Puteiros de minha alma, cadafalsos,
As minhas mãos se cortam, pois impuras,
Os dias que vivemos, ledos, falsos,
Mentindo sobre lendas e ternuras,
Os pés que se espinharam vão descalços
Os olhos se emprenhando na amargura
A mão que acaricia, já me fura
Aumentando em meu rumo tais percalços.
Nas pedras, nos espinhos, meu altar.
Meu gozo é feito em lama incandescente.
O beijo da serpente, amor e par,
Transborda em luxúrias e veneno.
Amor em guizos prossegue impunemente
Da fria guilhotina, um duro aceno...
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