15/09/2011
01
Queria noutro instante desenhar
A sorte que buscasse complemento
E sei do quanto possa e mesmo tento
Vencendo o mais diverso e rude mar.
Não quero na verdade aprofundar
O passo mesmo quando em desalento
Bebesse a solidão de cada vento
Tentando conseguir algum lugar.
O medo desenhando em rude face
O quanto; com firmeza, mergulhasse
Nos mares mais distantes da ilusão,
Navego, mas vivendo sem timão
A velha solidão que inda imperasse
Ditame de outros tempos: amor em vão.
02
Espreitas o que possa ser diverso
Da queda mais audaz e mesmo após
O mundo se moldando feito algoz
Deixando para trás cada universo,
O manto se anuncia e sei disperso
O verso que aprofunda rotos nós
E sei do meu momento em rude voz
Trazendo cada ponto mais perverso.
Não tento uma saída, pois sei bem
Que apenas solidão inda contém
Uma alma sem proveito, leviana.
A vida que deveras desengana
A morte delirando neste alguém
Moldando o quanto pude e já se empana.
03
Resisto ao caminhar em noite escura,
Mas sei que é necessário cada risco
E mesmo quando fora mais arisco
A luta noutra luta se perdura,
O verso não traria a minha cura,
Tampouco o quanto possa e mais arrisco
Teu nome dos meus sonhos, quando o risco,
Apenas confirmasse esta amargura.
Não tento esta versão que se desnuda
A morte sendo um norte, dita aguda
A sorte que jamais eu reneguei.
Sabendo ser deveras dura a lei,
A face mais dorida não transmuda
O todo que em fastio mergulhei.
04
Tentando acreditar no que não vira,
Sabendo dos infaustos dias rudes
Ainda quando tudo; em mim, transmudes
O sonho se desfia em tal mentira.
O mundo como a sorte tanto gira
Embora tão diversas atitudes
Gerando outros caminhos, desiludes
Quem tem no duro amor a frágil mira.
Apenas o que possa e não retardo
A vida se anuncia como o cardo
Vestígios de um passado solitário.
Ainda que se pense no fadário
O verso se desdenha e, morto o bardo,
Lembrança transforma em relicário.
05
Ungindo com certeza esta esperança
Que atrocidades, dita vez em quando
O preço no vazio se aprumando
A pluma contra o vento não avança.
Pousando nesta forma clara e mansa
Tramasse cada passo desviando
Meu mundo num cenário desvairando
A força que pusera em cada lança.
Restauro velhas formas e sei bem
Do quanto na verdade já não vem
E deixa tal momento para trás,
A luta se moldando quando traz
O verso que pudera mesmo sem
O tempo quando tudo ora desfaz.
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