sábado, 2 de junho de 2012

SEM DEFESAS

SEM DEFESAS

No tabaco que fumo; tua imagem
Erguendo-se em fumaça. Sensação
De ter na solidão, uma miragem
Formando uma fantástica emoção.
Tomar em tuas mãos esta mensagem
Que traça em nosso sonho, a direção...

Percebo que em teus olhos, timidez
Impede que sejamos mais felizes...
Não quero te entornar a sensatez
Nem quero que tu mudes teus matizes,
Nem perca por segundos, lucidez.
E creio, meu amor nisso que dizes:

Que amar é se entregar sem ter defesas.
Seguir, nunca temendo as correntezas...

MARCOS LOURES

OLHANDO PARA FRENTE

OLHANDO PARA FRENTE

Quando vou para o pampa levo o sol
Das minas que ficaram para trás,
Olhando para frente, um arrebol
Distante do caminho que perfaz
O sonho de quem fora girassol
Agora noutro mundo busca a paz...

Vencido pelas léguas, no cansaço,
Abertas estas trilhas em torturas,
Caminho mais liberto em cada passo,
Deixando para trás as amarguras.
Fazendo da amizade, novo laço
Banhado no raro ouro das ternuras.

Refino desta forma, canto e brio,
Na esperança de ter eterno estio...

MARCOS LOURES

NÃO ME BASTA FALAR

NÃO ME BASTA FALAR

Não basta-me falar em versos tantos
Do amor que procurei e não me deste.
Diversos nossos mundos, desencantos
Servindo como mantos, minhas vestes.
Soltando meu cantar por outros cantos
Os gritos que soltamos, mais agrestes...

Não quero o que pareça ser verdade
Ou mesmo no que tenho como farsa,
Se temos sentimento em lealdade
A velha roupa gasta não disfarça
O medo do futuro em liberdade,
Talvez já seja o rumo que se esgarça.

Amar é conviver, disto estou certo,
Matarei minha sede em teu deserto?

MARCOS LOURES

EXTASIADO

EXTASIADO

A flor que um dia renasceu feliz
No peito de quem teve todo o amor
Num átimo se adere em cicatriz
Tomando todo o corpo, sedutor.
Fazendo deste corpo o que bem quis,
Escravo sem juízo desta flor...

Bebendo cada gole desta história,
Revendo o que passou, passo por passo,
Amar é reviver, guardar memória
Do que já se perdeu em rumo, espaço,
E reverter a dor em fina glória
Na devoção sincera de um abraço...

Assim comigo foi, flor do cerrado,
Meu verso se mostrando extasiado...


MARCOS LOURES

sexta-feira, 1 de junho de 2012

UM SONHO QUE NÃO PASSA

UM SONHO QUE NÃO PASSA

Que fazer deste sonho que não passa,
Persegue cada passo e não se espanta.
A sombra de teu corpo não disfarça,
E na soma diuturna se agiganta.
Parece que minha alma sempre caça
Na fúria desejada, sempre tanta...

Infernos que se fazem paraíso,
Em lendas se ministram meus temores.
O verso mais rotundo e mais preciso,
Se embala nestes círculos de horrores.
Restando tão somente meu sorriso
Que sente, entre os demônios, meus amores...

Arcanjos e diabos sem perdão
Revezam nos domínios da paixão...

MARCOS LOURES

VOLTANDO PARA CASA

VOLTANDO PARA CASA

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda...

Pablo Neruda


Voltando para casa, tão cansado,
Desta labuta imensa, dia a dia;
O sonho tão distante, inalcançado,
Porém minha alma nunca se esvazia..

No sangue e no suor, sempre banhado,
Uma esperança teima. É fantasia...
Do amor que é tão sublime derramado
Nas lágrimas vibrantes, na alegria...

Embora mal disfarce a decepção
Persisto nesta luta. Se é inglória
Nem por isso dispensa esta paixão

Dos olhos que apascentam, mas não calam.
Minha amiga, nas mãos a nova história
De que estas Escrituras tanto falam...

MARCOS LOURES

RECOMEÇAR

RECOMEÇAR

E disse-lhes também uma parábola: Ninguém tira um pedaço de
uma roupa nova para a coser em roupa velha, pois romperá a nova
e o remendo não condiz com a velha.


Evangelho de Lucas
Cap 5 vers 36

Amigo, tantos erros cometidos
Impedem se pensar que a solução
De todos os problemas envolvidos
Seja dada por velha explicação.

Os tempos que se passam, corrompidos
Em bases tão cruéis; escravidão,
Impedem que outros dias construídos
Demonstrem o caminho e direção.

Recomeçar em bases mais saudáveis
Caminhos que nos tragam igualdade.
Criando assim pessoas mais amáveis,

Desigualdades são insuportáveis,
Um novo mundo pleno em liberdade
Na fonte insuperável da amizade!

MARCOS LOURES

VIESTE EM SALVAÇÃO

VIESTE EM SALVAÇÃO


Eu perdi o meu coração no empoeirado caminho deste mundo;
Mas tu o tomaste em tuas mãos.

RABINDRANATH TAGORE



Vieste em salvação para estas dores
Que tanto maltrataram meu caminho;
Perfumes se perdendo, deixam flores,
Sobrando tão somente cada espinho.

Meu rumo empoeirado, sem ter cores,
Vagando bar em bar, sempre sozinho.
Na busca de outros portos redentores.
Vazio o coração, perdendo o ninho...

Depois de esfacelado pela vida,
Marcado em tão profundas cicatrizes,
Sem ter nem solução, sem ver saída

Chegaste calmamente e com cuidado;
Mostrando-me outros dias, mais felizes,
Nas mãos, um coração empoeirado...

MARCOS LOURES

ETERNO AMOR

ETERNO AMOR

Em tudo está tua lembrança,
Na chuva e no sol,
Nos passos nas escadas...
Como uma noiva eu cheguei, há muito tempo,
Os seixos nas trilhas,
E as ruas de muitas cidades,
O caminhar em teus belos jardins,
Cada flor e rosa e árvore...

RÚHIYYIH RABBANI



Tua lembrança existe em cada passo
Que dou nesta procura insaciável,
Nas horas mais difíceis, no cansaço;
Em toda plenitude, insuperável

Resides no meu rosto, em cada traço.
Na lua, chuva e sol, quase tocável.
Nas ruas, campos, trilhas, praça e paço.
Em cada sentimento imaginável...

Eu sinto o teu perfume em cada flor.
Nas árvores, seus galhos, na floresta.
Por onde meu caminho simples for.

Na página esquecida que me resta,
Na voz que uma emoção sempre se empresta,
Tua lembrança vive. Eterno amor...

MARCOS LOURES

OS ÓIO DA SÔDADE

OS ÓIO DA SÔDADE

Nus óio dessa sodade,
Preguntei móde sabê
Adonde a felicidade,
Pudia mió se escondê,
Num incontrei a resposta,
Prá pregunta qui eu fiz,
Pois, di mim, sodade gosta,
Sem ela, num sô filiz...
Travei briga com Maria,
Joaninha me dexô,
Chorei de noite e de dia,
Sodade do meus amô...
Minha casa lá pur riba,
Naquele canto de morro,
Quando a sodade s’arriba,
De vórta, prá lá eu corro...
Minha mãe dexô tristeza,
Quando Deus, triste levô,
Tanta dor, que marvadeza,
Sodade foi que restô...
Faz treis meis que nunca chove,
Nessa terra, sô dotô,
A sodade me comove,
Meu canto só sabe dô...
Nu mei dos espin da vida,
A sodade machucô,
No amô, na dispidida,
A sodade é uma frô...
Os espin que ela carrega,
São por Deus, abençoado,
A sodade faiz entrega,
Nesses peito apaxonado...
Fiz cabana de sapé,
Pra morá com meu amô,
Mas, leite sem tê café,
Sodade foi que restô...
Vida sem sodade, cansa.
É cavalo sem arreio,
Sodade, no peito avança,
Trazeno a lua, no seio...
Quano pito meu cigarro;
Da páia do mío, feito.
Na sodade, eu me agarro,
Martrata cumo malfeito...
Minha Rita é tão bunita,
Prefeita cumo uma frô,
Sodade meu peito agita,
Ao ti vê, bem disparô...
Rélojo contano as hora,
Trais sodade sem ter pressa,
Meu amô, já foi-se embora,
Coração bateu depressa...
Vi meu bem saindo fora,
Me dexô na solidão,
Quê que vô fazê agora,
Sodade no coração...
Vórta pra mim, querida,
Num me fais ingratidão,
Sem ocê, a minha vida,
De sodade, vale não...
Meus óio anda tristonho
Pércurando pur vancê,
Tenho sodade do sonho,
Onde pudia eu te vê...
Sodade é coisa facêra,
E besterenta tômbém,
Vivi minha vida entera,
Com sodade desse arguém...
Vento balança o teiádo,
Onde fiz minha chopana,
Sodade quema um bucado,
Arde qui nem taturana...
Se tenho medo da vida,
Da morte num tenho medo,
A sodade dói doída,
Mas dela, sei o segredo...
Sodade faiz tempestade,
Dirruba casa e barraco,
Como dói a tar sodade,
Parece chute no saco...
Eu rezei prá Santo Antoim,
Prá móde pudê casá,
Finar de tudo, foi soim,
Só sodade vai restá...
Tenho sodade num nego,
Essa é a maió certeza,
Sodade cravando o prego,
me furano de tristeza...
Pedi perdão pru meu Deus,
Pulos pecado que tive,
Sodade, nos óios meus,
Em cada lágrima, vive...
Mardiçoei minha sorte,
Foi o que eu pude fazê,
Bejo de sodade é morte,
é parti sem tê vancê.

MARCOS LOURES

NÓIS TUDO SEMO ÉRMÃO

NÓIS TUDO SEMO ÉRMÃO

Seu moço, por caridade
Escuta esse povo sofrido
Que vive nas tempestade,
Trabaia quar desgraçado
Pelos mata e nas cidade.
Esse povim sem parage,
Vivendo sem amparage
Dos home de capitár.
Eles chinga nóis de tudo
Quanto ruim há no mundo.
Chama nois de vagabundo
Que nois semo anarfabeto
Que nois semo cachacero,
Que num pode dá denhero,
Pra móde sobreviver,
Essa raça de safado
Desses pobre desgraçado
Que róba mais que ladrão.
Eles conta a mentirada
Pois num cunhece uma inxada
Nem sabe o valô da gente,
Pru mais que o mundo comente.
Nóis num passa de pilantra
Nossos fío, qui nem pranta
Num percisa de comida.
Essa gente é convencida
E não cunhece nois não
Não sabe o valô da vida
Sufrida nesse sertão.
Nem anda nesses comboio
Quar boi em canga marcado
Que anda dependurado
Nesses trem cá da cidade.
Nos otromóve eles passa,
Nem percebe os coletivo
Cheios desse bicho vivo
Que eles cunhece pur massa;
Trabaindo todo dia
Pra pudê dá mordomia
Presses homê, prus dotô
Nóis semo quem aproduz
A cumida que eles come
Apois veja, a própra luz
Que alumia bem os home
Se num fosse os disgraçado
Se num fosse o seu trabáio
Já tava tudo apagado,
Queria ver nos atáio
Dessa vida, vivo táio,
O rumo que eles tomava,
Quem sabe se eles paráva
Nus beco onde a gente véve
Onde não há quem se atreve
A chamar de residença
Chei de criança e doença,
Pra podê tê consciença
Da vida que leva a gente
Dexava nois té contente
Preles pudê aprender
Que num basta sabê lê
Pra se dizê sabedor
Que é percizo munto amô
E bem sei, que só merece
Amor, quem se conhece
Que num sabe conhecê
Aquele que nunca viu.
Portanto, moço seria
De munta serventia
O sinhô pode passá
Pobreza só pur um dia
Pra mode valorizá
O trabái de nossa gente
Quem sabe, ansim seu dotô
Havéra de valorá
Esse povo brasilero
Ia aprender mais, garanto
Que nos livro lá da escola
Nóis só presta em feverero
Ou se for craque de bola
Aí vanceis acha bão
Inté pága pra nus vê.
Nossas fía mais bunita
Tumbém serve pra vancê
Nas buate mais perdida
Mais se incontra pra valê
Com home de capitar
Pra servi de companhia,
Mas mar amanhece o dia
Tudo vorta como era antes
Dispois vem esse disprante
De chamá di inguinorante
O povo mais umiádo
Nois tudo semo safado
Na vóis desses doutô
Se esquece que nois é home
Nem percebe se nois come
Se nossos fío tem fome
Isso nem lembra o sinhô
Na hora dos seus projeto
Nois semo tudo uns inseto
Sirvimo pra atrapaiá
Sirvimo pra trabaiá
Pra alimentá os dotô!
Intonces já me vô indo
Pros sertão to retornando
Pras favela vô saino
Meu tempo ta se acabano
Vo vortá pro meu roçado
Ou então pro meu serviço
Passa dia mês e ano
O carro num anda, enguiço,
Já faiz tempo tá parado.
Mais ficaria contente
Se oceis perduasse a gente
Num custa perdão pedido
Perdoa por ter nascido
Um fío meu lá em casa
Que, pros óio dos doutô
Foi feito por descuidado
Nasceu fruto do pecado
Da inguinorança da gente
Mais me dexô bem contente
Esse meu menino amado
Que é fruto de munto amô.
Que nois pobre, tombém ama
Embora oceis me parece,
Num cridita nisso não
Nóis tudo fais nossa prece
Nóis tombém somo cristão.
Fíos do mesmo Sinhô
Que morreu, naquela Cruz
Que foi feito cum amô
E era pobrinho, Jesus.
Então pense por favô
Nu munto que se ensinô
O Pai de todos os home
Dos que come e que tem fome
De todos sem distinção
Que nois tudo nessa vida
Por mais que seja doída
Por mais que seja distinta
Diferente em sina e tinta,
NOIS SEMO TODOS ÉRMÃO!

MARCOS LOURES

EU NÃO TE QUERO...

EU NÃO TE QUERO...


Eu não te quero, apenas te desejo,
Na minha solidão, guardo teu beijo.
Um retrato deixado na parede...

Tantas vezes sonhei, mas nem recordo,
Apenas navegar, contigo a bordo.
A garrafa demonstra minha sede...

Eu já não mais anseio, nem quero ter,
Tanto me faz ganhar ou te perder.
Quem sabe, poderei me libertar.

Cada momento segue sem depois,
Não quero mais teus beijos, um ou dois.
Talvez Deus permitisse, enfim sonhar..

MARCOS LOURES

POR NÃO SABER

POR NÃO SABER

Por que não sei falar dessa maneira,
Usando os verbos vagos, virulentos,
É que perdi meu tempo, uma bandeira,
Desfraldada por sobre os excrementos
De quem tentou ferir sobremaneira
A quem amara, em todos os momentos.
A vida me ensinando não temer,
Eu vou correndo sempre, mas por quê?

Quis tragar melodias e senzalas,
Não pude mais conter esse chicote.
Mas as costas lanhadas onde exalas,
Não me deixam sinal, quebrei o pote...
Traduzindo seara, levo malas
Em busca da saída, vou a trote.
Mas queria viver teus novos dias,
Nas nocivas franquezas que medias...

Num ato de belíssima vontade,
Misturando, sagaz, novas cantigas.
No que não poderemos crer saudade,
Eram senão pedradas mais antigas.
Coram, cegam, feroz realidade.
Queimando como fosses tais urtigas,
As que n’alma repetem cantinelas,
As mesmas que quisemos, serem delas...

No meu karma sei pétrea solidão,
Onde navegaria tantos portos.
No dizer sim, queria tanto o não,
Carregando por certo, velhos mortos.
Na melhor melodia que verão,
Perderei tantos rumos, que sei tortos.
Minha lança, lanceta e confraria,
Nos bares e botecos; dê sangria...

Capuccino, cachaça, chá e mate,
Novos sabores, fluidos paladares;
Da vida sempre torta, um arremate.
Nos teus olhos repletos dos altares,
Brilham loucos fantasmas do combate...
Revejo minha triste lucidez
Quem me dera perder a minha vez...

Pus e sangue, mistura delicada,
Que, emanando de todos os meus dedos;
Fazem-me saber, como está errada
A vida que criei de meus segredos.
Quando permiti noite, madrugada,
Deixei armazenados os meus medos...
Num quero nem concebo liberdade,
Vagando pelos parques da cidade...

Nascido nessas terras das Gerais,
No que pude sentir, foi tudo a esmo.
Não temo nem tempestas, vendavais,
Criado, de cedinho, com torresmo.
Em meio a cercanias sem jornais,
Aos olhos dessa noite, sou o mesmo...
De pequeno, nutrido com coragem,
Desse rio, conheço fundo e margem...

Fui ninado com sangue e com melaço,
Rasguei no mundo berro e valentia.
Peito duro, mineiro, ferro e aço,
Criado a tapa, restos, serventia...
Força nos olhos, pernas e no laço,
Por onde acordei, vida sem valia.
Traquinagem, comer sem saber faca,
Beber da fonte, tetas dessa vaca...

Orgasmos madrugada, tua saia...
No canto, no curral, em pleno mato,
Nem sei de mar, vivendo minha praia
Na beira doce, peixes no regato...
Em plena confusão, rabo d’arraia,
Na morte fiz carinho, sei dar trato...
Quebrando minha perna, sem ter pena,
De longe, traz as pernas da morena...

Vadio violão foi meu resgate,
No colo dessa serra, serenata...
Saudade faz que mata, dá empate,
Menina, levantei a tua bata...
Preciso, cafuné, qu’alguém me trate,
Eu quero te lavar nessa cascata.
Jogando nessas pedras da ribeira,
Teu corpo, penetrando-te, mineira...

Costeleta da Serra D´Espinhaço,
Fiz cabelo, bigode e barba, tudo...
Eu quero me deitar no teu cansaço,
Guardando meu diploma, meu canudo,
Em meio a tuas pernas, teu regaço...
Entrando mais calado, saio mudo.
Talvez me guardes todos os mistérios,
Nem temo teus amores, nem venéreos...

Cresci sofrendo tapa e pescoção,
Na lida atroz, enxada e cavadeira.
Nos brejos, sem temer por podridão,
A vida foi completa escarradeira.
Vacina de menino, de peão,
É feita de porrada, a vida inteira...
Das vespas que mordiam, fiz meu mel,
Da lida mais difícil trouxe céu...

Meu medo foi ter medo de lutar,
Não quis compressa, quero bisturi.
Cada ferida nova que brotar,
Capítulo relido que vivi...
Somente meus, serão; velho luar,
Os olhos dess’amor que já perdi...
Capricho sem temer, por resultado,
Os cortes que sangrei, apaixonado...

Recebendo a herança mais maldita,
O traste que pariu minha cadeia;
Não queira meu Senhor, que se repita,
A bosta que transcorre em minha veia...
Minha mãe, talvez, fosse mais bonita,
Se não tivesse sido uma sereia...
Que o boto mais pilantra desse mundo,
Safado caboclim, um verme imundo...

Criado sem ter beira nem paragem,
Escravo desd’o dia de nascido.
A vida preparou a sacanagem,
Bem no olho dessa serra, fui cuspido.
Quase que me perdi na traquinagem,
Mas, embora isso tudo, fui crescido...
Vômito de mendigo esfomeado,
Coragem coração, fez cadeado...

Meu cigarro da palha mais curtida,
No milharal da vida, colhi nada.
Serei por certo, servo e despedida
Nunca saberei sorte e tabuada,
Mas não reclamo nada dessa vida,
Estou vivo, e se dane essa embolada.
Na poeira joguei nome e meu futuro,
A morte me espreitando ‘trás do muro...

Fiz cósca em cascavel, minha tapera,
Tem as portas abertas para a morte.
Não temo solidão, nem bicho fera;
Eu queimo, em toda curva, a minha sorte.
Cachaça com limão, vida tempera,
Bem no meu coração, de grande porte,
Cravei as verdadeiras, duras, garras.
Não quero mais saber dessas amarras...

Veloz, eu fugirei dessa saudade,
A saudade de nunca mais ter sido.
A saudade feroz, felicidade,
Que nunca mais terei, nem conhecido.
Oprime o peito, face essa verdade,
A de não ter, jamais, nem ser nascido...
Queria, por momento simplesmente,
Um segundo sequer, me sentir gente...

MARCOS LOURES

QUANDO...

QUANDO...

Quando o amor te acenar, segue-o,
ainda que por caminhos ásperos e íngremes.
E quando suas asas te envolverem,
rende-te a ele,
ainda que a lâmina escondida sob suas asas possa ferir-te.

Khalil Gibran


Por mais que sejam duros os caminhos
Nas íngremes montanhas, no deserto.
Por mais que as rosas tramem seus espinhos
Se o amor chamar, esteja sempre perto.

Nos passos que darás; os fundos cortes
Não sejam empecilhos para a luta.
Os brados de um amor são sempre fortes,
Resistem à tortura e à força bruta.

Se entregue totalmente ao bom do amor,
Pois mesmo que te traga uma ferida,
É nele que se encontra o grão valor
Que torna bem mais útil nossa vida.

Perceba que estas urzes que virão
Se calam com a força do perdão...


MARCOS LOURES

NÃO CABE EM SI

NÃO CABE EM SI

Amor não cabe em si, nem quer resposta,
Se expandindo noutra alma, se completa.
Amor é divindade pura, exposta,
Que nele se fartando se repleta.

Amor não obedece regra ou lei,
Liberto não conhece escravidão,
Invadindo um plebeu o faz ser rei,
Cativo, já nos dá libertação.

Amar é conceber felicidade.
É dar sem esperar contrapartida.
É conhecer enfim toda a verdade,
É dar sentido pleno à nossa vida.

Fazendo deste amor uma bandeira,
A paz se faz eterna companheira...

MARCOS LOURES

SORRATEIRA

SORRATEIRA

No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
RABINDRANATH TAGORE

Quando chegaste, amada, sorrateira,
Mal percebi amor que me trazias.
Uma palavra amiga e tão certeira
Iluminava assim, todos os dias.

Uma esperança amarga e derradeira
Dormitava em meus olhos, fantasia.
Não notei que a palavra verdadeira
Se escondia em sorrisos de alegria.

Perdido, sem olhar por certo em volta,
Deixei de te sentir por tanto tempo...
Agora, tua mão de novo volta

E me acariciando tu sorris.
Após a tempestade em contratempo,
Ao ver brotar tal flor, fico feliz...

MARCOS LOURES

SENTIR TUA PRESENÇA

SENTIR TUA PRESENÇA

Sentir tua presença do meu lado
Em cada novo dia, amanhecer.
O vento que se foi de tão gelado
Contrasta com o sol que vai nascer.

Quem veio do silêncio do passado
Ouvindo o teu sussurro passa a crer
Na vida como um bem iluminado,
E sonha a eternidade sem temer.

As mãos tão delicadas, olhos mansos,
Sorriso que transcende e sempre acalma.
Na placidez serena dos remansos...

Sentir o teu afago, minha amiga,
É como libertar, apurar a alma,
E permitir que um sonho, enfim, prossiga...

MARCOS LOURES

AMORES DE OUTRORA

AMORES DE OUTRORA

No bimbalhar dos sinos me chamavas
À praça aonde em beijos desfrutávamos
De todo uma emoção sem medo ou travas
E assim, sem perceber quanto sonhávamos

O fogo adolescente, imensas lavas
Nos carinhos intensos que trocávamos
Dizias simplesmente o quanto amavas
E um mundo tão feliz já desfrutávamos...

Não sabia que os anjos, como os sinos,
Sorriam ao voarem sobre a praça.
Ao verem bem nos olhos dos meninos

Um brilho de ilusão e de esperança,
Que quando o tempo corre e a vida passa
Só restará nos cofres da lembrança.

MARCOS LOURES

ESQUECIDO...

ESQUECIDO...

E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis?
Também os pecadores amam aos que os amam.

Evangelho segundo Lucas
Capítulo 6
Versículo 36.


Ao ver tantas desgraças que acontecem
Percebo quanto o amor foi esquecido.
Bocas que se maldizem sempre tecem
Desculpas para ofensas. Esquecido
O povo que será dono do céu,
Tão maltratado morre em cada esquina.
Usando de artimanhas como um véu,
A mão que é tão voraz, já discrimina.
O triste, meu querido carpinteiro,
É vermos em Teu nome tanta farsa,
Quem tinha que ensinar ao mundo inteiro,
Odiando, simplesmente se disfarça
E grita contra irmãos, discriminando,
No desamor imenso, vão matando...

MARCOS LOURES

NO MESMO BARCO

NO MESMO BARCO

Estamos todos num mesmo barco, em mar tempestuoso, e
devemos uns aos outros uma terrível lealdade.
(G.K.Chesterton)


Amiga, nesta luta que travamos
Contra as injustiças desta vida.
Nos elos que felizes, nós criamos,
A solução se mostra na guarida

Que em conjunto sabemos que nos damos,
A voz que não se mostra dividida,
Não se submeterá aos torpes amos
Sabendo que unidade é a saída.

Não deixemos que o vento em tempestade
Nos cale ou intimide nosso canto,
Devemos entre nós a lealdade

Material que nos une em liberdade,
Tentando transformar em puro encanto
O brado que ecoamos, amizade...

MARCOS LOURES

QUANTO DESEJO O TEU CARINHO

QUANTO DESEJO O TEU CARINHO

Falar quanto desejo o teu carinho,
Deitado do teu lado, meu prazer.
Podendo totalmente te fazer
Gozar assim que esteja enfim sozinho

Contigo num recanto, nosso ninho,
Tocando esta nudez que quero ter,
Lambendo, te beijando, até verter
O mel que tanto quero, com jeitinho...

Sentir teus seios belos, minha boca,
Roçar teus pelos junto com meus lábios.
Deitar-te nos meus braços, voz tão rouca,

Gemidos e sussurros, noite inteira,
Nos dedos, olhos, mãos, que são mais sábios
Poder satisfazer-te, companheira...

MARCOS LOURES

CONVICÇÃO

CONVICÇÃO

Não me peças que eu mude meu pensar
Nem que assim eu cambie cada passo,
Amiga no futuro a te encontrar
Em cada novo dia, novo espaço

Do princípio ao fim sempre irei lutar
Sem medo e sem sequer saber cansaço.
De tudo é necessário despojar
Na breve sensação de cada abraço.

A luta deve ser sim, voluntária
Sem culpas ou prisões que nos detenham,
Por mais que a noite seja temerária,

O sol que brilhará nesta alvorada,
Permita que os desejos sempre venham,
Trazendo uma outra luz já renovada...

MARCOS LOURES

ESTA NOITE

ESTA NOITE

Estiveste ao meu lado nesta noite
Sentindo o teu respiro, adormeci,
A proteção divina nos acoite
Na luta que expressamos, por aqui.

Meus veros sentimentos, liberdade,
A voz não se cansou de repetir.
O que esta vida em gestos de amizade
A cada novo tempo vai pedir.

Nos olhos marginais, nossa bandeira,
Nos campos, nas estradas, nas vielas.
Na luta que se faz mais verdadeira,
Em todos os cortiços e favelas.

A luz de um novo tempo vai brilhar
Somente quando a fome se aplacar...

MARCOS LOURES

UMA ESTRELA CAÍDA

UMA ESTRELA CAÍDA

Uma estrela caída sem defesa
Esmoler coração exposto e nu.
Nesta imunda expressão, quase princesa,
O mundo se adivinha duro e cru.

A vida anunciada em podres dentes,
Nas roupas velhas, rotas, cariadas...
Um sorriso infantil, as mãos prementes
Das justas emoções, abandonadas.

Uma escultura viva e miserável,
Retrata como a cruz não disse nada.
Mas mesmo nesta foto insuportável,
Justiça há tanto tempo abandonada,

A placidez da estrela e m meigo rosto,
Mostrando ali um Cristo amigo, exposto...

MARCOS LOURES

TEUS OLHOS SEDUTORES

TEUS OLHOS SEDUTORES

Encantam-me teus olhos sedutores
Com jeito de farol por sobre o mar.
Nas pedras, nos atóis, nos estertores
Das ondas que se quebram, preamar...

Meus dias são dos teus adoradores,
Certeza tão gostosa de sonhar.
Nos beijos, nos olhares sedutores
Mergulho e sempre quero naufragar.

Olhar em azulejo rouba o céu,
Em prismas multiplica tons, matizes.
Um arco íris formando um raro anel,

Roubado de teus olhos moça bela,
Curando tanta dor em cicatrizes,
Futuro em girassol, já se revela...

MARCOS LOURES

O PURO AMOR

O PURO AMOR

Qual rocio que molha um duro chão
A luta que se faz no dia a dia,
Vencendo já nos traz fecundação
Do sonho que se fez em poesia.

Plantamos com soberba devoção
Em versos todos plenos de alegria,
Colheita prometida em cada grão,
Sementes que vieram da harmonia...

Molhadas com as lágrimas doridas
Em carnes torturadas no passado,
Sonhando transformar as nossas vidas,

Nos olhos confiantes, lavrador
Que usou sua esperança como arado
Colhendo na aridez o puro amor....


MARCOS LOURES

TRADUZINDO ESPERANÇA

TRADUZINDO ESPERANÇA

Na garganta oprimida pelo medo,
Contida nossa voz por tantos anos,
A força que se esconde no segredo
Que marca todo o povo, em duros danos.

Condena nossa vida ao vil degredo
Erigida com base nos enganos
Matando uma esperança desde cedo,
Roubando dos que sonham tantos planos...

O mártir que no Gólgota morreu
Apenas é lembrado em punição
O canto que embalava se esqueceu

Temendo dos pastores a vingança.
Calaram se olvidando do perdão
A voz que traduzia-se esperança...

MARCOS LOURES

AS NUVENS QUE TE VIRAM

AS NUVENS QUE TE VIRAM

As nuvens que te viram vão nevadas
Em busca d'outros campos e paragens,
Em meio a tempestades e visagens
Carregam tantas dores nas estradas...

Vago como essas nuvens desgraçadas
Não consigo entender suas viagens
Por ruas e vertentes, tantas margens
E nada me trará mais madrugadas

Que já se foram, nossas companheiras.
As matas e as luas mais brejeiras
Não sabem por que foste embora, amor...

Assim como essas nuvens voltarás
Depois das tempestades estarás
Marcada pelas chuvas, sem calor...

MARCOS LOURES

NO MAR DOS OLHOS TEUS

NO MAR DOS OLHOS TEUS


Teus olhos azuis, serenos,
Me lembram de imenso mar,
Neles, conheço os venenos,
Que, tão doces, vão matar...


Eu me afogo no mar dos olhos teus,
Na viva sensação de ser feliz.
Porém todo o temor de um ledo adeus
Turvando lentamente este matiz.

Do azul tão cristalino, negros breus,
Trazendo a minha sorte por um triz.
Teus olhos serão sempre assim tão meus?
E nada nem ninguém vem e prediz.

Doçura dos venenos mais fatais,
A cura e a doença compartilham
As cores dos teus olhos... Nada mais

Traduz o que pressinto mas não quero.
Destinos bem diversos olhos trilham,
O que jamais virá ou o que espero?

MARCOS LOURES

UM VÍCIO?

UM VÍCIO?

Amar é com certeza um vício bom,
Que toma nosso corpo em aflição,
Inato, todo amor, por si é dom
Que invade nosso mundo, em sedução.

No gosto desta boca, todo o tom
Perfeito que nos toca o coração,
Dum canto enamorado, chega o som,
Que forma a sinfonia da paixão.

É droga que não tem como escapar,
Num êxtase divino nos comanda.
Do amor eu já nem sei como escapar,

A vida sem amor,perfeito tédio,
O mundo sem querer, todo desanda.
Na doença se encontra o seu remédio....

MARCOS LOURES

CAMINHANDO PELA VIDA

CAMINHANDO PELA VIDA

Contigo, caminhando pela vida,
Sem medo nem de pedras ou espinhos.
Jamais conceberei a despedida,
Envolto em tuas mãos, em teus carinhos.

Por mais que seja dura a nossa lida,
Por mais que nossos passos tão sozinhos,
Amar é sempre assim, nossa saída,
No canto da amizade nossos ninhos...

Querida não se esqueça que o amor
É mote que nos leva à perfeição.
Expressa com vontade a solução

Vibrando em nossa vida com vigor.
Por isso nosso sonho, liberdade,
Somente será feito na amizade...

MARCOS LOURES

ELIXIR DA ETERNIDADE

ELIXIR DA ETERNIDADE

Amor, este elixir da eternidade
É fonte de uma eterna juventude
Permite que se encontre a mocidade,
Se pleno de amizade e de virtude.

Refaz uma esperança, mata a fera
De garras tão ferozes, afiadas,
Renasce em meu jardim a primavera
Eterna e divinal em mil floradas...

Amor, uma manhã ensolarada,
Nos versos que componho a ti, querida,
Premissa que remoça na alvorada

Que teima se sentir por toda a vida...
Amiga, um sentimento que é tão forte,
Impede quando em vida, que haja morte...

MARCOS LOURES

MIL MATIZES

MIL MATIZES

Percebo a maravilha em mil matizes
Da tarde que adormece no horizonte...
Entrego-me a momentos mais felizes
Da vida, inesgotável e calma fonte.

Esqueço meus temores, cicatrizes,
Aguardo que esta lua já se aponte,
Estrelas roubam cena quais atrizes.
O sol vai desabando trás um monte...

Eu conto as horas todas te esperando,
A noite te trará pós o sol-pôr.
Deste caleidoscópio sinto quando

Tua presença amiga, enfim virá;
Trazendo novo verso a se compor,
E a lua, nos meus braços, dormirá...

MARCOS LOURES

ABERTO O CORAÇÃO

ABERTO O CORAÇÃO

O mundo que remete ao triste canto,
Roubando a fantasia em que pintara
O nosso sentimento em puro encanto,
Tornando nossa vida mais amara..

Não posso permitir tal desencanto
Enchendo de amarguras a seara
Causando o sofrimento, verte pranto..
Calando uma alegria que sonhara..

Mas sei que te desejo minha amiga,
Renasço em cada sonho que tiveres.
Sem tua mão a sorte já periga

Minha alma se perdendo, quase morta...
Por isso tanta luz quando vieres,
Aberto o coração, a casa, a porta...

MARCOS LOURES

COMO EU TE QUERO!

COMO EU TE QUERO!

Como eu te quero! Tanto, tanto assim...
Nas horas mais benditas, nosso amor...
Trazendo todo encanto para mim
Vibrando em nossa vida com vigor.

Florando minha vida em teu jardim
Num dia mais feliz e sedutor
Guardando esta esperança até o fim
De ser eternamente um sonhador.

Eu quero e te desejo boa sorte,
Não deixe que a distância nos destrua.
Amor que necessita ser mais forte

Que toda tempestade que vier,
Na placidez imensa de uma lua
Teus braços carinhosos de mulher...

MARCOS LOURES

Águas que deságuam! SOL FIGUEIREDO e marcos loures

Águas que deságuam!

Muitos ventos e águas sim passaram...
Em minha vida já tão sofrida,
Aturdida, fiquei então perdida,
Abatida com lágrimas, só aguaram!

Minha alma muito invadida,
Por tormentas e total desespero,
Querendo encontrar teu tempero,
Para acalmar essa dor bandida!

Espremida entre quatro paredes,
Fico a sonhar sentida com teu amar,
Procurando teu amor, nessas redes!

Busco uma saída para minha vida,
Somente o teu amor pode sim curar...
Essa alma assim já tão ferida!

© SOL Figueiredo

Procuro alguma luz e nada resta
Sequer o meu caminho poderia
Marcar em plena paz com harmonia
A sorte que bem sei ser indigesta

O engodo a cada instante a vida atesta
Deixando esta ilusão sempre sombria
E apenas sorvo a amiga poesia
Que em claro sentimento o todo gesta,

Não tento novo passo sem estorvo
Janela da minha alma e o velho corvo
Adentra e me negando algum futuro,

Pousando no que fora uma esperança
Enquanto o tempo atroz domina e avança
Deixando para trás o que eu procuro...

Marcos Loures

quinta-feira, 31 de maio de 2012

PROCURANDO O MEU CAMINHO

PROCURANDO O MEU CAMINHO

Fui andando para o norte
Procurando o meu caminho,
Dei azar, nunca dei sorte,
Por isso estou tão sozinho,
Nas curvas do bem querer,
Eu me perdi de você...

Não quero saber mais nada,
Tenho minhas mãos cansadas,
Mulher, quanto mais amada,
Mais duras, as nossas estradas...
Quero saber de seu colo,
Lhe deitar, mansa, no solo...

Tenho calos nos meus pés,
De tanto que caminhei,
Fui em frente, de viés,
Meu caminho eu já errei...
Mas não passo de idiota,
Perdendo meu rumo e rota...

Vi nas travas do destino,
O olhar dessa quimera,
Meu amor é de menino,
Mas ela é uma pantera.
Tenho sede, um copo dágua...
Para aplacar minha mágoa.

Sei que não teria cento,
Por isso quis a dezena,
Meu amor o seu assento,
Com jeitinho, me envenena.
Quis ter beijo da mulata,
Seu ciúme me maltrata...

Nas bugigangas da vida,
Encontrei o seu retrato,
Minha dor na despedida,
Coração pagando o pato...
Vem pra casa meu amor...
Faz frio quero calor.

Batendo o queixo de frio,
Procurei por meu amor,
Coração bate vazio,
Esperando o cobertor...
Vem pra cá minha menina,
Coração bate em surdina...

No gole desse conhaque,
Vou acabar meu enredo,
Meu amor não é de araque
Sem você, vivo com medo...
Medo de ter solidão,
Sem você não vivo não...

Meu sapato já furou,
Minha calça está rasgada.
Seu amor foi que ficou,
Sem você não tenho nada,
Vi a curva desse vento,
No meio d’esquecimento...

Fui pescar lá no riacho,
Uma sereia peguei,
Bananeira já deu cacho,
Todo menino é um rei...
Quis saber de sua boca,
Acabou, dormi de touca...

Usei isca de primeira,
Pra pegar peixe mulher,
Mas caí, tomei rasteira,
Agora, ninguém me quer...
Não sei mais falar bonito,
Tanto sofro quanto grito...

Joguei rede pra pescar,
Agarrou no meio fio,
Quando a noite é de luar,
Coração bate de frio...
Nas curvas dessa saudade,
Eu só encontrei maldade...

Vou buscar um curativo,
Pra curar minha ferida,
Amorzinho, fica ativo,
Seu amor nem Deus duvida,
Amor bicho interesseiro,
Procura outro travesseiro...

Fiz a cama no terraço,
Esperando pela lua,
Meu amor me deu cansaço,
Minha luta continua...
Procurando por Maria,
Encontrei quem não queria...

Vendo espaço lá no céu,
Quem quiser pode comprar,
Deixa levantar o véu,
Espera o que vou mostrar...
De carroça capotei,
Duas pernas eu quebrei...

Procurei a minha chave,
Não achei nem fechadura,
Ciúme é como um entrave,
Tem gente que não atura...
Quero o gosto da maçã,
O perfume d’hortelã...

Minhas dores são do parto,
Meus amores são de fé,
Vou lhe propor mais um trato
Acho que esse vai dar pé,
Você canta seu bolero,
Eu imito o quero quero...

Quis um beijo me negou
Quis carinho, não me deu,
Andando por onde vou,
Não vai nem ela nem eu...
Meu amor me disse não,
Acabou todo meu chão...

Vou terminar essa joça,
Não tenho mais paciência,
Vou me deitar na palhoça,
O resto é coincidência...
Fiz um verso pra você,
Mas você não quis nem ler...

MARCOS LOURES

La esquizofrenia

La esquizofrenia

por Marcos Loures

sobre la enfermedad y exorcismo - una historia


El miedo la acompañó de la muchacha, el miedo cruel y tenaz, el miedo de todo y de todos.
La voz nunca no la soltó, la intensa y repetitiva voz, una voz que, desde que sus veces de adolescente ella nunca permanecía callada.
La madre ya la había tomado el todos las brujas, magos, pastores, finalmente el todos los unos que eran conveniente para los vecinos y amigos.
Nada adelantó algo; el doctor tenía más allá de algunas medicinas, pero también sin el efecto.
El efecto máximo que consiguió con las medicinas, era dormir, pero los sueños repitieron todos los fantasmas del día.
Nada más podría hacer. El hecho simple de caminar ya estaba dejándola en el pánico.
Un caso de posesión demoniaca, para el derecho, dijo a la tía religiosa, el caso más claro que ella había visto en la vida.
Las excomuniones repitieron, la voz había detenido, pero, ahora, no sólo era un, era una legión de demonios que ellos cuidaron del pobres infeliz.
La tía, vende que las cosas estaban cambiando, aterró con la legión de los demonios que, empezando de ese momento, ellos cuidaron de la sobrina pobre, decidió consultar un conocimiento, la autoridad máxima en la posesión sujeta, incluso respetó por otras designaciones religiosas.
La llegada de esa autoridad movió con todos en la ciudad pequeña, al punto de ellos viene las personas igualan de las ciudades vecinas para dar testimonio del milagro del pastor.
Que, al notar que el caso incluso era muy complicado para él, principalmente para el hecho que, la muchacha, cuando hablando gruñeron y ella gimió, mientras incorporando otras voces e idiomas varios, incomprensible mismo, además de resistirsela cualquier intervención de él. Entonces, debido a la sensación de impotencia, decidió consultar otra autoridad en el asunto.
Esa "autoridad" era una verdadera ladrona, él vivió de la fama adquirida para “muestra” previamente montado con "artistas” regiamente acortado para nosotros para apoyar las palmadas y las palmadas libres por defecto.
Él vivió de la fama adquirida para aquéllos “los milagros” y mantuvo por la divulgación bien hecho, principalmente en las ciudades más pequeñas.
El pastor, en la fe buena, obviamente, avisó eso haga trampas a comerciante que, a mí pese de oro, fue dispuesto para ir para “para curar” al pobres del adolescente.
Al verla, una cosa lo asustó, los gestos de la muchacha eran el mismo de Amélia, el amor de su adolescencia, y hher primero la víctima.
Del amor imposible a la violación y de eso al asesinato un salto era.
El amor frustrado, el cuerpo jugó en el río, encuentre los pocos días después, nadie sospechó ni él sospecharía de él, el muchacho tímido y callado, incapaz de “para hacer mal a una mosca.”
Sin embargo, el tiempo había pasado y de Melinha se había olvidado y se había escondido en cualquier canción de un pasado distante.
Pero el paseo domado de la muchacha y, principalmente el nombre de eso que ella hizo resucitarlo esa memoria;
Amélia se olvidó de decir su nombre, pero ahora que yo tengo la imagen de todo lo que pasó las vidas en la memoria, más yo no puedo esconderlo.
A la muchacha pobre era exhausto, víctima tanto de los demonios a partir de los exorcistas.
Ninguna lucidez seguida siendo más en eso perturbó a la mente, enfermo, sin entender y ayuda no ser el mixto de agresiones verbales y físicas.
Sin embargo, los ojos detenidos y resignaron, al ellos ven el exorcista esté disgustado y un gemido formidable hizo eco de para el pueblo.
Con la furia, empezó a jurar y ofender al exorcista, a los gritos de: ¡Asesino! ¡Yo asesino!!!
Esto tuvo miedo con tal una manifestación asociada con la memoria del pasado, recientemente despierte para una asociación encuentra extraño entre ese Amelinha y suyo, él lo dejó en la alarma.
¿Qué quiso eso para decir?
Cuando la muchacha, yo no sé si por casualidad o si entre los dientes ella le dijera para una fuerza extraña, “Amélia, Amélia”, que se anunció de rodillas y en una actitud sorprendente, él la besó los pies y heasked para el perdón.
¿Estaba todo asustado con la escena, el exorcista había si dominó al demonio?
¿Él había besado el hher los pies y él le pidió perdón, lo que quiso eso para decir todo!?
En un movimiento abrupto, para la desesperación de todos, la muchacha saltó en él y ella lo cogió para el cuello.
Ella no quitaría sus manos, hasta eso, más en una actitud rara su madre, la misma madre que la amó tanto, mientras difundiendo en el hacha que colgó en la cocina, golpeó los soplos al azar.
Inmediatamente, los dos cuerpos se cayeron en la tierra sangrienta.
Ellos juran que ellos vieron los abrazamos dos, con las bocas, que coincidentalmente anunció uno en el otro, en un beso enigmático.

publicado em Porto Rico

http://pr.indymedia.org/news/2006/07/17049.php

Unction and cure

Unction and cure


Author

Marcos Loures






Of the cure through “ungidos” antibiotics

I'm working in a team of Program of Health of the Family in the region of the Patrimony of the Penha, city of Divino de São Lourenço, in the Espirito Santo, during a familiar visit I'm surprise at a hard reality: I was called to give to attendance to a family whom did not want to receive nor agents from health, nor nurses and, much less, doctors. When trying to keep contact, I was received by the “head” of the family who, distant to the contact, informed me that “in that house, doctor did not enter”. I asked the reason and it he said me that he would not have conditions “to buy the remedies”, what I talked back that these medicines would not be bought since it them had pay with the taxes that were inlaid in the merchandises and services that he used in day-by-day. Without other arguments, he allowed my entrance in the poor house. In a first one to look at, I came across myself with a strange reality; one lady had three younger women e who mame look like one fifty years. One of the young women, oldest probably, was presented with one erisipela in advanced state, forming an ulcer in the ankle, common complication of the illness. To ask on the other women of the house, the mother also interrupted affirming me that they were all good ones, the sick person. According to it, the leg of the young woman was improving and “God would go it to cure”. When asking which the medicine that it was using, the reply came agile and firm: - Water saint! After this affirmation, I came across myself with a radio, of that old that they have short waves, only household-electric of the house. When talking with my assistant, I was knowing of history. It had a shepherd of one of these churches “of God” whom, through the radio, he transformed into “miraculous” the water placed to the side of the device. Such water, after the unction was applied on the leg of the sick person. Obviously the improvement was not occurring and the presence of the high fever and the fall of general state of the young woman demonstrated the worsening of the picture. I stopped, I thought and I tried to arquitetar a form to stimulate the use of the medicine. Quickly, I caught a coconut soap piece, and a box of antibiotics and analgesics, beyond a gauze package and asked the one that hour was the program of the such shepherd. To the informed being of that it would go to start in minutes, I asked for to bind the radio and, patiently, I waited the hour of the transmission of the “miraculous program”. I requested to all, also to my assistant, whom the program heard and prayed the shepherd together with, in the attempt of unction of the package of medicines, gauze and soap of coconut. Said and fact, after “ungidos”, I requested that, after the leg to be washed with the water and soap, was given medicines, all duly ungidos. The improvement of the patient was evident, with the cure of the wound and the illness. From this day, each time that needs, I transform the such shepherd into my greater ally. Without knowing, now he is blessing until vermifuge.

plubicado em Baltimore http://baltimore.indymedia.org/newswire/display/13209/index.php

O GOSTO DO TEU BEIJO

O GOSTO DO TEU BEIJO

Eu quero o gosto salutar do beijo,
Roçando os lábios, mansidão trazendo;
Nesse querer, aprofundar desejo,
Num renascer, por todo amor, morrendo...
Quero viver ansiedade... Vejo
Nos olhos, brilho do luar, sorvendo...
Ah! Quem me dera conhecer perdão,
Seria assim, como m’erguer do chão...

Eu quero a mansidão do teu carinho,
Quero a ternura mansa de teus dedos
Percorrendo; macios, todo o ninho,
Onde se esconde todos meus segredos...
Eu quero me sentir belo azevinho,
E não guardar, sequer, nenhum dos medos,
Que tantas vezes foram empecilhos,
Que impediram, seguir enfim, meus trilhos...

Eu quero a sombra d’arvoredo em mim,
Beijar as mãos de quem carícia traz.
Sentir o teu poder, trazido assim,
Nessas manhãs que me permitem paz...
Esquecer quem sou, vindo d’onde vim,
Saber cada minuto, ser capaz
De penetrar esses caminhos tortos,
Vou esquecendo tudo, até meus mortos...

Ter amor, ter paixão, felicidade...
Saber que estás, por perto a todo instante;
Conhecer quão amarga uma saudade.
Amor, palavra que traduz constante,
Num diário exercício, liberdade...
Ao contrário, paixão, inebriante,
Delira e me maltrata, sem ter pena,
Enquanto o amor, suave manso, acena...

Perdido num passado me encontrava,
Sem luz, sem brilho, delirante algoz;
Juro-te, então, jamais imaginava,
Que poderia ouvir silente voz,
A voz do coração, que se negava,
Sequer mais uma chance, dor atroz...
Agora que conheço ser feliz,
Mergulho no teu colo e peço bis.

Amiga, me permita um desabafo,
A vida foi cruel, mas é passado...
Da fera solidão, senti seu bafo,
Meu mundo tantas vezes foi errado.
Quantas vezes calado estou, abafo
A sensação feroz do triste cardo.
Nos seus espinhos me feri demais,
Minha memória grita então, Jamais!

Quero a delicadeza de teus pés,
No caminho feliz que me ensinaste...
A vida tantas vezes no viés
Desviou-se do rumo que traçaste...
Meu barco, naufragando sem convés,
És o porto seguro, fiel haste
Sustentas com vigor a minha vida,
Quem dera nunca houvesse despedida...

Se bem sabes o quanto que te quero,
E quanto devo nunca tenhas cismas;
Em cada novo verso, eu sempre esmero,
Tentando prosseguir sem cataclismas;
Porquanto tanto amor, sempre tempero
As luzes vou filtrando em novos prismas...
Amada, nunca fujas de meus beijos,
A vida se traduz nesses desejos...

MARCOS LOURES

NÃO TE TER...

NÃO TE TER...

Quando percebo; o fim da noite vem,
Trazendo essa alvorada com o sol,
Manhãs tão radiantes, são promessas,
Da vida renascendo sem tempestas...
Meus medos são desejos não cumpridos.
A sorte nada faz senão mentir...
Me cabe nessa história ser poeta.
À parte do que sinto, nada falo...
Queria transformar os meus caprichos,
Mas omitindo, vou seguindo mudo...
Repito meus dilemas, num soneto;
A morte s’aproxima, mas me calo...
Revendo por rever os meus problemas,
Quem dera nada fosse tão difícil.
Em versos brancos, fiz sentidos vários...
Canários vão cantando, nessa mata.
Me mata essa saudade de você.
Você que me permite então sonhar.
Sonhar que é outra forma de viver...
Viver sem ter segredos, traz verdade;
Verdades são momentos de prazer;
Prazer dos beijos loucos que me deste,
Deste mundo jamais vou me evadir;
Evadir por quê? Sinto essa presença...
Presença mais vital, felicidade...
Felicidade brilha no horizonte.
Horizonte trazendo novo dia...
Dia mais feliz, quero, de fato...
Fatos novos são luzes sobre trevas...
Trevas que na minh’alma são tristezas;
Tristezas por saber que nada sei,
Sei somente do canto que ensinaste,
Ensinaste, depressa, a não morrer...
Morrer dessa saudade, dor cruel,
Cruel como a distância que guardaste,
Guardaste, sem saber a minha luz,
Luz dos teus olhos vão brilhando, cegam...
Cegam um coração vadio, louco...
Louco dessa vontade de saber.
Saber em que caminhos, te perdi...
Perdi na minha luta contra a morte.
Morte que se traduz, em não te ter...

MARCOS LOURES

L'aurore

L'aurore

Immense sentiment qui nous unit,
la sensation d'un vie tranquille à la lumière et de paix.
Au sourire vaincre toute lésion
ou encore la douleur d'une longue absence
l'espoir de renvoyer une festif et solidaire.
La luminosité d'un rares regarder
qui gagne et domine toutes les émotions
surmontant les terreur les plus difficiles
et complexes que la vie nous prépare.
Oser croire en la possibilité de l'amour,
sans frais la culpabilité ou la peur.
Une harmonie qui nous permet
regarder dans la même direction :
L'aube.

Marcos Loures

PERCORRO MEUS DELÍRIOS

PERCORRO MEUS DELÍRIOS

Percorro meus delírios, sonhos, medos...
Segredos ponho, barcos e tempestas;
Festas e fantasias, carnaval...
Aval de Deus permite cada luz...
Iluminas as minas de minha alma...
Acalmas todas dores que virão.
Por certo não conjugas sofrimento
Com meus desejos mais sutis, carinho...
Num átimo, meu último segundo.
Caçando tais estrelas ness’astral.
Sim, nossa verdadeira manhã morre.
Escorrem dos meus dedos, nossa vida.
Ávida vida, deve breve vértice...
Artífice da sorte, motes mortes...
Temo o temor, tremendo teus tentáculos.
Meus oráculos mentem, nada tenho...
Venho desse jamais tivesse sido...
Duvido do óbvio, vingo minhas chagas.
Algas nas águas, mágoas nas lagoas;
Entoas novas loas, trovas, canto.
Tanto tempo terei temporal, medo...
Segredo meu segredo segregado...
Minhas minas terminas temerária.
Na confusão dos cios, ciclovia...
Havia álibi, livre colibri.
Mas quando vi, estavas só vagando...
E te perdi, pedi a penitência.
Feche teus olhos, veja o meu desejo.
Num martírio, deliro e nada resta,
Pela fresta, janelas, portas... Morta
A solidão, revive viva vida.
Não quero mais senão, sertão, serralha.
Nem a canalha forma que me forma.
E que me informa: foste tão fugaz...

MARCOS LOURES

Salmo 10 - Versos Brancos

Salmo 10 - Versos Brancos


Por que estás tão distante, Meu Senhor?
Nesse tempo d’angúsitas t’escondes...
Os ímpios perseguindo o pobre, fúria!
Que sejam apanhados nas ciladas,
Que eles mesmos, cruéis, já maquinaram...
Bendizendo o avaro, nega o Pai;
Deus, eles não buscam por altivez...
Renegam existência do Meu Deus.
No caminho, atormentam toda vez.
Desprezam inimigos, seus juízos
Estão acima, os abalos não temem...
Imprecações povoam suas bocas,
Assim como os enganos e astúcias...
Malícias e maldades nessa língua.
Nas aldeias, tocaias já preparam,
Matando os inocentes e os mais pobres.
Armas estão ciladas, escondidas...
Prontas para roubar, qualquer um pobre...
Diz, em seu coração, que Deus não viu...
Levanta-te Senhor, erguei as mãos;
Não te esqueças jamais, desses humildes!
Tu viste esses tais ímpios, quebre braços!
O pobre se encomenda ao Meu Senhor,
És auxílio Senhor, dos órfãos todos..
És, pois, o Rei Eterno, em Tuas terras,
Perecerão gentios. Ó Meu Pai,
Ouviste então, desejos dos mansos,
Conforte os corações. Os Teus ouvidos
Abertos, sei, para eles estarão!
Faças cair justiça sobre os pobres,
Que os órfãos, reconheçam-na também,
E qu’homem não prossiga em violência...

MARCOS LOURES

Salmo 1 - Versos Brancos

Salmo 1 - Versos Brancos


Homem que não seguir conselhos d’ímpios,
E nem dos pecadores, segue a trilha;
Nem de quem escarnece, sent’à roda,
É bem aventurado, com certeza...
Antes, tem seu prazer na lei de Deus.
Medita dia e noite sobre a lei...
Qual árvore plantada no ribeiro,
Dá frutos no seu tempo; suas folhas,
Não cairão, prospera em todos atos.
Pois são como a moinha que se espalha.
Os ímpios não resistem no juízo,
Nem mesmo os pecadores entre justos.
Pois o Senhor conhece,desses justos,
O caminho, que jamais perecerá!

MARCOS LOURES

Salmo 2 - Versos Brancos

Salmo 2 - Versos Brancos


Os gentios amontinados, vão;
Os povos imaginam coisas vãs.
Os reis da terra se erguem contra o Pai
E contra seu ungido, então dizendo:
Rompamos ataduras, sacudamos
De nós as suas cordas. Deus rirá,
O Senhor zombará desses gentios...
Então lhes falará, na sua raiva,
E no furor, os turbará, enfim.
Proclamarei decreto dito a mim,
Pelo Pai: Tu és filho meu gerado;
Te darei os gentios por herança,
Os fins de toda terra, possessão...
Os esmigalhará, com tua vara,
Os despedaça como um vaso frágil.
Ungi meu Rei no monte do Sião!
Agora, reis, sejais bem mais prudentes.
Juiz da terra, deixa-se instruir.
Servi, ao meu Senhor, com tal temor;
Beijai ao filho, fuja de tal ira.
Para que não pereças no caminho...
Quando acender, su’ira, brevemente.
Boa ventura então, aos que confiam...

MARCOS LOURES

NAS MINHAS FANTASIAS

NAS MINHAS FANTASIAS

Nas minhas fantasias, te vi solta,
As marcas do teu beijo em minha boca,
São labaredas, queimam. Minha escolta
Procura navegar a nave louca...
Mas teimo em estampar minha revolta,
A voz que grita aflita, fica rouca...
Meu tempo que perdi, nada edifica
A dor que já sangrei, me dignifica

Não resta nem sequer teu telefone,
Meus versos que joguei garganta abaixo,
Das noites que passei, quedei insone,
Procuro, tantas vezes, e nada acho,
Quem dera fosse assim, um Al Capone;
Das trevas que passei, um simples facho...
Terias, com certeza, mais respeito.
Amar demais passou a ser defeito!

Vomitas imbecis tais impropérios,
Fazendo dos meus versos, teus faróis,
Das mortes que cultuas, cemitérios,
As notas que queimaste sob os sóis...
Vagando não te temo. Necrotérios
Esperam quem zombava nos lençóis...
A vida fez comédia mais sem graça.
A morte, sutilmente, nem disfarça...

Mas teimas, tuas queimas virão lentas...
As asas assassinas são vorazes,
Na chama que te chama, não esquentas,
As dores que me trazes são audazes;
Nas portas, nas cadeiras, onde sentas
Cortando fortemente essas tenazes...
Não quero nada sinto, nem prazer,
As horas que disfarças sem querer...

Cigarros vou fumando sem ter pressa,
Na fumaça percebo tua cara.
Não pretendo nem quero essa conversa,
A maldita cachaça me enganara.
Sentimento profundo, vil. Ora essa!
A boca que me cospe se escancara,
A noite que não tarda, não te viu,
A mão que te servia vai servil...

Perdeste tanto tempo, mas ganhaste,
Essa batalha torpe que me inventas.
As noites que sequer enluaraste,
Na porta das lembranças são sangrentas...
Não podes reclamar nem que ficaste,
Pois são mais convulsivas, violentas...
Na porta da senzala que m’abrigas,
As velhas, costumeiras, vãs, intrigas...

Não sei mais o teu nome, nem me importa...
Carpi teu corpo, morto na memória,
Fechei a tua casa, tranquei porta,
Jamais vou reviver a nossa história...
A boca que cuspiste já vai torta,
Tristezas que traduzes, minha glória!
Pútridas as manhãs que me feriste,
Nessa tua gaiola, nem alpiste...

Me restam pois somente esses segundos,
Não quero reviver tais leviandades,
Irei te perseguir por tantos mundos,
Mataste, bem cruel, felicidades...
Nos mares, caçarei, ‘té nos profundos,
Abismos onde houver as claridades...
Não sinta-se feliz nem satisfeita,
A vingança será mais que perfeita...

Veneno que bebi já faz efeito,
A cabeça rodando vem a paz...
Olhando pro teu corpo no meu leito,
Não quero mais saber se sou capaz...
As horas que se passam, tudo espreito.
Consigo distinguir lá: Satanás!
As mortes que refiz são libertárias.
As dores que senti, se foram, várias...

Meus últimos segundos esvaindo...
A morte acaricia meus delírios
Teu corpo, nossos corpos já vão indo...
Cobertos estarão por belos lírios
Amei-te... Foi demais, e foi tão lindo...
Valeram enfim todos meus martírios...
Vivi profundamente meu desejo...
Despeço-me com calma, nesse beijo

MARCOS LOURES

MEDONHA CARRUAGEM

MEDONHA CARRUAGEM

Medonha carruagem leva ao fim
E traça com seus passos os meus dias,
Arcando com diversas ironias
Apenas o vazio tenho enfim,

Pudesse ser diverso, mas assim,
Ao menos ao beber das ironias,
Descrevo com meus versos poesias
Amordaçando a sorte que há em mim,

Finalizando assim cada poema,
Apenas não suporto alguma algema
A morte me liberta deste inferno

Que a vida pouco a pouco me deixara,
E quando se percebe tal escara
Até o fim se mostra bem mais terno...

MARCOS LOURES

ACORDES FATAIS

ACORDES FATAIS

Fatais acordes trazem melodias
Aonde não se ouvindo algum alento,
O peso do viver vira tormento,
As noites solitárias e sombrias

Diverso do que tanto prometias,
Ainda não resta sequer vento,
Enquanto respirasse ainda tento
Vencer as mãos terríveis onde guias

Erráticos caminhos pelo nada,
E tanto quanto pude imaginar
Jamais eu poderia me encontrar

Sabendo tão diversa assim a estrada
E na estalagem feita em ilusão
Somente meus espectros se verão.

MARCOS LOURES

NOITES SOMBRIAS

NOITES SOMBRIAS

Sombrias noites trazem o silêncio
E nele me entranhando totalmente,
Sem ter qualquer alívio em minha mente
O dia a cada treva que inda adense-o

Permite que se creia no vazio
E neste nada ter a minha herança
Aonde se pudesse em esperança
Apenas o não ser eu principio

E tento vez em quando algum sorriso,
Embora mais nefasto que pudera,
Aguarda-me com fúria a torpe fera
E assim o meu caminho sem juízo

Amortalhando o passo rumo ao vão
Traçado pela imensa solidão...

MARCOS LOURES

RUÍNAS

RUÍNAS

Ruínas do que fomos vejo agora,
E tento disfarçar qualquer enredo
E quando algum sorriso inda concedo,
Vontade de partir já me devora,

E tanto poderia sem ter hora
Saber da vida cada vão segredo
E tendo o meu caminho amargo e ledo,
O fim já se aproxima e nada ancora

Saveiro que se fez em temporais
E sabe tão distante qualquer cais
Além desta mortalha em verdes tons,

Os dias transcorrendo em dor e mágoa
Somente o frio imenso em mim deságua
Da morte ouvindo os sinos, belos sons...

MARCOS LOURES

MELANCOLICAMENTE

MELANCOLICAMENTE


Melancolicamente a noite trama
O fim de cada sonho e por ventura
A vida se transforma e me amargura
Enquanto a dor mantendo viva a chama

Que traz a inglória luta, tolo drama
E quando alguma chance se procura,
O medo a cada instante mais perdura
E nada do que quero ainda exclama

Uma alma solitária em vão, demente,
E tudo o que sabe e o que se sente
Traduz o nada ser e não podendo

Viver um só momento de esperança
A noite em solidão, atroz avança
Quem a sabe a morte um bem tão estupendo?

MARCOS LOURES

NIGROMANTES

NIGROMANTES



Aonde nigromantes, sacrifícios
Ditavam os meus dias em quebranto,
Ainda se procura a cada canto,
Diversos e medonhos vãos ofícios

Entregue à profusão de vários vícios
E deles sei deveras quando e quanto
Mereço cada queda e se levanto,
Os ossos são beirais de precipícios

Mecânica da vida se traduz
Na falta terminal de qualquer luz,
A terra recobrindo a dura ossada,

E tanto que sonhei, fiz versos, cri,
E agora o que restara vês aqui
Medonho e caricato, vago, nada...

MARCOS LOURES

DISSONÂNCIAS

DISSONÂNCIAS

Ao expirar num último momento,
Eu vejo as dissonâncias de uma vida
Que há tanto se fizera mais perdida
Gerada pelo infausto em desalento,

Não quero da esperança mais o vento,
Nem mesmo perpetrar qualquer saída
Se tudo o que pensei traz despedida
E na verdade nada mais aguento.

Pereço a cada não que tu me deste,
E o quanto sou medonho e mesmo agreste
Espelhos de minha alma em água fétida

Apenas esta face que enrugada
Traduz e tão somente mostra o nada,
Figura sempre apática jaz gélida...

MARCOS LOURES

EXAUSTO

EXAUSTO


Meu corpo estando exausto da batalha
Assaz desnecessária e tanto inglória
Pudesse reverter a minha história
E nela entranhar firme esta navalha,

O corte a cada dia mais retalha
O corpo em tal imagem merencória,
E nada do que trago na memória
Ainda qualquer coisa mesmo valha.

Sou nada e deste nada reproduzo
Um passo rumo ao fim, tosco e confuso,
Apenas velho traste em tez imunda,

Ouvindo o mesmo não, velha resposta
A face já deveras decomposta
A morte abençoada enfim me inunda...

MARCOS LOURES

A FACE ENSANGUENTADA

A FACE ENSANGUENTADA

A face ensanguentada da verdade
Resiste ao que pudesse ser um sonho,
E quando novo tempo a mim proponho
Decerto cada fato desagrade,

E sei do quanto diz a realidade
Diversa deste mundo vão risonho
E tanto que deveras não reponho
Caminho sem sentido, ou liberdade.

Morrer é ter deveras o meu cais
Cansado destes tantos temporais
Pudesse descansar eternamente,

Mas quando a dor refaz a velha estada
Eu tento seduzir a madrugada
Porém esta mortalha apenas mente...

MARCOS LOURES

ÀS HORAS MORTAS

ÀS HORAS MORTAS

Às horas mortas vejo esta figura
Decrépito fantasma que persigo
E quando no meu peito faz abrigo,
A noite se mostrando sempre escura

Enquanto se traduz leda loucura
Eu vejo a cada passo outro perigo
E tanto ou quase insano assim prossigo
Traçando nova senda em amargura,

Herméticos caminhos me levando
Ao quadro mais atroz, duro e nefando
Nevando dentro da alma solitária,

Aonde quis a paz e não soubera
Revive esta tristeza douta fera
E a sorte se vier, é temporária.

MARCOS LOURES

ESPESSA SOMBRA

ESPESSA SOMBRA

Espessa sombra ronda a minha cama,
E traz o doce alento feito em morte,
Cansado de viver sem ter suporte,
Aonde a solidão teima e reclama

Realça-se esta cena e tanto clama
Quem nunca mais soubera de algum norte,
Apenas aumentando cada corte,
Entranho sem defesas nesta lama,

E o pântano que deste de presente
Porquanto a cada dia mais aumente
A fúria deste charco dentro da alma,

Jogado sobre as pedras, mar imenso,
No quanto nada sou eu sempre penso,
E apenas o não ser decerto acalma.

MARCOS LOURES

NEM MARTÍRIOS NEM TORMENTAS

NEM MARTÍRIOS NEM TORMENTAS

Não quero mais martírios nem tormentas
Delírios são comuns a quem anseia,
Mas quando a lua morre e nunca é cheia,
Somente tão diversos dias ventas

E beijo o que deveras desalentas
Enquanto a solidão volta e rodeia,
Perdendo todo sangue em minha veia,
Anêmica loucura e me apascentas;

Servindo de retalho a quem tecesse
A colcha feita em morte, novos panos,
Não tendo além dos erros velhos danos,

A morte talvez venha qual benesse,
Riscando assim do mapa qualquer sombra
Daquele que odiaste e já te assombra.

MARCOS LOURES

UM EXTENSO SONO

UM EXTENSO SONO


A morte como fosse um sono extenso,
Talvez aplaque a dor do amanhecer
E quando se percebe o fenecer
É nele que deveras recompenso

Os erros mais comuns enquanto penso
Em formas de poder fugir ou ver
Somente novo tempo a se tecer,
Mas sei que o céu será decerto tenso.

E quando não encontre outra saída,
A perda do que dizem ser a vida,
Permitirá viver, pois, finalmente.

Mortalha como terno sob medida
E tudo se fazendo mais premente
Talvez a solução que ainda eu tente...

MARCOS LOURES

TONS AMORTALHADOS

TONS AMORTALHADOS

Cerzida nestes tons amortalhados
A alfombra que me deste nada traz
Senão a mesma cena onde mordaz
Vivemos vis momentos, mil enfados,

E quando se mostrassem derrotados
Caminhos que trouxessem canto em paz,
O quanto deste sonho se desfaz
E neles velhos sóis já tão nublados.

Partindo do princípio que não tenho
Sequer da melhor sorte um desempenho
Que possa pelo menos me alentar,

Só resta a quem se entrega este final,
E nele algum velório é ritual,
Talvez consiga assim comemorar...

MARCOS LOURES

SOB O TEMPLO

SOB O TEMPLO

Repousa este cadáver sob o templo
Aonde se erigira a falsidade
E quando percebera a divindade
Da podre realidade que contemplo,

Não tendo para tal qualquer exemplo
Não sigo esta maré que agora invade
Portanto quando a vida me degrade
No quanto poderia eu já me exemplo,

Servindo de repasto às tais rapinas,
Enquanto noutro lado te fascinas
Eu vejo o meu final em podre face.

E sendo assim a sorte traiçoeira
Do quarto mais escuro já se esgueira
Aquela em cuja boca eu me desgrace.

MARCOS LOURES

FECHANDO OS OLHOS

FECHANDO OS OLHOS

Fechando os olhos posso adivinhar
O que talvez se visse não sabia,
O peso da finada fantasia
Costuma normalmente me envergar,

O parto a cada dia sonegar
O quanto na verdade se esvazia
E gera nova senda em nova cria,
Refaz o mesmo nada, par a par.

Partícipe da festa rapineira,
A vida não se mostra por inteira
E não desejo mesmo o lixo e o vão,

Mas como me negar a ver o claro?
Apuro com terror visão e faro
E sinto dentro em mim a podridão...

MARCOS LOURES

FAGULHAS...

FAGULHAS...

Tateio procurando alguma agulha
E tento no palheiro encontrar trigo,
Mas joio tão somente o que consigo,
A luz que imaginara? Só fagulha,

O estômago deveras já se embrulha
E tento consolar-me; mas nem ligo,
O quanto posso ainda ora desligo,
Somente sendo pária não sou pulha.

E cada entulho feito em vil carcaça
Não deixa que se veja o que se passa
Além dos olhos mortos da criança,

A noite apresentando prostitutas,
Travecos e vadias mais astutas,
Reduzem vestimentas e esperança.

MARCOS LOURES
MÁGOAS CORRIQUEIRAS

As mágoas corriqueiras dos casais
Cevando violência em noite fria,
E quando se percebe esta heresia
Estrelas sobre a terra, magistrais,

E quando se preparam funerais,
Velório se fazendo dia a dia,
A morte sustentando a hipocrisia
Abutres em delírios mais carnais,

Existo ou simplesmente ainda resto?
Não posso ser deveras mais funesto
E vivo em solilóquio qual demente,

Depois de algum calmante, uma aguardente
O fim de uma esperança quando atesto
O meu também se vê, claro e premente.


MARCOS LOURES

DETALHES DE UMA NOITE AMORTALHADA

DETALHES DE UMA NOITE AMORTALHADA

Descendo sobre a terra a lua traça
Detalhes desta noite amortalhada,
E quando desnudando esta calçada
Enquanto a podridão em vida passa,

Eu vejo a mesma cena, esta fumaça
Erguida dos cachimbos, nova fada
Gerando fantasias, molecada
Entregue aos mesmos vícios, mesma praça.

Assim ao se sentir normalidade

Na noite em lua cheia e treva farta
Um carro de polícia já se aparta
Reparta esta propina, volta e meia,

A morte não perdoa este cenário,
E o mundo neste podre itinerário,
Apenas esta pedra se incendeia...

MARCOS LOURES

FACES ESFAIMADAS

FACES ESFAIMADAS

Esfaimadas as bocas dos meninos
Em cada esquina vejo a mesma cena,
E ainda quando a noite é mais amena,
Os mesmos e terríveis desatinos,

Assim ao se dobrarem tantos sinos,
Nem mesmo esta mortalha me serena,
A fome se mostrando imensa e plena,
Enquanto outros caminham vis, ladinos.

Assisto ao mesmo enredo há tantos anos,
E penso serem fatos desumanos
Aqueles que se mostram corriqueiros,

Abutres de nós mesmos, fera em fera
A morte nos decora e nos tempera,
É dela que renascem os canteiros.

MARCOS LOURES

NOITES BRUMOSAS

NOITES BRUMOSAS

As noites são brumosas, sem a lua
A sorte não percebe qualquer chance
E quando de algum brilho este nuance
Ainda que distante em vão atua,

A morte se aproxima e continua
Enquanto a solidão bem mais se avance
Do quanto poderia e não se lance
A vida numa imagem nua e crua.

Restando talvez mesmo o precipício,
Abissais estas fossas, reconheço,
E quando do terror sei o endereço,

Pudesse retornar e desde o início
Soubesse caminhar entre espinheiros,
Os dias não seriam traiçoeiros...

MARCOS LOURES

MINHA ALMA ENLOUQUECIDA

MINHA ALMA ENLOUQUECIDA

Minha alma enlouquecida nada vê
E sabe tão somente do vazio,
E quando a cada passo mais desfio
O que deveras nada e ninguém crê

O quanto poderia e sem por que
Apenas resta em mim, ledo pavio,
E a morte se aproxima, desafio,
Mas cada face escusa se revê

E nela mergulhando em vão espelho,
O olhar por vezes vejo assim vermelho
E as lágrimas tentando disfarçar,

Somente este sorriso de sarcasmo,
Enquanto sobrevém um novo espasmo,
A fonte pouco a pouco a se secar.

MARCOS LOURES

SOMENTE AS SOMBRAS

SOMENTE AS SOMBRAS

Somente as sombras restam do que antanho
Já fora um homem forte, um sonhador,
E agora apodrecido a decompor,
Deveras quase mesmo um ser estranho,

E aonde se pensara em algum lanho
Imensa escara vejo a se compor
Tomado por insânia e num torpor,
As sendas infernais agora entranho.

E sigo cada rastro rumo ao fim,
Fracasso após fracasso o que me resta
Seara dolorosa e tão funesta,

Recende ao mesmo nada de onde vim
E assim retornarei de peito aberto,
Enquanto esta batalha em vão, deserto.

MARCOS LOURES

APENAS OS MEUS VERSOS

APENAS OS MEUS VERSOS

Partindo brevemente deixarei
Apenas os meus versos como herança
Aonde houvera paz e temperança
A morte transtornando toda a grei,

E quando no vazio mergulhei
Traçando com terror a imensa lança
A sombra do não ser agora avança
E todo este cenário desvendei.

Outrora fui poeta e sonhador,
Agora só resta em mim a dor
Da qual já não consigo me livrar,

Morfina após morfina, o câncer come
E o quanto do que fui, aos poucos some
A sombra vai tomando o meu lugar...

MARCOS LOURES

MIL DELÍRIOS

MIL DELÍRIOS

Ao ver teus seios nus o meu desejo
Aumenta pouco a pouco, mil delírios...
Tal avidez me toma quando vejo
Alabastrinos campos, alvos lírios...

Andando pelo quarto, sigo os passos,
Meus olhos vão sedentos o tempo passa.
Sorrindo tão matreira. Estendo os braços,
Mas perco tua imagem na fumaça...

Afago os teus cabelos, num momento,
Percebo que este sonho, uma utopia.
Que não me larga mais o pensamento,

Povoa minha vida em fantasia.
Sentindo já teu hálito, querida,
Tu tomas totalmente a minha vida...

MARCOS LOURES

UM SOPRO DE ESPERANÇA

UM SOPRO DE ESPERANÇA

Percebo na chegada de outro dia
Um sopro de esperança de um futuro
Que traga nossa vida em harmonia,
Amenizando o chão, por vezes duro.

Quem dera se pudesse, a poesia,
Trazer a claridade que procuro,
A vida não seria assim tão fria,
O mundo não seria tão escuro.

Fazer de cada ser o teu irmão,
Além de obrigação, uma esperança
De termos bem mais juntos a união

Que tanto foi sonhada por um Deus
Exemplo de que um sonho em aliança
Transforma em claridade tantos breus..

MARCOS LOURES

SONHOS TANTOS

SONHOS TANTOS

Diante dos altares sonhos tantos
E neles desvendando cada engano,
O quanto se fez duro em pleno dano
Somando os mais diversos desencantos

Os tempos modificam todo plano
E tecem com terror nefastos mantos,
E posso garantir em meus quebrantos
Inútil conhecer o ser humano.

Assim mesquinhos dias são freqüentes
E mesmo quando aqui tu já te ausentes
O teu perfume toma todo o quarto,

Porquanto poderia ser liberto,
Mas quanto mais o sonho enfim deserto,
De ti já não consigo nem me aparto.

MARCOS LOURES

quarta-feira, 30 de maio de 2012

AO INFINITO

AO INFINITO

Elevando este olhar ao infinito,
Pudesse até quem sabe adivinhar
Diversidades tantas e encontrar
Quem sabe da verdade rota e rito,

Mas quando inutilmente eu tento e grito,
Ao menos me perdendo devagar
Cansado de tentar e de lutar
Ao próprio suicídio enfim me incito.

E tanto poderia ser diverso
Não fosse assim meu passo mais disperso
Tampouco tão inglória a minha vida,

Mas tanto se batalha e nada vem,
Apenas o vazio e sigo aquém
Do quanto imaginei; luta perdida...

MARCOS LOURES

AVASSALADORA

AVASSALADORA

Vem, avassaladora e me domina,
Lambendo o meu pescoço, enfia a língua;
Tua loucura imensa me alucina
Sem teu amor,querida, morro à míngua...

As bocas se passeiam na loucura
Que dá um novo rumo ao nosso caso,
Rainha desejada, esta ternura,
Tortura. Deste jeito até me caso..

Desmonto-me contigo, e tu desmaias,
Não solto tuas mãos, calor intenso,
Deságuo meu prazer em tuas praias,
Num caudaloso rio, sol imenso...

De toda essa alegria bebo a fonte,
A vida se refaz neste horizonte...

MARCOS LOURES

A VOZ QUE TANTO ORDENA

A VOZ QUE TANTO ORDENA

A voz que tanto ordena e mais suplica
Não vale um só momento de atenção,
E sei das desventuras que trarão
A imagem mais nefasta, embora rica,

E quando o nada ser já me complica
Ausente dos meus olhos, direção,
Não posso mais levar a embarcação,
Viagem sem destino sacrifica

E transmitindo assim a voz ao léu,
Pudesse percorrer o imenso céu,
Mas asas não as tenho e porventura

A queda livre nega qualquer chance
Bem antes que este medo venha e alcance
A solução deveras se procura.

MARCOS LOURES

MEU DESEJO EM TUA BUSCA

MEU DESEJO EM TUA BUSCA

Lateja meu desejo em tua busca,
Levanto este lençol, te vejo nua...
Tua beleza imensa já me ofusca
Ao ver tua nudez, alma flutua...

E tento te tocar, mas temeroso
Afasto-me ficando assim, distante,
Sentindo que no corpo mavioso
Pressinto uma viagem deslumbrante...

Porém o medo toma-me de assalto
E tudo o que sonhara vai por terra...
Meu passo tremulante, quase incauto.
O teu olhar, percebo, enfim descerra..

Sorrindo, me convidas para a cama..
O medo se dissipa... O quarto inflama...

MARCOS LOURES

UM GESTO

UM GESTO

Um gesto em tal leveza que pudesse
Trazer algum momento mais eclético,
O quanto se fez tolo e mesmo aético
Não deixa que se pense em qualquer prece,

E tendo o que a verdade me oferece
Por mais atroz ainda e não atlético
O mundo que sonhara em mal genético
Aos poucos tal mortalha já me tece.

Vencida cada etapa nada resta
E a senda que se vê sendo funesta
Talvez inda redima cada crime,

Porquanto a luz apenas ameniza
Passada para a morte é mais precisa,
Sem ter quem alivie ou mesmo estime.

MARCOS LOURES

OPACO

OPACO


O tom opaco, dita este cenário
Aonde noutros dias quis marfim,
O amor chegando aos poucos, ledo fim,
Meu rumo se perdendo em vil fadário.

Espero qualquer dia? É necessário
Saber do quanto posso e de onde vim,
Mortalha me recobre e sei que assim
Agrisalhada noite em tal cenário.

Esparsos cantos mortas ilusões
E quando noutros sonhos tu te expões
Desnudando esta face denegrida,

A porta se fechando, e sem futuro,
Ainda que se veja vão e escuro
Restando algum resquício de uma vida.

MARCOS LOURES

AS MÃOS DE QUEM TOCARA NO MEU ROSTO

AS MÃOS DE QUEM TOCARA NO MEU ROSTO


As mãos de quem tocara no meu rosto
Em palidez intensa; fossem mortas
Abrindo do passado velhas portas
Deixando o meu caminho assim exposto,

O quanto do viver há decomposto
E nele com certeza não aportas
Nem mesmo em horas turvas, rotas, tortas
Reacendendo enfim tanto desgosto.

A par dos descaminhos que enfrentara
A morte tão somente semeara
Deixando para trás qualquer sinal

Daquilo que pensara em liberdade
E agora que este mundo em vão degrade
O que restou de nós; bebo o final.

MARCOS LOURES

FLORESCENDO A VIDA

FLORESCENDO A VIDA

Nos campos onde espero ter meu fim
Os perfumes silvestres me dominam.
Minhas noites, nas flores se alucinam
E deixam bem distante meu jardim.

Tem rosa, tem crisântemo, jasmim.
Porém os tais perfumes desatinam
Aquelas que, passando, se destinam
Aos campos que inda guardo dentro em mim...

De todos os desejos que esqueci
Um deles rememoro sempre aqui.
Dos sonhos que perdi, nada restou...

Os olhos perfumados da lembrança
Flor, que sempre floresce na esperança
Que me perfuma a vida, nosso amor...

MARCOS LOURES

ESTRELA MATINAL

ESTRELA MATINAL

Desta brilhante estrela matinal
Pressinto nosso amor como um corcel
Que, livre, caminhando pelo céu
Traz-nos esta alvorada divinal!

Quem dera viajar por belo astral
Em busca deste belo carrossel
Que trouxe nosso amor num belo véu
De estrelas com doçura virginal.

Não deixe que a manhã tão ciumenta
Encubra tanto brilho. Violenta
Esta aurora te pede: nunca raia!

Porém em minha vida minha amada
A vida já se mostra irradiada
Nos olhos qual fogueira; sol em praia...

MARCOS LOURES

AO ACORDAR

AO ACORDAR

Ao acordar percebo-te comigo,
Serpenteando em beijos; minha pele.
Eu tento levantar, mas não consigo,
Num sentimento breve que revele

Desejo que pressinto ser cativo.
Dançando sobre mim, se delicia
Recomeçando tudo. Então, passivo,
Me entrego ao teu querer, que me vicia...

De novo percorremos esta estrada
Que leva-nos ao êxtase do gozo.
A noite continua na alvorada
Num moto,assim, contínuo; prazeroso.

Depois de saciada, me sorris,
Palavras delicadas e gentis...

MARCOS LOURES

TERMOS E NÃO SERMOS

TERMOS E NÃO SERMOS

Quando se envolvendo em simbiose
Os termos entre termos e não sermos,
Deixando os meus anseios ledos, ermos,
De tantos pesadelos, overdose,

Não mais podendo crer que se antegoze
Entranho o que de fato nos perdermos
Sentidos entre partos e envolvermos
Na luta sem descanso enquanto entrose,

O pendular momento dita o quanto
Traçando muito aquém e me quebranto
Vagando entre o que fora e não sentira,

O vórtice semeia o caos em nós,
E o todo se mostrando mais atroz
Supera qualquer luz e apaga a pira.

Marcos Loures

EM CONTRABANDO

EM CONTRABANDO

Ao menos contra a fúria não concedo
Espaço nem tampouco em vãs substâncias
Marcantes delirares, circunstâncias,
E nessa sensação meu desenredo,

A vida se fomenta em discrepâncias,
O tempo onde percebo desde cedo
Pousando no cenário, entre o segredo
Que negue paradeiro em tais estâncias,

Os passos se fazendo simultâneos,
Dos corpos nem sequer presumo os crânios
E o tétrico final me angustiando,

O mundo se encarcera dentro da alma,
E sinto este talvez que ora me acalma,
Deixando o coração em contrabando...

Marcos Loures

SOBRE AS VAGAS AZUIS

SOBRE AS VAGAS AZUIS

Sobre as vagas azuis a luz da lua
Deitando a claridade mais audaz,
Assim também a vida agora traz
Beleza sem igual enquanto atua

E tanta maravilha já flutua
E nela cada passo agora faz
Do mundo derradeira e bela paz,
Deslinda esta beleza seminua.

Acrescentando a glória mais sobeja
Ainda que a manhã rara preveja
Enaltecidos brilhos nesta aurora,

Assim em cores várias perfiladas
Adentro o paraíso em alvoradas
E tanta luz em sonho amor aflora...

MARCOS LOURES

QUAL DEUSA

QUAL DEUSA

Desponta este luar por sobre o monte
E traça em prata imensa a noite escusa
E quando a solidão adentra e acusa
Matando o que talvez já desaponte

Avermelhado brilho no horizonte
Tornando esta vereda mais confusa,
E nela quando a fonte em luz seduza
Promete do futuro rara fonte,

E sendo assim escravo desta cena
Porquanto se mostrasse bela e plena
A vida traduzindo esta seara

Na qual a maravilha dita a norma
E a cada anoitecer já se transforma
Qual deusa que sobeja semeara...

MARCOS LOURES

TRAÇOS DE LUZ

TRAÇOS DE LUZ

Traços de luz dourando o amanhecer
Permitem que se tenha esta visão
Do quanto poderia em procissão
O mundo a cada dia renascer,

E sinto no provável novo ser
As horas que deveras mostrarão
Quem sabe novo rumo ou direção
Depois de tanta dor a entorpecer,

Espúrias madrugadas, noites vãs
Agora ao me perder nestas manhãs
Expondo o que melhor existe ainda

E tanto se percebe insanidade,
Que quando a luz imensa a terra invade,
Nem mesmo a poesia em mim deslinda...

MARCOS LOURES

NOTÍCIAS...

NOTÍCIAS...

O mar passeia em ondas sobre a areia
Trazendo estas notícias de outras terras
Também quando os desejos tu descerras
Na frágua dos anseios incendeia

A vida enquanto a sorte nos anseia
E muda a direção, logo desterras
E deixas para trás enquanto cerras
As portas desta luz que te rodeia,

As artimanhas todas de uma vida
Mostradas neste instante em que se volta
Gerando em turbulência esta revolta

Aonde se pensara decidida
A sorte de quem tanto quis sentir
As mesmas ilusões de outro porvir...

MARCOS LOURES

QUALQUER BENESSE

QUALQUER BENESSE

Num triunfo divino feito em glória
Jazendo dentro em mim velha mortalha
A sorte muitas vezes não batalha
Sabendo da verdade sempre inglória

E tanto poderia ter vitória
Quem sabe e se perdendo nada valha
Sequer o mesmo corte não espalha
A fúria que é decerto merencória.

Resisto ao não saber do quanto trama
A vida em dolorosa e forte chama
Na ardência contumaz de quem se conhece

A morte bem de perto e não se cala,
Uma alma não se mostra assim vassala
E busca mesmo em vão qualquer benesse.

MARCOS LOURES

IMAGENS DO PASSADO

IMAGENS DO PASSADO

Imagens dissolutas do passado,
Medonhas faces dizem o não ser,
E quando pude enfim te conhecer
O mundo novamente iluminado.

Residuais tormentos, duro enfado,
E tudo o que se poder agora ver
Permite tão somente este prazer
Enquanto amor me dá o seu recado,

E sei ser mais feliz enquanto pude
Viver com tal beleza a juventude
E agora agrisalhado pela vida,

Ainda permaneço junto a ti,
E sei de cada gota que sorvi
Por deuses e alquimistas sendo urdida...

MARCOS LOURES

À LOUCURA

À LOUCURA

Incita-me à loucura esta vereda
Aonde perfilasse maravilhas
E quando em astros tantos vejo trilhas
Porquanto tanto amor já se conceda,

A pele tão macia fosse seda,
E assim incomparável também brilhas
Enquanto por espaços tu palmilhas
A vida noutro fato é labareda...

Divinas luzes trazes neste olhar
E quando posso aos poucos me entranhar
Da farta e tão sutil serenidade,

Persisto enamorado e não renego
O mundo em que meu sonho adentro e emprego
Traçando desde sempre a liberdade...

MARCOS LOURES

QUANDO PASSAS

QUANDO PASSAS


A multidão parada quando passas
E desfilando assim tanta beleza,
Desafiando a própria natureza
As ninfas se perdendo em vãs fumaças,

E quando os meus caminhos queres, traças
Seguindo cada passo com firmeza
Amor ao se mostrar em fortaleza
Supera dos temores ameaças.

E tendo em mim a glória mais audaz,
E nela meu caminho feito em paz
Permite que se veja divindade,

E assim qual fora mesmo rara déia
Por mais que embevecida esta platéia
É minha com certeza a claridade...

MARCOS LOURES

EM LUZ IMENSA

EM LUZ IMENSA



A bela cabeleira sobre o colo,
Negrume em alvos seios bela cena,
E quando a noite dita a mais amena
Beleza sem defesas eu me assolo,

E tomo neste cálice tal vinho
E embebedado enfim por raro sonho,
O quanto ser feliz ora proponho
E sei já não irei jamais sozinho,

Vencidos os meus medos, sigo em frente
E nada me contém nem temporais,
E quero deste encanto e muito mais
Do que deveras pude e se pressente,

A face deste amor em luz imensa
Traduz o que pensara em recompensa...

MARCOS LOURES

UM VÉU EM TRANSPARÊNCIA

UM VÉU EM TRANSPARÊNCIA

Um véu em transparência simplesmente
Recobre a tua pele bronzeada,
A noite assim em prata demonstrada
No quanto em brônzea fronte se apresente

Mergulho nesta insânia e qual demente
Percorro em devaneios esta estrada
E a cada ponto audaz, nova parada
E assim neste delírio o bem consente

E traça novo rumo a quem outrora
Apenas conhecera solidão,
E quando vejo enfim tal explosão

Extrema maravilha me devora,
E tento desvendar cada fronteira
Dos deuses a perfeita mensageira...

MARCOS LOURES

PERGUNTAR NÃO OFENDE...

PERGUNTAR NÃO OFENDE...


Uma perguntinha que tem me incomodado e não consigo responder.
Se à época do mensalão, conforme vários setores da sociedade organizada inclusive a CNBB era impossível Lula não saber do fato, o que dizer agora sobre a descoberta do sepultamento de um mafioso junto aos Papas, negociado por uma fortuna em 1982 na era do Papa João Paulo II?
Sabia ou não?

LASCÍVIA

LASCÍVIA

Olhar tão provocante me tocando
Lascívia se traduz felicidade,
E quando este desejo mais invade
Meu barco no teu porto se ancorando,

Delírio pouco a pouco devorando,
Sabendo deste sonho que te agrade,
Não respeitando mais algema e grade,
Não quero nem saber aonde e quando,

Apenas mergulhar e sem defesas
Beber das mais profanas correntezas,
Santificando a glória de poder

No altar maravilhoso, esta nudez,
Tocado por completa insensatez
Cada gota divina, enfim, beber...

MARCOS LOURES

TOCANDO A TUA FRONTE...

TOCANDO A TUA FRONTE...

Tocando a tua fronte mansamente
Percebo este delírio feito em fúria,
Esqueço do passado e sem lamúria
A vida se transforma plenamente,

O amor que tanto quero e já se sente
Enquanto a vida dita alguma incúria,
Não posso permitir a dor. Depure-a
E assim verás o sonho enfim, presente.

Arfantes madrugadas em gemidos,
Prazeres sem limite são sentidos
E neles embarcando a minha nau,

Encontro-me decerto neste instante
Qual fora um raro e belo diamante
Tocado por um raio magistral.

MARCOS LOURES

TUA NUDEZ

TUA NUDEZ


Tua nudez reflete este luar
E quando mergulhando em tal beleza
Levado por sublime correnteza
Sem nada que inda possa me domar,

Tocando a tua pele devagar,
A boca se deslinda com destreza
E sendo assim tão farta a nossa mesa,
Banquete se fazendo até fartar.

E quero repetir a cada instante
O prato principal, pois deslumbrante
Momento se tornando ritual,

E tanto que te quero e nunca omito,
Aos poucos penetrando no infinito
Conheço assim de cor o imenso astral...

MARCOS LOURES

PERDOE-ME

PERDOE-ME

Desculpa se não tenho tal doçura
Nem a brandura sempre requerida
Por quem sonhando sempre com ternura
Encontra tal rudeza em sua vida.

Embora radical com alma pura;
Espero que a palavra proferida
Não trague nos teus olhos amargura.
Perdi minha finesse de saída...

Sou qual um lavrador, mão calejada
Foram tantos espinhos recebidos
Minha alma em sangue e dor foi destilada,

Não tenho a maciez que tu querias.
De tanto que meus pés foram feridos,
Te falo deste amor, sem poesias....

MARCOS LOURES

A FORÇA QUE EMPREGASTE

A FORÇA QUE EMPREGASTE

A força que empregaste contra o passo
Audaz de quem se fez além do ocaso,
Expressa na verdade o quanto aprazo
E trama este sentido que ora traço,

Não quero conceber o quanto escasso
Pudesse este cenário em ledo atraso,
Vagando sem saber, em puro acaso,
Riscando no infinito o vão compasso,

Adentra o coração entre as penumbras
E apenas solidão sei que vislumbras
E bebes desta forma o quanto houvera

Da sólida expressão, nada mais resta,
O amor se adivinhando em mera fresta
Palavra sem sentido ou insincera...

Marcos Loures

QUE GUARDAS DENTRO EM TI?

QUE GUARDAS DENTRO EM TI?

Que guardas dentro em ti, querida amada?
Um pélago gigante de esperanças?
Noite solitária enluarada?
Mil festas e delírios, bailes, danças?

Uma manhã gelada e orvalhada?
Um poço tão escuro de lembranças?
Uma roseira morta, abandonada?
Um resto da alegria de crianças?

Procuro conhecer-te por inteiro,
Em tal profundidade, já me perco.
Amiga, amada, sonho verdadeiro

Ou quem sabe miragem num deserto.
De todas as opções sempre me cerco.
Difícil conhecer, mesmo de perto....

MARCOS LOURES

NADA DIZEM...

NADA DIZEM...

Palavras, versos, frases, nada falam
Nem sons ou melodias... nada disso;
Mais fortes que o que sinto, nem resvalam.
Nem flores mais sublimes têm tal viço.

Os prados verdejantes... rios, trilhas..
Montanhas, vales, luas, constelares...
Por mais que se demonstrem maravilhas,
Não chegam, meu amor, teus calcanhares...

E como definir tua beleza
Se nada que conheço se equipara.
Estás além de tudo, com certeza,

Numa exclusividade mais que rara...
Falar de perfeição... tenho o direito?
Simplesmente dizer: sim. É perfeito!

MARCOS LOURES

DESEJOS...

DESEJOS...

Transborda-se em desejos madrugada
E tanto se percorrem infinitos,
Os dias em prazeres são benditos
E quando se percebe emoldurada

Na senda mais sublime e delicada
Audaciosamente em brados, gritos,
Prazeres decifrados, raros ritos,
A lua se derrama na calçada

E traz a cada instante um brilho farto
Adentra estes umbrais domina o quarto
E transcendendo à própria vida emana

Vontade que somente amor sacia,
E assim ao perpetrar a fantasia
A noite se transcorre soberana...

MARCOS LOURES

A MESMA VOZ...

A MESMA VOZ...

Ouvindo a mesma voz que há tanto fora
A causa desta amarga solidão,
Procuro descobrir se inda virão
Os sonhos numa noite alentadora,

O pouso transformando a encantadora
Diversa fantasia em falso grão
Trazendo em aridez o mesmo chão
Semente que se perde, enganadora...

Meu canto noutro tom, a vida passa,
O quanto inda restara em luz escassa
Devassa madrugada mais sombria,

O mar que imaginara; se faz rio,
E tento enquanto louco eu desafio,
Tentando imaginar um novo dia...

Marcos Loures

RANCORES

RANCORES

Não deixes que o rancor te tome inteira
Balança cada frase que eu disse,
E sacudindo assim, toda a poeira
Pensa que isso não passa de crendice

E joga fora pela ribanceira
Os versos que te fiz. Foi criancice
Embora esta palavra sorrateira,
O nosso amor em lágrimas predisse.

Palavras quando feitas em espinhos
Sendo tempestuosas morrem cedo.
Às vezes se escondendo dos carinhos

Nos armam e nos fazem mais ariscos.
Talvez seja; portanto o meu segredo.
Mas nada que te impeça correr riscos...

MARCOS LOURES