Inutilmente
Um velho sertanejo, envolto pela lua,
Desenho o quanto fora embora nada reste,
O tempo mais audaz, agora invada agreste,
E a mesma serenata ausente continua,
E rigorosamente a sorte em vão flutua
E o peso de uma vida ainda se a trouxeste
Nas tramas mais sutis, engodo que, celeste,
Eclode na verdade escassa e quase nua,
O preço eu já paguei e a luz não mais alcance-a,
A sorte se aproxima em falsa circunstância
Errônea madrugada exposta em verso triste,
Diverso caminheiro espera algum sinal
Embora não soubesse o passo em vão, fatal,
O louco sonhador, inutilmente insiste...
Marcos Loures
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