22/08/2011
Jamais vivo quando atento
Noutro instante e nada vejo
Do caminho em que se eu tento
O meu passo é malfazejo,
Na verdade entregue ao vento
O cenário onde revejo
Todo o caos e não lamento,
Mesmo quando a morte; almejo.
Resumisse cada passo
No que tanto agora traço
E somente sei quem é
Que moldando a minha vida
Diz da própria despedida
Sem saber sequer da fé.
2
Quero sempre ter comigo
A expressão que se desnuda
No momento onde persigo
O que tente em leda ajuda,
A certeza diz abrigo
O cenário nos acuda
E o meu tempo em desabrigo
Dita a sorte tão miúda
Versejando sem sentir
Qualquer meta que se trame
Vislumbrando o que há de vir
Ou talvez em novo enxame
Meu momento a repartir,
Desde quando não reclame.
3
Expressões diversas trago
E pudera ser assim
Todo o manto em calmo afago
Desdenhando o quanto em mim
Se eu tentasse mesmo em vago
Desejar e não tem fim,
O silêncio traz enfim
O momento onde divago,
Não se expresse este abandono
Onde o passo desabono
E mergulho no passado,
Vestimenta já puída
Descrevendo a minha vida,
E decerto ora me evado.
4
Respondendo ao quanto pude
Desvendar noutro mistério
O momento bem mais rude
Já não tendo algum critério,
Resgatando a juventude
Na frieza de um minério
Ouso em plena magnitude
O cerzir do meu império,
Se não tive melhor sorte
Nem pudera ser diverso,
O que tanto me conforte
Traz em tom o velho verso
E se gera o que suporte
No vazio sigo imerso.
5
Transversais do pensamento
Ouso crer noutra avenida
E se possa a minha vida
Noutro rumo sempre tento,
Visto o risco, desatento
E sequer já se duvida
Da incerteza que se olvida
Ou traduza alheamento,
Resumindo dentro da alma
A verdade que busquei
No que possa se além
O tormento não se acama
Invadindo a velha grei
E a saudade sempre vem.
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