A LIBERDADE
O
arroio se prendendo em suas margens
Não
tendo mais vazão, seguindo em frente
Assim
também a vida em contingente
Não
deixa que eu conheça as paisagens
E
tendo no meu peito tais visagens
Porquanto
o novo sempre se apresente
Só
resta-me seguir esta corrente
Ao
percorrer assim mesmas viagens.
Quisera
a liberdade em céu imenso
E
quando noutros mundos teimo e penso,
A
sorte me calando não permite
Que eu
siga inusitada e bela grei,
A
liberdade é tudo o que sonhei,
Sem
ter fronteira, margem nem limite...
MARCOS LOURES
PARA TANTOS, PRINCIPALMENTE MARCOS GABRIEL, MARCOS DIMITRI E MARCOS VINÍCIUS. MINHA ESPERANÇA. RITA PACIÊNCIA PELA LUTA.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
NO PASARÁN!
NO PASARÁN!
Cadáveres burgueses pelas ruas,
Num festejo sangrento enlouquecido,
O faminto desde outrora um esquecido
Devora as rapineiras aves nuas.
A justiça divina sobre a Terra
Colônia que se fez em liberdade.
A noite se espalhando na cidade
O fogo incendiário, o brilho encerra.
Os cães acovardados, escondidos,
Por trás da mídia pobre e sem pudor,
Não sabem de un escravo o seu fervor
Com antigos grilhões, hoje rompidos.
A madame cheirosa estropiada
Recende esgoto a Dior, vestindo Prada...
MARCOS LOURES
PECAMINOSOS RUMOS
PECAMINOSOS RUMOS
Pecaminosos rumos ditam sombras
E quanta vez eu tive em minha mente
A sorte em que a tempesta se apresente
E dela cada passo em que me assombras,
Pecaminosos rumos ditam sombras
E quanta vez eu tive em minha mente
A sorte em que a tempesta se apresente
E dela cada passo em que me assombras,
Metáforas à parte resta a morte
E não abro mais mão de algum segundo
E quando em fanatismos me aprofundo
Redundando deveras noutro aporte
E quase se percebe mesmo assim
O pendular caminho em me entrego,
Prefiro este sonâmbulo qual cego
Ao quanto de um noctívago há em mim,
Servindo a quem semeia esta vergasta
A morte com agora não contrasta.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
NÃO POSSO CONTROLAR
NÃO POSSO CONTROLAR
Não posso controlar mais o que sinto
E nem talvez me reste muitos dias,
Aonde se pudesse em alegrias
O mundo há tanto tempo sinto extinto,
Não posso controlar mais o que sinto
E nem talvez me reste muitos dias,
Aonde se pudesse em alegrias
O mundo há tanto tempo sinto extinto,
E quando remodelo, ou mesmo pinto
Em aquarelas tantas, fantasias,
O gozo do passado em que recrias
A sorte em deferência eu tento e minto
Omito de mim mesmo, eis a tolice
O quanto a vida sempre tanto disse
E nesta vaga noite me aprofundo
Nos ermos de mim mesmo e nada encontro,
E neste pouco ou tanto desencontro
Galgando em solidão, encaro o mundo.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
E NADA MAIS
E NADA MAIS
Sou a sombra de um homem, nada mais,
Esboço do que um dia foi sincero
E quando algum momento; ainda espero,
Os dias revivendo os vendavais
Sou a sombra de um homem, nada mais,
Esboço do que um dia foi sincero
E quando algum momento; ainda espero,
Os dias revivendo os vendavais
E deles ouço sempre este jamais
O peso do viver deveras fero
Enquanto no vazio eu me tempero
Secando dentro em mim mananciais
Assisto a que pudesse ser colheita
Na agreste condição nada se espreita
Somente a seca imensa, esta aridez,
O quanto poderia no passado,
O mundo noutra cena, desolado
Aonde poderia, enfim, desfez...
MEDONHA FACE EXTERNA
MEDONHA FACE EXPOSTA
Calcando os infinitos onde tanto
Não soube traduzir felicidade
Medonha face exposta desagrade
Quem sabe noutros tempos o áureo manto.
Calcando os infinitos onde tanto
Não soube traduzir felicidade
Medonha face exposta desagrade
Quem sabe noutros tempos o áureo manto.
E quando ainda tento, e já me espanto,
O corte se aprofunda e com saudade
Falando de outra vida, a realidade
Moldando a cada passo este quebranto,
Quimeras acumulo dentro da alma,
Nem mesmo a poesia ainda acalma
Dos traumas que carrego eu sei tão bem,
Alaga-me decerto a solidão
E nesta eterna noite em negação
Somente este vazio me contém...
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