EU QUERO O TEU AMOR
Eu quero empapuçar-me deste amor
E todo lambuzado te beber
No gole generoso em tal ardor
Que morra fielmente ao teu prazer.
Na pele tatuada, ao teu dispor,
Aprofundar vontade, gozo e ser.
Recebo deste amor proposta e senha
Nos cofres esquecidos no porão
Que a noite em teu perfume sempre tenha
O cheiro do armistício e da paixão.
Ardendo brasa e chama, fogo e lenha
Na cama que é disfarce da emoção.
Eu quero no teu mel me embriagar,
Antes que uma ressaca vá chegar...
MARCOS LOURES
PARA TANTOS, PRINCIPALMENTE MARCOS GABRIEL, MARCOS DIMITRI E MARCOS VINÍCIUS. MINHA ESPERANÇA. RITA PACIÊNCIA PELA LUTA.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
MATREIRO
MATREIRO
Menino tão matreiro pula a cerca
Que sempre separou amor e dor.
Não teme que este mundo já se perca
Em versos que me fez tão sonhador.
Sou como este menino, prenda minha
Que fez desta ilusão prado sem fim.
Se a noite desta tarde se avizinha
Eu quero esta promessa carmesim.
O manto que louvaste, amor insano,
Se fez bem mais distante do que eu quis.
Mas vejo salvo o medo ou salvo engano
Que ainda poderei ser mais feliz
Roçando o belo pasto da esperança
Que salta novamente qual criança...
MARCOS LOURES
Menino tão matreiro pula a cerca
Que sempre separou amor e dor.
Não teme que este mundo já se perca
Em versos que me fez tão sonhador.
Sou como este menino, prenda minha
Que fez desta ilusão prado sem fim.
Se a noite desta tarde se avizinha
Eu quero esta promessa carmesim.
O manto que louvaste, amor insano,
Se fez bem mais distante do que eu quis.
Mas vejo salvo o medo ou salvo engano
Que ainda poderei ser mais feliz
Roçando o belo pasto da esperança
Que salta novamente qual criança...
MARCOS LOURES
NÃO DEBRUCES NO PASSADO
NÃO DEBRUCES NO PASSADO
Amiga; não debruces no passado,
Janela apodrecida desta casa.
O rosto destruído e bem marcado
Um fogo que, jamais, de novo abrasa.
Vestido já puído, abandonado;
A vida qual a traça assim defasa
O que se foi perdido e destroçado,
Relógio da esperança não se atrasa.
Perceba quanto amor te trago aqui,
Perceba quanta dor ele te trouxe.
Promessa que te fiz não esqueci
De estar ao lado teu haja o que houver.
O mel que tens na boca mostra, doce,
Amiga, as tuas ânsias de mulher...
MARCOS LOURES
Amiga; não debruces no passado,
Janela apodrecida desta casa.
O rosto destruído e bem marcado
Um fogo que, jamais, de novo abrasa.
Vestido já puído, abandonado;
A vida qual a traça assim defasa
O que se foi perdido e destroçado,
Relógio da esperança não se atrasa.
Perceba quanto amor te trago aqui,
Perceba quanta dor ele te trouxe.
Promessa que te fiz não esqueci
De estar ao lado teu haja o que houver.
O mel que tens na boca mostra, doce,
Amiga, as tuas ânsias de mulher...
MARCOS LOURES
domingo, 17 de junho de 2012
GOTAS DE CHUVA
GOTAS DE CHUVA
Gotas de chuva caem dos teus olhos
Amiga sei que a vida nos maltrata,
Jardins sendo tomados por abrolhos
Um rio que se seca, sem cascata.
Viseira que nos turva qual antolhos,
Queimada destruindo toda a mata.
Os males invadindo, vários, molhos,
Somente uma amizade nos resgata
E mostra alvorecer em cada gesto,
Por mais que seja dura a nossa vida,
Sentido no que vivo sempre empresto;
Rebento o cadeado da clausura
Tomando tuas mãos, nossa saída,
Com toda magnitude da ternura...
MARCOS LOURES
Gotas de chuva caem dos teus olhos
Amiga sei que a vida nos maltrata,
Jardins sendo tomados por abrolhos
Um rio que se seca, sem cascata.
Viseira que nos turva qual antolhos,
Queimada destruindo toda a mata.
Os males invadindo, vários, molhos,
Somente uma amizade nos resgata
E mostra alvorecer em cada gesto,
Por mais que seja dura a nossa vida,
Sentido no que vivo sempre empresto;
Rebento o cadeado da clausura
Tomando tuas mãos, nossa saída,
Com toda magnitude da ternura...
MARCOS LOURES
ESPLENDOR DIVINO
ESPLENDOR DIVINO
Num esplendor divino, flórea senda,
Voláteis sensações tão evasivas,
Qual crepuscular luz. Amor desvenda
Origens destas formas mais altivas;
Num vértice florido, seda e renda
Em peles e desejos, carnes vivas.
Um beduíno encontra em sua venda
As mãos tão delicadas, receptivas.
Irrompes no meu quarto, rastros de ouro,
Escalas minha cama, curvas raras.
Deslinda-se num átimo o tesouro
Tomado em meus carinhos, astro e lume.
As sombras na parede, belas, caras,
Inebriado, bebo o teu perfume...
MARCOS LOURES
Num esplendor divino, flórea senda,
Voláteis sensações tão evasivas,
Qual crepuscular luz. Amor desvenda
Origens destas formas mais altivas;
Num vértice florido, seda e renda
Em peles e desejos, carnes vivas.
Um beduíno encontra em sua venda
As mãos tão delicadas, receptivas.
Irrompes no meu quarto, rastros de ouro,
Escalas minha cama, curvas raras.
Deslinda-se num átimo o tesouro
Tomado em meus carinhos, astro e lume.
As sombras na parede, belas, caras,
Inebriado, bebo o teu perfume...
MARCOS LOURES
NOITE AFORA
NOITE AFORA
Viola vai rasgando a noite afora
Tocando esta alvorada mais florida;
Morena se vier, chegar agora,
Já muda o meu destino, a minha vida.
Quem fora simplesmente nada outrora
Agora encontra rumo e tem saída.
A lua te chamando, morena implora
A sorte que se fez em despedida...
Perto do céu montanha acima,
Nas vozes serenatas da esperança.
A busca solitária pela rima
Soando em minha voz o beijo quente.
Convida esta morena para a dança
Do amor que me tomando fez-se urgente...
MARCOS LOURES
Viola vai rasgando a noite afora
Tocando esta alvorada mais florida;
Morena se vier, chegar agora,
Já muda o meu destino, a minha vida.
Quem fora simplesmente nada outrora
Agora encontra rumo e tem saída.
A lua te chamando, morena implora
A sorte que se fez em despedida...
Perto do céu montanha acima,
Nas vozes serenatas da esperança.
A busca solitária pela rima
Soando em minha voz o beijo quente.
Convida esta morena para a dança
Do amor que me tomando fez-se urgente...
MARCOS LOURES
UMA AMIZADE SINCERA
UMA AMIZADE SINCERA
Uma amizade sincera é coisa boa
Que cura qualquer mal que me apareça,
No peito de quem ama sempre ecoa
O bem que traz a sorte que apeteça,
Meu pensamento em liberdade voa
Trazendo tanta paz pra esta cabeça.
Disponha de meu braço companheiro,
Que uma amizade assim é bom demais.
No canto mais amigo e costumeiro
A dor não vem cevada nunca mais.
É flor que justifica este canteiro
Certeza: não estou tão só jamais...
Uma alegria intensa que se espera
Nos braços da amizade mais sincera...
MARCOS LOURES
Uma amizade sincera é coisa boa
Que cura qualquer mal que me apareça,
No peito de quem ama sempre ecoa
O bem que traz a sorte que apeteça,
Meu pensamento em liberdade voa
Trazendo tanta paz pra esta cabeça.
Disponha de meu braço companheiro,
Que uma amizade assim é bom demais.
No canto mais amigo e costumeiro
A dor não vem cevada nunca mais.
É flor que justifica este canteiro
Certeza: não estou tão só jamais...
Uma alegria intensa que se espera
Nos braços da amizade mais sincera...
MARCOS LOURES
FEITO UM CACHORRO
FEITO UM CACHORRO
Depois de trabalhar feito cachorro
Mereço simplesmente a recompensa
Que chegue mansamente no socorro
Do amor que me domine e me convença.
As pedras destroçadas no caminho,
As curvas da morena que não veio.
O medo de perder me faz carinho
E nada da morena, perna e seio.
A noite que começa em botequim
Termina matinal, bruta ressaca,
Amor que não começa não tem fim,
A sorte novamente mente empaca.
Por que diabos sempre foi assim?
Amor não quer saber mesmo de mim...
MARCOS LOURES
Depois de trabalhar feito cachorro
Mereço simplesmente a recompensa
Que chegue mansamente no socorro
Do amor que me domine e me convença.
As pedras destroçadas no caminho,
As curvas da morena que não veio.
O medo de perder me faz carinho
E nada da morena, perna e seio.
A noite que começa em botequim
Termina matinal, bruta ressaca,
Amor que não começa não tem fim,
A sorte novamente mente empaca.
Por que diabos sempre foi assim?
Amor não quer saber mesmo de mim...
MARCOS LOURES
MUSEOLOGICAMENTE FALANDO. OU A VOLTA DOS MORTOS VIVOS?
MUSEOLOGICAMENTE FALANDO. OU A VOLTA DOS MORTOS VIVOS?
Antigamente havia realejo,
E lambe-lambe na praça noite e dia
Coreto com bandinha em alegria,
Como se fosse agora, eu inda vejo,
Porém o tempo passa e de um desejo
De um flerte feito em rosa e poesia,
Apenas resta a sobra do que havia,
Quem sabe no final, algum lampejo?
Assim também amigo, eis o soneto,
Num ritmo sempre igual, mas eu prometo
Que mudo essa terrível ladainha,
Irei fazer um verso mais bacana,
Bacana? Já morreu e enfim se dana,
Qual fosse num quintal erva daninha...
Marcos Loures
Antigamente havia realejo,
E lambe-lambe na praça noite e dia
Coreto com bandinha em alegria,
Como se fosse agora, eu inda vejo,
Porém o tempo passa e de um desejo
De um flerte feito em rosa e poesia,
Apenas resta a sobra do que havia,
Quem sabe no final, algum lampejo?
Assim também amigo, eis o soneto,
Num ritmo sempre igual, mas eu prometo
Que mudo essa terrível ladainha,
Irei fazer um verso mais bacana,
Bacana? Já morreu e enfim se dana,
Qual fosse num quintal erva daninha...
Marcos Loures
LÁ VEM O PENTELHO DE NOVO. OU HAJA SACO, PESSOAL
LÁ VEM O PENTELHO DE NOVO. OU HAJA SACO, PESSOAL
O Loures vem de novo encher o saco,
Com velharias tolas, e inda tenta
Traçar o que ninguém de fato aguenta,
Num versejar babaca e mesmo fraco,
Fiasco após fiasco, enfim empaco,
E sei do quanto é tola e fedorenta
A velha fantasia tão nojenta,
Cavouca em heresia outro buraco.
Quem sabe ele se manca, é bem provável,
E faça alguma coisa mais prestável
Ou mesmo pare enfim de perturbar
Porém fazendo chuva, ou mesmo sol,
A praga não tem mesmo simancol
Na ultrapassada forma de rimar.
MARCOS LOURES
O Loures vem de novo encher o saco,
Com velharias tolas, e inda tenta
Traçar o que ninguém de fato aguenta,
Num versejar babaca e mesmo fraco,
Fiasco após fiasco, enfim empaco,
E sei do quanto é tola e fedorenta
A velha fantasia tão nojenta,
Cavouca em heresia outro buraco.
Quem sabe ele se manca, é bem provável,
E faça alguma coisa mais prestável
Ou mesmo pare enfim de perturbar
Porém fazendo chuva, ou mesmo sol,
A praga não tem mesmo simancol
Na ultrapassada forma de rimar.
MARCOS LOURES
AURIVERDE PENDÃO
AURIVERDE PENDÃO
Sou brasileiro; amigo, e isso me basta,
As costas tão lanhadas pelos anos,
Acostumado aos tantos desenganos
Meu passo a cada instante se desgasta,
Somente em todo corte da vergasta
Escondo outros momentos, uno os panos,
Depois, num carnaval, novos baianos,
Misturas entrelaçam vária casta;
E viva o quanto pode a liberdade
Desde que havendo sempre impunidade
O povo na verdade rindo à toa,
Qualquer momento amigo a casa cai,
Porém o presidente é sempre um pai,
Esconde esse buraco na canoa.
Marcos Loures
Sou brasileiro; amigo, e isso me basta,
As costas tão lanhadas pelos anos,
Acostumado aos tantos desenganos
Meu passo a cada instante se desgasta,
Somente em todo corte da vergasta
Escondo outros momentos, uno os panos,
Depois, num carnaval, novos baianos,
Misturas entrelaçam vária casta;
E viva o quanto pode a liberdade
Desde que havendo sempre impunidade
O povo na verdade rindo à toa,
Qualquer momento amigo a casa cai,
Porém o presidente é sempre um pai,
Esconde esse buraco na canoa.
Marcos Loures
PUXE A DESCARGA.
PUXE A DESCARGA.
Peçonhas e melindres? Verso e vaso,
Não falo da florada nem do sonho
Em sanitário ocaso agora ponho
Levado ao que se faça em pleno ocaso.
Não deixo para trás sequer o acaso,
E sei do versejar mais enfadonho
E quando em qualquer tom, em vão componho,
Sem ter sequer noção sempre me atraso.
Depois de certo tempo nada havia
Do quanto se tentara em poesia
Somente emaranhados sem sentido,
O bom é que inda resta uma descarga,
E quando a sensação do além me embarga,
Eu tenho o meu papel, sou prevenido.
Marcos Loures
Peçonhas e melindres? Verso e vaso,
Não falo da florada nem do sonho
Em sanitário ocaso agora ponho
Levado ao que se faça em pleno ocaso.
Não deixo para trás sequer o acaso,
E sei do versejar mais enfadonho
E quando em qualquer tom, em vão componho,
Sem ter sequer noção sempre me atraso.
Depois de certo tempo nada havia
Do quanto se tentara em poesia
Somente emaranhados sem sentido,
O bom é que inda resta uma descarga,
E quando a sensação do além me embarga,
Eu tenho o meu papel, sou prevenido.
Marcos Loures
CARCAÇA
CARCAÇA
Um velho caricato e nada além,
Mergulha na masmorra inutilmente,
A morte de tal vida ora fomente
Derrama o quanto escorra e sabe bem
Do tanto que se planta onde convém
E nisto insana sorte marca a mente
Daquele que se faça imprevidente
Ou mesmo sendo enfim outro ninguém,
Depositado corpo sobre larvas,
As noites que me restam seguem parvas,
Escravo do que um dia sonhei versos,
A cada novo engano, a voz escassa,
Prepara tão somente esta carcaça
E nela os tantos vermes, sinto imersos.
Marcos Loures
Um velho caricato e nada além,
Mergulha na masmorra inutilmente,
A morte de tal vida ora fomente
Derrama o quanto escorra e sabe bem
Do tanto que se planta onde convém
E nisto insana sorte marca a mente
Daquele que se faça imprevidente
Ou mesmo sendo enfim outro ninguém,
Depositado corpo sobre larvas,
As noites que me restam seguem parvas,
Escravo do que um dia sonhei versos,
A cada novo engano, a voz escassa,
Prepara tão somente esta carcaça
E nela os tantos vermes, sinto imersos.
Marcos Loures
FLORAIS
FLORAIS
Florais deixados mortos no caminho,
Postergo tão somente o fim de tudo,
Enquanto a cada verso me amiúdo
Ao fim da rude estrada estou sozinho,
Das tantas ilusões, restara espinho,
E mesmo quanto tolo em vão me iludo,
Espalho o mais sofrível conteúdo
Em carcomida farsa ora me aninho.
Enquanto se preparam meus degredos,
Os ermos que se fazem sempre ledos
Enredos entre escórias, cravo os dentes,
Adentro nos desertos que cultivo,
E sei do meu anseio e sou cativo
Exposto aos definhares mais dementes.
Marcos Loures
Florais deixados mortos no caminho,
Postergo tão somente o fim de tudo,
Enquanto a cada verso me amiúdo
Ao fim da rude estrada estou sozinho,
Das tantas ilusões, restara espinho,
E mesmo quanto tolo em vão me iludo,
Espalho o mais sofrível conteúdo
Em carcomida farsa ora me aninho.
Enquanto se preparam meus degredos,
Os ermos que se fazem sempre ledos
Enredos entre escórias, cravo os dentes,
Adentro nos desertos que cultivo,
E sei do meu anseio e sou cativo
Exposto aos definhares mais dementes.
Marcos Loures
ATROZ, SOMBRIA
ATROZ, SOMBRIA
Qual fora alguma farsa em tom disperso
Crepuscular cenário que ora vivo,
Encontro o quanto reste em tom altivo
E bebo a solidão por onde eu verso,
Traçando sem sentido este universo,
Perpetuando o quanto em vão me privo,
Dos restos entre enganos, sou nocivo
E adentro os erros quando sigo imerso,
Sem cais restasse apenas rocas,
E mesmo quando em tons diversos tocas
Destroços do que tento em poesia,
No perecível mundo estas nuanças
Eclodem quando além de tudo avanças
Deixando a minha senda atroz, sombria.
Marcos Loures
Qual fora alguma farsa em tom disperso
Crepuscular cenário que ora vivo,
Encontro o quanto reste em tom altivo
E bebo a solidão por onde eu verso,
Traçando sem sentido este universo,
Perpetuando o quanto em vão me privo,
Dos restos entre enganos, sou nocivo
E adentro os erros quando sigo imerso,
Sem cais restasse apenas rocas,
E mesmo quando em tons diversos tocas
Destroços do que tento em poesia,
No perecível mundo estas nuanças
Eclodem quando além de tudo avanças
Deixando a minha senda atroz, sombria.
Marcos Loures
Mentecapto.
Mentecapto.
Um mentecapto segue e sem paragem
Tentara imaginar o quanto existe
Na face mais cruel que inda persiste
Deixando para trás qualquer aragem,
Trazendo uma ilusão, podre bagagem,
O olhar se faz ausente e sente o triste
Arfar do quanto possa em cruz e chiste,
Vivendo a cada verso uma bobagem,
Nos dias condenados ao fracasso,
O canto se tomando em fado escasso,
No lasso aonde o laço se rompera,
A vida se esvaindo lenta e rude,
Derrocadas transformam quanto pude
Não deixam nem pavio, frágil cera.
Marcos Loures
Um mentecapto segue e sem paragem
Tentara imaginar o quanto existe
Na face mais cruel que inda persiste
Deixando para trás qualquer aragem,
Trazendo uma ilusão, podre bagagem,
O olhar se faz ausente e sente o triste
Arfar do quanto possa em cruz e chiste,
Vivendo a cada verso uma bobagem,
Nos dias condenados ao fracasso,
O canto se tomando em fado escasso,
No lasso aonde o laço se rompera,
A vida se esvaindo lenta e rude,
Derrocadas transformam quanto pude
Não deixam nem pavio, frágil cera.
Marcos Loures
ADAGAS
ADAGAS
Adagas disfarçadas num sorriso,
Soando dentro da alma em cores pálidas
Ainda que se façam quase cálidas
As frases ditam erros e os matizo
No ser grisalho e tosco, este impreciso
Momento onde se vejam as esquálidas
Figuras que julgara antes, crisálidas,
Agora amortalhadas, sem mais siso,
Os olhos entranhando estes corpúsculos
De sonhos transformando em tão minúsculos
Arcaicos versos mortos de um fantoche,
E nada serviria de argumento
Ao quanto se perdera e nada tento
Enquanto a vida eclode em tal deboche.
Marcos Loures
Adagas disfarçadas num sorriso,
Soando dentro da alma em cores pálidas
Ainda que se façam quase cálidas
As frases ditam erros e os matizo
No ser grisalho e tosco, este impreciso
Momento onde se vejam as esquálidas
Figuras que julgara antes, crisálidas,
Agora amortalhadas, sem mais siso,
Os olhos entranhando estes corpúsculos
De sonhos transformando em tão minúsculos
Arcaicos versos mortos de um fantoche,
E nada serviria de argumento
Ao quanto se perdera e nada tento
Enquanto a vida eclode em tal deboche.
Marcos Loures
TEUS RASTROS
TEUS RASTROS
Procuro por teus rastros, por pegadas
Que tragam as notícias que mais quero.
Deslumbro velhas sombras nas calçadas
O tempo vai passando, inda te espero....
Saudade faz pousada em coração,
Parada obrigatória de um amor.
Batuque em desespero da paixão
No incêndio que me morde encantador...
Procuro e nada sei, somente sinto
O teu cheiro em cada flor deste jardim
No gosto inebriante de um absinto
E o medo de não ter persiste em mim...
No fim da tarde sei que voltarás..
Maré que te levou depois me traz...
MARCOS LOURES
Procuro por teus rastros, por pegadas
Que tragam as notícias que mais quero.
Deslumbro velhas sombras nas calçadas
O tempo vai passando, inda te espero....
Saudade faz pousada em coração,
Parada obrigatória de um amor.
Batuque em desespero da paixão
No incêndio que me morde encantador...
Procuro e nada sei, somente sinto
O teu cheiro em cada flor deste jardim
No gosto inebriante de um absinto
E o medo de não ter persiste em mim...
No fim da tarde sei que voltarás..
Maré que te levou depois me traz...
MARCOS LOURES
LEMBRO-ME DE TI
LEMBRO-ME DE TI
Mal nasce o dia; lembro-me de ti.
Do tempo em que vivemos mesmo ninho.
Agora é que percebo o que perdi
Na adega da esperança sem teu vinho
O mundo desabou, descolori
O brilho da manhã, fiquei sozinho...
Uma emoção distinta que se aflora
Mostrando um paladar de nostalgia.
Uma ave que se foi, bela e canora
Deixou este silêncio em agonia.
De tudo o que tivera, sem aurora,
Renasce nebuloso cada dia.
Eu digo o quanto te amo, não me escutas?
Pomar morreu em flor, sem gosto e frutas...
MARCOS LOURES
Mal nasce o dia; lembro-me de ti.
Do tempo em que vivemos mesmo ninho.
Agora é que percebo o que perdi
Na adega da esperança sem teu vinho
O mundo desabou, descolori
O brilho da manhã, fiquei sozinho...
Uma emoção distinta que se aflora
Mostrando um paladar de nostalgia.
Uma ave que se foi, bela e canora
Deixou este silêncio em agonia.
De tudo o que tivera, sem aurora,
Renasce nebuloso cada dia.
Eu digo o quanto te amo, não me escutas?
Pomar morreu em flor, sem gosto e frutas...
MARCOS LOURES
CAMINHEIRO
CAMINHEIRO
Caminheiro, as estradas do sertão
Desabando o vazio das andanças
Desaguando no mar do coração
Sem força sem pecado e confiança
No resto do que fora uma canção
Guardado em algum canto uma lembrança.
Um gosto de saudade sangra a boca
Deixando bem distante a juventude
Que foi-se em agonia quase louca,
Vontade de sentir nova atitude
Mas força que restou parece pouca,
Morrendo sem ter gana ou ter saúde.
Caminheiro; em teu passo eu já prossigo,
E posso te dizer, és meu amigo...
MARCOS LOURES
Caminheiro, as estradas do sertão
Desabando o vazio das andanças
Desaguando no mar do coração
Sem força sem pecado e confiança
No resto do que fora uma canção
Guardado em algum canto uma lembrança.
Um gosto de saudade sangra a boca
Deixando bem distante a juventude
Que foi-se em agonia quase louca,
Vontade de sentir nova atitude
Mas força que restou parece pouca,
Morrendo sem ter gana ou ter saúde.
Caminheiro; em teu passo eu já prossigo,
E posso te dizer, és meu amigo...
MARCOS LOURES
AMIZADE
AMIZADE
Distante do mar morro lentamente
Nesta infindável sede em um ocaso
Que toma o coração, saber e mente
E leva, de repente ao fim do prazo
Gerando este momento mais urgente
Da sorte que se fez ao léu, acaso..
Se pensamento fosse liberdade
Renasceriam campos e jardins.
Pousando no que fora eternidade
As horas prometendo pelos fins
Restando-me, quem sabe, uma amizade
Que torna nossos medos mais afins.
Do mar que não navego, nem pressinto,
As cores da saudade em que me pinto...
MARCOS LOURES
Distante do mar morro lentamente
Nesta infindável sede em um ocaso
Que toma o coração, saber e mente
E leva, de repente ao fim do prazo
Gerando este momento mais urgente
Da sorte que se fez ao léu, acaso..
Se pensamento fosse liberdade
Renasceriam campos e jardins.
Pousando no que fora eternidade
As horas prometendo pelos fins
Restando-me, quem sabe, uma amizade
Que torna nossos medos mais afins.
Do mar que não navego, nem pressinto,
As cores da saudade em que me pinto...
MARCOS LOURES
UM BRILHO DE ESPERANÇA
UM BRILHO DE ESPERANÇA
Um brilho de esperança em cada olhar
trazendo uma alegria sem limite,
meu verso, procurando te encontrar
num mundo em que a mentira não limite
vontades de poder,cedo voar,
além do grande mar que se acredite
na lua tão bonita, debruçar,
antes que a solidão seja o palpite
mais forte. Uma amizade que refaça
o bom de nossa vida, sem perguntas.
Que a vida não se perca na fumaça
dos desamores todos, da ilusão.
Nas mãos que nós mantemos sempre juntas,
a força sem igual de uma união.
MARCOS LOURES
Um brilho de esperança em cada olhar
trazendo uma alegria sem limite,
meu verso, procurando te encontrar
num mundo em que a mentira não limite
vontades de poder,cedo voar,
além do grande mar que se acredite
na lua tão bonita, debruçar,
antes que a solidão seja o palpite
mais forte. Uma amizade que refaça
o bom de nossa vida, sem perguntas.
Que a vida não se perca na fumaça
dos desamores todos, da ilusão.
Nas mãos que nós mantemos sempre juntas,
a força sem igual de uma união.
MARCOS LOURES
CAMINHOS MAIS FLORIDOS
CAMINHOS MAIS FLORIDOS
Caminhos mais floridos te desejo
Embora tanto espinho nos caminhos.
Na sorte que te quero e que prevejo
As flores se misturam com espinhos.
O céu que traz o sol, nos dá trovejo,
Às vezes no inimigo bons carinhos,
Na boca que não quero, tanto beijo;
Na que mais que necessito, os escarninhos...
A vida é mesmo assim, amada dor.
É flor, espinho e pedras, solidão.
No frio valoriza-se o calor.
Do medo é que se mostra uma coragem,
A liberdade nasce em podridão,
Na mão que nos açoita, nasce o pajem...
MARCOS LOURES
Caminhos mais floridos te desejo
Embora tanto espinho nos caminhos.
Na sorte que te quero e que prevejo
As flores se misturam com espinhos.
O céu que traz o sol, nos dá trovejo,
Às vezes no inimigo bons carinhos,
Na boca que não quero, tanto beijo;
Na que mais que necessito, os escarninhos...
A vida é mesmo assim, amada dor.
É flor, espinho e pedras, solidão.
No frio valoriza-se o calor.
Do medo é que se mostra uma coragem,
A liberdade nasce em podridão,
Na mão que nos açoita, nasce o pajem...
MARCOS LOURES
ANGELICAL
ANGELICAL
Tu tens uma aparência angelical
De toda uma inocência cravejada
No rosto tão suave traz sinal
De uma beleza quase imaculada.
Dona de formosura sem igual
Depois de ti, amor; não vi mais nada.
Amor que coloquei num pedestal
É glória que clareia minha estrada.
Visão em candidez de pura luz.
Mostrando em teu sorriso tal doçura
Que toda uma ternura reproduz
A força que toca e me levanta.
Em tua imagem calma, leve e pura,
Nas formas femininas, uma santa...
MARCOS LOURES
Tu tens uma aparência angelical
De toda uma inocência cravejada
No rosto tão suave traz sinal
De uma beleza quase imaculada.
Dona de formosura sem igual
Depois de ti, amor; não vi mais nada.
Amor que coloquei num pedestal
É glória que clareia minha estrada.
Visão em candidez de pura luz.
Mostrando em teu sorriso tal doçura
Que toda uma ternura reproduz
A força que toca e me levanta.
Em tua imagem calma, leve e pura,
Nas formas femininas, uma santa...
MARCOS LOURES
CARROSSEL
CARROSSEL
Na ciranda dos braços, carrossel.
Rodando em minha mente, leve encanto.
Vagando nas tiaras deste céu
Tocada pelos olhos, pelo manto
Coberto de esperança, frágil mel,
Roubado num segundo, noutro canto,
Voando um coração perdido, ao léu,
Ao ver tanta beleza, assim, me espanto...
Ciranda dos abraços, da amizade
Que faz nosso futuro majestoso,
Dedilha novos versos, liberdade,
Semeia um novo mundo em redenção.
Matando o que se foi, tempestuoso,
Mostrando na ciranda, a solução...
MARCOS LOURES
Na ciranda dos braços, carrossel.
Rodando em minha mente, leve encanto.
Vagando nas tiaras deste céu
Tocada pelos olhos, pelo manto
Coberto de esperança, frágil mel,
Roubado num segundo, noutro canto,
Voando um coração perdido, ao léu,
Ao ver tanta beleza, assim, me espanto...
Ciranda dos abraços, da amizade
Que faz nosso futuro majestoso,
Dedilha novos versos, liberdade,
Semeia um novo mundo em redenção.
Matando o que se foi, tempestuoso,
Mostrando na ciranda, a solução...
MARCOS LOURES
FOGUEIRA
FOGUEIRA
Da tristeza dos olhos de quem ama
Acesa esta fogueira no teu peito.
A dor que me tocando logo inflama
Transborda em teu sorriso, satisfeito.
Meu sofrimento é toda a tua chama
Lençol que te acarinha no teu leito,
Se preso em tuas garras, tua trama,
Cada vez mais cativo, assim eu deito.
Amor antropofágico e voraz,
Que é feito destas mágoas mais profundas,
Não sabe, em turbilhão, viver a paz,
Tua alegria é feita destas chagas,
Do sangue derramado é que te inundas,
Mordendo, calmamente enquanto afagas...
MARCOS LOURES
Da tristeza dos olhos de quem ama
Acesa esta fogueira no teu peito.
A dor que me tocando logo inflama
Transborda em teu sorriso, satisfeito.
Meu sofrimento é toda a tua chama
Lençol que te acarinha no teu leito,
Se preso em tuas garras, tua trama,
Cada vez mais cativo, assim eu deito.
Amor antropofágico e voraz,
Que é feito destas mágoas mais profundas,
Não sabe, em turbilhão, viver a paz,
Tua alegria é feita destas chagas,
Do sangue derramado é que te inundas,
Mordendo, calmamente enquanto afagas...
MARCOS LOURES
TANTO AMOR QUANTO PUDER
TANTO AMOR QUANTO PUDER
Semeio tanto amor onde puder,
Nos olhos da esperança sorrateira,
Na boca desejada da mulher,
Amada, amiga, amante, companheira.
Semente que se dá pra quem quiser
Depois de uma colheita verdadeira,
De um fruto que não foi jamais qualquer
A vida vai se dando mais inteira...
Granando um novo dia em sonho imenso,
É tudo a quem servi, versos, palavras.
Amar é ser além do que mais penso,
É ter o gosto doce da alegria,
Arando com meus beijos esta lavra,
Forjada com carinho e poesia...
MARCOS LOURES
Semeio tanto amor onde puder,
Nos olhos da esperança sorrateira,
Na boca desejada da mulher,
Amada, amiga, amante, companheira.
Semente que se dá pra quem quiser
Depois de uma colheita verdadeira,
De um fruto que não foi jamais qualquer
A vida vai se dando mais inteira...
Granando um novo dia em sonho imenso,
É tudo a quem servi, versos, palavras.
Amar é ser além do que mais penso,
É ter o gosto doce da alegria,
Arando com meus beijos esta lavra,
Forjada com carinho e poesia...
MARCOS LOURES
NOUTRO TOM
NOUTRO TOM
Meu coração tocando em outro tom
O gosto da alegria de viver.
Felicidade mostra-se ser dom
De quem sonhou em busca do prazer.
No canto da esperança o mesmo som
Que faz a nossa vida se verter
No rio em fantasia, sempre bom,
Nesta vontade imensa de saber
O paladar da sorte em doce sina,
No gesto camarada de uma amiga,
Na lua que, de graça nos fascina
Na mansa corredeira que nos banha
No braço da amizade, imensa viga
Da paz que se aproxima, em luz tamanha...
MARCOS LOURES
Meu coração tocando em outro tom
O gosto da alegria de viver.
Felicidade mostra-se ser dom
De quem sonhou em busca do prazer.
No canto da esperança o mesmo som
Que faz a nossa vida se verter
No rio em fantasia, sempre bom,
Nesta vontade imensa de saber
O paladar da sorte em doce sina,
No gesto camarada de uma amiga,
Na lua que, de graça nos fascina
Na mansa corredeira que nos banha
No braço da amizade, imensa viga
Da paz que se aproxima, em luz tamanha...
MARCOS LOURES
NAVE
NAVE
Qual nave que percorre mil planetas
Em versos e desejos redentores,
Casulo em que formam os cometas
Os lábios descerrando estes amores.
Convulsas, vão tocando estas trombetas
As noites sem juízo e sem pudores.
Respiro tua boca em que eu habito
No vale mais escuro, belas furnas,
Nas praias, qual um mar insano agito,
Eu, vento, vou lambendo tuas dunas.
A chuva se transforma em tempestade,
As águas vão tomando a quente areia,
Num relampejo/olhar tal claridade
Que mesmo a fria lua se incendeia.
MARCOS LOURES
Qual nave que percorre mil planetas
Em versos e desejos redentores,
Casulo em que formam os cometas
Os lábios descerrando estes amores.
Convulsas, vão tocando estas trombetas
As noites sem juízo e sem pudores.
Respiro tua boca em que eu habito
No vale mais escuro, belas furnas,
Nas praias, qual um mar insano agito,
Eu, vento, vou lambendo tuas dunas.
A chuva se transforma em tempestade,
As águas vão tomando a quente areia,
Num relampejo/olhar tal claridade
Que mesmo a fria lua se incendeia.
MARCOS LOURES
TANGIDO
TANGIDO
Tangidos feito gado em laço e corte
Carpindo cada morte que chegou,
Futuro desdentado que reporte
A toda desvalia que passou.
A boca escancarada em cada morte
Que mansamente em sorte aliviou..
Riacho todo seco da esperança
As pedras e as areias vão expostas.
De tudo casamento festa e dança
Amaciam a carne corta em postas;
Em cada novo tempo outra criança,
Bezerros abortados sem apostas.
E o gado dá lição, fraternidade.
Noutra rês reconhece uma amizade...
MARCOS LOURES
Tangidos feito gado em laço e corte
Carpindo cada morte que chegou,
Futuro desdentado que reporte
A toda desvalia que passou.
A boca escancarada em cada morte
Que mansamente em sorte aliviou..
Riacho todo seco da esperança
As pedras e as areias vão expostas.
De tudo casamento festa e dança
Amaciam a carne corta em postas;
Em cada novo tempo outra criança,
Bezerros abortados sem apostas.
E o gado dá lição, fraternidade.
Noutra rês reconhece uma amizade...
MARCOS LOURES
ESPERANÇA?
ESPERANÇA?
Que dizer de esperança quando o medo
Da morte imediata bate à porta?
Nascimento feito em sorte, no degredo
Da sorte desdentada e semi morta.
A farsa desenhada desde cedo
E o canto sem sentido logo aporta.
Na mão tão delicada da criança
A boca da pistola e do fuzil.
A bala achada ecoa na lembrança
Como um confeito amargo e tão “gentil”.
A vida se fazendo em confiança
Da proteção do tráfico, sutil.
Culpar cada criança é muito fácil,
Em toda esta ironia amor é grácil?
MARCOS LOURES
Que dizer de esperança quando o medo
Da morte imediata bate à porta?
Nascimento feito em sorte, no degredo
Da sorte desdentada e semi morta.
A farsa desenhada desde cedo
E o canto sem sentido logo aporta.
Na mão tão delicada da criança
A boca da pistola e do fuzil.
A bala achada ecoa na lembrança
Como um confeito amargo e tão “gentil”.
A vida se fazendo em confiança
Da proteção do tráfico, sutil.
Culpar cada criança é muito fácil,
Em toda esta ironia amor é grácil?
MARCOS LOURES
ADORMECENDO
ADORMECENDO
A lâmina que corta tão profundo
Serena adormecendo nas mentiras.
Gerando tantas dores num segundo
Recorta uma esperança em finas tiras.
Nas voltas que percebo, pelo mundo,
A faca nas senzalas caipiras
Assim como em favelas soberanas
Repetem o retrato travestido
Noutras senzalas/dores suburbanas.
Na saia levantada, no vestido,
No corte, nas queimadas, fomes, canas
No sonho sem pendão, prostituído...
Mas quem sabe amizade bastaria
Para nós renascermos outro dia?
MARCOS LOURES
A lâmina que corta tão profundo
Serena adormecendo nas mentiras.
Gerando tantas dores num segundo
Recorta uma esperança em finas tiras.
Nas voltas que percebo, pelo mundo,
A faca nas senzalas caipiras
Assim como em favelas soberanas
Repetem o retrato travestido
Noutras senzalas/dores suburbanas.
Na saia levantada, no vestido,
No corte, nas queimadas, fomes, canas
No sonho sem pendão, prostituído...
Mas quem sabe amizade bastaria
Para nós renascermos outro dia?
MARCOS LOURES
QUANDO TE VI
QUANDO TE VI
Quando te vi, amor fundamental
Não percebi que a sorte me tomara.
Cansado de uma vida sempre igual
Sem fonte e sem desejo, vida amara,
Quando te vi sincero e desprendido,
Sem marcas e desenhos, facas, garras,
Aos poucos sem sentir fui envolvido
Pelas mansas delícias das agarras.
Quando te vi querida, não sabia
Que o mundo me traria novas cores.
Tomado pelo fogo da alegria
Numa entrega total, sem pudores...
Quando te vi, depois de medos tantos,
Voltei a perceber; da vida, encantos...
MARCOS LOURES
Quando te vi, amor fundamental
Não percebi que a sorte me tomara.
Cansado de uma vida sempre igual
Sem fonte e sem desejo, vida amara,
Quando te vi sincero e desprendido,
Sem marcas e desenhos, facas, garras,
Aos poucos sem sentir fui envolvido
Pelas mansas delícias das agarras.
Quando te vi querida, não sabia
Que o mundo me traria novas cores.
Tomado pelo fogo da alegria
Numa entrega total, sem pudores...
Quando te vi, depois de medos tantos,
Voltei a perceber; da vida, encantos...
MARCOS LOURES
ILUMINADO
ILUMINADO
Trazido pelo vago e duro vento,
Emergindo do que fora primavera,
Num último resquício, sentimento,
Voltando novamente a ser quem era,
O cálice refeito tomando assento
Como um cristal refeito do quem dera,
Sorriso de esperança num momento
Tardio desta vida sem espera.
Moldando um novo rumo em minha história,
Um fio que me liga, frágil ponte,
À vida abandonada e sem memória.
Vieste como um parto abençoado
Abrindo o que restara de horizonte,
Um sol violentamente iluminado!
MARCOS LOURES
Trazido pelo vago e duro vento,
Emergindo do que fora primavera,
Num último resquício, sentimento,
Voltando novamente a ser quem era,
O cálice refeito tomando assento
Como um cristal refeito do quem dera,
Sorriso de esperança num momento
Tardio desta vida sem espera.
Moldando um novo rumo em minha história,
Um fio que me liga, frágil ponte,
À vida abandonada e sem memória.
Vieste como um parto abençoado
Abrindo o que restara de horizonte,
Um sol violentamente iluminado!
MARCOS LOURES
AMAR VOCÊ
AMAR VOCÊ
Eu estou te esperando em cada esquina
Dos sonhos entranhados, fantasias...
Persigo cada passo da menina
Embutida nas coxas/ardentias.
A fonte dos desejos, cristalina,
Refaz-se em minha cama, tantos dias,
A mão deste fantasma me domina
Parindo em cada verso, poesias...
Nesse arrebatamento me embebedo
Em goles de aguardente e de esperança.
Quem dera se chegasses aqui, cedo,
Talvez nós desfrutássemos do gozo
Fantástico da vida em louca dança
Num festim delicado e prazeroso...
MARCOS LOURES
Eu estou te esperando em cada esquina
Dos sonhos entranhados, fantasias...
Persigo cada passo da menina
Embutida nas coxas/ardentias.
A fonte dos desejos, cristalina,
Refaz-se em minha cama, tantos dias,
A mão deste fantasma me domina
Parindo em cada verso, poesias...
Nesse arrebatamento me embebedo
Em goles de aguardente e de esperança.
Quem dera se chegasses aqui, cedo,
Talvez nós desfrutássemos do gozo
Fantástico da vida em louca dança
Num festim delicado e prazeroso...
MARCOS LOURES
SEMENTES
SEMENTES
Na semente fecunda da amizade
Refaz-se todo o amor que nos deu Deus.
Contemplo com carinho a liberdade
Matando os meus instintos tão ateus.
Vagando como luz em pleno espaço
O fruto da amizade, o vero amor;
Riscando pelos ares fino traço
Que traz justiça ao louco sonhador
Que um dia, nos desertos da esperança
Falou do amor imenso em nosso Pai;
Mostrando a santidade da aliança
Formada entre dois seres. Não se trai
O grito dos aflitos sofredores.
Espalhe em amizade, seus amores...
MARCOS LOURES
Na semente fecunda da amizade
Refaz-se todo o amor que nos deu Deus.
Contemplo com carinho a liberdade
Matando os meus instintos tão ateus.
Vagando como luz em pleno espaço
O fruto da amizade, o vero amor;
Riscando pelos ares fino traço
Que traz justiça ao louco sonhador
Que um dia, nos desertos da esperança
Falou do amor imenso em nosso Pai;
Mostrando a santidade da aliança
Formada entre dois seres. Não se trai
O grito dos aflitos sofredores.
Espalhe em amizade, seus amores...
MARCOS LOURES
VENTANIA
VENTANIA
Meu canto em ventania varre tudo,
Salgando esta salada do viver.
Às vezes em silêncio sigo mudo,
Pensando em tanta coisa por fazer.
Cavalo vai faminto e não me iludo
Meu verso se perdendo sem querer.
Faca dilacerante da saudade,
Na ponta tão aguda, bico e corte.
Se traço nos meus olhos liberdade,
A mão que me segura é sempre forte,
Não fosse estes meus laços de amizade,
Amor me levaria logo à morte.
Fazer da companheira amiga/irmã;
Um salvador momento em duro afã.
MARCOS LOURES
Meu canto em ventania varre tudo,
Salgando esta salada do viver.
Às vezes em silêncio sigo mudo,
Pensando em tanta coisa por fazer.
Cavalo vai faminto e não me iludo
Meu verso se perdendo sem querer.
Faca dilacerante da saudade,
Na ponta tão aguda, bico e corte.
Se traço nos meus olhos liberdade,
A mão que me segura é sempre forte,
Não fosse estes meus laços de amizade,
Amor me levaria logo à morte.
Fazer da companheira amiga/irmã;
Um salvador momento em duro afã.
MARCOS LOURES
DISPERSO
DISPERSO
Moléculas dispersas, morte avisto,
E vicejando adubo em solo apenas
Espero o quanto em dores me condenas
E bebo este cenário tão malvisto,
Sentindo que jamais fora benquisto
Um cisto em podridão que ora envenenas
Distando destas noites mais serenas
Ainda sem defesas, mal resisto.
Insisto tão somente e nada mais,
Instintos que demonstras; canibais,
Na luta insana e torpe sem valia,
O quanto se procura e nada trama
Apaga devagar a frágil chama
Enquanto alma em tolice fantasia.
Marcos Loures
Moléculas dispersas, morte avisto,
E vicejando adubo em solo apenas
Espero o quanto em dores me condenas
E bebo este cenário tão malvisto,
Sentindo que jamais fora benquisto
Um cisto em podridão que ora envenenas
Distando destas noites mais serenas
Ainda sem defesas, mal resisto.
Insisto tão somente e nada mais,
Instintos que demonstras; canibais,
Na luta insana e torpe sem valia,
O quanto se procura e nada trama
Apaga devagar a frágil chama
Enquanto alma em tolice fantasia.
Marcos Loures
ALGUMA FRESTA
ALGUMA FRESTA
Ausente do que fora outrora luz
Augúrios prescrevendo a claridade
Envolto neste templo onde degrade
O tempo mais disperso me conduz,
Amando sem saber onde me pus,
Vagando pelas tramas da cidade
Bebera o que se quis felicidade
Restando a solidão que faço jus.
Dos dias mais audazes, rudes, bélicos,
Dos magos desenhares mais psicodélicos
Desdéns e sofrimento, o quanto resta,
Meu mundo se mostrara ora esquelético,
E o canto se perdera e sigo cético
Tentando imaginar alguma fresta.
Marcos Loures
Ausente do que fora outrora luz
Augúrios prescrevendo a claridade
Envolto neste templo onde degrade
O tempo mais disperso me conduz,
Amando sem saber onde me pus,
Vagando pelas tramas da cidade
Bebera o que se quis felicidade
Restando a solidão que faço jus.
Dos dias mais audazes, rudes, bélicos,
Dos magos desenhares mais psicodélicos
Desdéns e sofrimento, o quanto resta,
Meu mundo se mostrara ora esquelético,
E o canto se perdera e sigo cético
Tentando imaginar alguma fresta.
Marcos Loures
Miragem
Miragem
Murchando pouco a pouco a velha flor
Que um dia decorara o meu jardim,
E paulatinamente vejo o fim
Ainda que tentasse em vão me opor.
A morte se desenha enquanto eu for
Bebendo a solidão, e de onde eu vim
Encontro o que restara inda de mim,
Na farsa quando feita em desamor,
Desabrochara em falsa primavera
O tempo destroçando não espera
E gera tão somente a mesma imagem
De um tempo mais sofrível, mesmo inglório,
E o corte se mostrando peremptório,
Fazendo da esperança uma miragem.
Marcos Loures
Murchando pouco a pouco a velha flor
Que um dia decorara o meu jardim,
E paulatinamente vejo o fim
Ainda que tentasse em vão me opor.
A morte se desenha enquanto eu for
Bebendo a solidão, e de onde eu vim
Encontro o que restara inda de mim,
Na farsa quando feita em desamor,
Desabrochara em falsa primavera
O tempo destroçando não espera
E gera tão somente a mesma imagem
De um tempo mais sofrível, mesmo inglório,
E o corte se mostrando peremptório,
Fazendo da esperança uma miragem.
Marcos Loures
CANTO ILUSÓRIO
CANTO ILUSÓRIO
Apetecendo um canto que inda venha
Trazer uma esperança em minha vida,
Embora se desenhe carcomida
A luta que se faça mais ferrenha,
A cada novo engano a mesma ordenha,
Acreditando além da mera ermida
Espero outro momento, e se duvida,
Apenas o silêncio me convenha.
Descrenças sobrepujam e no fim
A pútrida expressão traz para mim
A dura realidade onde me encontro,
Depositando as fichas no vazio,
O tanto quanto rege em desvario,
Demonstra tão somente o desencontro.
Marcos Loures
Apetecendo um canto que inda venha
Trazer uma esperança em minha vida,
Embora se desenhe carcomida
A luta que se faça mais ferrenha,
A cada novo engano a mesma ordenha,
Acreditando além da mera ermida
Espero outro momento, e se duvida,
Apenas o silêncio me convenha.
Descrenças sobrepujam e no fim
A pútrida expressão traz para mim
A dura realidade onde me encontro,
Depositando as fichas no vazio,
O tanto quanto rege em desvario,
Demonstra tão somente o desencontro.
Marcos Loures
ATROZ E INFANDO
ATROZ E INFANDO
Zarpando para além do quanto um dia
Versasse sobre o fato improcedente
E marca com temor o decadente
Tormento que deveras se veria,
Não mais desenho em paz a fantasia
E sei do quanto possa imprevidente
Ainda quando o mundo apenas tente
Traçar além da farsa amarga e fria,
Negar o quanto houvera e nada tendo,
Somente o mesmo fardo em tom horrendo,
Manietado rumo nos vergastando,
A morta mocidade, imenso pélago,
Agora mero atol onde arquipélago
Perdera-se num tom atroz e infando.
Marcos Loures
Zarpando para além do quanto um dia
Versasse sobre o fato improcedente
E marca com temor o decadente
Tormento que deveras se veria,
Não mais desenho em paz a fantasia
E sei do quanto possa imprevidente
Ainda quando o mundo apenas tente
Traçar além da farsa amarga e fria,
Negar o quanto houvera e nada tendo,
Somente o mesmo fardo em tom horrendo,
Manietado rumo nos vergastando,
A morta mocidade, imenso pélago,
Agora mero atol onde arquipélago
Perdera-se num tom atroz e infando.
Marcos Loures
Ermos.
Ermos.
Misteriosos ermos dentro da alma
Expressam o vazio onde eu mergulho
E bebo esta centelha, pedregulho,
Da vaga sensação que nunca acalma,
Deliberadamente a senda calma
Infecta sensação em tolo orgulho,
Distando do que busco; algum marulho,
Recende ao mais diverso e torpe trauma,
Encontro os meus resquícios mais raquíticos
E sigo mesmo quando em dias críticos
Centrípeta vontade não vigora,
Esparso passo em vasta solidão,
A morte se mostrara em solução
Volvendo o quanto houvera desde outrora.
Marcos Loures
Misteriosos ermos dentro da alma
Expressam o vazio onde eu mergulho
E bebo esta centelha, pedregulho,
Da vaga sensação que nunca acalma,
Deliberadamente a senda calma
Infecta sensação em tolo orgulho,
Distando do que busco; algum marulho,
Recende ao mais diverso e torpe trauma,
Encontro os meus resquícios mais raquíticos
E sigo mesmo quando em dias críticos
Centrípeta vontade não vigora,
Esparso passo em vasta solidão,
A morte se mostrara em solução
Volvendo o quanto houvera desde outrora.
Marcos Loures
Inútil Ave
Inútil Ave
Em avidez desdobro o quanto houvera
Dos mais diversos passos entre trevas
E sei da solidão que ora tu cevas
Marcada em sensação atroz e austera.
Das criptas mais medonhas, vejo a fera,
E nela o quanto tento, mas em levas,
As dores que ora agregas tão longevas
Enquanto a própria luz se degenera.
Meu grito se calando na garganta,
A sorte se estancando não garanta
Sequer o que pudesse ser suave,
Carcaça carcomida, uma ilusão,
Enfrenta a mais temida sensação
Buscando a liberdade, inútil ave.
Marcos Loures
Em avidez desdobro o quanto houvera
Dos mais diversos passos entre trevas
E sei da solidão que ora tu cevas
Marcada em sensação atroz e austera.
Das criptas mais medonhas, vejo a fera,
E nela o quanto tento, mas em levas,
As dores que ora agregas tão longevas
Enquanto a própria luz se degenera.
Meu grito se calando na garganta,
A sorte se estancando não garanta
Sequer o que pudesse ser suave,
Carcaça carcomida, uma ilusão,
Enfrenta a mais temida sensação
Buscando a liberdade, inútil ave.
Marcos Loures
ENXAGUANDO OS OLHOS
ENXAGUANDO OS OLHOS
Enxaguo os olhos quando te procuro
Em meio aos mais dispersos erros quando
A face do passado me tomando
Tornando o meu caminho mais escuro,
Encontro nebuloso o que afiguro
Ser tanto quanto pude em contrabando,
E as dores entranhando em tosco bando,
O solo não produz e o não perduro,
Armando esta tocaia, o tempo entranha,
A luta que pensara outrora ganha
Agora se demora e me destroça,
Travando cada passo, encontro em pândega,
Minha esperança morta em plena alfândega,
Jogada em podre esgoto, imunda fossa.
Marcos Loures
Enxaguo os olhos quando te procuro
Em meio aos mais dispersos erros quando
A face do passado me tomando
Tornando o meu caminho mais escuro,
Encontro nebuloso o que afiguro
Ser tanto quanto pude em contrabando,
E as dores entranhando em tosco bando,
O solo não produz e o não perduro,
Armando esta tocaia, o tempo entranha,
A luta que pensara outrora ganha
Agora se demora e me destroça,
Travando cada passo, encontro em pândega,
Minha esperança morta em plena alfândega,
Jogada em podre esgoto, imunda fossa.
Marcos Loures
DEGRADÁVEL
DEGRADÁVEL
Minha alma já se enluta e vê de perto
O féretro que trago em podridão,
Os erros do passado moldarão
Apenas o cenário de um deserto,
E quando me sustento mais desperto
Enfrento sem temor, sofreguidão,
Marcando a ferro e fogo a imensidão
Num ermo desenhar em campo aberto.
E monstruosamente o que reflito
Expressa o grito amaro e mais aflito
Vestígios de um conflito interminável,
Instinto derrotando o pensamento,
E nisto alguma sorte alhures tento,
Porém meu mundo é mero e degradável.
Marcos Loures
Minha alma já se enluta e vê de perto
O féretro que trago em podridão,
Os erros do passado moldarão
Apenas o cenário de um deserto,
E quando me sustento mais desperto
Enfrento sem temor, sofreguidão,
Marcando a ferro e fogo a imensidão
Num ermo desenhar em campo aberto.
E monstruosamente o que reflito
Expressa o grito amaro e mais aflito
Vestígios de um conflito interminável,
Instinto derrotando o pensamento,
E nisto alguma sorte alhures tento,
Porém meu mundo é mero e degradável.
Marcos Loures
Qualquer Viço
Qualquer Viço
Os passos entre enganos; indefeso,
Encontro os meus espectros do que eu fora,
E quanto a luta amarga e tentadora,
Ousasse imaginar que eu saía ileso,
Tentando ser além de um contrapeso,
Abraço a imensidão mais promissora
Jogral onde a esperança redentora
Morrera a cada instante, e sigo preso.
Sentidos tão diversos, mundo eclético,
O tempo se fizera mais sintético
Estático bufão, apenas isso,
Arranco do meu cérebro os detalhes
E mesmo quando além do frágil, talhes,
Ainda em vão procuro qualquer viço.
Marcos Loures
Os passos entre enganos; indefeso,
Encontro os meus espectros do que eu fora,
E quanto a luta amarga e tentadora,
Ousasse imaginar que eu saía ileso,
Tentando ser além de um contrapeso,
Abraço a imensidão mais promissora
Jogral onde a esperança redentora
Morrera a cada instante, e sigo preso.
Sentidos tão diversos, mundo eclético,
O tempo se fizera mais sintético
Estático bufão, apenas isso,
Arranco do meu cérebro os detalhes
E mesmo quando além do frágil, talhes,
Ainda em vão procuro qualquer viço.
Marcos Loures
DECADÊNCIA
DECADÊNCIA
Ardências entre engodos e terrores
A mesma decadência rege os passos
Cadências mais atrozes, descompassos,
E sigo sem saber o quanto fores,
Opacas ilusões, temíveis dores,
Os sonhos se mostrando mais escassos,
Deixando tão somente estes cansaços
E neles outros tons, torturadores,
Estéreis emoções; caminho em vão,
Estradas sem descanso mostrarão
Os medos que acumulo em desenredos,
Um feixe transformado em faca, em foice,
E o quanto ainda havia agora, foi-se,
E os meus anseios morrem toscos, ledos.
Marcos Loures
Ardências entre engodos e terrores
A mesma decadência rege os passos
Cadências mais atrozes, descompassos,
E sigo sem saber o quanto fores,
Opacas ilusões, temíveis dores,
Os sonhos se mostrando mais escassos,
Deixando tão somente estes cansaços
E neles outros tons, torturadores,
Estéreis emoções; caminho em vão,
Estradas sem descanso mostrarão
Os medos que acumulo em desenredos,
Um feixe transformado em faca, em foice,
E o quanto ainda havia agora, foi-se,
E os meus anseios morrem toscos, ledos.
Marcos Loures
Tuas Presas
Tuas Presas
A carne em pleno fogo, o jogo eu sigo,
E bebo dos venenos que me trazes,
Rasgando o quanto houvera em tenras fases.
Apenas se presume algum perigo,
Condenas ao mais torpe desabrigo
E nisto com certeza o que ora fazes
Momentos tão cruéis quão contumazes
E o preço a se pagar levas contigo,
Na sórdida visão em cicatriz
Tatuas tua sorte e assim me fiz
Escracho e sem pudor, pejo ou defesas,
Enquanto tuas garras entranhando
No corpo pouco a pouco, desde quando
Gargalhas demonstrando frias presas.
Marcos Loures
A carne em pleno fogo, o jogo eu sigo,
E bebo dos venenos que me trazes,
Rasgando o quanto houvera em tenras fases.
Apenas se presume algum perigo,
Condenas ao mais torpe desabrigo
E nisto com certeza o que ora fazes
Momentos tão cruéis quão contumazes
E o preço a se pagar levas contigo,
Na sórdida visão em cicatriz
Tatuas tua sorte e assim me fiz
Escracho e sem pudor, pejo ou defesas,
Enquanto tuas garras entranhando
No corpo pouco a pouco, desde quando
Gargalhas demonstrando frias presas.
Marcos Loures
TU
TU
O quanto em mim cindiste e não deixaste
Sequer alguma parte, integridade,
Sulcando o que inda houvera em liberdade,
Encerras dentro da alma o velho traste,
A vida se desenha em tal contraste
E nada do que possa em claridade
Expressaria a fria realidade
E o pouco quando houvera; tu me tomaste,
A porta escancarada aguarda a fera
Atocaiada embala em vis mentiras
Enquanto o quanto tenho me retiras,
Na trajetória rude degenera,
Cintilas dentro em mim, meu cadafalso,
Num brilho sem sentido, espúrio e falso.
Marcos Loures
O quanto em mim cindiste e não deixaste
Sequer alguma parte, integridade,
Sulcando o que inda houvera em liberdade,
Encerras dentro da alma o velho traste,
A vida se desenha em tal contraste
E nada do que possa em claridade
Expressaria a fria realidade
E o pouco quando houvera; tu me tomaste,
A porta escancarada aguarda a fera
Atocaiada embala em vis mentiras
Enquanto o quanto tenho me retiras,
Na trajetória rude degenera,
Cintilas dentro em mim, meu cadafalso,
Num brilho sem sentido, espúrio e falso.
Marcos Loures
Meu cais
Meu cais
Buscasse alguma fonte onde não vejo
Sequer o que deixara no passado,
A luta sem sentido, o velho prado,
Apenas da vontade um velho ensejo,
O canto quando muito ora dardejo
E bebo o que pudera ter ao lado,
O dia sempre igual, já derrotado
Nas tantas ilusões, vou malfazejo,
Não quero outro cenário, nem tampouco
O tempo moldaria enquanto louco
Espero alguma luz que não viria,
Resplandecendo apenas o que nega,
A vida se transcorre surda e cega,
Deixando como cais, a poesia.
Marcos Loures
Buscasse alguma fonte onde não vejo
Sequer o que deixara no passado,
A luta sem sentido, o velho prado,
Apenas da vontade um velho ensejo,
O canto quando muito ora dardejo
E bebo o que pudera ter ao lado,
O dia sempre igual, já derrotado
Nas tantas ilusões, vou malfazejo,
Não quero outro cenário, nem tampouco
O tempo moldaria enquanto louco
Espero alguma luz que não viria,
Resplandecendo apenas o que nega,
A vida se transcorre surda e cega,
Deixando como cais, a poesia.
Marcos Loures
Ventania
Ventania
Talvez qual ventania uma verdade
Tomando em tempestade o que me resta
Adentra o quanto possa em toda fresta,
Cessando desde sempre a liberdade,
Invade-me a saudade e se degrade
O mundo quando a sorte em vão se empresta,
E sigo imaginando a farsa em festa,
Ousando ter no olhar felicidade,
Cidades e cidades, ruas, ermos,
Negando o quanto fomos por não sermos
Jamais imaginei que fosse assim,
O tanto que se expresse em tom sombrio
Transcende mesmo ao rude desafio
E vejo, paulatino e tolo, o fim.
Marcos Loures
Talvez qual ventania uma verdade
Tomando em tempestade o que me resta
Adentra o quanto possa em toda fresta,
Cessando desde sempre a liberdade,
Invade-me a saudade e se degrade
O mundo quando a sorte em vão se empresta,
E sigo imaginando a farsa em festa,
Ousando ter no olhar felicidade,
Cidades e cidades, ruas, ermos,
Negando o quanto fomos por não sermos
Jamais imaginei que fosse assim,
O tanto que se expresse em tom sombrio
Transcende mesmo ao rude desafio
E vejo, paulatino e tolo, o fim.
Marcos Loures
OPACIDADE
OPACIDADE
Meus olhos decadentes e sombrios
Carregam a tristeza secular,
Dos sonhos esquecidos e vazios
Distantes das areias, sem o mar.
São olhos invernais morrendo estios,
Desaprenderam cedo o que é lutar
Perdidas andorinhas sem os fios,
Estrelas tão longínquas sem luar.
Meus olhos, simples ilhas sem ninguém
Eremitas morrendo em solidão.
O tempo vai passando e nada vem
Senão o gosto amargo da saudade
Daquilo que deveras fora o não.
Sem brilhos. Em meu olhar: opacidade...
MARCOS LOURES
Meus olhos decadentes e sombrios
Carregam a tristeza secular,
Dos sonhos esquecidos e vazios
Distantes das areias, sem o mar.
São olhos invernais morrendo estios,
Desaprenderam cedo o que é lutar
Perdidas andorinhas sem os fios,
Estrelas tão longínquas sem luar.
Meus olhos, simples ilhas sem ninguém
Eremitas morrendo em solidão.
O tempo vai passando e nada vem
Senão o gosto amargo da saudade
Daquilo que deveras fora o não.
Sem brilhos. Em meu olhar: opacidade...
MARCOS LOURES
VOZES DO PASSADO
VOZES DO PASSADO
Ouço vozes distantes, do passado;
Selando minha sorte no futuro.
Dos dias entre bares, um traçado
Exposto na miséria do chão duro.
Humores e desejos mal tocados
No beco da saudade; vago, escuro.
Às vezes me mostrando tanto enfado
Como um nada, mas mesmo assim procuro
Os rastros do que fui e já perdi
O cheiro da alegria, antigos odres
Lotados de vinagre. Estou aqui
Ouvindo tantas vozes. Na verdade
Mesmo com estes restos, mortos, podres,
Ao ouvir esta voz, sinto saudade....
MARCOS LOURES
Ouço vozes distantes, do passado;
Selando minha sorte no futuro.
Dos dias entre bares, um traçado
Exposto na miséria do chão duro.
Humores e desejos mal tocados
No beco da saudade; vago, escuro.
Às vezes me mostrando tanto enfado
Como um nada, mas mesmo assim procuro
Os rastros do que fui e já perdi
O cheiro da alegria, antigos odres
Lotados de vinagre. Estou aqui
Ouvindo tantas vozes. Na verdade
Mesmo com estes restos, mortos, podres,
Ao ouvir esta voz, sinto saudade....
MARCOS LOURES
EU SOU FELIZ!
EU SOU FELIZ!
Teu corpo, deslumbrante maravilha;
Perfeita sensação; belo absoluto.
De Afrodite, estou certo, tu és filha;
De raridade imensa, forma e vulto.
Pairando em minha cama esta beleza
Qual fosse um sonho cheio de magia,
Ao fim de minha história esta surpresa
Repleta de ternura. Quem diria?
Minha alma adormecida se refaz
E volta, num momento; à mocidade.
Bebendo desta fonte sou capaz
De retornar sem medo à tênue idade
Dos sonhos e desejos mais febris.
E digo, em destemor: Eu sou feliz!
MARCOS LOURES
Teu corpo, deslumbrante maravilha;
Perfeita sensação; belo absoluto.
De Afrodite, estou certo, tu és filha;
De raridade imensa, forma e vulto.
Pairando em minha cama esta beleza
Qual fosse um sonho cheio de magia,
Ao fim de minha história esta surpresa
Repleta de ternura. Quem diria?
Minha alma adormecida se refaz
E volta, num momento; à mocidade.
Bebendo desta fonte sou capaz
De retornar sem medo à tênue idade
Dos sonhos e desejos mais febris.
E digo, em destemor: Eu sou feliz!
MARCOS LOURES
ÉS FELIZ
ÉS FELIZ
O dia fugitivo perde o lume
Do sol que derramava seu calor.
Dama da noite acende seu perfume,
Adolescentes buscam sonho, amor...
As dúvidas renascem nos casais,
Pirilampos, corujas, fátuo fogo.
O frio feito em treva; a noite traz.
Amor já recomeça o velho jogo
Os bares são tomados, juventude,
Os lares apagados, discussões.
A namorada pede uma atitude,
Milhares de pecados e perdões...
Contigo do meu lado, a lua diz,
Em raios derramados: És feliz!
MARCOS LOURES
O dia fugitivo perde o lume
Do sol que derramava seu calor.
Dama da noite acende seu perfume,
Adolescentes buscam sonho, amor...
As dúvidas renascem nos casais,
Pirilampos, corujas, fátuo fogo.
O frio feito em treva; a noite traz.
Amor já recomeça o velho jogo
Os bares são tomados, juventude,
Os lares apagados, discussões.
A namorada pede uma atitude,
Milhares de pecados e perdões...
Contigo do meu lado, a lua diz,
Em raios derramados: És feliz!
MARCOS LOURES
EXPRESSÃO DE AMOR
EXPRESSÃO DE AMOR
Nos olhos da criança, amor expresso;
Amor da mocidade destroçada,
Meu erro reconheço e te confesso
Na minha mão vazia, trago o nada.
Nas cruzes que carrego, se tropeço,
Não vejo esta esperança abandonada.
Somente o puro amor em redenção
Sem medos, fantasias ou miragens
Movendo passo a passo o coração
Permite que se mudem as imagens
Que moem num segundo as ilusões
De um mundo bem melhor, meras visagens...
Nos olhos da criança o Redentor,
Abandonado a esmo, sem amor...
MARCOS LOURES
Nos olhos da criança, amor expresso;
Amor da mocidade destroçada,
Meu erro reconheço e te confesso
Na minha mão vazia, trago o nada.
Nas cruzes que carrego, se tropeço,
Não vejo esta esperança abandonada.
Somente o puro amor em redenção
Sem medos, fantasias ou miragens
Movendo passo a passo o coração
Permite que se mudem as imagens
Que moem num segundo as ilusões
De um mundo bem melhor, meras visagens...
Nos olhos da criança o Redentor,
Abandonado a esmo, sem amor...
MARCOS LOURES
sábado, 16 de junho de 2012
Tempesta
Tempesta
Ouvindo a voz do mar a nos trazer
Alguma sensação de novo dia,
Ao menos noutro encanto eu poderia
Sonhar com belo tom no amanhecer,
Porém quando me exponho e posso ver
A vida se esvaindo em vã sangria
Desafiando o tom da melodia
O quanto se fez tanto a se perder,
Não mais que mero ocaso em brumas fartas
E vendo este cenário tu te apartas
Partindo o que restara de ilusão,
Nebulosa manhã se aproximando,
O mundo que sonhei se faz nefando
Tempesta se anuncia em um trovão.
Marcos Loures
Ouvindo a voz do mar a nos trazer
Alguma sensação de novo dia,
Ao menos noutro encanto eu poderia
Sonhar com belo tom no amanhecer,
Porém quando me exponho e posso ver
A vida se esvaindo em vã sangria
Desafiando o tom da melodia
O quanto se fez tanto a se perder,
Não mais que mero ocaso em brumas fartas
E vendo este cenário tu te apartas
Partindo o que restara de ilusão,
Nebulosa manhã se aproximando,
O mundo que sonhei se faz nefando
Tempesta se anuncia em um trovão.
Marcos Loures
Degradação
Degradação
Restando muito pouco do que há tanto
Seria mais audaz, a juventude,
O mundo noutra face não me ilude
E encontro finalmente o desencanto,
Restasse o quanto escondo e não garanto,
O preço a se pagar é bem mais rude,
Não sei da solução e nem mais pude
Viver além da dor, do medo e pranto.
Eclodem versos velhos dentro da alma
E quando a noite vem e o sonho acalma
Aplaca a violência da verdade,
E nisto o que se faça em ilusório
Caminho mata o quanto foi notório
E o pouco quando sobre já degrade.
Marcos Loures
Restando muito pouco do que há tanto
Seria mais audaz, a juventude,
O mundo noutra face não me ilude
E encontro finalmente o desencanto,
Restasse o quanto escondo e não garanto,
O preço a se pagar é bem mais rude,
Não sei da solução e nem mais pude
Viver além da dor, do medo e pranto.
Eclodem versos velhos dentro da alma
E quando a noite vem e o sonho acalma
Aplaca a violência da verdade,
E nisto o que se faça em ilusório
Caminho mata o quanto foi notório
E o pouco quando sobre já degrade.
Marcos Loures
Trapaça
Trapaça
Ocasionando a queda do que há dias
Marcasse o meu anseio mais veemente
E sinto quando a vida volve e mente
Matando em tardes turvas e sombrias,
Distante ainda escuto melodias
E o corpo determina inutilmente
O muito mais sublime e até premente
Vagando sem saber em horas frias,
Resulto desta falsa sensação
Guardada no meu mundo, em meu porão,
Restando qualquer coisa que se faça
Diversa da expressão em tom sofrível
E o verso se desenha em dor incrível
Já desnudando inteira esta trapaça.
Marcos Loures
Ocasionando a queda do que há dias
Marcasse o meu anseio mais veemente
E sinto quando a vida volve e mente
Matando em tardes turvas e sombrias,
Distante ainda escuto melodias
E o corpo determina inutilmente
O muito mais sublime e até premente
Vagando sem saber em horas frias,
Resulto desta falsa sensação
Guardada no meu mundo, em meu porão,
Restando qualquer coisa que se faça
Diversa da expressão em tom sofrível
E o verso se desenha em dor incrível
Já desnudando inteira esta trapaça.
Marcos Loures
Descaso
Descaso
Havendo qualquer coisa além do porto
Talvez inda restasse algum descanso,
Mas quando no final o nada alcanço,
O mundo desabando inútil, morto,
Meu verso traduzisse o mesmo aborto
E nisto no vazio onde me lanço,
Espero o que se faça bem mais manso
Remanso desenhado, em desconforto,
Presenciando o fim de nova etapa
O tanto que tentara agora escapa
E veste o quanto investe em curto prazo,
Negando o que se fez felicidade
Tampouco uma ilusão ao fim agrade
E sinto da esperança o seu descaso.
Marcos Loures
Havendo qualquer coisa além do porto
Talvez inda restasse algum descanso,
Mas quando no final o nada alcanço,
O mundo desabando inútil, morto,
Meu verso traduzisse o mesmo aborto
E nisto no vazio onde me lanço,
Espero o que se faça bem mais manso
Remanso desenhado, em desconforto,
Presenciando o fim de nova etapa
O tanto que tentara agora escapa
E veste o quanto investe em curto prazo,
Negando o que se fez felicidade
Tampouco uma ilusão ao fim agrade
E sinto da esperança o seu descaso.
Marcos Loures
Sidéreas Sensações
Sidéreas sensações, ações em vão,
Nas momentâneas farsas que tu trazes
A vida ensandecendo as tantas fases
E nelas velhas celas se verão,
Venéreas noites feitas de paixão,
Ousando acreditar em mais audazes
Enredos onde o tanto que comprazes
Expressa tanta pressa ou mansidão,
Imerso num disperso mundo pálido,
Meu canto; a cada verso, quase esquálido,
Do cálido passado nada resta,
Bisonhamente enfrento os meus moinhos
E os prazos se transformam em daninhos
Fugindo a cada instante, mesma fresta.
Marcos Loures
Nas momentâneas farsas que tu trazes
A vida ensandecendo as tantas fases
E nelas velhas celas se verão,
Venéreas noites feitas de paixão,
Ousando acreditar em mais audazes
Enredos onde o tanto que comprazes
Expressa tanta pressa ou mansidão,
Imerso num disperso mundo pálido,
Meu canto; a cada verso, quase esquálido,
Do cálido passado nada resta,
Bisonhamente enfrento os meus moinhos
E os prazos se transformam em daninhos
Fugindo a cada instante, mesma fresta.
Marcos Loures
Sombras
Sombras
As sombras entre alfombras no salão
Dos sonhos assombrando o malfadado
Momento aonde eu tento em meu sobrado
Marcar os dias claros que virão.
Somando o quase nada vejo o não
E bebo cada gota do passado,
E rota a sensação do desagrado
O fardo se transforma em solução?
Percebo nos alforjes da saudade
O preço mais cruel da liberdade
E disto o que pudesse em penitência,
Servil anseio molda o que se faça
Deixando para trás a liça, a traça,
Sorvendo o que se faz sem mais clemência.
Marcos Loures
As sombras entre alfombras no salão
Dos sonhos assombrando o malfadado
Momento aonde eu tento em meu sobrado
Marcar os dias claros que virão.
Somando o quase nada vejo o não
E bebo cada gota do passado,
E rota a sensação do desagrado
O fardo se transforma em solução?
Percebo nos alforjes da saudade
O preço mais cruel da liberdade
E disto o que pudesse em penitência,
Servil anseio molda o que se faça
Deixando para trás a liça, a traça,
Sorvendo o que se faz sem mais clemência.
Marcos Loures
Ausente
Ausente
Jamais se fez presente quem outrora
Vivesse da esperança e nada mais,
Enquanto novos dias são iguais
A mesma sensação do não devora,
E o preço a se pagar já desancora
O barco que enfrentara vendavais,
Agora mais distante do meu cais,
A luta noutro tom em vão demora,
Respondo aos meus anseios de tal forma
Que o passo sem certeza não me informa
E a velha fúria toma toda a cena,
Transforma o quanto pude em nada além
E o preço inflacionado não convém
A quem aquém do tanto se condena.
Marcos Loures
Jamais se fez presente quem outrora
Vivesse da esperança e nada mais,
Enquanto novos dias são iguais
A mesma sensação do não devora,
E o preço a se pagar já desancora
O barco que enfrentara vendavais,
Agora mais distante do meu cais,
A luta noutro tom em vão demora,
Respondo aos meus anseios de tal forma
Que o passo sem certeza não me informa
E a velha fúria toma toda a cena,
Transforma o quanto pude em nada além
E o preço inflacionado não convém
A quem aquém do tanto se condena.
Marcos Loures
VELHAS FASES
VELHAS FASES
Percorro velhas fases de uma história
Legada ao mais cruel esquecimento
E mesmo quando além do todo eu tento
A sorte se transcorre sem vanglória,
Quem fora simplesmente pária, escória,
Enfrenta o quanto pode em sofrimento
E nisto se buscasse algum alento
O mundo se perdesse em vã memória,
Apressando meu passo sigo em frente
E nada do que possa se apresente
Versões bem diferentes, mesmo fato,
O cândido momento se perdendo,
A luz quando renasce, é mero adendo,
E a turva escuridão; em mim constato...
Marcos Loures
Percorro velhas fases de uma história
Legada ao mais cruel esquecimento
E mesmo quando além do todo eu tento
A sorte se transcorre sem vanglória,
Quem fora simplesmente pária, escória,
Enfrenta o quanto pode em sofrimento
E nisto se buscasse algum alento
O mundo se perdesse em vã memória,
Apressando meu passo sigo em frente
E nada do que possa se apresente
Versões bem diferentes, mesmo fato,
O cândido momento se perdendo,
A luz quando renasce, é mero adendo,
E a turva escuridão; em mim constato...
Marcos Loures
O QUASE OCASO.
O QUASE OCASO.
Percebo após o muito, o quase ocaso,
E o tempo não permite novo rumo,
Seguindo o mesmo instante onde consumo
O tanto quanto além, em tal descaso,
Passando o dia a dia e se me atraso
Expresso em negação o velho prumo
Que apenas decidisse onde me esfumo
Realço o quanto sempre enfim defaso,
Pereço a cada farsa em tenebrosa
Vontade que se faça dolorosa
Da rosa os seus espinhos, cultivara,
E o medo se aproxima e toma tudo,
De fato quando em vão eu já me iludo
Aprofundando na alma a torpe escara.
Marcos Loures
Percebo após o muito, o quase ocaso,
E o tempo não permite novo rumo,
Seguindo o mesmo instante onde consumo
O tanto quanto além, em tal descaso,
Passando o dia a dia e se me atraso
Expresso em negação o velho prumo
Que apenas decidisse onde me esfumo
Realço o quanto sempre enfim defaso,
Pereço a cada farsa em tenebrosa
Vontade que se faça dolorosa
Da rosa os seus espinhos, cultivara,
E o medo se aproxima e toma tudo,
De fato quando em vão eu já me iludo
Aprofundando na alma a torpe escara.
Marcos Loures
Duelo Velhos Trovadores! Marcos Loures & SOL Figueiredo
Duelo Velhos Trovadores! Marcos Loures & SOL Figueiredo
Um velho trovador
Somente um trovador olhando a lua
Que além deste horizonte refletisse
O quanto do meu mundo em vã tolice
E nisto a minha luta continua,
Vagando o quanto perco e além flutua
O tempo que de fato se desdisse,
Na plaga mais distante o que se visse
Servisse de cenário onde se atua,
Não falo quase nada e mesmo assim,
O tanto que resume enquanto eu vim
Tramasse em rimas pobres o que resta,
Do brilho que estrelar domina o céu,
Enquanto um vagabundo segue ao léu,
Porém uma alma solta vive em festa.
Marcos Loures
Minha trova em ti tenta refletir,
Repito cada passo teu, anoitece...
Na trama em que cada rima tece,
Já agito sem compasso esse sentir!
Um grito d’alma desfaço o porvir,
Por te vir, tua calma me enlouquece,
Peço enfim a meu Deus em uma prece...
Minha paz que perdi, desse amor a florir!
Cultivo um jardim com teu jasmim,
Trovo teu nome em versos de cetim,
Por fim, só essa festa é o que me resta...
Ativo o teu cheiro, um alecrim, ó céus!
Revivo um amor verdadeiro, sem véus...
A cobrir assim a tua testa como uma fresta!
© SOL Figueiredo
Um velho trovador
Somente um trovador olhando a lua
Que além deste horizonte refletisse
O quanto do meu mundo em vã tolice
E nisto a minha luta continua,
Vagando o quanto perco e além flutua
O tempo que de fato se desdisse,
Na plaga mais distante o que se visse
Servisse de cenário onde se atua,
Não falo quase nada e mesmo assim,
O tanto que resume enquanto eu vim
Tramasse em rimas pobres o que resta,
Do brilho que estrelar domina o céu,
Enquanto um vagabundo segue ao léu,
Porém uma alma solta vive em festa.
Marcos Loures
Minha trova em ti tenta refletir,
Repito cada passo teu, anoitece...
Na trama em que cada rima tece,
Já agito sem compasso esse sentir!
Um grito d’alma desfaço o porvir,
Por te vir, tua calma me enlouquece,
Peço enfim a meu Deus em uma prece...
Minha paz que perdi, desse amor a florir!
Cultivo um jardim com teu jasmim,
Trovo teu nome em versos de cetim,
Por fim, só essa festa é o que me resta...
Ativo o teu cheiro, um alecrim, ó céus!
Revivo um amor verdadeiro, sem véus...
A cobrir assim a tua testa como uma fresta!
© SOL Figueiredo
SIM/NÃO
SIM/NÃO
Jamais ouvisse o tanto que desenho
Nos mares mais distantes e profundos,
Percorro sem sentir diversos mundos
E neles minha voz em vago empenho,
Preparo o que pudera e não desdenho
E nestes caminhares em segundos,
Apresentando os passos vagabundos
O tanto que desejo agora eu tenho,
E sei do meu momento quando o vejo
Semente que se mostra em novo ensejo
No enxame de esperanças que se vão,
Ocasos entre caos e meros ermos
O fato de sabermos e não termos
Mostrasse o quanto é frágil sim e não.
Marcos Loures
Jamais ouvisse o tanto que desenho
Nos mares mais distantes e profundos,
Percorro sem sentir diversos mundos
E neles minha voz em vago empenho,
Preparo o que pudera e não desdenho
E nestes caminhares em segundos,
Apresentando os passos vagabundos
O tanto que desejo agora eu tenho,
E sei do meu momento quando o vejo
Semente que se mostra em novo ensejo
No enxame de esperanças que se vão,
Ocasos entre caos e meros ermos
O fato de sabermos e não termos
Mostrasse o quanto é frágil sim e não.
Marcos Loures
TANTA DESDITA
TANTA DESDITA
Após tanta desdita, eu sigo em frente
E sei do quanto possa ou mesmo tenha
Na luta que se faça mais ferrenha
E nela o sentimento que atormente,
Invento outro momento mais premente
E tento desvendar o que o contenha,
Não dito esta palavra e nem convenha
Vagar além do nada em rude mente
Entranho o descaminho onde me visse
Vestindo a mesma face em tal mesmice
Que nada se cobice; e a sobrevida
Depositada em caos ou na palavra
Enquanto revestindo o que se lavra
Na farsa sem remédio e sem saída...
Marcos Loures
Após tanta desdita, eu sigo em frente
E sei do quanto possa ou mesmo tenha
Na luta que se faça mais ferrenha
E nela o sentimento que atormente,
Invento outro momento mais premente
E tento desvendar o que o contenha,
Não dito esta palavra e nem convenha
Vagar além do nada em rude mente
Entranho o descaminho onde me visse
Vestindo a mesma face em tal mesmice
Que nada se cobice; e a sobrevida
Depositada em caos ou na palavra
Enquanto revestindo o que se lavra
Na farsa sem remédio e sem saída...
Marcos Loures
O QUE HÁ EM TI
O QUE HÁ EM TI
Jogando minha sorte num anseio
Disperso navegante sem timão
Somente me mostrasse desde então
Quem tanto desejara e nunca veio,
O mar que se fizera em devaneio,
O preço sonegando a solução
No marco mais audaz deste verão
Encanto se perdendo em vão receio,
O quanto em desencanto fora mais
Dos erros costumeiros e banais,
Atrás do que jamais reconheci,
Meu tempo em vagas ondas, mar adentro,
Invalidando o quanto me concentro
Deixando sem sentido o que há em ti.
Marcos Loures
Jogando minha sorte num anseio
Disperso navegante sem timão
Somente me mostrasse desde então
Quem tanto desejara e nunca veio,
O mar que se fizera em devaneio,
O preço sonegando a solução
No marco mais audaz deste verão
Encanto se perdendo em vão receio,
O quanto em desencanto fora mais
Dos erros costumeiros e banais,
Atrás do que jamais reconheci,
Meu tempo em vagas ondas, mar adentro,
Invalidando o quanto me concentro
Deixando sem sentido o que há em ti.
Marcos Loures
Medos
Medos
Fecundas com teus erros o futuro
E tentas relegar a qualquer plano
O tempo enquanto o todo que ora ufano
Expressa o que deveras configuro,
Resplandecente mundo que inseguro,
O caos se mostra em tom bem mais profano,
E nisto navegando em desumano
Caminho, o meu anseio além depuro,
Espúrios dias feitos do abandono,
E quando do vazio enfim me adono,
Restituindo o fardo que me deste.
Vivendo do que sobra deste tanto
O medo se traduz onde garanto
Apenas o que seja dor e peste.
Marcos Loures
Fecundas com teus erros o futuro
E tentas relegar a qualquer plano
O tempo enquanto o todo que ora ufano
Expressa o que deveras configuro,
Resplandecente mundo que inseguro,
O caos se mostra em tom bem mais profano,
E nisto navegando em desumano
Caminho, o meu anseio além depuro,
Espúrios dias feitos do abandono,
E quando do vazio enfim me adono,
Restituindo o fardo que me deste.
Vivendo do que sobra deste tanto
O medo se traduz onde garanto
Apenas o que seja dor e peste.
Marcos Loures
DESVENDANDO ESTRELAS
DESVENDANDO ESTRELAS
Não queira desvendar o que de fato
Transcende ao sentimento mais fugaz,
E nisto outro momento se desfaz
Restando o quanto possa e não resgato,
Ousando perceber em mesa e prato
O tempo em contratempo que não traz
Sequer o meu momento contumaz,
Eu sigo sem sentido ou me maltrato,
Repare cada estrela e veja bem
Na falsa pequenez o que contém
Imensidade além, tanto distante,
Negar o que se creia e ser indócil
Ressurgindo do outrora feito em fóssil,
Num ato ora insensato e provocante...
Marcos Loures
Não queira desvendar o que de fato
Transcende ao sentimento mais fugaz,
E nisto outro momento se desfaz
Restando o quanto possa e não resgato,
Ousando perceber em mesa e prato
O tempo em contratempo que não traz
Sequer o meu momento contumaz,
Eu sigo sem sentido ou me maltrato,
Repare cada estrela e veja bem
Na falsa pequenez o que contém
Imensidade além, tanto distante,
Negar o que se creia e ser indócil
Ressurgindo do outrora feito em fóssil,
Num ato ora insensato e provocante...
Marcos Loures
Pégaso
Pégaso
Sou Pégaso e seguindo além, liberto,
Meu verso sem cabresto não tem freios,
Tampouco segue antigos riscos, veios,
E o tempo se mostrando sempre incerto.
O quanto se pudera e já deserto
Mostrando muito além de tais arreios
Corcel vagando em céus e devaneios,
O longe se tornando bem mais perto.
Desperto e nada mais me conteria
Sequer o renascer em claro dia
De sóis em brilhos tantos, seus matizes,
Resplandecentemente em seu clarão,
Porém prefiro a minha escuridão
Ou mesmo o quanto em vão já contradizes.
Marcos Loures
Sou Pégaso e seguindo além, liberto,
Meu verso sem cabresto não tem freios,
Tampouco segue antigos riscos, veios,
E o tempo se mostrando sempre incerto.
O quanto se pudera e já deserto
Mostrando muito além de tais arreios
Corcel vagando em céus e devaneios,
O longe se tornando bem mais perto.
Desperto e nada mais me conteria
Sequer o renascer em claro dia
De sóis em brilhos tantos, seus matizes,
Resplandecentemente em seu clarão,
Porém prefiro a minha escuridão
Ou mesmo o quanto em vão já contradizes.
Marcos Loures
Cobranças
Cobranças
Não mais suportaria tal cobrança
Nem mesmo entenderia uma razão,
Buscando a mais real libertação
Meu sonho no infinito ora se lança
E a vida sem ter freios sempre avança
Bebendo com total sofreguidão
Os dias que de fato moldarão
Pesando a realidade na balança.
Em toda esta fiança que me cobras,
Apenas restaurando as minhas sobras,
Das sombras do que busco, sou somente,
Nascente que se tenta entre penhascos,
Patuscos delirares, meros frascos,
Do quanto na verdade não se sente.
Marcos Loures
Não mais suportaria tal cobrança
Nem mesmo entenderia uma razão,
Buscando a mais real libertação
Meu sonho no infinito ora se lança
E a vida sem ter freios sempre avança
Bebendo com total sofreguidão
Os dias que de fato moldarão
Pesando a realidade na balança.
Em toda esta fiança que me cobras,
Apenas restaurando as minhas sobras,
Das sombras do que busco, sou somente,
Nascente que se tenta entre penhascos,
Patuscos delirares, meros frascos,
Do quanto na verdade não se sente.
Marcos Loures
CENÁRIOS.
CENÁRIOS.
Esqueço o que passara entre as entranhas
Mais rudes do cenário descartável
De um mundo tanto quanto imaginável
E nele sei que agora tu me estranhas,
As tramas entre enganos, as montanhas,
O preço do viver quase imutável
E o solo que tentara ser arável
Esconde-se em diversas, várias manhas,
Aspirjo o quanto tenho dentro em mim
E tento cultivar qualquer jardim
Sabendo do que possa em primavera,
Mas quando o grão se torna ora obsoleto,
Um erro contumaz enfim cometo,
E a vida noutro tom se degenera...
Marcos Loures
Esqueço o que passara entre as entranhas
Mais rudes do cenário descartável
De um mundo tanto quanto imaginável
E nele sei que agora tu me estranhas,
As tramas entre enganos, as montanhas,
O preço do viver quase imutável
E o solo que tentara ser arável
Esconde-se em diversas, várias manhas,
Aspirjo o quanto tenho dentro em mim
E tento cultivar qualquer jardim
Sabendo do que possa em primavera,
Mas quando o grão se torna ora obsoleto,
Um erro contumaz enfim cometo,
E a vida noutro tom se degenera...
Marcos Loures
Um velho trovador
Um velho trovador
Somente um trovador olhando a lua
Que além deste horizonte refletisse
O quanto do meu mundo em vã tolice
E nisto a minha luta continua,
Vagando o quanto perco e além flutua
O tempo que de fato se desdisse,
Na plaga mais distante o que se visse
Servisse de cenário onde se atua,
Não falo quase nada e mesmo assim,
O tanto que resume enquanto eu vim
Tramasse em rimas pobres o que resta,
Do brilho que estrelar domina o céu,
Enquanto um vagabundo segue ao léu,
Porém uma alma solta vive em festa.
Marcos Loures
Somente um trovador olhando a lua
Que além deste horizonte refletisse
O quanto do meu mundo em vã tolice
E nisto a minha luta continua,
Vagando o quanto perco e além flutua
O tempo que de fato se desdisse,
Na plaga mais distante o que se visse
Servisse de cenário onde se atua,
Não falo quase nada e mesmo assim,
O tanto que resume enquanto eu vim
Tramasse em rimas pobres o que resta,
Do brilho que estrelar domina o céu,
Enquanto um vagabundo segue ao léu,
Porém uma alma solta vive em festa.
Marcos Loures
DESENGANOS...
DESENGANOS...
Maltratas; com palavras, quem um dia,
Ousasse serenar teus desenganos,
E mesmo quando em versos mais profanos
Tentara apascentar a noite fria,
O canto noutro tom se mostraria
E nele os teus anseios mais insanos,
Assim se desenhando meses e anos
O corte a cada farsa viveria,
Na vida se mostrando as intempéries
Os erros se fazendo como em séries,
Defronto com o olhar tanto infeliz
E sei que na verdade o que tramaste
Retrata muito bem qualquer desgaste
E o próprio desenhar te contradiz.
Marcos Loures
Maltratas; com palavras, quem um dia,
Ousasse serenar teus desenganos,
E mesmo quando em versos mais profanos
Tentara apascentar a noite fria,
O canto noutro tom se mostraria
E nele os teus anseios mais insanos,
Assim se desenhando meses e anos
O corte a cada farsa viveria,
Na vida se mostrando as intempéries
Os erros se fazendo como em séries,
Defronto com o olhar tanto infeliz
E sei que na verdade o que tramaste
Retrata muito bem qualquer desgaste
E o próprio desenhar te contradiz.
Marcos Loures
NO VAZIO
NO VAZIO
Mergulho cada sonho no vazio
Deixando como rastro o ser medonho
E bebo todo o lastro e me proponho
Naufrágio me levando em mar e rio,
E quantas vezes, mesmo desafio,
O prazo sem sentido mais bisonho,
E o vasto caminhar onde enfadonho,
Encontre ou mesmo busque o rumo, o fio.
Afio meus momentos quais adagas
E sei que no final tanto me alagas
Delegas o que resta dentro em nós,
Alegas as mentiras mais complexas
E mesmo quando em erros tu me anexas,
A vida se perdendo em falsa foz.
Marcos Loures
Mergulho cada sonho no vazio
Deixando como rastro o ser medonho
E bebo todo o lastro e me proponho
Naufrágio me levando em mar e rio,
E quantas vezes, mesmo desafio,
O prazo sem sentido mais bisonho,
E o vasto caminhar onde enfadonho,
Encontre ou mesmo busque o rumo, o fio.
Afio meus momentos quais adagas
E sei que no final tanto me alagas
Delegas o que resta dentro em nós,
Alegas as mentiras mais complexas
E mesmo quando em erros tu me anexas,
A vida se perdendo em falsa foz.
Marcos Loures
Tua Ironia
Tua Ironia
Tua ironia traz algum tormento
E sigo meu momento sem tentar
Tentáculos pudessem alcançar
O quanto eu tento e tanto não fomento,
Somente esta semente leva o vento,
Sem mesmo noutro canto ela aportar,
E mais disperso sinto o quanto alçar
Negando o que se veja em firmamento.
Negociando o caos e nada além
Ocaso transcendendo o quanto vem
No encanto que se fez tão perecível,
Vestígios do que fora poesia
Nas mãos de quem teimasse e não veria
A vida noutro rumo imprevisível.
Marcos Loures
Tua ironia traz algum tormento
E sigo meu momento sem tentar
Tentáculos pudessem alcançar
O quanto eu tento e tanto não fomento,
Somente esta semente leva o vento,
Sem mesmo noutro canto ela aportar,
E mais disperso sinto o quanto alçar
Negando o que se veja em firmamento.
Negociando o caos e nada além
Ocaso transcendendo o quanto vem
No encanto que se fez tão perecível,
Vestígios do que fora poesia
Nas mãos de quem teimasse e não veria
A vida noutro rumo imprevisível.
Marcos Loures
OUTRA VERDADE
OUTRA VERDADE
Enquanto imaginasse outra verdade
Açoda-me a vontade de saber
O quanto poderia amanhecer
E o tempo após o todo já degrade,
Não tendo nem mais voz ou liberdade,
Respiro o quanto possa até perder
O rumo sem certeza do poder
Que trame muito mais tranquilidade.
O mundo se perdendo em ato e passo,
O quanto sem adendo algum eu traço
E faço do meu canto um desabafo,
Não tento acreditar noutra enfadonha
Loucura que minha alma enfim proponha,
Em letras garrafais meu sonho eu grafo.
Marcos Loures
Enquanto imaginasse outra verdade
Açoda-me a vontade de saber
O quanto poderia amanhecer
E o tempo após o todo já degrade,
Não tendo nem mais voz ou liberdade,
Respiro o quanto possa até perder
O rumo sem certeza do poder
Que trame muito mais tranquilidade.
O mundo se perdendo em ato e passo,
O quanto sem adendo algum eu traço
E faço do meu canto um desabafo,
Não tento acreditar noutra enfadonha
Loucura que minha alma enfim proponha,
Em letras garrafais meu sonho eu grafo.
Marcos Loures
ESTRELA
ESTRELA
ESVAINDO...
Estrela que se fez imorredoura
Nos sonhos de um poeta enamorado,
Agora como sombra de um passado
Noutro cenário esvai e não mais doura,
A vida traz o corte, esta tesoura,
Matando o quanto fora anunciado
E o gesto noutro tanto desolado,
Aos poucos sem sentido algum, estoura.
Restauro os meus momentos mais felizes
E sinto quanto possam os deslizes
Em cicatrizes várias e fatais,
Não merecesse apenas o que possa
Tramar a solidão que se faz fossa
Em dias que refletem o jamais.
Marcos Loures
ESVAINDO...
Estrela que se fez imorredoura
Nos sonhos de um poeta enamorado,
Agora como sombra de um passado
Noutro cenário esvai e não mais doura,
A vida traz o corte, esta tesoura,
Matando o quanto fora anunciado
E o gesto noutro tanto desolado,
Aos poucos sem sentido algum, estoura.
Restauro os meus momentos mais felizes
E sinto quanto possam os deslizes
Em cicatrizes várias e fatais,
Não merecesse apenas o que possa
Tramar a solidão que se faz fossa
Em dias que refletem o jamais.
Marcos Loures
Atos Mais Cruéis
Atos Mais Cruéis
Arcando com meus atos mais cruéis
Postando o quanto resta e não consigo
Ousando acreditar no falso abrigo
Ausente de meus céus calmos corcéis
Sementes espalhando, os vãos papéis,
Marcando desde sempre o quanto antigo
Cenário se moldara mais amigo
E os tempos marcam ermos carrosséis,
Navego entre as borrascas que trouxeste
No tanto que se arrisca ao ser agreste
Celeste desenhar se perde aquém,
O mundo se desenha sem motivo,
E nisto o quanto possa não me privo
Desenho o que jamais de fato vem.
Marcos Loures
Arcando com meus atos mais cruéis
Postando o quanto resta e não consigo
Ousando acreditar no falso abrigo
Ausente de meus céus calmos corcéis
Sementes espalhando, os vãos papéis,
Marcando desde sempre o quanto antigo
Cenário se moldara mais amigo
E os tempos marcam ermos carrosséis,
Navego entre as borrascas que trouxeste
No tanto que se arrisca ao ser agreste
Celeste desenhar se perde aquém,
O mundo se desenha sem motivo,
E nisto o quanto possa não me privo
Desenho o que jamais de fato vem.
Marcos Loures
Floradas.
Floradas.
Não merecesse a sorte que me trazes
Em dias tão suaves e gentis,
Podendo acreditar noutro matiz
Deixando o tom mais gris em outras fases,
Sentindo os olhos frágeis e tenazes,
Vivendo o quanto outrora bem mais quis
Sorvendo esta emoção e ser feliz,
Sem ter sequer na manga cartas, ases.
Seguir em tom sublime o que se faça
Além do quanto fora esta fumaça
Que passa e nada deixa além do nada,
Erguendo em meu olhar este sincero
Momento mais perfeito; e nisto eu quero
Vereda sempre clara em tal florada.
Marcos Loures
Não merecesse a sorte que me trazes
Em dias tão suaves e gentis,
Podendo acreditar noutro matiz
Deixando o tom mais gris em outras fases,
Sentindo os olhos frágeis e tenazes,
Vivendo o quanto outrora bem mais quis
Sorvendo esta emoção e ser feliz,
Sem ter sequer na manga cartas, ases.
Seguir em tom sublime o que se faça
Além do quanto fora esta fumaça
Que passa e nada deixa além do nada,
Erguendo em meu olhar este sincero
Momento mais perfeito; e nisto eu quero
Vereda sempre clara em tal florada.
Marcos Loures
VAI PASSAR...
VAI PASSAR...
Não chore que esta tarde vai passar
Embora tão distante dos teus sonhos.
A noite se promete num luar
Que traga estes momentos mais risonhos.
Não chore que esta dor prevê remédio
Nos braços da mulher que logo mais
Virá e matará solidão, tédio
Deixando uma alvorada rica em paz...
Não chore que esta vida é assim mesmo
O corte cicatriza, não se esqueça.
Ao coração vadio, sempre a esmo
Não há sequer juízo que obedeça.
No lastro de esperança, esta verdade
Que mostra esta criança, uma amizade...
MARCOS LOURES
Não chore que esta tarde vai passar
Embora tão distante dos teus sonhos.
A noite se promete num luar
Que traga estes momentos mais risonhos.
Não chore que esta dor prevê remédio
Nos braços da mulher que logo mais
Virá e matará solidão, tédio
Deixando uma alvorada rica em paz...
Não chore que esta vida é assim mesmo
O corte cicatriza, não se esqueça.
Ao coração vadio, sempre a esmo
Não há sequer juízo que obedeça.
No lastro de esperança, esta verdade
Que mostra esta criança, uma amizade...
MARCOS LOURES
MEU PORTO- POESIA
MEU PORTO- POESIA
Nas horas mais difíceis, poesia,
Talvez ainda tenha em ti meu porto,
Porém quando me vejo semimorto
A luta no vazio se faria,
A fúria se transforma em covardia,
Olhando para trás, seguindo absorto,
Meu mundo sem fronteiras, segue torto
E a velha solução se faz sombria,
Negar o quanto sou e não retenha
Além da antiga luta mais ferrenha,
Ou mesmo o medo apenas disfarçado.
Medonha criatura, sou reflexo
Do quanto se pudera mais perplexo
Traçando para o nada este translado.
Marcos Loures
Nas horas mais difíceis, poesia,
Talvez ainda tenha em ti meu porto,
Porém quando me vejo semimorto
A luta no vazio se faria,
A fúria se transforma em covardia,
Olhando para trás, seguindo absorto,
Meu mundo sem fronteiras, segue torto
E a velha solução se faz sombria,
Negar o quanto sou e não retenha
Além da antiga luta mais ferrenha,
Ou mesmo o medo apenas disfarçado.
Medonha criatura, sou reflexo
Do quanto se pudera mais perplexo
Traçando para o nada este translado.
Marcos Loures
Espúria criatura
Espúria criatura
Negar o que jamais se percebera
E mesmo quando a vida traz em volta
O tempo sem descanso ora revolta
Esvai cada momento, frágil cera,
A parte que me toca concebera
O canto quando a luta sem escolta
Porfia tendo a malta que não solta
O quanto conseguira e não vivera,
Sabendo no final tolos acréscimos,
Da imensidão se vendo meros décimos
As sombras do passado, istmos, restingas,
Nos templos que destroças com tal fúria
Apenas o que resta além-lamúria
Espúria criatura; ao fim te vingas.
Marcos Loures
Negar o que jamais se percebera
E mesmo quando a vida traz em volta
O tempo sem descanso ora revolta
Esvai cada momento, frágil cera,
A parte que me toca concebera
O canto quando a luta sem escolta
Porfia tendo a malta que não solta
O quanto conseguira e não vivera,
Sabendo no final tolos acréscimos,
Da imensidão se vendo meros décimos
As sombras do passado, istmos, restingas,
Nos templos que destroças com tal fúria
Apenas o que resta além-lamúria
Espúria criatura; ao fim te vingas.
Marcos Loures
RUMO AO FIM
RUMO AO FIM
Ao despistar meu passo rumo ao fim
Tentara ser somente o que inda creia
Na luta que se faz em voz alheia
E possa transformar velho jardim,
Mas nada do que existe expressa em mim
A sorte quando o prazo em paz se anseia
E sigo percorrendo em cada veia
A tresloucada fúria de onde eu vim,
Nefasta sensação que toma tudo
E quando noutro infausto, incauto, iludo,
Mesclasse minhas dores e meus sonhos,
Nos ecos que transcendem ao que fora
A marca mais audaz e tentadora,
Esbarra nos enganos vis, medonhos.
Marcos Loures
Ao despistar meu passo rumo ao fim
Tentara ser somente o que inda creia
Na luta que se faz em voz alheia
E possa transformar velho jardim,
Mas nada do que existe expressa em mim
A sorte quando o prazo em paz se anseia
E sigo percorrendo em cada veia
A tresloucada fúria de onde eu vim,
Nefasta sensação que toma tudo
E quando noutro infausto, incauto, iludo,
Mesclasse minhas dores e meus sonhos,
Nos ecos que transcendem ao que fora
A marca mais audaz e tentadora,
Esbarra nos enganos vis, medonhos.
Marcos Loures
NADA DE NOVO SOB O SOL
NADA DE NOVO SOB O SOL
Organizadamente a vida segue
É lobo devorando algum cordeiro
E o corte mais profundo e derradeiro
Enquanto o mar em chamas se navegue,
O resto se presume e sendo entregue
Ao lodo mais suave e corriqueiro,
Percorro o que me resta, um garimpeiro,
Sem mesmo o quanto agora me sossegue,
Meu mundo se perdendo a cada curva.
A vida se mostrando sempre turva
E o pendular anseio mata e corta.
Apresentando ao fim a mesma farsa
Quem passa pela rua mal disfarça
Ao ver esta criança/sonho morta.
Marcos Loures
Organizadamente a vida segue
É lobo devorando algum cordeiro
E o corte mais profundo e derradeiro
Enquanto o mar em chamas se navegue,
O resto se presume e sendo entregue
Ao lodo mais suave e corriqueiro,
Percorro o que me resta, um garimpeiro,
Sem mesmo o quanto agora me sossegue,
Meu mundo se perdendo a cada curva.
A vida se mostrando sempre turva
E o pendular anseio mata e corta.
Apresentando ao fim a mesma farsa
Quem passa pela rua mal disfarça
Ao ver esta criança/sonho morta.
Marcos Loures
APODRECER DAS ESPERANÇAS
APODRECER DAS ESPERANÇAS
Respondo por meus atos? Vez em quando.
À sombra do que fomos nada existe
E mesmo sendo a sorte amarga ou triste,
Olhando o quanto resta em contrabando,
E aos poucos no vazio transformando
O preço a se pagar, amor desiste,
E nada que tentara inda persiste
Somente o quanto houvera destroçando,
Resulto deste insulto dito indulto
E busco dentro da alma o ser inculto
Que esculpe e escuta a voz do nada ser,
Refém dos meus tropeços, sigo aquém
Da sólida expressão que nunca vem,
E vejo uma esperança apodrecer...
Marcos Loures
Respondo por meus atos? Vez em quando.
À sombra do que fomos nada existe
E mesmo sendo a sorte amarga ou triste,
Olhando o quanto resta em contrabando,
E aos poucos no vazio transformando
O preço a se pagar, amor desiste,
E nada que tentara inda persiste
Somente o quanto houvera destroçando,
Resulto deste insulto dito indulto
E busco dentro da alma o ser inculto
Que esculpe e escuta a voz do nada ser,
Refém dos meus tropeços, sigo aquém
Da sólida expressão que nunca vem,
E vejo uma esperança apodrecer...
Marcos Loures
Apenas um momento em Luz
Apenas um momento em Luz
Nas mesmas ilusões do quanto outrora
Em farsas, previsões, ou noutro engodo,
O rumo se desenha em pleno lodo
E a tosca solidão já nos devora,
Não tendo mais sequer um sonho agora,
O mundo se desnuda sem denodo,
E parte do princípio, busca o todo,
O marco a cada instante me apavora,
Negar o quanto fomos e seremos,
Os tétricos cenários; merecemos,
E sinto em derradeira cena, o riso,
De quem se fez atroz audaz e louco
Vivendo o quanto possa e sendo pouco,
Apenas um momento; em luz, preciso.
Marcos Loures
Nas mesmas ilusões do quanto outrora
Em farsas, previsões, ou noutro engodo,
O rumo se desenha em pleno lodo
E a tosca solidão já nos devora,
Não tendo mais sequer um sonho agora,
O mundo se desnuda sem denodo,
E parte do princípio, busca o todo,
O marco a cada instante me apavora,
Negar o quanto fomos e seremos,
Os tétricos cenários; merecemos,
E sinto em derradeira cena, o riso,
De quem se fez atroz audaz e louco
Vivendo o quanto possa e sendo pouco,
Apenas um momento; em luz, preciso.
Marcos Loures
CINISMOS...
CINISMOS...
A bela prostituta e o milionário,
As faces mais diversas, do espetáculo,
O templo se desnuda em rude oráculo
Gerando o que grassasse temerário,
Marcando com vigor, noticiário,
Tocando com furor cada tentáculo,
No corte mais profundo o mesmo cálculo
Matando o quanto fora imaginário,
Assim a vida passa na tevê
E o tempo se repleta do que crê
Ser mais rentável. Viva o jornalismo,
A sorte se desenha sempre igual,
O fato rende e vende mais jornal,
Porém sempre se mostra em vil cinismo.
Marcos Loures
A bela prostituta e o milionário,
As faces mais diversas, do espetáculo,
O templo se desnuda em rude oráculo
Gerando o que grassasse temerário,
Marcando com vigor, noticiário,
Tocando com furor cada tentáculo,
No corte mais profundo o mesmo cálculo
Matando o quanto fora imaginário,
Assim a vida passa na tevê
E o tempo se repleta do que crê
Ser mais rentável. Viva o jornalismo,
A sorte se desenha sempre igual,
O fato rende e vende mais jornal,
Porém sempre se mostra em vil cinismo.
Marcos Loures
RIO MAIS DOIS MIL
RIO MAIS DOIS MIL
Mais vinte, mais duzentos, tanto faz,
A fúria de quem tenta além do passo
Destroça o quanto queira e sei que traço
O olhar sem mais sentido, ora mordaz,
A face se esvaece e sigo atrás
Do todo que mudara este compasso,
No fundo o quanto resta, este fracasso,
A humanidade em fogo, o nada traz.
Escravos mais comuns que libertários,
Os dias cobram claros honorários
E os rios morrem cedo, frágeis fontes.
Porquanto a voz se cala dentro da alma,
A velha multidão já não se acalma
Sem luzes ou sem rumos, horizontes...
Marcos Loures
Mais vinte, mais duzentos, tanto faz,
A fúria de quem tenta além do passo
Destroça o quanto queira e sei que traço
O olhar sem mais sentido, ora mordaz,
A face se esvaece e sigo atrás
Do todo que mudara este compasso,
No fundo o quanto resta, este fracasso,
A humanidade em fogo, o nada traz.
Escravos mais comuns que libertários,
Os dias cobram claros honorários
E os rios morrem cedo, frágeis fontes.
Porquanto a voz se cala dentro da alma,
A velha multidão já não se acalma
Sem luzes ou sem rumos, horizontes...
Marcos Loures
DESENGANOS
DESENGANOS
Os velhos desenganos e o que eu possa
Traçar em vão futuro, augúrios rudes,
E sei das tantas farsas e atitudes
Tramando a solidão que sinto nossa,
Uma alma sem sentido se alvoroça
E mesmo quando além do espaço mudes,
As rotas colidindo enquanto iludes
Vestígios do que fomos. Dor se apossa.
Negar qualquer momento que inda trame
As vagas ilusões, um mero enxame
De tolos versos, erros costumeiros,
E o canto sem ter eco, o mesmo enfado,
A luta contra o mundo degradado,
Ressecam do futuro os seus ribeiros.
Marcos Loures
Os velhos desenganos e o que eu possa
Traçar em vão futuro, augúrios rudes,
E sei das tantas farsas e atitudes
Tramando a solidão que sinto nossa,
Uma alma sem sentido se alvoroça
E mesmo quando além do espaço mudes,
As rotas colidindo enquanto iludes
Vestígios do que fomos. Dor se apossa.
Negar qualquer momento que inda trame
As vagas ilusões, um mero enxame
De tolos versos, erros costumeiros,
E o canto sem ter eco, o mesmo enfado,
A luta contra o mundo degradado,
Ressecam do futuro os seus ribeiros.
Marcos Loures
SOLUÇÃO?
SOLUÇÃO?
Apenas penas tantas que cumprira
Quem fosse mais além do mero encanto
Blindando a cada passo o desencanto
Errando sem sentir diversa mira,
E o vento noutro instante ora interfira,
Mudando o que se tente e se quebranto
Mergulho no cenário e me adianto,
Matando o que gerasse a velha pira,
Refiro-me ao passado e na verdade
A história se repete, a dor invade
E o mundo se desnuda sem promessas
De dias mais sublimes ou tranquilos,
Constantes ilusões, imenso silos,
E as mesmas ladainhas recomeças.
Marcos Loures
Apenas penas tantas que cumprira
Quem fosse mais além do mero encanto
Blindando a cada passo o desencanto
Errando sem sentir diversa mira,
E o vento noutro instante ora interfira,
Mudando o que se tente e se quebranto
Mergulho no cenário e me adianto,
Matando o que gerasse a velha pira,
Refiro-me ao passado e na verdade
A história se repete, a dor invade
E o mundo se desnuda sem promessas
De dias mais sublimes ou tranquilos,
Constantes ilusões, imenso silos,
E as mesmas ladainhas recomeças.
Marcos Loures
SUBÚRBIOS DA ALMA
SUBÚRBIOS DA ALMA
Passando nos subúrbios de minha alma
Em frente da estação as casas baixas.
Domingo transcorrendo em plena calma
Fogueira da esperança busca as achas.
A praça e o jardim, vizinhos passam
Sorrisos, boa noite, e durma bem.
Os olhos cabisbaixos mal disfarçam
Desejo assim demais, tamanha trem.
As horas do domingo em marcha lenta,
Segunda recomeça a ladainha
A lua embevecida sem tormenta
Beijando tuas pernas, lua minha.
É tempo de voltar, amor, pra casa,
O trem tomou juízo e não atrasa...
MARCOS LOURES
Passando nos subúrbios de minha alma
Em frente da estação as casas baixas.
Domingo transcorrendo em plena calma
Fogueira da esperança busca as achas.
A praça e o jardim, vizinhos passam
Sorrisos, boa noite, e durma bem.
Os olhos cabisbaixos mal disfarçam
Desejo assim demais, tamanha trem.
As horas do domingo em marcha lenta,
Segunda recomeça a ladainha
A lua embevecida sem tormenta
Beijando tuas pernas, lua minha.
É tempo de voltar, amor, pra casa,
O trem tomou juízo e não atrasa...
MARCOS LOURES
TODO O SUMO
TODO O SUMO
Tomando do lirismo todo o sumo,
Fazendo em cada verso um novo fruto.
Tornado deste pólen nosso rumo
A alegria não cobra algum tributo.
Nos braços deste sonho eu me consumo
Amenizando sempre um mal tão bruto
No corpo de quem amo eu me perfumo,
Supero qualquer dor. Com calma, eu luto.
Pressinto na pureza com que falas
A doce sensação da eternidade.
Criança que se encanta com as balas,
Confeitos de ilusão que a vida traz,
Contigo quero ter felicidade
Do amor que deve ser eterna paz...
MARCOS LOURES
Tomando do lirismo todo o sumo,
Fazendo em cada verso um novo fruto.
Tornado deste pólen nosso rumo
A alegria não cobra algum tributo.
Nos braços deste sonho eu me consumo
Amenizando sempre um mal tão bruto
No corpo de quem amo eu me perfumo,
Supero qualquer dor. Com calma, eu luto.
Pressinto na pureza com que falas
A doce sensação da eternidade.
Criança que se encanta com as balas,
Confeitos de ilusão que a vida traz,
Contigo quero ter felicidade
Do amor que deve ser eterna paz...
MARCOS LOURES
POR TANTAS VEZES
POR TANTAS VEZES
Amor por tantas vezes faz chorar...
Quem ama está propenso a sentir dor.
Reconhece a beleza no luar
Mas sabe deste espinho em cada flor...
Amar é ser feliz em sofrimento,
É ter uma certeza em puro sonho.
Beber a tempestade num momento
E noutro se encontrar calmo e risonho...
Porém quem tanta odeia, não sorri,
Morrendo em triste angústia, só deseja
O mal. Por tantas vezes eu sofri
Por quem a noite traz e a boca beija.
Prefiro em tanto amor, sempre chorar,
Do que jamais sorrir por odiar...
MARCOS LOURES
Amor por tantas vezes faz chorar...
Quem ama está propenso a sentir dor.
Reconhece a beleza no luar
Mas sabe deste espinho em cada flor...
Amar é ser feliz em sofrimento,
É ter uma certeza em puro sonho.
Beber a tempestade num momento
E noutro se encontrar calmo e risonho...
Porém quem tanta odeia, não sorri,
Morrendo em triste angústia, só deseja
O mal. Por tantas vezes eu sofri
Por quem a noite traz e a boca beija.
Prefiro em tanto amor, sempre chorar,
Do que jamais sorrir por odiar...
MARCOS LOURES
PROMESSA DE COLHEITA
PROMESSA DE COLHEITA
Belo sol levantando de manhã
Clareando a promessa da colheita
Coroando esta lavra em todo afã
Da alma da terra plena e satisfeita.
Mostrando que a labuta não foi vã
E a sorte tão pedida foi aceita
Passada pelas ruas, procissão,
Em rezas, nas promessas e novenas
Na benção que foi dada, no perdão.
Nas frutas e nos grãos as velhas cenas
Que trazem Nosso Pai em compaixão
Nas peles tão salgadas e morenas
Os olhos estampando uma alegria
Dos rostos tão amigos, cantoria.
MARCOS LOURES
Belo sol levantando de manhã
Clareando a promessa da colheita
Coroando esta lavra em todo afã
Da alma da terra plena e satisfeita.
Mostrando que a labuta não foi vã
E a sorte tão pedida foi aceita
Passada pelas ruas, procissão,
Em rezas, nas promessas e novenas
Na benção que foi dada, no perdão.
Nas frutas e nos grãos as velhas cenas
Que trazem Nosso Pai em compaixão
Nas peles tão salgadas e morenas
Os olhos estampando uma alegria
Dos rostos tão amigos, cantoria.
MARCOS LOURES
PALAVRAS NEBULOSAS
PALAVRAS NEBULOSAS
Palavras nebulosas, vento esparso
Em cinzas desprendendo o que foi belo.
Desamarra da sorte o seu cadarço
Rouba do lavrador, o seu rastelo,
Atira um sentimento em mar revolto,
Jogando uma alegria ao precipício
Atando um pensamento que, antes, solto,
Sabia deste amor, o seu ofício.
Que sabe se o silêncio te tomasse
A vida não teria esta mazela
Nem mesmo necessário tal disfarce
Que impede, nebuloso, ver estrela
Assim, invés da treva em noite fria,
O amor se transbordasse em poesia..
MARCOS LOURES
Palavras nebulosas, vento esparso
Em cinzas desprendendo o que foi belo.
Desamarra da sorte o seu cadarço
Rouba do lavrador, o seu rastelo,
Atira um sentimento em mar revolto,
Jogando uma alegria ao precipício
Atando um pensamento que, antes, solto,
Sabia deste amor, o seu ofício.
Que sabe se o silêncio te tomasse
A vida não teria esta mazela
Nem mesmo necessário tal disfarce
Que impede, nebuloso, ver estrela
Assim, invés da treva em noite fria,
O amor se transbordasse em poesia..
MARCOS LOURES
MATANDO A SEDE
MATANDO A SEDE
A fonte tão distante mata a sede
De quem perde ilusão pela vida.
Desancando esta sorte, resta a rede
Levando o corpo em despedida.
Nem ao menos retrato na parede
Resta desta pobre alma assim perdida...
A seca da esperança mata a fonte
Tornando este deserto traiçoeiro
Sem lua que renasça no horizonte
Sem brilho que se mostre por inteiro
Nem há sorte final que se desconte
Do tempo que jamais foi companheiro.
Para alma que perdeu a virgindade
Só resta um bom remédio; uma amizade!
MARCOS LOURES
A fonte tão distante mata a sede
De quem perde ilusão pela vida.
Desancando esta sorte, resta a rede
Levando o corpo em despedida.
Nem ao menos retrato na parede
Resta desta pobre alma assim perdida...
A seca da esperança mata a fonte
Tornando este deserto traiçoeiro
Sem lua que renasça no horizonte
Sem brilho que se mostre por inteiro
Nem há sorte final que se desconte
Do tempo que jamais foi companheiro.
Para alma que perdeu a virgindade
Só resta um bom remédio; uma amizade!
MARCOS LOURES
RECEBI TUA CARTA
RECEBI TUA CARTA
Recebi tua carta, meu amor;
Falando desta história tão bonita
Que fez meu coração mais sonhador
Garimpeiro que achou rara pepita
Na mina do fastio sofredor
Que a vida, sem saber, logo limita...
Morena que chegou sem quase pressa
Do jeito mais calado e boca aberta
Na espera deste beijo que, depressa
Mostrou que a minha sorte, antes deserta
Agora tão gostosa se confessa,
Mansinha vem chegando sem alerta...
Recebi tua carta logo cedo
E nestas entrelinhas teu segredo...
MARCOS LOURES
Recebi tua carta, meu amor;
Falando desta história tão bonita
Que fez meu coração mais sonhador
Garimpeiro que achou rara pepita
Na mina do fastio sofredor
Que a vida, sem saber, logo limita...
Morena que chegou sem quase pressa
Do jeito mais calado e boca aberta
Na espera deste beijo que, depressa
Mostrou que a minha sorte, antes deserta
Agora tão gostosa se confessa,
Mansinha vem chegando sem alerta...
Recebi tua carta logo cedo
E nestas entrelinhas teu segredo...
MARCOS LOURES
TRAZENDO NA MINHA ALMA
TRAZENDO NA MINHA ALMA
Trazendo na minha alma o gosto seco
Da sorte em desalinho que carrego.
Se caço meu destino, sempre peco
Se faço meu caminho, amor eu nego.
Meus passos esquecidos sem pegadas
Sem rastros que me tragam uma saída.
As noites são por certo as estreladas,
De estrelas que perdi por toda a vida.
O flanco sempre exposto quer tocaia,
Da esperança jagunça do caminho.
No toque do prazer rabo de saia
Um pouco que sobrou deste carinho
Jogado num baú sem serventia.
Tua amizade batendo ventania...
MARCOS LOURES
Trazendo na minha alma o gosto seco
Da sorte em desalinho que carrego.
Se caço meu destino, sempre peco
Se faço meu caminho, amor eu nego.
Meus passos esquecidos sem pegadas
Sem rastros que me tragam uma saída.
As noites são por certo as estreladas,
De estrelas que perdi por toda a vida.
O flanco sempre exposto quer tocaia,
Da esperança jagunça do caminho.
No toque do prazer rabo de saia
Um pouco que sobrou deste carinho
Jogado num baú sem serventia.
Tua amizade batendo ventania...
MARCOS LOURES
DEPOIS DE TANTO TEMPO
DEPOIS DE TANTO TEMPO
Depois de tanto tempo nesta fila
Na espera da morena mais charmosa,
Bebendo tanto gim, tanta tequila;
(Até que a fila, juro, era gostosa)
Olhar que se em veneno me destila;
Perfuma meu canteiro em pura rosa.
Pois quando Deus te fez em rara argila
Deixou-te mais faceira e vaidosa.
Mas nada disso importa ao coração
Depois da beberagem sem limite.
Sou vítima talvez da sedução,
Ou quem sabe, boto a culpa neste gim.
Só sei que não te peço mais palpite
Amor, uma ressaca que é sem fim...
MARCOS LOURES
Depois de tanto tempo nesta fila
Na espera da morena mais charmosa,
Bebendo tanto gim, tanta tequila;
(Até que a fila, juro, era gostosa)
Olhar que se em veneno me destila;
Perfuma meu canteiro em pura rosa.
Pois quando Deus te fez em rara argila
Deixou-te mais faceira e vaidosa.
Mas nada disso importa ao coração
Depois da beberagem sem limite.
Sou vítima talvez da sedução,
Ou quem sabe, boto a culpa neste gim.
Só sei que não te peço mais palpite
Amor, uma ressaca que é sem fim...
MARCOS LOURES
SEGURO A NOITE INTEIRA
SEGURO A NOITE INTEIRA
Seguro a noite inteira em teus quadris
Morena mais gostosa da cidade...
Requebros desejosos... sou feliz
E danço sem parar, felicidade...
A música mal pára peço bis.
Da boca carmesim, beijo e saudade...
Sentindo o leve toque dos teus seios,
Sentindo o teu arfar bem junto a mim.
As mãos vão sem juízo e querem meios
De achar as doces rosas do jardim.
A dança se fazendo mais ousada,
Vestidos, paletó, pra que botão?
Vermelha lingerie despetalada
Abrindo o teu portal da tentação...
MARCOS LOURES
Seguro a noite inteira em teus quadris
Morena mais gostosa da cidade...
Requebros desejosos... sou feliz
E danço sem parar, felicidade...
A música mal pára peço bis.
Da boca carmesim, beijo e saudade...
Sentindo o leve toque dos teus seios,
Sentindo o teu arfar bem junto a mim.
As mãos vão sem juízo e querem meios
De achar as doces rosas do jardim.
A dança se fazendo mais ousada,
Vestidos, paletó, pra que botão?
Vermelha lingerie despetalada
Abrindo o teu portal da tentação...
MARCOS LOURES
BENDITA A LUZ
BENDITA A LUZ
Bendita a tua luz, amada amiga
Que é guia de meus olhos, meu farol.
Permite que eu caminhe e que prossiga
Eterno passageiro rumo ao sol.
Brotando em cada verbo, tal espiga
Que traz toda a semente em arrebol.
Do sonho que construo é firme viga
Por isso te persigo, girassol...
Bendita esta presença soberana
Que traz toda a certeza da vitória,
Bendita a natureza em paz humana
Que mostra teu carinho que não cessa.
Bendita a santidade feita em glória
Sem penitência, clemência e sem promessa!
MARCOS LOURES
Bendita a tua luz, amada amiga
Que é guia de meus olhos, meu farol.
Permite que eu caminhe e que prossiga
Eterno passageiro rumo ao sol.
Brotando em cada verbo, tal espiga
Que traz toda a semente em arrebol.
Do sonho que construo é firme viga
Por isso te persigo, girassol...
Bendita esta presença soberana
Que traz toda a certeza da vitória,
Bendita a natureza em paz humana
Que mostra teu carinho que não cessa.
Bendita a santidade feita em glória
Sem penitência, clemência e sem promessa!
MARCOS LOURES
CERCANIAS
CERCANIAS
Sobram montes e rios, cercanias...
A febre não mais passa, está teimosa.
As mãos que me acarinham mordem frias
Espinhos sobressaem nesta rosa
Que fora cultivada em alegrias
Agora se mostrando pavorosa
Destroça quem trouxera as fantasias.
Num último veneno, boca e beijo,
No derradeiro aceno, chuva e fome.
Pirilampicamente no lampejo
Mal logo tu ressurges, foge e some.
No nada além refém do que não vejo
Somente um vaso aberto já se assome
E sangra na cruel hemorragia
O coração repleto em agonia...
MARCOS LOURES
Sobram montes e rios, cercanias...
A febre não mais passa, está teimosa.
As mãos que me acarinham mordem frias
Espinhos sobressaem nesta rosa
Que fora cultivada em alegrias
Agora se mostrando pavorosa
Destroça quem trouxera as fantasias.
Num último veneno, boca e beijo,
No derradeiro aceno, chuva e fome.
Pirilampicamente no lampejo
Mal logo tu ressurges, foge e some.
No nada além refém do que não vejo
Somente um vaso aberto já se assome
E sangra na cruel hemorragia
O coração repleto em agonia...
MARCOS LOURES
PELAS RUAS DA CIDADE
PELAS RUAS DA CIDADE
Levanta de manhã, toma o café
E sai pelas calçadas da cidade.
Sem marcas de pegadas vai a pé
Em busca de cigarro e claridade.
Igrejas e dementes, turvam fé,
Na banca de jornais, a novidade...
Percebe que anda sempre com atraso,
O tempo não diz nada mas já cobra.
O amor vai terminando em fim de prazo
Contenta-se com resto, com a sobra
A planta vai morrendo seca em vaso
Esquecido na varanda, triste ocaso.
Nem mesmo um conhecido. Sem bom dia,
A vida se repete; e se esvazia...
MARCOS LOURES
Levanta de manhã, toma o café
E sai pelas calçadas da cidade.
Sem marcas de pegadas vai a pé
Em busca de cigarro e claridade.
Igrejas e dementes, turvam fé,
Na banca de jornais, a novidade...
Percebe que anda sempre com atraso,
O tempo não diz nada mas já cobra.
O amor vai terminando em fim de prazo
Contenta-se com resto, com a sobra
A planta vai morrendo seca em vaso
Esquecido na varanda, triste ocaso.
Nem mesmo um conhecido. Sem bom dia,
A vida se repete; e se esvazia...
MARCOS LOURES
PULSO FIRME
PULSO FIRME
No pulso firme vento e vendaval
Fundindo as esperanças numa só,
As roupas vão quarando no varal
Marcadas pela estrada e pelo pó
Guardados na algibeira, no bornal
Misturam as poeiras, cisma e dó.
Minha alma vai quentando em forte sol
Nos rasos destes olhos aboiando.
Enovelado, vivo em caracol
O tempo que me resta ponteando
Amor que se fez nó sem girassol
Nos olhos da mulata rebrilhando...
Bebendo essa água pura lá da fonte
Amor vai renascendo no horizonte.
MARCOS LOURES
No pulso firme vento e vendaval
Fundindo as esperanças numa só,
As roupas vão quarando no varal
Marcadas pela estrada e pelo pó
Guardados na algibeira, no bornal
Misturam as poeiras, cisma e dó.
Minha alma vai quentando em forte sol
Nos rasos destes olhos aboiando.
Enovelado, vivo em caracol
O tempo que me resta ponteando
Amor que se fez nó sem girassol
Nos olhos da mulata rebrilhando...
Bebendo essa água pura lá da fonte
Amor vai renascendo no horizonte.
MARCOS LOURES
ANDANÇAS COSTUMEIRAS
ANDANÇAS COSTUMEIRAS
Assim que o sol mostrou a sua cara
Eu saí nas andanças costumeiras;
Quem anda no sertão e nunca pára
Repara nas estrelas companheiras.
Um coração vadio já dispara
Ao ver essas morenas costumeiras;
Cabelos enfeitados pela flor
Numa brejeirice sem tamanho,
Depois... vai reparar preso no amor,
Num ritual divino e nada estranho
Do jogo que se faz mais sedutor
Aquele em que não perco e jamais ganho.
Depois de tantas léguas tão sozinho,
Voltando, já vem três para o meu ninho...
MARCOS LOURES
Assim que o sol mostrou a sua cara
Eu saí nas andanças costumeiras;
Quem anda no sertão e nunca pára
Repara nas estrelas companheiras.
Um coração vadio já dispara
Ao ver essas morenas costumeiras;
Cabelos enfeitados pela flor
Numa brejeirice sem tamanho,
Depois... vai reparar preso no amor,
Num ritual divino e nada estranho
Do jogo que se faz mais sedutor
Aquele em que não perco e jamais ganho.
Depois de tantas léguas tão sozinho,
Voltando, já vem três para o meu ninho...
MARCOS LOURES
NO PÓ DESTE CAMINHO
NO PÓ DESTE CAMINHO
No pó deste caminho barro e lama
Andança na procura de pousada.
Que mostre num carinho fogo e chama,
Deitando na varanda enluarada
Que a dona desta casa não reclama.
Nem mesmo se afastasse da sacada,
Numa aventura chego no bailão
Na faca que esparrama, carabina,
No meio do forró tal confusão,
Eu seguro nos braços da menina
E vamos sem ter pena nem perdão
Somente a lua cheia me ilumina.
Voltando a tiracolo, uma morena,
Que a vida sem juízo não tem pena...
MARCOS LOURES
No pó deste caminho barro e lama
Andança na procura de pousada.
Que mostre num carinho fogo e chama,
Deitando na varanda enluarada
Que a dona desta casa não reclama.
Nem mesmo se afastasse da sacada,
Numa aventura chego no bailão
Na faca que esparrama, carabina,
No meio do forró tal confusão,
Eu seguro nos braços da menina
E vamos sem ter pena nem perdão
Somente a lua cheia me ilumina.
Voltando a tiracolo, uma morena,
Que a vida sem juízo não tem pena...
MARCOS LOURES
DESTA FRUTA TÃO DOCE
DESTA FRUTA TÃO DOCE
Desta fruta tão doce, coração,
Nascida no pomar de uma esperança
Regado com as mágoas da paixão.
Podado com as dores da lembrança;
Granado com as cores da ilusão
No mel que se faz velho e tão criança.
Desta fruta eu espremo todo o sumo
Experimento goles e mais goles.
Recebo o meu caminho em novo rumo,
Sem dores e sem medos que consoles.
Mergulhos impedindo qualquer prumo
Deixando nossos corpos bem mais moles.
Vem comigo que a festa não demora,
Só come desta fruta quem namora...
MARCOS LOURES
Desta fruta tão doce, coração,
Nascida no pomar de uma esperança
Regado com as mágoas da paixão.
Podado com as dores da lembrança;
Granado com as cores da ilusão
No mel que se faz velho e tão criança.
Desta fruta eu espremo todo o sumo
Experimento goles e mais goles.
Recebo o meu caminho em novo rumo,
Sem dores e sem medos que consoles.
Mergulhos impedindo qualquer prumo
Deixando nossos corpos bem mais moles.
Vem comigo que a festa não demora,
Só come desta fruta quem namora...
MARCOS LOURES
EMBRARAÇOS DOS CAMINHO
EMBRARAÇOS DOS CAMINHO
Nas pedras embaraços do caminho
Os tropeços comuns tão esperados.
Resumos desta vida sem carinho
Nos olhos tão miúdos maltratados
Revoando saudade velho ninho.
Futuros sem final, despedaçados...
Os cacos do que fui não mais juntei.
Na ausência do que fomos manto triste.
Cansado do que nunca visitei
A sorte não conheço e não existe.
O fato é que perdi o que ganhei
Gaiola sem ter água nem alpiste.
Amigo é o que me resta desta história
Resumo de uma vida sem vitória...
MARCOS LOURES
Nas pedras embaraços do caminho
Os tropeços comuns tão esperados.
Resumos desta vida sem carinho
Nos olhos tão miúdos maltratados
Revoando saudade velho ninho.
Futuros sem final, despedaçados...
Os cacos do que fui não mais juntei.
Na ausência do que fomos manto triste.
Cansado do que nunca visitei
A sorte não conheço e não existe.
O fato é que perdi o que ganhei
Gaiola sem ter água nem alpiste.
Amigo é o que me resta desta história
Resumo de uma vida sem vitória...
MARCOS LOURES
sexta-feira, 15 de junho de 2012
VAGANDO ESTRELAS
VAGANDO ESTRELAS
Amor vagando estrelas, que visagem!
Fulgura cavaleiro em seu corcel;
Reflete nosso sonho qual miragem
Girando eternamente em carrossel.
Fazendo das estrelas a tiara
Mais bela e colorida pra te dar.
Na noite deste amor, perfeita e rara
Desfilam tantas luas sobre o mar.
Amor sabendo o rumo desejado
Dos sonhos desta bela adormecida
Que espera pelo príncipe encantado
No beijo salvador que traz a vida
A quem tanto esperou e nada vinha...
Princesa nessa noite serás minha!
MARCOS LOURES
Amor vagando estrelas, que visagem!
Fulgura cavaleiro em seu corcel;
Reflete nosso sonho qual miragem
Girando eternamente em carrossel.
Fazendo das estrelas a tiara
Mais bela e colorida pra te dar.
Na noite deste amor, perfeita e rara
Desfilam tantas luas sobre o mar.
Amor sabendo o rumo desejado
Dos sonhos desta bela adormecida
Que espera pelo príncipe encantado
No beijo salvador que traz a vida
A quem tanto esperou e nada vinha...
Princesa nessa noite serás minha!
MARCOS LOURES
O MANTO MAIS SAGRADO DESTE AMOR
O MANTO MAIS SAGRADO DESTE AMOR
Da flor que nós plantamos no jardim
Em frente à nossa casa, pé da serra,
Monsenhores, crisântemos, jasmim,
Adubos de esperança em nova terra
Sangrada em cada mão mais calejada,
Depois numa aguardente uma resposta
Que sempre foi pedida e nunca dada
Por que essa vida é sempre a mesma bosta?
Só resta fazer filho prá cangalha
Pesada da labuta sem descanso.
No corte mais profundo da navalha,
O rosto embriagado fica manso.
Restando este perfume em triste flor
O manto mais sagrado deste amor...
MARCOS LOURES
Da flor que nós plantamos no jardim
Em frente à nossa casa, pé da serra,
Monsenhores, crisântemos, jasmim,
Adubos de esperança em nova terra
Sangrada em cada mão mais calejada,
Depois numa aguardente uma resposta
Que sempre foi pedida e nunca dada
Por que essa vida é sempre a mesma bosta?
Só resta fazer filho prá cangalha
Pesada da labuta sem descanso.
No corte mais profundo da navalha,
O rosto embriagado fica manso.
Restando este perfume em triste flor
O manto mais sagrado deste amor...
MARCOS LOURES
SORTE DESREGRADA
SORTE DESREGRADA
Cavalo bravo, sorte desregrada,
Viajo um pantanal dentro de mim.
Na mão esquerda eu trago sempre o nada;
Na mão direita a rosa carmesim.
Destino que se fez em vaquejada
Charneca apodrecida foi meu fim,
Minha esperança tola e destroçada
Eterna seca toma meu jardim...
Cavalo bravo, sina sertaneja
Estrias vão tomado o meu futuro,
Não há mais solução que se preveja
Nem gesto que demonstre liberdade.
A sorte vem sem cobre em chão mais duro.
De graça nesta vida? Uma amizade...
MARCOS LOURES
Cavalo bravo, sorte desregrada,
Viajo um pantanal dentro de mim.
Na mão esquerda eu trago sempre o nada;
Na mão direita a rosa carmesim.
Destino que se fez em vaquejada
Charneca apodrecida foi meu fim,
Minha esperança tola e destroçada
Eterna seca toma meu jardim...
Cavalo bravo, sina sertaneja
Estrias vão tomado o meu futuro,
Não há mais solução que se preveja
Nem gesto que demonstre liberdade.
A sorte vem sem cobre em chão mais duro.
De graça nesta vida? Uma amizade...
MARCOS LOURES
O DIA AMANHECENDO
O DIA AMANHECENDO
O dia amanhecendo no horizonte
Trazendo uma aquarela de presente.
Antes que a vida vá e o sol desponte
Maria me convida de repente
Beber água tão pura desta fonte
Abrindo o paraíso totalmente.
Romance que se faz noite no dia,
Não teme sequer seca, sede ou fome,
Vagando nos caminhos de Maria
A vida num segundo se consome
E traz a tempestade em arrelia
O caçador sem jeito em gruta some
E volta empapuçado da caçada.
De novo a lua quer, de madrugada...
MARCOS LOURES
O dia amanhecendo no horizonte
Trazendo uma aquarela de presente.
Antes que a vida vá e o sol desponte
Maria me convida de repente
Beber água tão pura desta fonte
Abrindo o paraíso totalmente.
Romance que se faz noite no dia,
Não teme sequer seca, sede ou fome,
Vagando nos caminhos de Maria
A vida num segundo se consome
E traz a tempestade em arrelia
O caçador sem jeito em gruta some
E volta empapuçado da caçada.
De novo a lua quer, de madrugada...
MARCOS LOURES
ASAS ABERTAS
ASAS ABERTAS
Estrelas percorridas nos espaços
Montado em meu cavalo, abertas asas...
O vento carregando versos, passos,
Nos olhos da mulher amada, brasas...
No brilho das estrelas pratas, aços
Fazendo constelares nossas casas...
O vento da mudança vem soprando
Por sobre essas queimadas da ilusão.
O monte dos meus sonhos escalando
Sem medo de vingança ou traição;
O sonho não pergunta como e quando
Apenas vai singrando na amplidão...
E sou o que queria além da vida,
Numa alegria o pórtico, a saída...
MARCOS LOURES
Estrelas percorridas nos espaços
Montado em meu cavalo, abertas asas...
O vento carregando versos, passos,
Nos olhos da mulher amada, brasas...
No brilho das estrelas pratas, aços
Fazendo constelares nossas casas...
O vento da mudança vem soprando
Por sobre essas queimadas da ilusão.
O monte dos meus sonhos escalando
Sem medo de vingança ou traição;
O sonho não pergunta como e quando
Apenas vai singrando na amplidão...
E sou o que queria além da vida,
Numa alegria o pórtico, a saída...
MARCOS LOURES
quinta-feira, 14 de junho de 2012
SONETOS DE AUTO-AJUDA 10
OURO!!!?
Malandro que é malandro faz promessa
E mostra com a voz sempre macia,
Segredo da fortuna e com magia
A cada novo golpe recomeça,
E, se possível, bota Deus na peça,
E nisto roda tanto e surrupia,
Vendendo em caradura o dia a dia,
Passado na miséria, enfim confessa.
Agora com seu terno em elegância
Atiça do imbecil tanta ganância
E assim armada está sua armadilha,
Dourado sonho vai para a latrina,
O que era outrora de ouro vira “ourina”
E no olhar do guloso também brilha.
Marcos Loures
Malandro que é malandro faz promessa
E mostra com a voz sempre macia,
Segredo da fortuna e com magia
A cada novo golpe recomeça,
E, se possível, bota Deus na peça,
E nisto roda tanto e surrupia,
Vendendo em caradura o dia a dia,
Passado na miséria, enfim confessa.
Agora com seu terno em elegância
Atiça do imbecil tanta ganância
E assim armada está sua armadilha,
Dourado sonho vai para a latrina,
O que era outrora de ouro vira “ourina”
E no olhar do guloso também brilha.
Marcos Loures
SONETOS DE AUTO-AJUDA 09
Cevando Porco gordo.
O mundo se divide de tal forma
Que a cada cem otários um esperto,
E vendo este portal do inferno aberto,
A face do imbecil já se transforma,
Gananciosamente dita a norma
Avança com o rabo descoberto,
E mesmo quando o rumo é mais incerto,
Até o sulforoso odor reforma,
“Conheço muita gente, com certeza,
Que fez tanta fortuna e da pobreza,
Agora tem até imenso iate.”
É sempre a velha e tola ladainha,
Qual galo sem juízo numa rinha,
Em quem discorda o otário avança e bate.
Marcos Loures
O mundo se divide de tal forma
Que a cada cem otários um esperto,
E vendo este portal do inferno aberto,
A face do imbecil já se transforma,
Gananciosamente dita a norma
Avança com o rabo descoberto,
E mesmo quando o rumo é mais incerto,
Até o sulforoso odor reforma,
“Conheço muita gente, com certeza,
Que fez tanta fortuna e da pobreza,
Agora tem até imenso iate.”
É sempre a velha e tola ladainha,
Qual galo sem juízo numa rinha,
Em quem discorda o otário avança e bate.
Marcos Loures
SONETOS DE AUTO-AJUDA 08
ALQUIMIA MODERNA.
É fácil ficar rico, meu amigo,
Somente basta ter uma manada
Mugindo em harmonia, organizada,
O resto com certeza agora eu digo,
Vender qualquer besteira, isso é antigo,
A turma tem que estar bem orquestrada,
Não quer salário ou mesmo quase nada,
Até peido em garrafa é bom artigo.
Com lábia e com ganância já se adestra
Na base da falácia e da palestra
O povo segue e bota a cara à tapa,
Da fome de riqueza e idiotia,
Unidas com um tom de hipocrisia,
Otário algum, decerto disto escapa.
Marcos Loures
É fácil ficar rico, meu amigo,
Somente basta ter uma manada
Mugindo em harmonia, organizada,
O resto com certeza agora eu digo,
Vender qualquer besteira, isso é antigo,
A turma tem que estar bem orquestrada,
Não quer salário ou mesmo quase nada,
Até peido em garrafa é bom artigo.
Com lábia e com ganância já se adestra
Na base da falácia e da palestra
O povo segue e bota a cara à tapa,
Da fome de riqueza e idiotia,
Unidas com um tom de hipocrisia,
Otário algum, decerto disto escapa.
Marcos Loures
SONETOS DE AUTO-AJUDA 07
Se a canoa não virar? Já virou...
Atrás de um milionário sempre tem
Um monte de imbecis, tenha a certeza,
É gente com vontade de grandeza
Que ao fim de certo tempo é zé-ninguém,
Se cada dez reais transforme em cem,
Melhor levar a vida na pobreza
A alma ficando atrás, cartas na mesa,
Quem bate quer os bens jamais o bem.
Palestras, mais palestras, mesmo papo,
Depois no pé do ouvido outro sopapo,
E o riso desta hiena disfarçada,
Ambicioso fica a ver navio,
Não adiantam mais nem ressabio,
Canoa já faz tempo está furada...
Marcos Loures
Atrás de um milionário sempre tem
Um monte de imbecis, tenha a certeza,
É gente com vontade de grandeza
Que ao fim de certo tempo é zé-ninguém,
Se cada dez reais transforme em cem,
Melhor levar a vida na pobreza
A alma ficando atrás, cartas na mesa,
Quem bate quer os bens jamais o bem.
Palestras, mais palestras, mesmo papo,
Depois no pé do ouvido outro sopapo,
E o riso desta hiena disfarçada,
Ambicioso fica a ver navio,
Não adiantam mais nem ressabio,
Canoa já faz tempo está furada...
Marcos Loures
SONETOS DE AUTO-AJUDA 06
ENCANTADOR DE aprendizes de Naja
A velha adaga sempre traz no corte
A face da magia mais audaz,
E o velho salafrário é bem capaz
Enquanto encontra o tolo que o comporte,
Trabalhe sustentando o mesmo aporte
Que molda em cada esquina um Satanás,
Uma alma é baratinha e tanto faz
Se é grande ou se é pequeno ou médio porte.
Hipnotizado segue esse rebanho
Atrás do comandante que tacanho
Explora a mesma gula do idiota,
A rês seguindo o passo do pilantra,
Fazendo da riqueza um velho mantra,
No fundo outro motivo p’ra anedota...
Marcos Loures
A velha adaga sempre traz no corte
A face da magia mais audaz,
E o velho salafrário é bem capaz
Enquanto encontra o tolo que o comporte,
Trabalhe sustentando o mesmo aporte
Que molda em cada esquina um Satanás,
Uma alma é baratinha e tanto faz
Se é grande ou se é pequeno ou médio porte.
Hipnotizado segue esse rebanho
Atrás do comandante que tacanho
Explora a mesma gula do idiota,
A rês seguindo o passo do pilantra,
Fazendo da riqueza um velho mantra,
No fundo outro motivo p’ra anedota...
Marcos Loures
SONETOS DE AUTO-AJUDA 05
Negócio da China...
- Grande negócio? Amigo vê se manca,
Não tem almoço grátis nem o prato,
Apenas o que vejo: estelionato,
O otário sempre ao fim pagando a banca,
Sangria desatada não se estanca,
Da farsa é conhecido o seu retrato,
Dinheiro não nasceu em meio ao mato,
A mão que te alicia: a que te espanca.
Apenas um ratinho e tanta cobra,
Otário vira massa de manobra
E o fim é sempre o mesmo: inimizades.
Esperto vira trouxa e se arrebenta,
Depois vem a pancada violeta,
E ninguém mais te ouvirá mesmo que brades.
Marcos Loures
- Grande negócio? Amigo vê se manca,
Não tem almoço grátis nem o prato,
Apenas o que vejo: estelionato,
O otário sempre ao fim pagando a banca,
Sangria desatada não se estanca,
Da farsa é conhecido o seu retrato,
Dinheiro não nasceu em meio ao mato,
A mão que te alicia: a que te espanca.
Apenas um ratinho e tanta cobra,
Otário vira massa de manobra
E o fim é sempre o mesmo: inimizades.
Esperto vira trouxa e se arrebenta,
Depois vem a pancada violeta,
E ninguém mais te ouvirá mesmo que brades.
Marcos Loures
SONETOS DE AUTO-AJUDA 04
VENDEDOR DE SONHOS.
A mesma face em farsa, o mesmo otário,
A vida se repete e sei bem disso,
E quanto mais de fato além cobiço,
Encontro no caminho outro vigário
Apenas é questão de itinerário,
O solo sempre fora movediço,
Mas tendo certo encanto, um raro viço,
Afagam o malandro imaginário,
Depois de certo tempo é que percebe
O quanto era lodosa a velha sebe
E o fim é sempre o mesmo. Caia fora.
Esmola se é demais vira vinagre
Do vinho que compraste qual milagre,
E o vendedor de sonhos? Comemora!
Marcos Loures
A mesma face em farsa, o mesmo otário,
A vida se repete e sei bem disso,
E quanto mais de fato além cobiço,
Encontro no caminho outro vigário
Apenas é questão de itinerário,
O solo sempre fora movediço,
Mas tendo certo encanto, um raro viço,
Afagam o malandro imaginário,
Depois de certo tempo é que percebe
O quanto era lodosa a velha sebe
E o fim é sempre o mesmo. Caia fora.
Esmola se é demais vira vinagre
Do vinho que compraste qual milagre,
E o vendedor de sonhos? Comemora!
Marcos Loures
SONETOS DE AUTO-AJUDA 03
TU ÉS O MAIOR... ou me engana que eu gosto.
A quem se imaginasse outrora só,
Apresentamos logo a novidade,
No fundo sei que tens capacidade,
E deixarás aos outros; mero pó,
Repare bem meu caro paletó,
Não há mais nesse mundo quem degrade
O quanto desenhei em realidade,
De fracassado algum teremos dó,
Tu és o vencedor, tenha a certeza,
No fim serás um rei, mesmo princesa,
Aos outros, no banquete, restam ossos,
Um importado carro na garagem...
(Abutres decorando a paisagem
Disputam, deste otário os seus destroços.)
Marcos Loures
A quem se imaginasse outrora só,
Apresentamos logo a novidade,
No fundo sei que tens capacidade,
E deixarás aos outros; mero pó,
Repare bem meu caro paletó,
Não há mais nesse mundo quem degrade
O quanto desenhei em realidade,
De fracassado algum teremos dó,
Tu és o vencedor, tenha a certeza,
No fim serás um rei, mesmo princesa,
Aos outros, no banquete, restam ossos,
Um importado carro na garagem...
(Abutres decorando a paisagem
Disputam, deste otário os seus destroços.)
Marcos Loures
SONETOS DE AUTO-AJUDA 02
JÁ DIZIA CHAPÉUZINHO...
Ao ver o velho lobo disfarçando
A voz como se fosse um ser tão manso,
A face desta farsa quando alcanço
Eu vejo este retrato mais nefando,
Ao infinito sigo em vão buscando,
E sei do mesmo engodo e já me canso
Apenas desejando algum remanso,
Porém as rapineiras vêm em bando.
“Tu és o bem maior feito por Deus”
Palavras sempre ditas por ateus
Vestidos de meiguice ou otimismo,
Depois o teu dinheiro, um fácil alvo,
E não conheço exceção, isso eu ressalvo,
Amigo: o teu final? Restara o abismo...
Marcos Loures
Ao ver o velho lobo disfarçando
A voz como se fosse um ser tão manso,
A face desta farsa quando alcanço
Eu vejo este retrato mais nefando,
Ao infinito sigo em vão buscando,
E sei do mesmo engodo e já me canso
Apenas desejando algum remanso,
Porém as rapineiras vêm em bando.
“Tu és o bem maior feito por Deus”
Palavras sempre ditas por ateus
Vestidos de meiguice ou otimismo,
Depois o teu dinheiro, um fácil alvo,
E não conheço exceção, isso eu ressalvo,
Amigo: o teu final? Restara o abismo...
Marcos Loures
SONETOS DE AUTO-AJUDA 01
DEPOIS DE INSISTENTES E REPETIDOS PEDIDOS (todos da minha esposa) RESOLVI FAZER SONETOS DE AUTO-AJUDA.
ESPERO QUE GOSTEM, VAMOS ENTÃO AO PRIMEIRO
Vamos nos auto-ajudar?
“Ora, direis” jamais sou derrotado
Se tenho a fé naquilo que proponho,
A vida se transforma em mais risonho
Cenário noutro tom elaborado.
Somente o que se faça abençoado
Pudesse superar este medonho
Momento que se mostra ora enfadonho
Na voz de quem se faça hipnotizado.
Pastores e senhores da verdade,
Quão longe se percebe a realidade
Da antiga ladainha e a proclamais,
Traçando uma vertente sempre igual,
Fazendo o coletivo um ser boçal,
Vendendo estas mentiras rituais.
Marcos Loures
ESPERO QUE GOSTEM, VAMOS ENTÃO AO PRIMEIRO
Vamos nos auto-ajudar?
“Ora, direis” jamais sou derrotado
Se tenho a fé naquilo que proponho,
A vida se transforma em mais risonho
Cenário noutro tom elaborado.
Somente o que se faça abençoado
Pudesse superar este medonho
Momento que se mostra ora enfadonho
Na voz de quem se faça hipnotizado.
Pastores e senhores da verdade,
Quão longe se percebe a realidade
Da antiga ladainha e a proclamais,
Traçando uma vertente sempre igual,
Fazendo o coletivo um ser boçal,
Vendendo estas mentiras rituais.
Marcos Loures
NEM TANTO NEM TÃO POUCO
NEM TANTO NEM TÃO POUCO
Nem tanto nem tão pouco, sigo em frente,
Temente ao que se faça mais disperso
E quando inutilmente tento um verso,
Apenas ilusão inda fomente,
Não merecesse o todo plenamente
E visto o quanto trace enquanto imerso
Nos erros mais comuns, meu universo
Alheio ao que se faça mais premente.
No ocaso apenas dias sem sentido,
O muito se apresenta dividido
E o quase sobrepuja sobre o fato,
Medonha escara nasce dentro da alma
E mesmo a solidão decerto acalma
Enquanto a noite vem e o fim; constato.
Marcos Loures
Nem tanto nem tão pouco, sigo em frente,
Temente ao que se faça mais disperso
E quando inutilmente tento um verso,
Apenas ilusão inda fomente,
Não merecesse o todo plenamente
E visto o quanto trace enquanto imerso
Nos erros mais comuns, meu universo
Alheio ao que se faça mais premente.
No ocaso apenas dias sem sentido,
O muito se apresenta dividido
E o quase sobrepuja sobre o fato,
Medonha escara nasce dentro da alma
E mesmo a solidão decerto acalma
Enquanto a noite vem e o fim; constato.
Marcos Loures
NADA MAIS QUE EU FAÇO
NADA MAIS QUE EU FAÇO
Já nada mais que eu faço traz o quanto
Desenho em garatujas ou me entranho
Vociferando o que ora sei estranho
Entrego o coração, mero acalanto,
E bebo a imensidão do desencanto
Restando muito pouco enquanto ganho
Meu tempo se moldara desde antanho
No rastro do que pude em dor e pranto,
Rastejo sobre as pedras, velho cardo,
E o mundo quando o quis, hoje retardo,
Nas vastas ilusões de algum canalha,
A faca que tu trazes na cintura,
A luta sem limites já perdura,
Uma alma ora perdida inda batalha.
Marcos Loures
Já nada mais que eu faço traz o quanto
Desenho em garatujas ou me entranho
Vociferando o que ora sei estranho
Entrego o coração, mero acalanto,
E bebo a imensidão do desencanto
Restando muito pouco enquanto ganho
Meu tempo se moldara desde antanho
No rastro do que pude em dor e pranto,
Rastejo sobre as pedras, velho cardo,
E o mundo quando o quis, hoje retardo,
Nas vastas ilusões de algum canalha,
A faca que tu trazes na cintura,
A luta sem limites já perdura,
Uma alma ora perdida inda batalha.
Marcos Loures
SEM MÉRITO
SEM MÉRITO
Respondo por meus atos? Vez em quando,
O mérito se esvai noutro segundo
E quantas vezes tento e me aprofundo
Ou mesmo me desenho desdenhando
O rumo noutro tom se demonstrando,
O vago caminhar de um vagabundo
Serena o que pudesse e se me inundo
Apenas resta o passo mais infando,
Mesquinhos olhos traçam no horizonte
A luta sem sentido que me aponte
O tempo que se fez inutilmente,
E quantas vezes sendo intuitivo,
Somente e por um triz eu sobrevivo,
Na farsa que este sonho ora alimente.
Marcos Loures
Respondo por meus atos? Vez em quando,
O mérito se esvai noutro segundo
E quantas vezes tento e me aprofundo
Ou mesmo me desenho desdenhando
O rumo noutro tom se demonstrando,
O vago caminhar de um vagabundo
Serena o que pudesse e se me inundo
Apenas resta o passo mais infando,
Mesquinhos olhos traçam no horizonte
A luta sem sentido que me aponte
O tempo que se fez inutilmente,
E quantas vezes sendo intuitivo,
Somente e por um triz eu sobrevivo,
Na farsa que este sonho ora alimente.
Marcos Loures
O QUE JAMAIS SE FEZ REAL
O QUE JAMAIS SE FEZ REAL
Negar o que jamais se fez real
Seguir em passo lento o quanto havia
Da sorte mais audaz e dia a dia
Navego sem saber de cais ou nau,
Ouvindo desde sempre o temporal
Desaba dentro da alma em galhardia
A farsa que talvez traga agonia
Ou vindo contra o todo bem ou mal,
Restasse dentro em nós qualquer pedaço
Do tanto que deveras já desfaço
E moldo este resumo em verso frágil,
O salto sobre a morte, a manta, o corte,
Não tendo nada mais que me conforte,
Eu sei que a solidão se faz mais ágil.
Marcos Loures
Negar o que jamais se fez real
Seguir em passo lento o quanto havia
Da sorte mais audaz e dia a dia
Navego sem saber de cais ou nau,
Ouvindo desde sempre o temporal
Desaba dentro da alma em galhardia
A farsa que talvez traga agonia
Ou vindo contra o todo bem ou mal,
Restasse dentro em nós qualquer pedaço
Do tanto que deveras já desfaço
E moldo este resumo em verso frágil,
O salto sobre a morte, a manta, o corte,
Não tendo nada mais que me conforte,
Eu sei que a solidão se faz mais ágil.
Marcos Loures
DESALENTO
DESALENTO
Não quero e nem tentasse ser algum alento
Enquanto o que me resta não bastasse
Vencido pela luta em vago impasse,
Outro cenário embalde ainda tento,
Restando pouco além do sentimento
Oferecendo à morte a minha face,
O todo se desnuda e demonstrasse
O passo sem destino e mesmo lento,
Arcando com enganos e falácias
Acreditando ainda em perspicácias
Que nada mais seriam senão erros,
Meu prazo terminando pouco a pouco,
Restando o quanto fora amargo e louco
Encontro sem sentido os vãos desterros.
Marcos Loures
Não quero e nem tentasse ser algum alento
Enquanto o que me resta não bastasse
Vencido pela luta em vago impasse,
Outro cenário embalde ainda tento,
Restando pouco além do sentimento
Oferecendo à morte a minha face,
O todo se desnuda e demonstrasse
O passo sem destino e mesmo lento,
Arcando com enganos e falácias
Acreditando ainda em perspicácias
Que nada mais seriam senão erros,
Meu prazo terminando pouco a pouco,
Restando o quanto fora amargo e louco
Encontro sem sentido os vãos desterros.
Marcos Loures
O MEU FIM
O MEU FIM
Enquanto em vã clausura o peito tenta
Vencer as mais diversas ironias
Bem sei quanto de fato mostrarias
Apaziguando enfim qualquer tormenta,
E nada do que eu possa violenta
A sorte mais atroz que moldarias
E nela refletindo em turvos dias
O nada tão somente me orienta,
A boca se prepara para o bote
Somente o quanto pude não denote
O tanto que devesse e mesmo assim
Vasculho dentro da alma algum resquício
Que possa me livrar do precipício,
Porém sinto mais próximo o meu fim...
Marcos Loures
Enquanto em vã clausura o peito tenta
Vencer as mais diversas ironias
Bem sei quanto de fato mostrarias
Apaziguando enfim qualquer tormenta,
E nada do que eu possa violenta
A sorte mais atroz que moldarias
E nela refletindo em turvos dias
O nada tão somente me orienta,
A boca se prepara para o bote
Somente o quanto pude não denote
O tanto que devesse e mesmo assim
Vasculho dentro da alma algum resquício
Que possa me livrar do precipício,
Porém sinto mais próximo o meu fim...
Marcos Loures
FERRO E FOGO
FERRO E FOGO
Nas ânsias mais frementes tantas vezes
Dilaceramos mesmo quem nos ama.
Sangrados nossos sonhos como reses
Marcados, ferro e fogo, brasa e chama...
Angústias palpitantes nos dominam
E matam esperanças, num só tempo.
Rebanhos, sentimentos, desatinam
Tomados pelo triste contratempo.
Ferindo quem nos quer,somos venais;
Errantes turbilhões, como diabos,
Morremos tão distantes de um bom cais
Num barco naufragando em duros Cabos...
Amiga, não permita que isto ocorra
Bem antes que o amor, contigo, morra..
MARCOS LOURES
Nas ânsias mais frementes tantas vezes
Dilaceramos mesmo quem nos ama.
Sangrados nossos sonhos como reses
Marcados, ferro e fogo, brasa e chama...
Angústias palpitantes nos dominam
E matam esperanças, num só tempo.
Rebanhos, sentimentos, desatinam
Tomados pelo triste contratempo.
Ferindo quem nos quer,somos venais;
Errantes turbilhões, como diabos,
Morremos tão distantes de um bom cais
Num barco naufragando em duros Cabos...
Amiga, não permita que isto ocorra
Bem antes que o amor, contigo, morra..
MARCOS LOURES
DE TANTO AMOR QUE TENHO
DE TANTO AMOR QUE TENHO
De tanto amor que tenho, o que fazer?
Se às vezes eu me perco e vou aflito.
A dor se misturando com prazer
Deixando quase a esmo todo grito
Inoculando vírus do sofrer
Num sonho que a princípio, eu sei bendito.
De tanto amor que trago, nada sei.
Em flóreo sentimento me envolvi.
De toda essa agonia que passei
A solução de tudo estava em ti,
Mulher que me fez nobre como um rei
Sem cobre, vou revendo tudo aqui...
De tanto amor, por isso, penitente,
As cicatrizes trago, e vou em frente....
MARCOS LOURES
De tanto amor que tenho, o que fazer?
Se às vezes eu me perco e vou aflito.
A dor se misturando com prazer
Deixando quase a esmo todo grito
Inoculando vírus do sofrer
Num sonho que a princípio, eu sei bendito.
De tanto amor que trago, nada sei.
Em flóreo sentimento me envolvi.
De toda essa agonia que passei
A solução de tudo estava em ti,
Mulher que me fez nobre como um rei
Sem cobre, vou revendo tudo aqui...
De tanto amor, por isso, penitente,
As cicatrizes trago, e vou em frente....
MARCOS LOURES
Arremedo
Arremedo
No tempo aonde o tempo se fez medo
Num arremedo apenas, nada mais,
Os sonhos sempre vagam e banais
Transformam cada passo onde concedo
O todo que de fato se procedo
Encontra os meus pedaços. São reais?
E neles outros tantos sem jamais
Saber do que pudera em vão segredo.
Nos ermos de minha alma, esta andrajosa,
Bebendo cada passo em verso e prosa
Ousando acrescentar mais um senão
E sinto a liberdade se esvaindo
No tempo que de fato fosse lindo
Marcando os dias torpes que virão.
Marcos Loures
No tempo aonde o tempo se fez medo
Num arremedo apenas, nada mais,
Os sonhos sempre vagam e banais
Transformam cada passo onde concedo
O todo que de fato se procedo
Encontra os meus pedaços. São reais?
E neles outros tantos sem jamais
Saber do que pudera em vão segredo.
Nos ermos de minha alma, esta andrajosa,
Bebendo cada passo em verso e prosa
Ousando acrescentar mais um senão
E sinto a liberdade se esvaindo
No tempo que de fato fosse lindo
Marcando os dias torpes que virão.
Marcos Loures
Sequer uma saída
Sequer uma saída
Ainda que de fato eu não tivesse
Sequer uma saída, mesmo assim,
A lida desenhando dentro em mim
O quanto se traduza em vaga messe,
O tempo que se tanto em tons se tece
O verso quando expresso início e fim
No vício carcomendo outro jardim,
Na sensação audaz que ora se esquece,
Restando muito pouco ou quase nada,
A noite entre os vacilos desenhada,
Engalanada farsa desdenhosa,
Nas síncopes frequentes ou fugazes
A luta descabida que me trazes
A farsa destroçando o que antegoza.
Marcos Loures
Ainda que de fato eu não tivesse
Sequer uma saída, mesmo assim,
A lida desenhando dentro em mim
O quanto se traduza em vaga messe,
O tempo que se tanto em tons se tece
O verso quando expresso início e fim
No vício carcomendo outro jardim,
Na sensação audaz que ora se esquece,
Restando muito pouco ou quase nada,
A noite entre os vacilos desenhada,
Engalanada farsa desdenhosa,
Nas síncopes frequentes ou fugazes
A luta descabida que me trazes
A farsa destroçando o que antegoza.
Marcos Loures
GRITO DE ESPERANÇA
GRITO DE ESPERANÇA
Meu grito de esperança está contido,
Atado pela dor de uma injustiça.
Quem pensa que adormece em um olvido
A fome que decorre da cobiça
Num canto desta casa, adormecido,
Espera reviver em nova liça.
Não posso ser feliz se impera a dor,
Se vejo em meu irmão, o sofrimento.
O mundo em novo rumo recompor
A glória que se foi sem sentimento.
Talvez um novo dia, em pleno amor
Mostrando assim tenaz ressarcimento.
A vida se mostrando de repente,
Num mundo em que esperança seja urgente...
MARCOS LOURES
Meu grito de esperança está contido,
Atado pela dor de uma injustiça.
Quem pensa que adormece em um olvido
A fome que decorre da cobiça
Num canto desta casa, adormecido,
Espera reviver em nova liça.
Não posso ser feliz se impera a dor,
Se vejo em meu irmão, o sofrimento.
O mundo em novo rumo recompor
A glória que se foi sem sentimento.
Talvez um novo dia, em pleno amor
Mostrando assim tenaz ressarcimento.
A vida se mostrando de repente,
Num mundo em que esperança seja urgente...
MARCOS LOURES
PAZ E GOZO
PAZ E GOZO
Felicidade mostra-se em sorrisos,
Em gestos e palavras, paz e gozo.
Transcendendo os momentos imprecisos
Num ato mais gentil e generoso.
Jamais se prende em passos imprecisos,
É feita em atos simples, fabulosos.
Felicidade é ser além do medo,
Viver cada momento de amizade.
Trazendo novamente em cada enredo
O gesto em que se faz a liberdade.
Não cabe, na verdade um só segredo
Para se conquistar felicidade...
Amar e ter bem perto o que se quis,
Sabendo de antemão que sou feliz.
MARCOS LOURES
Felicidade mostra-se em sorrisos,
Em gestos e palavras, paz e gozo.
Transcendendo os momentos imprecisos
Num ato mais gentil e generoso.
Jamais se prende em passos imprecisos,
É feita em atos simples, fabulosos.
Felicidade é ser além do medo,
Viver cada momento de amizade.
Trazendo novamente em cada enredo
O gesto em que se faz a liberdade.
Não cabe, na verdade um só segredo
Para se conquistar felicidade...
Amar e ter bem perto o que se quis,
Sabendo de antemão que sou feliz.
MARCOS LOURES
SEM MARTÍRIOS
SEM MARTÍRIOS
Que a vida não nos trame mais martírios
Nem mesmo a solidão, triste quimera.
Que o amor seja repleto de delírios
Numa felicidade em primavera.
Que o tempo seja farto na bonança
Que a lua seja sempre plena e farta.
Sorriso tão gostoso de criança
Sem dor que já não vive e se descarta.
Que a flor da liberdade seja tanta
Brotando num canteiro feito em paz.
Que a casa iluminada seja santa
Num mar tão delicado, a vida traz
A sorte que se quer. E que consiga,
Na vida, o que quiser; querida amiga!
MARCOS LOURES
Que a vida não nos trame mais martírios
Nem mesmo a solidão, triste quimera.
Que o amor seja repleto de delírios
Numa felicidade em primavera.
Que o tempo seja farto na bonança
Que a lua seja sempre plena e farta.
Sorriso tão gostoso de criança
Sem dor que já não vive e se descarta.
Que a flor da liberdade seja tanta
Brotando num canteiro feito em paz.
Que a casa iluminada seja santa
Num mar tão delicado, a vida traz
A sorte que se quer. E que consiga,
Na vida, o que quiser; querida amiga!
MARCOS LOURES
MÃOS DADAS
MÃOS DADAS
Mãos dadas; caminhamos pela vida,
Unidos em tristezas, alegrias.
Tua presença é sempre tão querida
Trazendo uma certeza em duros dias.
Por mais que esteja longe uma saída,
Terás toda a presteza que dizias...
Não deixas meu caminho sem ter rumo,
Não cobras o que dás de coração.
Ajudas com teus braços a dar prumo
E confiança em cada direção
Que for a mais sensata onde me aprumo
Achando sempre assim, a solução.
Por mais que a dor se faça de verdade,
Tu sempre estás comigo em amizade....
MARCOS LOURES
Mãos dadas; caminhamos pela vida,
Unidos em tristezas, alegrias.
Tua presença é sempre tão querida
Trazendo uma certeza em duros dias.
Por mais que esteja longe uma saída,
Terás toda a presteza que dizias...
Não deixas meu caminho sem ter rumo,
Não cobras o que dás de coração.
Ajudas com teus braços a dar prumo
E confiança em cada direção
Que for a mais sensata onde me aprumo
Achando sempre assim, a solução.
Por mais que a dor se faça de verdade,
Tu sempre estás comigo em amizade....
MARCOS LOURES
PURO AFETO
PURO AFETO
Meu verso que se fez em puro afeto
Buscando nos seus olhos, minha luz.
No sonho mais bonito, predileto,
O raio que me leva e reproduz
Em um caleidoscópio belo aspecto
Da vida que me cerca e me conduz
Ao corpo encantador de uma morena,
Ao jeito tão faceiro da menina.
À glória benfazeja que me acena,
Aurora que me cerca e me domina.
Nesta delicadeza de verbena
A jóia, em raridade, diamantina...
No mundo mais airoso em que se crê,
Mil versos que dedico p’ra você...
MARCOS LOURES
Meu verso que se fez em puro afeto
Buscando nos seus olhos, minha luz.
No sonho mais bonito, predileto,
O raio que me leva e reproduz
Em um caleidoscópio belo aspecto
Da vida que me cerca e me conduz
Ao corpo encantador de uma morena,
Ao jeito tão faceiro da menina.
À glória benfazeja que me acena,
Aurora que me cerca e me domina.
Nesta delicadeza de verbena
A jóia, em raridade, diamantina...
No mundo mais airoso em que se crê,
Mil versos que dedico p’ra você...
MARCOS LOURES
Restos mortais.
Restos mortais.
Da morta poesia, nem carcaça
Sobrando sobre a terra em aridez,
Do quanto poderia e já se fez,
A imensidão se fez decerto escassa,
E quando se prepara outra devassa
Restasse em meu olhar a insensatez
Matando pouco a pouco o que ora vês
Nas farsas mais comuns, e o mundo passa.
Quando monetizando o pensamento
Vendido numa esquina ou num boteco,
Tentáculo da morte, eu sei que peco,
Especulando apenas o que tento
Vencido pela fúria em capital,
Meu verso soa sempre mais banal.
Marcos Loures
Da morta poesia, nem carcaça
Sobrando sobre a terra em aridez,
Do quanto poderia e já se fez,
A imensidão se fez decerto escassa,
E quando se prepara outra devassa
Restasse em meu olhar a insensatez
Matando pouco a pouco o que ora vês
Nas farsas mais comuns, e o mundo passa.
Quando monetizando o pensamento
Vendido numa esquina ou num boteco,
Tentáculo da morte, eu sei que peco,
Especulando apenas o que tento
Vencido pela fúria em capital,
Meu verso soa sempre mais banal.
Marcos Loures
NOVO DESENLACE?
NOVO DESENLACE?
Já não mais bastaria outro momento
Depois da velha face do passado,
Não trago outra saída e, desolado,
Do mesmo que não veio eu me alimento,
Restando quase apenas sofrimento
E o medo noutro instante desenhado,
Aguardo o que pudera e quando eu brado
Somente um dia além do morto eu tento,
Escuto as mesmas velhas negativas
E os cantos; entre espantos, reavivas.
Gerando o que talvez nos degradasse,
No imprevisível mundo que hoje tramas,
As horas se perdendo em toscas chamas
Clamando por um novo desenlace.
Marcos Loures
Já não mais bastaria outro momento
Depois da velha face do passado,
Não trago outra saída e, desolado,
Do mesmo que não veio eu me alimento,
Restando quase apenas sofrimento
E o medo noutro instante desenhado,
Aguardo o que pudera e quando eu brado
Somente um dia além do morto eu tento,
Escuto as mesmas velhas negativas
E os cantos; entre espantos, reavivas.
Gerando o que talvez nos degradasse,
No imprevisível mundo que hoje tramas,
As horas se perdendo em toscas chamas
Clamando por um novo desenlace.
Marcos Loures
DESEJOS
DESEJOS
A face mais audaz e mais temida
Expressaria o quanto ainda vejo
Da farsa desenhada no desejo
Do nada um labirinto sem saída,
Uma esperança falsa crisalida
O mundo que pudesse noutro ensejo,
Mas quando me retrato e assim prevejo
Desabo no que seja despedida,
Aonde houvera tempo, desperdício,
Aonde se quis vale, precipício,
Premissas de uma estúpida verdade
Que assola o quanto resta do planeta
E mesmo que outro instante se prometa,
A realidade sempre nos degrade.
Marcos Loures
A face mais audaz e mais temida
Expressaria o quanto ainda vejo
Da farsa desenhada no desejo
Do nada um labirinto sem saída,
Uma esperança falsa crisalida
O mundo que pudesse noutro ensejo,
Mas quando me retrato e assim prevejo
Desabo no que seja despedida,
Aonde houvera tempo, desperdício,
Aonde se quis vale, precipício,
Premissas de uma estúpida verdade
Que assola o quanto resta do planeta
E mesmo que outro instante se prometa,
A realidade sempre nos degrade.
Marcos Loures
IMAGEM E SEMELHANÇA?
IMAGEM E SEMELHANÇA?
Desnuda-se o planeta em suicídio
E o quanto se demonstra a cada dia
Traçando outra verdade mais sombria,
Quem pensa, por ganância apenas; agride-o.
Destroça no que possa e configura
A morte paulatina e sem defesas
Fazendo gerações futuras, presas,
Enquanto molda a vida em amargura,
Não posso e nem devesse crer no fato
De um dia se acordar e ver o nada,
Somente a imensidão já degradada
No quanto sem retorno ora constato,
Imagem, semelhança? Faz-me rir.
Um Deus destruidor? Ledo porvir...
Marcos Loures
Desnuda-se o planeta em suicídio
E o quanto se demonstra a cada dia
Traçando outra verdade mais sombria,
Quem pensa, por ganância apenas; agride-o.
Destroça no que possa e configura
A morte paulatina e sem defesas
Fazendo gerações futuras, presas,
Enquanto molda a vida em amargura,
Não posso e nem devesse crer no fato
De um dia se acordar e ver o nada,
Somente a imensidão já degradada
No quanto sem retorno ora constato,
Imagem, semelhança? Faz-me rir.
Um Deus destruidor? Ledo porvir...
Marcos Loures
SÓRDIDA EXPRESSÃO
SÓRDIDA EXPRESSÃO
A sórdida expressão que nos transporta
Além da fantasia ao mero ocaso
Transcende ao resumir em rude caso
O quanto se veria atrás da porta,
A face sem retoques, semimorta,
Assim quando possível se me atraso,
Ousando acreditar já me defaso
E bebo o quanto resta e não me importa,
Não viverei deveras nem tampouco
O fato que se faça muito pouco
Tentando acreditar no que não veio,
Não sigo sequer rastros do que um dia
Teimasse imaginar e não veria,
Seguindo a cada instante mais alheio.
Marcos Loures
A sórdida expressão que nos transporta
Além da fantasia ao mero ocaso
Transcende ao resumir em rude caso
O quanto se veria atrás da porta,
A face sem retoques, semimorta,
Assim quando possível se me atraso,
Ousando acreditar já me defaso
E bebo o quanto resta e não me importa,
Não viverei deveras nem tampouco
O fato que se faça muito pouco
Tentando acreditar no que não veio,
Não sigo sequer rastros do que um dia
Teimasse imaginar e não veria,
Seguindo a cada instante mais alheio.
Marcos Loures
QUEM TRAZ UM MAL IMENSO
QUEM TRAZ UM MAL IMENSO
Quem traz um mal terrível, se concreto,
Não sabe da esperança um só pavio.
O mundo se derrama no concreto
Que nos deforma, duro, triste e frio.
Talvez se houvesse assim, algum afeto,
Viver já não seria tão vazio...
Colhendo no canteiro, belas rosas,
Um riso sem disfarce estamparia
O rosto noutras formas mais vaidosas
Esta tristeza imensa não teria.
As mãos jamais seriam belicosas
A vida permitindo a poesia...
Amigo; não se esqueça que um abraço,
Adoça esse amargor de alga e sargaço...
MARCOS LOURES
Quem traz um mal terrível, se concreto,
Não sabe da esperança um só pavio.
O mundo se derrama no concreto
Que nos deforma, duro, triste e frio.
Talvez se houvesse assim, algum afeto,
Viver já não seria tão vazio...
Colhendo no canteiro, belas rosas,
Um riso sem disfarce estamparia
O rosto noutras formas mais vaidosas
Esta tristeza imensa não teria.
As mãos jamais seriam belicosas
A vida permitindo a poesia...
Amigo; não se esqueça que um abraço,
Adoça esse amargor de alga e sargaço...
MARCOS LOURES
TRAZENDO A RECOMPENSA
TRAZENDO A RECOMPENSA
Quando abriste teu corpo em gesto e cena,
Penetraram-te sonhos e vontades.
A triste solidão morria plena
Em duros vergalhões e tempestades.
Quem cura, muitas vezes envenena
Mentiras superpostas em verdades.
A boca tão carnuda quanto exótica
Os olhos anelados, carne dura...
Na tua carnadura tão erótica
A noite se profana na ternura.
Entrando no teu mar, aberto o porto,
Um barco se encontrando em chuva intensa,
Nestas águas tão quentes o conforto
Trazendo para nós a recompensa...
MARCOS LOURES
Quando abriste teu corpo em gesto e cena,
Penetraram-te sonhos e vontades.
A triste solidão morria plena
Em duros vergalhões e tempestades.
Quem cura, muitas vezes envenena
Mentiras superpostas em verdades.
A boca tão carnuda quanto exótica
Os olhos anelados, carne dura...
Na tua carnadura tão erótica
A noite se profana na ternura.
Entrando no teu mar, aberto o porto,
Um barco se encontrando em chuva intensa,
Nestas águas tão quentes o conforto
Trazendo para nós a recompensa...
MARCOS LOURES
RENASCENDO
RENASCENDO
As brumas nos tomando os sentimentos
Fazendo da esperança algo distante.
As tempestades surgem por momentos
Nublando o nosso céu mais radiante
Porém quando, enfim cessam os tormentos
Uma esperança surge num rompante...
Ouvindo o belo som de violinos
Em meio à sinfonias divinais,
Ressurgem velhos sonhos de meninos
Dos tempos mais antigos, ancestrais
Mostrando novos rumos nos destinos
Com formas e contornos magistrais.
Assim como promessa em esplendor,
A vida renasceu em nosso amor...
MARCOS LOURES
As brumas nos tomando os sentimentos
Fazendo da esperança algo distante.
As tempestades surgem por momentos
Nublando o nosso céu mais radiante
Porém quando, enfim cessam os tormentos
Uma esperança surge num rompante...
Ouvindo o belo som de violinos
Em meio à sinfonias divinais,
Ressurgem velhos sonhos de meninos
Dos tempos mais antigos, ancestrais
Mostrando novos rumos nos destinos
Com formas e contornos magistrais.
Assim como promessa em esplendor,
A vida renasceu em nosso amor...
MARCOS LOURES
ESPARSOS SENTIMENTOS
ESPARSOS SENTIMENTOS
Esparsos sentimentos tão confusos
Pelos caminhos todos que segui.
Suores e prazeres mais profusos
Encontro tão somente, amor, em ti.
Horários se misturam, vários fusos,
Mas tudo que esperei estava aqui.
Na paz mais desejada sem desdita
Neste carinho manso que me dás.
A lua em nossos olhos, infinita
No mar em calmaria, tanta paz.
Minha alma tão feliz te cerca e grita
Na luz e na alegria, mais capaz.
Aos Céus elevo preces e louvores
Na glória destes dias redentores...
MARCOS LOURES
Esparsos sentimentos tão confusos
Pelos caminhos todos que segui.
Suores e prazeres mais profusos
Encontro tão somente, amor, em ti.
Horários se misturam, vários fusos,
Mas tudo que esperei estava aqui.
Na paz mais desejada sem desdita
Neste carinho manso que me dás.
A lua em nossos olhos, infinita
No mar em calmaria, tanta paz.
Minha alma tão feliz te cerca e grita
Na luz e na alegria, mais capaz.
Aos Céus elevo preces e louvores
Na glória destes dias redentores...
MARCOS LOURES
EM ILUSÃO
EM ILUSÃO
Menina nunca mates a princesa
Que dorme no teu peito em ilusão.
Pois nela se encontrando tal beleza
Que assim perfumará teu coração.
Por mais que a vida traga uma incerteza
Por mais que tantas vezes ouça o não;
Não deixe que se morra esta esperança
De um dia ser feliz, pois tu mereces.
A vida carregada de lembranças
Nos sonhos mais divinos que tu teces
Revive em alegrias, as crianças
Refeitas nos carinhos e nas preces...
Não mates a princesa; por favor.
Pois traz nesta pureza o vero amor.
MARCOS LOURES
Menina nunca mates a princesa
Que dorme no teu peito em ilusão.
Pois nela se encontrando tal beleza
Que assim perfumará teu coração.
Por mais que a vida traga uma incerteza
Por mais que tantas vezes ouça o não;
Não deixe que se morra esta esperança
De um dia ser feliz, pois tu mereces.
A vida carregada de lembranças
Nos sonhos mais divinos que tu teces
Revive em alegrias, as crianças
Refeitas nos carinhos e nas preces...
Não mates a princesa; por favor.
Pois traz nesta pureza o vero amor.
MARCOS LOURES
NUNCA MAIS
NUNCA MAIS
Se tanto magoaram a menina
Roubando seus sapatos de cristal,
Se a noite dolorida descortina
Matando uma esperança matinal,
Restando em seus cabelos, purpurina,
Lembrando de uma história sem igual.
Do beijo que escondido foi pecado,
Do desejo subindo pelas pernas.
Sorriso tão ingênuo mais safado
Nas mãos tão delicadas e tão ternas.
No carinho sorrateiro, no recado
Guardado nos cadernos. São eternas
As horas esquecidas nos quintais...
Que pena que não voltam nunca mais...
MARCOS LOURES
Se tanto magoaram a menina
Roubando seus sapatos de cristal,
Se a noite dolorida descortina
Matando uma esperança matinal,
Restando em seus cabelos, purpurina,
Lembrando de uma história sem igual.
Do beijo que escondido foi pecado,
Do desejo subindo pelas pernas.
Sorriso tão ingênuo mais safado
Nas mãos tão delicadas e tão ternas.
No carinho sorrateiro, no recado
Guardado nos cadernos. São eternas
As horas esquecidas nos quintais...
Que pena que não voltam nunca mais...
MARCOS LOURES
NÃO SOU O QUE PENSAVAS
NÃO SOU O QUE PENSAVAS
Amor, não sou o resto que pensavas,
Apenas me enganei, te amei demais.
Rompeste, sem querer todas as travas
Que sempre protegiam o meu cais.
Vieste e bagunçaste toda a casa,
Fizeste uma total revolução,
Do gelo tu forjaste louca brasa,
Depois desperdiçaste tal vulcão...
Agora que senti que fui usado,
Incrível, não me sinto simples presa,
Valeu a pena, amor, ter encontrado
Mesmo que por segundos, tal certeza:
Depois deste teu barco sem destino,
Voltei de novo a ser, como um menino...
MARCOS LOURES
Amor, não sou o resto que pensavas,
Apenas me enganei, te amei demais.
Rompeste, sem querer todas as travas
Que sempre protegiam o meu cais.
Vieste e bagunçaste toda a casa,
Fizeste uma total revolução,
Do gelo tu forjaste louca brasa,
Depois desperdiçaste tal vulcão...
Agora que senti que fui usado,
Incrível, não me sinto simples presa,
Valeu a pena, amor, ter encontrado
Mesmo que por segundos, tal certeza:
Depois deste teu barco sem destino,
Voltei de novo a ser, como um menino...
MARCOS LOURES
BRIGAS
BRIGAS
Cansei de tanta briga em nossas vidas,
Qualquer motivo, agora, discutimos,
As pedras que se mudam, vão perdidas,
Sem rumo pois jamais criaram limos...
Pressinto esse perigo que vivemos
Embora, meu amor ainda é grande
Depois de tantas coisas que tivemos,
Não quero que este caso, assim, desande.
Saudades do começo tão feliz,
Trazia-te até água na peneira.
Feridas em terrível cicatriz;
A casa está ruindo por inteira…
Parece que esquecemos nossas juras,
Eu não te aturo e quase não me aturas...
MARCOS LOURES
Cansei de tanta briga em nossas vidas,
Qualquer motivo, agora, discutimos,
As pedras que se mudam, vão perdidas,
Sem rumo pois jamais criaram limos...
Pressinto esse perigo que vivemos
Embora, meu amor ainda é grande
Depois de tantas coisas que tivemos,
Não quero que este caso, assim, desande.
Saudades do começo tão feliz,
Trazia-te até água na peneira.
Feridas em terrível cicatriz;
A casa está ruindo por inteira…
Parece que esquecemos nossas juras,
Eu não te aturo e quase não me aturas...
MARCOS LOURES
INDEFESO
INDEFESO
Às vezes, indefeso, nem percebo;
Que o amor ao se mostrar silencioso,
Num vento dolorido que recebo,
Disfarça-se em vontades, cama e gozo.
Bem mais do que imagino, eu não concebo
A força tão sutil do venenoso
Sentimento que mata enquanto bebo
Cada gota. Eu bem sei quão perigoso
O jogo ao qual amor já se propôs.
Calado, quase manso, devagar;
Mostrando suas garras, o vão compôs
Silenciosamente me tomando,
Não deixa quase mesmo, eu respirar.
Amor, santo prazer me envenenando...
MARCOS LOURES
Às vezes, indefeso, nem percebo;
Que o amor ao se mostrar silencioso,
Num vento dolorido que recebo,
Disfarça-se em vontades, cama e gozo.
Bem mais do que imagino, eu não concebo
A força tão sutil do venenoso
Sentimento que mata enquanto bebo
Cada gota. Eu bem sei quão perigoso
O jogo ao qual amor já se propôs.
Calado, quase manso, devagar;
Mostrando suas garras, o vão compôs
Silenciosamente me tomando,
Não deixa quase mesmo, eu respirar.
Amor, santo prazer me envenenando...
MARCOS LOURES
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