PARA TANTOS, PRINCIPALMENTE MARCOS GABRIEL, MARCOS DIMITRI E MARCOS VINÍCIUS. MINHA ESPERANÇA. RITA PACIÊNCIA PELA LUTA.
quinta-feira, 31 de maio de 2018
Amor que não tem fim vem me dizer
Da força em que amizade se derrama
Ajuda um caminhante a perceber
Potência de um carinho em farta chama.
Vencendo as tempestades, lado a lado,
Jamais eu temerei os descaminhos
Meu verso segue o passo abençoado
Dos ventos que moldaram fortes ninhos.
Não temo o vendaval, prossigo firme
Sabendo que intempéries passarão.
Nos olhos de uma amiga o bem que afirme
Deixando bem distante a solidão.
A força da amizade em mãos suaves
Guardada no meu peito em sete chaves...
MARCOS LOURES
Amor que não tem fim vem me dizer
Da força em que amizade se derrama
Ajuda um caminhante a perceber
Potência de um carinho em farta chama.
Vencendo as tempestades, lado a lado,
Jamais eu temerei os descaminhos
Meu verso segue o passo abençoado
Dos ventos que moldaram fortes ninhos.
Não temo o vendaval, prossigo firme
Sabendo que intempéries passarão.
Nos olhos de uma amiga o bem que afirme
Deixando bem distante a solidão.
A força da amizade em mãos suaves
Guardada no meu peito em sete chaves...
MARCOS LOURES
Encanto feito amor; eu propicio
Sabendo que tu vens sempre comigo,
Derramas sobre nós gozo em rocio
Amor que há tantos anos eu persigo.
Recebo cada verso que tu fazes
Com toda essa emoção rara e suprema,
Permites que eu conceba firme base
Rompendo do passado cada algema.
Entendo ser possível ser feliz
Tocado pelo vento da paixão
Quem fora no passado um aprendiz
Aprende com certeza essa lição.
Tu sabes deste sonho que retrata
O quanto esta paixão sempre arrebata
MARCOS LOURES
quarta-feira, 30 de maio de 2018
As nossas noites deixem de ser frias
Trazendo este calor que necessito,
Restando tão somente as alegrias
Eu vejo amanhecer bem mais bonito.
Depois de tantos medos e temores
Amor modificando o meu caminho
Estende em suas mãos os resplendores
Decerto nos teus braços não definho.
Ternuras se agigantam; nada as cala
Nem mesmo uma saudade ou solidão.
Enquanto a tempestade me avassala
Nos olhos de quem amo; uma amplidão.
Não tema mais as dores nem o frio
Encanto feito amor; eu propicio.
Amiga na procura por afeto
Vagamos multimídias universos.
Meu mundo ao mostrar mais incompleto
Estende cada braço nestes versos.
Momentos tão difíceis e perversos
Passamos sem um colo mais dileto
Embora a tela mostre-se um objeto
Provoca sentimentos tão diversos.
Compartilhando tudo o que puder,
Eu quero ser amigo mais leal.
Nas horas mais difíceis e vazias
Quem sabe noutro dia se quiser
Na troca de carinhos, afinal,
As nossas noites deixem de ser frias...
Amiga na procura por afeto
Vagamos multimídias universos.
Meu mundo ao mostrar mais incompleto
Estende cada braço nestes versos.
Momentos tão difíceis e perversos
Passamos sem um colo mais dileto
Embora a tela mostre-se um objeto
Provoca sentimentos tão diversos.
Compartilhando tudo o que puder,
Eu quero ser amigo mais leal.
Nas horas mais difíceis e vazias
Quem sabe noutro dia se quiser
Na troca de carinhos, afinal,
As nossas noites deixem de ser frias...
Eu continuo sempre do teu lado
Sem nada que me impeça, vou contigo.
Meu verso se mostrando extasiado
Deixando para trás qualquer perigo.
Nas mãos que se derramam em ternura
Eu tenho a sensação de ser mais forte.
Enquanto a fantasia se depura,
Traçamos lealmente o nosso Norte.
O mundo prometido se apresenta
Nas mãos de quem percebe o que bem quer.
Ternura com certeza me apascenta
Vencendo qualquer fera que vier.
Encanto que vislumbro; tão dileto,
Amiga na procura por afeto
Percebo em cada passo que nós damos
Em direção ao bem tão absoluto
Que amor que não permite que tenha amos
Bendiz a cada dia o raro fruto
Que é feito em cada passo que sonhamos
Impede que haja morte ou mesmo luto.
No dia em divindade que traçamos
Jamais conheceremos jogo bruto.
Mas amor é doído e causa danos
A quem não se percebe enamorado.
Por vezes se povoa em desenganos
Distante do caminho já traçado.
Por isso é que ao passar de tantos anos,
Eu continuo sempre do teu lado...
Assim me bastaria só teu laço
Semente cultivada com fervor,
Amada ao ter firmeza em cada abraço
O tempo de viver, encantador.
Do medo nem resquícios, sigo em frente
Vencendo qualquer dor que um dia venha
No peito a fantasia plenamente
Aquece a nossa noite, fogo e lenha.
No fogaréu dos sonhos cada espera
Permite que se veja esta amplidão
Amor que se cevou na primavera
Promete eternidade de um verão.
Colheita feita em belos, raros, ramos,
Percebo em cada passo que nós damos.
Amiga; eu te garanto ela não volta.
Jamais retornará ao velho ninho.
Desculpe se a saudade traz revolta
Ao peito que se perde em desalinho.
Um grito no vazio, sempre solta
Aquele que caminha tão sozinho.
Quem dera se encontrasse alguma escolta
Em quem me prometesse um só carinho...
Eu te agradeço o braço tão amigo
De quem sabe e conhece cada passo
Que dei em minha vida, em desabrigo
O tempo em solidão, pra sempre eu passo,
Quem dera se viesses já comigo
Assim me bastaria só teu laço...
Dormindo entre estas pernas, do teu lado
Jamais retornarão as tempestades
Meu canto de teus olhos, encantado
Permite que se entendam liberdades.
Não vejo outro caminho em nossa vida,
Senão retribuir cada carinho,
Estrada tantas vezes percorrida
Permite que se aviste em ti meu ninho.
Não tema a solidão, venha comigo,
A fera se escondeu pra nunca mais,
Não vejo mais sequer algum perigo,
Felicidade agora é nosso cais,
Sabendo nosso amor, qual firme escolta,
Amiga; eu te garanto ela não volta.
Minhas mãos percorrendo ensandecidas
Teu corpo, porto, cais que revigora.
Contorno minhas noites, nossas vidas,
E chamo-te pra cama. Vem agora!
Meu desejo te pede sem ter hora,
E lambe tuas pernas distraídas.
Do amor que tanto tenho se decora
E sabem dar prazer, mãos pedidas
E tanto desejadas. Quero mais,
Repito logo a dose e me inebrio,
Tocado pelo fogo do teu cio,
Sentindo-me de tudo ser capaz
Até que no final, extasiado,
Dormindo entre estas pernas, do teu lado...
MARCOS LOURES
Fazendo deste amor meu bem-querer
Razão para que eu possa prosseguir,
A cada novo tempo irei saber
Aonde me encontrar ao te sentir.
Eu venho de um passado dolorido,
Vencido pelos medos e tristezas,
Agora nos teus braços, envolvido
Eu venço em alegria a correnteza.
Não quero mais surpresas, eu garanto,
Cansado de lutar sem esperanças.
Apenas derramando amargo pranto
Quem sabe nos teus laços, alianças,
Teu corpo, estas estradas conhecidas,
Minhas mãos percorrendo ensandecidas
MARCOS LOURES
Distante dos teus braços, fico triste,
A vida vira logo uma bobagem,
Amor que tu bem sabes já resiste
Não sendo mais um sonho, uma miragem.
Convida para a vida que persiste
Com força e com carinho em boa aragem,
No coração, amor que sei existe,
Fazendo no meu peito uma viagem
Que leve aos olhos teus, olhos sedentos
Dos teus, momentos lindos de viver.
Rondando tua cama, fortes ventos,
Chamando para a noite em tal prazer
Que invadem todos estes sentimentos
Fazendo deste amor meu bem-querer...
MARCOS LOURES
No fogo destes sonhos sobre humanos
Amor incendiando a nossa vida,
Vencendo os mais temíveis desenganos
Estrada demonstrando uma saída.
Meu verso te buscando, segue ao léu,
Estrelas espalhando em nossa cama,
Girando a fantasia em carrossel,
Durante a noite inteira amor te chama.
Estenda, por favor, um laço ao menos,
Deixando que eu perceba assim um rastro
Tramando outros momentos mais amenos,
Da vida uma certeza feita em lastros.
Se a solidão, algoz, inda persiste,
Distante dos teus braços, fico triste.
MARCOS LOURES
Esparramas teu gozo sobre mim,
Na lava que me queima e me sacia.
Eu quero estar contigo até o fim
Mordiscas meus desejos, alegria.
Aguando tuas flores, teu jardim,
Enaltecendo sempre a fantasia
Do mundo que nos mostra em tal festim,
Um gesto de calor e de euforia.
Serenos vão caindo em nossos portos,
Corpos que se buscam, sem fronteiras.
Destinos que julgávamos tão tortos
Molduram em delícias; novos planos
De noites tão fantásticas, ligeiras,
No fogo destes sonhos sobre humanos...
MARCOS LOURES
O quanto esta paixão sempre arrebata
Tomando o meu cenário, faz a festa
Vontade de saber em serenata
O brilho serenando uma tempesta.
Depois de tanto tempo solitário
Eu vejo ser possível nova dança
Amor que sempre fora temerário
Agora a plenitude; enfim, alcança.
Beijando a tua pele, com carinho,
Sentindo este arrepio me tomando.
A noite se passando de mansinho,
O vento da alegria se faz brando.
Colheita mais sublime de um jardim,
Esparramas teu gozo sobre mim.
MARCOS LOURES
Terçã nossa paixão, lembra maleita,
Queimando nesta febre interminável
À noite em mil loucuras quando deita
Demonstra este segredo indecifrável
É fácil perceber quanto eu te quero
Ao mesmo tempo finges não querer.
O amor que se pretende mais sincero
Não sabe sonegar qualquer prazer.
Mas tenta disfarçar, e até consegue,
Vitórias desencantam dores trama.
Depois do vendaval estou entregue
Deitando tais vontades, nossa cama.
E quando as fantasias me revelas,
O peito enamorado; rondo estrelas.
MARCOS LOURES
Amor de verdade, caminho cumprido
Sentindo o vento manso da emoção
Embora tantas vezes repartido
Ainda sinto forte, o coração.
Batendo em descompasso vez em quando
Num alvoroço expressa o quanto quer
Por mais que inda perceba desabando
Deitando sobre os braços da mulher
Que às vezes foi rainha, noutras bruxa
Nas ondas deste mar vai e retorna
Enquanto a solidão por vezes puxa
Retorna da tempesta em água morna.
Mas vence no final e se deleita
Terçã nossa paixão, lembra maleita...
MARCOS LOURES
Na valsa que avança na noite que passa
Amor não disfarça já vem galopante
Azar é fumaça que vem num instante
Teu corpo aguardente, meu vício e cachaça
Eu quero comigo, teu beijo dengoso
Amor sem perigo, formato gentil,
Beijo delicado, querida é fogoso
Da cor do pecado, sabor mais sutil
A noite enveredo contigo do lado,
Balança arvoredo se mostra mais forte,
O vento chegando, molejo marcado
Carinhos trocando curando do corte
Que a vida nos trouxe num tempo esquecido,
Amor de verdade, caminho cumprido...
MARCOS LOURES
Sentindo renascer a claridade
Quem há de me negar imenso brilho?
Vivendo toda noite esta saudade
Caminho mais diverso, imerso eu trilho.
Dispersos pensamentos te buscando,
Estrela que se foi em trevas tantas.
Ao mesmo tempo sigo te cevando.
Tu sabes quando sempre já me encantas.
Meus olhos não se cansam; mesmo à toa.
Na moldura do céu querem faróis
Apenas o vazio ainda ecoa
Tornando silenciosos arrebóis...
Uma esperança algoz ora te caça
Na valsa que avança na noite que passa
MARCOS LOURES
Eu procurei-te, embalde, em noite imensa,
Transido pelo frio que fazia
Nevasca dentro da alma, mais intensa.
Distante da alvorada longe o dia...
Sem nada que encontrasse que convença
Que inda pudesse ter uma alegria.
Do vento, o seu bafio qual ofensa
Batendo na janela, em melodia
Uníssona ecoando o que senti,
Passando a noite inteira, eu vou sem ti
Cruzando as portas negras da saudade...
Porém ao sol nascer eu percebi
Que estavas de chegada, então sorri
Sentindo renascer a claridade...
MARCOS LOURES
Decerto dentro em nós são verdadeiros
Os ritos generosos e gentis.
Bebendo em fanatismo tantos cheiros
O fogo da paixão nos faz feliz.
Embora tantas vezes se sonegue
Momentos de perdão; vamos em frente.
Vivendo esta emoção prossigo entregue
Buscando um novo dia que se invente.
Às vezes esta estrela que me guia
Perdendo seu caminho, aqui me deixa
E quando se demonstra fugidia
Não ouve dos meus sonhos qualquer queixa.
Além do que se mostra ou mesmo pensa
Eu procurei-te, embalde, em noite imensa,
MARCOS LOURES
Meninos descobrindo o que é o desejo
E toda insanidade que ele traz.
A mão audaciosa, o nosso beijo,
A noite e a solidão, o medo, a paz...
Os primeiros poemas, num versejo
Ingênuo, muito aquém de um verso audaz,
Porém com todo sonho que é capaz
Quem tem na vida um rápido lampejo
Do qual a mocidade se nutria,
As pernas tão distantes, o portão.
A dança, as febres loucas, fantasia.
Princesas e castelos, cavaleiros
No jogo fascinante da paixão
Decerto dentro em nós são verdadeiros...
MARCOS LOURES
Trazendo o vendaval com destemor
Eu faço deste encanto, tempestade.
Sabendo da importância desse amor
Vislumbro no final, felicidade.
Encontro em tuas mãos vários segredos
Enredos tão diversos, mesmo mote.
O vento balançando os arvoredos
Vontade que se expõe jamais se esgote...
Revendo cada passo tento a sorte
Mudando a direção do temporal.
Bonança não promete novo Norte
As alegrias fogem do embornal.
Olhando o teu olhar ora revejo
Meninos descobrindo o que é o desejo.
MARCOS LOURES
O vento se desdobra em vendaval
Deixando a calmaria já de lado.
A vida recobrando cada aval
Transtorna sem sentido figurado.
Teu canto mavioso e sensual
Convida para o sonho demarcado
Por gosto de ventura, sol e sal,
Mistura tango, dengo, samba e fado
Assim nós vamos soltos pela vida
Atados por um laço sempre forte.
Não quero ter a dor da despedida
Tampouco o triste fim em desamor.
Que a vida nos impeça cada corte
Trazendo o vendaval com destemor...
MARCOS LOURES
Delícia feita em beijo e cajuína
Na boca da morena mais audaz,
Desejo que guloso nos domina,
Durante a caminhada, satisfaz.
Beijando uma esperança, sigo alerta
Bebendo cada gota de suor,
A fome de viver cedo desperta
Sabendo deste encanto bem maior.
No quanto procurei e sei agora
Do amor que me tortura e que se salva,
Beleza desta noite nos decora
Vivendo a fantasia sem ressalva.
No corpo da princesa, sensual,
O vento se desdobra em vendaval
MARCOS LOURES
No vento que balança mil coqueiros
Nas ondas deste mar, em alva areia,
Os sonhos se tornando verdadeiros
Ao canto esplendoroso da sereia.
No peito passarinhos em viveiros
Promessa de hoje à noite em lua cheia
Os olhos desejosos seresteiros
Clamor que com calor nos incendeia
Amor que se reclama e me alucina
Matéria tão divina, prazer humano.
Distante do que sei ser desengano
Na boca a fruta doce e cristalina,
Nos olhos esperanças de outro plano
Delícia feita em beijo e cajuína...
MARCOS LOURES
A quem tanto se engana, na verdade
Jamais perdoará qualquer falseta
Amor quando não sonha liberdade
Um erro sem igual que se cometa.
Não vejo mais temores se estou certo
Do quanto que desejo estar contigo.
A cada novo engano eu sempre alerto
Tentando, tantas vezes, mal consigo.
Se eu tenho esta alegria de viver
Decerto em tua praia faço porto.
Não quero, novamente, me perder,
Nos braços de quem amo, um sonho aporto.
Os temporais se mostram verdadeiros
No vento que balança mil coqueiros
MARCOS LOURES
Ouvindo o canto doce em que me falas
Do amor que nos transforma em seres santos.
Tu deixas os problemas noutras salas
E mostras tão somente os alvos mantos.
Porém uma verdade nua e crua
Se mostra necessária nestes versos.
Se a vida para nós já continua
Eu te agradeço amada, pois diversos
Enganos que eu cometo dia a dia,
Omites por amor, dedicação.
A vida tão perfeita não seria
Se não houvesse em ti a claridade
E todo este poder de dar perdão
A quem tanto se engana, na verdade...
MARCOS LOURES
O peito enamorado. Rondo estrelas
Vagando em busca deste claro sonho
Enquanto em alegrias tu atrelas
Beleza sem igual que ora componho.
Vicejas com sorriso a poesia
Traçando em flórea senda o meu caminho.
Na tela que tu teces já se cria
Remanso em placidez em que me aninho.
Sabendo deste encanto eu sempre insisto
Fazendo de meus versos instrumento
Aonde se perceba este benquisto
Desejo apascentando algum tormento.
As noites do teu lado são de galas,
Ouvindo o canto doce em que me falas...
MARCOS LOURES
Tocando em emoção penetrando alma
Um vento benfazejo, ora promete
A plena calmaria que me acalma
Enquanto esta alegria se repete.
Eu vejo nos teus olhos, meu farol,
E sigo cada passo que tu dás,
Amanhecendo assim um raro sol
Permite que se entenda amor em paz.
Vencendo as intempéries, nada temo,
Nem mesmo se vier tal solidão.
Da barca dos meus dias, forte remo
Toando com firmeza e sedução
Sabendo deste rumo claro e certo,
Nas asas deste sonho eu me liberto.
MARCOS LOURES
Invade-me, querida, o teu sabor
Rondando a minha boca, inebriante
Vertendo sobre nós perfeito amor
Estende tal tesouro, diamante.
A vida não permite descalabros
Tampouco as ilusões; se são ferozes,
Os dias solitários e macabros
Impedem dos caminhos mansas fozes.
Pecado é não poder seguir em frente
Vivendo sem ter nexo em falso rumo.
O vento da paixão quando envolvente
Expressa o que eu desejo e sempre assumo
Um mundo onde viver traduza calma,
Tocando em emoção penetrando alma...
MARCOS LOURES
Atados: braços, olhos, corpo e pele.
Sem limites, vivemos sem fronteiras.
Ao ato de te ter amor compele
Em magas sintonias, feiticeiras.
Querer o teu querer e nisso ver
Um dia mais alegre e mais contente.
Um jeito de se dar e ter prazer,
Domina o sentimento. Já se sente
A brisa da manhã beijando mansa
A boca tão gostosa de quem amo.
Amor ao perceber nos dá fiança.
No rastro de teus passos; sigo, amor.
E à noite toda vez quando eu te chamo
Invade-me, querida, o teu sabor...
MARCOS LOURES
Iremos, libertários. Asas. Céu,
Vagando constelares esperanças.
Por mais que a noite venha tão cruel
O quanto se percebem novas danças
Fazendo desse sonho um carrossel
Trazendo nos meus olhos as lembranças
De um tempo mais gostoso, estende em véu
As rotas colidindo em alianças;
O tempo de viver felicidade
Entende ser possível claridade.
E ao fogo deste jogo nos compele.
Assim seguindo a roto da alegria
Seguimos mesmo em simples poesia
Atados: braços, olhos, corpo e pele.
MARCOS LOURES
Diademas estrelares, liberdades,
Orquestrando meus sonhos, passam breves,
Compotas de emoções, felicidades
Em cânticos noturnos, belos, leves...
Dos olhos de quem amo; claridades,
Palavras de carinho- eu peço- leves
Contigo para sempre – eternidades.
Que as dores nos maltratam como as neves.
Eu te amo, simplesmente e nada mais.
Sou teu parceiro, tenha esta certeza,
A vida se apresenta em tal leveza,
Que mesmo sendo um barco de papel,
Que enfrenta a correnteza até o cais
Iremos, libertários. Asas. Céu...
MARCOS LOURES
Desnuda, outra mulher... Não restou nada
Daquela que se foi e quis voltar
Imagem nos meus olhos transtornada
Mentindo à fantasia nega o mar.
O quanto se demonstra disfarçada
Trazendo num momento um novo olhar
A boca que queria ser beijada
Mudando este cenário, faz chorar.
Depois de tanta festa, tempestades
Inundam com certeza o velho rio
Do quanto se mostrou em desvario
O rosto feito em mágoas não conquista
Saudade num momento ainda avista
diademas estrelares, liberdades...
MARCOS LOURES
Nas bocas que encontrando, tão distantes,
salivas são trocadas, sem amor.
Quem dera se pudesse, por instantes
nelas perceber real calor.
Nos corpos misturados, cama e sexo,
apenas o prazer pelo prazer,
acordo, procurando qualquer nexo,
mas nada que permita-me entender.
Apenas tua face em cada rosto
espelhos onde busco mesmo a mim.
Quando em lençóis desejo cede, exposto,
mergulho sem limites, vou ao fim.
Depois da farsa inútil revelada,
desnuda, outra mulher... Não restou nada...
MARCOS LOURES
Nos arcos onde somos também seta
Amor fazendo sempre confusão.
Quem dera se eu pudesse ser poeta
Talvez eu vislumbrasse solução.
Porém amor se torna sonho e meta
Deixando para trás a sensação
Da vida se mostrando mais completa
Embora traduzindo turbilhão.
Eu quero ser teu cais e teu saveiro
Vivendo este tormento alvissareiro
Em forças desiguais, somos mutantes.
Ao mesmo tempo enquanto tu não vens
Percebo as maravilhas das miragens
Nas bocas que encontrando; tão distantes.
MARCOS LOURES
Hormônios exalados, carne exposta
Sangrantes os desejos e os carinhos.
Descubro tuas praias costa a costa
Invado tuas salas, escaninhos.
Arranco a carapaça em cada crosta
Sabores agridoces gins e vinhos
A mesa feita em cama sempre posta
Cabelos e destino em desalinhos.
Cativo deste amor que é redundante
Num círculo de fogo, vicioso.
Enredos que se formam num instante
Aonde a plenitude se completa
Repletos de nós mesmos, dor e gozo
Nos arcos onde somos também seta.
MARCOS LOURES
Não se encontra jamais na medicina
Sequer algo que possa traduzir
A chama que decerto se extermina
E ainda vai teimando em nos luzir.
Saudade maltratando em alvoroço
Pedaços do que fomos; coletando.
Se nela tantas vezes me remoço
Castelos dos meus sonhos desabando.
Ainda se mostrando como bóia
Não deixa que o naufrágio se perceba.
Depois de certo tempo é paranóia,
Desta água amarga a vida não mais beba,
Imagem do passado, decomposta,
Hormônios exalados, carne exposta.
MARCOS LOURES
Um médico não mede em precisão
Um sentimento assim que é meio instável.
Remédio que se dá pro coração
Nem sempre na farmácia é encontrável.
Eu só sei te falar deste baião
Que fala de um sintoma demonstrável
Segundo já dizia Gonzagão
Amor é facilmente detectável.
Se enjoas da boneca e não quer chita
E todo o dia quer ser mais bonita
É fácil descobrir por que, menina.
Porém o tratamento, na verdade,
Sendo coisa da própria mocidade,
Não se encontra jamais na medicina...
Depois; recordação virando esteio
Não tendo quase nada do que fomos
O rio navegando em outro veio
Da fruta que tivemos, nem os gomos.
Guardando nos meus olhos teu retrato
Mentiras que somente o tempo diz.
O nó das ilusões quando eu desato
Prefere me dizer que eu fui feliz.
Saudade, na verdade já falseia
Mudando este cenário noutra vida
Enquanto a lua se mostrava sempre cheia
Toda esperança estava desvalida.
O quanto desvaria o coração
Um médico não mede, em precisão...
Na massa em que se faz gostoso o pão
Amassos e macias mãos velozes.
Em aço se fazendo tais algozes,
Adentram toda noite de verão
No quarto já fartando de emoção
Gemidos sussurrantes viram vozes,
Das calças lá se arrancam em caos coses
Fazendo um alvoroço em turbilhão.
Amor quando ouriçado faz fumaça
Parece tempestade sem ter freio.
Dançando em madrugada, plena praça
A mão invade a blusa e quer o seio.
Querida é bom viver, a vida passa,
Depois? Recordação virando esteio...
Nas asas deste sonho eu me liberto
E bebo a fantasia do querer,
Aguando em esperanças o deserto
Concebo o que desejo e quero crer.
Decifro os teus sinais, caminho certo
Expresso com ternura o meu prazer
Portal do paraíso encontro aberto
A chave dos segredos; passo a ler.
Mistérios do passado, tuas sendas.
Ao mesmo tempo finges serem lendas
E quando me transtornam; sedução
Tu dizes que acertei em cheio o alvo
Porém eu só me encontro, assim, a salvo
Na massa em que se faz gostoso o pão.
MARCOS LOURES
Certeza de um prazer delicioso
Iridescente dia se anuncia
Num toque com certeza fabuloso
A gente se entregando em alquimia.
Estrelas ejaculam raras luzes
E nelas a tiara de um prazer.
Caminho aonde em luas me conduzes
Permite num momento perceber
Em forma de delírio a sobremesa
Deitando nossos corpos, sede e fome,
O quanto se deseja, amor nos preza
Escuridão e treva, em brilhos some
Meu corcel libertário nas estrelas,
Contando vaga-lumes, tu atrelas.
MARCOS LOURES
Tua nudez deitada sobre mim,
Dois corpos que procuram por prazer
Na noite em fantasia, vão assim,
Vivendo esta alegria de querer
Colhendo em tua boca carmesim,
Loucuras e desejos. Quero ter,
Sentir em tua pele este arrepio,
Suave sensação de amor intenso.
Negando à noite imenso e duro frio.
Amor no qual- querida, sempre penso;
A cada novo sonho em desvario
Do amor que tanto quero eu me convenço
Do quanto que eu desejo em cada gozo,
Certeza de um prazer delicioso...
MARCOS LOURES
Amor que tantas vezes, persegui
Perfeita tradução de maravilha.
Agora que encontrei, prossigo em ti
Fazendo de teu corpo minha trilha.
Andanças sensuais, sem ter fronteiras
Mergulho o meu desejo no teu porto.
Teus gozos se transformam nas bandeiras
Aonde em noite clara eu quero e aporto.
Concebo paraísos, peito aberto,
Refém desta loucura nada temo,
Caminho tantas vezes descoberto
Amor que se mostrando assim supremo
Estampa este cenário e sinto enfim
Tua nudez deitada sobre mim.
MARCOS LOURES
Destas dores antigas que carrego,
Depois de tanto tempo em solidão,
Nos braços de quem amo, enfim navego,
Tocado pela força da paixão.
Quem fora, antigamente quase cego
Percebe, nos teus olhos, a amplidão!
E faço deste amor, estrela guia,
Tramando um sol intenso em minha vida.
Dançando em emoção, a sinfonia
Que um dia pensei morta, assim, perdida.
Dourando o meu cantar em fantasia,
Luzindo uma esperança mais querida.
Vibrando de alegria, encontro em ti,
Amor que tantas vezes, persegui.
MARCOS LOURES
Nas telas divinais: felicidade
Molduras meus desejos, ritos vários.
Insânia se transforma em claridade
Momentos tão sublimes, necessários.
Mudando este cenário em que vivi,
Decifro teus enigmas, sigo em frente
Chegando ao paraíso vejo em ti
O amor que em alegrias se pressente.
Não tendo outro caminho ou solução
Descubro o meu prazer em rica fonte
Vencendo desta forma a solidão
Percebo um raro lume no horizonte
Não vejo nem mais sombras, pois renego,
Destas dores antigas que carrego.
Beijando a tua boca, o manso vento
Permite que se trace um bom futuro
Tornando verossímil pensamento
Nos braços de quem amo; eu me depuro.
Por vezes expressar amor eu tento,
Cevando em esperança um chão mais duro.
Se às vezes solitário eu mesmo invento
Um tempo que não seja tão escuro
Navego em oceanos mais bravios
Olhares se perdendo, vãos, vazios.
Um dia em fantasia amor alcanço.
Quem sabe um timoneiro possa crer
Tomando em suas mãos ao bel prazer,
Teu barco. E assim chegamos num remanso...
Seguindo a nossa estrada para o sol,
Que mostra em brilho raro o bom caminho,
Meu coração te busca, um girassol
Que nada poderá fazer, sozinho.
Teus olhos me servindo de farol,
Clareiam divinais, o nosso ninho.
Quem dera se pudesse, um cavaleiro,
Seguindo num galope, passo a passo,
Até chegar ao sonho derradeiro,
Que encontro, mais feliz, no teu abraço.
Tomando em cada brilho, o verdadeiro
Sentido que se empresta ao vero laço
Do amor que emoldurou eternidade
Nas telas divinais: felicidade...
MARCOS LOURES
Teus olhos são estrelas que me guiam
Levando o pensamento bem distante,
Estrelas que divinas já luziam
Tornando o meu caminho fascinante
Momentos mais sublimes propiciam
as horas que te vi, no mesmo instante,
Prazeres e vontades refletiam,
Corcel de uma emoção vai, galopante
Cruzando pelo espaço, qual cometa,
Na jura que se fez, vera e dileta
Tomando em maravilhas o arrebol
Persigo cada passo que tu dás,
Sabendo deste amor em tanta paz,
Seguindo a nossa estrada para o sol.
MARCOS LOURES
Amor em tanto amor se reproduz
Num sonho magistral eu me aprofundo
Amor que é feito em fogo, força e luz,
Não deixa o pensamento um só segundo.
Aos rastros que tu deixas, me conduz,
Vagando no infinito, ganho o mundo.
A roupa transparente em corta-luz
Dos sonhos e desejos já me inundo
E perco, num momento, a lucidez
Tomado por total insensatez.
Desejos e vontades que viciam.
Durante a noite escura, imersa em trevas
Beleza e claridades, lumes cevas,
Teus olhos são estrelas que me guiam
MARCOS LOURES
Num sonho magistral eu me aprofundo
Amor que é feito em fogo, força e luz,
Não deixa o pensamento um só segundo.
Aos rastros que tu deixas, me conduz,
Vagando no infinito, ganho o mundo.
A roupa transparente em corta-luz
Dos sonhos e desejos já me inundo
E perco, num momento, a lucidez
Tomado por total insensatez.
Desejos e vontades que viciam.
Durante a noite escura, imersa em trevas
Beleza e claridades, lumes cevas,
Teus olhos são estrelas que me guiam
MARCOS LOURES
O quanto é necessário e bom amar
Deveras a canção jamais negou.
Depois de tanto tempo procurar
A vida num momento te encontrou.
Na barca de meus sonhos teu sorriso
Demonstra em maravilha, ancoradouro
Já tendo em minhas mãos o que eu preciso
Percebo no teu corpo o meu tesouro.
Tu és a redenção, disso estou certo,
Depois dos desenganos no caminho.
O céu que tantas vezes vi coberto
Permite este luar onde me aninho.
Deixando no passado a minha cruz
Amor em tanto amor se reproduz...
Deveras a canção jamais negou.
Depois de tanto tempo procurar
A vida num momento te encontrou.
Na barca de meus sonhos teu sorriso
Demonstra em maravilha, ancoradouro
Já tendo em minhas mãos o que eu preciso
Percebo no teu corpo o meu tesouro.
Tu és a redenção, disso estou certo,
Depois dos desenganos no caminho.
O céu que tantas vezes vi coberto
Permite este luar onde me aninho.
Deixando no passado a minha cruz
Amor em tanto amor se reproduz...
Não deixe que esta noite nos vigie,
Escondo-me em teu corpo, e me protejo
Na sede de viver que propicie
As fontes da alegria e do desejo.
E nos esconderijos que amor crie
Deitar felicidade em tanto beijo.
Percorro teus caminhos e concebo
Um vale em emoção e sentimento.
Prazer que assim te dando, eu já recebo
Distante da tristeza e do tormento.
Tomado de carinho, então percebo
Tocando a minha pele, o manso vento.
Regalos desta vida a me mostrar,
O quanto é necessário e bom amar...
Nos braços de quem amo, tal magia
Que faz o dia vir iluminado,
Entornas nos teus passos, poesia,
Deixando em cicatriz, bem demarcado
Prazer de estar em tua companhia,
Vivendo nosso sonho, apaixonado
Realizando assim, a fantasia:
Seguir sempre contigo, lado a lado.
Urgindo ser feliz te quero agora,
Ungido pela luz que em ti, aflora
Encanto que este sonho propicie.
Sabendo desta lua enciumada
Eu peço e até suplico a ti, amada
Não deixe que esta noite nos vigie.
Desfila radiante esta sereia
Desnuda em minha cama, deslumbrante
O fogo de teu corpo me incendeia
O mundo se transforma neste instante.
De toda antiga insânia, a sensatez
Traduz a mais sublime liberdade,
Amor que sem pecados já se fez
Permite reviver a mocidade.
Nos toques mais sutis, bocas ferinas,
Nos beijos mais audazes, paz suprema.
Enquanto com carinhos me dominas
Não vejo mais sequer algum problema
Um mundo fascinante se recria,
Nos braços de quem amo; tal magia...
Meu coração seguindo cada passo
Que fazes nesta estrada mais audaz
Tu sabes que eu te quero e não disfarço
Te quero, na verdade muito mais.
Sou teu, apenas isso, meu amor.
Atrás de teus caminhos, acho o meu.
Deitar-me do teu lado, em teu calor,
Amor quando é demais, me convenceu
Do dia que promete ter teu sol
Ardendo em minhas costas, prazeroso,
Deixando uma tristeza em arrebol,
Encontro um canto, leve e mavioso
Nas águas de Iracema, na alva areia,
Desfila radiante esta sereia...
Contando vaga-lumes, tu atrelas
Teus sonhos em meus sonhos, companheiros
Estrelas salpicadas são mais belas
Sentidos entranhando, verdadeiros.
Qual fossemos parceiros dessa sanha
Pensamos alcançar eternidade.
Partida se mostrando agora ganha
No quanto uma alegria nos invade
Coleto cada rastro feito em luz,
Vagando por teus braços sou eterno.
Aonde a fantasia me conduz
Jamais sei solidão nem mais hiberno
No amor nosso destino, eu mesmo traço,
Meu coração seguindo cada passo.
Teus sonhos em meus sonhos, companheiros
Estrelas salpicadas são mais belas
Sentidos entranhando, verdadeiros.
Qual fossemos parceiros dessa sanha
Pensamos alcançar eternidade.
Partida se mostrando agora ganha
No quanto uma alegria nos invade
Coleto cada rastro feito em luz,
Vagando por teus braços sou eterno.
Aonde a fantasia me conduz
Jamais sei solidão nem mais hiberno
No amor nosso destino, eu mesmo traço,
Meu coração seguindo cada passo.
Sonhos de amor, delícias sensuais,
Palavras e vontades que se tocam.
Querendo de teu corpo sempre mais,
Meus olhos em desejos já se alocam
E buscam neste Porto um belo cais,
Voando em liberdade se deslocam
Atravessam os mares, vão além.
Beijando a tua boca, poesia.
Encontram nos teus braços doce bem
Que tantas vezes, juro, assim queria.
O vento em fantasia sempre vem,
Trazendo em cada verso esta alegria
Que mostra a liberdade em pensamento,
Beijando a tua boca, o manso vento...
Amor em explosão, tudo o que eu quis
Depois de soçobrar em tempestades.
Clareia em alegrias o céu gris
Traduz com perfeição felicidades.
Navego meu olhar pelas cidades
Deixando no passado a cicatriz
Permito vislumbrar em claridades
O quanto esta esperança já me diz.
Dos erros cometidos, nem mais sombra
Nem mesmo a solidão algoz assombra
Quem faz destes prazeres o seu cais.
Viceja no meu peito esta emoção
Fazendo a mais sublime tradução:
Sonhos de amor, delícias sensuais.
Depois de soçobrar em tempestades.
Clareia em alegrias o céu gris
Traduz com perfeição felicidades.
Navego meu olhar pelas cidades
Deixando no passado a cicatriz
Permito vislumbrar em claridades
O quanto esta esperança já me diz.
Dos erros cometidos, nem mais sombra
Nem mesmo a solidão algoz assombra
Quem faz destes prazeres o seu cais.
Viceja no meu peito esta emoção
Fazendo a mais sublime tradução:
Sonhos de amor, delícias sensuais.
Tocado pelo vento deste amor
Que traz em cada verso uma emoção,
Outrora tão somente um sonhador,
Entrego-me aos apelos da paixão
Mergulho nos teus braços, teu calor
E sinto neste vento, um furacão.
O mundo não descansa sempre gira,
Perfeito e deslumbrante carrossel,
Eternamente acesa, a bela pira
Trazendo para nós, amada, o céu.
Meu sonho nos teus braços já se atira,
Bebendo em bela fonte, o doce mel
Que torna a nossa vida mais feliz,
Amor em explosão, tudo o que eu quis...
De um raro amanhecer eu me afianço
Num canto que se mostre mais singelo
Eu quero no teu colo o meu remanso,
Fazendo desta noite um sonho belo,
Contigo um infinito logo alcanço
E todo o meu prazer já te revelo
Falando deste amor, não me canso,
Meu corpo no teu corpo assim atrelo
E bêbado de luz, vou caminhando
Seguido a cada noite te buscando
Colhendo no canteiro a bela flor
Quem dera um beija-flor pudesse ser
Bebendo em tua boca este prazer
Tocado pelo vento deste amor
O gozo do prazer nos santifica
Nem mesmo uma tristeza contradiz
Amor que na verdade gratifica
A quem se entrega ao sonho mais feliz.
Felicidade enfim personifica
E mostra nos teu colo o bem que eu quis.
A cada novo dia se edifica
O mundo mais audaz que já prediz
Futuro deslumbrante nos teus braços,
Atando bem mais forte os nossos laços
Vivendo em alegrias, sem descanso.
Audácia tantas vezes bendizia
Além do que pensara em fantasia
De um raro amanhecer eu me afianço.
Amor em perfeição quase divina
Expressa um sentimento mais profundo,
O quanto te desejo enfim, menina
Não deixo de pensar um só segundo.
Nas mãos carrego as flores, deixo espinhos
Não vejo mais as trevas do passado.
Deitando em nosso amor tantos carinhos,
Dos olhos deslumbrantes, encantado.
A jóia diamantina que tu trazes,
Ourives dos meus sonhos, deusa e Diva,
Vontades e desejos mais tenazes
Amor tão verdadeiro não nos priva.
Minha alma em teus carinhos vai tão rica
O gozo do prazer nos santifica.
Tu sabes quanto eu quero o teu amor,
E nisso uma certeza já se faz.
Deitar e repartir nosso calor,
Numa emoção que a vida sempre traz,
Fazendo deste canto, encantador,
Trazendo para a noite calma e paz.
No leito deste rio, feito em sonho,
Navego até chegar à fortaleza,
Mostrando em cada verso o que proponho,
Deitar minha alegria em tal beleza,
Descendo com meu barco, vou risonho,
Levado pelo amor em correnteza.
Viagem que em teus braços, determina,
Amor em perfeição quase divina...
Um sonho que jamais alguém esquece
Deixando suas marcas sobre nós.
Amor que com certeza me enlouquece
Tomando com firmeza nossa voz.
À fantasia sempre ele obedece
Atando os mais distantes, ledos nós.
Meu canto como fora alguma prece
Renega o sentimento mais atroz.
Encontro nos teus olhos sedução
A força magistral destes faróis,
Caminho a se buscar e nos propor
Além de simplesmente uma ilusão
Tomando em claridade os arrebóis
Tu sabes quanto eu quero o teu amor.
À noite a solidão, trama a tristeza
Que faz de nossa vida merencória.
Porém amor espalha tal beleza
Que tudo se reverta em plena glória.
Levados pela forte correnteza,
Deixemos que o amor mude esta história.
Fazendo deste canto qual um hino
Rendendo uma homenagem ao amor.
Futuro mais brilhante descortino,
No peito que se faz tão sonhador.
Bebendo deste amor, eu me alucino,
Diante deste verso embriagador.
A noite solidária vem e tece,
Um sonho que jamais alguém esquece...
E grito ao mundo inteiro: eu sou feliz!
Outrora vislumbrara a paz suprema.
Pensando ter comigo o que mais quis
Rompendo com passado cada algema.
Correntes e grilhões já esquecidos
Deixados para trás... Pura ilusão
Miragens embelezam os tecidos?
Aos poucos a ruína toma o chão.
Quem dera se eu pudesse. Quem me dera...
Não tenho outro caminho, sigo só.
O vento que trazia a primavera
Estorna a fantasia e deixa o pó.
A vida preparando esta surpresa:
À noite a solidão, trama a tristeza
Eu quero o nosso amor em belo encanto,
Seguindo os passos belos, reluzentes,
Coberto pela glória, em raro canto,
Trazendo os dias sempre mais contentes,
Amor vai nos cobrindo com seu manto,
Deixando bem distantes penitentes
Momentos de tristeza que passei,
Rompendo uma alvorada em luz intensa,
De todas as estradas que cruzei
Encontro nos teus braços recompensa,
Amor é nosso lema e nossa lei,
Ternura que se faz, assim imensa.
Vivendo o nosso amor tenho o que quis
E grito ao mundo inteiro: eu sou feliz!
Depois da tempestade, o alvorecer
No qual em luz suprema eu acredito
Pensando toda noite poder ter
Carinho de quem amo; necessito
Falar de tanta glória e do prazer,
Que encontro junto a ti, amor bonito.
Quem dera se eu pudesse merecer
E ter tanta alegria como rito.
pensando neste amor que não tem fim,
cultivo belas flores no jardim.
Nos braços deste amor eu me agiganto.
Sabendo que encontrei felicidade
Vivendo agora em plena liberdade
Eu quero o nosso amor em belo encanto.
Teu barco... E assim chegamos num remanso
Depois de temporais, várias procelas
O quanto em teus caminhos eu alcanço
A paz, em sentimentos me revelas...
Teu barco... Navegando em mar imenso
Abarco as esperanças que me trazes
No quanto em nosso amor, eu quero e penso
A vida se transforma em tantas fases...
Teu barco... Pensamento libertário
Encontra nesta praia a mansidão.
O amor um bem supremo e necessário
Invade em calmaria o coração...
Teu barco... E assim eu sempre posso ver
Depois da tempestade, o alvorecer...
Depois de temporais, várias procelas
O quanto em teus caminhos eu alcanço
A paz, em sentimentos me revelas...
Teu barco... Navegando em mar imenso
Abarco as esperanças que me trazes
No quanto em nosso amor, eu quero e penso
A vida se transforma em tantas fases...
Teu barco... Pensamento libertário
Encontra nesta praia a mansidão.
O amor um bem supremo e necessário
Invade em calmaria o coração...
Teu barco... E assim eu sempre posso ver
Depois da tempestade, o alvorecer...
A MINHA SINA, PRIMEIRA PARTE.
Durante tanto tempo em minha vida
Pensara ser possível nova sorte.
Da estrada em pensamentos percorrida
Mudando num momento, rumo e Norte.
Encaro as tempestades sem guarida
Sem ter uma esperança por suporte.
A mão que me acarinha traz ferida
Aprofundando sempre cada corte.
Nascido nos sertões lá das Gerais,
Em meio aos mais temíveis vendavais,
Nas noites o luar por lampião
Os olhos procurando quem me queira,
Deixando a solidão, velha bandeira
Espero a luz imensa na amplidão...
Meu pai que se perdeu em noite clara,
Deixando a solidão como presente.
Amor que tantas vezes desampara
Durante a vida vaga não se sente.
A boca da saudade é tão amara
Decerto uma esperança se pressente
Na mão que em mil carinhos antepara,
Porém o vento diz do amor ausente.
Sozinha, minha mãe pouco dizia
Do pai que já se foi pra nunca mais
Resíduo de uma imagem, fantasia.
Distante de meus olhos, tantas léguas
Saudade do vazio não dá tréguas
Pesando em minhas costas, dói demais...
As mãos que preparavam armadilhas,
Os olhos espiando numa espreita
Tentando adivinhar caminhos, trilhas
O sonho amenizando enquanto deita
Buscando paraísos, maravilhas,
Nas gretas entre nuvens se deleita.
Cometas entre estrelas andarilhas
A febre da esperança, uma maleita
Queimando os olhos frágeis da criança,
Ausência se tornando uma lembrança
Retrato na gaveta dos meus sonhos.
A boca que hoje beijo traz assim
O cheiro que guardado dentro em mim
Prometia momentos mais risonhos...
O tempo não sossega, nem se doma
A pele se enrugando já retrata
A vida que se perde enquanto soma
A cada novo nó, velhos desata.
Às vezes solidão cria redoma
Que enquanto nos protege, já maltrata
Destino em suas mãos, quando amor toma
Do rio em placidez, tanta cascata...
As palmas calejadas, foice e enxada
Os olhos embotados de poeira
Saudade sem saber de focinheira
Arranca com dentadas mil pedaços,
Do bem que se deseja; feiticeira
Amarra nossos pés em frios aços.
Tentando vislumbrar alguma luz,
Durante a minha infância nada via
Se o sonho em desespero reproduz
O que a vida em cortes me dizia
Ao carregar pesada e dura cruz
A noite prometida sempre fria
Minando nos meus olhos, sangue e pus
Deixando bem distante uma alegria...
Moleque entre correntes e horizontes
Ao perceber ausência de outras pontes
Com asas vai sonhando, ledo, em vão.
Cevando seus abortos, cada grão
Representa o vazio da lavoura
A seca se mostrando duradoura...
Quem vê belas montanhas sob o sol,
Os rios derramando suas águas.
A lua prateando este arrebol
Deitando poesia em suas fráguas,
Bucólica paisagem perpetrando
Imagens divinais, raro pendor.
Beleza sem igual se adivinhando
Convite para a paz, clamando amor.
Sol-pôr entre matizes tão diversos,
Aurora multicor, maravilhosa...
Encantos que irradiam tantos versos
Vislumbre desta cena fabulosa.
Quem cria a fantasia de um castelo,
Não sabe da dureza de um rastelo.
A adolescência chega e traz espantos
Os medos são temíveis companheiros.
Hormônios pululando pelos cantos
Desejos se tornando garimpeiros
Aguardam as respostas que não vêm.
Os dentes cariados, a alma vaga,
Vontade de sentir, mas sem ninguém
Apenas solidão ainda afaga...
Fortuitas alegrias. São bem poucas,
Momentos ilusórios, risos frágeis.
As vozes transmudando, ficam roucas,
Os olhos nos vazios correm ágeis...
Arrimo de família, o que fazer?
À noite, solitário, o meu prazer...
Estrada tão comprida... Longa espera,
A vida sonegando uma esperança
Quem dera conhecesse a primavera,
Porém nem mesmo o sonho dá fiança.
Deixando o meu passado para trás,
Seguindo por caminhos tão distantes
Destino, como amargo capataz
Mentindo, os meus olhares confiantes.
No lombo do cavalo, arreios, selas,
O gado se espalhando pelos pastos,
Em meio a tal cenário, belas telas,
Os ritos da esperança bem mais gastos
Não deixam que se pense em liberdade,
Nem mesmo alguma luz ou claridade...
Seu moço eu tenho tanto pra falar
Dos olhos da saudade, poço fundo.
Depois de tanto tempo procurar
Escute minha voz por um segundo.
Vivendo sempre assim ao Deus-dará,
Sobrando desistências no caminho
O quanto tantas vezes buscará
Um peito solitário, por carinho.
O gado se perdendo nas montanhas,
As horas sobre as selas do cavalo,
Partidas que joguei nunca são ganhas
Do gozo de um amor eu nunca falo,
Sabendo desta sina: ser peão,
Deixando no passado, o coração.
O peito não sossega, a mão se atreve
E busca a liberdade. Mesmo tarde.
Uma alma se sentindo bem mais leve
Tentando prosseguir sem dar alarde
Recebe o vento forte da esperança
E beija as corredeiras deste rio.
Mas quando no chicote, uma aliança,
Futuro se mostrando tão vazio...
A terra tem seus donos, coronéis,
A bala de um revólver faz estragos.
Tocaias preparadas são cruéis
Os sangues espalhados formam lagos.
Destino de jagunço é mesmo assim,
Com sangue vou regando o meu jardim...
Tocaia que se faz em noite clara
É mais um desafeto que se vai
Enquanto o funeral já se prepara
A morte se escondendo não me trai.
Depois de certo tempo, isso é normal.
Um corpo, dez mil corpos, tanto faz
Vingança feita à bala é natural,
Trabalho corriqueiro feito em paz.
A gente se acostuma desde cedo,
Ser matador é minha profissão,
Ofício que também tem seu segredo
Precisa sempre ter dedicação.
Mais difícil cair no sertão chuva
Do que regar com choro de viúva...
Das coxas tão bonitas da morena
Vontade de fazer tanta besteira,
Enquanto este desejo já me acena
A moça se mostrando feiticeira
Parece desejar o que mais quero,
Beber do mesmo gozo em noite imensa.
O amor se verdadeiro e mais sincero
Merece com certeza recompensa.
A filha do patrão, moça prendada
Olhando para mim, jagunço pobre
Vontade sem juízo alvoroçada
Cuidado que se tem que se redobre...
Mas moço que já fora ajuizado
Agora se perdendo, apaixonado...
A lua clareando no sertão
Deixando prateado todo agreste
A moça sem juízo não diz não,
De toda a sedução já se reveste.
Amor contrariando mãe e pai
Jagunço com princesa não dá certo,
Enquanto a noite mansa inda não cai
O vento se espalhando no deserto
Parece me dizer desta loucura,
Porém a juventude não se cala.
Na boca da morena uma ternura
No peito do seu pai, encravo a bala.
O ofício, com certeza, me treinou,
O tiro se bem dado, libertou...
Não tendo mais paragem nesta vida,
Depois de tanta morte, espero a minha
Enquanto se prepara a despedida
O fim da minha estrada se avizinha.
Vagando sem destino, ganho os matos.
Montanhas, descaminhos, onde estou?
As cenas tão iguais, mesmos retratos,
Apenas o deserto me restou...
Quem sabe o que deseja, sempre sonha,
Porém o que fazer se nada sei,
Na seca que tomou Jequitinhonha
Quem come algum calango vira rei.
Qual gado se perdendo em tanta fome,
Minha alma de meu corpo quase some...
Brasil este país forte e gigante
É quase um continente, com certeza,
A fome sertaneja, uma constante
Retrato mais fiel desta pobreza
Que é feita de injustiça e roubalheira,
Nas almas nos Congressos e cidades
Cevando sem limites, bandalheira
Impedem que se creia em liberdades.
Na fuga sem paragem, nada tendo,
A morte se aproxima e toma tento.
Enquanto este vazio se tecendo;
Meu olhar de jagunço sempre atento.
Em plena escuridão, como miragem,
Uma esperança toma esta paisagem...
Um homem que é temente a Deus já sabe
O que parece ser assombração
Bem antes do que a vida em fome acabe
Na mais completa e dura solidão,
Um moço sorridente aproximou
Falando de esperança e de riqueza.
Comida no embornal ele mostrou
Deitando sobre o chão, cabocla mesa.
Promessa me fazia de outros dias
Aonde eu poderia ser feliz
A lua renasceu em fantasias
De um tempo bem mais claro ele já diz.
Falava mansamente, até baixinho,
Trazendo em suas mãos, outro caminho...
Uma esperança agora tem um nome,
Sertão de Jatobá; meu Eldorado.
Nos olhos desta serra, a lua some
Um paraíso em vida abençoado.
A gente vai conforme o que precisa,
Seguindo com bornal bem guarnecido,
Do quanto é necessário, o tempo avisa,
Caminho com certeza decidido.
Vencer tantas montanhas... liberdade...
Saber destas tocaias e perigos
Porém uma esperança quando invade
Deixando para trás medos antigos
Expressa uma alegria sem igual,
Quarando a fantasia no varal...
Sementes espalhadas pelo vento,
Nem sempre de colheita, garantia.
Vivendo sem destino, no relento,
A noite se transforma em pleno dia.
Fugindo do cadáver que plantei,
Prevendo no final, um Xangrilá
Em meio a tantas pedras procurei
Caminho que me leve à Jatobá.
Subindo uma montanha pude ver
Em meio à claridade um lugarejo
Aonde eu pudesse perceber
Descanso, pois é tudo o que eu desejo.
Num sítio bem pertinho da cidade,
Pensava ter achado a liberdade...
A porta quando abrindo mostra a sala
Deixando a claridade entrar inteira
Enquanto na verdade tuda fala
Sorriso da morena mais faceira.
Mulher de coronel, o que me importa?
Vontade sem limites, não sossega,
A fome desejosa quando aporta
Caminha sem juízo, viva e cega.
Depois desta fartura sobre a mesa,
A noite, uma criança sem juízo,
A cama tão macia, sobremesa,
É tudo o que eu mais quero; o que preciso.
Enquanto o coronel, gordo, dormia,
Na cama da visita, uma folia...
A flor mais delicada ganha viço
Nos olhos do faminto aventureiro.
Do sangue tão ardente de um mestiço
O gozo se mostrando por inteiro.
Quem dorme no relento em pedregulhos,
Ao ter cama cheirosa se deleita,
Porém prazer imenso traz barulhos
Tremendo como febre de maleita.
A moça com gemidos e sussurros,
Olhando para o lado, o coronel,
Não vendo mais ninguém, desfere murros
Criando no final este escarcéu.
A bala do jagunço em mira certa
Uma alma desta vida se deserta...
Embora tenha mortes às centenas,
De tanto que cevei a vida afora
Tinha matado bobalhões apenas
Só gente que ninguém, que eu saiba, chora.
Porém, tanta desdita num momento
Depois das armadilhas mais cruéis
Agora com certeza eu me atormento
Matando dois gigantes, coronéis...
Perdido em noite imensa, em desatino,
Deixei aquele sítio, fui em frente,
Correndo num completo desatino,
Escuridão enorme que se enfrente.
Andando algumas léguas, sempre só,
Encontrei o arraial do Tororó....
A sede quando é muita, saiba disso,
Não deixa mais o cabra descansar.
A flor mais delicada ganha viço
Enquanto uma vontade quer matar.
Das águas que busquei nenhum sinal,
Porém uma morena deslumbrante
Com rebolado intenso e sensual
Tomou todo o cenário num instante.
Embora não quisesse ser só minha,
Fingindo que uma vez não fosse nada
Deitando em sua cama, assim sozinha,
A festa foi durante a madrugada.
Pois se no Tororó tal moça achei,
No mesmo Tororó eu a deixei...
Na busca pela Serra, Jatobá,
Deserto sertanejo se agiganta.
O sonho que domina levará
Decerto ao paraíso que me encanta.
Festança tão gostosa, uma ciranda
É dança que se faz a noite inteira,
A lua derramando na varanda,
Perfume de botão de laranjeira...
A boca quer a boca da morena,
Mil juras de um amor que não tem fim,
Enquanto um gozo imenso já se acena
Esqueço pra onde vou e de onde vim.
Porém em falsidade o diamante,
De vidro se quebrou num só instante.
Ao prosseguir a minha caminhada
Encontro uma calçada tão formosa
Em pedras tão bonitas, ladrilhada
Paisagem sem igual, maravilhosa.
Ao lado dessa rua um bosque em flor
Aonde posso ver um divino anjo,
Calado; solitário busca amor,
Porém a vida mostra em triste arranjo
Vazios nos seus olhos, dura sina,
Enquanto ladrilhava em esperança
Buscando ter os sonhos da menina,
O medo num tormento, o pobre alcança.
No bosque que se chama solidão,
Um anjo chora só, sem coração...
Ns terras da ciranda, uma princesa
Sozinha em seu castelo, sonhadora,
Ao vislumbrar decerto esta riqueza
Queria ter alguém consigo agora.
Sabendo do infortúnio de ser rica
Eu sei que ela não quer ficar ali,
Terrível solidão decerto explica
O medo que em seus olhos percebi.
Quem dera se encontrasse o seu amor,
Seria com certeza mais feliz.
Dinheiro mesmo sendo sedutor
Do que ela mais deseja nada diz.
Do reino de Marré, marré, dici
Tristeza sem igual, eu nunca vi...
Havia, no sertão, um coronel
Chamado simplesmente, assim, de Jó.
Que tendo como fama ser cruel
Matava e maltratava sem ter dó.
Os seus escravos, sempre em jogatina,
No Caxangá varavam madrugadas,
A filha deste Jó, bela menina
Cansada das vergastas aplicadas
Fugindo, me encontrou, não disse nada
Apenas caminhando junto a mim,
Tentando percorrer a mesma estrada
Na cama feita em relva, no capim,
Ao se entregar depressa e sem juízo,
Abriu em suas pernas, paraíso...
Saindo deste reino acirandado,
Depois de tantas tramas que encontrei
Olhando calmamente para o lado,
Um rosto conhecido eu vislumbrei.
O moço que eu pensei ser um fantasma,
Sorrindo novamente mostra a face.
Minha alma neste instante fica pasma
Ao ver esse sujeito sem disfarce.
Sentindo a mais terrível fedentina,
Eu pude perceber que estava frito,
Malicioso olhar que me alucina
Deixando o pensamento mais aflito.
Do céu em um momento eu já desabo
O cheiro denuncia este diabo...
A moça que comigo se encontrava,
Bonita e tão faceira, deu um nó,
Minha situação assim se agrava
A filha do danado deste Jó
Numa gargalhada lancinante
Mostrou por sob a saia um longo rabo,
Aquela moreninha deslumbrante
Queria, na verdade era dar cabo
Daquele que se fez amante e amigo,
Ao libertar a moça, perco o céu,
Sem ver qualquer sintoma de perigo,
A filha do safado coronel
Ao aprontar comigo essa falseta
A menina era esposa do capeta!
Depois de ter corrido a noite inteira,
Fugindo do Diabo sorrateiro,
Minha alma sem juízo, aventureira
Encontra um paraíso verdadeiro!
Mulher igual àquela, eu nunca vi,
Beleza sem limite cheira à flor;
Amor que se transforma em colibri
Esquece do passado qualquer dor.
Deitando com vontade de fazer
Aquilo que Deus sabe e nos mandou,
Porém ao encontrar tanto prazer,
Imagem tão faceira transformou.
Bem antes que o desejo se obedeça,
O fogo mostra a mula sem cabeça!
Durante tanto tempo em minha vida
Pensara ser possível nova sorte.
Da estrada em pensamentos percorrida
Mudando num momento, rumo e Norte.
Encaro as tempestades sem guarida
Sem ter uma esperança por suporte.
A mão que me acarinha traz ferida
Aprofundando sempre cada corte.
Nascido nos sertões lá das Gerais,
Em meio aos mais temíveis vendavais,
Nas noites o luar por lampião
Os olhos procurando quem me queira,
Deixando a solidão, velha bandeira
Espero a luz imensa na amplidão...
Meu pai que se perdeu em noite clara,
Deixando a solidão como presente.
Amor que tantas vezes desampara
Durante a vida vaga não se sente.
A boca da saudade é tão amara
Decerto uma esperança se pressente
Na mão que em mil carinhos antepara,
Porém o vento diz do amor ausente.
Sozinha, minha mãe pouco dizia
Do pai que já se foi pra nunca mais
Resíduo de uma imagem, fantasia.
Distante de meus olhos, tantas léguas
Saudade do vazio não dá tréguas
Pesando em minhas costas, dói demais...
As mãos que preparavam armadilhas,
Os olhos espiando numa espreita
Tentando adivinhar caminhos, trilhas
O sonho amenizando enquanto deita
Buscando paraísos, maravilhas,
Nas gretas entre nuvens se deleita.
Cometas entre estrelas andarilhas
A febre da esperança, uma maleita
Queimando os olhos frágeis da criança,
Ausência se tornando uma lembrança
Retrato na gaveta dos meus sonhos.
A boca que hoje beijo traz assim
O cheiro que guardado dentro em mim
Prometia momentos mais risonhos...
O tempo não sossega, nem se doma
A pele se enrugando já retrata
A vida que se perde enquanto soma
A cada novo nó, velhos desata.
Às vezes solidão cria redoma
Que enquanto nos protege, já maltrata
Destino em suas mãos, quando amor toma
Do rio em placidez, tanta cascata...
As palmas calejadas, foice e enxada
Os olhos embotados de poeira
Saudade sem saber de focinheira
Arranca com dentadas mil pedaços,
Do bem que se deseja; feiticeira
Amarra nossos pés em frios aços.
Tentando vislumbrar alguma luz,
Durante a minha infância nada via
Se o sonho em desespero reproduz
O que a vida em cortes me dizia
Ao carregar pesada e dura cruz
A noite prometida sempre fria
Minando nos meus olhos, sangue e pus
Deixando bem distante uma alegria...
Moleque entre correntes e horizontes
Ao perceber ausência de outras pontes
Com asas vai sonhando, ledo, em vão.
Cevando seus abortos, cada grão
Representa o vazio da lavoura
A seca se mostrando duradoura...
Quem vê belas montanhas sob o sol,
Os rios derramando suas águas.
A lua prateando este arrebol
Deitando poesia em suas fráguas,
Bucólica paisagem perpetrando
Imagens divinais, raro pendor.
Beleza sem igual se adivinhando
Convite para a paz, clamando amor.
Sol-pôr entre matizes tão diversos,
Aurora multicor, maravilhosa...
Encantos que irradiam tantos versos
Vislumbre desta cena fabulosa.
Quem cria a fantasia de um castelo,
Não sabe da dureza de um rastelo.
A adolescência chega e traz espantos
Os medos são temíveis companheiros.
Hormônios pululando pelos cantos
Desejos se tornando garimpeiros
Aguardam as respostas que não vêm.
Os dentes cariados, a alma vaga,
Vontade de sentir, mas sem ninguém
Apenas solidão ainda afaga...
Fortuitas alegrias. São bem poucas,
Momentos ilusórios, risos frágeis.
As vozes transmudando, ficam roucas,
Os olhos nos vazios correm ágeis...
Arrimo de família, o que fazer?
À noite, solitário, o meu prazer...
Estrada tão comprida... Longa espera,
A vida sonegando uma esperança
Quem dera conhecesse a primavera,
Porém nem mesmo o sonho dá fiança.
Deixando o meu passado para trás,
Seguindo por caminhos tão distantes
Destino, como amargo capataz
Mentindo, os meus olhares confiantes.
No lombo do cavalo, arreios, selas,
O gado se espalhando pelos pastos,
Em meio a tal cenário, belas telas,
Os ritos da esperança bem mais gastos
Não deixam que se pense em liberdade,
Nem mesmo alguma luz ou claridade...
Seu moço eu tenho tanto pra falar
Dos olhos da saudade, poço fundo.
Depois de tanto tempo procurar
Escute minha voz por um segundo.
Vivendo sempre assim ao Deus-dará,
Sobrando desistências no caminho
O quanto tantas vezes buscará
Um peito solitário, por carinho.
O gado se perdendo nas montanhas,
As horas sobre as selas do cavalo,
Partidas que joguei nunca são ganhas
Do gozo de um amor eu nunca falo,
Sabendo desta sina: ser peão,
Deixando no passado, o coração.
O peito não sossega, a mão se atreve
E busca a liberdade. Mesmo tarde.
Uma alma se sentindo bem mais leve
Tentando prosseguir sem dar alarde
Recebe o vento forte da esperança
E beija as corredeiras deste rio.
Mas quando no chicote, uma aliança,
Futuro se mostrando tão vazio...
A terra tem seus donos, coronéis,
A bala de um revólver faz estragos.
Tocaias preparadas são cruéis
Os sangues espalhados formam lagos.
Destino de jagunço é mesmo assim,
Com sangue vou regando o meu jardim...
Tocaia que se faz em noite clara
É mais um desafeto que se vai
Enquanto o funeral já se prepara
A morte se escondendo não me trai.
Depois de certo tempo, isso é normal.
Um corpo, dez mil corpos, tanto faz
Vingança feita à bala é natural,
Trabalho corriqueiro feito em paz.
A gente se acostuma desde cedo,
Ser matador é minha profissão,
Ofício que também tem seu segredo
Precisa sempre ter dedicação.
Mais difícil cair no sertão chuva
Do que regar com choro de viúva...
Das coxas tão bonitas da morena
Vontade de fazer tanta besteira,
Enquanto este desejo já me acena
A moça se mostrando feiticeira
Parece desejar o que mais quero,
Beber do mesmo gozo em noite imensa.
O amor se verdadeiro e mais sincero
Merece com certeza recompensa.
A filha do patrão, moça prendada
Olhando para mim, jagunço pobre
Vontade sem juízo alvoroçada
Cuidado que se tem que se redobre...
Mas moço que já fora ajuizado
Agora se perdendo, apaixonado...
A lua clareando no sertão
Deixando prateado todo agreste
A moça sem juízo não diz não,
De toda a sedução já se reveste.
Amor contrariando mãe e pai
Jagunço com princesa não dá certo,
Enquanto a noite mansa inda não cai
O vento se espalhando no deserto
Parece me dizer desta loucura,
Porém a juventude não se cala.
Na boca da morena uma ternura
No peito do seu pai, encravo a bala.
O ofício, com certeza, me treinou,
O tiro se bem dado, libertou...
Não tendo mais paragem nesta vida,
Depois de tanta morte, espero a minha
Enquanto se prepara a despedida
O fim da minha estrada se avizinha.
Vagando sem destino, ganho os matos.
Montanhas, descaminhos, onde estou?
As cenas tão iguais, mesmos retratos,
Apenas o deserto me restou...
Quem sabe o que deseja, sempre sonha,
Porém o que fazer se nada sei,
Na seca que tomou Jequitinhonha
Quem come algum calango vira rei.
Qual gado se perdendo em tanta fome,
Minha alma de meu corpo quase some...
Brasil este país forte e gigante
É quase um continente, com certeza,
A fome sertaneja, uma constante
Retrato mais fiel desta pobreza
Que é feita de injustiça e roubalheira,
Nas almas nos Congressos e cidades
Cevando sem limites, bandalheira
Impedem que se creia em liberdades.
Na fuga sem paragem, nada tendo,
A morte se aproxima e toma tento.
Enquanto este vazio se tecendo;
Meu olhar de jagunço sempre atento.
Em plena escuridão, como miragem,
Uma esperança toma esta paisagem...
Um homem que é temente a Deus já sabe
O que parece ser assombração
Bem antes do que a vida em fome acabe
Na mais completa e dura solidão,
Um moço sorridente aproximou
Falando de esperança e de riqueza.
Comida no embornal ele mostrou
Deitando sobre o chão, cabocla mesa.
Promessa me fazia de outros dias
Aonde eu poderia ser feliz
A lua renasceu em fantasias
De um tempo bem mais claro ele já diz.
Falava mansamente, até baixinho,
Trazendo em suas mãos, outro caminho...
Uma esperança agora tem um nome,
Sertão de Jatobá; meu Eldorado.
Nos olhos desta serra, a lua some
Um paraíso em vida abençoado.
A gente vai conforme o que precisa,
Seguindo com bornal bem guarnecido,
Do quanto é necessário, o tempo avisa,
Caminho com certeza decidido.
Vencer tantas montanhas... liberdade...
Saber destas tocaias e perigos
Porém uma esperança quando invade
Deixando para trás medos antigos
Expressa uma alegria sem igual,
Quarando a fantasia no varal...
Sementes espalhadas pelo vento,
Nem sempre de colheita, garantia.
Vivendo sem destino, no relento,
A noite se transforma em pleno dia.
Fugindo do cadáver que plantei,
Prevendo no final, um Xangrilá
Em meio a tantas pedras procurei
Caminho que me leve à Jatobá.
Subindo uma montanha pude ver
Em meio à claridade um lugarejo
Aonde eu pudesse perceber
Descanso, pois é tudo o que eu desejo.
Num sítio bem pertinho da cidade,
Pensava ter achado a liberdade...
A porta quando abrindo mostra a sala
Deixando a claridade entrar inteira
Enquanto na verdade tuda fala
Sorriso da morena mais faceira.
Mulher de coronel, o que me importa?
Vontade sem limites, não sossega,
A fome desejosa quando aporta
Caminha sem juízo, viva e cega.
Depois desta fartura sobre a mesa,
A noite, uma criança sem juízo,
A cama tão macia, sobremesa,
É tudo o que eu mais quero; o que preciso.
Enquanto o coronel, gordo, dormia,
Na cama da visita, uma folia...
A flor mais delicada ganha viço
Nos olhos do faminto aventureiro.
Do sangue tão ardente de um mestiço
O gozo se mostrando por inteiro.
Quem dorme no relento em pedregulhos,
Ao ter cama cheirosa se deleita,
Porém prazer imenso traz barulhos
Tremendo como febre de maleita.
A moça com gemidos e sussurros,
Olhando para o lado, o coronel,
Não vendo mais ninguém, desfere murros
Criando no final este escarcéu.
A bala do jagunço em mira certa
Uma alma desta vida se deserta...
Embora tenha mortes às centenas,
De tanto que cevei a vida afora
Tinha matado bobalhões apenas
Só gente que ninguém, que eu saiba, chora.
Porém, tanta desdita num momento
Depois das armadilhas mais cruéis
Agora com certeza eu me atormento
Matando dois gigantes, coronéis...
Perdido em noite imensa, em desatino,
Deixei aquele sítio, fui em frente,
Correndo num completo desatino,
Escuridão enorme que se enfrente.
Andando algumas léguas, sempre só,
Encontrei o arraial do Tororó....
A sede quando é muita, saiba disso,
Não deixa mais o cabra descansar.
A flor mais delicada ganha viço
Enquanto uma vontade quer matar.
Das águas que busquei nenhum sinal,
Porém uma morena deslumbrante
Com rebolado intenso e sensual
Tomou todo o cenário num instante.
Embora não quisesse ser só minha,
Fingindo que uma vez não fosse nada
Deitando em sua cama, assim sozinha,
A festa foi durante a madrugada.
Pois se no Tororó tal moça achei,
No mesmo Tororó eu a deixei...
Na busca pela Serra, Jatobá,
Deserto sertanejo se agiganta.
O sonho que domina levará
Decerto ao paraíso que me encanta.
Festança tão gostosa, uma ciranda
É dança que se faz a noite inteira,
A lua derramando na varanda,
Perfume de botão de laranjeira...
A boca quer a boca da morena,
Mil juras de um amor que não tem fim,
Enquanto um gozo imenso já se acena
Esqueço pra onde vou e de onde vim.
Porém em falsidade o diamante,
De vidro se quebrou num só instante.
Ao prosseguir a minha caminhada
Encontro uma calçada tão formosa
Em pedras tão bonitas, ladrilhada
Paisagem sem igual, maravilhosa.
Ao lado dessa rua um bosque em flor
Aonde posso ver um divino anjo,
Calado; solitário busca amor,
Porém a vida mostra em triste arranjo
Vazios nos seus olhos, dura sina,
Enquanto ladrilhava em esperança
Buscando ter os sonhos da menina,
O medo num tormento, o pobre alcança.
No bosque que se chama solidão,
Um anjo chora só, sem coração...
Ns terras da ciranda, uma princesa
Sozinha em seu castelo, sonhadora,
Ao vislumbrar decerto esta riqueza
Queria ter alguém consigo agora.
Sabendo do infortúnio de ser rica
Eu sei que ela não quer ficar ali,
Terrível solidão decerto explica
O medo que em seus olhos percebi.
Quem dera se encontrasse o seu amor,
Seria com certeza mais feliz.
Dinheiro mesmo sendo sedutor
Do que ela mais deseja nada diz.
Do reino de Marré, marré, dici
Tristeza sem igual, eu nunca vi...
Havia, no sertão, um coronel
Chamado simplesmente, assim, de Jó.
Que tendo como fama ser cruel
Matava e maltratava sem ter dó.
Os seus escravos, sempre em jogatina,
No Caxangá varavam madrugadas,
A filha deste Jó, bela menina
Cansada das vergastas aplicadas
Fugindo, me encontrou, não disse nada
Apenas caminhando junto a mim,
Tentando percorrer a mesma estrada
Na cama feita em relva, no capim,
Ao se entregar depressa e sem juízo,
Abriu em suas pernas, paraíso...
Saindo deste reino acirandado,
Depois de tantas tramas que encontrei
Olhando calmamente para o lado,
Um rosto conhecido eu vislumbrei.
O moço que eu pensei ser um fantasma,
Sorrindo novamente mostra a face.
Minha alma neste instante fica pasma
Ao ver esse sujeito sem disfarce.
Sentindo a mais terrível fedentina,
Eu pude perceber que estava frito,
Malicioso olhar que me alucina
Deixando o pensamento mais aflito.
Do céu em um momento eu já desabo
O cheiro denuncia este diabo...
A moça que comigo se encontrava,
Bonita e tão faceira, deu um nó,
Minha situação assim se agrava
A filha do danado deste Jó
Numa gargalhada lancinante
Mostrou por sob a saia um longo rabo,
Aquela moreninha deslumbrante
Queria, na verdade era dar cabo
Daquele que se fez amante e amigo,
Ao libertar a moça, perco o céu,
Sem ver qualquer sintoma de perigo,
A filha do safado coronel
Ao aprontar comigo essa falseta
A menina era esposa do capeta!
Depois de ter corrido a noite inteira,
Fugindo do Diabo sorrateiro,
Minha alma sem juízo, aventureira
Encontra um paraíso verdadeiro!
Mulher igual àquela, eu nunca vi,
Beleza sem limite cheira à flor;
Amor que se transforma em colibri
Esquece do passado qualquer dor.
Deitando com vontade de fazer
Aquilo que Deus sabe e nos mandou,
Porém ao encontrar tanto prazer,
Imagem tão faceira transformou.
Bem antes que o desejo se obedeça,
O fogo mostra a mula sem cabeça!
Trazes todas estrelas que quiseres,
Os céus só são brilhantes porque existes.
Em todos os amores que me deres,
Meus versos deixarão de serem tristes!
Tu és rainha e deusa, bela Ceres
Mas, verdadeiramente, não são chistes,
Eu encontrei em ti, tantas mulheres.
Apaixonadamente, lanças, ristes
(És banquete completo, mil talheres...)
Trago, nas entranhas, tantas dores...
Dum tempo que morri e ressuscito.
Vida se diluindo em estertores.
Vieste como luz, que enfim eu visse,
Trazendo as esperanças, vivo grito,
Da vida renascer em ti, Clarisse!
Os céus só são brilhantes porque existes.
Em todos os amores que me deres,
Meus versos deixarão de serem tristes!
Tu és rainha e deusa, bela Ceres
Mas, verdadeiramente, não são chistes,
Eu encontrei em ti, tantas mulheres.
Apaixonadamente, lanças, ristes
(És banquete completo, mil talheres...)
Trago, nas entranhas, tantas dores...
Dum tempo que morri e ressuscito.
Vida se diluindo em estertores.
Vieste como luz, que enfim eu visse,
Trazendo as esperanças, vivo grito,
Da vida renascer em ti, Clarisse!
Os ventos e as nuvens, tempestade!
A noite se nublou, escureceu...
Na vida procurando claridade,
O mundo que sonhava, já morreu.
Tantas vezes vivendo ansiedade,
Mal posso definir, em pleno breu,
Àquela a quem amava de verdade.
A noite em minha vida, já choveu!
Minha alma em plenitude procelária,
Espera ansiosamente por um lume.
A morte, que antes fora imaginária,
Num átimo ressurge, já se aclara.
Minha esperança, frágil vaga-lume,
Repousa em teu desejo, ilustre Clara!
A noite se nublou, escureceu...
Na vida procurando claridade,
O mundo que sonhava, já morreu.
Tantas vezes vivendo ansiedade,
Mal posso definir, em pleno breu,
Àquela a quem amava de verdade.
A noite em minha vida, já choveu!
Minha alma em plenitude procelária,
Espera ansiosamente por um lume.
A morte, que antes fora imaginária,
Num átimo ressurge, já se aclara.
Minha esperança, frágil vaga-lume,
Repousa em teu desejo, ilustre Clara!
Nas luzes tão serenas, minha amada,
Nos montes, nas florestas e nas matas.
Por entre cachoeiras e cascatas;
A vida se transcorre iluminada!
A sorte que me deste, minha fada,
Nas horas mais difíceis, me desatas.
Os cardos mais cruéis, tu não maltratas,
A seta que carregas, perfumada!
Os meus desejos são tuas vontades...
Dominas meus anseios com vigor.
Nas lutas pela vida, claridades,
És poderosa chama, sou fumaça;
Na vida sempre fui um caçador,
Mas, em teus braços, Cíntia, sou a caça!
Nos montes, nas florestas e nas matas.
Por entre cachoeiras e cascatas;
A vida se transcorre iluminada!
A sorte que me deste, minha fada,
Nas horas mais difíceis, me desatas.
Os cardos mais cruéis, tu não maltratas,
A seta que carregas, perfumada!
Os meus desejos são tuas vontades...
Dominas meus anseios com vigor.
Nas lutas pela vida, claridades,
És poderosa chama, sou fumaça;
Na vida sempre fui um caçador,
Mas, em teus braços, Cíntia, sou a caça!
No país dos meus sonhos mais sensíveis,
Um canto merencório me alucina.
Cantado por sopranos invisíveis,
A música me invade, cristalina!
Acordes dissonantes, tão incríveis,
A noite dos idílios descortina.
Trazendo tais tristezas incabíveis.
A lágrima maltrata e me domina!
Um som maravilhoso, mas tristonho,
Qual fosse maldição que se cumprira.
Meu mundo se refaz, procuro o sonho,
Envolto está no canto que delira...
Nos barcos deste sonho então me ponho.
Nesta harpa delirante de Cinira!
Acima do que posso imaginar,
Repousa tão fantástica beleza!
O Olimpo, certamente faz brilhar,
Com lume e com potência de princesa.
Dos seus braços, nasceram terra e mar
Seu seio amamentou a realeza!
À noite resplandece no luar,
A vida fez nascer, sua grandeza.
O mundo, seus pecados e delícias,
Etéreos passageiros, sombra e luz.
O campo das estrelas, as malícias.
As ninfas, seu carinho e sua pele.
Nas Plêiades, desejo seu transluz,
Consorte, lhe encontrei, minha Cibele!
Repousa tão fantástica beleza!
O Olimpo, certamente faz brilhar,
Com lume e com potência de princesa.
Dos seus braços, nasceram terra e mar
Seu seio amamentou a realeza!
À noite resplandece no luar,
A vida fez nascer, sua grandeza.
O mundo, seus pecados e delícias,
Etéreos passageiros, sombra e luz.
O campo das estrelas, as malícias.
As ninfas, seu carinho e sua pele.
Nas Plêiades, desejo seu transluz,
Consorte, lhe encontrei, minha Cibele!
Num templo abandonado no deserto,
Encontro tua imagem, cristalina.
Dos sonhos que já tive, estive perto,
Imagem tão risonha, me alucina!
Não sabia: sonhava ou mais desperto,
À sombra do retrato, minha sina!
Amor, o sentimento que eu oferto,
Àquela cuja imagem determina.
Um sonho? Vão delírio de um poeta?
Não posso precisar, falta certeza.
Qual força me enlouquece e arquiteta
O rosto desta bela criatura?
Em pleno afresco fosco, esta beleza,
A amada Christiane brilha, pura!
Encontro tua imagem, cristalina.
Dos sonhos que já tive, estive perto,
Imagem tão risonha, me alucina!
Não sabia: sonhava ou mais desperto,
À sombra do retrato, minha sina!
Amor, o sentimento que eu oferto,
Àquela cuja imagem determina.
Um sonho? Vão delírio de um poeta?
Não posso precisar, falta certeza.
Qual força me enlouquece e arquiteta
O rosto desta bela criatura?
Em pleno afresco fosco, esta beleza,
A amada Christiane brilha, pura!
Nasceste na nascente do universo,
Olhar primaveril tão envolvente!
Te canto mergulhado no meu verso,
Procuro teu olhar em toda a gente.
Meu mundo sem teu canto é tão disperso,
Em tristes melodias, de repente,
Transborda neste mundo. Sou reverso,
Avesso, sem te amar perdidamente!
Nos céus donde vieste, na alvorada,
Promessas benfazejas de fortuna!
A noite em tempestades, mais soturna,
Espreita, de tocaia, me alucina!
Eu canto esta canção desesperada,
Na espera de te amar, linda Celina!
Olhar primaveril tão envolvente!
Te canto mergulhado no meu verso,
Procuro teu olhar em toda a gente.
Meu mundo sem teu canto é tão disperso,
Em tristes melodias, de repente,
Transborda neste mundo. Sou reverso,
Avesso, sem te amar perdidamente!
Nos céus donde vieste, na alvorada,
Promessas benfazejas de fortuna!
A noite em tempestades, mais soturna,
Espreita, de tocaia, me alucina!
Eu canto esta canção desesperada,
Na espera de te amar, linda Celina!
Célia
Amar como eu te amei, a vida inteira...
Sem medo e sem vontade d’um adeus.
Em cada noite, a lua mensageira
Trazendo claridade nos meus breus.
A tarde das angústias, derradeira,
No amor, meu sacrifício, louva-deus!
Não canto despedida, faço esteira
Dos raios, dos luares, louvo a Deus...
Embora já temi o meu destino,
A morte não trará essa incerteza.
A vida noutra vida outra beleza!
Eterno coração, velho menino...
Amor igual ao nosso, mansa fera,
Só Célia me traria, tão sincera!
Amar como eu te amei, a vida inteira...
Sem medo e sem vontade d’um adeus.
Em cada noite, a lua mensageira
Trazendo claridade nos meus breus.
A tarde das angústias, derradeira,
No amor, meu sacrifício, louva-deus!
Não canto despedida, faço esteira
Dos raios, dos luares, louvo a Deus...
Embora já temi o meu destino,
A morte não trará essa incerteza.
A vida noutra vida outra beleza!
Eterno coração, velho menino...
Amor igual ao nosso, mansa fera,
Só Célia me traria, tão sincera!
Não podes ver o brilho deste sol,
A tarde emoldurada, várias cores.
O lume não te serve de farol,
Nem beleza incerta destas flores!
Porém, toda a candura dos olores,
A forma delicada, o girassol,
Ternura que carregas, teus pendores!
No canto mais feliz do rouxinol
(Delícia de saber tantos amores!)
Por certo teus sorrisos em malícias
Demonstram feminino ar, armadilha...
Carinhos e desejos, nas carícias,
No olor e maciez da bela tília.
A vida se transborda nas delícias
Dos olhos deste amor. Minha Cecília!
Cecilia: Ausência de visão, cega
Sim, decididamente não me queres!
Os teus olhos trazendo esta verdade.
Tantas vezes carrego meus halteres
Tentando convencer-te. Vaidade
E suplícios. Em vão! Sei que preferes
Palavras envolventes, claridade,
Os lumes estrelares. Caracteres
Mais concisos, assim, restou saudade!
Que poderei fazer? Não faço verso!
Meu mundo se resume: academia!
Nos músculos está meu universo!
Cátia, estarei buscando um claro dia,
Torrente caudalosa e tão completa,
Que me faça acordar, livre, poeta!
Os teus olhos trazendo esta verdade.
Tantas vezes carrego meus halteres
Tentando convencer-te. Vaidade
E suplícios. Em vão! Sei que preferes
Palavras envolventes, claridade,
Os lumes estrelares. Caracteres
Mais concisos, assim, restou saudade!
Que poderei fazer? Não faço verso!
Meu mundo se resume: academia!
Nos músculos está meu universo!
Cátia, estarei buscando um claro dia,
Torrente caudalosa e tão completa,
Que me faça acordar, livre, poeta!
Mocidade vibrante, me estonteia...
Audácias e desejos são constantes.
Nas luas e nas ruas tece teia,
Viaja por planetas mais distantes.
A noite, nas delícias, incendeia,
Os raios do luar, simples amantes...
Nos cantos e motéis, noturna ceia,
Os corpos se entrelaçam, delirantes.
Mocidade... Faz tempo que não vejo...
Meus carinhos dormitam na incerteza,
O peito, démodé qual realejo,
Na visão de teu corpo se alucina...
És manto de pureza e de beleza.
Por que tu demoraste, Catarina?
Audácias e desejos são constantes.
Nas luas e nas ruas tece teia,
Viaja por planetas mais distantes.
A noite, nas delícias, incendeia,
Os raios do luar, simples amantes...
Nos cantos e motéis, noturna ceia,
Os corpos se entrelaçam, delirantes.
Mocidade... Faz tempo que não vejo...
Meus carinhos dormitam na incerteza,
O peito, démodé qual realejo,
Na visão de teu corpo se alucina...
És manto de pureza e de beleza.
Por que tu demoraste, Catarina?
Cassiana
É certo que pequei, eu não discuto.
Errei ao perseguir teus mansos passos.
Tantas vezes, perdido, fui tão bruto.
Outras tantas, busquei-te, vãos abraços...
Ao longe, transtornado, então me enluto;
Por ter, assim, entrado em teus espaços;
Tens razão: destruir um podre fruto,
Rebentará, decerto, falsos laços.
Mas peço, por favor, por caridade,
Não deixes este sonho se acabar!
Em vão, já procurei pela verdade,
A luta se mostrou leda, temprana...
A noite, meu amor, trouxe o luar,
Te espero, minha amada Cassiana!
É certo que pequei, eu não discuto.
Errei ao perseguir teus mansos passos.
Tantas vezes, perdido, fui tão bruto.
Outras tantas, busquei-te, vãos abraços...
Ao longe, transtornado, então me enluto;
Por ter, assim, entrado em teus espaços;
Tens razão: destruir um podre fruto,
Rebentará, decerto, falsos laços.
Mas peço, por favor, por caridade,
Não deixes este sonho se acabar!
Em vão, já procurei pela verdade,
A luta se mostrou leda, temprana...
A noite, meu amor, trouxe o luar,
Te espero, minha amada Cassiana!
Minerva, num delírio sedutor,
Ao ver esta mulher que caminhava.
Momento de raríssimo esplendor,
Um pássaro a voar, manso, cantava
Os hinos mais perfeitos ao amor.
Aurora deslumbrante demonstrava
Belezas e perfumes, rara flor...
Vulcânicos fulgores formam lava.
Minerva, se encantado, prontamente,
Mandou iluminar os teus caminhos...
Levando seus talentos para a mente
Desta mulher. Das flores, fez acácia
Beleza feita em cachos de carinhos...
Ao mundo, então, brindou contigo, Cássia!
Ao ver esta mulher que caminhava.
Momento de raríssimo esplendor,
Um pássaro a voar, manso, cantava
Os hinos mais perfeitos ao amor.
Aurora deslumbrante demonstrava
Belezas e perfumes, rara flor...
Vulcânicos fulgores formam lava.
Minerva, se encantado, prontamente,
Mandou iluminar os teus caminhos...
Levando seus talentos para a mente
Desta mulher. Das flores, fez acácia
Beleza feita em cachos de carinhos...
Ao mundo, então, brindou contigo, Cássia!
És minha companheira mais fiel!
Toda dor que esta vida sempre dá
Momento tão difícil, mais cruel,
Na lua que jamais retornará,
És a certeza plena que há um céu!
Amiga, onde estiveres, estou lá,
És todo o meu sustento, meu farnel!
Meu sonho, nunca mais, se findará!
Por vezes me encontraste abandonado,
Sozinho, sem promessas de esperança.
A vida parecendo um peso, um fardo...
Rastejo minhas dores, salamandra,
Teus braços me levantam, na aliança
Eterna deste amor, minha Cassandra!
Toda dor que esta vida sempre dá
Momento tão difícil, mais cruel,
Na lua que jamais retornará,
És a certeza plena que há um céu!
Amiga, onde estiveres, estou lá,
És todo o meu sustento, meu farnel!
Meu sonho, nunca mais, se findará!
Por vezes me encontraste abandonado,
Sozinho, sem promessas de esperança.
A vida parecendo um peso, um fardo...
Rastejo minhas dores, salamandra,
Teus braços me levantam, na aliança
Eterna deste amor, minha Cassandra!
IMENSA ESCURIDÃO
Há dias em que as nuvens tampam sol,
E a imensa escuridão; então me abraça,
O frio me convida a uma cachaça
No horizonte sequer algum farol,
A neblina descendo no arrebol,
A sombra de um alguém, ao longe passa,
A vida vai perdendo toda a graça,
Me sinto solitário feito atol...
E quando o desespero toma conta,
Por entre tantas trevas já desponta
O olhar quase felino e me inebrio...
Tu chegas mansamente e toma a cena
A noite que prevejo então amena,
E o solo antes agreste, está macio...
MARCOS LOURES
Há dias em que as nuvens tampam sol,
E a imensa escuridão; então me abraça,
O frio me convida a uma cachaça
No horizonte sequer algum farol,
A neblina descendo no arrebol,
A sombra de um alguém, ao longe passa,
A vida vai perdendo toda a graça,
Me sinto solitário feito atol...
E quando o desespero toma conta,
Por entre tantas trevas já desponta
O olhar quase felino e me inebrio...
Tu chegas mansamente e toma a cena
A noite que prevejo então amena,
E o solo antes agreste, está macio...
MARCOS LOURES
Carolina
Nos campos verdejantes, belas flores...
Perfumes de diversas qualidades.
Abelhas, passarinhos, tantas cores.
Batendo um coração, tristes saudades...
Nos céus as alvoradas são favores
Divinos. Nestes campos, nas cidades,
Procuro pelos rastros dos amores;
Embalde, nunca vejo claridade!
A vida sem te ter, já se amofina,
O mundo não permite um triste canto.
A noite, no meu peito descortina,
Ofusca essa beleza, nega encanto.
Meus dias procurando Carolina,
Nas águas deste rio, todo o pranto!
Nos campos verdejantes, belas flores...
Perfumes de diversas qualidades.
Abelhas, passarinhos, tantas cores.
Batendo um coração, tristes saudades...
Nos céus as alvoradas são favores
Divinos. Nestes campos, nas cidades,
Procuro pelos rastros dos amores;
Embalde, nunca vejo claridade!
A vida sem te ter, já se amofina,
O mundo não permite um triste canto.
A noite, no meu peito descortina,
Ofusca essa beleza, nega encanto.
Meus dias procurando Carolina,
Nas águas deste rio, todo o pranto!
Carol
A vida amanhecendo ensolarada.
Andorinhas, pardais, cantam bom dia,
Nas árvores louvando. A passarada,
Plena satisfação na cantoria!
Um manto de esplendor, de fantasia,
Se espalha na manhã, linda, orvalhada!
O mundo inteiro vive essa alegria,
Todos, menos minha alma apaixonada!
Uma nuvem tristonha perde o sol,
Embora tanta vida se deslinde.
A natureza, bela neste brinde,
Esquece deste pobre girassol.
Antes que esta manhã, linda, se finde;
Espero por teu beijo enfim, Carol!
A vida amanhecendo ensolarada.
Andorinhas, pardais, cantam bom dia,
Nas árvores louvando. A passarada,
Plena satisfação na cantoria!
Um manto de esplendor, de fantasia,
Se espalha na manhã, linda, orvalhada!
O mundo inteiro vive essa alegria,
Todos, menos minha alma apaixonada!
Uma nuvem tristonha perde o sol,
Embora tanta vida se deslinde.
A natureza, bela neste brinde,
Esquece deste pobre girassol.
Antes que esta manhã, linda, se finde;
Espero por teu beijo enfim, Carol!
Carmo: Religiosa
Altares dos amores que sonhei
Nossas manhãs, cetim e veludo.
Amor que sempre, louco, procurei
Tuas mãos são promessas. Não me iludo.
Teus palácios, castelos, tua lei.
No templo do talvez e do contudo,
No teu mundo de sonhos, mergulhei.
Retorno do teu reino, quieto, mudo...
Amar perdidamente, minha sina...
Os versos de ansiedade e de tortura...
A noite simplesmente me alucina.
Nas torres, teu castelo, tanta altura,
Meus olhos se turvando em tal neblina.
Meu amor te encontrou, Carmo, tão pura...
Altares dos amores que sonhei
Nossas manhãs, cetim e veludo.
Amor que sempre, louco, procurei
Tuas mãos são promessas. Não me iludo.
Teus palácios, castelos, tua lei.
No templo do talvez e do contudo,
No teu mundo de sonhos, mergulhei.
Retorno do teu reino, quieto, mudo...
Amar perdidamente, minha sina...
Os versos de ansiedade e de tortura...
A noite simplesmente me alucina.
Nas torres, teu castelo, tanta altura,
Meus olhos se turvando em tal neblina.
Meu amor te encontrou, Carmo, tão pura...
Carmem
Carmem: Poema, versos, poesia
Quem dera ser poeta e te dizer
Das nuvens e das chuvas que não trazes
Da noite que te encontra meu prazer.
Da vida que te trouxe tantos ases.
Das asas que carregas, sem saber.
Tua vinda renasce em mim, as frases
Vindas do coração. Tento ler
No livro de esperanças, luas, fases...
Quem dera em mansos versos proclamar
Beleza que encontrei no teu olhar.
Quem dera conhecer a fantasia
Que encharca tua noite de luar.
Que traz toda a pureza deste dia,
Quando encontrei-te, Carmem, poesia...
Carmem: Poema, versos, poesia
Quem dera ser poeta e te dizer
Das nuvens e das chuvas que não trazes
Da noite que te encontra meu prazer.
Da vida que te trouxe tantos ases.
Das asas que carregas, sem saber.
Tua vinda renasce em mim, as frases
Vindas do coração. Tento ler
No livro de esperanças, luas, fases...
Quem dera em mansos versos proclamar
Beleza que encontrei no teu olhar.
Quem dera conhecer a fantasia
Que encharca tua noite de luar.
Que traz toda a pureza deste dia,
Quando encontrei-te, Carmem, poesia...
Carla
Desejados carinhos desta lua...
Infinitos os raios que me dás,
À noite, a esperança que flutua
Me traz a verdadeira e mansa paz..
A visagem serena, bela, nua,
Desta mulher fantástica, voraz,
Que navega meu mar, numa charrua...
Na visão mais dileta, mais audaz...
Um escultor, ao vê-la, disse: parla!
Meu canto de louvor a ti dedico.
As palavras, não gasto numa charla.
Meu rimar, ao sonhar-te, sempre rico.
Amor igual ao meu, somente explico
No brilho dos teus olhos, bela Carla!
Desejados carinhos desta lua...
Infinitos os raios que me dás,
À noite, a esperança que flutua
Me traz a verdadeira e mansa paz..
A visagem serena, bela, nua,
Desta mulher fantástica, voraz,
Que navega meu mar, numa charrua...
Na visão mais dileta, mais audaz...
Um escultor, ao vê-la, disse: parla!
Meu canto de louvor a ti dedico.
As palavras, não gasto numa charla.
Meu rimar, ao sonhar-te, sempre rico.
Amor igual ao meu, somente explico
No brilho dos teus olhos, bela Carla!
Carina
Carina: Aquela que tem graça, delicadeza
Tuas mãos delicadas, tão sensíveis.
Promessas de carinhos e de paz...
Teus passos pelas ruas, inaudíveis,
Flutuas, com certeza! Sou capaz
De naufragar meus sonhos impossíveis
Nos mares que me trazes. Tanto faz
Se, nas estradas loucas, invisíveis
Preciso for voar, serei audaz!
Teus dias se transcorrem graciosos,
A vida sem teu beijo, desatina...
Os dias se tornando belicosos
Se não estás comigo, cristalina!
Meus olhos te procuram, ansiosos,
Onde está delicado amor? Carina...
Carina: Aquela que tem graça, delicadeza
Tuas mãos delicadas, tão sensíveis.
Promessas de carinhos e de paz...
Teus passos pelas ruas, inaudíveis,
Flutuas, com certeza! Sou capaz
De naufragar meus sonhos impossíveis
Nos mares que me trazes. Tanto faz
Se, nas estradas loucas, invisíveis
Preciso for voar, serei audaz!
Teus dias se transcorrem graciosos,
A vida sem teu beijo, desatina...
Os dias se tornando belicosos
Se não estás comigo, cristalina!
Meus olhos te procuram, ansiosos,
Onde está delicado amor? Carina...
Cândida
Cândida: Aquela que é alva, pura
Folhas secas, tristonhas, sobre o chão...
Silenciosas tardes, vento frio.
Meu pranto de ansiedade, coração,
Esperando, seguindo tão vazio...
Tanto tempo perdido, vou em vão...
A chuva me impedindo o claro estio,
Em busca simplesmente do perdão.
Deste nada, total nada, sombrio...
Mas, de repente, brilhos no horizonte...
A Terra se cobrindo de esplendor.
As águas renascendo velha fonte.
A luz iluminando noite escura.
De novo conhecer o que é amor!
Olhos desta mulher, Cândida, pura...
Cândida: Aquela que é alva, pura
Folhas secas, tristonhas, sobre o chão...
Silenciosas tardes, vento frio.
Meu pranto de ansiedade, coração,
Esperando, seguindo tão vazio...
Tanto tempo perdido, vou em vão...
A chuva me impedindo o claro estio,
Em busca simplesmente do perdão.
Deste nada, total nada, sombrio...
Mas, de repente, brilhos no horizonte...
A Terra se cobrindo de esplendor.
As águas renascendo velha fonte.
A luz iluminando noite escura.
De novo conhecer o que é amor!
Olhos desta mulher, Cândida, pura...
Camila
Camila: Aquela que nasceu livre
Liberdade! Meu canto te procura
Nas penumbras longínquas, siderais...
A noite terminou bem mais escura,
Espreita negras nuvens colossais.
A dor de amar demais jamais se cura.
Crepúsculos tristonhos, abismais...
Bebendo desta mágoa, sem brandura,
A vida emoldurando catedrais!
Nos dourados veludos, no cetim
A maciez da pele, veleidade...
Encantamentos, lábio carmesim...
O mel que tua boca já destila,
O canto deste amor à liberdade:
Só encontrei no teu cantar, Camila!
Camila: Aquela que nasceu livre
Liberdade! Meu canto te procura
Nas penumbras longínquas, siderais...
A noite terminou bem mais escura,
Espreita negras nuvens colossais.
A dor de amar demais jamais se cura.
Crepúsculos tristonhos, abismais...
Bebendo desta mágoa, sem brandura,
A vida emoldurando catedrais!
Nos dourados veludos, no cetim
A maciez da pele, veleidade...
Encantamentos, lábio carmesim...
O mel que tua boca já destila,
O canto deste amor à liberdade:
Só encontrei no teu cantar, Camila!
Cacilda
Cacilda: Lança de combate
Não temo esses combates nem as lutas.
Cerrando os tristes olhos, te encontrei.
As noites sem carinho são mais brutas,
Nos campos de batalha fui o rei!
Agora que, distante, tudo enlutas
Agora que, perdido, não te achei;
Escondo-me, procuro escuras grutas,
Feridas que me causas, não curei.
Flamejas nas mortalhas que me deste,
Penetras corações com tuas setas...
A vida passa a ser um simples teste.
Desfolhas, nos teus beijos, toda flor!
Qual Eros, suas flechas prediletas,
Cacilda, tua meta é meu amor.
Cacilda: Lança de combate
Não temo esses combates nem as lutas.
Cerrando os tristes olhos, te encontrei.
As noites sem carinho são mais brutas,
Nos campos de batalha fui o rei!
Agora que, distante, tudo enlutas
Agora que, perdido, não te achei;
Escondo-me, procuro escuras grutas,
Feridas que me causas, não curei.
Flamejas nas mortalhas que me deste,
Penetras corações com tuas setas...
A vida passa a ser um simples teste.
Desfolhas, nos teus beijos, toda flor!
Qual Eros, suas flechas prediletas,
Cacilda, tua meta é meu amor.
Bruna
Bruna: Escura, parda
O sol se transformando em espetáculos!
As praias, belos mares e sereias
Amor se diluindo, seus tentáculos,
Invadem litoral, quentes areias...
Morenas desfilando. Nos oráculos,
A febre dos amores me incendeias...
Nos altares divinos, tabernáculos,
Nas praias os desejos entram veias...
Caminhos de corais, longas jornadas,
As ilhas tão distantes, minha escuna..
Belas sereias, nuas, encantadas...
Elfos e silfos, vento manso, sonho...
Num marulho suave, um barco ponho...
Meu barco, meu amor, morena Bruna...
Bruna: Escura, parda
O sol se transformando em espetáculos!
As praias, belos mares e sereias
Amor se diluindo, seus tentáculos,
Invadem litoral, quentes areias...
Morenas desfilando. Nos oráculos,
A febre dos amores me incendeias...
Nos altares divinos, tabernáculos,
Nas praias os desejos entram veias...
Caminhos de corais, longas jornadas,
As ilhas tão distantes, minha escuna..
Belas sereias, nuas, encantadas...
Elfos e silfos, vento manso, sonho...
Num marulho suave, um barco ponho...
Meu barco, meu amor, morena Bruna...
Brigite
Brigite: Aquela que guia
Tateando, procurei por teu carinho
Como se fora náufrago sedento.
Por tanto tempo, pálido, sozinho,
Clamando por teu nome, livre vento...
Aos poucos, sem te ter, tanto definho,
Pois não me sais jamais do pensamento!
Sou pássaro tristonho sem ter ninho,
A chaga terebrante pede ungüento!
Angústias acompanham meu desejo.
Quem me dera beijar salgada pele...
Caminhar por estradas de azulejo,
De ladrilhos dourados, tua trilha...
É beleza sem par que me compele
Brigite, teu caminho, maravilha!
Brigite: Aquela que guia
Tateando, procurei por teu carinho
Como se fora náufrago sedento.
Por tanto tempo, pálido, sozinho,
Clamando por teu nome, livre vento...
Aos poucos, sem te ter, tanto definho,
Pois não me sais jamais do pensamento!
Sou pássaro tristonho sem ter ninho,
A chaga terebrante pede ungüento!
Angústias acompanham meu desejo.
Quem me dera beijar salgada pele...
Caminhar por estradas de azulejo,
De ladrilhos dourados, tua trilha...
É beleza sem par que me compele
Brigite, teu caminho, maravilha!
Brígida
Na derradeira noite deste amor
Que nos trouxe tristeza e alegria
A vida se mostrou ao teu dispor,
Em plenas convulsões da fantasia
Dançávamos felizes sem temor
Das horas de torpor, melancolia...
Esquecemos que toda bela flor
Por certo murchará, num triste dia!
Dores antigas matam sentimento.
Nada mais restará senão adeus...
Palavra sem sentido, leva o vento.
Minha alma não se cansa de lembrar
O beijo que trocamos, sonhos meus,
Ah! Brígida! No amor, foste ao luar!
Na derradeira noite deste amor
Que nos trouxe tristeza e alegria
A vida se mostrou ao teu dispor,
Em plenas convulsões da fantasia
Dançávamos felizes sem temor
Das horas de torpor, melancolia...
Esquecemos que toda bela flor
Por certo murchará, num triste dia!
Dores antigas matam sentimento.
Nada mais restará senão adeus...
Palavra sem sentido, leva o vento.
Minha alma não se cansa de lembrar
O beijo que trocamos, sonhos meus,
Ah! Brígida! No amor, foste ao luar!
Bianca
Noite clara de amor, imensidão!
Nos céus e nas montanhas tanta alvura...
Nas palavras, no vento, mansidão..
Um sendeiro fantástico de ternura.
Marinhos caracóis trazem paixão
As ondas se rebentam com brandura...
Espumas, calmaria... Na amplidão
A lua se deslinda em paz, brancura...
Uma nova sereia traz o mar.
Os cavalos marinhos, os corais,
As águas transparentes, o luar...
Estrelas desfilando; noite branca...
Amor que revelou-se mostra a paz,
Nos olhos radiantes de Bianca!
Noite clara de amor, imensidão!
Nos céus e nas montanhas tanta alvura...
Nas palavras, no vento, mansidão..
Um sendeiro fantástico de ternura.
Marinhos caracóis trazem paixão
As ondas se rebentam com brandura...
Espumas, calmaria... Na amplidão
A lua se deslinda em paz, brancura...
Uma nova sereia traz o mar.
Os cavalos marinhos, os corais,
As águas transparentes, o luar...
Estrelas desfilando; noite branca...
Amor que revelou-se mostra a paz,
Nos olhos radiantes de Bianca!
Betânia
Betania: Simplicidade, humildade
Trago as sombras antigas de quimeras,
Caminhando por pedras entre urzes...
As fontes desejadas, as esperas,
Já se despedaçaram, velhas cruzes...
Derradeiros prazeres, mortas eras,
Invernaram-se inteiros, negam luzes...
Soledades, tristezas, vis crateras;
Em guerra corações, setas, obuses...
Distante do castelo das perfídias,
Uma bela mulher adormecida...
Em volta da tapera, mil orquídeas.
Toda simplicidade da beleza...
És última esperança desta vida,
Betânia, teu amor, uma riqueza!
Betania: Simplicidade, humildade
Trago as sombras antigas de quimeras,
Caminhando por pedras entre urzes...
As fontes desejadas, as esperas,
Já se despedaçaram, velhas cruzes...
Derradeiros prazeres, mortas eras,
Invernaram-se inteiros, negam luzes...
Soledades, tristezas, vis crateras;
Em guerra corações, setas, obuses...
Distante do castelo das perfídias,
Uma bela mulher adormecida...
Em volta da tapera, mil orquídeas.
Toda simplicidade da beleza...
És última esperança desta vida,
Betânia, teu amor, uma riqueza!
Berta
Berta: Brilhante, gloriosa
No fundo do oceano revoltoso,
Serpentes, calabares tão terríveis
Abismo tão profundo, tenebroso.
Gigantes monstruosos, invencíveis!
Tanto brilho estrelar, misterioso,
Dos peixes abissais, seres incríveis!
Caminham quais cometas! Glorioso
Mar de fantasmagóricos desníveis...
Céus de estrelas diversas, tão gigantes...
Nas luzes de cometas e quasares,
Universos de cores radiantes!
Amor, no sentimento delirante,
Amantes se iluminam nos luares...
E Berta, gloriosa e tão brilhante...
Berta: Brilhante, gloriosa
No fundo do oceano revoltoso,
Serpentes, calabares tão terríveis
Abismo tão profundo, tenebroso.
Gigantes monstruosos, invencíveis!
Tanto brilho estrelar, misterioso,
Dos peixes abissais, seres incríveis!
Caminham quais cometas! Glorioso
Mar de fantasmagóricos desníveis...
Céus de estrelas diversas, tão gigantes...
Nas luzes de cometas e quasares,
Universos de cores radiantes!
Amor, no sentimento delirante,
Amantes se iluminam nos luares...
E Berta, gloriosa e tão brilhante...
Bernadete
Bernadete: Aquela que tem a força de um urso
A nossa casa, amor, já não existe...
Procuro meus quintais, não mais os vejo.
Meu bem, a vida queda-se tão triste!
A morte vem chegando, em seu cortejo!
Um frágil coração jamais resiste
À ausência dolorosa do teu beijo!
Sou pássaro faminto, sem alpiste,
Sou tarde que perdeu seu azulejo!
Vivendo de ilusões cadê a casa
Onde fomos felizes? Sem jardim,
Mergulho esse infinito, sem ter asa.
Meu mundo se perdendo, sem confete...
É quarta feira, cinzas, mesmo assim,
Teu nome irei gritando: Bernadete!
Bernadete: Aquela que tem a força de um urso
A nossa casa, amor, já não existe...
Procuro meus quintais, não mais os vejo.
Meu bem, a vida queda-se tão triste!
A morte vem chegando, em seu cortejo!
Um frágil coração jamais resiste
À ausência dolorosa do teu beijo!
Sou pássaro faminto, sem alpiste,
Sou tarde que perdeu seu azulejo!
Vivendo de ilusões cadê a casa
Onde fomos felizes? Sem jardim,
Mergulho esse infinito, sem ter asa.
Meu mundo se perdendo, sem confete...
É quarta feira, cinzas, mesmo assim,
Teu nome irei gritando: Bernadete!
Bernadete
Bernadete: Aquela que tem a força de um urso
A nossa casa, amor, já não existe...
Procuro meus quintais, não mais os vejo.
Meu bem, a vida queda-se tão triste!
A morte vem chegando, em seu cortejo!
Um frágil coração jamais resiste
À ausência dolorosa do teu beijo!
Sou pássaro faminto, sem alpiste,
Sou tarde que perdeu seu azulejo!
Vivendo de ilusões cadê a casa
Onde fomos felizes? Sem jardim,
Mergulho esse infinito, sem ter asa.
Meu mundo se perdendo, sem confete...
É quarta feira, cinzas, mesmo assim,
Teu nome irei gritando: Bernadete!
Bernadete: Aquela que tem a força de um urso
A nossa casa, amor, já não existe...
Procuro meus quintais, não mais os vejo.
Meu bem, a vida queda-se tão triste!
A morte vem chegando, em seu cortejo!
Um frágil coração jamais resiste
À ausência dolorosa do teu beijo!
Sou pássaro faminto, sem alpiste,
Sou tarde que perdeu seu azulejo!
Vivendo de ilusões cadê a casa
Onde fomos felizes? Sem jardim,
Mergulho esse infinito, sem ter asa.
Meu mundo se perdendo, sem confete...
É quarta feira, cinzas, mesmo assim,
Teu nome irei gritando: Bernadete!
Berenice
Berenice: Portadora da vitória, vencedora
Esmolei tantas vezes teu carinho!
Meus versos em total monotonia...
Um coração morrendo, pobrezinho,
Espera enfim, nascer de novo, um dia...
Meu velho paletó recende linho,
A chuva no meu peito, nunca estia...
No meu canto, assum preto fez o ninho,
Calada, adormecida, a poesia!
Cinzentas brumas, mares inconstantes,
Derrotado procuro por teu colo.
Um dia fomos lúdicos amantes,
O tempo tão cruel tudo desdisse...
Altos céus mergulhei, caí ao solo.
Tu és vitoriosa, Berenice!
Berenice: Portadora da vitória, vencedora
Esmolei tantas vezes teu carinho!
Meus versos em total monotonia...
Um coração morrendo, pobrezinho,
Espera enfim, nascer de novo, um dia...
Meu velho paletó recende linho,
A chuva no meu peito, nunca estia...
No meu canto, assum preto fez o ninho,
Calada, adormecida, a poesia!
Cinzentas brumas, mares inconstantes,
Derrotado procuro por teu colo.
Um dia fomos lúdicos amantes,
O tempo tão cruel tudo desdisse...
Altos céus mergulhei, caí ao solo.
Tu és vitoriosa, Berenice!
Benedita
Nossa casa, resquícios dum passado
Cruel, difícil, livre, encantador!
Vivemos triste mundo amortalhado,
A vida já não tem nenhum valor!
Maldita esta saudade, vou de lado,
Espero por um dia redentor!
De colmo, nossa casa, seu telhado,
Porém era sincero, teu amor.
Num êxtase vivemos nossa história.
Idílico caminho sem volta
O tempo derramou a nossa glória.
A noite que nos viu, morrendo aflita,
Em loucos sentimentos, se revolta...
Saudades do teu brilho, Benedita!
Nossa casa, resquícios dum passado
Cruel, difícil, livre, encantador!
Vivemos triste mundo amortalhado,
A vida já não tem nenhum valor!
Maldita esta saudade, vou de lado,
Espero por um dia redentor!
De colmo, nossa casa, seu telhado,
Porém era sincero, teu amor.
Num êxtase vivemos nossa história.
Idílico caminho sem volta
O tempo derramou a nossa glória.
A noite que nos viu, morrendo aflita,
Em loucos sentimentos, se revolta...
Saudades do teu brilho, Benedita!
terça-feira, 29 de maio de 2018
Bárbara: Estrangeira
As cinzas apagadas, quero o fogo!
Nas chamas destes braços, meus confeitos
Eu peço, te repeço, tanto rogo!
Amores que plantei eram perfeitos...
Nas sendas dos meus sonhos, teu olhar...
No mundo que encontrei és um vulcão!
Por tantos universos vou te amar!
Explodes em delírios coração.
Na brasa que trouxeste meu desejo.
Quimeras esquecidas não as tenho...
Embora tantas vezes feche o cenho.
Na noite que rolamos verdadeira...
Sentidos e carícias relampejo.
Bárbara, meu amor, luz estrangeira!
As cinzas apagadas, quero o fogo!
Nas chamas destes braços, meus confeitos
Eu peço, te repeço, tanto rogo!
Amores que plantei eram perfeitos...
Nas sendas dos meus sonhos, teu olhar...
No mundo que encontrei és um vulcão!
Por tantos universos vou te amar!
Explodes em delírios coração.
Na brasa que trouxeste meu desejo.
Quimeras esquecidas não as tenho...
Embora tantas vezes feche o cenho.
Na noite que rolamos verdadeira...
Sentidos e carícias relampejo.
Bárbara, meu amor, luz estrangeira!
Núria
A vida, caminheira, não se cansa.
Traduz-se em divinais formas e brilho.
Trazendo no seu bojo uma esperança.
Depois de tanta dor, me maravilho
Com olhos que iluminam canto e dança.
Percebo-te num claro e belo trilho,
A luz desta esperança já te alcança.
Num lago, fino amor, de mãe e filho...
Quimeras e disfarces, falsos medos...
Os mágicos delírios de mulher.
No fundo, desvendando-se segredos.
Nos mares, nas montanhas cessas fúria,
Caminhos d’oceanos se quiser,
Teus versos sempre encantam, maga Núria!
A vida, caminheira, não se cansa.
Traduz-se em divinais formas e brilho.
Trazendo no seu bojo uma esperança.
Depois de tanta dor, me maravilho
Com olhos que iluminam canto e dança.
Percebo-te num claro e belo trilho,
A luz desta esperança já te alcança.
Num lago, fino amor, de mãe e filho...
Quimeras e disfarces, falsos medos...
Os mágicos delírios de mulher.
No fundo, desvendando-se segredos.
Nos mares, nas montanhas cessas fúria,
Caminhos d’oceanos se quiser,
Teus versos sempre encantam, maga Núria!
Olhos fitos buscando por um sol.
Encontro essa riqueza que deixei.
Em meio aos arquipélagos, atol,
Ilha aonde pensava ser o rei!
Minha boca ansiosa te beijei,
Num momento julgava-me farol.
Como é cruel, Meu Pai, a tua lei!
Agora vou sozinho, um catassol!
Dourados os caminhos que passara,
Inebriei-me, tonto, mas passou...
A jóia que dispunha; viva e rara
Depois desta tormenta, sobrou nada!
Vazio o coração agora vou,
Buscando te encontrar: Áurea dourada!
Encontro essa riqueza que deixei.
Em meio aos arquipélagos, atol,
Ilha aonde pensava ser o rei!
Minha boca ansiosa te beijei,
Num momento julgava-me farol.
Como é cruel, Meu Pai, a tua lei!
Agora vou sozinho, um catassol!
Dourados os caminhos que passara,
Inebriei-me, tonto, mas passou...
A jóia que dispunha; viva e rara
Depois desta tormenta, sobrou nada!
Vazio o coração agora vou,
Buscando te encontrar: Áurea dourada!
Pensei que conhecesse meus desejos...
Pensei apenas soube dos meus erros
Ao conhecer os campos dos desterros
Onde repousam, néscios, nossos beijos!
Procurei por entranhas e sentidos,
Os vales, cordilheiras, foram vãos.
Pensávamos amores como irmãos
No fundo, sentimentos corrompidos...
Agora que conheço meus defeitos,
Meus lábios te procuram como um sol...
Meus olhos devorando fartos peitos.
Na vida, esse delírio já me incrusta
Eu te amo! Te procuro, girassol,
Na tua majestade, amada Augusta!
Tu vais tranquilamente pelas ruas,
Procuro tuas cores, belo outono...
Imagens de mulheres lindas, nuas
Meu mundo se resume em abandono!
As bocas que sonhei, deveras cruas,
Agora não freqüentam o meu sono.
Mulheres se passaram, foram luas.
De destino cruel, eu sou o dono!
Mas eis que minha sorte se revela,
Na curva desta estrada, se avizinha!
A luz que bruxuleia como vela,
Num segundo, em farol já se transforma.
Beleza sem igual, a noite forma,
Astride, neste outono, uma rainha!
Trago-te meu delírio e meu remendo...
Minha alma se esgotou sem teus pendores...
As ondas que navego, sem as cores,
São lumes que jamais, de novo, acendo...
Carinhos tão chagásicos vivendo,
Palpitam no meu sol, meus estertores...
Martírios deste mundo sem amores,
O corte do desejo repreendo!
Meu mundo não precisa fantasia,
Fanáticos momentos são inglórios...
A morte dos meus sonhos, sem velórios,
O canto da saudade é garantia.
Meu astro se desfaz, puro confete,
Renasce nos teus braços, Bela Arlete!
E o mundo desabando dentro em mim
Transcende à própria sorte e me sonega,
Bebendo todo o vinho desta adega
A morte se aproxima, até que enfim...
O gesto mais audaz de um ser temente
Não pode superar qualquer impasse,
E quando a fantasia me ultrapasse
Jamais cultivaria esta semente.
Jogada pelos cantos sem destino,
Sarjetas são meus lares corriqueiros,
Aonde semeasse se os canteiros
Há tanto destrocei em desatino
Por isso seguem tolos e dispersos
Alheios, sem sentidos, os meus versos.
Amor que recomeça e não termina,
Se faz destas terríveis emoções.
É fonte do desejo, minha mina,
Embalde procurando corações.
Escuto tua voz; é minha sina,
A vida vai passando aluviões...
Gorjeio da saudade me alucina,
As pálpebras verbênicas, paixões!
Os olhos baços, tristes te procuram,
Num átimo te encontram, mas cometa...
As dores que provocas não se curam.
A morte se aproxima, mas me engana...
Noutro momento, lúbrica espartana
Deitada em minha cama, Antonieta!
Se faz destas terríveis emoções.
É fonte do desejo, minha mina,
Embalde procurando corações.
Escuto tua voz; é minha sina,
A vida vai passando aluviões...
Gorjeio da saudade me alucina,
As pálpebras verbênicas, paixões!
Os olhos baços, tristes te procuram,
Num átimo te encontram, mas cometa...
As dores que provocas não se curam.
A morte se aproxima, mas me engana...
Noutro momento, lúbrica espartana
Deitada em minha cama, Antonieta!
Alvorada que busco, meu desejo..
Nos braços das estrelas, adormeço.
O canto que dedicas, não mereço,
O medo de morrer me enche de pejo!
Na palidez tristonha, nada vejo,
A vida me transmuda sem tropeço.
Espero fantasias, adereço,
Em meio a tempestades, peço um beijo!
Nos campos procurando uma açucena,
A cor maravilhosa da verbena
Encanta meus olhares, me alucino...
Por quantas noites, tive tanta insônia,
Amor é sentimento em desatino.
A minha salvação: amada Antonia!
Nos braços das estrelas, adormeço.
O canto que dedicas, não mereço,
O medo de morrer me enche de pejo!
Na palidez tristonha, nada vejo,
A vida me transmuda sem tropeço.
Espero fantasias, adereço,
Em meio a tempestades, peço um beijo!
Nos campos procurando uma açucena,
A cor maravilhosa da verbena
Encanta meus olhares, me alucino...
Por quantas noites, tive tanta insônia,
Amor é sentimento em desatino.
A minha salvação: amada Antonia!
Num vestido de chita bem rodado
Caminha esta princesa e me domina.
No tempo que sofri, e foi passado,
Procurando, nas matas, rica mina.
Meu mundo parecia desgraçado,
A lua no meu céu já não domina.
Embalde vasculhei o povoado,
Queria te encontrar, bela menina!
Olhando para o chão, onde buscava,
Não pude discernir tua beleza.
A luz do sol já não iluminava,
Meu mundo resumia-se em tristeza.
Mas, quando mais eu me desesperava
Achei em Angelina, tal pureza!
Magia encantadora conheci,
Nos frêmitos divinos, coração!
Por mundos tão fantásticos saí,
Procurando encontrar a solução
Do vazio que estava todo aqui,
Na quimera feroz, a solidão.
Anseio seus mistérios, me perdi,
À procura do afago, seu perdão!
És pura, teus caminhos sem deslizes,
Sem marcas, que enodassem teu passado.
Por mais que sempre foram infelizes,
Os dias que passas; mas, dulcíssima
Perdoa coração apaixonado.
Ariadne, mulher linda e castíssima!
Noite que me traria teu amor,
É noite engalanada maviosa.
Explode-se nas chamas, esplendor!
Perfuma meu desejo, linda rosa,
Vestido carmesim, cadê rubor?
Se entrega no festim, audaciosa,
Vulcânica, desmancha-se em calor,
Em meus braços, dilui-se, vaporosa!
Na noite dos desejos e carícias,
Imerso em teus delírios e delícias,
Prazeres que em loucura revesti.
É mar que, enluarado, me convida,
Orgástico, fecunda e se engravida,
Na aurora, mãe do dia, em Araci...
No mel de tua boca, pleno gozo,
Nos ventos, meu orgulho de lutar.
Por vezes, meu caminho é andrajoso,
Distantes esperanças, céu e mar...
Vitórias sempre deixam orgulhoso
Quem sempre se perdeu por não amar.
Chama queimará pobre teimoso
Ao largo das estrelas, ao luar...
Travando mil batalhas contra a sorte,
Espero preservar a minha vida.
O coração boêmio teme a morte.
A juventude morre, má, fendida.
Amor que representa duro corte,
Renasce em teu olhar; Aparecida!
Nos ventos, meu orgulho de lutar.
Por vezes, meu caminho é andrajoso,
Distantes esperanças, céu e mar...
Vitórias sempre deixam orgulhoso
Quem sempre se perdeu por não amar.
Chama queimará pobre teimoso
Ao largo das estrelas, ao luar...
Travando mil batalhas contra a sorte,
Espero preservar a minha vida.
O coração boêmio teme a morte.
A juventude morre, má, fendida.
Amor que representa duro corte,
Renasce em teu olhar; Aparecida!
A luz que te traria me enganou,
Não trouxe nem sequer um vago lume.
Saudade que senti, ressuscitou
Nas asas desse amor, um vaga-lume!
Carrego o muito pouco que sobrou,
A dor, o medo, a ponta de ciúme,
A dúvida feroz, ser o que sou?
Não posso perseguir o teu perfume,
(A rosa que deixaste, não brotou...)
Perdoe se não posso estar contigo,
Meu grito nunca mais te importará.
À noite, adormecido, não consigo,
Saber o quanto a dor traga infinita,
Estrela dos teus olhos brilhará
No que me restará de vida, Anita!
Não trouxe nem sequer um vago lume.
Saudade que senti, ressuscitou
Nas asas desse amor, um vaga-lume!
Carrego o muito pouco que sobrou,
A dor, o medo, a ponta de ciúme,
A dúvida feroz, ser o que sou?
Não posso perseguir o teu perfume,
(A rosa que deixaste, não brotou...)
Perdoe se não posso estar contigo,
Meu grito nunca mais te importará.
À noite, adormecido, não consigo,
Saber o quanto a dor traga infinita,
Estrela dos teus olhos brilhará
No que me restará de vida, Anita!
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