10/10/11
O barco se livrando da tormenta
A noite tranqüiliza o marinheiro
E tanto quanto pude verdadeiro
A sorte noutra face não aguenta
Sanando o que deveras incrementa
A luta noutro tom mais corriqueiro
Restando no caminho este luzeiro
Ou mesmo uma verdade virulenta.
Refaço cada engano e me proponho
A crer na fantasia neste sonho
Audaciosamente desnudado,
Porém minha alma expressa em pequenez
O quanto mais quisera e sei não crês
Porquanto deste encanto eu já me evado.
2
Não tenho a menor chance, mas não canso
Da luta que se fez em tom atroz
O dia se resume logo após
O tanto que quisera e não alcanço.
Meu dia se transforma e mesmo manso
A rústica presença traz os nós
E deles desfraldando o mais veloz
Cenário que pudera e sempre avanço.
Relego ao meu passado a desventura
Que possa e na verdade me amargura
Gerando a mesma face, hipocrisia.
O tanto que se trama em libertário
Momento reunindo em tal cenário
A fonte que transmite esta energia.
3
Não tendo qualquer erro sigo aquém
Do todo em que pudera adivinhar
Sabendo desta essência num luar
Que sempre sem defesas vejo e vem,
Ocasionando a queda sou ninguém
E bebo cada gole devagar
Aonde mal pudera divagar
A sorte se transborda num desdém.
Acolho os meus anseios e termino
Qual fora simplesmente este menino
Jogado contra as pedras deste cais.
O sonho que deveras sempre afago,
A solidão transforma num lumbago
E os dias são mordazes e venais.
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