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Durante a Idade Média, duras grades
Atando com correntes a verdade,
Negando totalmente a liberdade
Reflete o que deveras já degrades.
O fato de ser livre não permite
Qualquer besteira em nome da beleza,
Se poluída vejo a correnteza,
Ultrapassou há tanto meu limite.
Versar sobre o vazio e a estupidez
Negando ao próprio estilo uma existência
Traduz a mais completa incompetência
E nela a maravilha se desfez.
Aonde houvera brilhos em fulgores
Agora se expressando em novas cores.
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Agora se expressando em novas cores
A poesia morta não tem jeito.
A falta de caráter e o despeito
Impede que se nasçam belas flores.
Mentecaptos vestidos de poetas,
Inúteis versos soltos sem sentido.
Condenam-se ao terror do ledo olvido,
Pior é que envenenam suas setas.
Cansado desta imensa babaquice,
Quem sabe faz agora ou dá no pé,
Prefiro me calar seguir na fé,
Não posso conviver com tal tolice
Ainda que eu procure e não perceba
Por mais que a fantasia inda se beba.
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Por mais que a fantasia inda se beba
Cansado de um pileque vagabundo,
Procuro inutilmente pelo mundo,
Quem tente adivinhar e até perceba
O quão se fez herética esta história,
Em nome de um provável modernismo,
Criaram no poema um cataclismo
E ainda vêm com ares de vanglória.
Boçalidade em nome, mas de que?
Da fúria desregrada dos boçais?
Não piso neste solo nunca mais.
É tanta idiotice o que se lê.
Quem sabe caminhar, mesmo sozinho,
Vencera sem demora pedra e espinho.
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Vencera sem demora pedra e espinho
Quem tenta descobrir toda a verdade,
Enquanto a idiotice já degrade,
Ainda restará, quem sabe um ninho.
Por mais que enfim tentasse paciência,
Ultrapassei deveras meus limites,
Não quero de imbecis torpes palpites
Já não terei deveras mais clemência.
Retiro-me dos grupos onde vejo
Somente os assassinos do poema,
E quando se versando sobre o tema,
Com mãos mais afiadas apedrejo.
A pobre poesia? Nunca mais...
Tornando-se a refém de vãos boçais.
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Tornando-se a refém de vãos boçais
Cultura se tornou quase piada,
Caminha pela rua apedrejada
Mordida por terríveis animais.
Qualquer estúpido promete um verso
E faz desta ignomínia uma verdade,
Já não comento mais nem qualidade
Não quero ser deveras mais perverso.
Fadando-se a morrer de inanição,
Espúrias carpideiras mentirosas,
Espinhos no lugar de belas rosas,
Secando desde sempre a plantação,
Deixando a poesia sem porvir
As bênçãos de uma Musa vêm pedir?
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