sexta-feira, 31 de outubro de 2014

NOSSOS RUMOS






NOSSOS RUMOS


Somando nossos rumos, nada vejo
Senão a mesma angústia costumeira
E o corte se traçando em tal bandeira
Apenas num detalhe mais sobejo,

O quanto poderia e até desejo
Diverso da emoção aonde eu queira
Ousar nesta esperança qual bandeira
Momento mais feliz; em luz almejo,

Esbarro nos meus erros e pressinto
Este caminho ainda morto ou quase extinto
Marcado pela insânia mais venal

E o quanto poderia ser alheio
Ainda na verdade devaneio
E vago além do imenso sideral.

MARCOS M COUTINHO

TRANQUILAS SEARAS

TRANQUILAS SEARAS


Searas tão tranquilas; poderia
Ainda imaginar quem tanto fez
E ao fundo se tocando a insensatez
A vida se traduz amarga e fria,

O todo se transforma em heresia
E o canto noutro rumo gera a tez
Nefasta aonde o mundo em que tu crês
Deveras do passado não sabia,

Esbarro nos meus erros e persisto,
Enquanto ainda tento ser benquisto
Embora saiba bem quanto relutas,

As noites mais atrozes são diversas
E nelas quando as vozes tu dispersas
Traduzem noites vagas, mas astutas.

MARCOS M COUTINHO

MINHAS SENDAS

MINHAS SENDAS

Refaço minhas sendas noutro instante
E o quando pude ver e nada havia
Marcando em dissonante fantasia
O passo que produzo doravante

O mundo com certeza não garante
Sequer a mais suave melodia
E o tempo se transforma em agonia
Cenário tantas vezes vão; farsante.

O peso da esperança verga as costas
E o quanto se procura nas respostas
Jamais se imaginara num alento,

E tanto quanto pude ou mesmo em nada
A sorte desta forma desenhada
Esbarra no cenário em vil tormento.


MARCOS M COUTINHO

A FARSA SE MONTANDO


A FARSA SE MONTANDO

Conduz a nossa sina ao mesmo não
E vejo assim a farsa se montando
E aonde poderia ser mais brando
Perdendo da esperança uma noção

O canto se transforma em turbilhão
Minha alma neste instante já nevando
O caos dentro do sonho se moldando
Expressa a discordante direção

E o caos se aproximando nada impede
O todo noutro rumo não procede
E o quanto acreditara morre aquém

Do sonho mais feliz ou mesmo em messe
Apenas o vazio ora se tece
E a morte neste instante me convém.

MVL

O SONHO MAIS DIVINO

O SONHO MAIS DIVINO


O sonho mais divino poderia
Traçar outro momento mais feliz,
Mas quando a própria vida já desdiz
Gerando tão somente esta agonia,

A morte noutro rumo tocaria
Uma esperança é frágil chamariz
E o quanto se caminha por um triz
Na noite mais atroz, calada e fria,

Espreito cada passo e nada vindo
Aonde imaginara ser mais lindo
O caos se aproximando em tom medonho,

Meu verso se perdendo sem ter nexo,
Do todo quanto trago algum reflexo
E nele o meu caminho em dor eu ponho.

MVL

TEU CARINHO


TEU CARINHO

Encontro teu carinho em noite atroz
E sinto o quanto pude e nada havia,
A sorte se transcorre em agonia
Ninguém inda ouviria a minha voz,

O rústico desenho em falsos nós
A morte me rondando dia a dia
E o corte noutra face se veria
Marcando com terror o turvo algoz,

Esgoto a minha vida no vazio
E quando algum cenário eu desafio
Encontro tão somente a solidão,

E errático cometa tempo afora,
O barco noutro rumo desancora
E trama a cada instante o mesmo não.


MVL

CERRAÇÕES - com estrambote


CERRAÇÕES COM ESTRAMBOTE


Adentro as cerrações e vejo apenas
O medo desenhado em cada rosto
E o quanto da esperança é decomposto
Num ato aonde em fúria me condenas

As horas poderiam ser mais plenas,
O canto na verdade em tal desgosto
Explode num atroz e a contragosto
Meus sonhos; sem defesas, envenenas.

Encontro a solidão e nela entranho
O quanto poderia ser um ganho
Agora se transforma em temporal,
Errático desenho em desalento

E quando; outro caminho em vão eu tento
Desfaço velhos laços, vou sozinho,

“A voz não mais ressoa em liberdade
E apenas solidão agora invade”

Um passo sem destino, e mais mesquinho.

MVL

O MUNDO EM GLÓRIA


O MUNDO EM GLÓRIA

Eu quero ter a luz aonde sorte molde
O mundo em glória e seduzida a mente
Pudesse ter no olhar o que já não desmente
Quem tanto sempre quis e com certeza é molde

De um novo tempo aonde imensidão produz
Momento raro e posso acreditar quem sabe
Bem antes mesmo que isto ainda em vão desabe
Ao sonegar em mim o que transcenda à luz

O peso do viver ao se mostrar tamanho
E nele tento a sorte ainda que se tardia
Vencendo em paz esta dor e a agonia
Aonde o tempo mostre além de qualquer ganho

A sorte benfazeja e nela tal ventura
Perpetuando assim o que deveras cura...


MVL

LUZ E MESSE

LUZ E MESSE

Aonde posso buscar luz e messe
Adentro cruzes e percebo o não
Que tanto nego se eu mergulho em vão
Vazia senda o meu olhar já tece

E tanto pude imaginar em prece
A luz em glória dominando o chão
Mergulho agora neste sol, clarão
E nele o brilho que o terror esquece

Mortalhas vivas abandono e medo
Pudesse enfim reconhecer o ledo
Devastação ao propagar vazios

E tanto vejo este cenário aonde
O mundo tétrico e feroz se esconde
Ao sonegar o que pudesse estios.

MARCOS

AMOR EM CRISTO





AMOR EM CRISTO


Semeio o amor em Cristo e nada mais,
Perdoem se me exalto, mas não perco
O rumo me sabendo sempre o esterco
Menor entre os menores, busco o cais,

Respostas entre tantos vendavais
Em Teu olhar, o quanto já me acerco
E sei da podridão que é feita em cerco,
Por tantos que se pensam magistrais.

O Rei que em sua vida foi mendigo,
Escuta cada frase que ora digo
Sabendo ter de mim o imenso amor,

Embora seja nada vezes nada,
Minha alma em Ti, Senhor, iluminada,
Seguindo- Te deveras onde eu for.


MARCOS LOURES

CORDEIRO




CORDEIRO


Não deixe de pensar no quanto a luz
Emana-se daquele que, cordeiro
Um dia se fizera por inteiro
E morto, vivo está sem ter a cruz,

À redenção deveras nos conduz,
E nele todo o amor, mais verdadeiro,
Sabendo ser Senhor, Irmão, canteiro
Cevado com ternura, em Ti Jesus.

Amar quem nunca quis o teu amor,
E perdoar sem mesmo te pedirem,
Porquanto teus olhares sempre mirem

O olhar de quem se fez o REDENTOR,
Assim sem perguntar sequer por que,
Viver o que nossa alma apenas, crendo vê.


MARCOS LOURES

MEU CARO FILHO




MEU CARO FILHO

Pudesse te ensinar meu caro filho
O quanto se mostrara nesta vida,
Do amor que quando expõe sem despedida
Caminho mais fantástico onde eu trilho,

E quando vejo o Pai me maravilho,
E quem conhece bem jamais duvida
Do amor e da verdade, redimida
E nela cada passo que palmilho,

Somente assim eu posse te dizer
Verás o verdadeiro e bom prazer
Que a igreja se mostrando em dimensão

Superna seja exposta, creia em mim,
Tu és herdeiro mesmo do Jardim,
E o altar seja somente o CORAÇÃO.

MARCOS LOURES

FALAR DO AMOR

FALAR DO AMOR?

Falar do amor? Quem dera fosse além
De meras ilusões, frágeis e espúrias,
Depois de tantos risos, as lamúrias,
O nada que entre nada se contém.

Porquanto em frases soltas me convém
Dizer do quanto houvera em mil luxúrias,
Apenas penas rudes ou incúrias
Saber que no final serei ninguém.

Falar de amor é fácil, disto eu sei,
Semente se espalhando em tosca grei
Jamais frutificasse além do vago,

Falar e ter amores incontáveis,
Banquete feito em rotas intragáveis,
No turbilhão espúrio de um afago...

MARCOS LOURES

HERÓIS DA PÁTRIA

HERÓIS DA PÁTRIA


Os ossos entrepostos, genocídios,
Os postos de guerrilha, o fátuo fogo,
E quando se escutasse qualquer rogo,
Apenas vermes vejo de hominídeos

A bomba ecoa a voz deste nonsense
Imenso que começa a cada instante,
O riso de quem fora algum gigante
Explode no sorriso de quem vence.

Crianças mutiladas, mortos-vivos,
E a fúria sem sentido, ou se perdendo,
A soma mostra sempre um dividendo
Somado por facínoras altivos.

Enquanto engravatados dizem nada,
A multidão espreita, destroçada...

MARCOS

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

LEVANDO A MINHA VIDA


LEVANDO A MINHA VIDA


Levando a minha vida à ferro e fogo
Jamais eu jogarei esta toalha,
A sorte dominando não espalha
Sequer alguma coisa além do rogo,

E quando desta vida é feito um jogo
A morte se mostrando em cordoalha,
Aos poucos a sanguínea face talha
E tudo se resume no não ser.

Não quero ter nas mãos qualquer poder,
Apenas perdoar e tanto amar,
Não quero outro holocausto e neste tanto,

O fausto se mostrando em cada canto,
Amor sem ter medidas: MEU ALTAR!


MARCOS LOURES

AMAR; E SER FELIZ


AMAR; E SER FELIZ


Amar; e ser feliz é simplesmente
O que se quer na vida e nada mais,
Medonhas faces ditam temporais
Enquanto dominando frágil mente

A face demoníaca, serpente
Bebendo nos sanguíneos rituais
E quando se percebem mais venais,
Maior a caradura, vil semente.

Partindo do princípio que meu Pai
Também é meu Irmão e tanto quero
O Seu amor tão puro e mais sincero,

Jamais quem tanto adora a Cristo trai,
Mas quando nos banquetes constantinos
Eu vejo em podres faces desatinos.

MARCOS LOURES

REFLUXO

REFLUXO


Pudesse acreditar num novo dia,
Embora a solidão rude prossiga,
A morte, companheira, velha amiga,
Prepara uma armadilha, em ironia.

O quase que deveras poderia
Traçar um rumo mágico me diga
Da velha sensação que não consiga
Tramar outra versão desta utopia.

Bebendo cada cálice, me calo,
E vejo o amanhecer como de estalo
Arranco os olhos e posso ver enfim,

A fera que se acoita no espinheiro
Mergulho no final desfiladeiro
E volto sem sentir, para onde vim...

MARCOS LOURES

SATÂNICO

SATÂNICO

Nas mãos deste satânico canalha
O beijo de quem ama sem limites,
Jamais sem ter sequer quem delimites
Expressas o que a fonte amarga espalha,

Aguardo uma estocada, outra navalha,
Mortalha se mostrando onde credites
O todo que sem fim sempre acredites
Enquanto uma defesa tola falha,

Não quero outro sinal tampouco possa
Transporto dentro da alma a imensa fossa
E o fogo se espalhando em fúria e pânico,

Sorriso tão jocoso num alforje
Mostrando que quem ama, ao fundo, forje,
Tramando um ledo engano messiânico...

MARCOS LOURES

SOBRE A FÚRIA



SOBRE A FÚRIA

Divago sobre a fúria e quando oponho
Meu rumo aos que tanto preferiste,
Mantendo o teu olhar agora em riste,
Negando assim decerto cada sonho,

O fardo se mostrara aonde eu ponho
E tanto não me queres e feriste
Na vastidão aonde se persiste
O mundo em tez temível, sou medonho.

Opaca noite em brumas, perco a lua
E tanto quanto ausente continua
Enquanto vida houver neste que tanto

Bebera do passado em juventude
E agora noutra senda se transmude,
Rasgando a sordidez de um tosco manto...

MARCOS LOURES

FREQUENTEMENTE


FREQUENTEMENTE

Frequentemente espero alguma luz
Frequente mentira da ilusão
Que traz a velha faca em mansidão
E a cada nova cova me conduz.

O pouco que pudera; a fera em jus,
Hematófaga louca rasga o chão
E os dias ilusórios que virão
Preparam cada espinho para a cruz.

Pagando outra promessa, outro milagre,
O vinho apodrecido que avinagre
E o amargo toma conta do poema,

A sábia fantasia em que se pose,
Grassando o quanto houver metamorfose,
O corpo do imbecil poeta crema...

MARCOS LOURES

A ANTIGA NEGAÇÃO

A ANTIGA NEGAÇÃO

A antiga negação voltando à tona,
Ourives deste esterco que me deste,
A face mais sutil, veneno e peste,
Nem mesmo a solidão atroz abona,

Enquanto uma alegria me abandona
O crápula venal, meu peito veste,
E quando ao infinito o sonho investe,
Apenas o vazio inda ressona.

Rasgando o quanto fora e nunca houvera
Satânica figura beija a fera
E a farsa se desnuda em nova face.

Presumo o que se fez outrora cínico
E com olhar sutil, por vezes clínico,
Bêbado do nada, sou impasse...

MARCOS LOURES

HOMICÍDIOS

HOMICÍDIOS

As mãos ensanguentadas pela vida,
Dos homicídios tantos cometidos,
Os suicídios trago e em meus sentidos
A sorte morte aporta uma saída.

A terra que jamais vi dividida,
Os olhos embotados, mil ruídos,
As presas entre as mãos, os destruídos
Caminhos onde bebo outra ferida.

Não mais suportarei sequer um dia,
Meus pés significando poesia,
Grisalhos horizontes, rotas pontes.

E o verme caminhando pelas ruas
Envolto pelas sombras seminuas,
Traduzem o que trazes e me apontes...

MARCOS LOURES

A FARPA QUE DEIXASTE


A FARPA QUE DEIXASTE



A farpa que entre escarpas tu deixaste
E assim me consumiste sem perdão,
Moldando a nova queda; onde estão
Fadados os meus dias, vão desgaste,

E quando se rompendo qualquer haste
O peso transformando a direção
Morrendo sem saber da redenção
Na qual e pela qual tu sonegaste,

Apenas caminhando e nada mais,
Alçando meus diversos funerais
Renasço a cada instante noutra face,

Porquanto a poesia me alimenta,
E nela se percebe esta tormenta
Aonde o meu vazio já se trace...

MARCOS LOURES

EPITÁFIO

EPITÁFIO

O sangue apodrecido em minhas veias,
Emaranhadas teias deste nada
A vida ao quanto fora destinada
Reflete a solidão que inda não creias.

Os olhos de Satã; doces candeias,
As marcas de uma sorte malfadada
E o encanto refletindo a punhalada,
Inutiliza o canto das sereias.

Morrer sorvendo todo esse veneno
E quanto mais feroz, mais me apequeno,
Acreditando em vão no quanto houvesse,

Restara a hipocrisia de outra prece
Um sorriso facínora, pois cálido,
Tomando o corpo inerte, inerme, esquálido...


MARCOS LOURES

CADÁVERES




CADÁVERES

Cadáveres que ainda tenho em mim
De medos, velhos traumas, do menino
Aonde se pudesse cristalino
Nefando caminhar dita o jardim,

E podre certidão diz de onde vim,
O corte do que fora algum destino,
E tento disfarçar quando fascino
No olhar tão degradado, o mar sem fim.

Pecado após pecado, orçando a conta
O tanto que se vê jamais desconta
O fardo contumaz e tão pesado,

Não tendo mais deveras solução
Ainda sigo a tola procissão
Rumando inutilmente ao meu passado.

MARCOS LOURES

NÃO ME BASTARIA

NÃO ME BASTARIA

Não me bastaria alguma farsa
Tampouco o que jamais eu beberei,
Um vassalo, um bufão jamais um rei,
Prefiro ser da súcia algum comparsa,

A marca de uma fera não disfarça
O verbo que jamais executei,
O amor quando no fundo, nada sei,
Palavra sem sentido em qualquer Barsa.

Ourives deste esterco que me resta,
Observando o vazio pela fresta,
A festa pouco importa, morta a luz.

Não quero mais saber do quanto reste,
Mortalha me servindo como veste,
O féretro, eu carrego feito em cruz.

MARCOS

ERROS

ERROS

Falar dos mesmos erros de um passado
Reflexo do que tanto negaria,
A fome se espalhando em heresia,
O corte sempre atroz e aprofundado,

O beijo muitas vezes renegado,
O verso refletindo o quanto havia
Do pobre que minha alma portaria,
O beijo sem perdão sendo escarrado.

Os dentes que perdi, a vida morta,
A solidão que sórdida ora aporta
A porta se fechando a todo instante.

Meu tempo de viver já se esgotando
O nunca se mostrando desde quando
Uma esperança mera e vã tratante...

MARCOS

FALSA LUZ

FALSA LUZ

Enquanto ainda houver uma esperança,
Mesmo que seja falsa luz espúria,
A vida se mostrando em tal incúria
O verso sem sentido ao fim se lança

Uma verdade tosca me afiança
Tentando amenizar alguma injúria,
Uma alma ora imbecil, pois já depure-a
E volte ao ser que um dia foi criança.

Porém a hipocrisia não sossega,
E volta, enquanto o todo se renega
E apego-me ao cadáver que carrego,

Mil vezes claridade, mas que faço,
Se todo tempo sinto firme o laço
Mantendo-me afinal, atroz e cego...

MARCOS LOURES

O QUANTO RESTA

O QUANTO RESTA


Viver o quanto resta e; simplesmente,
Ousar na coerência de imbecis,
Meus versos que pareçam toscos, vis,
Refletem o que possa em podre mente

Remeto ao meu passado e me percebo,
O velho carcomido por engodos,
E jogo fora os sonhos, podres lodos,
A cada novo tapa que recebo;

Não quero nem pretendo ser além
Do vago que cultivo a cada frase,
Enquanto o trem não vem e a morte atrase
Apenas o mergulho ao nada vem.

E bebo neste cálice a cicuta
Que faz da própria vida, mãe e puta...

MARCOS LOURES

TRANSTORNOS



TRANSTORNOS

Diversos os transtornos que ora enfrento
E vejo se perder qualquer caminho
Aonde semeara algum espinho
O amor já se perdendo solto ao vento,

E quando; algum alento, ainda tento,
Atento caminheiro vou sozinho
E sigo o que pudesse ser carinho,
Mas quando me aproximo, outro tormento,

Negar a face escura da verdade
E tanto se moldar a velha grade
No quanto desagrade quem porfia,

Mereço pelo menos o descanso
E quando ao léu meu verso; ainda lanço,
Mergulho na área torpe e mais sombria...

MARCOS LOURES

ETERNIZANDO O DEMÔNIO







ETERNIZANDO O DEMÔNIO

Somente ao dominar o populacho
Eternizando assim este demônio
Vendido como fosse um patrimônio
E nele cada fonte trama um facho

Da etérea desventura de um arcanjo
E assim ao se vender a torpe ideia
Fazendo um pandemônio na plateia
Demonstra com terror o podre arranjo,

Não vejo esta figura caricata
Idêntica ao senhor em barbas fartas
E quando sobre as mesas vejo as cartas
O quanto no vazio se desata

A cena se repete e já transforma,
Os dois em tão igual, terrível forma.

MARCOS LOURES

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

MÉIS E FÉIS


MÉIS E FÉIS

Dos méis e féis a vida se abarrota
E quando vejo assim já se retrata
Em mim a sorte amarga ou quando grata
Vencendo ou se perdendo noutra cota,

Paixão que tantas vezes nos embota,
Partindo do que fora a sorte se ata
Na sorte de quem tenta e desacata,
Porém quando no sonho se rebrota

A vida noutra vida, diz do quando
Amor em novo amor se transformando
Em ciclos repetidos, mas diversos

Assim valendo a pena cada dia,
E desta forma louvo a poesia
E tento me expressar em poucos versos...

MARCOS

UM NOVO MUNDO





UM NOVO MUNDO

Abarrotando o sonho com promessas
E delas outros sonhos renascendo,
E quando; um novo mundo, agora acendo
As horas mais diversas recomeças

E perco vez em quando a dimensão
Do todo feito em partes tão miúdas
E quando com ternura tu me ajudas
Eu sei que noutros tempos mostrarão

A sorte abençoando cada trama
E tendo esta certeza não mais teme
Quem sabe ter sob os olhos vela e leme

E tanto quanto pode também ama,
Viver esta seara ora bendita,
Caminho que emoção deveras dita.

MARCOS LOURES

TEM DIAS



TEM DIAS...


Tem dias em que penso quanto eu pude
Errar e ter somente a dimensão
Dos erros cometidos, todos vãos
Matando com terror a juventude,

É claro que mudando uma atitude
Eu possa ter ainda a redenção
E vendo no horizonte a direção
Porquanto cada infausto se transmude,

Ainda assim carrego estes sinais
Marcados com terrores sempre iguais
E deles nada vejo nem pudera,

O porto se refaz, embora tarde,
Eu sei que o meu final não se retarde,
Porém aos poucos mato esta quimera.

MARCOS LOURES

MEUS ERMOS E VAZIOS


MEUS ERMOS E VAZIOS


Amante dos meus ermos e vazios
Não pude desvendar qualquer segredo
E quando alguma vez inda procedo
Tentando redimir os vários fios

Persisto e me enredando em desafios
Ao quanto tanto espero e me concedo,
Sabendo decifrar o belo enredo
Deixando para trás invernos frios.

Se eu falo de um amor onde eu pudesse
Sentir além do vento promissor
O canto de um momento em que este amor

Trouxesse e redimisse como a prece,
Que há tanto se perdera em turva cena,
Aonde uma alma audaz assim serena?


MARCOS LOURES

REDENTORA PAISAGEM




REDENTORA PAISAGEM

Aonde se fizesse a redentora
Paisagem entre prados, sonhos raros,
Os dias se mostrassem bem mais claros
Do quanto no passado sempre fora

A vida noutro tanto, sonhadora,
E nela meus momentos mais amaros
Ainda que enfrentasse desamparo
Mantendo esta figura protetora,

Ausência dita agora este seara
E quando a solidão já se escancara
A escara aprofundada, imensa chaga,

Somente a poesia me consola,
E quando a fantasia ceva a mola
Ainda em noite escusa vem e afaga.

MARCOS LOURES

COVARDE

COVARDE

O omisso é criminoso tanto quanto
Quem age com as garras de Satã
Palavra sem ação se torna vã,
O vago gera apenas desencanto,

Não posso me conter, por isso canto,
Presente se traduz num amanhã
Imagem do canalha por malsã
Gerando no futuro a dor e o pranto.

Ladrões? Igrejas trazem aos punhados,
O dízimo não salva seus pecados
Tampouco o fogo fátuo queima ou arde,

Quem alimenta a fúria aos miseráveis
Demonstram simplesmente em execráveis
A imagem mais imunda de um covarde...

MARCOS LOURES

O TEMPO AUDAZ

O TEMPO AUDAZ


Aonde o tempo audaz jamais se cansa
E trama sem segredos nova queda
Por quanto não concebo outra moeda
Tentasse discernir uma esperança,

Somático caminho em temperança
Erguendo a própria seda que inda veda
E nela a leda sorte já se arreda
Deixando para trás esta aliança,

Teimando contra tudo e contra todos,
Adentro com ternura poços, lodos
Invento um Eldorado, um Xangrilá

Sabendo que talvez ainda minta
Mesmo se esta vontade agora extinta
De novo em luz temível nascerá.

MARCOS LOURES

VELHOS DEUSES

VELHOS DEUSES

Os famintos, ébrios miseráveis,
Prostituídas esperanças pelas ruas
E as velhas rapineiras, rudes, cruas,
Nas fúrias-preconceito- insaciáveis,

Os vermes comem restos intragáveis
E em sórdida presença continuas
Nas missas almas podres seguem nuas
Pagando seus pecados impagáveis.

Não mais imaginar outro cenário
Há tanto desenhado e refletindo
O imundo ser humano, produzindo,

O esterco aonde um deus é necessário,
Percebo que os milênios se refletem
Nos deuses imbecis que se repetem.

MARCOS LOURES

CONTEMPORANEIDADE

CONTEMPORANEIDADE

Contemporaneidade dita a marca
Do quanto nada tendo, vale tanto,
E sei do mais complexo se, entretanto,
A vida noutra vida não abarca

O quando poderia sendo parca
A sorte que sem nexo ainda canto,
Vivenciando o medo, eu me agiganto,
E o corte do passado não mais arca

Com vários entrepostos vida e morte,
E navegando assim exposto ao corte,
Serpenteando a vida entre os penedos,

Não posso conceber se há soluções
Nem mesmo se deveras os verões
Encontram-se ao alcance dos meus dedos...


MARCOS LOURES

PELADA NA VÁRZEA

PELADA NA VÁRZEA

O povo num é bobo não sinhô,
Ao vê a dotorada engravatada
Juntando cum a corja acanaiada
Cum coração valente, apois, votô;

O moço inté bunito, um senadô
Das praia mais famosa e frequentada,
Um vêi que fala mucho e num diz nada,
Nas urna, o voto contra sapecô.

Agora veno a vaca que atolô-se
O jogo qué mudá cumo se fosse
Pelada no campim du cimitéro.

Nem que fosse preciso, pego a foice
E o moço bunitim, que agora foi-se
Pérparo pra armoçá i nem tempéro.

MARCOS LOURES


OBS CAMPIM DO CIMITÉRO O PESSOÁR DE MURIAÉ DA MINHA GERAÇÃO CUNHECEU BEM, QUALQUER COISA CHUTAVA A BOLA PRO MATO PRA TERMINAR O JOGO QUE TAVA PERDENDO

DE BANDEJA







DE BANDEJA

Servindo de bandeja esta esperança
A carne exposta ao fio da navalha,
Enquanto semeara e se retalha
A fúria do que tenta nos alcança,

E nada resistindo em aliança
Mantendo a tosca brasa em vil fornalha
Assim ao se entreter decerto espalha
O resto que inda trago na lembrança

Do tempo aonde quis felicidade,
Apesar do futuro e da verdade
Sondando cada réstia do que fora

Há tempos redenção, mas hoje vem
Refere-se ao jamais, e quando alguém
Ainda teima; a luz: desoladora...

MARCOS


DESESPERO DAS PULGAS

DESESPERO DAS PULGAS

Quando vejo o desespero de quem julga
Que o pensamento mor de uma nação
Morde com ternura e com tesão,
Cansado o velho cão da podre pulga

Resolve sem grilhões seguir liberto,
E o carniceiro atroz, acostumado
Ao sangue dos humildes derramado,
Mantendo o ferimento sempre aberto.

A voz do povo outrora um oprimido
Retumba como fosse novidade
E o abutre sem saber saciedade
Se sente, sem a máscara ofendido.

Não conhecem sequer o sertanejo,
História? Ou não leram ou têm pejo.

MARCOS

A MORTE ESCANCARADA

Nem quando espero a morte escancarada
Escárnios entre farsas, ódios, vícios,
Cavando com meus nãos os precipícios
A queda em todo vão preconizada,

E quase se percebe ainda o nada,
E dele os meus diversos edifícios
Gerados pelos ossos dos ofícios
E a fonte há tanto tempo abandonada,

Resisto ao que talvez trouxesse ainda
O tempo de sonhar. Se a dor infinda
Brindando com o fato de jamais

Saber de vinhos brancos, tintos. Tino,
Levando ao que deveras assassino,
Meu corpo entre os abutres, funerais...


MARCOS LOURES

CARCARÁ

CARCARÁ

O antigo carcará sobrevoando,
Na espreita do cadáver do mendigo,
Imagem demoníaca e me instigo
Tentando imaginar como e quando,

O semimorto ser, velho esmolando,
O podre odor nas ruas e prossigo,
Vencendo qualquer asco e não consigo
Imaginar rapina atroz em bando.

A cena entre os Jardins da morta Sampa,
Entre paredes firmes, já se acampa,
O mesmo rapineiro carcará.

O borrego percebe o quão é forte
E os cães alimentados pela morte,
Pressentem: novo dia raiará...

MARCOS LOURES

ALÉM DO IMPROVÁVEL CAMINHO COM ESTRAMBOTE NO TERCETO FINAL





ALÉM DO IMPROVÁVEL CAMINHO COM ESTRAMBOTE

Trabalho com o tempo do viver
E tento controlar o incontrolável,
Vivendo muito além deste improvável
Caminho sem ter nexo e prazer.

Querer o que pudesse e nunca ter
Salário de uma vida vulnerável
Pudesse ser o tempo palatável
E o tanto do que eu possa perceber,

Mas roço a solidão a cada instante
E faroleiro vago sem sentido,
Bebendo cada gota, ledo olvido,

E tanto se pensara doravante,

“Porém sempre retorno ao mesmo atol
E quando vejo a sombra de outro tanto
Igual ao se vestir com torpe manto,
Ausente do que um dia fosse sol, “

Ilhado dentro em mim, tento arquipélago
E morro em meu abismo, imenso pélago...


MARCOS

RASTROS NOVOS


RASTROS NOVOS

Onde tudo devassara
Rastros novos, dias velhos,
Entre nós escaravelhos
Corpos mortos, noite clara,

Bala à solta, senda rara
Dos olhares meus espelhos
Ao dobrar nossos joelhos,
Nada além do que pensara

Procurando algum juízo
Onde vejo este impreciso
Navegar por entre as ondas

E tu sabes muito bem
Que somente quando vem
Solidão, tu já te escondas...

MARCOS LOURES

MUITOS SERÃO CHAMADOS

MUITOS SERÃO CHAMADOS

Na falta do que seja compreensão
Das diversas maneiras de pensar,
Não vendo; noutra face, a especular
Imagem; logo nego a aceitação.

Talvez por ignorância ou sordidez
Creio no diverso, diabólico,
Qual fora um jesuíta, um apostólico,
Enterro um novo Cristo a cada vez.

Ser cristão permitindo a diferença
Ousando impor limites que são meus,
Maior que fosse mesmo um próprio deus,
Espalho com vigor podre doença;

Por isso, com certeza, divididos,
Dos tantos; muito poucos escolhidos...

MARCOS LOURES

A CADA ESPAÇO




A CADA ESPAÇO


Procurando a cada espaço
Qualquer greta, fresta ou fenda
Onde a sorte se desvenda
No vazio em que ora grasso,

Resta além deste cansaço
E não tendo mais a lenda
Quem deveras não atenda
Dos cigarros maço a maço,

Pegajosa criatura
Em tentáculos sutis,
Vai metendo o seu nariz

E decerto já não cura,
Tanta incúria que se veja,
Morte? Eu sirvo na bandeja...

MARCOS LOURES

terça-feira, 28 de outubro de 2014

SULCANDO EM TERRA AGRESTE



SULCANDO EM TERRA AGRESTE


Vou sulcando em terra agreste
Com meus pés esta cratera
Onde a sorte não se espera
Muito aquém do que me deste,

E se o mundo assim investe
No que fora esta quimera,
Novo tempo atroz e essa era
Do passado se reveste,

Sendo assim ou nada sendo,
O perdido dita a norma
Cada passo se deforma

Nada resta e não se vendo
Do farol a menor luz,
Meu orgasmo é meu obus.

MARCOS LOURES

A VASTIDÃO

A VASTIDÃO

Procurando a vastidão
Entre azuis, verdes e grises
Ondas tantas e deslizes
Onde nada além do não

Percebendo ser em vão
Os caminhos em que dizes
Se deveras cicatrizes
São a minha proteção,

Nada além do que colhesse
E talvez mesmo pudesse
Ser assim alheio a tudo,

Se a fornalha incandescente
É promessa, o que se sente,
Não condiz se ainda iludo.

MARCOS LOURES

MEU PASSADO

MEU PASSADO


Participo do passado
Como fosse a redenção
Vindo da putrefação
O caminho deslumbrado

Onde a sorte, em seu recado
Dita norma e solução
Já não vejo salvação
Pensamento diz pecado,

Resto alheio a cada passo
E se tanto não pudesse
Na verdade esta benesse

Representa o que não faço
Nem pudera se é profundo
Abissal; em treva, inundo.


MARCOS LOURES

CONDENANDO A SORTE


CONDENANDO A SORTE

Condenando assim a sorte
De quem sempre poderia
Acreditar na poesia
Que decerto nos conforte,

Nada tendo deste aporte
Vou moldando em heresia
A mortalha que tecia
O caminho para a morte,

Nada além do amor imenso,
Em que tanto ainda penso
E jamais fora tão meu,

O desejo vira aborto,
O meu sonho agora morto,
Minha sorte se perdeu...

MARCOS LOURES

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

VELHA LENGA-LENGA

VELHA LENGA-LENGA

Já nada mais do quanto poderia
Trazer nova mudança quando vejo
O mesmo olhar facínora com pejo
Que mostra a velha face, hipocrisia.

A morta e sem pudores burguesia
Rescende ao velho e tosco realejo,
Coração renovado; embora, andejo,
Um novo porto quer e buscaria.

Discurso amarelado pela vida,
A corrupção dos homens dividida,
Traduz tolos enredos sem final,

Satã numa gostosa gargalhada,
Sabe que essa corja desnudada
Aguarda por um novo carnaval…

MARCOS LOURES

CURVAS VENAIS

CURVAS VENAIS


A morte trançando o rio,
Suas curvas são venais,
Onde quis os divinais
Caminhares desafio,

E podendo ser estio
Estes tantos vendavais
Nosso amor dita o jamais
E se perde em arrepio

O que um dia desejara
Ser deveras bem mais rara
Sorte imensa em tom suave,

Porém nada do que fomos
Vai ditando o que ora somos,
Cada dia mais se agrave...


MARCOS

DOBRANDO OS SINOS


DOBRANDO OS SINOS

Ao dobrarem estes sinos
Eu me lembro do que fora
Alma nobre e redentora
Desde os tempos de meninos,

Hoje os dias desatinos
Hoje a sorte promissora
Noutra face sofredora
Lastimando estes destinos,

Sinos dobram para quem
Nos meus sonhos inda vem
E transcende à própria vida,

Morte não existe quando
O meu sonho emoldurando,
Até logo é despedida?

Marcos Loures

DOS ETERNOS SOBRADOS DE VILA RICA

DOS ETERNOS SOBRADOS DE VILA RICA

Das Minas, a resposta eternamente
Trazendo em suas bases, cristianismo,
O sonho mais heroico do civismo,
O mar distante, vive internamente,

Das Minas a resposta é coerente,
Das montanhas Gerais, o inconformismo,
A fúria do pacífico lirismo,
Orgulho mais que luz, vivo e presente.

Das Minas que da brava diamantina,
Do sobrado a riqueza de seu ouro,
No peito do seu povo, feito em couro,

A velha dama eterna qual menina,
Renova-se vencendo os dissabores,
Com a melódica expressão de amores.

MARCOS LOURES

AS VELHAS REZAS


AS VELHAS REZAS

Percebendo as velhas rezas
E entre tantas hoje eu peço
E decerto eu não me impeço
De correr onde tu prezas

Os momentos entre as luzes
Mais diversas que pudesse
E se tendo em mim a prece
Novos cantos reproduzes,

E se ainda não pudera
Contornar cada tropeço
Bem diverso já mereço

Solidão, velha quimera
Onde tanto poderia
Ser além de fantasia.


MARCOS LOURES

NÃO SOU TOLO

NÃO SOU TOLO

Não quero mais falar do quanto houvera,
Tampouco renegar o que já fiz,
Etéreo coração, velho aprendiz,
Aprende co’o rugir da torpe fera,

Marcar com sangue e neve a primavera,
Gerando o desespero donde eu quis
Viver um dia manso e mais feliz,
Embora a solidão espreite e espera.

Um coração vermelho não suporta
A mendicância morta à sua porta,
E sabe dos canalhas disfarçados.

Reparto o velho pão com a alma mansa,
E sei do quanto o sonho, vai e alcança,
Ainda quando os pés são maltratados...

MARCOS

NADA TRAMA


NADA TRAMA

Entre os ódios e os amores
Vida passa e nada trama
A não ser o drama
Muda apenas suas cores,

E se tanto tentadores
Os olhares de quem clama
A mortalha feita em lama
Traduzindo enfim as dores,

Pude outrora acreditar
Neste raio de um luar
Que jamais se fez tão cheio,

E se eu sou o que inda leva
A saudade dita em treva,
Dos meus sonhos, vou alheio...

MARCOS LOURES

ESQUECIMENTO

ESQUECIMENTO

Esquecimento é terrível
Nada resta do que outrora
Nesta sala só decora
Esta foto que implausível

Hoje trama em impossível
Caminhar o que devora,
Sendo sempre e desde agora
Outro rumo percebível.

Noite amarga em leda sorte
Condenado à torpe morte
Nada sou nem mesmo um resto

Do que tanto desejara,
Mas a vida se escancara
De esperança? Nenhum gesto...

MARCOS LOURES

AUDAZ

AUDAZ

Tão audaz por vezes sinto
O meu passo mais atroz,
Mas deveras quieta a voz,
Quando o sonho eu vejo extinto

Adentrando o labirinto
Rio imenso sem a foz,
Não encontro laços, nós
Tanto amor e ainda minto...

Pude em meio às incertezas
Desvendar as correntezas,
Mas meu barco sem o leme

Nada tem nem porto ou cais
E se bebo os vendavais,
A saudade invade e algeme...

MARCOS LOURES

SEM TER NADA NO HORIZONTE


SEM TER NADA NO HORIZONTE


Ao mover assim o olhar
Sem ter nada no horizonte
Passos traço e se desponte
Novo rumo ou caminhar

Poderia desvendar
O que tanto nega a fonte,
E sem ser estrada ou ponte,
Nada posso desejar,

E somente sendo assim
O princípio dita o fim
E a verdade se esclarece

Joio apenas, morre trigo
E se tanto não prossigo,
Nem o sonho me obedece...


MARCOS

ENTRE ROSAS E JASMINS

ENTRE ROSAS E JASMINS

Eu queria num canteiro
Entre rosas e jasmins,
Encontrar da vida os fins,
E pudesse mensageiro

Do que tanto é corriqueiro,
Mas percebo estes chupins
E deveras nos jardins
Outro tempo o tempo inteiro.

Morte sela qualquer trama
E se a luz inda reclama
É brumosa esta alvorada,

Das roseiras, aridez
Jasmineiro se desfez
Deste sonho sobrou nada.

MARCOS

PROCURANDO UMA ESPERANÇA

PROCURANDO UMA ESPERANÇA



PROCURANDO UMA ESPERANÇA


Procurando uma esperança
Onde tanto nunca havia
Não bebendo a fantasia
A verdade não alcança

Quando a vida em temperança
Transbordando em alegria
Nossa sorte mudaria,
E se quando ao não se lança

Esta voz seguindo alguém
Que decerto nunca vem
E jamais poderei ver,

Nas searas do abandono,
Do caminho em que me adono,
Vou bebendo o desprazer.

MARCOS

DESCALÇO




DESCALÇO

Ao andar sempre descalço
Nas entranhas do espinheiro
Ferimento é corriqueiro
Assim como o cadafalso

E se vejo algum percalço
Nada temo e vou inteiro
Sendo o amor mais verdadeiro
Diamante nunca falso,

O que posso ainda ver
Sombras deste bel prazer,
Mas na essência sempre o fim,

Sonegando melhor sorte,
Sem ter nada que conforte,
Prosseguindo mesmo assim...

MARCOS

O MEU PASSO



O MEU PASSO

O meu passo se excessivo
Nada tem da realidade
E se tanto não agrade
Do meu canto não me privo,

Morro em vida, e semi-vivo
Nada além de uma saudade
Dita o rumo em que esta grade
Desnudara em tom altivo,

Cada vez me procurando
E jamais quando encontrando
Poderia acreditar

No passado revivido,
O meu mundo sem sentido
Vai distante do luar...


MARCOS

MEU BARRACO




MEU BARRACO


Perfilando tais madeiras
Onde faço o meu barraco,
Cada sonho aonde atraco
Barco velho sem bandeiras,

Sortes sempre passageiras,
O meu canto amaro e fraco,
Com terror não contra-ataco
As palavras derradeiras,

Nada tendo senão isto,
Na verdade eu não desisto,
Mesmo sendo solitário,

Navegar sempre é preciso,
Mas de tanto prejuízo
Quero um novo itinerário...


MARCOS

AS CHAVES DO SENTIMENTO


AS CHAVES DO SENTIMENTO


As chaves do sentimento
Ninguém sabe e ninguém vê
O caminho sem por que
O viver sem ter alento

Onde mora o sofrimento
Eu procuro, mas cadê?
A saudade sempre há-de
Fomentar o ferimento,

Sendo assim inusitado
O que tanto fora errado,
Mais errado se apresenta,

Sem ter nada que conforte,
Conformado com a sorte,
Bebo enfim dor e tormenta...

MARCOS

HOJE ME RESTA UMA SAUDADE



HOJE ME RESTA UMA SAUDADE


Angustia-me saber
Do vazio que virá
E se tudo desde já
Transcendendo ao nada ser

Como posso conceber
O que nunca brilhará
Sol deveras negará
Novamente o amanhecer,

Das senzalas, de soslaio
Meu olhar simples lacaio
Já não vê mais liberdade,

Alforria sonegando
O que tanto procurando
Hoje resta esta saudade...

domingo, 26 de outubro de 2014

SOBRE O NADA

Transitando sobre o nada
Caminhando entre os espinhos
Tanta pedra nos caminhos,
Sem futuro a minha estrada,

Onde o sonho fez morada,
Os meus dias são sozinhos
E se nada traça os ninhos,
No vazio uma pousada,

Morte chega e, de repente
Noutro prumo o que se sente,
Um alívio sem igual,

Onde quis a festa imensa
Todo dia me convença
Só restando o funeral.

MARCOS LOURES

MEU AMOR

MEU AMOR

Meu amor é carcereiro
E das chaves o segredo
Com certeza não procedo
Nem se vê noutro canteiro

O cenário aventureiro
De quem busca novo enredo
E se tanto me concedo
Já me dando por inteiro

Nada resta do que fui
E a saudade agora influi
Dominando cada passo,

Na verdade a vida passa,
E deveras em desgraça
Como a vida eu me esfumaço...

MARCOS LOURES

SEM TER NADA

SEM TER NADA


Sem ter nada que socorra
Quem caminha sem alento,
Enfrentando apenas vento,
Adentrando esta masmorra

Antes que esperança morra,
Outro rumo ainda tento,
Mas decerto virulento
Mergulhar aonde ocorra

Tão somente a vil desgraça
Que deveras tanto grassa
Dominando o dia a dia,

Nada sou e nada resta,
Do que outrora fora festa
Hoje apenas poesia...

MARCOS LOURES

NÃO DESISTO

NÃO DESISTO


Não consigo e não desisto
Percebendo inutilmente
O que agora já se ausente,
Mas se vê o quanto insisto,

A minha alma quer Mefisto,
Mas meu corpo sem semente
Procurando quem atente
Contra o quadro que ora assisto,

Vendo o fim se aproximando,
Neste nada desde quando
Quantas vezes bem mais quis,

E se nada resta em mim,
Esperança é qual cupim,
Dos destroços, cicatriz...

MARCOS

CONDENANDO O MEU CAMINHO

CONDENANDO O MEU CAMINHO

Condenando o meu caminho
Ao que tanto se negara
Minha sorte sendo amara
Onde encontro algum carinho?

Se decerto eu sou sozinho
A verdade dobra a vara
E a saudade se escancara
No vazio enfim me aninho,

Busco a luz que não existe
Andarilho sempre triste
Nada encontra em espinheiros

Os meus dias são iguais
Se os meus erros são fatais,
Os meus sonhos verdadeiros...

MARCOS LOURES

ORATÓRIOS

ORATÓRIOS


Fiz dos sonhos oratórios
E dos dias ansiosos
Onde outrora majestosos
Hoje apenas vis e inglórios

Meus olhares merencórios
Em tormentos tenebrosos,
Nada tendo; desejosos
Outros prados sempre flóreos,

Resta apenas o vazio
A semente se gorara
A verdade desafio,

Mundo amargo sorte amara,
O que resta nega o rio,
Nem o sonho mais me ampara...


MARCOS

CADA PASSO





CADA PASSO


Cada passo dado à frente
Poderia ser diverso
Do que tanto ainda imerso
Coração não mais contente,

Procurando, este indigente
Pelo menos o universo
Onde não se vê perverso
O caminho que se tente.

Sendo assim já não consigo
E não tendo algum abrigo,
Bebo imenso temporal,

A saudade dita a sorte
E por certo vejo a morte,
Adentrando o meu quintal.


MARCOS LOURES

CORCÉIS

CORCÉIS


Os meus sonhos são corcéis
E seguindo sem ter rumo,
Todo engodo quando assumo
Disparando tais tropéis

Os medonhos carretéis
Entre medos, farto sumo,
Cada noite assim me esfumo
Em temíveis carrosséis,

Gira mundo, gira a vida,
Roda sempre na contrária
Direção que é temerária

E decerto agora agrida
Quem pensara ser feliz,
E a verdade contradiz...

MARCOS

OS MEUS DIAS MAIS DORIDOS

Os meus dias mais doridos
Entre quedas e tropeço
Na verdade eu reconheço
São presentes merecidos,

Em caminhos divididos
Sem saber este endereço
A mortalha um adereço
Sonhos vejo destruídos,

Nada tendo do que um dia
Outra voz demonstraria
A não ser tolo lirismo,

E se bebo este vazio
Jaulas novas sempre crio
E em tormentas tantas cismo...

MARCOS LOURES

EM TRINCHEIRAS


Dos meus sonhos os soldados
Em trincheiras, ilusões
E se tanto negações
Ditam sortes, lançam dados

Os caminhos mais errados
Com terror e treva expões
Entre tantas decepções
A mortalha é meu legado,

Vida sendo assim exposta,
Retalhando em fina posta
O que fora uma esperança

Contra o vento e a tempestade,
Onde pode a claridade
Se em horror a vida lança?


MARCOS

CORAÇÃO AMARGO E TRISTE

Meu corcel galopa em céus
Tão diversos, versos vãos
E se vejo falsos grãos
Fomentando fogaréus

Os meus dias, quais ilhéus
Enfrentando sempre os nãos
Ao cevar os duros chãos,
Rotos vejo torpes véus,

Nada tenho e não teria
Se somente a fantasia
Habitasse o que ora existe,

Resta apenas deste todo,
Charqueada em pleno lodo,
Coração amargo e triste.


MARCOS LOURES

DESEJOS

DESEJOS

Eu mantenho a multidão
De desejos que não vês, 
Sem delírios e porquês
O que resta é negação, 


Vejo apenas neste não
Tanto amor que se desfez
Ao gerar a estupidez
Nega a sorte e a redenção.


Bebo assim deste veneno
E se tanto não sereno
Coração em face escusa;


Dos sonhares fascinantes
Os meus dias mais distantes
A minha alma mera intrusa...


MARCOS LOURES

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

MEU OLHAR

MEU OLHAR

Meu olhar deveras pasmo, 
Entre fúrias e terrores, 
Ao seguir por onde fores
Por resposta este sarcasmo, 


Vou seguindo e mesmo pasmo, 
Nada tendo além das dores
Cultivando em mim as flores, 
Recolhendo este marasmo, 


Nada vejo e nada sinto
Tanto amor agora extinto
Um velório dentro em mim, 


O que pude adivinhar
Sem ter tréguas, nem lugar, 
Transcorrendo rumo ao fim...



MARCOS 

O QUE TANTO SE PERDEU

O QUE TANTO SE PERDEU

Quantas vezes tu revelas
O que tanto eu quis ouvir,
Mas falando sem sentir
Feito um barco sem as velas


Ao abrires as janelas
Eu pensando no porvir
E se tento resistir, 
Nada apenas inda selas


E se as celas costumeiras
Entre tantas, verdadeiras
Derradeiro dia meu


Enfrentando a dura fera, 
O que tanto inda se espera,
Neste nada se perdeu.


MARCOS

MESMO SEM DIREÇÃO





MESMO SEM DIREÇÃO

Ultrapasso cada muro
Procurando este quintal
Onde amor se divinal
Clareasse o tão escuro

Caminhar em que perduro,
Entre dores, no degrau
Vejo a queda sempre igual, 
Sobre o solo, árido e duro.

Percebendo o que talvez
Já decerto tu não vês
Encontrei a solidão

E se tanto ainda insisto, 
Neste amor, nunca desisto, 
Mesmo ausente a direção...

MARCOS 

ESTELAR CONFORMAÇÃO

ESTELAR CONFORMAÇÃO


Estelar conformação
Constelares ilusões
E se tanto ainda opões
Ao caminho e à direção

Sem saber de algum timão
Enfrentando furacões, 
Os meus dias turbilhões
Esperança dita o não, 

Risco tanto, tanto arisco
E se nada mais confisco
Um corsário em mar deserto,
 
O meu peito sempre aberto, 
Mas amor novo eu arrisco, 
Ao te ver, sonho eu desperto...

MARCOS

ANTES QUE O TERROR VENHA

ANTES QUE O TERROR VENHA


Passo os dias tão confuso
Procurando pela senha
Antes que o terror já venha
E tomando com abuso

Cada sonho, mesmo obtuso
Entre a sombra se desdenha
A verdade que contenha
Este amor ora em desuso, 

Sendo amargo o meu caminho, 
Sendo assim sempre sozinho
Senda nova poderia

Ajudar ao andarilho, 
Mas se em nada inda palmilho,
Minha noite é sempre fria...

MARCOS

A RAINHA DOS MEUS SONHOS

A RAINHA DOS MEUS SONHOS

Dos meus sonhos, a rainha
Dos meus passos, a esperança
Mas agora alma se cansa
E já vê: nunca foi minha


A verdade se continha
No vazio desta dança
Ao romper velha aliança
Nova vida se avizinha, 


E o que fora só tristeza
Hoje em viva correnteza
Poderá beber na foz, 


A alegria de um encanto
E se tanto ainda canto
Quem escuta a minha voz?



MARCOS

A DOR QUE TEÇO

A DOR QUE TEÇO


Pensamento quando ordena
E jamais eu obedeço
Na verdade a dor eu teço
E não mundo nem a cena, 

Vez em quando sinto pena
E se tanto me enlouqueço,
Vou virando assim do avesso
Nova manhã me serena, 

Pude mesmo acreditar
Na beleza de um luar
Mesmo em noite tão brumosa.

A saudade determina
Renascer a velha mina
Que esta vida já não glosa...

MARCOS

REVIVER A PRIMAVERA

REVIVER A PRIMAVERA

Tantos sonhos com intrigas
São por certo enfim perdidos, 
Novos sonhos pressentidos
E bem sei que não mais ligas, 


As palavras inimigas
E entre rumos desvalidos,
Os meus dias percorridos, 
E deveras desabrigas


Quem se fez amante e agora
Quando a noite toma e aflora
Tão somente sabe o fim,


Rara luz onde pudera
Reviver a primavera
Que está morta dentro em mim...


MARCOS

EM CAMINHOS MAIS DIVERSOS

EM CAMINHOS MAIS DIVERSOS

Tanto quanto procurara
Em caminhos mais diversos, 
Tendo apenas os meus versos
Arma frágil se declara, 


Mas se quando imaginara
Nos teus braços, meus imersos, 
Hoje os rumos são dispersos, 
E jamais a noite é clara,


Bebo as sobras do abandono
E me vejo em tanta dor, 
Onde pode sedutor, 


Tolo amor, não mais adono
E mergulho neste instante
Neste charco degradante...


MARCOS

EM DORES FARTAS


EM DORES FARTAS


A vida desvendando em dores fartas
As tropas entre sonhos e corcéis
Bebesse finalmente além dos féis, 
As horas que deveras tu descartas

E sinto sobre a mesa então as cartas
Decifro dos desejos seus papéis
E sendo que vivera mais cruéis
Momentos onde ainda em medos, partas, 

Deixando tão somente o que hoje sou
Escombro que decerto ora restou
Sofrível criatura em tez sombria, 

A sorte é traiçoeira disso eu sei
E quando invade em fúria a nossa grei,
Felicidade aos poucos se perdia...


MARCOS 

SER ATROZ



SER ATROZ

O quanto valeria ser atroz
Se tudo o que talvez mesmo inda queira
Expressa nesta senda a verdadeira
Unindo nossos passos, mesmos nós, 

E assim ao me entregar encontro a voz
Mais bela e com certeza a derradeira
Do amor que se mostrara em luz inteira
Deixando no passado ânsia feroz.

Vencendo assim os medos de quem sonha
E sabe ser a sorte ora tristonha
Bebendo finalmente a água tão pura

E nela com desejos saciados, 
Vivenciando dias bem amados, 
Sedento de prazer, rara ternura...

MARCOS 

EM FORMA DE ORAÇÃO




EM FORMA DE ORAÇÃO


O amor que se fizera uma oração
Domina o pensamento e nos redime,
Porquanto tanto sonho raro estime
Traçando nossos passos na amplidão,

Vivendo com ternura este verão,
Passado com terror atroz de um crime,
Agora neste encanto tão sublime
Delírios sem igual se mostrarão

E tantas vezes quis esta promessa
E nela toda a vida já se expressa
Nesta beleza rara em bela senda,

Assim ao me sentir aprisionado
Nas teias deste encanto, enamorado,
Um novo tempo em vida se desvenda...

MARCOS

A CADA INSTANTE



Vou mirando a cada instante
Procurando algum alento, 
Mas somente o sofrimento
Aos meus braços se adiante, 


No que tange ao diamante, 
Não consigo tal provento
E se ainda teimo e tento, 
Outro engano torturante.


Ante a face do não ser
Ante o risco do jamais, 
Não percorro siderais


Nem mergulho no prazer
Bebo assim da carestia
Onde a taça se esvazia...


MARCOS 

CUMPRINDO O MEU PAPEL

Se esta sorte é mais profana
Se este mundo é tão cruel
Vou cumprindo o meu papel
Demarcado por cigana

E a verdade não engana, 
Bebo farto e raro fel, 
E se pude em carrossel
Nova senda, uma alma ufana

Fora apenas o começo
E se tanto foi tropeço
Bem mereço este final

Vaga sorte em vagos dias, 
São mortalhas onde guias
Naufragando qualquer nau.

MARCOS

LUA RARA

LUA RARA

Prata sobre azul escuro
Lua rara bela senda
E também desejo atenda
Neste quanto já procuro


Novo amor onde me curo
E se tanto fosse lenda, 
Outro rumo se desvenda, 
Muito além do solo duro, 


Risco quando se executa, 
Mesmo a sanha da cicuta
Vale a pena sem pensar, 


Assim sendo a poesia, 
Neste tom mergulharia
Braços pratas do luar...



MARCOS LOURES

ESSE NOVO VENDAVAL

ESSE NOVO VENDAVAL

Ao sentir em cada pelo
Tanto frio quanto gozo, 
O meu mar maravilhoso
Noutros tempos pesadelo, 


E percebo que a envolvê-lo
Um luar tão majestoso, 
Onde fora prazeroso, 
Envolvido em tal novelo


Sem desvelo, zelo tanto
E decerto ainda canto
Procurando outro sinal,


Após tanta calmaria
Enfrentar já não queria
Este novo vendaval...


MARCOS LOURES

VIOLEIRO CORAÇÃO

VIOLEIRO CORAÇÃO


O luar sobre a varanda
Violeiro coração
Ao tentar outra canção
Vai pesando e assim de banda, 

Toda a sorte já desanda
Outros dias não terão
O que fora solução
Noutra voz, nova ciranda

Mergulhando no que fora
Alma nobre encantadora
Dos encantos, mais nenhum, 

Todo sonho que pudesse
Já não tendo não se esquece
O que fora ao menos um.

MARCOS LOURES

FACA PRESA NA CINTURA

FACA PRESA NA CINTURA


Faca presa na cintura
Coração saltando à tona
A verdade me abandona
Sendo inútil tal procura

E se tanto em vão perdura,
A palavra é minha dona, 
Esperança já ressona
E a saudade se amargura, 

Bebo o vinho sonegado
Resta a sombra do passado
Onde ainda tento e trilho, 

O meu peito se escondendo
Noutro sonho enaltecendo
Da ilusão somente o brilho...

MARCOS LOURES

MEU CORCEL

MEU CORCEL

O corcel ganha horizonte
Entre vales e montanhas
Ao saber das suas sanhas
Novo tempo em que se apronte


Nova mina, mesma fonte, 
As partidas, velhas sanhas,
Esperanças em barganhas, 
Nada sabem, rota a ponte.


Vasculhando o meu vazio
Outro tanto em tom sombrio
Nada além do que pudera, 


Mas a lua; esta cigana,
Sobre todos soberana
Aplacando esta quimera...


MARCOS LOURES

SOB O MAR





SOB O MAR

Sob o mar prata da lua
Espalhando poesia, 
Mas deveras nada cria
Quem jamais sonha e flutua

Quando a sorte alheia atua
E desvela a fantasia
Ao verter tanta ironia, 
Não encontro nem a rua, 

E esta nua maravilha
Que decerto tanto brilha
Plena e rara sobre nós, 

Mas ausente de esperança
A minha alma não se lança
Nem mais solto a minha voz.

MARCOS LOURES

A ESPERANÇA



A esperança traz nas ramas
Dias tantos fartos sóis
E se ainda sem faróis
Na verdade não me chamas, 

Quando a vida diz dos dramas
Entre vários contra e prós
Vou cevando caracóis
Imergindo em fúteis lamas, 

Bebo a sorte mesmo ingrata
E se tanto se maltrata
Quem decerto te quis bem,

Eu prefiro a solidão
Nada tendo nem o não, 
Nem este ermo ainda vem...



MARCOS LOURES

TANTO

TANTO



Tanto que te quero agora
E não queres meu querer
Poderia conhecer
Quem teu sonho ora decora


Nada vejo e vou embora
Procurando amanhecer
Lua enorme pude ver, 
Mas a sombra que a devora


Desvalido caminhar
Nada resta sobre o mar, 
Nem o sonho dentro em mim, 


Poesia fora atroz
E sem ter sequer a voz, 
Retornando de onde eu vim...



MARCOS LOURES

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

COMO E AONDE


COMO E AONDE


Perguntando como e aonde
Outro tempo se fizesse
Muito mais que mera prece
Não sei tanto o que se esconde

Neste mundo em cada fronde
Do arvoredo que enobrece,
Mas deveras me enlouquece
Perguntar? Ninguém responde.

Hoje fora a minha sorte 
Amanhã decerto a tua
E se a morte continua

A ditar assim o norte, 
Vejo apenas o final
Num cenário sempre igual...


MARCOS LOURES

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

CARCOMIDO PEITO

CARCOMIDO PEITO

Quem virá depois do todo
Aonde o todo diz não
Ao saber sonegação
Resta apenas mero lodo, 

E mergulho quando vejo
Do cometa esta fagulha, 
Ao sentir quanto se orgulha
Das agruras do desejo, 

Carcomido peito exposto
Entre faca, foice e adaga
Este incêndio não se apaga
Vou seguindo; sempre oposto,

Ao que tanto mais se tece
Quando o sonho uma alma esquece...
                             
MARCOS LOURES

CAMINHO A PERCORRER


Eriçando em arrepio
Pelos fartos, falta ver 
O que nada dá prazer
Mal gerando algum rocio,

E se posso ter no fio
O caminho a percorrer
Acendendo sem saber
Da mortalha este pavio, 

Estopins em tiros certos,
Os meus dias são desertos, 
Mas abertos tais portais, 

Nada vem e nem podia, 
Sendo fútil poesia
Onde estão nossos cristais?

MARCOS LOURES

DAS VEREDAS DO SENÃO

Vejo a foto sei do monte
Onde tantas vezes fui,
O que ainda não influi
E nem toma este horizonte

Quando em mim já desaponte
Este sonho então se pui
O riacho se polui
E não tendo mais a ponte

Ao vencer a corredeira
A alma pária e parideira
Vai bebendo da ilusão,

Mas se vendo mais sozinha,
Nada cria e se avizinha
Das veredas do senão.

MARCOS LOURES

FOLHAS SECAS

FOLHAS SECAS

Com as ramas entre tantas
Folhas secas do arvoredo
Neste outono me concedo
Desengano desencantas


Desacatas, tomas mantas
E se o frio diz segredo, 
Onde posso e retrocedo, 
No vazio te adiantas, 


Sendo assim mutável vida
Quando a sorte está perdida
Despedida pouco vale, 


Neste inverno mais sombrio, 
Ao beber o intenso frio, 
Esperança traz o xale...



MARCOS LOURES

COM O VENTO

Flutuando com o vento
A saudade diz do quando
Outro tempo se formando
Mesmo agora ainda tento


E se nega este alimento
Esperança em leva e bando, 
O caminho desaguando
Noutro tanto sem provento, 


Risco assim o nosso nome
E se ainda ao longe some
Alegria num tropel,


A seara se avermelha, 
A minha alma sem centelha
Não mais crê no fogaréu...



MARCOS LOURES

INÉRCIO BATISTA FIGUEIREDO

INÉRCIO BATISTA FIGUEIREDO

ME LEMBREI DO FIGUEIREDO,
VENDO A CENA ASSIM DE NOVO
MELHOR CUIDAR DE CAVALO
QUE DAR SAÚDE PRO POVO...


MARCOS LOURES

FAZ PARTE DA FAMÍLIA SÔ

PRÁ ABESTADO ESSE SUJEITO
INTÉ É MUITO INTELIGENTE,
COMO É PARTE DA FAMÍA
CAVALO TUMBÉM É GENTE...

MARCOS LOURES

SÓIS IMENSOS

SÓIS IMENSOS

Na alvorada abrem caminhos
Sóis imensos e em seus clarões, 
Novos sonhos e verões
Novos dias, velhos ninhos, 


Já não somos mais sozinhos
Nem tampouco em divisões
As heranças que tu pões
Os melhores, nobres vinhos


São apenas momentâneos
Caminhares instantâneos, 
Mas lavando assim minha alma, 


Pelo menos num segundo
Noutro mundo me aprofundo
E esta cena enfim me acalma.


MARCOS LOURES

MENTIROSO

MENTIROSO

MENTIROSO CANDIDATO
JÁ NEM SABE O QUE MAIS DIZ,
POIS A PARTE QUE MAIS USA,
DA CABEÇA É O SEU NARIZ...

MARCOS LOURES

MILAGRE TUCANO

O SAFADO SENADOR
CUM FUCIM DI SACRIPANTA
CONSEGUIU, ISSO É MILAGRE
SORTÁ O RABO D’UMA ANTA.

MARCOS LOURES

OUTRO RUMO

OUTRO RUMO

Onde a sorte em sombras dita
O que tanto quis diverso
Sinto inútil cada verso
Outro rumo em tez aflita,

E a verdade ora maldita
Traduzindo este universo
Em cenário tão perverso, 
A minha alma ainda grita

E se é vago o caminhar, 
Nada tendo céu e mar, 
Lua morta há tantos anos, 

Onde pus o meu cavalo, 
No vazio me avassalo, 
Recolhendo os desenganos...

MARCOS LOURES

FEITO EM ESTRELAS

FEITO EM ESTRELAS

Neste céu feito em estrelas
Sem as nuvens num clarão
Tão sobeja exposição
Como é bom poder revê-las


E se quando em envolvê-las
O meu canto é de emoção
Já não quero outra versão, 
Quero ao menos recebê-las


E bebendo a claridade
Onde o sonho ora me invade
Vias tantas céu imenso, 


Mas depois nada se vê, 
Outro mundo sem por que,
Da miragem me convenço...


MARCOS LOURES

ESCRITO A GIZ

Já não posso nem olhar
O que tantas vezes quis
E se agora um infeliz
Vê da terra este luar,


Onde posso mergulhar
Se o meu mar é sempre gris
O teu nome escrito a giz
Outra senda a se mostrar


Sobre os sonhos entre cantos
E se agora são quebrantos
Noutros dias ilusões,


Quando vejo esta vereda
Farta luz que se conceda
Ao contrário do que expões.


MARCOS LOURES

PROCURANDO ALGUMA ESTIMA

Dos sonetos que inda faço
Procurando alguma estima,
Na verdade nada rima
E não cedo um só espaço

Quando a sorte atroz eu traço
Com palavra que se prima
Pela insânia mudo o clima
E me encontro amargo e lasso,
 
Fosse assim outro momento
Onde após qualquer tormento
Vicejasse em claro sol, 

Mas medonho o meu caminho,
E se tanto vou sozinho,
Não desvendo um só farol.


MARCOS LOURES

EM NOITE IMENSA

EM NOITE IMENSA


Caminhando em noite imensa
Sem temor, sigo outra vez
Bem diverso do que vês
Novo amor que me convença

A minha alma quer e pensa
Nisto encontro a lucidez
Meus enganos, meus porquês
Desconhecem recompensa

Se eu polvilho em lua e prata
A saudade me arrebata
E domina este cenário,

Tanto amor ditando o rumo
Neste encanto não me aprumo,
Mas é mal que é necessário...


MARCOS LOURES

terça-feira, 21 de outubro de 2014

BAGACEIRA

BAGACEIRA


Os vinhos nesta orgia mais banal,
São quase bagaceiras, nada valem,
Bem antes que estes tolos já me calem,
Eu falo e me transtorno, não faz mal,

Pagando o mesmo preço, é tudo igual,
Porquanto as almas toscas se avassalem,
Não tendo mais os colos que me embalem,
Procuro noutra face o ritual,

Sem louros de vitória, sem a glória
Refaço a cada mês a mesma história
Pagando este aluguel para viver,

Se o verso não tem pé nem tem cabeça
Já serve para aquela que endereça

O resta nem precisa me entender...


MARCOS LOURES

ALERTA ÀS PESSOAS DO BEM

ALERTA ÀS PESSOAS DO BEM


Além de rapineira, uma ave escusa,
Infiltra noutros ninhos, sorrateira,
Cuidado minha gente brasileira,
A velha canalhice volta e abusa,

Vez em quando o bicho de tocaia,
Esconde o bico atroz e o rabo preso,
Porém não sendo tolo ou indefeso,
Jamais pertenceria à podre laia,

O desespero bate na canalha
E mostra em artimanha esta guerrilha,
A corja vem sozinha ou na matilha,
Com cuidado que aí, o golpe falha.

A tucanalha veste várias cores,
Escorpião se esconde atrás das flores...

MARCOS LOURES