O
medo que eu tivera de poder
Dizer sem ser ridículo, as palavras
Que trazem subtendidas o prazer
Que é feito um labutar em ricas lavras,
Perdeu-se quando fiz um personagem
Que tinha uma esperança que não creio,
Falando de um amor, leda miragem,
De uma beleza exposta em carne e seio.
Agora, envelhecido, mas não vil,
Eu tenho inda um restinho de ilusão
Embora mitigada pelo frio,
De ter, quem sabe, amor calmo e gentil,
Que traga finalmente a floração
Neste jardim que morre tão vazio...
MARCOS LOURES
PARA TANTOS, PRINCIPALMENTE MARCOS GABRIEL, MARCOS DIMITRI E MARCOS VINÍCIUS. MINHA ESPERANÇA. RITA PACIÊNCIA PELA LUTA.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
DA AJUDA AOS NECESSITADOS - BOM DE BICO
Tucanolândia - capítulo 6
Por Marcos Loures
Sobre como se reforma e se vende uma prestadora de serviços, à moda Tucana
Foi um verdadeiro ato de genialidade e de bom uso do dinheiro público a privatização do sistema de telecomunicações em Tucanolândia. Uma verdadeira sucessão de denúncias e escândalos. Foi uma negociata num jogo de cartas marcadas, inclusive com o nome de FHC citado em inúmeras gravações divulgadas pela imprensa. Vários "grampos" a que a imprensa teve acesso comprovaram o envolvimento de lobistas com autoridades do governo tucano. As fitas mostravam que informações privilegiadas eram repassadas aos "queridinhos" de FHC. O mais grave foi o preço que as empresas estrangeiras e nacionais pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos dois anos e meio anteriores à "venda", o governo tinha investido na infra-estrutura do setor de telecomunicações mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES, nas mãos do tucanato, ainda financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio, em detrimento dos interesses do povo brasileiro. Uma verdadeira rapinagem cometida contra o Brasil e que o governo tucano impediu que fosse investigada. A privatização do sistema Telebrás - assim como da Vale do Rio Doce - foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco de Tucanolândia, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende.Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco de Tucanolândia. Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o governo FHC, por meio do BNDES, destinou cerca de 10 bilhões de reais para socorrer empresas que assumiram o controle de estatais privatizadas. Quem mais levou dinheiro do banco público que deveria financiar o desenvolvimento econômico e social de Tucanolândia foram as teles e as empresas de distribuição, geração e transmissão de energia. Em uma das diversas operações, o BNDES injetou 686,8 milhões de reais na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.Hoje, em pleno 2006, observamos que houve realmente uma melhora acentuada nos serviços de telecomunicações.Se observarmos, as empresas ligadas à telefonia são as campeãs em reclamações, demonstrando que valeu muito esse investimento altamente coerente e insuspeito.Quanto aos amiguinhos de Don Fernando Caudaloso, como todos os outros, saíram impunes.É claro que tivemos outros probleminhas envolvendo a telefonia na Tucanolândia, inclusive o investimento de cinco milhões de reais em uma empresa, por acaso líder no mercado, com participação acionária nesta. Observa-se que esta mantém um programa de televisão, também líder de audiência no setor.O que, convenhamos é muito mais escandaloso e com perdas muito mais significativas que o ocorrido no tempo de Fernando Henrique Caudaloso, vulgo FHC, primeiro.
Sobre como se reforma e se vende uma prestadora de serviços, à moda Tucana
Foi um verdadeiro ato de genialidade e de bom uso do dinheiro público a privatização do sistema de telecomunicações em Tucanolândia. Uma verdadeira sucessão de denúncias e escândalos. Foi uma negociata num jogo de cartas marcadas, inclusive com o nome de FHC citado em inúmeras gravações divulgadas pela imprensa. Vários "grampos" a que a imprensa teve acesso comprovaram o envolvimento de lobistas com autoridades do governo tucano. As fitas mostravam que informações privilegiadas eram repassadas aos "queridinhos" de FHC. O mais grave foi o preço que as empresas estrangeiras e nacionais pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos dois anos e meio anteriores à "venda", o governo tinha investido na infra-estrutura do setor de telecomunicações mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES, nas mãos do tucanato, ainda financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio, em detrimento dos interesses do povo brasileiro. Uma verdadeira rapinagem cometida contra o Brasil e que o governo tucano impediu que fosse investigada. A privatização do sistema Telebrás - assim como da Vale do Rio Doce - foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco de Tucanolândia, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende.Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco de Tucanolândia. Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o governo FHC, por meio do BNDES, destinou cerca de 10 bilhões de reais para socorrer empresas que assumiram o controle de estatais privatizadas. Quem mais levou dinheiro do banco público que deveria financiar o desenvolvimento econômico e social de Tucanolândia foram as teles e as empresas de distribuição, geração e transmissão de energia. Em uma das diversas operações, o BNDES injetou 686,8 milhões de reais na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.Hoje, em pleno 2006, observamos que houve realmente uma melhora acentuada nos serviços de telecomunicações.Se observarmos, as empresas ligadas à telefonia são as campeãs em reclamações, demonstrando que valeu muito esse investimento altamente coerente e insuspeito.Quanto aos amiguinhos de Don Fernando Caudaloso, como todos os outros, saíram impunes.É claro que tivemos outros probleminhas envolvendo a telefonia na Tucanolândia, inclusive o investimento de cinco milhões de reais em uma empresa, por acaso líder no mercado, com participação acionária nesta. Observa-se que esta mantém um programa de televisão, também líder de audiência no setor.O que, convenhamos é muito mais escandaloso e com perdas muito mais significativas que o ocorrido no tempo de Fernando Henrique Caudaloso, vulgo FHC, primeiro.
MEU VERSO DERRADEIRO
MEU VERSO DERRADEIRO
Meu verso derradeiro, na verdade,
Espera um pouco mais para nascer
E sei que ele dirá de uma amizade,
Razão fundamental para o prazer.
Não deve demorar, a vida é curta,
Ainda mais querida pra quem sabe
Que o tempo de viver cedo se furta
Nos braços da doença onde já cabe
As pernas que decerto perderei,
Os olhos que se vão, bem lentamente.
Mas disso tudo amiga eu guardarei,
Resquícios do que tive, veramente.
Amigos que encontrei pelo caminho,
Embora, com certeza, eu vá sozinho...
MARCOS LOURES
Meu verso derradeiro, na verdade,
Espera um pouco mais para nascer
E sei que ele dirá de uma amizade,
Razão fundamental para o prazer.
Não deve demorar, a vida é curta,
Ainda mais querida pra quem sabe
Que o tempo de viver cedo se furta
Nos braços da doença onde já cabe
As pernas que decerto perderei,
Os olhos que se vão, bem lentamente.
Mas disso tudo amiga eu guardarei,
Resquícios do que tive, veramente.
Amigos que encontrei pelo caminho,
Embora, com certeza, eu vá sozinho...
MARCOS LOURES
RICO DE ESPERANÇAS
A dor como constante companheira
Talvez tenha um disfarce até bem feito,
Trazendo o meu sorriso insatisfeito
Mostrando uma carcaça qual bandeira.
O podre de minha alma varejeira
Podendo te assustar, vai contrafeito
Vestindo de um perfume, trama em leito
Aquilo que perdeu a vida inteira.
Não veja minha amada, o meu sorriso,
É quase desdentado e não tem brilho.
O passo; no percurso, falsifico,
E tendo bem distante o paraíso,
Invento a cada verso um novo trilho,
E finjo; de esperanças, ser bem rico...
MARCOS LOURES
TROPEÇO
Desculpe
se pareço sensual,
Amiga, na verdade eu nada sinto,
Senão uma certeza aonde minto,
E faço por fazer meu ritual
De simplesmente andar noutro bornal,
Aconchegado ao corpo onde pressinto
Calor que se quiser, virando absinto
Trará um longo porre genial.
Porém como um falsário que se entrega
Aos mares de um corsário sem pudores,
No fundo minha amiga, as minhas dores
Caminham sem destino em rota cega.
A par do que não sou eu reconheço
Que a falta de visão gera o tropeço.
Amiga, na verdade eu nada sinto,
Senão uma certeza aonde minto,
E faço por fazer meu ritual
De simplesmente andar noutro bornal,
Aconchegado ao corpo onde pressinto
Calor que se quiser, virando absinto
Trará um longo porre genial.
Porém como um falsário que se entrega
Aos mares de um corsário sem pudores,
No fundo minha amiga, as minhas dores
Caminham sem destino em rota cega.
A par do que não sou eu reconheço
Que a falta de visão gera o tropeço.
MARCOS LOURES
O BEM DO AMOR
Às vezes não entendo o bem do amor
Que tanto nos maltrata e nos redime,
Por mais que a solidão, no fundo, estime,
Sou quase um cão vadio, sem valor.
Que ainda crê na força e no calor
Que emana de uma esteira feita em vime,
Por mais que com a dor, no fundo rime,
Eu creio neste pulso salvador
Que é feito da magia de sonhar,
E mesmo imaginar que noutro espaço
Ainda possa haver estreito laço
Em forma de carinho. Mas negar
A busca de um afeto, uma clemência
Talvez seja omitir própria existência...
MARCOS LOURES
O MAR DE UMA ESPERANÇA
O MAR DE UMA ESPERANÇA
Amiga; eu trago em mim como farnel,
As dores que acumulo pela vida.
O reino prometido lá do céu
Talvez seja a vingança, uma saída
A quem se permitiu sentir cruel
O vento que já trouxe a despedida,
Meu peito vagabundo segue ao léu
Distante do que fora. Interagida
Minha alma de tua alma tão bondosa,
Agradecendo sempre o teu apoio,
Menina delicada e maviosa.
O mar de uma esperança vira arroio
Mas segue até chegar aos olhos meus,
Vazios, sem destino, quase ateus...
MARCOS LOURES
Amiga; eu trago em mim como farnel,
As dores que acumulo pela vida.
O reino prometido lá do céu
Talvez seja a vingança, uma saída
A quem se permitiu sentir cruel
O vento que já trouxe a despedida,
Meu peito vagabundo segue ao léu
Distante do que fora. Interagida
Minha alma de tua alma tão bondosa,
Agradecendo sempre o teu apoio,
Menina delicada e maviosa.
O mar de uma esperança vira arroio
Mas segue até chegar aos olhos meus,
Vazios, sem destino, quase ateus...
MARCOS LOURES
AMOR
AMOR
Amor que me deu glória na verdade,
Espelha tanta luz, na calma brisa...
No peito me revela esta saudade,
As dores da existência ele exorciza.
O templo da paixão, a claridade,
Nas mãos desta divina poetisa.
É lua que me cobre de vaidade,
É noite que, de bela, me hipnotiza...
Embalde procurei outra beleza,
A vida não me deixa outro sentido.
Na marca triunfal desta nobreza,
A mão que me acarinha forte e lisa;
Quem dera nunca mais haver perdido,
A lança da nobreza de Adalgisa...
MARCOS LOURES
Amor que me deu glória na verdade,
Espelha tanta luz, na calma brisa...
No peito me revela esta saudade,
As dores da existência ele exorciza.
O templo da paixão, a claridade,
Nas mãos desta divina poetisa.
É lua que me cobre de vaidade,
É noite que, de bela, me hipnotiza...
Embalde procurei outra beleza,
A vida não me deixa outro sentido.
Na marca triunfal desta nobreza,
A mão que me acarinha forte e lisa;
Quem dera nunca mais haver perdido,
A lança da nobreza de Adalgisa...
MARCOS LOURES
VALE muito mais do que pesa...
Tucanolândia 5 - Vale muito mais do que pesa...
A partir do preceito de que é mais fácil destruir ou vender do que administrar com seriedade e competência, resolveu se desfazer dos bens do reino.
Decisão tranqüila e fácil, já que um outro Fernando colocara a culpa de todos os desmandos do país nos funcionários públicos, muitos deles concursados e, com justiça, donos de seus postos de trabalho.
Pois bem, depois de um tempo, começaram as “vendas” do patrimônio público, às duras penas criado, para quem quisesse comprar.
Foi uma festa. Leilões e mais leilões, a liquidação chamou a atenção do mundo inteiro.
Aceitara-se tudo como moeda de troca, inclusive papéis de dívidas públicas envelhecidos, sem valor de mercado, mas com grande valor na hora da compra do patrimônio, inclusive com superfaturamento de alguns.
Com a desculpa de que a telefonia era obsoleta, o controle das linhas telefônicas que era um patrimônio particular, passou a ser das “concessionárias”. Vamos fazer uma analogia com a casa própria, a partir de agora, ninguém pode ser proprietário de uma casa, os imóveis passariam a ser desapropriados por preço pré estabelecido e quem recebesse “a concessão”, passaria a alugar todas as casas do país.
Medida genial como essa, só no reino da Imbecilândia.
Mas, o pior ainda estava por vir. A produção de energia continuaria sendo bancada pelo povo, mas a administração da venda dos serviços, passaria a ser dos “concessionários”.
Havia no reino, uma empresa que era tida como o “orgulho nacional”, a menina dos olhos do povo.
A Vale que, entre suas riquezas, tinha jazidas minerais incalculáveis, portos, ferrovias, rede de transportes, etc.
A avaliação de seus bens chegava a mais de trinta bilhões de dólares, com faturamento trimestral de três bilhões.
Advinha o que aconteceu? Fernando Caudaloso não se fez de rogado, aceitou os três bilhões dados...
Peraí, de entrada?
Não, de valor total.
A pergunta que não quer calar é a seguinte : ISSO É SINAL DE INCOMPETÊNCIA OU DE CORRUPÇÃO, E DAS GROSSAS!
O resto que sobrou; Furnas, Petrobrás, Eletrobrás, entre outras, estão na alça de mira de Inércio Rapineiro das Neves... o Tucanolandês de plantão.
MARCOS LOURES
TODOS OS MEUS PRAZERES
TODOS OS MEUS PRAZERES
Todos os meus prazeres traduzidos
Nos olhos e nos lábios desta amada.
Depois de tantos mares percorridos,
A noite se apazigua, alucinada...
Nos claustros que vivera, em solidão,
Amarga sensação de desventura.
Buscando uma energia de carvão,
Queimando meu amor em tanta agrura.
Depois deste silêncio fragoroso
Depois destas desditas sem final.
Depois deste viver tão tenebroso,
Depois desta saudade que é fatal.
Encontro nos teus lábios, meu sossego;
Deitando no teu colo, um aconchego...
MARCOS LOURES
Todos os meus prazeres traduzidos
Nos olhos e nos lábios desta amada.
Depois de tantos mares percorridos,
A noite se apazigua, alucinada...
Nos claustros que vivera, em solidão,
Amarga sensação de desventura.
Buscando uma energia de carvão,
Queimando meu amor em tanta agrura.
Depois deste silêncio fragoroso
Depois destas desditas sem final.
Depois deste viver tão tenebroso,
Depois desta saudade que é fatal.
Encontro nos teus lábios, meu sossego;
Deitando no teu colo, um aconchego...
MARCOS LOURES
FOIE GRAS DE TUCANO
Tucanolândia - capítulo 4 - Ainda bem que quem pagou não foi Fernando... Ou de como é gostoso ir passear na França
Na tucanolândia, a cada quatro anos, pela constituição vigente, haveria necessidade de eleição para a mudança do chefe de estado, sendo proibida a reeleição.
Fernando Caudaloso, famoso pela sua maneira de governar, num escandaloso “toma lá dá cá” sem paralelo na história do pequeno reino tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, estava numa encruzilhada.
Gostou de ficar ali, com suas mordomias, suas viagens ao exterior pagas pelos contribuintes do reinado.
Inclusive, como o avião oficial do reino estava meio que meia bomba, velhinho como ele só, Fernando gostava de ir em aviões fretados, onde levava vários convidados para passearem na Europa ou nos Estados Unidos, motivo pelo qual ganhou o apelido de Viajando Caudaloso...
Essa oposição é fogo, o quê que tem umas voltinhas pela Europa, um cheirinho de civilização não faz mal e, além disso o rei gostava de matar saudades da belle France. Aquilo é que era país para se viver, que idioma fantástico, nada dessa coisa estranha falada em tucanolândia.
Aliás, de vez em quando recebia um ou outro título ou comenda, e tinha que comparecer, isso fazia tão bem ao ego...
Na Constituição do Reino, haveria necessidade de ter dois terços dos votos para uma mudança tão profunda...
O que fazer? Se fosse menos que isso, a base de bajulação bastaria, pois essa já o tinha ajudado a fazer a “Abafadoria Geral” e os engavetamentos das encrencas anteriores.
Mas, esse caso era diferente. Não bastavam as distribuições de favores do orçamento não, os parlamentares queriam mais.
Quando soube da novidade, ficou assustado.
Acostumado a dar milhões de dólares a banqueiros, acreditava que, dessa vez, a situação estivesse perdida.
Conversa vai, conversa vem, teve uma grata surpresa.
Ô povinho barato esse da tucanolândia. Menos de cem mil dólares para cada um.
Saiu quase de graça, mais quatro anos para poder passear, poder fazer favores para os amigos, que maravilha!
Mas, mal sabia ele que havia um grupo de curiosos e fofoqueiros, precursores de um famoso Senador da Terra dos coqueiros, o Bondadeza, que gravaram uma conversa entre dois tagaleras deputados.
A casa parecia que ia cair, ainda mais que os dois, não agüentando a pressão caíram fora. Claro que depois de aprovada a mudança constitucional.
Mas, como o nosso Fernando tem um pé na cozinha, fez promessa para Sete Flechas, entidade protetora dos partidários de Don Fernando Caudaloso, tudo deu certo no final.
A que preço não sabemos, mas mais uma vez, conseguiram engavetar mais um escândalo.
Acredita-se que ficou bem cara a reeleição de Fernando, mas quem pagou a conta foi o povo, então, usando o raciocínio dos fernandófilos, ficou barato...
MARCOS LOURES
CONTIGO, VOU
Nosso
amor entranhado de tal forma
Que nem sequer precisa de palavras...
O simples olhar basta e nos informa
Sabemos das colheitas e das lavras...
Encontro-te, respiro e já concebo
Vontades e desejo solto ao ar
Sorriso que ofereço e que recebo
Diz mais do que se fossemos falar...
Nós somos congruentes a tal ponto
Que nada nos separa nem mil milhas.
Amada, vem depressa que estou pronto
E quero te propor as maravilhas
Que somente este amor pode trazer,
Em ti, por ti...Contigo, vou viver...
Que nem sequer precisa de palavras...
O simples olhar basta e nos informa
Sabemos das colheitas e das lavras...
Encontro-te, respiro e já concebo
Vontades e desejo solto ao ar
Sorriso que ofereço e que recebo
Diz mais do que se fossemos falar...
Nós somos congruentes a tal ponto
Que nada nos separa nem mil milhas.
Amada, vem depressa que estou pronto
E quero te propor as maravilhas
Que somente este amor pode trazer,
Em ti, por ti...Contigo, vou viver...
MARCOS LOURES
CASA "ARRUMADA"
Tucanolândia - capítulo 3 - Lugar de pasta é na gaveta...
Em meio a um monte de irregularidades, Fernando Caudaloso primeiro, rei da tucanolândia, seguia seu reinado sem atropelos, já que o esquema armado para inibir qualquer investigação sobre as denúncias que fossem feitas, funcionava tranquilamente.
Tudo bem que a oposição fizesse o maior berreiro, mas a retranca armada pelo comandante era mais forte do que o famoso ferrolho suíço.
Falar em suíço, a gente se lembra de queijo e de bancos, bancos nos levam à praça e banqueiros.
Os banqueiros “boa praças”, no entendimento do rei, foram acusados de bancarem as campanhas políticas dos aliados de Fernando Caudaloso primeiro.
Haveria um dossiê, chamado de pasta lilás, que circulava no reino, denunciando o fato.
A comprovação ou não de tal maracutaia, dependeria da investigação do Ministério Público, já que a retranca armada pelo rei, dentro do Parlamento, era insuperável.
Fernando, homem sagaz e político inteligente, associado com os civis servis que serviram aos tempos negros do reinado, na ditadura que se estabelecera por mais de vinte anos em tucanolândia, não pestanejou:
Nomeou Geraldo (mais um), como Procurador Geral do Reinaldo, Geraldo geral do reino, por suas características de fidelidade ao Rei, não permitiria nunca que se aprofundassem quaisquer investigações sobre as denúncias feitas.
Com um procurador que não procura e, se encontra, finge que não vê, não poderia ter dado outro resultado: O dossiê foi parar numa Gaveta qualquer, de onde surgiu o apelido dado ao Procurador Geraldo, mais conhecido como Engavetador Geral do Reino.
A pasta lilás nunca foi investigada profundamente, desbotando de tanto ficar na gaveta. A última notícia que temos é que as traças “traçaram” o documento, que cumpriu a sina de todos os inquéritos e investigações sobre o reinado de Caudaloso. Do pó vieram ao pó retornaram...
Somente restou o gosto amargo de mais um escândalo abandonado sem a devida investigação.
Mas, como disse um velho político do interior de Minas: “Nem sempre quem procura acha, ainda mais quando não se procura e, quando acha, nada melhor do que uma gaveta para que o assunto seja esquecido”.
Tudo bem que a oposição fizesse o maior berreiro, mas a retranca armada pelo comandante era mais forte do que o famoso ferrolho suíço.
Falar em suíço, a gente se lembra de queijo e de bancos, bancos nos levam à praça e banqueiros.
Os banqueiros “boa praças”, no entendimento do rei, foram acusados de bancarem as campanhas políticas dos aliados de Fernando Caudaloso primeiro.
Haveria um dossiê, chamado de pasta lilás, que circulava no reino, denunciando o fato.
A comprovação ou não de tal maracutaia, dependeria da investigação do Ministério Público, já que a retranca armada pelo rei, dentro do Parlamento, era insuperável.
Fernando, homem sagaz e político inteligente, associado com os civis servis que serviram aos tempos negros do reinado, na ditadura que se estabelecera por mais de vinte anos em tucanolândia, não pestanejou:
Nomeou Geraldo (mais um), como Procurador Geral do Reinaldo, Geraldo geral do reino, por suas características de fidelidade ao Rei, não permitiria nunca que se aprofundassem quaisquer investigações sobre as denúncias feitas.
Com um procurador que não procura e, se encontra, finge que não vê, não poderia ter dado outro resultado: O dossiê foi parar numa Gaveta qualquer, de onde surgiu o apelido dado ao Procurador Geraldo, mais conhecido como Engavetador Geral do Reino.
A pasta lilás nunca foi investigada profundamente, desbotando de tanto ficar na gaveta. A última notícia que temos é que as traças “traçaram” o documento, que cumpriu a sina de todos os inquéritos e investigações sobre o reinado de Caudaloso. Do pó vieram ao pó retornaram...
Somente restou o gosto amargo de mais um escândalo abandonado sem a devida investigação.
Mas, como disse um velho político do interior de Minas: “Nem sempre quem procura acha, ainda mais quando não se procura e, quando acha, nada melhor do que uma gaveta para que o assunto seja esquecido”.
MARCOS LOURES
NAS LUTAS QUE TRAVEI
NAS LUTAS QUE TRAVEI
Nas lutas que travei, a vida afora,
Sozinho, mas tentando prosseguir,
A noite traz tempesta e se demora,
Não quero e nem consigo resistir.
O peito que lutara, agora chora,
Não resta quase nada a dividir,
Cantiga mortuária, triste aflora,
Apenas tão somente a me pedir
Que mesmo que estas guerras eu não vença,
- Solidão é o fruto da derrota-
Aguarde no final a recompensa
Nos braços de uma bela defensora,
Presença de esperança logo brota
Em Adail, estrela redentora...
MARCOS LOURES
Nas lutas que travei, a vida afora,
Sozinho, mas tentando prosseguir,
A noite traz tempesta e se demora,
Não quero e nem consigo resistir.
O peito que lutara, agora chora,
Não resta quase nada a dividir,
Cantiga mortuária, triste aflora,
Apenas tão somente a me pedir
Que mesmo que estas guerras eu não vença,
- Solidão é o fruto da derrota-
Aguarde no final a recompensa
Nos braços de uma bela defensora,
Presença de esperança logo brota
Em Adail, estrela redentora...
MARCOS LOURES
SESSÃO SAI PRA LÁ CAPETA....
Tucanolândia - capítulo 2 - Abafadoria Geral da União
Estamos em janeiro de 1995 no reino da tucanolândia. O antigo rei, Topete primeiro, de olho nas maracutaias e trambiques contumazes naquele reino beira mar, havia criado uma comissão de investigação, feita por representantes das mais variadas áreas do povo do reino.
Entre os representantes da igreja, dos sindicatos dos advogados, dos órgãos de classe, havia tantos aliados como contrários ao Rei de Plantão.
Pois bem, Fernando Caudaloso, o sucessor de Topete primeiro, ao sentir que não poderia agir com liberdade, em um momento bastante estranho e duvidoso, extinguiu essa comissão.
A partir desse momento, a porta para as ilicitudes e ações suspeitas, como favorecimento de amigos, atos de corrupção passiva e ativa, entre outros, ficou escancarada.
Depois disso, começaram a aparecer denúncias a cada momento, todas as operações feitas pelo Governo foram abafadas, perdendo o controle da sociedade sobre todos os atos, mesmo que os mais escandalosos, dos “amigos” e aliados de Caudaloso.
Após seis anos de descontrole e sem nenhum órgão da sociedade que pudesse controlar os atos e operações ligadas ao governo, a sociedade resolveu reagir.
Os parlamentares da oposição resolveram criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os atos de corrupção.
Ao ver que a vaca ia para o brejo, Fernando criou um órgão de controle, a Controladoria-Geral que, ao contrário da anterior, não era composta por representantes universais da sociedade civil, mas sim ligada ao Governo, sendo conhecida como Abafadoria – Geral do Reino.
Assim foi durante o Governo Fernando, onde os trambiqueiros e corruptos navegaram num mar de tranqüilidade comparável ao da calmaria de quinhentos anos antes.
Com o final do mandato de Fernando Caudaloso, conhecido por esse nome pelo “mar” aberto nas fronteiras do reino, para a evasão de recursos, ao final do seu reinado, a Controladoria-Geral passou a ter uma importância enorme no controle da corrupção.
O fato da extinção e da posterior substituição desfigurada de um órgão de autocontrole dos ilícitos feitos com o dinheiro público demonstra duas coisas: 1- o Rei não estava muito bem intencionado. 2- a porteira aberta fez um estrago no futuro do reinado.
E, como diz o povo daquele lugar, arrombada a porteira, por onde passa um boi, passa uma boiada, mesmo que seja via Banestado...
MARCOS LOURES
EM TEU DESEJO
EM TEU DESEJO
Eu quero em teu desejo mergulhar
Sorvendo tua boca junto à minha.
O vento que te trouxe vai mostrar
A fome que me cerca e se avizinha...
Aos poucos, sentimento desnudar
E ter toda a certeza que se tinha
Da vontade enorme de te amar,
Sem medos nem segredos... À noitinha...
Beber de tua boca inebriante
Rasgar as nossas vestes ser teu homem.
E te trazer prazer forte e vibrante.
A resposta eu bem sei que continua
Na fome com que os corpos se consomem
Na sede de te ter, deitada e nua...
MARCOS LOURES
PARA QUEM NÃO VIVEU OU "ESQUECEU"
Tucanolândia - capítulo 1 - Projeto Sivam
O esquema já estava montado, não fora difícil convencer o embaixador a entrar com a influência que tinha sobre o Governo daquele país do terceiro mundo. Famoso pelas transações que envolviam sempre desvio de verba para corrupção do governo.
Sempre, desde a década de sessenta, a tão falada “caixinha” era sistematicamente usada pelo sistema público, desde os mais baixos escalões, para que desse andamento aos processos até aos mais altos, com finalidades várias, desde ganho de processos sem licitação até construções, através de empreiteiras, de obras públicas e de projetos “de segurança nacional”.
Esse era o caso, havia necessidade da proteção do espaço aéreo, já que a republiqueta tinha uma vasta floresta e precisava de um sistema de vigilância abrangente.
Obviamente, o ministro da aeronáutica daquele país estaria envolvido nas negociações, embora não se possa afirmar que sabia de alguma coisa.
O empresário em questão, chefe do cerimonial da Presidência da República, utilizou-se do cargo, com ou sem o consentimento do presidente, isso também são especulações, para fazer a negociata.
A questão é que a empresa ganhou, sem licitação, o contrato que ultrapassava um bilhão de dólares.
Isso mesmo, um bilhão de dólares, coisa de se espantar!
O Presidente, ao saber do fato, demitiu os envolvidos ou forçou-os a pedir demissão. Gesto nobre, porém, como veremos a seguir, um tanto estranho...
Uma outra empresa ganhara o contrato para a instalação e desenvolvimento de softwares para o projeto, mas, como fraudara e falsificara guias de recolhimento da previdência social, foi afastada. Após isso, a empresa entrou em falência, mas ressurgiu com outro nome de fantasia e arrebatou tudo de novo.
Um bilhão de dólares para um país pobre é dinheiro que não acaba mais, assustando até o presidente da maior economia do mundo, quando soube da “bagatela”.
O que poderíamos esperar de um homem sério, desejoso de proteger o capital nacional? A apuração e punição dos fatos, obviamente...
Ao se instalar uma comissão do congresso para analisar e punir, o que se viu, para espanto de todos, foi o esvaziamento dessa comissão. Ficando todos impunes...
Somente os habitantes daquela terra “abençoada por Deus”, ficaram a ver navios. E, pior, em plena selva amazônica...
MARCOS LOURES
O GOSTO DO PRAZER
O GOSTO DO PRAZER
Eu quero te tocar, beijar inteira;
E desfrutar do gosto do prazer
Roçar tua nudez tão verdadeira
Sem medos, com vontade de te ter...
A boca mansamente, na roseira
Bem sabe dos espinhos. Mas quer crer
Que és minha nessa noite. A rosa cheira
Todo o perfume intenso do teu ser.
Inebriado sinto o teu perfume
E passo toda noite a vasculhar
Deixando já de lado o teu ciúme,
Roubando calmamente o teu desejo.
Sentindo toda a terra se encharcar
Desta umidade densa em nosso beijo..
MARCOS LOURES
Eu quero te tocar, beijar inteira;
E desfrutar do gosto do prazer
Roçar tua nudez tão verdadeira
Sem medos, com vontade de te ter...
A boca mansamente, na roseira
Bem sabe dos espinhos. Mas quer crer
Que és minha nessa noite. A rosa cheira
Todo o perfume intenso do teu ser.
Inebriado sinto o teu perfume
E passo toda noite a vasculhar
Deixando já de lado o teu ciúme,
Roubando calmamente o teu desejo.
Sentindo toda a terra se encharcar
Desta umidade densa em nosso beijo..
MARCOS LOURES
NOITE SEM JUÍZO
Venha aqui comigo, amor não temas,
Noite qual criança sem juízo
Te chama a conhecer de perto as gemas
Que são como portais do paraíso...
Amar demais concebe nossos lemas
E cada vez mais forte e mais conciso,
Subirmos nossos rios, piracemas,
Nos cios se tornando mais preciso...
Eu quero o teu sussurro em meu ouvido,
Falando o que bem sabes que desejo.
O fogo em que queimamos, não duvido
É tudo o que queremos. Eu me atiro
Em frente à tua boca e peço beijo,
Depois... Só quero ouvir o teu suspiro...
MARCOS LOURES
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
LOUCO MISTÉRIO
LOUCO MISTÉRIO
Acusar quem tanto amou, louco mistério,
Nada mais que matar, ser qualquer um.
Preparas meu caminho, deletério,
Avanço e sou vencido, isso é comum.
Amor que tanto eu quis, fugindo etéreo,
Descarta-me sem paz ou rumo algum.
A vida que exigira mais critério
Não me deixa mais nada, vou nenhum.
Certamente, pensaste ser imensa.
Quem mata, simplesmente nunca explica,
As dores que me causas, recompensa?
O medo dilacera e tudo pui,
O tapa que me dás, luva e pelica?
Só sei que meu castelo, cai e rui...
MARCOS LOURES
Acusar quem tanto amou, louco mistério,
Nada mais que matar, ser qualquer um.
Preparas meu caminho, deletério,
Avanço e sou vencido, isso é comum.
Amor que tanto eu quis, fugindo etéreo,
Descarta-me sem paz ou rumo algum.
A vida que exigira mais critério
Não me deixa mais nada, vou nenhum.
Certamente, pensaste ser imensa.
Quem mata, simplesmente nunca explica,
As dores que me causas, recompensa?
O medo dilacera e tudo pui,
O tapa que me dás, luva e pelica?
Só sei que meu castelo, cai e rui...
MARCOS LOURES
SEM CAIS
SEM CAIS
Que Deus não me permita a sensação
De ter seguido a vida em triste volta,
Sem ter sequer alguma atracação
Ao barco que se fez pura revolta.
A vida sem amor, sempre em senão,
Uma imaginação que não se solta,
A morte protegendo e dando escolta
No fundo traz sabor de salvação.
Que a vida inda sorria, pelo menos
Alguns segundos antes da partida.
Cansado de tragar tantos venenos,
Eu busco em ledo amor, uma saída,
Que enfim redima a vida que resiste,
Mesmo saudosa; absorta e sempre triste...
MARCOS LOURES
Que Deus não me permita a sensação
De ter seguido a vida em triste volta,
Sem ter sequer alguma atracação
Ao barco que se fez pura revolta.
A vida sem amor, sempre em senão,
Uma imaginação que não se solta,
A morte protegendo e dando escolta
No fundo traz sabor de salvação.
Que a vida inda sorria, pelo menos
Alguns segundos antes da partida.
Cansado de tragar tantos venenos,
Eu busco em ledo amor, uma saída,
Que enfim redima a vida que resiste,
Mesmo saudosa; absorta e sempre triste...
MARCOS LOURES
AMOR DE MINHA VIDA
AMOR DE MINHA VIDA
Amor
de minha vida, Musa bela,
Que trouxe a mansidão tão necessária
A sorte que eu pensara temporária
Agora, eternidade de uma estrela
Que é Lua, em perfeição e se revela,
Mulher que um dia eu tive, imaginária
Apenas num momento, como a tela
Tecida na ilusão. Dor temerária
Tomara a minha vida antes de ti,
Agora que percebo, conheci
E não era somente um sonho bom,
Eu agradeço a Deus pelo presente
Que ao pecador insano ele consente,
Mostrando a maravilha em raro tom...
Que trouxe a mansidão tão necessária
A sorte que eu pensara temporária
Agora, eternidade de uma estrela
Que é Lua, em perfeição e se revela,
Mulher que um dia eu tive, imaginária
Apenas num momento, como a tela
Tecida na ilusão. Dor temerária
Tomara a minha vida antes de ti,
Agora que percebo, conheci
E não era somente um sonho bom,
Eu agradeço a Deus pelo presente
Que ao pecador insano ele consente,
Mostrando a maravilha em raro tom...
MARCOS LOURES
SERÃO COLHIDAS ROSAS
As
lágrimas que descem de teus olhos
Evaporando em nuvens, com certeza,
Aguando as flores, gramas, os abrolhos,
Descendo pelo rio em correnteza
Serão colhidas, rosas, nestes molhos
Nos vasos, salas, quartos, com beleza,
Abrindo e libertando dos ferrolhos
Encantando-nos, postas sobre a mesa.
Das lágrimas às rosas transmudadas,
A vida nos permite ter, de fato,
O sonho feito em gnomos, deuses, fadas,
Por isso não permita que o regato
Se seque, pois assim, nossa emoção
Jamais regalará um coração...
Evaporando em nuvens, com certeza,
Aguando as flores, gramas, os abrolhos,
Descendo pelo rio em correnteza
Serão colhidas, rosas, nestes molhos
Nos vasos, salas, quartos, com beleza,
Abrindo e libertando dos ferrolhos
Encantando-nos, postas sobre a mesa.
Das lágrimas às rosas transmudadas,
A vida nos permite ter, de fato,
O sonho feito em gnomos, deuses, fadas,
Por isso não permita que o regato
Se seque, pois assim, nossa emoção
Jamais regalará um coração...
MARCOS LOURES
PARA RITA DE CÁSSIA
Quando
a morte vier subitamente
E cerrando meus olhos sonhadores,
Espero que tu saibas, novamente
Que em ti eu descobri as veras flores
Cevadas com carinho, simplesmente,
E nelas, as belezas e os pendores
Que quem ama, decerto sabe e sente.
Mas peço-te; me leve aonde fores,
E mesmo que outros braços te entrelacem
Não deixe apodrecer nosso jardim.
Pois que as flores não morram na coroa
Jogada sobre o túmulo. Que tracem
Ao menos um retrato do que em mim
Guardaste antes que a noite leve, à toa.
Para Rita de Cássia
E cerrando meus olhos sonhadores,
Espero que tu saibas, novamente
Que em ti eu descobri as veras flores
Cevadas com carinho, simplesmente,
E nelas, as belezas e os pendores
Que quem ama, decerto sabe e sente.
Mas peço-te; me leve aonde fores,
E mesmo que outros braços te entrelacem
Não deixe apodrecer nosso jardim.
Pois que as flores não morram na coroa
Jogada sobre o túmulo. Que tracem
Ao menos um retrato do que em mim
Guardaste antes que a noite leve, à toa.
Para Rita de Cássia
MARCOS LOURES
EM CALMARIA E TEMPESTADE
EM CALMARIA E TEMPESTADE
Vieste em calmaria e tempestade
De um jeito tão sutil, alucinante.
Bebendo desta fonte da verdade
Tornando nosso o canto deste instante.
No campo, no quintal ou na cidade,
O verbo conjugado delirante,
Em todos os momentos de saudade,
Amor que se fez belo, amigo, amante...
Depois de certo tempo, mais presente,
Às vezes com as garras afiadas,
Amar foi se tornando de repente
Urgente em nossas vidas, nosso canto.
As bocas se procuram, 'stão molhadas
Na busca mais concreta deste encanto...
MARCOS LOURES
Vieste em calmaria e tempestade
De um jeito tão sutil, alucinante.
Bebendo desta fonte da verdade
Tornando nosso o canto deste instante.
No campo, no quintal ou na cidade,
O verbo conjugado delirante,
Em todos os momentos de saudade,
Amor que se fez belo, amigo, amante...
Depois de certo tempo, mais presente,
Às vezes com as garras afiadas,
Amar foi se tornando de repente
Urgente em nossas vidas, nosso canto.
As bocas se procuram, 'stão molhadas
Na busca mais concreta deste encanto...
MARCOS LOURES
UM PASSATEMPO?
O
tempo passa
E mostra o quanto o nada
Serviu para cerzir
Nossa esperança
Atada e desatada
Em laço frouxo.
Sementes esquecidas
Não vingaram
Restaram abrolhos,
Óleos malditos,
Ditos esquecidos
Pelos cantos do quintal.
Agora, refazer a plantação
Demanda tempo.
Viver é contratempo
E amor? Um passatempo?
E mostra o quanto o nada
Serviu para cerzir
Nossa esperança
Atada e desatada
Em laço frouxo.
Sementes esquecidas
Não vingaram
Restaram abrolhos,
Óleos malditos,
Ditos esquecidos
Pelos cantos do quintal.
Agora, refazer a plantação
Demanda tempo.
Viver é contratempo
E amor? Um passatempo?
MARCOS LOURES
PODES FICAR TRANQUILA
Não sentirás o frio, com certeza.
Estarei ao teu lado te aquecendo.
Beijando tua boca e com destreza
Aos poucos mansamente percebendo
A doce perfeição desta beleza
Que em meus braços deita, revertendo
Aquela perspectiva de tristeza
Que em minha vida estava só crescendo...
Deitar o meu desejo em teu desejo,
Amar-te sem ter medo, inteiro... tanto...
Delícias de um banquete que prevejo
Nas noites friorentas; minuano?
Pode ficar tranquila que eu espanto,
Envolto em nosso amor que é soberano...
MARCOS LOURES
A FACE DO CANALHA
Quisera ver a face do canalha
Que guarda em podridão, falsa virtude,
Ao diversificar cada atitude
Esconde atrás da mão fria navalha.
Embora a minha vida seja falha,
- Rasguei o que sobrou de juventude,
Fiz muito aquém daquilo que já pude
E usei as minhas costas qual cangalha.
Verti alguns dos sonhos em perigo,
Cuspi no próprio prato que comi,
Mas não traí, decerto um grande amigo,
Nem mesmo do que fui eu me esqueci.
Agora este calhorda que se esconde,
Depressa, não perdeu nem rumo ou bonde...
MARCOS LOURES
QUISERA AMOR
QUISERA AMOR
Quisera Amor em lúcida batalha
Vencendo as tempestades e as procelas
Vivendo tão somente cores belas,
Não vendo nesta vida, o que retalha
E mostra com certeza cada falha
Em flores tão sutis, onde revelas
As cores da esperança, abrindo as velas
Partindo para o sonho, aonde espalha
Perfume que sabia de um canteiro
Em rosas e crisântemos; cuidado.
Amor ao se entregar em passo extenso,
Demonstra este poder, ser verdadeiro,
Mudando, com certeza, nosso Fado,
Invade um oceano calmo, imenso...
MARCOS LOURES
Quisera Amor em lúcida batalha
Vencendo as tempestades e as procelas
Vivendo tão somente cores belas,
Não vendo nesta vida, o que retalha
E mostra com certeza cada falha
Em flores tão sutis, onde revelas
As cores da esperança, abrindo as velas
Partindo para o sonho, aonde espalha
Perfume que sabia de um canteiro
Em rosas e crisântemos; cuidado.
Amor ao se entregar em passo extenso,
Demonstra este poder, ser verdadeiro,
Mudando, com certeza, nosso Fado,
Invade um oceano calmo, imenso...
MARCOS LOURES
VOANDO EM LIBERDADE
Eu
quero te sentir colada em mim,
Rasgando este universo que sonhamos.
Vivendo a fantasia sem ter fim
Da forma que queremos, planejamos...
Ouvir o teu sussurro... Quero sim,
Beijar a tua boca... Percebamos
O bom deste sonhar... De ser assim,
O muito que vivemos e cantamos...
Falar de um sentimento que é tão nobre
Que traz a mansidão; viva alegria.
Na noite enluarada que recobre
Os nossos corpos nus, nossa alma aberta
A todas as delícias sem ressalvas,
Gritando ao mundo inteiro nosso alerta
Que é feito uma aguardente, que inebria.
As almas que se tocam, limpas, alvas,
Voando em liberdade e fantasia...
Rasgando este universo que sonhamos.
Vivendo a fantasia sem ter fim
Da forma que queremos, planejamos...
Ouvir o teu sussurro... Quero sim,
Beijar a tua boca... Percebamos
O bom deste sonhar... De ser assim,
O muito que vivemos e cantamos...
Falar de um sentimento que é tão nobre
Que traz a mansidão; viva alegria.
Na noite enluarada que recobre
Os nossos corpos nus, nossa alma aberta
A todas as delícias sem ressalvas,
Gritando ao mundo inteiro nosso alerta
Que é feito uma aguardente, que inebria.
As almas que se tocam, limpas, alvas,
Voando em liberdade e fantasia...
MARCOS LOURES
TOCAR-TE INTEIRA
Querida,
nestes raios os meus braços,
Buscando te afagar, tocar-te inteira...
O mar vai me levando, cruzo espaços
Até chegar aí... Livre, altaneira
Minha alma irá cercar-te de mormaços.
No brilho de uma vida verdadeira,
Cobrir-te de mil beijos, nos abraços
Fazer do nosso amor, sua bandeira.
Cantar me teus ouvidos belo cântico
Que faças me sentir, colado a ti.
Mesmo que nos afaste o grande Atlântico,
Eu sinto que te encontro e quero amar,
Além de todo espaço estou aí
Chegando nesta areia, aporto o mar...
MARCOS LOURES
Buscando te afagar, tocar-te inteira...
O mar vai me levando, cruzo espaços
Até chegar aí... Livre, altaneira
Minha alma irá cercar-te de mormaços.
No brilho de uma vida verdadeira,
Cobrir-te de mil beijos, nos abraços
Fazer do nosso amor, sua bandeira.
Cantar me teus ouvidos belo cântico
Que faças me sentir, colado a ti.
Mesmo que nos afaste o grande Atlântico,
Eu sinto que te encontro e quero amar,
Além de todo espaço estou aí
Chegando nesta areia, aporto o mar...
MARCOS LOURES
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
O AMOR MAIAKOVSKI VERSÃO 2
Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zoo,
sorridente,
tal como agora está
no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela,
que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em enumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
concupiscência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo Universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
- Camaradas!
Atenta se volte a Terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casas.
Para que
doravante
a família
seja
o pai,
pelo menos o Universo;
a mãe,
pelo menos a Terra.
QUAL DOCE MEL
Sentindo
o teu olhar qual doce mel
Que mostra tal doçura que me encanta.
Levando o meu desejo para o céu
Forrando de alegria, a vida; tanta...
Viajo ao infinito, em teu corcel,
Neste galope lindo não se espanta.
Descendo uma cascata, denso véu,
Que em fascinante lua voa e canta.
Teu brilho é tão mais forte quanto o sol,
Num beijo assim suave se revela
A força deste olhar, lume e farol...
Não tema deste amor nenhum segredo,
Que o tempo mostrará como é singela
A música do amor. Não tenhas medo...
Que mostra tal doçura que me encanta.
Levando o meu desejo para o céu
Forrando de alegria, a vida; tanta...
Viajo ao infinito, em teu corcel,
Neste galope lindo não se espanta.
Descendo uma cascata, denso véu,
Que em fascinante lua voa e canta.
Teu brilho é tão mais forte quanto o sol,
Num beijo assim suave se revela
A força deste olhar, lume e farol...
Não tema deste amor nenhum segredo,
Que o tempo mostrará como é singela
A música do amor. Não tenhas medo...
MARCOS LOURES
A LOS HOMRES FUTUROS BERTOLD BRECH
Bertolt Brecht
A los hombres futuros
Vosotros, que surgiréis del marasmo en el que nosotros nos hemos hundido, cuando habléis de vuestras debilidades, pensad también en los tiempos sombríos de los que os habéis escapado. Cambiábamos de país como de zapatos a través de las guerras de clases, y nos desesperábamos donde sólo había injusticia y nadie se alzaba contra ella. Y sin embargo, sabíamos que también el odio contra la bajeza desfigura la cara. También la ira contra la injusticia pone ronca la voz. Desgraciadamente, nosotros, que queríamos preparar el camino para la amabilidad no pudimos ser amables. Pero vosotros, cuando lleguen los tiempos en que el hombre sea amigo del hombre, pensad en nosotros con indulgencia.
A SEDE DE VIVER
A SEDE DE VIVER
A sede de viver, querida amiga,
Permite em labirinto uma saída,
Deixando que esta estrada enfim prossiga,
Porém nos marca sempre pela vida.
Sobrevivi também à dura queda
Embora com fraturas, luxações.
Nem mesmo uma tristeza eterna veda
Os olhos de quem vive as ilusões
Como se fossem náufragos perdidos
Nos mares mais distantes, nos atóis.
Os sonhos tantas vezes são urdidos
Apenas como simples girassóis.
Bebendo, neste instante, num momento,
A vida como fosse um cata-vento.
MARCOS LOURES
A sede de viver, querida amiga,
Permite em labirinto uma saída,
Deixando que esta estrada enfim prossiga,
Porém nos marca sempre pela vida.
Sobrevivi também à dura queda
Embora com fraturas, luxações.
Nem mesmo uma tristeza eterna veda
Os olhos de quem vive as ilusões
Como se fossem náufragos perdidos
Nos mares mais distantes, nos atóis.
Os sonhos tantas vezes são urdidos
Apenas como simples girassóis.
Bebendo, neste instante, num momento,
A vida como fosse um cata-vento.
MARCOS LOURES
ODA A FEDERICO GARCÍA LORCA
Pablo Neruda
Oda a Federico García Lorca
SI pudiera llorar de miedo en una casa sola,
si pudiera sacarme los ojos y comérmelos,
lo haría por tu voz de naranjo enlutado
y por tu poesía que sale dando gritos.
Porque por ti pintan de azul los hospitales
y crecen las escuelas y los barrios marítimos,
y se pueblan de plumas los ángeles heridos,
y se cubren de escamas los pescados nupciales,
y van volando al cielo los erizos:
por ti las sastrerías con sus negras membranas
se llenan de cucharas y de sangre
y tragan cintas rotas, y se matan a besos,
y se visten de blanco.
Cuando vuelas vestido de durazno,
cuando ríes con risa de arroz huracanado,
cuando para cantar sacudes las arterias y los dientes,
la garganta y los dedos,
me moriría por lo dulce que eres,
me moriría por los lagos rojos
en donde en medio del otoño vives
con un corcel caído y un dios ensangrentado,
me moriría por los cementerios
que como cenicientos ríos pasan
con agua y tumbas,
de noche, entre campanas ahogadas:
ríos espesos como dormitorios
de soldados enfermos, que de súbito crecen
hacia la muerte en ríos con números de mármol
y coronas podridas, y aceites funerales:
me moriría por verte de noche
mirar pasar las cruces anegadas,
de pie llorando,
porque ante el río de la muerte lloras
abandonadamente, heridamente,
lloras llorando, con los ojos llenos
de lágrimas, de lágrimas, de lágrimas.
Si pudiera de noche, perdidamente solo,
acumular olvido y sombra y humo
sobre ferrocarriles y vapores,
con un embudo negro,
mordiendo las cenizas,
lo haría por el árbol en que creces,
por los nidos de aguas doradas que reúnes,
y por la enredadera que te cubre los huesos
comunicándote el secreto de la noche.
Ciudades con olor a cebolla mojada
esperan que tú pases cantando roncamente,
y silenciosos barcos de esperma te persiguen,
y golondrinas verdes hacen nido en tu pelo,
y además caracoles y semanas,
mástiles enrollados y cerezas
definitivamente circulan cuando asoman
tu pálida cabeza de quince ojos
y tu boca de sangre sumergida.
Si pudiera llenar de hollín las alcaldías
y, sollozando, derribar relojes,
sería para ver cuándo a tu casa
llega el verano con los labios rotos,
llegan muchas personas de traje agonizante,
llegan regiones de triste esplendor,
llegan arados muertos y amapolas,
llegan enterradores y jinetes,
llegan planetas y mapas con sangre,
llegan buzos cubiertos de ceniza,
llegan enmascarados arrastrando doncellas
atravesadas por grandes cuchillos,
llegan raíces, venas, hospitales,
manantiales, hormigas,
llega la noche con la cama en donde
muere entre las arañas un húsar solitario,
llega una rosa de odio y alfileres,
llega una embarcación amarillenta,
llega un día de viento con un niño,
llego yo con Oliverio, Norah
Vicente Aleixandre, Delia,
Maruca, Malva Marina, María Luisa y Larco,
la Rubia, Rafael Ugarte,
Cotapos, Rafael Alberti,
Carlos, Bebé, Manolo Altolaguirre,
Molinari,
Rosales, Concha Méndez,
y otros que se me olvidan.
Ven a que te corone, joven de la salud
y de la mariposa, joven puro
como un negro relámpago perpetuamente libre,
y conversando entre nosotros,
ahora, cuando no queda nadie entre las rocas,
hablemos sencillamente como eres tú y soy yo:
para qué sirven los versos si no es para el rocío?
Para qué sirven los versos si no es para esa noche
en que un puñal amargo nos averigua, para ese día,
para ese crepúsculo, para ese rincón roto
donde el golpeado corazón del hombre se dispone a morir?
Sobre todo de noche,
de noche hay muchas estrellas,
todas dentro de un río
como una cinta junto a las ventanas
de las casas llenas de pobres gentes.
Alguien se les ha muerto, tal vez
han perdido sus colocaciones en las oficinas,
en los hospitales, en los ascensores,
en las minas,
sufren los seres tercamente heridos
y hay propósito y llanto en todas partes:
mientras las estrellas corren dentro de un río interminable
hay mucho llanto en las ventanas,
los umbrales están gastados por el llanto,
las alcobas están mojadas por el llanto
que llega en forma de ola a morder las alfombras.
Federico,
tú ves el mundo, las calles,
el vinagre,
las despedidas en las estaciones
cuando el humo levanta sus ruedas decisivas
hacia donde no hay nada sino algunas
separaciones, piedras, vías férreas.
Hay tantas gentes haciendo preguntas
por todas partes.
Hay el ciego sangriento, y el iracundo, y el
desanimado,
y el miserable, el árbol de las uñas,
el bandolero con la envidia a cuestas.
Así es la vida, Federico, aquí tienes
las cosas que te puede ofrecer mi amistad
de melancólico varón varonil.
Ya sabes por ti mismo muchas cosas.
Y otras irás sabiendo lentamente.
lo haría por tu voz de naranjo enlutado
y por tu poesía que sale dando gritos.
Porque por ti pintan de azul los hospitales
y crecen las escuelas y los barrios marítimos,
y se pueblan de plumas los ángeles heridos,
y se cubren de escamas los pescados nupciales,
y van volando al cielo los erizos:
por ti las sastrerías con sus negras membranas
se llenan de cucharas y de sangre
y tragan cintas rotas, y se matan a besos,
y se visten de blanco.
Cuando vuelas vestido de durazno,
cuando ríes con risa de arroz huracanado,
cuando para cantar sacudes las arterias y los dientes,
la garganta y los dedos,
me moriría por lo dulce que eres,
me moriría por los lagos rojos
en donde en medio del otoño vives
con un corcel caído y un dios ensangrentado,
me moriría por los cementerios
que como cenicientos ríos pasan
con agua y tumbas,
de noche, entre campanas ahogadas:
ríos espesos como dormitorios
de soldados enfermos, que de súbito crecen
hacia la muerte en ríos con números de mármol
y coronas podridas, y aceites funerales:
me moriría por verte de noche
mirar pasar las cruces anegadas,
de pie llorando,
porque ante el río de la muerte lloras
abandonadamente, heridamente,
lloras llorando, con los ojos llenos
de lágrimas, de lágrimas, de lágrimas.
Si pudiera de noche, perdidamente solo,
acumular olvido y sombra y humo
sobre ferrocarriles y vapores,
con un embudo negro,
mordiendo las cenizas,
lo haría por el árbol en que creces,
por los nidos de aguas doradas que reúnes,
y por la enredadera que te cubre los huesos
comunicándote el secreto de la noche.
Ciudades con olor a cebolla mojada
esperan que tú pases cantando roncamente,
y silenciosos barcos de esperma te persiguen,
y golondrinas verdes hacen nido en tu pelo,
y además caracoles y semanas,
mástiles enrollados y cerezas
definitivamente circulan cuando asoman
tu pálida cabeza de quince ojos
y tu boca de sangre sumergida.
Si pudiera llenar de hollín las alcaldías
y, sollozando, derribar relojes,
sería para ver cuándo a tu casa
llega el verano con los labios rotos,
llegan muchas personas de traje agonizante,
llegan regiones de triste esplendor,
llegan arados muertos y amapolas,
llegan enterradores y jinetes,
llegan planetas y mapas con sangre,
llegan buzos cubiertos de ceniza,
llegan enmascarados arrastrando doncellas
atravesadas por grandes cuchillos,
llegan raíces, venas, hospitales,
manantiales, hormigas,
llega la noche con la cama en donde
muere entre las arañas un húsar solitario,
llega una rosa de odio y alfileres,
llega una embarcación amarillenta,
llega un día de viento con un niño,
llego yo con Oliverio, Norah
Vicente Aleixandre, Delia,
Maruca, Malva Marina, María Luisa y Larco,
la Rubia, Rafael Ugarte,
Cotapos, Rafael Alberti,
Carlos, Bebé, Manolo Altolaguirre,
Molinari,
Rosales, Concha Méndez,
y otros que se me olvidan.
Ven a que te corone, joven de la salud
y de la mariposa, joven puro
como un negro relámpago perpetuamente libre,
y conversando entre nosotros,
ahora, cuando no queda nadie entre las rocas,
hablemos sencillamente como eres tú y soy yo:
para qué sirven los versos si no es para el rocío?
Para qué sirven los versos si no es para esa noche
en que un puñal amargo nos averigua, para ese día,
para ese crepúsculo, para ese rincón roto
donde el golpeado corazón del hombre se dispone a morir?
Sobre todo de noche,
de noche hay muchas estrellas,
todas dentro de un río
como una cinta junto a las ventanas
de las casas llenas de pobres gentes.
Alguien se les ha muerto, tal vez
han perdido sus colocaciones en las oficinas,
en los hospitales, en los ascensores,
en las minas,
sufren los seres tercamente heridos
y hay propósito y llanto en todas partes:
mientras las estrellas corren dentro de un río interminable
hay mucho llanto en las ventanas,
los umbrales están gastados por el llanto,
las alcobas están mojadas por el llanto
que llega en forma de ola a morder las alfombras.
Federico,
tú ves el mundo, las calles,
el vinagre,
las despedidas en las estaciones
cuando el humo levanta sus ruedas decisivas
hacia donde no hay nada sino algunas
separaciones, piedras, vías férreas.
Hay tantas gentes haciendo preguntas
por todas partes.
Hay el ciego sangriento, y el iracundo, y el
desanimado,
y el miserable, el árbol de las uñas,
el bandolero con la envidia a cuestas.
Así es la vida, Federico, aquí tienes
las cosas que te puede ofrecer mi amistad
de melancólico varón varonil.
Ya sabes por ti mismo muchas cosas.
Y otras irás sabiendo lentamente.
Lee todo en: Oda a Federico García Lorca - Poemas de Pablo Neruda http://www.poemas-del-alma.com/pablo-neruda-oda-a-federico-garcia-lorca.htm#ixzz3GGIOxrFV
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