domingo, 18 de setembro de 2011

18/09/2011

01

Já não comportaria melhor sorte
Quem tanto quis apenas um momento
E nisto o que vencera não mais tento
Sabendo quanto a vida ora nos corte.

Ainda que deveras mal suporte
O medo noutro passo em sofrimento,
O rústico veneno diz tormento
E a velha melodia trama a morte.

Aborto cada farsa e neste lodo
Eu possa apresentar decerto o todo
Que tanto procurei e mesmo em vão

Aonde se aproxima a solidão,
O verso não trouxera além de tudo
O velho caminhar onde me iludo.


2

Respaldos procurava quem tentasse
Vencer a própria sina de tal forma
Ousando acreditar no que transforma
Mostrando a solidão já noutra face,

O rústico cenário onde se trace
Palavra que deveras se deforma,
Matando o quanto pude e não se informa
A luta sem saber de um desenlace.

Crivando esta alegria mais sutil,
O verso quando muito se previu
Vagando sem sentido e direção,

Não tento acreditar no que pudera
A vaga solidão, rude ou austera
Matando novos tempos desde então.

3

Capacitância dita o dia a dia
Queimando no peito qual infarto,
E sei desta loucura e me descarto
Jogado sobre a pedra em agonia,

O tanto quanto busco não traria
A clara sensação de um manso parto,
E quando em solidão tanto reparto
Encontro neste amor uma utopia.

O fim se aproximando e nada vem,
Somente a mesma face deste alguém
Que joga sobre os sonhos, tal bobagem.

A luta não reluta e renascendo
Transgride o sentimento mais horrendo
Trazendo a solidão nesta bagagem.

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