sexta-feira, 31 de maio de 2013

NEM SEQUER O QUANTO QUIS

NEM SEQUER O QUANTO QUIS


Já não tenho na bagagem
Nem sequer o quanto quis
Corro contra esta miragem,
Levo a vida por um triz,

A palavra sem visagem,
Coração segue infeliz
E adentrando esta barragem
Bebo a sorte e peço bis.

O meu mundo se desanda
A verdade anda de banda
E a certeza já se cala

Outro tanto trago na alma
O que agora ora me acalma
Traz a luta e me avassala.


MARCOS LOURES

NADA MAIS

NADA MAIS

Nada mais eu tive em vida
A não ser minha verdade
O que possa sem saudade
Refazendo esta ferida,

A incerteza mais urdida
A palavra que me invade
O momento desagrade
A certeza a ser remida

Vagamente quero o quanto
Fortaleza aonde encanto
Já não traz qualquer retrato,

Do meu passo sem firmeza
A palavra sobre a mesa
O momento em que o retrato.

MARCOS LOURES

MEU REPENTE



MEU REPENTE

Quem me dera um repentista
Eu pudesse na viola
Todo o brilho que se assista
No luar quando consola
Coração de um sofredor
Que cantasse em serenata
A beleza de um amor
Que de tanto amor maltrata,
Sem temer o que virá
Sem sangrar em fantasia
Sendo aqui, sendo acolá
Todo o bem que se queria,
Na expressão mais gloriosa
Sem saber outro caminho,
O perfume dessa rosa
Esquecendo o seu espinho,
A palavra mais bonita
A canção de um passarinho
Que em meu peito, mansa, grita,
Faz do sonho um doce ninho,
Simplesmente poderia
Encontrar neste infinito
Feito em luz e fantasia
Sem saber de um mundo aflito,
Nem areia movediça
Numa praia tão dileta,
Esquecendo da cobiça
No sonhar de algum poeta,
Procurando de repente
Outro tanto que não tive,
Quem amando  traz semente,
Neste solo que cultive,
Esperando na colheita
Um sorriso mais amigo,
Cada dia se deleita
Na certeza de um abrigo,
A cigarra sertaneja
Num inverno rigoroso,
Da formiga que peleja
Tenha alento caprichoso,
Tantas vezes fui feliz,
Neste mundo mesmo atroz,
Vou fazendo o que mais quis
Vou soltando a minha voz,
Meus amigos, no meu verso,
Eu procuro ser honesto,
Caminhando no universo
Emoção em rima; empresto,
Não queria na verdade
Num repente em redondilha,
Esquecer felicidade,
Nem tampouco ser uma ilha,
De Catulo Cearense
Quero a forma e a fantasia
Outro sonho em que se pense
Feito em trovas com magia,
Nada mais que outro momento,
Meu amigo e companheiro,
Procurando enquanto tento
Mostrar meu canto mineiro,
Lapidando uma palavra
Que pudesse diamantina,
Vou cevando minha lavra
Sob a lua que fascina
Refletindo toda a prata
Que reflete teu olhar,
Dominando a imensa mata
Onde eu possa caminhar,
Sem temer nem chuva ou vento,
Sem temer uma tocaia,
Libertando o pensamento,
Que a palavra não me traia,
Distraindo quem pudesse
Me mostrar a solução
Quanto amor, amor tivesse
Inundando  em emoção.
Vou saindo de mansinho,
Minha viola guardando,
Trovejando com carinho,
No bornal sigo levando
Tudo aquilo que desejo,
O beijo de uma morena,
O tempo justo de um beijo,
Que, gostoso, me serena,
Se de nada mais reclamo
Com meu verso tão quebrado,
É que trago aqui quem amo,
Por isso eu ando de lado,
E terminando essa história
Que de longa já te cansa,
Toda a luz e toda a glória
Se traduza em esperança...

MARCOS LOURES

PUDIERA



PUDIERA…


Hablase de otros tiempos más sencillos,
Quizás aun pudiera imaginar
El mar en mansedumbre,
Faroles y sirenas,
Hablase de una nueva redención
Expuesta en poesía o mismo en sueños,
La dulce sensación de un beso amigo,
Los labios de una diosa, libertad…
Hablase de momentos más tranquillos,
Atados mundos,
Rara intersección
Sin miedos ni tampoco el desaliño
Que tanto he percibido en descaminos,
Pudiera hablar de amor y de cariño,
Un nido que se ha visto en fortaleza,
Un tiempo donde crea en la belleza,
Sin la sorpresa atroz de una miseria,
Pudiera imaginar el plenilunio
Tomando eso universo que he perdido,
Un manto más sublime
Gitano corazón en un vergel divino.
Marcando con blandura eso compaso
De una canción que traiga nuevos días,
La brújula indicando un norte en paz,
Venciendo las nevascas, avalanchas,
Bebiendo el néctar en superna divinidad,
Desarrollando un solidario rincón,
La luz invadiendo mi hogar,
La sangre derramada en las batallas
Trasciendo la suprema libertad.
Pudiese aun creer en la esperanza
Danzando entre tinieblas del pasado,
Pudiera…
Pero cuando veo la terrible tempestad
Hecha en egoísmo, guerras, sacrificios,
Las hambrientas naciones, la muerte sin razones,
Los duros corazones
Cañones y metrallas…
Viviendo los mismos pesadillos
Tramados por los espectros vivos
De una constancia imbécil y sórdida,
Despierto de mis sueños,
Y, en medio a las calles,
Prosigo rumbo al futuro…


MARCOS LOURES

ESTÚPIDA COMEDIA



Estúpida comedia…

Un vaso de té,
La fiel que se perdió,
El canto de una alondra
Mañanas del pasado
Ha tanto deseado,
Ahora se olvidando
En farsas diseñadas
La polvorienta estrada
Mientras se ha buscado
Un nuevo y sacro templo
Que el tiempo destruyo,
Altares y promesas,
Empiezo nueva historia,
Mezclando hiel y gloria,
Los dientes aguzados
Leoninos deseos muertos,
Saco otro cigarro,
Bebo un aguardiente
Y la noche se cambia
En fiestas ilusorias,
Memorias de otras eras,
Las frases sin más nexo,
El sexo prometido,
Las piernas entrecruzan
Afluencias al edénico escenario
De un falso paraíso,
Una carcajada irónica
Y las satánicas miradas
En un horizonte turbio,
Quizás algún sol,
Quizás un girasol
Cuando soy noctámbula falena…
Mariposilla hipnotizada
En un suicidio insensato
De una engañosa escena,
En el último acto
Bajando el telón, cerrando
La estúpida comedia
Llamada vida…

MARCOS LOURES

LO QUE ME RESTA...



Lo que me resta…


Empezando con errores,
Dolores que he cebado,
El sueño desplazado,
Desarrollando el nada,
Nadie más pudiera,
La fiera que mantengo
Renace en todo engaño,
Daños entre lodos,
Miedos y secretos,
Remplazo viejos rumbos,
La muerte que sanase
El mundo tormentoso,
Se ha olvidado de mí,
La puerta está cerrada,
La fuente se ha secado,
El canto sin respuesta
Expuesto corazón
Que trama solamente
Allá de la soledad
Una vana palabra
Sin ninguna razón,
Amor que en la florada
Abortase primavera.
Reñidas ilusiones
Porfían y sin teyas,
El hilo destrozado,
Un aire insoportable,
Brumosa tarde en alma,
La luna que no veo,
El cielo se abastando
De nubes y vientos borrascosos,
La cumbre en nieve eterna,
La marca de las presas
Entrañada en toda piel.
Me restaría, quizás,
Una palabra mansa,
Que allá nadie alcanza,
Sin anclas, bebo el mar,
Las olas revoltosas,
Imposibles playas,
Una isla no existe,
Hasta la soledad me abandona,
Y quédame tan solo
Restándome
Eso profundo vacío,
¿Sinónimo de amor?

MARCOS LOURES

NADA ALÉM

NADA ALÉM

Nada além do que pudera
Noutro fato ou num anseio
O meu barco segue alheio
Nesta sorte dura e fera,

O momento onde se espera
O que tanto em sonhos veio,
O caminho que rodeio
A palavra mais sincera,

O meu medo se traduz
Nesta fonte e sem a luz
Já não posso crer no fato

Solitário navegante
Minha vida se garante
No que possa e ora constato.

MARCOS LOURES

QUEM ME RESGATA

QUEM ME RESGATA



Não mais tendo quem resgata
O meu sonho deste vão
Imagino a negação
Renegando a luta ingrata

O que possa e me arrebata
Configura a imensidão
Dos caminhos que verão
A verdade sem bravata,

Não tivesse qualquer sol
Nem sequer em arrebol
Onde tente descansar,

A versão que mais se escuta
Refletindo a intensa luta
Neste vago mergulhar.


MARCOS LOURES

NEM SEQUER TERIA

NEM SEQUER TERIA

Já não tenho nada nem sequer teria
A verdade toca meu sentir mais nobre
E o momento dita quem em dor recobre
Deixando ao passado velha fantasia

O que possa vivo noutro tom faria
E se tento ao menos o que amor descobre
A incerteza trama mesmo que desdobre
A loucura tanta que o verso traria.

No meu desencanto momentos diversos
Os meus dias seguem a buscar nos versos
O quanto se desenha num anseio rude

E deveras trama noite sem sucesso,
O que vago apenas noutro tom ilude
Minha vida encena tanto retrocesso...

MARCOS LOURES

QUANDO TIVE PRESSA

QUANDO TIVE PRESSA

Quando tive pressa nada eu encontrei
Nem sequer o quanto tanto desejava
A saudade queima; furiosa lava
Que trama deveras o que imaginei

O meu sonho fosse desejosa lei
Onde o que se queira tanto demonstrava
A verdade aonde tudo que buscava
Traduzia sonhos ou quem mais terei

No vazio apenas a certeza corta
Da palavra solta venta em minha porta
Mutação diversa nela me entranhara

E se posso ou tento caminhar em vão
Na incerteza a sorte tão feroz e cara
Demonstra somente medos que virão.

MARCOS LOURES

NADA PUDE

NADA PUDE

Nada pude e nem tentara
Caminheiro do passado
O meu verso relegado
A verdade se escancara

 Quando muita, desampara
O meu mundo em tal traçado
O cenário desolado,
A palavra nos separa.

O meu verso se anuncia
Noutro tanto que se vira
A palavra diz mentira

Onde nada mais se via,
Pouco a pouco se retira
O que fora fantasia.

MARCOS LOURES

UN INGENIOSO SUEÑO



UN INGENIOSO SUEÑO




El ingenioso sueño al fin podría
Tramar alguna luz adonde otrora
La suerte sin sentido me devora,
Matando lo que fuera poesía,
La vida se moldando en harmonía,
La risa más honesta se demora
El canto en raro encanto ya se aflora,
Osando presumir una utopía.
La diosa se convierte en libertad,
Envuelta en la superna claridad,
Adiestra en mansedumbre todas fieras,
Sagrados templos hechos en amor,
Dejando sin sentido algún rencor,
Al hombre se mostrar anchas esferas.

MARCOS LOURES