Minhas mãos, silenciosas e audazes...
Minhas mãos, silenciosas e audazes, procuram a cura e a santidade, nos seios que sei meus e sonhei eternos. Ternos e tenros, nos trinos dos passarinhos que passam pelo alpendre, onde se prende meu amor. Armas e almas se confundem, nas pernas e nas nossas bocas; tempestades e repasto. Do nefasto não a distância aumenta; um gosto de menta exalado pelo hálito que por hábito, habito. O teu doce perfume, meu lume e ciúme, no azedume da saudade...
Cada adendo aditado, ansiado e amado, amiga e amargura, âmago da cura que procuras em todo sentido. Idos e vivos, meus dedos são caçadores.
Tua nuca se oferece ao beijo e ao desejo, meu desejo e desespero. Espero o teu gozo, nos gonzos e nos gostos que gesticulas e gotículas, ausculto.
Te cultuo e te crispo, num duo arrepio, num átimo, um ótimo, um último pendão. A flor, a múltipla ação, na multiplicação...
Quero saber-te inteira, na teia que me prendes, prisioneiro, pretérito e futuro, no muro preterido do passado. Passo a passo, me confesso sendo senda e sendo sobra, sendo solar e sendo porta, porão e sótão, só e tão, inteiramente, teu...
Mas nada queres, nem mereço, obedeço...Teu começo é meu princípio, meu ópio, meu contrário, me contrario...
Vou ao rei, sou ao rio, sorrio, serei, sobras e cobras as sondas e as ondas que aprofundas num sorriso, num só riso, pré siso e preciso, necessito...
Me situo entre o teu e o uno, verso mar, universo, onde sou inverso e perverso, não canto. Tatuo...
Tacitamente, a mente mente e macula. Na gula de tua boca e seus lábios, sábios hábeis e abertos, na certeza do contato, do portanto e de tanto, amiga, a migalha que me deste, confete e crosta, resta somente um gole, uma fala, uma gala, que regala e me faz ficar comovido, como a vida, como o vidro, devido e decidido. Estampado...
PARA TANTOS, PRINCIPALMENTE MARCOS GABRIEL, MARCOS DIMITRI E MARCOS VINÍCIUS. MINHA ESPERANÇA. RITA PACIÊNCIA PELA LUTA.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Galopando a Beira Mar
Quando eu conheci Serena,
Num galope a beira mar,
Aquela bela morena,
Tinha tudo pra encantar,
Coração bate, dá pena,
Dá vontade de chorar,
Nunca mais poder cantar
Num galope a beira mar...
Serena foi minha vida,
A razão do meu viver,
Tanta dor já tão sentida,
Sem vontade de sofrer,
Eta vida mais sofrida,
Não cansa mais de doer,
Viola canta, luar...
Num galope a beira mar...
Minha voz anda cansada,
Cansada de tanto pedir,
Minha moda vai cantada,
Cantada móde sentir,
A viola enluarada,
Que canta quase a carpir,
Tanta coisa, sem parar,
Num galope a beira mar...
Levei Serena pra casa,
Como manda o coração,
Tanto casa, quanto embrasa,
O luar do meu sertão,
Meu amor quando se atrasa,
É problema e solução.
Como era belo sonhar
Num galope a beira mar...
Com Serena tive filho,
Dois ou três se não me engano,
Do amor seguindo o trilho,
Passa dia, mês e ano,
Mas o tempo tem gatilho,
Detonando tanto plano.
Nunca mais vou esperar
Num galope a beira mar...
O amor, de maravilha,
Transformado na tristeza,
Na promessa dessa ilha,
No meio dessa beleza,
Toda dor vem de matilha,
Acabando a realeza.
Tanta coisa pra contar
Num galope a beira mar...
Serena foi assassina,
Do que belo, tinha em mim,
Maltratando minha sina,
Fazendo tão trist’assim
Tanta dor que desatina,
Do amor, foi meu Caim.
Me matando, devagar,
Num galope a beira mar...
São tristezas, duras penas,
Têm o gosto da mortalha,
Só pedia a Deus, apenas,
Outro tipo de cangalha,
Noites mansas, mais amenas,
Na minha casa de palha.
Poder sonhar com meu lar,
Num galope a beira mar...
Já cantei minha verdade,
Fiz meus versos sem vergonha,
Procurei felicidade,
Que é coisa que se sonha,
Pelo campo ou na cidade,
Não é coisa medonha.
É meu direito tentar,
Num galope a beira mar...
O veneno em minha veia,
Corre solto, vai matando,
Essa aranha fez a teia,
Minha vida foi sugando,
Minha carne foi a ceia,
Ela foi me envenenando.
Até conseguir sangrar,
Num galope a beira mar...
Quando vi nos seus olhinhos,
Verdes olhos cor de mata;
Percebi que seus carinhos,
Me diziam, ser ingrata,
Aquela por quem meus ninhos
Sonhavam amor em cascata,
Nunca mais eu vou cantar,
Num galope a beira mar...
Num galope a beira mar,
Aquela bela morena,
Tinha tudo pra encantar,
Coração bate, dá pena,
Dá vontade de chorar,
Nunca mais poder cantar
Num galope a beira mar...
Serena foi minha vida,
A razão do meu viver,
Tanta dor já tão sentida,
Sem vontade de sofrer,
Eta vida mais sofrida,
Não cansa mais de doer,
Viola canta, luar...
Num galope a beira mar...
Minha voz anda cansada,
Cansada de tanto pedir,
Minha moda vai cantada,
Cantada móde sentir,
A viola enluarada,
Que canta quase a carpir,
Tanta coisa, sem parar,
Num galope a beira mar...
Levei Serena pra casa,
Como manda o coração,
Tanto casa, quanto embrasa,
O luar do meu sertão,
Meu amor quando se atrasa,
É problema e solução.
Como era belo sonhar
Num galope a beira mar...
Com Serena tive filho,
Dois ou três se não me engano,
Do amor seguindo o trilho,
Passa dia, mês e ano,
Mas o tempo tem gatilho,
Detonando tanto plano.
Nunca mais vou esperar
Num galope a beira mar...
O amor, de maravilha,
Transformado na tristeza,
Na promessa dessa ilha,
No meio dessa beleza,
Toda dor vem de matilha,
Acabando a realeza.
Tanta coisa pra contar
Num galope a beira mar...
Serena foi assassina,
Do que belo, tinha em mim,
Maltratando minha sina,
Fazendo tão trist’assim
Tanta dor que desatina,
Do amor, foi meu Caim.
Me matando, devagar,
Num galope a beira mar...
São tristezas, duras penas,
Têm o gosto da mortalha,
Só pedia a Deus, apenas,
Outro tipo de cangalha,
Noites mansas, mais amenas,
Na minha casa de palha.
Poder sonhar com meu lar,
Num galope a beira mar...
Já cantei minha verdade,
Fiz meus versos sem vergonha,
Procurei felicidade,
Que é coisa que se sonha,
Pelo campo ou na cidade,
Não é coisa medonha.
É meu direito tentar,
Num galope a beira mar...
O veneno em minha veia,
Corre solto, vai matando,
Essa aranha fez a teia,
Minha vida foi sugando,
Minha carne foi a ceia,
Ela foi me envenenando.
Até conseguir sangrar,
Num galope a beira mar...
Quando vi nos seus olhinhos,
Verdes olhos cor de mata;
Percebi que seus carinhos,
Me diziam, ser ingrata,
Aquela por quem meus ninhos
Sonhavam amor em cascata,
Nunca mais eu vou cantar,
Num galope a beira mar...
PERIPÉCIAS DA SORTE
Em meio a peripécias dessa sorte,
Que muitas vezes nega meu futuro,
Sem ter nem mais espreita que m’aporte
As velhas condições: saltar o muro.
Nas minhas sentinelas, sei o corte,
Profundo, cáustico, feroz, perjuro.
Adaga remoendo traz a morte,
Meu mote serpenteia, cai maduro.
Não quero mais a dama de vermelho,
Nem quero mais a luta sem descanso,
Em prol daquilo tudo me assemelho,
E quanto mais longe agora avanço,
Não quero perguntar ao meu espelho,
Se fui, quem fui, serei, terei remanso...
Que muitas vezes nega meu futuro,
Sem ter nem mais espreita que m’aporte
As velhas condições: saltar o muro.
Nas minhas sentinelas, sei o corte,
Profundo, cáustico, feroz, perjuro.
Adaga remoendo traz a morte,
Meu mote serpenteia, cai maduro.
Não quero mais a dama de vermelho,
Nem quero mais a luta sem descanso,
Em prol daquilo tudo me assemelho,
E quanto mais longe agora avanço,
Não quero perguntar ao meu espelho,
Se fui, quem fui, serei, terei remanso...
O TAL DO AMOR
Nasci naquela tapera,
Perto da curva do rio,
Onde à noite tanta fera,
Traz mais forte seu bafio,
Derrubando, sem demora,
Sem temer nem ir embora...
Tanta dor que me tempera,
Não me deixa mais vazio,
De tocaia, vou de espera,
Conheço vela e pavio.
Nem todo ovo que se gora,
Nem todo gosto d’amora...
Joguei cravinote longe,
Matei onça de empreitada,
Minha mãe fugiu com monge,
Pelos palpos dessa estrada.
Não tem mais como pereça
Virou mula-sem-cabeça!
Puxei forte da peixeira,
Sangrei mais de dez safados,
Fiz da morte, coisa useira,
Cantei rimas desfiados,
Fiz das primas meu deleite,
E não há quem não me aceite...
Sou peste sem pestanejo,
Desejo toda morena,
No meu sonho sertanejo,
A dor de longe, me acena,
Quem quiser ser a mulher,
Tenho casa de sapé.
No umbigo da montaria,
Atrelei minha placenta,
Vou correndo a fantasia,
Quero ver quem me agüenta,
Sou, de lado, vou de banda,
Vendo sangue na quitanda...
Tropecei nesse defunto,
Esquecido no relento,
Tanta coisa que fiz junto,
Meu olhar mais remelento,
Trago o gosto da remenda,
O luar faz minha tenda...
Mas não temo nem temia,
Venda nova nem fracasso,
Mingau da vida rugia,
No poleiro do cangaço.
Fiz mais três combinação,
Quisera ser Lampião!
Teimoso qual cascavel,
Escorpião da caatinga,
Roubando o brilho do céu,
No véu da noiva respinga,
Cascata da melodia,
Dourando essa cercania...
Meu falar enviesado,
É difícil traduzir,
É que, nele, vem atado,
O que melhor vai luzir,
Tradução de coração,
É brotado de emoção.
Vingança tem saliência
Coça na mão e no coldre,
Se for boa eficiência,
Traz logo, cheiro de podre.
Urubus descendo ao chão,
Querem dizer proteção.
Não virei mais à tardinha,
Nem de noite mais virei,
Na calada, vai sozinha,
A rainha desse rei.
Que não tem nem pode ter,
Contas para receber.
Já cumpri meus mandamentos,
Já te fiz meus rapa pés,
Nas feridas, sei ungüentos,
Misturando tantas fés.
Mastigando tais mezinhas,
Riscando com ladainhas...
Minha manta sei de couro,
Como é de couro o chapéu
Na boiada, meu estouro,
É o estorvo do meu céu.
Buscapé buscando gente,
Queima tudo, de repente.
No repente da viola,
Eu puxei minha peixeira,
Arrebentei a sacola,
Fiz promessa a vida inteira,
Nada consegui depois,
Na boiada, fui os bois...
Ferido de morte triste,
Aposentei o meu laço,
Esqueci tudo que existe,
Abandonado sanhaço,
Fui marcado sem perdão,
Tanta dor no coração.
Agora tô sossegado,
Já não tenho mais vontade,
Acabei envenenado,
Por essa estranha maldade,
Que matou o matador,
Essa praga: o tal amor!
Perto da curva do rio,
Onde à noite tanta fera,
Traz mais forte seu bafio,
Derrubando, sem demora,
Sem temer nem ir embora...
Tanta dor que me tempera,
Não me deixa mais vazio,
De tocaia, vou de espera,
Conheço vela e pavio.
Nem todo ovo que se gora,
Nem todo gosto d’amora...
Joguei cravinote longe,
Matei onça de empreitada,
Minha mãe fugiu com monge,
Pelos palpos dessa estrada.
Não tem mais como pereça
Virou mula-sem-cabeça!
Puxei forte da peixeira,
Sangrei mais de dez safados,
Fiz da morte, coisa useira,
Cantei rimas desfiados,
Fiz das primas meu deleite,
E não há quem não me aceite...
Sou peste sem pestanejo,
Desejo toda morena,
No meu sonho sertanejo,
A dor de longe, me acena,
Quem quiser ser a mulher,
Tenho casa de sapé.
No umbigo da montaria,
Atrelei minha placenta,
Vou correndo a fantasia,
Quero ver quem me agüenta,
Sou, de lado, vou de banda,
Vendo sangue na quitanda...
Tropecei nesse defunto,
Esquecido no relento,
Tanta coisa que fiz junto,
Meu olhar mais remelento,
Trago o gosto da remenda,
O luar faz minha tenda...
Mas não temo nem temia,
Venda nova nem fracasso,
Mingau da vida rugia,
No poleiro do cangaço.
Fiz mais três combinação,
Quisera ser Lampião!
Teimoso qual cascavel,
Escorpião da caatinga,
Roubando o brilho do céu,
No véu da noiva respinga,
Cascata da melodia,
Dourando essa cercania...
Meu falar enviesado,
É difícil traduzir,
É que, nele, vem atado,
O que melhor vai luzir,
Tradução de coração,
É brotado de emoção.
Vingança tem saliência
Coça na mão e no coldre,
Se for boa eficiência,
Traz logo, cheiro de podre.
Urubus descendo ao chão,
Querem dizer proteção.
Não virei mais à tardinha,
Nem de noite mais virei,
Na calada, vai sozinha,
A rainha desse rei.
Que não tem nem pode ter,
Contas para receber.
Já cumpri meus mandamentos,
Já te fiz meus rapa pés,
Nas feridas, sei ungüentos,
Misturando tantas fés.
Mastigando tais mezinhas,
Riscando com ladainhas...
Minha manta sei de couro,
Como é de couro o chapéu
Na boiada, meu estouro,
É o estorvo do meu céu.
Buscapé buscando gente,
Queima tudo, de repente.
No repente da viola,
Eu puxei minha peixeira,
Arrebentei a sacola,
Fiz promessa a vida inteira,
Nada consegui depois,
Na boiada, fui os bois...
Ferido de morte triste,
Aposentei o meu laço,
Esqueci tudo que existe,
Abandonado sanhaço,
Fui marcado sem perdão,
Tanta dor no coração.
Agora tô sossegado,
Já não tenho mais vontade,
Acabei envenenado,
Por essa estranha maldade,
Que matou o matador,
Essa praga: o tal amor!
AMOR SINCERO
Meu amor traduzido maciez,
Na mansidão serena de teu beijo,
Traz formas delicadas; é, talvez,
A mais sublime fonte do desejo...
Meu amor mais sincero, desta vez
A noite transformada onde te vejo,
Caminhando, seduz tanta altivez...
Amor, meu derradeiro amor, lampejo
De divinal delírio, simplesmente.
Crivado de estelares porcelanas,
Busco em ti, conhecer toda vertente,
De tantas quanto belas, pois insanas,
Maneiras de matar-me de repente,
Sorvendo todo néctar que me emanas...
Na mansidão serena de teu beijo,
Traz formas delicadas; é, talvez,
A mais sublime fonte do desejo...
Meu amor mais sincero, desta vez
A noite transformada onde te vejo,
Caminhando, seduz tanta altivez...
Amor, meu derradeiro amor, lampejo
De divinal delírio, simplesmente.
Crivado de estelares porcelanas,
Busco em ti, conhecer toda vertente,
De tantas quanto belas, pois insanas,
Maneiras de matar-me de repente,
Sorvendo todo néctar que me emanas...
DESATINOS
Por tudo que passei já nessa vida,
Te peço perdão pelos desatinos,
Sei bem porque nascido em despedida,
Conheci os diversos sóis, meninos,
Navegantes que, errantes nesta lida,
Não conhecem senão nem seus destinos.
Vi tudo quanto posso, nego nada,
Nada nego e sossego, minha amada...
Explodindo balão nem sei junino,
Na festança embolada, penitência...
Meus fracassos selados que eu assino,
Libélula voraz da coincidência.
Salgado em insalubre lar marino,
Balanço, transgredindo essa impotência
Que faz de meus melindres borbotão,
Vou borboleteando essa amplidão!
Moleque; fui sacado, por safado,
Sereno, fui moleque sem paragem.
Nem sabia sertão soubera prado,
Vivendo na completa vadiagem,
Sem nem conhecer fada; quiçá fado,
Pescando no meu rio, velha margem...
Solitárias, lombrigas na barriga;
Por mais que não quisesse, tanta briga...
Decadentes; de leite, caem dentes,
Restando meu sorriso de faminto,
Não quero pretender que tu me esquentes,
Nem que disfarce, finja que só minto,
Finos, nas cabeleiras, passas pentes,
Crescendo molecote, frango e pinto.
Nas penumbras noturnas lobisomem,
As minhas tempestades, todas somem...
Fui crescido na marra, sem pergunta,
Jogando futebol pelas calçadas,
Um menino levado, quando junta;
Preparem-se, nem noites mais caladas,
Resistem aos malandros nem se muita.
Forçando ser feliz nestas estadas,
Criando serpentina faz confete,
Sei, jamais haverá nenhum bofete...
Criado sem tempero nem espora,
Vazando pelos muros do vizinho,
Sem ter tempo perdido, sem ter hora,
Estilingue matando passarinho.
O melhor do viver é sempre agora,
Amanhã, talvez, tétrico, sozinho...
Brincando levarei felicidade,
Quem sabe saberei saber idade...
Sabedoria, sendo meu confeito.
Gosto de podridão deliciosa,
O que fiz, já farei, senão tá feito...
Lúdico esse luar, me trouxe Rosa,
Amor tragado estraga, rasga o peito...
Faz olhar as estrelas, deixa prosa
O calado moleque. Parapeito
Da vizinha mostrada sensual
Mostra blusa entreaberta, casual...
Besteira amar tão jovem! fala o pai;
A mãe, conhecedora da tristeza,
Avisa: Quem está dentro já sai,
Amor significando estupideza,
Trama vazia, tanta dor atrai,
Diga: quem poderá, tal realeza,
Ludibriar, vivendo em tal cenário,
Cantando livremente, qual canário!
Te peço perdão pelos desatinos,
Sei bem porque nascido em despedida,
Conheci os diversos sóis, meninos,
Navegantes que, errantes nesta lida,
Não conhecem senão nem seus destinos.
Vi tudo quanto posso, nego nada,
Nada nego e sossego, minha amada...
Explodindo balão nem sei junino,
Na festança embolada, penitência...
Meus fracassos selados que eu assino,
Libélula voraz da coincidência.
Salgado em insalubre lar marino,
Balanço, transgredindo essa impotência
Que faz de meus melindres borbotão,
Vou borboleteando essa amplidão!
Moleque; fui sacado, por safado,
Sereno, fui moleque sem paragem.
Nem sabia sertão soubera prado,
Vivendo na completa vadiagem,
Sem nem conhecer fada; quiçá fado,
Pescando no meu rio, velha margem...
Solitárias, lombrigas na barriga;
Por mais que não quisesse, tanta briga...
Decadentes; de leite, caem dentes,
Restando meu sorriso de faminto,
Não quero pretender que tu me esquentes,
Nem que disfarce, finja que só minto,
Finos, nas cabeleiras, passas pentes,
Crescendo molecote, frango e pinto.
Nas penumbras noturnas lobisomem,
As minhas tempestades, todas somem...
Fui crescido na marra, sem pergunta,
Jogando futebol pelas calçadas,
Um menino levado, quando junta;
Preparem-se, nem noites mais caladas,
Resistem aos malandros nem se muita.
Forçando ser feliz nestas estadas,
Criando serpentina faz confete,
Sei, jamais haverá nenhum bofete...
Criado sem tempero nem espora,
Vazando pelos muros do vizinho,
Sem ter tempo perdido, sem ter hora,
Estilingue matando passarinho.
O melhor do viver é sempre agora,
Amanhã, talvez, tétrico, sozinho...
Brincando levarei felicidade,
Quem sabe saberei saber idade...
Sabedoria, sendo meu confeito.
Gosto de podridão deliciosa,
O que fiz, já farei, senão tá feito...
Lúdico esse luar, me trouxe Rosa,
Amor tragado estraga, rasga o peito...
Faz olhar as estrelas, deixa prosa
O calado moleque. Parapeito
Da vizinha mostrada sensual
Mostra blusa entreaberta, casual...
Besteira amar tão jovem! fala o pai;
A mãe, conhecedora da tristeza,
Avisa: Quem está dentro já sai,
Amor significando estupideza,
Trama vazia, tanta dor atrai,
Diga: quem poderá, tal realeza,
Ludibriar, vivendo em tal cenário,
Cantando livremente, qual canário!
POR AMAR DEMAIS...
Amores, amizades, alegria,
Palavras que; compondo minha vida,
Traduzem, no meu canto, fantasia,
Deveras, vai seguindo, Aparecida...
Beleza da bondade, beatifica,
Muda meu sofrimento em ser feliz,
Das dores mais cruéis, me santifica
Em tudo que traduzes, Beatriz...
Cabendo certamente meu carinho,
Em tudo que pensei tão cristalina
Quanto fosse capaz, sem ser sozinho,
Das fontes mais felizes és Cristina...
Devendo devedor divino Deus,
Serem os meus segredos sem marquise,
Eu te vejo, reluzes nesses breus,
Me trazes sensações, feliz Denise...
Eu espero esperanças nos teus beijos,
Na vida não sei dor que não se aplaine,
Vivendo, convivendo com desejos,
Te quero, te pretendo, doce Elaine...
Fervem fervores, febre e fogaréu.
Minha vida, transcorre vai mais branda,
Quando estou procurando azul do céu,
Somente encontrarei a ti, Fernanda...
Gosto gesto gozando gota a gota,
A toda solidão a vida impele,
Mas quando, a solidão queimando, rota,
Recolho-me aos braços de Gisele...
Horas horrores, honra e homenagens,
A quem a vida amou, serena brisa,
Não quero mais saber dessas paragens,
Distantes dos teus olhos, Heloisa...
Instantes imortais, idolatria;
Dessas noites passadas tão insone,
Que nunca mais parece, vem o dia,
Noites brancas, sozinho, sem Ivone...
Jogos jamais jogados, jogatina...
No tabuleiro-vida que me engana,
Sabendo ter teu jeito de menina,
Sabendo ser teu homem, Ó Joana...
Liberdade levando leve luz,
Descanso em meu brinquedo de pelúcia,
Buscando tanto brilho que reluz,
Vivendo por viver, amada Lúcia...
Marcado morredouro mantimento,
Sofrimento passando a ser a tônica
Do que mais poderia ser lamento,
Vou salvo, acreditando só em Mônica!
Nascendo naufragado, néscio não,
Provando essa amargura que venci.
Maltrata devagar meu coração,
Que bate, tresloucado, por Nadir...
Ouvindo ondas ouvi outras ondinas,
Que, por mais igual, nunca se repete
O mar dessas belezas, das meninas,
Que nunca chegariam ser Odete...
Palavras perseguidas plenitude,
Não sabem nem conhecem a delícia,
De ter todo bom senso e atitude,
Que surgem tão somente em ti, Patrícia...
Restam risonhos risos e resquícios,
Desse delicioso amor que agita,
Salvando-me de todos precipícios,
Só quero mergulhar em ti, Ó Rita...
Sabendo sentimentos sem saudade,
Melhor que ti, somente se for clone,
Igual são muito poucas, na verdade...
Sereno, saberei ser teu Simone...
Trazendo tempestades tropicais,
Em meio a tanto canto e mais beleza,
Bebendo, vou tragando e quero mais,
De tudo que vivi em ti, Tereza...
Vivendo vou vencendo vacilantes
Momentos em que tento abrir cratera,
No peito que batia já bem antes
De poder conhecer a bela Vera...
Palavras que; compondo minha vida,
Traduzem, no meu canto, fantasia,
Deveras, vai seguindo, Aparecida...
Beleza da bondade, beatifica,
Muda meu sofrimento em ser feliz,
Das dores mais cruéis, me santifica
Em tudo que traduzes, Beatriz...
Cabendo certamente meu carinho,
Em tudo que pensei tão cristalina
Quanto fosse capaz, sem ser sozinho,
Das fontes mais felizes és Cristina...
Devendo devedor divino Deus,
Serem os meus segredos sem marquise,
Eu te vejo, reluzes nesses breus,
Me trazes sensações, feliz Denise...
Eu espero esperanças nos teus beijos,
Na vida não sei dor que não se aplaine,
Vivendo, convivendo com desejos,
Te quero, te pretendo, doce Elaine...
Fervem fervores, febre e fogaréu.
Minha vida, transcorre vai mais branda,
Quando estou procurando azul do céu,
Somente encontrarei a ti, Fernanda...
Gosto gesto gozando gota a gota,
A toda solidão a vida impele,
Mas quando, a solidão queimando, rota,
Recolho-me aos braços de Gisele...
Horas horrores, honra e homenagens,
A quem a vida amou, serena brisa,
Não quero mais saber dessas paragens,
Distantes dos teus olhos, Heloisa...
Instantes imortais, idolatria;
Dessas noites passadas tão insone,
Que nunca mais parece, vem o dia,
Noites brancas, sozinho, sem Ivone...
Jogos jamais jogados, jogatina...
No tabuleiro-vida que me engana,
Sabendo ter teu jeito de menina,
Sabendo ser teu homem, Ó Joana...
Liberdade levando leve luz,
Descanso em meu brinquedo de pelúcia,
Buscando tanto brilho que reluz,
Vivendo por viver, amada Lúcia...
Marcado morredouro mantimento,
Sofrimento passando a ser a tônica
Do que mais poderia ser lamento,
Vou salvo, acreditando só em Mônica!
Nascendo naufragado, néscio não,
Provando essa amargura que venci.
Maltrata devagar meu coração,
Que bate, tresloucado, por Nadir...
Ouvindo ondas ouvi outras ondinas,
Que, por mais igual, nunca se repete
O mar dessas belezas, das meninas,
Que nunca chegariam ser Odete...
Palavras perseguidas plenitude,
Não sabem nem conhecem a delícia,
De ter todo bom senso e atitude,
Que surgem tão somente em ti, Patrícia...
Restam risonhos risos e resquícios,
Desse delicioso amor que agita,
Salvando-me de todos precipícios,
Só quero mergulhar em ti, Ó Rita...
Sabendo sentimentos sem saudade,
Melhor que ti, somente se for clone,
Igual são muito poucas, na verdade...
Sereno, saberei ser teu Simone...
Trazendo tempestades tropicais,
Em meio a tanto canto e mais beleza,
Bebendo, vou tragando e quero mais,
De tudo que vivi em ti, Tereza...
Vivendo vou vencendo vacilantes
Momentos em que tento abrir cratera,
No peito que batia já bem antes
De poder conhecer a bela Vera...
MINHA PASÁRGADA
Vou tentando saber do que não sei,
Ouvindo a melodia mais suave,
Já estive em Pasárgada, fui rei,
Todas as prostitutas, minha nave
Aberta vai caber, o que sonhei;
Falando nisso, todos sonhos grave,
Por favor, nesse tempo que passei,
Na busca do que quero, sem entrave...
Querendo não querendo, vou sutil,
Ser sertão sertanejo, ser servil,
Ser vil com as metástases fatais.
Néscios são os meus vícios mais boçais,
Em tantos precipícios naturais,
Que já me prepararam nest’abril!
Ouvindo a melodia mais suave,
Já estive em Pasárgada, fui rei,
Todas as prostitutas, minha nave
Aberta vai caber, o que sonhei;
Falando nisso, todos sonhos grave,
Por favor, nesse tempo que passei,
Na busca do que quero, sem entrave...
Querendo não querendo, vou sutil,
Ser sertão sertanejo, ser servil,
Ser vil com as metástases fatais.
Néscios são os meus vícios mais boçais,
Em tantos precipícios naturais,
Que já me prepararam nest’abril!
Quando vim do sertão
Quando vim do sertão trouxe saudade,
Do canário da terra, coleirinho,
Um sabiá perdido na cidade,
Amor me maltratando, vagarinho...
Depois de conhecer simplicidade
É tão duro saber que se é sozinho,
Aqui eu conheci a falsidade,
Como dói passarim fora do ninho...
Eu trouxe tanta coisa no bornal,
A foto amarelada de Maria,
As lembranças da fruta no quintal...
A manga, guariroba, a melancia,
As águas do riacho, qual cristal,
Somente dor restou, dessa alegria...
Do canário da terra, coleirinho,
Um sabiá perdido na cidade,
Amor me maltratando, vagarinho...
Depois de conhecer simplicidade
É tão duro saber que se é sozinho,
Aqui eu conheci a falsidade,
Como dói passarim fora do ninho...
Eu trouxe tanta coisa no bornal,
A foto amarelada de Maria,
As lembranças da fruta no quintal...
A manga, guariroba, a melancia,
As águas do riacho, qual cristal,
Somente dor restou, dessa alegria...
AS MARCAS SANGRENTAS DO PASSADO
Tenho as marcas sangrentas do passado,
Cicatrizes no peito sofredor,
Quisera ter vivido do teu lado,
As horas mais difíceis, meu amor...
Estás tão diferente, tenho andado
Em busca do que fomos, onde for.
Nada além me restando, nem bocado
Do sonhos que sonhei, fui sonhador!
Sentindo o bafejar da morte vindo,
Pretendo adeus num último soneto,
Que seja a solidão da dor se abrindo,
Derradeira loucura que cometo,
Quero morrer nos braços, sonho lindo,
Dessa mulher que amei, isso eu prometo!
Cicatrizes no peito sofredor,
Quisera ter vivido do teu lado,
As horas mais difíceis, meu amor...
Estás tão diferente, tenho andado
Em busca do que fomos, onde for.
Nada além me restando, nem bocado
Do sonhos que sonhei, fui sonhador!
Sentindo o bafejar da morte vindo,
Pretendo adeus num último soneto,
Que seja a solidão da dor se abrindo,
Derradeira loucura que cometo,
Quero morrer nos braços, sonho lindo,
Dessa mulher que amei, isso eu prometo!
OS SENTIDOS
Vencendo tantos medos chego a ti,
Para dizer do quanto que procuro,
Na vida ser feliz. Do que senti
Tão logo vi teus olhos sobre o muro.
Nesse momento mágico vivi,
A claridade vívida n’escuro.
Sentidos fervilhando sem cansaço,
Meus braços mendigando teu abraço...
És maciez sonora , belo canto,
Embora nos acordes dissonantes,
Traduzem meus ouvidos, teu encanto,
Quisera concederes, cedo e antes,
Cristalina pureza, me agiganto
Quando mostras; canora voz, sublime...
Tua bela voz, lúdica, suprime...
Emanas um perfume delicado,
Qual rosas, num jardim celestial,
Bem quisera viver deliciado,
Minha dama da noite, vendaval
Fustigando a janela, vou; ceifado
De malícias, verter em bem, o mal.
Somente do suave olor que emanas,
Nos céus, vou construir nossas cabanas...
Tens o sabor dos lábios divinais,
Humana criatura não conhece,
Sentindo o paladar dos imortais,
Em ti, qual fosses deusa, numa prece,
Persigo tua boca, quero mais.
Devora-me e decifro, magistrais
Enigmas; soberana fantasia,
Poder sentir teu beijo, uma ambrosia...
Na pele delicada que te veste,
Sentindo a maciez dos teus cabelos,
Apalpo tantos rumos, leste e oeste,
Na maciez da cútis, são novelos
Feitos da pura seda, que reveste
Entre tantas, sublime em envolvê-los,
Teus seios recobertos de camurça,
Ao senti-los, meu tato tanto aguça...
Meus olhos, quando vejo tal beleza,
Insanos não conseguem enxergar,
Mais nada do que tenha a natureza,
Nem céu, nem as estrelas, nem o mar.
Escravos; são servis a ti, princesa,
Consegues a beleza embelezar.
Te vejo como náufrago sedento,
Sereia, tanto canto exposto ao vento...
Para dizer do quanto que procuro,
Na vida ser feliz. Do que senti
Tão logo vi teus olhos sobre o muro.
Nesse momento mágico vivi,
A claridade vívida n’escuro.
Sentidos fervilhando sem cansaço,
Meus braços mendigando teu abraço...
És maciez sonora , belo canto,
Embora nos acordes dissonantes,
Traduzem meus ouvidos, teu encanto,
Quisera concederes, cedo e antes,
Cristalina pureza, me agiganto
Quando mostras; canora voz, sublime...
Tua bela voz, lúdica, suprime...
Emanas um perfume delicado,
Qual rosas, num jardim celestial,
Bem quisera viver deliciado,
Minha dama da noite, vendaval
Fustigando a janela, vou; ceifado
De malícias, verter em bem, o mal.
Somente do suave olor que emanas,
Nos céus, vou construir nossas cabanas...
Tens o sabor dos lábios divinais,
Humana criatura não conhece,
Sentindo o paladar dos imortais,
Em ti, qual fosses deusa, numa prece,
Persigo tua boca, quero mais.
Devora-me e decifro, magistrais
Enigmas; soberana fantasia,
Poder sentir teu beijo, uma ambrosia...
Na pele delicada que te veste,
Sentindo a maciez dos teus cabelos,
Apalpo tantos rumos, leste e oeste,
Na maciez da cútis, são novelos
Feitos da pura seda, que reveste
Entre tantas, sublime em envolvê-los,
Teus seios recobertos de camurça,
Ao senti-los, meu tato tanto aguça...
Meus olhos, quando vejo tal beleza,
Insanos não conseguem enxergar,
Mais nada do que tenha a natureza,
Nem céu, nem as estrelas, nem o mar.
Escravos; são servis a ti, princesa,
Consegues a beleza embelezar.
Te vejo como náufrago sedento,
Sereia, tanto canto exposto ao vento...
FALANDO FRANCAMENTE
No mundo mais cruel que concebias,
Cabia meu tormento em tuas liras,
Percorrendo vazio, tantos dias,
Sem saber que fingias tantas miras,
Nas penumbras fatais, sem melodias,
De tua mão, sentida flecha, atiras.
Querendo sufocar minha cantiga,
De tantas quanto herdei a mais amiga...
Vivendo essa funérea desventura,
Que traduz a verdade em sofrimento,
Concebo claridade, minha jura,
Tragada pela luta, meu tormento...
Amargo o vinho, âmago, tortura,
Na amargura de todo meu lamento.
Amei-te, no passado mais distante,
Por sorte, meu amor foi inconstante...
Bem sei que naufragaste outro desejo,
De quem não poderia te negar.
Flagrada pois, em cândido cortejo,
Atada a vários braços ao luar.
Mereces bem, portanto escarro e beijo,
Escárnio de quem possa procurar
Em ti, por algo além do sensual,
És página virada dum jornal!
Não vejo em ti, portanto nada além
De restos esquecidos sobre a mesa,
Se eu já te quis, agora me és ninguém,
Não vou te negar glória na beleza,
Nem vou mentir, deveras, foi meu bem...
Mas hoje, tão distante realeza;
Se faz passado pútrido e mordaz.
E, francamente, não te quero mais!
Cabia meu tormento em tuas liras,
Percorrendo vazio, tantos dias,
Sem saber que fingias tantas miras,
Nas penumbras fatais, sem melodias,
De tua mão, sentida flecha, atiras.
Querendo sufocar minha cantiga,
De tantas quanto herdei a mais amiga...
Vivendo essa funérea desventura,
Que traduz a verdade em sofrimento,
Concebo claridade, minha jura,
Tragada pela luta, meu tormento...
Amargo o vinho, âmago, tortura,
Na amargura de todo meu lamento.
Amei-te, no passado mais distante,
Por sorte, meu amor foi inconstante...
Bem sei que naufragaste outro desejo,
De quem não poderia te negar.
Flagrada pois, em cândido cortejo,
Atada a vários braços ao luar.
Mereces bem, portanto escarro e beijo,
Escárnio de quem possa procurar
Em ti, por algo além do sensual,
És página virada dum jornal!
Não vejo em ti, portanto nada além
De restos esquecidos sobre a mesa,
Se eu já te quis, agora me és ninguém,
Não vou te negar glória na beleza,
Nem vou mentir, deveras, foi meu bem...
Mas hoje, tão distante realeza;
Se faz passado pútrido e mordaz.
E, francamente, não te quero mais!
RECORDANDO
Pela areia molhada dessa praia,
Desfilo toda minha solidão.
Por mais que o pensamento me distraia,
Nada tenho, procuro solução,
Para que toda angústia se distraia,
Abandonando esse cruel pendão,
Disfarçado, vestido de cambraia,
Permitindo sentir que amor é vão.
Tentáculo medonho me conduz,
Impede minha livre caminhada,
Na busca do quer fora minha luz...
Na praia em que eu te espreito, não há nada
A não ser a lembrança da andaluz,
Que fora tão somente, minha amada...
Desfilo toda minha solidão.
Por mais que o pensamento me distraia,
Nada tenho, procuro solução,
Para que toda angústia se distraia,
Abandonando esse cruel pendão,
Disfarçado, vestido de cambraia,
Permitindo sentir que amor é vão.
Tentáculo medonho me conduz,
Impede minha livre caminhada,
Na busca do quer fora minha luz...
Na praia em que eu te espreito, não há nada
A não ser a lembrança da andaluz,
Que fora tão somente, minha amada...
Escondidas ao luar
Faço versos, brincadeiras,
Canto no meu poetar,
Alegrias verdadeiras,
Escondidas ao luar
Canto no meu poetar,
Alegrias verdadeiras,
Escondidas ao luar
Tá nas mãos duma mulher…
Nasci na terra mineira,
Na pequena Muriaé,
Minha sina verdadeira,
Tá nas mãos duma mulher…
Na pequena Muriaé,
Minha sina verdadeira,
Tá nas mãos duma mulher…
AMAR
Vai meu mar amar maré
Maresia mar e sina,
Amando Mar e Marina,
No meu mar, morreu a fé,
Nadava, mas não deu pé.
Fui tragado por sereia,
Que cantando, fez a teia,
Que prendeu seu grande amor,
Nem por reza ou por favor,
Cessou brasa, que incendeia...
Maresia mar e sina,
Amando Mar e Marina,
No meu mar, morreu a fé,
Nadava, mas não deu pé.
Fui tragado por sereia,
Que cantando, fez a teia,
Que prendeu seu grande amor,
Nem por reza ou por favor,
Cessou brasa, que incendeia...
Naufragando a poesia...
Um dia a mais, noutro tempo.
Noutro tempo fui tão só,
Doendo a vida, dá dó,
A quem tempo e contratempo,
No meu tempo, passatempo,
Foi solitária agonia
Que me fez perder Maria,
Que me trouxe solidão,
Nunca sim, somente não,
Naufragando a poesia...
Noutro tempo fui tão só,
Doendo a vida, dá dó,
A quem tempo e contratempo,
No meu tempo, passatempo,
Foi solitária agonia
Que me fez perder Maria,
Que me trouxe solidão,
Nunca sim, somente não,
Naufragando a poesia...
Na casa antiga
Na casa antiga, de telha,
Rede posta no quintal,
Roupa quara no varal,
Amor traz forte centelha
Trazendo a lua vermelha;
Fazendo brilhar o sol.
Tudo vai agindo em prol
Da felicidade ativa,
Dos meus olhos és cativa,
Nossa vida no arrebol...
Rede posta no quintal,
Roupa quara no varal,
Amor traz forte centelha
Trazendo a lua vermelha;
Fazendo brilhar o sol.
Tudo vai agindo em prol
Da felicidade ativa,
Dos meus olhos és cativa,
Nossa vida no arrebol...
Ele é anti-flamenguista...
Vascaíno, é meu cunhado,
Mas já me deu outra pista,
Vivendo assim, enganado,
Ele é anti-flamenguista...
Mas já me deu outra pista,
Vivendo assim, enganado,
Ele é anti-flamenguista...
ME ILUDIR
Tens tentado me iludir,
Eu bem sei que isso é verdade,
Tanta vida só por ti,
De falsa felicidade...
Eu bem sei que isso é verdade,
Tanta vida só por ti,
De falsa felicidade...
Bocas beijo
Bocas beijo sem pudores
Bocas que riem de mim,
Nessas bocas minhas dores
Bocas vermelho-carmim...
Bocas que riem de mim,
Nessas bocas minhas dores
Bocas vermelho-carmim...
Computador que computa
Computador que computa,
Computador esqueci,
Computada a força bruta,
Vou computando daqui...
Computador esqueci,
Computada a força bruta,
Vou computando daqui...
A tristeza abriu a fresta
Da dama amada da festa,
Nada ajuda a recordar,
A tristeza abriu a fresta;
Essa porta, vou fechar...
Nada ajuda a recordar,
A tristeza abriu a fresta;
Essa porta, vou fechar...
Amando
Amando de tarde e noite,
Consegui sobreviver,
Solidão foi meu açoite,
Foi embora, ao ver você!
Consegui sobreviver,
Solidão foi meu açoite,
Foi embora, ao ver você!
Não serás minha semente
Não serás minha semente,
Pois não aprendi plantar,
Minha vida vai contente,
Tanta luta por lutar.
Pois não aprendi plantar,
Minha vida vai contente,
Tanta luta por lutar.
Teu senão foi meu talvez
Teu senão foi meu talvez,
Nunca mais quero teu sim,
Pois, desde a primeira vez,
Tô sofrendo, triste assim...
Nunca mais quero teu sim,
Pois, desde a primeira vez,
Tô sofrendo, triste assim...
FALAR TEU NOME
Não quero falar teu nome,
Tenho medo de lembrar,
Da vida que tive lá,
Dessa tristeza e da fome,
Tenho medo que me embrome,
De novo tal tempestade,
Que com toda falsidade,
Machucava sem perdão,
Destruía o coração,
Sem nenhuma piedade...
Tenho medo de lembrar,
Da vida que tive lá,
Dessa tristeza e da fome,
Tenho medo que me embrome,
De novo tal tempestade,
Que com toda falsidade,
Machucava sem perdão,
Destruía o coração,
Sem nenhuma piedade...
Sina
Sina
Tanto medo sem motivo,
Eu garanto pro senhor,
Que, por mais que esteja vivo,
Nunca mais incomodou,
A gente tem, com certeza,
Um pé atras, posso crer.
Mas, em toda a natureza,
Outro igual nunca vai ter.
Nascido de mãe nervosa,
E de pai desconhecido,
Vivendo a vida tão prosa ,
Tendo esse olhar mais perdido.
De menino, ele assombrava
Quem passasse no caminho,
Nunca que ele descansava,
Mesmo que andasse sozinho.
Criado por tia tonta,
Sem ter noção do pecado,
Qualquer coisa que se apronta,
Nem adivinha o recado.
Sendo feito de garrucha,
A caneta que escrevia,
Se esfregando, usando bucha,
Pele dura, nem ardia.
Sem medo de bala ou faca,
Sem temer Deus nem diabo,
Fincando o chão com estaca,
De vivente, dando cabo.
Foi moleque temerário,
Dono de todo o sertão,
Não precisava honorário,
Nem tampouco gratidão.
A morte feito lazer,
Não precisava pagar,
Não queria nem saber,
Tinha prazer no matar...
Pouca gente duvidava
De toda essa valentia,
Sua fama já se dava,
Pelo sertão, percorria…
Mas, na semana passada,
Um fato então lá se deu,
Nas matas das Embolada,
Onde o capeta nasceu.
Tocaiaram Chico Bento,
Deram três tiros de sobra,
Fora esse envenenamento,
Da mordida duma cobra,
Cascavel que deu o bote,
Mas um cabra sertanejo,
Resistindo até a morte,
Na desgraça dando beijo,
Mas, para azar do destino,
Dessa ele não escapou,
Foi-se embora tal menino,
Que a desgraça carregou;
Por cima das tempestades,
Que a vida madrasta armou,
Esquecendo as crueldades,
Que falam que praticou.
Na verdade era um garoto,
Morte sempre bafejou,
Da sorte só teve arroto,
Inté que um dia, voou…
Tanto medo sem motivo,
Eu garanto pro senhor,
Que, por mais que esteja vivo,
Nunca mais incomodou,
A gente tem, com certeza,
Um pé atras, posso crer.
Mas, em toda a natureza,
Outro igual nunca vai ter.
Nascido de mãe nervosa,
E de pai desconhecido,
Vivendo a vida tão prosa ,
Tendo esse olhar mais perdido.
De menino, ele assombrava
Quem passasse no caminho,
Nunca que ele descansava,
Mesmo que andasse sozinho.
Criado por tia tonta,
Sem ter noção do pecado,
Qualquer coisa que se apronta,
Nem adivinha o recado.
Sendo feito de garrucha,
A caneta que escrevia,
Se esfregando, usando bucha,
Pele dura, nem ardia.
Sem medo de bala ou faca,
Sem temer Deus nem diabo,
Fincando o chão com estaca,
De vivente, dando cabo.
Foi moleque temerário,
Dono de todo o sertão,
Não precisava honorário,
Nem tampouco gratidão.
A morte feito lazer,
Não precisava pagar,
Não queria nem saber,
Tinha prazer no matar...
Pouca gente duvidava
De toda essa valentia,
Sua fama já se dava,
Pelo sertão, percorria…
Mas, na semana passada,
Um fato então lá se deu,
Nas matas das Embolada,
Onde o capeta nasceu.
Tocaiaram Chico Bento,
Deram três tiros de sobra,
Fora esse envenenamento,
Da mordida duma cobra,
Cascavel que deu o bote,
Mas um cabra sertanejo,
Resistindo até a morte,
Na desgraça dando beijo,
Mas, para azar do destino,
Dessa ele não escapou,
Foi-se embora tal menino,
Que a desgraça carregou;
Por cima das tempestades,
Que a vida madrasta armou,
Esquecendo as crueldades,
Que falam que praticou.
Na verdade era um garoto,
Morte sempre bafejou,
Da sorte só teve arroto,
Inté que um dia, voou…
LOUCA VIAJANTE
Passando pelo céu, vai viajante louca.
Correndo sem parar, cometa sem destino,
Quando for misturar, minha na tua boca,
Regressarei, vou ser, novamente um menino.
Minha voz, noutro mar, noutro tempo, mais rouca;
Já poderá cantar, no dobrar desse sino,
Em cujo badalar, minha dor se fez pouca
E a alegria, verão, foi grande desatino...
Passageira a temer, tantas as desventuras
Que na vida irá ter, quem nunca pode amar.
Para quem, caminhar nas noites mais escuras.
Buscando do luar, farol para guiar,
Os passos a fugir de tantas amarguras.
A viajante vai, nem sabe onde parar...
Correndo sem parar, cometa sem destino,
Quando for misturar, minha na tua boca,
Regressarei, vou ser, novamente um menino.
Minha voz, noutro mar, noutro tempo, mais rouca;
Já poderá cantar, no dobrar desse sino,
Em cujo badalar, minha dor se fez pouca
E a alegria, verão, foi grande desatino...
Passageira a temer, tantas as desventuras
Que na vida irá ter, quem nunca pode amar.
Para quem, caminhar nas noites mais escuras.
Buscando do luar, farol para guiar,
Os passos a fugir de tantas amarguras.
A viajante vai, nem sabe onde parar...
Falando de você
Falando de você, por todo canto,
Não quero nem consigo mais mentir,
Seu nome, traduzindo tanto encanto,
O rumo, onde pretendo prosseguir.
Seus medos, e segredos, acalanto
Para as noites difíceis que vivi
Gritando aos céus perdido, cego. Tanto
Quanto sei, tão sem nexo, por aqui.
Senão é seu talvez, fazendo sina
Trazendo essa menina, que alucina.
Que me dá da suave rebeldia,
Acima do meu Deus, já me irradia,
No cálice vertido da sangria.
Que tanto me maltrata e desatina.
Não quero nem consigo mais mentir,
Seu nome, traduzindo tanto encanto,
O rumo, onde pretendo prosseguir.
Seus medos, e segredos, acalanto
Para as noites difíceis que vivi
Gritando aos céus perdido, cego. Tanto
Quanto sei, tão sem nexo, por aqui.
Senão é seu talvez, fazendo sina
Trazendo essa menina, que alucina.
Que me dá da suave rebeldia,
Acima do meu Deus, já me irradia,
No cálice vertido da sangria.
Que tanto me maltrata e desatina.
Menina, me dê licença
Menina, me dê licença,
D'eu contar a minha história ,
Enquanto a cabeça pensa,
Vou falando de memória.
Nasci nas terras do Juca,
Lá pras bandas do Meião.
Saudade quando cutuca,
Maltrata meu coração.
Minha mãe foi benzedeira,
A melhor que havia lá,
Curava qualquer besteira,
Qualquer doença que há.
Com a fé de quem rezava,
Dia inteiro, se preciso,
Tanto mal ela curava,
E tá lá, no Paraíso.
Foi embora, a dor é tanta,
Mas, bonita sua cruz,
Morreu sexta feira santa,
Mesmo dia que Jesus.
Lá no Céu teve festança,
Movida a muito forró,
Teve prenda e teve dança.
Teve tudo o de melhor.
Meu pai, foi sertanejo,
Lavrador com muito orgulho,
Lutando com tanto pejo,
Viveu sem fazer barulho,
A morte também, destino,
Levou meu querido pai,
Deixando, tal desatino,
Que, da lembrança, não sai.
Fiquei sozinho na lida,
Sem mulher ou companheira,
Tudo que tenho na vida,
É a viola, estradeira.
Tenho o sol como meu guia,
A lua por namorada,
Vou cantando todo dia,
Canto só, sem ter parada.
Não quero cantar tristeza,
Nem tampouco solidão,
Vou cantando essa beleza,
A beleza do sertão.
A vida deu regalia
E tomou, sem perguntar,
Se era isso o que eu queria,
Mas não posso reclamar.
Foi Deus quem me deu o dom,
Dessa viola tocar,
Quando dela, tiro um som,
Canto sem pestanejar.
Não quero amar a ninguém,
Nem me prender a Maria,
Preciso de ter um bem,
Que a mim, não pertencia.
Pois somente assim, menina,
Não tendo amor que se implora,
Nem tendo vida que atina,
A minha viola chora...
D'eu contar a minha história ,
Enquanto a cabeça pensa,
Vou falando de memória.
Nasci nas terras do Juca,
Lá pras bandas do Meião.
Saudade quando cutuca,
Maltrata meu coração.
Minha mãe foi benzedeira,
A melhor que havia lá,
Curava qualquer besteira,
Qualquer doença que há.
Com a fé de quem rezava,
Dia inteiro, se preciso,
Tanto mal ela curava,
E tá lá, no Paraíso.
Foi embora, a dor é tanta,
Mas, bonita sua cruz,
Morreu sexta feira santa,
Mesmo dia que Jesus.
Lá no Céu teve festança,
Movida a muito forró,
Teve prenda e teve dança.
Teve tudo o de melhor.
Meu pai, foi sertanejo,
Lavrador com muito orgulho,
Lutando com tanto pejo,
Viveu sem fazer barulho,
A morte também, destino,
Levou meu querido pai,
Deixando, tal desatino,
Que, da lembrança, não sai.
Fiquei sozinho na lida,
Sem mulher ou companheira,
Tudo que tenho na vida,
É a viola, estradeira.
Tenho o sol como meu guia,
A lua por namorada,
Vou cantando todo dia,
Canto só, sem ter parada.
Não quero cantar tristeza,
Nem tampouco solidão,
Vou cantando essa beleza,
A beleza do sertão.
A vida deu regalia
E tomou, sem perguntar,
Se era isso o que eu queria,
Mas não posso reclamar.
Foi Deus quem me deu o dom,
Dessa viola tocar,
Quando dela, tiro um som,
Canto sem pestanejar.
Não quero amar a ninguém,
Nem me prender a Maria,
Preciso de ter um bem,
Que a mim, não pertencia.
Pois somente assim, menina,
Não tendo amor que se implora,
Nem tendo vida que atina,
A minha viola chora...
João Polino e o Lobisomem
A lua em Santa Martha tem uma beleza ímpar. À época dessa historia, então, era de uma claridade ofuscante, ainda mais se fosse cheia.
Lua cheia inspira todos os poetas, ainda mais quando não há além dela, senão as bruxuleantes luminosidades que vêm dos candeeiros a querosene.
Isso era o que acontecia na década de quarenta, quando a iluminação tanto pública quanto nas residências era somente uma utopia.
João Polino, nesse tempo um jovem de pouco mais de vinte anos, dono de uma invejável valentia e de uma força inigualável, um verdadeiro sertanejo, acompanhado de uma indefectível garrucha, para o caso de ter que usar contra cães do mato, onças pintadas ou jagunços, reis da emboscada.
João era de boa paz, mas nada impedia de que houvesse alguma tocaia, por quaisquer motivos, ou mesmo sem.
A terra era sem lei, não tinha ninguém para coibir a violência que campeava, ainda mais por que a sede do município, Alegre, distava mais de cinqüenta quilômetros de terra batida e, muitas vezes, intransitável.
Noite de lua cheia, numa sexta feira, não tinha erro: lobisomem na certa.
E, em Santa Martha não era diferente. O lobisomem local era um jovem estranho: calado, ensimesmado, não se dando com nenhum morador do vilarejo, exceto João Polino, pois esse não tinha medo de nada e de ninguém.
Nos últimos meses, começaram a aparecer sinais da presença do Lobisomem. Durante a madrugada, várias vezes se ouvia um uivo longínquo, acompanhado do grito desesperado das galinhas e do gado.
No dia seguinte, a constatação: algumas cabeças de gado desaparecidas e muitas penas de galinha com o sangue espalhado sobre o chão, sinal da passagem do bicho.
Todos os habitantes começaram a olhar desconfiados para o pobre Joaquim, o nosso suspeito de lobisomagem.
Este, acuado e tímido, não respondia a nenhuma insinuação que fizessem, conversando somente com João Polino, a quem negava qualquer participação nos acontecidos.
João, entre preocupado com o gado que mantinha numa pequena propriedade próxima ao distrito e com o pobre Lobisomem, resolveu tentar tirar a limpo a história.
Corajosamente, resolveu amarrar seu amigo Joaquim numa pilastra, dentro de sua casa, e esperar pelo que aconteceria.
Naquela noite, ao ver que seu amigo mantinha-se acorrentado e ouvindo, distante os sons costumeiros, chegou a uma conclusão. Realmente, seu amigo não era lobisomem.
Mas, se não fosse ele, quem seria e como descobriria?
Astuto como ele só, João resolveu armar uma arapuca para descobrir o malfeitor e o malfeito.
Durante um mês, espalhou que tinha comprado umas vacas holandesas para leite, que eram campeoníssimas, tendo vencido exposições de gado até na longínqua São José do Calçado.
O assunto em Santa Martha não era outro, quando é que vinham as vaquinhas, quanto custou, etc.
João, perspicaz, ao ver na folhinha que a próxima lua cheia seria em cinco de agosto, deu a data do dia cinco, como a da chegada do gado.
Na data marcada, em conluio com o seu amigo Joaquim Lobisomem , ficou de tocaia à espera do maldito lobisomem.
Para sua surpresa, o que viu o deixou de queixo caído.
Um dos mais importantes coronéis de Santa Martha, seu Leôncio, estava chegando, disfarçadamente, com mais dois jagunços, na sua propriedade. Traziam algumas facas e, ao começarem a uivar alto, um deles foi até o galinheiro e matou algumas das mais gordas galinhas de João Polino.
Com o alvoroço formado, correram até ao curral, onde principiaram a laçar as vacas, pobre vaquinhas...
Nesse ínterim, João Polino, abismado com o que vira, partiu em direção ao curral e, garrucha em punho, começou a xingar e desafiar o coronel trambiqueiro.
Sem perceber, João foi agarrado e amarrado pelos jagunços do Coronel, que se preparava para esfaquear nosso herói.
Mas, subitamente, se ouviu um gemido assustador. Quando olharam para trás, puderam perceber, um lobo gigantesco, de pé, uivando e babando.
Em pânico, largaram João e saíram correndo, em desabalada carreira.
Quando João ficou a sós com o lobisomem, sem apresentar nenhum sinal de medo, chamou-o, carinhosamente, pelo nome.
Surpreendentemente, Joaquim se abaixou e começou a lamber, carinhosamente, as mãos de seu amigo.
E partiu, para nunca mais voltar, nas noites de sexta feira de lua cheia em Santa Martha...
Lua cheia inspira todos os poetas, ainda mais quando não há além dela, senão as bruxuleantes luminosidades que vêm dos candeeiros a querosene.
Isso era o que acontecia na década de quarenta, quando a iluminação tanto pública quanto nas residências era somente uma utopia.
João Polino, nesse tempo um jovem de pouco mais de vinte anos, dono de uma invejável valentia e de uma força inigualável, um verdadeiro sertanejo, acompanhado de uma indefectível garrucha, para o caso de ter que usar contra cães do mato, onças pintadas ou jagunços, reis da emboscada.
João era de boa paz, mas nada impedia de que houvesse alguma tocaia, por quaisquer motivos, ou mesmo sem.
A terra era sem lei, não tinha ninguém para coibir a violência que campeava, ainda mais por que a sede do município, Alegre, distava mais de cinqüenta quilômetros de terra batida e, muitas vezes, intransitável.
Noite de lua cheia, numa sexta feira, não tinha erro: lobisomem na certa.
E, em Santa Martha não era diferente. O lobisomem local era um jovem estranho: calado, ensimesmado, não se dando com nenhum morador do vilarejo, exceto João Polino, pois esse não tinha medo de nada e de ninguém.
Nos últimos meses, começaram a aparecer sinais da presença do Lobisomem. Durante a madrugada, várias vezes se ouvia um uivo longínquo, acompanhado do grito desesperado das galinhas e do gado.
No dia seguinte, a constatação: algumas cabeças de gado desaparecidas e muitas penas de galinha com o sangue espalhado sobre o chão, sinal da passagem do bicho.
Todos os habitantes começaram a olhar desconfiados para o pobre Joaquim, o nosso suspeito de lobisomagem.
Este, acuado e tímido, não respondia a nenhuma insinuação que fizessem, conversando somente com João Polino, a quem negava qualquer participação nos acontecidos.
João, entre preocupado com o gado que mantinha numa pequena propriedade próxima ao distrito e com o pobre Lobisomem, resolveu tentar tirar a limpo a história.
Corajosamente, resolveu amarrar seu amigo Joaquim numa pilastra, dentro de sua casa, e esperar pelo que aconteceria.
Naquela noite, ao ver que seu amigo mantinha-se acorrentado e ouvindo, distante os sons costumeiros, chegou a uma conclusão. Realmente, seu amigo não era lobisomem.
Mas, se não fosse ele, quem seria e como descobriria?
Astuto como ele só, João resolveu armar uma arapuca para descobrir o malfeitor e o malfeito.
Durante um mês, espalhou que tinha comprado umas vacas holandesas para leite, que eram campeoníssimas, tendo vencido exposições de gado até na longínqua São José do Calçado.
O assunto em Santa Martha não era outro, quando é que vinham as vaquinhas, quanto custou, etc.
João, perspicaz, ao ver na folhinha que a próxima lua cheia seria em cinco de agosto, deu a data do dia cinco, como a da chegada do gado.
Na data marcada, em conluio com o seu amigo Joaquim Lobisomem , ficou de tocaia à espera do maldito lobisomem.
Para sua surpresa, o que viu o deixou de queixo caído.
Um dos mais importantes coronéis de Santa Martha, seu Leôncio, estava chegando, disfarçadamente, com mais dois jagunços, na sua propriedade. Traziam algumas facas e, ao começarem a uivar alto, um deles foi até o galinheiro e matou algumas das mais gordas galinhas de João Polino.
Com o alvoroço formado, correram até ao curral, onde principiaram a laçar as vacas, pobre vaquinhas...
Nesse ínterim, João Polino, abismado com o que vira, partiu em direção ao curral e, garrucha em punho, começou a xingar e desafiar o coronel trambiqueiro.
Sem perceber, João foi agarrado e amarrado pelos jagunços do Coronel, que se preparava para esfaquear nosso herói.
Mas, subitamente, se ouviu um gemido assustador. Quando olharam para trás, puderam perceber, um lobo gigantesco, de pé, uivando e babando.
Em pânico, largaram João e saíram correndo, em desabalada carreira.
Quando João ficou a sós com o lobisomem, sem apresentar nenhum sinal de medo, chamou-o, carinhosamente, pelo nome.
Surpreendentemente, Joaquim se abaixou e começou a lamber, carinhosamente, as mãos de seu amigo.
E partiu, para nunca mais voltar, nas noites de sexta feira de lua cheia em Santa Martha...
Foi magia e desencanto
Foi magia e desencanto,
Que me roubou de você,
Nosso amor pegou quebranto,
O quê que eu posso fazer?
Que me roubou de você,
Nosso amor pegou quebranto,
O quê que eu posso fazer?
Trago meu tempo e ternura
Trago meu tempo e ternura,
Esperando convencer
Quem, tanta paz e brandura,
Trouxe para o meu viver.
Esperando convencer
Quem, tanta paz e brandura,
Trouxe para o meu viver.
Vivendo só da saudade
Vivendo só da saudade,
Percebendo a solidão,
Companheira nesse chão,
Onde errante, cedo ou tarde,
Procurei felicidade.
Nada tive, vou sozinho,
Buscando novo caminho,
Partindo pelas estradas,
Nas noites enluaradas,
Vou voando, passarinho.
Percebendo a solidão,
Companheira nesse chão,
Onde errante, cedo ou tarde,
Procurei felicidade.
Nada tive, vou sozinho,
Buscando novo caminho,
Partindo pelas estradas,
Nas noites enluaradas,
Vou voando, passarinho.
Sou natural das Gerais
Sou natural das Gerais,
Da terra de Tiradentes,
Lá da Mata e das Vertentes.
E, da vida, quero paz.
Tudo que a sorte me traz,
Eu guardo em meu embornal,
Da terra, Deus é meu sal.
E peço a Nosso Senhor,
Que multiplique o amor,
Para o bem vencer o mal!
Da terra de Tiradentes,
Lá da Mata e das Vertentes.
E, da vida, quero paz.
Tudo que a sorte me traz,
Eu guardo em meu embornal,
Da terra, Deus é meu sal.
E peço a Nosso Senhor,
Que multiplique o amor,
Para o bem vencer o mal!
Minha vida faz sentido
Minha vida faz sentido,
Somente se for você
Quem, comigo, for viver.
Senão, meu mundo perdido,
Perde todo o colorido.
O azul dos olhos seus,
Que, quem dera, fossem meus,
Seriam a salvação,
Pediria, por perdão,
Esses meus olhos ateus!
Somente se for você
Quem, comigo, for viver.
Senão, meu mundo perdido,
Perde todo o colorido.
O azul dos olhos seus,
Que, quem dera, fossem meus,
Seriam a salvação,
Pediria, por perdão,
Esses meus olhos ateus!
No sertão do Ceará
No sertão do Ceará
Encontrei linda princesa,
Carregada de tristeza,
De tanta dor prá contar.
Beleza igual ao luar,
O luar do meu sertão,
Que, com toda essa emoção,
Não consigo lhe esquecer.
Tão bela quanto você,
Não fez Deus, na criação.
Encontrei linda princesa,
Carregada de tristeza,
De tanta dor prá contar.
Beleza igual ao luar,
O luar do meu sertão,
Que, com toda essa emoção,
Não consigo lhe esquecer.
Tão bela quanto você,
Não fez Deus, na criação.
Nunca mais saber teu nome
Nunca mais saber teu nome,
Nem querer te conhecer,
Preferia, assim, viver,
Sabendo que tudo some,
Vivendo amor sem ter fome,
Nem escolhendo parada,
Devorando a madrugada,
Da poeira, companheiro,
Seguindo esse mundo inteiro,
Sem ter medo, sem ter nada!
Nem querer te conhecer,
Preferia, assim, viver,
Sabendo que tudo some,
Vivendo amor sem ter fome,
Nem escolhendo parada,
Devorando a madrugada,
Da poeira, companheiro,
Seguindo esse mundo inteiro,
Sem ter medo, sem ter nada!
O teu nome
De tanto escrever na areia,
O teu nome, minha amada,
E, depois, na maré cheia,
Não sobrar, dele, mais nada.
De tanto sonhar contigo,
Buscando teu colo amigo.
De tanto querer em vão,
Poder ter teu pensamento,
Vasculhando todo o chão,
Em busca d’um só momento,
Podendo estar a teu lado,
No final, desesperado...
Por acreditar em ti,
Por não crer mais, nem em mim,
No que fui, tanto perdi,
Queimando a dor, tão ruim,
Quero viver um segundo,
Em ti, o meu novo mundo.
São palavras que lamento,
São verdades que não digo,
Tanto ardor, tanto tormento,
Vida correndo perigo.
Minha sede, no teu beijo,
Matando mais que desejo...
Foi embora, mas, fiquei.
Esperando te encontrar,
Dessas dores, eu bem sei,
Não consigo nem lutar.
Quero afinal, meu descanso,
No mais sagrado remanso.
Teimando em nunca temer,
Achando, sem valentia,
Onde encontrar meu querer,
Seja noite ou seja dia,
Montado nesse alazão,
Que se chama: coração!
O teu nome, minha amada,
E, depois, na maré cheia,
Não sobrar, dele, mais nada.
De tanto sonhar contigo,
Buscando teu colo amigo.
De tanto querer em vão,
Poder ter teu pensamento,
Vasculhando todo o chão,
Em busca d’um só momento,
Podendo estar a teu lado,
No final, desesperado...
Por acreditar em ti,
Por não crer mais, nem em mim,
No que fui, tanto perdi,
Queimando a dor, tão ruim,
Quero viver um segundo,
Em ti, o meu novo mundo.
São palavras que lamento,
São verdades que não digo,
Tanto ardor, tanto tormento,
Vida correndo perigo.
Minha sede, no teu beijo,
Matando mais que desejo...
Foi embora, mas, fiquei.
Esperando te encontrar,
Dessas dores, eu bem sei,
Não consigo nem lutar.
Quero afinal, meu descanso,
No mais sagrado remanso.
Teimando em nunca temer,
Achando, sem valentia,
Onde encontrar meu querer,
Seja noite ou seja dia,
Montado nesse alazão,
Que se chama: coração!
PARA MOACIR I. COSTA JUNIOR
Meu querido Moacir,
Me emocionas, de fato.
Que bom é poder sentir
A doçura do regato,
Onde a brisa bela ondeia,
Por onde passa esse vento,
Que alimenta, na veia.
Água benta pro sedento...
Teus versos são melodias
Trazendo emoção, calor
A Musa, nas fantasias,
Se entrega por tanto amor...
Companheiro, que beleza,
Teu cantar belo, reluz.
Espanta toda tristeza,
Traz para as trevas, a luz.
Muito obrigado, Moacir.
Com um abraço Marcos Loures
Me emocionas, de fato.
Que bom é poder sentir
A doçura do regato,
Onde a brisa bela ondeia,
Por onde passa esse vento,
Que alimenta, na veia.
Água benta pro sedento...
Teus versos são melodias
Trazendo emoção, calor
A Musa, nas fantasias,
Se entrega por tanto amor...
Companheiro, que beleza,
Teu cantar belo, reluz.
Espanta toda tristeza,
Traz para as trevas, a luz.
Muito obrigado, Moacir.
Com um abraço Marcos Loures
Na curva da saudade
Nessa curva da saudade,
Encontrei meu bem querer,
Procurei felicidade
A razão para eu viver.
Mas, me deixaste sozinho,
Coração tão miudinho...
Foste buscar n’outros braços,
Aquilo que eu quis te dar,
Meus olhos ficando baços,
Silêncio no meu cantar.
Me negaste teu anel,
Por que foste tão cruel?
Quis te dar minha amizade,
Nem isso quiseste ter,
Para falar a verdade,
Eu preferia morrer,
A viver sem teu carinho,
Meu coração pobrezinho...
A vida segue doendo,
Eu, na vida vou tão só,
Na vida, sigo morrendo,
E ninguém, de mim, tem dó.
Quero somente te ver,
Não consigo te esquecer...
Marcada por essa sina,
Minha vida não tem graça.
Sem saber, és assassina,
Culpada pela desgraça,
Que se abate sobre mim,
Não sabes que és tão ruim...
Meu amor, por caridade,
Não me deixe morrer não,
Me mande essa novidade,
Ajude meu coração.
Fale que gosta de mim,
Não me deixe, triste assim...
Encontrei meu bem querer,
Procurei felicidade
A razão para eu viver.
Mas, me deixaste sozinho,
Coração tão miudinho...
Foste buscar n’outros braços,
Aquilo que eu quis te dar,
Meus olhos ficando baços,
Silêncio no meu cantar.
Me negaste teu anel,
Por que foste tão cruel?
Quis te dar minha amizade,
Nem isso quiseste ter,
Para falar a verdade,
Eu preferia morrer,
A viver sem teu carinho,
Meu coração pobrezinho...
A vida segue doendo,
Eu, na vida vou tão só,
Na vida, sigo morrendo,
E ninguém, de mim, tem dó.
Quero somente te ver,
Não consigo te esquecer...
Marcada por essa sina,
Minha vida não tem graça.
Sem saber, és assassina,
Culpada pela desgraça,
Que se abate sobre mim,
Não sabes que és tão ruim...
Meu amor, por caridade,
Não me deixe morrer não,
Me mande essa novidade,
Ajude meu coração.
Fale que gosta de mim,
Não me deixe, triste assim...
A cruz
A cruz abandonada no caminho,
Traduz a sorte; morte sem perdão.
Quem passa e nem percebe e vai sozinho,
Riscando pelas trilhas, novo chão.
Mal sabe que viveu, nesse sertão,
A dona dos meus olhos, meu carinho,
Razão de vida, pobre coração.
Que teima , vai batendo, passarinho...
Essa cruz foi fincada por alguém,
Que nunca poderia imaginar;
Que ela também fora meu triste bem.
Mas, meu Deus, nunca posso revelar,
Nem a Ti, nem sequer mais a ninguém,
Esse amor, segredado num luar...
Traduz a sorte; morte sem perdão.
Quem passa e nem percebe e vai sozinho,
Riscando pelas trilhas, novo chão.
Mal sabe que viveu, nesse sertão,
A dona dos meus olhos, meu carinho,
Razão de vida, pobre coração.
Que teima , vai batendo, passarinho...
Essa cruz foi fincada por alguém,
Que nunca poderia imaginar;
Que ela também fora meu triste bem.
Mas, meu Deus, nunca posso revelar,
Nem a Ti, nem sequer mais a ninguém,
Esse amor, segredado num luar...
terça-feira, 4 de outubro de 2011
PAI
Tens a força , gigante tão sereno,
Que sabes conquistar sem ser tirano.
Carinho, sentimento que sei pleno,
Amores que já tive, ledo engano.
Tantos colos, jamais um tão ameno.
E, nos tropeços, tuas mãos. Insano
Coração procurando por veneno,
Encontrando, deveras, abandono...
Eu sei, sempre estiveste me esperando,
Teu apoio, na queda, me levanta.
Pois quanto mais a vida, magoando,
Mais a tua presença a mim, encanta.
A teu nome, meus versos, dedicando;
Pai nesse dia teu, minha’alma canta!
Que sabes conquistar sem ser tirano.
Carinho, sentimento que sei pleno,
Amores que já tive, ledo engano.
Tantos colos, jamais um tão ameno.
E, nos tropeços, tuas mãos. Insano
Coração procurando por veneno,
Encontrando, deveras, abandono...
Eu sei, sempre estiveste me esperando,
Teu apoio, na queda, me levanta.
Pois quanto mais a vida, magoando,
Mais a tua presença a mim, encanta.
A teu nome, meus versos, dedicando;
Pai nesse dia teu, minha’alma canta!
SEQUER INDÍCIOS
No contrapé dessa saudade insana,
Eu percebi teus passos, titubeias...
Vencer todos os medos, tanta gana,
No final disso tudo, novas teias,
Emaranhadas, fétida cabana;
Onde, meus pobres sonhos, incendeias.
Mas, no fundo, pasmada dor sacana,
Percorrendo silente, minhas veias...
Eu mal sei nomear teus artifícios,
Nem ceder aos teus caprichos,
Se queres, não terás meus sacrifícios.
Pois procure encontrar, teus novos nichos,
Aonde cultivar teus velhos vícios
Sumas, de ti não quero nem indícios...
Eu percebi teus passos, titubeias...
Vencer todos os medos, tanta gana,
No final disso tudo, novas teias,
Emaranhadas, fétida cabana;
Onde, meus pobres sonhos, incendeias.
Mas, no fundo, pasmada dor sacana,
Percorrendo silente, minhas veias...
Eu mal sei nomear teus artifícios,
Nem ceder aos teus caprichos,
Se queres, não terás meus sacrifícios.
Pois procure encontrar, teus novos nichos,
Aonde cultivar teus velhos vícios
Sumas, de ti não quero nem indícios...
É que, menino, fui rei...
Bebi água na torneira,
No riacho me afoguei,
Se já fiz tanta besteira,
É que, menino, fui rei...
No riacho me afoguei,
Se já fiz tanta besteira,
É que, menino, fui rei...
Sei do seio da saudade
Sei do seio da saudade,
Da saudade, tão profunda,
A lua, por caridade,
De claridade, me inunda...
Da saudade, tão profunda,
A lua, por caridade,
De claridade, me inunda...
Beija flor, beijando a boca,
Beija flor, beijando a boca,
Essa boca que beijei,
Beija flor deixando louca
Tanta boca que eu amei
Essa boca que beijei,
Beija flor deixando louca
Tanta boca que eu amei
Beijando a boca da noite
Beijando a boca da noite,
Cavalgando no cometa,
Constelações como açoite,
Tanta luz que se prometa
Cavalgando no cometa,
Constelações como açoite,
Tanta luz que se prometa
Linda rosa
Rosalinda, minha rosa.
Linda rosa, na roseira.
Moça linda, mas tão prosa,
No rosal, és a primeira...
Linda rosa, na roseira.
Moça linda, mas tão prosa,
No rosal, és a primeira...
Sou mineiro
Sou mineiro, de verdade;
Demorei a ver o mar,
Quando vi, me deu saudade,
De quem aprendi a amar...
Demorei a ver o mar,
Quando vi, me deu saudade,
De quem aprendi a amar...
Nas ondas do rio mar
Lancei toda minha sorte,
Nas ondas do rio mar,
Mariazinha, por sorte,
Está aprendendo a nadar...
Nas ondas do rio mar,
Mariazinha, por sorte,
Está aprendendo a nadar...
Alameda d’esperança
Alameda d’esperança,
Criança corre, a brincar,
Vivendo em minha lembrança,
Vai brincando, sem parar...
Criança corre, a brincar,
Vivendo em minha lembrança,
Vai brincando, sem parar...
SEGREDO
Bebo a vida sem ter medo,
Posso ‘té me embriagar,
Quem quiser saber segredo,
Procure conchas no mar...
Posso ‘té me embriagar,
Quem quiser saber segredo,
Procure conchas no mar...
VIVER A PÓETAR
Poetando poesia,
Vivo sempre a poetar,
Quem poeta todo dia,
Conhece manhas de amar...
Vivo sempre a poetar,
Quem poeta todo dia,
Conhece manhas de amar...
Não pude recomeçar
Vindo de triste partida,
Não pude recomeçar.
Minha sina, nessa vida,
É morrer de tanto amar
Não pude recomeçar.
Minha sina, nessa vida,
É morrer de tanto amar
Na curva desta promessa
Trevo entre a vida e a morte,
Na curva desta promessa,
Onde a vida teve a sorte,
Onde o corte se confessa
Na curva desta promessa,
Onde a vida teve a sorte,
Onde o corte se confessa
04/10/2011
No quanto neste sonho se vestira
Além da corriqueira e vaga sorte
A luta na verdade não conforte
E nisto não acerto nem a mira,
O verso no caminho não confira
O tanto que pudesse em tal suporte
A vida saciando a deusa morte,
Apaga num instante a rude pira.
Marcantes ilusões e nada mais
Os dias sendo rudes e banais
A sorte não promete além e queira
Vencer a tempestade com a farsa
E nisto a vida inteira já se esparsa
Trazendo a mesma angústia costumeira.
2
Encontro a jóia rara em rica senda
Tentando adivinhar o que viria
Regendo com ternura a fantasia
Que ao fim já com certeza eu não entenda,
Eu sinto do passado esta contenda
Marcando com terror esta agonia
E nisto se desdenha o dia a dia
Fazendo deste amor apenas lenda.
Não vejo e não pudera ser diverso
O mundo tantas vezes controverso
Presume cada queda e nada vem,
Olhando para trás nada comporta
A vida se anuncia atrás da porta
Gerando tão somente este desdém.
3
Nefasta imagem trama o meu olhar
E nada do que pude noutro enredo
Traduz o quanto vejo sempre ledo
O rumo num errático sonhar.
Jamais apresentando algum lugar
Aonde com certeza ora concedo
Trazendo cada farsa e não procedo
Restando quanto pude a desejar.
Não possa acreditar no que refaz
A luta sem saber o quanto audaz
O mundo sem sentido e sem proveito,
Reparo com meus versos o vazio
E neste caminhar eu desvario
E sei que no final; a queda, aceito.
No quanto neste sonho se vestira
Além da corriqueira e vaga sorte
A luta na verdade não conforte
E nisto não acerto nem a mira,
O verso no caminho não confira
O tanto que pudesse em tal suporte
A vida saciando a deusa morte,
Apaga num instante a rude pira.
Marcantes ilusões e nada mais
Os dias sendo rudes e banais
A sorte não promete além e queira
Vencer a tempestade com a farsa
E nisto a vida inteira já se esparsa
Trazendo a mesma angústia costumeira.
2
Encontro a jóia rara em rica senda
Tentando adivinhar o que viria
Regendo com ternura a fantasia
Que ao fim já com certeza eu não entenda,
Eu sinto do passado esta contenda
Marcando com terror esta agonia
E nisto se desdenha o dia a dia
Fazendo deste amor apenas lenda.
Não vejo e não pudera ser diverso
O mundo tantas vezes controverso
Presume cada queda e nada vem,
Olhando para trás nada comporta
A vida se anuncia atrás da porta
Gerando tão somente este desdém.
3
Nefasta imagem trama o meu olhar
E nada do que pude noutro enredo
Traduz o quanto vejo sempre ledo
O rumo num errático sonhar.
Jamais apresentando algum lugar
Aonde com certeza ora concedo
Trazendo cada farsa e não procedo
Restando quanto pude a desejar.
Não possa acreditar no que refaz
A luta sem saber o quanto audaz
O mundo sem sentido e sem proveito,
Reparo com meus versos o vazio
E neste caminhar eu desvario
E sei que no final; a queda, aceito.
Embarquei meu coração!
Foste forte fui tão fraco,
Fracassei sem ter perdão,
Pus, na corrente, meu barco,
Embarquei meu coração!
Fracassei sem ter perdão,
Pus, na corrente, meu barco,
Embarquei meu coração!
Tempo
Tempo, vento catavento,
Contratempo, vendaval.
Tento tanto, me contento,
Com teu tempo, temporal...
Contratempo, vendaval.
Tento tanto, me contento,
Com teu tempo, temporal...
SAUDADES DE TI
No túmulo da amada vejo o nome
De quem, por tantas vezes já chorei.
A dor fria, noturna, me consome...
Essa dor de saber que tanto amei!
Partindo, nada fica, tudo some;
Na poeira atroz, restos do que sei.
Da solidão vertida, resta a fome,
Dum mundo mais feliz, onde essa lei,
Que faz perder a vida de quem ama,
Que faz sofrer assim, por tant’amor,
Vivendo agonizando, velho drama...
Oh! Meu Deus, me perdoe, por favor,
Não deixe que a saudade vença a trama
E não deixe a minha’alma a Ti s’opor!
De quem, por tantas vezes já chorei.
A dor fria, noturna, me consome...
Essa dor de saber que tanto amei!
Partindo, nada fica, tudo some;
Na poeira atroz, restos do que sei.
Da solidão vertida, resta a fome,
Dum mundo mais feliz, onde essa lei,
Que faz perder a vida de quem ama,
Que faz sofrer assim, por tant’amor,
Vivendo agonizando, velho drama...
Oh! Meu Deus, me perdoe, por favor,
Não deixe que a saudade vença a trama
E não deixe a minha’alma a Ti s’opor!
FELICIDADE...
Quando te vi; cansada viajante,
Eu nunca poderia adivinhar,
Que, na vida, tu foste tão constante.
Embora nunca pude te encontrar...
Eu bem sei de teus passos; errante
Companheira noturna do luar.
Sempre perto, sentida tão distante,
Navegante de todo céu e mar.
Amiga, bem tentei te conhecer,
Pois nunca me mostraste tua face,
Não pude nem querer saber por quê.
Pois só me permitiste teu disfarce.
Lutando, conheci só o perder,
Enfim, felicidade vem atar-se!
Eu nunca poderia adivinhar,
Que, na vida, tu foste tão constante.
Embora nunca pude te encontrar...
Eu bem sei de teus passos; errante
Companheira noturna do luar.
Sempre perto, sentida tão distante,
Navegante de todo céu e mar.
Amiga, bem tentei te conhecer,
Pois nunca me mostraste tua face,
Não pude nem querer saber por quê.
Pois só me permitiste teu disfarce.
Lutando, conheci só o perder,
Enfim, felicidade vem atar-se!
SOLIDÃO
Teu fantasma rondando a minha cama,
Ouço tua voz, tétrica, me chama...
Bem que tento fugir, mas não consigo.
Pois me persegues tanto, estás comigo;
Desde o primeiro instante, feito chama
Que me queima, me fere, enfim, inflama.
Eu muito te conheço, és um perigo.
Bem sei de ti; jamais, contudo, digo.
Se és amiga, convives, companheira.
Mas quando me maltratas, sem perdão,
Dilacera o que fora vida inteira.
Eu conheço teus passos nesse chão,
Na minha vida sempre, verdadeira,
Foste minha parceira, SOLIDÃO!
Ouço tua voz, tétrica, me chama...
Bem que tento fugir, mas não consigo.
Pois me persegues tanto, estás comigo;
Desde o primeiro instante, feito chama
Que me queima, me fere, enfim, inflama.
Eu muito te conheço, és um perigo.
Bem sei de ti; jamais, contudo, digo.
Se és amiga, convives, companheira.
Mas quando me maltratas, sem perdão,
Dilacera o que fora vida inteira.
Eu conheço teus passos nesse chão,
Na minha vida sempre, verdadeira,
Foste minha parceira, SOLIDÃO!
Tereza
Tereza
Seu moço, minha tristeza,
Vem desse amor acabado,
Perdendo minha Tereza,
Tanto sonho desprezado,
Me resta somente dor,
A saudade desse amor.
Nasci nas Minas Gerais,
No meio desse sertão,
Seu doutor, não posso mais,
Me dói a recordação,
Daquela moça morena,
A minha bela pequena.
Foi embora sem deixar,
Nada mais do que saudade,
Como é que posso ficar,
Sem lembrar tanta maldade.
Daquela que tant’ amei
Prá onde foi? Eu não sei...
Minha Tereza era linda,
Bonita como uma flor,
Eu guardo no peito, ainda.
A foto que me restou;
Na lembrança, na retina,
Daquela doce menina...
Foi-se embora prá não mais,
Nunca mais saber por que,
Tudo deixando prá trás,
Levando meu bem querer.
Tereza moça maldosa,
Espinho num pé de rosa!
Meus companheiro acredita
Que ela num quer mais voltar,
Levando o corte de chita,
Que tanto custei pagar.
Mas, pior que esse chitão,
Me rasgou o coração.
Quando, de noite faz lua.
Me bate a melancolia,
Vou saindo pela rua,
Nela amanheço meu dia.
Perguntando pra quem passa,
Só encontro na cachaça...
Seu moço me dê licença,
Vou voltar prá minha caça.
Talvez tenha a recompensa,
Depois, dormindo na praça,
Quem sabe, então, toda nua,
Ache Tereza na lua...
Seu moço, minha tristeza,
Vem desse amor acabado,
Perdendo minha Tereza,
Tanto sonho desprezado,
Me resta somente dor,
A saudade desse amor.
Nasci nas Minas Gerais,
No meio desse sertão,
Seu doutor, não posso mais,
Me dói a recordação,
Daquela moça morena,
A minha bela pequena.
Foi embora sem deixar,
Nada mais do que saudade,
Como é que posso ficar,
Sem lembrar tanta maldade.
Daquela que tant’ amei
Prá onde foi? Eu não sei...
Minha Tereza era linda,
Bonita como uma flor,
Eu guardo no peito, ainda.
A foto que me restou;
Na lembrança, na retina,
Daquela doce menina...
Foi-se embora prá não mais,
Nunca mais saber por que,
Tudo deixando prá trás,
Levando meu bem querer.
Tereza moça maldosa,
Espinho num pé de rosa!
Meus companheiro acredita
Que ela num quer mais voltar,
Levando o corte de chita,
Que tanto custei pagar.
Mas, pior que esse chitão,
Me rasgou o coração.
Quando, de noite faz lua.
Me bate a melancolia,
Vou saindo pela rua,
Nela amanheço meu dia.
Perguntando pra quem passa,
Só encontro na cachaça...
Seu moço me dê licença,
Vou voltar prá minha caça.
Talvez tenha a recompensa,
Depois, dormindo na praça,
Quem sabe, então, toda nua,
Ache Tereza na lua...
LIBERDADE?
A liberdade, sonho principal,
De quem, menino, conheceu pobreza.
Para quem já viveu descomunal
Miséria; só constante uma incerteza
A sorte nega a cena capital
E nega até comida, sobre a mesa.
A noite mal dormida, é usual.
A vida contra a fúria em correnteza
Liberdade, poder comer da fruta,
Flutuando o prazer; velha labuta,
Conhecendo o futuro sem ter medo.
Saber que, lá bem longe, sem segredo,
Não há somente o mal, raposa astuta.
Quem me dera, essas feras no degredo!
De quem, menino, conheceu pobreza.
Para quem já viveu descomunal
Miséria; só constante uma incerteza
A sorte nega a cena capital
E nega até comida, sobre a mesa.
A noite mal dormida, é usual.
A vida contra a fúria em correnteza
Liberdade, poder comer da fruta,
Flutuando o prazer; velha labuta,
Conhecendo o futuro sem ter medo.
Saber que, lá bem longe, sem segredo,
Não há somente o mal, raposa astuta.
Quem me dera, essas feras no degredo!
Pega carona
Pega carona, cometa.
Cometa sem paradeiro,
Eu sou velho, sou ranheta,
Amando, sou verdadeiro...
Cometa sem paradeiro,
Eu sou velho, sou ranheta,
Amando, sou verdadeiro...
Vivendo bem devagar...
Tive tempo para ter
Não tive para negar
Negando assim, vou viver,
Vivendo bem devagar...
Não tive para negar
Negando assim, vou viver,
Vivendo bem devagar...
Tanta morena bonita
Tanta morena bonita
Tanta moça nesse mundo,
Coração, já não palpita,
Nem aguenta um só segundo.
Tanta moça nesse mundo,
Coração, já não palpita,
Nem aguenta um só segundo.
MEU BOTE NA MONTANHA
Fiz meu bote na montanha,
Pois eu nem sei mais nadar,
Quem perde, perde e não ganha,
É melhor nem arriscar...
Pois eu nem sei mais nadar,
Quem perde, perde e não ganha,
É melhor nem arriscar...
Sorte tem quem a merece
Sorte tem quem a merece,
Eu não nego essa verdade,
Meu amor, então padece,
Dessa tal felicidade...
Eu não nego essa verdade,
Meu amor, então padece,
Dessa tal felicidade...
Vivendo amor sem perdão
Vivendo amor sem perdão,
Sem ter o que perdoar,
Dedilhando essa canção,
Apaixonado, ao luar...
Sem ter o que perdoar,
Dedilhando essa canção,
Apaixonado, ao luar...
Minha vida sertaneja
Minha vida sertaneja,
Meu mundo na capital,
Bem antes que alguém me veja,
Desejo o bem, nunca mal...
Meu mundo na capital,
Bem antes que alguém me veja,
Desejo o bem, nunca mal...
Noites de luar
Noites de luar, sertão...
Noites sem Mar nem Maria
Tocando meu violão,
Transformado em melodia...
Noites sem Mar nem Maria
Tocando meu violão,
Transformado em melodia...
Sendo a vida solução
Sendo a vida solução,
Esperança é minha praia,
Sabendo dizer o não,
Mesmo quando a sorte traia.
Esperança é minha praia,
Sabendo dizer o não,
Mesmo quando a sorte traia.
Quem é você? DUETO GISELI MACHADO E MARCOS LOURES
Quem é você?
...que
me bota em desalinho
me deixa alada
mulher fêmea em
vontade de você.
...que
me rouba os suspiros
me desnuda a alma
me põe em deleite e devaneios
me fazendo sonhar.
Mate este meu sufoco
Em, apenas me dizer.
Quem é você,
meu desejo?
Giseli Machado
Vieste no silêncio em passo manso,
E quando a vi, desnuda em minha cama,
A vida se envolvendo, pernas, trama,
Enquanto ao mais profuso mar me lanço,
Tocando tuas praias onde alcanço
As ondas mais audazes; gozo clama,
E a fúria em tempestades nos inflama
Tsunami aonde havia algum remanso,
E assim nos saciamos mutuamente,
Num átimo, o mergulho se pressente,
Inundações em fartas erupções
E quando novamente silencias,
As horas entre loucas fantasias
Num átimo mergulho em teus tufões.
...que
me bota em desalinho
me deixa alada
mulher fêmea em
vontade de você.
...que
me rouba os suspiros
me desnuda a alma
me põe em deleite e devaneios
me fazendo sonhar.
Mate este meu sufoco
Em, apenas me dizer.
Quem é você,
meu desejo?
Giseli Machado
Vieste no silêncio em passo manso,
E quando a vi, desnuda em minha cama,
A vida se envolvendo, pernas, trama,
Enquanto ao mais profuso mar me lanço,
Tocando tuas praias onde alcanço
As ondas mais audazes; gozo clama,
E a fúria em tempestades nos inflama
Tsunami aonde havia algum remanso,
E assim nos saciamos mutuamente,
Num átimo, o mergulho se pressente,
Inundações em fartas erupções
E quando novamente silencias,
As horas entre loucas fantasias
Num átimo mergulho em teus tufões.
SEM SENTIDO
Horas passando, sem sentido algum ...
Solidão transformada em sofrimento.
Procuro, nada encontro, sou nenhum...
Fugindo sempre, braços dados, lento...
Morrendo em cada esquina, sou mais um.
Nada do que já tive, só lamento.
Me embriago, cansado, és o meu rum,
Amargo chimarrão, meu sentimento...
Nunca mais poderia planejar
Outro mar, vagabundo coração.
Nem nunca mais quereria viajar
Pelos teus mares , luas e sertão.
Sem rumo, nexo, o sexo trafegar,
Buscando, nos teus braços, o meu mar...
Solidão transformada em sofrimento.
Procuro, nada encontro, sou nenhum...
Fugindo sempre, braços dados, lento...
Morrendo em cada esquina, sou mais um.
Nada do que já tive, só lamento.
Me embriago, cansado, és o meu rum,
Amargo chimarrão, meu sentimento...
Nunca mais poderia planejar
Outro mar, vagabundo coração.
Nem nunca mais quereria viajar
Pelos teus mares , luas e sertão.
Sem rumo, nexo, o sexo trafegar,
Buscando, nos teus braços, o meu mar...
VAGALUME
Das cidades; capital,
Das montanhas és o cume,
Dessas festas, carnaval,
Nas noites, meu vagalume...
Das montanhas és o cume,
Dessas festas, carnaval,
Nas noites, meu vagalume...
Tenho medo
Tenho medo, não te nego,
Da solidão, desamor,
És a luz, ficarei cego,
Se perder o teu amor!
Da solidão, desamor,
És a luz, ficarei cego,
Se perder o teu amor!
A primeira namorada...
Caminho qual peregrino,
Procurando uma parada,
Quero ser o seu menino,
A primeira namorada...
Procurando uma parada,
Quero ser o seu menino,
A primeira namorada...
Não me dês a tempestade
Por favor, minha adorada,
Não me dês a tempestade,
Não quero a vida sem nada,
Vou viver felicidade...
Não me dês a tempestade,
Não quero a vida sem nada,
Vou viver felicidade...
Saberei sobreviver?
Saberei sobreviver?
Pergunto-me todo dia,
Como poderei viver,
Sem a minha fantasia?
Pergunto-me todo dia,
Como poderei viver,
Sem a minha fantasia?
Saudade
Saudade, moleca triste,
Penetra bem de mansinho,
Matando tudo que existe,
Cortando, devagarinho...
Penetra bem de mansinho,
Matando tudo que existe,
Cortando, devagarinho...
Nada mais me restará...
Querida, não vás embora,
O vazio que virá,
Sem ter dia nem ter hora,
Nada mais me restará...
O vazio que virá,
Sem ter dia nem ter hora,
Nada mais me restará...
QUEBRANDO O VERSO
Quebrando o verso, sem pena,
Fazendo esse carnaval,
Amor, de longe m’acena,
Trazendo seu vendaval.
Fazendo esse carnaval,
Amor, de longe m’acena,
Trazendo seu vendaval.
ME PEGASTE DE JEITO
Me pegaste, bem de jeito,
Não conseguirei fugir,
Amor batendo no peito,
Bate tanto até partir...
Não conseguirei fugir,
Amor batendo no peito,
Bate tanto até partir...
CONTO DO VIGÁRIO
Não poderei resistir,
Embora diga o contrário,
Eu nem penso conseguir,
Amor? Conto do vigário...
Embora diga o contrário,
Eu nem penso conseguir,
Amor? Conto do vigário...
NA MIRA
Na verdade, tanto atira
Quanto mata, sem ter dó.
Meu coração tá na mira
Precisa dum tiro só.
Quanto mata, sem ter dó.
Meu coração tá na mira
Precisa dum tiro só.
Tanta alegria, disfarce
Tanta alegria, disfarce;
Tanta promessa, mentira.
Amor tanto que me embace,
Tanta dor que sempre fira...
Tanta promessa, mentira.
Amor tanto que me embace,
Tanta dor que sempre fira...
CAMINHANDO
Vou caminhando pelas madrugadas.
Sem sequer conhecer qualquer cansaço,
As minhas noites são enluaradas,
Meu tempo todo, caço teu abraço..
Mas mal sabes querida, revoadas
De sonhos se perdendo, sem ter laço,
Nossas noites que foram consagradas,
N’orgística canção do nosso abraço.
Por onde segues, noites perguntando,
Sou a sombra, resquício duma vida,
Meu pensamento tímido, vagando.
Tanto tormento teima na ferida,
Que pouco a pouco, queima, matando,
O que pude conter, na despedida...
Sem sequer conhecer qualquer cansaço,
As minhas noites são enluaradas,
Meu tempo todo, caço teu abraço..
Mas mal sabes querida, revoadas
De sonhos se perdendo, sem ter laço,
Nossas noites que foram consagradas,
N’orgística canção do nosso abraço.
Por onde segues, noites perguntando,
Sou a sombra, resquício duma vida,
Meu pensamento tímido, vagando.
Tanto tormento teima na ferida,
Que pouco a pouco, queima, matando,
O que pude conter, na despedida...
Toda nua
O sol nascendo vai tragando a lua,
E transformado, escuridão na luz.
De longe nesta estrada, vejo nua,
Toda nua, a mulher que me seduz.
Com seus cabelos soltos, vem, flutua.
Tal efeito, delírios, me produz,
Quisera minha vida ser só tua,
Quisera ser corcel, seu andaluz.
Mas, nada mais terei, só ilusão.
Me segredam os raios desse dia,
Nunca serei, assim, além do não.
Eu nunca poderei ser meio-dia,
Sendo raio lunar, tenho outro chão,
São outras, minhas trilhas, fantasia...
E transformado, escuridão na luz.
De longe nesta estrada, vejo nua,
Toda nua, a mulher que me seduz.
Com seus cabelos soltos, vem, flutua.
Tal efeito, delírios, me produz,
Quisera minha vida ser só tua,
Quisera ser corcel, seu andaluz.
Mas, nada mais terei, só ilusão.
Me segredam os raios desse dia,
Nunca serei, assim, além do não.
Eu nunca poderei ser meio-dia,
Sendo raio lunar, tenho outro chão,
São outras, minhas trilhas, fantasia...
NOUTRO ESPAÇO
Quisesse tantas vezes noutro espaço
Meu verso sem torpor ou ledo coma,
A vida noutro instante já se assoma
Enquanto sem sentido me desfaço,
Não quero simplesmente qualquer traço
Do quanto quis e a vida já não doma,
O tempo na verdade quando toma
A dimensão exata do cansaço,
Não quero e não poderia ser diverso
E neste emaranhado eu me disperso,
Pousando noutro canto ou mesmo morto,
Quem sabe se vivesse mais um pouco
Talvez inda tivesse o que tampouco
Expressa o meu anseio e desconforto.
Meu verso sem torpor ou ledo coma,
A vida noutro instante já se assoma
Enquanto sem sentido me desfaço,
Não quero simplesmente qualquer traço
Do quanto quis e a vida já não doma,
O tempo na verdade quando toma
A dimensão exata do cansaço,
Não quero e não poderia ser diverso
E neste emaranhado eu me disperso,
Pousando noutro canto ou mesmo morto,
Quem sabe se vivesse mais um pouco
Talvez inda tivesse o que tampouco
Expressa o meu anseio e desconforto.
Tua distância
Tua distância, companheira amada;
Retrata esse disfarce tão usado,
Vou teimando ser tudo, sem ser nada.
O meu canto seguindo, atropelado.
Tua distância amiga, vai calada.
Cortando meu silêncio, abençoado,
Forjando minha crença, nesta estrada
Onde sigo perdido, apaixonado...
Mas, no fundo, nas milhas, tantas milhas,
Onde me encontro vago, sem sentido,
Nem no que poderia, nem lá, brilhas.
O cálice d’amor, está partido.
Ator, eu vou fingindo, novas trilhas,
Permito-me viver amor mentido...
Retrata esse disfarce tão usado,
Vou teimando ser tudo, sem ser nada.
O meu canto seguindo, atropelado.
Tua distância amiga, vai calada.
Cortando meu silêncio, abençoado,
Forjando minha crença, nesta estrada
Onde sigo perdido, apaixonado...
Mas, no fundo, nas milhas, tantas milhas,
Onde me encontro vago, sem sentido,
Nem no que poderia, nem lá, brilhas.
O cálice d’amor, está partido.
Ator, eu vou fingindo, novas trilhas,
Permito-me viver amor mentido...
DANÇA E FESTA
A noite traz a dança e toda a festa,
No ritual fantástico da vida,
Não quero mais saber da despedida,
Nem quero mais sentir se a dor empresta
Na vadia manhã que não me resta,
Na sorte, de há muito, já perdida.
A vida deve ser assim, sorvida,
Nem quero mais viver outra tempesta.
Somente vou viver sem amanhã.
Sentindo cada orgasmo sem ter medo,
Meus olhos não procuram vida vã.
Na catedral do tempo, meu segredo;
Guardado sem temer sorte malsã
Fazendo, da alegria, meu enredo!
No ritual fantástico da vida,
Não quero mais saber da despedida,
Nem quero mais sentir se a dor empresta
Na vadia manhã que não me resta,
Na sorte, de há muito, já perdida.
A vida deve ser assim, sorvida,
Nem quero mais viver outra tempesta.
Somente vou viver sem amanhã.
Sentindo cada orgasmo sem ter medo,
Meus olhos não procuram vida vã.
Na catedral do tempo, meu segredo;
Guardado sem temer sorte malsã
Fazendo, da alegria, meu enredo!
Se nunca mais tivesse essa saudade
Se nunca mais tivesse essa saudade,
Se nunca mais pudesse te esquecer;
A vida transcorrendo de verdade,
O tempo não parava de correr.
Mas, não posso, vivendo a crueldade,
Amarga, de querer saber porque;
Tu foste essa mistura: santidade
Que mata, sufocando, sem saber.
Não quero mais as mãos tão caridosas,
Nem quero nem consigo me iludir,
Perfumes que parecem ser de rosas,
Penetram, destruindo o que vivi.
De tanto parecerem maviosas,
Amores não serão iguais a ti...
Se nunca mais pudesse te esquecer;
A vida transcorrendo de verdade,
O tempo não parava de correr.
Mas, não posso, vivendo a crueldade,
Amarga, de querer saber porque;
Tu foste essa mistura: santidade
Que mata, sufocando, sem saber.
Não quero mais as mãos tão caridosas,
Nem quero nem consigo me iludir,
Perfumes que parecem ser de rosas,
Penetram, destruindo o que vivi.
De tanto parecerem maviosas,
Amores não serão iguais a ti...
Que esse canto me traga DUETO SOL FIGUEIREDO E MARCOS LOURES
Que esse canto me traga,
Assim, um novo renascer,
Que esse sonho me faça,
Enfim, meu amor reflorescer!
SOL Figueiredo
Florescendo dentro da alma
Este mar primaveril,
Cada verso teu me acalma,
Paz igual? Nunca se viu...
Assim, um novo renascer,
Que esse sonho me faça,
Enfim, meu amor reflorescer!
SOL Figueiredo
Florescendo dentro da alma
Este mar primaveril,
Cada verso teu me acalma,
Paz igual? Nunca se viu...
Da curta e pitoresca carreira de uma cabeleireira
Ritinha estava ficando mocinha e, nos seus doze anos, queria porque queria ganhar os seus trocados, para poder comprar um ou outro confeito ou um enfeite, essas coisas de adolescente.
Apaixonada por um grupo musical portorriquenho de triste lembrança para os ouvidos mais apurados, consumia, vigorosamente tudo o que lembrava os miúdos, assim como; pulseiras, anéis, chicletes, entre outras bugigangas.
Maria, sua irmã mais velha, a esse tempo, casada e com duas filhas, havia se mudado para o Rio de Janeiro, e resolvera presentear a irmã caçula com um desses cursos de cabeleireira por correspondência.
Ritinha, afoita para começar a trabalhar e ganhar os seus trocados, fora aconselhada por Maria para que treinasse um pouco antes de começar a dar tesouradas nos cabelos santamartenses.
Gilberto, menino serelepe e último do clã, agrupado a longa fila de filhos de João Polino, chegando a ponta esquerda do time de futebol aos três anos de idade, estava à disposição!
Antes de tudo, vou dar uma pincelada na história de Gilberto: Filho caçula de um casamento entre um senhor já sexagenário e uma morena sestrosa e bem servida em formas e dotada de juízo inversamente proporcional ao corpo, dona da impetuosidade ímpar dos vinte e poucos anos, nascera numa época complicada para o casal. A morena começara a perceber que seu corpo chamava mais a atenção do que imaginara antes de se casar com o idoso senhor.
Num dos momentos de brigas entre os dois, resolvera abandonar o barco, deixando os meninos com o pai.
Acontece que o pai, adoentado, não conseguia mais levar o barco e, vendo que a canoa estava naufragando, a comunidade de Santa Martha resolveu acolher a meninada.
Beto iria para a casa do farmacêutico da cidade, lá em Ibitirama mas, como havia sido criado próximo à casa de Dona Rita, o menino, senhor dos seus dois anos de difícil e complicada existência, firmou pé.
Mordia, dava tapa, chorava, tentava exprimir de todas as formas o seu repúdio com a situação.
Tantas fez que o farmacêutico desistiu e dona Rita, partindo do ditado popular que dizia que onde come dois, come três; aceitou o menino em casa.
Para alegria de Betinho e olhar desconfiado de Ritinha, preocupada em perder o reinado.
A história de Beto inverte um pouco a adoção; na verdade, quem adotou a família de João Polino, foi Gilberto.
Mas, voltando ao disse me disse e ao lero-lero, Ritinha estava aflita procurando uma vítima para que pudesse começar a praticar a nobre arte de ser cabeleireira.
Vendo Gilberto andando pela casa, com seus cabelos compridos e lisos, Ritinha teve uma idéia. Fazer um corte de cabelo original.
Procurando uma cuia que pudesse servir de molde, encontrou algo parecido e, em comum acordo com o menino, às custas de duas ou três balinhas de recompensa, começou a cortar o cabelo da pobre criança.
João Polino, ao ver a cena, estranhou; mas preferiu se omitir, deixando o barco correr.
Quando dona Rita viu o caçula do coração sentado na cadeira, com o penico colocado sobre a cabeça, à moda Menino Maluquinho, e a caçula uterina com a tesoura na mão fazendo o maior estrago nos cabelos compridos e lisos do moleque, não pestanejou: deu a maior bronca na guria que, obediente parou imediatamente de cortar o cabelo do indiozinho.
Conversa vai, conversa vem, que isso não era coisa que se fizesse, tudo bem que o penico estava vazio, mas que o menino não merecia isso, que a menina pegasse uma bacia e que pedisse autorização, etc e tal...
Mas, o que as duas não repararam foi que, durante alguns dias, Gilberto passou a desfilar na casa e nas cercanias com um corte de cabelo extremamente original, na frente, cabelos compridos e atrás, uma deformada linha com altos e baixos, já que o menino não sossegava...
Começou e terminou, por aí, a pequena e turbulenta carreira de Ritinha como cabeleireira.
Por sinal, com um corte original e, no mínimo, esdrúxulo.
Mas, a partir daquele dia, Gilberto começou a ficar meio estranho; segundo João Polino, a única coisa certa dessa história, foi a utilização do penico, já que, pelo que consta, o conteúdo do recipiente, na mudança de função, não modificara tanto...
Apaixonada por um grupo musical portorriquenho de triste lembrança para os ouvidos mais apurados, consumia, vigorosamente tudo o que lembrava os miúdos, assim como; pulseiras, anéis, chicletes, entre outras bugigangas.
Maria, sua irmã mais velha, a esse tempo, casada e com duas filhas, havia se mudado para o Rio de Janeiro, e resolvera presentear a irmã caçula com um desses cursos de cabeleireira por correspondência.
Ritinha, afoita para começar a trabalhar e ganhar os seus trocados, fora aconselhada por Maria para que treinasse um pouco antes de começar a dar tesouradas nos cabelos santamartenses.
Gilberto, menino serelepe e último do clã, agrupado a longa fila de filhos de João Polino, chegando a ponta esquerda do time de futebol aos três anos de idade, estava à disposição!
Antes de tudo, vou dar uma pincelada na história de Gilberto: Filho caçula de um casamento entre um senhor já sexagenário e uma morena sestrosa e bem servida em formas e dotada de juízo inversamente proporcional ao corpo, dona da impetuosidade ímpar dos vinte e poucos anos, nascera numa época complicada para o casal. A morena começara a perceber que seu corpo chamava mais a atenção do que imaginara antes de se casar com o idoso senhor.
Num dos momentos de brigas entre os dois, resolvera abandonar o barco, deixando os meninos com o pai.
Acontece que o pai, adoentado, não conseguia mais levar o barco e, vendo que a canoa estava naufragando, a comunidade de Santa Martha resolveu acolher a meninada.
Beto iria para a casa do farmacêutico da cidade, lá em Ibitirama mas, como havia sido criado próximo à casa de Dona Rita, o menino, senhor dos seus dois anos de difícil e complicada existência, firmou pé.
Mordia, dava tapa, chorava, tentava exprimir de todas as formas o seu repúdio com a situação.
Tantas fez que o farmacêutico desistiu e dona Rita, partindo do ditado popular que dizia que onde come dois, come três; aceitou o menino em casa.
Para alegria de Betinho e olhar desconfiado de Ritinha, preocupada em perder o reinado.
A história de Beto inverte um pouco a adoção; na verdade, quem adotou a família de João Polino, foi Gilberto.
Mas, voltando ao disse me disse e ao lero-lero, Ritinha estava aflita procurando uma vítima para que pudesse começar a praticar a nobre arte de ser cabeleireira.
Vendo Gilberto andando pela casa, com seus cabelos compridos e lisos, Ritinha teve uma idéia. Fazer um corte de cabelo original.
Procurando uma cuia que pudesse servir de molde, encontrou algo parecido e, em comum acordo com o menino, às custas de duas ou três balinhas de recompensa, começou a cortar o cabelo da pobre criança.
João Polino, ao ver a cena, estranhou; mas preferiu se omitir, deixando o barco correr.
Quando dona Rita viu o caçula do coração sentado na cadeira, com o penico colocado sobre a cabeça, à moda Menino Maluquinho, e a caçula uterina com a tesoura na mão fazendo o maior estrago nos cabelos compridos e lisos do moleque, não pestanejou: deu a maior bronca na guria que, obediente parou imediatamente de cortar o cabelo do indiozinho.
Conversa vai, conversa vem, que isso não era coisa que se fizesse, tudo bem que o penico estava vazio, mas que o menino não merecia isso, que a menina pegasse uma bacia e que pedisse autorização, etc e tal...
Mas, o que as duas não repararam foi que, durante alguns dias, Gilberto passou a desfilar na casa e nas cercanias com um corte de cabelo extremamente original, na frente, cabelos compridos e atrás, uma deformada linha com altos e baixos, já que o menino não sossegava...
Começou e terminou, por aí, a pequena e turbulenta carreira de Ritinha como cabeleireira.
Por sinal, com um corte original e, no mínimo, esdrúxulo.
Mas, a partir daquele dia, Gilberto começou a ficar meio estranho; segundo João Polino, a única coisa certa dessa história, foi a utilização do penico, já que, pelo que consta, o conteúdo do recipiente, na mudança de função, não modificara tanto...
Anjinho de Porre
“Menino tem cada idéia”, pensava João Polino, observando sua filha caçula, Ritinha brincando na chácara.
A menina, esperta como ela só, tinha a mania de sair correndo pelas ruas do distrito; calçando o sapato de salto alto da irmã mais velha, Maria, e com o rosto todo maquiado com o rouge e o lápis fantasiando o rosto infantil dos seus três ano, isso sem nos esquecermos do batom vermelho, acompanhado da indefectível chupeta...
Os cabelos alourados da pequena davam um aspecto angelical que contrastava com as atitudes da sapequinha.
João Polino, como todo pai que tem uma temporãzinha, babava quando via a espoletinha fazendo suas artes.
Quem não iria gostar da idéia era Maria; moça feita e bonitona, extremamente vaidosa e que não gostava de compartilhar nada. Principalmente se tivesse comprado com o seu dinheiro, como era o caso em questão.
Mas era hilariante ver o pequeno anjo mal se equilibrando nos sapatos de salto gigantesco e enfeitada como uma palhacinha.
Dona Rita, sabendo da encrenca que teria que enfrentar se não limpasse o rosto da filha, chamou-a para um canto e deu uma bronca, suave, mas incisiva.
A filha, com aquela cara de “juro que não faço de novo”, pediu desculpas e voltou para o quarto.
Criança quieta é coisa de se espantar, mas o silêncio é tão bem vindo que, às vezes, o pessoal se esquece do moleque e vai tocando o barco, quando vai ver...
Ritinha era a principal aliada das bagunças de Paulinho, o penúltimo da longa série.
Três anos mais velho, volta e meia aprontava alguma para a “santinha de pau oco”; a última delas foi quando incitou a menina a colocar uma pimenta malagueta inteira dentro da narina.
O desespero da menina deixou todo mundo preocupado, menos o sorridente Paulinho que, não confessando nem santo nem milagre, ficou quieto no canto.
Até descobrir que a malagueta malaguetava o nariz da petiz, foi um verdadeiro inferno.
Com medo da bronca que pensava tomar, Ritinha omitiu o que acontecera. Somente com muita paciência, dona Rita descobriu o mal feito.
Uma semana de castigo e Paulinho, ainda por cima, deu uns bons cascudos na cabeça da irmã dedo-duro.
Seu João Polino, já há algum tempo, resolvera entrar no lucrativo negócio de fabricação de cachaça e, para isso, fizera um alambique na chacrinha onde morava.
O alambique estava, naqueles tempos, em plena atividade, produzindo a melhor cachaça de Santa Martha, tendo consumidores em Ibitirama, Guaçui e até na longínqua Ibatiba.
Aquela porta, sempre fechada, despertava o interesse de Paulinho e de sua irmã, Ritinha.
Naquele dia de primavera, seu João cometeu um erro que seria fatal.
Ao ser chamado para atender um freguês interessado na famosa aguardente, esqueceu a porta entre aberta.
Conversa vai, conversa vem, aquele silêncio de catedral na casa.
Depois de quase duas horas de bate-papo, seu João se lembrara de que necessitava de fazer mais uns dois galões de cachaça, já que a encomenda, daquela vez, tinha sido muito boa.
Ao reparar na porta escancarada, pressentiu o drama.
Ao entrar, viu o seu anjinho de cabelo louro, junto com o irmão, Paulinho, deitados no chão, dormindo profundamente.
E um tonel de cachaça, desses médios, abertos escorrendo pelo galpão a deliciosa caninha “Santa Martha”.
Seu João Polino lamentou, além do prejuízo, o pito de dona Rita.
Os meninos, com certeza, tomaram o maior pileque de suas vidas...
E, como dizia João Polino: “Menino tem cada idéia...”
A menina, esperta como ela só, tinha a mania de sair correndo pelas ruas do distrito; calçando o sapato de salto alto da irmã mais velha, Maria, e com o rosto todo maquiado com o rouge e o lápis fantasiando o rosto infantil dos seus três ano, isso sem nos esquecermos do batom vermelho, acompanhado da indefectível chupeta...
Os cabelos alourados da pequena davam um aspecto angelical que contrastava com as atitudes da sapequinha.
João Polino, como todo pai que tem uma temporãzinha, babava quando via a espoletinha fazendo suas artes.
Quem não iria gostar da idéia era Maria; moça feita e bonitona, extremamente vaidosa e que não gostava de compartilhar nada. Principalmente se tivesse comprado com o seu dinheiro, como era o caso em questão.
Mas era hilariante ver o pequeno anjo mal se equilibrando nos sapatos de salto gigantesco e enfeitada como uma palhacinha.
Dona Rita, sabendo da encrenca que teria que enfrentar se não limpasse o rosto da filha, chamou-a para um canto e deu uma bronca, suave, mas incisiva.
A filha, com aquela cara de “juro que não faço de novo”, pediu desculpas e voltou para o quarto.
Criança quieta é coisa de se espantar, mas o silêncio é tão bem vindo que, às vezes, o pessoal se esquece do moleque e vai tocando o barco, quando vai ver...
Ritinha era a principal aliada das bagunças de Paulinho, o penúltimo da longa série.
Três anos mais velho, volta e meia aprontava alguma para a “santinha de pau oco”; a última delas foi quando incitou a menina a colocar uma pimenta malagueta inteira dentro da narina.
O desespero da menina deixou todo mundo preocupado, menos o sorridente Paulinho que, não confessando nem santo nem milagre, ficou quieto no canto.
Até descobrir que a malagueta malaguetava o nariz da petiz, foi um verdadeiro inferno.
Com medo da bronca que pensava tomar, Ritinha omitiu o que acontecera. Somente com muita paciência, dona Rita descobriu o mal feito.
Uma semana de castigo e Paulinho, ainda por cima, deu uns bons cascudos na cabeça da irmã dedo-duro.
Seu João Polino, já há algum tempo, resolvera entrar no lucrativo negócio de fabricação de cachaça e, para isso, fizera um alambique na chacrinha onde morava.
O alambique estava, naqueles tempos, em plena atividade, produzindo a melhor cachaça de Santa Martha, tendo consumidores em Ibitirama, Guaçui e até na longínqua Ibatiba.
Aquela porta, sempre fechada, despertava o interesse de Paulinho e de sua irmã, Ritinha.
Naquele dia de primavera, seu João cometeu um erro que seria fatal.
Ao ser chamado para atender um freguês interessado na famosa aguardente, esqueceu a porta entre aberta.
Conversa vai, conversa vem, aquele silêncio de catedral na casa.
Depois de quase duas horas de bate-papo, seu João se lembrara de que necessitava de fazer mais uns dois galões de cachaça, já que a encomenda, daquela vez, tinha sido muito boa.
Ao reparar na porta escancarada, pressentiu o drama.
Ao entrar, viu o seu anjinho de cabelo louro, junto com o irmão, Paulinho, deitados no chão, dormindo profundamente.
E um tonel de cachaça, desses médios, abertos escorrendo pelo galpão a deliciosa caninha “Santa Martha”.
Seu João Polino lamentou, além do prejuízo, o pito de dona Rita.
Os meninos, com certeza, tomaram o maior pileque de suas vidas...
E, como dizia João Polino: “Menino tem cada idéia...”
VENHA...
venha...
...logo pela manhã
me acorde com o gosto do teu beijo.
...deslize sobre minha pele
com o escorregar de tuas mãos.
...procure o caminho do amor
me ponhe de encontro contigo.
...me de o seu toque seu prazer;
me faça mulher!
A desconhecida
Giseli Machado
Sentir tua nudez e sem fronteiras
Adentrar em caminhos mais diversos
Ousar saber, viver em poucos versos,
O quanto tu desejas, tanto queiras,
Em constelares vagas costumeiras,
Os sonhos tão audazes vão imersos
Sidéreas emoções, mil universos,
Enlanguescidas sendas estradeiras.
Sussurros eclodindo em erupções
Suores e delírios e compões
Inundações sutis, deliciosas,
E a noite se repete em carrossel,
Adentro estas entranhas, um corcel,
Nas tramas e entrelaces que antegozas.
...logo pela manhã
me acorde com o gosto do teu beijo.
...deslize sobre minha pele
com o escorregar de tuas mãos.
...procure o caminho do amor
me ponhe de encontro contigo.
...me de o seu toque seu prazer;
me faça mulher!
A desconhecida
Giseli Machado
Sentir tua nudez e sem fronteiras
Adentrar em caminhos mais diversos
Ousar saber, viver em poucos versos,
O quanto tu desejas, tanto queiras,
Em constelares vagas costumeiras,
Os sonhos tão audazes vão imersos
Sidéreas emoções, mil universos,
Enlanguescidas sendas estradeiras.
Sussurros eclodindo em erupções
Suores e delírios e compões
Inundações sutis, deliciosas,
E a noite se repete em carrossel,
Adentro estas entranhas, um corcel,
Nas tramas e entrelaces que antegozas.
ao grande amor
Não me bastam sentimentos;
Nem as angústias sofridas.
Não quero mais teus lamentos,
Nem saber de despedidas.
Só quero sobreviver,
Vou tentando te esquecer...
Eu bem sei que te deixando,
Recomeçam esperanças,
Amor, quando está matando,
Não deixará nem lembranças.
Percebendo tua ausência,
Não poderei ter clemência.
As andorinhas regressam,
Todos os anos, sem falta.
Mas as saudades expressam
As luzes dessa ribalta.
Onde não vejo e nem caço;
Fui, na verdade, palhaço.
Não quero lamentações,
Nem lágrimas crocodilas,
Guarde tuas orações,
Nesses venenos que estilas.
Minha vida segue em frente,
Não serás mais meu poente.
Pegue todas suas fotos,
Lave as recordações,
Sinceramente, meus votos,
Minhas felicitações;
Para o próximo que venha,
Que possa arder tua lenha.
Que possa te dar sentido,
Na tua vida sem rumo,
Eu, na verdade, duvido.
Não tens e não terás prumo.
Na falsa melancolia,
Me enganando, todo dia.
Mas, no fundo inda te amo,
Dum amor feroz e louco,
Perdão, aos deuses, eu clamo.
Vou morrendo pouco a pouco...
Dess’amor mal concebido,
Tanto sonho destruído...
Nem as angústias sofridas.
Não quero mais teus lamentos,
Nem saber de despedidas.
Só quero sobreviver,
Vou tentando te esquecer...
Eu bem sei que te deixando,
Recomeçam esperanças,
Amor, quando está matando,
Não deixará nem lembranças.
Percebendo tua ausência,
Não poderei ter clemência.
As andorinhas regressam,
Todos os anos, sem falta.
Mas as saudades expressam
As luzes dessa ribalta.
Onde não vejo e nem caço;
Fui, na verdade, palhaço.
Não quero lamentações,
Nem lágrimas crocodilas,
Guarde tuas orações,
Nesses venenos que estilas.
Minha vida segue em frente,
Não serás mais meu poente.
Pegue todas suas fotos,
Lave as recordações,
Sinceramente, meus votos,
Minhas felicitações;
Para o próximo que venha,
Que possa arder tua lenha.
Que possa te dar sentido,
Na tua vida sem rumo,
Eu, na verdade, duvido.
Não tens e não terás prumo.
Na falsa melancolia,
Me enganando, todo dia.
Mas, no fundo inda te amo,
Dum amor feroz e louco,
Perdão, aos deuses, eu clamo.
Vou morrendo pouco a pouco...
Dess’amor mal concebido,
Tanto sonho destruído...
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
A TE PROCURAR
Eu passei a mocidade,
Procurando te encontrar.
Como dói essa saudade,
Quando vem me maltratar...
Procurando te encontrar.
Como dói essa saudade,
Quando vem me maltratar...
Por amar demais
Eu bem sei que não suportas
Minha vida em fantasia
Batendo nas outras portas,
Chegando ao nascer do dia.
Eu te amo, formas tortas,
São cheias de poesia,
As ilusões, sei, abortas.
Minha vida é tão vadia...
Por amar demais, assim,
Nunca irás me perdoar.
A noite batendo em mim,
Eu vou caçando o luar...
É triste viver, enfim,
Seguindo sem descansar...
Minha vida em fantasia
Batendo nas outras portas,
Chegando ao nascer do dia.
Eu te amo, formas tortas,
São cheias de poesia,
As ilusões, sei, abortas.
Minha vida é tão vadia...
Por amar demais, assim,
Nunca irás me perdoar.
A noite batendo em mim,
Eu vou caçando o luar...
É triste viver, enfim,
Seguindo sem descansar...
TE PROCURANDO
Eu só conheci a vida
Beijando lábios carmim,
Hoje ela segue perdida,
Vou te procurando em mim...
Beijando lábios carmim,
Hoje ela segue perdida,
Vou te procurando em mim...
BLUES
Eu só conheci o mar,
Ao ver teus olhos azuis,
Contigo, aprendi a amar.
Mesmo a vida sendo blues
Ao ver teus olhos azuis,
Contigo, aprendi a amar.
Mesmo a vida sendo blues
A beleza caminha...
A beleza caminha, tão suave,
Nem percebe meus olhos, toda nua,
Buscando no teu corpo, minha nave,
Onde possa voar na tua lua.
A beleza traz, forte, firme clave.
Eu nem tento fugir por essa rua,
Pois bem sei que conheces toda chave
Que possa abrir meu peito, nele atua...
Pois a beleza, atriz domina a cena.
Me traz bastante brilho e fantasia,
E, no final de tudo seduz, acena,
Me permitindo o mote da alegria,
Vertendo minha sorte em sorte plena,
Fulgura, bem mais forte, no meu dia...
Nem percebe meus olhos, toda nua,
Buscando no teu corpo, minha nave,
Onde possa voar na tua lua.
A beleza traz, forte, firme clave.
Eu nem tento fugir por essa rua,
Pois bem sei que conheces toda chave
Que possa abrir meu peito, nele atua...
Pois a beleza, atriz domina a cena.
Me traz bastante brilho e fantasia,
E, no final de tudo seduz, acena,
Me permitindo o mote da alegria,
Vertendo minha sorte em sorte plena,
Fulgura, bem mais forte, no meu dia...
Amita e Marcos TROVEJANDO
Trovas e contra trovas Amita e Marcos
Trova
Passatempo, passarinho
Passa tudo devagar,
Passando o tempo, sozinho,
Tempo custando a passar...
Marcos
Contra trova
Passarinho, passa o tempo,
Custando, tão só, a passar...
Te trago um alegre vento
N'um passatempo entr'o mar.
E esta voz que s'encanta,
Sussurros do teu vozear,
Brincando como criança,
Sorri e dança, a cantar....
Amita
Trova
Passatempo, passarinho
Passa tudo devagar,
Passando o tempo, sozinho,
Tempo custando a passar...
Marcos
Contra trova
Passarinho, passa o tempo,
Custando, tão só, a passar...
Te trago um alegre vento
N'um passatempo entr'o mar.
E esta voz que s'encanta,
Sussurros do teu vozear,
Brincando como criança,
Sorri e dança, a cantar....
Amita
Vai cantando, meu amor, DUETO SOL FIGUEIREDO E MARCOS LOURES
Vai cantando, meu amor,
Esse canto tão suave,
Um dia quem sabe,
Acabe enfim essa dor!
Sol Figueiredo
Coração sem ter cuidado
Segue em prantos sem saber
Onde o sonho imaginado
Trague novo amanhecer...
Esse canto tão suave,
Um dia quem sabe,
Acabe enfim essa dor!
Sol Figueiredo
Coração sem ter cuidado
Segue em prantos sem saber
Onde o sonho imaginado
Trague novo amanhecer...
03/10/11
Não deve ser somente de tal forma
O verso que tentara imaginar
Diverso do que possa em tal lugar
Gerar a poesia que transforma,
A vida no caminho se deforma
E deixa o sortilégio emoldurar
A farsa que cansei de vislumbrar
Qual fosse um arremedo em rude norma.
Apresentando o caos que não procuro
O sonho pelo qual fosse seguro
Um porto muito além do que trouxeste.
A vaga sensação que nos transporta
Deixando a solidão atrás da porta
Sonhando no vazio, um tom celeste.
2
Tampouco nosso amor não tem limite
E nesta vã loucura me vestisse
Ainda quando sinto ser tolice
O todo que deveras necessite,
A rústica expressão não me permite
Viver o quanto resta e se predisse
Vagando em tempestades, não cobice
O marco que no fim jamais imite.
Restauro dos meus dias o que outrora
Tramando cada sonho aonde ancora
Versão que poderia me acalmar,
Apenas resoluta sorte eu vejo
E sei do quanto possa em benfazejo
Cenário noutro tanto decorar.
03
Nem mesmo se permite grade, algema
Ou mesmo o quanto visse em tais galés
A sorte se transforma e de viés
Apenas renovasse tal problema,
A luta não desiste e sempre tema
O foco sem noção e sei quem és
O manto se desnuda e no convés
Dos sonhos solidão em rude enema.
Apresentando ao fato a mais diversa
Palavra que pudesse e desconversa
Regendo cada engano ou produzindo
O quanto desdenhara sendo infindo
O preço a se pagar traduz o juro
E nada do que tenha inda perduro.
Não deve ser somente de tal forma
O verso que tentara imaginar
Diverso do que possa em tal lugar
Gerar a poesia que transforma,
A vida no caminho se deforma
E deixa o sortilégio emoldurar
A farsa que cansei de vislumbrar
Qual fosse um arremedo em rude norma.
Apresentando o caos que não procuro
O sonho pelo qual fosse seguro
Um porto muito além do que trouxeste.
A vaga sensação que nos transporta
Deixando a solidão atrás da porta
Sonhando no vazio, um tom celeste.
2
Tampouco nosso amor não tem limite
E nesta vã loucura me vestisse
Ainda quando sinto ser tolice
O todo que deveras necessite,
A rústica expressão não me permite
Viver o quanto resta e se predisse
Vagando em tempestades, não cobice
O marco que no fim jamais imite.
Restauro dos meus dias o que outrora
Tramando cada sonho aonde ancora
Versão que poderia me acalmar,
Apenas resoluta sorte eu vejo
E sei do quanto possa em benfazejo
Cenário noutro tanto decorar.
03
Nem mesmo se permite grade, algema
Ou mesmo o quanto visse em tais galés
A sorte se transforma e de viés
Apenas renovasse tal problema,
A luta não desiste e sempre tema
O foco sem noção e sei quem és
O manto se desnuda e no convés
Dos sonhos solidão em rude enema.
Apresentando ao fato a mais diversa
Palavra que pudesse e desconversa
Regendo cada engano ou produzindo
O quanto desdenhara sendo infindo
O preço a se pagar traduz o juro
E nada do que tenha inda perduro.
A DELÍCIA DE TE AMAR
Conhecer a delícia de t’amar
Privilégio feliz, que não mereço.
Caminhando vadio, no luar;
Escravo, tuas ordens, obedeço...
Se pudesse saber de tanto mar,
Se pudesse viver, desd’o começo
A esperança divina de tentar,
Revirar minha vida, pel’avesso.
Eu nada mais teria, dessa vez,
Nada mais que essa sorte benfazeja.
Pois és tudo o que um homem mais deseja.
És, pois tornar possível, tanta peja.
És enfim, maior obra que Deus, fez!
Rita de Cássia Tiradentes Reis...
Privilégio feliz, que não mereço.
Caminhando vadio, no luar;
Escravo, tuas ordens, obedeço...
Se pudesse saber de tanto mar,
Se pudesse viver, desd’o começo
A esperança divina de tentar,
Revirar minha vida, pel’avesso.
Eu nada mais teria, dessa vez,
Nada mais que essa sorte benfazeja.
Pois és tudo o que um homem mais deseja.
És, pois tornar possível, tanta peja.
És enfim, maior obra que Deus, fez!
Rita de Cássia Tiradentes Reis...
Serenata - Soneto/tautograma
Sidéreo, ser seu sol, sobreviver.
Sortido sentimento sem sentido,
Serei sempre sonhado, sem saber.
Sou sombra, sombreando, sou sabido.
Sei sinas sei sinais, sobreviver.
Soltando sem saber, sem ser sorvido,
Soldado, sem serpentes, sorver,
Sol sem sertão, sorvete sim, servido...
Saberia ser sonho, se soubesses.
Sentiria saudades se sonhasses,
Sei, são somente sonhos, são sentidos.
Sonatas soltas, sórdidas... Sofridos,
Solidão sentimento; seus sonidos,
Seriam serenatas, se sentisses...
Sortido sentimento sem sentido,
Serei sempre sonhado, sem saber.
Sou sombra, sombreando, sou sabido.
Sei sinas sei sinais, sobreviver.
Soltando sem saber, sem ser sorvido,
Soldado, sem serpentes, sorver,
Sol sem sertão, sorvete sim, servido...
Saberia ser sonho, se soubesses.
Sentiria saudades se sonhasses,
Sei, são somente sonhos, são sentidos.
Sonatas soltas, sórdidas... Sofridos,
Solidão sentimento; seus sonidos,
Seriam serenatas, se sentisses...
Como é bom te amar DUETO SOL FIGUEIREDO E MARCOS LOURES
Olhando bem teu retrato,
Descobri tua verdade,
Tanta beleza, de fato,
E só restou a saudade...
Marcos
Olhando bem teu retrato,
Descobri pelo seu olhar,
Como é bom te amar,
Ser toda tua, de fato!
Sol Figueiredo
Descobri tua verdade,
Tanta beleza, de fato,
E só restou a saudade...
Marcos
Olhando bem teu retrato,
Descobri pelo seu olhar,
Como é bom te amar,
Ser toda tua, de fato!
Sol Figueiredo
DELÍRIO
Não quero mais conter esse delírio
Nem quero transformar todo esse pranto
Em serenata louca, meu martírio.
Quero perceber ecos no meu canto;
Eu quero a mansidão brotando o lírio
Na sedução gentil, onde agiganto,
Dentro da alma um velho círio
Torturado seguindo o desencanto.
Não vou nem sentirei, na tua ausência,
O que restou, no fim, da minh’história.
Nem peço, nem consigo tal clemência;
Da vida, foste encanto, foste glória,
Agora que floresce essa demência,
Meu tempo vai fugindo, da memória.
Nem quero transformar todo esse pranto
Em serenata louca, meu martírio.
Quero perceber ecos no meu canto;
Eu quero a mansidão brotando o lírio
Na sedução gentil, onde agiganto,
Dentro da alma um velho círio
Torturado seguindo o desencanto.
Não vou nem sentirei, na tua ausência,
O que restou, no fim, da minh’história.
Nem peço, nem consigo tal clemência;
Da vida, foste encanto, foste glória,
Agora que floresce essa demência,
Meu tempo vai fugindo, da memória.
SEDUÇÃO...
A sedução caminha semi-nua;
Na transparência do vestido aberto,
Em teu corpo, minha alma vai, flutua;
Circulando na luz, qual fora inseto.
E, louco, cego, sigo; pela tua
Presença com prazer, o mais completo.
De tudo quanto a vida me insinua,
De tudo, me restou somente afeto.
Te desejo, distante, mas não tenho,
Nada a não ser a tua silhueta,
Nas marés em meus mares, quando venho;
Não há mais nada, quero ser cometa,
Mas ofuscas meus sonhos, mal me embrenho
Nessas matas, naufrago, vã corveta...
Na transparência do vestido aberto,
Em teu corpo, minha alma vai, flutua;
Circulando na luz, qual fora inseto.
E, louco, cego, sigo; pela tua
Presença com prazer, o mais completo.
De tudo quanto a vida me insinua,
De tudo, me restou somente afeto.
Te desejo, distante, mas não tenho,
Nada a não ser a tua silhueta,
Nas marés em meus mares, quando venho;
Não há mais nada, quero ser cometa,
Mas ofuscas meus sonhos, mal me embrenho
Nessas matas, naufrago, vã corveta...
És a luz
Perdoe essa heresia,
Chamar de deusa e rainha,
És a luz de todo dia,
Obrigado: pois és minha!
Chamar de deusa e rainha,
És a luz de todo dia,
Obrigado: pois és minha!
Minha vida segue o rumo
Minha vida segue o rumo,
Pois tua presença encanta,
Mas se sais, perco meu rumo,
Ata o nó, minha garganta.
Pois tua presença encanta,
Mas se sais, perco meu rumo,
Ata o nó, minha garganta.
Iluminam o coração...
Nada então peço a meu Deus,
A não ser o teu perdão,
Esses teus olhos, tão meus,
Iluminam o coração...
A não ser o teu perdão,
Esses teus olhos, tão meus,
Iluminam o coração...
Falar da vida
Falar da vida, conceito,
Que nunca pude conter,
Mas luto pelo direito,
Simples de sobreviver.
Que nunca pude conter,
Mas luto pelo direito,
Simples de sobreviver.
Meus cabelos estão brancos
Meus cabelos estão brancos,
Mas a alma inda sorri,
Os teus sorrisos mais francos,
Me lembram que não morri.
Mas a alma inda sorri,
Os teus sorrisos mais francos,
Me lembram que não morri.
Tua alegria é que vive.
Das coisas que me restaram,
A melhor eu já mantive,
Das dores que machucaram,
Tua alegria é que vive.
A melhor eu já mantive,
Das dores que machucaram,
Tua alegria é que vive.
Felicidade e prazer
Tudo tenho no teu colo,
Felicidade e prazer,
Não quero mais outro solo,
Nem preciso conceber...
Felicidade e prazer,
Não quero mais outro solo,
Nem preciso conceber...
SÓ SEI DE TI
Mas hoje, só sei de ti,
Nada mais quero encontrar,
Falando do que vivi,
Não preciso procurar...
Nada mais quero encontrar,
Falando do que vivi,
Não preciso procurar...
Amor traduzindo paz
Amor traduzindo paz,
Capaz de nunca esquecer,
Do tempo em que fui audaz,
Parecendo não morrer...
Capaz de nunca esquecer,
Do tempo em que fui audaz,
Parecendo não morrer...
Aconchego dos teus braços
Aconchego dos teus braços,
Trago o cansaço dos meus,
Atando os dois, fortes laços.
Nestes teus braços tão meus...
Trago o cansaço dos meus,
Atando os dois, fortes laços.
Nestes teus braços tão meus...
Malícia
No teu corpo, a malícia, cativante.
Nos teus seios transborda meu desejo,
Tua boca carmim vai, delirante,
Na busca dos teus lábios, antevejo.
Carícias são premissas. Ofegante,
Procuro por teus olhos, neles vejo,
O gozo refletido, radiante.
Pudera mergulhar, num simples beijo...
Teu toque prenuncia mil delícias,
Quisera conhecer os teus segredos,
Vertendo devagar, tantas carícias.
Percorrem todo o corpo; leves dedos,
Entreabrem tua blusa, com malícia,
Penetro, qual luar, teus arvoredos...
Nos teus seios transborda meu desejo,
Tua boca carmim vai, delirante,
Na busca dos teus lábios, antevejo.
Carícias são premissas. Ofegante,
Procuro por teus olhos, neles vejo,
O gozo refletido, radiante.
Pudera mergulhar, num simples beijo...
Teu toque prenuncia mil delícias,
Quisera conhecer os teus segredos,
Vertendo devagar, tantas carícias.
Percorrem todo o corpo; leves dedos,
Entreabrem tua blusa, com malícia,
Penetro, qual luar, teus arvoredos...
BUCÓLICA
O cheiro do café, na mesa posta,
A broa de fubá deliciosa,
O leite quente, tanta coisa exposta,
Traz uma sensação maravilhosa...
O sol nascendo, brilha lá n'encosta,
A vida se refaz, sempre gostosa.
Noutra manhã feliz , a gente aposta.
A natureza-mãe, tão amorosa...
O boi mugindo, longe, lá no pasto,
O galo canta, livre melodia.
Aos olhos, tudo belo, num repasto
Digno dos deuses, velha fantasia.
A menina se esconde, riso casto.
Vida passa, transborda d’alegria...
A broa de fubá deliciosa,
O leite quente, tanta coisa exposta,
Traz uma sensação maravilhosa...
O sol nascendo, brilha lá n'encosta,
A vida se refaz, sempre gostosa.
Noutra manhã feliz , a gente aposta.
A natureza-mãe, tão amorosa...
O boi mugindo, longe, lá no pasto,
O galo canta, livre melodia.
Aos olhos, tudo belo, num repasto
Digno dos deuses, velha fantasia.
A menina se esconde, riso casto.
Vida passa, transborda d’alegria...
A Isca
A Isca
Gilberto, filho de João Polino, era o maior pescador de Santa Martha; disso; Dona Rita e Ritinha, não tinham dúvidas.
Todas as noites, Betinho se aprontava para pescar, levando uma vara de pescar, algumas minhocas e um embornal.
No dia seguinte, era batata; Beto trazia uma enorme quantidade de bagres, lambaris, cascudos e acarás de fazer inveja a quem quer que fosse.
Para quem não conhece, o cascudo é o robalo da roça, peixe delicioso e de difícil captura. Vivendo nas locas de pedra, raramente pode ser pego no anzol. Mas isso era desconhecido pelas Ritas, mãe e filha.
Muito menos João Polino, já que odiava pescaria, embora não desprezasse um peixinho frito.
Lambari frito é um dos melhores tira-gostos que existem. Uma cervejinha gelada ou uma dose caprichada de cachaça com um lambari bem tostado é uma iguaria dos deuses!
Pois bem, Betinho se gabava de não voltar sem trazer pelo menos um a dois quilos de peixe. Sendo comum voltar com o embornal cheio, deliciosamente cheio.
Tudo transcorria às mil maravilhas até que sua irmã caçula, a Ritinha, começou a namorar um médico, lá dos lados de Guaçui.
Esse médico, um tal de Marcos, era metido a pescador e, sabendo das habilidades de Gilberto, convidou-o a pescar no rio Norte, braço do Rio Itapemirim.
A pescaria foi ao entardecer, pescaria de piau e de bagre.
No começo, Marcos acreditando que Gilberto era um experiente pescador, ficou meio assustado com a quantidade de isca que o mesmo levara, uma meia dúzia de minhocas.
Depois; a vara, muito curta e frágil, própria para piabas ou acarás de pequeno porte, não tinha muita pinta de que iria agüentar o tranco.
A linha, 0,10, muito fina para peixes maiores, ainda mais para o piau, lutador contumaz.
O mais interessante de tudo era o tamanho da chumbada, muito grande e pesada comparativamente com a vara e com a linha.
Até aí tudo bem, cada um com seu método, embora achasse estranho, Marcos nada comentou.
Mas, passando uns dez minutos sem beliscar, Beto, apressadamente, saiu do lugar e foi para outro lado. Mais dez minutos, outra mudança, assim sucessivamente até o final da pescaria.
Resultado; Marcos pescara dois bagrinhos miúdos e Gilberto, nada.
Como era de se esperar; Marcos, meio desconfiado, resolveu perguntar ao “grande pescador” o que havia acontecido.
Ao que Gilberto, prontamente, respondeu que eram problemas com a isca...
Passando uma semana, Marcos resolveu desafiar Gilberto a uma nova pescaria. Dessa vez não iria mas colocara uma meta para Gilberto, que trouxesse pelo menos dois bagres e se daria por satisfeito.
No final da madrugada, eis que Betinho aparece da aventura. Todo enlameado, com a roupa em petição de miséria; mas trazendo, orgulhoso, uma grande coleção de bagres, mandis, cascudos e, para espanto de Marcos, algumas dezenas de lambaris e acarás.
“Espera aí, Gilberto; que isca é essa que você usou que conseguiu pescar até lambari de noite”. Para os não aficcionados, lambari e acará são peixes diurnos...
Gilberto, todo orgulhoso, falou que, daquela vez, tinha acertado na isca e que isso era segredo.
Em posse dos dez reais apostados, Gilberto saiu todo serelepe.
Mas, depois de uns quinze dias, a isca milagrosa de Gilberto foi descoberta.
Descoberta e bem punida. A tarrafa foi apreendida, junto com a peneira.
Marcos está até hoje cobrando os dez reais da aposta...
Gilberto, filho de João Polino, era o maior pescador de Santa Martha; disso; Dona Rita e Ritinha, não tinham dúvidas.
Todas as noites, Betinho se aprontava para pescar, levando uma vara de pescar, algumas minhocas e um embornal.
No dia seguinte, era batata; Beto trazia uma enorme quantidade de bagres, lambaris, cascudos e acarás de fazer inveja a quem quer que fosse.
Para quem não conhece, o cascudo é o robalo da roça, peixe delicioso e de difícil captura. Vivendo nas locas de pedra, raramente pode ser pego no anzol. Mas isso era desconhecido pelas Ritas, mãe e filha.
Muito menos João Polino, já que odiava pescaria, embora não desprezasse um peixinho frito.
Lambari frito é um dos melhores tira-gostos que existem. Uma cervejinha gelada ou uma dose caprichada de cachaça com um lambari bem tostado é uma iguaria dos deuses!
Pois bem, Betinho se gabava de não voltar sem trazer pelo menos um a dois quilos de peixe. Sendo comum voltar com o embornal cheio, deliciosamente cheio.
Tudo transcorria às mil maravilhas até que sua irmã caçula, a Ritinha, começou a namorar um médico, lá dos lados de Guaçui.
Esse médico, um tal de Marcos, era metido a pescador e, sabendo das habilidades de Gilberto, convidou-o a pescar no rio Norte, braço do Rio Itapemirim.
A pescaria foi ao entardecer, pescaria de piau e de bagre.
No começo, Marcos acreditando que Gilberto era um experiente pescador, ficou meio assustado com a quantidade de isca que o mesmo levara, uma meia dúzia de minhocas.
Depois; a vara, muito curta e frágil, própria para piabas ou acarás de pequeno porte, não tinha muita pinta de que iria agüentar o tranco.
A linha, 0,10, muito fina para peixes maiores, ainda mais para o piau, lutador contumaz.
O mais interessante de tudo era o tamanho da chumbada, muito grande e pesada comparativamente com a vara e com a linha.
Até aí tudo bem, cada um com seu método, embora achasse estranho, Marcos nada comentou.
Mas, passando uns dez minutos sem beliscar, Beto, apressadamente, saiu do lugar e foi para outro lado. Mais dez minutos, outra mudança, assim sucessivamente até o final da pescaria.
Resultado; Marcos pescara dois bagrinhos miúdos e Gilberto, nada.
Como era de se esperar; Marcos, meio desconfiado, resolveu perguntar ao “grande pescador” o que havia acontecido.
Ao que Gilberto, prontamente, respondeu que eram problemas com a isca...
Passando uma semana, Marcos resolveu desafiar Gilberto a uma nova pescaria. Dessa vez não iria mas colocara uma meta para Gilberto, que trouxesse pelo menos dois bagres e se daria por satisfeito.
No final da madrugada, eis que Betinho aparece da aventura. Todo enlameado, com a roupa em petição de miséria; mas trazendo, orgulhoso, uma grande coleção de bagres, mandis, cascudos e, para espanto de Marcos, algumas dezenas de lambaris e acarás.
“Espera aí, Gilberto; que isca é essa que você usou que conseguiu pescar até lambari de noite”. Para os não aficcionados, lambari e acará são peixes diurnos...
Gilberto, todo orgulhoso, falou que, daquela vez, tinha acertado na isca e que isso era segredo.
Em posse dos dez reais apostados, Gilberto saiu todo serelepe.
Mas, depois de uns quinze dias, a isca milagrosa de Gilberto foi descoberta.
Descoberta e bem punida. A tarrafa foi apreendida, junto com a peneira.
Marcos está até hoje cobrando os dez reais da aposta...
TEUS CABELOS
Nos cabelos tão macios,
Nos teus olhos tão bonitos,
Eu me prendo nos teus fios,
Amores mais infinitos...
Nos teus olhos tão bonitos,
Eu me prendo nos teus fios,
Amores mais infinitos...
Perfumado de jasmim
Agradeço tanto brilho,
O que emites para mim,
Te persigo, lindo trilho,
Perfumado de jasmim...
O que emites para mim,
Te persigo, lindo trilho,
Perfumado de jasmim...
Minha rica companheira
Minha pobre namorada,
Minha rica companheira,
Companhia nessa estrada,
Minha paixão derradeira...
Minha rica companheira,
Companhia nessa estrada,
Minha paixão derradeira...
Contigo, não temo a morte
Contigo, não temo a morte,
Nem a espero, contudo
Não quero perder a sorte,
Te perdendo, perco tudo...
Nem a espero, contudo
Não quero perder a sorte,
Te perdendo, perco tudo...
Quero, portanto teu beijo
Quero, portanto teu beijo,
Quero carícias sensíveis...
És, portanto, meu desejo.
Os lugares mais incríveis...
Quero carícias sensíveis...
És, portanto, meu desejo.
Os lugares mais incríveis...
Meus segredos?
Meus segredos? Sabes todos...
As esperanças também,
Não me permito os engodos
De viver sem ter alguém.
As esperanças também,
Não me permito os engodos
De viver sem ter alguém.
Quero um momento contigo
Quero um momento contigo,
De poder me confessar,
Não quero mais o perigo
De viver sem te amar...
De poder me confessar,
Não quero mais o perigo
De viver sem te amar...
TRITÃO E SEREIA DUETO DE RONALDO RHUSSO E MARCOS LOURES
Pescando por esse rio,
Encontrei falsa sereia,
Coração, bicho vadio,
Tanto quis. Morreu na areia...
By
Ronaldo Rhusso
Mas ele foi carregado
por Tritão muito clemente
que lhe fez ressuscitado
e caminha em meio à gente.
Encontrei falsa sereia,
Coração, bicho vadio,
Tanto quis. Morreu na areia...
By
Ronaldo Rhusso
Mas ele foi carregado
por Tritão muito clemente
que lhe fez ressuscitado
e caminha em meio à gente.
Minha amada
Minha amada, doce canto,
Em tua boca traduz,
Tanta luz e tanto encanto,
Tudo, em ti, me seduz...
Em tua boca traduz,
Tanta luz e tanto encanto,
Tudo, em ti, me seduz...
Minha maior alegria
A vida não me negaria,
Pois, tanta felicidade,
Minha maior alegria,
Poder te ter, de verdade...
Pois, tanta felicidade,
Minha maior alegria,
Poder te ter, de verdade...
Amo-te tanto
Amo-te tanto, querida;
É sublime, amar-te assim,
Não concebo despedida,
Te quero sempre, pra mim.
É sublime, amar-te assim,
Não concebo despedida,
Te quero sempre, pra mim.
Minha luz
Minha luz, senda e seara,
Andaluz anda Luzia,
Tento e nada me separa,
Travestido novo dia.
Sem temer teu paradeiro,
Buscando no mundo inteiro.
Mares, não serei, serão...
Nas marés, as ventanias
Sempre só, na solidão,
Lhe darão as valentias,
Nunca tão verdadeiro,
Meu mundo, sendo o primeiro...
Vi, embora, não vivi,
Nem quis crer em tal poema,
Do pouco que, louco, vi,
Na vírgula, cada trema,
Esbarrando no certeiro
Salto, mais que verdadeiro;
Mas, quem sabe o derradeiro
Andaluz anda Luzia,
Tento e nada me separa,
Travestido novo dia.
Sem temer teu paradeiro,
Buscando no mundo inteiro.
Mares, não serei, serão...
Nas marés, as ventanias
Sempre só, na solidão,
Lhe darão as valentias,
Nunca tão verdadeiro,
Meu mundo, sendo o primeiro...
Vi, embora, não vivi,
Nem quis crer em tal poema,
Do pouco que, louco, vi,
Na vírgula, cada trema,
Esbarrando no certeiro
Salto, mais que verdadeiro;
Mas, quem sabe o derradeiro
SEXTINA 1003
Sextina
Meu barco, navegando na saudade,
Meu tempo transportado para vida.
Percebo que tu foste crueldade,
Não quero a juventude assim, perdida.
Nem temer essas ondas, tempestade,
Nem saber dessas dores, despedida...
Nesse momento exato, despedida.
Numa cruel malícia da saudade,
Tombando na primeira tempestade...
Perdendo a cada dia, minha vida,
Que me traz , toda noite, nau perdida,
Sem sentir, vou vivendo a crueldade,
Não quero nem concebo a crueldade,
Trazendo-me essa amarga despedida,
Do que me restou, lágrima perdida...
Deixando tão somente essa saudade,
Que foi a marca expressa em minha vida.
A morte rememora a tempestade.
Buscando pel’amor na tempestade,
Temendo, simplesmente, a crueldade;
A de nunca, jamais, amar na vida.
A cada dia, nova despedida.
Meu peito vai sangrando tal saudade.
Nem quero te rever, estás perdida,
Meus versos, que te fazem tão perdida,
Quero mesmo salvar, na tempestade,
Bem antes que traduzas em saudade.
Não quero perceber a crueldade
Bem antes que isso seja despedida,
O maior amor, toda a minha vida...
Querendo conhecer, de tua vida,
Saber que tu andaste, tão perdida,
Pois sabes, dos amores, despedida,
Tão sem rumo, enfrentando a tempestade,
Tuas dores, amores...Crueldade.
Por isso, me matando de saudade.
Amor, tanta saudade nessa vida,
Parece crueldade, traz, perdida,
Qual fora tempestade, despedida...
Meu barco, navegando na saudade,
Meu tempo transportado para vida.
Percebo que tu foste crueldade,
Não quero a juventude assim, perdida.
Nem temer essas ondas, tempestade,
Nem saber dessas dores, despedida...
Nesse momento exato, despedida.
Numa cruel malícia da saudade,
Tombando na primeira tempestade...
Perdendo a cada dia, minha vida,
Que me traz , toda noite, nau perdida,
Sem sentir, vou vivendo a crueldade,
Não quero nem concebo a crueldade,
Trazendo-me essa amarga despedida,
Do que me restou, lágrima perdida...
Deixando tão somente essa saudade,
Que foi a marca expressa em minha vida.
A morte rememora a tempestade.
Buscando pel’amor na tempestade,
Temendo, simplesmente, a crueldade;
A de nunca, jamais, amar na vida.
A cada dia, nova despedida.
Meu peito vai sangrando tal saudade.
Nem quero te rever, estás perdida,
Meus versos, que te fazem tão perdida,
Quero mesmo salvar, na tempestade,
Bem antes que traduzas em saudade.
Não quero perceber a crueldade
Bem antes que isso seja despedida,
O maior amor, toda a minha vida...
Querendo conhecer, de tua vida,
Saber que tu andaste, tão perdida,
Pois sabes, dos amores, despedida,
Tão sem rumo, enfrentando a tempestade,
Tuas dores, amores...Crueldade.
Por isso, me matando de saudade.
Amor, tanta saudade nessa vida,
Parece crueldade, traz, perdida,
Qual fora tempestade, despedida...
Entardecer
Percebo nos teus olhos, tanto frio;
Certezas, já não tenho, nem as sei.
Amores são segredos, vou vazio,
Lembranças desse tempo em que fui rei.
Agora, que não temo mais, vadio.
Confesso que não penso e nem pensei,
Em meio a temporais, inunda o rio,
Por onde tantas vezes naufraguei...
Não quero nem sentir meu pensamento,
A verdade doída me maltrata,
Velhice vai chegando, meu tormento,
Nem posso reclamar da vida, ingrata,
Nem posso maldizer, um só momento.
Prazer que não reluz, hoje me mata…
Certezas, já não tenho, nem as sei.
Amores são segredos, vou vazio,
Lembranças desse tempo em que fui rei.
Agora, que não temo mais, vadio.
Confesso que não penso e nem pensei,
Em meio a temporais, inunda o rio,
Por onde tantas vezes naufraguei...
Não quero nem sentir meu pensamento,
A verdade doída me maltrata,
Velhice vai chegando, meu tormento,
Nem posso reclamar da vida, ingrata,
Nem posso maldizer, um só momento.
Prazer que não reluz, hoje me mata…
Non sense
Non sense
Minha manhã, ascendida,
Dividida entre marcas e maçãs,
Nas vãs vagas, vazias vozes,
Nas nozes e avelãs.
Temo o tempo sem tempero,
Tento o tanto que não canto,
Nas vãs vagas, vazias vozes,
Nas nozes temporãs.
Quero o gosto do agosto,
No gesto que empresto, terçã.
Nas vãs vagas, vazias vozes,
Nas nozes tão malsãs.
No medo, segredo e sina,
Que meu degredo defina
Nas vãs vagas, vazias vozes,
Nas nozes das tecelãs.
No sabor sabia senda,
Me rendo e merendo, venda.
Nas vãs vagas, vazias vozes,
Nas nozes dessas manhãs.
Tanto disse nada falo, me calo,
Mas não me apego.
Vou, sou, cego.
Minas vozes vãs, vazias soam,
Somam e não definem.
Calas e me chamas à luta,
Me enluto e não respondo,
Quero seguir compondo,
Pondo os olhos em outras, vãs.
Como se pudessem todas as nozes,
Serem as vozes, dos amanhãs...
Minha manhã, ascendida,
Dividida entre marcas e maçãs,
Nas vãs vagas, vazias vozes,
Nas nozes e avelãs.
Temo o tempo sem tempero,
Tento o tanto que não canto,
Nas vãs vagas, vazias vozes,
Nas nozes temporãs.
Quero o gosto do agosto,
No gesto que empresto, terçã.
Nas vãs vagas, vazias vozes,
Nas nozes tão malsãs.
No medo, segredo e sina,
Que meu degredo defina
Nas vãs vagas, vazias vozes,
Nas nozes das tecelãs.
No sabor sabia senda,
Me rendo e merendo, venda.
Nas vãs vagas, vazias vozes,
Nas nozes dessas manhãs.
Tanto disse nada falo, me calo,
Mas não me apego.
Vou, sou, cego.
Minas vozes vãs, vazias soam,
Somam e não definem.
Calas e me chamas à luta,
Me enluto e não respondo,
Quero seguir compondo,
Pondo os olhos em outras, vãs.
Como se pudessem todas as nozes,
Serem as vozes, dos amanhãs...
QUERO VIVER
Não quero, tão somente ser feliz,
Quero mais, conhecer teu pensamento,
Nessa vida ser sempre aprendiz,
Não temer nem as dores, nem tormento.
Quero viver, intenso, esse momento,
Guardar essa tão bela flor de lis,
Nunca temer, sequer o sofrimento.
De cada poesia, pedir bis.
Quero o tempero forte da saudade,
Amaciando o peito das rudezas
Que formam, de metais, as fortalezas,
Que me darão, sem medo, essas certezas;
De não penetrar, nunca, a crueldade,
Cultivar, nessa vida, a eternidade...
Quero mais, conhecer teu pensamento,
Nessa vida ser sempre aprendiz,
Não temer nem as dores, nem tormento.
Quero viver, intenso, esse momento,
Guardar essa tão bela flor de lis,
Nunca temer, sequer o sofrimento.
De cada poesia, pedir bis.
Quero o tempero forte da saudade,
Amaciando o peito das rudezas
Que formam, de metais, as fortalezas,
Que me darão, sem medo, essas certezas;
De não penetrar, nunca, a crueldade,
Cultivar, nessa vida, a eternidade...
ONDE TE VEJO?
Eu queria saber onde te vejo,
Em que mundo estarás, depois de tudo.
Te rever, novamente, é meu desejo.
Disso preciso tanto; senão, mudo,
Me restará somente, esse lampejo
Do que fora tão forte mas, contudo
Será somente como relampejo
Que percorreu meu céu, mas não me iludo.
Nem sei teu nome, nunca desejara,
Conhecer teus lábios, sempre bastou,
Mas meu prazer, agora, é coisa rara,
E meu peito ressurge em quem amou,
Necessito saber onde encontrara,
O remanso macio onde deitou...
Em que mundo estarás, depois de tudo.
Te rever, novamente, é meu desejo.
Disso preciso tanto; senão, mudo,
Me restará somente, esse lampejo
Do que fora tão forte mas, contudo
Será somente como relampejo
Que percorreu meu céu, mas não me iludo.
Nem sei teu nome, nunca desejara,
Conhecer teus lábios, sempre bastou,
Mas meu prazer, agora, é coisa rara,
E meu peito ressurge em quem amou,
Necessito saber onde encontrara,
O remanso macio onde deitou...
Meu filho corre, na sala
Meu filho corre, na sala,
Brincando qual passarinho,
Toda minha dor se cala,
Seu canto enfeitando o ninho...
Brincando qual passarinho,
Toda minha dor se cala,
Seu canto enfeitando o ninho...
No meu copo, já vazio
No meu copo, já vazio,
Sua imagem, traduzi.
Na beira desse meu rio,
Nas margens eu me perdi...
Sua imagem, traduzi.
Na beira desse meu rio,
Nas margens eu me perdi...
Bem te vi
Quis seu nome: Bem te vi,
Procurando por você,
Nessa mata me perdi,
Não me pergunte por que.
Procurando por você,
Nessa mata me perdi,
Não me pergunte por que.
E só restou a saudade...
Olhando bem teu retrato,
Descobri tua verdade,
Tanta beleza, de fato,
E só restou a saudade...
Descobri tua verdade,
Tanta beleza, de fato,
E só restou a saudade...
Machucando o coração
Relógio tá maltratando,
Machucando o coração,
O tempo já vai passando,
Eu esperando o perdão...
Machucando o coração,
O tempo já vai passando,
Eu esperando o perdão...
sabor do desgosto
Não quero o gosto da fruta
Nem o sabor do desgosto,
Amor, com força tão bruta,
Nada feito, nada posto...
Nem o sabor do desgosto,
Amor, com força tão bruta,
Nada feito, nada posto...
Temo temer alegria
Nada mais me importaria
A não ser o que não sei,
Nosso amor eu viveria,
Sendo nessa vida, rei.
Temo temer alegria,
Temo o nunca saberei,
Cantando essa poesia,
Nos versos que decorei,
Mal sei ser seu ou não ser
Serei teu breve cantar,
Nos horizontes, verter,
Minhas fontes, devagar,
Nos teus montes percorrer,
Sem pressa nem de chegar...
A não ser o que não sei,
Nosso amor eu viveria,
Sendo nessa vida, rei.
Temo temer alegria,
Temo o nunca saberei,
Cantando essa poesia,
Nos versos que decorei,
Mal sei ser seu ou não ser
Serei teu breve cantar,
Nos horizontes, verter,
Minhas fontes, devagar,
Nos teus montes percorrer,
Sem pressa nem de chegar...
Lembrando de teu beijo
Ah! Como essa saudade me maltrata,
Lembrando de teu beijo, me desfaço,
Nessas recordações, vida arremata,
E pouco a pouco vem, surge esse cansaço.
O cansaço da vida que me mata,
A lembrança suave, teu abraço,
Do que tive feliz, tu foste a nata.
Agora, nessas ruas que trafego,
Não vejo nada além de tua marca,
Nas sombras que traduzes, me apego,
Perdi nesse dilúvio, rumo e arca,
E quando me perguntam, tudo nego.
Temendo minha sina, triste parca...
Lembrando de teu beijo, me desfaço,
Nessas recordações, vida arremata,
E pouco a pouco vem, surge esse cansaço.
O cansaço da vida que me mata,
A lembrança suave, teu abraço,
Do que tive feliz, tu foste a nata.
Agora, nessas ruas que trafego,
Não vejo nada além de tua marca,
Nas sombras que traduzes, me apego,
Perdi nesse dilúvio, rumo e arca,
E quando me perguntam, tudo nego.
Temendo minha sina, triste parca...
TEU PERDÃO
Recebo teu perdão, como um sorriso,
Errei, e na verdade, me confesso,
Tudo que tenho, tudo que preciso,
Por meus erros, eu quase que tropeço,
Em coisa tão pequenas, indeciso,
Amor, o teu perdão, tudo que peço,
Saber que, dessa vida, todo o riso
Vem de ti, minha amada companheira,
Dos meus pecados, todos por amor,
Não quero mais, errar a vida inteira.
Nem violar segredos, por pudor,
Nem fazer dessa dor, minha bandeira...
Pois o coração bate, sofredor...
Errei, e na verdade, me confesso,
Tudo que tenho, tudo que preciso,
Por meus erros, eu quase que tropeço,
Em coisa tão pequenas, indeciso,
Amor, o teu perdão, tudo que peço,
Saber que, dessa vida, todo o riso
Vem de ti, minha amada companheira,
Dos meus pecados, todos por amor,
Não quero mais, errar a vida inteira.
Nem violar segredos, por pudor,
Nem fazer dessa dor, minha bandeira...
Pois o coração bate, sofredor...
Eu nunca poderia te querer
Eu nunca poderia te querer,
Nem tampouco viver tal fantasia...
Não consigo nem quero te esquecer,
Voltas a cada instante, cada dia...
Teimosamente, quero perceber
Onde errei, pois jamais eu poderia,
Amar assim por nunca merecer,
Beijar teus pés, sentir tua alegria...
Me desculpe essa noite sem estrelas,
Me perdoe esses olhos; lacrimejo...
Todas minhas angústias, vou vencê-las,
Sentir o sofrimento do desejo,
Nessas noites, tentando não ardê-las,
Nas chamas que me queimam, tanto pejo...
Nem tampouco viver tal fantasia...
Não consigo nem quero te esquecer,
Voltas a cada instante, cada dia...
Teimosamente, quero perceber
Onde errei, pois jamais eu poderia,
Amar assim por nunca merecer,
Beijar teus pés, sentir tua alegria...
Me desculpe essa noite sem estrelas,
Me perdoe esses olhos; lacrimejo...
Todas minhas angústias, vou vencê-las,
Sentir o sofrimento do desejo,
Nessas noites, tentando não ardê-las,
Nas chamas que me queimam, tanto pejo...
João Polino e Jimico
Naquela tarde, João Polino não queria fazer mais nada, a não ser descansar e olhar para as nuvens.
Aos oitenta e quatro anos, dera para olhar para as nuvens e tentar adivinhar os desenhos que elas, porventura, faziam.
Já se ia muito distante o tempo em que corria atrás dos passarinhos, armando arapucas e alçapões.
Menino ainda, tivera que trabalhar, mas a delícia do correr livre, dono de todas as artimanhas e estradas, sabia todas as manhas dos bichos do mato.
Sabia a luta do tatu pela sobrevivência, cercado pelos cães, cavando rápido o buraco na terra e se tornando inatingível.
Sabia o canto dos passarinhos em busca de fêmeas, encontrando muitas vezes o estilingue certeiro de João Polino.
Quantas rolinhas e inhambus viraram almoço para o moleque descalço que corria pelas cercanias de Santa Martha...
Trazia, do lado, a garrucha velha e quase sem serventia, a não ser valentia. Mas valentia boba, sem necessidade, simples falácia e farsa.
Fora sempre de paz, as confusões em que se metera, foram simples invencionices de menino falastrão.
O vilarejo crescera, nesses quase oitenta anos; já contava com quase cem moradias. Algo extraordinário para quem vira, praticamente, nascer o povoado.
As primeiras casas de pau a pique, com teto de sapé, ( eles insistem em chamar de sapé, embora o dicionário diz ser sapê), sem luz, por onde a cobra entrava para mamar na mulher e deixar a criança mamando, faminta, o rabo; ludibriando, assim, a boa fé da pobre mãe da criança.
O sapo cururu cantando no rio e pulando de frio...
Frio, a casa fria sem luz, sem móveis, sem conforto.
Mas, as crianças cresceram ali, sem luxo mas com dignidade.
A missa aos domingos representava o banho na véspera e os pés tinham que se adaptar aos sapatos.
Sapatos cobertos com as galochas, para não se enlamearem, nos dias de chuva, nem para ficarem empoeirados, nos dias de sol.
O fogão a lenha fazia as delícias que sua mãe e sua irmã, Oracina, tão bem sabiam fazer.
A batata doce assada, o café de guarapa, a lingüiça de porco, a carne de lata, guardada na banha. A broa de fubá quentinha, de manhã, antes de ir para o trabalho.
Delícias que o tempo levara para nunca mais.
Agora, o conforto da eletricidade e do calçamento das ruas, aposentaram a serpentina e a galocha.
João sabia que o tempo era outro, que a vida era outra, mas a saudade insistia em bater na porta.
Saudade da mulher, nova e bonita, a menina que esperara crescer para poder ser sua. Sua mulher, mãe de seus oito filhos.
Seis vingaram e cresceram fortes e trabalhadores.
Mas todos tinham aquele ar de liberdade que João cultivara desde menino.
Nos idos dos anos sessenta, quando os guerrilheiros resolveram invadir o Caparaó, a casa de João serviu de abrigo para aqueles moços que falavam em liberdade.
Do palavreado deles restou o “camarada”, repetido a toda hora pelo velho libertário.
Aprendera a ser, teimosamente, da oposição. A qualquer um, desde que fosse governo.
Nunca se cansava de dizer que tempo bom, “era o tempo de antes”, mal percebendo que falava não do mundo, mas do seu mundo, saudoso dos seus vinte, trinta anos...
Mas, com o nascimento de seu neto caçula, dera para se transportar para a doçura da infância.
O João valentão, temerário, sonhador, dera lugar ao avô extremamente dedicado, apaixonado por aquele menino lourinho, ruço, que andava pela casa a fazer todas as artes possíveis e imagináveis.
O pai do menino, Marcos, permitia uma liberdade absoluta para o garoto, o que trazia, na lembrança de João, seus dias de menino criado pelas irmãs e pela mãe, já quase idosa.
Temporão, avô aos oitenta e dois anos. Tragando de novo, a infância livre nos olhos e gestos do “Jimico”, forma carinhosa que chamava o garotinho.
Agora, não sabia bem porquê, dera de olhar para as nuvens e tentar adivinhar as formas que elas desenhavam no céu, mal sabendo que ali estava o resgate da felicidade escondida, num tempo distante e reacendida pelo moleque ruçinho que anda correndo, solto, pela casa...
Aos oitenta e quatro anos, dera para olhar para as nuvens e tentar adivinhar os desenhos que elas, porventura, faziam.
Já se ia muito distante o tempo em que corria atrás dos passarinhos, armando arapucas e alçapões.
Menino ainda, tivera que trabalhar, mas a delícia do correr livre, dono de todas as artimanhas e estradas, sabia todas as manhas dos bichos do mato.
Sabia a luta do tatu pela sobrevivência, cercado pelos cães, cavando rápido o buraco na terra e se tornando inatingível.
Sabia o canto dos passarinhos em busca de fêmeas, encontrando muitas vezes o estilingue certeiro de João Polino.
Quantas rolinhas e inhambus viraram almoço para o moleque descalço que corria pelas cercanias de Santa Martha...
Trazia, do lado, a garrucha velha e quase sem serventia, a não ser valentia. Mas valentia boba, sem necessidade, simples falácia e farsa.
Fora sempre de paz, as confusões em que se metera, foram simples invencionices de menino falastrão.
O vilarejo crescera, nesses quase oitenta anos; já contava com quase cem moradias. Algo extraordinário para quem vira, praticamente, nascer o povoado.
As primeiras casas de pau a pique, com teto de sapé, ( eles insistem em chamar de sapé, embora o dicionário diz ser sapê), sem luz, por onde a cobra entrava para mamar na mulher e deixar a criança mamando, faminta, o rabo; ludibriando, assim, a boa fé da pobre mãe da criança.
O sapo cururu cantando no rio e pulando de frio...
Frio, a casa fria sem luz, sem móveis, sem conforto.
Mas, as crianças cresceram ali, sem luxo mas com dignidade.
A missa aos domingos representava o banho na véspera e os pés tinham que se adaptar aos sapatos.
Sapatos cobertos com as galochas, para não se enlamearem, nos dias de chuva, nem para ficarem empoeirados, nos dias de sol.
O fogão a lenha fazia as delícias que sua mãe e sua irmã, Oracina, tão bem sabiam fazer.
A batata doce assada, o café de guarapa, a lingüiça de porco, a carne de lata, guardada na banha. A broa de fubá quentinha, de manhã, antes de ir para o trabalho.
Delícias que o tempo levara para nunca mais.
Agora, o conforto da eletricidade e do calçamento das ruas, aposentaram a serpentina e a galocha.
João sabia que o tempo era outro, que a vida era outra, mas a saudade insistia em bater na porta.
Saudade da mulher, nova e bonita, a menina que esperara crescer para poder ser sua. Sua mulher, mãe de seus oito filhos.
Seis vingaram e cresceram fortes e trabalhadores.
Mas todos tinham aquele ar de liberdade que João cultivara desde menino.
Nos idos dos anos sessenta, quando os guerrilheiros resolveram invadir o Caparaó, a casa de João serviu de abrigo para aqueles moços que falavam em liberdade.
Do palavreado deles restou o “camarada”, repetido a toda hora pelo velho libertário.
Aprendera a ser, teimosamente, da oposição. A qualquer um, desde que fosse governo.
Nunca se cansava de dizer que tempo bom, “era o tempo de antes”, mal percebendo que falava não do mundo, mas do seu mundo, saudoso dos seus vinte, trinta anos...
Mas, com o nascimento de seu neto caçula, dera para se transportar para a doçura da infância.
O João valentão, temerário, sonhador, dera lugar ao avô extremamente dedicado, apaixonado por aquele menino lourinho, ruço, que andava pela casa a fazer todas as artes possíveis e imagináveis.
O pai do menino, Marcos, permitia uma liberdade absoluta para o garoto, o que trazia, na lembrança de João, seus dias de menino criado pelas irmãs e pela mãe, já quase idosa.
Temporão, avô aos oitenta e dois anos. Tragando de novo, a infância livre nos olhos e gestos do “Jimico”, forma carinhosa que chamava o garotinho.
Agora, não sabia bem porquê, dera de olhar para as nuvens e tentar adivinhar as formas que elas desenhavam no céu, mal sabendo que ali estava o resgate da felicidade escondida, num tempo distante e reacendida pelo moleque ruçinho que anda correndo, solto, pela casa...
SAUDADE E FADO - DUETO AMITA E MARCOS LOURES
Segredos me traz o vento
rodopiando ao passar
e me leva o pensamento
pelas correntes do mar
Belos e doces momentos
do vento dançando no ar...
Aqui o fado é saudade
Aí se samba alegria
Na distância a amizade
de cor me enche o dia.
Assim meu canto suave
sempre enlaça fantasia...
Amita http://brancoepreto.blogs.sapo.pt
O vento que, em tempestade,
Transforma tal calmaria,
Trazendo felicidade,
Onde mais nada existia...
Vento que queima e que arde,
Transborda na poesia.,.
A saudade é lusitana
E brasileira também,
O vento nunca se engana,
Vento que vai e que vem
Vento me traz, doce nave,
As notícias de alguém...
rodopiando ao passar
e me leva o pensamento
pelas correntes do mar
Belos e doces momentos
do vento dançando no ar...
Aqui o fado é saudade
Aí se samba alegria
Na distância a amizade
de cor me enche o dia.
Assim meu canto suave
sempre enlaça fantasia...
Amita http://brancoepreto.blogs.sapo.pt
O vento que, em tempestade,
Transforma tal calmaria,
Trazendo felicidade,
Onde mais nada existia...
Vento que queima e que arde,
Transborda na poesia.,.
A saudade é lusitana
E brasileira também,
O vento nunca se engana,
Vento que vai e que vem
Vento me traz, doce nave,
As notícias de alguém...
TE ESCREVO? DUETO AMITA E MARCOS LOURES
Te escrevo? Escrevo não!
Vou mandar um segredo
dos que voam sem medo
p'los cantos do coração.
Te escrevo? Escrevo não!
Me perdem palavras tuas
como brilho perde a Lua
ouvindo de ti, a canção.
Se t'escrevo?! Porque não?
Amita http://brancoepreto.blogs.sapo.pt
Tanto canto que me encanta,
Tem teus versos, minha amiga,
Ao lê-los, minha alma canta,
A nau, sem rumo, periga...
Tanto canto que me encanta
Traz, no vento, a poesia.
Tanta vida, vida tanta,
Brilha a luz nesse meu dia.
No teu canto, a fantasia...
Marcos
Vou mandar um segredo
dos que voam sem medo
p'los cantos do coração.
Te escrevo? Escrevo não!
Me perdem palavras tuas
como brilho perde a Lua
ouvindo de ti, a canção.
Se t'escrevo?! Porque não?
Amita http://brancoepreto.blogs.sapo.pt
Tanto canto que me encanta,
Tem teus versos, minha amiga,
Ao lê-los, minha alma canta,
A nau, sem rumo, periga...
Tanto canto que me encanta
Traz, no vento, a poesia.
Tanta vida, vida tanta,
Brilha a luz nesse meu dia.
No teu canto, a fantasia...
Marcos
Batuca o peito safado
Batuca o peito safado,
Não para de batucar,
Meu amor, peito calado,
Não se cansa de esperar...
Não para de batucar,
Meu amor, peito calado,
Não se cansa de esperar...
Galo cantando
Galo cantando me chama,
Acorde, vai trabalhar...
Minha amada me reclama,
Como posso namorar?
Acorde, vai trabalhar...
Minha amada me reclama,
Como posso namorar?
Vai cantando, passarinho
Vai cantando, passarinho,
Vai cantando, curió.
Meu canto está tão sozinho,
Do meu canto tenha dó...
Vai cantando, curió.
Meu canto está tão sozinho,
Do meu canto tenha dó...
Coração, bicho vadio,
Pescando por esse rio,
Encontrei falsa sereia,
Coração, bicho vadio,
Tanto quis. Morreu na areia...
Encontrei falsa sereia,
Coração, bicho vadio,
Tanto quis. Morreu na areia...
Acabou meu carnaval...
Quis teus olhos, poesia,
Nada encontrei, no final,
Minha noite se fez dia,
Acabou meu carnaval...
Nada encontrei, no final,
Minha noite se fez dia,
Acabou meu carnaval...
domingo, 2 de outubro de 2011
NEM MAIS NEM MENOS, DUETO DE ROSI ALVES E MARCOS LOURES
Eu queria ser um pingo de chuva
O vento que desnuda o mundo
Eu queria ser a flor-de-lis
Tocar o solo sentir a terra
Um pedaço de amor
Um pouco de ilusão
Solidão não...
Um poema, uma pintura
A água que desaba... Cachoeira
Solidão não... Solidão jamais
(Rosi Alves)
Não quero a solidão e nem o tédio
Da vida que se mostra tão distante
Do quanto poderia e se garante
No ocaso sem temor e sem remédio,
O solo se adubando em esperança
Eclode nestes grãos novo horizonte,
E o quanto do cenário em paz se aponte,
Marcando aonde o passo pode e alcança.
Não quero nem o mais e nem o menos,
Apenas a medida mais exata
Da vida que deveras se constata
Gerando dias claros e serenos.
E nisto caminhamos e sabemos
Que são tão dolorosos os extremos...
O vento que desnuda o mundo
Eu queria ser a flor-de-lis
Tocar o solo sentir a terra
Um pedaço de amor
Um pouco de ilusão
Solidão não...
Um poema, uma pintura
A água que desaba... Cachoeira
Solidão não... Solidão jamais
(Rosi Alves)
Não quero a solidão e nem o tédio
Da vida que se mostra tão distante
Do quanto poderia e se garante
No ocaso sem temor e sem remédio,
O solo se adubando em esperança
Eclode nestes grãos novo horizonte,
E o quanto do cenário em paz se aponte,
Marcando aonde o passo pode e alcança.
Não quero nem o mais e nem o menos,
Apenas a medida mais exata
Da vida que deveras se constata
Gerando dias claros e serenos.
E nisto caminhamos e sabemos
Que são tão dolorosos os extremos...
PALAVRAS...
maravilha de dizeres ...
onde as palavras tem seus poderes...
nessa dança poetica ...
as palavras são os passos poeticos ...
aonde as palavras buscam seu ritmo certo...
e no bailar de rimas vamos flertar com a vida ...
num ritmo de poesia e de um amor que se inicia...
Cris Kolovos
A vida se transforma num salão
E os pares rodopiam noite afora,
O quanto em emoção em paz ancora
Os ventos de diversa direção,
Um ritmo mais suave, a noite entoa,
E a lua testemunha cada fato,
E quando esta sublime luz constato,
Percebo quanto a vida há de ser boa.
Não mais apenas vejo uma esperança
Realidade em paz se concretiza
Do velho furacão, a mansa brisa,
O mundo neste encanto agora avança
E os pares sob o som da bela orquestra,
E O sol maravilhoso defenestra...
onde as palavras tem seus poderes...
nessa dança poetica ...
as palavras são os passos poeticos ...
aonde as palavras buscam seu ritmo certo...
e no bailar de rimas vamos flertar com a vida ...
num ritmo de poesia e de um amor que se inicia...
Cris Kolovos
A vida se transforma num salão
E os pares rodopiam noite afora,
O quanto em emoção em paz ancora
Os ventos de diversa direção,
Um ritmo mais suave, a noite entoa,
E a lua testemunha cada fato,
E quando esta sublime luz constato,
Percebo quanto a vida há de ser boa.
Não mais apenas vejo uma esperança
Realidade em paz se concretiza
Do velho furacão, a mansa brisa,
O mundo neste encanto agora avança
E os pares sob o som da bela orquestra,
E O sol maravilhoso defenestra...
DANÇA DE AUTORES Parceria CRIS KOLOVOS e Marcos Loures
Nessa dança de autores
vamos falar de amores
vamos falar de flores
vamos falar de cores
um bailar discreto
a procura do dueto certo...
Cris Kolovos
Nesta festa quem ganha? A poesia,
Num ritmo mais constante em perfeição,
Unindo com firmeza, esta emoção,
Que além deste horizonte se irradia,
O mundo feito em cor e fantasia,
“ Os sonhos de uma noite de verão”
O tempo rege e doma o coração
E nele com certeza se extasia,
Valsando em versos, primas, bela lira,
O quanto se eclodindo ora interfira
Nas ânsias mais sublimes de um dueto,
E quando no infinito deste encanto,
Ressoa dentro da alma um claro canto,
Ao auge da alegria eu me arremeto...
vamos falar de amores
vamos falar de flores
vamos falar de cores
um bailar discreto
a procura do dueto certo...
Cris Kolovos
Nesta festa quem ganha? A poesia,
Num ritmo mais constante em perfeição,
Unindo com firmeza, esta emoção,
Que além deste horizonte se irradia,
O mundo feito em cor e fantasia,
“ Os sonhos de uma noite de verão”
O tempo rege e doma o coração
E nele com certeza se extasia,
Valsando em versos, primas, bela lira,
O quanto se eclodindo ora interfira
Nas ânsias mais sublimes de um dueto,
E quando no infinito deste encanto,
Ressoa dentro da alma um claro canto,
Ao auge da alegria eu me arremeto...
Voce deixa?! Dueto GISELI MACHADO e Marcos Loures
Voce deixa?!
...vou fazer de ti
pedaço de mim.
Perturbar seus dias
alucinar suas noites.
Me perder de mim e,
me encontrar em ti...
Giseli Machado
Dois corpos sem fronteiras, mesmo enlace,
A noite nos pertence inteira e nua,
Deitando sob os raios desta lua
Uma alma que noutra alma se entranhasse,
As pernas num delírio em entrelace
Vontade se desnuda e além cultua
O quanto a cada orgasmo ora flutua
O todo desenhado sem impasse,
Na face mais sedenta, gozo e luz,
Ao apogeu num ato nos conduz
E traz o paraíso entre lençóis,
E mesmo sendo noite, madrugada,
A vida eclodindo em alvorada
Explode em diversos, raros sóis...
...vou fazer de ti
pedaço de mim.
Perturbar seus dias
alucinar suas noites.
Me perder de mim e,
me encontrar em ti...
Giseli Machado
Dois corpos sem fronteiras, mesmo enlace,
A noite nos pertence inteira e nua,
Deitando sob os raios desta lua
Uma alma que noutra alma se entranhasse,
As pernas num delírio em entrelace
Vontade se desnuda e além cultua
O quanto a cada orgasmo ora flutua
O todo desenhado sem impasse,
Na face mais sedenta, gozo e luz,
Ao apogeu num ato nos conduz
E traz o paraíso entre lençóis,
E mesmo sendo noite, madrugada,
A vida eclodindo em alvorada
Explode em diversos, raros sóis...
i miei occhi in montagna
i miei occhi in montagna
il mio cuore in mare
una speranza, la nostalgia ..
onde che si infrangono sulla sabbia
e l'amore senza perdono
senza scuse
senza neanche un molo dove atterrare,.
la vita si perde tra le rocce della solitudine.
la mia barca, la mia anima, e la nebbia all'orizzonte
senza fari ...
il mio cuore in mare
una speranza, la nostalgia ..
onde che si infrangono sulla sabbia
e l'amore senza perdono
senza scuse
senza neanche un molo dove atterrare,.
la vita si perde tra le rocce della solitudine.
la mia barca, la mia anima, e la nebbia all'orizzonte
senza fari ...
TEUS OLHOS
Vi teus olhos, nesse espelho,
Vi neles os meus reflexos,
Olhos tristes e vermelhos,
Traduzindo meus complexos...
Vi neles os meus reflexos,
Olhos tristes e vermelhos,
Traduzindo meus complexos...
02/10/2011
Não quero em minha vida vagamente
Trazer o quanto resta e se acumula
Ousando perpetrar além da gula
O todo que em verdade sempre mente,
Não canto e se mostrando insanamente
Minha alma sem sentido segue chula
E vence o que pudesse ou se macula
Marcando com terror o que pressente.
Reparo que se faz a cada instante
No fim a solidão tanto garante
A queda em consonância e nada mais,
O verso se produz e neste incauto
Momento a solidão sempre ressalto
E vivo enquanto além tu já te esvais.
2
Amor que necessito nem tem prazo
Tampouco dita o quanto mais sonhasse
A vida noutro rumo ou desenlace
Tramasse enquanto aquém eu sempre atraso.
O verso que deveras dita o caso
Não mostra o que desejo e se moldasse
Nas duras sensações e emoldurasse
Somente o que se trace neste ocaso.
Redundantes momentos? Mas quem vê
Sabendo simplesmente algum por que
Emana-se diversa sensação,
Requintes do que fora crueldade
Aonde noutro tom já se degrade
As horas que decerto me verão.
03
A cura que se dá a cada engano
O vértice dos sonhos me anuncia
A sorte quando a vejo em fantasia,
Num ato muito aquém do ser humano,
Sabendo do caminho mais profano,
A farsa se mostrara em arredia
Verdade que meu mundo não recria
Sorvendo cada gota deste plano.
O preço a se pagar; de fato eu sei
E tanto quanto possa a espúria lei
Regendo cada engodo mais comum,
De tanto que sonhara inutilmente
A vida na verdade se apresente
Ainda que traduza o ser nenhum.
Não quero em minha vida vagamente
Trazer o quanto resta e se acumula
Ousando perpetrar além da gula
O todo que em verdade sempre mente,
Não canto e se mostrando insanamente
Minha alma sem sentido segue chula
E vence o que pudesse ou se macula
Marcando com terror o que pressente.
Reparo que se faz a cada instante
No fim a solidão tanto garante
A queda em consonância e nada mais,
O verso se produz e neste incauto
Momento a solidão sempre ressalto
E vivo enquanto além tu já te esvais.
2
Amor que necessito nem tem prazo
Tampouco dita o quanto mais sonhasse
A vida noutro rumo ou desenlace
Tramasse enquanto aquém eu sempre atraso.
O verso que deveras dita o caso
Não mostra o que desejo e se moldasse
Nas duras sensações e emoldurasse
Somente o que se trace neste ocaso.
Redundantes momentos? Mas quem vê
Sabendo simplesmente algum por que
Emana-se diversa sensação,
Requintes do que fora crueldade
Aonde noutro tom já se degrade
As horas que decerto me verão.
03
A cura que se dá a cada engano
O vértice dos sonhos me anuncia
A sorte quando a vejo em fantasia,
Num ato muito aquém do ser humano,
Sabendo do caminho mais profano,
A farsa se mostrara em arredia
Verdade que meu mundo não recria
Sorvendo cada gota deste plano.
O preço a se pagar; de fato eu sei
E tanto quanto possa a espúria lei
Regendo cada engodo mais comum,
De tanto que sonhara inutilmente
A vida na verdade se apresente
Ainda que traduza o ser nenhum.
loneliness
After so many years
loneliness
and the desire to have at least one dream
under the moon of green hope
a new dawn.
see you and realize tangible and can
a new time, I give myself daydreaming
gypsy heart and invades the infinite light that your eyes
as it was a great sun.
but soon the mists and return life back to normal ...
empty ethereal and eternal ...
loneliness
and the desire to have at least one dream
under the moon of green hope
a new dawn.
see you and realize tangible and can
a new time, I give myself daydreaming
gypsy heart and invades the infinite light that your eyes
as it was a great sun.
but soon the mists and return life back to normal ...
empty ethereal and eternal ...
Resta o tempo da saudade
Resta o tempo da saudade
Resta o tempo, solidão,
Resta só felicidade
Escondida no porão...
Resta o tempo, solidão,
Resta só felicidade
Escondida no porão...
Vento
Vento norte, vento sul,
Pintando tudo de anil,
Celebrando todo azul
Desse céu do meu Brasil...
Pintando tudo de anil,
Celebrando todo azul
Desse céu do meu Brasil...
El alma femenina 2
El alma femenina 2
En el corazón de Santa Marta, vivió propietario Cotinha, una viuda de casi un siglo de edad.
Hubo muchos años que su compañero había muerto largo y penoso viaje.
Como la mayoría de las mujeres de su generación, fue una esposa sumisa Cotinha propietario y en silencio, soportando sin protestar la agresión sufrida la traición y el mal disfrazado.
Su marido, Anésio, era un pequeño agricultor que tenía, entre otros defectos, el hábito de emborracharse cada sábado y domingo, dejando a doña Cotinha sola en casa, el cuidado de ocho niños.
La viuda trajo luto, duelo por todo el cuerpo y el alma, que se transportan al vestido, negro y contenía siempre.
En los veinte años que estaba solo, su rutina diaria era una copia. La casa a la tienda de comestibles o de masas, donde se puede encontrar todos los días al anochecer.
Gilberto, que es dueño de sus veinte años, era vecino de la señora Cotinha. Jóvenes, al igual que todos los jóvenes, juguetón e irresponsable.
Cotinha propietario había visto nacer y crecer y, ingenuamente, se dio cuenta que el hombre guapo que adivina en los músculos y atractiva sonrisa de su hijo Juan Polino.
Gilberto, un día, con un ojo en jabuticabas que eran deliciosos, con placer supremo en el patio trasero de la señora Cotinha, excusó la viuda de edad avanzada con el fin de obtener los frutos de la huerta.
Cotinha propietario, abriendo la puerta y el patio, le dio una sonrisa a la que Gilberto, elogió sin malicia.
Por primera vez en varios años, la señora se ruborizó Cotinha inconscientemente, para recibir los elogios del niño hermoso.
A partir de ese día, mientras que jabuticabas en el patio trasero, Gilberto se fue todos los días a la casa de la anciana.
Y que había comenzado a mostrar un cambio sustancial en los hábitos y el vestido en negro, comenzó a realizar multicolores. Incluso fuera del rojo incorporado en el armario.
Poco a poco, Gilbert comenzó a poblar la noche la anciana, en un primer momento de forma esporádica, pero después casi a diario.
Las colillas comenzó a faltar el asistente más asiduos de la iglesia, el sacerdote se sintió esta falta.
No hay más escoger jabuticaba, pero no la presencia de Gilberto, atraídos por los dulces y caramelos, que comenzó a asistir a la Sra. mesa Cotinha.
Gilberto fue fructífera en la alabanza de cada semana hasta que elogiar algo irresponsable, dijo el dueño Cotinha debería haber sido una hermosa chica ...
Eso fue el colmo, desde ese día, la señora completamente renacido Cotinha, aún a riesgo de un cuello que permite detalles de sus senos marchitos y caídos ...
La frecuencia de Gilberto en la casa comenzó a ser reparado por los demás, especialmente de la familia.
John actitudes Polino comenzó a regañar al niño, diciendo que quería encontrar una novia, que buscaron a alguien de tu edad ...
La respuesta no tardó en llegar. Gilberto, como si ofendido gritó:
"-Padre, usted me está ofendiendo, no quiero tener nada que ver con que el viejo, huele a humedad, y ahora que pasó a estas blusas escotadas, es cada vez más ridículo al mostrar los muxibas horrible .."
Apenas había acabado de hablar, se oyó un ruido en la puerta de la casa.
Cotinha propietario en su mano, un trozo de pan que había hecho por Gilberto, y llegó a tiempo para oír la conversación.
El golpe fue fatal, apenas tuvo tiempo de llegar al Centro de Salud de Ibitirama.
En el corazón de Santa Marta, vivió propietario Cotinha, una viuda de casi un siglo de edad.
Hubo muchos años que su compañero había muerto largo y penoso viaje.
Como la mayoría de las mujeres de su generación, fue una esposa sumisa Cotinha propietario y en silencio, soportando sin protestar la agresión sufrida la traición y el mal disfrazado.
Su marido, Anésio, era un pequeño agricultor que tenía, entre otros defectos, el hábito de emborracharse cada sábado y domingo, dejando a doña Cotinha sola en casa, el cuidado de ocho niños.
La viuda trajo luto, duelo por todo el cuerpo y el alma, que se transportan al vestido, negro y contenía siempre.
En los veinte años que estaba solo, su rutina diaria era una copia. La casa a la tienda de comestibles o de masas, donde se puede encontrar todos los días al anochecer.
Gilberto, que es dueño de sus veinte años, era vecino de la señora Cotinha. Jóvenes, al igual que todos los jóvenes, juguetón e irresponsable.
Cotinha propietario había visto nacer y crecer y, ingenuamente, se dio cuenta que el hombre guapo que adivina en los músculos y atractiva sonrisa de su hijo Juan Polino.
Gilberto, un día, con un ojo en jabuticabas que eran deliciosos, con placer supremo en el patio trasero de la señora Cotinha, excusó la viuda de edad avanzada con el fin de obtener los frutos de la huerta.
Cotinha propietario, abriendo la puerta y el patio, le dio una sonrisa a la que Gilberto, elogió sin malicia.
Por primera vez en varios años, la señora se ruborizó Cotinha inconscientemente, para recibir los elogios del niño hermoso.
A partir de ese día, mientras que jabuticabas en el patio trasero, Gilberto se fue todos los días a la casa de la anciana.
Y que había comenzado a mostrar un cambio sustancial en los hábitos y el vestido en negro, comenzó a realizar multicolores. Incluso fuera del rojo incorporado en el armario.
Poco a poco, Gilbert comenzó a poblar la noche la anciana, en un primer momento de forma esporádica, pero después casi a diario.
Las colillas comenzó a faltar el asistente más asiduos de la iglesia, el sacerdote se sintió esta falta.
No hay más escoger jabuticaba, pero no la presencia de Gilberto, atraídos por los dulces y caramelos, que comenzó a asistir a la Sra. mesa Cotinha.
Gilberto fue fructífera en la alabanza de cada semana hasta que elogiar algo irresponsable, dijo el dueño Cotinha debería haber sido una hermosa chica ...
Eso fue el colmo, desde ese día, la señora completamente renacido Cotinha, aún a riesgo de un cuello que permite detalles de sus senos marchitos y caídos ...
La frecuencia de Gilberto en la casa comenzó a ser reparado por los demás, especialmente de la familia.
John actitudes Polino comenzó a regañar al niño, diciendo que quería encontrar una novia, que buscaron a alguien de tu edad ...
La respuesta no tardó en llegar. Gilberto, como si ofendido gritó:
"-Padre, usted me está ofendiendo, no quiero tener nada que ver con que el viejo, huele a humedad, y ahora que pasó a estas blusas escotadas, es cada vez más ridículo al mostrar los muxibas horrible .."
Apenas había acabado de hablar, se oyó un ruido en la puerta de la casa.
Cotinha propietario en su mano, un trozo de pan que había hecho por Gilberto, y llegó a tiempo para oír la conversación.
El golpe fue fatal, apenas tuvo tiempo de llegar al Centro de Salud de Ibitirama.
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