terça-feira, 30 de agosto de 2011

30/08/2011


1

Resumindo verdades num só toque
Caminhando contra a fúria das marés
Olho a vida de tal forma, num viés
Onde a queda por certo se provoque,
Nada tenho e se possa ter estoque
Ouço apenas o que tento e sei não és
Ronda feita se atando nas galés
Neste mundo onde o todo me convoque.
Restaurando o que tento num só ermo,
Procurando no fundo novo termo
Que possa me expressar felicidade,
Represento a insensata sordidez
E bem sabes querida quando vês
Transformando o momento em que degrade.


2

Tantas vezes busquei a minha sorte
Nos anseios de quem se fez poeta
A palavra sensata se completa
No que tanto decerto ora comporte,
Já não vejo sequer o quanto corte
Desta senda diversa que repleta
A esperança no fundo dita a meta
E procura no escuro novo norte.
O mergulho se faz já sem saída
Traduzindo o que pude perceber,
Ouso até na verdade mal conter
A esperança há tanto resumida,
O meu verso se torna mais atroz,
Sei, porém que ninguém ouve tal voz.

3

Testemunha da vida que se fora
Noutro instante sem ter onde aportar
O meu canto penetra devagar
Numa sorte que possa redentora,
A minha alma deveras sonhadora
Já não tendo sequer busca encontrar
Privilegio de quem se fez amar
Na seara que fora promissora,
Agora nada vejo senão isto
E sei do quanto possa e já desisto
Vagando noite afora sem ninguém
Versejando o vazio da promessa
O que tanto queria recomeça
E talvez saiba o quanto ainda vem.

4

Uma sorte diversa e caprichosa
No momento onde pude resistir
Ao que tanto moldasse o meu porvir
Na beleza suave de uma rosa,
A verdade por vezes melindrosa
O caminho sem nada a redimir,
No vazio que possa quando vir
Trazer a mesma sorte pedregosa.
Nada vejo dos ermos mais diversos
E se possa a incerteza destes versos
Já não cabe sequer no quanto tenha,
A medonha figura de uma noite
Vibrando no costado do duro açoite
Sem nada que o segure ou mais contenha.


5

Idolatro insensata noite rude
E bebendo esta sorte ora mordaz
O que a vida decerto ainda traz
Traduzindo o momento aonde pude
Desejar tão somente a plenitude
E a verdade deveras se desfaz
Desgastando o que queira e não se faz
Demarcando o final da juventude.
Restando muito pouco ou quase nada
A sina no final sendo jogada
Às traças ou quem sabe contra o vento,
Vestígios de outras eras mais doridas
Certezas consumindo tantas vidas
Ainda que procure e não me alento.

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