Um cão que quando ladra mostra os dentes
Talvez pareça um bicho mais audaz,
Latidos são temíveis, indecentes,
A boca escancara é tão voraz.
Os vermes que devoram, entrementes
Além do que este cão se faz capaz
Não tendo nem as presas nem os dentes,
Carnificina apenas satisfaz.
Os vermes se disfarçam nos seus ternos
E juntos vão matando as esperanças.
Cardápio variado em comilanças
A fome inesgotável desta corja.
Nas eleições carinhos, sempre ternos,
No amor que é prometido, isto se forja.
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