14/09/2011
Devendo ao coração alguma sorte
Diversa da que trago e não revisse
A vida se demonstra em tal tolice
Grassando o quanto pude e não comporte,
A via se expressando em vago norte
A luta na verdade contradisse
O quanto se pensara e não se ouvisse
Matando desde já qualquer suporte,
Pudesse ser assim de outra maneira
A luta mais audaz que inda se queira
Expressaria o verso mais sutil,
E sei do quanto o medo se transforme
E gere este caminho ora disforme
E todo o meu vazio que se viu.
2
Fazendo deste enredo a solução
Do quanto quis e nada mais se veja
Apenas a verdade diz peleja
E sei do meu caminho sem timão
Vagando imenso mar, plena amplidão
Tentando absorver o que deseja
E nada mais pudesse quem almeja
Vencer em alegria a solidão,
O verso se cerzindo em cada engodo
O fato se transforma com denodo
Condenando o passado, simplesmente,
Porém ao desnudar esta alma sente
Somente esta fração parca do todo
E toma minha mente e se desmente.
3
Grassando sobre pedras, rudes rocas
Jamais imaginara melhor sorte
E quando a fantasia mal comporte
As cenas que deveras já provocas.
Meu barco sem saber das velhas docas
O peso de uma vida ora sem norte,
Condena meu caminho à leda morte
E sei quanto dos ermos dizem trocas,
Apenas o cenário se repete
E o manto delicado não reflete
Nesta alma que procura mais ameno
Momento feito em luz e nada além
Do velho delirar que não convém
Ainda quando aquém eu me enveneno.
4
Havendo qualquer medo ou mesmo o caos
Após a tempestade que viera
Marcando com terror a mais sincera
Palavra vicejando em dias maus,
O rumo sem sentido destas naus
A solidão sem freios sempre impera
E toca enquanto aos poucos degenera
Tentando desenhar novos degraus.
A lúdica palavra não traduz
O quanto poderia em farta luz
Gerando após o medo outro cenário
Meu verso mesmo quando seja vário
No todo já não traz o que seduz
E muda sempre o sonho, solitário.
5
Já não conheço a sorte que pudesse
Vencer a solidão que eu alimento,
A luta se desdenha num momento
E trama tão somente a mesma prece
O rústico tormento me enlouquece
E mesmo quando sigo mais atento
Resumo o meu caminho contra o vento
E louca fantasia já se esquece,
Repare cada passo rumo ao nada
A sorte que se fez dilapidada,
O verso se resume em cada engano.
E quando no vazio me desnudo
O velho coração já tão miúdo
Transcende ao que buscara e enfim me dano.
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