segunda-feira, 24 de outubro de 2011

24/10


De tantas expressões, a que prefiro
Expressa muito mais e nada leva
Deixando este caminho feito em treva
Marcando o meu cenário em cada tiro,

O preço a se pagar; não interfiro
E sei da solidão em rude leva
Matando o que pudera ser a ceva
Ou mesmo este momento onde não miro.

Reparo cada engano e sigo em paz
Resumos do que sinto tanto faz
Deixando a sorte atrás da velha mesa,

A morte se encarrega deste engodo
E sei do quanto possa em turvo lodo
Vencer a mais diversa correnteza.

2

Aquela que se mostra em puro ardor
Tramando nova sorte ou mesmo aquela
Que o sonho noutro engodo nos revela
Trazendo com certeza o desamor.

O passo se traduz e sem louvor
A farsa noutra luz não mais se sela
E tento acreditar no que me atrela
A luta sem sentido ou num rancor

Apenas apresento o que inda tenho
E nesta fantasia ora desenho
O mundo sem sentido ou sem proveito.

E quando me misturo em tons diversos
Tentando adivinhar meus novos versos,
Sozinho, sem defesas eu me deito.

3

Servindo enquanto em luzes dizes tanto
Do que inda mais procure em rara paz
A luta tantas vezes satisfaz
Enquanto novo sonho ora garanto,

Não pude e nem tentasse neste encanto
Versando sobre a glória tão mordaz
E nisto o meu caminho se compraz
E gera o quanto resta em vil quebranto.

Não pude e nem devesse ser assim,
O mundo desabando de onde eu vim
Marcantes ilusões e nada digo

Apenas percebendo este perigo,
Audaciosamente eu vejo em ti
O tanto quanto pude e já perdi.

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