Mentistes sobre o pão, negaste o vinho,
Vendeste este judeu crucificado,
Coroa que me deste, puro espinho,
No beijo traiçoeiro, o teu legado.
Mas não me deixe aqui, morro sozinho,
Eu necessito o riso escancarado
De quem se fez feroz em desalinho,
Mulher de brilho fácil és o meu fado.
Nas cinzas que me trazes, teus chicotes,
Na embriaguez sincera e comovida,
Minha alma; se inda existe, vai aos lotes
A cada nova esquina convertida
Nas mãos de quem açoita; o paraíso
Barganha em que me vendo sem aviso.
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