quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Scene of blood in a bar ...

Scene of blood in a bar ...

That afternoon was decisive. Neuza waited for the phone call all week, and nothing ...

Neuza Nothing, nothing of love so often dreamed and vowed. Neuza want to come to more than life itself.

Life, what life? Loves things are transient, they pass the time, and time makes people forget.

Forget how? The nights, many nights, the intoxication of Neuza, emptied his glass of beer at every moment, the past life in the arms and desperate dreams.

"Love, when is too much, at the end leads to peace," but it is not only led to life.

The frozen time, life frozen, employment is danara, hope too.

It remains only one flavor, life jiló had the bitter tone for a meaningless existence, no peace, no future.

Only one thing remained, revenge.

Revenge, anyway, no matter what.

The magic of hope has become the disappointment of losing, stone inlaid chest, the soul, in what was left ...

To discover, later, Neuza who was dating an old friend, it collapsed altogether.

He, who had given so much support in difficult times, bosom buddy, pal ... The chest, the knife, life running, spinning like a Ferris wheel in the park without grace of childhood remembered, the destruction of previously built with dedication and struggle.

The red rose, red mouth, bars, Campari, helpless, in the sweet amaro nights.

The pool had to be the breadwinners, bets, losses and damages of the deal turned into Homer binges on huge binge, where Neuza ran, turned and blood ...

The taste of vengeance was in the mouth, ruminated, one north, one way ...

I knew I would Neuza the park, the bar, the world, and waited.

At one point, the two running, turning, sitting at the bar. On the corner at the bar, the red rose placed on the table in red cloth, red chairs, the table ...

At the final moment, the knife held high, all life came from the poor child, the head of HR, abandoned, thrown away ...

And in an instant, his face reddened by drunkenness, despair, denoted pregnancy Neuza life to come, the hope that no longer belonged to him and the knife ...

One was enough, the aim was good, the blood from the mouth, an open heart ...

Open the chest, on the terrified screams of Neuza, and fear on his face from her boyfriend.

Na curva torta do rio

Na curva torta do rio,
No meio do meu sertão,
Quero um dia que, vadio,
Enterrem meu coração...

Quando me lembro de ti

Quando me lembro de ti
Nas noites mais solitárias
Me recordo que vivi
Nessa vida, vidas várias.

Tantas coisas que perdi
Minhas dores vivem párias
Nos teus braços tanto li
Teus olhos por luminárias

Quero saber da saudade
Que maltrata, sem perdão.
Por tanto quanto que invade

Tragando-me em teu pendão
Ofuscando a claridade
Que vem do meu coração.

Meus olhos na despedida

Meus olhos na despedida
Do que tão pouco queria
O amor rasgando essa vida
Num tempo que não viria...

Tempo de tanta partida
Que nunca mais saberia
Poder encontrar saída
Vida que não viveria

Amores sempre são nada
Para quem, na madrugada,
Espera pela manhã.

De tanta vida malsã
Já traz velha alma cansada
Sem conhecer amanhã!

Lírica Dimitri

Brincando quieto na sala
Se não grita ou se não fala
Se fica muito calado
Já me deixa preocupado.
Arteiro, muito levado.
Quieto, lá vem novidade.
Dimitri muito parado
Sempre causa ansiedade.
Tá com o nariz melequento
Mamãe já fica ansiosa
Se em lá um pé de vento...
Mais também fica bem prosa
Com cada palavra nova
Olhando, contente aprova.
As “novidades” do moço
Se come bem no almoço,
Mamãe agradece tanto
Fica feliz com o fato
Mas quietinho no seu canto
Tá rasgando seu retrato...
Correndo lá pro quintal
Mexendo na terra suja
“Vai ficar “passando” mal”
E doente de lambuja
Pensa mamãe preocupada
Mas no final dá em nada.
Dimitri é muito sapeca
Levado para chuchu
Quando coloca a cueca
Depressa já fica nu
Arranca logo a calçola
“Menino, cê vai pra escola!”
Vô Jão Polino bem sabe
Das artimanhas do neto
Na casa ele já não cabe
De tanto amor e afeto
Diz com muita precisão
“Manda no meu coração!”
Vovó Rita fica rindo
Feliz com esse arteirinho
“Como é lindo esse meu neto!”
Por ele tenho carinho
Mas quando fica doente
Preocupa, toda a gente...
Tia Virginia também
Sabe que ele é novideiro
Não tem mais para ninguém
Só presse menino arteiro
Que reina aqui nessa casa
Que vive mandando brasa.
Tio Betinho coitado
Sofre com as armações
Desse garoto levado
Que vale por dez leões
Mas é feliz de verdade
Nessa bela flor da idade...

Quando falo de saudade

Quando falo de saudade

Logo me vem tua imagem

Percorrendo esta cidade

A cada rosto miragem

Vejo essa boca pequena

Em cada curva da estrada

Minha vida, de serena.

Transformou-se revoltada

Numa grande tempestade

Que não tem mais paradeiro

Dolorosa de verdade

Te procuro o tempo inteiro

Quando acordo tão sozinho

Vou procurando te ver

Já não tenho meu caminho

Já não consigo viver

Quero te ter bem comigo

Pra me dar alento e amor

Pois sem ti eu não consigo

Encontrar mais o calor

Do que foi feita essa vida

Vida minha em tua feita

Minha vida vai perdida

Sem a tua nessa espreita

Nem espero mais ter vida

Se não tiveres por mim

Vida minha triste lida

Sem tua boca, carmim.

Quero o sol da madrugada

Quero a lua desta tarde

Vou morrendo sem ter nada
Vou vivendo de saudade.

Quero teu corpo querida

Quero teu corpo querida
Desfrutando toda a vida
Que ele poderia dar
No céu, luz e luar
Na vida sem ter parada
No sentido dessa estrada
Que no final dá em nada
Sentir tua madrugada
Nos braços de minha amada
Na canção desesperada
No tão ser e nem ser nada
Nem tentar te conhecer.
Quero muito de tão pouco
Querida, teu grito rouco
Muita grana e pouco troco
Sangrando após cada soco
Morrendo sem poder ter
Nem podendo mais conter
O que já fora veia ver
Nessa centelha viver
E em cada instante morrer
Morrer sem ter você.

Amor

Amor, bicho serelepe.
E não há quem não se estrepe,
Ao tentar amor conter,
Traquinas, vive fugindo,
Matando, sem perceber,
No final, sempre se rindo...

MORENA

Moça da pele morena,
Quero essa boca pequena,
Na minha boca pousada,
Quero teu amor, menina,
Quero essa mão repousada,
No pouso da minha sina...

Tudo passa devagar

Tudo passa devagar
Fingindo que vai passar
Tudo calmo na cidade
Pequena, do meu sertão.
Só não passa essa saudade,
Dentro do meu coração...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

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28/09/2011


Vencendo os desafios, refazendo
O tempo não traduz o quanto eu quis
E sei do meu caminho em tom mais gris
Praguejo e na verdade sou remendo.

O prazo noutro rumo sem adendo
A luta que pudesse; esta infeliz
Deixar o quanto mesmo contradiz
Nesta incerteza toda se prevendo.

Audaciosamente eu quero o todo
E sei que no final o charco e o lodo
Serão meros presentes de outra sorte.

No quanto poderia ser diverso
Apenas tão somente desconverso
E sei do quanto tento e desconforte.


2

As sendas que vislumbram tal clarão
Ousando até viver na libertária
Manhã que se mostrara necessária
Embora cada passo seja em vão.

Os dias sonegando desde então
A luta que presume esta alimária
E nela cada passo em luminária
Programa no final a decepção.

Ousando acreditar no que não venha
Ainda se produz a velha ordenha
Nos ermos de minha alma sem proveito,

E tanto quanto possa desta forma
A vida no final já não conforma
E mata todo o sonho que inda aceito.

3

Espaços benfazejos dizem tanto
Que eu pude perceber qualquer sinal
Do vento noutro rumo desigual
E sei que na verdade já me espanto,

Mergulho no passado em desencanto
E quando se desdenha bem ou mal
A luta se aproxima do final
Nem mesmo a minha paz hoje a garanto.

Espero e não consigo melhor sina,
A mão que com certeza me fascina
A mesma que apedreja quando eu sonho,

A farsa se deslinda a cada instante
E nada do cenário se adiante
Num único desnível tão medonho.

Sodade

Nus óio dessa sodade,
Preguntei móde sabê
Adonde a felicidade,
Pudia mió se escondê,

Num incontrei a resposta,
Prá pregunta qui eu fiz,
Pois, di mim, sodade gosta,
Sem ela, num sô filiz...

Travei briga com Maria,
Joaninha me dexô,
Chorei de noite e de dia,
Sodade do meus amô...

Minha casa lá pur riba,
Naquele canto de morro,
Quando a sodade s’arriba,
De vórta, prá lá eu corro...

Minha mãe dexô tristeza,
Quando Deus, triste levô,
Tanta dor, que marvadeza,
Sodade foi que restô...

Faz treis meis que nunca chove,
Nessa terra, sô dotô,
A sodade me comove,
Meu canto só sabe dô...

Nu mei dos espin da vida,
A sodade machucô,
No amô, na dispidida,
A sodade é uma frô...

Os espin que ela carrega,
São por Deus, abençoado,
A sodade faiz entrega,
Nesses peito apaxonado...

Fiz cabana de sapé,
Pra morá com meu amô,
Mas, leite sem tê café,
Sodade foi que restô...

Vida sem sodade, cansa.
É cavalo sem arreio,
Sodade, no peito avança,
Trazeno a lua, no seio...

Quano pito meu cigarro;
Da páia do mío, feito.
Na sodade, eu me agarro,
Martrata cumo malfeito...

Minha Rita é tão bunita,
Prefeita cumo uma frô,
Sodade meu peito agita,
Ao ti vê, bem disparô...

Rélojo contano as hora,
Trais sodade sem ter pressa,
Meu amô, já foi-se embora,
Coração bateu depressa...

Vi meu bem saindo fora,
Me dexô na solidão,
Quê que vô fazê agora,
Sodade no coração...

Vórta pra mim, querida,
Num me fais ingratidão,
Sem ocê, a minha vida,
De sodade, vale não...

Meus óio anda tristonho
Pércurando pur vancê,
Tenho sodade do sonho,
Onde pudia eu te vê...

Sodade é coisa facêra,
E besterenta tômbém,
Vivi minha vida entera,
Com sodade desse arguém...

Vento balança o teiádo,
Onde fiz minha chopana,
Sodade quema um bucado,
Arde qui nem taturana...

Se tenho medo da vida,
Da morte num tenho medo,
A sodade dói doída,
Mas dela, sei o segredo...

Sodade faiz tempestade,
Dirruba casa e barraco,
Como dói a tar sodade,
Parece chute no saco...

Eu rezei prá Santo Antoim,
Prá móde pudê casá,
Finar de tudo, foi soim,
Só sodade vai restá...

Tenho sodade num nego,
Essa é a maió certeza,
Sodade cravando o prego,
me furano de tristeza...

Pedi perdão pru meu Deus,
Pulos pecado que tive,
Sodade, nos óios meus,
Em cada lágrima, vive...

Mardiçoei minha sorte,
Foi o que eu pude fazê,
Bejo de sodade é morte,
Dessa morte vô morrê...

Malinculía

Malinculía


Essa dor que me fais cósca,
Me dá um prazê danado,
Quando a sodade se enrosca,
Coração apaxonado,
É dô trazeno alegria,
Essa tár malinculia...

Quano o vento venta forte,
Me lembro dessa muié,
Só queria ter a sorte,
Na casinha de sapé,
De cantá, na poesia,
Essa tár malinculia...

Me dexô tanta tristeza,
Mas cumo é bom recordá,
Me lembrá das safadeza,
Só pru móde namorá,
Como é bom, na noite fria,
Essa tár malinculia...

A viola chora mansa,
O grilo canta, tristonho,
Meu coração só amansa,
Se eu pego firme no sonho,
Vida seguindo vadia,
Nessa tár malinculia...

Vou viveno sem tê medo,
Lev’essa vida na fé,
Vou guardando esse segredo,
Pescando no Jereré,
Meu Deus me levô Maria,
Só restô malinculia!

A Natália

A Natália

Meus parabéns, Natália, te desejo.
Com certeza serás muito feliz.
A vida, tão suave, num bafejo,
Em sua melhor cena, bela atriz,

Trará o som tão belo desse arpejo,
Horizontes abertos, são servis
De tua sorte, velho realejo,
Afastará, nefastos sonhos vis...

Não precisas de luz, és luminária.
Por onde andas, brilhas, por si só.
Nunca conhecerás sorte contrária...

A vida te tratando a pão de ló,
Pois amor te fará destinatária,
De tudo que há belo e do melhor!

Eu sou mineiro de Minas

Eu sou mineiro de Minas


Eu sou mineiro de Minas,
Lá das tais Minas Gerais,
Canto versos, faço primas,
Até não conseguir mais.
O meu pai foi sertanejo,
Minha mãe foi só desejo...

Nas montanhas fiz a rede
Pro meu corpo descansar.
Fui matar a minha sede,
Bem distante do teu mar.
Nasci lá na Mantiqueira,
Na minha terra mineira!

Quem me ensinou a pescar,
Foi o meu velho Francisco,
Como é belo esse luar,
Mesmo crispando o corisco.
Na beleza das campinas,
Vou te conhecendo, Minas.

São diversas minhas dores,
Como é belo entardecer,
Tuas matas, meus amores,
Nos teus braços, vou morrer!
Nas tuas guerras fiz paz,
Em teus abraços, Gerais!

Sopro o vento lá na serra,
O vento vem de mansinho,
Canta o canário da terra,
Também canta o coleirinho...
Tanto canto que é capaz,
Encanta Minas Gerais...

Meu lamento vem distante,
A saudade dess’ alguém!
Meu amor, por um instante,
Tanto amor tamanho trem...
Sou mineiro e tenho fé,
Nascido em Muriaé!

Menina, faça o favor,
De me prestar atenção,
Tô falando d’ocê sô!
Vem vindo do coração.
A dor não mais arremata,
Pois sou mineiro da Mata!

Viola de doze cordas,
São cordas do coração,
Vê menina, vai acordas,
Chora meu violão!
Eu sou mineiro da Mata,
Ouça a minha serenata!

Eu comi feijão tropeiro,
Misturado com tutu,
Eu bem sei do mundo inteiro,
No buraco do Tatu...
Minha mãe é carioca
Mas conheceu engenhoca!

Tomei muita da guarapa,
Adocei o meu café,
Onça matei foi no tapa,
Com pescoção e chulé...
O meu pai de Miraí,
Bem perto d’onde nasci!

Fiz meu canto no repente,
Nem pensei no que ia dar,
Em careca, passo o pente,
Tiro poeira do mar.
Tanajura? Comi prato.
Bebi Iara no regato...

Vou terminando meu verso,
Tô cansado de rimar,
Vou buscar meu universo,
Juro, mais tarde, voltar...
Agora vou terminando,
Devagar, já vou andando...

Minha alma já vai perdida...

Minha alma já vai perdida...
Quando quis viver contigo,
Bem sei que não me querias,
Meu amor, de tão antigo,
Traz em suas cercanias,
A certeza do perigo,
Desse medo que vivias.
No segredo dessa vida
Minha alma já vai perdida...

Quis viver com muito luxo,
Quis meu tempo de reinar,
Carregando meu cartucho,
Bala de todo lugar,
Sou deveras, meio bruxo,
Nessa arte de magiar.
No segredo dessa vida
Minha alma já vai perdida...

Da morte sei a sentença
E também sei o perfume,
Não há quem me convença,
Nem que meu revólver fume,
Não vai morrer de doença,
Carne irá virando estrume...
No segredo dessa vida
Minha alma já vai perdida...

Sei de tanta malvadeza ,
E também sei da saudade,
Tanta vida essa incerteza
Sua melhor qualidade,
Vivendo minha tristeza,
Amores; sei de verdade.
No segredo dessa vida
Minha alma já vai perdida...

Bebi medo de serpente,
Comi carne de ururbu,
Minha sina, sei caliente,
Na pena preta d’anu.
Todo ser sobrevivente,
Fugindo qual inhambu.
No segredo dessa vida
Minha alma já vai perdida...

Matei muitos, de emboscada,
Não sei mais quantos matei,
Dessa vida levo nada,
Nada da vida levei,
A não ser essa esporada,
Desse reinado sem rei.
No segredo dessa vida
Minha alma já vai perdida...

Pois perdão; peço de fato,
Sei o quanto errei também,
Fiz de sangue, um regato,
Nunca respeitei ninguém,
Tanta morte por contrato,
Por real ou por vintém,
No segredo dessa vida
Minha alma já vai perdida...

Eu sei, confesso o pecado,
Pequei, já não tenho cisma,
Bem sei quanto estou errado,
Não precisa cataclisma,
Nem me chamar de safado.
No segredo dessa vida
Minha alma já vai perdida...

No segredo dessa vida,
Nem precisa repetir,
Minha alma já vai perdida,
Foi tudo o que eu consegui,
Sei que a vida vai sofrida,
Perdão, não custa pedir...
No segredo dessa vida
Minha alma já vai perdida...

Galopando a Beira Mar

Galopando a Beira Mar

Quando eu conheci Serena,
Num galope a beira mar,
Aquela bela morena,
Tinha tudo pra encantar,
Coração bate, dá pena,
Dá vontade de chorar,
Nunca mais poder cantar
Num galope a beira mar...

Serena foi minha vida,
A razão do meu viver,
Tanta dor já tão sentida,
Sem vontade de sofrer,
Eta vida mais sofrida,
Não cansa mais de doer,
Viola canta, luar...
Num galope a beira mar...

Minha voz anda cansada,
Cansada de tanto pedir,
Minha moda vai cantada,
Cantada móde sentir,
A viola enluarada,
Que canta quase a carpir,
Tanta coisa, sem parar,
Num galope a beira mar...

Levei Serena pra casa,
Como manda o coração,
Tanto casa, quanto embrasa,
O luar do meu sertão,
Meu amor quando se atrasa,
É problema e solução.
Como era belo sonhar
Num galope a beira mar...

Com Serena tive filho,
Dois ou três se não me engano,
Do amor seguindo o trilho,
Passa dia, mês e ano,
Mas o tempo tem gatilho,
Detonando tanto plano.
Nunca mais vou esperar
Num galope a beira mar...

O amor, de maravilha,
Transformado na tristeza,
Na promessa dessa ilha,
No meio dessa beleza,
Toda dor vem de matilha,
Acabando a realeza.
Tanta coisa pra contar
Num galope a beira mar...

Serena foi assassina,
Do que belo, tinha em mim,
Maltratando minha sina,
Fazendo tão trist’assim
Tanta dor que desatina,
Do amor, foi meu Caim.
Me matando, devagar,
Num galope a beira mar...

São tristezas, duras penas,
Têm o gosto da mortalha,
Só pedia a Deus, apenas,
Outro tipo de cangalha,
Noites mansas, mais amenas,
Na minha casa de palha.
Poder sonhar com meu lar,
Num galope a beira mar...

Já cantei minha verdade,
Fiz meus versos sem vergonha,
Procurei felicidade,
Que é coisa que se sonha,
Pelo campo ou na cidade,
Não é coisa medonha.
É meu direito tentar,
Num galope a beira mar...

O veneno em minha veia,
Corre solto, vai matando,
Essa aranha fez a teia,
Minha vida foi sugando,
Minha carne foi a ceia,
Ela foi me envenenando.
Até conseguir sangrar,
Num galope a beira mar...

Quando vi nos seus olhinhos,
Verdes olhos cor de mata;
Percebi que seus carinhos,
Me diziam, ser ingrata,
Aquela por quem meus ninhos
Sonhavam amor em cascata,
Nunca mais eu vou cantar,
Num galope a beira mar...

O Copo

O Copo

No teu seio, transportas tanto alento,
Ajudas mitigar tanto calor,
Afagas com carinho, o cão sarnento,
Permites seduzir, brindar amor.

Nos ritos transportando o que é bento,
Servindo sem temer servo ou senhor,
Em todos os momentos tens assento,
Te fazem mensageiro até da dor...

São muitos que preferem ver vazio,
Eu sei que estás, deveras, meio cheio.
Se na tristeza, manso, acaricio,

Na alegria, te invado, sem receio,
Sorvendo-te qual fora fera em cio,
Sem temer sequer críticas d’alheio...

El alma femenina

El alma femenina
Por Marcos Loures 27/07/2006 a las 20:29

Las complejidades del alma femenina.

Acaba de llegar a la ciudad perdida en los bosques de Minas Gerais.
Un joven médico, que posee la envidiable veinticinco años de edad, tiempo de vida en que uno es el rey y no está claro.
Había sido contratado para trabajar en el Programa de Salud Familiar, el trabajo en un distrito rural en un poco distante de la ciudad.
En los primeros días, la noticia de que un joven médico se había extendido por toda la ciudad, agitando el corazón de las muchachas casaderas del lugar y sofás de dos plazas.
En trance con el acoso tanto, comenzó a tener el placer de ser adulado y cortejado por todos en el pueblo.
Feo no fue hasta la contraria, pero era tímido. Muy tímido en realidad.
Y que le impedía haber tenido experiencias con el sexo opuesto a su edad y común? La posición social? que había llegado de repente.
Familia pobre, estudiando con todas las dificultades que son comunes en este país de la injusticia, logró graduarse con mucho sacrificio de todos, incluyéndolo a él.
En Río de Janeiro, mientras que sus compañeras salieron en la noche de baladas de Río, que estaba en casa estudiando o tomando turnos y más turnos para ayudar a pagar la universidad.
Las mujeres? No los tienen, a excepción de una o otra novia, a darse cuenta de que las citas se reduce a un cine en la tarde o un refresco en la puerta de la universidad, fue rápidamente? Cantando en otra parroquia?.
Una de las cosas que el médico del Programa Salud de la Familia tiene que hacer es visitas a domicilio.
Normalmente, en el campo, la realidad es muy diferente de los médicos de las ciudades están acostumbrados.
La simplicidad y la pobreza son comunes, pero la recepción con un café o la fruta de la temporada son frecuentes. Café con Guarapirá se conoce como el jugo en estas trincheras.
Una torta de harina de maíz aparece, no sé cómo lo probó con el placer y la verdadera y brillante.
Esa zona no fue diferente, lo que ha dado a nuestro médico, una nueva dimensión de la felicidad.
En una casa vivía una viuda con cuatro hijos, dos varones y dos niñas.
María Inés y María de la Gloria, dos niñas son típicas del campo.
El mayor, María Inés, con sus dieciocho años era más tímido, escondido en una mano que ocultaba precocementes dientes podridos y la sonrisa de la dulce inocencia.
Sin embargo, llamó la atención fue Glorinha niña todavía está en sus catorce años apenas completado.
La primera vez que la vio, se dio cuenta que ella no lo veía, siempre mirando hacia abajo.
La ropa desgarrada guepardo, apenas ocultando sus pechos y los recién nacidos duro, los pechos que te llamó la atención ...
Descalzo, lleno de? Nigua?, Tungiasis diagnosticado por el médico, el pelo sucio y desaliñado en contraste con sus pechos, pechos hermosos emergentes a través de los agujeros en el vestido.
Después de la visita, el médico volvió a su trabajo y su hogar.
Ni más ni recordar los pechos de la niña cuando, un mes después se informó de que iba a regresar a esa casa.
Todo como antes, todas las mismas deficiencias de vitaminas, la misma miseria, la misma falta de todo, incluso el piso de tierra, con el mismo colchón y perros comparten el mismo espacio con los habitantes de la casa.
La única diferencia era que las reparaciones en la bolsa de la escuela hecha jirones, la muchacha, ruborizándose, que llevaba sobre el hombro derecho ...
Poco sabía que éste era el único adorno que había ...

L'anima femminile

L'anima femminile
Di Marcos Loures 27/07/2006 alle 20:29

La complessità dell'anima femminile.

Appena arrivati ​​nella città perduta nelle foreste di Minas Gerais.
Un giovane medico, che possiede l'invidiabile 25 anni di età, periodo della vita quando si è re e non è chiaro.
Era stato assunto per lavorare al programma Family Health, lavorare in un distretto rurale in poco distante dalla città.
Nei primi giorni, la notizia che un giovane medico si era diffuso in tutta la città, mescolando il cuore delle ragazze da marito del luogo e loveseats.
Estasiato con molestie tanto, ha cominciato ad avere il piacere di essere adulata e corteggiata da tutti in città.
Brutto non è stato fino al contrario, ma era timido. Molto timido davvero.
E che gli ha impedito di aver avuto esperienze con il sesso opposto alla loro età e comune? Posizione sociale? che aveva raggiunto improvvisamente.
Famiglia povera, studiando con tutte le difficoltà che sono all'ordine del giorno in questo paese di ingiustizia, è riuscito a diplomandosi con tanto sacrificio da parte di tutti, lui compreso.
A Rio de Janeiro, mentre i suoi compagni di stanza usciva di notte in ballate Rio, era a casa a studiare o fare turni e più turni per contribuire a pagare per il college.
Le donne? Non li hanno, tranne una o l'altra ragazza, per rendersi conto che risale scende al cinema nel tardo pomeriggio o una bibita alla porta del collegio, si recò in fretta? Singing in un'altra parrocchia?.
Una delle cose che il medico Programma Family Health che dovete fare è visite a domicilio.
Normalmente, nelle campagne, la realtà è molto diversa da quella urbana medici sono abituati.
La semplicità e la povertà sono all'ordine del giorno, ma la reception con un caffè o la frutta di stagione sono frequenti. Caffè con Guarapira è conosciuto come il succo in queste trincee.
Una torta di farina di mais appare, non so come sia gustato con piacere e vero e luminose.
Quella zona non era diverso, che ha dato al nostro medico, una nuova dimensione di felicità.
In una casa viveva una vedova con quattro figli, due maschi e due femmine.
Maria Ines e Maria da Gloria, due ragazze sono tipici del campo.
Il maggiore, Mary Agnes, con i suoi diciotto anni era più timido, nascosto da un lato che nascondeva precocementes denti marci e il sorriso dolce di innocenza.
Ma egli ha richiamato l'attenzione era Glorinha ragazza ancora in quattordici anni appena completato.
La prima volta che la vide, notò lei non lo vede, sempre guardando verso il basso.
L'abbigliamento ghepardo strappati celando a malapena i seni e neonati duro, i seni che ha catturato la tua attenzione ...
A piedi nudi, piena di? Chigger?, Tungiasis diagnosticato dal medico di capelli, sporco e disordine in contrasto con i suoi seni, bei seni emergenti attraverso i fori del vestito.
Dopo la visita, il medico tornò al suo lavoro e la sua casa.
Né più né ricordato il seno della ragazza, quando, un mese dopo che è stato riferito che sarebbe tornato in quella casa.
Tutto come prima, tutte le carenze di vitamine stesso, la stessa miseria, la stessa mancanza di tutto, anche il pavimento sporco, con il materasso stesso cani e condividono lo stesso spazio con gli abitanti della casa.
L'unica differenza era che le riparazioni in sacchetto di scuola a brandelli, la ragazza, arrossendo, che portava sulla sua spalla destra ...
Non sapeva che questo era l'unico ornamento che aveva ...

L'âme féminine

L'âme féminine
Par Marcos Loures 27/07/2006 à 20:29

Les complexités de l'âme féminine.

A peine arrivé à la ville perdue dans les forêts du Minas Gerais.
Un médecin de juniors, qui possède le enviables 25 années d'âge, le temps de la vie quand on est roi et il n'est pas clair.
Il avait été embauché pour travailler au Programme de santé familiale, le travail dans un district rural en un peu éloigné de la ville.
Dans les premiers jours, les nouvelles qui un jeune médecin s'était propagé à travers la ville, agitant le cœur des jeunes filles nubiles de la place et causeuses.
Séduit par le harcèlement tellement, il a commencé à avoir le plaisir d'être flatté et courtisé par tout le monde dans la ville.
Vilain n'a pas été jusqu'à preuve du contraire, mais il a été timide. Très timide en effet.
Et qui l'a empêché d'avoir eu des expériences avec le sexe opposé à leur âge et commune? La position sociale? qui avait atteint subitement.
Famille pauvre, à étudier avec toutes les difficultés qui sont monnaie courante dans ce pays de l'injustice, a réussi à diplôme avec beaucoup de sacrifices de tout le monde, y compris lui.
A Rio de Janeiro, tandis que ses colocataires sortaient la nuit dans les ballades de Rio, il a été étudiant à la maison ou en prenant des changements et des changements plus pour aider à payer pour le collège.
Les femmes? N'a pas les avoir, sauf une ou l'autre copine, pour réaliser que la datation se résume à un cinéma dans l'après-midi ou un soda à la porte du collège, est allé rapidement? Chanter dans une autre paroisse?.
Une des choses que le Programme du médecin de famille de santé ont à faire est de visites à domicile.
Normalement, dans les campagnes, la réalité est très différente des médecins en milieu urbain sont habitués.
La simplicité et la pauvreté sont monnaie courante, mais la réception avec un café ou les fruits de la saison sont fréquents. Café avec Guarapira est connu comme le jus dans ces tranchées.
Un gâteau de semoule de maïs apparaît, ne sais pas comment il goûté avec plaisir et vrai et lumineux.
Cette zone n'a pas été différente, ce qui a donné à notre médecin, une nouvelle dimension du bonheur.
Dans une maison, vivait une veuve avec quatre enfants, deux garçons et deux filles.
Maria Ines et Maria da Gloria, deux filles sont typiques de ce domaine.
L'aînée, Marie-Agnès, avec ses dix-huit ans a été plus timide, caché sur une main qui cachait precocementes dents pourries et le sourire de douce innocence.
Mais il a appelé l'attention a été Glorinha fille encore dans ses quatorze années à peine terminé.
La première fois qu'il la voyait, elle n'avait pas remarqué le voir, toujours à la recherche vers le bas.
Les vêtements déchirés guépards, cachant à peine ses seins et son nouveau-nés seins durs et qui a attiré votre attention ...
Pieds nus, plein d'? Chigger?, Tungose ​​diagnostiqué par le médecin, les cheveux sales et en désordre contrastent avec ses seins, de beaux seins émergents à travers les trous dans la robe.
Après la visite, le médecin retourné à son travail et son domicile.
Ni plus ni rappeler les seins de la jeune fille quand, un mois après il a été signalé qu'il allait revenir à cette maison.
Tout comme avant, tous les mêmes lacunes de vitamines, de la même misère, le même manque de tout, même le sol en terre battue, avec le même matelas et les chiens partagent le même espace avec les habitants de la maison.
La seule différence était que les réparations dans le sac d'école en lambeaux, la fille, en rougissant, il portait sur son épaule droite ...
Il ne savait pas que c'était le seul ornement qu'elle avait ...

The feminine soul

The feminine soul
By Marcos Loures 27/07/2006 at 20:29

The intricacies of the feminine soul.

Just arrived at the town lost in the forests of Minas Gerais.
A junior doctor, who owns the enviable twenty-five years of age, time of life when one is king and it is not clear.
He had been hired to work at the Family Health Program, work in a rural district in a little distant from the town.
In the early days, the news that a young doctor had spread across the city, stirring the heart of the marriageable girls of the place and loveseats.
Entranced with so much harassment, he began to have the pleasure of being flattered and courted by everyone in town.
Ugly was not until the contrary, but was shy. Very shy indeed.
And that prevented him from having had experiences with the opposite sex to their age and common? Social position? which had reached suddenly.
Poor family, studying with all the difficulties that are commonplace in this country of injustice, succeeded in graduating with much sacrifice from everyone, including him.
In Rio de Janeiro, while her roommates went out at night in Rio ballads, he was at home studying or taking shifts and more shifts to help pay for college.
Women? Did not have them, except one or another girlfriend, to realize that dating comes down to a cinema in the late afternoon or a soda at the door of college, went quickly? Singing in another parish?.
One of the things that the doctor's Family Health Program have to do is home visits.
Normally, in the countryside, the reality is very different from the urban doctors are accustomed to.
The simplicity and poverty are commonplace, but the reception with a coffee or the fruit of the season are frequent. Coffee with Guarapira is known as the juice in these trenches.
A cornmeal cake appears, do not know how it tasted with pleasure and true and bright.
That area was not different, which has given to our doctor, a new dimension of happiness.
In one house lived a widow with four children, two boys and two girls.
Maria Ines and Maria da Gloria, two girls are typical of the field.
The eldest, Mary Agnes, with its eighteen years was more timid, hidden on one hand that hid precocementes rotten teeth and the smile of sweet innocence.
But he called attention was Glorinha girl still in its fourteen years barely completed.
The first time he saw her, noticed she did not see it, always looking down.
The cheetah clothing torn, barely concealing her breasts and hard newborns, breasts that caught your attention ...
Barefoot, full of? Chigger?, Tungiasis diagnosed by the doctor, dirty and disheveled hair contrasted with her breasts, beautiful breasts emerging through the holes in the dress.
After the visit, the doctor returned to his work and his home.
Neither more nor remembered the girl's breasts when, a month after it was reported that he would return to that house.
Everything as before, all the same deficiencies of vitamins, the same misery, the same lack of everything, even the dirt floor, with the same mattress and dogs sharing the same space with the inhabitants of the house.
The only difference was that repairs in tattered school bag, the girl, blushing, he wore over his right shoulder ...
Little did he know that this was the only ornament she had ...

ALEGORIA SOBRE VERSOS DE T.S.ELLIOT

ALEGORIA SOBRE VERSOS DE T.S.ELLIOT
“Até sermos acordados por vozes humanas. E nos afogarmos.”
T. S. ELLIOT.

Até quando pudéssemos dormir
E ter a sensação de liberdade
Além deste terror que agora invade
O pouso libertário no porvir,

Vencer o medo e quando prosseguir
Além deste terror da ansiedade,
Gerando no meu peito a claridade,
Quem dera se pudesse resistir,

Vagando pelo sonho mundos tais
Distante dos terríveis usuais
Seguindo tanto além do encanto fero.

Mas quando a voz humana se aproxima,
Mudando no momento paz e clima,
Afogo-me acordando e desespero.


2


Ao vê-la cavalgando rumo à paz
Que tanto procurara inutilmente
Vencendo o que pudesse num repente
Depois deste vazio, sou capaz

De crer no quanto mesmo satisfaz
Deveras pacifico minha mente
E sendo por demais tanto descrente
O verso se mostrasse mais mordaz

Não pude discernir luz o bastante
E vago nesta insânia de um instante
Mortificante luz ora inebria,

Cavalgas rumo ao quanto imaginara
Em solidez brumosa, porém clara
Versão do que já fora tão sombria.

3


Tardamos ao sentir o mar feroz
E tendo como praia a certidão
Da vastidão soberba em negação
Aonde poderia crer em foz?

Se tanto faz de sou ou não atroz
O peso se mostrando em solidão
O quadro vaga em nova direção
E ninguém ouviria a minha voz.

Amordaçado sonho dita o quanto
Gerara dentro em mim tal desencanto
Nublada esta manhã que tu me deste,

Cevando uma esperança em vil mortalha
A cada intento a lavra falha,
O quanto deste solo é tão agreste.

4

Junto às ondas severas deste mar,
Nas conchas e nas algas, luzes várias
Portanto quando tanto temerárias
Temesse a solidão num vão vagar.

Esgares da manhã em tom solar,
As sortes sempre foram procelárias
E o quanto das estâncias temporárias
Aonde poderia navegar?

As serpentes marinhas traduzindo
O quanto se fez treva em mar infindo
Vestígios do passado mais presentes,

Mas sei quanto é preciso ter nas mãos,
Olhares que julgasse outrora vãos
Mas tanto quanto podes tu pressentes.


5


Tardando sobre vagas ondas, mares
Pudesse discernir claras estâncias
Aonde por maiores as distâncias
Diversos os caminhos navegares,

Ao menos se tivessem mais luares
Talvez já não houvesse discrepâncias
Nem mesmo quando tantas as vacâncias
Dos sonhos em dispersos exaltares;

Acordo deste sonho, a voz altiva
Dizendo da penumbra esta água-viva
Que tanto percebera em claridade,

Nefasta sombra dita o meu presente
E quando a solidez maior ausente,
Apenas o terror do ser me invade.

6

Abrindo sobre as águas claros vãos
O vento ao invadir sonhos diversos
Traçando com terror os tantos versos
Mundanas vagas tomam velhos grãos

Gerando do final sombrios nãos
Aonde se pudessem universos,
E quando mais atrozes e dispersos
Mais fortes punitivas outras mãos.

Penteio crinas vastas do oceano
Quando cavalgo sonhos entre tantos
E sendo tão comuns os desencantos,

Reflui dentro de mim o mesmo engano
Gestado pelo canto da sereia
Que tanto amaldiçoa e me incendeia.


7

Sereias entoando doces cantos
Somente para tantas outras tais
E quando as sinto assim em magistrais
Delírios pelas ânsias dos encantos

Percebo que deveras noutros tantos
Momentos sem parâmetros iguais
Cavalgam sobre as ondas e imortais
Expressam fossem crinas alvos mantos.

Abrindo seus clarões expressam ventos
E tomam com ternura os pensamentos
Dos sonhos mais audazes, soberanas

Reinando sobre mares, seus segredos
Eternos e supremos tais enredos
Até que ouço no fim, vozes humanas.



8


Sou obtuso, idiota ou mesmo quase;
Envelhecido, andando com prudência
Aconselho, sugiro uma assistência,
Na derrocada, esta última e vã fase.

E quando a realidade se descase
Respeitoso, deveras com clemência
Ao mesmo tempo em tola penitência
Por mais que a fantasia já se atrase,

Meticulosamente, sou político
E quando se mostrasse em analítico
Desejo sobre as ondas mares tantos,

Aforismos diversos, iludido,
Percebo que deveras vou perdido,
Alheios aos mais sublimes dos encantos.

Em meio a peripécias dessa sorte

Em meio a peripécias dessa sorte,
Que muitas vezes nega meu futuro,
Sem ter nem mais espreita que m’aporte
As velhas condições: saltar o muro.

Nas minhas sentinelas, sei o corte,
Profundo, cáustico, feroz, perjuro.
Adaga remoendo traz a morte,
Meu mote serpenteia, cai maduro.

Não quero mais a dama de vermelho,
Nem quero mais a luta sem descanso,
Em prol daquilo tudo me assemelho,

Ao penetrar do bico, tenaz ganso...
Não quero perguntar ao meu espelho,
Se fui, quem fui, serei, terei remanso...

Meu amor traduzido maciez

Meu amor traduzido maciez,
Na mansidão serena de teu beijo,
Traz formas delicadas; é, talvez,
A mais sublime fonte do desejo...

Meu amor mais sincero, desta vez
A noite transformada onde te vejo,
Caminhando, seduz tanta altivez...
Amor, meu derradeiro amor, lampejo

De divinal delírio, simplesmente.
Crivado de estelares porcelanas,
Busco em ti, conhecer toda vertente,

De tantas quanto belas, pois insanas,
Maneiras de matar-me de repente,
Sorvendo todo néctar que me emanas...

Sertanejo...

Por tudo que passei já nessa vida,
Te peço perdão pelos desatinos,
Sei bem porque nascido em despedida,
Conheci os diversos sóis, meninos,
Navegantes que, errantes nesta lida,
Não conhecem senão nem seus destinos.
Vi tudo quanto posso, nego nada,
Nada nego e sossego, minha amada...

Explodindo balão nem sei junino,
Na festança embolada, penitência...
Meus fracassos selados que eu assino,
Libélula voraz da coincidência.
Salgado em insalubre lar marino,
Balanço, transgredindo essa impotência
Que faz de meus melindres borbotão,
Vou borboleteando essa amplidão!

Moleque; fui sacado, por safado,
Sereno, fui moleque sem paragem.
Nem sabia sertão soubera prado,
Vivendo na completa vadiagem,
Sem nem conhecer fada; quiçá fado,
Pescando no meu rio, velha margem...
Solitárias, lombrigas na barriga;
Por mais que não quisesse, tanta briga...

Decadentes; de leite, caem dentes,
Restando meu sorriso de faminto,
Não quero pretender que tu me esquentes,
Nem que disfarce, finja que só minto,
Finos, nas cabeleiras, passas pentes,
Crescendo molecote, frango e pinto.
Nas penumbras noturnas lobisomem,
As minhas tempestades, todas somem...

Fui crescido na marra, sem pergunta,
Jogando futebol pelas calçadas,
Um menino levado, quando junta;
Preparem-se, nem noites mais caladas,
Resistem aos malandros nem se muita.
Forçando ser feliz nestas estadas,
Criando serpentina faz confete,
Sei, jamais haverá nenhum bofete...

Criado sem tempero nem espora,
Vazando pelos muros do vizinho,
Sem ter tempo perdido, sem ter hora,
Estilingue matando passarinho.
O melhor do viver é sempre agora,
Amanhã, talvez, tétrico, sozinho...
Brincando levarei felicidade,
Quem sabe saberei saber idade...

Sabedoria, sendo meu confeito.
Gosto de podridão deliciosa,
O que fiz, já farei, senão tá feito...
Lúdico esse luar, me trouxe Rosa,
Amor tragado estraga, rasga o peito...
Faz olhar as estrelas, deixa prosa
O calado moleque. Parapeito
Da vizinha mostrada sensual
Mostra blusa entreaberta, casual...

Besteira amar tão jovem! fala o pai;
A mãe, conhecedora da tristeza,
Avisa: Quem está dentro já sai,
Amor significando estupideza,
Trama vazia, tanta dor atrai,
Diga: quem poderá, tal realeza,
Ludibriar, vivendo em tal cenário,
Cantando livremente, qual canário!

Vou tentando saber do que não sei

Vou tentando saber do que não sei,
Ouvindo a melodia mais suave,
Já estive em Pasárgada, fui rei,
Todas as prostitutas, minha nave

Aberta vai caber, o que sonhei;
Falando nisso, todos sonhos grave,
Por favor, nesse tempo que passei,
Na busca do que quero, sem entrave...

Querendo não querendo, vou sutil,
Ser sertão sertanejo, ser servil,
Ser vil com as metástases fatais.

Néscios são os meus vícios mais boçais,
Em tantos precipícios naturais,
Que já me prepararam nest’abril!

Eu ando procurando meus disfarces

Eu ando procurando meus disfarces,
Em meio a tantas vidas que passei.
Milhares, diferentes, tantas faces.
Fugindo, procurado, sem ter lei.

Não pude nem tentei que me amasses,
Somente teu sofrer, pelo que sei,
Seria tua herança, meus enlaces,
Sofrimento, matéria em que sou rei!

Nos túmulos cativos que carrego,
Correntes me ataram pela mão.
Em meio a tanta luz, seguindo cego,

Nos fúnebres delírios do perdão,
Não posso nem desejo, tudo nego,
Seria tão somente uma ilusão.

Eu ando procurando meus disfarces,

Eu ando procurando meus disfarces,
Em meio a tantas vidas que passei.
Milhares, diferentes, tantas faces.
Fugindo, procurado, sem ter lei.

Não pude nem tentei que me amasses,
Somente teu sofrer, pelo que sei,
Seria tua herança, meus enlaces,
Sofrimento, matéria em que sou rei!

Nos túmulos cativos que carrego,
Correntes me ataram pela mão.
Em meio a tanta luz, seguindo cego,

Nos fúnebres delírios do perdão,
Não posso nem desejo, tudo nego,
Seria tão somente uma ilusão.

Vai meu mar amar maré

Vai meu mar amar maré
Maresia mar e sina,
Amando Mar e Marina,
No meu mar, morreu a fé,
Nadava, mas não deu pé.
Fui tragado por sereia,
Que cantando, fez a teia,
Que prendeu seu grande amor,
Nem por reza ou por favor,
Cessou brasa, que incendeia...

A Segunda Guerra Mundial - João Polino, herói de Santa Martha

Nos idos dos anos quarenta, havia uma ebulição no mundo, a segunda guerra mundial era a notícia em todos os jornais e rádios do país.
A entrada do Brasil na guerra mexia com os brios do nosso amado povo e, em Santa Martha não era diferente.
No único rádio do distrito, que ficava na praça principal, João Polino, ao invés da maioria da população que se espremia para poder ouvir o programa musical de Francisco Alves na Rádio Nacional, se interessava verdadeiramente pelo que ocorria do outro lado do mundo.
Como bom comunista, sem o saber, torcia imensamente pela vitória dos Aliados contra o regime fascista de Mussolini e, principalmente, contra o nazismo alemão.
Nas discussões que se faziam em torno das mesas do principal botequim do distrito, o “Santamartense”, não media palavras e nem conseqüências ao defender o líder russo.
Do outro lado, alguns descendentes de italianos ou de alemães eram as principais vítimas das críticas e comentários do nosso herói.
Até que, um dia, a despeito de todos aqueles que achavam que o jovem era somente um “catador de marra”, ao saber da entrada do Brasil na guerra e a convocação de Voluntários para irem ao combate, não pestanejou.
Entrando em contato com alguns conhecidos, no Rio de Janeiro, se ofereceu para entrar em combate.
Foi um Deus nos acuda; sua irmã, Oracina, estava assustada com tal atitude mais radical do tempestuoso irmão.
Não houve quem o demovesse da idéia, nem mesmo o pároco de Santa Martha, o padre Josias, velho conselheiro do vilarejo.
Ao dizer que havia recebido a confirmação de que tinha sido aceito, João causou verdadeiro clímax entre os habitantes. Não foram poucas as moçoilas que suspiraram frente à possibilidade de, simplesmente, conversar com tal herói.
Num dia frio, daqueles que ninguém esquece, partiu nosso amigo para o Rio de Janeiro, em busca das aventuras que a Europa preparava...
Passados seis meses da viagem, eis que uma notícia caiu como uma bomba em Santa Martha. No domingo, no trem das sete horas, iria chegar de retorno do Velho Continente, o heróico João Polino.
Banda de música na Praça, feriado escolar, todo mundo alvoroçado para recepcioná-lo.
Às sete e meia, pois o trem sempre atrasa, chegou com toda pompa e circunstância, para deleite de toda a população, o nosso Pracinha.
Fogos de artifício e os dobrados tocados no coreto da Praça Santa Bárbara. Os alunos da Escola Municipal, uniformizados, com Dona Louza à frente, reverenciavam o maior herói da história Santamartense.
Depois do rasta-pé que durou a madrugada inteira, João Polino, vivendo como se fosse um sonho, custara a dormir.
No dia seguinte, logo cedo, foi até ao armazém do Seu José Reis, usufruir um pouco da fama.
Ao ser indagado como fora a experiência, João não pestanejou: Que a Guerra estava sendo muito difícil, que tinha matado mais de quarenta alemães, etc. Falara, inclusive, que a Alemanha era muito bonita, e que não tinha dúvidas de que, assim que o povo alemão fosse libertado do nazismo, o país iria se recuperar.
José Reis, quieto, ouvia tudo e nada falava...
Mas, ao perceber que João se referia à Alemanha e não à Itália, estranhou.
-Hei João, quer dizer que a Alemanha é muito bonita? Aonde foi a pior batalha?
-Berlim. Respondeu João Polino, sem pestanejar...
Educadamente José não falou nada, e nem comentou o fato de João ter retornado a Santa Martha com uma morenice de fazer inveja...

CANSAÇO

No cansaço da lida sem ter tréguas,
Sentimentos sutis, fazendo ninho,
Percorrendo o sertão, cobrindo léguas,
Vou sem me desviar do meu caminho...

Montados nos corcéis, cavalos, éguas,
Poeira das estradas faz carinho.
Minhas antigas dores são perpétuas,
Meus olhos marejados, vou sozinho...

Não temo, muito menos, quero mágoas.
Na vida, me protege minha Santa.
Cobrindo minhas dores, qual anáguas;

Cruéis temeridades, ela espanta.
Fui batizado e prossegui, nas águas,
Daquele ribeirão que, ao longe, canta!

MAIS VAZIO

Transeunte que passa pelo rio,
Não percebes sentido no que digo,
Meu mundo foi ficando mais vazio,
De todas as angústias; do perigo,

Conheço tal transtorno, mas me rio.
Das vezes que sonhei, tantas contigo,
Não pude perceber quanto é vadio.
O triste coração, levo comigo...

Sonhava com teus passos, nessa guia.
Andando, me deixaste, sem ter meta.
A vida, transportada, em fantasia.

Nos traços vigorosos, linha reta.
Vou transformando em versos, poesia.
Vivendo minha sina: ser poeta!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

27/09/2011

O vento quantas vezes traz num toque
Verdades esquecidas noutra senda
A luta com certeza não desvenda
Sequer o que pudesse e não provoque.

A lua se desenha e sem estoque
Apenas o vazio dita a venda
Certeza que deveras não entenda
O quanto sem sentido a vida enfoque.

Não pude e nem tentara ser alheio
E sei do quanto; a vida, eu devaneio
Vencido companheiro de outra queda

Tanta incerteza dita o dia a dia
E quando noutro instante poderia
Somente a solidão agora enreda.


2


Das horas que se foram noutro rumo,
Marcando a despedida deste sonho,
O frágil caminhar que decomponho,
Enquanto noutro toque não resumo,

Procuro uma esperança e sei do sumo
Que possa me trazer dia risonho
Ou mesmo no vazio não reponho
O quanto do passado ainda aprumo.

Não tento novo tempo, mas sei bem
Que a vida noutro passo nada tem
Senão a mesma face desolada,

Enquanto a fantasia ainda brada
Vagando sem descanso noite afora
A solidão deveras nos devora.

3

Lateja dentro em mim esta vontade
Do quanto se presume noutra farsa
A vida se renega e sem comparsa
Traduz o quanto trama em falsidade.

Ainda quando possa e não me agrade
O verso na palavra mais esparsa
Apenas o que possa já disfarça
E marca com terror a liberdade.

Marcando o dia a dia em tom atroz
Ninguém soubera quantos destes nós
Somente restariam dentro da alma,

Mas quando a solidão se faz presente
No bojo da questão inda se sente
O quanto com certeza dita o trauma

Una fantasía de MARCOS LOURES COUTINHO

Una fantasía de MARCOS LOURES COUTINHO

Todos los caminos parecen tener las mismas formas, las mismas casas, las mismas ventanas ...

Pero, entre otras muchas calles similares, donde hay un milagro de la nostalgia dio a luz, una ventana como cualquier otra, una ROSA, único!

Y al ver la pequeña flor que brotó allí, el soñador recuerda que "si la vida es el arte de la reunión, lamentable que haya tantos desajustes de la vida ..."

Una rosa roja en forma de nostalgia, que se resiste a la vez protegidos por la cúpula de cristal de los sueños, olfateando los dulces recuerdos de una vida, lo que la vida es más bella y cautivadora!

Las gotas de rocío de la mañana de la primavera en los pétalos carmesí refleja los sueños de amor inocente en primer lugar, el amor que se perdió durante el camino largo y tortuoso de la vida ...

A la puesta del sol, se desvaneció el sueño inconcluso colores, brilla sereno, esperando la noche vendrá mal, sobre los ojos de aquellos que sueñan y los que no son capaces de soñar ....

Y cuando todo es sombra y han terminado todos los rumores, todos los movimientos, siendo sólo una simple ventana. Como reflejo de los acuerdos y desacuerdos de una vida, un poco de rosa, protegido del flagelo de la época, la cúpula de cristal de los sueños de amor, olfateando los dulces recuerdos de la vida ...

Una rosa inmortal, al igual que los sueños de amor!

Una fantasia di MARCOS LOURES COUTINHO

Una fantasia di MARCOS LOURES COUTINHO

Tutte le strade sembrano avere le stesse forme, le stesse case, le stesse finestre ...

Ma, tra le tante strade simili, dove c'è un miracolo di nostalgia ha dato alla luce, una finestra come tutti gli altri, una ROSA, unico!

E vedendo il piccolo fiore che spuntavano là, il sognatore ricorda che "se la vita è l'arte dell'incontro, peccato che ci sono discrepanze così tanti per la vita ..."

Una rosa rossa a forma di nostalgia, che resiste al tempo protetto dalla cupola di cristallo dei sogni, fiutando i dolci ricordi di una vita, quello che la vita è più bella e accattivante!

Le gocce di rugiada del mattino di primavera in quei petali cremisi rispecchiano i sogni del primo amore innocente, l'amore che è stato perso durante il percorso lungo e tortuoso della vita ...

Al calar del sole, il sogno incompiuto sbiaditi i colori, brillanti serenamente, in attesa che la notte verrà, inclemente, sopra gli occhi di coloro che sognano e quelli che non sono in grado di sognare ....

E quando tutto è ombra e hanno terminato tutte le voci, tutti i movimenti, rimangono solo una semplice finestra. Riflettendo gli accordi e disaccordi di una vita, un po 'di rosa, al riparo dal flagello del tempo, la cupola di cristallo dei sogni d'amore, fiutando i dolci ricordi della vita ...

Un immortale rosa, come i sogni d'amore!

ROSA

Tous les chemins semblent avoir les mêmes formes, les mêmes maisons, les mêmes fenêtres ...

Mais, parmi les nombreuses rues semblables, où il est un miracle de la nostalgie a donné naissance, une fenêtre comme les autres, une ROSA, unique!

Et en voyant la petite fleur qui a germé il ya, le rêveur se souvient que «si la vie est l'art de la rencontre, dommage qu'il n'y ait inadéquation tant pour la vie ..."

Une rose rouge en forme de nostalgie, qui résiste à la fois protégés par la coupole de cristal de rêves, de parfumer les doux souvenirs d'une vie, ce que la vie est plus belle et captivante!

Les gouttes de rosée du matin de printemps dans les pétales pourpres reflètent les rêves de l'amour innocent d'abord, l'amour qui a été perdue durant le chemin long et tortueux de la vie ...

Au coucher du soleil, le rêve inachevé fanée couleurs, brille sereinement, en attendant que la nuit va venir, inclément, sur les yeux de ceux qui rêvent et ceux qui sont incapables de rêver ....

Et quand tout est ombre et ont mis fin à toutes les rumeurs, tous les mouvements, restent seulement une simple fenêtre. Reflétant les accords et désaccords d'une vie, un peu de rose, à l'abri du fléau des temps, le dôme de cristal des rêves d'amour, de parfumer les doux souvenirs de la vie ...

Un immortel de rose, comme les rêves d'amour!

A FANTASY OF MARCOS COUTINHO LOURES

A FANTASY OF MARCOS COUTINHO LOURES

All roads seem to have the same forms, the same houses, the same windows ...

But, among many similar streets, where there is a miracle of nostalgia gave birth, a window like any other, a ROSA, unique!

And seeing the little flower that sprouted there, the dreamer remembers that "if life is the art of meeting, unfortunate that there are so many mismatches for life ..."

A red rose in the form of nostalgia, that resists the time protected by the crystal dome of dreams, scenting the sweet memories of a life, what life is most beautiful and captivating!

The drops of morning dew of spring in those crimson petals reflect the dreams of the innocent first love, the love that was lost during the long and tortuous path of life ...

At the going down of the sun, the unfinished dream faded colors, shining serenely, waiting for the night will come, inclement, over the eyes of those who dream and those who are unable to dream ....

And when all is shadow and have terminated all the rumors, all the movements, remain only a simple window. Reflecting the agreements and disagreements of a life, a little pink, protected from the scourge of time, the crystal dome of dreams of love, scenting the sweet memories of life ...

A rose immortal, like the dreams of love!

Nas montanhas Gerais, terra mineira

Nas montanhas Gerais, terra mineira;
Onde o mar se transforma na lagoa.
Terra minha, Alterosa, verdadeira.
Da cachaça, torresmo, vida boa...

Vontade de não ser, sendo a primeira.
Caçando melodia na garoa...
Sapo boi, na boiada, a galopeira.
É muito bom viver assim, à toa...

O suor escorrendo pela cara,
A vida transcorrendo devagar.
Vê, repara, teimosa, pensa, pára...

Faz que irá, mas nem tenta começar
De Jessé, de Jessé, nas céu a Vara...
E vem me comover, baita luar!

Trago minhas quimeras escondidas

Trago minhas quimeras escondidas,
Quisera poder, último momento,
Saber sem tem segredos dessas vidas;
Que passeiam caladas, movimento...

Nas filas nas favelas, desabridas...
O tempo s mostrando sem alento
Tornando mineirices em tormento.
Mar impossível, cala-se nas bridas...

Minha manhã, melindre tão solar.
Meu amanhã, sorvido em ilusões!
Minas, não vou, jamais quero encontrar;

Novo pó, refletido nos porões,
Sem porém, sem talvez, num novo altar.
Velhas jaulas, clausuras, meus leões...

Brindo outra vez

Brindo outra vez, teimando no martírio,
Bem sei que me fugiste, sem perdão...
Busquei-te nas campinas como o lírio,
O que causava inveja a Salomão...

Não mais esquecerei, nem em delírio,
As mãos que me afagavam, com paixão...
Restando tão somente, esse pão sírio,
Do banquete servido, ao coração...

Não mais quero tratar amor tão tétrico,
Nem quero percorrer teu céu, sem lua.
Nas minhas serenatas, assimétrico,

O canto repetido te faz nua.
Te conheci, preciso e milimétrico,
Por isso, na distância, alma flutua...

O menino correndo pela sala

O menino correndo pela sala,
Sem perceber as dores dessa vida,
A minha solidão, então se cala,
Prepara sua triste despedida...

Te vendo tão liberto; tanta fala,
A vida me traduz: valeu a lida,
No meu peito apertado, já se entala
Essa palavra mágica; sentida,

Por todos os meus nervos, mais sensíveis,
Trazendo à tona toda essa verdade,
Florindo esse deserto, com incríveis

Flores azuis, vermelhas, liberdade...
Essa palavra viva em tantos níveis;
Poder dizer, enfim, felicidade...

Mãe

Mãe
Lembro-me, molecote impertinente,
Teimando sem ter pressa de voltar.
Correndo pelas ruas, livremente,
Querendo, tantas vezes, ir voar...

As mãos cansadas juntas, penitente,
Pedindo a Deus num nunca mais parar:
Faça desse menino, um ser contente.
E que tenha alegria no seu lar...

Hoje te vendo, bela e forte ainda,
Agradeço-te tanto e não percebes,
Queria te dizer: és muito linda!

Contigo caminhei todas as sebes,
Contigo, a natureza se deslinda...
Tens o maior amor e nem concebes!

DEITADA SOBRE OS LENÇÓIS

Te vendo, assim deitada, sobre a cama;
Suas coxas expostas, ao lençol,
Percebo porque sinto arder a chama,
Queimando bem mais forte que o sol,

Amores e desejos, tudo inflama,
A nuca sugerindo, cachecol,
Tentar compartilhar toda essa trama...
Ser tua casa enquanto caracol...

Trocar tantas carícias sem pecado,
No gosto de teu seio, meu deleite,
Poder sentir que estou apaixonado.

Na boca tanto gozo, tanto leite,
Meu corpo, tremulando, meu recado,
Clamando que, contigo, sempre deite...

PUREZA DA ALMA

Tens na pureza d’alma, sortilégios;
Que não consegue conceber , quem vive,
Buscando, desta vida , privilégios.
É o mais sublime templo onde eu estive,

Tem a sabedoria dos colégios,
Ao conhecer-te, juro que contive,
Meu amor tão capaz de sacrilégios,
Bem capaz de galgar esse declive,

Somente por prazer de ter teu solo,
Pela delícia frágil, de te ter.
Deitado tão solene, no teu colo,

Vivendo tantas glórias, por prazer;
Envolto em tuas rendas, já me embolo,
E censurar-me, diga, quem há dê?

RESPOSTA

Eu busco, n’aguardente tal resposta,
Que possa permitir sobrevivência...
A mesa da taberna está disposta,
Teus olhos, no luar, coincidência...

Esses casais rodando, o medo tosta,
Queimando meus sentidos, sem ciência
De quanto me doeram tanta crosta
Criada nos fantasmas, providência...

Bem sei que se pudesse ser teu dono,
Não mais prosseguiria solitário,
Portanto, vou seguindo no abandono,

A tristeza fazendo aniversário...
Nem sei mais o canto que eu entono,
A cabeça girando, o calendário...

MEU OUTONO

Nessas folhas caídas , meu outono,
Da vida vai distante a primavera.
Quisera não viver esse abandono,
Nem conhecer ardor dessa quimera...

Vem vindo devagar; quando ressono,
Inverno terminal. Ai quem me dera;
Meu Pai me concedesse; como abono,
Pudesse ressurgir, qual fora fera,

Nos tempos tão felizes que se foram...
Menino, procurando meu futuro,
Não sabendo, entretanto quanto é duro.

Perder os amores que ficaram,
As esperanças todas, se acabaram.
Já fui, agora espreito sobr’o muro...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

26/09/2011





Cevando todo o amargo que me espera
Nas sendas mais atrozes, doloridas
Palavras que buscassem as saídas
E nisto não se vendo além da fera

Ainda quando fosse mais sincera
E sei que na verdade não duvidas
Nem mesmo das palavras assumidas
Na fúria que decerto destempera.

Vacante coração já não encanta
E toda a solidão tentasse a tanta
Vereda sem sentido ou sem proveito.

Aonde com certeza nada resta
A luta se aproxima em rude festa
E neste emaranhado ora me deito.

2

Felicidade imensa, amor procura
E sabe muito bem que não terá
A sorte renegando algum maná
A luta se desenha em desventura.

O quanto se porfia sem ternura
E vendo o meu caminho desde já
Ousando acreditar no que virá
Ou mesmo renegando esta brandura.

A farsa se aproxima de outro enredo
E sei do quanto possa e assim procedo
Lutando bravamente sem saber

Do quanto a própria vida já renego
Sabendo na verdade do nó cego
Aonde amarrara algum prazer.

3


Nas ondas em volúpia desenhadas,
Tentando desvendar cada mistério
Do amor que se propaga sem critério
E segue sem proveito tais estradas,

As sortes são diversas quando bradas
Bastando a frialdade do minério
Derruba a cada engano o velho império
E nisto as promessas destroçadas.

Restando muito pouco do que outrora
Porfia uma esperança e me apavora
Gerando no vazio o sentimento

Que tanto poderia ser diverso
E neste caminhar, pudera e verso
Estando com certeza mais atento.

domingo, 25 de setembro de 2011

25/09/2011

1

Não tenho mesmo a sorte que buscara
Vagando sem sentido noite afora,
A sólida emoção que me devora
Expressa a vida dura e mesmo amara,

Não quero o que esta sina me prepara
Tampouco se vislumbra desde agora
A luta que pudera e não aflora
Tornando esta ilusão superna e rara.

O verso se desnuda no que um dia
Pudesse desenhar e não teria
Sequer qualquer momento em claro tom,

A lua dos meus sonhos, sertaneja
O mundo noutro passo se deseja,
Mas quando me aproximo, é de neon.

2

Cadenciando a marcha deste fato
Aonde o meu caminho não permita
A noite se tecendo mais aflita
Ao menos o cenário ora constato.

Redondamente o tempo mais ingrato
Expressa a solidão e em tal desdita
A senda preferida não reflita
O quanto poderia e não retrato

As dores do passado; ainda sinto
E quando imaginasse logo extinto
O preço a se pagar gerado em ágio

Tramando a solidão a cada infausto
A sorte se presume em holocausto
E traça desde já qualquer naufrágio.

03

Perene solidão domando o sonho
E sei desta fatal nomenclatura
Ainda quando a vida me amargura
O passo noutro rumo decomponho,

Meu mundo se pudesse ser risonho
A luta se desenha em noite escura
A morte a cada instante configura
O manto que tentara mais risonho.

Apenas destroçando esta esperança
No fundo este vazio que ora alcança
A velha sensação do nada em mim,

Um verso sonegando o dia a dia
E nada do que tente inda traria
Cenário se fazendo ora em festim.

CALOR

Quando busco o calor na noite fria,
Encontro, tantas vezes, verdadeiro,
A chama que transforma essa agonia,
Deliciosa chama desse isqueiro...

Que traz a luz; penumbra e poesia,
No meu cigarro, brilho mais useiro,
Traz toda essa esperança que eu queria,
Vertida nessas cinzas , meu cinzeiro...

Sim, fugiste; fumaça, labareda...
Restando apenas tristes recordares,
A sombra, esfumaçada, na vereda;

Por onde tu partistes, nos luares.
Só peço a Deus, então, que me conceda:
Poder te procurar, por esses bares...

SORRISOS

Tanto sorriso exposto sem ter senso,
Em tal sentido inverso aos meus desejos.
Se quis, não fora simples, nem imenso,
Teve essa dimensão, são benfazejos.

Nos ínfimos detalhes, sempre penso,
No que não poderia falsos beijos,
Por onde andaria? Fico tenso
Imaginando luzes, teus lampejos...

Se nesse gargalhar, me trazes luto,
É que, embora vagão, conheço o trem.
Não venhas me dizer que sou tão bruto,

Bem sei que depois, sabes o que vem,
Minhas melancolias; sei, amputo...
Não restando mais nada nem ninguém...

SENSUAL

A minha mão passeia , calmamente,
Buscando tocar todas reentrâncias,
Eu sinto esse desejo, mais urgente,
De conhecer molejos e cadências.

Sorvendo todo líquido fervente,
Que põe no nosso amor as evidências
Que poderás gozar, tão de repente,
Sem conceder sequer qualquer clemência...

Eu quero teu suor e teu sorriso,
Nas salivas trocadas; as delícias.
Teu prazer é tudo o que eu preciso.

Suave viajar dessas carícias,
Orgasmos delirantes, sem aviso...
Meu amor, por favor, me dê notícias.

PERDÃO

Eu te peço perdão, meu companheiro,
Pelas tristes palavras que te digo.
Amigos sempre fomos; tempo inteiro.
Desde guris, revoltos sem castigo.

Vivendo sem temer, sem paradeiro.
Eu não tinha segredo algum contigo,
Juntos nós encarávamos vespeiro,
Não conhecemos medo, e nem perigo...

Mas, agora desculpe esse covarde,
Que não teve coragem de negar,
Pois bem sabes, se o peito mais nos arde,

É coisa bem difícil controlar,
E antes que tudo cegue e seja tarde,
Vou, tua amada prenda, namorar...

AS CORES VERDAEIRAS

As cores verdadeiras que traduzem,
Diversas sensações que nos afloram,
Têm nas suas origens, tantas luzes,
Que, sempre transitando, não demoram.

Num prismático sonho, me conduzes,
Arco íris fantástico onde oram,
Os que amam, tentando tirar urzes
E espinhos tão venais que as adornam.

Não quero simplesmente do coral,
Essas preciosidades que desfraldas,
Viver completamente luz cabal,

Que vem desse brilhar das esmeraldas,
Nem do belo rubi, carmim carnal,
A magia das cores onde esbaldas...

MEU SENHOR

Meu Senhor! Eu te imploro, por favor.
Não me deixe morrer sem Seu alento...
Não tenho mais vergonha desse amor
Que me trouxe na vida, sofrimento.

Nem sei mais onde posso, nem compor;
As minhas melodias. Bebo o vento,
Tentando tempestades onde for,
Viver de tal maneira, não agüento...

Me deixe simplesmente ser feliz,
Eu não quero outra coisa em minha vida...
Felicidade; escondes, onde? Diz...

Procuro em vão, buscando outra saída,
Em cada canto, busco olhos anis,
Azuis olhos marinhos, despedida...

LATINO AMERICA

LATINO AMERICA

Na fumaça do cigarro
Que se queima entre meus dedos
Nessa penumbra me agarro
Vou fugindo de meus medos
Quero a sensação perfeita
De poder seguir em frente
A felicidade é feita
Do sangue e carne de gente.
Como a liberdade é flor
Quer precisa pra brotar
De suor sangue e terror,
Pois senão ela não dá.
Meu canto de liberdade
Tem mais lágrimas que riso
Atravessando a cidade
Traz muito pouco sorriso,
Reflete a melancolia
Que se fez neste país
Trazendo pouca alegria
Quase morrendo por triz;
A vida essa fantasia
Essa pobre meretriz
Que tampouco poderia
Sonhar em ser mais feliz.
Não podendo mais arcar
Com essa dor que apavora
Nessa luta por lutar
Bem antes e mais agora.
Nossa luta é tão constante
Vem de tanto tempo atrás
Transformando esse gigante
Que aprende a ser tão capaz
Quanto os velhos continentes.
Trazendo nas mãos cansadas
Sonhos de seres contentes
Pela lua, iluminadas.
As marcas de todos nós.
Caminhamos de viés,
Trazendo essa dor atroz
Cortados, sangram os pés.
Nossa luta mais certeira
Da guerra que não engana
Essa batalha altaneira
Da latino americana
Vida, como essa bandeira,
Que carregamos sem jeito
De todas és a primeira,
Pesando forte no peito.
Terra de tantas batalhas
Das antigas injustiças
Trazes nos olhos mortalha
Vítima dessas cobiças
Que sangraram os teus sonhos
Em troca de prata e ouro
Transformaram em medonhos
Tua carne, pele e couro.
Estropiaram teu povo
Exterminaram teus cantos
Extorquiram-te de novo
Tenazes foram teus prantos.
Agora, que tentas ser,
De novo esse amanhecer
Um amanhecer mais justo,
Mãe que acalanta no busto
Teus filhos mais sofredores
Buscam todos teus amores
Procuram beijo da paz
Lutam pra serem bem mais
Que simples melancolia
Quiçá nesse novo dia
Nessa brisa que acalenta
Nesse canto que se assenta
Sobre tuas mãos feridas
Possamos nós teus meninos
Esquecer das despedidas
Cantando de novo esse hino,
Um hino de amor a ti
Terra onde sempre vivi
Onde nasceram meus filhos
Por onde seguem meus trilhos
Iluminados ao sol
Que traduz tua esperança
De ser de novo a criança
Dona do teu arrebol.
Brincando nas cordilheiras
Nas tuas florestas tantas
Fazer dessas brincadeiras
Ungindo tuas mãos santas.
Surgindo de novo a vida
Onde sangraste, ferida.
América mãe de todos
Que Deus ouça nossos rogos
E te permita viver
Sem ter que filhos vender
Sem ter que, prostituída,
Expor-se tão nua em vida.
América, nosso lar,
Nossa casa verdadeira.
Que o brilho do teu luar
Ilumine a terra inteira.
Que nunca mais te maltrate
Nem nunca mais te destrate
Quem nunca te conheceu
Quem jamais te concebeu
Povo de terra estrangeira
Que suga tanto teu sangue
Atolando-te no mangue
Te escarrando por inteira.

sábado, 24 de setembro de 2011

24/09/2011

O canto das sereias me inebria
E deixo para trás o quanto eu quis
E sendo de tal forma mais feliz
A sorte se desenha em utopia.

O verso quase incauto não traria
O quanto se aproxima em cicatriz
Deixando no passado a tarde gris
Sem nexo sem ao menos poesia.

O manto se transforma em rude véu
E sendo sempre a vida tão cruel
Risíveis emoções trazem vazios.

Os sonhos que alimento, todos falsos
Apenas conhecendo tais percalços
Os dias seguem vagos e sombrios.

2

É pago por quem ama cada instante
Com toda a turbulência presumida
E sei que quando tenho uma saída
A luta no final nada garante.

O passo noutro tom mais inconstante
A sorte sem saber, desprevenida
A morte se anuncia e desprovida
Do norte que pudera doravante.

Apenas o sinal se aproximasse
Trazendo a solução de cada impasse
Navegador dos sonhos, nada resta

Senão a poesia em cada festa
Audaciosamente preparada
Sabendo que traria o mesmo nada.

3

Desejo? Não conheço quem o meça
Tampouco poderia acreditar
Na luta que cansei de desenhar
E nisto se renegue esta promessa

Premissa que deveras recomeça
Marcando com ternura este lugar,
Jamais inda pudera imaginar
Senão a solidão que se professa.

Encontro a mesma farsa sem saber
Do quanto poderia conceber
Sem ritmo sem sinal de paz ou luz,

Avisos do passado em sacrilégio,
O verso se moldara aonde em régio
Caminho cada passo não conduz.

DE BÓIAS FRIAS E BÓIAS QUENTES

DE BÓIAS FRIAS E BÓIAS QUENTES

O vírus da política ataca algumas pessoas em fases bem distintas da vida.

Conheci, em Minas Gerais, um médico desses antigos, da época onde ainda não existiam hospitais na maioria das pequenas cidades, quando a medicina era exercida quase que artesanalmente, sem laboratórios nem exames complementares mais efetivos.

Esse colega, já beirando os setenta anos de idade, pertencia a essa fase naquela cidadezinha bucólica.

Tinha como característica, o fato de prescrever medicamentos de há muito abandonados e substituídos por outros, sem que o abandonado médico, sem contacto com revistas e muito menos representantes de laboratórios e menos ainda com as notícias mais recentes da medicina, tivesse buscado qualquer atualização.

Outra característica que lhe era peculiar era o hábito de construir e destruir e reconstruir várias vezes a casa onde morava e onde era seu consultório e até centro cirúrgico, onde fazia pequenas, médias e até, ousadamente, cirurgias de maior porte.

Com o detalhe de ser, ao mesmo tempo, cirurgião, anestesista e parteiro, contando somente com o apoio de um atendente de enfermagem cujo apelido era bem sugestivo: “Peremo”.

Ao procurar saber a origem do apelido, alguns amigos foram bem objetivos – seu apelido derivava da resposta que dava quando alguém lhe perguntava como tinha sido seu dia de trabalho- “Peremo duas pendicite e uma ursa no istombo!”

Esse médico, durante sua vida de dedicação ao município, teve participação efetiva na construção do primeiro posto de saúde, no hospital municipal, na criação do Ginásio Estadual e depois na “Escola Estadual de primeiro e segundo graus”.

A construção do Clube Recreativo da cidade também fora idéia sua.

Portanto, quando jovem, tinha tudo para se candidatar com êxito ao cargo de Prefeito, mas não o fizera, deixando que a idéia fosse aflorar na sua maturidade.

Ao se aposentar, acreditando no poder que julgava ter sobre os cidadãos do município, lançou sua candidatura à Prefeitura.

Uma de suas promessas demonstra o grau de senilidade do nosso amigo.

Propunha, para ineditismo programático, uma coisa fantástica ou de insanidade ímpar.

“Vamos propor a transformação do Bóia fria em Bóia QUENTE, com a colocação de veículos da prefeitura, distribuindo a alimentação na Zona Rural, na hora do almoço e do lanche dos lavradores. Isso vai acabar com a comida fria, transformando os agricultores em BÓIAS QUENTES.”

Obviamente, com pouco mais de 200 votos, coube ao nosso doutor mudar-se, revoltado, para o Rio de Janeiro onde soube foi encontrado morto num motel, acompanhado de uma jovem adolescente de 18 anos.

Mas isso são fofocas, e eu odeio fofocar!

DOS DEFEITOS DO EXCESSO DE FRANQUEZA

DOS DEFEITOS DO EXCESSO DE FRANQUEZA

Retornando ao folclore político, tenho uma história que já ouvi algumas vezes, com fontes diferentes, mas merece ser contada.

Segundo uma das fontes, essa história se deu em Governador Valadares, a outra fala em Juiz de Fora; mas, de qualquer forma, vamos a ela:

Havia um candidato à eleição municipal numa cidade mineira que tinha a franqueza como principal característica e isso, apesar de ser uma virtude, muitas vezes atrapalha; e nesse caso, quase resultou numa tragédia.

Nos idos dos anos 70, antes da liberalização sexual, uma das características das cidades interioranas era a existência, para deleite de adolescentes e dos boêmios, a famosa ZBM – Zona do Baixo Meretrício.

Por uma questão econômica, tais prostíbulos se localizavam, na maioria das cidades, próximo ao centro destas. Onde, após uma noite com a namorada virgem, os meninos iam satisfazer seus desejos com as “bad girls” da época.

Em Muriaé havia uma casa de baixíssima qualidade e de péssima reputação cujo nome era bem sugestivo “Beco dos Aflitos”; já em Guaçuí existia um prostíbulo com um nome até certo ponto poético: “A Flor do Asfalto”.

Nessa cidade que não pude identificar, houve um comício deste candidato a prefeito, que me permito chamar ficticiamente de Lúcio Franco; mais franco que lúcido.

No comício em plena zona, ele tentando justificar a sua plataforma política, trouxe à tona um fato que mudou realmente a economia das prostitutas.

A zona que era no centro da cidade, fora transferida por um ex-prefeito que tentava a reeleição para a periferia da cidade onde ocorreram os trágicos fatos daquela noite perdida no tempo.

Ao subir no palanque, nosso amigo começa com um discurso apaixonante, falando da desigualdade social, da falta de escolas no bairro, da falta de creches, do estado de abandono em que se encontrava a saúde, etc.

Extremamente empolgado, foi aumentando o tom da voz, à medida que os aplausos se tornaram mais intensos e constantes; até que:

Num momento extremamente infeliz, no ápice do discurso saiu-se com essa;

“E o candidato do Governo, quando foi prefeito da outra vez, cometeu o maior absurdo que poderia ter cometido. A zona era no centro da cidade, onde dava muito mais renda do que aqui, na periferia, que fica distante, para prejuízo de todos, e de todas. Vocês mais antigos se lembram, e o quanto isso foi prejudicial. Mas vocês, mais novos, se não acreditam no que estou falando, perguntem para as suas mães e irmãs mais velhas, que eram quengas na Zona antiga...”.

Nem preciso dizer como terminou a história.

Antes de o pano cair, a conta do Hospital, com direito à estadia na UTI, foi paga pelo próprio candidato que, depois dessa, nunca mais apareceu em nenhum prostíbulo da cidade, para infelicidade de Mariinha Coxa Grossa; mas isso já é outra história...

Considerações sobre Aparecida

Em 1717, na cidade de Guaratinguetá, Estado de São Paulo, Brasil, após várias horas pescando sem resultados, três pescadores retiraram do rio Paraíba o corpo de uma imagem sem cabeça.
Em seguida, lançada a rede novamente, encontraram a cabeça da imagem. Surpresos, lançaram a rede pela terceira vez e a pescaria foi tanta que puderam encher suas canoas.
Esses três pescadores, Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso, limparam a imagem apanhada no rio e notaram que se tratava da imagem de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura.


Uma das coisas que me chama a atenção na história do encontro dessa bela escultura, se traduz em algo relacionado ao país onde foi e a época em que foi feita e encontrada.
Recordemos que nosso país, colônia portuguesa na época, era uma terra escravagista e não somente isso, era , por ser colônia, um local extremamente distante do sentido de liberdade.
À época, na Europa, estávamos no auge do movimento Iluminista, onde tínhamos uma efervescência cultural, com a tentativa da valorização do ser humano e o renascer das idéias científicas com afastamento da explicação religiosa cristão-judaica para a formação do universo e da humanidade.
Maria, mãe de Cristo, uma figura ímpar do Cristianismo, apresentava-se já como uma presença constante na formação religiosa na época.
A imagem de Nossa Senhora da Conceição desde o ano de 1646, era padroeira do Reino de Portugal, portanto extremamente conhecida pelos religiosos e pelo povo brasileiro naquela época.
O que nos faz supor que, por ser conhecida e ter uma “face” popular tanto em Portugal quanto na colônia brasileira, inspirava os católicos de ambos os povos em suas orações e promessas.
Num simbolismo extremamente condizente com a época em que foi encontrada, temos a imagem de uma Maria Negra, ou melhor, de uma Nossa Senhora da Conceição negra.
Isso me permite imaginar que o genial escultor, a tenha feito propositadamente como uma forma de protestar contra a escravidão absurda e violentamente contrária aos ideais humanistas e iluministas, assim como contrário ao conservadorismo da Igreja Católica naquele período da história.
Podemos imaginar também que, no interior de uma província como São Paulo, distante da capital colonial e basicamente rural, a descoberta de tal escultura seria equivalente a condenação à morte.
A destruição e a “eliminação” das provas, ou seja da escultura seriam a única alternativa para que o escultor não fosse condenado à morte, pela Inquisição Católica por heresia, e pelo Reino de Portugal.
Os fatos que decorrem disto, demonstram que, realmente a Igreja Católica passou a fazer do “limão, a limonada”; ou seja, utilizou-se do encontro da maravilhosa estátua, no seu sentido representativo de liberdade e de igualdade, para torná-la em “abençoada”.
Tempos depois, um compositor se utilizou da imagem dos “Anjos negros” para fazer um protesto equivalente.
O que podemos dizer é que, a Estátua de Nossa Senhora da Conceição Negra, traduz uma fantástica expressão de protesto contra o Conservadorismo Católico e a favor da igualdade entre os povos.
E, demonstra como um escultor ou melhor, um corajoso e anônimo libertário, escapou da morte e teve transformada, pela própria Igreja que criticava, sua obra em PADROEIRA DO FUTURO PAÍS QUE NASCIA, perto dali, nas margens do Ipiranga...

SER FELIZ

A vida traz um sonho: e ser feliz nos parece tão distante, mas a resposta está dentro de nós mesmos, a partir do amor, do perdão e da liberdade.
somente com estes três fatores podemos alcançar a plenitude, exercite-os e passarás a ver a vida com mais sobriedade e tranquilidade.
a felicidade não combina com os anseios, os rancores e muito menos com a falta de amor.
mantenha a cabeça erguida e o coração aberto ao que vier, nem sempre o novo é sinônimo de melhoria ou de piora, simplesmente é o que existe e tu tens que se adaptar a ele, pois ele é mais forte que as tuas ideias e o mundo não será jamais conforme tu queiras
aceite-o e, mesmo assim saiba que ele não é teu, pois apesar de cíclico ele se renova.
Aceite as diferenças e aprenda com elas, é melhor, mais construtivo e mais fácil que tentar usar uma roupa que não te cabe mais.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

EXPLOSÃO - DUETO DE EDIR PINA DE BARROS COM MARCOS LOURES

Vulcânica explosão dita o prazer
Que sobre a tez em lavas se derrama,
Mantendo incandescente a forte chama
Do amor que dentro em nós nos faz viver.

Dita o prazer vulcânica explosão
Que irrompe em nossos corpos orvalhados,
Loucos d’amor, os dois entrelaçados,
Na força da volúpia e da paixão.

Murmúrios d’emoção que, das gargantas,
escapam a traduzir carícias tantas,
na intimidade morna de nós dois.

Nós, lânguidos amantes desmedidos,
Olhamos, um ao outro, enternecidos
Entregues ao silêncio do depois.

Edir Pina de Barros

O sonho mais audaz se faz assim
Enquanto o dia a dia me inundando
Da fúria em prazer se revelando
Vivendo o quanto possa dentro em mim,

No quanto meu caminho traz enfim
O sonho no teu corpo tatuando,
Meu verso pouco a pouco te entranhando
O encanto mais audaz nosso jardim.

Na polinização em rara luz
O mundo que ao teu passo me conduz
Encontra nos teus braços o que um dia

Meu canto se inundando de emoção
Os dias mais felizes mostrarão
O quanto deste encanto amor traria.

AMAR-TE SEM RECEIOS DUETO DE EDIR PINA DE BARROS E MARCOS LOURES

Vou cochichar baixinho em teus ouvidos
Falando-te de amor dos mais ousados,
De meus desejos loucos, sufocados,
Do quanto tu me roubas meus sentidos...

E co’s meus lábios já nos teus pousados,
Vou te fazer carinhos atrevidos,
Daqueles dos mais loucos,desmedidos,
Nos seios teus pequenos, delicados...

Eu vou amar-te sem receios, medos,
E sem pensar em nada teu serei
Como ninguém jamais me teve a mim...

Eu beijarei teus lábios cor carmim,
Do modo mais ousado amar-te-ei
Desvelarei teu corpo e seus segredos!

Edir Pina de Barros

O sonho que permita esta loucura
Que agora nos invade plenamente
E o tanto que de fato se apresente
Moldando esta emoção que assim perdura,

Vagando pela noite em tal brandura
O quanto se anuncia e se pressente
Na lúbrica emoção, no amor que sente
A senda mais audaz, voraz candura.

Teu corpo no meu corpo uma invasão
Provoca no final esta erupção
Vulcânica fartura em tanto gozo,

Num ato mais sublime e sensual
Profana maravilha que carnal
Permite este cenário majestoso...

NOSSO CANTO DE AMOR - DUETO DE EDIR PINA DE BARROS E MARCOS LOURES

Que vale a vida sem ti, ó, morena!
Sem teus abraços mornos que me enlaçam,
Os teus olhares que os meus embaçam...
Tem dó de mim! Morena! Oh! Tem pena!

Só tu me trazes paz, que é doce, amena,
Não sinto nem as horas que se passam,
Se teus olhinhos me procuram, caçam...
E sinto teu cheirinho de açucena!

Há tanto tempo que sozinho espero...
Deixa de lado teu jeitinho austero,
Desnuda-te de tudo! De teu pejo!

Morena que eu canto e que versejo,
Dá-me o amor! Vem! Mata meu desejo!
Porque ninguém te quer como te quero!

Edir Pina de Barros

Desejo o teu desejo como possa
A vida ser decerto muito além
Do sonho que em verdade quando vem
Transforma toda sorte, fosse nossa,

No encanto onde teu corpo já se apossa
Deste cenário raro feito em bem
E nisto o quanto queira e nos convém
Deveras nem o tempo mais destroça,

Eu quero o teu querer amado meu,
Meu mundo no teu mundo conheceu
O quanto deva enfim ser mais feliz,

Ascendo ao paraíso que me dás
Na orgástica loucura feita em paz,
O tanto que desejas; sempre eu quis...

AMANTES DUETO DE EDIR PINA DE BARROS E MARCOS LOURES

Oh! Minha amada! Que tristura sinto!
É grande a solidão que em mim s’aninha,
Andando ao léu relembro que eras minha,
Das horas de prazer, do vinho tinto.

Tu sabes que tu és minha rainha,
Sem ti a minha morte eu pressinto
E vago neste escuro labirinto,
Sentindo o próprio fim que s’avizinha.

Não sei viver sem ti, ó, minha amada!
Pensando em ti eu passo a madrugada
E assim me morro à míngua, meu amor.

Tu és razão de meu viver, querida,
E entrego em tuas mãos a minha vida
Porque és minha vida, minha flor!

Edir Pina de Barros

Amado quando vejo em teu olhar
O sonho mais suave e mais audaz
O tanto que esperança a vida traz
Permite neste instante mergulhar,

Melífera expressão de céu e mar,
O mundo que deveras satisfaz
Pudesse plenamente ter na paz
O quanto em ti procure revelar,

Nas tramas e nas chamas mais vorazes
Razão para viver, e tanto fazes
Que a vida em novas fases renascesse,

Do sonho mais sutil que me entranhasse
O raro amor ditando o desenlace
No quanto nosso sonho oferecesse.

Da peleja do diabo com o dono do céu...

Tenho visto e ouvido muita coisa do que resolveram chamar “gospel”.
Realmente, algumas músicas que recebem a alcunha de “hinos” têm alguns aspectos interessantes, porém a maior parte é intragável.
Alguns cantores de segunda e terceira classe, vendo que a carreira estava já totalmente acabada, reencontraram nesse vasto mercado uma tábua de salvação.
O interessante é vermos que, segundo alguns religiosos mais xiitas, tudo aquilo que não for “hino” não pertence a Deus e, portanto não deve ser ouvido. Uma música de altíssima qualidade, como uma Rosa de Hiroshima, bela homenagem à paz, deve ser colocada de lado, enquanto hinos fantasmagóricos são cantados com todo o fervor.
Um dos temas mais freqüentes dessas cançonetas é a eterna guerra do bem contra o mal.
Os cantores se colocam à disposição de Deus num imaginário duelo, composto de lanças e dardos contra os temíveis tridentes diabólicos.
Tal qual um cavaleiro andante quixotesco, os “heróis” se unem para vencer os “moinhos de vento” demoníacos.
As letras, de baixíssima qualidade tanto poética quanto de louvor, demonstram o caráter belicoso que é dado pela maior parte das Igrejas a religião.
As centenas de demônios que habitam as cabeças mais influenciáveis dessa turma, permite-me uma visão medieval da vida.
A luta interna que temos, a cada momento, nas escolhas da vida, entre as opções que poderemos seguir, passa a ser vista como uma terrível peleja entre o diabo e o dono do céu.
A visão cristã de pacificidade e perdão passa a dar lugar a uma visão judaica de luta entre um povo escravizado e suas lendas de heroísmo utópico e não comprovado, praticamente lendário.
O “heroísmo” judaico tão propalado e nunca comprovado historicamente, passa a ser visto pelos visionários dessa “nova era medieval” como verdade absoluta e inconteste.
Temos nas canções aberrantes e berrantes, muitas das vezes, histórias que remontam a idade das trevas.
Como se Jesus, ameaçado, preso e torturado até a morte pelos romanos e pelos judeus não tivesse pedido perdão por esses. Como se Ele tivesse conclamado algum exército sobre ou supranatural para defendê-Lo.
Ora bolas, tal deturpação do que seja cristianismo seria cômica, se não fosse trágica.
A criação destes dragões nas cabeças despreparadas e incultas, pode levar à formação de milhares de São Jorges radicais e tresloucados.
Pode-se imaginar até na possibilidade da conclamação a um exército de radicais cristãos, tão medonhamente assustador quanto o islâmico ou de qualquer outra religião.
A educação, somente esta, levada a sério, e com características de formação de personalidades mais livres e pensantes, é o antídoto natural contra qualquer tipo de desvio incoerente do pensamento e da filosofia.
A cantoria dos tempos do feudalismo, podem gerar distorções graves que devem ser evitadas e, acima de tudo, condenadas.
O risco existe e deve ser tratado com alguma seriedade, senão poderemos ter uma repetição dos desvarios islâmicos e japoneses. Os kamikazes cristãos não são somente figura de retórica. Atentai...

Do Deus Aspirina ou das Sanguessugas de Cristo

Uma das coisas que tem me chamado a atenção nos programas religiosos que abundam e invadem a maior parte dos canais abertos de televisão, além dos canais pertencentes a Igrejas, inclusive a católica, é a existência de “milagres”, constantes e diários.
Os ditos milagres ocorrem a todo momento , com extraordinária freqüência. Em alguns programas evangélicos e católicos a existência deles chega a cifras recordes.
E esses milagres são das mais variadas espécies. Temos para todos os gostos e preferências.
Há milagres relacionados à vida financeira, inclusive com casos de recuperação econômica ou ganho nas loterias que, de demoníacas, passam a ser operadoras sob os auspícios dos mais diferentes “santos”.
Há os milagres de ordem familiar, em que a “impactação” divina leva a alcoólatras pararem de beber, prostitutas deixarem de se prostituir, drogados pararem de se drogar; como se para que tais fatos ocorrerem, ser necessário somente o auxílio direto dos deuses.
Um sem par de demônios invade cada templo ou Igreja, sendo raros nos locais onde poderiam ser mais comuns, como nos prostíbulos, nos bares, nas casas de comércio, de câmbio ou até mesmo no Congresso Nacional.
Quem quiser ver um demônio de perto, é só freqüentar algumas de nossas igrejas que, por certo, lá encontrará demônios, capetas, “inimigos” em profusão.
Creio que algumas denominações colocam a palavra “Deus” na porta dos seus templos, para que o visitante tenha certeza de que aquela é uma casa de Deus, embora a quantidade de vezes que se fala em “diabos”, leve o incauto a pensar exatamente ao contrário.
Num dos programas mais conhecidos de televisão, repetidos diariamente em vários canais, além do canal pertencente à Igreja em questão, tenho constatado a presença do “Deus Aspirina”.
Pouco antes de pedir dinheiro, situação em que o pastor em questão é mestre, o dito cujo inicia uma sessão de “milagres” no mínimo estranha.
Após “ordenar” que os demônios das doenças abandonem “os corpos” dos doentes, em nome de Deus (embora pareça que Deus seja nada mais nada menos que um empregado ou serviçal de tal pastor), ele pergunta quem se “curou”.
Aí se inicia um tal de curas de dor no ombro, dor no braço, dor na coluna, dor de cabeça, dor... Ou seja, nada mais nada menos do que os “milagres” realizáveis pela Aspirina ou por outro analgésico qualquer.
Sinceramente, nos meus vinte anos de medicina, não presenciei nada que não possa ser explicável pela Ciência. Isso não quer dizer que não existam milagres, mas não os vi.
Obviamente alguns irão me dizer: “A culpa é sua, porque não tens fé bastante para vê-los”.
O problema é que se eu não obtiver o resultado esperado com um tratamento científico, não caberá tal desculpa.
A falta de fé é a justificativa para o fracasso. Bela e confortável desculpa...
Pois bem, após a sessão de milagres aspirínicos, tal pastor “passa a sacolinha”, cobrando muito mais caro pelas “curas” do que um médico recebe do SUS pelo mesmo serviço, isso incluindo o analgésico.
Tenho observado, com temor e indignação, muitos pacientes abandonarem o tratamento por causa desses “milagreiros” de meia tigela. Recordo-me de uma criança diabética, insulino dependente que um bem intencionado imbecil, semi-analfabeto, mas treinado por uma ala da Igreja Católica, na arte de “passar um ferrinho” e diagnosticar, tratando em nome de uma tal “medicina natural”, quase matou quando suspendeu a insulina e passou a mandar a menina tomar chá de “pata de vaca!”
Se não fosse a intervenção rápida e eficaz de um pediatra, a menina teria morrido, graças ao estímulo de setores da Igreja Católica a um tipo de “pais de santo” e raizeiros e benzedeiras tão maléficos quanto irresponsáveis.
Aliás, há uma cultura disseminada de que: Pai de santo cura, pastor cura, padre cura, e médico mata.
O pior é que esses facínoras travestidos de religiosos não têm responsabilidade legal pelos seus absurdos crimes, todos “bem intencionados”. O que me permite afirmar que de boas intenções, o inferno está cheio.
Aproveitando-se do baixo nível cultural do nosso povo, aliado à esperança tresloucada dos desesperados, milhares de entidades e estelionatários se enriquecem, enquanto a saúde pública vai ficando, cada vez mais pobre.
É necessária uma atitude firme e contínua contra esse tipo de charlatanismo que impera nos nossos meios de comunicação. As televisões são concessões públicas, e não podem ser utilizadas desta forma que, além de desinformar, ainda coloca a saúde do povo em risco.
Setores da imprensa colaboram para que isso ocorra, por omissão e medo, já que, dentre as principais redes de televisão e rádio nacionais, têm, na sua base de patrocínio e de “sublocação” da concessão pública, várias Igrejas e “pastores”.
Essa vergonhosa agressão ao povo mais humilde e sofrido, roubado duas vezes, tanto na negativa do poder público de repassar os impostos pagos em ações mais amplas de saúde, quanto na exploração criminosa, através das “dádivas”, “contribuições”, etc. que suplantam, em muito, os dízimos devidos a cada Igreja.
Tudo bem que isso ocorre em todas as camadas sociais, mas estelionatário que explora a pobreza e a miséria é um tipo de criminoso asqueroso e não terá perdão nenhum, nem aqui nem no Céu, pois esses exploradores do corpo sofrido de Jesus e vendilhões das casas de Deus fazem parte de um dos piores tipos de criminosos que pode haver, os sanguessugas de Cristo.

O TEU SABOR - DUETO COM SOL FIGUEIREDO

Quero o sabor da tua doce boca,
Que sempre me deixas assim louca,
Esquecendo de mim, cabeça oca,
Quero te amar até ficar rouca!

Sol Figueiredo

O amor que nos domina e assim procede
Tomando sem temer o quanto havia
De sonho, muito além da fantasia,
No tanto que deveras não se mede,

O sonho quanto em canto se concede
E nisto se moldara a sintonia
Que possa nos trazer a melodia
Aonde todo encanto em luz se enrede,

Mergulho neste sonho de cabeça
E nada do que possa além mereça
Senão esta certeza que ora trago,

De um passo mais suave e mais sereno
E nele cada verso eu concateno,
Buscando pelo menos um afago...