segunda-feira, 22 de novembro de 2010

50801/10

50801

A virtude, tal como os corvos, aninha-se nas ruínas.
Anatole France

Do nada é que se vê
O quanto poderia
Gerar a fantasia
Na vida sem por que
O todo num cadê
A sorte em utopia
O mundo na agonia
Aonde em vão se crê,
Presumo novo fato
E quanto isto constato
Retrato o que inda trago,
Depois de certo ocaso
A cada novo atraso,
Decerto além, divago.

50802

O passado é a única realidade humana. Tudo o que é já foi.
Anatole France

A vida se transforma
E gera tão igual
Caminho ritual
Idêntico em tal forma,
E assim cada reforma
Produz velho sinal
E nisto o pontual
Reflete a antiga norma,
Depois do que passaste
O todo sem contraste
Verás noutro momento,
E quando me difiro
Ousando o mesmo tiro,
O morto eu sempre invento.

3

Agradeço ao destino por ter-me feito nascer pobre. A pobreza foi-me uma amiga benfazeja; ensinou-me o preço verdadeiro dos bens úteis à vida, que sem ela não teria conhecido. Evitando-me o peso do luxo, devotou-me à arte e à beleza..
Anatole France

Riqueza desvirtua
O olhar de quem procura
Imerso na loucura
Aquém da imensa lua,
E o nada se cultua
Gerando esta amargura
Invés de uma ternura
Que além sempre flutua,
Saber e conhecer
Tentar novo caminho,
E mesmo que daninho
Livrar-se do querer,
Gestando em fantasia
Bem mais do que teria.


4

As opiniões comuns passam sem exame. Na maioria das vezes não as admitiríamos se lhes prestássemos atenção.
Anatole France

Ao ver esta verdade
Diversa da que tenho,
Enquanto este desenho
A vida já degrade,
Transforma o sonho em grade
E nisto ora desdenho
E sei porquanto eu venho
Aquém da liberdade,
A morte da emoção
A leda sensação
Do quanto me liberto,
No rumo antes traçado
O passo sonegado,
Traduz velho deserto.

5

A virtude está toda no esforço.
Anatole France

A luta que não cessa
Expressa o quanto vale
A vida em raro xale
A sorte sem promessa,
E o todo recomeça
Bem antes que avassale
No tom aonde exale
O mundo sem ter pressa,
Virtude se proclama
Supera qualquer trama
E gera muito além
Do quanto pude outrora
A face que me ancora
Somente a luta tem.

6

O pensamento é uma doença peculiar a alguns indivíduos e que não se propagaria sem ocasionar prontamente o fim da espécie.
Anatole France

O pensamento gera
A morte da esperança
E quanto mais avança
Maior resulta a fera,
E nisto o que se espera
Gestando em confiança
Promete uma mudança
E traz a nova esfera,
A luz insuportável
De um mundo tão mutável
Jamais traria a sorte,
Destarte o que se pensa
Ao fim não recompensa
Traduz somente a morte.

7

O dinheiro é um dos fins para se viver feliz: os homens transformaram-no no único fim.
Anatole France

Apenas um caminho
Jamais seria um fim,
E o todo dentro em mim
Aonde ora me alinho
Traduz o velho espinho
Exposto no jardim,
Embora tão ruim
E mesmo até daninho.
No passo sem medida
Ousando nesta vida
Princípio, fim e meio
Do quanto se alimenta
O sonho em tal tormenta
Dirige sem ter freio.


8

O senso comum diz-nos que a terra é imóvel, que o sol gira à sua volta e que os homens que vivem nos antípodas andam de cabeça para baixo.
Anatole France

Visão já deturpada
Do quanto sou e quero
No fundo sendo fero
A sorte não diz nada,
Apenas nesta estrada
Ao ser sempre sincero
Matando o que venero
Negando o que me invada,
Restauro os meus enganos
E sei dos soberanos
Momentos presumidos,
Ao ver realidade
O mundo me degrade
Em erros repetidos.

9

Um bom retrato é uma biografia pintada.
Anatole France

Olhando esta figura
Já tanto apodrecida
Amarelada vida
O fim ora assegura
E o quanto se procura
A sorte dilapida
E tendo esta ferida
Expressa em amargura,
Apenas um retrato
Aonde o que constato
Deveras morto está,
E sei do quanto fora
Uma alma sonhadora
E morta desde já.

50810

Só os homens que não se interessam por mulheres interessam-se pelas suas roupas. Os homens que realmente gostam de mulheres nem percebem o que elas estão a usar.
Anatole France

A capa que reveste
Não vale o quanto tem,
E nisto sei tão bem
Do sonho mais celeste,
E mesmo sendo agreste
O passo diz de quem
Pudera ser além
Do quanto agora veste,
Amar o quanto se é
Bem mais do que tal fé
Pudesse desenhar,
Num âmbito diverso
A ti quando eu me verso
O todo diz amar.

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50791

É uma grande tolice o «conhece-te a ti mesmo» da filosofia grega. Não conheceremos nunca nem a nós nem aos outros. Mas não se trata disso. Criar o mundo é menos impossível do que explicá-lo.
Anatole France


Pudesse conhecer
Ao menos uma parte
Em quantos se reparte
O todo de algum ser,
E neste esvaecer
O tempo sempre parte
E a vida, a sobeja arte
Não deixa-nos saber,
O quanto ser quem és
Ao menos de viés
Jamais tem tradução,
Destarte réu confesso
Em mim tanto tropeço,
Perdendo a direção.

2

Nada estraga tanto uma confissão como o arrependimento.
Anatole France

O fato de saber
O quanto se pudera
Apascentar a fera
E nisto ter prazer
Moldando o novo ser
Traçando a primavera
E nesta nova esfera
O todo conhecer,
Enquanto na verdade
A vida num momento
Diverso; enquanto eu tento
Ainda ora se evade
Do tanto que há em mim,
Matando tudo enfim.

3

Na noite onde todos estamos, o sábio esbarra com a parede, enquanto o ignorante fica tranquilamente no meio do quarto.
Anatole France


O quanto se procura
Liberta o pensamento
E traz noutro momento
A noite mais escura,
E sei desta loucura
Enquanto o novo eu tento
E bebo deste vento
Infausto em amargura,
Explode dentro em nós
O fato mais atroz
E disto sei do espanto
Lutando sem cansaço
O quanto ainda traço
Esbarra em qualquer canto.

4

Os acontecimentos tinham ampliado a sua inteligência naturalmente estreita. A imensa ironia das coisas tinha passado na sua alma e a tornara fácil, sorridente e leve.
Anatole France

A vida ensina e o fato
De em todo novo dia
Abrir a fantasia
Aonde eu já constato
A força de um regato
A luta em agonia
O quanto poderia
E nada mais resgato,
Somente o meu engodo
E nisto o quase todo
Expressa um rumo e verso
No quanto pude crer
E sei do amanhecer
E nele eu me disperso.

5

Por mais que busquemos, apenas nos encontramos a nós próprios.
Anatole France

O máximo que vejo
Talvez seja este espelho
Aonde me aconselho
E sei ser tão sobejo
O quanto em azulejo
Deveras me ajoelho
E meto o meu bedelho
Além do que desejo,
Espero uma resposta
E nada mais viria,
A face em agonia
Ao ser assim exposta
Traduz a dor imensa
De quem, decerto, pensa...

6

Preferi sempre a loucura das paixões à sabedoria da indiferença.
Anatole France

Negar-se à própria vida
Não traz felicidade
Nem mesmo o que degrade
A sorte dilapida,
Gerando esta esquecida
Loucura que me invade,
Traduz a qualidade
Há tanto prometida.
Resumos de momentos
Aonde em desalentos
Ou risos; compartilho,
Jamais eu suportei
Obedecer à lei
Num cérebro-espartilho.

7

A mulher alimenta-se de carícias, como a abelha das flores.
Anatole France

Carinhos que te faço
O tempo não sossega
A vida em rara adega
Presume num novo passo
E mesmo quando escasso
Supera a sorte cega
E além tanto navega
Vagando em cada traço,
E sei do quanto possa
Verdade sendo nossa
Ousar noutro momento,
E o pântano passado,
O dia degradado
A solidão fomento.

8

Só amamos verdadeiramente se amarmos sem causa.
Anatole France

Amar sem ter motivos
Que gerem nova fonte
Abrindo este horizonte
Além dos lenitivos
Estamos bem mais vivos
Aonde o todo aponte
Criando a rara ponte
Sem sermos, pois cativos.
Expresso em verso e paz
O quanto que se traz
E gesta novo sonho,
E nisto o meu caminho
Enquanto em ti me aninho
É mais do que eu proponho.

9

A vida de uma nação, como a de um indivíduo, é uma ruína perpétua, uma sequência de desabamentos, uma interminável expansão de misérias e crimes.
Anatole France

A vida se repete
Nos erros costumeiros
E gera dos canteiros
Apenas o que afete
E marca o que compete
Ao todo em derradeiros
Momentos verdadeiros
Pintando sempre o sete,
E o todo não pudesse
Ainda mesmo em prece
Trazer algum alento,
E sei do quanto pude
Embora mesmo rude,
Um dia em paz eu tento.

50800

O real serve-nos para fabricar melhor ou pior um pouco de ideal.
Anatole France

O quanto que se quer
E o tanto quando traço
Mudando a cada passo
Num ato em vão, qualquer,
O todo sem sequer
Saber do mundo escasso
E nisto sem cansaço
Enfrento o que vier,
Mas sei do quanto em mim
Traduz o ledo fim
Ou mesmo um novo rumo,
Destarte sendo assim,
Cevando o meu jardim,
Em vago sonho esfumo.

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O futuro permanece escondido até dos homens que o fazem.
Anatole France

O quanto se adivinha
Ou mesmo se produz
Ousando numa luz
Que há tanto já continha
A sorte tão mesquinha
Enquanto nos conduz
E traz aonde eu pus
A senda jamais minha,
Futuro se escondendo
E nisto algum adendo
Impede o deslumbrar
Do quanto ainda vejo
Ou mesmo até desejo
Aos poucos vai raiar.

2

De todas as escolas que frequentei, a da rua, foi a que me pareceu melhor.
Anatole France

O dia a dia ensina
Embora deturpando,
A sorte em contrabando
Por vezes cristalina
Ou mesmo determina
O passo em ledo bando
E assim nos informando
Transgride a velha mina,
Esperas entre quedas
E quando ora enveredas
Por sendas mais diversas
Os passos entre tantos
Em rústicos encantos
Aos poucos tu dispersas.

3

Raramente tenho aberto uma porta por descuido sem ter deparado com um espectáculo que me fizesse sentir, pela humanidade, compaixão, nojo ou horror.
Anatole France

Ao ver-se já desnudo
O ser humano exponha
A face mais medonha
E nisto me amiúdo,
O todo diz, contudo
Do passo na enfadonha
Verdade que se oponha
Ao todo onde me iludo,
Esqueço o quanto pude
Vencer o passo rude
E ter noutro cenário
Um variável passo,
E sei que enquanto eu traço
Sou néscio e temerário.

4

Uma besteira repetida por trinta e seis milhões de bocas não deixa de ser uma besteira. As maiorias têm mostrado as mais das vezes uma aptidão superior à servidão.
Anatole France

O fato não se muda
Conforme se repita
Nem gera uma pepita
Na sorte mais miúda,
O quanto nos acuda
Deveras não permita
Nem mesmo delimita
A luta em rara ajuda,
Verdades são eternas
E trazem as lanternas
Que ditam seu futuro,
Porém ledas mentiras
Enquanto em vão atiras
Não trazem cais seguro.

5

Os homens animados por uma fé comum nada têm feito mais depressa senão exterminar aqueles que pensam de modo diferente, sobretudo quando a diferença é muito pequena.
Anatole France


A força que supera
As ledas diferenças
Enquanto te convenças
Gerando em ti tal fera,
A luta diz quimera
E trama contra as crenças
Marcando aonde pensas
Com dor que destempera,
Matando o quanto possa
Diversa desta nossa
Vontade outro cenário,
Assim imensamente
Mesmo que a vida mente,
O homem é temerário.

6

O que os homens chamam de civilização é o estado atual dos seus costumes e o que chamam de barbárie são os estados anteriores. Os costumes presentes serão chamados bárbaros quando forem costumes passados.
Anatole France

O novo mata o antigo
E discrimina o fato
Do quanto não constato
E trago ora comigo,
A sorte aonde abrigo
Mudando eu já retrato
No canto enquanto abstrato
Não traz qualquer perigo,
E assim em barbarismo
O quanto além eu cismo
Matando o que é senil,
Destarte nada levo
Jamais sendo longevo
Jamais se repartiu.


7

Chamamos perigosos àqueles cujo espírito é diferente do nosso e imorais aos que não têm a nossa moral.
Anatole France

Das diferenças nasce
A discriminação
O que virá então
Ao velho já se espace
E quando se notasse
Diversa direção
Os novos matarão
O velho noutra face.
E o tanto que podia
Unir em fantasia
Apenas não constróis
Quais fossem diferentes
Os medos que tu sentes
Também diversos, sóis...

8

O artista deve gostar da vida e mostrar-nos que ela é bonita. Se não fosse ele, duvidaríamos disso.
Anatole France

A vida se desenha
No olhar de algum artista
E o quanto além persista
Gerando onde se empenha
Aquece a velha lenha
E nada mais resista
À força onde se assista
O todo que contenha,
A vida sendo bela
Na tela se revela
Desnuda de um defeito,
E traz a todo olhar
O quanto imaginar
Diverso do que aceito.

9

Considero o conhecimento de si mesmo como uma fonte de preocupações, de inquietações e de tormentos. Tenho-me frequentado o menos possível.
Anatole France

O quanto me conheço
Assusta-me deveras
Ser fera que entre as feras
Traduz meu endereço
E nisto reconheço
Diversas, fartas eras
E quando destemperas
Marcante este adereço,
Ousando ser diverso
Do quanto ainda verso
Tentando o mais sublime,
A luta sem cansaço
Olhando o quanto escasso
Eu sou, nada redime.

50790

O jogo é um corpo-a-corpo com o destino.
Anatole France

A sorte variante
E traz a cada passo
O quanto agora escasso
Futuro deslumbrante
E nada mais garante
Sequer algum espaço
E quando o sonho eu traço
O mundo noutro instante,
Cenário em tons sombrios
Ou tantos desafios
Destino eu não domino
E sei do quanto errático
O passo sem ser prático
Traduzo em desatino.

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A COISA é mansa mas atropela.

O quanto se permite
Num passo mais audaz
Transforma a velha paz
Além deste limite
E o quanto delimite
O rumo aonde traz
O tanto quanto faz
Ou mesmo se acredite.
Negando algum aporte
Traçando novo norte
A nisto a clara tela,
A mansidão de fato
Tramando onde a constato
Também nos atropela.

62

A MÃO que alça o copo não deve segurar o volante.


O quanto se inebria
E gera outro momento
Aonde em provimento
A sorte não traria
Sequer uma alegria
E quando além eu tento
Vencer qualquer tormento
Gestado em agonia,
O caos se permitira
E nisto ainda fira
Quem tanto quis bem mais,
Vestindo a mesma face
Do quanto se mostrasse
Em atos tão boçais.

63

AS MULHERES perdidas são as mais procuradas.


Procuro algum alento
Aonde nada houvera
Gerando a primavera
Amores sempre tento
E vejo outro momento
E nisto se tempera
A sorte sem espera
O dia em tal tormento,
E sei do quanto pude
Vencer o mundo rude
E tanto ser feliz,
A vida se aproxima
E gera em novo clima
O amor que tanto quis.

64

ADEUS, cinco letras que me fazem sofrer;

A vida dita em regras
Diversas o que tanto
Pudesse e não garanto
Aonde não integras
As sortes desintegras
E traças desencanto
E nisto um novo canto
Enquanto não te alegras,
E sei do mais dorido
Caminho permitido
E nada mais teria
Ousando neste adeus
Os dias todos meus
Mataram a alegria.

65

ADORO as rosas, mas prefiro as trepadeiras.


Perfume diz espinho
E a sorte do canteiro
Enquanto além me inteiro
De um tempo mais mesquinho
E assim eu me avizinho
Do quanto aventureiro
Caminho derradeiro
Vencendo outro daninho,
A sorte onde se queira
Esboça a trepadeira
E adentra noutro espaço
Destarte continua
Bebendo inteira a lua
No amor que agora eu traço.

66

Meu mundo se apresenta
No quanto se traduz
O passo em plena luz
Vencendo a turbulenta
Noção que se sangrenta
Expressa o que conduz
E nisto enfim me pus
Na tez mais virulenta,
Esqueço cada engano
E sei do soberano
Caminho em claridade,
Ainda que pudera
Vencer a dura fera
Que aos poucos nos degrade.

67

Mergulho nos teus braços
E bebo em tua pele
O quanto me compele
Amores entre passos
Os dias mais devassos
A sorte me atropele
E o tempo se revele
Na luta em novos traços
Resumos de outras eras
E nisto sei que esperas
Apenas o sinal
Gerado pelo sonho
Aonde o que componho
Traz passo em ritual

68

Não quero outro momento
Nem mesmo a noite fria
E o quanto poderia
Trazer aonde eu tento
Vencer o sofrimento
E crer na fantasia
Gerando a poesia
E nisto eu me alimento
Pousando devagar
Aonde possa amar
Quem mais queria outrora
O passo rumo ao farto
Decerto eu não descarto
E o barco em paz ancora.

69

Num átimo eu mergulho
E vago em tal abismo
Gerando enquanto cismo
O mundo em raro orgulho,
Ainda sendo entulho
O prazo em cataclismo
E sei de cada sismo,
Em vão tudo vasculho
E bebo a amarga senda
Aonde se desvenda
Apenas o vazio,
E o todo que pudera
Apascentar quimera
Agora eu desafio.

50770

Levando a vida ao fim
Depois da tempestade
O quanto desagrade
O prazo gesta enfim
O todo noutro sim
E sem a liberdade
A morta ansiedade
Traduz o nada em mim,
Escuto a voz do vento
E quando busco e tento
Saber de nova fonte
Apenas a semente
Morrendo se apresente
Aonde desaponte.

50771/80

1

Duvidemos até mesmo da própria dúvida.
Anatole France

A dúvida gerando
Uma incerteza além
Do quanto ainda vem
Num tempo atroz ou brando
A sorte em ledo bando
O mundo em tal desdém
E quando sigo aquém
Do todo, o devorando
Esqueço o que viria
E mato a fantasia
Gestada em plenitude,
E sei que depois disto
O ser no qual existo
Também se desilude.

2

Com que direito os deuses imortais rebaixariam um homem virtuoso ao ponto de o recompensar?
Anatole France

Virtude não precisa
Nem busca recompensa
Além do quanto vença
A sorte mais concisa,
E nisto em fúria ou brisa
O mundo se convença
Do todo em que esta crença
Deveras não avisa,
E o prazo determina
O quanto dita a mina
Vagando noutro senso,
E o coração liberto
Bem mais do que eu desperto
Transcende ao quanto eu penso.

3

Mais vale compreender pouco do que compreender mal.
Anatole France

Deturpações ousando
Num ato mais cruel
Traçar novo papel
E tudo transmudando,
Seguir em contrabando
No fato além do véu
Um dia em farto fel
Invés de outro mais brando,
O quanto se complica
Enquanto não se explica
Gerasse tão somente
Um mundo mais diverso
E neste me disperso
Matando uma semente.


4

O mal é necessário. Da mesma forma que o bem, tem a sua nascente profunda na natureza, e um não poderia exaurir-se sem o outro.
Anatole France

Contraste dita a glória
E trama em variado
Desenho o nosso fado
Mostrando o cume e a escória
A noite na memória
Num tempo demarcado,
Enquanto além invado,
A sorte merencória.
O prazo determina
O fim e nossa sina
Expõe diversa face,
E nisto se pudera
Viver em primavera,
Ou neve nos tocasse.

5

A justiça é a sanção das injustiças estabelecidas.
Anatole France

O ser ou não mais justo
A cada dia traça
Espaço enquanto escassa
A sorte em tom robusto,
E assim a qualquer custo
A vida se esfumaça
E o todo não mais passa
Num ato ora vetusto.
Astuto enquanto luta
A lida em força bruta
Supera algum bom senso,
E nesta face escusa
O tempo ousando abusa
E em nada mais compenso.


6

Considero a piedade do rico para com o pobre injuriosa e contrária à fraternidade humana.
Anatole France

Enquanto a piedade
Ater-se a mera ajuda
A quem se quer e acuda
Sem solidariedade,
Mata a fraternidade
E o todo se amiúda,
Vagando onde transmuda
Findando a liberdade,
Destarte outra partilha
Pudesse ser deveras
Além do que hoje geras
E nisto em vão se trilha,
Aflora uma injustiça
E a flor jamais se viça.

7

É acreditando nas rosas que as fazemos desabrochar.
Anatole France

Acreditar no sonho
E trazer noutro tom
Momento sempre bom
E nisto eu recomponho
Meu passo enquanto o ponho
E tento um novo som
Ousando neste dom
Um tempo mais risonho.
Podendo de tal forma
Gerar o que transforma
Moldando o eterno passo
E nisto me aproximo
Da vida em raro cimo,
E o mundo em paz eu traço.

8


As coisas, em si mesmas, não são grandes nem pequenas, e quando nós consideramos que o universo é vasto, trata-se de uma ideia meramente humana.
Anatole France

Das tantas variantes
Que a vida nos permite
Até o sem limite
Deveras não garantes
E sabes por instantes
Ainda que palpite
O sonho necessite
E dele os mais brilhantes
Caminhos onde tento
Vencer o sofrimento
Gestando a plenitude,
Visíveis ou palpáveis
Ou mesmo imagináveis
O todo nos ilude.

9

O trabalho convém ao homem, (...) evita que ele olhe para esse outro que é ele e que lhe torna a solidão horrível.
Anatole France

Olhando para si
Um lobo solitário,
Num vago itinerário
Aonde me perdi,
O quanto eu percebi
Do mundo temporário
Ousando sem ser vário
Viver o meu em ti,
E assim em divisões
Diversas tu me expões
Compondo o todo enquanto
Além deste vazio
O muito eu desafio
E o tanto ora garanto.

50780

O homem não crê no que é, crê no que ele deseja que seja.
Anatole France

Diversa face eu vejo
No especular desenho
E quando aquém eu venho
Reinando num lampejo
Traduzo o meu desejo
E quanto disto eu tenho
Ou mesmo ainda empenho
Num ato mais sobejo,
O mundo que eu queria
É mera fantasia
E disto ora me afasto
A cada novo engano
E quando ao fim me dano,
O tempo é mais nefasto.

domingo, 21 de novembro de 2010

50751/60

1

Ainda que pudesse
Vencer os meus enganos
Matando os velhos planos
Além do que oferece
A vida dita em prece
Ostenta em rotos panos
Os velhos ledos danos
E nada mais se tece,
Somente o passo em vão
E nesta dimensão
A luta continua,
Depois mais claramente
A sorte se apresente
Exposta, amarga e nua.

2

Ainda quero a paz
E nada mais se traça
Além desta fumaça
Que molda o passo audaz
E o tempo não me faz
Ou gera o quanto escassa
A sorte mais devassa
E o passo então mordaz,
Ascendo ao quanto pude
E sei do mundo rude
E dele me percebo
Ausente da esperança
A própria vida lança
O sonho qual placebo.

3

Ainda não pudera
Sentir a nova luz
E o quanto reproduz
Expressa esta quimera,.
Vencendo a sorte, fera
O farto dita o pus
E o sonho onde compus
Negando a primavera,
Espreito alguma luta
E nada mais se escuta
Somente a voz do vago,
Caminho sem sentido
E nisto o todo olvido
E após tudo divago.

4

Ainda que se possa
Traçar novo momento
Enquanto a sorte eu tento
Ousando ser a nossa
Palavra que se apossa
Do imenso sentimento
E nisto ainda alento
O mundo se destroça,
Esqueço cada engano
E sei quando me dano
Ouvindo a voz cruel
De quem se fez venal
Ao ter num sideral
Momento alheio céu.

5

Ainda sendo assim
A vida não trouxera
Além do que se espera
E gera em ledo fim,
O todo dentro em mim
Na luta mais sincera
O quanto fora austera
Renova este jardim,
O mundo se apresenta
Aonde esta tormenta
Ousasse noutro rumo,
E quando mais presumo
A sorte que apascenta
Expressa em raro sumo.

6

Ainda pude ver
Depois do temporal
Momento desigual
Em medo e desprazer
O todo a se perder
Na noite, no quintal
Quarando no varal
O raro amanhecer,
Envolto em tanta bruma
A sorte ora se esfuma
E gera apenas isso,
O medo sem valia
A morta fantasia
O canto onde não viço.

7

Ainda nada traz
Quem pôde acreditar
Nas ânsias de um luar
E nisto ser capaz
De ter o quanto faz
Revela-se a moldar
O todo a desejar
O passo mais tenaz,
O quanto quero e vejo
A cada novo ensejo
Expressa a voz em luz,
Depois de certo tempo
O mundo em contratempo
Ao nada me conduz.


8

Ainda não se vira
Sequer a menor sorte
Do quanto nos conforte
A luta onde desfira
A porta que interfira
E gere novo norte
Depois do quanto é forte
O todo sem mentira,
Esqueço o meu passado
E quando além evado
O prazo determina
O fim de cada instante
E o mundo se garante
Nas ânsias da menina.

9

Ainda se deslinda
A noite em claridade
E o quanto agora invade
Trouxesse a tez infinda
De quem não sabe e finda
O passo em qualidade
Diversa da que brade
Ousando onde não brinda,
A paz já se sonega
A vida sendo cega
Jamais pudera ver
O quanto se desenha
No amor em rara ordenha
O justo amanhecer.

50760

O caos gerando em nós
O todo aonde um dia
Pudesse em sincronia
Gerar a mesma voz
O passo mais atroz
O tempo em alegria
O nada se faria
Num canto mais feroz,
E o prazo determina
O fim e seca a minha
Aonde pude ver
O sonho no vazio
E o tempo eu desafio
E sinto-me perder.

50741/50

50741

Apenas poderia ver a paz
Aonde o meu caminho se atormenta
E nada do que gere a turbulenta
Ausência poderia ser tenaz,
A sorte noutro engodo se desfaz
E gesta dentro da alma esta sangrenta
Noção que na verdade violenta
O passo noutro rumo e nada traz,
Servindo de bandeja esta emoção
Os dias noutros tantos moldarão
Somente este vazio que eu carrego,
Depois de tanto tempo em vago lume
Ainda que deveras eu me aprume
Ao fim dos desenganos sigo cego.

2

O passo em novo rumo
O dia não traria
Sequer a fantasia
Dos sonhos ledo aprumo
E sinto e me acostumo
Apenas na sombria
Vontade que teria
Quem dita o quanto esfumo
A sorte diz do fim
E o manto vivo em mim
Qual fosse nova pele
Ao nada sem fronteiras
Distante do que queiras
Aos poucos me atropele.

3

Um tempo após o nada
A lida poderia
Ousar na fantasia
Há tanto desejada,
E o quanto a luta brada
Marcando em sincronia
O mundo em agonia
Alçando a mesma estrada
Aonde nada pude
E quando a juventude
Perdida há tantos anos
Gerasse dissabores
Ainda quando fores
Somente desenganos.

4

Um gole de conhaque
A lua enlanguescente
O todo onde se sente
A vida nega o fraque,
O peso sente o baque
E o corte se apresente
Marcando o que inda tente
E a sorte além me ataque,
No pranto derramado
No corte onde chamado
O mundo não negava
A luta sem sentido
E nisto não agrido
Uma alma vaga e escrava.

5


Quisera apenas ter
Nos olhos a emoção
De dias que verão
Somente algum prazer,
O todo a se perder
A luta em dimensão
Diversa desde então
Negando amanhecer,
Resulto deste canto
E nada mais garanto
Sequer o quanto quis,
Depois de tantos erros
Momentos em desterros
A sorte é cicatriz.


6

Querendo ou não querendo
A vida não permite
O quanto num limite
Gerasse novo adendo,
O corte me provendo
Do todo onde acredite
No amor que necessite
Bem mais do que um remendo,
Apenas vejo o fim
E sei que dentro em mim
O tempo não se cala,
A luta não mais cessa
Ousando na promessa
Desta alma, ora vassala.

7

Quando te conheci
Soubera muito bem
Do quanto amor contém
O todo dentro em ti
E estava desde ali
O mundo aonde alguém
Vencendo o seu desdém
Trouxesse o que perdi,
Presumo novo canto
E nisto eu me adianto
Bebendo a paz sublime,
Destarte meu caminho
Aonde em paz me alinho
Aos poucos me redime.

8

Quermesses, esperanças
As horas são diversas
E quando desconversas
Ao fundo não te lanças
E marcas alianças
E nelas as perversas
Vontades onde imersas
Superas temperanças,
Espero após a queda
O quanto amor enreda
E veda apenas isto,
Cenário mais suave
Aonde a sorte trave
O canto onde persisto,

9

Quimeras entre fúrias
E nada mais se faz
Apenas o mordaz
Cenário entre penúrias
E quanto das lamúrias
Num dia mais audaz
Matando enfim a paz
Ditando tais incúrias
E sendo de tal forma
A luta nos deforma
E gera este fantoche
Aonde uma incerteza
Regendo sobre a mesa
Apenas nos deboche.

50750

Quase se faz além
Do quanto pude e quero
E sendo mais sincero
O tempo ainda vem
Aprendo com desdém
O corte audaz e fero
E quando destempero
Não vejo mais ninguém,
Apenas o vazio
E nisto o desafio
Tentando acreditar
Num passo mais suave
Ferida então se agrave
E mata devagar.

50731 a 50740

1

Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós.
Amado Nervo

O amor traz num eterno
Cenário esta amplitude
E mesmo quando mude
O dia aonde interno
O coração mais terno
E nada desilude
Quem tanto quer e pude
Vencer o próprio inverno,
Vestindo esta ilusão
Os dias que virão
Serão bem sempre contigo,
Ainda quando partas
Jogadas nossas cartas
O amor; em ti persigo.

2

Covarde: alguém que, numa situação perigosa, pensa com as pernas.
Ambrose Bierce

Ao ver algum perigo
As pernas vão além
Do quanto sente e vem
Tentando um novo abrigo
E quando isto consigo
Não sendo mais refém
Do todo e sem desdém
Em paz, enfim comigo,
A vida se resguarde,
Não sou tanto covarde
Apenas me defendo,
E sei que após a queda
A sorte se envereda
Em rumo turvo, horrendo.

3

Gato. Um autômato flexível e indestrutível, fornecido pela natureza para ser chutado quando as coisas vão mal no círculo doméstico.
Ambrose Bierce


Pagando sempre o pato
O pobre do bichano
A cada novo dano,
Explode onde retrato
A sensação do fato
E nisto não me engano,
Gerando o mais profano
Sentido para um gato.
Levando sempre a culpa
Ainda que se esculpa
Na face algum alento,
Viceja novamente
Ainda que se tente
Mordaz pressentimento.

4

Orar. Pedir que as leis do universo sejam anuladas em favor de um único postulante, que se confessa indigno.
Ambrose Bierce

Mudar a direção
Do quanto poderia
Reger em alegria
A rara proteção,
E sei que na oração
A sorte moldaria
O todo em fantasia
Traçando outra versão,
E ter a cada frase
O quanto já defase
Da dura realidade,
Vagando para além
Sabendo o que inda tem
E o todo que degrade.

5

Consolação é o fato de saber que alguém melhor que nós está mais infeliz do que nós.
Ambrose Bierce

A queda de outro ser
No fundo nos consola
E gera enquanto imola
O tempo em tal sofrer,
Assim raro prazer
No todo aonde assola
Propulsionando, a mola
Nos faz enternecer.
O rumo mais atroz
Gerando a paz em nós
E nisto me aproxima
De quem sendo melhor
A dor sabe de cor,
Mantendo uma alta estima.

6

Dinheiro, Uma benção que não nos traz vantagem excepto quando nos separamos dele.
Ambrose Bierce

Dinheiro? Tão somente
Nos mostra uma valia
Enquanto não teria
Sequer o que mais tente,
E quando se apresente
Em leda fantasia
Gerando uma utopia
Talvez inconsistente.
Mas quando se apresenta
Na face turbulenta
A falta de provento,
Meu barco num naufrágio
Procura em sonho um ágio
E a paz, ainda eu tento.

7

O verdadeiro professor defende os seus alunos contra a sua própria influência.
Amos Alcott

O quanto é libertário
Traduz o raro ensino
E nisto o cristalino
Caminho é sempre vário,
E o tempo, itinerário
Por onde eu me fascino,
Bebendo o que domino
Ou mesmo o necessário,
Mas quando enfim me imponho
Gestando este medonho
Retrato em tons iguais,
Invés de liberdade
Apenas se degrade
Gerando outros boçais.

8

Ignorar a própria ignorância é a doença do ignorante.
Amos Alcott

O quanto se pensava
No todo que soubesse
Gerando a tola messe
E nisto uma alma escrava
No nada onde se lava
Talvez quando obedece
O pouco que merece
A sorte sonegava.
Não sei e disto eu vejo
A vida que desejo
Num átimo diverso
Pequeno ser sem nexo
Olhando ora perplexo
Além este universo.

9

O bom livro é aquele que se abre com interesse e se fecha com proveito.
Amos Alcott

O quanto ficaria
De cada pensamento
Mudando num momento
Além da fantasia
E nisto ensinaria
No todo aonde atento
Presumo o que ora tento
E nisto uma alegria,
Colhendo o raro fruto
E sei que assim desfruto
Do todo em claridade,
Destarte se aproveita
A vida onde esta espreita
Traduz a liberdade.

50740

A religião prestou ao amor um grande serviço, fazendo dele um pecado.
Anatole France

O amor não traduzisse
Pecado nem talvez
O quanto agora vês
Não diz esta tolice
E o sonho em vã crendice
Pudesse em sensatez
Gerar o que se fez
No todo onde se visse,
O canto mais sublime
De tudo nos redime
E traz a dimensão
Exata do querer
E nele ao bel prazer
A imensa vastidão.

50721/30

50721

A preocupação de cada dia em cada dia basta.
Alphonse de Lamartine

Um novo dia traz
Momento mais diverso
E quando me disperso
Olhando para trás
O nada mais audaz
Garante este universo
E nisto vou submerso
Ao passo mais voraz,
Depois de cada engano
A vida em novo plano
Presume outro caminho,
Após a tempestade
O dia quando agrade
Transcende ao mais daninho.

2

Todos procuram um amigo, e ninguém procura ser um deles.
Alphonse Karr

O receber deveras
Nos faz bem mais contentes
E quando em evidentes
Caminhos; destemperas
Ausentes primaveras
Ainda mesmo tentes
Vencer impertinentes
Cenários entre feras,
Marcando cada passo
Aonde o nada eu traço
Vestindo algum futuro
Nas sendas da amizade
O quanto já te agrade
Trazendo o cais seguro.

3


Os auditórios não são constituídos por pessoas que ouvem, mas por pessoas que aguardam a sua vez de falar.
Alphonse Karr

Ouvir é sempre uma arte,
Falar, portanto atrai
E quando a sorte esvai
O mundo não reparte
Gerando então destarte
O todo onde se trai
O passo e já descai
O tempo conflitante,
No caos que se percebe
A vida noutra sebe
Jamais se desenhasse
Certezas são audazes
E nisto então me trazes
A sorte noutra face.

4

O esquecimento é a morte de tudo quanto vive no coração.
Alphonse Karr

O quanto se esquecesse
Do dia que passaste
Gerando este desgaste
E nada mais tecesse,
A vida se perdesse
E nisto um velho traste
Da forma onde o tocaste
Vazio merecesse.
Legados do passado
Aonde e quando invado
O tanto que não pude,
Expresso o mesmo vão
E os dias me trarão
Cenário atroz e rude.

5

Quanto mais isto muda, mais está na mesma.
Alphonse Karr

No ciclo feito em vida
A volta se transforma
Mantendo a velha forma
Já tanto conhecida,
Assim nada valida
A eterna e vaga norma
O passo que deforma,
A sorte resumida,
Esqueça qualquer dia
E veja o quanto havia
Ainda dentro em ti,
E novo amanhecer
Já não pudera ver
Em ti me conheci.

6

O coração precisa encher-se de alegrias ou de dores. Tanto umas como outras o alimentam. O que este órgão não pode suportar é o vácuo.
Alphonse Karr

Ausência do sentir
Sentido já não faz
E mesmo se mordaz
Traduz algum porvir,
No todo a presumir
O passo mais audaz
A luta, a guerra e a paz,
O quanto inda há de vir,
Vislumbro algum anseio
E sei quanto não veio
Do tanto quanto eu quis,
A sorte em dor e riso,
O ganho e o prejuízo
O ser/não ser feliz.

7

Eu creio no Deus que fez os homens, e não no Deus que os homens fizeram.
Alphonse Karr

Um Deus tão vingativo
Humano e de tal forma
O mundo já deforma
E nele ora não vivo,
Um ser mero e cativo
E traz na falsa norma
O passo que deforma
Atroz cenário altivo.
Já tanto apodrecido
Destarte ora duvido
Do amor de ser tão rude,
Amar e perdoar
E assim nos libertar,
E ao frágil sempre ajude.

8

Todo o homem tem três carácteres: o que ele exibe, o que ele tem e o que pensa que tem.
Alphonse Karr

O ser, não ser e crer
Diversa realidade
Aonde se degrade
O raro amanhecer,
E tendo em tal poder
O quanto ora se evade
Matando a claridade
Gerando anoitecer,
O fim e o que se pensa
O nada em tez tão tensa
Produz novo vazio,
E quando me permito
Além de um mero grito
Desnudo me desfio.

9


Deixo a vida como deixo o tédio
Álvares de Azevedo


Apenas tediosa
A vida onde se vira
A sorte em leda mira
E nada se antegoza
O passo ora se glosa
E traz nesta mentira
O quanto que interfira
Na senda pedregosa
E caprichosamente
A dita tanto mente
Gestando outro revés,
A morte me alivia
E gera a poesia
Rompendo tais galés.


50730

Invejo as flores que murchando morrem,
E as aves que desmaiam-se cantando
E expiram sem sofrer...
Álvares de Azevedo

A morte poderia
Trazer o manso cais
E nestes temporais
A vida em fantasia
Gerando esta agonia
Em dias desiguais
Marcando os rituais
E o nada se faria.
Depois de tanto enredo
Ao nada me concedo
E vejo apenas isso,
Mortalha e não reluto
Ainda vendo o luto,
O mero fim cobiço.

50711/20

11

A coragem é a primeira das eloquências, é a eloquência do carácter.
Alphonse de Lamartine

Coragem dita a sorte
De quem em eloquência
Vivera a consciência
Que tanto nos conforte
O passo sendo forte
A vida tem ciência
Do quanto em convivência
Gerasse um novo aporte,
A luta que não cansa
A dita em tal mudança
Gerindo cada passo
Aonde pude outrora
O todo que vigora
E assim futuro eu traço.

2

O egoísmo e o ódio têm uma só pátria. A fraternidade não a tem.
Alphonse de Lamartine

Fraternidade dita
A rara sensação
Aonde cada irmão
Na face mais bonita
Ainda se acredita
Nos dias que virão
Na mesma direção
A paz ora infinita,
O todo não pudera
Além da própria esfera
Da humanidade inteira,
E quando se mostrasse
A vida sem impasse
Unindo esta bandeira.

3

Eis a natureza que te convida e te ama; mergulha no seu seio que ela constantemente te oferece.
Alphonse de Lamartine

Na mãe natura eu vejo
O quanto poderia
A vida em alegria
E neste raro ensejo
Assim tanto a desejo
E sei da fantasia
Que é quase uma utopia
De um mundo em azulejo,
Sem crises, grises dias
E tanto me trarias
A luz onde toca
E além do imenso mar
Vencer e recriar
Ultrapassando a roca.

4

Amei e fui amado; tal basta para o meu túmulo.
Alphonse de Lamartine

Amar e ser amado,
É tudo o quanto basta
Na vida mais nefasta
O sonho em paz eu brado,
E quando assim invado
A noite não mais gasta,
A luta sem vergasta
O rumo noutro fado,
Um passo se alentasse
E nisto a nova face
Ditando eternidade,
O quanto se deseja
A sorte benfazeja
Aonde amor invade.


5

Eu sou da cor daqueles que são perseguidos.
Alphonse de Lamartine

No quanto esta irmandade
Trouxera um passo além
Do todo onde contém
A tosca humanidade,
Meu passo não degrade
Enquanto sou refém
Do amor que sempre vem
E dite a liberdade,
No canto mais audaz
A sorte que se faz
Presume novo rumo,
O canto libertário
Num raro itinerário
Decerto eu sempre assumo.


6

Não há homem completo que não tenha viajado muito, que não tenha mudado vinte vezes de vida e de maneira de pensar.
Alphonse de Lamartine

Um ser sempre mutante
Alcança o mais completo
Caminho onde este afeto
Trouxera um novo instante
E a vida se garante
enquanto me repleto
Do todo em predileto
Ou mesmo me adiante,
Vagando sem destino
O quanto me fascino
Na face que virá
Deixando para trás
O sonho mais mordaz
Na busca de um maná.

7

É a cinza dos mortos que cria a pátria.
Alphonse de Lamartine


Os mortos que carrego
No peito sonhador,
Gerando em raro amor
Um dia outrora cego,
E sei que não sossego
Lutando em tal valor
Ousando aonde eu for
Traçando enfim outro ego,
A redenção se faz
Jamais em plena paz,
Revoltas libertárias
E nelas se verão
As bases da nação
Duras, mas necessárias.

8

Um único ser nos falta, e fica tudo deserto.
Alphonse de Lamartine

O todo se completa
Em cada novo ser
E noutro posso ver
A vida mais dileta
E sendo ou não poeta
Buscando conhecer
O raro amanhecer
A plenitude é meta,
A seta para tal
Desenha num igual
Cenário cada passo,
Destarte sou feliz
Se tudo o quanto eu quis
Agora em paz eu traço.

9

As nossas únicas verdades, homem, são as nossas dores.
Alphonse de Lamartine

As dores que inda trago
São toda a minha herança
E a cada dia lança
A vida em raro afago,
E assim quando divago
Ousando em tal mudança
A sorte na aliança
Sentido claro e mago,
Ao menos poderia
Tentar em novo dia
O quanto não tivera,
Verdade que conheço
Após cada tropeço
Renova a primavera.

50720

Há grandeza mais verdadeira numa boa ação do que num bom poema ou numa grande vitória.
Alphonse de Lamartine

O agir deveras traz
Bem mais do que se pensa
E nesta recompensa
O passo mais audaz
Permite o que se faz
E gera a vida intensa
Na noite clara e imensa
Um passo feito em paz,
Assim ao se prever
O raro enternecer
Da vida sem temores,
Seguindo aonde fores
Deveras poderia
Beber farta alegria.

50701/10

1

A educação, se bem compreendida é a chave do progresso moral.
Allan Kardec

Ao educar o ser
Transformas moralmente
E assim tanto fomente
Gerando amanhecer
Pudesse então se ver
Além do corpo, a mente
Beleza transparente
E nisto o merecer
A glória mais perfeita
Aonde se deleita
A imagem mais divina,
Destarte esta grandeza
Suprema traz leveza
E o todo determina.

2



A Ciência e a Religião não puderam, até hoje, entender-se, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, reciprocamente se repeliam. Faltava com que encher o vazio que as separava, um traço de união que as aproximasse. Esse traço de união está no conhecimento das leis que regem o Universo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo, leis tão imutáveis quanto as que regem o movimento dos astros e a existência dos seres.
Allan Kardec

Unir os pólos traz
A força incomparável
Terreno mais arável
E nele a plena paz,
O passo mais audaz
E sendo inigualável
A luta interminável
É sempre a mais mordaz,
Ainda quando possa
Traçar além da fossa
Uma harmonia eterna
E nesta direção
Gerando esta união
A vida além se externa.

3

O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações.

Pode-se defini-lo assim:

O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal.
Allan Kardec

Unindo dois caminhos
Num ato em tal constância
Gerando nova estância
Sem passos vãos, mesquinhos
E quando dos espinhos
A sorte em discrepância
Traçasse a tolerância
Entre os diversos ninhos,
O agora e o quanto venha
Mantendo acesa a lenha
Na frágua da esperança
E ter toda a ciência
Da vida em tal clemência
No etéreo em paz se lança.

4

Um só desejo basta para povoar um mundo.
Alphonse de Lamartine

Um desejo somente
Bastasse para tanto
E nisto o que garanto
Traduz frequentemente
O quando se alimente
Do sonho e neste encanto
O mundo traça o manto
Domina inteira a mente,
Povoa em esperança
A humanidade inteira
E mais do que se queira
Ao todo enfim nos lança
Gerando a confiança,
Amor firme bandeira.

5

Aqueles que nós definimos como os nossos dias mais belos não são mais do que um brilhante relâmpago numa noite de tempestade.
Alphonse de Lamartine

O quanto nos parece
Em brilho mais intenso
Não mais eu me convenço
De ser rara bebesse,
O todo que se tece
Num ato tão imenso
Por vezes diz do tenso
Caminho que entorpece,
Um átimo não vale
O quanto deste vale
A vida poderia,
Acaso noutro tempo
O imenso contratempo
Regendo esta agonia.

6

O primeiro sulco aberto na terra pelo homem selvagem foi o primeiro ato de civilização.
Alphonse de Lamartine

O início diz do quanto
A sorte pode além
E o quanto se provém
Do passo onde garanto
Gerando algum encanto
A luta sempre tem
No fim o raro bem
De ser o que adianto,
Gigante ou mesmo ledo,
O passo que concedo
Transforma a caminhada,
Do todo ou mero prazo
A vida noutro ocaso
Transcende ao quase nada.

7

Admiramos o mundo através do que amamos.
Alphonse de Lamartine

Amor traduz o quanto
Pudesse perceber
E ter neste prazer
O quanto me agiganto,
Vestindo o raro manto
Espreito amanhecer
E sei deste querer
E nisto em paz eu canto,
Invisto cada passo
Aonde o sonho traço
E venço os temporais,
Amando e sendo assim,
O todo vive em mim,
Gestando os meus cristais.

8

Beleza, presente de um dia que o Céu nos oferece.
Alphonse de Lamartine

O quanto da beleza
Na vida se veria
E nisto a fantasia
Gerasse a correnteza
E tendo esta certeza
A sorte então traria
Além desta sombria
E dura natureza
A luta não termina
E sei da velha mina,
Incontrolável fonte
Por onde o tempo flui
E a sorte tanto influi
E a paz ora desponte.

9

Estou farto de museus, cemitérios de arte.
Alphonse de Lamartine

O novo se aproxima
E gesta o pensamento
Deixando no relento
O quanto inda se estima,
Marcando em novo clima
O tanto que inda tento
Seguindo o forte vento
A voz audaz se prima,
Poeira do passado
No tempo desolado
Jogado neste vão,
As horas renovadas
As sortes desenhadas
Nos dias que virão.

50710

Não pode haver glória onde não existe virtude.
Alphonse de Lamartine

Virtude dita a glória
E gera além do cais
Os dias; e tu vais
Mudar a velha história
Apenas na memória
Momentos desiguais
E nada racionais
A sorte merencória,
O amor ditando o rumo
E nisto me resumo
Tentando ter além
Do quanto a cada dia,
O mundo não traria
E o todo, enfim, já vem.

50691/700

91

A própria destruição, que parece aos homens o termo das coisas, não é senão um meio de atingir, pela transformação, um estado mais perfeito, porque tudo morre para renascer, e coisa alguma se torna em nada.
Allan Kardec

A vida se renova
E traz após a queda
A sorte onde envereda
E o todo além da prova,
Assim a senda nova
Depois da que se veda
Gestando outra moeda
E nisto a dita aprova
Caminho mais suave
Aonde sem entrave
Pudesse desenhar
O quanto existe em nós
Vencendo qualquer foz
Invade o imenso mar.

2

O fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem.
Allan Kardec

O quanto se suporta
Traduz capacidade
E o todo na verdade
Abrindo nova porta
Aonde o que conforta
Transcende ao quanto invade
E mesmo a claridade
No coração se aporta
Gerando outro momento
E nisto eu me alimento
Da etérea sensação
Dos dias que virão
Traçando em provimento
O todo em direção.

3

Não façais aos outros o que não quereríeis que vos fosse feito, mas fazei-lhe, ao contrário, todo o bem que está em vosso poder fazer-lhe.
Allan Kardec

O bem se refletindo
Especular caminho
Aonde o mais daninho
Ainda se faz findo,
O tempo enquanto o brindo
Vencendo cada espinho
Traçando em paz o ninho
E o todo onde deslindo,
Decido cada passo
Enquanto o bem eu faço
Gestando eterna luz
E assim ao ser diverso
Do quanto fora imerso
Eterno tom conduz.

4

"Com a inveja e o ciúme, não há calma nem repouso para aquele que está atacado desse mal: os objetos de sua cobiça, de seu ódio, de seu despeito, se levantam diante dele como fantasmas que não lhe dão nenhuma trégua e o perseguem até no sono."
Allan Kardec

A inveja se traduz
No ocaso de uma vida
Há tanto já perdida
Sem ter sequer a luz
O tempo não faz jus
Ao quanto se duvida
E nada mais divida
Traçando então a cruz,
Vencer este ciúme
E ter além do ardume
O dia mais suave,
O quanto se presume
Chegando além, no cume,
Sem nada que isto agrave.

5

"Os bons espíritos simpatizam com os homens de bem, ou suscetíveis de se melhorar. Os espíritos inferiores, com os homens viciosos ou que podem viciar-se. Daí seu apego, resultante da semelhança de sensações."
Allan Kardec

Prazeres parecidos
Amor e vício dizem
Do quanto contradizem
E ditam os sentidos,
Nos ermos das libidos
Os passos já deslizem
E sei quando matizem
Em passos divididos,
Assim ao se mostrar
A face e demonstrar
A leda fantasia,
Mudando a cada instante
Apenas se garante
Após; mera agonia.

6

"Honrar o pai e a mãe não é somente respeitá-los, mas também assisti-los nas suas necessidades; proporcionar-lhes o repouso na velhice; cercá-los de solicitude, como eles fizeram por nós na infância."
Allan Kardec

Amar é mais que o passo
Em rumo à proteção
É ter na decisão
A vida em cada espaço
Aonde o que hoje traço
E os dias que virão
Ousando em precisão
No todo onde me faço,
Vestindo a rara sorte
Enquanto nos conforte
Num forte caminhar
Gerando após a luta
Fortuna não reluta
E gesta além do amar.

7

Deus criou todos os homens iguais para a dor; pequenos ou grandes, ignorantes ou esclarecidos, sofrem pelas mesmas causas, a fim de que cada um julgue judiciosamente o mal que pode fazer.
Allan Kardec

A dor que tanto ensina
Permite em tal valor
Saber o quanto amor
Gerasse em rara sina,
O bem que nos fascina
Um passo redentor
Trazendo em tal sabor
A imagem cristalina,
Decerto o que virá
Desenha desde já
Imagem mais sublime,
Amar e ter a sorte
Do quanto nos conforte
Do todo nos redime.


8

O sinal mais característico da imperfeição do homem, é o seu interesse pessoal."
Allan Kardec

Olhar para este espelho
E não ver nada além
Do quanto inda contém
O mundo em vão conselho,
Ousando ser assim
Nefasto caminhante
Aonde se adiante
Gestasse apenas fim,
E o corte se mostrara
E nesta face exposta
A vida decomposta
Traçando a cada escara
O tom turvo e sombrio
Que assim bebo e desfio.

9

Na ausência dos fatos, a dúvida se justifica no homem ponderado.
Allan Kardec

A dúvida permite
A livre caminhada
E nesta rara estrada
Jamais se vê limite,
E o quanto de um palpite
Dizendo quase nada
Traduz o quanto evada
Ou mesmo se acredite,
Já vendo outro momento
Aonde o rumo eu tento
Depois da tempestade,
Certeza a cada fato
E nisto o que retrato
De mim nunca se evade.

50700

Julgando-se com direitos superiores,melindra-se com o que quer que,a seu ver,constitua ofensa a seus direitos.
Allan Kardec

A vida faz diverso
O que seria igual,
E o mundo atemporal
Traduz todo o universo,
O passo onde disperso
Rumo consensual
Na sorte bem ou mal
O encanto ora disperso,
Vencer as diferenças
E nelas outras crenças
Caminhos consonantes
Dos quais tanto garantes
Enquanto sei que pensas
E somos inconstantes.

50681/90

50681

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.
Allan Kardec

A fé sendo imutável
Já nada temeria
E assim a cada dia
Além do renovável
Trouxesse o solo arável
Da farta sintonia
E nisto se veria
Um mundo mais tocável,
A luta não transforma
E mantém cada norma
Além da eternidade,
O rumo se mostrando
Mal importando quando
Jamais nada o degrade.

2

Fora da caridade não há salvação
Allan Kardec

O dar tanto de si
Traduz o acolhimento
Da vida em tal provento
E nisto concebi
O quanto mereci
Se amor ora fomento
E cessa o sofrimento
Moldando o todo aqui,
Na luz da caridade
A vida tanto agrade
A quem a fez em paz,
E amar mesmo sendo odiado,
Explica o quanto eu brado
E nisto o bem se faz.

3

A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo
e não do estado material do meio em que se acha.
Allan Kardec

O ser feliz, deveras
Não traduzira o quanto
Apenas como encanto
Caminhos entre feras,
E sei enquanto esperas
O todo sem espanto
Vencendo algum quebranto
Refeitas primaveras,
Audaciosamente
O tempo não desmente
E gera o olhar em paz
Daquele que se entrega
E mesmo em sorte cega
O amor no peito traz.

4

Os homens semeiam na terra o que colherão na vida espiritual: os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza.
Allan Kardec

Futuro se cultiva
A cada dia e vejo
Além de cada ensejo
A sorte mais cativa
Do todo onde se cliva
E nisto o meu desejo
Traduz o que ora almejo
No amor que nada priva,
Colheita: eternidade
E sei o quanto brade
Um coração em festa,
Depois da plenitude
O nada mais transmude
No amor que a vida atesta.

5

Os espíritos protetores nos ajudam com os seus conselhos, através da voz da consciência, que fazem falar em nosso íntimo - mas como nem sempre lhes damos a necessária importância, oferecem-nos outros mais diretos, servindo-se das pessoas que nos cercam.
Allan Kardec

Ao traduzir em nós
O quanto se recebe
O dia já concebe
Diverso rumo e foz,
E quando seja atroz
O tempo noutra sebe
Do todo onde se embebe
Gerasse o tanto após,
Abrir o pensamento
E ver onde alimento
O sonho ou mesmo o fato,
Dispersa realidade
Aonde se degrade
O canto quando ingrato.


6


O homem é assim o árbitro constante de sua própria sorte. Ele pode aliviar o seu suplício ou prolongá-lo indefinidamente. Sua felicidade ou sua desgraça dependem da sua vontade de fazer o bem.
Allan Kardec

A cada novo dia
Escolhas que fizera
Traduz a primavera
Ou tanto invernaria,
A sorte se traria
Nos antros desta esfera
E o tempo se tempera
Além da fantasia,
Vestindo a melhor sina
A vida nos ensina
A libertária voz
E nisto se aprofunda
A luta mais fecunda
Gerando o tanto após.

7

A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros.
Allan Kardec

A vida nos ensina
Que amar traduz amor
E o tempo redentor
Expressa cada sina,
Aonde se ilumina
O ser um refletor
Gerasse em tal pendor
A sorte em rara mina,
Ao dar o que se tem
Receba de outro alguém
Igual sentido e paz,
Assim nesta verdade
A voz que tanto agrade
A graça sempre traz.


8

O corpo existe tão somente para que o Espírito se manifeste.
Allan Kardec

O corpo nada mais
Traduz do que um sinal
Ser espiritual
Transcende aonde vais,
E traz em dias tais
O canto magistral
Do dia desigual,
Mas vivos tais cristais
Diamantina sorte
Aonde se comporte
O todo em sua essência
A vida além deste ego
Bem mais do que carrego
Expressa a consciência.

9

Possuímos em nós mesmos pelo pensamento e a vontade um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea.
Allan Kardec

Além do quanto veio
O mundo noutro instante
A vida se garante
E nisto sem receio
Expresso em devaneio
O quanto se agigante
Moldando doravante
O todo em novo meio,
Numa expressão divina
A sorte me domina
E gera este futuro
Mostrando em nova face
A vida que traçasse
Um porto mais seguro.

50690

Conte Comigo

Conte comigo, mesmo sem contar a mim tanta coisa que lhe pesa no coração, que lhe amargura e resseca o fundo d'alma.
Conte, nas horas mais abandonadas da vida, quando o olhar, vagando em derredor, só divisar deserto.
Conte comigo, mesmo sem vontade de contar com ninguém ou certo de que não vale a pena contar com mais ninguém, nesta vida.
Conte comigo, devagarinho, deixando que a boa vontade vá dizendo, sem nada forçar, à medida em que acreditar.
Conte, durante as agonias, que, de um tempo para cá, não deixam em paz seu cansado coração, pois o bom da vida consiste em encontrar um amigo.
Conte, nas horas inesperadas, quando as tempestades despregam repentinas e tombam por cima da sua cabeça triste.
Conte comigo, para re-aprender a cantar, durante a vida, e a viver de serenas e pequeninas felicidades.
Conte comigo, para eu ajudá-lo a ter rosto bom e quieto, ao menos na presença dos filhinhos menores, que vivem dos rostos abertos.
Conte, para auxiliá-lo no amargo carregamento da cruz.
Conte comigo, para ficar sabendo, de experiência, que há na vida muita coisa linda, coisa escondida, prêmio de quem se venceu na dor.
Conte, para triunfar, no ritmo vagaroso do dever, na cadência da paz diária, aprendendo a teimar com as teimas da vida madrasta.
Conte, que são largos os caminhos da vida, esperando os passos duplos de dois amigos que vão, na direção da conversa.
Conte comigo, para saber olhar ao alto, buscando a face de um Pai.
Conte, mesmo para não se entregar aos desânimos e desencantos, de quem anda cheia da vida, do começo ao fim.
Conte comigo, que venceremos juntos, anjo da guarda com seu pupilo.
Conte, que a vida tem ser bela, criando nós as belezas, de dentro para fora, obrigação do coração, missão da Fé.
Conte comigo, conte sempre, teimando com você mesmo, que não quer saber de mais nada, ofendido que foi, descrente que anda.
Conte quando, olhando para a frente, não sente vontade de andar; olhando para trás, tem medo do caminho que andou.
Conte comigo, para que tenha valor e beleza cada passo seu, cada dia da vida, cada hora dentro de cada dia.
Conte, conte mesmo, sabendo que Deus me deu a missão de fazer companhia aos desacompanhados corações dos homens.
Allan Kardec

Ao perceber o inverno
Desta alma em solidão,
Os dias moldarão
Além do vago inferno
Sorriso bem mais terno
Traçando a direção
E nesta dimensão
O quanto em paz externo,
Propagam-se divinas
Vontades e dominas
Com toda a sorte a paz,
Destarte estar contigo
Vivendo o quanto abrigo
No amor que assim se faz.

50671/80

1

As ideias não são para guardar; alguma coisa tem que ser feito com elas.
Alfred Whitehead

Guardar o pensamento
De nada valeria
Liberte a fantasia
E trace um novo alento
Aonde me alimento
Bem mais se poderia
Pousar noutra harmonia
E nisto algum provento,
Espero apenas isso
E quanto mais me viço
Nos céus em liberdade
O passo se desvenda
Supera qualquer lenda
E além do todo invade.

2

O progresso fundamental tem a ver com a reinterpretação de ideias básicas.
Alfred Whitehead

O renovar do sonho
Presume a libertária
Vontade em luminária
Aonde eu me proponho
Ousando assim componho
A luta mesmo vária
E sei desta operária
Visão onde me ponho,
Apresentando o eterno
Momento onde me interno
E vago em novo tom,
Pousando muito além
Do quanto sei que tem
Imaginário dom.

3

A completa falta de humor da Bíblia é uma das maiores surpresas da história.
Alfred Whitehead

O fato mais atroz
Realidade em si,
No quanto eu percebi
Trouxesse em nova voz,
O mundo vivo em nós
E nisto estando ali
O todo que senti
Num ato mais feroz,
A sorte se desenha
Ainda quando venha
Em claras sintonias
O tempo num sorriso
Desvenda o paraíso
Aonde o bem verias.

4

A pergunta idiota é o primeiro vislumbre de algum desenvolvimento totalmente novo.
Alfred Whitehead

O quanto se duvida
Do que numa óbvia face
Deveras se mostrasse
Renova a própria vida
A imagem construída
Ainda que traçasse
O todo além do impasse
Abrindo esta ferida,
E assim se aproximando
O mundo em contrabando
Gerasse além de tudo
O quanto se aproxima
Do tanto onde se prima
E nisto enfim me acudo.

5

Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.*
Allan Kardec

O tempo nos trará
A face verdadeira
Do quanto mais se queira
A vida qual maná
E o todo se fará
Ousando esta bandeira
Na luta costumeira
O tempo mostrará
A face mais audaz
Enquanto a vida traz
A eterna dimensão
Do sonho mais palpável
Num mundo mais arável
Sobeja plantação.

6

Para mim, um homem é um homem, isto apenas! Meço seu valor por seus atos, por seus sentimentos, nunca por sua posição social. Pertença ele às mais altas camadas da sociedade, se age mal, se é egoísta e negligente de sua dignidade, é, a meus olhos, inferior ao trabalhador que procede corretamente, e eu aperto mais cordialmente a mão de um homem humilde, cujo coração estou a ouvir, do que a de um potentado cujo peito emudeceu. A primeira me aquece, a segunda me enregela.
Allan Kardec

O ser é bem maior
Do que tal parecer
O dia a se perder
Traduz o bem pior
E quanto do suor
Pudesse merecer
Quem sabe perceber
O quanto é tão maior
O passo libertário
De um sonho imaginário
Ousando noutro encanto,
Um ato vale mais
Que ditos magistrais,
Decerto isso eu garanto.

7

A Música exerce salutar influência sobre a alma e a alma que a concebe também exerce influência sobre a Música. A alma virtuosa, que nutre a paixão do bem, do belo, do grandioso e que adquiriu harmonia, produzirá obras-primas capazes de penetrar as mais endurecidas almas e de comovê-las.
(Obras Póstumas)
Allan Kardec

A sensibilidade
Produz além de tudo
O quanto em paz ajudo
O todo que me invade,
Assim a liberdade
Enquanto ora me acudo
Num todo e me transmudo
Ousando em claridade,
A luta nunca cessa
E sei desta promessa
Do amor maior de Deus,
E os dias que virão
Domando a direção
Impedem cada adeus.

8

Assim como a Arte Cristã sucedeu a Arte Pagã, transformando-a, a Arte Espírita será o complemento e a transformação da Arte Cristã. O Espiritismo, efetivamente, nos mostra o porvir sob uma luz nova e mais ao nosso alcance. Por ele, a felicidade está mais perto de nós, está ao nosso lado, nos Espíritos que nos cercam e que jamais deixaram de estar em relação conosco.
(Obras Póstumas)
Allan Kardec

O ser além do ser
Uma alma transcendendo
Além de mero adendo
Traçando o amanhecer
E nisto posso crer
Num mundo mesmo horrendo
O quanto em paz entendo
O dia a se fazer,
Mergulho neste encanto
E sei e não me espanto
Com tudo o que virá
Moldando noutro espaço
O tempo outrora escasso
No eterno e desde já.

9

"Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poder da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito."
Allan Kardec

O quanto reproduz
A vida noutro instante
Deveras nos garante
A imensa e rara luz,
Ainda sem a cruz
Do quanto é degradante
O mundo se adiante
E nada faça jus
Ao passo que se tente
Vencer o impertinente
Caminho em turva face,
Traduz farta grandeza
Expondo sobre a mesa
O amor que nos tocasse.

50680

Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.
Allan Kardec

Eterna aprendizagem
A vida traz por meta
O quanto se completa
A cada nova aragem,
Ainda esta visagem
Do todo que repleta
E Deus sendo poeta
Renova esta viagem,
Marcando com ternura
O tanto se assegura
No dia após, vindouro,
E desta forma a sorte
Deveras nos comporte
Qual fosse algum tesouro.

50661/70

50661

Existe algo mais importante que a lógica: a Imaginação. Se a idéia é boa, jogue a lógica pela janela.
Alfred Hitchcock

Liberto pensamento
A maior expressão
E sei que desde então
Aonde quero e tento
Viver cada provento
Enquanto se verão
No olhar desta emoção
A direção do vento,
Escassas noites trago
E nisto algum afago
Pudesse ainda ver,
Mas quando em liberdade
Meu peito além já brade
Transforma o meu querer.


2

Estilo é plagiar a si mesmo.
Alfred Hitchcock

Repito o mesmo tom
E nisto crio estilo
E quando assim desfilo
O mundo dita o dom,
E neste intenso som
O quanto em mim destilo
Vagando sem vacilo
Podendo ou não ser bom,
Uníssona vontade
De quem em claridade
Pudesse ser diverso
Embora sempre igual
Num claro ritual
Ousando em mesmo verso.


3

Não tem amigos o homem que nunca teve inimigos.
Alfred Tennyson

Apenas que conhece
Os rumos da verdade
Produz e desagrade
Além do que se tece,
E nesta vã benesse
Ceder, fragilidade
E quanto mais degrade
Ousando noutra prece
Vestindo o que se faz
Num passo mais audaz
Liberta o dia a dia,
E tendo o nada ser
Apenas desprazer
Decerto moldaria.

4

Nas mandíbulas da Morte, / Na boca do Inferno.
Alfred Tennyson

A morte se aproxima
E traz a cada passo
O quanto não mais traço
E nisto o ledo clima,
Olhando assim de cima,
O todo em descompasso
Meu canto mais devasso,
A sorte não se estima,
E o prazo se findando
Aonde e desde quando
Jamais pude ser terno,
Viceja dentro em mim
Certeza deste fim
Na boca deste inferno.

5

Dizem que a dor nos torna sábios.
Alfred Tennyson

A dor mesmo que ensine
Talvez não mais nos traga
Além da leda adaga
E nisto desatine,
Marcando o que decline
Do verso em velha vaga
A sorte atroz divaga
E nada mais refine.
Apenas o vazio
E o fim se desenhando
Aonde o quis mais brando
Agora o vão recrio
E tento o desafio
E nisto em contrabando.

6

Os sonhos são verdadeiros enquanto duram, e não vivemos nos sonhos?.
Alfred Tennyson

O sonho dita a sorte
De quem pudesse tanto
Vencer o desencanto
E ter o que conforte,
A vida noutro aporte
Deveras não garanto
E sei do medo enquanto
Fortuna dita o corte,
A morte se anuncia
E gera outra verdade
Marcando a liberdade
Em mera fantasia,
Viver em pesadelo,
O mundo sem contê-lo.

7



Sou uma parte de tudo aquilo que encontrei no meu caminho.
Alfred Tennyson

Carrego dentro em mim
As cenas que vivi
E tanto lá e aqui
O traço nega o fim,
E sei do quanto eu vim
E nisto me embebi
Aos poucos percebi
O que serei enfim,
Retalhos que se unindo
Num todo quase infindo
Mutável criatura
Que a cada novo instante
Reduz ou se agigante
E o todo configura.


8

Abismo

Talvez o abismo nos engula
Talvez cheguemos a Atlântida
Talvez não tenhamos mais a força
de mover montanhas.
Mas somos o que somos.
Alfred Tennyson

Bem mais do que talvez
Pudesse ser além
Ou mesmo quando vem
A vida e nada vês
No fundo a insensatez
Gestando outro refém
Pudesse no desdém
Traçar o que desfez,
A rude caminhada
Transporta o mesmo nada
E dita algum momento
E nisto se aproxima
A vida muda o clima
E o mesmo passo invento.

9

Procura a simplicidade e, depois, desconfia dela.
Alfred Whitehead

A luta recomeça
A cada novo dia
E quando enfim teria
A sorte já sem pressa,
No quanto se tropeça
Ou mesmo na agonia
Da leda serventia
O rumo se confessa,
Na simples face vejo
O todo e noutro ensejo
Mudando este cenário,
O sonho de um mutante
Traduz o doravante
Caminho temporário.

50670

Uma ciência que hesita em esquecer os seus fundadores está perdida.
Alfred Whitehead

Reconhecer a face
De quem pensara outrora
Futuro aonde ancora
O todo se mostrasse,
E assim quando se trace
A vida sem demora
O novo em paz se aflora
E o tanto já moldasse
Resumos do passado
Presente diz futuro
E nisto eu me asseguro
Enquanto além invado,
Gerando após o tanto
Um mundo em raro encanto.

50651/60

50651

A imaginação e o recolhimento são duas doenças de que ninguém tem piedade.
Alfred de Vigny

A luta mais atroz
Que possa ainda ter
Procuro conhecer
Dos sonhos cada voz,
E sei que dentro em nós
Não pude perceber
O quanto a se tecer
Gerasse nova foz,
O manto se discerne
E gera o quanto hiberne
O sonho sem sentido,
E tanto me recolho
Negando o quanto este olho
Tivesse percebido.

2

O amor é uma fonte inesgotável de reflexão, profunda como a eternidade, alta como o céu, vasta como o universo.
Alfred de Vigny

O amor quando nos guia
Gerando um novo passo
Aonde tento e traço
Além da fantasia
O quanto poderia
E dita além cansaço
O rumo onde me faço
Bem mais do que traria
A luta aonde eu vejo
Bem mais que algum desejo
Eterno e raro céu,
Na vastidão do encanto
O sonho; em paz, garanto
Vencendo o tom cruel.


3

O cristianismo é um camaleão, transforma-se sem cessar.
Alfred de Vigny

A cada novo dia
A face modifica,
Porém já se edifica
Além da fantasia
Mutante? Poderia;
Mas quando além se explica
Imagem rara e rica
Decerto ficaria.
Visão desta deidade
Gerada humanidade
Proveitos; quer e tanto
Destarte a cada tom
Diverso e novo dom
Gestando o desencanto.


4

Há algo de tão magnífico com um grande homem: um homem de honra.
Alfred de Vigny


Apenas o que traz
No honrado pensamento
Além do alheamento
O dia mais tenaz
E sei do quanto audaz
Momento aonde invento
O todo em tal provento
E nisto satisfaz
Grandeza se medira
Além da leda pira
Na frágua ou fogaréu
Da força da virtude
Gerando o quanto mude
Da vida o seu papel.

5

A vida é demasiado curta para que desperdicemos uma parte preciosa a fingirmos.
Alfred de Vigny

Somente uma verdade
Produz outro caminho
E quando ali me alinho
Encontro a liberdade,
Vagando onde se brade
Ousando neste ninho
O quanto foi daninho
Deveras não degrade,
O passo muito além
Do quanto resta e tem
Traçando um libertário
Caminho dentro em nós
Além do mais atroz
E rude itinerário.

6

Amai o que jamais se verá duas vezes.
Alfred de Vigny

Num único momento
A vida presencia
A sorte em fantasia
O dia em raro alento,
E sei do quanto atento
Pudesse em sintonia
Gerar o que traria
O sonho quando invento,
Inesquecível passo
Aonde o todo eu traço
E nada impedirá
O quanto já se aceita
E a sorte sem espreita
Traçando este maná.

7

O que é uma grande vida senão um pensamento da juventude realizado pela idade madura?
Alfred de Vigny

Realizar um sonho
Ainda se demora
A vida desde agora
Além eu já proponho,
E o todo que componho
Aos poucos nele ancora
A sorte revigora
Num ato onde me ponho,
Reflito no futuro
O olhar do meu passado
E o quanto além invado
No porto mais seguro
Traduzo em plenitude
O amor que tanto pude.

8

O invisível é real. As almas têm o seu mundo.
Alfred de Vigny

Apenas o que vês
Não é quanto existe
Cenário alegre ou triste
E nele sem porquês
O dia quando crês
No todo já consiste
E o passo além persiste
Além da sensatez.
O mundo se prolonga
E a vida se faz longa
E gera noutra vida
A sorte mais audaz
E assim já se refaz
A luta em paz provida.

9

A poesia é uma doença cerebral.
Alfred de Vigny

O sonho me entorpece
E gera além do vício
Imenso precipício
E nisto esta benesse
No quanto se obedece
Ao dia em raro ofício
O mundo desde o início
Trouxera o que merece
E a poesia toma
Além da mera soma
Redomas mais diversas
Em tal dicotomia
Aos poucos me traria
Aonde já não versas.

50660

Podemos estrangular os clamores, mas como vingarmo-nos do silêncio?.
Alfred de Vigny

Silêncio não diz nada
E gera a fera face
Aonde se mostrasse
A vária e tosca estada,
E quando anunciada
A vida em tal impasse
Aos poucos se traçasse
Além de desejada,
No brado se permite
O canto num limite
A rusga se traçando,
Porém neste vazio
O todo desafio
Ou morro quieto e brando?

50641 a 50650

50641

Nada nos torna tão grandes como uma grande dor.
Alfred de Musset

O quanto que se aprende
Com todo o sofrimento
E nisto eu me acalento
E trago e já me emende
Depois do alheamento
A luz de um pensamento
No tanto que desvende,
O passo sem sentido
O canto dividido
O rumo sem caminho,
Ainda se pudera
A vida sendo fera
Expressa onde me alinho.

2

Saboreiem do amor tudo o que um homem sóbrio saboreia do vinho, mas não se embebedem.
Alfred de Musset

O amor já nos transforma
E traz tanto prazer,
Porém no entorpecer
Tomando esta atroz forma
Supera qualquer norma
Permite o esvaecer
E gerando o sofrer
Aos poucos nos deforma,
Em ébria fantasia
A luta se faria
Diversa da verdade
Arroubos da paixão
Imenso turbilhão
Sem freios, tempestade.

3

Os grandes artistas não têm pátria.
Alfred de Musset

O ser universal
Transcende ao próprio fato
E nisto o que constato
Traduz num ritual
O passo sem igual
E além do algum retrato
Do arroio e do regato
Um mar fenomenal,
Assim atemporais
Momentos eternais
Gerando a cada passo,
O nada enfim desfaz
O traço mais audaz
Ultrapassando o espaço.


4

Na falta de perdão, abre-te ao esquecimento.
Alfred de Musset

Perdão traduz além
De mera providência
Domina esta ciência
Que o mundo fará bem,
O todo quando vem
E toma a consciência
Gerando esta potência
Imensa e sem desdém,
Assim a cada traço
O novo tempo eu faço
Em mim ao perdoar,
Deixando a velha pele
Ao novo se compele
No amor, gestando altar.

5

O homem sem paciência é como uma lamparina sem óleo.
Alfred de Musset


A luz só se apresenta
A quem procura a paz,
E o quanto for mordaz
Do nada faz tormenta,
A luta onde acrescenta
O rústico e tenaz
Caminho se desfaz
Em sorte turbulenta,
A falta de esperança
A luz onde a mudança
Pudesse ser além
Do quanto ainda tenho
E nisto se me empenho
Encontro a mim também.

6

Vive mal quem só vive para si.
Alfred de Musset

Olhar a própria face
Narcísica loucura
Gerando esta amargura
Aonde se mostrasse
A vida onde se trace
A sorte que insegura
Gerasse e não perdura
O todo que ora embace,
Vencer este delírio
Superar tal martírio
E crer noutro momento,
Ainda após a queda
A sorte assim se enreda
No canto onde me invento.

7

As coisas mais desagradáveis que os nossos piores inimigos nos dizem pela frente, não se comparam com as que os nossos amigos dizem de nós pelas costas.
Alfred de Musset

É dura a falsidade
E nisto se apresenta
A vida virulenta
Que tanto nos degrade,
Aquém da claridade
A noite turbulenta
Aos poucos se acrescenta
Matando a liberdade,
Melhor a verdadeira
Palavra que se queira
Até tanto ferir,
Do que a falsa luz
Que quando nos seduz
Negasse algum porvir.

8

Uma boa recordação talvez seja cá na Terra mais autêntica do que a felicidade.
Alfred de Musset


Momentos tão felizes
Transcorrem levemente
E a vida tanto mente
Enquanto contradizes
E gesta em cicatrizes
O corpo a sorte e a mente
Produz leda semente
Em céus deveras grises,
Aprendo com enganos
E sei dos soberanos
Caminhos da tristeza,
E quanto se degrada
A tal felicidade,
Em frágil correnteza.

9


O mal existe, mas nunca sem o bem, tal como a sombra existe, mas jamais sem luz.
Alfred de Musset

A vida em tal contraste
Permite novo dia
E gera o que traria
Ainda se notaste
A sorte deste traste
A luta em agonia,
Também a fantasia
E nela outro desgaste,
O tom proeminente
Gerindo o que se sente
Naquele mero instante,
A vida se renova
E quando posta à prova
Um novo se garante.


50650


Chanson

Tradução de Castro Alves.

Disse a meu peito, a meu pobre peito:
- Não te contentas com um só amante?
Pois tu não vês que este mudar constante
Gasta em desejos o prazer do amor?

Ele respondeu: - Não! não me contento;
Não me contento com um só amante.
Pois tu não vês que este mudar constante
Empresta aos gozos um melhor sabor?

Disse a meu peito, a me pobre peito:
- Não te contentas desta dor errante?
Pois tu não vês que este mudar constante
A cada passo só nos traz a dor?

Ele respondeu: - Não! não me contento,
Não me contento desta dor errante...
Pois tu não vês que este mudar constante
Empresta às mágoas um melhor sabor?

Alfred du Musset

A vida se permite além do quanto
Pudesse noutro rumo desenhar
A luz imensa e clara de um luar
E gesta este caminho aonde encanto

E bebo em profusão e me adianto
Ao tempo que inda resta a caminhar
E nada do talvez a se mostrar
Gerasse dentro da alma um novo canto,

A dor ensina o passo e me conduz
Traçando neste escuro a imensa luz
Embora tantas vezes sou falena,

E a claridade quando me entorpece
Negando algum futuro, mata a messe
E à dura solidão já me condena.

50631/40

31

Mais que as idéias, são os interesses que separam as pessoas.
Alexis de Tocqueville

Bem mais do que as idéias
Apenas os anseios
E neles outros veios
Mudando estas platéias
E nisto em assembléias
Ou mesmo em devaneios
Momentos mais alheios
Diversas panacéias,
Assim ao se moldar
O quanto é diferente
O todo onde se sente
O velho caminhar,
Ainda quando a luz
Transcende ao quanto opus.

32

A mulher é como a tua sombra: se corres atrás dela, ela correrá à tua frente, se corres à frente dela, ela vem atrás de ti.
Alfred de Musset

O amor se permitisse
Franqueza invés de luta
Ainda mais astuta
A sorte que eu cobice
E nisto esta tolice
Deveras não reluta
E gera o que se escuta
Além desta mesmice,
O todo numa parte
Pudera e não reparte
Apenas num instante
Amor quando demais
Ou mesmo em desiguais
Momentos; tanto espante.

3

É que a sabedoria é um trabalho, e sermos apenas sensatos custa muito, pois para se fazerem asneiras basta deixarmo-nos ir.
Alfred de Musset

O quanto poderia
A vida ser diversa
Daquele que dispersa
A força dia a dia,
O todo se veria
Aonde a sorte versa
E após já desconversa
Gerando a fantasia,
Ocasionando a queda
Enquanto o rumo veda
Passagem da ilusão
Os ermos caminhares
Por onde te deixares
Sem ter a precisão.

4

Há dois poderosos destruidores: o tempo e a adversidade.
Alfred de Musset


O tempo nos destroça
E gera o caos em nós
O rio bebe a foz
E sei que a morte é nossa,
Depois a cada fossa
Um dia mais atroz
A vida leda algoz
Ninguém, pois dela apossa.
A sorte se transforma
E toma a vária forma
Em rugas tão somente,
Depois de tanto tempo
A luta em contratempo
Só deixa uma semente.

5

O homem é um aprendiz, a dor é a sua mestra, / E ninguém se conhece enquanto não sofreu.
Alfred de Musset

O quanto a dor ensina
E nisto não duvido
O tempo faz sentido
Enquanto rege a sina,
E traz o que fascina
Ou mesmo o já perdido
Desenho em ledo olvido
E nisto determina,
O passo que virá
O todo onde estará
O quanto desejara,
Assim ao sofrimento
Um brinde num momento
Em luz imensa e rara.

6

Os velhos doidos são mais doidos do que os novos.
Alfred de Musset

Loucura ao fim da tarde
Não tendo solução
É noite, ebulição
E nada mais retarde
O passo aonde aguarde
Os dias que virão
Matando a solução
Sem nada que resguarde,
A mocidade traz
No olhar um tom audaz
Que o tempo tanto aplaca,
Mas quando este detalhe
É mais do que se entalhe
Numa alma crava a estaca.

7

Nada é tão bom como o amor, nem tão verdadeiro como o sofrimento.
Alfred de Musset

O amor dando o prazer
E nada nos ensina
Enquanto a leda sina
Transforma-se em saber,
Pudera conhecer
O quanto me fascina
A luz mais cristalina
Ou mesmo a merecer,
Mas sei que ao fim de tudo
Deveras desiludo
E o passo não se dera,
Ainda quando pude
Vencer em atitude
A morta primavera.

8

A vida é um sono de que o amor é o sonho, e vós tereis vivido se houverdes amado.
Alfred de Musset


Amar e ser feliz
Um sonho que acalenta
E vence uma tormenta
Trazendo o quanto eu quis,
Assim em céu mais gris
Em vida turbulenta
O todo se apresenta
Diverso do que eu fiz,
Gerando novo passo
Aonde quero e traço
Etéreo sentimento,
Expondo o coração
Aos dias que virão
Vencendo o sofrimento.


9

Ao bater com a cabeça contra as paredes, apenas conseguiu «galos».
Alfred de Musset

Lutar contra a maré
Dar murro contra a faca
A dita não aplaca
Ainda que haja fé,
O todo diz até
Do quanto a cada estaca
A vida bem mais fraca,
Esquece por quem é,
Ousasse num momento
Cerzir enquanto eu tento
Vencer os meus temores,
Assim quem sabe após
Traçar o novo em nós
Receba enfim as flores?


50640

O homem é um aprendiz, a dor a sua mestra.
Alfred de Musset

A dor tanto me ensina
Enquanto o sonho ilude
E sei desta atitude
Rondando a velha mina,
E tendo a cristalina
Noção da plenitude
E nisto além não pude,
A sorte não domina,
Meu passo dita ocaso
E quando aquém me atraso
Apenas não veria
Ao fim de cada tempo
Apenas contratempo
E toda esta agonia.

50621 a 50630

621

O homem é mais propenso a contentar-se com as ideias dos outros, do que a reflectir e a raciocinar.
Alexandre Herculano


Pensar já nos liberta
E traz em conclusão
Diversa direção
Na porta sempre aberta,
E quanto mais desperta
Mais luzes se verão
Ousando na estação
Além da que disserta,
O canto em livres tons,
Moldando os raros dons
Da liberdade em nós,
Seguir qualquer rebanho
Até num rumo estranho
Destroça a nova foz.

622

Eu não me envergonho de corrigir os meus erros e mudar de opinião, porque não me envergonho de raciocinar e aprender.
Alexandre Herculano


Errático e mutável
O ser quando evolui
Percebe o quanto flui
Em solo sempre arável,
Assim ao ser notável
O quanto em nós influi
O dia onde se intui
O claro imaginável,
Nesta metamorfose
O tempo dita a dose
E goze a maravilha
De ser além do cais
Vencendo os desiguais
Cenários; onde trilha.

623

O amor do poeta é maior que o de nenhum homem; porque é imenso, como o ideal, que ele compreende, eterno, como o seu nome, que nunca perece.
Alexandre Herculano

O amor idealizado
Em versos e fantasia
Ao quanto poderia
E neste ponto invado
O tempo desenhado
E mesmo em agonia
Ou quando já sombria
A estrada trago ao lado,
E bebo deste absinto
Vibrando o quanto eu sinto
Embora na verdade,
Este imortal desenho,
Ao mesmo tempo venho
Sabendo que degrade.

624

Querer é quase sempre poder: o que é excessivamente raro é o querer.
Alexandre Herculano


A luta não nos cansa
Se for com tal firmeza
Ousando em correnteza
Aonde além se lança
A sorte em esperança
Nos toma e sobre a mesa
A vida em tal surpresa
Ao todo enfim alcança.
Querer com tal vontade
E ter na liberdade
A rota principal,
E o canto mais profuso
Enquanto em sonho abuso
Completando o ideal.

625

Feliz a alma vulgar e rude que crê, e nem sempre sabe que a dúvida existe no mundo!
Alexandre Herculano

Ser ou não ser causando
A dor do que não pude
E sei por vezes rude
Ou mesmo até nefando,
O passo desde quando
Sem rumo desilude
Marcando esta atitude
Num ato em contrabando,
O pensamento algema
E noutro vão problema
A solução diversa
Expressa o quanto dói
O mundo enquanto sói
No nada se dispersa.

626

O segredo da felicidade é encontrar a nossa alegria na alegria dos outros.
Alexandre Herculano

O ser feliz é mais
Que a plena sensação
Da nossa dimensão
Em frente aos vendavais
E quando mais atrais
Alentos que virão
Trazer transformação
Em dias desiguais
Ao produzir afeto
Também eu me completo
E sei ser mais feliz,
A vida se reflete
No olhar que me arremete
Além do quanto eu fiz.

627

A ingratidão é o mais horrendo de todos os pecados.
Alexandre Herculano


O quanto nos ferisse
A vida em sortilégios
Diversos destes régios
Caminhos sem mesmice,
O todo não se visse
Além dos privilégios
E os campos e colégios
Ousando onde desdisse
A sorte noutro fato
E sei quando constato
A curva mais fechada,
A sorte se porfia
E nisto esta agonia
Regendo a turva estrada.

628

Saber resistir à violência é forte, mas vulgar; saber resistir à calúnia e aos motejos é maior esforço e mais raro.
Alexandre Herculano

O quando da injustiça
Maltrata e nos revolta,
E o mundo a cada volta
Aumenta esta cobiça
E o quanto é movediça
A estrada onde se solta
A luta sem escolta
A sorte mais mortiça,
Vencer os meus anseios
E crer em devaneios
Aonde nada resta,
Calúnias que enfrentara
A cada vã seara
Aguarda a fina fresta.

629

É erro vulgar confundir o desejar com o querer. O desejo mede os obstáculos; a vontade vence-os.
Alexandre Herculano


Além de algum desejo
Somente por haver
O todo a se querer
Traduz o que ora vejo
Na força do sobejo
E raro perceber
E enfim prevalecer
A cada novo ensejo,
O mundo se traduz
Na imensa e rara luz
Que possa nos guiar
Além do quanto pude,
Vencer com a atitude
O que desafiar.

50630

Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais.
Alexandre Herculano


Os homens, na verdade
Espécie mais venal,
Ainda traz no mau
O olhar que já degrade
Ao conhecer a grade
Expressa em desigual
Caminho onde boçal
Matasse a liberdade,
Espreitas e tocaias
E quanto mais tu traias
Mais pejo enfim mereces,
Invés da plenitude
O quanto desilude
E ainda vens com preces?