PARA TANTOS, PRINCIPALMENTE MARCOS GABRIEL, MARCOS DIMITRI E MARCOS VINÍCIUS. MINHA ESPERANÇA. RITA PACIÊNCIA PELA LUTA.
segunda-feira, 21 de maio de 2018
Espalho meus gametas e refaço
A velha ladainha, vida e morte
Tendo a teosofia que conforte,
Estendo à existência então meu braço
Enquanto a frialdade morta do aço
Deveras se demonstra noutra sorte,
A eternidade dele é o meu norte,
Da minha história aqui, só deixo um traço
Soubesse quão diversa a natureza
Dos seres e matérias, por defesa
Talvez inda pudesse crer tão meus
Aquilo que em verdade não pertence
Restando a tal fantoche muriaense
A inevitável crença que há um Deus.
MARCOS LOURES
Às quantas existindo em bioquímica
Verdades em carbono e nitrogênio
A vida na esperança, um vão convênio
A sorte não se trama assim, alquímica.
Apenas continuo em torpe mímica
Até chegar meu fim, doença, arsênio?
A poesia sendo um oxigênio
Traduz a realidade quase símica.
E neste traduzir já se percebe
A pedregosa e turva, amarga sebe
Vencida muitas vezes com vanglória,
Adentrando o vazio, tua herança
A vida neste espaço que se lança
Deturpa ou mesmo nega a tua história.
MARCOS LOURES
Esperas e tocaias da existência
E nada valerá nem mesmo o fim,
E quando não houver mais nem jardim
Terei as complacências da clemência?
Por tanto que me fiz em prepotência
Ao esgotar o todo, nada enfim.
Voltando pro vazio de onde vim,
Restando do que fui fluorescência.
Um fatual momento em gases feito,
Deveras a ascensão que ainda aceito
A de um já decomposto corpo e nada
Além do vão instante em desengano
Aonde a vida fora desfrutada
O fruto que inda resta, este metano...
MARCOS LOURES
Imaginar um tempo aonde a vida
Seja mais suave e nos permita
Acreditar na sorte que em desdita
Escreve-se na luta ora perdida,
E quando a realidade nos acida,
E nossa iniqüidade assim limita
A caminhada tenra; uma alma fita
Horizonte sanguíneo e enfim duvida
Do quão se poderia ser melhor,
Um mundo onde esperança sendo mor
Traria ao menos brilho neste céu
Grisalhos os olhares que já lanço
Tempesta onde pensara algum remanso
A consciência humana segue ao léu.
MARCOS LOURES
Numa expressão divina em paz e glória,
Pudesse ter além deste vazio
A noite se aproxima merencória
E toda esta esperança desafio
Cortante qual navalha, gume e fio
O medo; ainda vivo na memória
Minha alma jogo aos pés, então; devore-a
Matando o que pudera haver de estio.
Os sonhos mergulhando dos umbrais,
Percebo mais distante todo cais
Sentindo que virá ao fim naufrágio,
E a vida que julgara bem mais mansa
Enquanto houvesse luz ou esperança
Cobrando com terrível, imenso ágio.
MARCOS LOURES
Pudesse ter além deste vazio
A noite se aproxima merencória
E toda esta esperança desafio
Cortante qual navalha, gume e fio
O medo; ainda vivo na memória
Minha alma jogo aos pés, então; devore-a
Matando o que pudera haver de estio.
Os sonhos mergulhando dos umbrais,
Percebo mais distante todo cais
Sentindo que virá ao fim naufrágio,
E a vida que julgara bem mais mansa
Enquanto houvesse luz ou esperança
Cobrando com terrível, imenso ágio.
MARCOS LOURES
Estéreis os caminhos que buscais
A voz que em vós se torna mais potente
Por mais que uma ilusão ainda alente
Encontro por resposta o nunca mais.
Volvendo ao quanto fui e sei jamais
Seria enquanto a sorte prepotente
Mudando a minha estrada de repente
Impede o vislumbrar; longínquo cais.
O sonho que pensara; alvenaria,
Mas quando sem reboco ele se cria
Uma estrutura frágil se percebe
Ao vento do viver, fúria constante
E tudo desabando neste instante
Deixando a solidão tomando a sebe...
MARCOS LOURES
Envolto na neblina à madrugada
Encontro entre estas sombras o passado
Deitando mansamente do meu lado,
Imagem pelo tempo degradada
E nela vejo uma alma descarnada
E o gozo de um prazer abandonado
Aonde quis o amor bem albergado
A rota veste assim esfarrapada.
E quando poderia ter um gozo
Cadáver do que fui tão andrajoso
Exposto em esquelética visão
Demonstrando afinal a verdadeira
Face de uma vida corriqueira
Que aos poucos se entregando à podridão.
MARCOS LOURES
Aos poucos me entregando à podridão
Da qual não poderia vir a paz
Apenas esperança como antraz
Destrói o que restara da ilusão.
E sendo sempre assim somente o não
O quanto se buscara o nada traz
E vejo este retrato ora mordaz
E nele a minha vida ao rés do chão;
Ensimesmado tanto decifrar
Sinais que percebera no passado
Pensando ser imagem mais vulgar
E agora percebendo decomposto
O tanto que julgara encarcerado
Pagando a cada dia um alto imposto.
MARCOS LOURES
A morte se propondo num noivado
Deitando seus prazeres, riso e pranto,
E quanto mais me entrego ao seu encanto
O rio em seu trajeto, desviado,
Permite que se veja retratado
O manso desafio onde levanto
O que pensara outrora noutro tanto
Deixado como um barco, abandonado.
Existe ou não suporte após tal ida?
A que se resumira a minha vida
Se tudo mais se foi, somente aqui
Restando este cadáver quase inerte,
Se o todo num vazio se converte
Uma esperança aquém, eu já perdi.
MARCOS LOURES
Floresce a mocidade em teu sorriso,
Mas sei que depois disso uma aridez
Tomando este caminho em que se fez
Um dia mais alegre e mais conciso.
Se na verdade tenho o preciso
Não posso me perder, insensatez,
Mas sei que a qualquer dia é minha vez
De ver se existe ou não tal Paraíso.
Amortalhando esta alma que se engelha
A porta se fechando à pele velha
Uma alma se perdendo; atrocidade
Mergulho neste espelho e vejo bem
Que a morte inebriante cedo vem
Aonde florescera a mocidade.
MARCOS LOURES
Um coração audaz, ora senil
Mesquinharias dita enquanto vê
O mundo que procura, mas cadê?
Se tudo o que sonhara já partiu,
Deixando tão somente a marca vil
Do quase ser feliz e sem por que
Deveras do passado em nada crê
Semente em solo seco, não se abriu.
Arcando com meus erros, nada mais
Do que pagar as contas que inda devo,
Não quero e não seria enfim longevo
Ao menos tive dias magistrais,
E agora ao ver que vida já se esgota
Decerto eu agradeço a minha cota...
MARCOS LOURES
A vida num enorme picadeiro
Transcorre cada dia sem que pense
Espetacular jogo circense
Que muda a cada instante, o derradeiro?
Além do trivial e corriqueiro
Não tendo quem deveras convence
Do quanto poderia se o non sense
Trouxesse um ar ao menos verdadeiro.
Bailando sobre os astros, trapezista
Funâmbulo traduz a própria vida
Jogada pelos cantos e esquecida
Equilibrando e tendo quem assista
A sorte jamais muda rumo e idéia
Agradecendo em morte à vã platéia.
MARCOS LOURES
Há tanto que não sei o teu carinho
Distante de teus olhos, sigo só
E quando retornar ao velho pó
Decerto saberei bem o caminho,
E quando da saudade me avizinho,
De mim mesmo, querida, sinto dó,
O quanto desejei, a vida, um mó
Destroça e nada deixa, sequer ninho.
Adeus ou até mais, o quanto fomos
Apenas as lembranças destes gomos
Permitem que se veja apodrecida
A fruta pela qual fui tão feliz
E agora a realidade já desdiz
Resumindo afinal a própria vida.
MARCOS LOURES
Na vida como um Sátiro somente
Que há tanto se perdeu, tosco bufão
Encontra no final a solidão,
Colhendo o que plantara vil semente
O quanto a fantasia já nos mente
Negando as desventuras que virão
Permitem ao poeta a decisão
Que julgo necessária e tão premente
De ter em suas mãos além do vago
A plena realidade em que se insere,
E quando a vida aos poços degenere
Que tenha pelo menos este afago
Da glória do sorriso frente espelho,
Narcísico caminho, o que aconselho.
MARCOS LOURES
Dantescas emoções, dores constantes
À sombra dos ciprestes do passado
Adentro o meu caminho, e vejo o prado
Por onde desvendara por instantes
Os dias que pensara radiantes
Morrendo em turbulência, derrotado
O barco na tempesta derrocado,
Sorrisos de ironia, provocantes
Desprendes com total sarcasmo e vês
O todo se mostrando em altivez
Deixando no passado a luz que outrora
Já fora a companheira preferida
E agora a cada dia mais se acida
Enquanto a dor renasce e revigora.
MARCOS LOURES
Tu lanças dos teus olhos brilhos fartos
E beijo cada raio desta luz
Que enquanto me tocando reproduz
Momentos divinais, dosséis e quartos,
A vida se refaz em vários partos
E a cada novo tempo nos conduz
Mudando vez em quando o foco, e nus
Percebemos decerto nossos pratos.
Assim não poderia ter deserto
O quanto se pretende ver por perto
Desejos entre formas e maçãs.
Assídua maravilha dor e riso,
O lucro predispõe ao prejuízo
Assim em sol e nuvens,as manhãs.
MARCOS LOURES
Lampejos de uma vida, riso e dor
Descreves com total clarividência
O quanto não se faz em coincidência
O tempo que deveras muda a cor
E sendo uma intempérie, este louvor
Tomando já de assalto a consciência
Desvenda-se com toda paciência
Bendito e assustador, divino amor.
Aos seus caminhos luzes, trevas, medo,
Se o todo que deseja enfim concedo
Aprofundando então este contraste
Da sombra com a fonte que irradia
Nas mãos trazendo o dom da poesia,
No quanto mais se dá, mais se desgaste.
MARCOS LOURES
Sentindo-me perdido em vã procura
Deixando o coração à revelia
E quando esta emoção já fantasia
A noite se aproxima sempre escura,
O tanto que desejo e não se cura
Apenas o vazio se recria
E nele se desnuda esta agonia
Que leva, paulatina a tal loucura.
Não posso me calar perante o nada
Que ronda a minha vida e não me deixa
Soltando aos Céus, a voz que é feita em queixa
Navego em turbilhões procela tanta
E quando ao fim da tarde anunciada
Sentindo que virás minha alma canta..,
MARCOS LOURES
Antigos versos, velhos romanceiros
Falando de um desejo que acalento
O quanto o mundo torna violento
Os dias; medos vivos, corriqueiros,
Os verbos no passado verdadeiros
Mostrando o que deveras inda tento,
E quando me percebo desatento
Das serpes adentrando os seus viveiros.
Argutas ilusões inda carrego,
Mas quando me percebo tolo e cego
Dos pregos e das travas, trevas dito,
E sendo assim o tempo em que vivemos,
Além do que pensara já perdemos,
Perdendo-se no nada, inútil grito.
MARCOS LOURES
Enquanto me conquistas, assassinas
A quem te desejara tanto e traz
Além do que em prazer te satisfaz
E extrai de cada ser, anseios, sinas.
As horas que eu tivera, cristalinas
Bebendo mansamente o riso e a paz
Agora esta presença tão mordaz
Transforma em dores fartas e ladinas.
Mesquinhos os delírios de quem ama
E quando se apagando a pira, a chama
Deixando imagem pálida e tristonha,
E tens no teu olhar tanto poder
Por mais que uma alma lute, eu posso ver
Apenas esta face má, bisonha.
MARCOS LOURES
Mesmo que a tanta dor eu já me oponha
Por mais que inda relute nada faço
E quanto mais reajo,um ímã e aço
Fulguras carismática e medonha.
E quando no passado vi risonha
A bela que se dando num abraço
Destino traiçoeiro dita o traço
Do canto original, alma envergonha.
Audazes madrugadas, noites quentes,
Agora ao perceber que nada sentes
A alma se transtorna e vai tristonha,
Mas quando em solidão, tola esperança
Quem tanto se feriu, à luz se lança,
E incauto navegante, ainda sonha
MARCOS LOURES
Destroços de um amor, meras ruínas
O que pensara feito em firmes bases
Do quanto da verdade tu defases
Decreta o variável de vãs sinas.
Porquanto tanto domas e fascinas
E mostras no caminho várias fases
Momentos que julgara mais audazes
Mordazes, em mentiras cristalinas.
O quanto me entreguei e não sabia
Da falsa e tormentosa alegoria
Trazendo ao sonhador, diversas minas
Das quais ao me fartar, tanto inebrio,
E quando me percebo, estou vazio
Da noite constelar, moldas neblinas
E serpe desvairada, insana e má,
Sentir tua presença enquanto já
Em vários rumos desatinas.
MARCOS LOURES
Percebo ser inútil tal tesouro
Que há tanto se escondera em outras terras
Mostrando a realidade aonde encerras
O que pensara ser mais duradouro,
E quando no vazio assim me douro
Deitando uma esperança, logo cerras
As portas que deveras tu emperras
Matando o meu amor no nascedouro.
Perceba quão vazio teu futuro
E nele o tanto quanto inda procuro
Perdura-se no nada que tu és,
Medonha caricata inda se ri
E vejo retratada assim em ti
A marca dolorida das galés.
MARCOS LOURES
Que há tanto se escondera em outras terras
Mostrando a realidade aonde encerras
O que pensara ser mais duradouro,
E quando no vazio assim me douro
Deitando uma esperança, logo cerras
As portas que deveras tu emperras
Matando o meu amor no nascedouro.
Perceba quão vazio teu futuro
E nele o tanto quanto inda procuro
Perdura-se no nada que tu és,
Medonha caricata inda se ri
E vejo retratada assim em ti
A marca dolorida das galés.
MARCOS LOURES
Não mais tentar a sorte que se opõe
Ao rito feito em luz e liberdade,
Aonde se tentou felicidade
A vida rotineira decompõe
Esboço a reação, nada repõe
Os dias que perdi, o medo invade
E traz dentro de si a tempestade
À qual um caminheiro assim se expõe.
Amar sem ser amado? Nunca mais,
Além do que deveras desejais
Eu vos imploro apenas mansidão,
Mas mesmo que relute chego a vós
Rainha, deusa e diva meu algoz
Traduzes as borrascas que virão...
MARCOS LOURES
Quem toma os meus sentidos e naufraga
Os sonhos de um estúpido poeta,
Enquanto uma esperança esta alma veta
Apenas solidão ainda afaga
Na boca do vazio, imensa draga
Que trama a morte em vida, fria meta
De quem ao se entregar não se completa
Na mão de quem amara vê a adaga.
E sabe muito bem que nada após
Terá e ao mesmo instante seduzido
Tomada pela insânia da libido
Já não consegue mais soltar a voz,
O quanto na verdade sobrevivo,
Um verme quase morto, inexpressivo.
MARCOS LOURES
Uma alma soberana, apenas isso
O que desejo agora, paz e luz,
E quando à realidade me conduz
O tempo pelo qual jamais me viço
O mundo se mostrando alagadiço
Nos olhos da esperança vejo o pus
E trago em cada verso que compus
O medo de viver. Vão compromisso.
Esqueço dos meus dias mais felizes
Que embora não deixassem cicatrizes
Ao menos trairiam lenitivo
E quando vejo a sombra do que eu era
Realidade atroz, temível fera
Pregos e espinhos; traz, deles me crivo.
MARCOS LOURES
Hiberna o coração de quem outrora
Durante muito tempo se iludiu
E quando esta verdade enfim surgiu
Prazer já se esquivando não demora,
Apenas solidão inda decora
Depois que esta esperança assim ruiu
E todo grande amor se dividiu
Sobrando este vazio que ora aflora;
Servir sem ter sequer a recompensa
Do amor que pelo menos já convença
Mostrando ao fim do túnel tênue luz,
Se um dia fui dos sonhos serviçal
Amordaçado vejo o meu final
Ao qual inutilmente tanto opus.
MARCOS LOURES
Ternura que buscara inutilmente
Durante alguns momentos o holofote
E mesmo de um poeta tolo, o mote
Caminho que a verdade já desmente
Por mais que uma ilusão inda freqüente
Não posso ter o doce, pois o pode
Encontro lacerado; mas anote
A vida muda o rumo de repente.
Quem sabe uma bonança ou mesmo o riso
Após a chuva intensa, este granizo
Tomando o meu quintal, matando o que
Durante muitos anos temperava
A sorte que desfeita em fúria e lava
Procura uma alegria, mas cadê?
MARCOS LOURES
Enquanto a solidão, amor engana,
Somente uma expressão da nostalgia
Que a cada anoitecer já se recria
E traz a desventura, tão profana.
Queria ter nas mãos a soberana
Vontade de viver, mas fantasia
Matando o que teimara em alegria
Deixando leve rastro em voz mundana.
As dívidas que trago do passado,
O amor há tanto sinto abandonado
Restando este retrato onde recrio
Imensas galerias onde exponho
O quadro deste encanto que, medonho
Transborda num verão, intenso frio...
MARCOS LOURES
Enquanto tu mijavas não sabia
Que a vida continua e mesmo assim,
Quiseste dominar e tudo enfim
Transforma-se em diversa alegoria,
Urina sobre as sortes desafia
Matando em aridez o meu jardim,
Se todo o caminhar diz de onde vim
Penico transbordando em noite fria.
Seduzes com teus lábios, porém cagas
Fazendo uma arruaça no banheiro,
E tendo minhas dívidas já pagas
Não posso mais sentir quão é profunda
A dor e quando dela enfim me inteiro
Entalas na privada a imensa bunda.
MARCOS LOURES
Que faço desta sina aventureira
Destroços acumulo e nada mais,
Aonde imaginara magistrais
Momentos, sorte tola e lisonjeira
De todas na verdade és a primeira
Dos sonhos que proponho um manso cais,
Perder-te, meu amor, não quis jamais
Tu foste do viver rara bandeira
Agora te percebo e sinto ausente
O quanto em desamor tudo desmente,
A sorte se mostrando frágil nau,
Enquanto noutra senda desferias
Sorrisos traiçoeiros, mãos vazias
Preferes perereca ao meu bilau.
MARCOS LOURES
Chagásica presença do passado,
Mostrando quanto a dor se faz imensa
A vida não promete e recompensa
Quem teve esta má sorte, desolado,
O pútrido fantoche descarnado
Matéria sendo outrora firme e densa
Imagem macilenta que convença
Do tempo pelo tempo abandonado;
E penso quão difícil caminhar
Esgoto minhas forças, agonizo
E vejo que se fez neve e granizo
O que pensara outrora ser luar
Caíste; embora eu creia que sem dolo
Com todo o seu bundão sobre o meu colo.
MARCOS LOURES
Escondem-se nas sombras rapineiros
Que tanto destruindo deixam caos
Aonde se pudesse por as naus
De dias mais felizes, corriqueiros,
Esgueiram-se deveras nos banheiros
Brincando com miúdos, brochas paus
Sonhando com diversos bacalhaus,
Escusos estes pobres punheteiros.
Pudessem ter a sorte de um orgasmo
Que possa com outrem compartilhar
Teriam outra forma de brincar
A dor que se expressando em face alheia
Enquanto à velha corja ora incendeia
Sozinhos, contraídos num espasmo...
MARCOS LOURES
A bela e nobre dama demonstrando
Sorrisos tão gentis; plastificados,
Olhares de soslaio perfilados,
Mostrando um ar audaz, porém tão brando
E quando desta dama se notando
Momentos com certeza delicados,
Falando de banquete e convidados
E sobre toda a plebe assim reinando
Beleza eternizada; igual, não vi
Nas tramas e magias, bisturi
Jamais conhecerá tal derrocada,
Porém um rosto assim feito escultura
Trazendo a bela imagem que perdura
Não muda nem sequer numa mancada...
MARCOS LOURES
Suave melodia se espalhando
Desvios entre mares, ruas, rotas
E quando destes sonhos, bela, brotas
As dores escapando em tosco bando
O tempo se divide desde quando
Notando esta alegria, estas compotas
Abertas alagando além das cotas
Mudando a direção e me levando
Além do que pudera imaginar,
Raiando nos teus olhos, o luar
Bebendo desta intensa claridade
Viver a poesia de saber
Que em ti, querida encontro este prazer
Por mais que uma tristeza ao largo, brade.
MARCOS LOURES
Passando por teus olhos os romeiros
Que seguem passeatas e cortejos
Trazendo em suas mãos, velhos desejos
Momentos tão comuns e corriqueiros
Por onde se encontraram verdadeiros
Os dias que transformam relampejos
Em fonte de prazer, nos azulejos
Os céus se transbordando, mensageiros
Do tempo em que saber tranqüilidade
Será bem mais comum, e tanto agrade
A quem se dando assim; recebe em troca
O amor que na verdade se provoca
Durante a caminhada pela vida,
Nas bênçãos de um amor, se fez urdida...
MARCOS LOURES
Que seguem passeatas e cortejos
Trazendo em suas mãos, velhos desejos
Momentos tão comuns e corriqueiros
Por onde se encontraram verdadeiros
Os dias que transformam relampejos
Em fonte de prazer, nos azulejos
Os céus se transbordando, mensageiros
Do tempo em que saber tranqüilidade
Será bem mais comum, e tanto agrade
A quem se dando assim; recebe em troca
O amor que na verdade se provoca
Durante a caminhada pela vida,
Nas bênçãos de um amor, se fez urdida...
MARCOS LOURES
domingo, 20 de maio de 2018
Olhando este passado, sigo assombrado
Vivendo o que talvez não mais pudesse
E tendo em minhas mãos, o medo e a prece,
O gozo em sofrimento, malfadado,
O quanto fui feliz tendo ao meu lado
O amor que tanto quer quanto oferece
E sei que quem deseja enfim padece
O tempo de sonhar; sinto esgotado,
As minhas mãos agora estão vazias
E quanto mais queria, tu fugias
Urdindo no final, este abandono.
E quando da esperança o sonho clono
Vislumbro ao fim de tudo, o que sou eu
Andante cavaleiro se perdeu...
MARCOS LOURES
Pesando sobre mim tais cordilheiras
Aonde quis a sorte que se fosse
Quem tanto procurei, e só me trouxe
Mentiras, falsas pedras lisonjeiras.
E tendo nos meus olhos, verdadeiras
Mensagens de outro tempo bem mais doce
O quanto desejei e assim findou-se
Sombrias madrugadas; não me queiras
E sigas teu caminho não me tragas
Palavras que se fazem quais adagas
E marcam com total profundidade,
Por mais que isto talvez seja mesquinho
Prefiro a solidão neste caminho,
Pois nela reconheço a liberdade.
MARCOS LOURES
Não quero qualquer súplica nem prece,
Apenas esta paz que tanto busco,
O dia sendo amargo; tenso e fusco
Traduz além do sonho que oferece
E quando em falsas cores inda tece
O quão pensara ameno sendo brusco
Nas sombras deste vão insano ofusco
E teimo em caminhar quando escurece.
Não posso sonegar que uma lanterna
Traria uma esperança em noite terna,
Mas quando me recordo dos teus ais,
Encontro sufocado o meu passado,
E sigo sem destino já traçado,
Apenas não te quero, nunca mais.
MARCOS LOURES
A Diva que com Diva já se entende
Deixando a própria Safo envergonhada
Adentra sem pudores madrugada
E nela noutra senda já se estende,
No quanto do prazer Musa depende
Se expressando na força derramada
Enquanto no prazer, pré-destinada
A chama poderosa ali se acende.
A lua em plena lua se sacia
E deita amor profano em alegria,
Belezas se esparramam pela praia,
E quando o navegante quis sereia
Incêndio em fogaréu o fogo ateia
E levanta suave sua saia...
MARCOS LOURES
Mulher que tanto quero e nada quer
Vestindo esta ilusão, seguindo os passos
Percebo que talvez encontre lassos
Os dias em que a fonte se vier
Trará eternidade e se puder
Rendido ao ocupar tantos espaços
Vagando pelas ruas, poços, paços
Encontro o que buscava: esta mulher.
E sei o quanto é bom saber que existe
Quem mesmo me deixando ausente e triste
Desfila tal beleza que inebria
Julgara se deveras impossível,
E agora que te vejo sendo crível
Além de simplesmente fantasia.
MARCOS LOURES
Olhando para o espelho tu te vês
E quando te percebes; sendo bela
O amor que pelo belo se revela
E nele encontrarás os teus porquês
E nisto tão somente ainda crês
E o mundo do outro lado se congela,
Imaginando agora a própria tela
Na qual te emolduraste: insensatez?
Só sei que não me queres e também
Não sei se quando alguém ainda vem
Desejas os carinhos que te fazes.
Assim vivendo linda e solitária
Imagem refletida sendo vária
Não sabes quanto vida dita em fases.
MARCOS LOURES
Atalho que procuro ainda leva
O sonho para quem tanto queria
Assim ao ser exposta a fantasia
A sorte se transforma e já te eleva
A vida sendo ou não parca ou longeva
Não pode suportar mesquinharia
E tudo o que deveras te traria
Distante do que agora sinto em treva
Espalha belos cantos pelos ares
E sabe muito bem quando cantares
Que toda a natureza encontra a festa.
E toda esta alegria; compartilhas
Trazendo para mim tais maravilhas
Às quais o amor intenso já se empresta.
MARCOS LOURES
Escondes dentre em ti tais maravilhas
Envolta em pedrarias, rica fonte
Por mais que a fantasia desaponte
Em ti encontro sempre mansas trilhas,
A vida se prepara em armadilhas
E a luz que se irradia no horizonte
Podendo ou não quem sabe ser a ponte
Que ligando dois corpos quando brilhas.
Exímios caminheiros do passado
Aonde se pensara destroçado
Soergue-se este amor e nele vejo
Além de simplesmente céu e lua,
Amante delicada, alma flutua
Tocada pelas mãos deste desejo.
MARCOS LOURES
O mundo traz o sangue e a liberdade
E neles adivinho morte e glória
Assim ao decorrer da nossa história
Embora uma verdade desagrade,
Herói de vez em quando o mundo invade
E traz dentro de si, farta vanglória
Depois ao conseguir qualquer vitória
Um passo pra colher a eternidade.
E assim em podridão seguimos todos,
Envoltos pelas lamas, torpes lodos,
Na busca de viver tranquilamente,
Mas saiba quantas vezes é enganosa
E mesmo noutras tantas, caprichosa
Verdade de quem vence, sempre mente.
MARCOS LOURES
A luz da qual se emana o ser real
É fosca e muitas vezes mais sombria
Porquanto é que a verdade só se guia
No gozo de um momento triunfal,
Assim se fez o mundo em desigual
Caminho baseado na sangria
E quanto mais o escravo se vendia
Vergasta se tornava um ritual,
Até quando não sei, mas se repete
A mesma ladainha do passado,
E o mundo por dinheiro governado
- O sexo, neste caso, uma vedete-
Expondo a podridão de cada ser
Que vive tão somente pro prazer.
MARCOS LOURES
A massa se desfaz e não consegue
Sentir o quanto vale a força unida,
Assim a sorte sendo decidida
Nas mãos de quem deveras a carregue
Por mais que a realidade não sonegue
A cada novo tempo mais se agrida
A luta que se mostra tão renhida
Por terras tão distantes vã, trafegue.
Em nome de qualquer deus ou mentira
Humanidade ao torpe afã se atira
E come dos destroços, canibal,
Abutre que se mostra eternamente
O mundo sem descanso sempre sente
O gozo deste insano vendaval.
MARCOS LOURES
Vergonha se expressando em guerra e fome
Ainda verdadeira a profecia
Que aos poucos nas esquinas se traria
O fogo sem igual que nos consome.
Portanto se percebe quem não come
Na dura realidade tal orgia
Sarcasmo se transforma em zombaria
E a fera não encontra quem a dome.
Ilíadas diversas do presente,
Assim caminha ao fim, quem se fez nobre,
E pelo desatino, se descobre
O quanto do vazio violente
Os sonhos de justiça e liberdade
Que tomam desde sempre a humanidade.
MARCOS LOURES
Escondem-se cadáveres nas ruas
Prostituídos tempos insepultos
E quando mal vislumbro os mesmos vultos
Encontro as tais verdades sempre nuas.
Porém tu nada vês e até flutuas
Pensando que meus versos são insultos
Os povos mais atrozes? Os mais cultos,
Enquanto tu te omites, nisto atuas.
Os dedos apontando esta carcaça
Ao lado do tropel que esnobe passa
Nos caros magazines, capital
Tornando a realidade mais atroz
Se homem tal qual um lobo é dele algoz
O que falar então de um animal?
MARCOS LOURES
A cada tempo vejo a mesma face
Da fera que na fera reproduz
Tomando do futuro qualquer luz
Causando desde sempre o velho impasse.
Por mais que o tempo avance e o mundo passe
As novas gerações comem da cruz
E matam, sem saber, Cristo Jesus
Num gozo insuperável que o desgrace.
Mortalha acompanhando este primata
Endeusa-se e decerto come e mata
O que puder em nome do dinheiro,
Assim este sacrário feito em Terra
A porta do amanhã, deveras cerra
Numa assombrosa imagem: um puteiro.
MARCOS LOURES
Venturas que teu corpo me convida
Adentro paraísos e percebo
Que tudo de melhora em ti; recebo
Prazer que dá razão à própria vida,
Viaja por estrelas, distraída
E sabes tanto quanto aqui eu bebo
Além da fantasia que concebo
A sorte que eu buscara, merecida.
Assim ao navegarmos noite afora
O quando do desejo já se aflora
E deixemos seguir tal correnteza,
O amor se faz completa refeição
E nele, com certeza sou glutão,
Só falta meu amor, a sobremesa...
MARCOS LOURES
Estrelas a brilhar em noite estranha
Aonde se percebe a dor e o vento
Tramando muito além do sentimento
A cada vez que a vejo mais entranha.
Seria como ter desta montanha
Imensidade plena, e me atormento
Vivendo sem sequer saber se inda freqüento
O pensamento teu, teu rumo e sanha.
Aos poucos se nublando relampeja
A fúria da Natura, ora sobeja
Demonstra-se nos raios e trovões
Volúpia em temporais e fogaréus
A lua se escondendo sobre os véus
Espalha-se acolá, nos meus sertões.
MARCOS LOURES
Erguendo sobre o cimo deste monte
A lua se desnuda por completo,
Cenário que percebo o predileto
Tomando num momento este horizonte
E enquanto este luar além desponte
Qual fora uma falena, um mero inseto
Inebriado encontro e me completo
Nos raios, do prazer e morte, fonte.
A angústia de se ver tão solitário
Tramando este tormento amado e vário
Moldando ao mesmo tempo dor e gozo.
Nas sendas mais distantes irradia
A tempestade em forma de alegria
E o vento se lançando caprichoso.
MARCOS LOURES
Ouvindo tão distante qual alarme
O brado de quem tanto quis um dia,
Agora transformado em agonia,
Sentindo a cada instante maltratar-me,
E tendo da esperança este desarme
Apenas o vazio é que se cria
Lamento torna a noite bem mais fria,
É como se viesse desnudar-me.
E tudo o que pensara se perdendo
A sorte simplesmente assim te vendo
Derrama-se por sobre o casarão,
Tragando alguma luz que inda restara,
É como se o viver parasse para
Poder sentir as neves que virão.
MARCOS LOURES
O que se fez loucura após, tornou-se
Apenas referência para os dias
Alheios aos vazios que trazias
Talvez inda trouxessem manso e doce
O quanto que se quer e nos remoce
Tramando estas loucuras, fantasias
Dourando no final as utopias
E tanto que te quis finda, acabou-se.
Agora não pergunto mais ao tempo
Se tudo não passou de passatempo
Passado impasses traz a quem delira,
Poeta se fazendo um penitente
A cada vão instante se pressente
A morte do que fora sonho e lira...
MARCOS LOURES
A morte do poeta e o nada são
Figuras que se tocam, na verdade
Enquanto a solidão ainda invade
O tempo se tornando negação
Do quanto quis tomar a direção
E tendo a ventania que degrade,
Apenas encontrando frio e grade
Estrelas espalhadas pelo chão
Medonhas esperanças, tosco fim
Dizendo do que outrora fora assim
E ainda permanece inalterado,
Nascido nas divinas alterosas,
Plantando e recolhendo espinho e rosas
O trovador se perde no passado.
MARCOS LOURES
Aonde se plantara esta ilusão
Colheita se abortando em dissabores
Se quando prosseguir por onde fores
Verás as fantasias que estarão
Deitadas sobre a terra, podre grão
Encharcado de sonhos sedutores
E morto, no correr dos meus amores
Eterno inverno aborta este verão.
Auspiciosamente a vida engana
E quando se imagina soberana
Desdita toma todo este caminho,
E sendo um velho e tolo sonhador
Do nada que surgi, ao nada for
Nas tramas do vazio eu já alinho.
MARCOS LOURES
Ao vê-la desfilando em noite clara
A lua se enamora e já se entrega
Aos teus delírios, sinto nesta entrega
O quanto em poesia amor se aclara,
Deitando em fantasia nobre e rara
Assoma-se o calor e em ti navega
O brilho estonteante que me cega
E todo amor a ti, lua declara.
Amante dos luares, deusa nua,
Uma alma tão sutil, leve flutua
E enquanto me atormento, enciumado
Não posso contra a força do luar
E mesmo se quisesse ao te encontrar
Também, quem sabe, enfim, enluarado.
MARCOS LOURES
Azulejando o céu, o sol se encanta
E bebe a mansidão deste riacho,
O quanto procurara e enfim eu acho
O amor que me entranhando em força tanta
No quase ser feliz, um mero facho
Transtorna o coração e se levanta
Ardência entre fulgores já me espanta
Realça da esperança cada cacho
E toda a maravilha feita em brilhos
Tomando os corações vãos andarilhos
Entornando entre nós a melodia
Que inebriadamente nos domina,
E vendo a placidez da fonte e mina,
O sol enamorado se sacia.
MARCOS LOURES
A lua se esparrama em luzes fartas
E sobre estas veredas, traz no brilho
O quanto enamorado maravilho
Por mais que dos meus sonhos já te apartas
E quando as horas passam e descartas
Ao longe ainda escuto em estribilho
O som da tua voz e cego eu trilho
Jogando neste instante últimas cartas.
E sei que na verdade não terei
Distante do caminho que entranhei
Estás e até por isso nada escutas.
E quando me aproximo e chego a ti
Percebo então, que tudo enfim perdi,
E até para me ouvir, sinto, relutas.
MARCOS LOURES
Silente madrugada e não me escutas,
Deixando para trás sonhos e festa,
Do quanto desejei e nada resta,
Apenas as lembranças destas lutas
Das quais e pelas quais, sei que relutas
E toda a mansidão já não se empresta,
O quanto desejei amor não gesta
Apenas as palavras vãs e astutas.
Resistes ao meu canto e sei por que
Quem tanto tempo ainda nada vê
E sabe, mas prefere nem ouvir
Concebe a cada tempo a negação,
E mesmo estas estrelas saberão
Do quão vazio então, ledo porvir...
MARCOS LOURES
Deixando para trás sonhos e festa,
Do quanto desejei e nada resta,
Apenas as lembranças destas lutas
Das quais e pelas quais, sei que relutas
E toda a mansidão já não se empresta,
O quanto desejei amor não gesta
Apenas as palavras vãs e astutas.
Resistes ao meu canto e sei por que
Quem tanto tempo ainda nada vê
E sabe, mas prefere nem ouvir
Concebe a cada tempo a negação,
E mesmo estas estrelas saberão
Do quão vazio então, ledo porvir...
MARCOS LOURES
No canto mais audaz ao mais sombrio,
Restaurações diversas de um momento
Aonde se percebe em desalento
Futuro como um nobre desafio,
Do labirinto às perco o fio
Saída para tal? Não alimento,
Tampouco vejo ali este incremento
Que possa garantir colheita, estio.
Esbarro nos seus ermos e me vejo
A mera conseqüência de um desejo
Gerando; do desejo, outro viver
Eternizando assim a nossa história
O amor em sua luz farta vanglória
Onisciente sabe o seu poder.
MARCOS LOURES
Dos bíblicos caminhos ao futuro
Metamorfoses várias presumidas
Mutantes emoções ditando vidas
No porto em ruínas tento o mais seguro
Enquanto nesta estância eu me perduro
Somente não suporto tais ermidas,
Gestando em tons diversos, resumidas
Histórias ultrapassam qualquer muro.
Imenso e sedutor deus e demônio
Domínio da razão e em puro hormônio
Escravo que fascina e nos cativa,
À sombra deste ser onipresente
O quanto se reluta e não se sente
Uma alma para o eterno sobreviva.
MARCOS LOURES
No granular da vida desde o início
O amor gerando além a eternidade,
E traz a dor em plena liberdade
Deste apogeu ao vasto precipício,
O amor é na verdade um santo vício
Que traça a mais sublime insanidade,
Gestando e já parindo a claridade
Também na turva face um santo ofício.
Escravizando ao tempo em que liberta,
O vândalo, este pária sem juízo,
Condena ao terrível Paraíso
Enquanto me alimenta já deserta,
Oásis neste mundo em tez sombria,
Ao mesmo tempo em luz, dor e agonia.
MARCOS LOURES
Ausento-me de ter um julgamento
Apenas retratista em miopia,
O amor perfeito eu sei ser utopia,
Mas sei também do imenso envolvimento
E nesta essência rara eu me alimento
O quanto a cada instante ele me guia,
E gera a solitária fantasia
Tomando ora de assalto o pensamento.
Apraza-me e também já desespera
Beleza traiçoeira da pantera,
Neste risco inerente eu me sacio.
E tento a cada verso desenhar
As várias faces loucas de um amar
Na turbulência plácida do rio.
MARCOS LOURES
Dos ermos solitários, das ermidas
Aos antros, lupanares, meretrizes
O amor entre os seus tons, vários matizes
Comanda e dita o rumo de tais vidas,
No quanto necessitas e duvidas
Esparsas violentas, loucas crises
E logo após em sonhos contradizes
E ao útero materno já regridas.
Na paz e na mortalha reina em glória
No quanto traz a vida em sua história
O amor nos transformando por inteiro
Um déspota gentil, um ente à parte
Enquanto acumulando já reparte,
Mas sempre com seu ar mais traiçoeiro.
MARCOS LOURES
Aprendo a cada instante ao ver além
Do quanto caberia no horizonte
Se amor é na verdade início e fonte
Do todo que o universo em si contém
Por vezes num olhar, duro desdém
Ou noutra face; a luz que em paz aponte
Da Terra ao mais etéreo, sendo a ponte
Trazendo no seu bojo o mal e o bem,
Atrelo-me aos seus vários caminhares
E quando perceberes e notares
Envolta pelas teias do menino
Erótico desejo em frenesi
Tentáculo diverso, eu me prendi
E neste emaranhado me alucino.
MARCOS LOURES
Movendo a própria vida desde quando
O gênese se fez de qualquer forma,
O amor um ser mutante que transforma
E segue pela vida transmudando,
Cenário às vezes calmo suave e brando
Enquanto a convergência dita a norma,
Mas quando em discrepância se deforma
E o todo num instante desabando.
Motivo de diversas desventuras
Ao mesmo tempo trama em mais seguras
Paisagens a beleza em primavera,
No outono do viver, eu me concedo
Ao procurar na essência este segredo
Que a cada geração se regenera.
MARCOS LOURES
Usando da palavra, meu cinzel
Em alabastro vário tento aqui
Compor o que talvez não percebi
Num rumo convergente inferno e Céu
Ousando na esperança este corcel
Singrando o que jamais eu conheci
Chegando num instante ou não a ti,
O tempo se desnuda bom, cruel.
A marca em cicatriz de um desamor,
Sorriso imaginário de quem ama,
E vence ou mesmo perde, mas na trama
Não teme e se mostrando ao seu dispor
Imagem e semelhança de um bom Deus;
Mas sabe ser satânico no adeus.
MARCOS LOURES
Apaziguando enquanto se porfia
No fio da navalha, a mansidão,
O amor em seu sutil diapasão
Gerando ou destroçando uma harmonia,
E nele se pressente a sinfonia
Tramada pelas cordas, coração,
Por vezes ao cevar em duro chão
Florada sem igual já colheria.
Resumos de promessas e mentiras
Verdades contrafeitas, relativas
Imagens adoradas e cativas
Um prisma iridescente, na verdade
É feito em divindade demoníaca
A fonte desejosa e afrodisíaca
Que em tal torrente inusitada nos invade.
MARCOS LOURES
Presume-se no amor a redenção,
Mas quando se transforma em dor e farpa
Gestando este penhasco, dura escarpa
Impede o que se quis navegação,
Por outras vezes dita sua norma
E traça em benfazeja caminhada
Na flórea maravilha de uma estrada
O amor tanto destrói quanto reforma,
Espúrio e ao mesmo tempo tão magnífico
Edênico ou hedônico é capaz
De provocar a guerra e sela a paz,
Não tendo em sua essência um ar pacífico,
Desnuda enquanto cobre em pedraria
E dana ao mesmo instante além nos guia.
MARCOS LOURES
Mas quando se transforma em dor e farpa
Gestando este penhasco, dura escarpa
Impede o que se quis navegação,
Por outras vezes dita sua norma
E traça em benfazeja caminhada
Na flórea maravilha de uma estrada
O amor tanto destrói quanto reforma,
Espúrio e ao mesmo tempo tão magnífico
Edênico ou hedônico é capaz
De provocar a guerra e sela a paz,
Não tendo em sua essência um ar pacífico,
Desnuda enquanto cobre em pedraria
E dana ao mesmo instante além nos guia.
MARCOS LOURES
Na faca, no punhal, unhas e dentes
Nos lábios e carinhos, nos domina
E quando muitas vezes me alucina
Amor ditando em si; clarividentes
Momentos onde nunca transparentes
Esboça e já renega qualquer mina,
A fúria que deveras determina
O quanto aonde e o tanto que inda sentes,
Eclético fantoche, este bufão,
Um tanto em ironia, ou precisão,
Resume uma existência ou a renega
Soberba divindade além do Olimpo
Caminho em discordância turvo ou limpo
Essência que nos guia, embora cega.
MARCOS LOURES
Dos ermos de um grotão ao mais sublime
Castelo em ouro feito; rege o amor
E neste mesmo ser que é multicor
A vida muitas vezes se redime,
Mas quando em turbulência gera o crime
E traz no olhar desdém medo e rancor
Um fato que em si mesmo é provedor
Além do quanto a vida ainda estime.
Esgarça-se e deveras regenera
O amor é caça, presa, dono e fera
Um déspota voraz, um libertário.
E tento discernir neste mosaico
Caleidoscópio em ar claro ou prosaico
Um mal raro e sobejo, e necessário...
MARCOS LOURES
Falar do amor em suas faces várias
Tentando desnudar este menino
Se tantas vezes nele eu me alucino
Em noites doloridas, solitárias.
Porém noutras diversas, solidárias,
O rito se mostrando cristalino
E neste verdejar esmeraldino
As ondas inclementes, temerárias,
Esgota-se em si mesmo o tal do amor,
E nele vejo sempre grã sabor
Perpetuando a vida sobre a Terra,
Nefasto e muitas vezes redentor,
No verso este lamento ou meu louvor,
A vida em mil facetas ele encerra.
MARCOS LOURES
Amor nobre mosaico em tons diversos
Em multiforme face se desnuda
No quanto muitas vezes nos ajuda
Ou mesmo em tais infernos vãos imersos,
E tendo em si assim os universos
Por onde a fantasia nos acuda
Ao mesmo tempo poda e gera a muda
Os polens pelos céus seguem dispersos,
Ao aspergir sublime maravilha
Às vezes o temor também polvilha
E traz dicotomias inerentes,
No farto e no tão pouco nos redime,
Erótico caminho, um deus sublime
Aonde a divindade enfim pressentes.
MARCOS LOURES
Egresso de outras eras; sigo em vão
Restando em labirintos meu caminho
Um Minotauro aguarda mais mesquinho
Nem Ariadne traz a solução
Os ermos de minha alma, solidão,
O parto renegado e vou sozinho
Fugazes esperanças, ledo ninho,
Apenas os restolhos sobrarão
Aonde houvera vida, vejo escombros
A sorte pesa e lanha sobre os ombros
De quem busca somente alguma paz.
Onírico cantor ensandecido,
O amor se perfazendo em vago olvido,
O sonho tão somente, um incapaz.
MARCOS LOURES
Hercúlea fantasia dita a messe
De quem se fez além de mero sonho,
No quanto em tal desenho eu me componho
E a vida na verdade já me esquece,
O passo rumo ao nada e a vida tece
O olhar agora tétrico e medonho,
Nas sendas do vazio ora me enfronho
E o rumo se inda existe não confesse.
Heréticas manhãs em turbulência
O amor ao renegar a florescência
Aborta a própria vida, estéril campo
Na fátua fantasia um ermo apenas
Ao longe em voz sombria tu me acenas
Estrela na verdade um pirilampo...
MARCOS LOURES
Fazendo da esperança
A cama aonde eu deito,
Quem sabe sendo aceito
No fim por quem avança
E sabe a confiança
Do amor que insatisfeito
Procura qualquer jeito
De ter esta aliança,
O medo em meu olhar
A noite sem luar
O sonho se perdendo,
A vida terminando
O coração em bando
A morte corroendo...
MARCOS LOURES
Eu amo e na verdade
O tempo não produz
Nem mais a velha luz
A dor agora invade
E diz desta saudade
Do tempo onde não pus
O sonho em medo e cruz,
Cadê felicidade?
Em cada trova eu tento
Falar no pensamento
De quem jamais eu vi,
O amor não tem escolha
E logo se recolha
Aonde eu me perdi.
MARCOS LOURES
Telhado de sapé
O olhar sem horizonte
Nem mesmo a velha ponte
Agora resta em pé,
O quanto tive em fé,
Mas seca a minha fonte,
Apenas medo aponte
Buscando tanto e até...
Deitando sob a lua
O sonho já flutua
E bebe cada estrela,
Aonde se escondeu
Se amor jamais foi meu
Como é que posso vê-la?
MARCOS LOURES
Um trovador que canta
Pensando na morena
Que longe nem acena
O tempo desencanta,
E a sorte que eu quis tanta
Apenas me envenena
Viola já se empena
A vida então se espanta
E nada mais consola
Nem mesmo esta viola
Guardada dentro em mim,
Ponteio uma saudade
A noite vem e invade
Estio no jardim.
MARCOS LOURES
Perdoa se eu chorar
A vida é mesmo assim,
Não tendo mais jardim
Não quero cultivar
Sequer saber luar
O tempo chega ao fim
Voltando de onde vim
Não tendo mais lugar,
O amor que não me quis
O sonho mais feliz,
Apenas pesadelos,
Pudesse da morena
Tocar boca pequena,
Mexer nos seus cabelos...
MARCOS LOURES
Um repentista apenas
Um trovador que sonha
E traz sempre risonha
Uma alma e nas pequenas
E poucas, raras cenas
Ainda se proponha
A ter o que componha
E logo me envenenas
A vida é mesmo assim
Começo, meio e fim
E nada repetindo,
O amor que tanto eu quis
Nem mesmo por um triz,
Meu tempo já partindo...
MARCOS LOURES
O coração ponteia
As cordas da viola
E bebe desta esmola
Na lua sempre cheia
O amor quando rodeia
E traz noutra sacola
A estrela e não decola,
Do nada se recheia
Uma alma abandonada
Nos vagos do sertão
E assim meu coração
Seguindo a mesma estrada
Não vendo quase nada
Nem rumo ou direção,
Procura a sua amada...
MARCOS LOURES
Preparo com o arado
O solo pro plantio
O amor eu desafio
E bebo o abandonado
Caminho desolado
E sei que é pleno estio
E tento além do rio
Um novo e manso prado,
Quem dera se pudesse
A vida se tropece
Nos passos de quem tenta,
Mas sei que nada disto
Existe e se eu insisto
Desdita é mais sedenta.
MARCOS LOURES
Mergulho no riacho
Em noite enluarada
Quem sabe a desejada
Estrela enfim eu acho,
A lua em cada facho
Permite iluminada
Além da própria estrada
Tocando cada cacho
Cabelos da morena
Que ao longe a vida acena
E traz esta esperança,
Porém luar se esconde
E amor já nem sei onde
Ainda a vista alcança?
MARCOS LOURES
Carrego no bornal
Estrelas onde pude
Viver a juventude
E agora muito mal
Resumo o meu passado
No canto mais cruel
E bebo deste fel
Do amor abandonado,
Pressinto o fim da estrada
E tento ainda ver
Além no amanhecer
E sei que não há nada
Somente a velha sombra
Do amor que tanto assombra.
MARCOS LOURES
A lua tece em teias
Diversa maravilha
Amor tomando a trilha
Enquanto me incendeias
Trazendo sempre cheias
As luas onde brilha
A sorte em armadilha
Que tanto tu receias,
E tento esta ciranda
A moça na varanda
O coração dispara
O tempo passa e nada
Apenas desejada
A noite imensa e clara.
MARCOS LOURES
Bebendo este aguardente
Que tanto me inebria
O amor em noite fria
Quem sabe se apresente
E mude totalmente
A vida tão vazia
Que nunca poderia
Traçar esta nascente,
A mina já secando
A seca destroçando
Inteira a minha lavra
O amor que já se foi
Rumino feito um boi
Dos sonhos? Nem palavra...
MARCOS LOURES
A vida sem cabresto
Em liberdade agora
No sol que se demora
O amor em cada gesto
Aprumo e agora empresto
A voz ao que se aflora
Do peito sem ter hora
E o gozo em paz; atesto
Morena mais faceira
A sorte que te queira
Também vai me querer?
Nas ruas da cidade
Apenas a saudade
Eu pude conhecer...
MARCOS LOURES
Se esconde por detrás
Do monte, a lua imensa
E nisto se convença
A vida em tom audaz
Que tanto já se faz
O quanto recompensa
E logo não compensa
E volto à dor tenaz.
Mas quando em ti estou
O tanto que raiou
Da argêntea maravilha
Presume nova senda,
E o tempo em luz se estenda
Na lua que polvilha.
MARCOS LOURES
A minha namorada
Vestida de promessa
Aos poucos me professa
A sorte anunciada
E trama outra jornada
Enquanto recomeça
Sem medo ou mesmo pressa
A vida em mansa estrada,
Lavrando assim meu solo,
Se às vezes eu me assolo
No fundo vou tranqüilo
Vagando em claridade
Nem nuvem mais invade
O campo onde desfilo.
MARCOS LOURES
Andando por poemas
Aonde pude outrora
Falar do que devora
Romper velhas algemas,
A sorte dita emblemas
O medo desancora
O amor já foi embora
E leva além seus lemas.
Olhando para trás
O quanto ainda traz
Da noite dentro em mim,
Versando sobre o vago
Em ânsias eu me alago
Regando este jardim.
MARCOS LOURES
Se bem que sempre expus
A minha face enquanto
Aos poucos me adianto
E tento ver a luz,
Cenário que produz
Ainda além tal manto
Alpendre onde eu me espanto
No corte em contraluz,
Amor amortalhado
Já não traduz mais nada,
As ânsias do pecado,
O risco que se assume,
A noite antes nublada
A lua sobre o cume...
MARCOS LOURES
Namoro, na verdade,
O tanto da ilusão
Aonde o coração
Aos poucos já degrade
E o quanto disto invade
Cerzindo a negação
Marcando com senão
Ausente claridade,
Medonha face exposta
No olhar de quem se gosta
O amor por vezes traça
O rumo em desvario
E sigo neste rio
Em dor, em riso e em Graça.
MARCOS LOURES
Esperam minha amada
As fases desta lua
Deitando imersa e nua
Nos ermos desta estrada,
A noite iluminada
O sonho em ti cultua
A deusa que flutua
E segue em madrugada
Galopa esta esperança
Aonde ao longe alcança
Estrelas em tropel,
E o tanto que pudera
No amor além da espera
Domar o próprio céu.
MARCOS LOURES
Os erros que talvez
Já nada me disseram
Ou mesmo desesperam
E matam onde vês
O corpo e já se finda
Além desta memória
O quanto quis em glória
E nada veio ainda
Somente a lua e trama
Na noite o que este dia
Jamais demonstraria
Em tênue e frágil chama,
Amar e ter no olhar
Inteiro o céu e o mar.
MARCOS LOURES
Já nada me disseram
Ou mesmo desesperam
E matam onde vês
O corpo e já se finda
Além desta memória
O quanto quis em glória
E nada veio ainda
Somente a lua e trama
Na noite o que este dia
Jamais demonstraria
Em tênue e frágil chama,
Amar e ter no olhar
Inteiro o céu e o mar.
MARCOS LOURES
Os sonhos que me dás
Na lua sertaneja
Que tanto mais deseja
Além da mera paz,
O passo mais audaz
Na frágua que se enseja
O coração troveja
E assim se satisfaz,
Cavalgo em noite imensa
Tropéis no quanto pensa
E reina em meu castelo
A dama em verso e sonho,
Em púrpura componho
E em nada enfim revelo.
MARCOS LOURES
Que acalma e já delira
A dádiva divina
E nela me fascina
A sorte onde se atira,
O quanto ouvindo a lira
Poética e ladina
A tez alabastrina
A vida noutra mira.
Ascendo aos meus encantos
E busco pelos cantos
Lavrar com meu rastelo
O mundo onde pudesse
Quem sabe esta benesse
E tento ou já revelo.
MARCOS LOURES
No amor de quase tudo
O quanto em liberdade
Alçando enquanto invade
O canto e não me iludo,
O sonho e nele eu mudo
O rumo e a realidade
Campônio na cidade
Por vezes quase mudo,
Hermético? Nem tanto
Apenas eu me espanto
Com toda a imensidão,
Do amor que rege a vida
E dita a despedida
Marcando esta estação.
MARCOS LOURES
Fazendo dos meus dias
Além do que pensara
Tomando esta seara
Aonde mais querias
Vencer as agonias
No encanto onde se ampara
A vida e se prepara
Colheita em alegrias
Assisto ao quanto pude
Viver em plenitude
Na imensa cordilheira
Andina maravilha
A sorte agora trilha
E bebe a vida inteira.
MARCOS LOURES
Amada que te quero
Além da própria vida
A sorte presumida
Num tempo menos fero,
O quanto sendo assim
Bem mais do que pudera
Eterna primavera
Em mágico jardim,
Resumos de promessas
Enquanto no passado
O sonho acalentado
Agora em paz, professas,
Ascendo ao mais superno
E chego além do eterno.
MARCOS LOURES
Penetra, mansamente
Os ermos vãos e furnas,
As ânsias que diuturnas
Dominam cada mente,
O amor jamais desmente
E trama em mais soturnas
Loucuras onde enfurnas
E bebes plenamente.
Perambulando em ti
O quanto eu me embebi
Do sonho, na verdade
Transcende ao próprio amor
E faz nascer a flor
No pólen saciedade.
MARCOS LOURES
Sabendo cada canto
Aonde poderia
Além da fantasia
Traçar o seu recanto,
O amor quando garanto
Invade a noite fria
E traz esta ardentia
Na qual eu quero tanto
A frágua que incendeia
Deitando em plena areia
Cevando este caminho
Seara majestosa
Enquanto a vida goza
De Deus eu me avizinho.
MARCOS LOURES
O canto que em meu canto
Ecoa e se renova
Coloca sempre à prova
O passo que adianto
Tentando além do tanto
A lua sempre nova,
Vagando em cada trova
E nela não me espanto
Com medos sem sentido,
O amor reproduzido
Na própria natureza
Uma iguaria rara
Que a vida nos prepara
E serve em lauta mesa.
MARCOS LOURES
Adentra nessas matas
O sonho bandeirante
E sente a cada instante
Aonde me arrebatas
As sortes em cascatas
Vibrando delirante
Caminho onde adiante
O passo onde reatas
O rumo em mesma face
Por onde que eu grasse
Contigo ali eu vou
Um servo? Não, nem amo,
Do árbol diverso ramo
Que amor em paz gerou.
MARCOS LOURES
Eu quero ser esta ave
Liberta em migração
E nesta imensidão
A vida sem entrave
O quanto nada agrave
Nem mesmo mostrarão
Os dias, solidão,
No coração a nave
Que possa além do mar
Deveras nos levar
Num mesmo e bom desenho,
No amor que nos guiasse
A vida sem impasse
É tudo o que eu contenho.
MARCOS LOURES
Invadem sua pele
Suores e rubores
Vagando sem temores
No quanto já se atrele
E assim amor nos sele
E leve aonde fores
Cerzindo em novas cores
O manto em que revele
Esta absoluta sorte
E nela se comporte
Além dos próprios seres
Imersos neste instante
Bem mais que um diamante
Se assim tu o perceberes.
MARCOS LOURES
Os dedos conhecendo
Caminhos já sabidos
E tanto percorridos
Num rumo que estupendo
Aos poucos vou revendo
E quando resumidos
Em todos os sentidos
O amor nos comovendo,
O pranto, o medo o orgasmo
O olhar sedento e pasmo
O risco; eu já não vejo
E quando além desejo
E nunca mais me privo
Do amor amo e cativo.
MARCOS LOURES
Na doce maciez
Do sonho em que me entranho
A cada passo um ganho
E nisto também vês
O olhar em lucidez
O rito outrora em lanho
Agora em bem tamanho
Além do que mais crês,
Cerzindo em ti minha alma
Uníssona, me acalma
E traz felicidade
O porto além do porto
E mesmo após já morto
O amor ainda invade.
MARCOS LOURES
Eu quero seu perfume
Roçando a minha pele
No todo que se atrele
Além do quanto rume
Meu passo em tanto ardume
Deveras me compele
E nisto se revele
A sorte em mesmo lume,
Vestindo a tua tez
O quanto já se fez
É pouco e quero além
Se um dia em despedia
Além da própria vida
O amor inda nos tem.
MARCOS LOURES
Dormindo do seu lado
Em sonhos tão diversos,
Porém os meus imersos
Nos teus, num desejado
Desenho já traçado
Além dos universos
Jamais sendo dispersos,
Um rumo pareado,
Cerzindo esta união
E nela se verão
Caminhos tão iguais
Embora em liberdade
O amor tanto me agrade
Em almas geminais.
MARCOS LOURES
Que trama cada sonho
No sonho refletido
E nisto concebido
Um ar bem mais risonho
No tanto que me ponho
O mar constituído
Nas tramas presumido
Um canto onde proponho
Além de meramente
O quanto já se sente
Deveras muito mais,
Numa constante luz
Em ti se reproduz
A própria essência, o cais.
MARCOS LOURES
Eu quero poder ser
Além do companheiro
Talvez o derradeiro
Num raro e bom prazer
Um cúmplice e querer
O tanto do canteiro
Que mostre o verdadeiro
Caminho a se vencer,
Em ti e neste tanto
Enquanto a dor espanto
Imerso em consonante
Desejo rumo além
No amor que nos contém
E penso a cada instante.
MARCOS LOURES
Não quero te falar
Das tantas inverdades
Guardadas nas saudades
Sem sol e sem luar,
Restando a divagar
No quanto ainda agrades
Diversas realidades
Ou mesmo o navegar
Por mares tão diversos
E neles os meus versos
No amor encontram cais,
E deixo esta vertente
Do sonho que inclemente
Não quero nunca mais.
MARCOS LOURES
Desejo que forjara
No coração sutil
E quando ali se viu
A vida bem mais clara
A sorte audaz e cara
O corte outrora vil
Agora em tom gentil
O amor já nos prepara
E traça em alegria
O quanto em novo dia
Pudesse dar certeza
De um farto e lauto insumo
Que agora em paz consumo
E toma a minha mesa.
MARCOS LOURES
Vivendo o que pensava
Durante tantos anos,
Em medos desenganos
O mundo em fúria e lava,
Agora já notava
O brilho em soberanos
Desejos nestes planos
Aonde escancarava
A sorte mais tranquila
Aonde o sol desfila
E gera esta alvorada
Razão para esperança?
Nascer esta criança
Há tanto; desejada.
MARCOS LOURES
Buscando sem ter bases
Apenas por saber
Do quanto possa ter
Ainda se te atrases
A vida em novas fases
E nisto algum prazer
Depois do anoitecer
A lua tu me trazes,
Resulto deste sonho
E nisto me proponho
Bem mais do que ao infausto
Já não quero o vazio
Se amor é desafio
Jamais foi holocausto.
MARCOS LOURES
Não quero dedicar
Somente o verso triste
Sabendo que inda existe
Ao longe algum luar
Aonde me entregar
No sonho que persiste
E sigo além e em riste
Talvez a divagar,
Mas sinto esta promessa
Do amor que se endereça
Ao passo mais além
E volto a ter a fé
No quanto ser quem é
O amor que ainda vem.
MARCOS LOURES
O fato de sonhar já não cabia
Em quem se fez mortalha e nada mais,
Os olhos seguem ledos temporais
E a noite se promete mais sombria,
Velhusco coração empedernido
O frágil trovador em plenas rugas
E o quanto ainda havia vens e sugas
Tornando o meu caminho sem sentido,
Esgarço em tons nefastos, mas quem sabe
Um dia pelo menos a mortalha
Que aos poucos se prepara e em mim se espalha
A torpe hipocrisia enfim se acabe,
E reste apenas nada do que fora,
Uma alma tantas vezes sonhadora...
MARCOS LOURES
Negando uma esperança a quem porfia
O mundo muitas vezes, mais ingrato
Transforma num escuso o bom retrato
E o canto na verdade em ironia,
O quanto resta em dor e hipocrisia
Aonde quis a paz de algum regato
O mar inunda tudo e enfim desato
O passo em tons doridos de agonia,
Mas quando o amor se faz talvez consiga
Gerar outra impressão bem mais amiga
E terminar o infausto do andarilho
Que tanto procurara simplesmente
A paz e sem ter nada a morte sente
No rumo em contra-senso onde palmilho.
MARCOS LOURES
Perpasso o meu olhar neste horizonte
E vejo a mesma tez amarga e vã
E busco qualquer luz noutra manhã
E nada além da bruma ora se aponte
O amor que poderia ser a fonte
Quem sabe noutro tempo em raro afã,
Porém a vida segue e tão malsã
Negando ao caminheiro a mera ponte,
Resumos de uma vida sem promessas
E nela com teus ermos me endereças
À sórdida loucura de quem tenta
Vencer esta explosão com calmaria
E o manto em turvas cenas se cerzia
Funesto caminhar em tez sangrenta.
MARCOS LOURES
O amor se traduzira indiferença
E o quanto pude crer já não se sente
Apenas solidão que impertinente
Renega qualquer sonho e mata a crença
Aquém do que deveras uma alma pensa
O sonho se esvaindo de repente,
O manto se transforma e um penitente
Vagando pela noite escura e densa.
Ocasos da esperança; nada vejo,
Somente o sofrimento a cada ensejo
Reinando sem defesas sobre tudo,
E quando em sonho apenas me transformo
No vago e inconsistente já deformo
E sigo sem razões, e assim me iludo.
MARCOS LOURES
Vulcânica erupção das ilusões,
Resgates deste sonho juvenil,
O sonho num instante em vão reviu
O quanto a vida nega e decompões.
Num execrável mundo em tais senões
Aonde quis um passo mais sutil,
Quem sabe o caminhar manso e gentil
Mudando com certeza as estações.
O amor que talvez fosse um porto, um cais
Agora se ausentando e nunca mais
Verei ancoradouro mais seguro,
Vacante coração em face escusa
A sorte se inda existe já não cruza
Caminhos onde a paz; quero e procuro.
MARCOS LOURES
Paixão que se renega e já desfaz
Um reino imaginário, hoje avassala
E toma sem pensar o quarto e a sala,
A imagem dolorosa e mais tenaz,
Infaustos, Fausto serve a Satanás
O coração aos poucos nada fala
A solução a ferro, fogo e bala
Assim quem sabe possa haver a paz?
Do amor que não viera e não redime,
Este ar se escasseando trama o crime
E o gozo da mortalha se aproxima,
A serpe se afigura em solidão,
O passo se repete e sempre em vão,
Eternizando em mim o invernal clima.
MARCOS LOURES
Eclode da crisálida o vazio,
Aborto onde se fez apenas isso,
Um chão em lamaçal e movediço
A sorte se perdendo a cada fio,
O corpo em solidão no olhar esguio
O canto se transforma e sem o viço
Apenas resta em mim este amor mortiço
Mirando de soslaio, ressabio.
Carcaça da esperança carcomida
Nos ermos de um medonho sonho sigo
Não tendo no final o amor amigo
A porta se cerrando; tudo acida,
Esparsa voz ao vento sem resposta
Minha alma a cada instante; decomposta.
MARCOS LOURES
A neve tão precoce adentra o olhar
De quem agrisalhado pela vida
Em pleno outono vê a despedida
Num invernal e duro caminhar,
Apenas poderia imaginar
Quem sabe no final, mera saída,
Porém a cada instante a despedida
Rondando a minha vida e a me tomar.
Egrégio da ilusão, um trovador
Nas ânsias mais audazes deste amor
Perdera qualquer rumo e sem seu cais,
Esgota pouco a pouco o que inda resta
Em tez amarga fria, vã funesta
E sorve sem rancor seus funerais.
MARCOS LOURES
A lividez de um sonho se mostrando
Na face desdenhada de quem tanto
Buscara pelo menos ledo encanto
Quiçá um novo dia até mais brando,
Mas tudo se transforma desde quando
A vida noutro rumo ora garanto
E cada vez deveras mais me espanto
O todo que sonhara desabando,
Do amor, sequer a sombra, nada levo
O quanto imaginara inda longevo
Caminho em flóreo rito se desfaz,
Apenas se denota em vaga ermida
O que inda fora outrora mera vida,
E agora um velho espectro vil; mordaz.
MARCOS LOURES
Num gélido caminho a vida traça
O passo de quem tanto quis alguém
E agora a solidão imensa vem
Tomando num instante a dita lassa,
E o sonho no vazio se esfumaça
O risco de sonhar? Mero desdém
A morte se aproxima e nela tem
O aspecto salvador da torpe traça,
Puindo pouco a pouco esta esperança,
Ao nada o que me resta já me lança
E trama no vazio o meu porvir,
Amante da ilusão e somente isto
Agora no final, enfim desisto
E sinto o meu caminho se esvair.
MARCOS LOURES
Jazigo dos amores, tumular,
Esgoto em tez tão tétrica; vazio
O quanto ainda tento e desafio
Deixando mais distante algum lugar,
Um pária pela noite a trafegar
Singrando as ilusões em duro estio,
O corpo se estraçalha e no sombrio
Delírio nada resta, nem sonhar.
Amar e ter a paz que assim condiga
No cômodo caminho em voz amiga,
Um sonho tão comum e mais freqüente,
Mas quando a vida toma novo rumo
E aos poucos sem sentido já me esfumo
Apenas a mortalha se apresente.
MARCOS LOURES
Perdido e sem saber se existe ao fundo
Um túnel, mesmo luz quiçá um norte,
Caminho e já desfaço este suporte
Enquanto no vazio em me aprofundo,
Das dores e temores quando inundo
Esta alma sem ter sonho que a conforte
Desdéns desenham tétrica esta sorte
Um velho coração tão vagabundo
Alheio e sem ninguém, no amor inglório
Lunático terrível, merencório
Jamais percebe amor nem mesmo o roça,
O quanto no passado se fez sonho
E agora caricato e até bisonho,
Um histrião exposto ao riso e à troça.
MARCOS LOURES
Perdido e sem saber se existe ao fundo
Um túnel, mesmo luz quiçá um norte,
Caminho e já desfaço este suporte
Enquanto no vazio em me aprofundo,
Das dores e temores quando inundo
Esta alma sem ter sonho que a conforte
Desdéns desenham tétrica esta sorte
Um velho coração tão vagabundo
Alheio e sem ninguém, no amor inglório
Lunático terrível, merencório
Jamais percebe amor nem mesmo o roça,
O quanto no passado se fez sonho
E agora caricato e até bisonho,
Um histrião exposto ao riso e à troça.
MARCOS LOURES
Das plagas mais distantes ao vazio
O rumo em desolada tez eu vejo
E quando a cada instante noutro ensejo
Presumo o que me resta: o desvario,
Por vezes tão ingênuo eu desafio
Os ermos de um temível vão desejo
A morte que ora anseio e mais desejo
Talvez suavize em paz o torpe rio
Quem fez do amor um sonho e se perdeu
Pensando ter um mundo até só seu
No fundo nada leva, resta só,
Reduzo a cada passo em exclusão
O tempo que me resta e a solidão
Transforma a minha estrada em ledo pó.
MARCOS LOURES
Percebo a minha vida se esvaindo
Na ausência de quem possa ter além
Do olhar endurecido num desdém
Quem sabe algum desejo mesmo findo,
O corte deste sonho eu já deslindo
E sei quando a verdade toma e vem
Do amor outrora mero e vão refém
Agora um passageiro se esvaindo
Nas brumas entre as trevas da existência
A cada novo dia a penitência
Transforma uma lembrança em vil galé
Há tanto já perdera o rumo e sei
Do quanto se tornara escusa a grei
Renego neste instante a própria fé.
MARCOS LOURES
Recluso dentro em mim em nada eu falo,
Apenas me escondendo da verdade
Aos poucos em total insanidade
Dos sonhos de um passado em vão, vassalo;
Ao ver o dia a dia então me calo,
E sinto quão amarga a realidade
Apenas o vazio que me invade
Pudesse num instante contorná-lo.
Mas sei quanto é cruel o dia a dia
E nada mais em mim eu cerziria
Senão esta mortalha em tom funéreo
O amor que um dia fora fonte e mina
Agora ao fim da história determina
Com a frieza imensa de um minério.
MARCOS LOURES
Ocasionando a queda de quem tanto
Sonhara com palavras mais gentis
Distante do que um dia tanto quis
A vida se transforma em puro espanto,
E o mundo a cada dia em vil quebranto
Deixando sua marca, o céu é gris
Quem fora tão somente um aprendiz
Agora em desamor renega o canto,
E jaz entre espinheiros, pedregulhos,
Ausente uma esperança e sem mergulhos
Nos antros deste sonho, uma alma vaga
Invés da mão que tanto acaricia
O olhar em face amarga e mais sombria,
Trazendo traiçoeira a fina adaga.
MARCOS LOURES
Nos ermos deste velho coração,
A sorte em discordância dita o rumo
E quando pouco a pouco em vão me esfumo
O barco em infeliz navegação
Sabendo das procelas que virão
Já não conhece mais nem leme ou prumo,
Deveras da existência ausente sumo
Jogado sobre o solo, podre grão.
O amor que tantas vezes é sublime
E gera a fantasia que redime,
No entanto ao se esconder marcando em fogo
Tatua a minha pele em cicatrizes
E quando cada sonho tu desdizes
Percebo quão inútil prece e rogo.
MARCOS LOURES
O quanto desta vida fora meu
E agora não se vê sequer a sombra,
Realidade doma e tanto assombra
Quem; rumo sem timão, no mar perdeu.
O manto quanto a messe descoseu
A noite na verdade não alfombra
De pedras e de espinhos minha alfombra
Abismo se traveste em apogeu.
E a queda anunciada há tantos anos
Em meio aos mais terríveis desenganos
No amor que se perdendo me levou
A angústia toma então este cenário,
Brumosa realidade em temerário
Caminho, o que decerto aqui restou.
MARCOS LOURES
Um dia me ensinaste que a ventura
Da vida consistia em ter alguém
E quando a realidade toca e vem
Negando na verdade esta procura
A história lentamente me tortura
Do nada a cada instante sou refém,
A morte se aproxima e com desdém
A cada nova ausência se afigura,
Viver as ilusões de um falso amor
E crer na imagem torpe de quem tanto
Gerara num momento um raro encanto
Depois de estar envolto em tal torpor
Sentir no amor que tanto se queria
A reles, sem valor, bijuteria.
MARCOS LOURES
Perdendo o meu caminho vida afora
Durante tantas vezes vi no amor
A imagem de um supremo redentor
No qual a minha sorte mesmo ancora,
O tempo me provou e sem demora
O quanto se apresenta em dissabor
Nos ermos deste falso salvador
Hermético caminho nada aflora
Somente a solidão e neste intento
Apenas da ilusão eu me alimento
E sigo os rastros deste que seduz
E deixa qual falena imersa em luz
O peito de quem sonha; um vão poeta.
A vida no vazio se completa?
MARCOS LOURES
Do amor que fora o mote predileto
De quem se fez poeta e sonhador,
Um mero repentista, um trovador
Buscando a qualquer preço algum afeto
Apenas no vazio eu me completo
E bebo a cada passo o dissabor
Regido pelas ânsias de um amor
O aborto se transcende ao próprio feto
Embrionário sonho se negara
E gero enorme chaga, funda escara
No peito onde se quis bem mais outrora
A sede de viver? Agora esqueço
O amor se desenhou mero adereço
E a solidão atroz hoje devora.
MARCOS LOURES
Velhusco companheiro em voz sombria
Sarjetas de minha alma ora freqüento
E quando ainda sinto ao longe um vento
A noite na verdade já se esfria,
O canto se transforma em agonia
E assim deveras morto me apresento
O corpo que pensara mais sedento
Adentra esta seara e a vê vazia
Entregue aos dissabores nada mais
Os dias repetidos e venais,
Caricatura apenas do que há tanto
Sonhara com delírios e desejos
Agora nem sequer meros lampejos
Restando ao caminheiro o desencanto.
MARCOS LOURES
Sarjetas de minha alma ora freqüento
E quando ainda sinto ao longe um vento
A noite na verdade já se esfria,
O canto se transforma em agonia
E assim deveras morto me apresento
O corpo que pensara mais sedento
Adentra esta seara e a vê vazia
Entregue aos dissabores nada mais
Os dias repetidos e venais,
Caricatura apenas do que há tanto
Sonhara com delírios e desejos
Agora nem sequer meros lampejos
Restando ao caminheiro o desencanto.
MARCOS LOURES
Meus versos derradeiros não seriam
Aqueles costumeiros de ilusões
Ausentes nos meus dias erupções
As noites solitárias tanto esfriam
Somente os dissabores ora guiam
Marcando em discrepância as emoções
Invernos destroçando alguns verões
A pele como esta alma já se estriam.
Esgoto em vida alheio ao sonho agora
Mortalha invés de messe me decora
E o canto na verdade em tom agônico
Aonde quis um dia quase hedônico
Apenas se percebe mera farsa
E a vida a cada instante mais se esgarça.
MARCOS LOURES
Alheio às esperança que inda trago
O marco se transforma em cicatriz
O quanto na verdade já desfiz
E nega da alegria um mero afago,
A messe se transforma em duro estrago
O tanto que pensara ser feliz,
A vida agora eu vejo por um triz
Dos medos e receios eu me alago,
Num último gorjeio, a noite cessa
E mata o que pudera ser promessa
Deixando em desalento o tolo amante
A boca desdentada te apavora
A vida aos poucos perco; e vai embora
Cenário em tom sombrio e degradante.
MARCOS LOURES
Ascendo ao meu caminho em tom sombrio
E amor que tanto quis já não responde
O mundo na verdade tudo esconde
E gera tão somente o medo e o frio,
O quando ainda posso aqui desfio
E sem saber deveras nem por onde
Ainda que outro rumo; a vida sonde
Do labirinto perco o senso e o fio,
Do salutar desejo em mocidade
Agora ao mesmo tempo se degrade
E trace com terror o que é real,
O tanto se perdera em vã fumaça
Amor quando demais e o tempo passa
Resulta neste fado em tom venal.
MARCOS LOURES
Espelhos d’água mostram esta face
E nela este Narciso desdentado
Agora noutro rumo maltratado
A cada nova ausência se desgrace,
O risco na verdade ainda trace
Apenas o terror, ledo legado,
Invés do pleno amor, um triste enfado
E nele a solidão deveras grasse,
Amante em ilusões, somente ausente
Marcando com terror o que inda sente
No pejo dissemina esta mentira
E aos sonhos mais felizes, porém mortos
Destroços devorando velhos portos
O barco no vazio então se atira.
MARCOS LOURES
Amante tresloucado e sem limites
Do tanto que pudera em juventude
A vida num instante tudo mude
E além de qualquer brilho agora omites
Embora destes sonhos necessites
O amor que se fizera em amiúde
Desenho perde o senso e não ilude
Matando as horas vagas e infinitas.
Resumos de um passado em tom feroz
Agora a seca adentra a minha foz
E o manto já puído nada traz
Bisonho este velhusco camarada
Perdendo o vendaval, tenta em lufada
O canto mais audaz, porém mordaz.
MARCOS LOURES
O cheiro delicado de quem ama
A sorte mais sedenta de esperança,
O quanto no vazio ora se lança
E tenta até domar a insana chama,
O coração deveras já reclama
Ausência do que fora em confiança
E vendo a cada dia esta mudança
Esquece o que traçara em rara trama
Opacas luzes beijo em noite inglória
E tudo o que me resta na memória
Apenas saciando um vão fastio,
No amor que tantas vezes quis comigo
Somente se desenha o desabrigo
Perpetuando assim um duro estio.
MARCOS LOURES
Presumo ao fim de tudo alguma luz,
Mas sei quanto impossível ter certezas
E quando além dos olhos fortalezas
Apenas o vazio reproduz
E a fonte que pensara e nela eu pus
O canto mais audaz, raras destrezas
As sortes não seriam mais ilesas
Do amor somente agora vejo a cruz,
Teu corpo antes desnudo no meu quarto
Um sonho que deveras já me aparto
E sinto a solidão em tom feroz,
Quem sabe noutra vida ou noutro instante
O tanto que se fora se adiante
E mude a direção em nova foz.
MARCOS LOURES
É duro acreditar em tal benesse
Que possa ainda um dia emoldurar
Nos olhos de quem busca o bem de amar
E o passo no vazio o tempo esquece,
O quanto pude além e não se tece
Jamais a vida trama outro lugar
E nesta dura estrada a divagar
O rumo num momento se esvaece.
Aprendo com a queda, mas bem sei
O quanto é necessária a nova grei
Que possa permitir algum alento,
No amor onde deveras me entregara
A solidão procria em dor e escara
E apenas o vazio; em mim, fomento.
MARCOS LOURES
Amar e ter certeza; embora seja fato
Que todo grande amor deveras tenha um fim,
O rumo transportando a ti; presumo enfim
E neste caminhar deveras já reato
O quanto no passado o dia fora ingrato
Matando em aridez qualquer sombra em jardim,
O risco determina o sonho de onde eu vim
O amor em tal nobreza à mesa em raro prato,
Na trama mais audaz, em consonante espera
O todo se procura e a noite nos tempera
Com toda a garantia e nela se pressente
O amor sem mais medida enquanto dita a sorte
Traçando em tom maior o canto onde conforte
E gera muito além que um cenário clemente.
MARCOS LOURES
Desenho no teu corpo o meu já tatuado
Seguindo este caminho em tese mais perfeito
No quanto eu te procuro e sou por ti aceito
O mundo num cenário em paz, abençoado.
Risonho caminhar transmite ao meu legado
O sonho mais audaz e nele me deleito
Cerzindo esta esperança e sendo enfim aceito
O canto noutro instante; em ti vejo ecoado,
E assim em consonância a sorte se tecendo
A vida sem promessa e nela o dividendo
Sobejo em tom maior é tudo o que procuro
Vencer o descaminho em campo mais tranqüilo
Deveras a certeza e nela já desfilo
O porto que mais quero e sei ser tão seguro.
MARCOS LOURES
E fique do meu lado
Apenas num instante
E assim já se adiante
O rumo ora traçado
E trame sem enfado
O passo fascinante
E sei que doravante
Será nosso legado,
Respaldos encontrando
No amor que sei mais brando
E nele sem terror,
Aprendo a ser tranqüilo
Enquanto aqui desfilo
Um mundo em esplendor.
MARCOS LOURES
Acorda com carinho
O sonho em tom suave
A liberdade da ave
Cerzindo além seu ninho
E quando eu adivinho
O rumo e nego o entrave
O tanto não agrave
O manto mais daninho,
Espreito e na tocaia
Amor já não mais traia
Atraia tanta sorte
E assim se emoldurando
Em rumo claro e brando
No quanto me conforte.
MARCOS LOURES
Por isso não responda
E deixe que se leve
O amor em rumo breve
E nada mais se esconda
A sorte dita a sonda
E assim o tempo atreve
E tanto já se ceve
E enfrenta qualquer onda,
O risco não se vendo
No amor quando estupendo
Trazendo além do cais
Momentos onde eu posso
Vencer qualquer destroço
E ter sempre bem mais...
MARCOS LOURES
É quase que morrer
Na ausência deste encanto
E sei até, portanto
O fundo do meu ser
O quanto pude ver
E crer sem mais espanto
No amor em que adianto
O passo a se tecer,
Vestindo esta diversa
Beleza já se versa
Ao fato consumado
De um mundo mais feliz
E tanto quanto eu quis
Enfim vivo Eldorado.
MARCOS LOURES
Saber que tu partiste
E nada mais deixaste
Senão velho desgaste
De um coração tão triste
E assim nada persiste
Sequer caminho ou haste
O rumo em tal contraste
Deveras não existe,
Esbarro no infinito
E quando eu acredito
Nas tramas mais felizes
O quanto tu desdizes
E negas este rumo
Em nada eu já me esfumo.
MARCOS LOURES
De tanto amor merece
O canto que se preza
A sorte não ilesa
E nela esta benesse
Que logo estabelece
O rumo onde se tesa
A vida e nada pesa
Nem mesmo se padece,
Do velho caminheiro
Agora um derradeiro
Alento em voz tranquila,
O quanto te bendigo
E quero em ti o abrigo
No amor que amor destila.
MARCOS LOURES
Amor quando de amor
Revive a velha chama
Deveras sempre trama
Em ar alentador
O quanto sonhador
Moldando além do drama
A força que reclama
Imenso este esplendor,
Resgato em ti promessas
E quando me confessas
Também somente minha
O pensamento vaga
E toca e já te afaga
E em ti voraz se aninha.
MARCOS LOURES
Nos braços deste sonho
Jamais me libertar
E ter a cada altar
O mundo onde proponho
Deveras eu me enfronho
Nos ermos do luar
E sinto navegar
Em mim um ar risonho,
Resulto deste encanto
E se demais me espanto
Com toda esta delícia
A vida em tanta luz
Deveras reproduz
O sonho sem sevícia.
MARCOS LOURES
Não deixe que essa noite
Não seja de prazeres
E torne nossos seres
Apenas em açoite
Permita que se acoite
Aqui estes quereres
Sabendo dos poderes
Do amor quando em pernoite
Debaixo dos lençóis
Trazendo assim os sóis
Em plena madrugada,
A lua embevecida
Mudando a minha vida
Gerando nova estrada.
MARCOS LOURES
E nada do sofrer
Pudesse ser assim
O mundo dentro em mim
Transcende ao bem querer
E gesta com prazer
Fortuna em tal jardim
E trama até o fim
O quanto pude ver
E crer num mero instante
No fato que adiante
Bendiga a vida inteira
E cerzi com ternura
O quanto se assegura
Gerando a cordilheira.
MARCOS LOURES
Os lábios se desejam
Na busca incontrolável
Amor insaciável
E nele se prevejam
Momentos onde a sorte
Transcorra em libertário
Caminho necessário
Que trace algum suporte
A quem se fez em paz
E agora quer além
Do quanto amor retém
E molda um passo audaz
Vagando a eternidade
Na imensa liberdade.
MARCOS LOURES
A noite que te trago
Imersa em claridade
Transcorre em liberdade
E dita cada afago
No tempo em que este mago
Amor tanto me invade
Gestando a claridade
E nela já me alago
Vestindo a mansidão
E tendo a sensação
Do quanto pude outrora
Vencer os descaminhos
E ter não mais espinhos
Aonde a vida aflora.
MARCOS LOURES
Amada quem me dera
Viver a plenitude
Do amor mais do que pude
Em cena tão sincera
Vencendo o que não gera
Além de uma atitude
Que tanto nos transmude
E molde a primavera,
Resumo em verso e canto
O quanto eu amo e encanto
O tempo mais audaz,
Assim amante sonho
No qual me recomponho
E a vida já se faz.
MARCOS LOURES
Amor de tanto amor
Não mais cabendo em si
Sabendo o quanto ouvi
De um tempo sonhador
Vagando sem pudor
E nisto eu percebi
O quanto existe aqui
Do raro e bom valor,
Em esplendor a sorte
Deveras nos conforte
E gere este momento
Aonde com certeza
A vida sem surpresa
No amor tem seu sustento.
MARCOS LOURES
Os sonhos que sonhamos
Os dias mais felizes
E neles tu me dizes
Da vida em vários ramos
Porquanto perfilamos
Diversas cicatrizes
Vencendo antigas crises
Deveras nos amamos,
E tendo esta divina
Beleza que fascina
E doma a fera em nós,
O ritmo alucinante
Que tanto se agigante
Aumenta em brado a voz.
MARCOS LOURES
Será da mais sublime
E rara maravilha
O mundo onde se trilha
E tudo nos redime
Jamais amor suprime
A luz que em nós rebrilha
A sorte se estribilha
Num quanto que se estime
O risco alentador
De um claro e raro amor
E nele esta certeza
De um novo alvorecer
Em tons de bel prazer
Dourada fortaleza.
MARCOS LOURES
A noite te prometo
Sem medos nem pudores
E tanto aonde fores
Também eu me arremeto
E faço outro soneto
Usando tuas cores
Matizes sonhadores
Delírios que eu cometo,
Vagando em verso e sonho
Assim eu me proponho
Bem mais do que pensara
Num avassalador
Delírio feito amor
Domando esta seara.
MARCOS LOURES
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