Querida, não mereço o teu desprezo
Nem mesmo essa atitude que tomaste.
Pegaste um coração quase indefeso,
Pendido sem sequer saber de uma haste.
As dores no meu peito se represo,
Talvez pra te poupar deste desgaste
Tentando preservar amor ileso,
Mas sinto que jamais isto notaste.
As aves de rapina vão caladas,
Não cantam, pois assim assustarão,
Atacam quase sempre disfarçadas
Num silêncio tão profundo, e sem perdão,
As garras tão ferinas, afiadas,
Penetram, já rasgando o coração...
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