quarta-feira, 7 de setembro de 2011

07/09/2011

1

Resta pouco ou quase nada
Do que um dia quis constante
E deveras nesta estrada
Nada mais possa ou garante
Quem se mostra desolada
Na vertente que se espante
Toda a sorte desenhada
Pouco a pouco desencante,
Resistindo o mais que pude
No final esta atitude
Não traria sequer medo,
E se vejo e assim concedo
O caminho aonde mude
Mergulhando em falso enredo.

2

Nada trago do passado
Quando tento desenhar
O que agora já me evado
Sem saber qualquer lugar,
A palavra traz o fado
Outro medo a se moldar
No que tente desejado
Onde nada faz brilhar.
Ouso até neste momento
E presumo o quanto tento
Num atento verso em paz.
O meu canto se desfaz
E se possa em sofrimento
Outro intento mais tenaz.

3

Vagarosamente visto
O que possa noutro fato
E se tento sempre nisto
O meu mundo não retrato.
E se vejo e não persisto
Mergulhando num regato
Cada vez que não insisto
Outro sonho ora maltrato
E bebendo deste vão
Noutro enredo e direção
Nos ocasos desta tarde
Cada passo já retarde
Outros tantos não verão
O que sei, jamais aguarde.

4

Vicejaste em primavera
Ou talvez tom outonal
Na certeza que me espera
Ou num ermo desigual,
Tanto quero a luz sincera
Mesmo além, coloquial
Não resisto e sei sincera
A palavra tal e qual
Noutro canto anunciava
A verdade que se queira
E se a sorte feita em lava
Fosse apenas corriqueira
Esperança nega a trava
E desfaz cada bandeira.

5

Quero apenas o que venha
Sem temor no dia a dia,
E se tento o quanto tenha
A verdade não veria,
Quando amor se faz a senha
Desta sorte em alegria
O veneno se desdenha
E deveras mudaria
O sentido deste verso
E presumo o desencanto
Deste rumo mais perverso
E pudera e não garanto
O que agora desconverso
Traduzisse o turvo manto.

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