domingo, 16 de outubro de 2011

16/10/11

1

Um cantador de ternos madrigais
Adentra a madrugada e se permite
Viver além de todo este limite
Em sonhos com certeza desiguais,

Sabendo do que possa e muito mais
A sorte deste encanto necessite
E mesmo quando a dor decerto evite
Os erros não seriam tão banais.

Apenas apresento a solução
Ou mesmo ousando crer que voltarão
As flores e os jardins em primavera.

Aquém do que pudesse mesmo ver,
A vida se perdendo a apodrecer
Gerando o quanto corta e desespera.

2

Percebe as mãos serenas de quem tenta
Acreditar nos sonhos mais diversos
E bebo da incerteza destes versos
Sabendo desta sorte virulenta.

Não tendo outro momento a vida atenta
Singrando por ocasos e universos
Vagando entre tormentos mais perversos
E nada do que possa nos alenta.

Restaura mansamente o quanto fora
Uma alma sem sentido e sonhadora,
Vestindo um diadema de esperanças,

O corte se anuncia na raiz,
Mas vivo o que deveras sempre quis
Enquanto noutro rumo tu me alcanças.


3




Tomado pelo sonho imperioso
de quem se aproximasse novamente,
A vida se mostrando me apresente
A sorte feita em raro e nobre gozo.

O todo se moldando majestoso
E nisto outro caminho sempre tente
Vencer o dia a dia, impertinente
E neste caminhar tão caprichoso.

Repare cada curva desta estrada
E veja a sorte sendo abandonada
Gerando o que pudesse noutro fato.

Revelo com ternura neste encanto
O todo que tentara e não garanto
Somente em ironia em vão constato.

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