segunda-feira, 19 de setembro de 2011

19/09/2011

01

Esqueço os meus anseios e prossigo
Na noite inusitada em esperança
Meu passo sem destino não avança
E vejo bem mais perto este perigo,

A senda que trouxera já comigo
A farsa noutra face mesmo mansa
E sei do quanto possa em confiança
Gerando o solitário e tosco abrigo.

Um eremita a mais? Já não se vê
A luta sem talvez mesmo um por que,
Cansada do vazio onde se faz

O tempo mais volátil em tormento
E quando se buscara nada invento
Senão cada terror sempre tenaz.

2

Trazendo o que pudesse desejar
Nas ondas do oceano já perdendo
O tanto quanto veja num adendo
Tramando mesmo ausente, o imenso mar.

Um sertanejo sonho que ao luar
Expressa este vazio em dividendo
No quanto poderia sendo horrendo
A noite noutro engano a se traçar.

Translado que se faz sem providências
Marcando desde já tantas ausências
Dos tantos elementos que eu perdera.

A senda mais distante se refere
Ao tanto quanto a vida nada gere
E nem sequer decerto concebera.

3

Trazendo muito pouco ou quase nada
Da luta que não cessa nem presume
Ao menos o caminho em rude lume
Deixando para trás a velha estrada.

Enquanto a solidão que ora me invada
Expressa o quanto quero e não perfume,
O verso se moldando num ciúme
Mostrando a mesma face desolada.

Encontros do passado no presente
Enquanto na verdade o que se sente
Espalha dentro da alma o mais sombrio.

Refém de uma paixão em tal bolor
Que expresse tão somente a mesma dor,
Apenas outro sonho eu desafio.

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