quarta-feira, 19 de outubro de 2011

19/10/11



Este azulejo imenso sobre nós
Na rara sensação que tanto eu quis
Vivendo sem saber da cicatriz
Ousando acreditar no logo após,

A vida não teria sequer voz
Nem mesmo eu poderia ser feliz
Se tudo na verdade contradiz
O canto noutro rumo mais feroz.

Jamais imaginei tanto detalhe
E mesmo quando a vida se batalhe
Reparo os versos mansos e mergulho

Deixando para trás o sofrimento
Apenas o cenário que hoje invento
Disperso do que seja pedregulho.


2

Avenida em aquarela verdejante
Tramando nova fonte de esperança
E sei do quanto mais a vida avança
Maior a sensação num claro instante

Do verso que pudera fascinante
Da sorte desnudada em temperança
O amor quando prepara tal pujança
Enquanto a poesia nos garante.

O vento que assolasse meu caminho,
Tocando na janela do meu sonho,
E quando me mostrara mais mesquinho

Um novo sentimento eu recomponho,
Bebendo cada gole de mansinho,
Versando sobre o todo que proponho.

3



Uma esperança em glória nos tocando
Exprime tudo o quanto mais desejo
E sei da sensação quando pelejo
Vencido pelo fardo mais infando,

A vida se desenha em contrabando
E nisto cada passo em novo ensejo
Expressa a solidão e quando a vejo
O tempo noutro mundo desabando.

Esperaria ao menos liberdade
E sei do quanto; a vida, não degrade
Os ermos de minha alma mais sutil.

Após a tempestade esta bonança
Que possa e na verdade quando alcança
Transcende ao quanto amor se refletiu.

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