ARDIS
A vida tantas vezes ardilosa,
Preparando armadilhas, numa espreita,
Enquanto uma alma insana se deleita
E em meio a tais prazeres, louca, goza,
Por mais que a terra mostre-se argilosa,
Moldando esta verdade em que se aceita
Um tempo de alegria, onde se deita
A sorte que buscara espinho e rosa,
Aquém deste ideal que se supõe
A dor da fantasia decompõe
E mostra quão voraz se faz o amor,
Recebo dos teus olhos, farto brilho,
E penso em cada passo, no empecilho
Que impeça o coração navegador...
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