sexta-feira, 3 de outubro de 2014

RACISMO DIVINO



RACISMO DIVINO

Da estéril companheira, um certo idoso,
Aguarda por decênios, seu herdeiro,
Um fato tantas vezes corriqueiro,
E sei quanto louvável, prazeroso.

Porém da negra escrava, certo dia,
Os Gametas gerando um novo ser
Que pudesse trazer algum prazer
Marcara a sua face em alegria.

Porém se por acaso ou por milagre
A velha clara, Sara procriara,
E embora em fantasia louca ou rara,
O vinho se refez de algum vinagre.

A imagem delirante se desperta
E a negra prole, o velho enfim deserta.

MARCOS LOURES

FIM DE CICLO



Não poderia mesmo conceber
Uma esperança tola, pois inútil,
A humanidade segue em passo fútil
Na especular imagem o nada ser.

No cíclico caminho da nefasta
Farsa consumindo nova farsa
Traçando na ignorância, uma comparsa,
Na sordidez perene e nunca gasta

Outros deuses virão, velhas mentiras,
Genocidas disfarçados, criadores,
No palco sanguinário, vis atores,
Cooptando com canalhas, gestam tiras.

De Javé moribundo, rapineiros,
Abutres adubam seus canteiros...

MARCOS LOURES

quarta-feira, 1 de outubro de 2014



A cada novo amanhecer, a ausência do sol que tentei cultivar se torna mais atroz e, a nevasca constante apodrece paulatinamente meus sonhos e sorvendo em gigantescos goles os humores envenenados que exalo, através de cada poro, numa autofagia espúria e nefasta.
Tantas vezes sonhei... Imbecil criança cujo brinquedo – felicidade – se esvaiu em meio a uma imensa montanha de detritos.
Volta e meia, como um fogo fátuo, tento expelir da alma alguma luz. Mas sei que sua base, sua matéria prima se faz com a decomposição dos minhas desvalidas e mortas ilusões.
O tempo, aos poucos, se encurta e a distância da mãe Terra diminui, alento, para meu derradeiro e tão aguardado mergulho...


A cada novo amanhecer, a ausência do sol que tentei cultivar se torna mais atroz e, a nevasca constante apodrece paulatinamente meus sonhos e sorvendo em gigantescos goles os humores envenenados que exalo, através de cada poro, numa autofagia espúria e nefasta.
Tantas vezes sonhei... Imbecil criança cujo brinquedo – felicidade – se esvaiu em meio a uma imensa montanha de detritos.
Volta e meia, como um fogo fátuo, tento expelir da alma alguma luz. Mas sei que sua base, sua matéria prima se faz com a decomposição dos minhas desvalidas e mortas ilusões.
O tempo, aos poucos, se encurta e a distância da mãe Terra diminui, alento, para meu derradeiro e tão aguardado mergulho...


A cada novo amanhecer, a ausência do sol que tentei cultivar se torna mais atroz e, a nevasca constante apodrece paulatinamente meus sonhos e sorvendo em gigantescos goles os humores envenenados que exalo, através de cada poro, numa autofagia espúria e nefasta.
Tantas vezes sonhei... Imbecil criança cujo brinquedo – felicidade – se esvaiu em meio a uma imensa montanha de detritos.
Volta e meia, como um fogo fátuo, tento expelir da alma alguma luz. Mas sei que sua base, sua matéria prima se faz com a decomposição dos minhas desvalidas e mortas ilusões.
O tempo, aos poucos, se encurta e a distância da mãe Terra diminui, alento, para meu derradeiro e tão aguardado mergulho...


A cada novo amanhecer, a ausência do sol que tentei cultivar se torna mais atroz e, a nevasca constante apodrece paulatinamente meus sonhos e sorvendo em gigantescos goles os humores envenenados que exalo, através de cada poro, numa autofagia espúria e nefasta.
Tantas vezes sonhei... Imbecil criança cujo brinquedo – felicidade – se esvaiu em meio a uma imensa montanha de detritos.
Volta e meia, como um fogo fátuo, tento expelir da alma alguma luz. Mas sei que sua base, sua matéria prima se faz com a decomposição dos minhas desvalidas e mortas ilusões.
O tempo, aos poucos, se encurta e a distância da mãe Terra diminui, alento, para meu derradeiro e tão aguardado mergulho...