sábado, 5 de maio de 2018

COUALT



Quando Coualt; a serpe gigantesca
Alada e multiforme, poliglota
Sabendo distinguir diversa rota
Em forma mais audaz e romanesca

A sorte se adivinha pitoresca
E mostra o quanto possa e se denota
Na invisibilidade além já brota
Em senda quase mesmo quixotesca,

Figura que em fantástico momento
Trazida pelo encanto onde alimento
Meu verso em tal sentido, sem temor,

E quando se anuncia em luz superna
A dita neste ponto ora se externa
Grassando outro momento; em tal vigor.

MARCOS LOURES

COCHIMETL



Cochimetl do comércio divindade
Protege os mais diversos mercadores
E quando noutro rumo além tu fores
Verás a cada instante a claridade

E o deus que tanto possa quando brade
Gestando em primaveras tantas cores
Deixando no passado dissabores
E nisto se aproxima em liberdade,

Ousando em calmaria a vida assim,
No quanto inda resiste dentro em mim
Já nada mais sacia este momento,

E nesta garantia em paz eu sinto
Meu mundo noutro passo em raro instinto
Enquanto em privilégio a luz fomento.

MARCOS LOURES

COATLICUE



Coatlicue domina a vida e a morte
Trazendo em suas mãos todo o futuro
E nisto dita a lua em pleno escuro
Na claridade intensa que conforte,

Estrelas reluzindo em raro aporte
O tempo noutro passo mais maduro,
Porém assassinada onde asseguro
A vida perderia enfim o norte,

Nas mãos da própria filha esta atitude
E quando por vingança em plenitude
A morte da assassina se veria,

A deusa se traçando em tal mudança
E nisto ao quanto pôde e não alcança
A luta se desenha em ledo dia.

MARCOS LOURESC

CIVATATEO



Civatateo são almas que assombrando
Quem tanto quis a sorte mais audaz,
E nisto outro caminho ora se faz
Gestando este momento mais infando

No parto nobres damas que morreram
Trazendo a vampiresca serventia,
E nessa realidade o que veria
Tramando outros cenários, desalentos

Restando quase nada do passado,
Nem mesmo uma nobreza em atitude
A sorte desairosa desilude

E rege o temporal, terrível Fado,
E neste delirar sem qualquer brilho,
A morte disparando o vão gatilho.

MARCOS LOURES

CIPACTLI


Cipactli representa a astrologia
E gera também ela o calendário
Marcando noutro passo itinerário
Enquanto se transforma noutro dia,

A sorte em tal cenário se faria
E nisto o quanto rege imaginário
Cerzindo o passo sempre solidário
Ou mesmo noutro rumo, em utopia.

Vasculho meus caminhos e percebes
A vida se anuncia em novas sebes
E tanto que recebes podes dar,

No encanto desta deusa, outro momento,
Primordial mulher, em raro alento,
A vida nela eu vejo começar.

MARCOS LOURES

Cihuacoatl



Cihuacoatl, deveras a guerreira
Entre os astecas mostra o seu poder,
Traçando muito além de algum querer
A sorte mais diversa e verdadeira,

Ainda quando o rumo além se queira
O prazo não pudesse perceber
Reinando sobre tudo, eu posso ver
A luta desejada em tal bandeira,

Assim ao mergulhar neste cenário,
O tanto quanto fora temerário
Já não comportaria outro tormento,

Da deusa feita em fúria, a plenitude
Enquanto a vida atroz já desilude
Do sonho vigoroso eu me alimento.

MARCOS LOURES

Chiconahuiehacatl


Chiconahuiehacatl deus asteca
Partícipe desta nobre criação
Mostrando quanto em rumo e direção
A vida noutro tempo não disseca

A sorte que pudesse ser diversa
Ou mesmo atravessando em ledo fim,
Mas quanto da emoção trazendo em mim
O vento noutro passo além já versa

E brindo com meu sonho mais feliz
Ao quanto se anuncia em luz exata
Assim cada momento se constata
Tramando muito além do que ora fiz,

Cenário mais sublime em poesia
É tudo o que decerto eu mais queria.

MARCOS LOURES

CHICONAHUI




Chiconahui a deusa protetora
Das famílias e lares, traz a sorte
Moldando com firmeza cada norte
E nisto se mostrasse redentora,

A luta noutra face promissora
O quanto deste sonho nos comporte
Gerando com firmeza este suporte
No encanto onde se quer que a vida fora,

Vislumbro em paz sobeja o quanto quero
E sei deste caminho mesmo fero,
Marcante como fosse um tom suave,

E nada mais deveras poderia
Reger além da vida em sincronia,
Nem mesmo que outro infausto o rumo agrave.

MARCOS LOURES

Chicomexochtli


Chicomexochtli deita sobre as artes
O seu poder de deus e traz além
Do sonho quando o sonho já contém
Bem mais do que deveras tu compartes,

Marcando este momento aonde partes
E deixas para traz qualquer desdém
O mundo na verdade sempre vem,
Ultrapassando o quanto enfim descartes,

E tendo esta magia sempre vista,
O deus que soberano a cada artista
Protege e mesmo traz a inspiração,

Pudesse imaginar cenário nobre
Aonde toda a sorte se recobre
Moldando a mais diversa dimensão.

MARCOS LOURES

CHICOMECÓATL



Chicomecóatl diz fertilidade
E gera com certeza um raro bem
Tramando a cada instante o que contém
Enquanto a própria sorte em paz se brade,

O vento mais audaz que desagrade
Não deixa que se veja mais alguém
E quando a noite amarga volta ou vem,
Caminho destoando da verdade,

Mas tendo em solo fértil a esperança
O passo noutro rumo sempre avança
E gera o que trouxesse esta alegria,

A deusa asteca dita este futuro
Negando um passo atroz em mundo escuro
E nisto outro momento bordaria.

MARCOS LOURES

CHANTICO


Chantico a divindade em fogo toma
Os corações e os sonhos, os vulcões
Reinando em mais diversas dimensões
Traçando este cenário feito em soma,

E nada com certeza ainda a doma,
O marco se transforma quando expões
A luta sem sentido em direções
Diversas das que possa em leve coma,

Porém traz dentro em si feitiçaria
E nisto noutro rumo perderia
O quanto com certeza; em paz, pudesse

E vendo este caminho em trevas feito,
O tanto quanto possa em rude leito
Negando para tanto qualquer messe.

MARCOS LOURES

Chalmecatl



Chalmecatl; subterrâneo deus traduz
A imagem mais nefasta de outra sorte,
E gera o que decerto desconforte
Negando qualquer tom de frágil luz,

Assim ao quanto possa e não conduz
Marcando com temor, vigor e morte,
Sonega a quem sonhara algum aporte,
E o peso se transforma em contraluz,

Ainda que pudesse em melhor rumo,
Aos poucos no vazio eu me resumo,
Morrendo enquanto esfumo sem destino,

A senda mais atroz se revelando
No tempo sem descanso tanto infando
E nele nada além tento ou domino.

MARCOS LOURES

Chalmecacihuilt



Chalmecacihuilt traz seu ofício
Em dor e medo, gera das imundas
Paisagens onde em dores tu te afundas
Marcando com temor o precipício

Gestando a cada engodo o sacrifício
Em almas de outras sendas oriundas,
As sortes mais atrozes moribundas,
A morte se anuncia desde o início,

Assim ao penetrar estas quimeras
Somente o desespero tanto esperas
E as marcas do passado denunciam,

O quanto se sofrera ou sofrerá
Vagando sem destino aqui ou lá
Momentos tão temidos propiciam.

MARCOS LOURES

Chalchiutotolin



Chalchiutotolin traz a pestilência
E gera a mortandade, deus cruel
E neste mundo amargo feito em fel
A luta se mostrando em tal ciência

A sorte não seria coincidência?
Não creio prosseguindo sempre ao léo
Enquanto a morte cumpre o seu papel
A cada novo engodo, a virulência.

Mistérios em doenças, pragas, pestes
E nisto quando muito te revestes
Tentando outro caminho, mas não há


E o fim se anunciando sem defesas,
Os sonhos são deveras fáceis presas
E o mundo se acabando aqui ou lá.

MARCOS LOURES

Chalchiutlicu



Chalchiutlicu ditando os nascimentos
E disto este batismo entre os diversos
Caminhos pelos quais os universos
Expressam seus momentos em fomentos,

Deusa dos lagos traz em tom divino,
O asteca caminhar onde desenha
A sorte que deveras sempre venha
Num ato tão sobejo onde o domino,

Não tendo qualquer dúvida caminhas
E nesta maravilha já se vê
A vida com brandura em seu por que

Deixando para trás tantas daninhas,
Versando sobre o quanto me asseguro
Do tempo mais suave no futuro.


MARCOS LOURES

Chalchiuhtlatonal




Chalchiuhtlatonal traz em mansas águas
Reinado aonde o tanto se pudera
Vencer o quanto rege a sorte fera
E neste desenhar não vejo mágoas

E quando em esperanças tu deságuas
Marcando a mais suave primavera,
Inundações esqueço e a vida gera
Trazendo às esperanças calmas fráguas,

Incendiando o sonho em tal ternura
Gestando muito além já se procura
A paz que possa enfim trazer ao sonho

O tanto mais sensato ou mesmo enquanto
A vida com vigor quero e garanto
Tramando o que pudera e em luz proponho.

MARCOS LOURES

Centzonuitznaua

Centzonuitznaua reina sobre estrelas
Que trazem desde o sul a claridade
E nesta mais sublime realidade,
Deveras com prazer eu posso vê-las

Sublime este cenário e quando vejo
O tanto deste sonho asteca trago
O pensamento enquanto além divago
E bebo este momento mais sobejo,

Vislumbro de tal sorte o meu caminho
E vejo quanto possa acreditar
No sonho mais intenso feito em mar

E neste caminhar em paz me aninho,
Centzonuitznaua em sonhos dita
A sorte desejada e mais bonita.

MARCOS LOURES

Centzon Totochtin,




Centzon Totochtin, deuses das orgias
Bebedeiras diversas e dispersas sobre o mundo
E quando em tal cenário eu me aprofundo
Bacantes as astecas euforias,

E nesta sorte vária poderias
Gestar outro momento onde me inundo
Vestindo este cenário um vagabundo
Caminho entre tristezas e alegrias,

Da diversão reinando as divindades
E nisto descaminhos quando invades
Presumem o que possa ser sublime,

E quando recrimine o que se faz,
Num ato mais feliz ou mesmo audaz,
O todo noutra face se redime.

MARCOS LOURES

CENTEOTL



Centeotl se afigura como um deus
Regendo em soberana imagem, milho
E deste caminhar eu compartilho
Restando do passado, sem adeus,

E quando a vida traça em turvos breus
O quanto poderia noutro trilho
Vencer o que deveras mais palmilho
Gestando dos caminhos, apogeus,

Um deus hermafrodita ou; mais, dual
Descendo sobre a Terra onde criou
Diverso sortimento que alimentou

Em ato tantas vezes ritual,
Do quanto poderia e segue além
O mundo se desenha e assim provém.


MARCOS LOURES

CAMAXTLI


Camaxtli deus da caça, da esperança
Um dos quatro criadores do planeta,
Aonde na verdade se arremeta
Enquanto noutro rumo sempre avança,

O mundo na inconstância onde se lança
Qual fosse na verdade algum cometa
E nisto todo o sonho se prometa
Tramando muito além desta mudança

Este inventor do fogo, em divindade
Traduz além de toda a claridade
Asteca maravilha sobre a Terra

E nesta soberana face eu vejo
O quanto se transforma num desejo
O todo que este pleito ora descerra.

MARCOS LOURES



AZTLAN


Aztlan, onde viviam ancestrais
Dos Nauas gerando o povo nobre
Asteca que deveras se recobre
Em sonhos com certeza magistrais,

E neste desenhar ou mesmo mais
O quanto em alegria se recobre,
A sorte mais audaz tanto desdobre
Gestando em sonhos claros rituais,

Local indefinido aonde o passo
Trouxera tão somente o mesmo escasso
Disperso entre diverso sortimento,

Apenas da esperança de revê-lo
O mundo se anuncia em raro zelo,
E neste delirar eu me alimento.


MARCOS LOURES

AYAUHTEOTL



Ayauhteotl divindade rege a bruma
E assim aparecendo na neblina
No amanhecer soberbo já fascina
No anoitecer tramando o quanto ruma,

Trazendo a vaidade em cada olhar,
A deusa se permite em bela fama
E nisto desenhando o bem que trama
Tentando novo instante a divagar,

A soberana face em tons diversos
No céu avermelhado em róseos tons,
Grisalhos transformando velhos dons,
E nisto se traduzem tantos versos,

Imerso em tal divina magnitude
O sonho em tom brumoso, tudo mude...


MARCOS LOURES

ATLAUA



Atlaua esse deus que protegendo
Os pescadores e também arqueiros
E nestes seus caminhos verdadeiros
O tanto que se possa mais que adendo,

Senhor das águas vejo e assim entendo
Momentos mais diversos, corriqueiros
Os passos entre os sonhos são ligeiros
Cerzindo o quanto possa e me contendo,

As águas mais tranqüilas permitindo
O dia mais suave e mesmo lindo
Na pescaria feita em mansidão,

Além do que pudesse sol e lua
A sorte se aproxima em Atlaua
E nele novos dias se verão.

MARCOS LOURESATLA

ATLATONIN




Atlatonin domina então as costas
E nesta face expõe a divindade
Asteca onde traz diversidade
E nisto outros momentos onde apostas,

Regendo outro caminho, se desgostas
A luta não produz a sanidade,
A mãe que se desenha enquanto brade,
Nas sortes tantas vezes decompostas,

Reinando em litorais, praias e areias
E quando noutro rumo devaneias
Atlatonin expressa o quanto rege

Ainda que se veja de tal sorte
O mundo aonde o nada nos conforte,
Cenário que se possa ser herege.

MARCOS LOURES

ATLACOYA




Atlacoya traduz esta aridez
E dela nada surge, a seca atroz
Negando da esperança alguma voz,
E nisto toda a sorte se desfez,

A deusa asteca mostra insensatez
Gerando sem caminho a rude foz,
E sei do quanto possa assim algoz
Marcar com heresia o que não fez,

Assisto à derrocada em solo agreste
E o tanto quanto pude ou já me de
Ateste este desejo sem proveito,

E neste estio imenso, nada resta
Senão este cadáver de floresta
Na vida aonde a morta dita o pleito.


MARCOS LOURES

ATLACAMANI



Atlacamani dita em tal tormenta
O quanto a própria vida nos engana
E o tanto quanto possa em voz profana
Deveras no vazio se alimenta,

A sorte noutra face se arrebenta
E marca com temor o quanto dana
A luta se mostrando desumana
O corte se aprofunda enquanto venta,

Dos temporais diversos, sorte escassa
A vida se anuncia e assim devassa
O quanto poderia acreditar

Num novo e mais tranquilo rumo em paz
E assim enquanto o todo se desfaz
Atlacamani invade o imenso mar.


MARCOS LOURES

AMIMITL



Amimitl, este deus dos pescadores
Apascentando as águas, suavemente
E nisto se permite plenamente
Viver além do quanto ainda fores,

E neste caminhar sem os rigores
A sorte se desenha e já se sente
Marcante delirar em absorvente
Cenário mais tranquilo e sem opores,

Porém quando decerto noutro tom,
O que se fez outrora calmo e bom
Investe em pestilência quando a vida

Contrariando o quanto poderia
Cerzir em novo tempo a voz sombria
Da imagem na esperança, desprovida.


MARCOS LOURES

A deusa Acuecucyoticihuati


A deusa Acuecucyoticihuati
Das águas que se movem soberana,
Imagem dando a luz enquanto ufana
O todo desenhado desde aqui,

Desta diversa face descobri
O quanto a própria vida nos engana
Nas águas quando a sorte além se dana
Marcando o que sonhara e já perdi,

De Chalchitlicue representando
Diversa esta expressão e desde quando
Mutáveis direções das águas plenas,

Por vezes tão pacíficas e amenas,
Ou noutras num momento mais nefando
Sem que decerto ainda em paz, serenas.

MARCOS LOURES

ACOLMIZTLI



Acolmiztli asteca deus, forte felino
Simbolizado em puma, com rugido
Que tanto ao assustar traz impedido
Caminho para um ser noutro destino,

E assim quando decerto não domino
O tempo noutro tempo percebido,
A morte se apresenta e sem olvido
A porta ora se abrindo em tom divino,

Porém tal deidade a quem tentara
Entrar, sendo vivente em tal seara
Assustadoramente retornava,

Do quanto se fez rude o sentinela
A sorte noutro passo desatrela
Esta alma que presume a fúria em lava.


MARCOS LOURES

DEUSA

DEUSA

Exploro os teus relevos, maga deusa,
Adentro por teus vales e montanhas.
Bebendo do teu néctar me inebrio,
E estendo o meu prazer em tuas sanhas.

Lambuzas-me dos méis mais desejados,
Riscando minha pele, unhas garras,
Na noite feita orgia, com furor
Meu corpo no teu corpo imerso, agarras.

E amansas as loucuras, desvarios,
Aplacas minha sede, aporto o cais,
As pernas me prendendo e assim conténs
Qual fossem uma espécie de tenaz

E preso, não desejo a liberdade,
Cativo de teu fogo, me escravizo.
Levado neste jogo, vou feliz,
Ao verdadeiro céu, ao Paraíso...


MARCOS LOURES

ÊXTASE

ÊXTASE

Não fale mais nada,
Deixe que eu te toque
E sinta o teu perfume.
Beije tua boca,
Avance sobre os seios.
Feche teus olhos...
Sinta a maravilha
De toda esta vontade
Transformada em prazer....

Irei acarinhando-te
Devagar...
Chegando às tuas coxas,
Boca e língua.
Passeando meus dedos
Até poder tocar
O teu túrgido caminho.

Depois, em sucção,
Sentir endurecendo em minha boca
Numa umidade intensa...
Aos poucos acelerando
Os movimentos...
Rápidos, frenéticos...
E assim,
Quando mais tarde
Numa explosão sem par
Direi do amor que tive.

Imortal e incansável...

Chegando ao ápice,
Ápica loucura
Destilando
A doçura que vem
Em turbilhão...
Até que em teu êxtase
Eu refaça o caminho
E chegue em convulso delírio
À magnitude plena
Do amor que se dá sem fronteiras...


MARCOS LOURES

FOGO INTENSO

FOGO INTENSO

A cópula perfeita, prazerosa,
Em corpos que se adentram, se misturam
Lambidas e sussurros, fogo intenso
Profanas sensações de gozo pleno.

Acenas com hormônios sem controle,
Cabelos feitos crinas soltos, leves.
Derramas as vontades e os prazeres
Roçado que eu arando, já semeio

Em seios, sondas, selvas silvos, sons,
Acordes entoando breves cantos.
Nos cantos, camas, lamas, tramas, bocas,

No vão das ocas tocas, rumos remos...
E no êxtase sublime, climas, brasas.
Desfrutas de meu corpo, a tua casa...


MARCOS LOURES

NEBLINAS

NEBLINAS


Notívago, minha alma de noctâmbulo
Deambulando em becos mais escuros,
Equilibrando os passos, um funâmbulo
Vivendo entre temores, mil apuros.

A peça se anuncia num preâmbulo
Passando por momentos bem mais duros,
Às vezes preferia ser sonâmbulo,
Errante sobre pedras, altos muros...

Mas amo as frias trevas e neblinas,
Enquanto a palidez tanto me atrai,
Na quase transparência; já fascinas

E tomas as vontades num repente,
E quando a noite escura; vem e cai,
A névoa sedutora enfim se sente...

MARCOS LOURES

SENTIMENTO


SENTIMENTO...


O verso traduzisse o sentimento
Do amor que tanto busco e não se vê
A vida se anuncia e sem por que
Somente o descaminho em desalento,

Exposto o coração entregue ao vento,
A frágil cobertura de sapê
Das rosas e verbenas o buquê
Ditando o quanto quero e mesmo tento,

Meu mundo se perdera desde quando
O tempo noutra face se moldando,
E a rude sensação quando abandona

De quem já poderia ser feliz
E tanto quanto a vida contradiz
Permite estar ilusão chegar à tona...


MARCOS LOURES

MEU INÚTIL CORAÇÃO

MEU INÚTIL CORAÇÃO


Trazendo o viço da vida
E um vício, felicidade.
Perseguindo na cidade
As portas da despedida
Do tempo que fui feliz
No colo da meretriz
Matada por ser verdade
O boato que dizia
Que em toda essa eternidade
Rasgando essa fantasia
De dona desse bordel,
Viajava pelo céu
No cabo desse cometa
Que comentam que surgia,
No nascedouro do dia
Pelas alvorada afora
Que desde que foi embora
Escurraçada, essa moça.
Nunca mais quebrou a louça
Que compunha nessa Igreja
Para quem quiser que veja
A clarear nesses dia
Nessa imagem dessa santa
Olhos da Virgem Maria.
Pois então desde esse dia
Ando vida solitária
Buscando cara metade
Mas no mundo sem alarde
Num tem esperta ou otária
Que queira, de serventia
Ou por amor ou decreto
Viver, amar de concreto
Fazer da vida a valia
Que possa dar compromisso
Fazendo do jogo atiço
Do rogo desse serviço
Que traga minha fornada
De pão e de poesia
Pra poder só nessa estrada
Ser a minha estrela guia
Essa mão que me consola
Que me carrega a viola
E me ensina nessa escola
De que serve a valentia
Se nada mais me trazia
O rebento desse dia
Que acende todo pavio
Que me deixa por um fio
Antes que nada avacalha
Sou do fio da navalha
E gosto de ser assim
Que tudo seja por mim
Como nada mais poderia
Se tivesse essa fantasia
De ser feliz com mulher
Se Deus isso não quer
Por culpa da cafetina
Que amei desde menina
Que voava sem ter asa
Pelas soleiras das casa
Esquentando feito brasa
Aquele que nunca se acha
Que pensa que vai, despacha
E que carregando essas acha
Pra aquecer tempo mais frio
No mundo segue vadio
Meu coração sem atino
Acostumou com destino
De viver do desatino
Por causa de bruxaria
De quem nunca foi compasso
Com pressa nem o cadarço
Da vida amarrou direito
Trafegando no meu peito
Sem rumo e sem direção
Foi o lastro desse chão
O gosto azedo da vida
Assumindo a despedida,
De quem nunca mais voltou
As asas criadas vento
Os olhos partidos, tento
Fazer desse meu intento
O meu maior instrumento
Se preciso restaurar
As mãos estão calejadas
Perfumadas por suor
Trincadas pelo melhor
Da vida que a vida nega
A quem na vida trafega
Sem ter rumo que se entrega
Nos traços desse meu lápis
Que com grafite bem negro
Não deixa mais que me escapes
Sorte sem rumo e apego
Minha sombra rela o pé
Atravessa esse portão
Formiga das lava pé
Queimando meu coração.
O amor, foi reviravolta
Sentou praça sem escolta
Vacilou, o amor caiu
Ralando o seu joeio
Sangrando todo vermeio
O coração já saiu
Andou dando devorteio
Na viola que ponteio
Do mundo roçando o meio
Varando pela porteira
Que permitiu minha fuga
Mas agora já refuga
Disfarçada em brincadeira
Dessas de saltar fogueira
Nas noites de sexta feira
Na coruja da ribeira
Qual mocho de bico torto
Vou seguindo absorto
No meio desse caminho
Que vai pra trás da fazenda
Perto daquela moenda
Que moendo, me matou
Os olhos perdidos ao leu
Percorrendo nesse céu
Em busca de minha amada
Única infeliz madrugada
Que acalentou minha lua
Que andava toda nua
Nos meus sonhos mais gulosos
Agora, como os leprosos
Do testamento mais velho,
Sem Cristo pra me curar
Embolado escaravelho
Me enovelo devagar
Qual fora ouriço caixeiro
Me defendo dos cachorro
Que lá por cima do morro
Já passam o tempo inteiro
A preparar o seu bote
A minha sina mais forte
Aquela que leva pro norte
Procurando minha sorte
Mas só tenho minha morte
Pra poder negociar
No fundo, pode estar certo
Que nada tendo por perto
É o que melhor vai tocar
O coração deslambido
Que bate de tanto sofrido
Num acalanto sem rima
Acabando com estima
Estrume tomando tudo
O corpo vai cego, mudo
Eu nem sei se me ajudo
Se posso saber o contudo
Se não sei nem o porque
De tudo que posso ver
Tá tudo selecionado
Nas cismas da minha sina
Feito mágoa cristalina
Feito matreira saudade
Gerada por contrafeitos
Contra os meus próprios defeitos
Nada posso argumentar
Só sinto nada ter feito
Nem do doce nem confeito
Mereço ao menos respeito
Pela dor que trago, o peito
Batendo feito demente
Trazendo para essa gente
Esse canto de amargar
A boca da noite vigora
Essa minha triste espora
Machuca qual catapora
Queima tal qual caipora
Me lembrando que agora
Já ta chegando minha hora
O meu tempo já se estora
É hora de ir-me embora
Embora fora de hora
Agora chegou minha hora
Doutor vou já vazar fora
Desculpe pela demora
A lua já se ancora
A barra da noite aflora
E terminando essa história
Carrego nessa memória
Os tristes olhos da Santa
Quebrados, por essa moça
Cuja carne não foi louça
Sangrada até não ter força
Com ela também fui morto
Meu pensamento absorto
Procurando por um porto
Onde possa ter descanso
Procurando pelo remanso
Desse rio que se encurva
Pra no meio dessa curva
Numa noite do sertão
De lua e de poesia
Enterrado, sem valia,
Meu inútil coração...


MARCOS LOURES

FESTA

FESTA

A festa nos embala
Em danças sensuais
Depois de tudo pronto
Querendo sempre mais

Eu beijo tua boca
Um bálsamo profano.
E sinto como é bom
Desejo soberano.

Roçando a tua pele
Na minha, que delícia!
Tirando a tua roupa
Num gesto de malícia

Mergulho no teu corpo
E passo a navegar
Teu porto tão macio
Encontro a me esperar...

E assim vamos vagando
Na noite que promete
Depois que o dia nasce
A dança se repete...

MARCOS LOURESF

CAIXEIRO VIAJANTE

Caixeiro Viajante

João Polino, quando rapaz, era um dos maiores conquistadores de Santa Martha, um verdadeiro cavalheiro, dono dos olhos mais azuis do Caparaó.
O seu atual cunhado, José Reis, irmão de sua amada Rita, tinha um armarinho de secos e molhados naquela terra adorada e fria.
João, dono dos seus dezessete anos, resolveu trabalhar com José, de olho na Rita, menina ainda, mas dona de uma mansidão e serenidade realmente cativantes.
Logo assim que começou a trabalhar, João recebeu um convite irrecusável; uma das maiores distribuidoras de alimentos da região, com sede em Cachoeiro de Itapemirim, resolveu chamá-lo para fazer um teste como caixeiro viajante.
João não pestanejou; a possibilidade de um ganho maior e uma vida de aventuras que se desenhava pela frente eram por demais tentadoras para o nosso herói.
O gostoso da profissão era isso mesmo, a variedade de lugares e de pessoas com que conviveria. Todas essas coisas cativaram João, que começou uma história de aventuras sem par...
Numa dessas viagens, João iria para Guaçui, o que não teria problemas já que a cidade tinha uma infra estrutura até que razoável.
O Hotel Real, no centro da cidade tinha vários leitos à disposição dos viajantes de sempre e dos turistas ocasionais.
Acontece que, por aqueles dias, haveria uma exposição de gado na cidade e o hotel estava totalmente completo.
Nada demais para João, acostumado às intempéries da estrada.
Acontece que, quando se preparava para ir para a estrada, viajando para São Tiago e dali para São Lourenço quando encontraria, facilmente carona ou condução para sua amada Santa Martha, a tempo de ver sua Rita, a chuva despencou.
Chuva não, minto; tempestade, e das brabas.
Chovia como dizem alguns , a cântaros, e até canivete começou a cair sobre as costas dos desavisados.
Procura daqui, procura dali, eis que surge a última esperança: uma pensão lá pros lados da Vila Alta, usada por casais em busca de um local sem testemunhas para a noite de amor que se aproximava.
Mesmo lá, não havia leitos. Mas, com pena de João Polino, Toniquinho, o gerente da pensão deu uma sugestão:
Havia um senhor de avançada idade que, sem parentes e sem amigos, morava na pensão, dono de um quarto vitalício, pago regiamente com seus proventos de ex-militar.
A noite avançava e a chuva nem sombra de amainar...
João aceitou o convite de dividir a cama com aquele senhor, inofensivo e asmático.
Noite alta, madrugada adentro, eis que, de repente, o senhor dá um grito e começa a pedir ajuda de João:
-Meu filho, me arranje uma mulher, pelo amor de Deus, te dou tudo o que tenho, mas me arranja uma mulher depressa...
Ao que João impiedoso, respondeu: -De forma alguma meu senhor, nem por todo dinheiro desse mundo!
-Por que, meu filho, me diga por quê?
-Em primeiro lugar, são duas horas da manhã e eu não vou sair de madrugada procurando mulher, tenha a santa paciência!
-Em segundo lugar, está chovendo muito e eu não trouxe nem guarda-chuvas e não quero ficar doente, muito menos pegar uma pneumonia e em terceiro lugar: meu senhor, o que o senhor está segurando não é o seu não, É O MEU!


MARCOS LOURES

MEUS VERSOS

MEUS VERSOS

Os meus versos andam contentes
Continentes e conteúdo
Sempre e tanto,
Através das paredes dos sonhos.
Vindo da cálida manhã,
Roça a juventude esquecida
Em algum canto da vida.
Vivendo nada mais que isso,
Tentando nó corrediço
Algemas é que me deram
Os sonhos envelhecidos.
Se sou o que não pretendo
E pretendo ser quem sou
Vagando em meus versos vou
A partir do quase nada
Que em tudo se fez muito.
Embriagado do ar que respiro
Tonteio e tateio pela vida
Quase tropeço;
( queda na minha idade é fogo )
Mas não nego mais o jogo
E afogo nessa verdade
Uma última rebeldia.
Venha logo poesia
Que toda minha alegria
Está numa fantasia
Que nasceu sem se contar.
Vivendo o novo canto
Que de pranto deu sorriso.
Se navegar é preciso,
Amar é muito mais...


MARCOS LOURES

É, AMIGO

É, AMIGO...

É amigo...
A vida tem disso
É perigo, castigo e
Depois...
Voltamos de novo ao princípio...
Amor é jogo que queima
É fogo que teima
E nada adianta...
Amar é ser.
Apenas isso.

Bem sei que ela se foi
E daí?
Recomeçar
Remoçar
Ser e estar.

Apenas isso...
O mundo volta
Revolta
Astuto e passageiro.
Remoto
Próximo.
Cimo e vale...
Não vale a pena....


MARCOS LOURES

AMIGO

AMIGO...

Passeio pelas ruas do subúrbio
Observando as promessas de janelas
Entreabertas e moças descuidadas.
A sordidez do dia a dia se perde
Nas esquinas e bares lotados.
Eu vim e sempre serei passageiro do nada
Do nada a ter, do nada a sonhar e do quase nada ser.
Estrutura idêntica a qualquer que reparo e
Sinto nas roupas dependuradas nos quintais.
A bala perdida, o corpo encontrado
E o vazio a gritar em palavras sem sentido.
Ah! Vida. Que fizeste de mim, de nós, de todos...
Ainda bem que o bar está aberto.
Na roda de samba, na rodada de cerveja.
Veja: dançamos....


MARCOS LOURES

MEU COMPANHEIRO


MEU COMPANHEIRO

Meu companheiro sincero
Nesta amizade que quero
Tanta luz que sempre espero
Com valor e galhardia,
Vou cantando nestes versos
Os sentimentos diversos
Por mais de mil universos
De verdade ou fantasia,

A lua se avarandando
Uma viola chorando
A vida vai disfarçando
A dor que sempre nos trouxe,
Meu amigo predileto
Tenho por ti tanto afeto
De caráter puro e reto,
Bravura em coração doce.

Te agradeço, meu amigo,
Tanta coisa fiz contigo
Nessa vida em que o perigo
Sempre prepara a tocaia.
Depois de tantos janeiros,
Nossos passos caminheiros
Amigos tão verdadeiros,
Não deixam que a casa caia.

Vou te pedir um conselho
Nesse meu olhar vermelho,
Na retidão deste espelho,
Eu te peço compaixão,
A mulher por quem tu choras
Cada carinho que imploras
Neste adiantar das horas,
Amigo preste atenção...

Eu sou mesmo amigo ingrato
Pode queimar meu retrato,
Se me matar nem destrato
Tá no seu direito amigo.
Acontece que a morena,
De mim não precisa pena,
A danada da Açucena,
Agora mora comigo...


MARCOS LOURES

TEMPO DE AMAR

TEMPO DE AMAR

Quando à tardinha as nuvens te levaram,
Achava que jamais eu poderia
Viver de novo encanto e poesia,
Ah! Meu grande amor...
Mas logo após a chuva, já raiaram,
De novo em belos raios de alegria,
As plenas ilusões da fantasia.
Raiou novo amor!

Querida; sei que assim, a vida passa.
Não posso aqui ficar como finado,
Vivendo tanto tempo abandonado.
Sem um grande amor!
Saudade no meu peito é qual fumaça
Entenda, meu amor, esse recado,
O que passou em mim, só é passado.
Preciso de amor!

Se toda triste noite, em frio inverno,
Arder nos olhos meus uma tristeza,
A vida se desloca em correnteza
Trama novo amor.
Saudade no meu peito faz inferno,
Amar demais é sempre uma grandeza.
Levando minha dor, tanta leveza,
Escravo do amor!

Mas saiba que te gosto muito e tanto.
Contigo eu aprendi uma verdade.
A vida não permite mais saudade,
É tempo de amor.
Não deixo de por ti, ter tanto encanto,
Amar é conhecer a liberdade.
Quem sabe conheci felicidade,
Nesse nosso amor!


MARCOS LOURES

EU TE QUERO

EU TE QUERO


Eu quero tua pele veludosa
Sentindo teu perfume qual de rosa,
Inebriando todo o meu jardim.

Quero em tua boca o doce sumo
Que já me fez perder sentido e rumo
Uma mar de amor imenso, dentro em mim...

Quisera que viesses, minha amada,
Minha alma te procura, enamorada,
Não vês não existo sem te ter...

Escuta este meu canto apaixonado,
Vivendo sem saber se isso é pecado,
Apenas quero ter o teu prazer...

Pressinto que virás ao fim do dia,
Trazendo todo amor e fantasia
Que minha poesia já previu.

Aguardo cada toque desta boca
Que quero transtornada e quase louca
Beijando mais macia e tão sutil...

Bem sabes quanto eu quero o teu desejo
Envolto no carinho do teu beijo,
Com gosto de garapa e pão de mel...

Amada como é bom saber que tenho
O sonho mais bonito de onde venho
Trazendo para a terra o belo céu...

MARCOS LOURES

SOMENTE A VERDADE LIBERTA?



Só a verdade liberta?




Se me perguntares qual a mais difícil dentre todas as virtudes, praticamente inexequível, serei obrigado a reconhecer que a VERDADE e a plena HONESTIDADE são fortes candidatas.

Somos extremamente honestos e verdadeiros no amanhecer de nossas vidas.

A criança diz, com razão absoluta que fulano é chato, beltrana é gorda e que a comida da mamãe ou da vovó está uma porcaria.

E quando, em nome de uma coisa que apelidamos de socialização, pedimos menos honestidade nos comentários,
Estamos DESEDUCANDO nossos filhos com relação à Verdade.

Quantas vezes, durante nossas vidas, somos obrigados a conviver com situações extremamente difíceis em nome desta “Socialização”?

Obviamente, se fossemos totalmente honestos e francos nos nossos relacionamentos, acabaríamos absolutamente isolados do mundo.

Essas pequenas corrupções diárias podem fazer mal à alma mas, são perdoáveis.

Totalmente perdoáveis.

Muitas vezes a verdade liberta mas, nem sempre. Ela pode nos aprisionar e tornarmos infelizes ou deixarmos quem nos rodeia extremamente infelizes.

O que, convenhamos, é muito pior do que as pequenas desonestidades diárias.

Mas, não baseie tua vida nessas pequenas falcatruas.

A tua vida poderá ser tão falsa quanto uma nota de três reais.

E aí, companheiro, não há santo que dê jeito ou, ao menos confie em ti.

Sejamos, pois, SOCIALMENTE mentirosos mas observando sempre os limites para não nos tornarmos ESSENCIALMENTE falsos e desonestos.

Esse limite é tênue e deve ser observado com todo carinho e cuidado.

Senão, corremos o grave risco de conhecermos o inferno por aqui mesmo.

Da solidão e do desprezo.

E, pior que tudo, do total descrédito!

MARCOS LOURES

SEM VOCÊ

SEM VOCÊ

O que farei sem teu olhar querida?
Trazendo todo o lume desta vida,
Olhar que me traduz , em desatino,
O sonho que tracei pr’o meu destino;
Caminho que pressinto, seja o meu.
No olhar que me penetra manso, ateu...
Teus olhos, minha amada, sobrevida
De quem não teve nada em sua vida...
Meu sol, por conseqüência, minha glória.
Teus olhos são meus versos, minha história...
Minha amada! Perceba que sem ti
De tudo que não tive, mais perdi.
Não quero mais sofrer, isso é segredo,
Não deixe que me vença o triste medo,
De viver sem teu amor, por tanto tempo...
Viver sem ter amor, que contratempo!

Não vês que sem te ter, cadê ternura?
A noite sem futuro, tão escura,
Desejo poder ter o teu enlevo
Carícias percorrendo o teu relevo
Entrando nessas matas divinais,
Mordendo tua boca, canibais
Carinhos que jamais eu negarei,
Nas grotas onde tanto mergulhei,
Nos lagos que me inundam de prazer,
Por todos os teus rumos, me perder...
Adormecer sem hora de acordar
Senhora do viver, do meu amar...
Te quero, minha deusa, minha musa,
E desabotoar a tua blusa
Invadindo teu ser sem ter receios,
Beijando calmamente os lindos seios...

Depois, com toda calma e mansidão
As mãos que te percorrem sem perdão,
Correndo toda a sorte de perigo
Beijar tão docemente, teu umbigo,
E ter a sensação de ser um rei,
Jazendo sobre o manto que sonhei,
Entrando nos recônditos pomares,
Saber te dar prazer nos amares,
Sonhando com delícias, maravilhas,
Os vértices gentis, tuas virilhas,
As violetas belas, todas roxas,
Os delicados velos, tuas coxas.
Saber de teus desejos onde espalho,
As gotas divinais do teu orvalho.
Depois de tanta louca insensatez
Saber que, enfim, amor maior se fez...


MARCOS LOURES

BILAQUENAS - VIA LÁCTEA

BILAQUENAS - VIA LÁCTEA

Quando a vi desfilando seus brilhantes
Raios sobre um divino céu desnudo,
Num lácteo perfilar de diamantes,
Confesso, embevecido, fiquei mudo;

Momentos tão fantásticos, instantes
De um sentimento raro, imenso e agudo,
Percorrendo infinitos delirantes
Caminhos onde tonto e lúdico me iludo,

Vislumbro a pequenez do humano ser
Diante desta imensa realidade,
Imagino quão frágil é o poder

De quem se imaginando soberano
É nada e tenta ter toda a verdade.
Num ledo e sem sentido desengano...


MARCOS LOURES

EXCÊNTRICO


Excêntrico colágeno nos une
Esgarças garças toscas no caminho.
Etílica manhã verseja e pune
Deixando o velho barco já sem ninho.

Não quero ser tão crédulo ou impune,
Cunhando com cunhada este carinho.
Solfejo, pois dos versos sou imune
Cabelo quando inflama vira vinho.

No pinho, no pinhão, a moça apinha
Calote loteado: estelionato.
Fazendo deste fármaco o que tinha

A tinha só se cura com remédio.
Iguana é iguaria no meu prato,
Semitonando sempre no ré médio...


MARCOS LOURES

MINHA GRANDE AMIGA

MINHA GRANDE AMIGA

Amiga, me perdoe se disfarço
Os dias em poemas e delírios.
Às vezes vou disperso a cada passo
Deixando em algum canto, tais martírios.
Noite e dia tentando demonstrar
A força que perdi. Não sei lutar.

Apenas tenho um riso de ironia
Daquela fortaleza que perdi.
Caminho maltrapilho todo dia
Buscando o que bem sei só tenho em ti.
Resquício de outro tempo; na verdade,
O que sobrou? Somente esta amizade...

MARCOS LOURES

COMPANHEIRO

COMPANHEIRO


Quem sabe quanto o mundo, em si, é fero
Prossegue dia a dia assustadiço.
A paz tão necessária e um amor vero
É tudo o que pretendo e que cobiço.
Sangrando, a solidão em dura trama
Maltrata quem não tem ninguém, não ama...

Mas saiba, companheiro a plena glória
Se encontra não na seta e nem na lança.
Na verdade, o sentido da vitória
Apenas na amizade é que se alcança;
É nele que se encontra o verdadeiro
Sentido desta vida, companheiro...

MARCOS LOURES

A BOLINHA QUE DEU ROLO

A BOLINHA QUE DEU ROLO

Doutor Aníbal, além de um excelente pediatra é um dos maiores contadores de causos que conheço.

Trabalhando há quase vinte anos em Espera Feliz – MG, coleciona um sem número de histórias.

Uma das que mais me chamaram a atenção, aconteceu quando ele acabara de chegar na cidade, vindo de Juiz de Fora, aonde cursou a UFJF, tendo sido aluno do Professor Tadeu Coutinho, um expert em ginecologia.

Havia uma criança muito esperta em Santa Martha, chamada Leididaiane, filha de Oracina, uma renomada professora querida por todos no pequeno distrito ibitiramense.

Num plantão de segunda-feira, às duas da tarde, a Prof Oracina deu entrada no Pronto Socorro extremamente assustada e, aos prantos, clamava por atendimento à sua pequena petiz que teria engolido uma bolinha...

Dr Aníbal, muito prestativo, levou a menina para a sala de emergência e, usando de toda a sua paciência, examinou a criança.

Por coincidência, o dr Giovane, um otorrinolaringologista de Guaçuí estava de passagem na cidade e como era muito amigo do Dr Aníbal, atendeu ao chamado deste para auxiliar na busca pela tal “bolinha”.

Raio X, endoscopia... e nada de bolinha...

Oracina em pânico, todo mundo desanimado e cansado quando Leide acorda da anestesia após a endoscopia, entre desanimada e confortada, surpreende a todos e diz:

- Tem problema não, mãe , eu faço outra.

E, dito isso, enfiou o dedo indicador na narina direita...


MARCOS LOURES

A BOCA


A BOCA

A boca
Entre outras utilidades
Mais comuns
E, naturalmente ligadas à sobrevivência
E outras, muito pelo contrário
Ligadas à guerra, à discórdia, ao divórcio etc...
Aliás Cristo tinha razão
O Mal é o que sai e não o que entra pela boca...
Mas, poeticamente falando
A boca tem outras funções
E é delas que falo quando penso em você;
Do começo ao fim,
Do sorriso ao êxtase...
Assim,
Sagrada boca,
Princípio e fim dos prazeres,
Motivo de paz e guerra
De santidade e de infernos...
Talvez por isso,
O amor se expressa por ela...
São almas gêmeas.
O amor e a boca.
Mas, deixe de conversa
Que este teu batom
Está me incomodando,
É melhor tirá-lo...
E o resto?
Adivinhão!
Fecho a porta
É melhor privacidade...

MARCOS LOURES

LEMGABA


LEMGABA

Um dia quando estava no mictório
Ao ver um homem forte e avantajado,
Gilberto, meu amigo e meu cunhado,
Pensou ser o que vira um ilusório

Efeito do conhaque desgraçado
Que tinha com platéia e auditório
Numa aposta; bebido e se fartado,
E se mostrando quase que simplório

Ao ver um camarada que urinando
Mostrava tatuagem bem mal feita
Num pênis gigantesco, pois foi quando

Ao ver que estava escrito ali LEMGABA
O que isso quer dizer? Pergunta feita:
“LEMBRANÇAS LÁ DE PINDAMONHANGABA...”


MARCOS LOURES

BENESSE

BENESSE

Num triunfo divino feito em glória
Jazendo dentro em mim velha mortalha
A sorte muitas vezes não batalha
Sabendo da verdade sempre inglória

E tanto poderia ter vitória
Quem sabe e se perdendo nada valha
Sequer o mesmo corte não espalha
A fúria que é decerto merencória.

Resisto ao não saber do quanto trama
A vida em dolorosa e forte chama
Na ardência contumaz de quem se conhece

A morte bem de perto e não se cala,
Uma alma não se mostra assim vassala
E busca mesmo em vão qualquer benesse.


MARCOS LOURES

UM BRINDE AO DEMÔNIO

UM BRINDE AO DEMÔNIO

Adentro felizmente este caminho
Que leva ao meu querido Satanás
E tenho nesta fúria, a imensa paz,
Da qual e pela qual me fiz daninho,

Erguendo um brinde ao Demo, vou sozinho
E embora na verdade tanto faz,
O quanto me fiz rude e até mordaz,
Sangrando a cada verso, traço o ninho.

Não quero o teu perdão nem mais preciso,
Se a vida sempre traça um prejuízo
De que me vale assim, misericórdia,

O passo mais feroz que inda se dê
Transforma qualquer coisa sem por que
No anseio mais sublime da discórdia...


MARCOS LOURES

NAS HORDAS DE SATÃ

NAS HORDAS DE SATÃ

Sentindo-me deveras no vapor
Aonde se esfumaça a liberdade,
Vencendo com furor a tempestade,
Gozando deste imenso dissabor,

O preço que se paga pelo amor,
Enquanto o tempo tudo em vão degrade,
Rompendo dos pudores qualquer grade,
Não vejo mais a cena a se compor,

Fagulhas incendeiam os infernos
E deles novamente ricos ternos,
E tantas maravilhas prometidas,

Infaustos nesta vida? Nunca mais,
Auríferos caminhos magistrais,
Nas hordas de Satã enternecidas...

MARCOS LOURES

A VELHA FANTASIA

 A VELHA FANTASIA

Quisera pelo menos um momento
Em paz sem ter que tanto desbravar
Caminhos onde possa descansar
E ter depois de tudo, certo alento,

Na velha fantasia me sustento
E tenha simplesmente céu e mar,
Aonde deva um velho aventurar
Traçar o meu mais livre pensamento,

Um ato tantas vezes quase explícito
O todo se mostrasse em tom ilícito
Vagando sem ternura em particípios.

Vasculho o quanto fui e sou minúsculo,
Apenas vivencio este crepúsculo,
Negando desde já tolos princípios...


MARCOS LOURES

TRAGAS TODO AMOR PARA MIM


TRAGAS TODO AMOR PARA MIM


Não tenho mais recados p’ra te dar...
Eu sei não ouvirias, estou certo.
De tanto que vivi a te esperar,
A tua ausência lembra-me um deserto.

Na noite que se esfria, tanta sede...
Deitado sem ninguém; espero, enfim,
Que chegues, devagar; na minha rede,
E tragas todo amor que tens p’ra mim...

Aí, juntos novamente, minha amada;
A vida não precisa mais recados.
Esta fotografia emoldurada

Trazendo as esperanças, doces fados...
E vejo, adormecida calmamente,
A mesma languidez de antigamente..

MARCOS LOURES

TUA DISTÂNCIA


TUA DISTÂNCIA


Tua distância amiga, aconchegante;
Trazendo teu calor tão mansamente.
Ao ver-te me imagino estar diante
Da deusa que sonhara urgentemente.

Estrelas fulgurando em claro céu,
Rolando por espaços magistrais,
Procuro meu recanto no dossel
Depois de navegar dores astrais.

Teu corpo, nos contornos definidos,
Presença dos meus barcos naufragados.
Tocando tão de leve; meus sentidos.

Por mares maviosos, navegados.
Te quero, simplesmente tanto quero...
Amor que glorifica e que venero...


MARCOS LOURES

MEU SONHO


MEU SONHO

Quando meu sonho embarca no teu sono,
Misturas as salivas e os sonhos.
Não posso conceber um abandono
Nem dias que se passem mais tristonhos.

O vento que me trouxe não me leva,
Persisto do teu lado, sou cativo...
Na noite que vivemos; tanta treva,
Um sentimento lindo e sempre vivo.

Não quero nem que sofras e nem eu.
As horas percorridas; nossos dedos
Decifram cada sonho que nasceu

Depois de pouca vida e muitos medos...
Eu quero a sensação de liberdade
Imerso no teu corpo, divindade!


MARCOS LOURES

EU TE AMO

EU TE AMO!

Palavra que te disse, mansa e louca;
Trazendo teu desejo para mim.
A boca procurando tua boca,
No gozo dessas flores no jardim...

Amada, como é bom falar que eu te amo!
Palavras, sentimentos tão profundos...
Qual lobo solitário; tanto chamo,
Meus olhos viajando nos teus mundos.

Deitado sobre a grama e sob a lua,
Ao ver-te em transparências caminhando,
Teu corpo se define e semi-nua;

Aos poucos meu olhar te desnudando...
E sinto teu respiro junto ao meu,
Meu corpo, nosso corpo, se perdeu...


MARCOS LOURES

PRECISO TE SABER- FELICIDADE

PRECISO TE SABER - FELICIDADE

Não quero mais as noites invernosas
Nem as frias montanhas sem amor.
Jardim que se formara; tantas rosas,
Aos pouco recupera a sua cor...

As águas que caiam; cachoeiras,
Agora mansamente para a foz...
Palavras que trocamos; verdadeiras,
Matando essa saudade tão atroz.

Depois de ter vivido sem carinho,
Depois de ter sofrido essa saudade.
Amor, nunca me deixe mais sozinho,

Preciso te saber, felicidade...
Por vezes me imagino sem ninguém
Nas noites em que o frio vento vem...


MARCOS LOURES

sexta-feira, 4 de maio de 2018

A MOÇA EXPOSTA

A MOÇA EXPOSTA

Na porta sem tramela, a moça exposta
Nudez que traz delírio e fantasia
Do jeito que se quer e que se gosta
A moça transbordando com magia.

a vida sem a moça vira bosta
do tanto quanto bem eu já sabia
amor sem ter juízo não desgosta
e torna a nossa noite menos fria...

a festa da cidade, a fila feita
a moça seminua já se deita
e a gente ao mesmo tempo se deleita.

O corpo desejado sempre aceita
O olhar de quem jamais foge ou rejeita
Portal do paraíso não se estreita...


MARCOS LOURES

DURANTE A VENTANIA

DURANTE A VENTANIA

Depois desta tormenta apenas queimaduras
Restando em nossa pele, algumas cicatrizes.
Depois, já mansamente envoltos em ternuras,
Recuperamos tudo e somos mais felizes.

Nossa pele marcada em tais arranhaduras
Nos ensinou bastante. Os meros aprendizes
Depois de tanta busca, imersos nas procuras
Já sabem decifrar acertos e deslizes.

Voltando para a luta após tanta sangria
Só resta descobrir qual o melhor caminho
Que possa nos guiar durante a ventania.

Amiga, passo a passo, espero que esta andança
Leve-nos finalmente a maturar o vinho
Guardado numa adega em forma de esperança.


MARCOS LOURES

PARAÍSO EM TEU OLHAR

PARAÍSO EM TEU OLHAR

Buscando o paraíso em teu olhar
Recebo a claridade de um farol.
Banhando em pura prata o negro mar
Da lua transformada em vivo sol.

Espalhas esperanças a brilhar
Tocando com belezas o arrebol.
Persigo assim teus olhos sem parar,
Qual fora um helianto, um girassol.

Semeias fantasias onde passas,
Em ti me vanglorio, sou feliz.
Deténs as alegrias e as graças

Meu álibi sagrado, soberano.
Envolto em claras cores, teu matiz,
Amor se faz inteiro, sem engano...


MARCOS LOURES

UMA EMOÇÃO A CADA DIA

UMA EMOÇÃO A CADA DIA

Que a vida se permita em pleno amor
E nele uma emoção a cada dia.
Sabendo que se temos bom humor
Decerto vamos ter sabedoria.

Vivendo plenamente, um sonhador
Conhece totalmente esta alegria
De termos a certeza de compor
Um mundo delicado em poesia.

Há tanta discrepância nesta vida,
Viver com elegância é ser feliz.
Permita-se sonhar, enfim, querida

Terás, pois finalmente o que bem quis.
Amar é realmente uma saída
Ouça o que o coração agora diz...


MARCOS LOURES

FELICIDADE


FELICIDADE

Felicidade é feita a cada dia
Edificando um sonho em plena luz.
Ao píncaro sublime nos conduz
Moldada em tanta paz, pura alegria.

Distante da maldade, a poesia
Aos poucos, lentamente reproduz
Calando a dor que pesa feito cruz
Permite finalmente esta magia

Ao ser feliz, querida não renegue
O sonho da amizade em plenitude.
Quem sabe, com certeza já consegue

Bastando tão somente uma atitude
Que traga a liberdade como meta,
No amor se ter medidas se completa!

MARCOS LOURES

QUERIDA

QUERIDA

Porque pensas assim querida amada?
Sou teu,somente teu de mais ninguém...
Se encontro minha sorte abandonada
Na noite que te espero e nada vem,

Envolto em solidão, na madrugada,
De tanto que queria ter meu bem,
Somente o frio chega e nada, nada.
Procuro então por colo de outro alguém..

Não sabes quanto quero o teu carinho?
Às vezes mal percebes quando a chamo.
Não quero mais ficar assim sozinho.

Meu coração deveras sempre quis
O amor de quem sonhei, tanto reclamo,
Mas, somente contigo eu sou feliz...


MARCOS LOURES

AMOR E SEXO


AMOR E SEXO

Fagulhas espalhadas num palheiro
Nas tramas, velhos trâmites sem nexo.
Amortalhando o gozo corriqueiro
No jogo abençoado amor e sexo.

Incêndios espalhando este braseiro
Num simples desafio não indexo
E bebo deste corpo por inteiro
Tentando ter ao menos um reflexo

Que esconda as velhas rugas, meus esgares,
Partilhas onde ganhos são vulgares
Mas valem toda a vida, com certeza.

Na boca carcomida da saudade,
Rebordos seculares da vontade
Afloram num orgasmo em sutileza.

MARCOS LOURES

NO FOGO DE UM AMOR

 

NO FOGO DE UM AMOR


No fogo de um amor, em brasa pura,
Queimando sem pedir sequer licença,
Vencendo qualquer toque de amargura
Fazendo com que a vida nos convença

De todo este valor de uma ternura.
Amar é receber a recompensa
Em forma de carinho e de brandura,
Além, mas muito além do que se pensa...

Tomar-te em minhas mãos, te ter inteira,
Beleza de uma flor em todo o viço.
Te quero, minha amada companheira,

Tu sabes que me envolves com magia,
Entregue ao louco amor, nosso feitiço, 
Renasço para a vida em alegria...


MARCOS LOURES

O BAR ABANDONADO

O BAR ABANDONADO

A parte que me cabe desta festa
É o bar abandonado da esperança.
O mar que em tempestade já se empresta
Fomenta este vazio que me alcança.

Encalacrando o peito, sem pujança
Invado qualquer parte da floresta
Bebendo deste rum, alma descansa
E o gozo sem limites desembesta.

Apenas um partícipe, descubro
Nos olhos deste sonho outrora rubro
A vastidão do vago que carrego.

Se sarcasticamente tu gargalhas
A boca vai se abrindo nas navalhas
Deixando o meu olhar, vazio e cego.

MARCOS LOURES

O QUE SOBRARA

O QUE SOBRARA

Matei o que sobrara em poucos versos,
Depois do meio dia, o funeral.
Convido aos mais gulosos que dispersos
Adotam verborreia sensual.

Risíveis os temores tão diversos
Meu canto se mostrando mais banal
Engole este vestígio de universos
Retratando um terrível espectral.

Espetacularmente sangro e rio,
Vestido de quasares fui à festa
E nesta estupidez em que me crio

Tampouco o que sobrou já não me resta
Apago da esperança o seu pavio,
Pro gozo de quem sabe e me detesta.


MARCOS LOURES

O QUE EU NÃO TIVE

O QUE EU NÃO TIVE

Não sei do que não tive e pouco importa
Se as vísceras espalho pela rua.
Nas ânsias mais banais, fechando a porta
Deixando para trás audácia e lua.

O gozo do será já não comporta
Imagem de mulher sublime e nua.
Um romantismo estúpido se aborta
Enquanto a nau sem rumo inda flutua.

De um verme que caminha em podres sendas.
Barganhas não mais faço, arranco as vendas
E exponho esta nudez em armadura.

Do quanto não retive destas prendas
Morrendo em poucas rimas, velhas lendas
Amanhecendo morta uma alma dura.

MARCOS LOURES

TÓRRIDO DESEJO 141111

TÓRRIDO DESEJO

A noite vai passando, doce e quente;
Num tórrido desejo que nos guia
Envolta por suores, fantasia
Se mostra mais voraz, impertinente.

Vontade de te ter, fogosa, ardente;
No jogo que me encanta e me vicia,
Torpores de prazeres e magia,
No amor que a gente faz amor se sente.

Meus braços te enlaçando na cintura,
As pernas que se tocam se entrelaçam
Num beijo tão suave com brandura

Loucuras que traçamos mal disfarçam
A sede delicada, uma tortura,
Dois corpos que se querem e se abraçam...

MARCOS LOURES

CIGANA

CIGANA

Na mostra em galeria que se fez
A vida da morena foi cigana
Quebrando a rima trouxe insensatez
E logo, logo, volta e já me engana.

Na boca da morena, mel e cana
Assim como tu queres nada vês
Não voltando da farra, a sacana
Maltrata o coração tamanho rês.

Ao clarear o dia sem morena
A menos que ela volte de tardinha
A solidão danada vem e acena

Estraga toda a festa que inda vinha
Na lua esparramada e nesta cena
A conjunção astral se desalinha.

MARCOS LOURES

TUA PUREZA

TUA PUREZA

Lembrando da pureza, doce encanto,
Das tardes do passado, das novenas,
Jardins de minha casa, as açucenas,
Do amor que imaginara em triste canto.

A noite tão vazia, em negro manto
Trazendo uma tristeza em duras penas.
Quem dera se eu tivesse horas amenas;
Mas nada a mim chegava, só meu pranto...

Chegaste mansamente em beijos mudos,
Nas mãos a maciez: sedas, veludos,
E aos pouco me tomaste por inteiro.

Meus sonhos, suavemente já completas
Palavras que me dizes, prediletas,
O amor que fora sonho é verdadeiro!

MARCOS LOURES

UMA VISÃO INESQUECÍVEL

UMA VISÃO INESQUECÍVEL

Dois corpos se tocando, com luxúria,
Sentindo belos seios, duros pomos,
Da sílfide divina. Doces gomos
Da fruta preferida, fome e fúria.

Visão extasiante de uma lua
Que adentra em nosso quarto, voyeurista.
Prateia uma escultura semi nua,
Com mãos tão delicadas de uma artista.

Deitada no teu lânguido abandono,
No gozo perfumado, doces sumos,
Fustiga meus desejos, rouba o sono,

A noite se propõe em outros rumos...
Ecoam fantasias, turbilhões,
Devastadores fogos, mil vulcões...

MARCOS LOURES

O AMOR DA PRINCESA

O AMOR DA PRINCESA

Eu quero amor canalha da princesa
Domínio da total inconsciência.
Comendo e me fartando nesta mesa
Mandando para a merda uma decência;

Amor que já não tendo coerência
Expõe qualquer vontade sem defesa
E crava com desejo em eloqüência
Mudando ao bel prazer velha tristeza.

Sem ter a falsidade como lema
Amor já se entregando sem problema
Faz festa e se permite mais safado.

Não quero mais censura nem juízo,
Abrindo devagar o paraíso
Na delícia sublime de um pecado.


MARCOS LOURES

DESEJOS

DESEJOS

Os sonhos que refazem meus desejos,
Lembrando de um menino e seus anseios,
Palpita uma emoção, mansos enleios,
A música constante, harpas, arpejos...

A noite iluminada em relampejos,
Eu busco a proteção, maternos seios,
Deixando bem distantes meus receios...
Visões maravilhosas negam pejos...

Sentir tua presença, firmes rumos,
De uma alegria imensa, doces sumos.
Minha alma enternecida, embriagada...

Acalmam meus sentidos, minhas ânsias
Recebo de teu corpo tais fragrâncias
Que fazem minha vida bem amada...


MARCOS LOURES

SAUDADES

SAUDADES

Saudades são as bênçãos da tristeza,
Da forma que me ferem já me osculam,
Vontades incessantes que pululam
Da frágil solidão, a correnteza.

Lembrando deste amor que com destreza,
Delícias e desejos se vinculam,
As dores e vazios se regulam
Formando um raro quadro em tal beleza.

Pressinto que terei de novo os beijos
Que deste com perícia e com traquejos,
Neste momento em glória, num festim,

Depois de tanto tempo em tal desordem,
Que os tempos delicados se recordem
Trazendo nova vida para mim...


MARCOS LOURES

EU LOUCO CORAÇÃO

EU LOUCO CORAÇÃO


A chuva; a tempestade, em toda a gente
Num frêmito terrível sempre tem
Sabor de uma saudade de outro alguém
Que há muito já se foi, estando ausente.

Parece que num átimo pressente
A solidão eterna, sem ninguém,
Chamado doloroso de um Além,
De um vazio constante e mais presente.

A paz que derradeira, não mais creio,
Distante do que fora um ideal
Mostrando uma agonia que receio.

Na chuva necessária, a brotação,
Refaz-se toda a vida, num jogral
Brincando com meu louco coração...


MARCOS LOURES

O AMOR

O AMOR

Amor é tema pleno em formosura
Camões em seus poemas me dizia
Do amor que se faz sempre em alma pura,
Semeia dentre todos, fantasia.

Florbela que vivera em noite escura,
Também sem outro tema se fazia,
Apenas quem demonstra alma tão dura
Não vê que sentimento é poesia.

Sem sonhos que fará pobre poeta?
Morrendo qual se fora um retratista,
Fotógrafo sem arte, alma incompleta.

Distante da emoção, perdendo a liga.
Sonhar é necessário, minha amiga,
Amar nos traz de Deus a vera pista.


MARCOS LOURES

O REFAZER DO AMOR


O REFAZER DO AMOR


A chuva vai caindo o tempo inteiro,
Em gotas lagrimadas da agonia.
Uma esperança em mim, cedo morria,
No sacrifício triste de um cordeiro.

Amor que desenhara derradeiro,
Distante do meu quarto adormecia,
A voz do vento como que dizia
Amor não voltará; irás primeiro...

Em luta violenta, a natureza,
Nos raios rebrilhando com beleza
Formava vaga-lumes no meu céu.

Surgiste já trazendo estrelas belas,
Da dura solidão em frágeis velas,
O amor se refazendo, em alvo véu...


MARCOS LOURES

UM VENTO BEM MACIO


UM VENTO BEM MACIO

Ao sentires um vento bem macio
Chegando devagar, roçando o rosto,
Lambendo tuas pernas, bem vadio,
De desejo e carinho assim composto,

Um vento que incendeie o quente estio.
Deixando o teu querer bem mais exposto,
Molhando devagar, doce rocio,
Provando em tua boca, todo o gosto.

Ao sentires o vento te tocar,
Audaz já levantando a tua saia.
Sorvendo de teu corpo, devagar,

Verás que enfim cheguei, minha morena.
Sorriso no teu rosto não te traia,
Que a vida em mil prazeres nos acena...

MARCOS LOURES

A FERA ENJAULADA

A FERA ENJAULADA

A fera que enjaulada nada teme,
Irrompe estas cadeias, sem temores.
Um barco que se vai, perdendo o leme,
Prenúncio de tempestas e de horrores.

Toda a dor quando impele que blasfeme,
Deixando para trás perfume e flores,
Criando fantasia onde amor treme
Seguindo sem a sorte dos penhores.

Porém ao perceber tuas mazelas,
Espero paciente tua volta.
Na força que me mostras e revelas,

Certeza de que um dia serás minha;
Entendo, meu amor, tua revolta,
Mas voltarás pra mim, qual andorinha...

MARCOS LOURES

TUA DOCE TIMIDEZ

TUA DOCE TIMIDEZ


Percebo tua doce timidez
Quando olho pro teu corpo, meu amor.
Procuras ocultar tua nudez,
Procuras levemente recompor,

Depois de tanto amor que a gente fez,
Enrubesces mudando tua cor.
Sorrio desta vaga insensatez
Amar de novo, volto a te propor.

E passo minhas mãos por sobre as tuas,
Leve arrepio mostra uma vontade,
Num segundo, tu finges que recuas

Mas logo se aproxima, delicada,
Matamos novamente uma saudade,
E a noite recomeça, apaixonada...

MARCOS LOURES

O QUANTO ÉS IMPORTANTE PARA MIM


O QUANTO ÉS IMPORTANTE PARA MIM

Se quando me deixaste tu soubesses
Do quanto és importante para mim,
Talvez não precisasse destas preces,
A seca não viria ao meu jardim.

Ao pedir incansável que regresses
Espero que a tristeza tenha fim.
Porém os mais diversos interesses
Roubaram a esperança. Eu sofro assim...

Um dia o coração que esfacelaste
Levado pela fúria da paixão
Talvez inda consiga renascer.

Amor que se perdendo num desgaste
Trazendo tão somente a solidão,
Ainda me trará tanto prazer...

MARCOS LOURES

ET SI TU N'EXISTAIS PAS

ET SI TU N'EXISTAIS PAS

O que seria; amor, de minha vida
Se nunca houvesse tido esta presença
Que torna uma existência mais querida
Trazendo a plenitude em recompensa.

Por vezes custo a crer, mesmo duvido
De ter a sorte imensa de poder
Durante a tempestade enfim, ter tido
A calmaria feita no prazer.

Eu não existiria sem você.
De que me adiantaria vir ao mundo,
Numa procura insana em que se vê

Tão somente o vazio. Eu me aprofundo
E encontro em nosso amor uma esperança
Da vida em mansidão e temperança...

SEDENTA SENSAÇÃO

SEDENTA SENSAÇÃO

Amar e ser liberto a cada dia,
Sedenta sensação: felicidade.
Arguto coração já percebia
Nos olhos de quem amo; a falsidade.

Por vezes embaçando a claridade
Olhar enamorado nada via,
É duro perceber a realidade
Misturas que compõem a fantasia.

Cativo coração, teu prisioneiro,
Não deixa nem sementes sobre o solo,
A morte não me serve de consolo,

Distante de um amor mais verdadeiro
Sabendo no teu peito, este deserto,
Do amor que não tiveste; já deserto...

MARCOS LOURES

RAÍZES


RAÍZES...


Este mente, aquele mente
outro mente... tudo igual.
O sítio da minha embala
aonde fica afinal?
A terra que é nossa cheira
e pelo cheiro se sente.
A minha boca não fala
a língua da minha gente.

ALEXANDRE DÁSKALOS POETA ANGOLANO


O rosto do poder se mostra estúpido
E bebe cada gota da esperança.
No olhar de um povo simples, sempre cúpido,
A fome se promete a cada dança.

Abutres não disfarçam sua fome,
Rasgando a carne frágil do campônio,
Aos poucos devorada, se consome
Entregue ao paraíso de um demônio.

Na mão já não carregam mais chicotes
Disfarçam-se em amigos, protetores,
Na fome tal matilha de coiotes

Espalham a miséria sem pudores.
Depois já reunidos no Congresso,
Brindando, tão amigos, - sangue-expresso...

MARCOS LOURES

ENGODOS?


ENGODOS?

Morena, em tua boca sei fantasmas,
Dos beijos que me destes, sem ter medos...
Mas quando cultivavas tuas asmas,
Os teus gemidos foram teus segredos..

Achava, num momento: eram miasmas,
Que vinham sem profundos arremedos...
Então quisera Deus, virem do plasma,
Quando, passava, célere, meus dedos...

Agora sei que tinhas tantas crises,
Enquanto cria fazer-te gozar,
Nunca foram, portanto, mais felizes,

Os nossos bons momentos, sem vagar.
Te comparei; melhor entre as atrizes;
Teus gemidos profundos, sufocar...

MARCOS LOURES

FALSEDAD

FALSEDAD

La muerte se anuncia a todo momento
Siento así la esperanza en frágil voluntad,
Inútil luchar contra los espacios de mi alma.
La fatiga expresa lo cuanto aún tengo.
Una sombra solamente, y el nada adelante,
El cuerpo denudo en vanos inermes
Mis temores son más que reales,
La fétida locura se aproxima
En un clima tétrico y nefando,
En su tez atroz y virulenta,
Pero tengo en mis sueños la redención,
Mismo que sea una inútil expresión de la falsedad.


MARCOS LOURES

LIBERTINE


LIBERTINE

Only this life a libertine
That both surrendered without measure
And now when your life ends,
Truly looking for another destination?
In such a scenario as in me hallucinate
Missing an exit of the maze,
Because who does not doubt enters,
How the lens becomes cloudy.
Rather different direction where the meeting
And it every step the mismatch
Forging new day, same ages,
Do you not see how this superb emotion
And segues without thinking toward
Where in gentle stops, I see the beasts...


MARCOS LOURES

SPIRIT SATANIC

SPIRIT SATANIC

Satanic spirit dominates
Verse bolder that could
And so life made in dark complexion
Denying any mine forever,
Where is emanated rotten fate?
And as much as I could in agony
Saying that creates my ghost
As this fascinates both terrors,
Luck uncovered this plot
And the more I impart to hell
Finally realize that the happiness,
So to portray humanity
In paths of Satan I penetrate
My soul slowly degrades...


MARCOS LOURES

SÍ YO TE AMO



SÍ, YO TE AMO.

Reflejos multicolores reproducen
Tus ojos espejando mi mirada,
Estrellas, luces varias, brillos raros,
En esa voluntad inmensa del amor.
Lo rocío en la flor, tu piel delicada,
El sudor, placeres…
Traces universos calientes,
Haciendo que se olvide todo el dolor.
He muerto en tus brazos, renazco
Sintiendo tus cariños, adonde me entraño,
Y en toda esa delicia compartida,
Tengo en ese amor mi mayor orgullo,
Percibo tanta paz en nuestra suerte,
En las bendiciones que  en eso encanto me conforte…


Marcos Loures

SEDUCTION

SEDUCTION

Power that seduces us, money and enjoyment,
Thus the most sublime of altars
And certainly when you touch it
You will see just how beautiful and majestic,
Even though now, this tattered
Devil in the various brothels
More subtle ways, you profane
After the storm the pleasurable
Scenario showing up in gold and females
Several souls being almost twins
And therein lays bare if this delusion,
Leaving behind the virulence
Of spurious and without income innocence
Killing what was left in you, martyrdom...


MARCOS LOURES

MIS RECUERDOS



MIS RECUERDOS.

Si mí amor adentrase en ti,
Un simple deseo quizás bastase
Cualquiera luz nos tomase
Tramando lo que otrora ya perdí.
La vida se moldando ahora así,
El canto en otro encanto embalase
Viviendo sin temor y sin disfrace
Dejando eso dolor que conocí.
Pero sé que mi canto no fascina
Pero sé que ya nada más te basta,
La noche en que el deseo descortina,
La vieja sensación demás gasta
Un día se denuda y nos devora,
Volviendo el pesadillo del pasado,
Y mismo cuando estoy hoy a tu lado,
Mis recuerdos sobrevienen desde otrora…

Marcos Loures

MAD




MAD


Playing in my skin such yearnings
Managing each step toward thistle,
And as you realize immense burden,
I recall your legs, thighs, breasts,
And leave behind old fears
What had been a poet, even a bard,
Life made ​​a dart penetrating
Killing that thought in vain recreations.
Denying the embezzlement where inside,
And having this figure as the center
From every thought you have,
Living deranged, so vain
Power in Praise Satan cry
For more than a foolish soul refrain ...

MARCOS LOURES

TINIEBLAS


TINIEBLAS


Mis versos sin sentido ni quizás
El encanto que nunca más pudiera,
Quien tanto se desea allá de una hiera
Buscando sin suceso apenas paz,
Y mismo cuando el mundo deja atrás
La senda más sublime, nada espera,
Y el sueño en pesadillo, degenera,
Adonde hubiera el tanto, hoy es jamás.
Las tinieblas tomando el horizonte,
Ya nada más concibo y así se aponte
Solamente el vacío muerto en alma,
En medio a las tormentas, desvarío,
Espero por quien sabe un manso rio,
Pero nada, de cierto, muestra calma…

MARCOS LOURES

HORDES OF SATAN


HORDES OF SATAN

Feeling really steamed
Where the freedom is fades,
Winning with fury the storm,
Enjoying this immense chagrin,
The price you pay for love,
As time everything will degrade,
Breaking any of modesty grid
I do not see the scene to compose,
Sparks ignite the hells
And rich suits them again,
And many promised wonders,
Lost in this life? Never again,
Auriferous masterful ways,
In hordes of Satan, no more fear...


MARCOS LOURES

INVERNALES CAMINOS

INVERNALES CAMINOS


Invernales caminos, hielo y miedo,
Exhalas solamente en  tu respiro
Lo cuanto no sostiene y mismo miro
Viviendo desde siempre eso degredo,
Contiene, la esperanza, alguno enredo
Diverso del que tiento y hasta transpiro,
Jugado en algún canto, viejo papiro,
Mi verso agonizante, ciego y ledo.
Ahogo las palabras en litigios,
De los sueños antiguos, ni vestigios,
Recuerdos de luceros son detalles
Y mismo sin destino por las calles
Recibo en toda farsa el descamino,
Vertiendo por mis poros, rudo espino…

Marcos Loures

EMPIRICAL

EMPIRICAL

Takes care of the pain my meager mind
And both sailing in filthy water,
Luck in the void deepens
Erratic and satanic behold the empirical
Way I do in tone ethyl
And vacant by the hordes most fearsome,
The dreams if I had; essential
Famished figure, a so idyllic
I cannot ignore this chimera
For her to absorb every breath,
In this as in abyss shoot me now
Only loneliness still waiting
Who had wanted some peace,
And only a shroud meets ...


MARCOS LOURES

CASTAWAY HOPE


Castaway hope

Had they perhaps wanted
There were so treacherous life
If I do my flag of illusion,
I will never have this sort of boon,
How the empty one obeys
In source where drought is true,
I cannot against life in ultimate
Hideous face, not all over weaves
Childbirth withheld, another abortion
Ship aimlessly searching the harbor
In no way, north or towards,
And as much as I could until I sail,
But being eternally foolish and blind,
Wreck hope I always assume ...


MARCOS LOURES

CHACALES

CHACALES

Turbado por la misma hipocresía
Errando sin saber se existe paz,
Tan solo en otro engodo, hasta jamás,
Un sol ben más tranquilo se vería,
Alabastrina luna en fantasía,
Mi verso no se muestra en fin capaz
Féretro de ilusiones donde estás
Alguna claridad, tola utopía.
Derribas en mis pasos hiel y espino
Sepulcrales tormentas dominando
Dejando desde siempre como y cuando,
En nueva sensación un asesino
Tomando en duras manos sus puñales,
Esperan calmamente esos chacales…

Marcos Loures

LETHARGY

Lethargy

Dreaming is allowed, but worth
The dream did not realize in faith,
The gain is still so much prejudice
Because he only tangentially
On the whole I imagine, and do not talk
Luck brings me to the vile hail
And when I turn other colors
Mimicked life denies the shawl,
And the cold dominating the day to day
Sketch reactions, but could not
Know how much light and remains in pain,
Opening this window, an invitation
Diving into the void and without limit,
Flying over the life in such a daze ...

MARCOS LOURES

SENSACIÓN



SENSACIÓN

Dichosa sensación de lumbre y paz
En los lechos sencillos del futuro,
Y cuando en la verdad veo y procuro
Lo todo que se muestre tan audaz.
Volando sin fronteras, mucho más,
En cada nuevo engaño me torturo,
Sabiendo de mi mundo hoy obscuro,
Adonde amor ya fuera contumaz.
Guardado dentro en mí eso infinito,
Y tiento acreditar en cuanto imito
Crisálida buscando nueva forma,
Por las puertas sombrías que me diste,
Mi rostro solitario, amargo y triste,
En todo eso horizonte, en azuleo,
Marcando con las grises brumas vagas,
Sin mismo presumir aun divagas,
La sombra do que fuiste en mí no veo…

Marcos Loures

NUNCA MÁS


Nunca más.

Empiezo a caminar en noche escusa
Vagando por las tantas tempestades,
Y cuando en un momento en fin evades,
La suerte sin temor algún abusa,
Pasando por vacíos, entrecruza
Las tantas ilusiones y verdades,
Matando desde siempre claridades,
Poeta se perdiera sin ter Musa.
Se nadie más podría decir paz,
El canto se transforma sin jamás
Moldar nueva versión y sigo atroz,
Oise pelo menos la emoción
Desdicha de eso tolo corazón,
Pero nunca más oiría suya voz…

Marcos Loures

NEW WAY

NEW WAY ...

Where wanted clarity on lighthouse
Just another night in storm
And when reality destroys
Where there could be a sun?
If I'm still just a sunflower
During the night the fear always invades
And all that really displeases
Allows full fury of the afterglow,
The timidity of glasses, my fear,
Even so quiet still proceed
And try new course, but lies ...
Any new nuance of victory
You come and repeating the old story
This hope soon because, retire ...

MARCOS LOURES

POSIBLE

Posible

Ninguna solución permitiría
Vestir otra diversa realidad,
Y mismo cuando envuelto en la verdad
Propongo sin temor otra magia
La suerte se aproxima y a cada día
Pudiera conseguir tranquilidad,
Más sé que eso cariño ahora invade
Legando otra mañana en harmonía.
Implicase de cierto con palabras
Las portas del futuro siempre que abras
Tratando de momento imprevisible,
Amor se haciendo amor así nos basta,
Y mismo en una cena casi casta,
Genera nuevo encanto, en fin posible.

Marcos Loures

WAY TO PARADISE?

WAY TO PARADISE?

Could some way to paradise
Maybe in your eyes, your skin
And when the madness that compels me
The boldest step, even inaccurate,
How is losing some wisdom
Though really try and appeal,
The burden is weighing me run over,
And ultimately: prejudice ...
So life dictates its rules
And when occasionally you tell me
Dream happier? Only bravado ...
The world has taught me not every
That never knowing the direction
The waves are ungrateful for sure ...

MARCOS LOURES

ALTARES EN BELLEZA

ALTARES EN BELLEZA


Después de caminar sin más destino,
Después de imaginar otro momento,
Liberto desde siempre el pensamiento
E al viento mi delirio que domino,
Adonde se perdiera me alucino,
Abierto corazón entregue al viento,
Ninguno impediría cada intento
De quien se muestra allá del desatino.
Encarecidamente sigo en paz,
La noche no me calla y nadie más
Cambiará mi verso en tal tristeza,
Así, con la alegría de quien lucha,
Venciendo mismo hasta una hiera astuta,
Adentro altares hechos en belleza.

Marcos Loures

RUINS



RUINS

Ruins of what we see now,
And I try to hide any plot
And even when a smile impart
Will you leave me now devours,
And both could without hours
Life will know every secret
And having my way bitter and distant
The end is already approaching and nothing anchors
A ship lost in storms
And you know so far any pier
Besides this shroud in green tones
The days in continuing pain and sorrow
Only the immense cold flows in me
Death of hearing the bells sounds pretty...

MARCOS LOURES

AT DAWN


AT DAWN


At dawn I see this figure
Decrepit ghost chase
And when my chest is under,
The night is always showing dark
While translates full madness
I see another danger at every step
And either insane or nearly so proceed
Charting a new path in bitterness
Hermetic paths leading me
When most atrocious table, hard and nefarious
Snowing inside the lonely soul,
Where wanted peace and not heard
Revive this sadness scholarly beast
And fortune if it comes is temporary.

MARCOS LOURES

RECEIVE WITH TENDERNESS



 RECEIVE WITH TENDERNESS

I get the tenderness with which he could
The world draws only the future
Generating and wrestle as me assure
And it towards another old prayer
Fear is announced and deserves
The fight is translated and configure
I presume see how and what I seek
You dream beyond as express,
Showing some light where one day
Delirium and could generate this
Live every second so,
Landing softly on the window,
While an emotion reveals nothing
And the world becomes ever another tone...

MARCOS LOURES

OUTCAST BUT NO BASTARD



OUTCAST BUT NO BASTARD.


Looking for some groping needle
And I try to find in haystack wheat
But only the weeds as I can,
The light had imagined? One spark,
The stomach has really wraps up
And I try to console me, but I do not care,
How can I still hang sometimes only being?
Outcast’s not creep.
And every vile carcass done in rubble
Do not let it see what happens
Besides the dead eyes of a child,
The night featuring prostitutes,
Bitchs sluts and more astute,
Reduce clothes and hope.

MARCOS LOUREST

HURTS

HURTS


The sorrows of ordinary couples
Generating violence in cold night
And when you realize this heresy
Stars on earth, masterful,
And when preparing funerals
Wake up every day doing,
Death sustaining hypocrisy
Vultures in more carnal delusions,
Or simply rest still exists?
I cannot really be more disastrous
And live soliloquy in which demented,
After some soothing, a brandy
The end of hope when testify
Mine also sees clear and pressing.

MARCOS LOURES

THE SEA

THE SEA

The sea waves on walks in the sand
Bringing these stories from other lands
Also when you show the desires
In the forge fires of desires
Life in luck while looking
And changes direction, so you away
And you leave behind as you close
The doors of this light that surrounds you,
All the wiles of a lifetime
Shown in this moment turns
Generating turbulence in this revolt
Where is thought decided?
The fate of those who both wanted to feel
The same illusions of another future...

MARCOS LOURES

ETERNIDADE



ETERNIDADE...

Dormira, tantas vezes, neste ignaro
Caminho pedregoso aonde um dia
Vestindo a mais temível fantasia
Levaste ao tão completo desamparo,

E quando com a morte hoje deparo,
Encontro o quanto outrora poderia
Jazer numa alma insana em utopia
E vejo meu imenso despreparo.

Não quero outro momento em regozijo,
Apenas a verdade enfim exijo
E o preço que ora pago? A decepção.

Há tempos me vendeste esta mortalha,
Enquanto o próprio tempo é vil medalha
E eternidade é torpe podridão...


MARCOS LOURES

OS BRILHOS DO FUTURO



OS BRILHOS DO FUTURO

Envolto pelas sombras do que há meses
Pousasse em cada sonho quando quis
Vencer o desafeto e ser feliz
Deixando para trás diversas reses,

E nada do que possa doravante
Moldara o quanto eu traga, inusitado,
O mundo noutro engano do passado
Apenas nova farsa entoe e cante,

Navego neste mar, a solidão,
E bebo cada gota do que há tanto
Pudesse imaginar, mas, desencanto,
Ecoa dentro da alma a negação,

E o sonho se desfaz em pesadelos,
Os brilhos do futuro? Posso vê-los?


Marcos Loures

DIVERSAS CATEDRAIS

DIVERSAS CATEDRAIS


Diversas catedrais, sonhos vazios,
Meus olhos procurando no horizonte
Estrela que de fato enfim aponte
Além dos mesmos erros e desvios,

Ousando acreditar em novos fios
Enquanto a própria sorte nega a fonte,
Restauro o quanto houvera e sem a ponte
Apenas mergulhar em podres rios.

Restando muito pouco deste espaço
Olhando outro momento e mesmo lasso
Escasso sonhador se faz presente.

Pairando sobre intensa tempestade,
A cada novo corte mais degrade
Embora outra ilusão, inda fomente...

MARCOS LOURES

BELEZA ENGANOSA



BELEZA ENGANOSA

Beleza ora enganosa nada vale
Apenas reproduz a velha farsa
Da sorte imaginosa que disfarça
O quanto em sortilégio a vida exale,

E quando se aproxima e sempre cale
A forma mais audaz enquanto esgarça
Tornando alguma fonte atroz e esparsa
Invés da cordilheira, o frágil vale.

Não queiro acreditar em tal falácia
E mesmo quando possa alguma audácia
Expressaria o peso de uma fútil

Noção demasiada tola e frágil,
Porém a cã se volve bem mais ágil
E mostra o belo palco ao fim, inútil...

Marcos Loures

TÊNUE SENAÇÃO


TÊNUE SENSAÇÃO

Na tênue sensação de liberdade
A mesma imagem volta à minha mente
E o tempo que em verdade se apresente
Enquanto a realidade se degrade,

Embora tanta angústia desagrade
Embalde vou tentando novamente
Ou mesmo quando  a fúria em vão invente
Preconizasse ao fim ferocidade.

Mesclando as várias faces desta fúria,
A cada novo instante; outra lamúria,
Na incúria que pudesse ser diversa

Do mundo em solidão que ora concebo,
Amor renegaria e o não recebo
Com toda esta emoção, mesmo perversa...

Marcos Loures

AO VELHO PÓ


AO VELHO PÓ

Apesar de sonhar inutilmente
Vestígios do que outrora fora vida
Rondando a velha estrada já perdida
Tornando sem sentido corpo e mente,

Ainda quando além de fato eu tente
A porta se desdenha e de saída
Voltando para trás vejo a partida
Do quanto se fizera num repente,

Aos poucos semeando inútil grão,
Expresso os dias tolos que virão
Verão quando invernara inteiro e só,

Apresentando erráticos momentos
Envoltos pelos passos desatentos,
Retorno mansamente ao velho pó.

MARCOS LOURES

ALUCINADA 246O5


Derrama-se por sobre a terra inteira
Dourando com sublime maravilha
Seguir deste astro-rei enquanto trilha
Minha alma destes sonhos já se inteira

E segue, alucinada a bela trilha
Além da fantasia corriqueira
Entrega-se deveras companheira
E vendo tanta luz se maravilha.

O sol entorna assim por sobre nós
Porquanto nos atando em firmes nós
Dos quais jamais um dia me liberto,

Num paradoxo sinto que esta algema
Enquanto nos unimos não algema
Mantendo o coração sempre liberto.

MARCOS LOURES

SOLARES MARAVILHAS



Quem nada poderá fazer sozinho
Já sabe dos engodos de uma vida
Enquanto a realidade, distraída
Encontra por resposta algum carinho

Nas ânsias deste encontro eu já me alinho
Minha alma neste instante esmaecida
E teimo em procurar outra saída
Que possa inebriar; diverso vinho

Do qual entorpecido bebo até
Chegar ao tal Nirvana que inda busco
Por mais que o céu esteja turvo, fusco.

Solares maravilhas, rumo e fé
De quem ao se entregar; felicidade
Tocando levemente sempre aguarde.

MARCOS LOURES

A NOSSA ESTRADA

Seguindo a nossa estrada para o sol
Mergulho nos anseios da ilusão
E sei que tantas luzes proverão
O amor que se espalhara no arrebol,

E encontro nos teus braços o estuário
Dos sonhos e desejos de um poeta,
Que em ti quando se lança se completa
Por mais que a vida mostre um rumo vário.

Seguindo cada rastro poderei
Chegar a mais sublime cordilheira
Paixão ao se mostrar tão verdadeira
Dourada pelos raios do astro-rei

Não deixa qualquer dúvida e incendeia
Entrando em cada poro, sonho e veia.


MARCOS LOURES

AMOR EM PERFEIÇÃO

Amor em perfeição quase divina
Não deixa sem respostas um amante
E segue sem perguntas, sempre avante
E a cada novo passo, me fascina.

Não tendo quem o tempo assim domina
Por mais que a cada dia se adiante
Incandescente fúria num instante
Destroça qualquer fonte, ponte ou mina.

Exalas teu perfume e te persigo
Pudera ser além de um bom amigo
Teria finalmente aqui repleta

Uma alma que se fez em fantasia
Tocando mansamente a poesia,
Porém o que fazer: não sou poeta.

MARCOS LOURES

VIAGEM


Viagem que em teus braços, determina
Caminhos pelos quais posso encontrar
Além do manso raio de um luar
Que ao mesmo tempo dói quando fascina,

E tendo uma alma tola e cristalina
Não temo mais angústias; bebo o mar
E dele a cada lágrima a salgar
Permite inusitada e rara mina.

Examinando os erros percebi
Que tudo me levara enfim a ti
E sei que por talvez amar além

Do quanto poderia; vejo o fim
E transbordando estrelas dentro em mim,
Olhando para os lados; mas, ninguém.

MARCOS LOURES

ALENTO

Nem medo nem quimera que me atinja
Podendo destroçar um sentimento
No qual por vezes penso e já me alento
Nas cores e matizes onde tinja

O mundo percorrendo o pensamento
Qual fora samurai, ou mesmo um ninja
Que em lutas desumanas sempre finja
Fugindo o mais depressa do tormento

No qual e pelo qual se existe a vida
Que tanto nos encanto quanto acida
E traz novo viver em tom sombrio,

Vencer os medos tantos que carrego,
Assim fortalecendo enfim meu ego,
O mundo neste instante eu desafio.

MARCOS LOURES

INCOERÊNCIA

NCOERÊNCIA

Discurso fartamente repetido
Por muitos que se julgam bem versados
Dizer que a educação muda o carteado
E assim possa lograr revolução...

Mentira e a verdade à céu nublado
Revela que o poder que aqui se ensina
Há muito é que a injustiça determina
E só alimentou reis e soldados...

Delir dignidade de um coitado
Que vive sem saber do jogo sujo
Se pode conceber mais que pecado...

Discurso que discursa que a ciência
Trancada à sete chaves pelo diabo
E a chave pra sair deste engradado.


ANA MARIA GAZZANEO


Vivendo sem sentidos vou seguindo,
De golpe em golpe segue esse Brasil.
Mandando para a ponte que caiu
Disseram que isso aqui fosse lindo.

Porrada a cada passo, e vejo o fim,
Morrendo quando queira uma esperança,
A faca desenhada nada avança,
E sigo meu momento dentro em mim,

Olhando sem juízo, este capeta,
Bicudo, faz da festa e continua,
A pátria que partiu, segue nua,
E nasce noutro cão, velha vinheta,

Vamos à queda, sem pudores. Difícil.
Nem moro, nesse inferno, este edifício...

MARCOS LOURES