sexta-feira, 6 de julho de 2012

REFÉNS DA ESTUPIDEZ

REFÉNS DA ESTUPIDEZ

As bombas explodindo aos borbotões,
Reféns da estupidez, meninos mortos,
Caminhos desvalidos, loucos, tortos
Futuros que se perdem, erupções

Devastando. Miséria em plantações
O nada se aproxima em frágeis portos,
Mulheres trucidadas, mil abortos;
Do sangue que se escoa, podridões...

Refaz-se numa flor uma esperança
Criada sobre o podre de uma guerra.
Tão bela e maviosa, uma criança

Se faz da podridão, adversidade...
Por que será preciso que esta terra
Ensangüentada adube a liberdade?

MARCOS LOURES

VICISSITUDES TANTAS

VICISSITUDES TANTAS

Vicissitudes tantas, alma morta,
Exposto aos turbilhões de carniceiros,
Na súcia das mortalhas que me aporta
Extingo meus desígnios traiçoeiros.
Nem mesmo um vão sorriso me conforta
Nas mãos destes vorazes feiticeiros.

Sobrando um vago olhar sobre a carniça
Daquilo que já fui, paisagens toscas.
Olhar que me destrói, pura cobiça
Ao tempo em que me beijas, já em emboscas.
Formando inextinguível, dura liça
Cobrindo o meu cadáver, tantas moscas...

Vomitas sobre os restos, meus destroços,
Devoras, sem ter pena; até meus ossos...

MARCOS LOURES

RUDIMENTAR VERME

RUDIMENTAR VERME

Um rudimentar verme, apodrecida
Carne em putrefação, sem esperança,
Tomando o que restou de simples vida,
Comendo sem limites, à fartança,
Esgueira as ironias, ressentida,
Em gula, violenta, intemperança

Num banquete inconteste, loucos risos.
Orgásticos delírios, sem ter nexo.
Teus dentes pontiagudos e concisos
Penetram no meu cerne, amor e sexo.
Vagando labirintos imprecisos,
Num passo temeroso e mais complexo

Daquilo que sonhei e se perdeu,
No amor que tanto sei, nunca foi meu...

MARCOS LOURES

SEXTINA 31 OCEANO DE PRAZER

SEXTINA 31 OCEANO DE PRAZER


Mergulho no oceano de prazer
E bebo cada gota feita em mel
Ao ter esta alegria de viver,
Percebo ao fim da tarde um claro céu
Mostrando quanto é belo o bem querer,
Montando em liberdade este corcel.

Alçando um infinito, o meu corcel
Em cada novo trote um bom prazer
Guiado pelas rédeas do querer
Espalha em alegria farto mel,
Ganhando pouco a pouco o vasto céu
Ajuda e revigora o meu viver.

Sabendo da emoção de assim viver,
O pensamento livre qual corcel
Singrando com vontade, rasga o céu
E espalha em nosso amor tanto prazer.
A vida vai provando deste mel
Renova a cada passo, o meu querer.

Se tanto desejei o teu querer,
É nele que procuro o bem viver
Certeza de alegria em tanto mel,
Minha esperança audaz feito um corcel
Espalha sobre mim todo o prazer
Reflete em cada nuvem, imenso céu.

Olhando firmemente para o céu
O firmamento trama este querer
Moldando meu caminho em teu prazer
Fazendo bem mais livre o meu viver,
Voando libertário num corcel
Amor se lambuzando doce mel.

Na boca de quem amo sinto o mel
Penetro e calmamente chego ao céu,
Desejos me tomando, sou corcel
Entregue às fantasias do querer
Aprendo a maravilha de viver
Sabendo me fartar em teu prazer.

Sentindo o teu prazer, delícia em mel,
Só quero enfim viver, ganhar teu céu
Nos braços do querer, sou teu corcel.

MARCOS LOURES

DESDÉM

DESDÉM

Percebo em teu sorriso tal desdém
De quem se mostra assim, superior.
Buscando uma resposta, mas ninguém
Sabe dizer por dádiva ou favor.
Do nada em que surgiste, nada vem,
Nem mesmo uma mortalha a me compor.

Perguntas, ( ironia?) por que choras?
Não vês o meu amor, que é tão imenso?
Demoram-se distantes, ledas horas;
O dia transcorrendo seco e tenso.
Vitrais das esperanças quando estouras
No corte que provocas, mal intenso,

Recebo em estilhaços, fundos cortes,
Sabores variados têm as mortes...

MARCOS LOURES

SEM QUALQUER EMOÇÃO

SEM QUALQUER EMOÇÃO

Viver sem ter sequer uma emoção
Matando, em nascedouro, o sentimento.
Tomando de agonia o pensamento,
Rasgando sem dar trégua, o coração.

Assim depois dos cortes da paixão,
Vencido; sem defesas, no momento
Na busca pela paz do esquecimento,
Pedindo em toda forma de oração;

Aos deuses mais distantes e diversos,
Em sonhos, pesadelos mais dispersos,
A salvação que nunca chegará.

Meus últimos suspiros de esperança
Já fazem com a morte, uma aliança
Que, creio, desta vez, me vencerá!

MARCOS LOURES

QUEM VEIO DE OUTRAS ERAS

QUEM VEIO DE OUTRAS ERAS

Quem veio de cismar em outras eras
Num lírico desejo inatingível,
Aguarda a solução de primaveras
Que tragam novo dia mais tangível.

As dores, minha herança, mais severas
Se fazem quase um muro intransponível.
A sorte em passarela, noutro nível,
Com garras afiadas de panteras

Deixando o meu olhar incerto e vago.
Invejo a placidez de um manso lago,
Espero que a tempesta chegue ao fim.

Mas nada do que vejo me traz calma,
Vazios se sucedem em minha alma,
As lágrimas porejam dentro em mim...

MARCOS LOURES

quinta-feira, 5 de julho de 2012

INSANA COMPANHEIRA

INSANA COMPANHEIRA

A poesia, insana companheira
Espalha em simples versos, emoções.
Transmuda, num segundo, as ilusões,
Nas mãos desta terrível feiticeira.

Às vezes diversão como bandeira,
Em outras; sofrimentos e paixões,
Loucuras em gigantes proporções;
Tocha que nos perdendo nos inteira.

Amarguras e risos se sucedem,
Em tresloucada estrada, maestrias.
Os versos muitas vezes não concedem

Senão estas verdades incompletas,
Alquímicas palavras, mil magias
Nos dedos tão sensíveis dos poetas...

MARCOS LOURES

OLHOS ESTRANHOS

OLHOS ESTRANHOS

Olhos estranhos, sôfregos, abertos
Ocupam neste quarto, seus espaços,
No gelo que transmitem; frios aços,
Indefinidas formas de desertos.

Quais fossem, distraídos, descobertos,
Arranham na parede sombras, traços,
Perfilam negritudes, ocos, baços,
Vigiam cada sonho, estão despertos.

Maculam minha noite solitária,
Acendem as tristezas, meus delírios,
Apenas os amores, quais colírios

Transformam esta forma temerária.
Mas sinto que persisto ledo, pária
Restando ao meu cadáver, cravos, lírios...

MARCOS LOURES

AS MARCAS QUE RESTAM

AS MARCAS QUE RESTAM

Nos espinhos que sangram, inocência,
As marcas das tristezas, injustiças.
Quem bebe da esperança, florescência
Buscando em noites duras, movediças.
As mãos erguidas pedem por clemência
Mas naquilo que dizes, tu me atiças

E os odientos dias são heranças
Que deixas espalhadas pelo chão.
Semeias em verdade, com pujanças
Futuro de vergonha e podridão.
Nas crápulas, vazias, alianças
Demonstras o que queres: servidão.

Passeias pelas ruas inclemências
Granando assim incúrias e demências...

MARCOS LOURES

TEU OLHAR

TEU OLHAR

Teu olhar causa inveja ao próprio sol
Em rara formosura e claridade.
Transmite a sensação de majestade
Por sobre a negritude do arrebol.

Estrelas te perseguem, qual um rol
Formando purpurínica beldade.
Prisioneiras da antiga mocidade
Fugidia. Distante girassol,

Procura pelo brilho e fausto acerto
No verde de esperanças em que me olhas,
Revelando em veredas belas folhas,

Ao vento fustigando por completo
Fomentas meus anseios mais recônditos
Desejos que transmites, são indômitos...

MARCOS LOURES

UM SONHO MANSO E SENSUAL

UM SONHO MANSO E SENSUAL

Qual vento que lambendo os arvoredos
Refaz um sonho manso e sensual,
Nas águas que se encharcam deste sal
Lacrimado na angústia de meus medos,

Percebendo aspereza dos penedos
Marchetados por gotas de cristal,
A vida se mostrando desigual
Abarca, sem limites, meus enredos.

Em versos que jamais foram refeitos,
Meus erros acumulo em tensos preitos,
Farsantes sensações; saudade e bem,

As mãos em cicatrizes dolorosas,
Recebem das perfídias; mortas rosas,
Nascidas nos desejos de outro alguém...

MARCOS LOURES

ENVOLTO NOS TEUS BRAÇOS - sextina 30

ENVOLTO NOS TEUS BRAÇOS - sextina 30


Envolto nos seus braços, vou seguindo,
Procuro no teu colo, um acalanto,
Amor feito disforme é sempre lindo,
Rebenta em emoção, inunda em pranto,
Na lábia do menino, vou fluindo,
Entregue sem limites, amo tanto.

A força em que se emana amor que é tanto
Deixando rastros que eu irei seguindo
E o dia nos teus braços vai fluindo
Toando no meu peito este acalanto,
Secando em riso franco qualquer pranto
Mostrando alvorecer divino e lindo.

No rosto desta deusa, calmo e lindo,
Certeza de que um sonho se faz tanto.
Reféns de uma amargura feita em pranto
Estrela que esparrama, irei seguindo
No canto mais sublime um acalanto
Aos poucos dia-a-dia está fluindo.

O rio mansamente assim fluindo,
Descendo para o mar divino e lindo,
Cascatas vão cantando em acalanto
Nos sons que imaginei e quero tanto
As margens deste rio estou seguindo
Atrás de cada gota do meu pranto.

O medo de viver formando em pranto
Estrelas constelares que, fluindo
Espalham tantas luzes, vou seguindo
Caminho que enobrece raro e lindo
Depois de procurar decerto tanto
Encontro a paz em forma de acalanto.

Ouvindo o vento em forma de acalanto
Deixando esmorecer antigo pranto
Esqueço o sofrimento que foi tanto
Envolto na esperança, assim fluindo
Encontro finalmente amor tão lindo
E cada passo seu quero ir seguindo.

O som que vou seguindo, um acalanto
Deveras raro e lindo, seca o pranto
E nele vai fluindo amor que é tanto...

MARCOS LOURES

VESTIDA DE NENÚFARES

VESTIDA DE NENÚFARES

Quando a vi, sustenidos e bemóis
Ressoando na casa iluminada
Por vários tons, matizes de mil sóis
Trafegando degraus em escalada.
Ascendendo lances logo após
As marcas que encontrava; todas... cada.

Vestida de nenúfares sabia
Que a cada novo passo vaporoso
Tornava-me refém da fantasia
De ter e ser além de simples gozo.
Nos sons que com certeza, entranharia;
Mostravas seu perfil tão belicoso.

Numa alucinação febril, insana,
A lua desfilava soberana...

MARCOS LOURES

AMOR - sextina 29

AMOR - sextina 29

Amor que em amizade sustentava
Felicidade plena bendizia,
Uma esperança a mais sempre abrigava,
Trazendo claridade para o dia,
Meu mundo no teu colo se entregava
Formando uma ilusão em poesia.

Encanto magistral da poesia
O sonho mais feliz já sustentava
A lua em maravilha se entregava
No verso que esperança bendizia
Prevendo amanhecer em novo dia
Aonde uma alegria se abrigava.

Meu corpo que em teu corpo se abrigava
Tocado pelas mãos da poesia
Raiando em mansidão formoso dia
Um sonho mais audaz se sustentava
No amor que tão sereno bendizia
Prazer que mansamente se entregava.

O rumo de meus braços entregava
Certeza de que amor cedo abrigava
O canto divinal que bendizia
A vida na sublime poesia;
A cada novo passo sustentava
Certeza de raiar um belo dia.

Renova-se esperança a cada dia
Ao qual felicidade se entregava
E o passo com mais força sustentava
No colo que decerto me abrigava
Forrado pelos dons da poesia,
Encanto que quem ama bendizia.

Meu verso te buscando bendizia
A glória de poder saber um dia
Tocado pelas mãos da poesia
Mostrada neste olhar que se entregava
Àquela que em seu peito me abrigava
E amor intensamente sustentava.

Amor que sustentava e bendizia
Na luz que se abrigava forma um dia
Aonde se encontrava a poesia.


MARCOS LOURES

FOTOGRAFIA

FOTOGRAFIA

Desenhos do teu rosto em cada canto,
Fotografia clara da esperança
Que toma minha vida em tal encanto,
De um amor que a saudade ainda alcança.
Na nossa casa simples, de amianto,
O que restou servindo de fiança.

Qual rio que, em nascente, já secou,
Só deixando o vazio em suas margens,
Assim também aqui tudo ficou
Lembranças que parecem mais miragens.
Tomando todo o quarto e o que inda sou.
Gigantes, discrepantes defasagens...

Mostrando que já fui feliz um dia,
Lembrando que existi: fotografia...

MARCOS LOURES

NUM TURBILHÃO

NUM TURBILHÃO

Febril, num turbilhão, em seus volteios,
Tocando minha mão suavemente,
Na intumescência bela de teus seios,
À boca se permitem, alvos, quentes.
Quadris vão prometendo bamboleios
Em tantos devaneios, mais urgentes.

Prazeres se transformam em incúrias,
O corpo desejado logo açodo,
Envolto em mil pecados, em luxúrias,
Retorce-se em delírios como um todo.
Os lábios transbordando loucas fúrias
Bebendo em fina taça todo o lodo.

E assim na nossa dança sensual
A noite vai passando, colossal!

MARCOS LOURES

É BOM DEMAIS!

É BOM DEMAIS!

Percebo quando o olhar, querida, cerras,
Em doces convulsões vai se tomando,
Nas nossas aventuras, paz e guerras,
Ternuras que nos lambem, devorando.
Gemidos incontidos, quase berras,
Relances que se mostram sempre quando
A noite se faz rara, o supra-sumo,
Vertigens e delitos, louca estrada
Aonde nosso caso encontra o rumo
E pede que tarde uma alvorada.
Tomamos desta fruta todo o sumo
Com sede, alma voraz, alucinada.
Olhares tão sedentos querem mais,
A dose se repete: é bom demais!

MARCOS LOURES

QUANTO INCOMODA

QUANTO INCOMODA

É triste perceber quanto incomoda
A roda que se faz em alegria.
Na mão sinto a tesoura de quem poda
O sol que não sabia e não queria.

Desculpe se um perfume bom açoda
E traz para as narinas, a magia.
Poeta que se fez fora de moda
Eu canto amor, amigo todo dia.

Nos leves bruxuleios, lamparina,
Vestidos de cetim, rios e riso,
Na saia tão bonita da menina

Vislumbro a perfeição do paraíso.
Um velho coração que descortina
Amor que me tirou, decerto, o siso...

MARCOS LOURES

TEU DIREITO

TEU DIREITO

Amiga não se esqueça da bonança
Que toda tempestade já promete.
Um laivo de alegria e de esperança
Na história que pra sempre se repete.

Cansaço que surgir depois da dança
Deixando na cabeça só confete,
A noite sem parar, depressa avança,
Mas que isso nunca fira nem afete

O gosto do prazer que tens agora,
Quem sabe guardarás raro confeito,
Se toda uma alegria não demora,

Durante certo tempo satisfeito,
Teu mundo na saudade revigora,
Amar será pra sempre, teu direito!

MARCOS LOURES

A CADA NOITE

A CADA NOITE


Percorro a cada noite, a vastidão
Que nos separa, amada; ganho o astral
Montado no cavalo/coração
Estrelas recolhendo em meu bornal.

Tocando a bela lua em sedução
Até chegar a ti, quando afinal
Me entrego, sem temores à paixão;
Matando esta saudade que é fatal.

Os raios da alegria, trago-os eu
Teu mundo, neste instante, é todo meu,
Num cofre delicado da ternura.

Distâncias não me importam, pois sou teu,
E bebendo desta água que é tão pura,
Esqueço a minha sede de amargura...

MARCOS LOURES

PAÇO DO LUMIAR

PAÇO DO LUMIAR

Paço do Lumiar, talvez um sonho,
Cravado no Brasil, nascido em luz;
Com nome tão brilhante e tão risonho,
A claridade na alma reproduz...

No mundo dentre trevas, injustiças,
Medonhas discrepâncias e quimeras.
Crivado de maldades e cobiças,
As ruas, capital, entregue às feras.

De repente, uma luz chama atenção...
Surgida na palavra, na cidade,
Que em si nos demonstrando a solução
Quem sabe de viver felicidade...

A vida sempre está no limiar.
O sonho neste paço, Lumiar...

MARCOS LOURES

PELAS RUAS

PELAS RUAS

Preciso que me entornes pás de cal,
Jogando meu cadáver pelas ruas,
Sugando cada vez mais, afinal
As horas que passamos foram tuas.
Um verme tão arcaico e ancestral
Não pode perceber, estrelas, luas...
E prestes a morrer, fétido, espúrio,
Se adorna em versos loucos e bizarros.
De lírios e de cravos, sem antúrio
Coberto pelas lamas, pelos barros.
Quem fora procurar por um augúrio
Encontra em boca aberta, só catarros.
Dissolvo-me em pedaços, a feder
Apenas só me resta, então, viver...

MARCOS LOURES

JOGADO NAS SARJETAS

JOGADO NAS SARJETAS

Jogado nas sarjetas, quase informe,
Devoro o que restou de fino prato,
Uma esperança morta já não dorme,
Apenas esboçando o meu retrato.
Quem teve um sonho breve, quase enorme
Só vive destes restos que hoje, eu cato.
Elementares ordens que quebrei,
Fomentos de vinganças descabidas.
A morte simplesmente, traça a lei
Invalidando sempre nossas vidas.
Do pouco que não quis nem esperei
As sobras vão embalde, repartidas.
Na paixão de viver, tão violenta,
Do aborto em que nasci, restou placenta...

MARCOS LOURES

CAMINHO QUE BUSQUEI

CAMINHO QUE BUSQUEI

Embora tantas vezes bem escuro,
Caminho que busquei foi sem espanto.
Além desta verdade que procuro
Em cada novo dia, novo canto.
O chão que sem promessas se fez duro
Agora não suporta mais meu pranto.
Enquanto simples rumo que eu trilhava
Mostrava mais percalços que alegria,
Inútil meu olhar se ensangüentava
Na sombra mais cruel do dia a dia,
Vulcão que se perdeu sem ter nem lava
Não deixa fumegar a poesia.
Minha alma incandescente vai, soturna,
Embrenha sem ter rumo em negra furna...

MARCOS LOURES

AO TE VER

AO TE VER

Ao te ver na distante e tão risonha serra,
O meu olhar te procura, em sonhos derradeiros.
Amargor da saudade em volta dos ribeiros.
Na trilha desta serra a marca d’uma guerra.

A noite sem ter sonho é triste, e me desterra...
Esperas, qual princesa, os bravos cavaleiros.
Eu só posso te dar, amores verdadeiros.
O teu belo castelo, está em outra terra.

A natureza rara, em alegrias, canta.
O pássaro que voa a quem escuta, encanta.
Só Deus nunca me escuta, embalde minha prece...

A nuvem, escondida, aguarda; trará chuva.
A mão que me tortura esmera-se na luva.
A tarde vem caindo, a noite me envelhece...

MARCOS LOURES

QUEM AMA NOS ENSINA

QUEM AMA NOS ENSINA

Quem ama nos ensina que na vida
A falha cometida no passado,
Se noutras vezes, sempre repetida,
Mostra que quase nada foi guardado.

Etapa por etapa assim cumprida,
Capítulo bem visto e encerrado,
Lição já decorada e aprendida,
O resto: bem melhor deixar de lado...

Acendendo uma vela que clareie,
Iluminando o rumo tão escuro;
Permite que o futuro não receie

Aquele que aprendeu esta lição:
“Pensando neste brilho que procuro
Eu deixo assim de lado, escuridão...”

MARCOS LOURES

O CANTO QUE EM MINHA ALMA SE DERRAMA

O CANTO QUE EM MINHA ALMA SE DERRAMA

O canto que em minha alma se derrama
Trazido pela voz de quem sonhara.
Dizendo mansamente que, enfim, me ama,
Numa emoção profunda cara e rara.

Ao longe, quem adoro já me chama
Meus sonhos mais felizes ela ampara
Com doce sensação em nossa trama
Da flor que no jardim me perfumara.

Amada, não permita que a saudade
Nos tome por reféns e nos magoe.
Amar é ter noção da liberdade

Nas asas que criamos com carinho.
Por isso neste canto sempre voe
Amor que se inspirou num passarinho...

MARCOS LOURES

TIRA-GOSTO

TIRA-GOSTO

Por mais que esteja longe, Minas há.
Depois de tantos montes, esquecida...
Nos vôos, pensamentos, chego lá
Bebendo em procissão, a fé na vida.

Na febre que não passa, mãe, pai, chá,
Qual fosse uma esperança adormecida
No canto desta estrada, voltará
No campo, na lavoura, em nossa lida.

Na Minas dos amores, das Igrejas
Dos cemitérios, luzes e luares.
Dos goles de cachaça, das cervejas

Nos bares da saudade, lembro o rosto
Daquela que eu amei, doces pomares
Dos beijos e carinhos... Tira-gosto...

MARCOS LOURES

ENTREGAR-ME COMPLETAMENTE

ENTREGAR-ME COMPLETAMENTE

Eu quero me entregar completamente;
Vibrando dentro em ti toda a loucura
Gostoso sentimento, de repente,
Que traz todo o desejo da procura...

Verter o meu delírio com que sonhas,
Rodar minha cabeça, ficar tonto,
Perdemos os pudores, as vergonhas,
Querida; vem agora, pois 'stou pronto

P’ra te fazer feliz, perder o nexo,
E te levar comigo, ao infinito
Onde somente amor, tesão e sexo
Permitem que se cumpra o nosso rito

De sermos num momento um só ser
Gostosa sensação, santo prazer...

MARCOS LOURES

JÁ TE TRARÁ FELICIDADE

JÁ TE TRARÁ FELICIDADE

Castelos e sereias, a princesa...
O corte tão profundo já levou.
De toda a fantasia que ficou,
Um gosto tão amargo da tristeza...

Mas a tarde trará nova certeza,
Mesmo que o sol que veio não brilhou
Outro virá trazendo o que sonhou.
Enfim te cercará de tal beleza

Que nunca lembrarás do antigo sol.
A vida te promete este farol
Que sempre te trará a claridade!

E tudo que parece tão distante
Muda-se, de repente, num instante,
O amor já te trará felicidade!

MARCOS LOURES

SE TENTAS ME FERIR...

SE TENTAS ME FERIR...

Se tentas me ferir, querida amiga
Acaba por ferires mesmo a ti.
Não percamos mais tempo e que prossiga
Passo a passo esta estrada que vivi
E que vivemos sempre em forte liga;
Tu sabes que estarei tal qual te vi
Seguindo nossa sorte sem tardança
Nas curvas mais difíceis, laço forte,
Parceiros nas tristezas e nas danças,
Lançada há muito tempo nossa sorte,
Bebemos destas mesmas esperanças
Até quando chegar final ou morte.
Incríveis nossos passos par em par,
Janela que insistimos destrancar.

MARCOS LOURES

RIQUEZA INCOMPARÁVEL

RIQUEZA INCOMPARÁVEL

Riqueza incomparável de ouro e prata
Tornando em diamante nossas vidas.
Na força maviosa da cascata
Redime nossas horas já perdidas.
Um norte que nos toma e arrebata
Achando em labirintos, as saídas...
Num mar que se permite em tantas ondas,
- A vida – transformando em calmaria
As tormentas que fazem suas rondas
Deixando muita dor em agonia.
Riqueza que se encontra na verdade,
No rosto companheiro, num sorriso.
Quem tem este tesouro, uma amizade,
Por certo já tem tudo o que é preciso...

MARCOS LOURES

UM BELO CORPO

UM BELO CORPO

Galgando no teu corpo um belo porto,
Aonde eu descobri mapa e tesouro.
Depois de tanto amor, vou quase morto,
Brilhando de suor, eu encontro o ouro.

Fazer amor, delícia de desporto
No gozo detonando um belo estouro.
Delírio que me deixa sempre torto,
Mas sempre benfazejo, um bom agouro.

Servir e ser servido em abundância,
Molhando tua boca na enxurrada,
Deitar tua nudez com elegância,

Vagando nossa noite iluminada,
Nos ápices profanos, chafariz,
No lago, imensidão, eu sou feliz...

MARCOS LOURES

TORTURA

TORTURA

Amor que maltratando; me tortura,
Trazendo a solidão como estandarte.
Busquei a vida inteira por ternura,
Distante do saber desta fina arte.

Na luta por paixão e por candura,
Pensei que amor se encontra em toda parte.
Realidade mostra-se tão dura,
A vida não cedeu sequer aparte...

Se toda gente assim, de amor soubesse,
E como é doloroso um bem querer,
Que o coração teimoso já padece

Distante de quem sonha conviver...
Sabendo quanto custa o querer bem,
Não queria, jamais gostar de alguém...

MARCOS LOURES

CEIFEIROS

CEIFEIROS

Ceifeiros, os meus sonhos te procuram,
Arando uma esperança a cada verso.
Distantes de teus olhos me torturam,
Semeiam ilusões pelo universo.
Nos dedos tão macios, sensuais,
As mãos de quem adoro me chamando.
Formando com estrelas, festivais,
Em brilhos, pelos céus, vão desfilando...
Transcendem tanta paz pelos espaços,
Mostrando o bom caminho que me guia.
Estreitam mais fortes, nossos laços,
Além do que, talvez, se poderia...
Deitar em tuas pernas, sonho e cais,
Meus sonhos te buscando... Nunca mais...

MARCOS LOURES

VORAZES

VORAZES

As dores me entranhando são vorazes
Inoculando, amargas, as peçonhas.
Cortantes, vigorosas, tais tenazes,
Traçando minhas noites tão medonhas.
Algozes dos meus sonhos, bem mordazes,
Garatujas irônicas, risonhas.
Por mais que seja um rígido rochedo,
Meu peito se demonstra destroçado.
No gosto de teus lábios acre, azedo,
Resumo de um destino malfadado.
Em hediondos ritos, os enredos;
Se perdem neste céu negro, nublado...
A sorte abandonada num cassino,
Derrotas que acumulo. Meu destino...

MARCOS LOURES

DISTINTAS ILUSÕES

DISTINTAS ILUSÕES

Fomentas nos meus antros cerebrais
Distintas ilusões sobre o futuro
Às vezes simplificas os banais
Tormentos que me tornam bem mais duro;
Por outras deturpando os mais boçais
Medos, onde sempre me emolduro.
Meus dias, quando negros, temerários,
Encharcam a minha alma, podre lama.
Os rogos que me trazes, tão sectários
Invadem ilusões em cada trama.
Desejos que predizes, mercenários,
Açodam minha boca em negra chama.
Minha alma em tão sutil putrefação
Aguarda depois disso, a solidão...

MARCOS LOURES

CRUDELÍSSIMO CARRASCO

CRUDELÍSSIMO CARRASCO

Saudade, crudelíssimo carrasco
Formada em tão terríveis vendavais,
Veneno que se entorna em frio frasco,
Sem nada construir, tão contumaz.
Reduz a minha vida a um fiasco.
Resseca todo o sonho, mata a paz.
As bocas que beijei, ledo passado,
Sorrindo e penetrando outros desejos.
Recado recebido e disfarçado
Em forma de ironias ou de beijos.
Felicidade nunca foi meu Fado,
Os dados mal jogados, os despejos.
Meus dias vãos passando; cegos, tensos.
Os vales da saudade são extensos...

MARCOS LOURES

O GOZO DO TEU RISO

O GOZO DO TEU RISO

Quando sinto o gozo de teu riso
Que é para a vida doce mantimento,
Vibrando em tal delícia, o pensamento,
Se faz sem mais delongas, paraíso...
No amor que assim cedo diviso,
A força em que me guio e me sustento.
Um sentimento nobre e tão profundo
Que invade sem escusas, excelente,
Tomando sem juízo, uma aguardente,
Que inebria, sincero, onde me inundo.
Trazendo um claro estio, sempre quente.
Aonde mergulhando me aprofundo.
Mulher querendo sempre merecê-la
Eu trago uma alegria feita estrela...

MARCOS LOURES

O GOZO DO TEU RISO

O GOZO DO TEU RISO

Quando sinto o gozo de teu riso
Que é para a vida doce mantimento,
Vibrando em tal delícia, o pensamento,
Se faz sem mais delongas, paraíso...
No amor que assim cedo diviso,
A força em que me guio e me sustento.
Um sentimento nobre e tão profundo
Que invade sem escusas, excelente,
Tomando sem juízo, uma aguardente,
Que inebria, sincero, onde me inundo.
Trazendo um claro estio, sempre quente.
Aonde mergulhando me aprofundo.
Mulher querendo sempre merecê-la
Eu trago uma alegria feita estrela..

MARCOS LOURES

OS VÉUS QUE TE COBRIAM

OS VÉUS QUE TE COBRIAM

Os véus que te cobriam, alvas neves,
Em sonho imaculado de grinaldas.
Além do que desejas não atreves
Amores eu bem sei já não desfraldas,
Nos olhos maculados me descreves
As noites que passaste em doces caldas...

Guardando para si tais dissabores
Das chamas que envolveram teu passado,
Refletes noutras camas, despudores
Fingindo num sorriso disfarçado,
Trazendo nos teus dentes puras flores
Magias de loucuras e pecado.
O mundo agora traz diversas cores,

Te sinto estremecer logo ao me ver,
Resquícios deste tempo de prazer...

MARCOS LOURES

UMA ALMA TRISTE

UMA ALMA TRISTE

Carrego dentro em mim uma alma triste,
Afeita a tantas dores, agonias.
Porém o coração teimoso insiste
E chove em tempestades nos meus dias.
Parece que ilusão, não sei, existe.
Contaram-me em sonho as fantasias...

Por que viver assim, Senhor Meu Deus?
Permita que eu te implore meu descanso.
Embora em meu olhar pressinta adeus,
O sol volta a brilhar quebra o remanso.
Quem dera se estes olhos tão ateus,
Pudessem vislumbrar, mas não alcanço.

Ó vento da saudade, seja forte
Presenteando então com minha morte...

MARCOS LOURES

DISFORME

DISFORME

A força que me doma está disforme
Em pútrida garganta se regala,
Estúpida esperança que não dorme,
Espreita silenciosa em minha sala.
Um coração afeito a coliforme
Em látegos castigos, nada fala

Errantes emoções, podre destino,
Num abissal e tétrico sorriso,
Revirando minha alma em desatino,
Prenúncios esgarçados num aviso.
No vago de teus olhos me alucino
E louco, a dor espúria, logo biso.

No centro de meu mundo uma discórdia
Somente uma mentira, vai, acode-a...

MARCOS LOURES

AMO AMAR VOCÊ - Sextina 28

AMO AMAR VOCÊ - Sextina 28


Amor que, tantas vezes, me acompanha
Em noites solitárias, esperanças...
Bebendo em tua boca amor me entranha
Roubando das estrelas luzes mansas,
Vontade de te ter, sede tamanha,
Revendo em cada sonho, nossas danças.

Meus sonhos prometendo novas danças
Tanta alegria sempre se acompanha
Da força deste amor que sei tamanha
Trazendo ao coração tais esperanças,
As mãos que se procuram calmas, mansas
No fogo da paixão que vem e entranha.

A luz que em noite imensa já se entranha
Vislumbra em plenilúnio belas danças,
As horas vão passando bem mais mansas
Olhar enamorando te acompanha
Brilhando, transbordando em esperanças
Forjando esta alegria assim, tamanha.

Vontade de te ter em luz tamanha
Na claridade imensa amor se entranha
Forrando o meu caminho em esperanças,
As forças da natura em belas danças
Tocadas pelo olhar que te acompanha
Bonança sem tempestas noites mansas,

Palavras que seduzem sendo mansas
Permitem fantasia, enfim tamanha,
O canto em emoção que te acompanha
Nos âmagos dos sonhos quando entranha
Fomenta tal festejo em tantas danças
Espalha sobre nós tais esperanças.

Trazendo para a vida as esperanças
Amor mostrando sendas sempre mansas
Transporta em sintonia velhas danças
E a sorte de te amar se faz tamanha
E a tentação infinda assim se entranha
No rastro deste amor que te acompanha.

Amor quando acompanha as esperanças
No fogo que se entranha em noites mansas
Mostra em glória tamanha nossas danças...

MARCOS LOURES

ESMOLERES DA ESPERANÇA

ESMOLERES DA ESPERANÇA

Transformações estúpidas que traço
Em todas as facetas da matéria.
Na ebulição do sonho em que me faço.
Apátridas poções, negra miséria.
Nas hordas que dominam cada espaço
Os homens se parecem com bactéria.

Na podridão da fome que se espalha,
Devoram as crianças recém natas.
Sórdida proteção de uma batalha
Permite que se esgarcem casas, matas.
No corte tão cruel de uma navalha,
Guerreiros e soldados, casamatas...

Nas mãos dos esmoleres da esperança,
Ganância e servidão voraz, avança...

MARCOS LOURES

MEU AGASALHO

MEU AGASALHO

Qual fúnebre mortalha, um agasalho,
Viagem, sortilégio derradeiro.
À campa em que descanso e me agasalho,
Forrado pelo amor mais verdadeiro.
Distante do prazer e do trabalho,
Meu corpo se entregando, vai inteiro...

Amantes delicados e vorazes,
Nos lábios decompostos um sorriso,
Cortantes os insetos, as tenazes,
Minha alma tão longínqua, me hipnotizo,
Estranhas sensações que são fugazes,
Visões que percebi do paraíso...

Do corpo que perdi, a liberdade
Do sonho de viver eternidade...

MARCOS LOURES

NA DOCE MANSIDÃO DE MINHA MORTE

NA DOCE MANSIDÃO DE MINHA MORTE

A mão que te procura não se atreve
A mendigar carinhos, orgulhosa.
Quimera que me toma em alva neve,
Perdendo o bom perfume, nega a rosa,
Que o tempo que passamos não preserve
Sequer a tua luz, maravilhosa.

Sou aspas e parênteses, um til,
O resto do que foi um sonho lindo.
A morte tão voraz e mais sutil,
Aos poucos minha porta vai abrindo.
No toque delicado é bem sutil,
E em passos quase rápidos, vem vindo...

Sonego uma esperança, nego a sorte,
Na doce mansidão de minha morte..

MARCOS LOURES

MUITO ALÉM DO QUE EU MEREÇO

MUITO ALÉM DO QUE EU MEREÇO

Se sonho muito além do que mereço,
Talvez seja ilusão, querida amiga.
Um passo bem maior eu obedeço,
Impede que esta dor assim prossiga.

A vida se fazendo em um tropeço,
Não deixa que meu canto crie liga,
Porém se um verso novo eu enalteço,
Meu mundo num segundo trama a viga.

Se faço o dia a dia em esperança,
Traçando a cantoria mais risonha,
No fim da noite espero pela dança

Além de todo o bem que se proponha,
Meu peito de menino, de criança,
Não pára de querer, por isso sonha...

MARCOS LOURES

ÁGUAS PASSADAS

ÁGUAS PASSADAS

Viver amor passado novamente,
Parece uma loucura, minha amiga.
Depois de tanto tempo, mais descrente,
Caminhos que passamos, não prossiga.

Porém comida fria que requente,
Talvez matar a fome inda consiga.
No caso, nova chuva se pressente,
Molhando nossa casa tão antiga.

Um tronco que cortado, brotará,
Quem sabe novos frutos surgirão?
Na chuva intermitente de verão

Sementes já lançadas nascerão.
Granando uma esperança colherá
O resto deste amor florescerá?

MARCOS LOURES

O MEDO DE MORRER

O MEDO DE MORRER

O medo de morrer que me tocava
Causando em minha vida um fundo corte,
Transmuda-se em desejo bem mais forte
De um jeito que jamais imaginava.

Estúpido; nas ruas ,quando andava
Nas madrugadas frias, cheiro forte
Da podridão de uma alma que recorte
Os sonhos em que, tolo, eu me banhava.

Nos goles da aguardente, confissões,
Esparsas cicatrizes se acumulam,
Invés de porta aberta, paredões;

Em troca de um sorriso, cusparadas.
Somente as podres bocas que me osculam
Se mostram mais amigas, camaradas...

MARCOS LOURES

ESTÚPIDO REFÉM

ESTÚPIDO REFÉM

Sou mais do um simples prisioneiro
Perdido nestas pérfidas batalhas,
O mundo que se mostra carniceiro
Invade com as fétidas navalhas
Rasgando o coração, sangrando inteiro
Pois quando tu me beijas, me retalhas.

Sorrisos que encontrei nestas hienas
Que gozam do martírio de quem sofre,
São máscaras que mostras quando acenas,
Tomando minhas dores, vem de chofre,
No regozijo espúrio finge penas
Teu perfume recende ao próprio enxofre.

Mas nada do que fazes me retém
Da vida sou estúpido refém!

MARCOS LOURES

SENDAS TENEBROSAS

SENDAS TENEBROSAS

Tais sendas que percorro, tenebrosas,
Apenas esperanças inda alvejam
Tentamos espalhar perfeitas rosas
Porém somente cardos já vicejam.
Em mãos que se apresentam, belicosas,
Meus dias, tempestades os negrejam...

Sentindo-me mais frágil e impotente
Lavado em sujas águas, sem destino.
Fingindo tantas vezes ir contente,
Mentindo sobre um céu alabastrino;
Meu barco carregado por corrente
Que leva ao suicídio, desatino...

Roseirais apodrecidos no jardim,
O nada, simplesmente , dentro em mim...

MARCOS LOURES

PROFUNDA SENSAÇÃO DE FUNDO CORTE

PROFUNDA SENSAÇÃO DE FUNDO CORTE

Profunda sensação de fundo corte
De adaga putrefata ainda ecoa.
Promessa benfazeja de uma morte
Que vem silenciosa e não perdoa.
Quem dera se tivéssemos a sorte
De um barco abalroado em plena proa.

Talvez não rastejasse esta saudade
De um tempo em não fui simples cativo.
Desilusões perpétuas, dura grade
Moldando minha vida em forte crivo.
Dos sonhos que morreram sem alarde,
Até desta vontade já me privo.

E rondo qual falena,à morte um lume,
Sem lágrimas, sem medos, sem queixume...

MARCOS LOURES

PÉRFIDO SORRISO

PÉRFIDO SORRISO

Beijando ao mesmo tempo me assassinas
Com pérfido sorriso, tão medonha.
Mal sabes, sendo assim tu me fascinas
Na sensação estranha e tão bisonha
Contaminando assim belas boninas
Na fétida alegria que me enfronha.

De todas as surpresas, fatigado,
Encaro estas estradas mais poentas.
Maldigo a cada instante este meu Fado
Buscando outras histórias bolorentas
Que tirem minha vida deste enfado
Das luzes e penumbras violentas.

O solo movediço em que, assim, piso,
Servindo como alerta, como aviso...

MARCOS LOURES

INFERNO EM PARAÍSO

INFERNO EM PARAÍSO

Meus passos fraquejando vão trementes.
Vazios, os meus olhos, vou cansado.
Na boca que me beija uma serpente
Esconde seu veneno que instilado
Domina todo o corpo e toda a mente,
Vagando o tempo todo do meu lado...

Seu beijo que me toca, me incendeia
E forma uma ilusão que, cedo, passa.
Tomando tal veneno em minha veia
Tonteiras e fascínios, viro caça.
A mão que me acarinha, esbofeteia,
Caminho sem ter tréguas à desgraça.

Estou preso à loucura suave e doce,
Inferno em paraíso, como fosse...

MARCOS LOURES

ADOÇANDO A VIDA?

ADOÇANDO A VIDA?


Não falo mais de mel nem de doçura,
Querida, o diabetes aumentou.
Cansado de beber cachaça pura,
Apenas este fel, o quer restou.

Retrato nesta sala, sem moldura,
Nem mesmo a solidão ele curou.
Uma água mole bate até que fura,
Quebrantos sem sentidos, me deixou.

Preciso deste amor, jamais neguei,
É fato que te quero a cada instante.
Não sabes quanto a ti me dediquei,

Não sou, como tu pensas, um farsante.
Porém em tanto amor me adociquei,
Que a vida já passou, sem adoçante...

MARCOS LOURES

FALAR DO SONETO? perder tempo...

FALAR DO SONETO? perder tempo...

Falar-te de sonetos e de rimas,
Parece ser inútil, companheira.
Se zombas de quem sabe e discriminas
Mostras uma ignorância verdadeira.

Não quero nem desejo t’as estimas.
Palavra tão ferina, uma besteira.
Desiludida sempre, quando afirmas,
A causa se demonstra assim, inteira.

Quem guarda tanto fel por estandarte
Maltrata quem não quis te magoar.
Atira sem saber, em qualquer parte,

Berrando, vocifera, sem motivos.
Difícil te entender e perdoar,
Soberba nos teus olhos mais altivos...

MARCOS LOURES

MEUS SONHOS

MEUS SONHOS

Meus sonhos, belas dálias no meu peito,
Eflúvios da paixão indefinidos.
Num átimo buscando ser eleito
De amore que se fazem dos olvidos.

Num límpido segredo,satisfeito,
Eu adormeço a paz de ter sentido
Em esplendor raríssimo e perfeito
Todo o temor que houvera, resolvido.

Caminho pelas sendas florescidas,
Buscando pelas fontes sempre frescas,
Montanhas, cordilheiras gigantescas,

Não ousam impedir as nossas vidas.
No sonho em que esse amor já me enternece
Eu agradeço a Deus, louvor e prece...

MARCOS LOURES

DIAS FRIOS

DIAS FRIOS

Os dias se passando tão gelados,
As nuvens da tristeza vão se abrindo,
Lembranças de outros dias prateados
Teu rosto mais bonito me sorrindo...

Os sonhos que me tomam são alados
Mas logo a realidade me ferindo,
Secando tantas fontes, morrem prados.
Meu mundo que se fora belo, lindo...

Tua pele macia, em alva neve,
Num delírio feliz, num vôo breve,
Qual fosse uma ilusão que se levanta

Alçando meu desejo ao infinito...
Distante deste olhar, meigo e bonito,
Nem mesmo uma esperança leda; encanta...

MARCOS LOURES

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A SOLIDÃO MALTRATA MUITO MAIS

A SOLIDÃO MALTRATA MUITO MAIS

Por mais que o amor maltrate um sonhador,
A solidão machuca muito mais.
Amiga, neste mundo; o desamor,
Acaba com sorriso, e mata a paz.

Se teimo em cada verso, um amador,
A dor já me feriu, e por demais.
Do tempo em que vivia sem calor,
Não quero recordar. Viver jamais...

Por isso minha cara companheira,
Não deixe de querer amar alguém.
Uma esperança, eterna jardineira,

Um dia te fará bela surpresa.
Amor, por mais distante, sempre vem,
Cobrindo a tua vida de beleza....

MARCOS LOURES

MAL CONSIGO DORMIR

MAL CONSIGO DORMIR

Mal consigo dormir se não estás
Deitada do meu lado, brasa acesa.
Ardendo em vera chama, amor se faz,
Depois de toda a festa em sobremesa.

Sorvendo assim de ti, sou bem capaz,
De receber o vento que me tesa,
Fazendo tanto amor, querendo mais,
Navego nos teus mares de princesa.

No jogo que incendeia a nossa cama,
Brincando em flamejantes tentações.
Insisto em te querer, fogosa trama,

Nas asas tentadoras das paixões.
Amor em seus matizes, toda a gama,
Explodindo em milhares de emoções...

MARCOS LOURES

AMOR VERDADEIRO

AMOR VERDADEIRO

Transita o vero amor, matéria fina,
Que, gerado em deslumbres de carinhos,
Retendo a qualidade de bons vinhos,
Em tempo o seu valor se determina.

Calcado em tanta paz, alabastrina,
Valora-se em detalhes, raros linhos,
Mesmo quando defronta com espinhos
Transborda em limpidez, tão cristalina.

Início que se fez luxúria e gozo,
Retoma em mansidão, mais carinhoso,
Um sentimento quase de mormaços.

No doce badalar de calmos sinos,
Depois das tempestades, desatinos,
Toda a suavidade de teus braços...

MARCOS LOURES

EM TEU RASTRO

EM TEU RASTRO

No rastro de teus mágicos perfumes
Espreito no caminho em que prossigo
O resplendor dos passos feitos lumes,
Nas lutas que prevejo, um santo abrigo.

Seguindo qual falena vou aos cumes
Mais tenebrosos plenos de perigo.
Percebo-te voraz em teus queixumes,
Além do que pretendo e não consigo.

Cupido em seus delírios; lança as setas,
Aufere seus desejos, suas metas
E em febre me atingindo, me aquebranta.

Aquém do que sonhara um ermitão,
Tomado por loucuras da paixão,
Um coração tão frágil já se encanta...

MARCOS LOURES

TOSCA SENSAÇÃO

TOSCA SENSAÇÃO

Na tosca sensação de vaga mente,
Refém de lerdos sonhos em volteios.
Sem tréguas que refaçam meus esteios,
Entrego-me aos teus olhos de serpente.

Veneno me inoculas, ás ardente
Na sôfrega ilusão de meus anseios.
Arrefecendo os sonhos, ledos freios,
Agônico, mergulho em lagos quentes.

Tua sensualidade, doce fúria,
Fomenta nossa noite mais espúria,
Tornando meu desejo tão disforme.

A noite semimorta já não dorme,
Tomada por luxúria, insensatez...
No gozo venenoso em que se fez...

MARCOS LOURES

GUARDADO EM CATEDRAIS

GUARDADO EM CATEDRAIS

Guardado em catedrais que sei imensas,
Um coração se faz em duras datas,
Na vívida lembrança de outras crenças,
Nas hostes doloridas, velhas matas,
As sensações passadas, mais intensas,
No aluvião das dores insensatas...

Focado por mistérios sensuais,
De tempos que se foram, seus enganos.
No olhar vazio, mares abissais
Negando a novidade de outros planos.
Os dias que se foram, nunca mais,
Regendo o seu futuro, soberanos...

Que faço se este amor, um temporão,
Infausta novamente, o coração?

MARCOS LOURES

TEMOR

TEMOR

Temor que me invadindo, formidável
Transborda em solidão, velha quimera.
Abrindo no meu peito uma cratera
Na fome e no vazio interminável.
Além do que julgara miserável,
Mordendo devagar, teimosa fera.
Espero a solução que nunca veio,
Envolto nesta treva, sem destino.
Frágil lembrança, tosca de um menino,
Na noite solitária, um vão receio.
O medo ressurgindo, vem a pino;
Nos passos de um amor que inda rastreio.
A boca abandonada se apedreja,
Sonhando com os lábios que não beija...

MARCOS LOURES

À AMIZADE - SEXTINA 27

À AMIZADE - SEXTINA 27





Os dias sem te ter vão penitentes,
As horas já não passam; tristes, duras,
Teus braços como raios envolventes
Garantem caminhadas mais seguras,
Teus olhos que me guiam, reluzentes,
Banhando cada passo com ternuras.

Buscando tão somente tais ternuras
Depois de noites tristes, penitentes
Encontro meus caminhos reluzentes
Amaciando estradas frias, duras
As mãos se tornam fortes e seguras
Trazendo estes carinhos envolventes.

Palavras que me dizes, envolventes
Tão plenas de carícias e ternuras
Mostrando soluções bem mais seguras
Redimem almas, velhas penitentes
Embora tantas vezes sejam duras
Permitem alvoradas reluzentes.

Estrelas que me entornas, reluzentes
Quais traços de amizades envolventes
Nas tramas bem mais firmes e mais duras
Tocadas pelos raios de ternuras
Protegem os que foram penitentes,
Passadas com certeza bem seguras.

Amiga com teus braços me seguras
Futuro mostra rotas reluzentes.
As pernas maltratadas penitentes
Atada nos grilhões mais envolventes
Depois de perceber tantas ternuras
Libertam-se das trevas, cruéis, duras.

As marcas mais profundas, sempre duras,
Guiadas por passadas mais seguras
Permitem vislumbrar raras ternuras,
Sentindo os claros brilhos reluzentes
Que chegam com seus raios envolventes,
Trazendo uma alegria aos penitentes.

Outrora penitentes noites duras,
Nos braços envolventes vão seguras
Nos trilhos reluzentes das ternuras...

Na flor do meu amor

Na flor do meu amor

Na flor do meu amor: maracujá
As tramas mais diversas envolvendo,
O tanto que se quis em dividendo,
O resto que decerto volverá,

Não quero e nem pudera desde já
Dardeja o que se mostra neste adendo,
E o corte pouco a pouco me envolvendo
Decerto o quanto posso e não virá.

Arroxeado sonho morre cedo,
Quantas vezes; desvendo e me concedo,
No beijo que jamais se fez presente,

Descendo corredeiras e riachos,
Dos nichos dos meus erros, fogos, fachos,
E a fina areia em meu deserto se apresente.

Marcos Loures

PLENILÚNIO

PLENILÚNIO

A noite em plenilúnio, mansa e pálida,
Deleita-se contigo, deusa nua.
Lúbrica fantasia de crisálida
Que em sonhos se entregando, já flutua.
Deitando num remanso, doce e cálida,
Temerosa pressente e enfim recua.

Amar é se entregar, louco sacrário,
Fazendo de outro corpo o seu altar.
No beijo que procura, senso vário,
Derrama-se em deleites ao luar.
Na cama ensangüentada, seu sudário,
A fome e saciedade a se buscar.

Refém deste desejo que a domina,
Mulher incandescendo uma menina...

MARCOS LOURES

SEXTINA 26 NÃO DEVERIA ACREDITAR...

SEXTINA 26 NÃO DEVERIA ACREDITAR...



Já não mais deveria acreditar
Nos erros de quem tenta nova luz
E o tempo se em verdade não soubesse
Vagando entre as estrelas, constelares
E sei do quanto pude em teus altares
Gerar o meu caminho em liberdade.

Ainda que vivesse a liberdade
E nela inda pudesse acreditar
As sombras mais suaves dos altares
Refletem dos meus sonhos tanta luz,
E sigo entre cenários constelares
Talvez outro momento inda soubesse,

O quanto se pudera e já soubesse
E dita o meu anseio em liberdade
Os dias entre os sonhos constelares
Ainda que eu pudesse acreditar
No canto se moldando em rara luz
Trazendo ao meu olhar raros altares,

A vida se traduz em teus altares
Ainda que em verdade não soubesse
Bebendo cada gota desta luz
E nisto se conhece a liberdade
Ainda que pudesse acreditar
Nos ritos mesmo sendo constelares.

E sei dos meus anseios; constelares
Ousando na esperança em meus altares
E tento a cada instante acreditar
Embora na verdade isto eu soubesse,
Tramando o que pensara em liberdade
E neste caminhar encontro a luz,

A noite semeando em rara luz
Explode nos resumos constelares
E nisto se sentisse a liberdade
Ferrenha no caminho entre os altares
Ainda que talvez mesmo soubesse
Do quanto poderia acreditar.

E sei que acreditar em cada luz
Dizendo o que soubesse em constelares
Momentos nesta luz em tais altares.

MARCOS LOURES

MEUS CADÁVERES

MEUS CADÁVERES

Arrasto os meus cadáveres e nada
Da face desenhada se apresenta,
A luta demonstrara esta sangrenta
Palavra mesmo em vão deteriorada,

A força que se molda dita estrada
O peso jamais traça ou me apascenta,
Negando qualquer sonho se inocenta
Batalha que se molde destroçada.

Não quero o novo tempo nem tampouco
O grito sem sentido, mero e louco,
Alucinadamente volto ao zero,

E sei da virulência do que vem,
Matando o que se mostre ainda aquém
Do quanto desenhei; e teimo, e quero.

Marcos Loures

OUTRA NOITE PERDIDA

OUTRA NOITE PERDIDA

Uma noite perdida neste imenso
E turvo caminhar cenário afora,
A fonte se desmancha e o nada aflora
Traçando outro momento em que não penso,

Espinhos sangram medos, me convenço,
Da mesma vergastada desde outrora
E quando me preparo, ao ir-me embora,
Ausente de meus dedos, qualquer lenço.

Respaldos procurados, não há viço,
Somente o mesmo solo movediço
Mortiça madrugada nega o dia,

E bêbado do quanto pude crer
Nefasta criatura eu passo a ver,
Aonde a mais serena buscaria.

Marcos Loures

A poesia em mim... SOL FIGUEIREDO e marcos loures

A poesia em mim... SOL FIGUEIREDO e marcos loures


Eu revivi tantos sentimentos,
Ao participar desse momento,
Fez-me encantar muito mais ainda...
Por ver a poesia sempre tão bem vinda!

Embriaguei-me com tantos versos,
Enveredei por rimas, o universo...
Da métrica, um duro estudo...
Com bela poética, contudo!

Eu pensei até que não era verdade,
Essa minha nova realidade,
Em escrever sempre mais poemas...

Será que tenho algum problema,
De só querer versejar um tema?
Expressando sem tais vaidades!

© SOL Figueiredo

Vivendo sem temer o que viria
Beijando a tempestade com fervor,
Deixando no passado alguma dor
Singrando os grandes mares, poesia,

A noite que passara amara e fria,
Renasce com ternura e sem temor
Sagrando cada verso redentor
Marcando com brandura o que haveria,

Momentos que eu vivera, antes nostálgicos,
Imersos em terrores, rudes e álgicos,
Agora renascendo em sutis versos,

Assisto ao mais sublime amanhecer
E nele em cada instante me embeber
Unindo antigos passos tão dispersos.

MEU VERSO

MEU VERSO

Meu verso, um velho cego e obsoleto,
Qual sombra do passado ledo e tolo,
Embora tantas vezes vá inquieto
Não serve nem sequer mais de consolo.
Esmago cada sonho, um vil inseto,
Semente que se aborta em seco solo.
Jogado sem defesa às duras feras
Em tal canibalismo que me assusta.
Refém das desditosas primaveras
Em látega vontade mais robusta.
Num precipício imenso, vãs crateras,
Além do que pensei; amar me custa.
Meu verso abandonado, pobrezinho,
Morrendo em rima e métrica, sozinho...

MARCOS LOURES

SOLIDÃO NOTURNA

SOLIDÃO NOTURNA

Na solidão noturna me recolho
E vejo tua sombra na parede;
Meu sonho mais esguio, sem ferrolho,
Na boca imaginária mata a sede.
Na sombra um brilho fosco reflete o olho
Num incêndio saudoso, a velha rede.
Procuro, sem sucesso, te tocar,
Apenas o vazio por herança.
Os raios portentosos do luar
Inflam, num momento esta esperança.
Mas nada encontrarei. Só, a brilhar,
Um rastro faiscante, uma lembrança.
No espelho de meu quarto, um vago senso,
Reflete o nosso amor que foi imenso....

MARCOS LOURES

IMERSO EM TANTAS ÂNSIAS

IMERSO EM TANTAS ÂNSIAS

Profundamente imerso em tantas ânsias,
Calejo uma emoção em corpo frágil.
Percebo, nos teus olhos repugnância
Na fuga que encetaste, bem mais ágil.
Nas dores que guardei em leda infância
A sorte que sonhara, simples plágio.
Ao ver-me assim, exposto a tais ruínas,
Do altar que imaginei, amor sincero,
Na luta que bem sei tu abominas
A solidão devora em gesto fero.
Numa ressurreição de antigas minas
Um resto de ilusão que ainda espero.
Os vermes pouco a pouco me tomando
Não sei se aguardarei nem até quando...

MARCOS LOURES

ALÉM DO QUE SONHEI

ALÉM DO QUE SONHEI

Além do que sonhei que já tivesse
Do encanto que se fez contentamento.
É como se deveras, numa prece,
Amor de dores fosse assim isento.
Porém o duro Fado não esquece
Sequer por um segundo ou um momento.

Às ordens deste amor, estou sujeito,
E assim se fazem cantos mais diversos.
Professo mesmo embalde o meu direito
Na busca da alegria nestes versos.
Tu queres e bem sabes que eu aceito
Oferecendo a ti meus universos.

Enganos proferidos sem descanso,
Teu mundo que procuro e não alcanço...

MARCOS LOURES

CANTANDO O PLENO AMOR

CANTANDO O PLENO AMOR

Cantando o pleno amor, tão docemente
Em termos que me fazem namorado
Da lua que se explana totalmente
Em brilho, com teu colo prateado.
Percebo uma ousadia mais presente
Num ato que se mostra delicado.

Na sutileza calma deste gesto
Invade meu jardim, clareia as rosas,
Senhora do meu sonho em que eu empresto
As mãos em seus carinhos, desejosas.
Quem veio de outro tempo tão funesto
Se esbalda com delícias perfumosas...

Procuro amada lua em qualquer parte,
Bem certo destes lumes em plena arte.

MARCOS LOURES

DOCE AMIGA DA SAUDADE

DOCE AMIGA DA SAUDADE

Tristeza, doce amiga da saudade,
Vestindo uma pobre alma penitente.
Ressoa desde a minha mocidade
Deitada em minha cama, enlanguescente.
Vivê-la é mais que só fatalidade
Que toca um velho peito tão descrente.

Condiz com cada sonho em minha vida,
Refém de longo tempo em vago riso.
Caminho por vereda mais florida
Ausente do perfume; perco o siso.
Na face em dor intensa, contraída;
Distante do que penso, um paraíso...

Aberto o coração não se renova
Aguarda simplesmente a sua cova...

MARCOS LOURES

Quem dera...

Quem dera...

Quem dera se pudesse outro pavio
Enquanto a cera espalha fogo e fúria
Na mesma solidão, resta a lamúria,
E o preço quando o pago, desafio.

Cevando em margens áridas, meu rio,
O tanto se perdendo em tal penúria,
E nada do que possa enfim, depure-a,
Marcando o que se ouvisse em tom sombrio,

Alheio aos descaminhos que me trazes,
Ainda quando luto por audazes
Anseios mergulhando no jamais,

Enfrento os desafetos, mas prossigo,
E tento mesmo em canto atroz e antigo
Vencer os ermos dias tão banais...

Marcos Loures

SILHUETA ESGUIA

SILHUETA ESGUIA

Ao ver a silhueta tão esguia
De quem sempre sonhei, imagem bela.
Percebo que em verdade eu já vivia
Na busca de quem deusa enfim, revela.
Relances maviosos da alegria
Onde um futuro em fausto, amor já sela.

Amor, um velho bruxo, feiticeiro;
Se faz pura magia e forte encanto.
Um sentimento nobre e verdadeiro
Emoldura beleza em breve canto.
Enfronha-se em palavras, sorrateiro,
Pegando de surpresa, um mago espanto.

Ao ver a silhueta tão esguia,
A noite mergulhando em fantasia...

MARCOS LOURES

MEUS DIAS

MEUS DIAS

Meus dias quando outrora alvissareiros,
Raríssimos troféus de uma esperança.
Promessas de vitória e seus loureiros,
Julgando bem mais forte uma aliança

Primor de velhos sonhos que, guerreiros,
Morreram sem resquícios na lembrança.
No lodo em que emergi, pr’a sempre imundo,
Charneca de meus olhos, falsidades,

No pélago vazio em que me inundo,
Distante de pureza e castidades,
Vagando sem ter rumo pelo mundo,

Apenas me restando tais saudades...
No crocitar de uma alma prisioneira
Somente a solidão é companheira.

MARCOS LOURES

TEU PERFUME DESEJADO

TEU PERFUME DESEJADO

Sentir o teu perfume desejado,
Tocando em tuas pernas, calmo mar.
Recebo pelo vento o teu recado,
Sentindo esta vontade de ficar.

A vida inteira sempre do teu lado,
E todo o teu carinho desfrutar.
Não vês como eu estou apaixonado?
Deitar o nosso amor sob o luar...

As nuvens passeando em nosso céu,
Formando uma paisagem delicada.
Galopo no teu corpo, qual corcel,

Voltando a ser de novo o teu rapaz,
Sorvendo cada gota iluminada
Que o brilho deste amor, pra sempre, traz...

MARCOS LOURES

NÃO INVEJES

NÃO INVEJES

Amiga não invejes mais ninguém,
Às vezes um sorriso só disfarça
Do nada tanto nada sempre vem,
Fingindo ser feliz quem já se esgarça;

Vazio sem sequer saber um bem,
Tentando se esconder de uma desgraça
Na busca da alegria, que não tem;
Volúvel e tão frágil se esfumaça...

Assim há tanta gente neste mundo
Que tenta demonstrar felicidade.
Se perdem da verdade em um segundo,

Sorrisos mentirosos, todos falsos,
Distante do que for sinceridade,
Preparam os seus próprios cadafalsos...

MARCOS LOURES

TEUS OLHOS ME CORTANDO

TEUS OLHOS ME CORTANDO

Teus olhos me cortando qual espada
Penetram no meu peito, são punhais.
Mostrando minha sorte retratada
Em brilhos tão possantes, divinais...

Recebo em teu olhar forças leais
Que invadem toda negra madrugada
Com lumes mais perfeitos, magistrais...
Aquecem mesmo a noite mais gelada...

Olhar que me denota toda a crença
De quem eu aprendi, bem cedo amar
Fazendo em sua chama a diferença.

Rebrilham toda sorte que há em mim,
Além desta beleza de um luar,
Ajudam-me a querer-te tanto assim...

MARCOS LOURES

NEGAR A MINHA SORTE?

NEGAR A MINHA SORTE?


Negar a própria sorte? Quem me dera...
Meu mundo se esvaíra há tantos anos,
E neles outros tantos desenganos
Marcando o que deveras inda espera

A farsa mesmo quando foi sincera
Expressa; no final, somente os danos,
E os passos entre rumos desumanos,
Esperam numa esquina o salto, a fera,

Erguesse alguma luz, mero troféu,
Porém nublado sempre o antigo céu
Em véus mais turbulentos, heresias.

Não quero acreditar que inda trarias
Alguma solução quando não vejo
Sequer o menor traço, nem lampejo.


Marcos Loures

QUAIS ONDAS...

QUAIS ONDAS...

Nas ondas do que eu creio e não veria,
O tempo se anuncia em tal borrasca
Que nada mais pudesse, sendo a casca
Do quanto se tentara em fantasia,

Do vento que se espalha a cada dia,
No tórrido verão, vejo a nevasca,
Deste arvoredo sobra apenas lasca,
E o mundo em paz jamais se volveria,

A fome a cada instante, o medo, o cardo,
E quando o passo eu tento além, retardo,
Marcado pelos erros e disfarces,

As travas são as mesmas, no poder,
A monetária sede de vencer,
Amiga, sem saber também me esgarces.

Marcos Loures

O QUE NOS RESTA A FAZER

O QUE NOS RESTA A FAZER

Os lemes já partidos, sem timão,
O barco se condena e sigo aquém
Do quanto deveria e nunca vem,
Marcado pelos erros que virão.

Enquanto se tentar na embarcação
O mundo que de fato nos convém,
A luta se esvaindo, e vejo bem,
Somente o mesmo tom, farsa, ilusão.

Não quero acreditar mais no que há tanto
Pudesse ser bem claro e se me espanto,
Do pranto que resume minha sorte,

Apenas renascendo em todo corte,
Encontro enganos mil em cada canto,
E espero, mansamente e ausente, a morte.

Marcos Loures

MIRAGEM

MIRAGEM

Reflito os meus enganos, outra vez,
E nada do que venha desde outrora
Noutro cenário em paz não corrobora,
Embora outro momento ainda vês,

E saibas que afinal no que tu crês
Aos poucos, dia a dia se evapora,
Restando quase nada e mesmo agora
Restaura-se esta eterna insensatez.

Surfando pelo tempo, um imbecil,
Eclode no que busca e nunca viu,
Um vil tormento dita esta viagem,

E quando se acredita noutro rumo,
Num novo amanhecer; eu não me aprumo,
Sabendo qualquer luz, mera miragem...

Marcos Loures

IDÊNTICOS UNIVERSOS

IDÊNTICOS UNIVERSOS

Mas, como acreditar na humanidade,
A cada novo tempo; apodrecida,
Imagem de uma antiga refletida
Repete a mesma sorte que a degrade,

Enquanto se fizer felicidade
Nas tramas do poder, cadê saída?
A face noutro espelho refletida,
O novo bebe a velha iniquidade,

E nada novo sinto sob o sol,
Apenas o que possa em vil farol
Traçar um descaminho após diversos,

Convergem para a dura e turva senda,
Aonde cada engodo ora desvenda
Idênticos, em síntese, universos.

Marcos Loures

TEU CORPO DESEJADO

TEU CORPO DESEJADO

Teu corpo desejado e tão lascivo,
Deitando em mil carícias violentas,
Num gozo tão terrível e aflitivo,
Em magos sentimentos, me arrebentas.

Teu corpo que possuo, e nisso vivo,
Mostrando estas vontades mais sangrentas,
Hedônico, sedento e convulsivo,
Na força que demonstras e me ostentas...

Num sôfrego fascínio, uma demente,
Um hálito sedento, doce e quente.
Um toque mais audaz, voluptuoso,

Recebo teus carinhos, teus afagos,
Em aguardentes goles, grandes tragos
Que explodem sem limites no teu gozo...

MARCOS LOURES

INCÊNDIOS QUE NOS TOCAM

INCÊNDIOS QUE NOS TOCAM

Lamber-te por inteiro, ser teu homem...
Molhando tua flor tão desejada.
Incêndios que nos tocam e consomem,
Na fúria que te fez por mim amada.

Desnuda-te, perfumas e me domas,
Em teu castelo, invado o teu jardim.
Bebendo gole em gole, tu me tomas
Sorvendo intensamente, até o fim.

Sem mais reservas, deixo-me tragar
Te dando todo amor que mais querias.
Alago com prazeres o teu mar.

Nadando em cada sonho, verso e canto,
Mergulho sem limites, fantasias,
E me entrego, sem rumo, ao teu encanto...

MARCOS LOURES

AMARGURADA

AMARGURADA

A noite que te trouxe, amargurada
Em fantasia imensa e vaporosa,
Deixando minha vida abandonada
Matando em meu jardim jasmim e rosa.

Depois de certo tempo, um quase nada
Traçando uma esperança dadivosa,
A noite se mostrou mais constelada,
Já menos sofredora e dolorosa...

Dormências em meus sonhos mais secretos,
Aos poucos emoções me dominando.
A chuva mansamente em meu deserto,

Encharca uma alegria em seus espaços.
A vida para mim abrindo os braços,
O sol em alvorada vem raiando.

MARCOS LOURES

MARCAS DE DIAS DOLOROSOS

MARCAS DE DIAS DOLOROSOS

Meus cabelos tomados pela prata,
As marcas de outros dias dolorosos,
A solidão que conheci já se retrata,
Dos sonhos que morreram, venenosos...

Vida de quem não ama, eu sei; maltrata,
Distante dos caminhos luminosos,
Perdido em ilusão, escura mata,
Somente estes momentos tenebrosos...

Amor que parecera ser bizarro,
Moldando nos teus braços, fino barro
Do qual eu renasci, minha querida.

Do medo que vivera no passado,
Cumprindo minha sina do teu lado;
Salvando, finalmente minha vida...

MARCOS LOURES

SEXTINA 25 ESTA EMOÇÃO

SEXTINA 25 ESTA EMOÇÃO


Trazendo sempre à baila esta emoção
Ousando na verdade ser feliz
O quanto da esperança não me dita
Servindo ao que pudera noutro instante
E o corte se aprofunda dentro da alma
Matando suavemente em ironia.

O mundo apresentando em ironia
O que pudesse ser pura emoção
No vento que invadindo esta pura alma
Traçando outro caminho mais feliz
E nada poderia neste instante
E sei do quanto o tempo sempre dita,

A luta sem certeza em leda dita
Vencendo o quanto resta em ironia
E nisto se moldara a cada instante
E trama no meu rumo esta emoção
E sei do que pudesse ser feliz
A vida não traria além esta alma,

O canto ao invadir em paz minha alma
E trama o que a expressão deveras dita
E deixa o meu sorriso mais feliz
Marcando com ternura esta ironia
E vivo tão somente da emoção
Moldada num momento em novo instante,

O tanto quanto possa neste instante
Ditame sem igual que toca na alma
De quem se moldaria em emoção
E fala do que possa em rara dita,
Negando o que trouxera em ironia
Tocando levemente o que é feliz

A vida se explodindo faz feliz
O manto desenhando neste instante
E trago dentro da alma esta ironia,
Varia a cada passo noutro instante
E gera o quanto quero em nossa dita
Trazendo com firmeza esta emoção.

O mundo em emoção me faz feliz
E muda a minha dita a cada instante
Matando dentro da alma uma ironia.

MARCOS LOURES

SENTIMENTOS VÃOS

SENTIMENTOS VÃOS

Meus sentimentos vãos, loucos, terríveis,
Formando assim tão trágicos aspectos,
Percebem teus sorrisos impassíveis,
Distantes de meus males, mais secretos.

Embora parecendo incoercíveis
Meus medos vão tomando todo afeto.
Os sonhos se parecem insensíveis
Não trazem nenhum fato mais concreto.

Um coração se perde nas fanfarras
Dos dias em que fora mais feliz.
Rompendo, no final tantas agarras,

As dores que se foram, dilaceram,
Apenas noutros dias que se esperam,
Amor que bem distante, eu sempre quis...

MARCOS LOURES

A DOR QUE NOS HUMILHA

A DOR QUE NOS HUMILHA

A dor que quando vem nos entristece,
Ferindo muitas vezes nos humilha;
Negando ao próprio Deus, calando a prece,
Matando de um amor, a maravilha.

Tanta tristeza e mágoa sempre tece.
Aos corações amantes, em medos, pilha
Uma esperança assim, cedo fenece;
Nem mesmo a fantasia compartilha...

Sozinhos, sem ter rumo, nada vem,
O gosto tão amargo, uma quimera.
Distante do que fora nosso bem,

O sol já se perdendo em falsidade.
Só resta em nosso peito a leda espera
Do brilho salvador de uma amizade.

MARCOS LOURES

segunda-feira, 2 de julho de 2012

HORAS DERRADEIRAS

HORAS DERRADEIRAS

Desfraldam-se desejos, madrugadas,
As horas vão passando, derradeiras,
As fúrias se mostrando arrebatadas,
De todas as insânias, as primeiras.

De todas as vontades vasculhadas,
Loucuras sempre foram as primeiras;
As tramas que traçamos, altaneiras,
Mostrando tuas pernas enlaçadas...

Avanço o território mais gentil,
Tomando cada ponto, na batalha,
Amor vai se mostrando mais sutil,

No corte desejado em que se entalha
As marcas de um querer inebriante,
Saber tuas defesas, doce amante...


MARCOS LOURES

OPULÊNCIAS

OPULÊNCIAS

Teus seios sem recato em opulências,
Entornam tua láctea brancura.
Amor que já se fez sem reticências,
Envolto em duras garras, me tortura.

Discretos os teus gestos de decências,
Fugazes, emergidos em ternura,
Roubando das estrelas florescências
Escrevem meu amor em mão impura.

Sentindo o meu destino em ledo corte,
Sacrários mentirosos e marmóreos,
Engodos em caminhos antes flóreos,

Na presa da mulher feita serpente,
Amar festa impossível, que pressente
Momentos que anunciam minha morte

MARCOS LOURES

MEUS SONHOS

MEUS SONHOS

Meus sonhos, belas dálias no meu peito,
Eflúvios da paixão indefinidos.
Num átimo buscando ser eleito
De amores que se fazem dos olvidos.

Num límpido segredo,satisfeito,
Eu adormeço a paz de ter sentido
Em esplendor raríssimo e perfeito
Todo o temor que houvera, resolvido.

Caminho pelas sendas florescidas,
Buscando pelas fontes sempre frescas,
Montanhas, cordilheiras gigantescas,

Não ousam impedir as nossas vidas.
No sonho em que esse amor já me enternece
Eu agradeço a Deus, louvor e prece...

MARCOS LOURES

VENENOSA

VENENOSA

A boca que me beija, venenosa
Transforma cada sonho em pesadelos.
Espinho que brotou em bela rosa,
Medusa em mil serpentes, nos cabelos.

A pele tão macia e veludosa,
Transborda nas escamas, mil novelos,
Quem fora mais bonita e mais cheirosa,
Aos poucos se transforma. Frios gelos...

Do amor que se fizera flamejante
Mulher que se mostrara louca amante,
Tomada num momento por veneno.

Pressinto a languidez de uma serpente,
Matando todo amor que diz que sente,
Da morte sem perdão, um triste aceno...

MARCOS LOURES

BELO SONHO

BELO SONHO

Depois de tanto tempo em lama e treva,
Vagando pelo mundo em duro rito,
Vivendo sem carinho em triste leva
Rendido ao pesadelo mais maldito.

Nem mesmo uma esperança se releva
De uma dor retumbando amargo grito,
Sem sonhos e desejos, sem reserva.
O peito empedernido num granito...

Percebo em tua boca mais voraz,
Promessa de outro mundo mais risonho.
Recendes ao perfume tão audaz,

Que trama na luxúria um louco cio.
Deitando nos teus seios, belo sonho,
Tomando um coração antes vazio...

MARCOS LOURES

QUANTO VALE UMA AMIZADE

QUANTO VALE UMA AMIZADE

Percebo quanto vale uma amizade
Ao ver a solidão que me devora.
Depois de ter negado a claridade,
Minha alma, sem apoio, sempre chora.

Talvez, quem sabe, nunca seja tarde
Por isso estou pedindo: vem agora,
Mostrando como é boa a liberdade
Sem medo e sem temor, a qualquer hora.

Desculpe este lamento que remeto
Em versos desmedidos e sem métrica.
O que tentei; aborto de um soneto,

Foi para te dizer, querido amigo,
Não deixe que esta vida seja tétrica,
Preciso de teu braço aqui. Comigo...

MARCOS LOURES

QUEM PODE RECLAMAR?

QUEM PODE RECLAMAR?


A mão que carinhosa traz amor,
Não deve ser deixada assim de lado,
Nos dedos divinais de um escultor,
Amor parece sempre engalanado...

Perfume que exalado desta flor,
Merece ser por Deus abençoado.
Inundam nossa vida de calor,
Deixando um coração desenfreado.

Mas quando maltratado, o coração,
Não queira que ele trague maciez,
Se feito com respeito e com paixão,

Amor sempre domina e satisfaz,
Porém quando o desprezo toma a vez,
Quem pode reclamar, quem é capaz?

MARCOS LOURES

BELA FLOR

BELA FLOR

A bela flor de cor tão expressiva,
Inunda o coração de bom perfume,
Te faço esta canção ó sempre-viva
Não deixe que esta dor já se acostume

E venha toda noite, tão altiva
Gerando com certeza o meu queixume,
Minha alma que pretende estar mais viva
Afasta esta tormenta do ciúme...

Brilhando como a lua, areia e mar,
Na noite-imensidão que se aproxima,
Vontade meu amor, de namorar,

Fazendo das estrelas meu colchão,
Voando, vendo a terra lá de cima,
Vivendo coroado de emoção...

MARCOS LOURES

TEU ROSTO

TEU ROSTO

A chuva vai caindo e traz teu rosto
Em todos os lugares, eu te vejo,
Meu mundo está desnudo, estou exposto,
Às tramas tão banais deste desejo...

Procuro me sentar, cadê encosto?
A boca está sedenta do teu beijo,
O sol qual esperança morre, posto;
Nublando todo o céu, finda azulejo...

A chuva recomeça nos meus olhos,
Em gotas que se escorrem deste olhar.
As dores me cegando, são antolhos,

A vida vai mudando pouco a pouco,
O mundo num eterno transformar
Só esta uma saudade... E eu... Tão louco...

MARCOS LOURES

CHOVE EM MIM

CHOVE EM MIM

A noite está tão fria sem te ter...
A chuva vai caindo lentamente,
Quem sabe meu amor pudesse ver
A dor que me transtorna, totalmente...

Se a chuva perceber o bem querer
Trazia a minha amada novamente.
As águas alagando vêm dizer
Que nada me fará bem mais contente...

Meu sofrimento aumenta com a chuva
Que não respeita nada nem ninguém,
A porta escancarada... A visão turva...

Saudades deste bem, que foi enfim,
Razão da minha vida. E sem ninguém,
A chuva não termina. Chove em mim...

MARCOS LOURES

UM NOVO ALGUÉM

UM NOVO ALGUÉM

Só quero um novo alguém que possa vir
Depois de tanta chuva, para mim.
Não canso de cantar e repetir,
Preciso de um carinho; amor sem fim...

Que venha sem cobrar e sem pedir,
Os erros cometidos? Sei que sim,
Errei, e não concebo mais mentir,
Agora reconheço tudo enfim...

A solidão que queima e me atormenta
Se fez em versos tristes. Mas agora
Que a noite se promete, a dor se ausenta

E deixa uma esperança em seu lugar,
A vida se renova e se decora,
Do sonho de poder de novo amar...

MARCOS LOURES

QUARTO DESERTO

QUARTO DESERTO

Neste quarto deserto; espelho, sombra e luz
Me mostram o contraste entre o que fomos
E o que penso que somos. Minha cruz
Se faz bem mais pesada. Corto em gomos

Os oscilantes sonhos; me confundem
A cada nova noite. Interessante
Perceber como às vezes me perfundem
Com a tua presença, mesmo distante.

Na luz bruxuleante do abajur
As sombras se misturam. Mal percebo
Amor como se fosse neste tour
Dar e retirar tudo o que concebo.

No espelho vejo as rugas à vontade
Tirando, do amor, possibilidade?

MARCOS LOURES

MARCOS LOURES

MINHA ESPERANÇA

MINHA ESPERANÇA


Plantei minha esperança no jardim
Das flores mais cheirosas deste mundo.
Batendo uma saudade dentro em mim,
Viajo nos teus braços, num segundo.

Na rosa que colhi, cor carmesim,
Perfume delicado e mais profundo.
Canteiro de ilusões morrendo assim,
Sangrando um coração tão vagabundo...

Somente o teu sorriso brotará
Em meio a tantas plantas sem semente.
Perfume de mulher, de resedá,

Beleza que me fez ser mais contente.
Espalhas teu sorriso o tempo inteiro,
Certeza que valeu fazer canteiro...

MARCOS LOURES

ABRA A PORTA

ABRA A PORTA

Reflito os mil fulgores desta lua
Que invadiu o teu quarto sem licença
E flagrou-te deitada, toda nua,
Ganhando o teu perfume em recompensa...

Do lado que me cabe desta rua
Não há sequer no mundo que convença
Minha alma a desistir, e continua
Até que meu desejo enfim te vença.

As horas se passando, são eternas,
Os raios do luar, te possuindo...
Quisera ser um deles nestas pernas

Marcando de prazer minha morena
Distante, bem distante vou pedindo,
Abra as portas; te juro... Vale a pena!

MARCOS LOURES

FESTA BOA

FESTA BOA

Tocando nos teus seios, festa boa.
Menina tão sapeca quer brincar.
O pensamento solto sempre voa,
Querendo sempre, sempre, namorar.

A vida vai passando assim, à toa,
Com jeito de querer comemorar.
Estamos, meu amor, mesma canoa,
Cuidado senão pode revirar...

Expondo em transparência, a silhueta
Em formas magistrais, moça bonita.
Percorrendo teu corpo qual cometa,

Meus dedos e os meus lábios cima em baixo.
Meu coração se apressa e já palpita,
No esconde-esconde, rápido; eu me encaixo...

MARCOS LOURES

Falácias...

Falácias...

Amor que se fizera em vã retórica,
A luta sem defesas sendo injusta,
O quanto se desenha e sempre custa
Numa verdade crua, amarga, histórica,

Ainda quando a vira outrora eufórica,
Mercadoria podre não se ajusta
Na farsa que eu pudera, mais robusta,
A imagem sempre igual, vã, diabólica,

E nada se amainasse noutro instante,
E sigo o quanto hercúleo me adiante
Ao ermo que carrego dentro da alma,

Num termo mais cruel e ora absoluto,
Ainda em perspicácia não reluto,
E nada além da audácia inda me acalma.

Marcos Loures

Vontade de Fugir

Vontade de Fugir

Vontade de fugir e não deixar
Nem mesmo uma pegada sobre o chão,
Meus erros noutros erros mostrarão
O quanto foi difícil caminhar,

Não tendo nem podendo mais alçar
Enfrento outro cenário em turbilhão,
A morte talvez seja a solução,
Procuro inutilmente o meu lugar,

Vasculho dentro em mim e nada vejo,
Nem mesmo o quanto houvera num lampejo,
Pagando por enganos do passado,

Os dias se transformam em algozes
Medonhos abissais, sonhos ferozes,
O fim se mostra enfim, anunciado.

Marcos Loures

NÃO DESISTA

NÃO DESISTA

Quem amor com amor retribuir
Será bem mais feliz; eis a verdade,
No brilho desta luz a reluzir
Segredo para a tal felicidade.

Amar é conceder e repartir,
Acalma toda a dor em tempestade.
Toda a alegria assim a repartir,
Num ato de carinho e de amizade.

Assim a solidão fica distante,
A glória se faz clara e transparente.
Tomando o coração de toda a gente.

Jamais se apaga o brilho radiante
De quem fez de um amor o bem constante.
Por isso não desista, amiga, tente.

MARCOS LOURES

NAS ESPIRAIS

NAS ESPIRAIS

Nas espirais, cigarros me consomem,
Pela fumaça, vejo teu semblante,
Fui um dia, talvez, tão inconstante,
Mas as minhas lembranças, fogem, somem...

Pois quisera poder ser um outro homem,
Ser tão menino, embora ser gigante
Ser teu par, teu parceiro, teu amante,
Mas todas as lembranças, matam, comem

O que me restaria, contrafeito
Do que pudesse vida, me restar,
Mas trago em meu cigarro esse defeito:

Tentar caber no brilho do luar,
Tentar fingir que estou mais satisfeito;
Vou tentando obrigar-me a não te amar...

MARCOS LOURES

AMOR IMPOSSÍVEL

AMOR IMPOSSÍVEL

Amor quando impossível traz tristeza,
E faz de um sonhador um vago ser;
Nadar assim, ir contra a correnteza,
Depois de tudo sempre faz sofrer.

Um rei sem ter reinado nem princesa
Vai vendo o seu castelo fenecer.
Uma alma tão sozinha, sem defesa
Prefere tantas vezes ir, morrer...

Julgando-se vazia e desprezível,
Fazendo da amargura seu refrão.
Um sonho tão longínquo e impossível

Muitas vezes nos toma todo o chão.
Por isso, minha amiga, só te peço
Teu colo carinhoso; isso eu mereço!

MARCOS LOURES

SEM NADA

SEM NADA

Embora me negasse teu amor
Não me sinto, por isso, derrotado.
Nem sempre se encontrou um vencedor
Deixando um sentimento bom de lado.

Guardando esta verdade aonde for
Quem perde pode ser recompensado.
Distante de quem vive em desamor,
Uma esperança brota do passado.

E saibas que isso tudo me faz ver
Que a vida traz lições, querida amada,
O dia sempre irá, pois, renascer,

No brilho de outro sol, noutra alvorada.
Quem tudo nesta vida pensa ter,
Depois de certo tempo, vai sem nada...

MARCOS LOURES

INVERNOS

INVERNOS

Neste outonal delírio, o meu inverno
Já tanto anunciado e desenhado
Marcando cada sombra de um passado
Na gélida expressão em que me interno,

Vencido pelo ocaso, em pleno inferno,
Presumo o passo atroz e jamais dado,
Restando o quanto fora demonstrado
Apenas num sorriso outrora terno,

Agora em ironia e com sarcástica
Presença nesta cáustica agonia,
E quanto noutro intento se queria,

Palavra se fizera mesmo drástica
Acumulando os erros que ora trago,
Resumo minha vida a cada estrago.

Marcos Loures

UM MERO TRASTE

UM MERO TRASTE

Somente o que mascara a mesma história
Gerada pelo imenso medo, eu levo
Meu canto mesmo quando o mal longevo
Expressa na incerteza outra memória,

E sendo tão somente a rota escória
Ao tanto que pudera não me atrevo,
E sigo enquanto a dor; de fato, eu cevo,
Sabendo solidão tão meritória,

Recolho cada parte do que um dia
Ainda se fizera e não teria
Sequer a poesia que moldaste,

Ao menos do que fomos, não mais vejo,
Senão este sinal vago lampejo,
E sou depois de tanto, um mero traste.

Marcos Loures

SEXTINA 24 EM DIREÇÃO AO QUANTO VENHA

SEXTINA 24 EM DIREÇÃO AO QUANTO VENHA


Um passo em direção ao quanto venha
E trace com ternura o que se vendo
Transcende ao que inda possa ser assim,
Marcando com ternura o dia a dia
Vertendo esta ilusão em rota e prazo,
A luta não pudera ser diversa.

A senda mais audaz, mesmo diversa
E nisto esta fortuna sempre venha
O mundo dita aquém o tempo e prazo
E quando na verdade sigo vendo
Ousando acreditar num novo dia
Trazendo o que resiste mesmo assim.

Meu passo se desdenha e sendo assim
A face mais audaz, atroz, diversa
Do todo desejado em novo dia
Ainda que a verdade trace e venha
Mudando o que deveras sigo vendo
E nada mais se faz em ledo prazo,

Acordo e percebendo o velho prazo
E nada do que possa ser assim
O mundo noutra face tento vendo
O medo sem sentido em luz diversa
E desta forma a vida sempre venha
Moldando o que teria a cada dia,

O todo se aproxima em raro dia
E dita o que pudesse neste prazo
E quando a realidade sempre venha
Tramando o que persiste e dita assim
Embora a vida seja mais diversa
Do que inda poderia seguir vendo.

Percebo o que talvez ainda vendo
Trouxesse no final um raro dia
E sei desta emoção mesmo diversa
Deixando para trás o velho prazo
E dita o meu destino sempre assim,
Ainda que esta lua nova venha.

E quando sempre venha o que estou vendo
E sendo além e assim o velho dia
A sorte neste prazo é mais diversa.


MARCOS LOURES

EM PASSO RUDE

EM PASSO RUDE

Apenas num rasteiro mundo expresso
O tanto que me inteira no vazio,
Enquanto a cada instante me recrio,
Negando o que não possa, recomeço,

E sei quando de fato enfim tropeço
Vagando sem sentido em tom sombrio,
Marcado pelos ermos deste fio,
No tanto que desejo e não professo,

Marcar a melodia com as farsas
Trapaças costumeiras e disfarças
Em cândidas palavras, ledo engano,

No caos gerado após cada momento,
Embora seja inútil, me alimento
Do quanto em passo rude, eu me profano.

Marcos Loures

Dias Daninhos

Dias Daninhos

Mesclando os mais daninhos dias sigo
O pouco que inda possa em leda estada,
E após a morte ser anunciada
Encontro pelo menos meu abrigo,

Restasse alguma luz, mas não persigo,
Depois da tempestade uma alvorada,
A porta que se veja dita o nada,
E aborta o quanto eu quis, matando o trigo,

Envolto pela dor e seus tentáculos,
Eclodem do vazio os espetáculos,
Expresso o quanto resta e nada tenho,

Apenas um detalhe em rude entalhe,
Quando na imensidão meu não se espalhe,
Apresentando o caos, tosco e ferrenho.

Marcos Loures

INFANDO

INFANDO

Alheio aos meus enganos, tento apenas
Vencer os descaminhos e mentiras
Que tanto noutro intento tu me atiras
Enquanto sem defesas me condenas,

Além do que pudesse em mais serenas
Vontades e versões quando desfiras
Palavras sempre sórdidas, retiras
Dos olhos ilusões e o nada acenas.

Eclodem dentro da alma os mesmos ermos
E nada do que possa, enquanto termos
Os temporais em fúria destroçando,

Na fantasia exposta em vã nudez
O quanto na verdade ainda vês
Expressa este momento atroz e infando.

Marcos Loures

MAL DISFARÇO O SOFRIMENTO

MAL DISFARÇO O SOFRIMENTO

Às vezes mal disfarço o sofrimento
Que trago em minha vida, solidão.
No riso em que proponho e me contento,
As marcas desta dor, do eterno não.

No canto em que vislumbro este lamento,
Resquícios do que fora uma paixão.
Meu mundo se perdendo em tal tormento,
O sonho que já tive morre vão...

Mas finjo com meus versos otimistas,
Contenho minhas lágrimas, sorrio.
Tentando não deixar sequer as pistas

Por onde encontrarás toda a verdade,
Se trago no meu peito imenso frio,
Só resta um doce alento na amizade...

MARCOS LOURES

VOLTANDO A SER CRIANÇA

VOLTANDO A SER CRIANÇA

De novo retornei a ser criança
Envolto nos teus braços, noite amena,
Depois de ser escravo da lembrança
A sorte benfazeja, amor acena.

No verde dos teus olhos, esperança,
Delícia só se encontra na morena,
Menina, reconheço cada trança,
A flor da minha sorte, uma açucena...

Não falo e nem reclamo da velhice,
Apenas recomeço dia a dia,
Amor que me invadiu sempre me disse

Que o tempo recomeça a cada instante,
Na boca carmesim uma alegria,
No corpo da morena amada amante...

MARCOS LOURES

EXTASIADO

EXTASIADO

O vento que te fez em poesia,
Em versos desenhou o nosso amor,
Sorvendo em tua boca esta alegria,
Bebendo de teu corpo, um bom licor.

Fazendo da receita a fantasia,
Do lago que freqüento sem pudor.
Fartando-se do mel que mais queria,
Te trago noite e dia, aonde eu for.

A calda que me dás, gozo e compota,
De todo amor que a gente sempre quer.
Perdendo nos teus braços, rumo e rota,

Encontro com malícia essa mulher,
Banquete bem servido e devorado,
Com fúria e com paixão, extasiado...

MARCOS LOURES

Acaso DIÓGENES PEREIRA DE ARAÚJO e marcos loures

Acaso DIÓGENES PEREIRA DE ARAÚJO e marcos loures

Num mundo governado pelo acaso
só causa espanto a ordem emergente.
É aceita com surpresa, é vinda ao azo,
mas vem para ordenar! Somente ao crente

não surpreende a ordem, pois qual vaso
está nas mãos de Deus enquanto sente
querer Deus o tornar em certo prazo
num ser mais ordenado, mais coerente

Se Deus deu o primeiro provimento
o último dará também. Convém
confiar nele. O nosso maior bem

é nele caminhar cada momento
Na ordem ver acaso é coisa triste;
é o mesmo que dizer: Deus não existe.

Diógenes Pereira de Araújo
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Infelizmente a face que se vê
Depositando apenas o sombrio
Expressa o que tanto em vão desfio
Na vida sem sentido e sem por que.

Imagem do que ainda além se crê
Vendida de tal forma em desvario,
Levando ao mais descrente desafio,
Traçando a negação do quanto e se,

O Deus se perde agora nas infames
E mesmo quando em paz queres e clames
Vertiginosamente a humanidade

Escarifica mais as fundas chagas,
E mesmo quando em sonhos; luz tu tragas,
A sórdida comédia inda o degrade.

MINHA LOUCURA

MINHA LOUCURA

Tu és minha loucura, o supra-sumo
De todos os desejos que pressinto.
Viver assim distante é perder rumo,
Deixando meu vulcão quase que extinto.

Mentira se eu disser que me acostumo,
Teu cheiro em cada canto, amor eu sinto,
Te vejo em espirais no leve fumo,
Te bebo em cada gole, meu absinto.

Comer-te doce fruta em cada gomo,
Abrindo tuas belas framboesas.
Meu mundo sem teus laços não retomo,

Cavalo que se vai, sem ter arreios,
Sou rio que se perde em correntezas
Distante de teu colo, de teus seios...

MARCOS LOURES

MERO ACASO

MERO ACASO

A cada novo dia me isolando,
Negando algum cenário aonde o verso
Pudesse ser suave, se é perverso
O mundo que buscara outrora, brando,

Enquanto a solidão se emoldurando
Tomando sem limites o universo,
Presumo o que se tente e me disperso
Trazendo o quanto eu vejo desabando,

Bem sei que merecera este final,
Mergulho dentro da alma em abissal
Tormento sem saída, um tosco ocaso,

E necessito apenas algum rumo
Embora em tom sombrio se eu me esfumo
Jogado sempre ao léu, em mero acaso.

Marcos Loures

SEXTINA 23 ENTRE AS TEMPESTAS

SEXTINA 23 ENTRE AS TEMPESTAS



Não tento caminhar entre as tempestas
E sei dos descaminhos que enfrentei
O tanto quanto possa e não teria
Sequer o que pudesse além do cais,
Vencer o que chegasse num momento,
E o todo se desenha neste instante

E quando na verdade a cada instante
Enfrento vendavais, raras tempestas
Seguindo cada passo num momento
E tanto quanto possa eu enfrentei
Chegando mansamente ao raro cais
E neles nada mais busco ou teria,

A sorte desenhando o que teria
Quem vive com firmeza cada instante
E vence sem temor chegando ao cais
Após reconhecer tantas tempestas
E nisto cada passo eu enfrentei
Vivendo sem temor cada momento,

A luta desenhando num momento
Trazendo o quanto possa e não teria
E sei do descaminho onde enfrentei,
A vida se transforma a cada instante
E sei dos meus temores e tempestas
Ousando procurar enfim um cais.

Meu barco procurando além um cais
Ditando cada passo num momento
Embora sejam tantas as tempestas
Meu mundo na verdade não teria
Sequer o que procuro num instante
E nisto o descaminho eu enfrentei,

O quanto do passado ora enfrentei
Tentando tão somente um porto, um cais;
E o mundo se perdendo num instante
Cevando esta alegria em tal momento
E sei que na verdade eu não teria
Senão as velhas duras, vãs tempestas,

E quando nas tempestas enfrentei
Buscando o que teria além do cais
A sorte num momento em raro instante.

MARCOS LOURES

ALÉM DO FIM

ALÉM DO FIM

Não merecesse além do fim e o cântico
Que trame esta expressão, ledo vazio,
E quando noutro tom em vão desfio
Meu sonho que jamais se fez romântico,

No caos que se desenha, um tom semântico,
O prazo determina o desafio
E sigo sem destino o velho rio,
Amortalhado em fim imenso, atlântico,

Espúrias faces traçam o que há tanto
Surgisse noutro rude desencanto
E quanto de mim mesmo não possuo,

Esvaio nos meus ermos, na sangria,
Que traz a velha farsa e moldaria
Em uno o que pensara ser meu duo.

Marcos Loures

OCASO E CAOS

OCASO E CAOS


Percebo o fim de tudo e; na verdade,
O ocaso traduzisse o mesmo caos,
Na vida que se perde em tantos graus
Discernes o tormento enquanto brade

Na fúria da mais rude tempestade,
Espreito outros cenários, todos maus,
E sinto sem destino estes degraus
Enquanto a solidão decerto invade,

Restauro outros anseios costumeiros
E mesmo quando veja nos cinzeiros
As sobras do meu mundo em câncer, morte,

Olhando para além trazes mormaços
Enquanto os horizontes toscos, baços,
Não há mais nem um braço que conforte.

Marcos Loures

SORVENDO O TEU PRAZER

SORVENDO O TEU PRAZER

Tomar-te em conta gotas, maravilhas...
Sorvendo teu prazer, sofreguidão.
Seguindo tuas matas, doces trilhas,
Inebriado e cego de paixão...

As mãos buscam destinos andarilhas,
Fomentam meu desejo, uma emoção.
Deitando meus prazeres, tuas ilhas,
Num ápice transbordam convulsão...

Sentindo o teu calor, beber teu ar,
Riscando no teu corpo relampejos,
Depois tal qual demente naufragar,

Meu mundo salpicado de desejos.
Morrendo na alegria de teus beijos,
Num gozo tão gostoso de provar...

MARCOS LOURES

MÃOS QUE SE PROCURAM

MÃOS QUE SE PROCURAM

As mãos que se procuram, clandestinas,
Derramam seus desejos pelos dedos.
As águas que escorrendo, cristalinas,
Expondo pelas ruas, meus segredos.

Tu tocas mansamente e me dominas,
Provocas entretanto tantos medos.
Beber de tuas fontes, doces minas,
Criando novamente meus enredos...

Amar além de tudo, risco pleno,
Sangrando em mil desculpas os engodos,
As pérolas criadas nestes lodos,

Sorvendo calmamente o teu veneno.
Nos ápices dos gozos sensuais,
As mãos que se procuram, querem mais...

MARCOS LOURES

SEMPRE SEM

SEMPRE SEM

Jamais se imaginasse outra vertente
Que um dia poderia traduzir
O quanto se imagina no porvir
Ainda quando a vida possa e tente,

Eclode dentro da alma o penitente
Martírio envolto em erros; prosseguir?
Mal posso a cada instante discernir
Enquanto de mim mesmo sigo ausente,

Restando alguma farsa, ainda espero,
Ousar tentar um dia menos fero,
Na espreita de uma sorte que não vem,

Esgoto meu caminho neste nada,
E sigo sem sentido a podre estada
Na estrada que me leve sempre sem.

Marcos Loures

Derradeiro Ato

Derradeiro Ato


Talvez mereça ou mesmo procurasse
O turbilhão que em nada resultara,
A farsa noutro tom se faz mais clara
E nela; o ser esparso dita impasse,

Assim ao procurar tal desenlace,
Um velho engodo volta e se escancara,
Marcando a minha face com a amara
Noção do que inda trago e renegasse,

Não quero ser apenas o vazio,
Porém enquanto o nada aqui desfio,
No fio desta espada, o meu futuro,

E sei dos meus antigos desenganos,
A vida se tramando em podres danos,
Neste derradeiro ato, configuro.

Marcos Loures

DESTERROS

DESTERROS

Derramo os meus pedaços pela rota
Amarga que restara sob os pés
E a vida se percebe de viés
Trazendo em cada engano outra derrota,

Pousando sobre o nada que denota
A morte sem saber sequer quem és
Mereço o quanto tenho, sou invés,
A sorte inutilmente mal se nota.

Escalo meus anseios e presumo,
Mortalha sem sentido, um bom resumo,
Da sórdida presença sobre a Terra,

Não quero outro momento, apenas vejo
No fim bem mais precoce o meu desejo
Enquanto uma esperança se desterra.

Marcos Loures

APODRECENDO EM VIDA

APODRECENDO EM VIDA

Apodrecendo em vida, nada mais,
Meu tempo se esvaindo e não consigo
Sequer qualquer momento e se eu não digo,
Adentro enganos rudes e venais,

Mesclando antigos erros sem jamais
Traçar qualquer diverso e bom abrigo,
Enquanto noutro caos mergulho o umbigo
Palavras são meu mar, meu mundo e cais,

Mas sei do quanto é pouco e me apavora
A sórdida expressão que sem demora
Devora cada instante e mata lento,

O mundo que eu sonhei não existira,
Restara tão somente esta mentira
Embora um novo templo, em vão, invento.

Marcos Loures