
E ao fim de certo tempo nada assiste,
Somente este vazio se vislumbra
Tomando com terror farta penumbra,
Negando alguma messe ou mesmo luz,
Desilusões diversas se entornando
Num ar terrivelmente mais nefando
Por onde à morte o passo me conduz.
5
Escravo de um tormento mais atroz
Não tendo senão mesmo tal senzala
A voz se esvai e o mundo nada fala
Cenário que percebo tão feroz,
O rio se perdendo, mera foz,
A lua se esgueirando desta sala,
Minha alma vã cativa, vil vassala
Num vândalo mergulho, torpe algoz,
Masmorras dentro em mim, nelas se vêm
Os dias em completo e vão desdém
As ilusões partiram noutra senda,
Sem ter o privilégio de sonhar,
Morrendo a cada dia, devagar,
Sem ter sequer a mão que a mim se estenda.
6
Bravios mares vejo no passado
Cenário tão constante em minha vida,
Apontam para a mesma despedida,
No quadro pelo vão sendo traçado,
A morte se apresenta e lado a lado
Caminho procurando outra saída
E vejo em teu olhar a dor que agrida
Viver é como fosse algum pecado.
Bebendo cada gota deste não,
Sabendo dos vazios que virão
Decerto novamente me esvaindo
E o templo que erigi aos meros sonhos
Em ritos mais terríveis e medonhos
O tempo amortalhado agora findo.
7
Ocasionando em mim tal sentimento
Percorro as velhas tramas, permaneço
Dos sonhos do passado um adereço
Marcado pelas garras do tormento
E quando noutro passo me apresento
Encontro um fim atroz, sei que mereço
A morte num momento de tropeço
O corte em desalento, sentimento.
Das fartas ilusões da mocidade,
No quanto o dia a dia já degrade
E a fonte se tomando em aridez,
Do quanto poderia acreditar
Num horizonte belo e já sem par,
A vida em realidade isto desfez.
8
O quarto abandonado, a leda cama,
O amor quando deveras não se vê
A vida vai perdendo o seu por que
Apenas o vazio ainda clama,
E quando nova vida o sonho trama,
Deveras neste fato não mais crê
Quem tanto quis viver e sem o quê
Morrera em fútil passo, tosca lama.
Desfaço cada sonho e quando vejo
O velho coração demais andejo
Jogado sobre o leito como um trapo,
Puída realidade dita a forma, e
O quanto do passado me deforma,
Apenas um entulho, um vão farrapo.
9
Arcando com meus erros mais banais
Eu sei que na verdade até pensara
Que um tempo novamente em luz mais clara
Pudesse penetrar meus vendavais,
Mas quando em brumas fartas, terminais
A vida em névoas tantas se declara,
O passo para o fim já se prepara
Os sonhos meros tolos serviçais,
Da castelã vontade em luz intensa,
A morte na verdade, já compensa
E o fim se prenuncia em redenção,
Aonde quis o brilho mais constante,
O quanto se apresenta degradante
Gerando a mais cruel desilusão.
10
Acaso se vieres e notares
Os olhos mais sombrios de quem tanto
Vivera no passado em ledo encanto
E nesta fantasia mergulhares
Rendido caminhar entre vulgares
Delírios se mostrando em raro espanto,
E quando noutro tom ainda canto,
Desilusões tomando os seus lugares,
Ocasos que carrego, noite inválida
A sorte se mostrando bem mais pálida
Crisálida abortando a borboleta
A vida noutra face não se vendo,
Apenas o vazio ora desvendo
Felicidade fora um vão cometa.
Perdoe-me deveras pela vida
E se inda existo aqui, eu te garanto
Cevando a cada dia novo pranto
No quanto poderia ainda urdida
A dita noutra face onde surgida
A paz em pleno olhar, mas desencanto
Roubando cada cena dita o manto
E nele imagem torpe e já puída.
Perdoe-me por ser deveras isto,
E sendo tão venal inda persisto
Na luta inconsciente contra a morte.
Quem sabe noutra senda eu poderia,
Ao menos ter a sombra da alegria,
Porém esta esperança o tempo aborte.
2
Aonde não pudera acreditar
Nas velhas orações, inúteis crenças
Porquanto ainda mesmo te convenças
Da força em que podia navegar,
O mundo percebendo desabar
Entranha com terrores desavenças
E sei das mais diversas quanto extensas
Ausências do que fora algum lugar
Existo e sendo assim, ainda insisto
Por mais que minha vida gere um misto
De dor e de tormenta, nada mais,
Desiludido eu tento alguma luz,
Mas quando me percebo em fardo e cruz,
Os dias se repetem tão iguais...
3
Aprendo com palavras doloridas
A caminhar em meio às turbulências
Ainda que pudessem indulgências
As horas entre trevas pressentidas,
Os cortes mais atrozes e as feridas,
Do quanto ainda vivas inocências
As mortes são capazes de excrescências
E nelas soluções para tais vidas,
Eu vejo este cenário decomposto
E quanto mais adentro este desgosto
Meu rosto se tornando em tez sombria,
Das ilusões outrora um passageiro,
Agora neste rumo, verdadeiro,
Apenas busco a morte dia a dia...
4
Audaciosamente inda persiste
A face mais audaz de quem proponha
Vencer a realidade mais medonha,
E tendo a cada instante a voz mais triste,
Resumo no que tanto não desiste
Nem mesmo transitando em enfadonha
Estrada aonde a vida decomponha
E ao fim de certo tempo nada assiste,
Somente este vazio se vislumbra
Tomando com terror farta penumbra,
Negando alguma messe ou mesmo luz,
Desilusões diversas se entornando
Num ar terrivelmente mais nefando
Por onde à morte o passo me conduz.
5
Escravo de um tormento mais atroz
Não tendo senão mesmo tal senzala
A voz se esvai e o mundo nada fala
Cenário que percebo tão feroz,
O rio se perdendo, mera foz,
A lua se esgueirando desta sala,
Minha alma vã cativa, vil vassala
Num vândalo mergulho, torpe algoz,
Masmorras dentro em mim, nelas se vêm
Os dias em completo e vão desdém
As ilusões partiram noutra senda,
Sem ter o privilégio de sonhar,
Morrendo a cada dia, devagar,
Sem ter sequer a mão que a mim se estenda.
6
Bravios mares vejo no passado
Cenário tão constante em minha vida,
Apontam para a mesma despedida,
No quadro pelo vão sendo traçado,
A morte se apresenta e lado a lado
Caminho procurando outra saída
E vejo em teu olhar a dor que agrida
Viver é como fosse algum pecado.
Bebendo cada gota deste não,
Sabendo dos vazios que virão
Decerto novamente me esvaindo
E o templo que erigi aos meros sonhos
Em ritos mais terríveis e medonhos
O tempo amortalhado agora findo.
7
Ocasionando em mim tal sentimento
Percorro as velhas tramas, permaneço
Dos sonhos do passado um adereço
Marcado pelas garras do tormento
E quando noutro passo me apresento
Encontro um fim atroz, sei que mereço
A morte num momento de tropeço
O corte em desalento, sentimento.
Das fartas ilusões da mocidade,
No quanto o dia a dia já degrade
E a fonte se tomando em aridez,
Do quanto poderia acreditar
Num horizonte belo e já sem par,
A vida em realidade isto desfez.
8
O quarto abandonado, a leda cama,
O amor quando deveras não se vê
A vida vai perdendo o seu por que
Apenas o vazio ainda clama,
E quando nova vida o sonho trama,
Deveras neste fato não mais crê
Quem tanto quis viver e sem o quê
Morrera em fútil passo, tosca lama.
Desfaço cada sonho e quando vejo
O velho coração demais andejo
Jogado sobre o leito como um trapo,
Puída realidade dita a forma, e
O quanto do passado me deforma,
Apenas um entulho, um vão farrapo.
9
Arcando com meus erros mais banais
Eu sei que na verdade até pensara
Que um tempo novamente em luz mais clara
Pudesse penetrar meus vendavais,
Mas quando em brumas fartas, terminais
A vida em névoas tantas se declara,
O passo para o fim já se prepara
Os sonhos meros tolos serviçais,
Da castelã vontade em luz intensa,
A morte na verdade, já compensa
E o fim se prenuncia em redenção,
Aonde quis o brilho mais constante,
O quanto se apresenta degradante
Gerando a mais cruel desilusão.
10
Acaso se vieres e notares
Os olhos mais sombrios de quem tanto
Vivera no passado em ledo encanto
E nesta fantasia mergulhares
Rendido caminhar entre vulgares
Delírios se mostrando em raro espanto,
E quando noutro tom ainda canto,
Desilusões tomando os seus lugares,
Ocasos que carrego, noite inválida
A sorte se mostrando bem mais pálida
Crisálida abortando a borboleta
A vida noutra face não se vendo,
Apenas o vazio ora desvendo
Felicidade fora um vão cometa.
35901 até 35910
1
O quanto diz a vida em abandono
Depois de tantas noites, solidão
Adentra sem perguntas cada vão
Nem mesmo do meu sonho já me adono,
O resto do que fora tão sutil
Aumenta esta temível tempestade
E ainda que se viva tal saudade,
O mundo noutra face não se viu,
Servindo de alimária em tal desdém,
Resisto o mais que posso, mas persigo
Apenas o caminho mais antigo
E nada nem a sombra ainda vem
E resoluto busco a minha morte,
Quem sabe finalmente eu me conforte.
2
Ocasos de uma vida em trevas feita
As nuvens emolduram ledo céu,
O coração audaz, hoje cruel
Apenas no vazio se deleita
E quando a realidade já se aceita
Perdido em tom amargo, sigo ao léu
Coberto por grisalho e turvo véu,
A morte me rondando em clara espreita.
Arranco estes pedaços do que um dia
Pensara ser apenas fantasia
Amortalhando a dita desde então,
O passo rumo ao nada eu reconheço
Das sendas mais escusas, o endereço
Traçado por um mundo triste e vão.
3
A vida rapineira bebe em gotas
As minhas ilusões enquanto traça
A sorte noutra face, a da desgraça
Tramando estas entranhas ledas, rotas,
E quando noutro instante me trouxeras
Apenas alegria e nada mais
Pensara ter nos olhos o meu cais,
Distante das atrozes, duras feras.
Mas nada do que tanto imaginara
Somente a solidão e nada além,
Tristeza a cada passo ora contém
A imagem bem mais forte e tão amara
Restando longe mesmo da esperança
A minha voz ao nada enfim se lança.
4
Do quanto inda se molda o meu futuro
Em turbulências tantas, heresias,
E quando se percebem agonias
O tempo mais atroz onde perduro,
Jamais se imaginara mais seguro
Imerso nas tolices, fantasias,
E quantas vezes mesmo tu trazias
No olhar este momento amargo e duro,
Tristeza dita o tom desta conversa
Minha alma no vazio se dispersa
E o tempo se anuncia em treva e medo,
Do quanto poderia e jamais tive,
Quem ama e se perdendo sobrevive,
Deveras segue ao fim inerte e ledo.
5
Não deixo de pensar e de penar
A vida não me trouxe mais escolha
Por quanto do passado se recolha
Distando da esperança o meu olhar
Entulhos carregando, vária escória
O passo não se mostra em claridade,
E quanto mais atroz a dor invade,
Ausência de esperança na memória,
Restando apenas isso: o fim em trevas
Portanto não se vendo uma alegria
A morte a cada tempo se anuncia
Enquanto as luzes fogem, tolas levas,
Alçando a negação por onde eu sei
O enfastiado sonho dita a lei.
6
Os dias que me restam, miseráveis
Os olhos sem saber de um horizonte
Aonde novo brilho enfim desponte
Em dias mais sublimes, desejáveis,
Caminhos entre pedras, insondáveis
Sem ter sequer saber de rara fonte
E desta forma apenas já se aponte
A sombra dos meus dias mais aráveis,
O cândido sonhar da adolescência
Agora na temível excrescência
Essencialmente molda o meu vazio,
E morto em vida somo mais um nada,
A porta onde buscara a paz, fechada,
Sobreviver é ledo desafio.
7
Aonde poderia crer em luzes
Ao menos uma sombra e nada mais,
Olhando para trás, vejo o jamais
E nele novos dias reproduzes,
Enquanto ao mais terrível me conduzes,
Expondo os meus caminhos aos venais
Desejos aprontando os funerais,
Cevando sob os pés imensas urzes,
Vasculho meus momentos mais felizes
E sei que na verdade são deslizes
Da intensa marcação da dor em mim,
Acreditar na viva florescência
Da primavera fora uma inocência
Na ausência do que fosse algum jardim.
8
Funéreo caminhar por entre espinhos,
As hordas, velhas súcias e matilhas
Aonde na verdade inda palmilhas
Devastas os prováveis frágeis ninhos,
E quando não se tendo mais carinhos,
Apenas vejo assim tais armadilhas
E sigo sem sentido pelas trilhas
Buscando inconseqüente tais caminhos,
A morte prenuncia cada passo,
E quando na esperança, um tolo, eu grasso,
Espúria face louca do histrião,
Fantoche simplesmente exposto ao nada,
A dita destroçando a mera estada
Deste corpo em completa podridão...
9
Não quis e nem desejo algum laurel
Apenas esta paz onde não creio
Somente da esperança um torpe meio
Coberto por escuso e farto véu,
Rendido ao bem mordaz torpe e cruel,
No olhar somente aceso este receio
O amor já não conhece sorte e veio,
Uma esperança amarga em frio e fel,
Resulto da tristeza e tão somente
Espalho pela terra esta semente
Proliferando a fera que inda resta
No olhar abandonado e quase esguio,
E quando noutra face me recrio,
Uma alma satisfeita, em paz. Funesta.
10
Minha alma se apequena a cada instante
E sabe do que possa acontecer
Na ausência de alegria em desprazer
O quanto noutra face radiante,
Por mais que a fantasia se adiante
Não tendo nem pretendo me esquecer
Da morta sensação de um querer,
Qual fosse um falso e torpe diamante.
Perpetuando em mim este vazio
E quando alguma luz vejo eu desvio
Meu passo rumo à morte e nada além,
Não quero mais saber da desventura
E quando se aproxima e me tortura
O olhar envenenado em teu desdém.
O quanto diz a vida em abandono
Depois de tantas noites, solidão
Adentra sem perguntas cada vão
Nem mesmo do meu sonho já me adono,
O resto do que fora tão sutil
Aumenta esta temível tempestade
E ainda que se viva tal saudade,
O mundo noutra face não se viu,
Servindo de alimária em tal desdém,
Resisto o mais que posso, mas persigo
Apenas o caminho mais antigo
E nada nem a sombra ainda vem
E resoluto busco a minha morte,
Quem sabe finalmente eu me conforte.
2
Ocasos de uma vida em trevas feita
As nuvens emolduram ledo céu,
O coração audaz, hoje cruel
Apenas no vazio se deleita
E quando a realidade já se aceita
Perdido em tom amargo, sigo ao léu
Coberto por grisalho e turvo véu,
A morte me rondando em clara espreita.
Arranco estes pedaços do que um dia
Pensara ser apenas fantasia
Amortalhando a dita desde então,
O passo rumo ao nada eu reconheço
Das sendas mais escusas, o endereço
Traçado por um mundo triste e vão.
3
A vida rapineira bebe em gotas
As minhas ilusões enquanto traça
A sorte noutra face, a da desgraça
Tramando estas entranhas ledas, rotas,
E quando noutro instante me trouxeras
Apenas alegria e nada mais
Pensara ter nos olhos o meu cais,
Distante das atrozes, duras feras.
Mas nada do que tanto imaginara
Somente a solidão e nada além,
Tristeza a cada passo ora contém
A imagem bem mais forte e tão amara
Restando longe mesmo da esperança
A minha voz ao nada enfim se lança.
4
Do quanto inda se molda o meu futuro
Em turbulências tantas, heresias,
E quando se percebem agonias
O tempo mais atroz onde perduro,
Jamais se imaginara mais seguro
Imerso nas tolices, fantasias,
E quantas vezes mesmo tu trazias
No olhar este momento amargo e duro,
Tristeza dita o tom desta conversa
Minha alma no vazio se dispersa
E o tempo se anuncia em treva e medo,
Do quanto poderia e jamais tive,
Quem ama e se perdendo sobrevive,
Deveras segue ao fim inerte e ledo.
5
Não deixo de pensar e de penar
A vida não me trouxe mais escolha
Por quanto do passado se recolha
Distando da esperança o meu olhar
Entulhos carregando, vária escória
O passo não se mostra em claridade,
E quanto mais atroz a dor invade,
Ausência de esperança na memória,
Restando apenas isso: o fim em trevas
Portanto não se vendo uma alegria
A morte a cada tempo se anuncia
Enquanto as luzes fogem, tolas levas,
Alçando a negação por onde eu sei
O enfastiado sonho dita a lei.
6
Os dias que me restam, miseráveis
Os olhos sem saber de um horizonte
Aonde novo brilho enfim desponte
Em dias mais sublimes, desejáveis,
Caminhos entre pedras, insondáveis
Sem ter sequer saber de rara fonte
E desta forma apenas já se aponte
A sombra dos meus dias mais aráveis,
O cândido sonhar da adolescência
Agora na temível excrescência
Essencialmente molda o meu vazio,
E morto em vida somo mais um nada,
A porta onde buscara a paz, fechada,
Sobreviver é ledo desafio.
7
Aonde poderia crer em luzes
Ao menos uma sombra e nada mais,
Olhando para trás, vejo o jamais
E nele novos dias reproduzes,
Enquanto ao mais terrível me conduzes,
Expondo os meus caminhos aos venais
Desejos aprontando os funerais,
Cevando sob os pés imensas urzes,
Vasculho meus momentos mais felizes
E sei que na verdade são deslizes
Da intensa marcação da dor em mim,
Acreditar na viva florescência
Da primavera fora uma inocência
Na ausência do que fosse algum jardim.
8
Funéreo caminhar por entre espinhos,
As hordas, velhas súcias e matilhas
Aonde na verdade inda palmilhas
Devastas os prováveis frágeis ninhos,
E quando não se tendo mais carinhos,
Apenas vejo assim tais armadilhas
E sigo sem sentido pelas trilhas
Buscando inconseqüente tais caminhos,
A morte prenuncia cada passo,
E quando na esperança, um tolo, eu grasso,
Espúria face louca do histrião,
Fantoche simplesmente exposto ao nada,
A dita destroçando a mera estada
Deste corpo em completa podridão...
9
Não quis e nem desejo algum laurel
Apenas esta paz onde não creio
Somente da esperança um torpe meio
Coberto por escuso e farto véu,
Rendido ao bem mordaz torpe e cruel,
No olhar somente aceso este receio
O amor já não conhece sorte e veio,
Uma esperança amarga em frio e fel,
Resulto da tristeza e tão somente
Espalho pela terra esta semente
Proliferando a fera que inda resta
No olhar abandonado e quase esguio,
E quando noutra face me recrio,
Uma alma satisfeita, em paz. Funesta.
10
Minha alma se apequena a cada instante
E sabe do que possa acontecer
Na ausência de alegria em desprazer
O quanto noutra face radiante,
Por mais que a fantasia se adiante
Não tendo nem pretendo me esquecer
Da morta sensação de um querer,
Qual fosse um falso e torpe diamante.
Perpetuando em mim este vazio
E quando alguma luz vejo eu desvio
Meu passo rumo à morte e nada além,
Não quero mais saber da desventura
E quando se aproxima e me tortura
O olhar envenenado em teu desdém.
35891 até 35900
Onde o tempo se escasseia
E a verdade não se aflora
A vontade é de ir embora
E seguir em rota alheia
Vendo ao longe o que incendeia
E deveras não demora
Lua plena em vão decora
Barco além de cais e areia.
Sigo ao léu e pouco importa
Se decerto eu sei da porta
Ou tampouco saberia,
O meu mundo não se tece
Nesta voz nem obedece
Viva face em rebeldia.
2
Meu coração qual cigano
Não permite um só descanso
Quanto mais ao longe avanço
Bem maior seu desengano,
E se tanto assim me dano,
No caminho me esperanço
E prometo algum remanso
Mesmo quando sigo insano.
Resultando disto tudo
Nova senda aonde iludo
O que fora mais feliz,
Fato sempre corriqueiro
Sem as rédeas eu me esgueiro
Vou fazendo o que bem quis.
3
Os meus cantos são bem pobres
Neles nada mais verás
Senão isso e quando audaz
Outro rumo não encobres,
Os que tanto foram nobres,
Mas ausente qualquer paz
Noutro passo sou capaz
De viver o que recobres
Com ternura ou malfadada
Noite imersa neste nada
Onde pude sem estrela
Navegar em tom sombrio,
E hoje quando bebo o rio
Busco em vão sempre revê-la.
4
Nas espumas flutuando
O meu barco rumo ao cais,
Enfrentara vendavais,
Mas o tempo agora é brando
Andorinhas. Belo bando
Velhos dias? Nunca mais.
O que teimo em siderais
Sobre mim já desabando,
Reza a lenda que quem sonha
Mesmo em tez dura e medonha
Permitira a fantasia,
Mas sem sonhos, nada sei
O vazio dita a lei
Nem a sombra se desfia.
5
Da peçonha mais atroz
E do gozo soberano
Nada vejo nem me engano
Escutando a tua voz,
O que um dia fora em nós
Hoje eu sei e se me dano
Vou puindo o velho pano
E rompendo frágeis nós.
Ouço a voz da tempestade
Tanto agride quanto agrade
Quem se faz em dor e treva,
A minha alma está perdida
Nestes ermos desta diva
Onde o vento não me leva.
6
Minhas mãos andam cansadas
De teimar em solo duro,
E decerto inda procuro
Noites claras desvendadas,
Mas as sendas desoladas,
No caminho mais escuro,
O que tanto me amarguro
No correr das madrugadas
Não merece um só momento
De alegria ou pensamento,
Resto só, problema meu.
O que tanto desejara
Noutra face, outra seara
Por ser meu já se perdeu.
7
No teclado vejo urdida
Esta cena aonde eu possa
Mesmo envolto em riso e troça
Desvendar mera saída
E se tanto foi pedida
Nova face em que se endossa
O caminho se destroça
E não trama luz em vida,
Sobras mesmo do que tanto
Desejei e se me espanto
Nada vendo nem o porto,
O meu mundo sem juízo
Acumula em prejuízo
Da esperança um mesmo aborto.
8
Nas entranhas do meu mundo
Outro tanto se previra
E sem ter certeza ou mira
Dos teus ermos já me inundo
E sabendo vagabundo
Coração ao longe atira
A certeza ou a mentira
Neste olhar onde aprofundo
Outro caos gerado em mim,
E persisto até o fim
Nesta luta sem sucesso,
Quando vejo a minha face
Noutro espelho se desgrace
Mesmo insano, recomeço.
9
Ao saber do quanto pude
Nem medindo cada passo,
Se decerto ainda grasso
Longe mesmo a juventude
Procurando outra atitude
E se teimo num compasso,
A verdade não mais traço,
Quanto a vida sempre mude.
Riscos tento, mas prossigo
Noutro rumo em desabrigo
E se teimo nada vem,
Quantas vezes procurara
A manhã em luz mais clara,
Mas só vejo o teu desdém.
10
Pecadores? Sei que não
Quando amor nos atracando
Toma este ar outrora brando
Ruma em nova direção,
Deixa ao léu a solidão
E o caminho decifrando
Onde e tanto, como e quando
Percebera o mundo em vão.
Sou apenas o passado
E o futuro destroçado
Já não vejo e nem pudera.
Onde outono agora toma
Sou bem menos nunca soma,
Viva em mim fria quimera.
35881 até 35890
1
Pelo tanto que te quero
E bem sei que não me queres
A mais bela das mulheres
Coração, porém tão fero
Quando falo, eu sou sincero
E se em paz inda vieres
Muito além do que ora esperes
Ou decerto até que espero
Tu terás em mim reflexo
Deste encanto onde sem nexo
O meu rio se perdia,
Mas imerso nos teus braços
Os meus dias vãos e escassos
Novo tempo em alegria.
2
Versos quando em abandono
Dias trágicos; temidos,
Hoje em todos os sentidos
Desta sorte enfim me adono,
E se tanto imerso em sono
Novos tempos pressentidos
Mundos belos percebidos
Farta glória em raro abono,
O meu mar em teus caminhos
O teu mar em meus carinhos
Vão beijando a mansa areia,
O luar se enamorando
Cada vez iluminando
Até que nos incendeia.
3
Não cerceies esta estrada
Onde o sonho se adentrara
E permita a bela e rara
Noite etérea e iluminada
Noutra senda desvendada
O que tanto nos ampara
Neste amor que se declara
Outra noite abençoada.
Riscos corro, mas bem sei
Da beleza desta grei
E do quanto em mim se trama
Com raríssima doçura
Todo amor, farta ternura,
Refletindo em nós tal chama.
4
Serenando em madrugada
O granizo dentro em mim,
Do que tanto busco enfim,
Não terei decerto nada,
O meu tempo noutra alçada
Mero e escasso este jardim,
Resumindo o que há em mim
Nesta noite tão gelada,
O sertão que agora entranho
Um cenário turvo e estranho,
Na memória tão somente
O que outrora procurara
E por certo não traçara
Sol intenso, mas ausente.
5
A medonha face exposta
De quem tanto me iludira,
Nas entranhas da mentira
Esta cena decomposta
Do caminho em que se gosta
Do calor em rara pira,
Ao sentir quanto impedira
Na ferida em dor proposta,
Gero em mim tal desengano
E se tanto inda me dano
Não me engano nunca mais,
O caminho predileto
Hoje sei ser incompleto
Restam ritos funerais.
6
A tristeza que me deste
De presente dia a dia,
Morta ainda a fantasia
No caminho mais agreste
O tormento que se empreste
Deixa além a melodia
E se tanto se queria,
Nesta cena se deteste.
Ouço apenas o distante
Murmurar onde adiante
Esta noite em turbilhões,
Na senzala em dura cela
O terror que se revela
Neste não que tu me expões.
7
Solidão adentrando a alma
De quem sonha e se poeta
Noutra luz não se completa
Nem a sombra mais acalma,
O terror invade e doma
Nada resta do que outrora
A esperança desarvora
E o caminho nega a soma,
Resta apenas o vagar
Sem destino sem paragem,
Quando busco uma hospedagem
Nos teus braços sem notar
Teu olhar ausente e alheio,
Fantasias vãs rodeio.
8
Ouço ainda a voz sombria
De quem tanto pude amar,
E se ainda posso andar
Nesta noite em agonia,
O que tanto poderia
Não consigo desvendar,
Cada farsa a se mostrar
Numa tétrica utopia
Resto aquém do que pudera,
E se teimo nesta espera
Nada vem, somente o frio,
E o meu verso em tom mesquinho
Sem saber de colo ou ninho,
Num soneto em vão desfio.
9
Arvoredos no passado
Hoje em cinzas o meu céu,
Este mundo em carrossel
Já mandando o seu recado
No caminho destroçado
No cenário mais cruel
Onde houvera um claro véu
Hoje sinto mais nublado,
O risonho amanhecer
Nele tanto bem querer,
Minha infância, meu quintal.
Nada resta senão isto
A lembrança em que persisto
Neste instante até venal.
10
O meu barco naufragado
O meu rumo se perdendo,
Outro tanto se esquecendo
Novo tempo? Antigo prado...
Olho em volta e abandonado
Nada sei e nada sendo,
Só tal cardo em dividendo
Vida manda o seu recado
Nas entranhas e nos ermos,
A verdade dita os termos
E sem paz já não prossigo,
Morto em vida, muito embora
Respirando, nada aflora
Tão somente este castigo.
Pelo tanto que te quero
E bem sei que não me queres
A mais bela das mulheres
Coração, porém tão fero
Quando falo, eu sou sincero
E se em paz inda vieres
Muito além do que ora esperes
Ou decerto até que espero
Tu terás em mim reflexo
Deste encanto onde sem nexo
O meu rio se perdia,
Mas imerso nos teus braços
Os meus dias vãos e escassos
Novo tempo em alegria.
2
Versos quando em abandono
Dias trágicos; temidos,
Hoje em todos os sentidos
Desta sorte enfim me adono,
E se tanto imerso em sono
Novos tempos pressentidos
Mundos belos percebidos
Farta glória em raro abono,
O meu mar em teus caminhos
O teu mar em meus carinhos
Vão beijando a mansa areia,
O luar se enamorando
Cada vez iluminando
Até que nos incendeia.
3
Não cerceies esta estrada
Onde o sonho se adentrara
E permita a bela e rara
Noite etérea e iluminada
Noutra senda desvendada
O que tanto nos ampara
Neste amor que se declara
Outra noite abençoada.
Riscos corro, mas bem sei
Da beleza desta grei
E do quanto em mim se trama
Com raríssima doçura
Todo amor, farta ternura,
Refletindo em nós tal chama.
4
Serenando em madrugada
O granizo dentro em mim,
Do que tanto busco enfim,
Não terei decerto nada,
O meu tempo noutra alçada
Mero e escasso este jardim,
Resumindo o que há em mim
Nesta noite tão gelada,
O sertão que agora entranho
Um cenário turvo e estranho,
Na memória tão somente
O que outrora procurara
E por certo não traçara
Sol intenso, mas ausente.
5
A medonha face exposta
De quem tanto me iludira,
Nas entranhas da mentira
Esta cena decomposta
Do caminho em que se gosta
Do calor em rara pira,
Ao sentir quanto impedira
Na ferida em dor proposta,
Gero em mim tal desengano
E se tanto inda me dano
Não me engano nunca mais,
O caminho predileto
Hoje sei ser incompleto
Restam ritos funerais.
6
A tristeza que me deste
De presente dia a dia,
Morta ainda a fantasia
No caminho mais agreste
O tormento que se empreste
Deixa além a melodia
E se tanto se queria,
Nesta cena se deteste.
Ouço apenas o distante
Murmurar onde adiante
Esta noite em turbilhões,
Na senzala em dura cela
O terror que se revela
Neste não que tu me expões.
7
Solidão adentrando a alma
De quem sonha e se poeta
Noutra luz não se completa
Nem a sombra mais acalma,
O terror invade e doma
Nada resta do que outrora
A esperança desarvora
E o caminho nega a soma,
Resta apenas o vagar
Sem destino sem paragem,
Quando busco uma hospedagem
Nos teus braços sem notar
Teu olhar ausente e alheio,
Fantasias vãs rodeio.
8
Ouço ainda a voz sombria
De quem tanto pude amar,
E se ainda posso andar
Nesta noite em agonia,
O que tanto poderia
Não consigo desvendar,
Cada farsa a se mostrar
Numa tétrica utopia
Resto aquém do que pudera,
E se teimo nesta espera
Nada vem, somente o frio,
E o meu verso em tom mesquinho
Sem saber de colo ou ninho,
Num soneto em vão desfio.
9
Arvoredos no passado
Hoje em cinzas o meu céu,
Este mundo em carrossel
Já mandando o seu recado
No caminho destroçado
No cenário mais cruel
Onde houvera um claro véu
Hoje sinto mais nublado,
O risonho amanhecer
Nele tanto bem querer,
Minha infância, meu quintal.
Nada resta senão isto
A lembrança em que persisto
Neste instante até venal.
10
O meu barco naufragado
O meu rumo se perdendo,
Outro tanto se esquecendo
Novo tempo? Antigo prado...
Olho em volta e abandonado
Nada sei e nada sendo,
Só tal cardo em dividendo
Vida manda o seu recado
Nas entranhas e nos ermos,
A verdade dita os termos
E sem paz já não prossigo,
Morto em vida, muito embora
Respirando, nada aflora
Tão somente este castigo.
35871 até 35880
1
Caminhando contra o grande
Desejar onde pudera
Desenhar a tola fera
Que deveras já desande
Meu caminho onde desmande
A certeza, esta quimera
Onde nada mais tempera
Ou decerto ainda abrande
O meu mundo não se vê
Noutra face sem por que
E talvez nada mais veja
Nem sequer o que pudesse
Ter a sorte em rara messe,
Muito aquém do quanto almeja.
2
Procurando sem adeus
Outro rumo aonde eu possa
Caminhar em lua nossa
Mesmo em dias vãos e ateus,
Ao me render ao teu Deus
No que tange ou mesmo adoça
A verdade não diz troça
Nem destroça em tolos breus,
Vago em lumes discordantes
Bebo então raros brilhantes
Entre corvos e rapinas,
Quando vejo em cada passo
Teu olhar deveras traço
Noutras sendas mais ladinas.
3
Tantas vezes quis ao menos
Procurar, porém sabendo
Do que tanto em estupendo
Negarias com acenos
E deveras mais serenos
Outros dias percebendo
Quem se fez um mero adendo
E sorvera teus venenos,
Sendo assim nada me impede
De viver o que concede
O passeio rumo ao farto,
Beijo a sombra da pantera
Onde tudo não espera
E decerto não reparto.
4
Olhos torpes, vis promessas
De momentos mais dispersos
E se tento noutros versos
Onde mesmo recomeças
Ou talvez não mais expressas
As verdades em diversos
Malquereres ou perversos
Universos onde versas
As versões mais conhecidas
As palavras envolvidas
Vidas mortes, corte e adaga,
O temor em cada espaço
Sendo assim quando me traço
A mortalha o passo alaga.
5
Santidade; aonde eu creio
No caminho mais sutil,
Teu olhar já não me viu
Precedendo o passo alheio,
E se ainda em vão rodeio
O que outrora não previu
Ou deveras ser servil
Num vil canto em tolo veio,
Vendo assim o quanto pude
Ter além da juventude
Plenitude em tom sombrio,
Demarcando cada engano
Vou puindo o velho pano
E meus sonhos; já desfio.
6
Num satânico caminho
Entre pedras tão somente
O que fora uma semente
Hoje sei ser grão daninho,
Mergulhando em cada espinho
Ou talvez não mais se sente
O que tanto se aparente
Na mordaça em que me alinho,
Visto a roupa do passado
Trapo tanto desfiado
Verso feito em tom menor,
O medonho caminhar
Entre sendas sem luar
Eu já sei e até de cor.
7
Para tantos ou bem poucos
Dias fartos noites frias,
O que tanto poderias
Se meus olhos seguem loucos,
Onde encanto à noite eu tento
Bebo as horas, morro infausto
Procurando este holocausto
Vivo em pleno e imenso vento.
Realçando cada passo
Neste resto que me sobra,
Desvendando em cada dobra
O que outrora já não traço.
Orgulhosamente mente
Desafia a tola mente.
8
Não pudera ver além
Desta curva no caminho,
Comungando em sangue e vinho
Na procura de outro bem
Que talvez trace em desdém
Meu cenário em rosa e espinho
Jardineiro mais mesquinho,
Coração nada contém,
Cevo as flores do abandono
E se tanto assim me adono
Do que fosse bem diverso,
Sobre as tantas heresias
Onde matas poesias
Eu deveras teimo e verso.
9
Nas orgias costumeiras
Nas entranhas deste porto
Onde vivo ou semimorto
Procurando por roseiras
Sem saber das jardineiras
Neste encanto, sem conforto,
O meu barco gera aborto
Entre várias vis bandeiras,
Ouço apenas o que tento
E se vejo este tormento
Arrebento e não contenho
Nada passa do vazio
Onde bebo e sigo o frio
Num temível desempenho.
10
Lavo os olhos neste pranto
Onde tanto poderia
Acreditar numa utopia
Quando em verso fútil canto,
Mas se teimo ou se me espanto
Não suporto a hipocrisia,
Levo além o que traria
Noutra face o desencanto,
Resultando no que sou
Ou talvez quando sonhou
Meramente com futuro,
Sou escasso e trago em mim
Podridão em mar sem fim,
Num caminho torpe e escuro.
Caminhando contra o grande
Desejar onde pudera
Desenhar a tola fera
Que deveras já desande
Meu caminho onde desmande
A certeza, esta quimera
Onde nada mais tempera
Ou decerto ainda abrande
O meu mundo não se vê
Noutra face sem por que
E talvez nada mais veja
Nem sequer o que pudesse
Ter a sorte em rara messe,
Muito aquém do quanto almeja.
2
Procurando sem adeus
Outro rumo aonde eu possa
Caminhar em lua nossa
Mesmo em dias vãos e ateus,
Ao me render ao teu Deus
No que tange ou mesmo adoça
A verdade não diz troça
Nem destroça em tolos breus,
Vago em lumes discordantes
Bebo então raros brilhantes
Entre corvos e rapinas,
Quando vejo em cada passo
Teu olhar deveras traço
Noutras sendas mais ladinas.
3
Tantas vezes quis ao menos
Procurar, porém sabendo
Do que tanto em estupendo
Negarias com acenos
E deveras mais serenos
Outros dias percebendo
Quem se fez um mero adendo
E sorvera teus venenos,
Sendo assim nada me impede
De viver o que concede
O passeio rumo ao farto,
Beijo a sombra da pantera
Onde tudo não espera
E decerto não reparto.
4
Olhos torpes, vis promessas
De momentos mais dispersos
E se tento noutros versos
Onde mesmo recomeças
Ou talvez não mais expressas
As verdades em diversos
Malquereres ou perversos
Universos onde versas
As versões mais conhecidas
As palavras envolvidas
Vidas mortes, corte e adaga,
O temor em cada espaço
Sendo assim quando me traço
A mortalha o passo alaga.
5
Santidade; aonde eu creio
No caminho mais sutil,
Teu olhar já não me viu
Precedendo o passo alheio,
E se ainda em vão rodeio
O que outrora não previu
Ou deveras ser servil
Num vil canto em tolo veio,
Vendo assim o quanto pude
Ter além da juventude
Plenitude em tom sombrio,
Demarcando cada engano
Vou puindo o velho pano
E meus sonhos; já desfio.
6
Num satânico caminho
Entre pedras tão somente
O que fora uma semente
Hoje sei ser grão daninho,
Mergulhando em cada espinho
Ou talvez não mais se sente
O que tanto se aparente
Na mordaça em que me alinho,
Visto a roupa do passado
Trapo tanto desfiado
Verso feito em tom menor,
O medonho caminhar
Entre sendas sem luar
Eu já sei e até de cor.
7
Para tantos ou bem poucos
Dias fartos noites frias,
O que tanto poderias
Se meus olhos seguem loucos,
Onde encanto à noite eu tento
Bebo as horas, morro infausto
Procurando este holocausto
Vivo em pleno e imenso vento.
Realçando cada passo
Neste resto que me sobra,
Desvendando em cada dobra
O que outrora já não traço.
Orgulhosamente mente
Desafia a tola mente.
8
Não pudera ver além
Desta curva no caminho,
Comungando em sangue e vinho
Na procura de outro bem
Que talvez trace em desdém
Meu cenário em rosa e espinho
Jardineiro mais mesquinho,
Coração nada contém,
Cevo as flores do abandono
E se tanto assim me adono
Do que fosse bem diverso,
Sobre as tantas heresias
Onde matas poesias
Eu deveras teimo e verso.
9
Nas orgias costumeiras
Nas entranhas deste porto
Onde vivo ou semimorto
Procurando por roseiras
Sem saber das jardineiras
Neste encanto, sem conforto,
O meu barco gera aborto
Entre várias vis bandeiras,
Ouço apenas o que tento
E se vejo este tormento
Arrebento e não contenho
Nada passa do vazio
Onde bebo e sigo o frio
Num temível desempenho.
10
Lavo os olhos neste pranto
Onde tanto poderia
Acreditar numa utopia
Quando em verso fútil canto,
Mas se teimo ou se me espanto
Não suporto a hipocrisia,
Levo além o que traria
Noutra face o desencanto,
Resultando no que sou
Ou talvez quando sonhou
Meramente com futuro,
Sou escasso e trago em mim
Podridão em mar sem fim,
Num caminho torpe e escuro.
35861 até 35870
1
Enquanto a vida conceda
Este sonho mais audaz
No caminho em que se faz
O viver noutra vereda
Um papel leve de seda
Desenhando em mim a paz
Ou deveras satisfaz
Quem se perde em não proceda
Da maneira mais sutil
Revivendo o que se viu
Noutra face desta vida,
O resumo deste sonho
Bem diverso do que oponho
Talvez mostre uma saída...
2
Nos meus braços levantados
Nos meus olhos horizontes
E deveras tanto apontes
Noutro tempos desolados
Riscos tantos disfarçados
E sem ter sequer as pontes
Onde nelas tu despontes
Quaisquer sombras dos passados
Caminhares entre pedras
E se tanto ou não tu medras
Resoluto não desvio
O meu passo rumo ao quanto
E se teimo enquanto canto
Nova sorte desafio.
3
Os meus olhos apontando
Para além do que pudesse
O caminho em que tropece
Quem deveras fora brando
Noutro fardo acumulando
O mergulho em tola messe,
E gerando o que se tece
Neste olhar vago rumando
Para além da noite clara
Onde o todo desampara
E outra queda se anuncia,
Vendo assim a face exposta
De quem tanto nega e gosta
Sofrimento dita o dia.
4
Entre as artes, poesia
Poderia pelo menos
Em momentos mais serenos
Proclamar a fantasia,
Mas a sorte não me guia
E bebendo teus venenos
Onde quis bem mais amenos
Cataclismo geraria
E o mergulho neste caos
Noutra ausência de degraus
Tanta queda tão somente,
Renegando algum futuro
Muito aquém do que procuro
A verdade me desmente.
5
Neste olhar petrificado
Neste tanto sem caminho,
Quando em vão ainda aninho
Meu amor ledo e passado
Noutro tanto ultrapassado
Envergando a flor e o espinho,
Resoluto, mas mesquinho
Bebo o estrago proclamado,
Ermos tantos dentro em mim,
O caminho já sem fim
Comungado em todo verso
Neste pouco ou quase tanto
Se deveras eu me encanto
Neste inferno sigo imerso.
6
Procurando na amplidão
Outro dia, nada vejo
E se quando em meu desejo
Não encontro a solução
Expirando a negação
Coração se é tanto andejo
Bebe o velho realejo
Adivinha a direção,
E nos ermos que carrego
Adentrando assim meu ego
Um beócio e nada além,
Resumindo noutro tanto
O que gera mero espanto
E decerto nunca vem.
7
O caminho procurando
Onde tantas vezes vira
Outro olhar, dispersa mira,
Alegrias? Torpe bando,
Coração em contrabando
Sem juízo algum atira,
E se bebe o que prefira
Gera em mim louco desmando.
Resultando disto tudo
O que tanto ainda iludo
E não posso reclamar,
Carrosséis dizem do passo
Quando alheio ainda traço
Nos meus dias; novo mar.
8
Quando em torno da fogueira
Olhos claros de menino
Na verdade não domino
A saudade quando esgueira
E tombando esta ladeira
Gera em tolo desatino
O caminho mais ladino
Ou talvez velha bandeira
Tanto rota quanto suja
Meu olhar diz garatuja
Coração dita outra senda
Onde nada mais existe
E somente a lua em riste
Com certeza inda me entenda.
9
O meu canto gera o brado
Onde nada mais se ouvindo
Nem tampouco raro e lindo
O caminho desolado,
Mas mergulho neste enfado
Com fastio teimo e brindo
E se tanto quero infindo
O mergulho noutro prado
Bebo a flórea solidão
Risco os fósforos do sonho
E deveras me componho
Na certeza em solução
Do soluço e do abandono,
Pelo menos lá me abono.
10
A minha alma marcha além
Do que pode um breve dia,
E teimando em agonia
Quando nada mais convém
Beija a sombra deste alguém
Que jamais preferiria
Compartilhar a alegria
E me olhara com desdém,
Do passado ou no presente
No caminho que apresente
Frágeis cenas de uma vida
O degredo continua
E procuro em toda rua
Mesmo a sorte apodrecida.
Enquanto a vida conceda
Este sonho mais audaz
No caminho em que se faz
O viver noutra vereda
Um papel leve de seda
Desenhando em mim a paz
Ou deveras satisfaz
Quem se perde em não proceda
Da maneira mais sutil
Revivendo o que se viu
Noutra face desta vida,
O resumo deste sonho
Bem diverso do que oponho
Talvez mostre uma saída...
2
Nos meus braços levantados
Nos meus olhos horizontes
E deveras tanto apontes
Noutro tempos desolados
Riscos tantos disfarçados
E sem ter sequer as pontes
Onde nelas tu despontes
Quaisquer sombras dos passados
Caminhares entre pedras
E se tanto ou não tu medras
Resoluto não desvio
O meu passo rumo ao quanto
E se teimo enquanto canto
Nova sorte desafio.
3
Os meus olhos apontando
Para além do que pudesse
O caminho em que tropece
Quem deveras fora brando
Noutro fardo acumulando
O mergulho em tola messe,
E gerando o que se tece
Neste olhar vago rumando
Para além da noite clara
Onde o todo desampara
E outra queda se anuncia,
Vendo assim a face exposta
De quem tanto nega e gosta
Sofrimento dita o dia.
4
Entre as artes, poesia
Poderia pelo menos
Em momentos mais serenos
Proclamar a fantasia,
Mas a sorte não me guia
E bebendo teus venenos
Onde quis bem mais amenos
Cataclismo geraria
E o mergulho neste caos
Noutra ausência de degraus
Tanta queda tão somente,
Renegando algum futuro
Muito aquém do que procuro
A verdade me desmente.
5
Neste olhar petrificado
Neste tanto sem caminho,
Quando em vão ainda aninho
Meu amor ledo e passado
Noutro tanto ultrapassado
Envergando a flor e o espinho,
Resoluto, mas mesquinho
Bebo o estrago proclamado,
Ermos tantos dentro em mim,
O caminho já sem fim
Comungado em todo verso
Neste pouco ou quase tanto
Se deveras eu me encanto
Neste inferno sigo imerso.
6
Procurando na amplidão
Outro dia, nada vejo
E se quando em meu desejo
Não encontro a solução
Expirando a negação
Coração se é tanto andejo
Bebe o velho realejo
Adivinha a direção,
E nos ermos que carrego
Adentrando assim meu ego
Um beócio e nada além,
Resumindo noutro tanto
O que gera mero espanto
E decerto nunca vem.
7
O caminho procurando
Onde tantas vezes vira
Outro olhar, dispersa mira,
Alegrias? Torpe bando,
Coração em contrabando
Sem juízo algum atira,
E se bebe o que prefira
Gera em mim louco desmando.
Resultando disto tudo
O que tanto ainda iludo
E não posso reclamar,
Carrosséis dizem do passo
Quando alheio ainda traço
Nos meus dias; novo mar.
8
Quando em torno da fogueira
Olhos claros de menino
Na verdade não domino
A saudade quando esgueira
E tombando esta ladeira
Gera em tolo desatino
O caminho mais ladino
Ou talvez velha bandeira
Tanto rota quanto suja
Meu olhar diz garatuja
Coração dita outra senda
Onde nada mais existe
E somente a lua em riste
Com certeza inda me entenda.
9
O meu canto gera o brado
Onde nada mais se ouvindo
Nem tampouco raro e lindo
O caminho desolado,
Mas mergulho neste enfado
Com fastio teimo e brindo
E se tanto quero infindo
O mergulho noutro prado
Bebo a flórea solidão
Risco os fósforos do sonho
E deveras me componho
Na certeza em solução
Do soluço e do abandono,
Pelo menos lá me abono.
10
A minha alma marcha além
Do que pode um breve dia,
E teimando em agonia
Quando nada mais convém
Beija a sombra deste alguém
Que jamais preferiria
Compartilhar a alegria
E me olhara com desdém,
Do passado ou no presente
No caminho que apresente
Frágeis cenas de uma vida
O degredo continua
E procuro em toda rua
Mesmo a sorte apodrecida.
35851 até 35860
1
Abrindo esta cortina
Vislumbro tal cenário
Aonde temerário
O tempo me fascina,
E quanto mais domina
O meu itinerário
Além do imaginário
O corte tanto ensina,
A peça continua
E bebo farta lua
Desnuda sobre mim,
Aplausos na platéia
Cevando a vaga idéia
Do amor morto e sem fim.
2
A sorte quis eterna
Distante desta quando
O mundo se moldando
Procura uma lanterna
E quando a dor externa
Morrendo ou me matando
No porte renegando
Apenas quando inverna
Esta aparente luz
Infausto em corpos nus
Errático cometa
E vendo sem defesas
As mãos em ti já presas
No vago se prometa.
3
Demônios que concebo
E beijo com carinho
E quando ali me aninho
Do néctar raro eu bebo,
O amor já não percebo
Espúrio e podre vinho,
No corte deste espinho
O fim atroz recebo
Num passo rumo ao nada
Aonde quis eterno,
Ou mesmo em vão inferno
A sorte destinada,
Restando apenas isso,
O fim que mais cobiço.
4
Tritão imenso eu sou
E vago por teus mares,
E quando mal notares
O quanto te tomou
Do verme se mostrou
Diversos vis altares
Procuro em tais lugares
O que a morte legou
Ao velho caminheiro
Antigo jardineiro,
Há tanto aposentado,
Nos olhos carcomidos
Os dias esquecidos
O céu torpe e nublado.
5
Imenso continente
Aonde se vislumbra
Além desta penumbra
O quanto ainda vente,
Descubro quem alumbra
O passo ou mesmo tente
E quando pertinente
O tempo não deslumbra
O olhar de quem se fez
Em tanta insensatez
Satânico porvir,
E nele arisco verme
Um corpo vago e inerme,
Enfim a se sentir.
6
O meu olhar desperta
Ao vê-la em tal nudez
E quando amor se fez
A vida estando alerta
A porta sempre aberta
Intensa insensatez
No quanto queres, crês,
A sorte não deserta
A vida de quem ama
E tendo em fúria a chama
Deveras se imagina
Além do que pudera
Vencendo medo e fera,
Gerando em gozo a mina.
7
Diverso este concerto
Aonde não se ouvia
Sequer a melodia
E neste vago aperto
O quanto desconcerto
Ou tento em alegria
Escassa fantasia
Olhando além ou perto.
Resumo neste verso
E tento estar imerso
Embora deprecies
Assim quando puder
Além do que vier
Teus sonhos; não adies.
8
Um bem universal
O sonho não se traça
Além desta fumaça
E vendo este banal
Caminho ritual
E nele sem a graça
De quem tanto se passa
Por mero ou magistral,
Acossam-me mentiras
E quanto mais prefiras
As piras apagadas,
As lâmpadas acesas
Falenas viram presas
Espúrias desgraçadas.
9
Dispersos oceanos
Em sonhos mais falazes
A lua em suas fases
Os dias, desenganos
Tivesse novos planos
E neles outras frases
Diversas das que trazes
Em olhos soberanos,
Eu beberia enfim
O quanto quero em mim
Do todo que não dás
Restando muito aquém
Do tanto onde convém
A vida feita em paz.
10
O passo segue a tropa
De tantos verdadeiros
Caminhos corriqueiros
Aonde nada topa
Senão corcel galopa
Vencendo os derradeiros
Luares garimpeiros
Da chuva que me ensopa.
Extinguindo este pranto
Ainda mesmo enquanto
O tanto não diz todo,
Seqüestro os meus venenos
Em dias mais serenos
Ou mesmo em pleno lodo.
Abrindo esta cortina
Vislumbro tal cenário
Aonde temerário
O tempo me fascina,
E quanto mais domina
O meu itinerário
Além do imaginário
O corte tanto ensina,
A peça continua
E bebo farta lua
Desnuda sobre mim,
Aplausos na platéia
Cevando a vaga idéia
Do amor morto e sem fim.
2
A sorte quis eterna
Distante desta quando
O mundo se moldando
Procura uma lanterna
E quando a dor externa
Morrendo ou me matando
No porte renegando
Apenas quando inverna
Esta aparente luz
Infausto em corpos nus
Errático cometa
E vendo sem defesas
As mãos em ti já presas
No vago se prometa.
3
Demônios que concebo
E beijo com carinho
E quando ali me aninho
Do néctar raro eu bebo,
O amor já não percebo
Espúrio e podre vinho,
No corte deste espinho
O fim atroz recebo
Num passo rumo ao nada
Aonde quis eterno,
Ou mesmo em vão inferno
A sorte destinada,
Restando apenas isso,
O fim que mais cobiço.
4
Tritão imenso eu sou
E vago por teus mares,
E quando mal notares
O quanto te tomou
Do verme se mostrou
Diversos vis altares
Procuro em tais lugares
O que a morte legou
Ao velho caminheiro
Antigo jardineiro,
Há tanto aposentado,
Nos olhos carcomidos
Os dias esquecidos
O céu torpe e nublado.
5
Imenso continente
Aonde se vislumbra
Além desta penumbra
O quanto ainda vente,
Descubro quem alumbra
O passo ou mesmo tente
E quando pertinente
O tempo não deslumbra
O olhar de quem se fez
Em tanta insensatez
Satânico porvir,
E nele arisco verme
Um corpo vago e inerme,
Enfim a se sentir.
6
O meu olhar desperta
Ao vê-la em tal nudez
E quando amor se fez
A vida estando alerta
A porta sempre aberta
Intensa insensatez
No quanto queres, crês,
A sorte não deserta
A vida de quem ama
E tendo em fúria a chama
Deveras se imagina
Além do que pudera
Vencendo medo e fera,
Gerando em gozo a mina.
7
Diverso este concerto
Aonde não se ouvia
Sequer a melodia
E neste vago aperto
O quanto desconcerto
Ou tento em alegria
Escassa fantasia
Olhando além ou perto.
Resumo neste verso
E tento estar imerso
Embora deprecies
Assim quando puder
Além do que vier
Teus sonhos; não adies.
8
Um bem universal
O sonho não se traça
Além desta fumaça
E vendo este banal
Caminho ritual
E nele sem a graça
De quem tanto se passa
Por mero ou magistral,
Acossam-me mentiras
E quanto mais prefiras
As piras apagadas,
As lâmpadas acesas
Falenas viram presas
Espúrias desgraçadas.
9
Dispersos oceanos
Em sonhos mais falazes
A lua em suas fases
Os dias, desenganos
Tivesse novos planos
E neles outras frases
Diversas das que trazes
Em olhos soberanos,
Eu beberia enfim
O quanto quero em mim
Do todo que não dás
Restando muito aquém
Do tanto onde convém
A vida feita em paz.
10
O passo segue a tropa
De tantos verdadeiros
Caminhos corriqueiros
Aonde nada topa
Senão corcel galopa
Vencendo os derradeiros
Luares garimpeiros
Da chuva que me ensopa.
Extinguindo este pranto
Ainda mesmo enquanto
O tanto não diz todo,
Seqüestro os meus venenos
Em dias mais serenos
Ou mesmo em pleno lodo.
35841 até 35850
1
O quanto não se sente
Do medo em face escusa
Meu canto em vão já cruza
O medo mais freqüente
E bebe este indigente
Caminho em noite obtusa
Gerando a voz confusa
E nela este demente.
Resisto, mas pudesse
Vencer o quanto desse
E nada mais seria
Senão a falsa luz
E nela reproduz
A imagem do teu dia.
2
A seiva da esperança
Em frondes magistrais
Pudesse muito mais
Do quanto em vão me alcança,
No olhar sem confiança
Apenas vendavais
Ausente qualquer cais,
O medo assim se trança
E farto desta vida,
A sorte em despedida
A morte se traçando,
O sonho se desvenda
E quando noutra senda
Mergulho em mar infando.
3
Ausente algum porvir
No passo de quem tenta
Vencer qualquer tormenta
Sem nada pressentir,
Pudesse me exigir
Além do que apascenta
A morte violenta
O gozo sem sentir
A farpa, ledo espinho
E quando sou mesquinho
Retrato a tua face,
E nesta realidade
Enquanto em vão se brade
A sorte me devasse.
4
Aonde um estuário
Pudesse em calmaria,
O mar transbordaria
Além do imaginário
E o farto e temerário
Caminho da agonia
Alheio à fantasia
Traçando o meu fadário.
Reinando sobre o nada,
A morte anunciada
O corte em dor e medo,
No tanto ainda em mim,
Diverso do que enfim
Ainda em vão degredo.
5
Colossos magistrais
Olhares buscam fontes
E quanto mais apontes
Distantes, muito mais,
Certeza do jamais
Ausentes velhas pontes
Enquanto desapontes
Mergulho em teus cristais.
Resolvo com loucura
O quanto me amargura
E gero em turbilhão
A porta não se abrira,
A sorte, o medo e a mira
A morte em progressão.
6
O quanto já cansado
Do passo nunca visto
O tempo em que resisto
Deveras destroçado
Resulta deste enfado
E nele sei bem disto
O manto em que revisto
O verso desolado.
Espero algum momento
E sei que me atormento
Nos gritos de outro dia
Diverso do que agora
Ainda se demora
E mata a fantasia.
7
Outros dias verão
Meu passo rumo ao nada,
E seguir tal estrada
Sem nexo ou direção
Trazendo da amplidão
A noite enluarada
E nela devorada
A luz do coração,
O velho seresteiro
No tempo costumeiro
Na luta não se cansa,
Mas sei o quanto sou
E tudo o que restou
Matando uma esperança.
8
Esboço desta vida
Em outra face exposto
E quando vejo o rosto
Em lágrima e ferida
A morte não duvida
E sem qualquer desgosto
Deveras num proposto
Interna uma saída,
Vestira em funerais
Os dias tão iguais
Janelas entreabertas
E nelas se desnuda
A sorte tão miúda
Enquanto me desertas.
9
O quanto já me disse
Quem tanto pode ter
Nas mãos o bem querer
E sem que nada ouvisse
Temendo esta mesmice
Aonde posso ver
O olhar a se perder
Gerando outra tolice.
Resgato qualquer erro
E sei que em tal desterro
O farto se acumula,
E o medo não desvenda
O corte dita a lenda
Renega a fome e a gula.
10
Teimando em novo dia
Após os mesmos tantos
E neles versos, prantos
Toando a melodia
Aonde nada havia
Sequer mais desencantos
Os ritos, meus espantos
O fardo moldaria
Na parte mais audaz
Enquanto tanto faz
O fato de ser teu,
Não meço mais palavras
E quando em vão tu lavras
Colheita se perdeu.
O quanto não se sente
Do medo em face escusa
Meu canto em vão já cruza
O medo mais freqüente
E bebe este indigente
Caminho em noite obtusa
Gerando a voz confusa
E nela este demente.
Resisto, mas pudesse
Vencer o quanto desse
E nada mais seria
Senão a falsa luz
E nela reproduz
A imagem do teu dia.
2
A seiva da esperança
Em frondes magistrais
Pudesse muito mais
Do quanto em vão me alcança,
No olhar sem confiança
Apenas vendavais
Ausente qualquer cais,
O medo assim se trança
E farto desta vida,
A sorte em despedida
A morte se traçando,
O sonho se desvenda
E quando noutra senda
Mergulho em mar infando.
3
Ausente algum porvir
No passo de quem tenta
Vencer qualquer tormenta
Sem nada pressentir,
Pudesse me exigir
Além do que apascenta
A morte violenta
O gozo sem sentir
A farpa, ledo espinho
E quando sou mesquinho
Retrato a tua face,
E nesta realidade
Enquanto em vão se brade
A sorte me devasse.
4
Aonde um estuário
Pudesse em calmaria,
O mar transbordaria
Além do imaginário
E o farto e temerário
Caminho da agonia
Alheio à fantasia
Traçando o meu fadário.
Reinando sobre o nada,
A morte anunciada
O corte em dor e medo,
No tanto ainda em mim,
Diverso do que enfim
Ainda em vão degredo.
5
Colossos magistrais
Olhares buscam fontes
E quanto mais apontes
Distantes, muito mais,
Certeza do jamais
Ausentes velhas pontes
Enquanto desapontes
Mergulho em teus cristais.
Resolvo com loucura
O quanto me amargura
E gero em turbilhão
A porta não se abrira,
A sorte, o medo e a mira
A morte em progressão.
6
O quanto já cansado
Do passo nunca visto
O tempo em que resisto
Deveras destroçado
Resulta deste enfado
E nele sei bem disto
O manto em que revisto
O verso desolado.
Espero algum momento
E sei que me atormento
Nos gritos de outro dia
Diverso do que agora
Ainda se demora
E mata a fantasia.
7
Outros dias verão
Meu passo rumo ao nada,
E seguir tal estrada
Sem nexo ou direção
Trazendo da amplidão
A noite enluarada
E nela devorada
A luz do coração,
O velho seresteiro
No tempo costumeiro
Na luta não se cansa,
Mas sei o quanto sou
E tudo o que restou
Matando uma esperança.
8
Esboço desta vida
Em outra face exposto
E quando vejo o rosto
Em lágrima e ferida
A morte não duvida
E sem qualquer desgosto
Deveras num proposto
Interna uma saída,
Vestira em funerais
Os dias tão iguais
Janelas entreabertas
E nelas se desnuda
A sorte tão miúda
Enquanto me desertas.
9
O quanto já me disse
Quem tanto pode ter
Nas mãos o bem querer
E sem que nada ouvisse
Temendo esta mesmice
Aonde posso ver
O olhar a se perder
Gerando outra tolice.
Resgato qualquer erro
E sei que em tal desterro
O farto se acumula,
E o medo não desvenda
O corte dita a lenda
Renega a fome e a gula.
10
Teimando em novo dia
Após os mesmos tantos
E neles versos, prantos
Toando a melodia
Aonde nada havia
Sequer mais desencantos
Os ritos, meus espantos
O fardo moldaria
Na parte mais audaz
Enquanto tanto faz
O fato de ser teu,
Não meço mais palavras
E quando em vão tu lavras
Colheita se perdeu.
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