quarta-feira, 29 de junho de 2011

31

Já não coubera mais qualquer pergunta
Não poderia mais acreditar
Nos erros tão comuns e desenhar
O temporal que logo nos ajunta,

Ainda que fugisse para Punta
Tentando vislumbrar superno mar,
O verso não teria o seu lugar,
Apenas desencanto desajunta.

O corte na raiz, o medo além,
O vento sem sentido quando vem
Transforma em tempestade o que inda reste,

Apêndices diversos entre tantos,
Os olhos vagam velhos desencantos
E o todo sem sentido algum se ateste.

32

Vestindo a mesma sorte de um hipócrita
A luta não traria qualquer sonho,
A via se perdendo no medonho
Enquanto esta emoção persiste apócrifa.

As vagas invadindo cada praia,
O tanto que se perde sem prazer,
Mergulho no mais fundo do meu ser
E a luta noutro rumo já me traia,

Na cética expressão que tu me trazes
Meu passo se perdera sem sucesso,
E o tanto que se tente eu recomeço
Qual lua minha vida dita em fases.

O pranto não rolasse sem por que,
Procuro e esta alma atroz já nada vê.

33

Não quero e nem pudera desvendar
Os ritos tão comuns ou mais sublimes,
E nestes tantos dias quanto estimes
O vento me levasse – outro lugar...

O presumível sonho a se tocar,
Enquanto na verdade não suprimes
A sórdida expressão em ledos crimes
Ou mesmo esta vontade de chegar.

Opacificas sempre o que presumo,
E tramas no vazio o meu resumo,
Enquanto acolho a fúria de quem tanto,

Os rastros que tu deixas sobre o solo,
O mundo quando tento e até me imolo,
No fundo nenhum passo eu adianto.

34

Não quero ser apenas o que um dia
Fizesse em ironia algum poema,
Ainda que restasse qualquer tema
O vento noutro tom me levaria.

Centrando no horizonte esta agonia
O quanto da esperança ainda algema
O velho que em seu mar procura e crema
O peixe morto a cada fantasia,

Não tento acreditar mais em milagres,
E mesmo quando à vida sagres
Momentos tão diversos e infelizes,

Os ramos já partidos do que sou,
O vento noutro instante me levou
Enquanto sem sentido enfim desdizes.


35

Não bastaria apenas outro fato
Somente como fosse uma desculpa
Minha alma na verdade não esculpa
O quanto poderia e não constato.

O prazo se estendendo após o fim
Expressa o quanto existe e mesmo até
A vida se transcende e tenho fé
No tanto que mantenho vivo em mim.

O vento ora espalhando esta palavra
Que nada mais seria senão isto,
A solução do quanto ora persisto
Sabendo ser inútil cada lavra,

O medo não se fez tanto constante,
E a luta se perdera em todo instante.

36

Jogada para os porcos, perla rara,
A vida não traria maior brilho
E sei do quanto fora este andarilho
Vencido nesta ultriz, dura seara,

O tempo com certeza desampara
E sei que seguiria o que ora trilho,
O medo reproduz este estribilho
E a sorte de tal forma desprepara.

Um único momento traz o todo,
A cada nova luta novo engodo
E o temporal desaba sobre nós,

Pudesse acreditar noutro processo
E sei do quanto tento e não regresso
Sequer ao que perceba logo após.

37

Já não me seduzira a poesia
Dos olhos desta amada que se vai,
Ainda quando a sorte não me trai
O temporal desaba e desafia,

A noite mais dorida e tão sombria,
O quanto deste encanto já se esvai
E o manto sobrepondo o que contrai,
Marcasse cada verso em ironia.

O fim se aproximasse lentamente
E o mundo sem sentido algum pressente
O desabar das tramas mais diversas,

E nada se traduz em liberdade,
Apenas cada verso ora degrade
E nisto com certeza desconversas.


38

Não quero ser apenas mero ocaso,
Vivendo os derradeiros sonhos vãos,
E sei da imensa sorte de tais grãos,
E nisto cada passo agora atraso,

O mundo se moldara noutro prazo,
Bebendo dos intensos, rudes nãos,
E quando imaginávamos irmãos,
O todo noutro tom agora embaso.

O corte se aproxima da raiz
E tendo com certeza o que mais quis
Eu vejo a solução e busco a paz,

A marca que se veja noutro instante
Traduz o meu caminho e qual farsante
Apenas outro rude sonho traz.

39

As horas disparando e nada resta
Senão a mesma sorte sem sentido,
O prazo noutro tempo resumido,
A lúdica expressão de canto e festa,

O sol que penetrasse em qualquer fresta,
O encanto que deveras dilapido,
Meu tempo noutro instante presumido,
E a lenta sensação do quanto gesta.

Enfrento turbilhões e me preparo
Sabendo deste sonho, quanto é caro,
As teias enveredo sem defesa,

O medo não resume o dia a dia,
O quanto na verdade poderia
Traduz a carta rota sobre a mesa.

40

Um átimo e mergulho no que sou,
Deixando cada passo sem proveito,
Marcando o que deveras mais aceito,
O mundo noutro tanto se gestou.

O resto do caminho aonde vou
Esperaria além do que desfeito
Tramasse sem saber quando é direito,
A velha sutileza onde a deixou.

Não quero acreditar noutro momento
E sigo sem saber o quanto tento
Vivendo sem temor cada segundo,

Ainda que pudesse ser diverso,
O tanto quanto quero e não disperso,
Transcende ao próprio encanto e nele inundo.
21

Meu tempo se perdendo no passado,
Galgando qualquer sonho em plena queda,
Vasculho o que esperança não enreda
E bebo o tanto quanto ainda invado,

Já não queria o todo desenhado
Nas tramas onde a vida se envereda
Tampouco renuncio ao que empareda
A luta noutro ensaio, deslumbrado,

O rumo sem ter prumo e sem sentido,
Ainda quando tento e mesmo olvido
Meus erros são deveras contumazes,

No fundo o que me trazes não seria
Sequer o quanto pude em ironia,
Enquanto noutro tom tudo desfazes.

22

Maior que meu amor, não acredito.
O canto que se escuta, mansamente,
Tocando o que pudera e se apresente
Bem mais do que inda fora qualquer rito,

O vento agora espalha o mais bonito
Cenário aonde a vida se pressente,
Tomando com certeza a minha mente,
Ousando acreditar em cada mito.

Bastasse pelo menos um segundo
E o tanto noutro instante agora inundo
Com toda a fantasia mais plausível,

O passo após o passo se resume
No tanto esplendoroso deste lume
Tornando o nosso amor bem mais visível.

23

A morte não seria algum castigo
Deveras o que possa acreditar
Expressaria imensidão do mar
E nisto com certeza algum abrigo.

Apenas calmaria ora persigo
E sinto tão difícil encontrar
Ao menos quem me dera este lugar
Deixando no passado o sonho antigo.



Amores? Se inda os tive não mais tenho,
E quando imaginasse o tanto empenho
Na busca pelo cais inexistente...

O rumo se perdera e o predador
Ousando destroçar o sonhador
Vencendo o velho jogo, impertinente.

24

Mesclando com meus atos a utopia
No fim a cada antítese pereço,
E nada mais trouxera em adereço
Enquanto a própria sorte desvalia.

O canto se traduz em ironia
O verso perde sempre este endereço,
E sei que no final, nada mereço,
Senão a mesma espúria fantasia.

Levado pelas ondas deste mar,
O tanto que pudera imaginar
Não traz sequer a sombra da esperança,

A vida noutro tom e sem razão,
O templo se mostrara arribação
E o mundo noutro rumo ora se lança.

25

Amar e crer nas tramas deste incauto,
Vagando por estrelas constelares,
E quando na verdade mal notares,
O verso se transcende ao vão ressalto.

E a queda se anuncia em sonho lauto,
Vestindo com ternura teus luares,
Ainda que decerto tu lutares
Meu sonho noutro canto agora pauto.

O vento não traria a solução
Respostas se perderam já faz tempo,
Apenas encontrando o contratempo,

Negando qualquer tom de algum verão,
Vestígio do que fora a vida em paz,
A voz nalgum instante invade e traz.

26

Meu mundo desabasse num segundo
Gerando o caos total e sem defesas
E quando vejo apenas meras presas
No resto da esperança eu me aprofundo,

Vagando sem sentido, corpo inundo
Nas tétricas loucuras, correntezas,
Vestígios do que possam incertezas
Traçando o quanto tenha neste mundo.


Ao menos poderia renovar
O tanto que se faz a cada instante
Galgando o quanto veja doravante

Tentando novamente navegar
E veio após a dura tempestade
O sonho que transcende realidade.

27

Não quero que se faça do passado
Apenas um retrato do futuro,
O dia sem sentido quase escuro,
O sonho nalgum canto abandonado,

O tanto que desfaço enquanto evado
Saltando muitas vezes sobre o muro
Dos cantos e deveras se perduro,
O mundo noutro tom vai destroçado;

Resumos de momentos sem igual,
Aonde o que pudera bem ou mal
Ainda me domina plenamente,

A rústica expressão do sertanejo
Que vive na minha alma e que desejo
Reinasse sobre o todo finalmente.

28

Ainda que se faça da poética
Alguma dimensão que nos permita
Viver além do quanto é mais aflita
A sorte sem saber de alguma estética,

Não quero perfazer a lida aética
Tampouco noutro tom minha alma grita,
Apenas se presume o que reflita
Na fonte solidária e mais eclética.

Os erros são comuns de quem procura
Vencer a tempestade, esta loucura,
Que amarga cada instante sem prover

Qualquer ternura agora a vida trame,
E trace tão somente este ditame
Que tanto nos ajude a conviver.


29

Não vejo do que fora simples fato
Alguma sorte além da que se tenta
Sabendo do meu passo em tal tormenta
Ao menos outro engano ora constato.

Anunciando a fome em cada prato,
O corte traz a face mais sangrenta
Da velha solidão que me orienta
E deste vão caminho que retrato,

Ocasos entre frases e falsetas,
Os olhos procurando por cometas
Enquanto tu cometas desatinos,

Os sanguinários tons da melodia
Que o mundo noutra face me traria,
Até quando dobrassem velhos sinos.

30


Não bastaria apenas um sorriso
Quem sabe no final ainda veja
O tanto que se queira em benfazeja
Vontade num momento mais preciso,

E quando nos teus olhos eu matizo
O encanto que deveras azuleja
O toque mais suave que assim seja,
Gerando o quanto possa sem aviso.

Não temo nem sequer o que perdesse
O tanto que ora vejo e merecesse
Ainda sem saber do que pudera,

Expresso a solidão em rudes versos,
E neles com certeza vão imersos
Os olhos mais ferozes da pantera...
01

O mundo não trouxera uma resposta
E sem saber o quanto eu poderia
Viver em tal momento esta harmonia
Que tanto se queria recomposta,

Após a ventania e esta proposta
Gerando noutro tom a sincronia
Moldasse com certeza novo dia,
Enquanto a solidão vai, decomposta.

No fundo o que se visse não moldara
Sequer o mais sublime da seara
Vagando sem descanso, sempre ao léu,

E o rumo se presume noutro instante
E nada do que possa ser constante
Representando em paz o seu papel.

2


Aguardo calmamente alguma luz
Que possa nos sanar e nos trazer
Além do bom alívio este prazer
Semente que esperança reproduz.

O pálido cenário onde me pus,
A vida sem pensar no bem querer,
E o quanto possa mesmo enternecer
Deixando para trás fuzil e obus.

Acentuando o passo rumo ao quanto
Resista em nossos dias e garanto
Procure tão somente algum descanso.

O vértice dos sonhos atingido,
O prazo noutro tempo resumido,
E o sol que nos incita enquanto avanço.


3

Chicotes a lanhar cada momento
Da vida que se fez ingloriamente,
O verso poderia num repente
Trazer o que deveras mesmo tento,

Olhando para trás o quanto invento,
Expressa a solução e se desmente,
No todo num momento já se ausente
O sonho mais feliz e mais atento.

Resumo em pouco tempo a eternidade
E sei do quanto possa e se degrade
No mesmo ritmo feito em tal vazio,

O vento me tocando com firmeza,
Das velhas tempestades, mera presa,
Tentando a sobrevida, desafio...


4

Na luz dos meus amores qualquer facho
Trouxesse esta esperança que me açoda,
E sei do caminhar em plena roda,
Enquanto outro momento eu não mais acho.

O olhar que me punisse sendo escracho,
A luta com certeza me incomoda,
Mas sinto o desenhar que me acomoda,
E não seria mais qualquer capacho,
Vestígios de uma vida sem sentido,
O tempo noutro tanto quando olvido
Jamais se brotaria impunemente,

Meu canto noutro verso resumindo
O pouco que inda tenho me impedindo
Do sonho quando o mesmo se apresente.

5

Falar do grande amor que não viera
Beirando enorme abismo, a queda é certa,
Quando esperança aos poucos nos deserta,
A sorte se anuncia dura e fera,

O prazo determina a curta espera,
E o tempo se presume em rude alerta
Deixando esta vontade descoberta,
Na luta que se fez atroz e austera.

Já nada mais pudesse e mesmo assim,
Vivendo tão somente o medo e o fim,
Jamais me imaginasse mais feliz.

Partir e renegar cada passada
Deixando para trás a rude estrada,
Chegando finalmente aonde eu quis.


6

Num tempo onde viver já parecia
Mais fácil e mais tranquilo, eu me perdi,
E quando percebendo vi em ti
A mesma dura face em agonia,

Ousasse acreditar no que não via,
E sei do mesmo anseio em frenesi,
A fonte dos desejos; concebi,
Na mesma dimensão da fantasia.

O prazo que se finda, o tempo esvai,
E a vida noutro tom tanto nos trai
Deixando todo o sonho amortecido,

O quanto poderia e nunca veio,
O passo sem sentido e mesmo alheio,
O tempo sem certezas, consumido.

7

Já não coubera mais qualquer escusa
A fúria não se doma num instante,
No tanto que se fez mais delirante
A sorte se prepara em vã recusa,

E o tempo noutro rumo tanto abusa
Do sonho mesmo quando é inconstante
E o pouco que se quer; não me adiante,
Deixando a minha história mais confusa.

Reparo os meus tormentos contumazes
E sei que no final já sem meus ases
O jogo se perdera há tanto em nós,

Infernizando enfim o dia a dia,
Pulsando dentro da alma a poesia,
O mundo transmudasse logo após.

8

As tantas ilusões que me trouxeste,
Os ramos entrelaçam sonhos, céus,
E os olhos procurando claros véus
Percebem o que possa ser celeste,

O mundo noutro tom já compuseste
E sei do quanto valem teus incréus
Caminhos sem sentidos, rudes léus,
Ilhéus de uma esperança que não deste.

Vestígios do que possa ser além
Do quanto na verdade não convém
A quem se fez espúrio camarada,

No tom sem mais acerto, uma canção,
Encontra no meu dia a indecisão
Há tanto e noutro tom, elaborada.

9

Repare cada curva e veja bem
As tramas se repetem vez em quando,
O mundo noutro instante capotando,
A luta tantas vezes nada tem,

Senão puder seguir revendo quem
Ousasse acreditar noutro nefando
Cenário mais comum ou mesmo atando
O nada ao mesmo nada que não vem,

Reparo cada espaço e vejo o fim,
Tramando com certeza o que há em mim,
Num único momento em ironia,

Meu verso não teria outra razão,
A mesma sorte dita indecisão
Enquanto o meu tormento se veria.

10

Um ultimato; escuto e nada faço.
O término do sonho em derrocada
Expressa a mesma face destroçada
De quem se perderia a cada traço,

Num átimo o que possa em rude espaço
Vagando sobre a longa e velha estrada
Garante tão somente o mesmo nada
E sei do meu anseio agora escasso.

Resumo no final o quanto quis
E sei que na verdade o ser feliz
Já não pertence mais ao sonhador,

Ausenta dos meus olhos a esperança
E o tempo noutro tom agora avança
Deixando para trás qualquer amor.

11

Não quero acreditar que possa haver
Cenários tão diversos entre nós
Que todo este momento fosse atroz
Ou mesmo nos trouxesse algum prazer,

Alcanço o quanto pude perceber
Nas tramas deste encanto cuja foz
Expresse a solidão, temido algoz,
E dita o quanto pude te querer.

Não sei se isto é normal, mas mesmo assim,
Insisto contra tudo o que vier
O bem se avalizando quando quer

O mundo caberia em meu jardim,
Mas tanto quanto pude noutro verso,
Somente sem destino em vão disperso.

12

Nas minhas mais diversas desventuras
O quanto me coubera não seria
Sequer o que pudesse em alegria
Ou mesmo após as rudes amarguras,

E quando dentro da alma tu procuras
A trama que pudesse e me traria
A sorte com diversa serventia
Ousando acreditar em falsas curas,

O polimorfo sonho se escusara
Das vastas amplidões de uma seara
Aonde o pensamento é mais constante.

Meu prazo determina o fim de tudo
E sei do quanto em vão me desiludo
E o fim a cada passo se adiante.

13

Não mais acreditasse no que há tanto
Esperaria a vida noutra face,
Mas quando a solidão me vislumbrasse
Gerando o que pudera e nem me espanto,

O mundo sem sentido agora canto,
E vendo estupidez a cada impasse,
O verso se traduz em desenlace
Marcando o que pudera em desencanto.

Não quero acreditar nos meus enredos
Tampouco espalharia teus segredos,
Momentos tão diversos de nós dois,

O quanto da sangria se apresenta
A vida tantas vezes violenta
Enfrenta o que inda venha no depois.


13

Reparo cada prazo e vejo bem
O medo que se torna mais constante
O manto se refaz e doravante
No sonho tão somente este desdém.

Um passageiro espúrio perde o trem
E nada mais contenha o que se encante
Com toda a solidão na velha estante
Que na verdade apenas mofo tem,

O vento na janela, o temporal,
A farsa se repete, sempre igual
E o verso sem sentido e sem proveito.

No fundo de minha alma é sempre assim,
Anunciando agora o que há no fim,
A queda inevitável; ora aceito.

14

A moça que atendera ao telefone
Com voz de quem não quer ouvir mais nada,
Já tanto noutro tempo, respaldada,
Depois de várias noites, quase insone,

Ainda que pudesse, não revela,
Sequer o quanto tenha dentro da alma,
E quando aparentasse qualquer calma,
Moldura não concebe a rude tela,

Marcantes ilusões a vida rege
E o pranto que se rola não traduz,
A fúria que transcende à própria luz
E o passo se demonstra quase herege.

Meu verso se embutindo no passado,
Agora nega o sonho deslumbrado.

15

Bebendo a solidão a cada engano,
A luta não se faz tão evidente
E quando no final o tempo sente
O medo sem o qual decerto dano,

Meu mundo se moldara desumano
Temáticas diversas, previdente,
O todo noutro tom já se apresente
E sigo cada farsa onde me explano.

Ousasse acreditar no que não veio,
Jogado pelos cantos, num anseio,
Diversidades tantas neste amor,

Que possa me trazer felizes dias
E quando no final nada trarias
Apenas o que possa nos compor.

16

Ainda quando fosse mais feliz
Vivendo noutro canto destoado,
O verso se mostrara num passado
Diverso do que tanto um dia o fiz,

O gesto consumindo a cicatriz
Atormentando o todo e neste fado
O canto tantas vezes desenhado
No passo sem certeza, este infeliz.

Gerasse pelo menos um momento
Por onde o que se faz não traz alento
Tampouco dita o quanto desejei,

Não quero ser apenas mais um sonho
Jogado neste abismo tão medonho,
Enquanto fiz do medo a minha grei.

17

Um ato mais atroz e mais ausente
Dos tantos que cometo vida afora,
No cântico o sabor que nos ancora
E o mundo que se traz e a vida enfrente.

Oráculo traduza simplesmente
O mesmo caminhar que nos devora
E bebo da expressão que se assenhora
Dos dias onde o caos seja frequente.

Miraculosamente o mundo espaça
A luta tantas vezes noutra praça
E a velha barricada não presume

Sequer o quanto possa num instante
Sabendo o que este dia nos garante
Trazendo da esperança algum perfume.


18

Num último momento poderia
Viver com mais sabor o que não veio,
E quando no final tanto receio
Expressa a mais cruel alegoria,

O manto desvendando a noite fria,
Sobeja sensação quando em alheio
Cenário cada passo ora rateio
Vagando na explosão desta agonia.

Sejamos na verdade burocratas,
E quando a realidade tu maltratas
Encontras simplesmente outra faceta,

Ainda quando o mundo comprometa,
A noite se expressasse sem luar
E o tempo se perdera a divagar...

19

Não quero qualquer face mais atroz
De quem se fez constante ou mesmo rude,
Vivendo sem saber do quanto pude
Conter esta esperança dentro em nós.

Meu verso sem sentido, mesmo após,
Singrar qualquer diversa latitude
Vagando sem saber do que me ilude,
Esperaria apenas estas mós.

E assim sem mais defesas, sigo aquém,
Do quanto na verdade sempre vem
E traça com terror a fantasia,

O amor que se pudesse e sempre cismo
Gerasse dentro da alma o fanatismo
E o tempo noutro tom se mostraria.


20

Jamais encontrarás a paz, garanto.
O tempo foi capaz de destruir
O pouco que pudesse no porvir
Gerando sem saber somente o pranto,

O caos se molda em pleno desencanto,
O templo que tentasse compartir,
O mundo sem saber do que há de vir,
A solidão expressa o rude canto.

Anexando o caminho ao que afluísse
Depois de tantos anos, tal mesmice,
Reflete esta harmonia duvidosa,

Se teu jardim não tem nenhum espinho,
O quanto vejo aqui e além me alinho,
Não deixa que se veja qualquer rosa.

terça-feira, 28 de junho de 2011

91

Não quero que se faça do passado
Apenas referência e nada mais,
O dia que em verdade demonstrais
Expressa solidão e dela evado,
No fundo se presume este ansiado
Momento entre diversos vendavais
E nada que pudesse em tão venais
Anseios noutro fardo degradado,
Respondo ao que se fez em tempestade
E sei do quanto custa a liberdade
De quem se tenta além do meramente,
A luta discernindo rumo e sorte
Pudera traduzir o que comporte
E nisto novo encanto se apresente.


92

O meu canto poderia
Traduzir felicidade,
Noutro tom o dia a dia
Com certeza se degrade,

O meu verso em agonia
Procurando a claridade,
No final não mais traria
Nem sequer a liberdade,

Vou vencido pelo fardo
Envergando cada passo
E se possa me desfaço

No que tanto ora retardo,
E se veja no cansaço,
O caminho enquanto aguardo.

93

Bastaria algum momento
E deveras pude crer
No que tanto quero e tento
Sem sentir e sem saber

O que possa em sentimento
Eclodir em novo ser,
A vontade em desalento
O caminho a se perder,

Jamais vejo após a queda
O que tanto pude e sinto
Na verdade o que se enreda

Explodisse enquanto extinto
Caminhando a vida seda
Realçando cada instinto.

94

Bravamente vi teus passos
Entre tantos pela vida
E seguindo nestes laços
A esperança adormecida

Recupera após os lassos
Desvendares onde agrida
A emoção de velhos traços
Noutra sorte a ser cumprida,

Ouso até acreditar
No que possa com certeza
A beleza do luar
Desvendando a natureza
E se pude viajar,
Não queria outra surpresa.


95

No meu tempo sem tormento
Sem temor e sem fastio,
Quando em ti eu me alimento
Noutro tom eu desafio,
A verdade em pensamento
Ou talvez o desvario,
Porém sei do que ora aguento
Muito além do tom sombrio,
Neste encanto sem igual
A rainha sensual
Já desnuda em minha cama,
Quando a lua adentra o quarto,
Todo o gozo que comparto
Expressasse o quanto clama.


96

Não mereço nova chance?
Nem que seja falso riso,
O meu mundo não avance
Se no teu não me matizo,
O caminho num nuance
Outro toque mais preciso,
O cenário agora alcance
Dos meus sonhos, Paraíso.
O versar sobre o que trago
O momento mais sutil,
Onde possa e sendo afago
O que a vida consentiu,
O desenho onde divago
Traz o quanto amor sentiu.

97

Quero além do mero passo
Noutro rumo sem saber
Do que tanto teimo e faço
Presumindo este prazer,
Que supere algum cansaço
E redima o bem querer,
Na verdade sendo escasso,
O meu sonho é te viver.
Ousaria para tal
Num momento mais sublime,
O cenário sensual
Que deveras nos redime
Deste anseio sem igual,
Onde amor não se reprime.

98

Após tantos erros sigo
E vestindo esta ilusão,
Quantas vezes fui amigo,
Noutras quase um teu irmão,
Mas agora não consigo,
Nestas tramas da emoção,
Minha amiga, estou contigo,
Nos enredos da paixão,
Brindo o sonho com teus lábios
E bebendo cada gota
Da palavra em ritos sábios
Mesmo quando a sorte é rota,
Na verdade tanto quero,
Farto amor, manso e sincero.

99

Ando sempre a procurar
Qualquer tom que me traduza
A verdade de te amar
Nesta sorte mais confusa,
A palavra a desvendar
Com certeza o tempo abusa
E o meu prazo a se traçar
Não permite alguma escusa.
Restaurando o dia a dia
Noutro rito sensual,
O meu canto poderia
Ter deveras sempre igual
A verdade em fantasia
Ou a paz consensual.

100

Nada mais do que me deste
Nem um pouco de esperança
A saudade torna agreste
O caminho aonde avança
O meu passo não reveste
O momento em confiança
E a incerteza que me empeste,
Nada pesa na balança
Resumindo cada fato
Noutro fato em ironia,
O que agora já constato
Na verdade não cabia
No que possa e se retrato
Vejo em ti a fantasia.
91

Não quero que se faça do passado
Apenas referência e nada mais,
O dia que em verdade demonstrais
Expressa solidão e dela evado,
No fundo se presume este ansiado
Momento entre diversos vendavais
E nada que pudesse em tão venais
Anseios noutro fardo degradado,
Respondo ao que se fez em tempestade
E sei do quanto custa a liberdade
De quem se tenta além do meramente,
A luta discernindo rumo e sorte
Pudera traduzir o que comporte
E nisto novo encanto se apresente.


92

O meu canto poderia
Traduzir felicidade,
Noutro tom o dia a dia
Com certeza se degrade,

O meu verso em agonia
Procurando a claridade,
No final não mais traria
Nem sequer a liberdade,

Vou vencido pelo fardo
Envergando cada passo
E se possa me desfaço

No que tanto ora retardo,
E se veja no cansaço,
O caminho enquanto aguardo.

93

Bastaria algum momento
E deveras pude crer
No que tanto quero e tento
Sem sentir e sem saber

O que possa em sentimento
Eclodir em novo ser,
A vontade em desalento
O caminho a se perder,

Jamais vejo após a queda
O que tanto pude e sinto
Na verdade o que se enreda

Explodisse enquanto extinto
Caminhando a vida seda
Realçando cada instinto.

94

Bravamente vi teus passos
Entre tantos pela vida
E seguindo nestes laços
A esperança adormecida

Recupera após os lassos
Desvendares onde agrida
A emoção de velhos traços
Noutra sorte a ser cumprida,

Ouso até acreditar
No que possa com certeza
A beleza do luar
Desvendando a natureza
E se pude viajar,
Não queria outra surpresa.


95

No meu tempo sem tormento
Sem temor e sem fastio,
Quando em ti eu me alimento
Noutro tom eu desafio,
A verdade em pensamento
Ou talvez o desvario,
Porém sei do que ora aguento
Muito além do tom sombrio,
Neste encanto sem igual
A rainha sensual
Já desnuda em minha cama,
Quando a lua adentra o quarto,
Todo o gozo que comparto
Expressasse o quanto clama.


96

Não mereço nova chance?
Nem que seja falso riso,
O meu mundo não avance
Se no teu não me matizo,
O caminho num nuance
Outro toque mais preciso,
O cenário agora alcance
Dos meus sonhos, Paraíso.
O versar sobre o que trago
O momento mais sutil,
Onde possa e sendo afago
O que a vida consentiu,
O desenho onde divago
Traz o quanto amor sentiu.

97

Quero além do mero passo
Noutro rumo sem saber
Do que tanto teimo e faço
Presumindo este prazer,
Que supere algum cansaço
E redima o bem querer,
Na verdade sendo escasso,
O meu sonho é te viver.
Ousaria para tal
Num momento mais sublime,
O cenário sensual
Que deveras nos redime
Deste anseio sem igual,
Onde amor não se reprime.

98

Após tantos erros sigo
E vestindo esta ilusão,
Quantas vezes fui amigo,
Noutras quase um teu irmão,
Mas agora não consigo,
Nestas tramas da emoção,
Minha amiga, estou contigo,
Nos enredos da paixão,
Brindo o sonho com teus lábios
E bebendo cada gota
Da palavra em ritos sábios
Mesmo quando a sorte é rota,
Na verdade tanto quero,
Farto amor, manso e sincero.

99

Ando sempre a procurar
Qualquer tom que me traduza
A verdade de te amar
Nesta sorte mais confusa,
A palavra a desvendar
Com certeza o tempo abusa
E o meu prazo a se traçar
Não permite alguma escusa.
Restaurando o dia a dia
Noutro rito sensual,
O meu canto poderia
Ter deveras sempre igual
A verdade em fantasia
Ou a paz consensual.

100

Nada mais do que me deste
Nem um pouco de esperança
A saudade torna agreste
O caminho aonde avança
O meu passo não reveste
O momento em confiança
E a incerteza que me empeste,
Nada pesa na balança
Resumindo cada fato
Noutro fato em ironia,
O que agora já constato
Na verdade não cabia
No que possa e se retrato
Vejo em ti a fantasia.
81

A lua esparramando esta argentina
Beleza sobre a brônzea maravilha,
Percorre mansamente e te palmilha
Enquanto tal contraste me fascina,

O amor que neste instante me ilumina
E gera a sensação que farta, brilha,
Marcando com ternura o que polvilha
A sílfide se faz diamantina.

E o tanto que te quero neste instante
Expressa o quanto tens de deslumbrante
Esculturada em sonhos de um poeta,

E quando toco o corpo sensual,
No encanto desta lua sem igual,
A vida noutra vida se completa...

82

O verso se entroniza quando eu tento
Beber em tua boca esta saliva
Minha alma de tua alma está cativa
E nisto ora inundasse o pensamento,

Depois de tanta dor e sofrimento,
A vida com certeza não me priva
Do amor que se mostrara a alternativa
Suprema aonde o mundo em paz alento.

E sigo sem temer qualquer vacilo
E possa caminhar sempre tranquilo
Enquanto a própria vida descarrila,

No fundo esta impressão que tu deixaste
Do quanto inda me resta sendo uma haste,
Numa alma mais suave em paz desfila...


83

Não quero que se veja após o medo
O tempo tão nublado que se traz
Na sórdida expressão rude e mordaz
Deixando no passado o que concedo,

O vento noutro rumo em desenredo,
O corte na raiz, o tempo audaz,
E o vórtice deveras contumaz
Expressa a solidão e em vão procedo.

Não bebo mais o sonho de uma vida
Afeita ao que pudesse nos trazer
Ao menos um instante de prazer,

E nisto cada sorte a ser cumprida
Tornando o dia a dia mais sublime,
De todos os meus erros me redime.

84

Jamais me imaginasse de tal forma,
Que a própria persistência me traria
A farsa que se vê no dia a dia,
E gera a solidão que nos deforma,

A luta sem sentido nos transforma
E mata em nascedouro a poesia
E o quanto resumisse em alegria
Agora não permita a velha norma.

Acrescentando ao passo novo traço
Esqueço enquanto o sonho ora desfaço
Na vida que se fez assim macabra,

O tempo sem sentido e sem proveito
Transcende ao quanto quero e não aceito,
Ainda que na ilusão meu peito se abra.

85

Amiga, na verdade o desalento,
Expressa o mais comum a cada farsa
Que a vida com certeza nos disfarça
E traça o quanto sei e não mais tento,

O peito como fosse um cata-vento
A noite se transcende e mesmo esparsa
A sorte com certeza ora se esgarça
E deixa o meu caminho desatento,

Não queira acreditar no que viria
Tampouco seja nossa a fantasia,
De um tempo mais suave no futuro,

Sem imponência sigo o meu caminho,
Embora sei do quanto vou sozinho,
O sonho em outro instante, o configuro.

86

Já não posso tentar seguir além
E o vento me trouxera tanta areia
Desértica expressão que me rodeia,
Enquanto a tempestade sempre vem.

O mundo me tratando com desdém,
A marca desta farsa ora incendeia
E tece sem defesas, qualquer teia,
O tempo resumido traz ninguém,

O peso de uma sorte se desvenda
E sei do grande amor, imensa lenda,
Anunciando o fim a cada instante,

Aproximando o olhar de quem se faz
Deveras com certeza mais tenaz,
A sorte no final nada garante...

87

Desculpe a teimosia de quem tenta
Vencer a mais diversa fantasia
E o tempo noutro ocaso me traria
A sorte mesmo quando mais sangrenta,

A luta na verdade se apresenta
E trama o que pudera dia a dia,
Restando dentro da alma esta agonia
E o verso que deveras me alimenta,

No canto sem sentido e sem proveito
O tanto quanto quero e mesmo aceito
Expressaria a sorte que não veio,

Adentro os dias mágicos e rudes,
E sei das mais diversas atitudes
Ousando acreditar em novo veio.

88

Blindando o meu caminho sem saber
Das tantas armadilhas que concebes
No fim ao caminhar em rudes sebes
O mundo não pudera descrever,

Ainda que se tente perceber
O quanto em ilusão tanto recebes
As ânsias são comuns e nelas bebes
A morte noutro instante a se perder.

O fim de cada passo dita a queda
E sei do quanto possa e já se enreda
Nos passos deste estúpido poeta.

A velha teimosia não traria
Sequer algum sinal de fantasia,
Deixando a minha alma ora incompleta.

89

Fazer do meu momento o teu momento,
E crer ser mais possível tal verdade
Que quando nos transforma e nos invade
Permite o que deveras sempre tento,

O cântico suave em provimento
Do sonho quando molde a claridade,
Negando o quanto houvera e se degrade
Da casa além do teto, o pavimento.

Não pude e não tivera melhor sorte
Senão a que decerto me conforte,
Tramando novamente a solução,

Dos erros de um passado sem juízo
Ainda quando em paz tento e matizo
Moldando dentro da alma esta amplidão.

90

Não deixo nada mais para o futuro,
A queda será mesmo o que me espera,
A vida se desenha mais austera,
E o prazo noutro engodo configuro,

O rumo que pudera e mesmo juro
Ainda quando a sorte destempera,
Marcando com terror a velha esfera
Meu passo não se fez jamais seguro.

O canto se perdera no vazio
E bebo do que possa em desvario,
Restando muito pouco ou quase nada,

A luta não permite algum descanso
E quando em tal sentido agora avanço,
Adentro noite imensa, madrugada...
71

Não quero a menor sombra do que fomos
Seguindo minha vida passo a passo,
O tanto quanto vivo e já desfaço
Expressa a solidão em vários tomos,

Os erros costumeiros, desenganos,
Os cantos sem sentido pelos cantos,
Apenas resumissem desencantos
E nisto dias rudes, desumanos.

Avesso ao que viera de tal forma,
Navego nos anseios da expressão
Tramando novos erros que virão
Enquanto a própria vida nos deforma.

O vento se produz além-litígio
E amor entre nós dois? Sequer vestígio...

72

Meu tempo de sonhar já se esgotara,
A farsa se apresenta sempre igual,
O todo se moldara atemporal,
E a luta desenhasse vã seara.

O corte se aprofunda e em tal escara
A morte se aproxima em ritual,
O quanto se moldara mais venal,
Vestindo o que deveras desprepara.

Se o sonho desandou e a vida fez
Do canto esta tamanha insensatez
Já nada mais coubera dentro em nós,

E vendo este momento em tal loucura
A sorte se desenha e configura
A farsa mais mordaz, audaz, feroz.


73

Já não comportaria qualquer chance
A vida que se fez incongruente
O amor quando demais e imprevidente
Ao nada com certeza já nos lance,

O tempo não se deixa num nuance
E quando qualquer sorte se apresente
Vestindo o que deveras não mais sente
A luta no final traz em dor avance.

O canto sem sentido e sem razão
Num estribilho mostre o quanto pude
Viver o que se tente em plenitude

Trazendo da esperança a dimensão,
Ocasionando a queda de quem sonha,
Na face mais atroz, dura e medonha.


74

Não quero que se faça deste sonho
Somente outro cavalo de batalha,
Enquanto a minha vida já se espalha
Num antro sem juízo e mais bisonho,

Apenas o que possa e não componho,
Expressaria o quanto a sorte é falha,
E o todo num momento se retalha
Deixando para trás onde me enfronho.

O prazo determina o fim de tudo,
Repare bem o quanto desiludo
E nada mais prometo ou mesmo queira,

A vida sem defesas se perdendo
Meu canto noutro tom ditame horrendo
Da sorte tão cruel, mas verdadeira.

75


Mergulho nos meus erros costumeiros
E bebo das palavras sutilmente,
Ainda quando possa e se apresente
A vida traz além destes canteiros,

Os dias entre rumos, derradeiros,
A sorte dominando cada mente,
O prazo noutro instante violente,
Marcando com terrores tão useiros.

Vasculho cada ponto até chegar
Ao nada que pudera desenhar
A farsa mais sutil que me atormenta,

A cada nova fase o mesmo rito,
E sei do quanto possa e necessito,
Vencendo a noite amarga e virulenta.

76

Acendo outro cigarro e sei da farsa
Que a vida preparara noutro instante
E sinto o quanto engano se garante
No caos que na verdade se disfarça,

Apenas o sorriso rude e falso
Espera quem se fez em manso alento
E quando me propunha em sentimento,
Vagando sobre o velho cadafalso,

E mesmo quando a sorte me socorra
Não quero acreditar no ser feliz,
A vida não pudera e nem mais quis,
Somente o que ora vejo em tal masmorra,

O prazo determina o fim de tudo
E sei que com certeza, desiludo.



78

Faltando poucos dias para o fim,
A sorte está lançada. Tanto faz...
O mundo se mostrara mais mordaz
E a morte talvez viva dentro em mim,

O canto se mostrara este estopim
Que acendo noutro toque onde voraz
A sorte deixa tudo para trás
Deixando este caminho sempre assim,


E bebo deste cálice profano
E quando na verdade já me engano,
Não possa suportar tamanho engodo,

E tanto me aprofundo enquanto clama
A vida desenhada em rude lama,
Expressa o quanto resta em limo e lodo.


79

Travasse contra a fúria das marés
A luta que não canso de buscar
Vagando sem sentido em pleno mar,
Vencendo com certeza quem tu és,

Resulto deste passo que em viés
Diverso do que pude procurar,
Expressaria apenas o lugar,
Adentra o velho barco em seu convés.

Não quero melhor sorte nem mereço,
O mundo não conhece outro tropeço
Daquele que se fez velho idiota.

O amor não tem juízo, disto eu sei,
Conheço cada palmo desta grei
E mesmo assim me perco nesta rota.

80

Tentasse acreditar no que não veio,
O prazo se enfrentando sem razão
Matando minha lida desde então
Ousando acreditar noutro receio,

E tanto quanto possa eu incendeio
A vida com tamanha precisão,
Na sórdida e diversa dimensão,
Resulto do que fosse; um devaneio...

O mundo desabando em minhas costas,
E sei do quanto ris e mesmo gostas
Da sorte que o destino me prepara,

A cada nova queda, nova chaga,
E nisto o teu sorriso ainda vaga
Tornando sem sentido esta seara.
61

A vida não traria a velha sensação
Do quanto poderia e mesmo que viesse
Traçando a solidão em rude e dura messe
Moldar com mais carinho a clara solução.

O passo no sentido inverso da emoção
A luta no caminho enquanto não se esquece
O todo que se quer na imensidão da prece
Querendo alguma luz ou sonho desde então,

Aporto no teu sonho e bebo deste absinto
O quanto mais te quero, ainda mais eu sinto,
E vejo a sorte imensa enquanto te procuro

Errático momento ainda quando escuro
O tempo se anuncia em raro amanhecer
Marcando nossa vida inteira em teu prazer.

62

Pudesse ter teus olhos junto aos meus,
E nesta caminhada descobrir
O quanto em maravilhas o porvir
Traria se não fosse o teu adeus,

Os dias emergindo em rudes breus
A sorte sem saber onde existir
O fardo tão temido a resumir
A vida se distou dos apogeus,

E o sonho que pudera noutro instante
Apenas o vazio ora garante
E bebe da expressão suave e clara,

Somente cada encanto em sua célula
Mostrasse o voo tão manso da libélula
E o quanto a poesia ora escancara.

63

Ocasionando a queda de quem tanto
Pudesse traduzir noutro momento,
Além do que deveras eu fomento
O verso me provoca enquanto canto,

O teto desabando e sei do pranto
Regendo cada dia onde atormento
O prazo sem saber do sentimento
Que nada neste infausto negue encanto,

Restara muito pouco de quem visse
A luta se travando sem mesmice
Nos passos mais diversos e sutis,


O caos gerado em nós não mais traria
Sequer o que se fez em fantasia,
Trazendo o quanto quero e se desdiz.


64

Não mais se apresentasse de tal forma
O mundo que se fez escatológico,
O amor que não pudera ser ilógico
A luta noutro tom já se transforma,

O sonho se desenha quase mágico
E o rito repetindo o velho tom,
Ainda quando fora mesmo bom,
No fundo se mostrara bem mais trágico,

Adentra o grande amor qual fora séptico
E toma todo o corpo sem defesas,
Metástase da qual nós somos presas
Ainda que isto fosse quase cético,

No prazo que este encanto determina,
Ao longe vejo apenas a neblina.


65

Jamais imaginasse nova farsa
E sei que na verdade a vida traz
O mesmo sedimento que desfaz
O sonho e com certeza não disfarça.

A velha solidão, rude comparsa,
O prazo se traduz e segue audaz,
No quanto poderia ser mordaz
Na leve sutileza de uma garça.

O vento traça o quanto se perdendo
A luta noutro tom gera este horrendo
Caminho que procuro trafegar,

Mas quando se anuncia a solidão
Encontro noutros braços solução
E aprendo novamente a reamar.

66

A falta de esperança já traduz
O velho emaranhado, vida e morte,
E nada do que possa me conforte
Sequer anunciasse a plena luz,

O mundo se transforma e se me pus
Ao todo noutro canto que suporte
Apenas solidão agora aborte
E mesmo outro cenário em paz transpus.

Jorrando dentro da alma a lama e o mangue,
Seguindo sem sentido quase exangue
O prêmio que console traz o fim,

O parto não disfarça o desencanto
E quando na verdade busco e canto,
O mundo desabasse dentro em mim.

67

Perdendo qualquer rumo que sacie
A noite não traria alguma fonte
Sequer que na verdade sempre aponte
Aonde este cenário me agracie.

Ainda que pudesse e me amacie
O dia noutro tanto não desponte
Gerando sem saber neste horizonte
Expressa esta emoção que acaricie

Vestindo a solidão que tu me deste
O tanto deste encanto mais agreste
Restaura cada engano e me profana,

Ainda quando a vida poderia
Trazer em manso olhar a fantasia
A sorte se traduz mais desumana.


68

Sonetos e sonetos, nada mais,
Que meras expressões em rudimento,
O tanto quanto possa e me alimento
Dos dias entre enganos colossais,

Dos versos somos todos comensais
E bebo tanto quanto mais sedento,
Sabendo na verdade ser sangrento
O tempo entre os enredos desiguais,

A lúdica expressão da simples trova
O sonho que deveras se comprova
No fato mais suave e mais gentil,

Apresentando errático cenário,
O verso com certeza é necessário
E dele cada encanto ora emergiu...

69

A vida se descreve e forma um arco
E deste pendular caminho vejo
O sonho que pudesse noutro ensejo
Enquanto este vazio, enfim, o abarco.

Ainda quando o passo – em paz – demarco,
Expresso o que tentara e sempre almejo,
A vida se desenha em azulejo
E sigo a fantasia, um calmo barco,

Descendo as mais diversas corredeiras,
Vivendo da maneira que tu queiras
Erguendo o meu olhar além do quanto,

Pudesse acreditar e ser sincero,
Trazendo tudo aquilo que ora quero,
Viceja o que deveras eu garanto.

70

Olhando para trás o que se vê
Não deixa qualquer dúvida: atropela,
E sei da solidão de cada cela,
Da vida sem razão e sem por que,

As flores que ora trago num buquê,
O manto que beleza já revela,
Vencendo a tempestade, uma procela,
O amor já desvendasse o quanto crê.

E brindo com ternura ao quanto quis
Viver em tuas mãos o ser feliz,
E traço dias mansos no futuro,

O quanto se perdera noutro tom,
A vida se demonstra em raro dom,
Da luz que a cada instante configuro.
51

Não quero acreditar em qualquer queda
Que possa transformar o sonho em nada,
A senda a ser deveras desvendada
Traduz o quanto a vida teima e seda,

Meu passo nos teus passos se envereda,
E bebo em tua boca a imaginada
Seara quando o sonho em paz invada,
E faço da esperança uma alameda.

Amar e ser feliz, viver tranquilo,
E quando em tal momento não vacilo
Sabendo quanto vale mergulhar,

Jamais me perderia nesta rota
Que leva ao coração tudo o que brota
E faz esta alegria, em paz, cevar.

52

Por mais que tenha amado em minha vida,
Agora percebi a magnitude
E mesmo quando o tempo nos ilude
A sorte deve ser tanto querida,

Cordata sensação fecha a ferida
E quando não se deixa ser tão rude,
Refaz a já dispersa juventude
E deste grande encanto não duvida.

Amar e ter nas mãos a liberdade
Que possa transformar toda a cidade
Num brilho sem igual, de plenilúnio,

Deixando para trás este infortúnio
Que tanto nos trouxera o dissabor
De não se conceber o bom do amor.


53

O quanto se aprendera com a luta
Diversa da que tanto desejaste
E nisto o próprio tempo em vão contraste
Expressa o que deveras mais reluta,

A vida não seria assim tão bruta,
Nem mesmo se decerto imaginaste
O quanto se anuncia em tal desgaste
A mão quando sem dó vem e executa.

Porém no amor se encontra a libertária
Imagem que se faz tão solidária,
Tramando algum futuro a quem se quer;

Não deixa para trás nem dor sequer,
Apenas perdurando a cada instante
No dia onde se mostre fascinante.


54

Apresentando apenas o que possa
Trazer a cada passo sem descanso,
O mundo que decerto agora alcanço
Encontra a fantasia, imensa e nossa.

Meu sonho quando muito ora se apossa
Do tanto que deveras vai sem ranço
Do tempo mais atroz e se ora avanço,
A sorte sem juízo nos destroça.

As marcas de uma vida sem amparo,
O todo noutro encanto eu escancaro
E tanto meu suor já se espalhasse,

Na farta e mais diversa sensação
Do quanto dentro da alma viverão
Os sonhos num suave desenlace.

55

Caminhos mais diversos, rumos tais,
Que possam nos trazer a mesma ausência
Do todo que se fez imprevidência
Ou mesmo sonhos rudes, sensuais,

Nos olhos o que tanto transformais,
Expressa muito além desta evidência
Amar é conceber com eloquência
Os dias entre tantos quase iguais.

O tempo se desnuda e quando tétrico,
Moldando novo encanto, sigo elétrico,
Vagando sem sentido algum mais prático,

Não posso na verdade ser tão cético,
Meu tom em vibração quase poético
Não deixaria mais ficar estático.

56

Sou velho cata-vento e sigo só,
Tentando acreditar neste helianto
E quando na verdade busco o canto,
Apenas encontrara o velho pó,

Estrada traduzisse um mesmo nó
E nisto outro caminho não garanto,
Sequer o que pudera neste pranto,
A vida se apresenta feito mó.

Repare cada passo e veja bem
Que toda a solução já nos convém,
Anunciando a sorte que viria,

Tramando a cada encanto outro momento,
E sei que na verdade sempre tento
Beber o sonho feito em poesia.


57

Meu tempo se perdera noutro rumo
E o vasto caminhar segue vazio,
Aonde o que deveras desafio
Expressa a solidão que ora consumo,

O amor se evaporando, leve fumo,
O corte noutro tom eu anuncio
E bebo tão somente o desvario
De quem não concebera novo aprumo.

O mundo se transforma e mesmo assim
Ainda trago vivo dentro em mim
O velho sentimento de um passado

Ao qual já me curvando, não resisto,
E sei que meu amor existe e nisto
Ali se resumisse o meu legado.

58

Um dia bem quiseras o meu sonho,
Agora que te esvais do que hoje sou,
O tanto se perdeu e não voltou,
Tramando este momento mais bisonho.

E quando nos teus braços eu me enfronho
Tentando perceber o que restou,
Apenas o cenário desabou,
E o verso com certeza o decomponho.

Não quero que se perca do teu passo,
Tampouco te interessa o que hoje faço,
Só sei que este disfarce não mais trago,

O rústico poeta interiorano,
Agora se mostrara noutro plano
E já contabiliza algum estrago.

59

Recubro-me de sonhos quando tento
Vencer os meus diversos medos, pois
A vida não se deixa p’ra depois
E o dia não prossegue desatento.

E quando eu me atormento no vazio
Dos passos entre as rotas deste esgoto,
O sonho que eu percebo, agora, roto,
Espalha o temporal bem mais sombrio,

Mas quando na esperança de outra festa
A luta se desenha desigual,
O verso se programa em tom venal
E a noite sem sentido é o quanto resta.

Resplandecentemente a vida passa
E o caçador agora vira caça.

60

Já não seria assim qualquer paragem
Que tanto poderia me levar
Ao tanto quanto quis maximizar
E trazer esperança na bagagem,

Ainda que deveras nos ultrajem
As sombras não pudessem no lugar
Deixar este tormento a nos tocar,
Nem mesmo produzir qualquer um pajem,

Vasculho nos meus bolsos e a carteira
Há tanto já não vejo e a derradeira
Vontade se escapando no ladrão,

Ocasionando a queda deste encanto
Que busca no cenário em cada canto,
O quanto poderia em direção.
41

Não mais me caberia uma surpresa
Tampouco a sorte traz outro momento
A vida que deveras sempre tento
Expressa a solidão da frágil presa,

Expondo as cartas todas sobre a mesa,
No fim o que pudesse desalento,
E vago sem saber quanto sangrento
O mundo se desnuda em tal vileza.

Arcando com meus erros costumeiros,
Jogado pelos cantos, sigo em frente,
E mesmo quando possa ou não enfrente,

Os olhos buscam flores e canteiros,
No fim o que se encontra nos desdiz
E a face se transborda; uma infeliz.

42

Não quero que se faça de tal forma
A vida como fosse um mar de rosa,
A luta noutro tempo é pegajosa
E o medo nos derrama e nos transforma,

A sorte se desnuda e não conforma
Enquanto a solidão já se antegoza
Na fúria que pudera majestosa
E nisto qualquer passo dita a norma.

Sem norte, sem suporte sem que note,
Quilates tão diversos, vida e morte,
O preço se transforma e se denote

A frágil sensação do fino pote
Que nada mais deveras o comporte
Enquanto a solidão amor aborte.

43

Escusas pediria a quem se ofende
E tente acreditar num pueril
Momento aonde o quanto se pediu
Transforma no que agora se desprende.

Atrelo o meu caminho ao teu caminho
E sigo o velho rabo do cometa,
Ainda que deveras se prometa
No fim o passo segue mais mesquinho,

Vacante coração deste idiota,
Há tanto desejara algum alento,
E quando na verdade mesmo tento,
A solidão decerto isto denote.

No verso sem firmeza em lento fluxo,
Amor se traduzira em tal refluxo.


44

Ocasionando a queda de quem busca
Vencer a solidão tão costumeira
A sorte não seria o que se queira
Nem mesmo esta emoção viesse brusca,

Artífice do sonho em agonia,
A luta na verdade não se traz
Somente o que pudera ser capaz
Agora noutro tom não viveria.

No fato que consome cada passo,
No passo que desanda sem sentido,
O todo noutro espaço agora olvido
E vivo tão somente o quanto traço,

Emparelhando a vida de tal sorte
Que nem a poesia me conforte.


45

Jamais imaginasse a mesma cena
Ousada entre cenários mais diversos
E os olhos que vagassem universos
Na sorte quando a quis serena e plena,

O tanto que se traz e me envenena
Nos sonhos entre sonhos tais, dispersos,
Tateio e busco além dos já submersos
Caminhos o que possa e a vida acena.

Mantras que ainda escuto, a voz suave
De quem tanto pudera e não se entrave
Vencendo os mais diversos desencantos,

Erguendo o meu olhar noutro horizonte,
Ainda que esta lua não desponte,
Valesse até por tantos belos cantos.

46

Xamãs de vários mundos que trouxeste,
Num rito que anuncia a liberdade,
O verso se transcende e quando invade
Expressa a maravilha em ser celeste,

O quanto deste todo agora empreste
À vida este momento em claridade,
Na tântrica expressão, felicidade,
Mais firme que qualquer forte cipreste.

Assim o meu anseio se completa,
Na face mais suave e mais dileta
De quem já me ensinara o ser liberto,

E quando em poesia o mal deserto,
Adentro este infinito feito em paz,
E o mundo se transforma além, capaz...


47

Escuto a voz do vento me chamando
E bebo a cristalina água da fonte
E sei do quanto possa e já desponte
O mundo sem querer saber nem quando,

Este universo agora desvendando
E nele todo o sonho ora se aponte
Marcando com ternura este horizonte,
E um sol novo e sutil se revelando,

No prisma iridescente dos teus olhos,
Deixara para trás medos e abrolhos,
Neste cevar da imensa liberdade,

Amando e sem sentir qualquer temor,
Trazendo dentro da alma a fina flor
Que exala por si só felicidade.

48

Um cântico em louvor à deusa Terra,
Que possa nos trazer sempre o caminho
Aonde se desenhe o nosso ninho,
Beleza sem igual que ela descerra,

A sábia mesmo rude jamais erra,
O ser que se mostrara mais daninho,
Erguendo o seu olhar turvo e mesquinho,
Uma esperança mata, e o sonho encerra.

Porém quando tratada em mansidão,
Reflete toda enorme dimensão
Da nave que nos guia e nos carrega,

A sorte se prolongue imensamente,
Por isso cada sonho se sustente
No espaço enquanto a mãe Terra navega.

49

Não quero o desafeto dos antigos
Tampouco do presente este vazio,
O quanto a cada instante desafio
Expressa o quanto possam bons amigos,

E neles entendendo tais abrigos
No desfilar suave de algum rio,
Invisto cada passo que recrio
Sabendo do caminho e seus perigos.

Assola-me o terror de quem se fez
Na frágil e mais rude insensatez
Gerado pelo ocaso de alguma era

Que agora se abandona pouco a pouco,
E mesmo que pareça mais um louco,
O sonho noutro mundo a paz espera.

50

Resisto ao quanto venhas; desafeto,
Trazendo em sua face esta desdita,
A luta que deveras se acredita
Proclama o seu caminho predileto,

E quando na verdade eu me completo,
Deixando para trás esta alma aflita
Lapido com ternura uma pepita
E sei que desta luz eu me repleto.

O vento traz suave mansidão,
A brisa anunciando esta emoção
Que vença qualquer medo, doravante.

Meu tempo se apresenta em sincronia,
E vivo o quanto possa e mais queria,
No todo que deveras me agigante.
31

Não mais comportaria esta “verdade”
Cerzida pela espúria burguesia
Vendendo a cada instante a putaria
Qual fosse, no final, a liberdade,
Ousando acreditar no quanto agrade
A vaga sensação da luz sombria
Que gere noutro instante e mostraria
Resquício da fatal prosperidade,
Não quero e nem pedisse mais arrego,
Vislumbro tão somente este morcego
Hematófaga face burocrata,
E que se foda o mundo simplesmente
Ainda que deveras se apresente
A mesma velha face escravocrata.

32

Verdade se mostrasse feito a bunda
Da velha macilenta e sem pudor,
Ainda quando tento em desamor
A solidão profana me aprofunda,

E sei do quanto a farsa é mais imunda,
O mundo se presume sem calor
E seja da maneira como for
A sorte se desenha vagabunda.

As putas na calçada, a noite passa,
A farsa se demonstra mais devassa
Assim caminha a velha humanidade,

No transitar de carros e piranhas,
Travecos e vadias que tu ganhas
Trazendo qualquer luz nesta cidade.

33

O esgoto que frequentas – social-
Políticos e novos vagabundos
Os olhos entre ritos mais fecundos
Traduzem o que fosse mais venal,

E manda para inferno o ser igual,
E nestes tantos versos oriundos
Dos cálices que embora os sinta imundos
São ricas velharias de cristal.

Num brinde ao despudor e ao mau caráter
A faca penetrasse a dura-mater,
Deixando sempre exposta esta medula,

A vaca de presépio, o voto em branco,
O tempo se mostrando e se desanco
O verso quem puder que tente e engula.

34

Os préstimos cobrados com tais juros
E os dias mais sutis em teu puteiro,
Trazendo o sonho rude e verdadeiro
Envolto nos remendos mais escuros,

Anseio por saber aonde os furos
Levassem ao naufrágio derradeiro
Da besta que despenca do poleiro
E vive tão somente em tais apuros.

Recebo sem sentido esta facada
E vomitando além da demarcada
Noção que se apresente em rudimento,

A cada nova cena outro jumento
Na farsa muitas vezes desenhada
A luta se transforma; uma cagada.

35

Que foda-se a ventura que não veio,
Que foda-se o país que me vendeste,
O caso na verdade não sei deste
E o peso traça o torque em puro anseio.

Que foda-se o momento onde incendeio
O tanto que decerto percebeste
Na vaga solidão quando venceste,
O próprio desafeto em vil receio.

Que foda-se decerto a poesia,
A puta solitária esta vadia
Formando dentro da alma uma inocência,

E foda-se deveras todo mundo,
Se eu já não me chamasse mais Raimundo
A morte não seria coincidência.

36

A sorte desfilando sem pudores
Abrindo as suas pernas, vagabunda,
Gerando o que pudera e se aprofunda
Aonde quer que comes se tu fores,

Não quero suportar mais os horrores
Da solidão nem mesmo desta imunda
Visão que se permite e ora fecunda
A luta sem saber de alguns pendores.

A dama que resguarda uma xereca
No fundo quando o pau adentra, peca,
E espera pelo orgasmo que não vem,

Assim fodendo a minha paciência
Expressa com pudor e dá ciência
Que o quanto mais deseja, traz ninguém...

37

Moça cocainômana, sutil,
Vagando pelos bares, fungadora,
Espera na verdade o quanto fora
E a mando para a puta que pariu,

Não sei se possa ser bem mais hostil,
E a vaca se mostrara sonhadora,
Até que tendo a bunda tentadora,
Merece alguma chance. Isso se viu.

Nas tramas destas camas e motéis
Diversas emoções, mesmos bordéis,
E sei quanto valesse uma trepada,

O pó que a porra funga sem parar,
O gozo que só faz dissimular,
No fim já não merece mesmo nada.

38

Sarrando qualquer uma, tanto faz,
A vida segue em frente e me fodi,
O tanto que esperava estava aqui,
Levando para sempre o que foi paz.

Romântico palhaço já não traz
Sequer o que deseja em frenesi,
Imensa babaquice eu descobri,
Enquanto quis ser sempre mais capaz.

Que vá tomar no cu esta piranha,
E quando num puteiro se arreganha
Espera algo melhor, com mais dinheiro,

Fumando um baseado no banheiro,
Topando qualquer porra noite afora,
Vagaba num momento te devora.

39



Somando o que se fez e repartisse
Em glúteas emoções, bela donzela,
No quanto tão vadia se revela
O resto não passasse de tolice,

A vida noutro tom se refletisse
Marcando com ternura a velha cela,
O prazo terminando e esta cadela
É o que melhor traduz porralouquice.

Eu sei que posso até ser orgulhoso,
Mas não achei no lixo e não encaro,
Além do seu miché ser muito caro,

A porra não garante nem um gozo,
No mínimo se vê que esta mocreia,
Dará como presente gonorreia...

40

Beatifica a dama do boteco,
E coma mais um pouco desta xana,
A moça com certeza é mais sacana
E sei que com santinha nunca peco,

Apenas noutra entrada já sapeco,
E faço desta puta a soberana,
Vagaba sem igual, quenga profana,
Eu quero como brinde um repeteco.

Depois vai para a Igreja, culto ou missa,
Livrar-se dos pecados, mas, omissa,
De noite volta sempre à putaria,

Amanhã encontrando algum irmão,
Garante com certeza a salvação,
E fode na primeira sacristia...
31

Não mais comportaria esta “verdade”
Cerzida pela espúria burguesia
Vendendo a cada instante a putaria
Qual fosse, no final, a liberdade,
Ousando acreditar no quanto agrade
A vaga sensação da luz sombria
Que gere noutro instante e mostraria
Resquício da fatal prosperidade,
Não quero e nem pedisse mais arrego,
Vislumbro tão somente este morcego
Hematófaga face burocrata,
E que se foda o mundo simplesmente
Ainda que deveras se apresente
A mesma velha face escravocrata.

32

Verdade se mostrasse feito a bunda
Da velha macilenta e sem pudor,
Ainda quando tento em desamor
A solidão profana me aprofunda,

E sei do quanto a farsa é mais imunda,
O mundo se presume sem calor
E seja da maneira como for
A sorte se desenha vagabunda.

As putas na calçada, a noite passa,
A farsa se demonstra mais devassa
Assim caminha a velha humanidade,

No transitar de carros e piranhas,
Travecos e vadias que tu ganhas
Trazendo qualquer luz nesta cidade.

33

O esgoto que frequentas – social-
Políticos e novos vagabundos
Os olhos entre ritos mais fecundos
Traduzem o que fosse mais venal,

E manda para inferno o ser igual,
E nestes tantos versos oriundos
Dos cálices que embora os sinta imundos
São ricas velharias de cristal.

Num brinde ao despudor e ao mau caráter
A faca penetrasse a dura-mater,
Deixando sempre exposta esta medula,

A vaca de presépio, o voto em branco,
O tempo se mostrando e se desanco
O verso quem puder que tente e engula.

34

Os préstimos cobrados com tais juros
E os dias mais sutis em teu puteiro,
Trazendo o sonho rude e verdadeiro
Envolto nos remendos mais escuros,

Anseio por saber aonde os furos
Levassem ao naufrágio derradeiro
Da besta que despenca do poleiro
E vive tão somente em tais apuros.

Recebo sem sentido esta facada
E vomitando além da demarcada
Noção que se apresente em rudimento,

A cada nova cena outro jumento
Na farsa muitas vezes desenhada
A luta se transforma; uma cagada.

35

Que foda-se a ventura que não veio,
Que foda-se o país que me vendeste,
O caso na verdade não sei deste
E o peso traça o torque em puro anseio.

Que foda-se o momento onde incendeio
O tanto que decerto percebeste
Na vaga solidão quando venceste,
O próprio desafeto em vil receio.

Que foda-se decerto a poesia,
A puta solitária esta vadia
Formando dentro da alma uma inocência,

E foda-se deveras todo mundo,
Se eu já não me chamasse mais Raimundo
A morte não seria coincidência.

36

A sorte desfilando sem pudores
Abrindo as suas pernas, vagabunda,
Gerando o que pudera e se aprofunda
Aonde quer que comes se tu fores,

Não quero suportar mais os horrores
Da solidão nem mesmo desta imunda
Visão que se permite e ora fecunda
A luta sem saber de alguns pendores.

A dama que resguarda uma xereca
No fundo quando o pau adentra, peca,
E espera pelo orgasmo que não vem,

Assim fodendo a minha paciência
Expressa com pudor e dá ciência
Que o quanto mais deseja, traz ninguém...

37

Moça cocainômana, sutil,
Vagando pelos bares, fungadora,
Espera na verdade o quanto fora
E a mando para a puta que pariu,

Não sei se possa ser bem mais hostil,
E a vaca se mostrara sonhadora,
Até que tendo a bunda tentadora,
Merece alguma chance. Isso se viu.

Nas tramas destas camas e motéis
Diversas emoções, mesmos bordéis,
E sei quanto valesse uma trepada,

O pó que a porra funga sem parar,
O gozo que só faz dissimular,
No fim já não merece mesmo nada.

38

Sarrando qualquer uma, tanto faz,
A vida segue em frente e me fodi,
O tanto que esperava estava aqui,
Levando para sempre o que foi paz.

Romântico palhaço já não traz
Sequer o que deseja em frenesi,
Imensa babaquice eu descobri,
Enquanto quis ser sempre mais capaz.

Que vá tomar no cu esta piranha,
E quando num puteiro se arreganha
Espera algo melhor, com mais dinheiro,

Fumando um baseado no banheiro,
Topando qualquer porra noite afora,
Vagaba num momento te devora.

39



Somando o que se fez e repartisse
Em glúteas emoções, bela donzela,
No quanto tão vadia se revela
O resto não passasse de tolice,

A vida noutro tom se refletisse
Marcando com ternura a velha cela,
O prazo terminando e esta cadela
É o que melhor traduz porralouquice.

Eu sei que posso até ser orgulhoso,
Mas não achei no lixo e não encaro,
Além do seu miché ser muito caro,

A porra não garante nem um gozo,
No mínimo se vê que esta mocreia,
Dará como presente gonorreia...

40

Beatifica a dama do boteco,
E coma mais um pouco desta xana,
A moça com certeza é mais sacana
E sei que com santinha nunca peco,

Apenas noutra entrada já sapeco,
E faço desta puta a soberana,
Vagaba sem igual, quenga profana,
Eu quero como brinde um repeteco.

Depois vai para a Igreja, culto ou missa,
Livrar-se dos pecados, mas, omissa,
De noite volta sempre à putaria,

Amanhã encontrando algum irmão,
Garante com certeza a salvação,
E fode na primeira sacristia...
21

Espírito ocupado em ledo fardo
Caminho pelas sendas que deixaste,
A solidão expressa este contraste
Enquanto o passo enfim, mesmo retardo,

A sórdida noção deste petardo
Marcando o que pudera e não notaste,
Vencido navegante; naufragaste,
E nisto novo tempo em vão aguardo.

Resguardo algum alento que não veio,
E sigo sem sentido e mesmo alheio
Ao quanto ora incendeias, falsa luz.

O verso veiculado no vazio,
À sombra do que tanto desafio,
A vida noutra face não seduz.


22

Remordendo-me penso no que um dia
Pousasse noutro tema mais sutil
E o quanto na verdade não se viu
Gerasse novamente esta agonia,

Ao ver quanto se traça em rebeldia
O céu jamais se fez de novo anil,
O prazo se mostrasse mais hostil,
E o todo noutro instante se perdia.

Reparo cada espaço e vejo aquém
Do tanto que lutara e nada tem
Somente esta faceta vã, satânica,

A vida obedecendo tal mecânica,
Nascer, lutar, morrer acreditando,
No eterno após o fim se revelando.

23

Mendigo algum carinho, mas sei quanto
O tempo não presume alguma sorte,
E quando a realidade se comporte
Expressa tão somente o desencanto,

No fim apenas isso basta e o pranto
Revela a dor que sei audaz e forte,
No pânico gerado não se aporte
A luta que desenho e não garanto.
Amar e ter nas mãos a redenção?
Olhando para trás nada viceja
E sei do quanto pude enquanto é vão,

O prato sobre a mesa, a farsa e o tédio,
Aprendendo diversa esta peleja,
E o tanto que se faz em louco assédio.

24

Amar e ser feliz, um sonho ausente
Dos olhos que procuram pelo olhar
De quem pudesse ao menos navegar
Lutando contra a fúria da corrente.

O todo no final não apresente
Sequer o quanto pude imaginar,
Vagando a cada instante sem pensar
Ousando acreditar ser a semente.

Negar o quanto rege em tom atroz,
E o manto se recobre e sobre nós
Apenas expressasse esta vontade,

Mas quando se presume o fim de tudo,
O passo sem cansaço eu tento e mudo,
Enquanto esta ilusão avança e invade.


25

Não guardaria mesmo algum rancor,
Nem mesmo relembrasse qualquer fato
Traçando o que deveras mal constato
Gerado pelo tosco desamor,

Apenas noutro tom o refletor
Gestasse o que deveras não retrato,
E quando fosse a sorte o que maltrato,
O tempo não seria o condutor.

Acolho os velhos trajes de quem sonha
E bebo em cada noite outro cenário,
O sonho se fizera necessário,

E mesmo quando a vida além se enfronha,
Blindando com a farsa mais constante,
O mundo noutro vão não se garante.

26

Acrescentar o pouco que inda resta
De toda esta fartura quando a quis,
Navego contra o tempo, este infeliz,
E a sorte se apresenta mais funesta.

Resumo o meu caminho nesta orquestra
Que possa em noite clara dar o tom
Do amor que se moldara no neon,
Porém a vida segue tão canhestra.

O rumo se perdera há tantos anos,
E o vértice se fez em mero ocaso,
E quando noutro passo sempre atraso,
Acumulando apenas desenganos,

Esqueço simplesmente desta luz
Que agora noutro espaço se conduz.

27

Quisera acreditar no que não veio
Nem mesmo até pudesse adivinhar
O prazo quando a vida dá lugar
Ao tanto que se queira sem receio,

Olhando para trás, sonho eu grampeio,
E bebo da esperança em cada bar,
Na sorte que pudera divisar
Embora seja mero devaneio.

O caos se aproximando de quem dita
As tramas entre chamas e temores,
Ainda que puderes e te fores,

A luta na verdade é mais aflita
O rumo se perdendo neste instante
Sorriso já se molda provocante.


28

Não quero que se veja após a queda
As marcas mais atrozes, doloridas,
E sei das minhas lendas resumidas
Nas tramas onde o tempo me envereda.

Aproximando o caos, nada me seda,
Sementes sobre o solo, despedidas,
Versões das mesmas rotas e avenidas,
A sorte me domina e me empareda.

No féretro dos sonhos, abandono,
O quanto me pergunto e desabono
Atravessando as ruas sem olhar,

Assino o que pudera sem dissídio
E tento sem sucesso o suicídio,
Quem sabe noutro instante, outro lugar...

29

Apenas um momento aonde eu possa
Deixar o que inda trago sendo exposto,
O vento toca em fúria cada rosto,
Presença da esperança fosse nossa.

A gélida expressão agora apossa
Do quanto se fizera em tal desgosto,
Resumo o meu caminho e sigo oposto
Ao todo que não trame extensa fossa.

Esgoto o meu anseio neste bar,
E brindo ao que pudera desenhar
Artífice poeta, um tolo a mais.

Arquétipos de vidas tão diversas
E sei quando deveras além versas
Mesmo que inda se vejam temporais.

30

Findando o que me resta em tal momento
O lúdico presume o farto gozo,
Mas sei do quanto pude majestoso
Viver o mais completo desalento,

Até que acreditar, quem sabe, eu tento,
E nisto o meu tormento pedregoso
Gerasse outro cenário caprichoso,
Exposto sem defesa a qualquer vento.

Acolho entre os pecados e inocências
As tramas em diversas penitências
Marcadas pelo engodo costumeiro.

Não quero acreditar no que não vira,
A vida se prepara em tal mentira,
Adubo com meus sonhos tal canteiro...
21

Espírito ocupado em ledo fardo
Caminho pelas sendas que deixaste,
A solidão expressa este contraste
Enquanto o passo enfim, mesmo retardo,

A sórdida noção deste petardo
Marcando o que pudera e não notaste,
Vencido navegante; naufragaste,
E nisto novo tempo em vão aguardo.

Resguardo algum alento que não veio,
E sigo sem sentido e mesmo alheio
Ao quanto ora incendeias, falsa luz.

O verso veiculado no vazio,
À sombra do que tanto desafio,
A vida noutra face não seduz.


22

Remordendo-me penso no que um dia
Pousasse noutro tema mais sutil
E o quanto na verdade não se viu
Gerasse novamente esta agonia,

Ao ver quanto se traça em rebeldia
O céu jamais se fez de novo anil,
O prazo se mostrasse mais hostil,
E o todo noutro instante se perdia.

Reparo cada espaço e vejo aquém
Do tanto que lutara e nada tem
Somente esta faceta vã, satânica,

A vida obedecendo tal mecânica,
Nascer, lutar, morrer acreditando,
No eterno após o fim se revelando.

23

Mendigo algum carinho, mas sei quanto
O tempo não presume alguma sorte,
E quando a realidade se comporte
Expressa tão somente o desencanto,

No fim apenas isso basta e o pranto
Revela a dor que sei audaz e forte,
No pânico gerado não se aporte
A luta que desenho e não garanto.
Amar e ter nas mãos a redenção?
Olhando para trás nada viceja
E sei do quanto pude enquanto é vão,

O prato sobre a mesa, a farsa e o tédio,
Aprendendo diversa esta peleja,
E o tanto que se faz em louco assédio.

24

Amar e ser feliz, um sonho ausente
Dos olhos que procuram pelo olhar
De quem pudesse ao menos navegar
Lutando contra a fúria da corrente.

O todo no final não apresente
Sequer o quanto pude imaginar,
Vagando a cada instante sem pensar
Ousando acreditar ser a semente.

Negar o quanto rege em tom atroz,
E o manto se recobre e sobre nós
Apenas expressasse esta vontade,

Mas quando se presume o fim de tudo,
O passo sem cansaço eu tento e mudo,
Enquanto esta ilusão avança e invade.


25

Não guardaria mesmo algum rancor,
Nem mesmo relembrasse qualquer fato
Traçando o que deveras mal constato
Gerado pelo tosco desamor,

Apenas noutro tom o refletor
Gestasse o que deveras não retrato,
E quando fosse a sorte o que maltrato,
O tempo não seria o condutor.

Acolho os velhos trajes de quem sonha
E bebo em cada noite outro cenário,
O sonho se fizera necessário,

E mesmo quando a vida além se enfronha,
Blindando com a farsa mais constante,
O mundo noutro vão não se garante.

26

Acrescentar o pouco que inda resta
De toda esta fartura quando a quis,
Navego contra o tempo, este infeliz,
E a sorte se apresenta mais funesta.

Resumo o meu caminho nesta orquestra
Que possa em noite clara dar o tom
Do amor que se moldara no neon,
Porém a vida segue tão canhestra.

O rumo se perdera há tantos anos,
E o vértice se fez em mero ocaso,
E quando noutro passo sempre atraso,
Acumulando apenas desenganos,

Esqueço simplesmente desta luz
Que agora noutro espaço se conduz.

27

Quisera acreditar no que não veio
Nem mesmo até pudesse adivinhar
O prazo quando a vida dá lugar
Ao tanto que se queira sem receio,

Olhando para trás, sonho eu grampeio,
E bebo da esperança em cada bar,
Na sorte que pudera divisar
Embora seja mero devaneio.

O caos se aproximando de quem dita
As tramas entre chamas e temores,
Ainda que puderes e te fores,

A luta na verdade é mais aflita
O rumo se perdendo neste instante
Sorriso já se molda provocante.


28

Não quero que se veja após a queda
As marcas mais atrozes, doloridas,
E sei das minhas lendas resumidas
Nas tramas onde o tempo me envereda.

Aproximando o caos, nada me seda,
Sementes sobre o solo, despedidas,
Versões das mesmas rotas e avenidas,
A sorte me domina e me empareda.

No féretro dos sonhos, abandono,
O quanto me pergunto e desabono
Atravessando as ruas sem olhar,

Assino o que pudera sem dissídio
E tento sem sucesso o suicídio,
Quem sabe noutro instante, outro lugar...

29

Apenas um momento aonde eu possa
Deixar o que inda trago sendo exposto,
O vento toca em fúria cada rosto,
Presença da esperança fosse nossa.

A gélida expressão agora apossa
Do quanto se fizera em tal desgosto,
Resumo o meu caminho e sigo oposto
Ao todo que não trame extensa fossa.

Esgoto o meu anseio neste bar,
E brindo ao que pudera desenhar
Artífice poeta, um tolo a mais.

Arquétipos de vidas tão diversas
E sei quando deveras além versas
Mesmo que inda se vejam temporais.

30

Findando o que me resta em tal momento
O lúdico presume o farto gozo,
Mas sei do quanto pude majestoso
Viver o mais completo desalento,

Até que acreditar, quem sabe, eu tento,
E nisto o meu tormento pedregoso
Gerasse outro cenário caprichoso,
Exposto sem defesa a qualquer vento.

Acolho entre os pecados e inocências
As tramas em diversas penitências
Marcadas pelo engodo costumeiro.

Não quero acreditar no que não vira,
A vida se prepara em tal mentira,
Adubo com meus sonhos tal canteiro...
28/06/11


Amizade se faz no dia a dia,
Nada mais poderia contra o fato
Que agora tantas vezes já constato
E nova sorte; eu sinto, moldaria
O tanto quanto possa a fantasia
E nisto tão somente o que resgato
Transcende na nascente este regato
E faz surgir a vida em alegria,
Não tive e nem teria outro caminho,
Porquanto o dia seja mais mesquinho
O vinho destilado na esperança
Traduz este ebriedade que conquista
E nisto toda sorte tão benquista
Ao mundo sem temor ora me lança.
Pudesse desvendar alguns mistérios
Que amor nos apresenta a cada instante,
Quem sabe no final o que garante
Expresse a frialdade dos minérios.

Ainda quando ousasse em tais critérios
Diversos do caminho doravante,
Pousando noutro encanto delirante
Gerando no vazio meus impérios.

Resulto deste ocaso e nada trago
Senão a mesma face aonde o estrago
Traduz a valentia de um palhaço,

Matilhas esboçando reações
E as hordas que deveras tu me expões
Deixando o sonho, agora, mais escasso.


12

Na parte que me cabe, o quanto tenho,
O vento dissipando o que restasse,
No fundo o meu caminho a cada impasse
Traduz a luta em vão desenho,

Caminho pela vida sem empenho,
Tentando apenas manso desenlace,
Porém o quanto em sonho se moldasse,
Não traz o que decerto ora retenho.

Amar é consagrar ao sonho a voz,
E ter esta impressão do quanto após
A vida se refaz e nos renasça,

O medo de viver sonega a sorte,
Inevitavelmente vem a morte,
Mas não se entregue vivo ao mofo e à traça.

13

Um gole de otimismo e bom humor,
Não deixa que se beba tão somente
Da rude e delirante decadente
Noção de meramente desamor.

Sem prazo ou validade, e sem temor,
Ousando neste solo outra semente,
A vida muitas vezes nos desmente,
E traz no olhar um brilho redentor.

É claro que isto passa. Assim também
A dor deveras volta e quando vem
Derruba este castelo que é de areia,

Porém ao refazê-lo se procura
Vencer a mesma face da amargura
Que tanto me angustia e me rodeia.


14

Inconstante horizonte; é necessário,
A vida não seria diferente
Tampouco noutro instante, este afluente,
Seria tão venal se solitário...

No encanto deste canto algum canário
Traria o quanto quero e, pertinente,
Meu mundo de tal forma se apresente,
Ainda que isto seja temporário.

Sobrepujando à dor tão costumeira,
Minha alma na verdade tanto queira
Apenas um momento feito em paz,

Porém no balançar de tantas ondas,
Ainda que te veja, ora te escondas,
Mas sei que tudo após volve e refaz.


15

A queda não traduz somente o fim,
Realça o que virá, tenho a certeza,
Não vejo tal momento com vileza,
Nem mesmo estio eterno no jardim,

O passo se renasce dentro em mim,
E sigo com ardor a correnteza,
Atento ao que puder com sutileza
Viver o quanto reste, sempre assim.

Não mato esta esperança embora seja
Apenas enganosa muitas vezes,
Não tendo a vocação de tantas reses,

A cada desafio, outra peleja,
Olhando para trás é que eu aprendo,
Ou mesmo noutro passo em paz remendo.

16

Não és melhor, apenas diferente,
Tampouco tu demonstras pequenez
A vida se apresenta como vês
Não adianta olhar tão imponente,

E mesmo que decerto o que apresente
Divirja como fosse insensatez,
A queda anunciando estupidez
O olhar não se permite ser potente.

Diversos e irmanados os destinos,
Nas sombras, no abandono, noutro rumo,
O quanto do meu ser em ser consumo?

No fim, mesmo dobrar dos velhos sinos...
Ao lapidar deveras cada gema,
Um tesouro rompendo a tola algema.

17

Amar não é somente o se entregar,
É mais que a base, é toda a construção,
De um mundo aonde possa em solução
Outro cenário raro se moldar.

Aprendendo decerto o libertar,
Ousando acreditar noutra estação
Antecipando os dias que virão,
Tocados pelos raios de um luar.

Um velho que se ilude? Não sei bem,
Só sinto ser possível e quando vem
A vida não pergunta, invade e pronto.

E quando com tal cena ora confronto
Esbarro nos enganos, sei bem disto,
Porém – um sonhador? – tento e persisto.


18

Atentamente busco alguma fonte
Que possa me trazer em manso passo,
O tanto quanto quero e mesmo traço,
Ainda que o futuro mal desponte,

Não tendo outro caminho que se aponte,
O olhar se demonstrando sempre lasso,
O velho caminhar em turvo espaço,
Ainda acreditando em horizonte.

Talvez seja reflexo destas cãs
Que teimam crer nos sóis em amanhãs
Diversos do que tanto concebi

Mas sei que acreditar é necessário,
A vida segue noutro itinerário
Divergindo do quanto eu vira aqui.


19

Não quero acreditar que o velho corte
Expresse tão somente a realidade,
O mundo se transforma e na verdade,
O barco procurando sempre o norte,

Não vejo outro caminho que suporte
E rompa do vazio a dura grade,
No fim de cada luz, tranquilidade,
Que a própria solidão, a vida aborte.

Não sendo de tal forma o que seria?
A eternidade dura um mero dia?
As tramas entrelaçam novas luzes,

Andando sobre o solo do passado,
Encontro o mesmo pão embolorado,
Invés do brilho farto, ledas cruzes.

20

Jamais acreditei que o tempo fosse
Somente alguma luz a se perder
Nem mesmo concebera algum prazer
No fato do viver tão agridoce.

Acolho os meus receios e sei bem
O tanto que isto pesa em meu costado,
E quando no final de tudo evado,
O mundo com certeza sempre vem.

E sigo, mesmo contra estas marés,
Ousando acreditar na raça humana,
E sei que na verdade tanto engana,
Matando uma esperança de viés.

Mas logo se renasce outra vertente,
Ainda que somente nos alente...
Pudesse desvendar alguns mistérios
Que amor nos apresenta a cada instante,
Quem sabe no final o que garante
Expresse a frialdade dos minérios.

Ainda quando ousasse em tais critérios
Diversos do caminho doravante,
Pousando noutro encanto delirante
Gerando no vazio meus impérios.

Resulto deste ocaso e nada trago
Senão a mesma face aonde o estrago
Traduz a valentia de um palhaço,

Matilhas esboçando reações
E as hordas que deveras tu me expões
Deixando o sonho, agora, mais escasso.


12

Na parte que me cabe, o quanto tenho,
O vento dissipando o que restasse,
No fundo o meu caminho a cada impasse
Traduz a luta em vão desenho,

Caminho pela vida sem empenho,
Tentando apenas manso desenlace,
Porém o quanto em sonho se moldasse,
Não traz o que decerto ora retenho.

Amar é consagrar ao sonho a voz,
E ter esta impressão do quanto após
A vida se refaz e nos renasça,

O medo de viver sonega a sorte,
Inevitavelmente vem a morte,
Mas não se entregue vivo ao mofo e à traça.

13

Um gole de otimismo e bom humor,
Não deixa que se beba tão somente
Da rude e delirante decadente
Noção de meramente desamor.

Sem prazo ou validade, e sem temor,
Ousando neste solo outra semente,
A vida muitas vezes nos desmente,
E traz no olhar um brilho redentor.

É claro que isto passa. Assim também
A dor deveras volta e quando vem
Derruba este castelo que é de areia,

Porém ao refazê-lo se procura
Vencer a mesma face da amargura
Que tanto me angustia e me rodeia.


14

Inconstante horizonte; é necessário,
A vida não seria diferente
Tampouco noutro instante, este afluente,
Seria tão venal se solitário...

No encanto deste canto algum canário
Traria o quanto quero e, pertinente,
Meu mundo de tal forma se apresente,
Ainda que isto seja temporário.

Sobrepujando à dor tão costumeira,
Minha alma na verdade tanto queira
Apenas um momento feito em paz,

Porém no balançar de tantas ondas,
Ainda que te veja, ora te escondas,
Mas sei que tudo após volve e refaz.


15

A queda não traduz somente o fim,
Realça o que virá, tenho a certeza,
Não vejo tal momento com vileza,
Nem mesmo estio eterno no jardim,

O passo se renasce dentro em mim,
E sigo com ardor a correnteza,
Atento ao que puder com sutileza
Viver o quanto reste, sempre assim.

Não mato esta esperança embora seja
Apenas enganosa muitas vezes,
Não tendo a vocação de tantas reses,

A cada desafio, outra peleja,
Olhando para trás é que eu aprendo,
Ou mesmo noutro passo em paz remendo.

16

Não és melhor, apenas diferente,
Tampouco tu demonstras pequenez
A vida se apresenta como vês
Não adianta olhar tão imponente,

E mesmo que decerto o que apresente
Divirja como fosse insensatez,
A queda anunciando estupidez
O olhar não se permite ser potente.

Diversos e irmanados os destinos,
Nas sombras, no abandono, noutro rumo,
O quanto do meu ser em ser consumo?

No fim, mesmo dobrar dos velhos sinos...
Ao lapidar deveras cada gema,
Um tesouro rompendo a tola algema.

17

Amar não é somente o se entregar,
É mais que a base, é toda a construção,
De um mundo aonde possa em solução
Outro cenário raro se moldar.

Aprendendo decerto o libertar,
Ousando acreditar noutra estação
Antecipando os dias que virão,
Tocados pelos raios de um luar.

Um velho que se ilude? Não sei bem,
Só sinto ser possível e quando vem
A vida não pergunta, invade e pronto.

E quando com tal cena ora confronto
Esbarro nos enganos, sei bem disto,
Porém – um sonhador? – tento e persisto.


18

Atentamente busco alguma fonte
Que possa me trazer em manso passo,
O tanto quanto quero e mesmo traço,
Ainda que o futuro mal desponte,

Não tendo outro caminho que se aponte,
O olhar se demonstrando sempre lasso,
O velho caminhar em turvo espaço,
Ainda acreditando em horizonte.

Talvez seja reflexo destas cãs
Que teimam crer nos sóis em amanhãs
Diversos do que tanto concebi

Mas sei que acreditar é necessário,
A vida segue noutro itinerário
Divergindo do quanto eu vira aqui.


19

Não quero acreditar que o velho corte
Expresse tão somente a realidade,
O mundo se transforma e na verdade,
O barco procurando sempre o norte,

Não vejo outro caminho que suporte
E rompa do vazio a dura grade,
No fim de cada luz, tranquilidade,
Que a própria solidão, a vida aborte.

Não sendo de tal forma o que seria?
A eternidade dura um mero dia?
As tramas entrelaçam novas luzes,

Andando sobre o solo do passado,
Encontro o mesmo pão embolorado,
Invés do brilho farto, ledas cruzes.

20

Jamais acreditei que o tempo fosse
Somente alguma luz a se perder
Nem mesmo concebera algum prazer
No fato do viver tão agridoce.

Acolho os meus receios e sei bem
O tanto que isto pesa em meu costado,
E quando no final de tudo evado,
O mundo com certeza sempre vem.

E sigo, mesmo contra estas marés,
Ousando acreditar na raça humana,
E sei que na verdade tanto engana,
Matando uma esperança de viés.

Mas logo se renasce outra vertente,
Ainda que somente nos alente...