domingo, 18 de setembro de 2011

Detrás da Porta Dueto com Sonia Nogueira

Detrás da Porta

Detrás da porta guardo meus segredos
Tão só no escuro sem ouvir tua voz
E lá do outro lado as ondas vem feroz
Arrasta meu cansaço sob degredos

Velados nas entranhas dos ferrolhos
Rangidos dos tempos que se foram
Gemem sorrateiros não declamam
Um só, um só verso nos abrolhos

O verdor dos vales que murcharam
Raízes que fincaram sem eu nexo
Fincaram sua sombra em desanexo

Apenas no fechar da porta sorrateira
O olho vai piscando lento e surdo
E mais uma vez o vento obscuro

Sonia Nogueira


O quanto poderia atrás da porta
Haver além de toda uma surpresa
Enquanto do mistério sou a presa
A vida noutro instante o sonho aborta,

E pouco se transforma o que me importa
E nisto com suave sutileza
Encontro o que pudera na incerteza
Ou mesmo a sensação que adentra e corta,

O mundo se desvende ou nada existe,
O caminhar diverso e mesmo triste
Que possa traduzir outro cenário,

Só sei que atrás da porta o que se veja
Expressa muito além do que quanto almeja
O velho coração de um solitário...

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