Natal, Papai Noel
Estrelinhas lá no céu
Que felicidade!
As ruas enfeitadas
Presentes pra criançada!
Que bom!
Bate o sino pequenino...
As lojas estão cheias
Os corações vazios...
Natal é tempo de paz,
Papai Noel chegou,
A família reunida
A ceia, mesa tá posta
Tanta coisa que se gosta.
Tem leitão e rabanada.
Mas que nada,
No Natal tanto presente.
Cadê o aniversariante?
Ah! Ele não veio,
Quem veio foi São Nicolau,
Com os veadinhos todos,
Numa alegria gigantesca
Passou pela chaminé
De carroça ou mesmo a pé
Veio atender a cartinha
Que o menino escreveu.
Escreveu, o pau não leu,
O comércio, a indústria,
Todos comemoram!
Mas cadê esse aniversariante
Que não vem?
Deve ser porque nasceu
No curral,
E as casas estão muito enfeitadas,
Ou por que ele é, com certeza,
Envergonhado.
Mas me faça um favor:
Qual o nome dele mesmo?
marcos loures
PARA TANTOS, PRINCIPALMENTE MARCOS GABRIEL, MARCOS DIMITRI E MARCOS VINÍCIUS. MINHA ESPERANÇA. RITA PACIÊNCIA PELA LUTA.
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Um Feliz Natal e Presenteemos o Aniversariante.
Desejo-te, por certo, um feliz Natal.
Com muitas alegrias, festas, ceias, brinquedos, trocas de presente e tudo que temos direito.
Mas, espero que penses no Natal de uma forma diferente, pelo menos por alguns momentos.
Nesta data comemoramos o nascimento de uma criança pobre, filha de exilados, em pleno deserto e em uma manjedoura, nome mais sofisticado para curral, estrebaria.
Essa criança pobre, um filho de carpinteiro, veio ao mundo com uma missão: não somente confirmar as leis divinas, como também traduzi-las e acrescentar a maravilhosa noção do perdão e do amor absoluto.
Amigo, será que, dois mil e seis anos depois, aprendemos alguma coisa?
Mil perdões, mas acredito que a maioria de nós continua a fechar os olhos para a miséria, para a fome e para as injustiças.
Uma criança faminta, na televisão, sensibiliza.
Ao vivo, nem tanto.
Como é aniversário de uma criança
Que nos ensinou a amar e perdoar.
Dê um presente ao aniversariante.
AME E PERDOE!
Mas, acima de tudo, reconheça nos injustiçados e famintos o teu irmão.
E farás a vinda de Cristo ter, a cada dia, mais sentido.
Brindemos ao Aniversariante
Com o vinho do nosso sangue
E com o pão nosso, de cada dia.
NOSSO.
DOS SEIS BILHÕES DE IRMÃOS QUE TEMOS, MUNDO AFORA!
marcos loures
Desejo-te, por certo, um feliz Natal.
Com muitas alegrias, festas, ceias, brinquedos, trocas de presente e tudo que temos direito.
Mas, espero que penses no Natal de uma forma diferente, pelo menos por alguns momentos.
Nesta data comemoramos o nascimento de uma criança pobre, filha de exilados, em pleno deserto e em uma manjedoura, nome mais sofisticado para curral, estrebaria.
Essa criança pobre, um filho de carpinteiro, veio ao mundo com uma missão: não somente confirmar as leis divinas, como também traduzi-las e acrescentar a maravilhosa noção do perdão e do amor absoluto.
Amigo, será que, dois mil e seis anos depois, aprendemos alguma coisa?
Mil perdões, mas acredito que a maioria de nós continua a fechar os olhos para a miséria, para a fome e para as injustiças.
Uma criança faminta, na televisão, sensibiliza.
Ao vivo, nem tanto.
Como é aniversário de uma criança
Que nos ensinou a amar e perdoar.
Dê um presente ao aniversariante.
AME E PERDOE!
Mas, acima de tudo, reconheça nos injustiçados e famintos o teu irmão.
E farás a vinda de Cristo ter, a cada dia, mais sentido.
Brindemos ao Aniversariante
Com o vinho do nosso sangue
E com o pão nosso, de cada dia.
NOSSO.
DOS SEIS BILHÕES DE IRMÃOS QUE TEMOS, MUNDO AFORA!
marcos loures
Não quero teu controle sobre mim,
Se faço ou não faço, passo
Caço e se descalço, estrepo o pé.
Dane-se!
Ou melhor, a vida e o pé são meus.
Não me deixe tão sozinho assim amor...
A noite não saberá o que fazer comigo.
Espero nas esquinas com ardor,
A bala que virá no fogo amigo.
Abrigos casamatas matas casas,
Camas e ressacas.
Ninguém é de ferro,
Se berro neste aterro nem atrevo.
Revivo e não mereço.
Ah! Tropeço faz parte do passo.
Do passo e do passado, passarinho...
Rimo o que vejo e o que estimo.
Extremo e não contente, resumo.
O sumo do que sou está exposto
Em vidros hermeticamente fechados,
Na quitanda da esquina.
Politicamente correto, sem matas que mate
Sem balas que negue
E sem amor que resfrie.
Sorriso balsâmico,
Anêmico e tetânico.
Correto.
Sempre correto.
Feto que aborto
Esgoto que jogo,
Vomito no fim.
Pedaço de mim
Que, vergonhosamente, escondo.
Luxúrias e lamúrias. Sangrias...
Espero que este espelho se quebre em mil pedaços.
Mil cacos, migalhas...
Espalhando meus restos pelas ruas
Formando as especulares fantasias.
Na órbita dos sonhos, sou hipócrita.
Ou pelo menos penso.
Imenso em um vazio sem precedentes.
Dentes e olhos vazados pela firme vontade de morrer.
Fumo desbragadamente.
Vergonhosamente
Estupidamente
De repente
Nada mente
E sou sincero.
Diabético, açúcar na poesia e na alma.
Sou dialeticamente imperfeito e profeticamente incauto.
Um auto retrato pútrido e fantasmagórico.
Não falo de Nada que não seja meu.
Eco de mim mesmo não aprendi a ser solidário.
Sol de mim mesmo, solitário.
Mas que se dane a noite e o dia.
A chuva é mais tinhosa.
E mentirosa como o frio
Que nunca vem se eu não quiser.
Ano que vem irei mudar...
Prometo, quem sabe?
O dente de sabre
Espera na esquina
E desatinadamente me agrada.
Amo sim.
Claro que temo isso,
Não sou burro.
Mas de fininho, vago sentado na cadeira
Por horas e horas.
Buscando o que não sei nem sei onde.
Mineiro compra bonde
O meu descarrilou...
Felizes anos velhos e ano novo.
São os mesmos e serão,
Ser tão ingênuo a ponto de achar
Que o simples fato de comprar folhinha nova
Muda a vida...
Eu sei que não.
Corro atrás,
De mim mesmo
E nada encontro
A não ser essa vontade
Louca de, louva deus,
Me entregar a um amor suicida
Que decida minha vida.
Mas, querida, me dê a mão
Que o sol desponta
E o ano novo apronta
As mesmas desilusões...
MARCOS LOURES
Se faço ou não faço, passo
Caço e se descalço, estrepo o pé.
Dane-se!
Ou melhor, a vida e o pé são meus.
Não me deixe tão sozinho assim amor...
A noite não saberá o que fazer comigo.
Espero nas esquinas com ardor,
A bala que virá no fogo amigo.
Abrigos casamatas matas casas,
Camas e ressacas.
Ninguém é de ferro,
Se berro neste aterro nem atrevo.
Revivo e não mereço.
Ah! Tropeço faz parte do passo.
Do passo e do passado, passarinho...
Rimo o que vejo e o que estimo.
Extremo e não contente, resumo.
O sumo do que sou está exposto
Em vidros hermeticamente fechados,
Na quitanda da esquina.
Politicamente correto, sem matas que mate
Sem balas que negue
E sem amor que resfrie.
Sorriso balsâmico,
Anêmico e tetânico.
Correto.
Sempre correto.
Feto que aborto
Esgoto que jogo,
Vomito no fim.
Pedaço de mim
Que, vergonhosamente, escondo.
Luxúrias e lamúrias. Sangrias...
Espero que este espelho se quebre em mil pedaços.
Mil cacos, migalhas...
Espalhando meus restos pelas ruas
Formando as especulares fantasias.
Na órbita dos sonhos, sou hipócrita.
Ou pelo menos penso.
Imenso em um vazio sem precedentes.
Dentes e olhos vazados pela firme vontade de morrer.
Fumo desbragadamente.
Vergonhosamente
Estupidamente
De repente
Nada mente
E sou sincero.
Diabético, açúcar na poesia e na alma.
Sou dialeticamente imperfeito e profeticamente incauto.
Um auto retrato pútrido e fantasmagórico.
Não falo de Nada que não seja meu.
Eco de mim mesmo não aprendi a ser solidário.
Sol de mim mesmo, solitário.
Mas que se dane a noite e o dia.
A chuva é mais tinhosa.
E mentirosa como o frio
Que nunca vem se eu não quiser.
Ano que vem irei mudar...
Prometo, quem sabe?
O dente de sabre
Espera na esquina
E desatinadamente me agrada.
Amo sim.
Claro que temo isso,
Não sou burro.
Mas de fininho, vago sentado na cadeira
Por horas e horas.
Buscando o que não sei nem sei onde.
Mineiro compra bonde
O meu descarrilou...
Felizes anos velhos e ano novo.
São os mesmos e serão,
Ser tão ingênuo a ponto de achar
Que o simples fato de comprar folhinha nova
Muda a vida...
Eu sei que não.
Corro atrás,
De mim mesmo
E nada encontro
A não ser essa vontade
Louca de, louva deus,
Me entregar a um amor suicida
Que decida minha vida.
Mas, querida, me dê a mão
Que o sol desponta
E o ano novo apronta
As mesmas desilusões...
MARCOS LOURES
Das fadas e princesas do passado
Ainda guardas cenas na memória
E mesmo quando muda toda a história
O sonho vez por outra relembrado,
O tempo diz do templo abandonado
E nele tão somente rala escória
Do quanto se fartou como em vitória
Desenho na parede mal pintado,
E as horas vão passando e nada vindo,
O amor que outrora fora quase infindo
Esvaecido em cenas de novelas,
E quando lacrimejas, voz embarga
A doce fantasia agora amarga
Menina que inda existe tu revelas.
MARCOS LOURES
Ainda guardas cenas na memória
E mesmo quando muda toda a história
O sonho vez por outra relembrado,
O tempo diz do templo abandonado
E nele tão somente rala escória
Do quanto se fartou como em vitória
Desenho na parede mal pintado,
E as horas vão passando e nada vindo,
O amor que outrora fora quase infindo
Esvaecido em cenas de novelas,
E quando lacrimejas, voz embarga
A doce fantasia agora amarga
Menina que inda existe tu revelas.
MARCOS LOURES
Nos louros da vitória se expressara
A glória que jamais se fez inteira,
História tão comum e corriqueira
Agora se apresenta como rara,
Vencido e vencedor, a mesma cara
Reflexo desta luta costumeira
Vivendo em precipício sempre à beira
A morte a todo dia se declara
Nas formas mais sutis ou agressivas
Enquanto de prazeres tu te privas
Virando um prisioneiro do presente,
Audaciosamente esta caterva
Aos poucos dominando já te enerva,
Mas logo silencias tão descrente.
MARCOS LOURES
A glória que jamais se fez inteira,
História tão comum e corriqueira
Agora se apresenta como rara,
Vencido e vencedor, a mesma cara
Reflexo desta luta costumeira
Vivendo em precipício sempre à beira
A morte a todo dia se declara
Nas formas mais sutis ou agressivas
Enquanto de prazeres tu te privas
Virando um prisioneiro do presente,
Audaciosamente esta caterva
Aos poucos dominando já te enerva,
Mas logo silencias tão descrente.
MARCOS LOURES
AOS DEFENSORES DA SACROSSANTA INTERVENÇÃO MILITAR
Falar de ditadura militar,
voltar aos belos tempos do passado,
um povo na porrada, comportado,
o gado proibido de pensar
é ver o quanto é belo o caminhar
do canhão pela rua bem armado,
grassando sobre as flores, num sonhado
desejo de uma classe "popular"
o povo que desfila, a burguesia
em suas belas faixas poderia
trazer outro cenário mais "satânico"
desfraldando sua alma caridosa,
deixando vivo espinho e morta a rosa
louvando sem vergonha o Estado Islâmico!
marcos Loures
Falar de ditadura militar,
voltar aos belos tempos do passado,
um povo na porrada, comportado,
o gado proibido de pensar
é ver o quanto é belo o caminhar
do canhão pela rua bem armado,
grassando sobre as flores, num sonhado
desejo de uma classe "popular"
o povo que desfila, a burguesia
em suas belas faixas poderia
trazer outro cenário mais "satânico"
desfraldando sua alma caridosa,
deixando vivo espinho e morta a rosa
louvando sem vergonha o Estado Islâmico!
marcos Loures
Falo de ti a todos os que vejo
E sinto que a resposta é o mesmo não
Enquanto as horas todas mostrarão
O quanto da emoção fora lampejo,
O beijo mais audaz não antevejo
Tampouco alguma luz ou solução
Esqueço qualquer rota ou direção
Perdendo desde sempre o bom ensejo,
E sendo assim navego em mar sombrio
Diverso do que tanto fantasio
Sem porto que me abrigue, ancoradouro,
Que faço sem poder ter florescido
Jardim há tantos anos esquecido,
Porém só para mim, raro tesouro.
marcos loures
E sinto que a resposta é o mesmo não
Enquanto as horas todas mostrarão
O quanto da emoção fora lampejo,
O beijo mais audaz não antevejo
Tampouco alguma luz ou solução
Esqueço qualquer rota ou direção
Perdendo desde sempre o bom ensejo,
E sendo assim navego em mar sombrio
Diverso do que tanto fantasio
Sem porto que me abrigue, ancoradouro,
Que faço sem poder ter florescido
Jardim há tantos anos esquecido,
Porém só para mim, raro tesouro.
marcos loures
Fragrante Rosa em Jericó plantada,
Como a lua formosa, e esclarecida,
Como o sol entre todas escolhida,
E como puro espelho imaculada.
Virgem antes dos séculos criada
Para Mãe do supremo Autor da vida,
Para fonte de graça dirigida,
E de toda a desgraça reservada.
Pois a vosso rosário se dedica
Esta academia, em que tanto acerta,
Consagrando-se a vós, divina Rosa:
Claro, patente, e manifesto fica,
E conclusão é sem falência certa,
Que do mundo há de ser mais gloriosa.
GREGÓRIO DE MATOS
A Rosa que entre Rosas se fez Santa
Formosa em raro brilho ostenta a luz,
E dela este Cordeiro atado à Cruz
Cujo holocausto ainda nos encanta.
A força que Ela emana, sendo tanta
Às multidões diversas já conduz
Divina Criação se reproduz
Na Imagem mais fiel e Sacrossanta.
Da Glória em Graça feita, olhai por mim,
Em Vós percebo além deste jardim,
Superna Maravilha em divindade,
Dos nomes o mais simples vos daria
O Amor, pois em Amor se fez Maria
E Dela a Soberana Majestade.
marcos loures
Como a lua formosa, e esclarecida,
Como o sol entre todas escolhida,
E como puro espelho imaculada.
Virgem antes dos séculos criada
Para Mãe do supremo Autor da vida,
Para fonte de graça dirigida,
E de toda a desgraça reservada.
Pois a vosso rosário se dedica
Esta academia, em que tanto acerta,
Consagrando-se a vós, divina Rosa:
Claro, patente, e manifesto fica,
E conclusão é sem falência certa,
Que do mundo há de ser mais gloriosa.
GREGÓRIO DE MATOS
A Rosa que entre Rosas se fez Santa
Formosa em raro brilho ostenta a luz,
E dela este Cordeiro atado à Cruz
Cujo holocausto ainda nos encanta.
A força que Ela emana, sendo tanta
Às multidões diversas já conduz
Divina Criação se reproduz
Na Imagem mais fiel e Sacrossanta.
Da Glória em Graça feita, olhai por mim,
Em Vós percebo além deste jardim,
Superna Maravilha em divindade,
Dos nomes o mais simples vos daria
O Amor, pois em Amor se fez Maria
E Dela a Soberana Majestade.
marcos loures
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Como se fosse amor sábia ventura
À qual já se atrelasse uma esperança
Vivendo dos agouros da lembrança
Eterna busca ainda em vão perdura,
E quanto mais se quer e se procura
Distante deste olhar, amor se lança
A mão já com certeza não alcança
Sobrando a quem deseja esta loucura.
Essencialmente eu vivo só por que
Nas sanhas deste encanto que se vê
Ao longe, minhas tramas me conduzem,
Mas quando me aproximo, logo escapas
Da essência do viver percebo as capas,
Aonde os meus anseios vãos reluzem.
marcos loures
À qual já se atrelasse uma esperança
Vivendo dos agouros da lembrança
Eterna busca ainda em vão perdura,
E quanto mais se quer e se procura
Distante deste olhar, amor se lança
A mão já com certeza não alcança
Sobrando a quem deseja esta loucura.
Essencialmente eu vivo só por que
Nas sanhas deste encanto que se vê
Ao longe, minhas tramas me conduzem,
Mas quando me aproximo, logo escapas
Da essência do viver percebo as capas,
Aonde os meus anseios vãos reluzem.
marcos loures
Momentos que o prazer torna imortais!
Marcos Osilia
fazendo do viver algo mais nobre,
e mesmo quando a sorte além recobre
os dias com diversos temporais,
somente da semente percebais
o quanto do florir já se descobre
em vossas mansas mãos a luz redobre
e traga novos sonhos em cristais.
E vosso, muito embora inda arredio,
percorro cada margem deste rio
e sigo em afluência ao mar imenso,
no todo que se emana a cada instante
o sonho tão profundo se garante
e nele, com fervor, me recompenso...
Marcos Loures;
Marcos Osilia
fazendo do viver algo mais nobre,
e mesmo quando a sorte além recobre
os dias com diversos temporais,
somente da semente percebais
o quanto do florir já se descobre
em vossas mansas mãos a luz redobre
e traga novos sonhos em cristais.
E vosso, muito embora inda arredio,
percorro cada margem deste rio
e sigo em afluência ao mar imenso,
no todo que se emana a cada instante
o sonho tão profundo se garante
e nele, com fervor, me recompenso...
Marcos Loures;
Das águas cristalinas sei a fonte
E dela me fartando a cada dia,
Enquanto aos mais diversos sonhos guia
A mão que se estendendo no horizonte
Transforma nosso amor em rara ponte,
E nela novos campos eu veria
Sabendo desde sempre esta alegria,
Que a cada amanhecer logo desponte
Deixando como um rastro o brilho farto,
Do qual jamais deveras eu me aparto,
E sei que escravizado em tal algema
Por mais que enamorado nada tema
Eu sigo em luzes várias, movediças
Exposto aos dissabores e cobiças.
marcos loures
E dela me fartando a cada dia,
Enquanto aos mais diversos sonhos guia
A mão que se estendendo no horizonte
Transforma nosso amor em rara ponte,
E nela novos campos eu veria
Sabendo desde sempre esta alegria,
Que a cada amanhecer logo desponte
Deixando como um rastro o brilho farto,
Do qual jamais deveras eu me aparto,
E sei que escravizado em tal algema
Por mais que enamorado nada tema
Eu sigo em luzes várias, movediças
Exposto aos dissabores e cobiças.
marcos loures
Agonizando em vida, um louco amante
Percebe o quão inútil caminhar
E tendo muitas vezes que enfrentar
Perigo audacioso e mais constante
Ainda prosseguindo sempre avante
Não deixa de tentar e de sonhar,
Embora muitas vezes sem lugar
Procura pelo amor, seu diamante.
Andara tantas noites sem saber
Aonde em que estalagem me esconder
Lutando com gigantes ou moinhos,
E agora que te tenho em minhas mãos
Percebo o quanto os sonhos foram vãos
E os dias continuam tão sozinhos.
marcos loures
Percebe o quão inútil caminhar
E tendo muitas vezes que enfrentar
Perigo audacioso e mais constante
Ainda prosseguindo sempre avante
Não deixa de tentar e de sonhar,
Embora muitas vezes sem lugar
Procura pelo amor, seu diamante.
Andara tantas noites sem saber
Aonde em que estalagem me esconder
Lutando com gigantes ou moinhos,
E agora que te tenho em minhas mãos
Percebo o quanto os sonhos foram vãos
E os dias continuam tão sozinhos.
marcos loures
Desprezos que trazeis em vosso olhar
Estranhas desventuras me causando,
Aonde houvera um tempo desde quando
O Amor se poderia imaginar
Servindo-vos deveras e encontrar
Momento tão suave, ameno ou brando,
E mesmo quando em luz alvoroçando
Falena num instante a se encantar
Adona-se dos sonhos, poesia,
E dela em ventos mansos se porfia
Tecendo nobre e raro amanhecer,
Servir-vos ó senhora dos meus ais
Enquanto o vosso encanto; derramais
Navego ao vosso claro e bel prazer.
marcos loures
Estranhas desventuras me causando,
Aonde houvera um tempo desde quando
O Amor se poderia imaginar
Servindo-vos deveras e encontrar
Momento tão suave, ameno ou brando,
E mesmo quando em luz alvoroçando
Falena num instante a se encantar
Adona-se dos sonhos, poesia,
E dela em ventos mansos se porfia
Tecendo nobre e raro amanhecer,
Servir-vos ó senhora dos meus ais
Enquanto o vosso encanto; derramais
Navego ao vosso claro e bel prazer.
marcos loures
Faço-vos Senhora em cada verso
Declarações que ousando vos falar
Derramam sobre nós raro luar
Tomando em claridade este universo,
Nas ânsias do desejo sigo imerso
Servindo-vos qual fora a um altar
E em vós aprendo logo a decifrar
Delírio dos meus cantos mais diverso.
E quando vedes noite enluarada
Derramais vossos sonhos nesta estrada
E nela ao encontrardes meus caminhos
Percebei quão sobeja fantasia
Aonde a luz superna se irradia
Tomando-nos na força dos carinhos.
marcos loures
Declarações que ousando vos falar
Derramam sobre nós raro luar
Tomando em claridade este universo,
Nas ânsias do desejo sigo imerso
Servindo-vos qual fora a um altar
E em vós aprendo logo a decifrar
Delírio dos meus cantos mais diverso.
E quando vedes noite enluarada
Derramais vossos sonhos nesta estrada
E nela ao encontrardes meus caminhos
Percebei quão sobeja fantasia
Aonde a luz superna se irradia
Tomando-nos na força dos carinhos.
marcos loures
Pois antes só que mal acompanhado!
Marcos Osilia
embora a solidão tanto me ensine,
o rumo ao qual o sonho se destine
persiste neste barco, lado a lado,
quisera o ser poeta, pois alado,
mas quando sobre a vida, ora rumine,
adentre no meu peito, vã cabine,
e curse o velho rio abandonado.
uma araponga cisma dentro em mim,
e quando me recorde de onde eu vim
a Minas me abandona e bebo o mar,
fazendo deste ninho uma promessa
a senda se faz cíclica e começa
buscando simplesmente descansar...
Marcos Loures
Marcos Osilia
embora a solidão tanto me ensine,
o rumo ao qual o sonho se destine
persiste neste barco, lado a lado,
quisera o ser poeta, pois alado,
mas quando sobre a vida, ora rumine,
adentre no meu peito, vã cabine,
e curse o velho rio abandonado.
uma araponga cisma dentro em mim,
e quando me recorde de onde eu vim
a Minas me abandona e bebo o mar,
fazendo deste ninho uma promessa
a senda se faz cíclica e começa
buscando simplesmente descansar...
Marcos Loures
Em ásperos caminhos, vossos passos
Levando à mais completa solidão
E quanto aos novos dias, mostrarão
Além de meros erros, velhos traços,
Enquanto os olhos restem quietos, baços,
Ordenhas de ilusões não nos trarão
Tampouco uma esperança ou solução,
Engodos cometidos; toscos, crassos,
E sendo-vos melhor não ter agora
A fonte luminosa em que se aflora
A benção de saber em voz constante
O quão soberbo andar se preconiza
Transformando tempesta em mera brisa
Nas guerras ou na paz, já triunfante.
marcos loures
Levando à mais completa solidão
E quanto aos novos dias, mostrarão
Além de meros erros, velhos traços,
Enquanto os olhos restem quietos, baços,
Ordenhas de ilusões não nos trarão
Tampouco uma esperança ou solução,
Engodos cometidos; toscos, crassos,
E sendo-vos melhor não ter agora
A fonte luminosa em que se aflora
A benção de saber em voz constante
O quão soberbo andar se preconiza
Transformando tempesta em mera brisa
Nas guerras ou na paz, já triunfante.
marcos loures
Uma alma enfraquecida não percebe
O quão dificultoso o caminhar
Em meio às tantas pedras e buscar
Além do que do amor já se recebe,
O quanto deste sonho se concebe
E bebe-se deveras devagar
E quando novamente eu vasculhar
Veremos noutro encanto a rara sebe,
Em glebas tão distantes e sombrias
Durante muitas horas, tantos dias
Seguimos rastros outros que encontramos,
E após diversos ermos, descaminhos,
Agora que sabemos tão sozinhos,
Prazer incomparável; desfrutamos.
marcos loures
O quão dificultoso o caminhar
Em meio às tantas pedras e buscar
Além do que do amor já se recebe,
O quanto deste sonho se concebe
E bebe-se deveras devagar
E quando novamente eu vasculhar
Veremos noutro encanto a rara sebe,
Em glebas tão distantes e sombrias
Durante muitas horas, tantos dias
Seguimos rastros outros que encontramos,
E após diversos ermos, descaminhos,
Agora que sabemos tão sozinhos,
Prazer incomparável; desfrutamos.
marcos loures
Gentis, desconcertantes vastidões
Entoam luzes fartas e serenas,
Além do que pensara em duras penas
Encontro as maravilhas que ora expões,
E tendo nos meus braços soluções
As dores se transformam e pequenas
Jamais perturbariam, pois apenas
São faces que deveras recompões.
Esboço novos passos noite adentro,
E quando neste intento me concentro
Vislumbro o que queria e procurava,
Aonde quis momento em sintonia,
A música se espalha e se irradia,
Vai libertando esta alma, outrora escrava.
marcos loures
Entoam luzes fartas e serenas,
Além do que pensara em duras penas
Encontro as maravilhas que ora expões,
E tendo nos meus braços soluções
As dores se transformam e pequenas
Jamais perturbariam, pois apenas
São faces que deveras recompões.
Esboço novos passos noite adentro,
E quando neste intento me concentro
Vislumbro o que queria e procurava,
Aonde quis momento em sintonia,
A música se espalha e se irradia,
Vai libertando esta alma, outrora escrava.
marcos loures
Aonde imaginavas um acerto
Decerto nada tendo, desviaste
O olhar em tanta fúria e num contraste
Criaste em nossa vida um vão deserto,
E quando deste fato ora me alerto,
Embora te pareça ser um traste,
Vagando em noite imensa desabaste
Medonhas excrescências: rumo certo.
Visões de outros momentos já passados
E os olhos muitas vezes embotados
Confusas as imagens, percebera.
Exposto aos mais terríveis pesadelos,
Agora mais tranquilo posso vê-los
E nele se repete a mesma fera.
marcos loures
Decerto nada tendo, desviaste
O olhar em tanta fúria e num contraste
Criaste em nossa vida um vão deserto,
E quando deste fato ora me alerto,
Embora te pareça ser um traste,
Vagando em noite imensa desabaste
Medonhas excrescências: rumo certo.
Visões de outros momentos já passados
E os olhos muitas vezes embotados
Confusas as imagens, percebera.
Exposto aos mais terríveis pesadelos,
Agora mais tranquilo posso vê-los
E nele se repete a mesma fera.
marcos loures
Sobeja majestade em vossos olhos
Divina criatura feita em luz,
O amor quando em amor nos reconduz
Deixando no passado os vis abrolhos
Recolhe na florada, ensandecido
Momentos deslumbrantes, bom perfume,
Bem antes que minha alma se acostume,
Acende-se a vontade na libido
E tendo-vos por ama e por senhora,
O quão maravilhoso e perolado
Delírio quando estou ao vosso lado,
E nesta voz suprema ora se aflora
Encanto sem igual que derramais,
Delírios em delícias sensuais.
marcos loures
Divina criatura feita em luz,
O amor quando em amor nos reconduz
Deixando no passado os vis abrolhos
Recolhe na florada, ensandecido
Momentos deslumbrantes, bom perfume,
Bem antes que minha alma se acostume,
Acende-se a vontade na libido
E tendo-vos por ama e por senhora,
O quão maravilhoso e perolado
Delírio quando estou ao vosso lado,
E nesta voz suprema ora se aflora
Encanto sem igual que derramais,
Delírios em delícias sensuais.
marcos loures
Não deixe que estas ânsias determinem
O fim de um caso raro em pleno amor,
E sendo necessário recompor
Momentos que deveras nos dominem
Enquanto novos dias exterminem
O que se fez outrora em plena dor
Sentindo deste encanto o raro ardor,
Aonde os meus temores se suprimem,
Verás nos olhos meus a poesia
E dela a realidade se recria
Moldando um novo tempo de viver,
Aonde se enverede em voz suave
Sem medos nem terror que ainda agrave
Tornando mais difícil meu prazer.
marcos loures
O fim de um caso raro em pleno amor,
E sendo necessário recompor
Momentos que deveras nos dominem
Enquanto novos dias exterminem
O que se fez outrora em plena dor
Sentindo deste encanto o raro ardor,
Aonde os meus temores se suprimem,
Verás nos olhos meus a poesia
E dela a realidade se recria
Moldando um novo tempo de viver,
Aonde se enverede em voz suave
Sem medos nem terror que ainda agrave
Tornando mais difícil meu prazer.
marcos loures
Querendo simplesmente te encontrar
Depois dos temporais e ventanias
Aonde nosso encanto tu desfias
Tecendo novos raios do luar,
Escuto neste instante a preamar
E quando as noites seguem bem mais frias
Em ti farto calor que em luzes crias
Tocando a minha pele, devagar,
Arrasto-me deveras aos teus pés,
E preso nas entranhas do desejo,
O quanto mavioso o amor prevejo
Sem medos, nem correntes ou galés,
Vivendo a liberdade do querer
A recompensa é feita no prazer.
marcos loures
Depois dos temporais e ventanias
Aonde nosso encanto tu desfias
Tecendo novos raios do luar,
Escuto neste instante a preamar
E quando as noites seguem bem mais frias
Em ti farto calor que em luzes crias
Tocando a minha pele, devagar,
Arrasto-me deveras aos teus pés,
E preso nas entranhas do desejo,
O quanto mavioso o amor prevejo
Sem medos, nem correntes ou galés,
Vivendo a liberdade do querer
A recompensa é feita no prazer.
marcos loures
domingo, 13 de dezembro de 2015
Mesquinhos abandonos em que vejo
Uma alma demoníaca e desnuda,
Penando a cada dia sem ajuda
Entregue aos vagos nãos de um vão desejo.
Afasto-me do espelho que me traz
A face decomposta deste estúpido
Aonde se fizera outrora cúpido
Agora se demonstra mais mordaz,
Voluptuosamente insaciável
Satânicos momentos que vivera,
E em cada deles sempre convivera
Com fera de perfil mais intratável
E entranha-se na podre criatura
Que mesmo após o fim atroz, perdura.
marcos loures
Uma alma demoníaca e desnuda,
Penando a cada dia sem ajuda
Entregue aos vagos nãos de um vão desejo.
Afasto-me do espelho que me traz
A face decomposta deste estúpido
Aonde se fizera outrora cúpido
Agora se demonstra mais mordaz,
Voluptuosamente insaciável
Satânicos momentos que vivera,
E em cada deles sempre convivera
Com fera de perfil mais intratável
E entranha-se na podre criatura
Que mesmo após o fim atroz, perdura.
marcos loures
Numa ávida ilusão feita quimera
A boca se escancara furiosa
Enquanto a própria vida já se glosa
Apascentar a fúria de uma fera
E dela toda a sorte degenera
E muda esta faceta cor de rosa
Agrisalhando o olhar se ri e goza
Do pânico que atroz, em todos gera.
A morte se mostrando nua e crua
Deveras nos tortura e continua
Atormentando até chegar o fim
E pútrido penhor nos devolvendo,
A carne noutra pasta convertendo
Aduba das daninhas o jardim.
marcos loures
A boca se escancara furiosa
Enquanto a própria vida já se glosa
Apascentar a fúria de uma fera
E dela toda a sorte degenera
E muda esta faceta cor de rosa
Agrisalhando o olhar se ri e goza
Do pânico que atroz, em todos gera.
A morte se mostrando nua e crua
Deveras nos tortura e continua
Atormentando até chegar o fim
E pútrido penhor nos devolvendo,
A carne noutra pasta convertendo
Aduba das daninhas o jardim.
marcos loures
Na lúgubre paisagem tal mortalha
Esboça este retrato mais fiel,
O olhar degenerado rompe o céu
E voa libertários corvo e gralha
Apenas quando vejo esta batalha
A faca se transforma em carrossel
Girando vagamente segue ao léu
Enquanto a realidade se atrapalha,
Adentrando no peito o canivete
A morte transcorrendo em paz intensa
Satânico caminho recompensa
A boca apodrecida me remete
Ao lago em placidez sob a neblina
Ao qual a nossa vida nos destina.
marcos loures
Esboça este retrato mais fiel,
O olhar degenerado rompe o céu
E voa libertários corvo e gralha
Apenas quando vejo esta batalha
A faca se transforma em carrossel
Girando vagamente segue ao léu
Enquanto a realidade se atrapalha,
Adentrando no peito o canivete
A morte transcorrendo em paz intensa
Satânico caminho recompensa
A boca apodrecida me remete
Ao lago em placidez sob a neblina
Ao qual a nossa vida nos destina.
marcos loures
Murmúrios prenunciam noites fartas
Em trevas adiando uma esperança
As nuvens provocando rara dança
Enquanto da alegria tu te apartas,
Jogando sobre a mesa as mesmas cartas
Somente o funeral de uma alma avança
Sarcástica figura em aliança
Futuro desde já sei que descartas.
E morto em vida segues qual fantoche
Exposto aos vis sarcasmos e ao deboche
Rolando sem destino nem paragem,
A podridão sondando cada passo
Que dás rumo ao vazio que ora traço
Selando em tom mais fúnebre a paisagem.
marcos loures
Em trevas adiando uma esperança
As nuvens provocando rara dança
Enquanto da alegria tu te apartas,
Jogando sobre a mesa as mesmas cartas
Somente o funeral de uma alma avança
Sarcástica figura em aliança
Futuro desde já sei que descartas.
E morto em vida segues qual fantoche
Exposto aos vis sarcasmos e ao deboche
Rolando sem destino nem paragem,
A podridão sondando cada passo
Que dás rumo ao vazio que ora traço
Selando em tom mais fúnebre a paisagem.
marcos loures
Jogado pelas ruas como um pária
Já não pertences mais ao mundo que
Tentaste conhecer, mas já não vê
Figura caricata uma alimária.
Esgota-se por si tão temerária
Imagem deturpada que se crê
Maior do que deveras já se lê
No olhar ensimesmado da alma otária
Expondo esta faceta apodrecida
Ainda pensa ter alguma vida
E morto, perambula por aí,
Um cão entre outros cães e nada mais,
Nos sórdidos retratos vãos, venais
Sorrindo de si mesmo tal zumbi.
marcos loures
Já não pertences mais ao mundo que
Tentaste conhecer, mas já não vê
Figura caricata uma alimária.
Esgota-se por si tão temerária
Imagem deturpada que se crê
Maior do que deveras já se lê
No olhar ensimesmado da alma otária
Expondo esta faceta apodrecida
Ainda pensa ter alguma vida
E morto, perambula por aí,
Um cão entre outros cães e nada mais,
Nos sórdidos retratos vãos, venais
Sorrindo de si mesmo tal zumbi.
marcos loures
Resignado prossigo meu caminho
Rumando para a morte incontestável
Figura assaz comum e detestável
Satânico percorro e vou sozinho,
Nefasto caminhar me leva ao ninho
Deveras como fosse um intragável
Destino deste ser tão deplorável
Nos túmulos de uma alma vã me aninho.
E riscando os espaços nada deixo,
Sequer um rastro fétido. Não queixo
Sabendo ser assim a minha sorte,
Depois de tantos erros, desventuras
Nas mãos esta vergasta em que torturas
Condenas com escárnio à fria morte.
marcos loures
Rumando para a morte incontestável
Figura assaz comum e detestável
Satânico percorro e vou sozinho,
Nefasto caminhar me leva ao ninho
Deveras como fosse um intragável
Destino deste ser tão deplorável
Nos túmulos de uma alma vã me aninho.
E riscando os espaços nada deixo,
Sequer um rastro fétido. Não queixo
Sabendo ser assim a minha sorte,
Depois de tantos erros, desventuras
Nas mãos esta vergasta em que torturas
Condenas com escárnio à fria morte.
marcos loures
Apenas os espinhos entranhando
A pele já desfeita em podridão
E o quanto novos dias mostrarão
Resumo de um momento amargo e brando,
As rapineiras chegam, ledo bando
Fazendo do cadáver, divisão,
Mortalha se tornando meu colchão
O mundo cada parte devorando.
Afasto-me dos sonhos, bebo as trevas
E quando te aproximas também cevas
Os restos deste espectro que inda sobram,
Deveras me entregando não resisto,
Sabendo que o culpado maior disto
Sou eu, e os meus demônios vêm e cobram.
marcos loures
A pele já desfeita em podridão
E o quanto novos dias mostrarão
Resumo de um momento amargo e brando,
As rapineiras chegam, ledo bando
Fazendo do cadáver, divisão,
Mortalha se tornando meu colchão
O mundo cada parte devorando.
Afasto-me dos sonhos, bebo as trevas
E quando te aproximas também cevas
Os restos deste espectro que inda sobram,
Deveras me entregando não resisto,
Sabendo que o culpado maior disto
Sou eu, e os meus demônios vêm e cobram.
marcos loures
Bebendo desta fonte poluída
Por tantas e terríveis ilusões
Na verdadeira face que me expões
A tradução perfeita para a vida.
A porta escancarada traduzida
No todo que deveras decompões
Aonde ao meu destino não opões
Verões em plena neve, tudo acida.
E quando esta carcaça se permite
Usar de uma esperança qual limite
Errático fantasma segue a trilha
E mesmo quando em fétidos aromas
O nojo neste instante; tu já domas
Minha alma em tom bem pálido rebrilha.
marcos loures
Por tantas e terríveis ilusões
Na verdadeira face que me expões
A tradução perfeita para a vida.
A porta escancarada traduzida
No todo que deveras decompões
Aonde ao meu destino não opões
Verões em plena neve, tudo acida.
E quando esta carcaça se permite
Usar de uma esperança qual limite
Errático fantasma segue a trilha
E mesmo quando em fétidos aromas
O nojo neste instante; tu já domas
Minha alma em tom bem pálido rebrilha.
marcos loures
Aonde se pensasse em liberdade
O ser humano muda toda a história
Bisonha criatura que em vanglória
Destroça o que inda houvesse em quantidade.
Estúpida quimera vaga solta
E traz nos seus olhares fogo e fúria
Mortalha se desenha em tal incúria
Deixando em polvorosa e tão revolta
A nave-mãe que um dia se fez nobre
E agora mero esgoto, mal suspira
Na mão de um verme inválido esta pira
Com bruma e com veneno a mãe encobre,
Depois deste serviço em vão completo
O rei dos animais? Simples inseto...
marcos loures
O ser humano muda toda a história
Bisonha criatura que em vanglória
Destroça o que inda houvesse em quantidade.
Estúpida quimera vaga solta
E traz nos seus olhares fogo e fúria
Mortalha se desenha em tal incúria
Deixando em polvorosa e tão revolta
A nave-mãe que um dia se fez nobre
E agora mero esgoto, mal suspira
Na mão de um verme inválido esta pira
Com bruma e com veneno a mãe encobre,
Depois deste serviço em vão completo
O rei dos animais? Simples inseto...
marcos loures
De quem se fez feliz e quer bem mais
Apenas um sorriso não acode
Além do que deveras inda pode
Enfrenta estes terríveis abissais.
Eu sinto que o final já se aproxima,
Mordazes os momentos mais cruéis,
E neles enfrentando os velhos féis
O quanto é necessária alguma estima.
Estigmas que carrego são vulgares,
Mas tento disfarçar um ledo engano
Mudando a direção em novo plano,
Retorno sem saber aos tais lugares
Esgarço-me e demonstro em cada parte
O que se fez inútil e já descarte...
marcos loures
Apenas um sorriso não acode
Além do que deveras inda pode
Enfrenta estes terríveis abissais.
Eu sinto que o final já se aproxima,
Mordazes os momentos mais cruéis,
E neles enfrentando os velhos féis
O quanto é necessária alguma estima.
Estigmas que carrego são vulgares,
Mas tento disfarçar um ledo engano
Mudando a direção em novo plano,
Retorno sem saber aos tais lugares
Esgarço-me e demonstro em cada parte
O que se fez inútil e já descarte...
marcos loures
Extraviando a rota em tal sequestro
Vestindo esta mortalha e enlutado,
O beijo pela dor silenciado,
Momento mais feliz sequer orquestro,
E sendo nesta vida tão canhestro
Percebo tão somente o mesmo enfado
E nele refazendo o meu passado,
O verso sequer tento nem adestro.
Esgoto os meus anseios no vazio,
E quando a realidade aqui desfio,
Enceto-me em mortais caricaturas,
Servindo aos meus senhores, sou o nada,
A sorte tantas vezes desprezada
Distante do que queres e procuras.
Vestindo esta mortalha e enlutado,
O beijo pela dor silenciado,
Momento mais feliz sequer orquestro,
E sendo nesta vida tão canhestro
Percebo tão somente o mesmo enfado
E nele refazendo o meu passado,
O verso sequer tento nem adestro.
Esgoto os meus anseios no vazio,
E quando a realidade aqui desfio,
Enceto-me em mortais caricaturas,
Servindo aos meus senhores, sou o nada,
A sorte tantas vezes desprezada
Distante do que queres e procuras.
Razão de cada sonho mais audaz,
O verso que pensara ter valia
Aos poucos se transforma em voz vazia
E nele na verdade tanto faz.
O passo preferido leva ao nada
As chances não teriam mais valor,
O medo novamente ao meu dispor
Mudando esta visão tão deturpada.
Aspectos variados, beijo e corte,
Afiando assim a faca e o canivete
E quando ao nada ter já se remete
A seca dominando algum aporte,
Nesta aridez minha alma se detém
E morre solidária, sem ninguém...
marcos loures
Qual fora perseguindo este raro astro
Depois de tempestades no horizonte
Sem sol que ainda veja e não desponte
O barco não tem leme e perde o mastro,
Afundo enquanto em dores eu me alastro,
Mergulho no abissal buscando a ponte
Que um dia poderia ser a fonte
Não vendo do futuro sequer rastro.
Rastejo sobre pedras, réptil vago
E a morte com prazer ainda afago
Beijando a sua boca em podridão,
E o medo não produz qualquer mudança
A faca no pescoço adentra e avança
Com fúria numa exata direção.
marcos loures
Depois de tempestades no horizonte
Sem sol que ainda veja e não desponte
O barco não tem leme e perde o mastro,
Afundo enquanto em dores eu me alastro,
Mergulho no abissal buscando a ponte
Que um dia poderia ser a fonte
Não vendo do futuro sequer rastro.
Rastejo sobre pedras, réptil vago
E a morte com prazer ainda afago
Beijando a sua boca em podridão,
E o medo não produz qualquer mudança
A faca no pescoço adentra e avança
Com fúria numa exata direção.
marcos loures
Aonde se escondeu a estrela fria
Que tanto se fez falsa em noite escura,
O quanto me perdi em tal procura
Minha alma sem remédio se esvazia
E o bêbado funâmbulo traria
A queda sobre a pedra turva e dura
Sinal do quanto valho e em tal loucura
Somente me restando a ventania.
Abrindo as escotilhas inda vejo
Naufrágio de um estúpido desejo
Amanhecendo em vão, tosca quimera,
E o passo sem sentido ou direção
Dizendo quanto a vida fora em vão
Não tendo uma emoção sequer que espera...
marcos loures
Que tanto se fez falsa em noite escura,
O quanto me perdi em tal procura
Minha alma sem remédio se esvazia
E o bêbado funâmbulo traria
A queda sobre a pedra turva e dura
Sinal do quanto valho e em tal loucura
Somente me restando a ventania.
Abrindo as escotilhas inda vejo
Naufrágio de um estúpido desejo
Amanhecendo em vão, tosca quimera,
E o passo sem sentido ou direção
Dizendo quanto a vida fora em vão
Não tendo uma emoção sequer que espera...
marcos loures
Quem dera se esta lua protegesse
Amantes que se buscam noite afora,
Apenas tão somente nos decora
É como se um divino ser tecesse
Em prata maviosa fantasia
E dela inspiração para se amar,
Mas quando se escondendo este luar
Escuridão tomando a cercania
Ausência de seus brilhos, lua amada
Trazendo tanta dor a quem sonhara,
A noite que já fora bela e clara,
Agora totalmente transformada,
Que faço se este brilho raro e bom,
Ofusca-se nas noites em neon?
Marcos Loures
Amantes que se buscam noite afora,
Apenas tão somente nos decora
É como se um divino ser tecesse
Em prata maviosa fantasia
E dela inspiração para se amar,
Mas quando se escondendo este luar
Escuridão tomando a cercania
Ausência de seus brilhos, lua amada
Trazendo tanta dor a quem sonhara,
A noite que já fora bela e clara,
Agora totalmente transformada,
Que faço se este brilho raro e bom,
Ofusca-se nas noites em neon?
Marcos Loures
Saudade dita normas complicadas
É como o renascer de algum defunto,
Falando sempre assim do mesmo assunto
Caminho se perfaz nestas estradas
Há tanto conhecidas no passado.
Beber no mesmo copo esta aguardente
Por mais que ainda queira só se sente
O gosto do retrato amarelado.
Lembranças do que foi? Não, minha amiga,
Retrovisor traduz em capotagem
E quando se prepara outra viagem
Esqueça, por favor daquela antiga.
Saudade, se inda tenho por aqui,
Somente do que outrora não vivi...
marcos loures
É como o renascer de algum defunto,
Falando sempre assim do mesmo assunto
Caminho se perfaz nestas estradas
Há tanto conhecidas no passado.
Beber no mesmo copo esta aguardente
Por mais que ainda queira só se sente
O gosto do retrato amarelado.
Lembranças do que foi? Não, minha amiga,
Retrovisor traduz em capotagem
E quando se prepara outra viagem
Esqueça, por favor daquela antiga.
Saudade, se inda tenho por aqui,
Somente do que outrora não vivi...
marcos loures
Enquanto o besteirol assim se alastra
A merda do soneto vira pó,
Não vou ficar aqui pedindo dó
Verdade se repete e não se castra.
Melhor fazer textinho onde testículo
Apronta confusão e dá ou desce,
Ou então aprendendo reza ou prece
Decoro vez por outra algum versículo
Se falo não explico só complico
Ninguém quer entender porra nenhuma,
Se o mundo proutras bandas já se ruma,
Preciso e mais depressa ficar rico.
Cansado de escrever tanta besteira,
Da sorte só levando uma rasteira...
marcos loures
A merda do soneto vira pó,
Não vou ficar aqui pedindo dó
Verdade se repete e não se castra.
Melhor fazer textinho onde testículo
Apronta confusão e dá ou desce,
Ou então aprendendo reza ou prece
Decoro vez por outra algum versículo
Se falo não explico só complico
Ninguém quer entender porra nenhuma,
Se o mundo proutras bandas já se ruma,
Preciso e mais depressa ficar rico.
Cansado de escrever tanta besteira,
Da sorte só levando uma rasteira...
marcos loures
Não perco um carnaval, destes, cristãos,
Adoro tomar umas vez em quando
Deu confusão? Depressa vou sarrando
A mão vai passeando pelos vãos.
A moça faz carinha de coitada,
Mas gosta desta puta sacanagem,
A bunda arrebitada dá coragem,
Nas coxas de um babaca uma encoxada
E seja tudo em nome do Senhor,
A putaria toma toda a praça
É reza misturada com cachaça
E nisto o pessoal faz seu louvor.
Olhando lá pra cima logo avisto,
Pedindo ao Pai perdão de novo, Cristo...
marcos loures
Adoro tomar umas vez em quando
Deu confusão? Depressa vou sarrando
A mão vai passeando pelos vãos.
A moça faz carinha de coitada,
Mas gosta desta puta sacanagem,
A bunda arrebitada dá coragem,
Nas coxas de um babaca uma encoxada
E seja tudo em nome do Senhor,
A putaria toma toda a praça
É reza misturada com cachaça
E nisto o pessoal faz seu louvor.
Olhando lá pra cima logo avisto,
Pedindo ao Pai perdão de novo, Cristo...
marcos loures
Erotismo não é vulgaridade!
São coisas bem diversa disso eu sei
E não vou discutir censura ou lei
Por mais que esta falácia desagrade.
Apenas não me sinto constrangido
Em comer uma bela buletinha,
Se preferir então, pererequinha
Sem ela o meu viver não tem sentido.
Perdoe, mas eu acho mais bonito
Do que falar em cópula, o trepar
Eu sei que isto parece mais vulgar,
De fraque, por favor, mudando o rito
É coisa que deveras não fascina,
Invés de uma xexeca, uma vagina...
marcos loures
São coisas bem diversa disso eu sei
E não vou discutir censura ou lei
Por mais que esta falácia desagrade.
Apenas não me sinto constrangido
Em comer uma bela buletinha,
Se preferir então, pererequinha
Sem ela o meu viver não tem sentido.
Perdoe, mas eu acho mais bonito
Do que falar em cópula, o trepar
Eu sei que isto parece mais vulgar,
De fraque, por favor, mudando o rito
É coisa que deveras não fascina,
Invés de uma xexeca, uma vagina...
marcos loures
Não venha me falar do quanto existe
Do medo ainda vivo nos estúpidos
Momentos onde mesmo em toscos, cúpidos
Olhares se percebe ao fundo o triste.
Esquadros e compassos, réguas tês
E tanta engenharia não permite
Que o sonho ultrapassando algum limite
Diverso do que teimas e não vês,
Acuda esta versão aonde o nada
Transgride e traz no olhar terror e dolo,
E quando vez por outra em vão me imolo
A história há tanto tempo degradada
Esvai-se enquanto a vida se perdia
Na torpe sensação de hemorragia...
marcos loures
Do medo ainda vivo nos estúpidos
Momentos onde mesmo em toscos, cúpidos
Olhares se percebe ao fundo o triste.
Esquadros e compassos, réguas tês
E tanta engenharia não permite
Que o sonho ultrapassando algum limite
Diverso do que teimas e não vês,
Acuda esta versão aonde o nada
Transgride e traz no olhar terror e dolo,
E quando vez por outra em vão me imolo
A história há tanto tempo degradada
Esvai-se enquanto a vida se perdia
Na torpe sensação de hemorragia...
marcos loures
O pensamento ronda que ainda
Não pode discernir qualquer verdade,
Aonde se quisera quase abade
A porta se fechara e assim se finda
A luta de um vazio por talvez
Querer ser algo mais e nunca expondo
Realidade aos poucos decompondo
Mesmo que em tal tolice sei que crês
O parto trouxe apenas tosco feto,
Apática figura filosófica
A face se mostrando quase atrófica
E nela com certeza me incompleto,
Purgando dentro em mim a força insana
Aonde em podridão a voz se emana...
marcos loures
Não pode discernir qualquer verdade,
Aonde se quisera quase abade
A porta se fechara e assim se finda
A luta de um vazio por talvez
Querer ser algo mais e nunca expondo
Realidade aos poucos decompondo
Mesmo que em tal tolice sei que crês
O parto trouxe apenas tosco feto,
Apática figura filosófica
A face se mostrando quase atrófica
E nela com certeza me incompleto,
Purgando dentro em mim a força insana
Aonde em podridão a voz se emana...
marcos loures
sábado, 12 de dezembro de 2015
A noite entre meus fúnebres penares
Alvíssaras; esconde em seus vazios,
E os medos permanecem entre os fios,
Distante, sempre ausente meus amares;
Volver a cada canto, em tais lugares,
Aonde em profusão, angústias, frios,
Andando pelas ruas, vários bares,
E os olhos dos incautos, vãos, vadios...
Arcar com desenganos e mentiras
Enquanto em vários pontos, sempre atiras
Estirado na praça, o corpo inerte,
E incrível que pareça inda se ri,
Cadáver dos meus sonhos; vejo ali,
Enquanto a podridão ainda verte...
marcos loures
Alvíssaras; esconde em seus vazios,
E os medos permanecem entre os fios,
Distante, sempre ausente meus amares;
Volver a cada canto, em tais lugares,
Aonde em profusão, angústias, frios,
Andando pelas ruas, vários bares,
E os olhos dos incautos, vãos, vadios...
Arcar com desenganos e mentiras
Enquanto em vários pontos, sempre atiras
Estirado na praça, o corpo inerte,
E incrível que pareça inda se ri,
Cadáver dos meus sonhos; vejo ali,
Enquanto a podridão ainda verte...
marcos loures
DUETO: O VERSO – 12/12/15 MARCOS LOURES & SOL Figueiredo
Meus dias entre tantos se perdendo
E sei que no final nada teria
Sabendo da total aleivosia
O mundo que se mostra é vão remendo.
O porto noutro instante se prevendo
O verso traz apenas a agonia
E o canto sem saber de uma harmonia
Somente traduzindo o quanto emendo.
Versando sobre o medo e nada após
A luta se aproxima em rudes nós
E as nódoas demarcadas: solidão,
Meu verso se tentara pelo menos
Viver dias suaves e serenos,
Mas sei que na verdade não virão.
Marcos Loures
O verso que quisera por inteiro
Se formou passo a passo, dia a dia...
Transformando esse amor em poesia
De um livro já sem capa, derradeiro!...
Meu verso não quisera ser certeiro,
Se a palavra vã não mais caberia,
Querendo só um amanhã: utopia.
Verdade verdadeira? Amor primeiro!...
Mentiras, ilusões, desilusões,
Palavras ditas, palavras malditas,
Palavras frias, quentes por paixões...
Fantasias Dantescas, quão piegas...
Almas tão sofredoras são aflitas
Na página já lida, apenas pregas!
SOL Figueiredo – 12 de dezembro de 2015 – 18h.
Meus dias entre tantos se perdendo
E sei que no final nada teria
Sabendo da total aleivosia
O mundo que se mostra é vão remendo.
O porto noutro instante se prevendo
O verso traz apenas a agonia
E o canto sem saber de uma harmonia
Somente traduzindo o quanto emendo.
Versando sobre o medo e nada após
A luta se aproxima em rudes nós
E as nódoas demarcadas: solidão,
Meu verso se tentara pelo menos
Viver dias suaves e serenos,
Mas sei que na verdade não virão.
Marcos Loures
O verso que quisera por inteiro
Se formou passo a passo, dia a dia...
Transformando esse amor em poesia
De um livro já sem capa, derradeiro!...
Meu verso não quisera ser certeiro,
Se a palavra vã não mais caberia,
Querendo só um amanhã: utopia.
Verdade verdadeira? Amor primeiro!...
Mentiras, ilusões, desilusões,
Palavras ditas, palavras malditas,
Palavras frias, quentes por paixões...
Fantasias Dantescas, quão piegas...
Almas tão sofredoras são aflitas
Na página já lida, apenas pregas!
SOL Figueiredo – 12 de dezembro de 2015 – 18h.
Na beleza do verso que ora leio,
Esqueço as culpas que, por cento tenho.
Marcos Osilia
e quando, quieto cerro o cenho
a vida me agregando em podre enleio,
e tanto quanto houvesse algum receio,
o manto descoberto de onde venho
descobre esse caminho e não convenho
tentar acreditar nalgum recreio.
perdido entre os canhões e mil obuses
preparo simplesmente entre outras cruzes
o derradeiro leito onde descanse,
meu mundo se perdeu, há tanto tempo,
conjuro cada novo contratempo
a sorte se distou do meu alcance...
Marcos Loures
Esqueço as culpas que, por cento tenho.
Marcos Osilia
e quando, quieto cerro o cenho
a vida me agregando em podre enleio,
e tanto quanto houvesse algum receio,
o manto descoberto de onde venho
descobre esse caminho e não convenho
tentar acreditar nalgum recreio.
perdido entre os canhões e mil obuses
preparo simplesmente entre outras cruzes
o derradeiro leito onde descanse,
meu mundo se perdeu, há tanto tempo,
conjuro cada novo contratempo
a sorte se distou do meu alcance...
Marcos Loures
No Silêncio das sombras
O silêncio sombreado nas folhagens,
Oculto um sorriso tímido, infantil.
Rasteiro como as folhas caídas
Sentimentos, Encontros... Despedidas
A busca da paz ressoa nas ramagens.
O sossego do conforto que partiu
Entre luzes e cores, a mensagem dizia...
Infinita e atenta ao farejar deslizes
Olhos rastreiam a intimidade, fugidia...
Encontrar medos e dores, noturno mar,
Estagnação confortável em vícios e matizes,
Mentiras, desculpas, verborragia... O burlar
Contraluz, penumbra, caos luminar...
Flutuações e subdivisões em devaneios...
Lucidez, loucura de questões à luz solar...
Miríade humana, estações e torneios,
Tempo passado, momento perdido...
O todo subdividido, segmentado, refletido.
O silêncio das sombras à luz de toda dúvida,
As certezas, no tempo, adquiridas e substituídas...
A ignorância acumulada, em indolências, mantida;
Toda falta de estrutura, verborragia... Vidas.
O silêncio é cruel quando sobrevém a fadiga.
Revela o martelar tirânico na artéria rompida.
Em meio ao jardim de verdades, amenidades...
As ramagens em fractais de folhas, sombreada;
A consciência milenar depara-se com nulidades
Com todas as perdas, no nada contabilizada,
Germinadas na indolência, durante eternidades...
O cansaço, o esgotamento completo em si mesmo.
O silêncio da sombra sou eu e o reflexo
Do caos sonoro em que fui ainda sendo
É o fractal emocional ainda sem nexo
A página do livro já tão amarelecido
O silêncio da sombra sou eu dividido
Entre sentir e o viver, o que já foi vivido.
Augustus César Silva 12/12/2014 & 12/12/2015.
Envolto pelas páginas carcomidas
dos velhos e diversos alfarrábios,
os olhos procurando em astrolábios
depois de tempestades, as saídas;
percorro as multidões e as toscas vidas
repetem os delírios ditos "sábios"
e vejo refletir nos murchos lábios
incongruentes ruas e avenidas.
abortos de outros sonhos, mocidade,
e agora conceber o sol, quem há de?
se as nuvens tomam todos os cenários.
restando aos loucos velhos sonhadores
a inútil primavera em mortas flores
e os rios poluindo os estuários
marcos loures
O silêncio sombreado nas folhagens,
Oculto um sorriso tímido, infantil.
Rasteiro como as folhas caídas
Sentimentos, Encontros... Despedidas
A busca da paz ressoa nas ramagens.
O sossego do conforto que partiu
Entre luzes e cores, a mensagem dizia...
Infinita e atenta ao farejar deslizes
Olhos rastreiam a intimidade, fugidia...
Encontrar medos e dores, noturno mar,
Estagnação confortável em vícios e matizes,
Mentiras, desculpas, verborragia... O burlar
Contraluz, penumbra, caos luminar...
Flutuações e subdivisões em devaneios...
Lucidez, loucura de questões à luz solar...
Miríade humana, estações e torneios,
Tempo passado, momento perdido...
O todo subdividido, segmentado, refletido.
O silêncio das sombras à luz de toda dúvida,
As certezas, no tempo, adquiridas e substituídas...
A ignorância acumulada, em indolências, mantida;
Toda falta de estrutura, verborragia... Vidas.
O silêncio é cruel quando sobrevém a fadiga.
Revela o martelar tirânico na artéria rompida.
Em meio ao jardim de verdades, amenidades...
As ramagens em fractais de folhas, sombreada;
A consciência milenar depara-se com nulidades
Com todas as perdas, no nada contabilizada,
Germinadas na indolência, durante eternidades...
O cansaço, o esgotamento completo em si mesmo.
O silêncio da sombra sou eu e o reflexo
Do caos sonoro em que fui ainda sendo
É o fractal emocional ainda sem nexo
A página do livro já tão amarelecido
O silêncio da sombra sou eu dividido
Entre sentir e o viver, o que já foi vivido.
Augustus César Silva 12/12/2014 & 12/12/2015.
Envolto pelas páginas carcomidas
dos velhos e diversos alfarrábios,
os olhos procurando em astrolábios
depois de tempestades, as saídas;
percorro as multidões e as toscas vidas
repetem os delírios ditos "sábios"
e vejo refletir nos murchos lábios
incongruentes ruas e avenidas.
abortos de outros sonhos, mocidade,
e agora conceber o sol, quem há de?
se as nuvens tomam todos os cenários.
restando aos loucos velhos sonhadores
a inútil primavera em mortas flores
e os rios poluindo os estuários
marcos loures
Fechado dentro em mim oceano sombrio
Nefasta sinfonia expondo a morte em vida
Estátua do vazio, aos poucos consumida,
Esculpo deste mar, em mármol duro e frio
Auto retrato aonde; os engodos desfio.
Por mais que esta desdita, ataque e mesmo agrida,
A solução; não vindo, o apocalipse cria
Do velho tabernáculo um campo nu, vazio.
Ensimesmado e quieto, atrozes dias passo,
Deste universo imenso, apenas leve traço,
Rascunho concebido em simples garatuja.
Fantoche que se expõe um tosco caricato,
O Fado traiçoeiro, insano eu desacato
Minha alma apodrecida, agora, imunda e suja...
marcos loures
Nefasta sinfonia expondo a morte em vida
Estátua do vazio, aos poucos consumida,
Esculpo deste mar, em mármol duro e frio
Auto retrato aonde; os engodos desfio.
Por mais que esta desdita, ataque e mesmo agrida,
A solução; não vindo, o apocalipse cria
Do velho tabernáculo um campo nu, vazio.
Ensimesmado e quieto, atrozes dias passo,
Deste universo imenso, apenas leve traço,
Rascunho concebido em simples garatuja.
Fantoche que se expõe um tosco caricato,
O Fado traiçoeiro, insano eu desacato
Minha alma apodrecida, agora, imunda e suja...
marcos loures
Ter saudades do passado é correr atrás do vento.
(Provérbio russo)
Não guarde do passado uma lembrança
Pois ele nunca mais irá voltar
O tempo que se perde, valerá?
Passado não renova uma esperança.
O mundo não permite que se pare
O canto que cantavas não encanta
E podes destruir a velha manta,
Não te cabe mais. Nunca se antepare
Nas hastes que guardavam seus segredos
A vida que enferruja e não perdoa
Essa asa já quebrada não revoa
Esqueça o que passou, velho degredo.
A mão que maltratava se perdeu
O vento que soprava virou brisa
A vida, verdadeira poetisa
Renova toda luz no negro breu.
Portanto não esqueça minha amiga
Se faça, a cada dia, bem melhor
Alegria se faz de cada dor
Desde que teu caminho se prossiga.
As horas que passaram não retornam
Apenas são pequenas cicatrizes
De tempos que julgamos mais felizes
Simplesmente são flores, nos adornam
Mas não podem ser nossos alimentos
Futuro não conhece o que passou
Aberta essa janela Deus entrou
Nosso passado foi-se com os ventos!
marcos loures
(Provérbio russo)
Não guarde do passado uma lembrança
Pois ele nunca mais irá voltar
O tempo que se perde, valerá?
Passado não renova uma esperança.
O mundo não permite que se pare
O canto que cantavas não encanta
E podes destruir a velha manta,
Não te cabe mais. Nunca se antepare
Nas hastes que guardavam seus segredos
A vida que enferruja e não perdoa
Essa asa já quebrada não revoa
Esqueça o que passou, velho degredo.
A mão que maltratava se perdeu
O vento que soprava virou brisa
A vida, verdadeira poetisa
Renova toda luz no negro breu.
Portanto não esqueça minha amiga
Se faça, a cada dia, bem melhor
Alegria se faz de cada dor
Desde que teu caminho se prossiga.
As horas que passaram não retornam
Apenas são pequenas cicatrizes
De tempos que julgamos mais felizes
Simplesmente são flores, nos adornam
Mas não podem ser nossos alimentos
Futuro não conhece o que passou
Aberta essa janela Deus entrou
Nosso passado foi-se com os ventos!
marcos loures
Eu sei que tu jamais retornarás,
O medo se aproxima, traz seu cheiro...
Na porta dos palácios me permito,
Viver esta esperança sem juízo...
Eu sei que terminou o nosso caso,
Não pude receber o teu recado.
O jeito foi fingir que não te quero,
Meu pranto percorrendo todo o rosto...
Vasculho cada ponto de partida,
Encontro solução mas não vigoro,
Enluto um coração tão sem coragem,
A mão que acaricia também bate...
Nos bailes que freqüentas, nada danço
Os olhos espremidos de tristeza.
Me deste solidão que não mereço.
Tropeço cada passo, sem perdão...
Avanço teus castelos, fantasia,
Amores que não pude constatar,
Balanças tuas mãos num até breve,
Capítulos refeitos desta história...
Digeres cada beijo que te dei,
Espremes sem piedade, meus sorrisos,
Farpas esparramadas pelo chão.
Guardaste minhas dores num recanto,
Hoje descobri quanto me negavas,
Idolatrei teus passos, infeliz...
Joguei as esperanças neste lixo.
Lograste tantas falas mais hipócritas,
Mentiste sobre cada novo fato,
Na mão direita levas meu amor
Ostentas teu sorriso de vingança...
Percebo que não queres o meu braço
Quebraste meus encantos sem perdão,
Resgato meu amor no teu regato,
Saudade foi herança que sobrou.
Tarântula devora o pobre macho,
Urdindo tantos planos que nem sei,
Vinganças que te movem, cada passo...
Xingaste que te amou e não quiseste...
Zeraste tanta vida sem piedade...
Amor, então perdoa, vivo pálido,
Basta desse querer assim, esquálido,
Na barca da saudade, sou inválido,
Teus olhos se mostraram, belos, cálidos...
Não pude constatar porque sou plácido
Vestidos que queimaste, jogas ácido,
Esvaindo nas quimeras, somos gélidos,
Nos versos que te faço, caço métrica,
A noite dos amores, vem mais tétrica.
Vontade de te ter, machuca pétrea,
As mãos a percorrer, fustigam límbicas,
Querem-te devorar, mas são tão tímidas,
No escárnio que te move, finges úmida,
Mas sei que não me queres és tetânica
Espero que perdoes cada cântico,
Não sei fazer meu verso mais romântico,
Amor que dediquei, enorme, atlântico,
Tentava ser mais manso, e mais pacífico,
Não pude nem fingir que fosse bélico,
Os ventos que me movem, força eólica,
As dores que sentimos, forte cólica,
Por fim nos dividimos, bola e búlica...
Nos vestiu, tanto tempo, a mesma túnica;
Sorrindo me demonstras como és cínica,
Beijando me mordeste qual famélica.
Quem vê o teu sorriso mais angélico,
Não sabe distinguir como és atômica,
Deixaste tanta gente assim, atônita,
No fundo te fizeste catatônica,
Mentiste com verdade cruel cômica,
Minha garganta cala, mais afônica,
Viver sem ser feliz é minha tônica...
Agora que mataste não se ria,
O mundo que navego perde ria,
Na porta da saudade que seria,
Não posso me esquecer do que se via...
Amor, agora chega aqui do lado,
Te quero, vem fazer um cafuné,
Não deixe tanta coisa assim de lado,
Não posso me encantar, perder a fé,
Amada, vem sacode essa roseira,
A noite que me trazes, companheira,
Te quero, na verdade assim como és...
marcos loures
O medo se aproxima, traz seu cheiro...
Na porta dos palácios me permito,
Viver esta esperança sem juízo...
Eu sei que terminou o nosso caso,
Não pude receber o teu recado.
O jeito foi fingir que não te quero,
Meu pranto percorrendo todo o rosto...
Vasculho cada ponto de partida,
Encontro solução mas não vigoro,
Enluto um coração tão sem coragem,
A mão que acaricia também bate...
Nos bailes que freqüentas, nada danço
Os olhos espremidos de tristeza.
Me deste solidão que não mereço.
Tropeço cada passo, sem perdão...
Avanço teus castelos, fantasia,
Amores que não pude constatar,
Balanças tuas mãos num até breve,
Capítulos refeitos desta história...
Digeres cada beijo que te dei,
Espremes sem piedade, meus sorrisos,
Farpas esparramadas pelo chão.
Guardaste minhas dores num recanto,
Hoje descobri quanto me negavas,
Idolatrei teus passos, infeliz...
Joguei as esperanças neste lixo.
Lograste tantas falas mais hipócritas,
Mentiste sobre cada novo fato,
Na mão direita levas meu amor
Ostentas teu sorriso de vingança...
Percebo que não queres o meu braço
Quebraste meus encantos sem perdão,
Resgato meu amor no teu regato,
Saudade foi herança que sobrou.
Tarântula devora o pobre macho,
Urdindo tantos planos que nem sei,
Vinganças que te movem, cada passo...
Xingaste que te amou e não quiseste...
Zeraste tanta vida sem piedade...
Amor, então perdoa, vivo pálido,
Basta desse querer assim, esquálido,
Na barca da saudade, sou inválido,
Teus olhos se mostraram, belos, cálidos...
Não pude constatar porque sou plácido
Vestidos que queimaste, jogas ácido,
Esvaindo nas quimeras, somos gélidos,
Nos versos que te faço, caço métrica,
A noite dos amores, vem mais tétrica.
Vontade de te ter, machuca pétrea,
As mãos a percorrer, fustigam límbicas,
Querem-te devorar, mas são tão tímidas,
No escárnio que te move, finges úmida,
Mas sei que não me queres és tetânica
Espero que perdoes cada cântico,
Não sei fazer meu verso mais romântico,
Amor que dediquei, enorme, atlântico,
Tentava ser mais manso, e mais pacífico,
Não pude nem fingir que fosse bélico,
Os ventos que me movem, força eólica,
As dores que sentimos, forte cólica,
Por fim nos dividimos, bola e búlica...
Nos vestiu, tanto tempo, a mesma túnica;
Sorrindo me demonstras como és cínica,
Beijando me mordeste qual famélica.
Quem vê o teu sorriso mais angélico,
Não sabe distinguir como és atômica,
Deixaste tanta gente assim, atônita,
No fundo te fizeste catatônica,
Mentiste com verdade cruel cômica,
Minha garganta cala, mais afônica,
Viver sem ser feliz é minha tônica...
Agora que mataste não se ria,
O mundo que navego perde ria,
Na porta da saudade que seria,
Não posso me esquecer do que se via...
Amor, agora chega aqui do lado,
Te quero, vem fazer um cafuné,
Não deixe tanta coisa assim de lado,
Não posso me encantar, perder a fé,
Amada, vem sacode essa roseira,
A noite que me trazes, companheira,
Te quero, na verdade assim como és...
marcos loures
A vida passou ávida de vida,
pelo campo onde caminhava solitário.
Não quis ser mar
nem ser maré,
quis viver Maria,
que nada mais continha
a não ser poesia...
Mas me detinha a cada passo,
teu cansaço e minha sina,
meu abraço e tuas pernas,
penugens e paragens,
margens e manhãs...
Quis ser sonho e pedregulho,
ser seixo e ser queixume,
deixo meu ciúme e minha cisma;
cataclismo fatal sem fátuos fatos...
Num átimo um ótimo momento,
um último madorno me adorno
de teus ouros e perolados olhos.
Nos óleos que me tramas,
casas e camas,
nas brasas, chamas
e não respondo,
oculto.
Te cultuo num duo infernal,
sem eco, sem ego,
trôpego, trafego
e me apego a teu passo,
pássaro solto, contrafeito...
Desfeito tudo que pudesse ser
meu, mel e mal,
Maria, o mar ia amar, andei e não te vi
bem te vi, mentiras e martírios.
Marujo sem sabujo, não sei se rei,
sereia que seria minha teia,
mas atéia, ateia tantas brumas,
bruxuleante brisa, concisa e precisa, necessária...
Amar Maria, mar ondeia, nos seios,
seixos e desejos, um beijo e um aceno,
contraceno com velas e veleiros.
Nas mãos vazias, azias e ânsias,
anseias seres livre,
me contive e não tive outro chão...
O vão aberto sob meus pés,
fendida a praia, fendida a saia,
a baia, o portão...
O porto longe, a vida longe,
longevidade para quê?
Na seda que roubaste e vestiste
insiste meu tato,
permite o olfato que,
de fato serei ato, sou regato
e regado a tanta maresia...
Mar se ia sem Maria,
sem marés e sem viés
para o invés do investido,
antes tivesse ido,
morrer no mar,
sem Maria, sem mares,
sem marés,
sem poesia...
marcos loures
pelo campo onde caminhava solitário.
Não quis ser mar
nem ser maré,
quis viver Maria,
que nada mais continha
a não ser poesia...
Mas me detinha a cada passo,
teu cansaço e minha sina,
meu abraço e tuas pernas,
penugens e paragens,
margens e manhãs...
Quis ser sonho e pedregulho,
ser seixo e ser queixume,
deixo meu ciúme e minha cisma;
cataclismo fatal sem fátuos fatos...
Num átimo um ótimo momento,
um último madorno me adorno
de teus ouros e perolados olhos.
Nos óleos que me tramas,
casas e camas,
nas brasas, chamas
e não respondo,
oculto.
Te cultuo num duo infernal,
sem eco, sem ego,
trôpego, trafego
e me apego a teu passo,
pássaro solto, contrafeito...
Desfeito tudo que pudesse ser
meu, mel e mal,
Maria, o mar ia amar, andei e não te vi
bem te vi, mentiras e martírios.
Marujo sem sabujo, não sei se rei,
sereia que seria minha teia,
mas atéia, ateia tantas brumas,
bruxuleante brisa, concisa e precisa, necessária...
Amar Maria, mar ondeia, nos seios,
seixos e desejos, um beijo e um aceno,
contraceno com velas e veleiros.
Nas mãos vazias, azias e ânsias,
anseias seres livre,
me contive e não tive outro chão...
O vão aberto sob meus pés,
fendida a praia, fendida a saia,
a baia, o portão...
O porto longe, a vida longe,
longevidade para quê?
Na seda que roubaste e vestiste
insiste meu tato,
permite o olfato que,
de fato serei ato, sou regato
e regado a tanta maresia...
Mar se ia sem Maria,
sem marés e sem viés
para o invés do investido,
antes tivesse ido,
morrer no mar,
sem Maria, sem mares,
sem marés,
sem poesia...
marcos loures
Diria o amor que tanto desejei
Se o mar soubesse ouvir esse meu canto
Um canto que eu até já sufoquei
E o luar chorou também com meu pranto!
comendadora Comendadora Sol Figueiredo
as nuvens embaçando em desencanto,
o céu que muitas vezes procurei,
agora nada resta, rasgo manto
da noite que sem lua eu encontrei.
as tramas enredando no meu leito,
a morte se aproxima e sei que aceito
o abraço terminal de quem quisera,
as horas invadindo a madrugada,
a boca que sonhara ser beijada,
exposta à fúria cega da pantera;
Marcos Loures
Se o mar soubesse ouvir esse meu canto
Um canto que eu até já sufoquei
E o luar chorou também com meu pranto!
comendadora Comendadora Sol Figueiredo
as nuvens embaçando em desencanto,
o céu que muitas vezes procurei,
agora nada resta, rasgo manto
da noite que sem lua eu encontrei.
as tramas enredando no meu leito,
a morte se aproxima e sei que aceito
o abraço terminal de quem quisera,
as horas invadindo a madrugada,
a boca que sonhara ser beijada,
exposta à fúria cega da pantera;
Marcos Loures
Calor que me invadiu, teu olhar...
No mar de esperançosas ventanias...
Nos dias que passei, luas redondas
Nas ondas deste mar que tanto espero
No fero sentimento te adorar!
Naufragar em teus braços minha amada...
Cada noite que passo, mais te sonho...
Ponho meus tristes barcos, meus saveiros,
Canteiros que produzem rosas belas.
Telas onde emolduraste tal beleza,
Certeza de que há Deus e que ele ama!
Na chama eternizada dos teus olhos.
Molhos de delicadas ervas trazes.
Fases lunares linda tempestade...
Arde a sutil manhã que prometeste.
Inconteste delírio destes deuses
Reluzes nos orgásticos desejos.
Nos beijos que prometes inebrias...
Frias as minhas noites se não vens...
Tens o poder sublime da loucura.
Moldura que encontrou grande pintor.
Amor que deslindando-se enlanguesce.
Esquece as amarguras e penúrias.
Nas cúrias nos escuros parlamentos,
Ungüentos que me curam e transformam...
Formando delirantes desvarios,
Vários rios que levam para o mar.
Martírios que deixei no pó da estrada.
Fada que me encantou, embriagante
Elegante desígnio divinal.
Final de toda dor, ressurreição!
Afeição extremada, desejosa...
Maravilhosamente apaixonante.
Diante de tanta luz, que faço Deus?
Os meus tormentos mortos, esperanças!
Lembranças destes tempos cristalinos.
Alabastrinos seios doce alvor.
Calor que permanece sem segredo.
O medo de perder, evanescente,
Nascentes deste rio que navego,
Carrego toda luz que te roubei...
Sei de tantos amores, vida breve,
Leve folha, flutua nos meus sonhos...
Medonhos tais fantasmas se perderam...
Eram deveras tristes os meus dias...
Frias as noites, versos sem sentido...
Incontido desejo mergulhava...
Sonhava com paixão, felicidade...
A tarde nunca vinha, nebulosa...
A rosa que plantei só deu espinhos...
Caminhos que segui perdi a esmo...
Mesmo minhas canções eram de dor.
Amor que se omitia, velho e morto.
Porto que sempre nega desembarque.
Parque que não pretende ter criança,
Dança que não deseja nem carinho...
Ninho que desprezou um passarinho...
Vinho que não me deixa embriagado,
Fado, destino, sina, desespero...
Tempero para a vida, sinal glória...
Memória triste, vaga, traz saudade...
Claridade que desfeita, deixa o breu...
Ateu coração pede por um Deus...
Meus olhos imploraram tal visão!
Solução para torpe solidão.
Solidão esvaindo-se depressa.
Compressa cicatriza essa ferida.
A vida que pensei agora trazes,
Fazes todos meus dias melodias,
Orgias são bacantes amplitudes...
Quietudes maravilhas, ambrosia...
Poesia deflagras na fragrância...
Elegância caminha mais suave,
Na nave que julguei fosse perdida,
Comovida, esperando delicia,
Caricia naufrágios tão amargos...
Nos lagos dos meus sonhos és remanso.
Um remanso que em versos, traz calor,
Calor que me invadiu, teu olhar...
marcos loures
No mar de esperançosas ventanias...
Nos dias que passei, luas redondas
Nas ondas deste mar que tanto espero
No fero sentimento te adorar!
Naufragar em teus braços minha amada...
Cada noite que passo, mais te sonho...
Ponho meus tristes barcos, meus saveiros,
Canteiros que produzem rosas belas.
Telas onde emolduraste tal beleza,
Certeza de que há Deus e que ele ama!
Na chama eternizada dos teus olhos.
Molhos de delicadas ervas trazes.
Fases lunares linda tempestade...
Arde a sutil manhã que prometeste.
Inconteste delírio destes deuses
Reluzes nos orgásticos desejos.
Nos beijos que prometes inebrias...
Frias as minhas noites se não vens...
Tens o poder sublime da loucura.
Moldura que encontrou grande pintor.
Amor que deslindando-se enlanguesce.
Esquece as amarguras e penúrias.
Nas cúrias nos escuros parlamentos,
Ungüentos que me curam e transformam...
Formando delirantes desvarios,
Vários rios que levam para o mar.
Martírios que deixei no pó da estrada.
Fada que me encantou, embriagante
Elegante desígnio divinal.
Final de toda dor, ressurreição!
Afeição extremada, desejosa...
Maravilhosamente apaixonante.
Diante de tanta luz, que faço Deus?
Os meus tormentos mortos, esperanças!
Lembranças destes tempos cristalinos.
Alabastrinos seios doce alvor.
Calor que permanece sem segredo.
O medo de perder, evanescente,
Nascentes deste rio que navego,
Carrego toda luz que te roubei...
Sei de tantos amores, vida breve,
Leve folha, flutua nos meus sonhos...
Medonhos tais fantasmas se perderam...
Eram deveras tristes os meus dias...
Frias as noites, versos sem sentido...
Incontido desejo mergulhava...
Sonhava com paixão, felicidade...
A tarde nunca vinha, nebulosa...
A rosa que plantei só deu espinhos...
Caminhos que segui perdi a esmo...
Mesmo minhas canções eram de dor.
Amor que se omitia, velho e morto.
Porto que sempre nega desembarque.
Parque que não pretende ter criança,
Dança que não deseja nem carinho...
Ninho que desprezou um passarinho...
Vinho que não me deixa embriagado,
Fado, destino, sina, desespero...
Tempero para a vida, sinal glória...
Memória triste, vaga, traz saudade...
Claridade que desfeita, deixa o breu...
Ateu coração pede por um Deus...
Meus olhos imploraram tal visão!
Solução para torpe solidão.
Solidão esvaindo-se depressa.
Compressa cicatriza essa ferida.
A vida que pensei agora trazes,
Fazes todos meus dias melodias,
Orgias são bacantes amplitudes...
Quietudes maravilhas, ambrosia...
Poesia deflagras na fragrância...
Elegância caminha mais suave,
Na nave que julguei fosse perdida,
Comovida, esperando delicia,
Caricia naufrágios tão amargos...
Nos lagos dos meus sonhos és remanso.
Um remanso que em versos, traz calor,
Calor que me invadiu, teu olhar...
marcos loures
O quanto tantas vezes foi demais
A mais do que pensara em outros dias.
As vias que eu pensara confluentes
Afluentes dos sonhos se perderam.
Muito do que buscara em noite rara
Ampara o desengano que se fez.
O mês passando a vácuo, sem proveito
No leito já vazio jaz a sorte.
Consorte desta imagem diluída
Na vida que não pude desfrutar
Altares, catedrais, festas e risos.
Avisos esquecidos na ante-sala
A fala que falseia enquanto abate.
Debate com a vida a cada verso.
Expresso o meu desejo sem limites.
Evitas, mas tu sabes que te quero.
Espero e recomeço esta vigília,
Na trilha das pegadas que deixaste
Contrastes entre partes tão diversas,
Dispersas madrugadas foram rotas.
Esgotas teus caminhos em meus braços
Nos aços de teus olhos, óleos hóstias
Hostis palavras morrem no passado,
Realças meus desejos mais sutis.
No bis que sei por certo pedirei,
Direi o amor que tanto desejei...
marcos loures
A mais do que pensara em outros dias.
As vias que eu pensara confluentes
Afluentes dos sonhos se perderam.
Muito do que buscara em noite rara
Ampara o desengano que se fez.
O mês passando a vácuo, sem proveito
No leito já vazio jaz a sorte.
Consorte desta imagem diluída
Na vida que não pude desfrutar
Altares, catedrais, festas e risos.
Avisos esquecidos na ante-sala
A fala que falseia enquanto abate.
Debate com a vida a cada verso.
Expresso o meu desejo sem limites.
Evitas, mas tu sabes que te quero.
Espero e recomeço esta vigília,
Na trilha das pegadas que deixaste
Contrastes entre partes tão diversas,
Dispersas madrugadas foram rotas.
Esgotas teus caminhos em meus braços
Nos aços de teus olhos, óleos hóstias
Hostis palavras morrem no passado,
Realças meus desejos mais sutis.
No bis que sei por certo pedirei,
Direi o amor que tanto desejei...
marcos loures
A mãe, amante, o dínamo e a potência
Aonde se quis reino; escravidão
E ao mesmo tempo é âncora e um arpão
Distante da longínqua adolescência.
Marcada pela dor e paciência
No olhar inda o sinal da emigração
Os dias venturosos voltarão?
Acreditar talvez seja inocência,
Mas quando estás deitado em meu regaço,
Os sonhos de menina; então, refaço.
Diversa realidade contradiz,
Mas posso com orgulho neste dia,
Falar com emoção e galhardia:
Sou negra, sou mulher e sou feliz!
marcos loures
Aonde se quis reino; escravidão
E ao mesmo tempo é âncora e um arpão
Distante da longínqua adolescência.
Marcada pela dor e paciência
No olhar inda o sinal da emigração
Os dias venturosos voltarão?
Acreditar talvez seja inocência,
Mas quando estás deitado em meu regaço,
Os sonhos de menina; então, refaço.
Diversa realidade contradiz,
Mas posso com orgulho neste dia,
Falar com emoção e galhardia:
Sou negra, sou mulher e sou feliz!
marcos loures
Rondando na noite
Em bares, conhaques
Amores de araque
O tempo não pára.
Recebo teu beijo
Afago o teu rosto,
Desejo o desejo
Que assim vai exposto
Nas horas mais longas
Delongas, conversas
Reversos e brechas
Em frases e farsas.
Não temo nem tempo
Nem vento não venho.
Sou teu, não és minha,
São marcos da vida.
As horas cumpridas,
As horas compridas
Comprimidas e raras.
Aguardo as amarras
As tais cimitarras
Que trazes contigo.
Mas vejo e nem ligo,
Não cortam, mas matam.
Retratam sentidos
Descuidos, rapinas,
Esquinas e putas.
Reputas, recrutas
E assim vida passa,
Sem nada, disfarça
Mas te amo, demais...
marcos loures
Em bares, conhaques
Amores de araque
O tempo não pára.
Recebo teu beijo
Afago o teu rosto,
Desejo o desejo
Que assim vai exposto
Nas horas mais longas
Delongas, conversas
Reversos e brechas
Em frases e farsas.
Não temo nem tempo
Nem vento não venho.
Sou teu, não és minha,
São marcos da vida.
As horas cumpridas,
As horas compridas
Comprimidas e raras.
Aguardo as amarras
As tais cimitarras
Que trazes contigo.
Mas vejo e nem ligo,
Não cortam, mas matam.
Retratam sentidos
Descuidos, rapinas,
Esquinas e putas.
Reputas, recrutas
E assim vida passa,
Sem nada, disfarça
Mas te amo, demais...
marcos loures
TE AMO DEMAIS! coroa de sonetos
1
“Minha alma de buscar-te anda perdida”,
E cada amanhecer sempre renova
Esta esperança amarga e tão querida,
Amor se colocando assim à prova.
Não posso suportar tal despedida,
A vida preparando a fria cova
Aguarda tão somente uma saída
Na lua que renasce bela e nova.
Meus olhos procurando o teu olhar
Em meio a constelares viajantes.
Estrelas que encontrei a divagar
Acendem pirilampos deslumbrantes;
Jamais me cansarei de procurar
Teus raros e mais belos diamantes.
2
Teus raros e mais belos diamantes
Guardados nestes cofres, esperança;
A noite em fantasias já se avança
Amores se transformam navegantes.
Quem teve seus caminhos inconstantes
Apenas rememora tal lembrança
A paz representando esta aliança
Anseia sentimentos mais constantes.
Mas sei que depois disso tu virás,
Deixando esta tristeza para trás
Sorrisos nos teus lábios e nos meus.
Não quero mais saber deste vazio,
Vencendo a tempestade dura e o frio
A vida negará qualquer adeus.
3
A vida negará qualquer adeus
A quem já se perdeu de tanto amor.
Olhares divinais iguais aos teus
Invadem o meu peito sonhador.
Caminhos confluentes teus e meus
Refazem o perfume desta flor,
Por tantas vezes passos vãos, ateus
Tramaram tão somente amarga dor.
Partindo deste nada, tive o nada,
Porém minha alma louca e transtornada
Cansada de vagar inutilmente
Encontra no teu peito ancoradouro,
Sabendo que encontrei, enfim, tesouro
Meu rumo se transmuda num repente.
4
Meu rumo se transmuda num repente
E mostra ao fim do túnel uma luz.
O quanto ser feliz já se pressente,
Olhar que em teu olhar se reproduz
Tocando o coração de toda a gente
Amor intensamente nos seduz
E agora se eu prossigo mais contente
Não temo mais a dor, amarga cruz.
Somando nossos passos cedo alcanço
O fim da caminhada e vou feliz.
Encontro finalmente este remanso
Deitado sob estrelas luminosas
Estendo sobre a terra um chão de giz
Plantando no teu peito belas rosas...
5
Plantando no teu peito belas rosas
Eu sei que colherei felicidade
Sorvendo cada gota da saudade
Estrelas que virão são radiosas.
Palavras muitas vezes melindrosas
Não deixam vislumbrar a liberdade,
Porém se amor se faz sinceridade
Estradas surgirão maravilhosas.
Meus olhos te buscando pelas ruas,
Pegadas não encontro, pois flutuas,
Teus rastros divinais, doces perfumes
Os astros eu recolho em meu bornal
E vago livremente pelo astral
Seguindo em noite imensa, belos lumes.
6
Seguindo em noite imensa, belos lumes
Desejos se mostrando são falenas
Tocadas pelo amor e seus perfumes,
Querendo mitigar antigas penas
Dos píncaros dos sonhos, altos cumes
Refletem no meu céu divinas cenas,
Matando antigas dores e queixumes
Tornando as tristes horas mais amenas.
Não quero neste mundo privilégio,
Amor que em minha vida se fez régio
Domina cada passo e pensamento.
Na fantasia imensa que carrego,
Não posso permitir ciúme cego
Tornando a minha vida num tormento.
7
Tornando a minha vida num tormento
Temores se mostraram bem mais vis,
No fogo da paixão tão violento
Palavras nunca foram mais sutis.
Quem dera se eu pudesse num momento
Sentir quanto é possível ser feliz.
Eu não teria mais tal sentimento
Distante do que sonho, amor me diz.
Mas tendo após a dura tempestade
Bonança nos teus braços benfazejos,
O céu se colorindo em azulejos
Renasce enfim total felicidade.
Prevejo em novo dia, amanhecer
Coberto de alegria e de prazer.
8
Coberto de alegria e de prazer
Eu sinto o vento manso deste amor.
Regado pela fome de viver
Disfarço este meu peito sonhador;
Distante dos meus olhos pude ver
A força da tristeza, imensa dor,
Porém ao vislumbrar teu bem querer,
Eu pude cada passo recompor.
A lua se mostrando assim desnuda
Deixando a natureza agora muda
Espalha a luz imensa sobre nós
É como se dissesse da alegria
De quem ao desfilar já percebia
O vento da paixão doce e feroz.
9
O vento da paixão doce e feroz
Adentra em vendaval, faz reboliço
Calando num momento a minha voz
No temporal dos sonhos, perde o viço.
Amor já se mostrando mais veloz
Acende o mais divino compromisso
Juntando bem mais forte nossos nós
Permite cada sonho que eu cobiço.
Trazendo em argumento a luz mais forte,
Amor cicatrizando qualquer corte
Fagulhas espalhadas manso incêndio.
Encontro em cada parte do compêndio
Palavras que me falam deste amor
Divino, sem limites, sedutor...
10
Divino, sem limites, sedutor,
O canto que me trazes bem amada,
No encanto deste verso eu vou compor
Depois da dura lida, a bela estrada.
Renasce em meu canteiro a rara flor,
Espécie magistral feita em florada
De todo o raro encanto sou gestor
Minha alma se mostrando enamorada.
Anseio por teus seios tão sublimes
E quero que este amor tu sempre estimes,
Pois nele uma verdade transparece.
De ti cativo sigo a vida inteira,
Amor se torna enfim minha bandeira
Teu corpo catedral, canção e prece.
11
Teu corpo, catedral canção e prece
Altar ao qual dedico minha fé,
Aos gozos e prazeres obedece
Rogando o sentimento imensa Sé.
A boca que em desejos se oferece,
Rompendo estes grilhões, nega a galé
E o sonho claro em vida, amor já tece
Irei sempre contigo aonde e até.
As algas e corais, estrelas, mares,
Nas conchas, caracóis, belezas raras.
Buscando o teu amor, qual fosse Páris.
Lutando por Helena sem descanso.
As horas benfazejas me são caras
Contêm os paraísos que eu alcanço.
12
Contêm os paraísos que eu alcanço,
Teus olhos radiantes e estelares.
E neles garantia de um remanso
Depois de vagar só por tantos bares.
O coração batendo bem mais manso
Encontra refletido nos luares
O brilho deste sonho em que descanso
Sabendo benfazejos tais altares.
Na mansidão imensa deste lago
Amor preconizando cada afago
Permite que eu me entregue, prisioneiro.
Se à sombra deste sonho amada eu vivo,
Eu quero ser do amor sempre cativo
Sentindo este prazer mais verdadeiro.
13
Sentindo este prazer mais verdadeiro,
Não posso conceber a derrocada.
Se o mundo se transforma mais ligeiro
Não quero minha sorte transformada.
Do barco que navego, timoneiro
Amor vai construindo a bela estrada
Fazendo no meu peito o derradeiro
Caminho e nele faz a sua estada.
Vou bêbado da luz que me irradias,
E sigo cada passo e rastro teu,
Amor que tantas vezes me venceu
Moldando as mais suaves melodias
Agora se enfronhando em meu caminho
Impede que eu prossiga, assim sozinho...
14
Impede que eu prossiga assim sozinho
O olhar abençoado de quem amo.
Aos passos mais macios eu me alinho
E toda a noite em sonhos; sempre chamo.
Amor se aproximando tão mansinho
Tornou-se; na verdade, quase um amo.
Se eu bebo deste doce e raro vinho
Um mundo em esperança agora eu tramo.
Eu quero o teu amor e nada mais,
Sonhar com teus carinhos! Maravilhas...
Sabendo que também tu compartilhas
Do mesmo sonho, amada encontro o cais
E sinto que ao saber de nossa vida,
“Minha alma de buscar-te anda perdida”.
marcos loures em homenagem à Florbela Espanca
1
“Minha alma de buscar-te anda perdida”,
E cada amanhecer sempre renova
Esta esperança amarga e tão querida,
Amor se colocando assim à prova.
Não posso suportar tal despedida,
A vida preparando a fria cova
Aguarda tão somente uma saída
Na lua que renasce bela e nova.
Meus olhos procurando o teu olhar
Em meio a constelares viajantes.
Estrelas que encontrei a divagar
Acendem pirilampos deslumbrantes;
Jamais me cansarei de procurar
Teus raros e mais belos diamantes.
2
Teus raros e mais belos diamantes
Guardados nestes cofres, esperança;
A noite em fantasias já se avança
Amores se transformam navegantes.
Quem teve seus caminhos inconstantes
Apenas rememora tal lembrança
A paz representando esta aliança
Anseia sentimentos mais constantes.
Mas sei que depois disso tu virás,
Deixando esta tristeza para trás
Sorrisos nos teus lábios e nos meus.
Não quero mais saber deste vazio,
Vencendo a tempestade dura e o frio
A vida negará qualquer adeus.
3
A vida negará qualquer adeus
A quem já se perdeu de tanto amor.
Olhares divinais iguais aos teus
Invadem o meu peito sonhador.
Caminhos confluentes teus e meus
Refazem o perfume desta flor,
Por tantas vezes passos vãos, ateus
Tramaram tão somente amarga dor.
Partindo deste nada, tive o nada,
Porém minha alma louca e transtornada
Cansada de vagar inutilmente
Encontra no teu peito ancoradouro,
Sabendo que encontrei, enfim, tesouro
Meu rumo se transmuda num repente.
4
Meu rumo se transmuda num repente
E mostra ao fim do túnel uma luz.
O quanto ser feliz já se pressente,
Olhar que em teu olhar se reproduz
Tocando o coração de toda a gente
Amor intensamente nos seduz
E agora se eu prossigo mais contente
Não temo mais a dor, amarga cruz.
Somando nossos passos cedo alcanço
O fim da caminhada e vou feliz.
Encontro finalmente este remanso
Deitado sob estrelas luminosas
Estendo sobre a terra um chão de giz
Plantando no teu peito belas rosas...
5
Plantando no teu peito belas rosas
Eu sei que colherei felicidade
Sorvendo cada gota da saudade
Estrelas que virão são radiosas.
Palavras muitas vezes melindrosas
Não deixam vislumbrar a liberdade,
Porém se amor se faz sinceridade
Estradas surgirão maravilhosas.
Meus olhos te buscando pelas ruas,
Pegadas não encontro, pois flutuas,
Teus rastros divinais, doces perfumes
Os astros eu recolho em meu bornal
E vago livremente pelo astral
Seguindo em noite imensa, belos lumes.
6
Seguindo em noite imensa, belos lumes
Desejos se mostrando são falenas
Tocadas pelo amor e seus perfumes,
Querendo mitigar antigas penas
Dos píncaros dos sonhos, altos cumes
Refletem no meu céu divinas cenas,
Matando antigas dores e queixumes
Tornando as tristes horas mais amenas.
Não quero neste mundo privilégio,
Amor que em minha vida se fez régio
Domina cada passo e pensamento.
Na fantasia imensa que carrego,
Não posso permitir ciúme cego
Tornando a minha vida num tormento.
7
Tornando a minha vida num tormento
Temores se mostraram bem mais vis,
No fogo da paixão tão violento
Palavras nunca foram mais sutis.
Quem dera se eu pudesse num momento
Sentir quanto é possível ser feliz.
Eu não teria mais tal sentimento
Distante do que sonho, amor me diz.
Mas tendo após a dura tempestade
Bonança nos teus braços benfazejos,
O céu se colorindo em azulejos
Renasce enfim total felicidade.
Prevejo em novo dia, amanhecer
Coberto de alegria e de prazer.
8
Coberto de alegria e de prazer
Eu sinto o vento manso deste amor.
Regado pela fome de viver
Disfarço este meu peito sonhador;
Distante dos meus olhos pude ver
A força da tristeza, imensa dor,
Porém ao vislumbrar teu bem querer,
Eu pude cada passo recompor.
A lua se mostrando assim desnuda
Deixando a natureza agora muda
Espalha a luz imensa sobre nós
É como se dissesse da alegria
De quem ao desfilar já percebia
O vento da paixão doce e feroz.
9
O vento da paixão doce e feroz
Adentra em vendaval, faz reboliço
Calando num momento a minha voz
No temporal dos sonhos, perde o viço.
Amor já se mostrando mais veloz
Acende o mais divino compromisso
Juntando bem mais forte nossos nós
Permite cada sonho que eu cobiço.
Trazendo em argumento a luz mais forte,
Amor cicatrizando qualquer corte
Fagulhas espalhadas manso incêndio.
Encontro em cada parte do compêndio
Palavras que me falam deste amor
Divino, sem limites, sedutor...
10
Divino, sem limites, sedutor,
O canto que me trazes bem amada,
No encanto deste verso eu vou compor
Depois da dura lida, a bela estrada.
Renasce em meu canteiro a rara flor,
Espécie magistral feita em florada
De todo o raro encanto sou gestor
Minha alma se mostrando enamorada.
Anseio por teus seios tão sublimes
E quero que este amor tu sempre estimes,
Pois nele uma verdade transparece.
De ti cativo sigo a vida inteira,
Amor se torna enfim minha bandeira
Teu corpo catedral, canção e prece.
11
Teu corpo, catedral canção e prece
Altar ao qual dedico minha fé,
Aos gozos e prazeres obedece
Rogando o sentimento imensa Sé.
A boca que em desejos se oferece,
Rompendo estes grilhões, nega a galé
E o sonho claro em vida, amor já tece
Irei sempre contigo aonde e até.
As algas e corais, estrelas, mares,
Nas conchas, caracóis, belezas raras.
Buscando o teu amor, qual fosse Páris.
Lutando por Helena sem descanso.
As horas benfazejas me são caras
Contêm os paraísos que eu alcanço.
12
Contêm os paraísos que eu alcanço,
Teus olhos radiantes e estelares.
E neles garantia de um remanso
Depois de vagar só por tantos bares.
O coração batendo bem mais manso
Encontra refletido nos luares
O brilho deste sonho em que descanso
Sabendo benfazejos tais altares.
Na mansidão imensa deste lago
Amor preconizando cada afago
Permite que eu me entregue, prisioneiro.
Se à sombra deste sonho amada eu vivo,
Eu quero ser do amor sempre cativo
Sentindo este prazer mais verdadeiro.
13
Sentindo este prazer mais verdadeiro,
Não posso conceber a derrocada.
Se o mundo se transforma mais ligeiro
Não quero minha sorte transformada.
Do barco que navego, timoneiro
Amor vai construindo a bela estrada
Fazendo no meu peito o derradeiro
Caminho e nele faz a sua estada.
Vou bêbado da luz que me irradias,
E sigo cada passo e rastro teu,
Amor que tantas vezes me venceu
Moldando as mais suaves melodias
Agora se enfronhando em meu caminho
Impede que eu prossiga, assim sozinho...
14
Impede que eu prossiga assim sozinho
O olhar abençoado de quem amo.
Aos passos mais macios eu me alinho
E toda a noite em sonhos; sempre chamo.
Amor se aproximando tão mansinho
Tornou-se; na verdade, quase um amo.
Se eu bebo deste doce e raro vinho
Um mundo em esperança agora eu tramo.
Eu quero o teu amor e nada mais,
Sonhar com teus carinhos! Maravilhas...
Sabendo que também tu compartilhas
Do mesmo sonho, amada encontro o cais
E sinto que ao saber de nossa vida,
“Minha alma de buscar-te anda perdida”.
marcos loures em homenagem à Florbela Espanca
Alma.
Quero tua alma desnuda sobre a minha, entranhada, estranha mas atada
Alma toda, tocando cada centímetro, osmótica, orgástica.
Deliciosamente orgânica embora extra corpórea
Corporação, composição.
Com posições e variedades de sonhos.
Estanhos e formas.
Fornalhas e desejos
Seixos e sombras
Sobra sombrias vagando
E penetrando,
Tocando cada vez mais fundo,
Mistérios e maneiras
Esmos e espasmos...
Te quero alma
Corpo
Ânima, sangue e prazer.
Rompantes e delírios
Seios e mansidão
Alma
Quero alma carnívora, canibal,
Exótica, explicita,.
Cama e carmas, conexões e outros fios. Que nos ligam aos extremos.
Estréias e renovações
Deitada no meu leito, peitos e pleitos. Espreitas.
Aceitas o amor de extremos e das entregas absolutas
Que tragam a lúcida loucura e o desejo inesgotável...
De rompantes e repentes.
Te quero amada
Armada até os dentes
Ate e derrame
Méis e mãos
Plurifacetária
E cármica.
Tenho mares
E quero tuas marés,
Ondas
Ânsias e sorrisos
Sons e tons
Diversos...
Nos mesmos prismas
E tramas que se explodem nas cores e nos acordes e nos cordões.
Acorde e vamos
Buscar a madrugada
Beber até a última gota
Que nos cabe
De nossa almas.
Carnívoras....
marcos loures
Minha Musa será sem par canela
Co'um felpudo coninho abraseado:
Bocage
No cone da Musa
Debaixo da blusa
Amor que se abusa
De ser mais contente
Trazendo pra gente
Um sol firme e quente
Que alague esparrame
Em ramas e galhos
O corpo em frangalhos
A musa é voraz.
E quer sempre mais
Do jeito que der,
Se mais se fizer
Não cansa jamais.
Em ninfomania
De noite ou de dia
Tanto te queria
Um fauno te alcança
E dança esta dança
Em pernas abertas
Em bocas alertas
Carícias despertas
E fazes de mim,
O que tu bem queres,
Porém se preferes
Invés deste gim
Eu bebo teu rum,
Com sede medonha
Tu babas na fronha
Sem pudor nenhum...
Ó Musa que sei
Terás e terei
O que mais precisa
Em louca divisa
A noite arremete
E assim se promete
O cone da Musa...
marcos loures
Co'um felpudo coninho abraseado:
Bocage
No cone da Musa
Debaixo da blusa
Amor que se abusa
De ser mais contente
Trazendo pra gente
Um sol firme e quente
Que alague esparrame
Em ramas e galhos
O corpo em frangalhos
A musa é voraz.
E quer sempre mais
Do jeito que der,
Se mais se fizer
Não cansa jamais.
Em ninfomania
De noite ou de dia
Tanto te queria
Um fauno te alcança
E dança esta dança
Em pernas abertas
Em bocas alertas
Carícias despertas
E fazes de mim,
O que tu bem queres,
Porém se preferes
Invés deste gim
Eu bebo teu rum,
Com sede medonha
Tu babas na fronha
Sem pudor nenhum...
Ó Musa que sei
Terás e terei
O que mais precisa
Em louca divisa
A noite arremete
E assim se promete
O cone da Musa...
marcos loures
Mares distantes
Ventos constantes
Cais delirantes
Portos seguros
Navegar é preciso
O siso se perde
Seguir sem alarde
Atento o meu peito
Procelas distintas
As tintas pincelas
Formando aquarelas
Revelas em velas
Selando no encanto
Do verso o convés
Deste navio
Que crio
E que crias.
Amar e morrer
Amarras romper
Irrompe a vontade
Sacia o desejo
E o vento transporta
Correntes marinhas.
Açudes, açores
As cores diversas
Trazendo este sal
No sol tropical
O espaço sonego
Renego a lonjura
No quanto a ternura
Adoça um esgoto
Clareia esta treva
Que neva e que queima,
Resiste ao verão?
marcos loures
Ventos constantes
Cais delirantes
Portos seguros
Navegar é preciso
O siso se perde
Seguir sem alarde
Atento o meu peito
Procelas distintas
As tintas pincelas
Formando aquarelas
Revelas em velas
Selando no encanto
Do verso o convés
Deste navio
Que crio
E que crias.
Amar e morrer
Amarras romper
Irrompe a vontade
Sacia o desejo
E o vento transporta
Correntes marinhas.
Açudes, açores
As cores diversas
Trazendo este sal
No sol tropical
O espaço sonego
Renego a lonjura
No quanto a ternura
Adoça um esgoto
Clareia esta treva
Que neva e que queima,
Resiste ao verão?
marcos loures
No teu fogo
Jogo logo
Sem ter lógica
Ou logística.
Orgástica fantasia
Que vicia e propicia
A delícia
Nas primícias
Malícias
Caricias
E seduzes.
Incendeias
As candeias
Os luzeiros.
Sem eira nem beira
Beirais do infinito
Granitos
Gritos
Ritos
Rios
Ria
Rima
Resma
Réstias
Resenhas
E tudo recomeça...
marcos loures
Jogo logo
Sem ter lógica
Ou logística.
Orgástica fantasia
Que vicia e propicia
A delícia
Nas primícias
Malícias
Caricias
E seduzes.
Incendeias
As candeias
Os luzeiros.
Sem eira nem beira
Beirais do infinito
Granitos
Gritos
Ritos
Rios
Ria
Rima
Resma
Réstias
Resenhas
E tudo recomeça...
marcos loures
Viver...
Saber do gosto
Do agosto
Da vida.
No outono
Do tempo
Que não volta
Revolta
E revoa.
Vida boa
Seios fartos...
Atos, matos, marcas
Marés
E mares.
Ladainhas
Rainhas
E velhas cismas.
Climas e
Cataclismos.
Abismos preenchidos
Vencidos
Medos
E segredos...
Vamos logo
No jogo
Que rogo
Onde me apego
Te pego
E não nego
Afogo...
marcos loures
Saber do gosto
Do agosto
Da vida.
No outono
Do tempo
Que não volta
Revolta
E revoa.
Vida boa
Seios fartos...
Atos, matos, marcas
Marés
E mares.
Ladainhas
Rainhas
E velhas cismas.
Climas e
Cataclismos.
Abismos preenchidos
Vencidos
Medos
E segredos...
Vamos logo
No jogo
Que rogo
Onde me apego
Te pego
E não nego
Afogo...
marcos loures
As dores e florestas
Cofres festas
Frestas flâmulas
Sonhos fantasias
Os ermos de minha alma
Os álamos e frisas
As brisas e as noites
Luas mais vadias
Que rodam nas janelas
Abertas do teu quarto
Espero um novo fato
E farto de teu canto
Venenos e sangrias.
Não vejo sem feridas
As horas mais sabidas
Que não mais mergulhei.
Se fasto sou nefasto
E me afasto do teu mundo.
Pré firo e não me iludo
Que é melhor sair mudo
Que inundado.
Se nada não sei nado
Cerrado que me frases
As bases combalidas
Com bário e com falidas
Esperanças.
Vencido pelas dores
Dos cofres que guardei
Não quero ser errei
Talvez queira tentei
Mas de que vale tudo isso?
Nada mais viço
Espinho ouriço
E me lanço
Embevecido
Aos braços do infinito.
Amor, faça um favor.
A porta está aberta
E nada mais me resta.
Senão a sólida solidez
Da tez da solidão....
marcos loures
Cofres festas
Frestas flâmulas
Sonhos fantasias
Os ermos de minha alma
Os álamos e frisas
As brisas e as noites
Luas mais vadias
Que rodam nas janelas
Abertas do teu quarto
Espero um novo fato
E farto de teu canto
Venenos e sangrias.
Não vejo sem feridas
As horas mais sabidas
Que não mais mergulhei.
Se fasto sou nefasto
E me afasto do teu mundo.
Pré firo e não me iludo
Que é melhor sair mudo
Que inundado.
Se nada não sei nado
Cerrado que me frases
As bases combalidas
Com bário e com falidas
Esperanças.
Vencido pelas dores
Dos cofres que guardei
Não quero ser errei
Talvez queira tentei
Mas de que vale tudo isso?
Nada mais viço
Espinho ouriço
E me lanço
Embevecido
Aos braços do infinito.
Amor, faça um favor.
A porta está aberta
E nada mais me resta.
Senão a sólida solidez
Da tez da solidão....
marcos loures
Procuro insanamente antigos dias
Aonde a poesia mergulhava
E a fome num momento só matava
Centenas de crianças, fantasias...
Os coronéis decerto comandavam
Tocaias e jagunços no sertão,
Jamais eu conheci vacinação
Sarampos, diarreias só matavam.
Saudade da mulher lá na cozinha
Enquanto o seu marido passeava,
Nos bares e botecos encontrava
Prazer que na verdade não mais tinha.
Saudades dos sertões mais esfaimados
Dos olhos da miséria rebrilhando,
Crianças de três anos trabalhando,
Viados pelas ruas humilhados.
Saudades da mulher que não podia
Nem sequer escolher os seus maridos,
Os dias com certeza mais compridos
E a todos espalhando esta alegria.
Saudades do remédio que não tinha
Da benzedeira e o tétano, do crupe,
Se eu tenho esta saudade não me culpe,
A culpa do hoje em dia não é minha!
marcos loures
Aonde a poesia mergulhava
E a fome num momento só matava
Centenas de crianças, fantasias...
Os coronéis decerto comandavam
Tocaias e jagunços no sertão,
Jamais eu conheci vacinação
Sarampos, diarreias só matavam.
Saudade da mulher lá na cozinha
Enquanto o seu marido passeava,
Nos bares e botecos encontrava
Prazer que na verdade não mais tinha.
Saudades dos sertões mais esfaimados
Dos olhos da miséria rebrilhando,
Crianças de três anos trabalhando,
Viados pelas ruas humilhados.
Saudades da mulher que não podia
Nem sequer escolher os seus maridos,
Os dias com certeza mais compridos
E a todos espalhando esta alegria.
Saudades do remédio que não tinha
Da benzedeira e o tétano, do crupe,
Se eu tenho esta saudade não me culpe,
A culpa do hoje em dia não é minha!
marcos loures
Feliz e não sabia! Minha infância
Passada nas montanhas, nas Gerais;
Num tempo em que criança, não sabia
Das dores e dos medos, injustiças.
O gesto carinhoso de mamãe
Trazendo uma esperança em cada riso.
A mão tão poderosa de meu pai,
Herói que em noites frias, protegia.
Irmã correndo solta pela casa,
Botões que eu espalhava nas calçadas.
A avó na Mirai onde Ataulfo
Cantava seus amores e lembranças.
Infância que se foi, restou saudade.
Agora o velho peito em desalinho,
Sozinho vê que “Minas não há mais”.
marcos loures
Passada nas montanhas, nas Gerais;
Num tempo em que criança, não sabia
Das dores e dos medos, injustiças.
O gesto carinhoso de mamãe
Trazendo uma esperança em cada riso.
A mão tão poderosa de meu pai,
Herói que em noites frias, protegia.
Irmã correndo solta pela casa,
Botões que eu espalhava nas calçadas.
A avó na Mirai onde Ataulfo
Cantava seus amores e lembranças.
Infância que se foi, restou saudade.
Agora o velho peito em desalinho,
Sozinho vê que “Minas não há mais”.
marcos loures
Nos bares e nos guetos da cidade,
Meus olhos vão buscando seus espelhos
Mosaicos se perdendo em labirinto
Meus dias nunca mais serão os mesmos.
O gosto tão amargo da saudade
Uma aguardente dura de tragar
Nos tocos de cigarro no cinzeiro
O quanto que se foi e me deixou.
Cicatrizar a dor de tua ausência?
Dos dias que se passam sem descanso
Apenas o que resta não alcanço
E deixo tudo assim, não mais irei.
Agora que já fomos sem retorno
Em torno de teus olhos eu me entorno
E guardo em minhas vísceras teu beijo.
Um seixo que este rio não levou.
Quem dera, mas não posso primavera
Apenas este inverno que hoje sou.
marcos loures
Meus olhos vão buscando seus espelhos
Mosaicos se perdendo em labirinto
Meus dias nunca mais serão os mesmos.
O gosto tão amargo da saudade
Uma aguardente dura de tragar
Nos tocos de cigarro no cinzeiro
O quanto que se foi e me deixou.
Cicatrizar a dor de tua ausência?
Dos dias que se passam sem descanso
Apenas o que resta não alcanço
E deixo tudo assim, não mais irei.
Agora que já fomos sem retorno
Em torno de teus olhos eu me entorno
E guardo em minhas vísceras teu beijo.
Um seixo que este rio não levou.
Quem dera, mas não posso primavera
Apenas este inverno que hoje sou.
marcos loures
Saudade faz matar o esquecimento,
Refaz o que distante já se viu,
O renascer da vida num momento,
Transforma o mais cruel num ser gentil,
Apascentando a dor de um tormento,
Esquece da palavra e traz o til,
A face amenizada pelo tempo,
Do que se transformara em contratempo.
Porém em outras vezes agiganta,
Roubando a pequenez de alguma cena,
Ferindo uma saudade desencanta,
Marcando bem mais forte a luz amena,
Minha alma de saudades sempre canta,
Permite que prossiga, e vá serena.
No doce em amargura, mel e fel,
Saudade, tantas vezes é cruel.
Não posso mais negar uma saudade
Do amor que um dia tive e se perdeu,
Distorcendo o retrato da verdade,
Dourando o que se fora simples breu.
Não deixa perceber a realidade,
Demonstra o que decerto não fui eu,
Numa fotografia amarelada,
Saudade ressuscita o quase nada.
Permite que possamos viajar
Além do que tivemos, ilusões;
Num mar que é tão difícil navegar
Saudade nos redime em emoções
Que nunca conseguimos disfarçar
Acalma e nos liberta das paixões,
Mas deixa esta vontade de saber
De novo o que nos deu tanto prazer.
Saudades... são formatos diferentes
Daquilo que pensamos conhecer,
Deixando para trás os inclementes
Momentos mais difíceis de viver,
Saudade traz a faca entre meus dentes
Embora tantas vezes faz sofrer.
No gosto da saudade, uma lembrança
De um tempo mais feliz, pra sempre alcança...
marcos loures
Refaz o que distante já se viu,
O renascer da vida num momento,
Transforma o mais cruel num ser gentil,
Apascentando a dor de um tormento,
Esquece da palavra e traz o til,
A face amenizada pelo tempo,
Do que se transformara em contratempo.
Porém em outras vezes agiganta,
Roubando a pequenez de alguma cena,
Ferindo uma saudade desencanta,
Marcando bem mais forte a luz amena,
Minha alma de saudades sempre canta,
Permite que prossiga, e vá serena.
No doce em amargura, mel e fel,
Saudade, tantas vezes é cruel.
Não posso mais negar uma saudade
Do amor que um dia tive e se perdeu,
Distorcendo o retrato da verdade,
Dourando o que se fora simples breu.
Não deixa perceber a realidade,
Demonstra o que decerto não fui eu,
Numa fotografia amarelada,
Saudade ressuscita o quase nada.
Permite que possamos viajar
Além do que tivemos, ilusões;
Num mar que é tão difícil navegar
Saudade nos redime em emoções
Que nunca conseguimos disfarçar
Acalma e nos liberta das paixões,
Mas deixa esta vontade de saber
De novo o que nos deu tanto prazer.
Saudades... são formatos diferentes
Daquilo que pensamos conhecer,
Deixando para trás os inclementes
Momentos mais difíceis de viver,
Saudade traz a faca entre meus dentes
Embora tantas vezes faz sofrer.
No gosto da saudade, uma lembrança
De um tempo mais feliz, pra sempre alcança...
marcos loures
Saudade – mulher amada,
Dos nossos beijos roubados,
Saudade dos tempos passados,
Na noite, na madrugada,
Da tua boca molhada,
Dos corpos entrelaçados,
Dos desejos mais molhados,
Desse tempo que não volta,
E, por não voltar, revolta,
Corações apaixonados...
Saudade da minha infância,
Onde vivi felicidade,
Trazendo tanta saudade,
A quem não teve constância,
Da sorte teve distância,
Mas foi feliz por um dia,
Vivendo da fantasia,
Que nunca mais voltará,
Saudades torrada e chá,
Que minha mãe me trazia...
Saudades da minha terra,
Que ficou no meu passado,
Olho o tempo, vou de lado,
O coração não encerra,
Pesando daquela serra,
Inclinado vai andando,
Tanto lugar se mostrando,
Nas curvas da existência,
Mas, saudade, diz clemência,
Num retrato, recordando...
Saudade da juventude,
Onde não tinha nem medo,
A força era meu segredo,
Onde sempre quis não pude,
Amar assim, amiúde,
Quem nunca mais queria,
Mas a vida era vadia;
Nem sonhava recompensa,
Vida leve, breve, densa,
Saudade faz melodia...
Saudades do grande amigo,
Que ficou lá no sertão,
Seguindo por outro chão,
Nunca mais terei comigo,
No conselho, paz, abrigo...
Na vontade de ser rei,
Tantas vezes que eu errei,
Tive o braço companheiro,
Hoje sei do mundo inteiro,
Mas saudade também sei...
Saudade do Botafogo,
De Garrincha e de Didi,
Do melhor time que vi,
Não tinha nem pena e rogo,
Brincando, ganhava jogo,
Nas pernas tortas e loucas,
Vozes delirando roucas,
No Maracanã da vida,
Pena que vai esquecida,
As lembranças são bem poucas...
De minha mãe a saudade,
Dói essa dor tão cruel,
Mãe na terra, mãe do céu,
Simbolizas claridade,
Se a vida traz falsidade,
A verdade em ti está,
Onde eu estiver, é lá,
Que teus olhos estarão,
Nesse imundo mundo cão,
És um porto mais seguro,
Se me escondo nesse escuro,
Representas o clarão...
Saudades desse meu filho,
Ceifado logo bem cedo,
Deixando meu grande medo,
Novo enredo que hoje eu trilho,
Sua dor, meu estribilho,
Entoando todo dia,
Martiriza a noite fria,
A saudade rasga o peito,
Pergunto qual meu direito!
Vou vivendo essa agonia...
Saudades dessa esperança,
De viver um mundo justo,
De respeitarem arbusto,
De respirar nova dança,
De teimar em ser criança,
De ter um mundo melhor,
Sem diferenças e guerras,
Nossa Terra, tantas terras,
Nosso sonho ser maior,
Justiça saber de cor...
Saudade trazendo um laço,
Prendendo o que for saudade,
Saindo da realidade,
A vida acolhendo meu passo,
Descansar esse cansaço,
Duns olhos de sertanejo,
Na campina, no desejo,
Do trabalho, lindo sonho,
Minha saudade, te ponho,
No canto dum realejo...
Saudade dessa mulher,
Saudade dessa criança,
Saudade dessa festança,
Saudade, jovem, me quer.
Saudade, jogo qualquer...
Saudade tão companheira
Saudade dor parideira,
Saudade doce Natal,
Saudade desse ideal,
Saudade da vida, inteira...
marcos loures
Dos nossos beijos roubados,
Saudade dos tempos passados,
Na noite, na madrugada,
Da tua boca molhada,
Dos corpos entrelaçados,
Dos desejos mais molhados,
Desse tempo que não volta,
E, por não voltar, revolta,
Corações apaixonados...
Saudade da minha infância,
Onde vivi felicidade,
Trazendo tanta saudade,
A quem não teve constância,
Da sorte teve distância,
Mas foi feliz por um dia,
Vivendo da fantasia,
Que nunca mais voltará,
Saudades torrada e chá,
Que minha mãe me trazia...
Saudades da minha terra,
Que ficou no meu passado,
Olho o tempo, vou de lado,
O coração não encerra,
Pesando daquela serra,
Inclinado vai andando,
Tanto lugar se mostrando,
Nas curvas da existência,
Mas, saudade, diz clemência,
Num retrato, recordando...
Saudade da juventude,
Onde não tinha nem medo,
A força era meu segredo,
Onde sempre quis não pude,
Amar assim, amiúde,
Quem nunca mais queria,
Mas a vida era vadia;
Nem sonhava recompensa,
Vida leve, breve, densa,
Saudade faz melodia...
Saudades do grande amigo,
Que ficou lá no sertão,
Seguindo por outro chão,
Nunca mais terei comigo,
No conselho, paz, abrigo...
Na vontade de ser rei,
Tantas vezes que eu errei,
Tive o braço companheiro,
Hoje sei do mundo inteiro,
Mas saudade também sei...
Saudade do Botafogo,
De Garrincha e de Didi,
Do melhor time que vi,
Não tinha nem pena e rogo,
Brincando, ganhava jogo,
Nas pernas tortas e loucas,
Vozes delirando roucas,
No Maracanã da vida,
Pena que vai esquecida,
As lembranças são bem poucas...
De minha mãe a saudade,
Dói essa dor tão cruel,
Mãe na terra, mãe do céu,
Simbolizas claridade,
Se a vida traz falsidade,
A verdade em ti está,
Onde eu estiver, é lá,
Que teus olhos estarão,
Nesse imundo mundo cão,
És um porto mais seguro,
Se me escondo nesse escuro,
Representas o clarão...
Saudades desse meu filho,
Ceifado logo bem cedo,
Deixando meu grande medo,
Novo enredo que hoje eu trilho,
Sua dor, meu estribilho,
Entoando todo dia,
Martiriza a noite fria,
A saudade rasga o peito,
Pergunto qual meu direito!
Vou vivendo essa agonia...
Saudades dessa esperança,
De viver um mundo justo,
De respeitarem arbusto,
De respirar nova dança,
De teimar em ser criança,
De ter um mundo melhor,
Sem diferenças e guerras,
Nossa Terra, tantas terras,
Nosso sonho ser maior,
Justiça saber de cor...
Saudade trazendo um laço,
Prendendo o que for saudade,
Saindo da realidade,
A vida acolhendo meu passo,
Descansar esse cansaço,
Duns olhos de sertanejo,
Na campina, no desejo,
Do trabalho, lindo sonho,
Minha saudade, te ponho,
No canto dum realejo...
Saudade dessa mulher,
Saudade dessa criança,
Saudade dessa festança,
Saudade, jovem, me quer.
Saudade, jogo qualquer...
Saudade tão companheira
Saudade dor parideira,
Saudade doce Natal,
Saudade desse ideal,
Saudade da vida, inteira...
marcos loures
Sou quase o que não fora se assim fosse,
Palavra solta ao léu, matando albores,
Em vis expectativas, mato as flores,
E quebro logo o pote, perco o doce.
Embora tanta coisa, a vida trouxe
Um circo feito em lágrimas, horrores,
Nas sombras do que fui, os dissabores
Já gritam que o que eu quis, foi. Acabou-se.
Apenas restará vaga e sombria,
Saudades tão estúpidas, venais.
Prenúncios de um tão próximo final.
Quem sabe enfim a morte sorriria,
Tomando com seus braços espectrais,
Tornando o meu caminho natural...
marcos loures
Palavra solta ao léu, matando albores,
Em vis expectativas, mato as flores,
E quebro logo o pote, perco o doce.
Embora tanta coisa, a vida trouxe
Um circo feito em lágrimas, horrores,
Nas sombras do que fui, os dissabores
Já gritam que o que eu quis, foi. Acabou-se.
Apenas restará vaga e sombria,
Saudades tão estúpidas, venais.
Prenúncios de um tão próximo final.
Quem sabe enfim a morte sorriria,
Tomando com seus braços espectrais,
Tornando o meu caminho natural...
marcos loures
Na tarde tão divina e rutilante,
Os brilhos se misturam com as cores...
Aberta sobre o mar, ó bela amante,
Os caminhos das nuvens e das flores
Definem tal beleza, delirante!
Persigo teus pendores, onde fores,
A vida se transforma neste instante!
As tuas mãos morenas, meus amores,
Deslindam-se na tarde delirante!
Nas praias, clara areia, mansas ondas,
Os medos se tornaram fantasias...
Nos leitos das amantes, tantas rondas,
Em cores milagrosas, primavera...
Nos sonhos e nas conchas, melodias,
A vida não permite tanta espera!
marcos loures
Os brilhos se misturam com as cores...
Aberta sobre o mar, ó bela amante,
Os caminhos das nuvens e das flores
Definem tal beleza, delirante!
Persigo teus pendores, onde fores,
A vida se transforma neste instante!
As tuas mãos morenas, meus amores,
Deslindam-se na tarde delirante!
Nas praias, clara areia, mansas ondas,
Os medos se tornaram fantasias...
Nos leitos das amantes, tantas rondas,
Em cores milagrosas, primavera...
Nos sonhos e nas conchas, melodias,
A vida não permite tanta espera!
marcos loures
Tristeza de uma seca nordestina,
Tocaia da saudade me esperando.
O medo me aguardando numa esquina
Fuzil e cravinote preparando,
Mudando de repente a minha sina,
As lágrimas descendo vão aguando
O solo da caatinga, em aridez,
Tomando sem perguntas, lucidez.
Tristeza de quem sabe que perdeu
O rumo em sua vida desditosa.
Fogueira das saudades acendeu
A fome de viver vai desairosa.
Matando em nascedouro, traz o breu
O cardo em tanto espinho, nega a rosa.
Uma sanfona chora a melodia
Criada em tom menor, pura agonia.
Os olhos de quem quero, não voltaram
Nem mesmo uma asa branca me salvou.
Os verdes da esperança já secaram,
Açude dos meus sonhos se acabou.
As pedras no caminho me encontraram,
Apenas duro espinho o que sobrou.
No aboio bem distante, sou o gado,
Perdido nesta seca, desgraçado...
Os ermos do caminho são meus guias,
Pegadas não encontro nesta areia,
Das flores que plantei, só fantasias,
Deserto me impediu qualquer sereia,
As noites sem luar, seguem vazias,
A morte sorridente me rodeia
E mostra esta tristeza companheira,
Mulher em minha, derradeira.
São tantas as promessas que já fiz,
Em procissões segui, olhar distante,
Quem dera se eu pudesse ser feliz,
O dia nasceria radiante,
Da dor teria simples cicatriz,
A paz me tomaria num instante,
Porém a vida crava a sua garra,
Verão segue inclemente em clara barra.
Os filhos dos meus sonhos, pesadelos.
Carrego tantas mortes no bornal.
Os dias prometidos; como vê-los
Se o nada vem voltando no final,
Morena; tão distantes teus cabelos,
Na seca do meu peito, temporal.
Recebo a ventania no meu rosto,
Ardência se transforma num desgosto.
A seca destruindo a paisagem,
Apenas pedregulhos e mais nada,
Sorriso já não passa de miragem,
Sem rumo, vou seguindo a dura estrada,
Pressinto no final desta viagem
A mata que me resta, derrubada,
Quem dera se o sertão virasse mar,
Porém prevejo o mar a se secar.
O canto tão tristonho do urutau
Espalha o sofrimento sobre a terra,
A solidão coloca a pá de cal
E a vida, sem ninguém, assim se encerra.
As roupas não secaram no varal,
O medo de sonhar mais forte berra
E traz uma agonia a cada noite,
Tristeza me queimando como açoite.
O gado vai morrendo em tanta sede,
Sem ter uma esperança, também morro,
Retrato de quem amo na parede
Não serve nem sequer como socorro,
A morte me levando em uma rede,
Distâncias inclementes eu percorro
E vejo no final, só a tristeza
Companheira dileta de meus dias,
Tocando sobre mim as mãos tão frias.
Um dia imaginei que enfim, pudesse
Ter a felicidade que sonhara,
Porém nada valeu a minha prece,
E a sina se mostrando mais amara,
Vazio no meu peito se oferece
E a mão que conhecera, desampara.
Refém de um sentimento sem guarida,
Perdendo as ilusões, perdi a vida.
Na plantação dos sonhos, que eu agüei,
Usando uma esperança como enxada,
Secando toda flor que ali plantei,
Depois de tanto tempo não deu nada,
De tanto que eu pedi, tanto rezei,
A voz que me restou, vai embargada.
Quisera esta alegria de poder
Ao menos um sorriso recolher.
Merenda da esperança, uma alegria,
Um riso de mulher, um colo amigo.
Não tendo mais estrela vou sem guia,
A cada encruzilhada, outro perigo,
Outra sina, quem sabe eu merecia,
Mas como se lutar nem mais consigo.
Tropeiro coração perdendo o rumo,
Não sabe desta fruta mais o sumo.
Partindo pr’outras terras, talvez tenha
Um pouco a mais de alento em minha vida.
Mudando minha história, outra resenha,
Aonde a minha sina distraída,
Permita que eu descubra qual a senha
Que deixe vislumbrar uma saída.
Quem sabe... Mas não creio mais em sorte,
Adoço minha boca, mel da morte.
Somando as minhas dores, desatinos,
Tristeza que conheço, vai sem fim.
Dos pássaros não sei sequer os trinos,
A seca permanece dentro em mim.
Os dedos da esperança são bem finos,
A boca da saudade é carmesim,
O fardo que carrego, eu não suporto,
Na morte encontro enfim, amado porto...
marcos loures
Tocaia da saudade me esperando.
O medo me aguardando numa esquina
Fuzil e cravinote preparando,
Mudando de repente a minha sina,
As lágrimas descendo vão aguando
O solo da caatinga, em aridez,
Tomando sem perguntas, lucidez.
Tristeza de quem sabe que perdeu
O rumo em sua vida desditosa.
Fogueira das saudades acendeu
A fome de viver vai desairosa.
Matando em nascedouro, traz o breu
O cardo em tanto espinho, nega a rosa.
Uma sanfona chora a melodia
Criada em tom menor, pura agonia.
Os olhos de quem quero, não voltaram
Nem mesmo uma asa branca me salvou.
Os verdes da esperança já secaram,
Açude dos meus sonhos se acabou.
As pedras no caminho me encontraram,
Apenas duro espinho o que sobrou.
No aboio bem distante, sou o gado,
Perdido nesta seca, desgraçado...
Os ermos do caminho são meus guias,
Pegadas não encontro nesta areia,
Das flores que plantei, só fantasias,
Deserto me impediu qualquer sereia,
As noites sem luar, seguem vazias,
A morte sorridente me rodeia
E mostra esta tristeza companheira,
Mulher em minha, derradeira.
São tantas as promessas que já fiz,
Em procissões segui, olhar distante,
Quem dera se eu pudesse ser feliz,
O dia nasceria radiante,
Da dor teria simples cicatriz,
A paz me tomaria num instante,
Porém a vida crava a sua garra,
Verão segue inclemente em clara barra.
Os filhos dos meus sonhos, pesadelos.
Carrego tantas mortes no bornal.
Os dias prometidos; como vê-los
Se o nada vem voltando no final,
Morena; tão distantes teus cabelos,
Na seca do meu peito, temporal.
Recebo a ventania no meu rosto,
Ardência se transforma num desgosto.
A seca destruindo a paisagem,
Apenas pedregulhos e mais nada,
Sorriso já não passa de miragem,
Sem rumo, vou seguindo a dura estrada,
Pressinto no final desta viagem
A mata que me resta, derrubada,
Quem dera se o sertão virasse mar,
Porém prevejo o mar a se secar.
O canto tão tristonho do urutau
Espalha o sofrimento sobre a terra,
A solidão coloca a pá de cal
E a vida, sem ninguém, assim se encerra.
As roupas não secaram no varal,
O medo de sonhar mais forte berra
E traz uma agonia a cada noite,
Tristeza me queimando como açoite.
O gado vai morrendo em tanta sede,
Sem ter uma esperança, também morro,
Retrato de quem amo na parede
Não serve nem sequer como socorro,
A morte me levando em uma rede,
Distâncias inclementes eu percorro
E vejo no final, só a tristeza
Companheira dileta de meus dias,
Tocando sobre mim as mãos tão frias.
Um dia imaginei que enfim, pudesse
Ter a felicidade que sonhara,
Porém nada valeu a minha prece,
E a sina se mostrando mais amara,
Vazio no meu peito se oferece
E a mão que conhecera, desampara.
Refém de um sentimento sem guarida,
Perdendo as ilusões, perdi a vida.
Na plantação dos sonhos, que eu agüei,
Usando uma esperança como enxada,
Secando toda flor que ali plantei,
Depois de tanto tempo não deu nada,
De tanto que eu pedi, tanto rezei,
A voz que me restou, vai embargada.
Quisera esta alegria de poder
Ao menos um sorriso recolher.
Merenda da esperança, uma alegria,
Um riso de mulher, um colo amigo.
Não tendo mais estrela vou sem guia,
A cada encruzilhada, outro perigo,
Outra sina, quem sabe eu merecia,
Mas como se lutar nem mais consigo.
Tropeiro coração perdendo o rumo,
Não sabe desta fruta mais o sumo.
Partindo pr’outras terras, talvez tenha
Um pouco a mais de alento em minha vida.
Mudando minha história, outra resenha,
Aonde a minha sina distraída,
Permita que eu descubra qual a senha
Que deixe vislumbrar uma saída.
Quem sabe... Mas não creio mais em sorte,
Adoço minha boca, mel da morte.
Somando as minhas dores, desatinos,
Tristeza que conheço, vai sem fim.
Dos pássaros não sei sequer os trinos,
A seca permanece dentro em mim.
Os dedos da esperança são bem finos,
A boca da saudade é carmesim,
O fardo que carrego, eu não suporto,
Na morte encontro enfim, amado porto...
marcos loures
Se alguém disser, um dia: “Sê discreto,
Não ostentes a dor que te consome,
Pensa na angústia de um amor secreto
E, então a todos, tu dirás o nome
De quem merece o teu profundo afeto!
Depois, se a dor, o luto, o tédio e a fome
Se abrigarem debaixo do mesmo teto
Fica em paz, a esperar que o tempo dome
A fúria sanguinária da tristeza!
O sofrimento é gêmeo da beleza!
Talvez então aí, se abrisse a porta
Do cárcere de dor que assim te prende,
E a voz de Deus se ouvisse- que se entende-
Iluminado uma esperança morta...
Quem sabe, assim, talvez a dor te traga
O gosto tão amargo da saudade.
A boca que te beija, que te afaga,
A mesma que te cospe, na verdade...
Amigo, não discuta com a morte,
A sorte de quem vai, a de quem vem,
Dependem desta fúria, deste corte,
Da vida que levamos, sem ninguém...
Mas saiba que te resta uma ventura.
A noite sem estrelas trama o sol.
Depois desta doença, morte ou cura,
A louca desventura, teu farol...
Amigo, uma esperança que morreu,
Do amor que dentro em ti, já se escondeu...
Marcos Coutinho Loures
Antonio Viçoso Magalhães
Marcos Loures
Angústia dominando a minha noite!
O medo de perder-te me devora,
O tempo não se passa, a vida chora,
E queima em minhas costas como açoite!
Meu pensamento voa e me tortura
Se deita em minha cama, triste fera,
Em dor, toda a minha alma se tempera,
Deixando um certo gosto de amargura.
Quem sabe não terei o meu descanso?
O vento me responde um não feroz,
Em lanhos, minhas costas, dor atroz,
E em meio a tantas pedras, noite avanço.
Saudades são mortalhas que carrego,
No peso desta vida, vão granito,
Um grito, meu lamento, no infinito,
Os mares da tormenta eu já navego...
Escute, minha amada, sou um rio
Que em margens desmatadas, assoreio.
O sangue se espalhando por meu veio,
E embalde tanta dor, inda sorrio...
marcos loures
O medo de perder-te me devora,
O tempo não se passa, a vida chora,
E queima em minhas costas como açoite!
Meu pensamento voa e me tortura
Se deita em minha cama, triste fera,
Em dor, toda a minha alma se tempera,
Deixando um certo gosto de amargura.
Quem sabe não terei o meu descanso?
O vento me responde um não feroz,
Em lanhos, minhas costas, dor atroz,
E em meio a tantas pedras, noite avanço.
Saudades são mortalhas que carrego,
No peso desta vida, vão granito,
Um grito, meu lamento, no infinito,
Os mares da tormenta eu já navego...
Escute, minha amada, sou um rio
Que em margens desmatadas, assoreio.
O sangue se espalhando por meu veio,
E embalde tanta dor, inda sorrio...
marcos loures
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Reflexos de outros erros do passado,
Cevamos os abrolhos do futuro.
Do fim há tanto tempo anunciado,
Cravamos más sementes, solo duro.
Pisando no fantasma injustiçado,
Aumento pouco a pouco o enorme muro,
Gigante e intransponível alambrado,
Saída, na verdade não procuro.
E interno o coração neste gradil,
Que embora saiba ser imenso e vil,
No fundo me protege e me cerceia.
Matando o que podia ser o sonho,
Cenário desolado que componho,
Apodrecendo o sangue em cada veia...
marcos loures
Cevamos os abrolhos do futuro.
Do fim há tanto tempo anunciado,
Cravamos más sementes, solo duro.
Pisando no fantasma injustiçado,
Aumento pouco a pouco o enorme muro,
Gigante e intransponível alambrado,
Saída, na verdade não procuro.
E interno o coração neste gradil,
Que embora saiba ser imenso e vil,
No fundo me protege e me cerceia.
Matando o que podia ser o sonho,
Cenário desolado que componho,
Apodrecendo o sangue em cada veia...
marcos loures
Tua imagem, satânica e covarde,
Retrata muito bem o que nós fomos...
Apodrecendo em vida, tantos gomos,
A morte se aproxima sem alarde.
Não tendo fantasia que a retarde,
Terminam desde já; todos os tomos,
Carcaça do que outrora ainda somos
Nos olhos de quem vê; penetrando arde...
Titânicos e hercúleos, meus embates,
Somente esta derrota por medalha.
Perdendo sem pudor cada batalha,
Não quero salvação sequer resgates.
Apenas prosseguir a minha sina,
Na boca que me beija e me assassina.
marcos loures
Retrata muito bem o que nós fomos...
Apodrecendo em vida, tantos gomos,
A morte se aproxima sem alarde.
Não tendo fantasia que a retarde,
Terminam desde já; todos os tomos,
Carcaça do que outrora ainda somos
Nos olhos de quem vê; penetrando arde...
Titânicos e hercúleos, meus embates,
Somente esta derrota por medalha.
Perdendo sem pudor cada batalha,
Não quero salvação sequer resgates.
Apenas prosseguir a minha sina,
Na boca que me beija e me assassina.
marcos loures
PELO TODO SE TOMA A PARTE
Lindo e sutil trançado, que ficaste
em penhor do remédio que mereço,
se só contigo, vendo te, endoudeço,
que fora cos cabelos que apertaste?
Aquelas tranças d'ouro, que ligaste,
que os raios do Sol têm em pouco preço,
não sei se para engano do que peço
se para me atar, os desataste.
Lindo trançado, em minhas mãos te vejo,
e por satisfação de minhas dores
como quem não tem outra, hei de tomar te.
E se não for contente meu desejo,
dir lhe hei que, nesta regra dos amores,
pelo todo também se toma a parte.
Luis de Camões
Ao ver os teus cabelos enfeitados
Com conchas que encontraste em alva areia,
Qual fora simplesmente uma sereia,
Meus dias desde então enfeitiçados.
Desejo de poder tê-los tocados,
Na insânia que domina e me incendeia,
E imenso fogaréu do amor se ateia,
Ao crê-los tão macios, perfumados...
Somente por poder vê-los por perto,
No sentimento imenso que desperto,
Levando o meu amor sempre adiante,
Ao conhecer apenas o adereço,
A plena maravilha; reconheço,
Do dedo se adivinha o que é gigante...
marcos loures
Lindo e sutil trançado, que ficaste
em penhor do remédio que mereço,
se só contigo, vendo te, endoudeço,
que fora cos cabelos que apertaste?
Aquelas tranças d'ouro, que ligaste,
que os raios do Sol têm em pouco preço,
não sei se para engano do que peço
se para me atar, os desataste.
Lindo trançado, em minhas mãos te vejo,
e por satisfação de minhas dores
como quem não tem outra, hei de tomar te.
E se não for contente meu desejo,
dir lhe hei que, nesta regra dos amores,
pelo todo também se toma a parte.
Luis de Camões
Ao ver os teus cabelos enfeitados
Com conchas que encontraste em alva areia,
Qual fora simplesmente uma sereia,
Meus dias desde então enfeitiçados.
Desejo de poder tê-los tocados,
Na insânia que domina e me incendeia,
E imenso fogaréu do amor se ateia,
Ao crê-los tão macios, perfumados...
Somente por poder vê-los por perto,
No sentimento imenso que desperto,
Levando o meu amor sempre adiante,
Ao conhecer apenas o adereço,
A plena maravilha; reconheço,
Do dedo se adivinha o que é gigante...
marcos loures
PELO AMOR DE DEUS
Não quero o deus que cobra seus impostos
Tampouco padres; tétricos cantores
A multidão estúpida; seus rostos
Marcados pela voz dos impostores.
Não arredam o pé; mantêm seus postos,
Cordeiros idolatram tais pastores
Das oferendas pútridos encostos
Igrejas depositam vãos penhores.
E o amor há tanto tempo desprezado
Jogado entre os esgotos das cidades.
O Cristo por canalhas explorado
Exposto nas entranhas de um zoológico
Na cruz; qual fora pássaro em mil grades
Retrato de um desenho vil e ilógico...
marcos loures
Não quero o deus que cobra seus impostos
Tampouco padres; tétricos cantores
A multidão estúpida; seus rostos
Marcados pela voz dos impostores.
Não arredam o pé; mantêm seus postos,
Cordeiros idolatram tais pastores
Das oferendas pútridos encostos
Igrejas depositam vãos penhores.
E o amor há tanto tempo desprezado
Jogado entre os esgotos das cidades.
O Cristo por canalhas explorado
Exposto nas entranhas de um zoológico
Na cruz; qual fora pássaro em mil grades
Retrato de um desenho vil e ilógico...
marcos loures
PEDIR PERDÃO
Pedir perdão por todos os pecados
Seguindo o peito aberto, destemido.
Jamais poder pensar estar vencido
Os sonhos muitas vezes destroçados.
Restando tão somente os velhos fados,
A noite se emoldura num gemido,
E tudo o que quisera, está perdido,
Abraço-me ao Senhor dos desgraçados.
E quase posso crer em salvação
Embora a cada abismo um novo aviso,
Irônico, sem nexo, o meu sorriso
Traduz o que pensara solução.
Matar os meus enganos, ser fiel,
Afasto-me das redes do teu Céu.
marcos loures
Pedir perdão por todos os pecados
Seguindo o peito aberto, destemido.
Jamais poder pensar estar vencido
Os sonhos muitas vezes destroçados.
Restando tão somente os velhos fados,
A noite se emoldura num gemido,
E tudo o que quisera, está perdido,
Abraço-me ao Senhor dos desgraçados.
E quase posso crer em salvação
Embora a cada abismo um novo aviso,
Irônico, sem nexo, o meu sorriso
Traduz o que pensara solução.
Matar os meus enganos, ser fiel,
Afasto-me das redes do teu Céu.
marcos loures
PARA MERECER CRISTO
Enquanto houver miséria sobre a Terra,
E um povo sem apoio e desvalido,
O mal que dentre todos já se encerra
Trará o nosso Pai, frágil, vencido...
Enquanto houver tamanhas injustiças,
E a fome campear pelos países,
Os homens sendo escravos das cobiças,
As almas serão simples meretrizes...
Enquanto houver discórdias imbecis,
E as armas não calarem suas vozes,
As rapineiras aves, seres vis,
Persistirão em ritos mais atrozes...
Enquanto não houver a liberdade,
Não merecerá Cristo, a humanidade...
marcos loures
Enquanto houver miséria sobre a Terra,
E um povo sem apoio e desvalido,
O mal que dentre todos já se encerra
Trará o nosso Pai, frágil, vencido...
Enquanto houver tamanhas injustiças,
E a fome campear pelos países,
Os homens sendo escravos das cobiças,
As almas serão simples meretrizes...
Enquanto houver discórdias imbecis,
E as armas não calarem suas vozes,
As rapineiras aves, seres vis,
Persistirão em ritos mais atrozes...
Enquanto não houver a liberdade,
Não merecerá Cristo, a humanidade...
marcos loures
PASSOS SUJOS DE SANGUE
Passos sujos de sangue nas calçadas,
Olhares tão vazios, vida à toa,
Ouvindo estes clarins nas alvoradas
O pensamento ao longe ainda ecoa...
E as mãos sem esperança decepadas,
O naufragar sem boia da canoa,
Antigas esperanças derramadas.
A vida que eu julgara, outrora, boa
Mergulho numa insana correnteza,
Não tive e não terei força e destreza
Apenas caminhando contra o vento.
Sentindo o fogo ardendo nos caminhos,
Os dias que terei sempre sozinhos,
Matando pouco a pouco o sentimento...
marcos loures
Passos sujos de sangue nas calçadas,
Olhares tão vazios, vida à toa,
Ouvindo estes clarins nas alvoradas
O pensamento ao longe ainda ecoa...
E as mãos sem esperança decepadas,
O naufragar sem boia da canoa,
Antigas esperanças derramadas.
A vida que eu julgara, outrora, boa
Mergulho numa insana correnteza,
Não tive e não terei força e destreza
Apenas caminhando contra o vento.
Sentindo o fogo ardendo nos caminhos,
Os dias que terei sempre sozinhos,
Matando pouco a pouco o sentimento...
marcos loures
Pudesse confessar os meus pecados,
Eu creio: fugirias num segundo,
Segredos com certeza bem guardados,
De um torpe coração tão vagabundo.
Porém estão lançados estes dados,
Quem sabe tu verás um ser imundo,
Tomando em minhas mãos, destinos, Fados,
Na lama a cada dia me aprofundo...
A podridão de uma alma; agora nua,
Num cárcere profano continua,
Regida por demônios mais diversos.
Mas passo assim sorrindo pela rua,
Olhando calmamente para a lua,
Declamando, suave, doces versos...
marcos loures
Eu creio: fugirias num segundo,
Segredos com certeza bem guardados,
De um torpe coração tão vagabundo.
Porém estão lançados estes dados,
Quem sabe tu verás um ser imundo,
Tomando em minhas mãos, destinos, Fados,
Na lama a cada dia me aprofundo...
A podridão de uma alma; agora nua,
Num cárcere profano continua,
Regida por demônios mais diversos.
Mas passo assim sorrindo pela rua,
Olhando calmamente para a lua,
Declamando, suave, doces versos...
marcos loures
Jogaste num abismo os nossos sonhos,
Mergulho atrás das marcas e pegadas,
As horas já perdidas; emboscadas,
Em meio a confusão, seres medonhos.
Os dias vão vazios e tristonhos,
Supero as mais incríveis paliçadas,
E busco nas entranhas, nas estradas,
Momentos que já foram mais risonhos...
Escuto a tua voz? Alarme falso,
Adentro maltrapilho um cadafalso,
Masmorras de minha alma carcomida...
Quem sabe te encontrar renovaria,
E após a tempestade e a ventania,
Traria novamente à tona, a vida...
marcos loures
Mergulho atrás das marcas e pegadas,
As horas já perdidas; emboscadas,
Em meio a confusão, seres medonhos.
Os dias vão vazios e tristonhos,
Supero as mais incríveis paliçadas,
E busco nas entranhas, nas estradas,
Momentos que já foram mais risonhos...
Escuto a tua voz? Alarme falso,
Adentro maltrapilho um cadafalso,
Masmorras de minha alma carcomida...
Quem sabe te encontrar renovaria,
E após a tempestade e a ventania,
Traria novamente à tona, a vida...
marcos loures
Bonde
Improviso meu pedido
Meu sonido e desculpas...
As culpas foram deixadas
As asas, passarinhada.
Esfarinham minha sorte...
Não posso tentar meu rumo.
Assumo e me consumo
Sou sumo e não sumi...
Não toco e nem sou toco
Rouco...
Louco
É pouco a pouco
Meu foco e meu reboco...
Amo os temas
E as tremas.
Gemas e não mais claras
Faros e faraós.
Partos e parecidas.
Paciência...
Víspora de véspera é vespeiro...
Nada mais a dizer
Pego o meu boné
Para não perder o bonde
Da História...
marcos loures
Improviso meu pedido
Meu sonido e desculpas...
As culpas foram deixadas
As asas, passarinhada.
Esfarinham minha sorte...
Não posso tentar meu rumo.
Assumo e me consumo
Sou sumo e não sumi...
Não toco e nem sou toco
Rouco...
Louco
É pouco a pouco
Meu foco e meu reboco...
Amo os temas
E as tremas.
Gemas e não mais claras
Faros e faraós.
Partos e parecidas.
Paciência...
Víspora de véspera é vespeiro...
Nada mais a dizer
Pego o meu boné
Para não perder o bonde
Da História...
marcos loures
BOA SORTE, AMOR
Na lâmina suave com que cortas e me entranhas
Nos versos gelados e frios que saem de mansinho
Com as penugens podadas, do coração.
Na lâmina breve com que sonhos se cortam
E se abortam faço minhas rimas sem nexo.
Queria apenas o descanso suave do colo
Que nunca viria, nem nunca virá.
Queria o mundo que jamais seria meu.
Imerso em detalhes.
Corsário, sem rumos.
Sem prumos ou primas.
Vacilo e não ando
Desando.
Meu andor é de barro
Meu mar é sem praia
Na areia me perco.
Depois desta ceia
Desato meu mundo
Que gira e não trama
Apenas sei lama
E nada me guia.
Mas amo meu mundo
Sem mar e sem lodo
Em mim mesmo afundo
O mundo que fio
E vou sem pavio
No frio da noite
Que como um açoite
Me diz: és feliz.
Tal credo me ilude
No medo que pude
Conter nos meus olhos
As lágrimas a mais.
E amo, te amo, nas ânsias da vida.
Que trará vida
No seio da morte.
Amor boa sorte
Que a minha perdi...
marcos loures
Na lâmina suave com que cortas e me entranhas
Nos versos gelados e frios que saem de mansinho
Com as penugens podadas, do coração.
Na lâmina breve com que sonhos se cortam
E se abortam faço minhas rimas sem nexo.
Queria apenas o descanso suave do colo
Que nunca viria, nem nunca virá.
Queria o mundo que jamais seria meu.
Imerso em detalhes.
Corsário, sem rumos.
Sem prumos ou primas.
Vacilo e não ando
Desando.
Meu andor é de barro
Meu mar é sem praia
Na areia me perco.
Depois desta ceia
Desato meu mundo
Que gira e não trama
Apenas sei lama
E nada me guia.
Mas amo meu mundo
Sem mar e sem lodo
Em mim mesmo afundo
O mundo que fio
E vou sem pavio
No frio da noite
Que como um açoite
Me diz: és feliz.
Tal credo me ilude
No medo que pude
Conter nos meus olhos
As lágrimas a mais.
E amo, te amo, nas ânsias da vida.
Que trará vida
No seio da morte.
Amor boa sorte
Que a minha perdi...
marcos loures
A Besta em fantasia de profeta
Protege quem gerou, espúria brasa.
No nada versus nada se completa,
E finge que desfruta desta casa.
A Besta que brincando de poeta
Com o pobre capeta já não casa.
Disfarça e faz que gosta de xodó
Com medo de morrer fedendo e só.
Na sua servidão, desanca a todos,
Botando o seu nariz, frio, pra fora.
A Besta ressurgindo destes lodos,
A quem a Besta beija já devora.
É feita de mentiras, vãos engodos,
De todos que desejam, desde agora,
A Besta faz solenes picadinhos,
Zombando dos que gostam de carinhos...
marcos loures
Protege quem gerou, espúria brasa.
No nada versus nada se completa,
E finge que desfruta desta casa.
A Besta que brincando de poeta
Com o pobre capeta já não casa.
Disfarça e faz que gosta de xodó
Com medo de morrer fedendo e só.
Na sua servidão, desanca a todos,
Botando o seu nariz, frio, pra fora.
A Besta ressurgindo destes lodos,
A quem a Besta beija já devora.
É feita de mentiras, vãos engodos,
De todos que desejam, desde agora,
A Besta faz solenes picadinhos,
Zombando dos que gostam de carinhos...
marcos loures
Batendo à minha porta
Batendo à minha porta
O corvo ou meu passado
No tempo delegado
Do sonho que se aborta,
Do quanto não importa
Eu trago este legado
E bebo este pecado
Ou tanto a vida corta
Passado diz presente
Presente te asseguro
Sondando algum futuro
Diverso se apresente
Vagando sem destino
Aí eu me alucino.
marcos loures
Batendo à minha porta
O corvo ou meu passado
No tempo delegado
Do sonho que se aborta,
Do quanto não importa
Eu trago este legado
E bebo este pecado
Ou tanto a vida corta
Passado diz presente
Presente te asseguro
Sondando algum futuro
Diverso se apresente
Vagando sem destino
Aí eu me alucino.
marcos loures
Barco ao Vento
Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável. Sêneca
Procuro por um ponto de partida
Que leve meu saveiro para o mar
Evitando as procelas. Navegar
Calmamente, sem dores, pela vida...
Eu sei que esta viagem traz os medos
Naturais de quem sempre foi sozinho.
Mas sei quanto é preciso ter um ninho
Depois de tantas lutas e degredos...
Espero que este canto então me leve
Pela vida. As promessas deixo ao largo...
A vida tantas vezes trouxe amargo
Gosto. Agora proponho um novo, leve...
Os rumos a seguir são mais diversos,
Meu barco já perdeu rosa dos ventos.
Ao norte encontrarei meus sofrimentos,
Ao sul já morrerão todos os versos...
Ao leste, dispersada solidão,
A oeste tempestades e penhascos.
Rebento-me e nem sinto, tantos cascos,
Em meio tão esparsa solução.
Bem sei que sempre perco mas não canso,
A luta é necessária e muito aflita.
A morte tantas vezes foi bendita
Porém o que procuro, um mar mais manso,
Não posso perguntar de onde viria,
Pois sinto que jamais serei feliz.
E traço meu destino e diretriz
Com olhos espalhados noite e dia...
Os astros me deixaram ao relento
Sem porto nem talvez terei cais.
A sorte, com certeza, nunca mais.
Meu barco vai sozinho, solto ao vento...
marcos loures
Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável. Sêneca
Procuro por um ponto de partida
Que leve meu saveiro para o mar
Evitando as procelas. Navegar
Calmamente, sem dores, pela vida...
Eu sei que esta viagem traz os medos
Naturais de quem sempre foi sozinho.
Mas sei quanto é preciso ter um ninho
Depois de tantas lutas e degredos...
Espero que este canto então me leve
Pela vida. As promessas deixo ao largo...
A vida tantas vezes trouxe amargo
Gosto. Agora proponho um novo, leve...
Os rumos a seguir são mais diversos,
Meu barco já perdeu rosa dos ventos.
Ao norte encontrarei meus sofrimentos,
Ao sul já morrerão todos os versos...
Ao leste, dispersada solidão,
A oeste tempestades e penhascos.
Rebento-me e nem sinto, tantos cascos,
Em meio tão esparsa solução.
Bem sei que sempre perco mas não canso,
A luta é necessária e muito aflita.
A morte tantas vezes foi bendita
Porém o que procuro, um mar mais manso,
Não posso perguntar de onde viria,
Pois sinto que jamais serei feliz.
E traço meu destino e diretriz
Com olhos espalhados noite e dia...
Os astros me deixaram ao relento
Sem porto nem talvez terei cais.
A sorte, com certeza, nunca mais.
Meu barco vai sozinho, solto ao vento...
marcos loures
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
as tempestades se aproximam, sem medidas
em vórtices ferozes e temíveis,
os dias mais terríveis em incríveis
granizos invadindo frágeis vidas,
e a rapineira corja entre as feridas,
banqueteando as carnes mais visíveis
rasgando os cernes das classes desvalidas
lambendo dessas chagas corroídas,
os velhos capitães do mato gargalhando
e a senzala morta nos navios.
irônicos acendem mil pavios
e a classe média, pensa,triunfando,
enquanto a casa grande aplaude os gladiadores
no circo dos eternos perdedores...
Marcos Loures
em vórtices ferozes e temíveis,
os dias mais terríveis em incríveis
granizos invadindo frágeis vidas,
e a rapineira corja entre as feridas,
banqueteando as carnes mais visíveis
rasgando os cernes das classes desvalidas
lambendo dessas chagas corroídas,
os velhos capitães do mato gargalhando
e a senzala morta nos navios.
irônicos acendem mil pavios
e a classe média, pensa,triunfando,
enquanto a casa grande aplaude os gladiadores
no circo dos eternos perdedores...
Marcos Loures
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
quisera ser, talvez além do pó,
esparramado entre as paredes mais esquálidas,
tentando adivinhar entre crisálidas
a vida sem ser vil, sem ser tão só,
buscando entre os retratos do que outrora
bebera até fartar em ilusões,
os olhos entre os frágeis diversões,
porém todo o presente me devora,
sardônico sorriso deste ignaro
expressa tal tolice que ora mato,
e quando ao fim da festa me retrato,
resgato o verso amargo e me declaro.
escória entre as escórias, meu refúgio,
ousando na esperança, um subterfúgio...
Marcos Loures
esparramado entre as paredes mais esquálidas,
tentando adivinhar entre crisálidas
a vida sem ser vil, sem ser tão só,
buscando entre os retratos do que outrora
bebera até fartar em ilusões,
os olhos entre os frágeis diversões,
porém todo o presente me devora,
sardônico sorriso deste ignaro
expressa tal tolice que ora mato,
e quando ao fim da festa me retrato,
resgato o verso amargo e me declaro.
escória entre as escórias, meu refúgio,
ousando na esperança, um subterfúgio...
Marcos Loures
O corpo lacerado de quem tanto
amara e nunca fora amarga mente,
tomado por metano claramente
eclode num momento sacrossanto.
bebendo desta pútrida mistura,
a sorte em morte goza mais profana
e a luta que deveras desengana
reflete o quanto a vida vã depura.
escárnio simplesmente e nada além,
a marca aprofundada em minha pele,
ao tosco desvario me compele
e, apenas o que resta me convém.
amei demais; talvez fosse meu erro,
e agora em solidão, brindo o desterro...
Marcos Loures
amara e nunca fora amarga mente,
tomado por metano claramente
eclode num momento sacrossanto.
bebendo desta pútrida mistura,
a sorte em morte goza mais profana
e a luta que deveras desengana
reflete o quanto a vida vã depura.
escárnio simplesmente e nada além,
a marca aprofundada em minha pele,
ao tosco desvario me compele
e, apenas o que resta me convém.
amei demais; talvez fosse meu erro,
e agora em solidão, brindo o desterro...
Marcos Loures
na etérea fantasia que permita
luares e sertões, o podre cerne
do tanto que em verões ainda inverne
e torna sem valor qualquer pepita.
o cético poeta se limita
e mesmo quando o verso em vão hiberne
perfuma em sortilégios o que externe
uma alma onde o jamais teime e reflita.
medonhos e asquerosos olhos mortos,
buscando em meus naufrágios novos portos,
em tortos descaminhos que propago,
a farta comilança dos saprófitas
e a maravilha tosca das neófitas
bactérias vão brindando em farto trago...
Marcos Loures
luares e sertões, o podre cerne
do tanto que em verões ainda inverne
e torna sem valor qualquer pepita.
o cético poeta se limita
e mesmo quando o verso em vão hiberne
perfuma em sortilégios o que externe
uma alma onde o jamais teime e reflita.
medonhos e asquerosos olhos mortos,
buscando em meus naufrágios novos portos,
em tortos descaminhos que propago,
a farta comilança dos saprófitas
e a maravilha tosca das neófitas
bactérias vão brindando em farto trago...
Marcos Loures
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
o fato de pensar se faz fatídico,
não quero mais beber além do ocaso,
o tempo de viver encerra o prazo,
o beijo da mulher, tosco ou ofídico,
libidos eclodindo no que outrora
ainda se pudesse ser vivente,
explode o quanto resta e me desmente,
enquanto a própria ausência me devora.
ninguém, nem mesmo a mão de quem afaga,
trouxesse ao moribundo algum alento,
e quando respirar, ao fim eu tento,
a vida em avidez roga outra praga,
e sendo de tal forma não duvido,
ainda resta um tiro em meu ouvido...
Marcos Loures
não quero mais beber além do ocaso,
o tempo de viver encerra o prazo,
o beijo da mulher, tosco ou ofídico,
libidos eclodindo no que outrora
ainda se pudesse ser vivente,
explode o quanto resta e me desmente,
enquanto a própria ausência me devora.
ninguém, nem mesmo a mão de quem afaga,
trouxesse ao moribundo algum alento,
e quando respirar, ao fim eu tento,
a vida em avidez roga outra praga,
e sendo de tal forma não duvido,
ainda resta um tiro em meu ouvido...
Marcos Loures
por vezes imagino o quanto pude
traçar em vida rude e sem valia,
tramando o que rondasse em fantasia,
tentando prosseguir, tola atitude.
não tendo mais idade nem saúde,
velando cada frase quando havia
um riso que julgaste de ironia,
quando em verdade a dor vem amiúde.
nas traças, a gaveta, os alfarrábios
a morte beija mansa os podres lábios
de quem se fez poeta, e não vencera
a própria fantasia, mais ingrata,
e agora quando a tumba me arrebata,
a pálida expressão recende à cera...
Marcos Loures
traçar em vida rude e sem valia,
tramando o que rondasse em fantasia,
tentando prosseguir, tola atitude.
não tendo mais idade nem saúde,
velando cada frase quando havia
um riso que julgaste de ironia,
quando em verdade a dor vem amiúde.
nas traças, a gaveta, os alfarrábios
a morte beija mansa os podres lábios
de quem se fez poeta, e não vencera
a própria fantasia, mais ingrata,
e agora quando a tumba me arrebata,
a pálida expressão recende à cera...
Marcos Loures
a imagem carcomida num espelho
reflete os tantos anos já perdidos,
os olhos entrelaçam esquecidos
momentos onde a morte diz conselho,
e o templo que se arrasa num instante
respalda o quanto a vida desfalece,
a praga se transforma em mansa prece
somente algum final ora adiante,
mesquinhos dias, mortes rituais,
versando sobre o nada sem proveito,
a campa se aproxima, doce leito,
e bebo destes vastos temporais.
resumos entre sumos e serpentes,
irônico demônio, já não mentes...
Marcos Loures
reflete os tantos anos já perdidos,
os olhos entrelaçam esquecidos
momentos onde a morte diz conselho,
e o templo que se arrasa num instante
respalda o quanto a vida desfalece,
a praga se transforma em mansa prece
somente algum final ora adiante,
mesquinhos dias, mortes rituais,
versando sobre o nada sem proveito,
a campa se aproxima, doce leito,
e bebo destes vastos temporais.
resumos entre sumos e serpentes,
irônico demônio, já não mentes...
Marcos Loures
porquanto a podridão do corpo inerte
expresse o mais profundo que eu carrego,
o passo sem sentido, audaz e cego
jamais a direção atroz reverte,
e quando após o nada enfim desperte,
moldando o quanto houvera, não me apego
e tento consumir o que renego,
meus erros, já ninguém mais acoberte,
superna fantasia, a morte insana,
a boca que me escarra não me engana,
profana e sacrossanta noite imunda,
e o vento quando ulula na janela
apenas o passado nos revela
e a face da carcaça o todo inunda...
Marcos Loures
expresse o mais profundo que eu carrego,
o passo sem sentido, audaz e cego
jamais a direção atroz reverte,
e quando após o nada enfim desperte,
moldando o quanto houvera, não me apego
e tento consumir o que renego,
meus erros, já ninguém mais acoberte,
superna fantasia, a morte insana,
a boca que me escarra não me engana,
profana e sacrossanta noite imunda,
e o vento quando ulula na janela
apenas o passado nos revela
e a face da carcaça o todo inunda...
Marcos Loures
domingo, 6 de dezembro de 2015
a faca no pescoço e o tempo corre,
apenas o que resta é o fim do jogo,
a boca quando beija em lava e fogo
cuspindo enquanto finge que socorre,
vivendo mais um dia, um novo ocaso,
refugo de um passado e nada além,
a porta se travando e ninguém vem,
tampouco faço disso, qualquer caso.
jogado sobre as traças, corpo inerte,
a velha solidão toma e não passa,
deixando apodrecer essa carcaça
que apenas o demônio ora desperte.
escracha companhia má,satânica,
minha alma adormecendo enfim. VULCÂNICA...
Marcos Loures.
apenas o que resta é o fim do jogo,
a boca quando beija em lava e fogo
cuspindo enquanto finge que socorre,
vivendo mais um dia, um novo ocaso,
refugo de um passado e nada além,
a porta se travando e ninguém vem,
tampouco faço disso, qualquer caso.
jogado sobre as traças, corpo inerte,
a velha solidão toma e não passa,
deixando apodrecer essa carcaça
que apenas o demônio ora desperte.
escracha companhia má,satânica,
minha alma adormecendo enfim. VULCÂNICA...
Marcos Loures.
já nada mais comportaria alguma luz,
apenas madrugada e nada além,
a senda mais atroz que me convém
expressa o próprio fim e assim conduz.
reflexo do cenário onde compus
o verdadeiro anseio onde ninguém
encontra o sortilégio que o provém,
impossível drenar o próprio pus.
arfando adentro campas de minha alma
e nada que encontrasse ao fim acalma
quem tanto se fez pranto inutilmente,
rondando outro planeta, deveria,
singrar a dimensão da fantasia,
morrendo, este bufão, nem mesmo mente...
Marcos Loures
apenas madrugada e nada além,
a senda mais atroz que me convém
expressa o próprio fim e assim conduz.
reflexo do cenário onde compus
o verdadeiro anseio onde ninguém
encontra o sortilégio que o provém,
impossível drenar o próprio pus.
arfando adentro campas de minha alma
e nada que encontrasse ao fim acalma
quem tanto se fez pranto inutilmente,
rondando outro planeta, deveria,
singrar a dimensão da fantasia,
morrendo, este bufão, nem mesmo mente...
Marcos Loures
Vagando pela noite sem paragem,
bebendo da sarjeta cada instante,
a vida prometida delirante,
encontra noutro instante a rude aragem,
e quando me entranhando, a paisagem,
ouvindo o mar sombrio e tão distante
a bruma toma tudo e, fatigante,
vertigem torna o riso, vaga imagem.
a chuva derramando em toda gota
a farsa de uma vida agora rota
e a rota se perdendo eternamente,
o suicídio ronda, e se aproxima,
o fim enfim seria doce rima
e toma inteiro e manso,a minha mente...
Marcos Loures.
bebendo da sarjeta cada instante,
a vida prometida delirante,
encontra noutro instante a rude aragem,
e quando me entranhando, a paisagem,
ouvindo o mar sombrio e tão distante
a bruma toma tudo e, fatigante,
vertigem torna o riso, vaga imagem.
a chuva derramando em toda gota
a farsa de uma vida agora rota
e a rota se perdendo eternamente,
o suicídio ronda, e se aproxima,
o fim enfim seria doce rima
e toma inteiro e manso,a minha mente...
Marcos Loures.
Dormir... e o pesadelo continua,
a faca adentra além do que esperava,
a boca derramando amarga lava
a morte ora voraz, audaz e nua,
a sórdida expressão temível crua
e o canto que outro encanto ora esperava
esbarra no portão, terrível trava.
uivando o coração, brumosa lua...
não quero mais a gota deste orvalho,
o peso de uma vida em seco atalho
encontra esta navalha escancarada.
vestindo simplesmente outro senão,
em ávida certeza, a podridão
derrama cada gota na calada...
Marcos Loures.
a faca adentra além do que esperava,
a boca derramando amarga lava
a morte ora voraz, audaz e nua,
a sórdida expressão temível crua
e o canto que outro encanto ora esperava
esbarra no portão, terrível trava.
uivando o coração, brumosa lua...
não quero mais a gota deste orvalho,
o peso de uma vida em seco atalho
encontra esta navalha escancarada.
vestindo simplesmente outro senão,
em ávida certeza, a podridão
derrama cada gota na calada...
Marcos Loures.
Não se assustem, porém, com minha calma,
Do banquete final, fica minh"alma!
Marcos Osilia
embora apodrecida a cada passo,
o fim que me esperasse, eu mesmo traço.
e bebo do veneno quando acalma,
resumo meu caminho em todo trauma
e nele me enfronhando, antigo laço
deixando o coração rude e mais lasso
apenas coligindo o quanto houvera
da sórdida e mordaz, turva quimera
que tanto se apodera, dia a dia,
o fim em todo cálice blindado,
refém do vago ser que no passado
tornara cada verso, outra sangria...
Marcos Loures.
Do banquete final, fica minh"alma!
Marcos Osilia
embora apodrecida a cada passo,
o fim que me esperasse, eu mesmo traço.
e bebo do veneno quando acalma,
resumo meu caminho em todo trauma
e nele me enfronhando, antigo laço
deixando o coração rude e mais lasso
apenas coligindo o quanto houvera
da sórdida e mordaz, turva quimera
que tanto se apodera, dia a dia,
o fim em todo cálice blindado,
refém do vago ser que no passado
tornara cada verso, outra sangria...
Marcos Loures.
acreditar, talvez, num falso alento
que possa redimir o quanto houvesse,
ainda imaginando alguma prece
da palavra espalhada ao vago vento,
a morte me tomando o pensamento
enquanto o sofrimento me apetece
o corpo lacerado nunca esquece,
e pútrido cadáver, me arrebento.
os dias se refletem espelhares,
e busco além do quanto me mostrares
com tolas e vorazes orações,
não quero mais perdões tampouco pena,
apenas a mortalha que se acena
nos fim das tais terríveis estações.
Marcos Loures
que possa redimir o quanto houvesse,
ainda imaginando alguma prece
da palavra espalhada ao vago vento,
a morte me tomando o pensamento
enquanto o sofrimento me apetece
o corpo lacerado nunca esquece,
e pútrido cadáver, me arrebento.
os dias se refletem espelhares,
e busco além do quanto me mostrares
com tolas e vorazes orações,
não quero mais perdões tampouco pena,
apenas a mortalha que se acena
nos fim das tais terríveis estações.
Marcos Loures
Dura carnificina, o mundo toma
e bebe deste sangue apodrecido,
enquanto o quanto houvesse dividido
jamais se imaginasse pura soma,
e quando este fantoche humano doma
a sorte do que fora concebido,
ainda o quanto resta, ao fim me olvido
e tento me trancar numa redoma,
funâmbulo da vida, busco além
do nada que após nada já não vem,
e a chaga aprofundada dita o rumo,
o vórtice bebido qual absinto,
expressa o nada ser que agora sinto,
e por pior que seja, eu me acostumo...
Marcos Loures
e bebe deste sangue apodrecido,
enquanto o quanto houvesse dividido
jamais se imaginasse pura soma,
e quando este fantoche humano doma
a sorte do que fora concebido,
ainda o quanto resta, ao fim me olvido
e tento me trancar numa redoma,
funâmbulo da vida, busco além
do nada que após nada já não vem,
e a chaga aprofundada dita o rumo,
o vórtice bebido qual absinto,
expressa o nada ser que agora sinto,
e por pior que seja, eu me acostumo...
Marcos Loures
a pútrida noção do quanto resta
de quem talvez pensasse noutro campo,
a vida representa um pirilampo
e a obscuridade apenas o que empresta
a quem o coração logo se empesta,
enquanto na neblina ora me acampo,
uma esperança além, vasta, descampo,
descambo para a noite em vil floresta.
a sorte denegrida, em vis abrolhos,
rompendo com a fúria sob os olhos
ferrolhos da impossível liberdade,
e algum carinho, ao fim, o quanto eu queira,
jogado em precipício, toca a beira
e o salto sem retorno, o peito invade...
Marcos Loures;
de quem talvez pensasse noutro campo,
a vida representa um pirilampo
e a obscuridade apenas o que empresta
a quem o coração logo se empesta,
enquanto na neblina ora me acampo,
uma esperança além, vasta, descampo,
descambo para a noite em vil floresta.
a sorte denegrida, em vis abrolhos,
rompendo com a fúria sob os olhos
ferrolhos da impossível liberdade,
e algum carinho, ao fim, o quanto eu queira,
jogado em precipício, toca a beira
e o salto sem retorno, o peito invade...
Marcos Loures;
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