SEM FRONTEIRAS DUETO DE EDIR PINA DE BARROS e Marcos Loures
Ai! Quem me dera ter-te em cada fresta
Das minhas carnes nuas, suplicantes,
Que fosse por minutos, por instantes,
Do jeito que meu corpo quer e atesta.
Seria muito mais do que u’a festa,
Regada com bons vinhos, dos frisantes,
Daqueles que jamais bebemos antes,
Co’a força do prazer que a vida empresta.
Quisera que explorasses meus recantos,
Os meus profundos ermos, meus sertões,
Os meus baixios, meus relevos, sendas.
Que descobrisses noutros cantos tantos,
Sem quaisquer pejos, dúvidas, senões,
A régia das mais régias oferendas.
EDIR PINA DE BARROS
Podendo percorrer estes diversos
Caminhos para um êxtase supremo,
Decerto audacioso nada temo,
E vago sem limites universos,
Versando em tais delírios vejo imersos
Os sonhos sem martírios, e no extremo
De cada desejar assim me algemo,
Usando como ponte, mansos versos,
E sei de teus licores, teu rocio,
E o quanto mais anseio eu propicio,
Vestindo tua pele sobre a minha,
Dois corpos sem fronteiras – entrelaces-
A cada novo instante quero e traces
O encanto onde meu sonho além se aninha...
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