quarta-feira, 31 de agosto de 2011

31/08/2011

1

Não me cabe talvez já nem pensar
No todo quando a vida se alimenta
Do sonho sem saber desta sangrenta
Vontade simplesmente de lutar,
Ao menos poderia me encontrar
E ver o que deveras me apascenta
Gerando outro caminho segue atenta
A sorte que não tem onde amparar
Meu verso se perdendo em cada queda
Aos poucos no vazio se envereda
O passo sem sentido e sem proveito,
Apenas desejando novo rumo
Ou mesmo o que decerto ora resumo
Até contra a vontade, enfim aceito.

2

Ouvindo a mesma voz que agora trame
E nisto este cenário se repete
Nas mãos a fúria dita o canivete
Do sonho; a poesia é vão ditame,
O canto se aproxima e não se clame
Sequer pelo que um dia me compete
Marcando a ferro e fogo se intromete
A vida neste anseio feito enxame.
Representando apenas o passado
O rústico desenho elaborado
Nas tramas de uma vida sem sentido,
Tecendo da esperança a cordoalha
A luta pouco a pouco além se espalha
E traça o que eu tentar e já me olvido.

3

Revigorando o passo quando vejo
O todo se perdendo em frágil vento
O quanto poderia e mais não tento
Trazendo a poesia em duro pejo,
Não quero nem pudera mais o ensejo
Gerando o mais diverso pensamento
E sei deste veneno em duro alento
Enquanto sem proveito amor desejo.
Restando quase nada ou muito pouco,
Ainda se moldando o sonho louco
Que possa se ditar em poesia,
Vasculhando minha alma sem saber
Do quanto poderia merecer,
No fim nada se expondo, uma agonia...

4

Promessas são apenas mais enganos
E nada do que veja realiza
A sorte se perdendo junto à brisa
E nisto meus momentos são profanos,
Acumulando a vida em fortes danos
O tempo na verdade não precisa
Do todo que deveras traz e avisa
Meus dias são decerto desumanos.
Restando do passado quase nada
A luta noutra face desenhada
A morte se aproxima calmamente,
No fundo o que viria não mais veja
Quem tanto mergulhara em tal peleja
Sabendo que esperança sempre mente.

5

Reparo cada errôneo toque quando
Meu mundo se desenha de tal forma
Que o todo noutro passo se transforma
E gera este momento tão nefando,
O tanto quanto possa desejando
A vida que se fez em nobre norma
Palavra sem sentido me deforma
E o verso se aprofunda ora arquejando;
Já nada mais suponho e sei que nisso
Expressa-se o caminho movediço
Medonhamente exposto em tal nudez,
A parte que me cabe, ora se esgota
E perco a dimensão e mesmo a rota
Enquanto este cenário se desfez.

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