161
A verdade que produza
Movimentos vida afora.
Traz a sorte mais confusa
Onde o passo me apavora,
No que possa e sempre abusa
Com certeza não demora,
A expressão que não mais usa
Trama a dor quando devora,
O vazio se permite
E talvez não seja assim,
O viver tem seu limite,
Tem começo, meio e fim,
E se tanto amor palpite
Nada trago dentro em mim.
162
Jamais pude acreditar
Nas tramóias do destino,
Onde a vida tem lugar
O que tente; determino.
O meu passo a se mostrar
Muitas vezes qual menino
Que procura no luar,
O cenário cristalino.
Mas o pulso sendo forte,
Nada escapa da visão
Que decerto nos comporte
Tendo em mãos o meu timão,
Sei decerto do meu norte
Sem mudar a direção.
163
Sendo assim a vida eu sigo
Sem temer qualquer derrota,
Vendo além algum perigo
Vou mantendo a mesma rota,
O que possa e não abrigo
Diz do verso onde não brota
Esperança que persigo
Sem saber nada denota.
Investindo cada passo
No que possa ser diverso.
Meu caminho quando o traço
Vago além deste universo
E se o tempo for escasso,
Sem tormento desconverso.
164
Porém tanto se deseja
O que outrora fora um bem
Entregara de bandeja
E depois nada e ninguém,
A verdade que se almeja
Noutro passo pouco tem,
E se possa enquanto seja
Transformasse em tal desdém.
Rude e leda caminhada
Já não traz um horizonte
Toda noite tão nublada
Sequer lua além se aponte
Paisagem degradada
Destruindo qualquer fonte.
165
Tanta coisa traz a vida
E no fundo nada vale
Onde a luz está perdida
Meu caminho em dor exale
A esperança em despedida
Da montanha morto o vale
A vontade descumprida
Minha voz, o tempo a cale.
Desvendar qualquer mistério
Ou razão aonde um dia
Derrubando o velho império
No final nada teria
Da frieza do minério
Outro passo em nostalgia.
166
Remontando ao que passei
Numa torpe mocidade
Quando em vão eu mergulhei
Em nome da liberdade
Caminhando ora sem lei
Sem ter nada que me agrade,
O desenho eu vislumbrei
Com terrível falsidade,
Num detalhe me perdi
E sabendo deste ocaso,
Meu futuro estava ali,
E meu passo sempre atraso,
Vida afora eu descobri,
Não foi obra de um acaso.
167
Quando eu vejo este retrato
Na gaveta da lembrança
Resumindo o velho fato
O passado ora me alcança
E se tanto assim constato
O que fora rude lança
No momento onde o regato
Sem ter fonte não avança;
Num instante mais cruel
Nada mais me conteria,
A palavra feita em fel
Traduzindo a covardia
Renegando o próprio céu
Traça enfim lenta agonia.
168
Percebendo este querer
De quem nunca desejara
Só nas tramas do poder
Desenhando em tal seara
Um caminho a se perder
Noutra sorte e se prepara
Tão somente sem saber
Onde a vida se escancara.
E decerto neste jogo
Corpo nu por sob a lua,
Juventude traz o fogo
E deveras sempre atua
Renegando qualquer rogo,
Demarcando a vida crua.
169
Neste instante, num repente
Quem se fez em rara entrega
Vendo o olhar que apenas tente
Novo mar e ali navega
E depois, já mais contente
Deixa a vida quase cega
E se mostra impertinente
E jamais a alguém se apega,
O cenário lamentável
Desnudando a realidade
O momento intolerável
Onde a vida se degrade,
Sendo enfim rude e intratável
Destruindo a liberdade.
170
Ao rever a velha cena
No vazio do horizonte
A verdade me condena
E sonega qualquer fonte
Onde a sorte se envenena
Nada mais ora desponte
Vida amarga concatena
O que possa e desaponte.
Quando enfim; percebo erguida
Lagrimada em turbilhão,
Revolvendo em dura vida
A terrível maldição
Intratável tal ferida
Eterniza a solidão.
PARA TANTOS, PRINCIPALMENTE MARCOS GABRIEL, MARCOS DIMITRI E MARCOS VINÍCIUS. MINHA ESPERANÇA. RITA PACIÊNCIA PELA LUTA.
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domingo, 27 de março de 2011
151
Desta vida em medo e dor
Tantas vezes quis saber
Seja lá conforme for
Os anseios do querer,
Rumo feito em redentor
Caminhar que eu possa ver,
Se não vem traz no bolor
O momento a se perder.
Marca; deixa para trás
E jamais se percebesse
Deste mundo já sem paz
O que tanto não tecesse
Meu tormento é tão mordaz,
É melhor que eu esquecesse.
152
Da princesa sertaneja
Que se fez enfeitiçada
A vontade já não seja
Noutra forma desenhada
E se tanto se azuleja
A verdade traz do nada
O que possa e sempre almeja
Alma sempre alucinada.
Versos; tento e nada vem,
No sustento d esperança
Quem se fez antes meu bem
No vazio ora se lança
E meu mundo sem ninguém,
Sem proveito, tanto cansa.
153
Não desejo mal algum,
Só pretendo a liberdade,
Coração traz do nenhum
Novo brilho, mas a grade
Impedindo o que é comum:
O querer felicidade,
Onde o tanto se fez um
Nada mais traz claridade.
Pouso neste sentimento
E se tanto quero e tento
Descobrir um novo afeto.
Maltratando esta emoção
Nos termos da solidão,
Com certeza não completo.
154
Pude ver depois da tarde
Outra fonte cristalina
Do que tanto sempre aguarde
E no fim já nos domina
Sem saber o que retarde
O meu mundo nesta sina,
Vivo sem quem me resguarde
Da magia feminina.
Numa noite em tantas brumas
Enfileiro pensamentos
E se tanto te acostumas
Enfrentando fortes ventos
Na verdade quando esfumas
Causas raros desalentos.
155
Eu bem sei que na verdade
Um factóide e nada mais,
Onde quis tranquilidade
Bebo novos vendavais
E o caminho em liberdade?
Noutro rum tu te esvais
E se perco a realidade
Não a quero, pois jamais.
No que possa em delirante
Desenhar eu me inebrio
E o que tento e se adiante
Marca com tal desafio
O cenário doravante,
E meu canto eu inicio.
156
Tantos anos, meses, dias
E deveras esperava
Entre fartas poesias
Coração exposto à lava,
Na verdade me querias,
A minha alma sendo escrava
De quem traz em utopias
O que jamais esperava.
Sendo em ti o que hoje sou
O caminho muda a rota
E o meu canto se entranhou
Na incerteza que denota
Muito pouco me restou,
Novo amor no peito brota.
157
Amarroto o meu passado
E vislumbro no futuro
Mesmo quando agora evado
Outro passo além do muro,
O caminho desenhado
Eu bem sei ser inseguro,
Mas presumo o seu recado
E deveras me aventuro.
Bebo em tua mansidão
Emoções que não têm fim,
No caminho em provisão
Previsão trazendo em mim,
Outros tempos nos verão,
Até quando eu morra, enfim.
158
Mas também se eu tenho medo
Do que possa acontecer
Do ciúme, este arremedo
Traduzindo em desprazer,
Tão somente assim procedo
Nos enredos do querer,
Muito embora bem mais cedo,
Com certeza irei morrer.
Toda noite te procuro
Alva como a bela lua,
Contrastando com o escuro
Esta deusa bela e nua,
Mas distante me torturo,
E a minha alma te cultua.
159
Que fazer; sabendo assim
O destino aventureiro
Derramando sobre mim,
Canto audaz e derradeiro,
Nada mais do meu jardim,
Só tal rosa no canteiro
Tanto amor que tendo um fim
Mostra o mundo sem luzeiro.
E pudesse ser eterna
A loucura que me guia,
Mas a vida sem lanterna
Renegando a fantasia,
O meu sonho não se hiberna
Traz o tanto que eu queria.
160
Tempo passa, a vida sigo
E decerto estás aqui,
Meu olhar em desabrigo
E viceja o brilho em ti,
Se decerto eu sou antigo
Tu estás como eu a vi
No meu canto estou contigo,
Mas bem sei que te perdi,
Sou somente o quanto resta,
E deveras reconheço
Emoção fechando a fresta
Presumindo outro tropeço
Minha vida em vida gesta,
Porém és desde o começo…
Desta vida em medo e dor
Tantas vezes quis saber
Seja lá conforme for
Os anseios do querer,
Rumo feito em redentor
Caminhar que eu possa ver,
Se não vem traz no bolor
O momento a se perder.
Marca; deixa para trás
E jamais se percebesse
Deste mundo já sem paz
O que tanto não tecesse
Meu tormento é tão mordaz,
É melhor que eu esquecesse.
152
Da princesa sertaneja
Que se fez enfeitiçada
A vontade já não seja
Noutra forma desenhada
E se tanto se azuleja
A verdade traz do nada
O que possa e sempre almeja
Alma sempre alucinada.
Versos; tento e nada vem,
No sustento d esperança
Quem se fez antes meu bem
No vazio ora se lança
E meu mundo sem ninguém,
Sem proveito, tanto cansa.
153
Não desejo mal algum,
Só pretendo a liberdade,
Coração traz do nenhum
Novo brilho, mas a grade
Impedindo o que é comum:
O querer felicidade,
Onde o tanto se fez um
Nada mais traz claridade.
Pouso neste sentimento
E se tanto quero e tento
Descobrir um novo afeto.
Maltratando esta emoção
Nos termos da solidão,
Com certeza não completo.
154
Pude ver depois da tarde
Outra fonte cristalina
Do que tanto sempre aguarde
E no fim já nos domina
Sem saber o que retarde
O meu mundo nesta sina,
Vivo sem quem me resguarde
Da magia feminina.
Numa noite em tantas brumas
Enfileiro pensamentos
E se tanto te acostumas
Enfrentando fortes ventos
Na verdade quando esfumas
Causas raros desalentos.
155
Eu bem sei que na verdade
Um factóide e nada mais,
Onde quis tranquilidade
Bebo novos vendavais
E o caminho em liberdade?
Noutro rum tu te esvais
E se perco a realidade
Não a quero, pois jamais.
No que possa em delirante
Desenhar eu me inebrio
E o que tento e se adiante
Marca com tal desafio
O cenário doravante,
E meu canto eu inicio.
156
Tantos anos, meses, dias
E deveras esperava
Entre fartas poesias
Coração exposto à lava,
Na verdade me querias,
A minha alma sendo escrava
De quem traz em utopias
O que jamais esperava.
Sendo em ti o que hoje sou
O caminho muda a rota
E o meu canto se entranhou
Na incerteza que denota
Muito pouco me restou,
Novo amor no peito brota.
157
Amarroto o meu passado
E vislumbro no futuro
Mesmo quando agora evado
Outro passo além do muro,
O caminho desenhado
Eu bem sei ser inseguro,
Mas presumo o seu recado
E deveras me aventuro.
Bebo em tua mansidão
Emoções que não têm fim,
No caminho em provisão
Previsão trazendo em mim,
Outros tempos nos verão,
Até quando eu morra, enfim.
158
Mas também se eu tenho medo
Do que possa acontecer
Do ciúme, este arremedo
Traduzindo em desprazer,
Tão somente assim procedo
Nos enredos do querer,
Muito embora bem mais cedo,
Com certeza irei morrer.
Toda noite te procuro
Alva como a bela lua,
Contrastando com o escuro
Esta deusa bela e nua,
Mas distante me torturo,
E a minha alma te cultua.
159
Que fazer; sabendo assim
O destino aventureiro
Derramando sobre mim,
Canto audaz e derradeiro,
Nada mais do meu jardim,
Só tal rosa no canteiro
Tanto amor que tendo um fim
Mostra o mundo sem luzeiro.
E pudesse ser eterna
A loucura que me guia,
Mas a vida sem lanterna
Renegando a fantasia,
O meu sonho não se hiberna
Traz o tanto que eu queria.
160
Tempo passa, a vida sigo
E decerto estás aqui,
Meu olhar em desabrigo
E viceja o brilho em ti,
Se decerto eu sou antigo
Tu estás como eu a vi
No meu canto estou contigo,
Mas bem sei que te perdi,
Sou somente o quanto resta,
E deveras reconheço
Emoção fechando a fresta
Presumindo outro tropeço
Minha vida em vida gesta,
Porém és desde o começo…
141
Não pergunte o que fazer
Dos momentos onde possa
Desejar e se perder
Sem saber burro ou carroça
No horizonte tento ver
Novamente esta palhoça
Onde ver meu bem querer
Talvez traga o que remoça
Coração envilecido
Pela vida sem juízo
E se tento e não duvido
Acumulo o prejuízo,
Na verdade sendo ouvido
Canto aonde o bem diviso.
142
Quis a sorte que a saudade
Dominasse a direção
Do que fora liberdade
E mudando de estação
Cada dia se degrade
E transforme em solidão
O que tanto em claridade
Perde toda a dimensão.
Já não tenho nem certeza
Do que possa ter após
Destruída a velha mesa
Nada resta mesmo em nós
Enfrentar a correnteza?
Vida rude e tão feroz.
143
Bebo amarga sensação
Do que fosse tão cruel
E se tanto em negação
Já perdera enfim meu céu
Não me resta nem o chão.
Prosseguindo sempre ao léu
Entre toda a dimensão
Vejo o velho carrossel,
Vagamente a mente vaga
E tocando a antiga plaga
Relembrando o que passou,
Nada mais do quanto reste
Num momento tão agreste
Traduzisse o quanto sou.
144
Deste amor que sem limite
Todo dia desejasse
E decerto necessite
Sem saber qualquer impasse,
Onde o tempo se acredite
Com certeza muda a face
E o tormento não permite
O que tanto em paz traçasse.
Minha amada num instante
Do castelo que em sapê
Transformada em delirante
Caminhada onde se vê
A vontade que agigante
Tanto amor em seu por que.
145
Mas a sorte traz desdita
A desdita nos derrota
A derrota necessita
De quem sempre nega rota,
Passo traz quem acredita
Na incerteza quando brota
E decerto a mais bonita
Cada instante mais remota.
Vendo o tempo e tendo o vento
Como fosse mensageiro
Outro tanto ainda tento
E me entrego por inteiro
Enfrentando o sofrimento,
Quem me dera, passageiro.
146
Pois depois da sorte em versos
Tantas vezes a agonia
Em sentidos mais diversos
Novamente me traria
O que possam mais perversos
Os caminhos dia a dia,
E se encontro ora dispersos
Tanta dor os reunia.
E do amor que igual não visse
Quem deseja sempre alguém
Na verdade o que cobice
Quase sempre nunca vem,
Mas sem ser qualquer tolice
Nada traz simples desdém…
147
Vendo tal felicidade
Sem poder conter de fato
Nem secar com crueldade
A nascente do regato
Na vertente em liberdade
O futuro é mais ingrato
Renegando a claridade
Noite serve cada prato
E o medonho se mostrando
Onde outrora fosse brilho,
No caminho desde quando
Sem saber inda palmilho,
O meu passo me tornando
Sem sentido, este andarilho.
148
A beleza feita em glória
Tanta história por viver
E trazendo na memória
Cada gole de prazer
Esperança é promissória
Tempo volta a recolher,
E a incerteza merencória
Sempre nega o bem querer,
De um amor tão forte e claro
Sem temer qualquer tormento
Onde o todo que declaro
Espalhado pelo vento
Proferindo o desamparo
Dele imenso sofrimento.
149
Quando inveja adentra a cena
Nada pode com tal fato,
E da vida mais amena
Outro rumo eu já constato,
Tanto amor sempre condena
Mesmo quando com recato
Trace a vida mais serena;
A verdade se anuncia
E se mostra tão venal
Onde houvesse poesia,
Vejo turvo este final,
Noite nega a luz do dia,
Neste amor, a pá de cal.
150
Quando a vida por vingança
Renegar felicidade
Nada mais; a sorte alcança
Impedindo a claridade,
Onde a lida expressa a lança
Meu caminho se degrade,
E o vazio me afiança
Impedindo o que me agrade.
Antes fosse desenhada
Esta sorte em garatuja
A minha alma maltratada
Sem proveito algum já fuja
Vendo em trevas; transformada,
Meu amor numa coruja.
Não pergunte o que fazer
Dos momentos onde possa
Desejar e se perder
Sem saber burro ou carroça
No horizonte tento ver
Novamente esta palhoça
Onde ver meu bem querer
Talvez traga o que remoça
Coração envilecido
Pela vida sem juízo
E se tento e não duvido
Acumulo o prejuízo,
Na verdade sendo ouvido
Canto aonde o bem diviso.
142
Quis a sorte que a saudade
Dominasse a direção
Do que fora liberdade
E mudando de estação
Cada dia se degrade
E transforme em solidão
O que tanto em claridade
Perde toda a dimensão.
Já não tenho nem certeza
Do que possa ter após
Destruída a velha mesa
Nada resta mesmo em nós
Enfrentar a correnteza?
Vida rude e tão feroz.
143
Bebo amarga sensação
Do que fosse tão cruel
E se tanto em negação
Já perdera enfim meu céu
Não me resta nem o chão.
Prosseguindo sempre ao léu
Entre toda a dimensão
Vejo o velho carrossel,
Vagamente a mente vaga
E tocando a antiga plaga
Relembrando o que passou,
Nada mais do quanto reste
Num momento tão agreste
Traduzisse o quanto sou.
144
Deste amor que sem limite
Todo dia desejasse
E decerto necessite
Sem saber qualquer impasse,
Onde o tempo se acredite
Com certeza muda a face
E o tormento não permite
O que tanto em paz traçasse.
Minha amada num instante
Do castelo que em sapê
Transformada em delirante
Caminhada onde se vê
A vontade que agigante
Tanto amor em seu por que.
145
Mas a sorte traz desdita
A desdita nos derrota
A derrota necessita
De quem sempre nega rota,
Passo traz quem acredita
Na incerteza quando brota
E decerto a mais bonita
Cada instante mais remota.
Vendo o tempo e tendo o vento
Como fosse mensageiro
Outro tanto ainda tento
E me entrego por inteiro
Enfrentando o sofrimento,
Quem me dera, passageiro.
146
Pois depois da sorte em versos
Tantas vezes a agonia
Em sentidos mais diversos
Novamente me traria
O que possam mais perversos
Os caminhos dia a dia,
E se encontro ora dispersos
Tanta dor os reunia.
E do amor que igual não visse
Quem deseja sempre alguém
Na verdade o que cobice
Quase sempre nunca vem,
Mas sem ser qualquer tolice
Nada traz simples desdém…
147
Vendo tal felicidade
Sem poder conter de fato
Nem secar com crueldade
A nascente do regato
Na vertente em liberdade
O futuro é mais ingrato
Renegando a claridade
Noite serve cada prato
E o medonho se mostrando
Onde outrora fosse brilho,
No caminho desde quando
Sem saber inda palmilho,
O meu passo me tornando
Sem sentido, este andarilho.
148
A beleza feita em glória
Tanta história por viver
E trazendo na memória
Cada gole de prazer
Esperança é promissória
Tempo volta a recolher,
E a incerteza merencória
Sempre nega o bem querer,
De um amor tão forte e claro
Sem temer qualquer tormento
Onde o todo que declaro
Espalhado pelo vento
Proferindo o desamparo
Dele imenso sofrimento.
149
Quando inveja adentra a cena
Nada pode com tal fato,
E da vida mais amena
Outro rumo eu já constato,
Tanto amor sempre condena
Mesmo quando com recato
Trace a vida mais serena;
A verdade se anuncia
E se mostra tão venal
Onde houvesse poesia,
Vejo turvo este final,
Noite nega a luz do dia,
Neste amor, a pá de cal.
150
Quando a vida por vingança
Renegar felicidade
Nada mais; a sorte alcança
Impedindo a claridade,
Onde a lida expressa a lança
Meu caminho se degrade,
E o vazio me afiança
Impedindo o que me agrade.
Antes fosse desenhada
Esta sorte em garatuja
A minha alma maltratada
Sem proveito algum já fuja
Vendo em trevas; transformada,
Meu amor numa coruja.
131
A palavra tendo espaço
Dentro da alma de quem sonha
Tantas vezes no cansaço
Trama a lenda onde se enfronha
O caminho que hoje traço
Já não traz sequer a fronha
Do momento aonde escasso
O meu verso não se ponha,
Vencedor ou já vencido,
Pouco importa, pois batalha
Traz o tempo ora perdido
Prejuízo em vã navalha
E o meu passo eu dilapido
Tanto quanto a vida falha.
132
Nas entranhas deste mundo
Entre grutas, furnas, gretas
Onde apenas me aprofundo
Entoando estas trombetas
E se tento e já me inundo
Do que tanto me prometas
Coração mais vagabundo
Segue os sonhos, meus cometas
E cometo a cada instante
Novo engano e sei do preço
Que se paga doravante
Sem saber o que mereço
Num momento onde inconstante
Esperava o recomeço.
133
Das entranhas deste imenso
Sertanejo coração,
Muitas vezes o que penso
Traz somente a alegação
Do momento onde compenso
Com sorriso a solidão.
O desejo deixa tenso,
Alivia uma paixão.
E procuro com certeza
Novo rumo sem sucesso,
Espalhando sobre a mesa
O caminho onde regresso
E se possa ser a presa,
Qualquer luz mata, o confesso.
134
Mas depois de tanta luta
Sem saber onde me apóia
Esperança não reluta
E entre mares turvos bóia.
Na vontade mais astuta
Apoiando na tipóia
O que possa e não se escuta
Não traduz a antiga jóia.
Entre ventos do passado
Tento a brisa de um futuro,
Porém sendo condenado
Meu caminho é sempre escuro,
Num cenário iluminado,
Trevas tantas eu procuro.
135
O que pude num repente
Traduzir em tom suave,
Noutro passo se apresente
Como fosse eu qualquer ave,
E o cenário impertinente
Adentrando o quanto agrave
Do sentido onde inclemente
Trago as asas como nave.
Resistindo o quanto possa,
Tento ser, mesmo diverso,
Quem supera a vera fossa
E produz sentido inverso,
Mas a luta não endossa
E deveras vago eu verso.
136
Talvez seja um impostor,
Talvez não, mas mesmo assim,
Nas entranhas de um amor,
Nunca tive o meu jardim,
Escalando aonde eu for
Acendendo este estopim
Onde a luz provoque a dor,
Eu prossigo e até meu fim.
Esperando alguma chance
De mudar a direção,
Mas no quanto a vida avance
Em total revelação
O meu mundo não alcance
Desbravando o coração.
137
Nas tormentas onde pude
Desenhar conforme a sorte
O que tanto sendo rude
Novamente desconforte,
Procurar a juventude?
Não se vendo qualquer norte
Esboçando esta amplitude
Traduzida pelo corte.
Nada mais me redimisse
Nem talvez a eternidade,
Simplesmente uma tolice
Sem ousar na liberdade
O que a vida contradisse
Não me traz felicidade.
138
Tantos séculos passados
Outros tantos que virão,
Os caminhos degradados
Nesta espúria dimensão
Ventos onde desejados
Sonhos não se moldarão,
Desejasse novos fados,
Noutro rumo e direção.
Mas a sina em vã fortuna
Não permite qualquer luz.
Inda mesmo que reúna
O que possa e me seduz,
A minha alma ora me puna
Desta sorte eu faço jus?
139
Só queria a primavera,
Pelo menos num instante
Ou talvez em nova esfera
Um momento radiante
O que tanto desespera
É saber deste constante
Desenhar em mim tal fera,
Roto mundo, discrepante.
De que vale a vida quando
Nada disso se concebe
O desejo desenhando
Luminosa e bela sebe,
Mas o tempo me nublando
Sol algum busca ou recebe.
140
Escutar quem se já se cala
Nos anseios sem sucesso.
A palavra que avassala
Traduzisse algum progresso.
Mas o tempo toma a sala
E se nega e te confesso,
Preferia uma senzala
Ao cenário onde professo
Meu destino aristocrata
Onde há luz esta alma esconde
Ao não querer mais ouro ou prata
Arvoredo já sem fronde
A verdade me maltrata,
Mesmo sendo eterno Conde.
A palavra tendo espaço
Dentro da alma de quem sonha
Tantas vezes no cansaço
Trama a lenda onde se enfronha
O caminho que hoje traço
Já não traz sequer a fronha
Do momento aonde escasso
O meu verso não se ponha,
Vencedor ou já vencido,
Pouco importa, pois batalha
Traz o tempo ora perdido
Prejuízo em vã navalha
E o meu passo eu dilapido
Tanto quanto a vida falha.
132
Nas entranhas deste mundo
Entre grutas, furnas, gretas
Onde apenas me aprofundo
Entoando estas trombetas
E se tento e já me inundo
Do que tanto me prometas
Coração mais vagabundo
Segue os sonhos, meus cometas
E cometo a cada instante
Novo engano e sei do preço
Que se paga doravante
Sem saber o que mereço
Num momento onde inconstante
Esperava o recomeço.
133
Das entranhas deste imenso
Sertanejo coração,
Muitas vezes o que penso
Traz somente a alegação
Do momento onde compenso
Com sorriso a solidão.
O desejo deixa tenso,
Alivia uma paixão.
E procuro com certeza
Novo rumo sem sucesso,
Espalhando sobre a mesa
O caminho onde regresso
E se possa ser a presa,
Qualquer luz mata, o confesso.
134
Mas depois de tanta luta
Sem saber onde me apóia
Esperança não reluta
E entre mares turvos bóia.
Na vontade mais astuta
Apoiando na tipóia
O que possa e não se escuta
Não traduz a antiga jóia.
Entre ventos do passado
Tento a brisa de um futuro,
Porém sendo condenado
Meu caminho é sempre escuro,
Num cenário iluminado,
Trevas tantas eu procuro.
135
O que pude num repente
Traduzir em tom suave,
Noutro passo se apresente
Como fosse eu qualquer ave,
E o cenário impertinente
Adentrando o quanto agrave
Do sentido onde inclemente
Trago as asas como nave.
Resistindo o quanto possa,
Tento ser, mesmo diverso,
Quem supera a vera fossa
E produz sentido inverso,
Mas a luta não endossa
E deveras vago eu verso.
136
Talvez seja um impostor,
Talvez não, mas mesmo assim,
Nas entranhas de um amor,
Nunca tive o meu jardim,
Escalando aonde eu for
Acendendo este estopim
Onde a luz provoque a dor,
Eu prossigo e até meu fim.
Esperando alguma chance
De mudar a direção,
Mas no quanto a vida avance
Em total revelação
O meu mundo não alcance
Desbravando o coração.
137
Nas tormentas onde pude
Desenhar conforme a sorte
O que tanto sendo rude
Novamente desconforte,
Procurar a juventude?
Não se vendo qualquer norte
Esboçando esta amplitude
Traduzida pelo corte.
Nada mais me redimisse
Nem talvez a eternidade,
Simplesmente uma tolice
Sem ousar na liberdade
O que a vida contradisse
Não me traz felicidade.
138
Tantos séculos passados
Outros tantos que virão,
Os caminhos degradados
Nesta espúria dimensão
Ventos onde desejados
Sonhos não se moldarão,
Desejasse novos fados,
Noutro rumo e direção.
Mas a sina em vã fortuna
Não permite qualquer luz.
Inda mesmo que reúna
O que possa e me seduz,
A minha alma ora me puna
Desta sorte eu faço jus?
139
Só queria a primavera,
Pelo menos num instante
Ou talvez em nova esfera
Um momento radiante
O que tanto desespera
É saber deste constante
Desenhar em mim tal fera,
Roto mundo, discrepante.
De que vale a vida quando
Nada disso se concebe
O desejo desenhando
Luminosa e bela sebe,
Mas o tempo me nublando
Sol algum busca ou recebe.
140
Escutar quem se já se cala
Nos anseios sem sucesso.
A palavra que avassala
Traduzisse algum progresso.
Mas o tempo toma a sala
E se nega e te confesso,
Preferia uma senzala
Ao cenário onde professo
Meu destino aristocrata
Onde há luz esta alma esconde
Ao não querer mais ouro ou prata
Arvoredo já sem fronde
A verdade me maltrata,
Mesmo sendo eterno Conde.
121
Eu não sou nenhum bandido
Muito embora a sorte diga
O que tanto eu invalido
Com a história mais antiga
E se vejo resumido
Meu caminho em toda briga
Nada mais terá sentido
Nem tampouco mesmo a viga.
O vagar em noite fria
Canivete, foice e faca
Quando o tempo se esvazia
E a verdade nos ataca
A saudade não traria
Poesia que inda aplaca.
122
Do distante mar que trago
Dentro da alma nada vês
E se tanto num afago
Presumisse noutra vez
O meu mundo onde divago
Pressentisse o que não crês
E se possa e não indago,
Não existe nem talvez.
Assim sendo, companheiro
O que fiz; e pouco importa,
Traz sentido derradeiro
Arrombando a velha porta,
E se andaste no chiqueiro
Alma porca semimorta.
123
Mas não fiz o meu caminho
Nas hordas beligerantes
De tal forma se mesquinho
O meu passo não garantes,
Entre o rumo mais daninho
Outros tantos por instantes
Desenhassem o sozinho
Mundo em cenas degradantes.
Resta pouco e sem defesa
Nada mais posso fazer
Minha vida sem surpresa
O meu canto a se perder
Na verdade em fortaleza
O que pude e tento crer.
124
Nos anseios de um momento
Entre as pedras e espinheiros
Onde busco e mesmo invento
Os cenários verdadeiros
Entregando o peito ao vento
Sou daninha em tais canteiros
E se possa o sentimento
Dias rotos, costumeiros.
Mas talvez o que suporte
Mude o canto enquanto escuto,
E se possa noutro norte
Na verdade não reluto,
Não trouxera qualquer corte
Muito embora em passo bruto.
125
Nas entranhas desta corja
Aprendendo a caminhada
Onde a sorte então se forja
E não deixa quase nada,
Lacerando o que restasse
De um moleque sem destino,
No vazio desenlace
Tempo busco e não domino,
Acrescento ao que vier
Qualquer toque ou mesmo o rumo,
Onde o peso audaz, qualquer
Traça o todo onde resumo
O cenário que puder
Embebido em todo o sumo.
126
Inda quando molecote
O meu passo em sincronia
Onde quer que se denote
Traz decerto e mostraria
O que possa e não se note
Nesta vaga estrebaria,
E sem nada que se anote
Noite invade e volta ao dia.
Resumindo o meu passado
Sem saber sequer do medo,
Onde sigo aliviado
O caminho onde concedo
E se mal-acompanhado
Este foi o meu enredo.
127
Hoje a vida me permite
Trabalhar, embora seja
Informal e sem limite
Todo dia esta peleja
No que tanto necessite
Muito embora mais não veja
O meu passo não evite
E decerto nada almeja,
Sendo assim recolho a sobra
E buscando este alimento
Minha sina se desdobra
Entregando ao duro vento
O que o tempo sempre cobra
Cada dia um novo aumento.
128
Nas ruas onde adormeço
Outra vez pudesse a lua
Transferir este adereço
Que no céu, belo flutua,
Muito mais do que mereço
A beleza deusa nua
Estendendo em recomeço
O que além já continua.
Mas a chuva e a tempestade
Quando vêm nada segura
Na total calamidade
A verdade sendo dura,
Meu caminho sempre invade
E decerto me tortura.
129
Desta forma levo a vida
Como possa e Deus quiser
Na verdade construída
Muito além do que se quer,
Onde traga resumida
Esta face e o que vier,
Presumindo a despedida,
Sem saber um tom qualquer,
Conseqüência do passado
O futuro refletindo,
Onde o tempo desolado,
Também possa ser tão lindo,
O meu canto degradado,
Mansamente se esvaindo.
130
O que dizes, meu amigo,
Na verdade faz sentido,
Onde possa e se me abrigo
Outro rumo eu dilapido,
Cadencio e já nem ligo,
Finjo nem ter mesmo ouvido,
Voz do povo é um perigo,
Disto eu sei e não duvido.
Com porcos; quem se alimenta
Dos farelos também come.
Quando vivo na tormenta
O que sou decerto some,
Mas Jesus Cristo me alenta
Também teve sujo o nome.
Eu não sou nenhum bandido
Muito embora a sorte diga
O que tanto eu invalido
Com a história mais antiga
E se vejo resumido
Meu caminho em toda briga
Nada mais terá sentido
Nem tampouco mesmo a viga.
O vagar em noite fria
Canivete, foice e faca
Quando o tempo se esvazia
E a verdade nos ataca
A saudade não traria
Poesia que inda aplaca.
122
Do distante mar que trago
Dentro da alma nada vês
E se tanto num afago
Presumisse noutra vez
O meu mundo onde divago
Pressentisse o que não crês
E se possa e não indago,
Não existe nem talvez.
Assim sendo, companheiro
O que fiz; e pouco importa,
Traz sentido derradeiro
Arrombando a velha porta,
E se andaste no chiqueiro
Alma porca semimorta.
123
Mas não fiz o meu caminho
Nas hordas beligerantes
De tal forma se mesquinho
O meu passo não garantes,
Entre o rumo mais daninho
Outros tantos por instantes
Desenhassem o sozinho
Mundo em cenas degradantes.
Resta pouco e sem defesa
Nada mais posso fazer
Minha vida sem surpresa
O meu canto a se perder
Na verdade em fortaleza
O que pude e tento crer.
124
Nos anseios de um momento
Entre as pedras e espinheiros
Onde busco e mesmo invento
Os cenários verdadeiros
Entregando o peito ao vento
Sou daninha em tais canteiros
E se possa o sentimento
Dias rotos, costumeiros.
Mas talvez o que suporte
Mude o canto enquanto escuto,
E se possa noutro norte
Na verdade não reluto,
Não trouxera qualquer corte
Muito embora em passo bruto.
125
Nas entranhas desta corja
Aprendendo a caminhada
Onde a sorte então se forja
E não deixa quase nada,
Lacerando o que restasse
De um moleque sem destino,
No vazio desenlace
Tempo busco e não domino,
Acrescento ao que vier
Qualquer toque ou mesmo o rumo,
Onde o peso audaz, qualquer
Traça o todo onde resumo
O cenário que puder
Embebido em todo o sumo.
126
Inda quando molecote
O meu passo em sincronia
Onde quer que se denote
Traz decerto e mostraria
O que possa e não se note
Nesta vaga estrebaria,
E sem nada que se anote
Noite invade e volta ao dia.
Resumindo o meu passado
Sem saber sequer do medo,
Onde sigo aliviado
O caminho onde concedo
E se mal-acompanhado
Este foi o meu enredo.
127
Hoje a vida me permite
Trabalhar, embora seja
Informal e sem limite
Todo dia esta peleja
No que tanto necessite
Muito embora mais não veja
O meu passo não evite
E decerto nada almeja,
Sendo assim recolho a sobra
E buscando este alimento
Minha sina se desdobra
Entregando ao duro vento
O que o tempo sempre cobra
Cada dia um novo aumento.
128
Nas ruas onde adormeço
Outra vez pudesse a lua
Transferir este adereço
Que no céu, belo flutua,
Muito mais do que mereço
A beleza deusa nua
Estendendo em recomeço
O que além já continua.
Mas a chuva e a tempestade
Quando vêm nada segura
Na total calamidade
A verdade sendo dura,
Meu caminho sempre invade
E decerto me tortura.
129
Desta forma levo a vida
Como possa e Deus quiser
Na verdade construída
Muito além do que se quer,
Onde traga resumida
Esta face e o que vier,
Presumindo a despedida,
Sem saber um tom qualquer,
Conseqüência do passado
O futuro refletindo,
Onde o tempo desolado,
Também possa ser tão lindo,
O meu canto degradado,
Mansamente se esvaindo.
130
O que dizes, meu amigo,
Na verdade faz sentido,
Onde possa e se me abrigo
Outro rumo eu dilapido,
Cadencio e já nem ligo,
Finjo nem ter mesmo ouvido,
Voz do povo é um perigo,
Disto eu sei e não duvido.
Com porcos; quem se alimenta
Dos farelos também come.
Quando vivo na tormenta
O que sou decerto some,
Mas Jesus Cristo me alenta
Também teve sujo o nome.
111
Tanto assopra quanto morde
Minha vida não sossega
E caminha quase cega
Onde o canto não aborde
E decerto já recorde
Do que possa e não se entrega
A verdade em novo acorde
Nas violas já se nega.
Vendedor das ilusões
Entre versos e repentes
Onde o tanto não compões
Ou decerto nem mais tentes
Descarrilas os vagões
E os meus ermos tu pressentes.
112
Mais um trago que está frio
E a vontade é de falar
O momento onde desfio
Traduzindo em cada bar
O que possa e desafio
Não deixando descansar
Sem destino, desvario
E vagasse céu e mar.
Procurando do passado
Qualquer coisa que inda trace
O meu mundo desolado
Oferece nova face,
Mas decerto enquanto brado,
Ninguém mesmo ainda ousasse.
113
Sertanejo coração
Não respeita nem o medo,
Onde vejo a dimensão
Do momento onde o concedo
Sei que os dias mostrarão
Mesmo tarde ou sendo cedo
A diversa direção
Onde esqueço algum segredo.
Das mortalhas e muralhas
Carregando dentro em mim,
Na verdade se batalhas
Também tens a alma ruim,
E negando tantas falhas,
O meu verso traz o fim.
114
Engravido quem decerto
Sabe bem o que deseja
O meu mundo se deserto
Noutra face esta peleja
Encontrando o campo aberto
Sendo sempre como seja
A palavra onde me alerto
Não traduz o quanto veja.
Acrescento cada morte
Como fosse mais um passo
Ao caminho que comporte
Todo o meu velho cansaço,
E se possa e não suporte
Outra vez sigo devasso.
115
Mataria por prazer,
Esteja certo, meu amigo,
Mas agora ao perceber
Quanto sou decerto antigo,
O meu mundo eu passo a ver
Da maneira que consigo
Sem sequer poder saber
Se inda tenho algum abrigo,
Barbarizo quando sonho
E se tanto sou medonho
Enfadonha a vida agora,
Deposito e não se entenda
Qualquer verso de uma lenda
Que decerto me devora.
116
Nesta praça jogo damas
E se queres outro fato,
Acendendo velhas chamas
O que tanto ora retrato
E misturam tantas tramas
Onde o fim ora constato
E se possa quando clamas
Mar bravio hoje é regato.
Mas resgato alguma luz
Quando a sorte traz lembranças
E também se reproduz
Toda vez que tu me lanças
A verdade feita em cruz
Sem querer tantas mudanças.
117
Tantos filhos, filhas, netos
E decerto o que viria
Não traria mais completos
O que basta a cada dia,
Os meus sonhos prediletos
Balas, facas, heresia,
Nos momentos mais diletos
Todo enredo outra sangria.
Mas do pouco que me resta
Do momento aonde pude
Encontrar a luz funesta
Nesta sorte mesmo rude,
Coração vergando em festa
Quando lembra a juventude.
118
Cicatrizes que carrego
Corpo tanto maltratado,
Olho esquerdo? Há tempos cego
Em descuido foi vazado,
E o martelo traz no prego
O destino desenhado,
Mesmo quando em paz sossego
Outro tempo é relembrado.
Bravamente a mente escora
O que tanto se quisera
E sabendo sem demora
Que em verdade se fui fera
O que resta e vês agora
Pouco a pouco degenera.
119
Dos grisalhos da esperança
Resta apenas solidão
E meu passo não avança
Nem permite a solução
E se tanto em confiança
Expandindo a negação,
Onde houver qualquer mudança
Meus olhos jamais verão.
Esquecido nalgum canto,
Noutro tempo desigual,
O meu mundo, eu não garanto
Provisão neste bornal,
A saudade traz o manto
Que amortalha o meu final.
120
Mas agora de partida
Volto após o tempo escuro,
Onde perco a minha vida
Minha paz eu asseguro,
Qualquer bala após perdida
Ultrapassa o velho muro,
E se possa decidida
Sorte em morte o que procuro.
Mas não posso nem falar
Se eu tentar estou errado,
Tudo tendo o seu lugar,
Seu destino já traçado,
Porém como imaginar
Um jagunço aposentado?
Tanto assopra quanto morde
Minha vida não sossega
E caminha quase cega
Onde o canto não aborde
E decerto já recorde
Do que possa e não se entrega
A verdade em novo acorde
Nas violas já se nega.
Vendedor das ilusões
Entre versos e repentes
Onde o tanto não compões
Ou decerto nem mais tentes
Descarrilas os vagões
E os meus ermos tu pressentes.
112
Mais um trago que está frio
E a vontade é de falar
O momento onde desfio
Traduzindo em cada bar
O que possa e desafio
Não deixando descansar
Sem destino, desvario
E vagasse céu e mar.
Procurando do passado
Qualquer coisa que inda trace
O meu mundo desolado
Oferece nova face,
Mas decerto enquanto brado,
Ninguém mesmo ainda ousasse.
113
Sertanejo coração
Não respeita nem o medo,
Onde vejo a dimensão
Do momento onde o concedo
Sei que os dias mostrarão
Mesmo tarde ou sendo cedo
A diversa direção
Onde esqueço algum segredo.
Das mortalhas e muralhas
Carregando dentro em mim,
Na verdade se batalhas
Também tens a alma ruim,
E negando tantas falhas,
O meu verso traz o fim.
114
Engravido quem decerto
Sabe bem o que deseja
O meu mundo se deserto
Noutra face esta peleja
Encontrando o campo aberto
Sendo sempre como seja
A palavra onde me alerto
Não traduz o quanto veja.
Acrescento cada morte
Como fosse mais um passo
Ao caminho que comporte
Todo o meu velho cansaço,
E se possa e não suporte
Outra vez sigo devasso.
115
Mataria por prazer,
Esteja certo, meu amigo,
Mas agora ao perceber
Quanto sou decerto antigo,
O meu mundo eu passo a ver
Da maneira que consigo
Sem sequer poder saber
Se inda tenho algum abrigo,
Barbarizo quando sonho
E se tanto sou medonho
Enfadonha a vida agora,
Deposito e não se entenda
Qualquer verso de uma lenda
Que decerto me devora.
116
Nesta praça jogo damas
E se queres outro fato,
Acendendo velhas chamas
O que tanto ora retrato
E misturam tantas tramas
Onde o fim ora constato
E se possa quando clamas
Mar bravio hoje é regato.
Mas resgato alguma luz
Quando a sorte traz lembranças
E também se reproduz
Toda vez que tu me lanças
A verdade feita em cruz
Sem querer tantas mudanças.
117
Tantos filhos, filhas, netos
E decerto o que viria
Não traria mais completos
O que basta a cada dia,
Os meus sonhos prediletos
Balas, facas, heresia,
Nos momentos mais diletos
Todo enredo outra sangria.
Mas do pouco que me resta
Do momento aonde pude
Encontrar a luz funesta
Nesta sorte mesmo rude,
Coração vergando em festa
Quando lembra a juventude.
118
Cicatrizes que carrego
Corpo tanto maltratado,
Olho esquerdo? Há tempos cego
Em descuido foi vazado,
E o martelo traz no prego
O destino desenhado,
Mesmo quando em paz sossego
Outro tempo é relembrado.
Bravamente a mente escora
O que tanto se quisera
E sabendo sem demora
Que em verdade se fui fera
O que resta e vês agora
Pouco a pouco degenera.
119
Dos grisalhos da esperança
Resta apenas solidão
E meu passo não avança
Nem permite a solução
E se tanto em confiança
Expandindo a negação,
Onde houver qualquer mudança
Meus olhos jamais verão.
Esquecido nalgum canto,
Noutro tempo desigual,
O meu mundo, eu não garanto
Provisão neste bornal,
A saudade traz o manto
Que amortalha o meu final.
120
Mas agora de partida
Volto após o tempo escuro,
Onde perco a minha vida
Minha paz eu asseguro,
Qualquer bala após perdida
Ultrapassa o velho muro,
E se possa decidida
Sorte em morte o que procuro.
Mas não posso nem falar
Se eu tentar estou errado,
Tudo tendo o seu lugar,
Seu destino já traçado,
Porém como imaginar
Um jagunço aposentado?
101
Na verdade o que se tenta
Após quedas costumeiras
Enfrentando esta tormenta
Onde nada mais tu queiras
Ouso mesmo quando esquenta
A verdade em tais ladeiras
Sobe e nada mais aguenta
Quanto mais as derradeiras
Emoções que não prometo
E se tanto quero a sorte,
Na verdade me acometo
Do momento onde suporte
Refazendo do soneto
O que possa além do corte.
102
Cordoalhas rotas; vejo
E da queda prometida
Nada mais que algum desejo
Traduzisse a torpe vida,
Sem cansaço algum pelejo,
Mas presumo a despedida.
Coração demais andejo
Noutra senda tão comprida
Avenida da esperança
Alameda sem proveito
E se o passo sempre avança
No final não me deleito
E tentando outra mudança
Qualquer sonho em paz, aceito.
103
Nas versões diversas vira
O que pude e mesmo quis,
Mas a sorte, esta infeliz
Tanto dá conforme tira,
E se possa noutra mira
Traduzir o que não fiz,
O cenário se retira
E mergulho por um triz.
Navegando sem destino
Onde a sina não permite
O que tanto determino
E procure sem limite,
O meu mundo eu extermino
E não quero outro palpite.
104
Depois disso que te falo
Nada mais se poderia
Ouso enquanto sou vassalo
Desta festa em agonia,
Mas decerto eu sendo o calo
Que jamais confortaria,
Bebo o quanto ora avassalo
Nesta louca confraria.
Restaurando cada engano
No final nada me resta
Tão somente o mesmo dano
Onde a vida nega a fresta
E o meu sonho soberano,
Pouco a pouco ora me empesta.
105
Nasci contra esta vontade
Que regesse o pensamento
E se tanto a vida agrade
Noutro instante já lamento,
O meu passo se degrade
E produz ressentimento,
No caminho cada grade
Traduzindo o sofrimento.
Mas do pouco que se visse
Noutro rumo desenhado
Escapando da mesmice
Tento quando além evado
Mesmo que ninguém me ouvisse
Jamais ficarei calado.
106
Quando a vida se prepara
Na tocaia a cada espreita
O meu mundo em noite clara
Tanta luz que me deleita.
Mas a sorte desampara
Quem conselho não aceita
E descrente da seara
Bala solta já se ajeita,
E sangria após sangria
Nada mais se vendo enfim,
Noutro sol não nasceria
Nem sabendo de onde vim,
Corpo agora florescia
Nos estercos de um jardim.
107
E da sorte em podridão
Inda resta alguma luz,
Onde sem a dimensão
Mais exata de uma cruz,
Sepultado feito um grão
Outro verso reproduz
E vazando pelo chão
Meu caminho se produz
Oferendas em florais
Entre dias divergentes
Quanto ao frio que tu sentes
Prenuncia os temporais,
Vago em sonhos tão dementes
Não conheço algum jamais.
108
Quando em plena primavera
Florescência determina
O que tanto ora se espera
E deveras rege a mina
Onde outrora uma cratera
Noutro tom já se examina
E vencendo destempera
E decerto te alucina,
Vasculhando com cuidado
Verás solo revolvido
No momento desejado
Onde o caos não dilapido
E por certo um rude brado
Toda noite sendo ouvido.
109
A beleza se espraiando
Outro tom a vida sele
E se veja desde quando
Cada passo se atropele
Onde pude desenhando
Carcomida inteira a pele
Mas o tempo desejando
Noutro engodo me compele
De tal forma me apresento
Entre cores mais sutis
E se toco o pensamento
Vou seguindo ora feliz,
Ao reger o sofrimento
Cada sonho ora desfiz.
110
E da flor que ofereceste
Os espinhos ferem tanto
E deveras percebeste
O que atento ora garanto
Morte apenas recebeste
Ou talvez o desencanto
Onde outrora luz teceste
Resta apenas o teu pranto.
Nada mais se vendo após
A mortalha em flor tecida,
Desdenhando o tom atroz
Desvendando a apodrecida
Incerteza em turva foz,
Renascendo a morte em vida.
Na verdade o que se tenta
Após quedas costumeiras
Enfrentando esta tormenta
Onde nada mais tu queiras
Ouso mesmo quando esquenta
A verdade em tais ladeiras
Sobe e nada mais aguenta
Quanto mais as derradeiras
Emoções que não prometo
E se tanto quero a sorte,
Na verdade me acometo
Do momento onde suporte
Refazendo do soneto
O que possa além do corte.
102
Cordoalhas rotas; vejo
E da queda prometida
Nada mais que algum desejo
Traduzisse a torpe vida,
Sem cansaço algum pelejo,
Mas presumo a despedida.
Coração demais andejo
Noutra senda tão comprida
Avenida da esperança
Alameda sem proveito
E se o passo sempre avança
No final não me deleito
E tentando outra mudança
Qualquer sonho em paz, aceito.
103
Nas versões diversas vira
O que pude e mesmo quis,
Mas a sorte, esta infeliz
Tanto dá conforme tira,
E se possa noutra mira
Traduzir o que não fiz,
O cenário se retira
E mergulho por um triz.
Navegando sem destino
Onde a sina não permite
O que tanto determino
E procure sem limite,
O meu mundo eu extermino
E não quero outro palpite.
104
Depois disso que te falo
Nada mais se poderia
Ouso enquanto sou vassalo
Desta festa em agonia,
Mas decerto eu sendo o calo
Que jamais confortaria,
Bebo o quanto ora avassalo
Nesta louca confraria.
Restaurando cada engano
No final nada me resta
Tão somente o mesmo dano
Onde a vida nega a fresta
E o meu sonho soberano,
Pouco a pouco ora me empesta.
105
Nasci contra esta vontade
Que regesse o pensamento
E se tanto a vida agrade
Noutro instante já lamento,
O meu passo se degrade
E produz ressentimento,
No caminho cada grade
Traduzindo o sofrimento.
Mas do pouco que se visse
Noutro rumo desenhado
Escapando da mesmice
Tento quando além evado
Mesmo que ninguém me ouvisse
Jamais ficarei calado.
106
Quando a vida se prepara
Na tocaia a cada espreita
O meu mundo em noite clara
Tanta luz que me deleita.
Mas a sorte desampara
Quem conselho não aceita
E descrente da seara
Bala solta já se ajeita,
E sangria após sangria
Nada mais se vendo enfim,
Noutro sol não nasceria
Nem sabendo de onde vim,
Corpo agora florescia
Nos estercos de um jardim.
107
E da sorte em podridão
Inda resta alguma luz,
Onde sem a dimensão
Mais exata de uma cruz,
Sepultado feito um grão
Outro verso reproduz
E vazando pelo chão
Meu caminho se produz
Oferendas em florais
Entre dias divergentes
Quanto ao frio que tu sentes
Prenuncia os temporais,
Vago em sonhos tão dementes
Não conheço algum jamais.
108
Quando em plena primavera
Florescência determina
O que tanto ora se espera
E deveras rege a mina
Onde outrora uma cratera
Noutro tom já se examina
E vencendo destempera
E decerto te alucina,
Vasculhando com cuidado
Verás solo revolvido
No momento desejado
Onde o caos não dilapido
E por certo um rude brado
Toda noite sendo ouvido.
109
A beleza se espraiando
Outro tom a vida sele
E se veja desde quando
Cada passo se atropele
Onde pude desenhando
Carcomida inteira a pele
Mas o tempo desejando
Noutro engodo me compele
De tal forma me apresento
Entre cores mais sutis
E se toco o pensamento
Vou seguindo ora feliz,
Ao reger o sofrimento
Cada sonho ora desfiz.
110
E da flor que ofereceste
Os espinhos ferem tanto
E deveras percebeste
O que atento ora garanto
Morte apenas recebeste
Ou talvez o desencanto
Onde outrora luz teceste
Resta apenas o teu pranto.
Nada mais se vendo após
A mortalha em flor tecida,
Desdenhando o tom atroz
Desvendando a apodrecida
Incerteza em turva foz,
Renascendo a morte em vida.
domingo, 20 de março de 2011
ABRINDO O JOGO. ou já que tu queres saber...
Eu não gosto de fofoca
Nem tampouco de fuxico,
Outra vez já se provoca
Esta sinuca de bico,
Vou saindo desta toca
E não quero pagar mico,
Jibóia não é minhoca
Nem por raio agora eu fico.
Do passado e do presente
Nada tenho com teu caso,
O que vejo de repente
Traz no fim o quanto atraso
Sem saber do impertinente
Desejar em novo ocaso.
2
Muitas vezes me estrepei
Ao tentar só te ajudar
Onde tanto outrora errei
Nada fica em seu lugar,
A verdade é que estarei
Muito além do que sonhar
E o caminho nesta grei
Ninguém possa imaginar,
Vivo apenas por viver
E se sigo contra a rota
O meu mundo sem prazer
Num instante se amarrota
E não venhas me fazer
Outra vez tolo e idiota.
3
Sempre pago as minhas contas,
Esta vida é toda minha
As palavras seguem tontas
Onde nada enfim se alinha
E se tanto ainda aprontas
Numa sorte mais daninha
Ao passado se remontas
Vai buscar o que não tinha,
Jogo fora o quanto vale
Nada deixo por sinal,
Desta serra ou deste vale,
Tu és mesmo um animal,
Por favor, então se cale
Deixe de ser tão boçal.
4
Há palavras que não digo
E tampouco sinto enquanto
Noutro passo em desabrigo
Nem talvez quando me encanto
Este mundo que persigo
Já não cabe em qualquer canto,
Desconheço algum perigo
E tampouco serei santo,
Pega a reta a vaza fora,
Siga agora o teu caminho,
Quem perturba no fim chora,
Bicho atroz, feroz daninho,
Vai saindo sem demora,
E me deixe enfim sozinho.
5
Nada mais tu tens aqui,
Nem sequer de ti sinais,
Entre o quanto conheci
Outros tantos animais
No que tange agora a ti,
Teus anseios anormais,
Dizem quanto eu percebi,
Jararaca; sempre trais.
Nas tocaias e no bote
Teu veneno não tem fim,
Onde quer que já te note
Qualquer coisa um estopim,
Pois decerto se derrote
Esmagando a bosta assim.
6
Não esqueço a tua cara
De fuinha sem vergonha
Quando a vida se escancara
E te fez este pamonha,
Onde a sorte se declara
Outro rumo já componha,
Esta vida desampara
Quem deveras me envergonha.
Tudo tendo sempre um preço,
O teu vale uma banana,
Num inferno este endereço
De uma cobra tão sacana,
Meu amigo eu não mereço,
É pior que carraspana.
7
Já tomei muito pileque,
Tantas vezes quebro a fuça,
Mas jamais fui tão moleque
Seu filho de ronca e fuça,
Se eu abrir decerto o leque
A vontade mais aguça
Que o capeta te sapeque
Cascavel venal, dentuça,
Tua mãe neste puteiro
É famosa cafetina
Isto é fato verdadeiro,
Tanta gente já domina
Da galinha o galinheiro,
Quando o rabo, a vaca empina.
8
Já não posso me calar
Frente a tanta babaquice,
Vá tomar no tal lugar
Onde o jumento cobice,
Vou cansado de escutar,
Com certeza a idiotice
Que esta besta quis falar
E no fim nada me disse,
Não aguento a palhaçada
Nem sequer a covardia,
Tu não vales mesmo nada,
E decerto o que avalia
Deixa a bunda desfraldada
Enfrentar a ventania.
9
Nada tive e nem teria
Com a tua mulher, corno,
Já cansei de putaria
E se o chifre é teu adorno,
Nada mais te caberia,
Completando este contorno,
Vives numa estrebaria
E isso não tem mais retorno,
Tanto faz e tanto fez
Quem traçou aquela vaca,
Um sinal de estupidez,
É mexer com jararaca
Resta em mim com lucidez
Onde o tempo não se empaca.
10
Não achei o meu no lixo,
Pode ter enfim certeza
Esta quenga, quase um bicho
Não seria uma surpresa
Se esta merda em carrapicho
Procurasse a correnteza
E pulasse sem capricho
Sem rumor e sem destreza,
Na verdade poluía
Este rio e pobres peixes,
Só te peço, em harmonia
Que no fundo, já não deixes
Isso é muita covardia,
De uma multa enfim não queixes.
11
Se quiseres vou contar
O que soube num boteco,
A vadia a se mostrar
Inda pede repeteco,
Não queria te falar,
Mas não pode ver jaleco,
Vem a calcinha arriar,
Se é mentira, então eu peco.
De doutor a pipoqueiro
Pai de santo, o que vier,
O caminho verdadeiro
Desta quenga, esta mulher
Vestiu branco? É bem ligeiro,
Vai se abrindo por que quer.
12
Para completar a cena,
Não sossega a perereca
Quando a noite se faz plena
A vadia já sapeca
Uma cara que envenena
Vai sentando na boneca,
Da galinha tanta pena,
Tanto molha quanto seca.
No final da madrugada,
Quando estás de bacurau,
Ela volta escancarada
Na maior cara de pau,
A pilantra não diz nada,
Basta ver seu alto astral.
13
Satisfeito então agora?
Vá pra tudo que se viu
E depressa sem demora
Esta vaca te pariu,
Outra então já te devora,
Eu pretendo ser gentil,
Porém vai vazando fora,
Deixa de ser imbecil,
Nada mais eu falo, então,
Vou seguir a minha estrada,
Mas cuidado que o leão
Tem a boca escancarada
Corno feito em mansidão
Também sabe dar chifrada.
14
Já não vejo mais remédio
O teu caso está perdido,
Pelo menos não há tédio
Neste mundo dividido,
Alugando o mesmo prédio
Tão mal feito e construído
E não falo nem de assédio,
Isso é caso resolvido,
Cuide bem do teu rebanho,
É melhor cantar de galo,
No final o jogo ganho,
Muda tudo num estalo,
Porém com rombo tamanho,
Penso mais, porém me calo.
15
Tua fama que é de touro,
Um chifrudo de primeira,
Tua vaca, ancoradouro
De barcaça e de traineira,
Cuide bem do teu tesouro,
Deixe logo de besteira,
Se tu já não dás no couro,
Solte a vaca como queira,
Não podendo mais com ela,
Que a vagaba esfomeada,
Noutro passo se revela
O final da velha estrada,
Mata esta égua sobra cela
É tanta merda por nada...
Nem tampouco de fuxico,
Outra vez já se provoca
Esta sinuca de bico,
Vou saindo desta toca
E não quero pagar mico,
Jibóia não é minhoca
Nem por raio agora eu fico.
Do passado e do presente
Nada tenho com teu caso,
O que vejo de repente
Traz no fim o quanto atraso
Sem saber do impertinente
Desejar em novo ocaso.
2
Muitas vezes me estrepei
Ao tentar só te ajudar
Onde tanto outrora errei
Nada fica em seu lugar,
A verdade é que estarei
Muito além do que sonhar
E o caminho nesta grei
Ninguém possa imaginar,
Vivo apenas por viver
E se sigo contra a rota
O meu mundo sem prazer
Num instante se amarrota
E não venhas me fazer
Outra vez tolo e idiota.
3
Sempre pago as minhas contas,
Esta vida é toda minha
As palavras seguem tontas
Onde nada enfim se alinha
E se tanto ainda aprontas
Numa sorte mais daninha
Ao passado se remontas
Vai buscar o que não tinha,
Jogo fora o quanto vale
Nada deixo por sinal,
Desta serra ou deste vale,
Tu és mesmo um animal,
Por favor, então se cale
Deixe de ser tão boçal.
4
Há palavras que não digo
E tampouco sinto enquanto
Noutro passo em desabrigo
Nem talvez quando me encanto
Este mundo que persigo
Já não cabe em qualquer canto,
Desconheço algum perigo
E tampouco serei santo,
Pega a reta a vaza fora,
Siga agora o teu caminho,
Quem perturba no fim chora,
Bicho atroz, feroz daninho,
Vai saindo sem demora,
E me deixe enfim sozinho.
5
Nada mais tu tens aqui,
Nem sequer de ti sinais,
Entre o quanto conheci
Outros tantos animais
No que tange agora a ti,
Teus anseios anormais,
Dizem quanto eu percebi,
Jararaca; sempre trais.
Nas tocaias e no bote
Teu veneno não tem fim,
Onde quer que já te note
Qualquer coisa um estopim,
Pois decerto se derrote
Esmagando a bosta assim.
6
Não esqueço a tua cara
De fuinha sem vergonha
Quando a vida se escancara
E te fez este pamonha,
Onde a sorte se declara
Outro rumo já componha,
Esta vida desampara
Quem deveras me envergonha.
Tudo tendo sempre um preço,
O teu vale uma banana,
Num inferno este endereço
De uma cobra tão sacana,
Meu amigo eu não mereço,
É pior que carraspana.
7
Já tomei muito pileque,
Tantas vezes quebro a fuça,
Mas jamais fui tão moleque
Seu filho de ronca e fuça,
Se eu abrir decerto o leque
A vontade mais aguça
Que o capeta te sapeque
Cascavel venal, dentuça,
Tua mãe neste puteiro
É famosa cafetina
Isto é fato verdadeiro,
Tanta gente já domina
Da galinha o galinheiro,
Quando o rabo, a vaca empina.
8
Já não posso me calar
Frente a tanta babaquice,
Vá tomar no tal lugar
Onde o jumento cobice,
Vou cansado de escutar,
Com certeza a idiotice
Que esta besta quis falar
E no fim nada me disse,
Não aguento a palhaçada
Nem sequer a covardia,
Tu não vales mesmo nada,
E decerto o que avalia
Deixa a bunda desfraldada
Enfrentar a ventania.
9
Nada tive e nem teria
Com a tua mulher, corno,
Já cansei de putaria
E se o chifre é teu adorno,
Nada mais te caberia,
Completando este contorno,
Vives numa estrebaria
E isso não tem mais retorno,
Tanto faz e tanto fez
Quem traçou aquela vaca,
Um sinal de estupidez,
É mexer com jararaca
Resta em mim com lucidez
Onde o tempo não se empaca.
10
Não achei o meu no lixo,
Pode ter enfim certeza
Esta quenga, quase um bicho
Não seria uma surpresa
Se esta merda em carrapicho
Procurasse a correnteza
E pulasse sem capricho
Sem rumor e sem destreza,
Na verdade poluía
Este rio e pobres peixes,
Só te peço, em harmonia
Que no fundo, já não deixes
Isso é muita covardia,
De uma multa enfim não queixes.
11
Se quiseres vou contar
O que soube num boteco,
A vadia a se mostrar
Inda pede repeteco,
Não queria te falar,
Mas não pode ver jaleco,
Vem a calcinha arriar,
Se é mentira, então eu peco.
De doutor a pipoqueiro
Pai de santo, o que vier,
O caminho verdadeiro
Desta quenga, esta mulher
Vestiu branco? É bem ligeiro,
Vai se abrindo por que quer.
12
Para completar a cena,
Não sossega a perereca
Quando a noite se faz plena
A vadia já sapeca
Uma cara que envenena
Vai sentando na boneca,
Da galinha tanta pena,
Tanto molha quanto seca.
No final da madrugada,
Quando estás de bacurau,
Ela volta escancarada
Na maior cara de pau,
A pilantra não diz nada,
Basta ver seu alto astral.
13
Satisfeito então agora?
Vá pra tudo que se viu
E depressa sem demora
Esta vaca te pariu,
Outra então já te devora,
Eu pretendo ser gentil,
Porém vai vazando fora,
Deixa de ser imbecil,
Nada mais eu falo, então,
Vou seguir a minha estrada,
Mas cuidado que o leão
Tem a boca escancarada
Corno feito em mansidão
Também sabe dar chifrada.
14
Já não vejo mais remédio
O teu caso está perdido,
Pelo menos não há tédio
Neste mundo dividido,
Alugando o mesmo prédio
Tão mal feito e construído
E não falo nem de assédio,
Isso é caso resolvido,
Cuide bem do teu rebanho,
É melhor cantar de galo,
No final o jogo ganho,
Muda tudo num estalo,
Porém com rombo tamanho,
Penso mais, porém me calo.
15
Tua fama que é de touro,
Um chifrudo de primeira,
Tua vaca, ancoradouro
De barcaça e de traineira,
Cuide bem do teu tesouro,
Deixe logo de besteira,
Se tu já não dás no couro,
Solte a vaca como queira,
Não podendo mais com ela,
Que a vagaba esfomeada,
Noutro passo se revela
O final da velha estrada,
Mata esta égua sobra cela
É tanta merda por nada...
PARA A FILHA QUE EU NÃO TIVE - OU SE CONSELHO FOSSE BOM NINGUÉM DAVA, VENDIA
Tanta coisa vida afora
Aprendendo ou mais tentando,
A saudade não demora
E cozinha em fogo brando,
A vontade que apavora
Outro tempo nos tomando,
Sem saber, mandando embora
Descaminho mais infando,
Aprendesse com firmeza
E decerto não teria
Noutro passo outra surpresa
Numa vida mais sombria,
Enfrentando a correnteza
Barco já naufragaria.
2
Quando vejo necessário
Caminhar contra o que venha,
Passo rude e temerário
Onde a vida dita ordenha
E o deserto imaginário,
Nada além sempre contenha
Outro passo mesmo vário
Sorte agora desempenha,
Esperando algum atalho?
Pois espere então sentado,
Só na força do trabalho
O caminho que almejado
Tanto quanto enfim batalho,
Será enfim, pois alcançado.
3
Não se deve em presunção
Ter o olhar além do quanto
Poderia em dimensão,
Desenhar o que garanto
No final sem direção,
Encontrando este quebranto,
Outra vida em negação
Desenhando apenas pranto.
Já cansado de lutar?
Pois nem mesmo começaste,
É difícil caminhar,
Cada passo outro desgaste,
Mas se não puder sonhar,
De que serve qualquer haste?
4
Vida preparando a festa
Também traz após a queda,
O passado quando gesta
No futuro onde envereda
Sendo apenas mera fresta
Que este tempo agora veda,
Não seria tão funesta
A verdade que não seda?
Mas no fim, saiba querida,
Quanto o tempo é mestre e amigo
Percorrer esta avenida,
Desvendando algum perigo,
No final sina cumprida,
Ou além até prossigo.
5
Não se iluda com promessas
As palavras são venais
E se tanto recomeças
Erros fartos, tão banais,
Onde quer e ali tropeças
Quando a ti decerto trais,
Preparando velhas peças
Como fossem magistrais.
Noutro rumo siga em frente
E se possa resistir,
No final o que apresente
Traduzira o teu porvir,
Mas jamais a alma aposente
Só no amor, o redimir.
6
Não entenda quem te apóia
Como fosse alguma escora,
Pouco tempo dura a bóia,
Mas a vida se demora,
E o que tanto fora jóia
Noutro tom já se descora,
Não que seja uma tramóia,
Vida segue e não demora.
Mas se agora necessitas
Não se faça de rogada,
Entre raras tais pepitas,
Cada sorte anunciada
Dita cenas mais bonitas,
Desenhadas nesta estrada.
7
Quando abriste o coração
Mal notaste que a defesa
Sem saber da dimensão,
Enfrentara com surpresa
O começo da estação
Ou talvez, rompa represa
E gerando inundação
Não te deixa mais ilesa,
Porém sempre é necessário
Renovar o dia a dia,
Cada roupa em teu armário
Amanhã sem serventia,
Todo encanto é temporário,
Mas o amor; jamais se adia.
8
Horizonte traz mil sóis
Pouco importa o que tu sentes,
Se derramas ou constróis
Os caminhos vão presentes,
E talvez noutros faróis
Os cenários que consentes
Ou quem sabe em girassóis
Teus caminhos; apresentes.
Pouco importa se iluminas
Ou refletes outras luzes
São diversas tuas minas
E de lá sempre produzes
As verdades cristalinas
E superas tantas urzes.
9
Muitas vezes pela vida
Aprendendo uma lição
Que pegou desprevenida
Quem se dera em emoção,
No final sendo cumprida
A verdade em dimensão
Mesmo além já soerguida
Provocando uma explosão.
Tudo acalma, esteja certa,
Nada existe eternamente
Se a beleza já deserta
Enobreça a tua mente,
Porta estando sempre aberta
O futuro se apresente.
10
Não temendo um amanhã
Nem ficando assim exposta
Vida nunca foi malsã
Nem tampouco se desgosta
Do que venha com o afã
De viver, e nisto aposta
Mesmo a glória temporã
Quando o barco invade a costa
Alcançando enfim seu cais
Sem temer vicissitudes,
E não diga então jamais,
Se é preciso, mesmo mudes
Esqueceste os temporais?
Neles vivem juventudes.
11
Não julgueis nem jogues fora
O que a vida enfim te deu,
Mas o tempo não demora,
Não é teu e nem foi meu,
Minha filha desde agora,
O que o mundo concebeu
Já não é aonde ancora
E sequer mesmo apogeu,
Vida sendo carrossel?
Na verdade uma espiral
Não alcança nunca o céu,
Mas jamais se faz igual,
Cada tempo em seu papel,
O aprender da vida é o sal.
12
Não se esqueça de um espelho,
Mas não julgues cada ruga,
Na verdade algum conselho
Outra lágrima se enxuga,
Quando enfim eu me ajoelho
A certeza não se aluga
Nem sequer meto o bedelho,
Mas impeço qualquer fuga,
Na verdade o quanto enfrente
O que venha sem temor,
Traz no olhar bem mais frequente
A nobreza dita amor,
Muito mais nos traz a mente,
Num cenário a se compor.
13
Siga olhando para frente
Para trás, de vez em quando,
O caminho onde apresente
É melhor ir decorando,
No final estar contente
Um momento ao menos brando,
Mas cenário intermitente
Pouco a pouco vai mudando,
E na crise que maltrata,
Tanto ensina quanto dói,
O caminho se resgata,
Como a vida sempre sói,
Reciclável como a lata,
Cada dia reconstrói.
14
Não presumo que isto seja
A verdade ou me aproxime
Do que tanto a vida almeja
E deveras mais sublime,
Numa sorte tão andeja
Cada engodo nos redime,
Alma livre enfim dardeja
A prisão; um duro crime.
Nada impeça então amiga
Que o teu mundo, o reconstruas
Tanto fere quanto abriga
A incerteza destas ruas,
Mas permita que esta viga
Traga em si supernas luas.
15
Finalizo te dizendo
Que jamais tive razão
O meu mundo fora horrendo
Sem sequer a dimensão,
Do que agora estou prevendo
No teu rumo em direção
Ao futuro em dividendo,
Só me resta ser o grão;
E depois, partir tranquilo
Sem temer o que virá,
No vazio se desfilo
Meu caminho desde já
Cada tempo onde o destilo,
Nada; enfim o conterá.
Aprendendo ou mais tentando,
A saudade não demora
E cozinha em fogo brando,
A vontade que apavora
Outro tempo nos tomando,
Sem saber, mandando embora
Descaminho mais infando,
Aprendesse com firmeza
E decerto não teria
Noutro passo outra surpresa
Numa vida mais sombria,
Enfrentando a correnteza
Barco já naufragaria.
2
Quando vejo necessário
Caminhar contra o que venha,
Passo rude e temerário
Onde a vida dita ordenha
E o deserto imaginário,
Nada além sempre contenha
Outro passo mesmo vário
Sorte agora desempenha,
Esperando algum atalho?
Pois espere então sentado,
Só na força do trabalho
O caminho que almejado
Tanto quanto enfim batalho,
Será enfim, pois alcançado.
3
Não se deve em presunção
Ter o olhar além do quanto
Poderia em dimensão,
Desenhar o que garanto
No final sem direção,
Encontrando este quebranto,
Outra vida em negação
Desenhando apenas pranto.
Já cansado de lutar?
Pois nem mesmo começaste,
É difícil caminhar,
Cada passo outro desgaste,
Mas se não puder sonhar,
De que serve qualquer haste?
4
Vida preparando a festa
Também traz após a queda,
O passado quando gesta
No futuro onde envereda
Sendo apenas mera fresta
Que este tempo agora veda,
Não seria tão funesta
A verdade que não seda?
Mas no fim, saiba querida,
Quanto o tempo é mestre e amigo
Percorrer esta avenida,
Desvendando algum perigo,
No final sina cumprida,
Ou além até prossigo.
5
Não se iluda com promessas
As palavras são venais
E se tanto recomeças
Erros fartos, tão banais,
Onde quer e ali tropeças
Quando a ti decerto trais,
Preparando velhas peças
Como fossem magistrais.
Noutro rumo siga em frente
E se possa resistir,
No final o que apresente
Traduzira o teu porvir,
Mas jamais a alma aposente
Só no amor, o redimir.
6
Não entenda quem te apóia
Como fosse alguma escora,
Pouco tempo dura a bóia,
Mas a vida se demora,
E o que tanto fora jóia
Noutro tom já se descora,
Não que seja uma tramóia,
Vida segue e não demora.
Mas se agora necessitas
Não se faça de rogada,
Entre raras tais pepitas,
Cada sorte anunciada
Dita cenas mais bonitas,
Desenhadas nesta estrada.
7
Quando abriste o coração
Mal notaste que a defesa
Sem saber da dimensão,
Enfrentara com surpresa
O começo da estação
Ou talvez, rompa represa
E gerando inundação
Não te deixa mais ilesa,
Porém sempre é necessário
Renovar o dia a dia,
Cada roupa em teu armário
Amanhã sem serventia,
Todo encanto é temporário,
Mas o amor; jamais se adia.
8
Horizonte traz mil sóis
Pouco importa o que tu sentes,
Se derramas ou constróis
Os caminhos vão presentes,
E talvez noutros faróis
Os cenários que consentes
Ou quem sabe em girassóis
Teus caminhos; apresentes.
Pouco importa se iluminas
Ou refletes outras luzes
São diversas tuas minas
E de lá sempre produzes
As verdades cristalinas
E superas tantas urzes.
9
Muitas vezes pela vida
Aprendendo uma lição
Que pegou desprevenida
Quem se dera em emoção,
No final sendo cumprida
A verdade em dimensão
Mesmo além já soerguida
Provocando uma explosão.
Tudo acalma, esteja certa,
Nada existe eternamente
Se a beleza já deserta
Enobreça a tua mente,
Porta estando sempre aberta
O futuro se apresente.
10
Não temendo um amanhã
Nem ficando assim exposta
Vida nunca foi malsã
Nem tampouco se desgosta
Do que venha com o afã
De viver, e nisto aposta
Mesmo a glória temporã
Quando o barco invade a costa
Alcançando enfim seu cais
Sem temer vicissitudes,
E não diga então jamais,
Se é preciso, mesmo mudes
Esqueceste os temporais?
Neles vivem juventudes.
11
Não julgueis nem jogues fora
O que a vida enfim te deu,
Mas o tempo não demora,
Não é teu e nem foi meu,
Minha filha desde agora,
O que o mundo concebeu
Já não é aonde ancora
E sequer mesmo apogeu,
Vida sendo carrossel?
Na verdade uma espiral
Não alcança nunca o céu,
Mas jamais se faz igual,
Cada tempo em seu papel,
O aprender da vida é o sal.
12
Não se esqueça de um espelho,
Mas não julgues cada ruga,
Na verdade algum conselho
Outra lágrima se enxuga,
Quando enfim eu me ajoelho
A certeza não se aluga
Nem sequer meto o bedelho,
Mas impeço qualquer fuga,
Na verdade o quanto enfrente
O que venha sem temor,
Traz no olhar bem mais frequente
A nobreza dita amor,
Muito mais nos traz a mente,
Num cenário a se compor.
13
Siga olhando para frente
Para trás, de vez em quando,
O caminho onde apresente
É melhor ir decorando,
No final estar contente
Um momento ao menos brando,
Mas cenário intermitente
Pouco a pouco vai mudando,
E na crise que maltrata,
Tanto ensina quanto dói,
O caminho se resgata,
Como a vida sempre sói,
Reciclável como a lata,
Cada dia reconstrói.
14
Não presumo que isto seja
A verdade ou me aproxime
Do que tanto a vida almeja
E deveras mais sublime,
Numa sorte tão andeja
Cada engodo nos redime,
Alma livre enfim dardeja
A prisão; um duro crime.
Nada impeça então amiga
Que o teu mundo, o reconstruas
Tanto fere quanto abriga
A incerteza destas ruas,
Mas permita que esta viga
Traga em si supernas luas.
15
Finalizo te dizendo
Que jamais tive razão
O meu mundo fora horrendo
Sem sequer a dimensão,
Do que agora estou prevendo
No teu rumo em direção
Ao futuro em dividendo,
Só me resta ser o grão;
E depois, partir tranquilo
Sem temer o que virá,
No vazio se desfilo
Meu caminho desde já
Cada tempo onde o destilo,
Nada; enfim o conterá.
UM VELHO MARINHEIRO.
Com as armas que hoje trago
Nada mais posso fazer,
Da incerteza de um afago
Ou nas tramas do poder,
Sem certeza ora divago
E pretendo até saber
Do caminho aonde vago
Sem sentido e sem querer,
No meu mundo em livre queda
Depois disto que vivi,
A saudade sempre veda
O que queira lá e aqui,
Mas pagar nesta moeda?
Com certeza eu me esqueci.
2
Um escravo e nada mais
Entre enganos costumeiros
Enfrentando os vendavais
Tão comuns, e os espinheiros
Onde agora tu te esvais
Outros erros, derradeiros
Procurando quaisquer cais
Passos vãos aventureiros,
No meu mundo sem sentido,
Jogo feito em noite escura,
O caminho a ser cumprido
Só promete a desventura,
E o meu canto mal ouvido
Nada mais ora assegura.
3
Das entranhas dos quartéis
Entre fúrias e fuzis
Já vivera em tons cruéis
Muito além do quanto eu quis,
Ouço a vida em seus papéis
E decerto por um triz,
Entre noites e bordéis,
Fui talvez bem mais feliz,
Mares tantos navegando
Escutando velhas vozes
Num cenário mesmo brando,
Tendo em ronda os albatrozes,
Noutro rumo me levando
Em navios tão velozes.
4
Fui corsário em pensamento,
Nos meus cantos timoneiro,
Ouso até por um momento
Ter em mim o mundo inteiro,
No cenário aonde invento
Outro sonho, o derradeiro,
Procurando neste vento,
Muito mais que um companheiro.
Mas agora o tempo esgota
E não vejo solução
Já perdera minha rota,
Meu caminho e embarcação
A palavra não denota
Um sentido além do não.
5
Mas quem sabe noutra fase,
Outro tempo, nova vida,
Inda mais quando se atrase
A diversa despedida,
Canto dita em velha frase
A paixão mais atrevida
Sem ter nada que me embase
Apascento esta ferida.
Vejo após a queda e o medo,
Novo dia em tom suave,
O meu mundo; então concedo,
Sem ter nada que isto agrave,
Conhecer cada segredo
E os mistérios desta nave.
6
Presunção de um sonhador?
Talvez seja ou mesmo não,
O que foi navegador
Perde sempre a dimensão,
Do que possa em claro ardor
Ter diversa sensação
Deste mundo e em tal valor
Não conhece escravidão.
Mais um gole de aguardente
Neste bar à beira mar
O que agora se apresente
Permitindo então vagar
Entre as tramas da corrente
Sem ter medo de voltar.
7
Comandante? Nunca fui,
Mas a vida de viés
Permitindo o quanto flui
Sobre o barco em seu convés
Traz o quanto o sonho intui
E procura além galés
O caminho aonde influi
Causa enfim somente stress
E depois de cada engano
Nada mais me restaria,
Nem sequer o soberano
Navegar em alegria,
Vai fechando então tal pano
Resta a noite mais sombria.
8
Dos faróis tanta saudade,
Deste mar que fora meu,
Hoje ausente liberdade,
Onde o mundo se perdeu,
Não restando na verdade
O que o sonho concebeu,
A tristeza que me invade,
Noutro engodo se verteu.
Fui decerto até atroz
E deveras não viera,
Noutro rumo em mesma voz,
A palavra mais sincera,
Não permite nada após,
Mantém viva esta quimera.
9
Ondas tantas, temporais,
Vendavais entre procelas
E o caminho sem o cais,
Onde tudo agora selas,
Noutros dias tão banais,
Mas presentes sonhos, velas
Viajando sem jamais
Conhecer da vida as celas,
Resumindo a minha história
Nada trago além do trago
E na vida sendo escória
Sobre as ondas eu divago,
Minha lua é merencória
Do oceano, nem um lago.
10
Dos tesouros enterrados
Das vontades mais sutis,
Outros dias desenhados
Onde fora tão feliz,
Trago os ventos desejados,
E decerto além já quis
Navegar e sem recados
Respondendo ao quanto fiz.
Nada mais se vendo além
Do passado sem promessa
Do que tanto quero e alguém
Na verdade não começa
Meu caminho nada tem,
Em si mesmo ele tropeça.
11
Só me resta este abandono,
Outro porre noite afora,
Até que voltando o sono
Pensamento desancora
E navega e já me adono
Do que tanto foi embora,
Cada instante eu desabono,
Sei que a vida me devora.
Hoje tudo é tão diverso
Do que tive e desejei,
Navegando do universo
No final eu mergulhei
Num cenário tão perverso
E jamais me acostumei.
12
Sinto falta do marulho
Ondeasse em alto mar,
Hoje apenas sou entulho
Sem saber qualquer lugar,
Dentro da alma o que vasculho
Jamais pude reencontrar
Junto tudo neste embrulho
E mergulho sem notar
Que o passado não retorna,
Mesmo assim o vivo inteiro,
Água fria quente ou morna
Coração aventureiro
Das saudades já se adorna
Faz do mar o seu canteiro.
13
Só te peço que me escutes,
Na verdade o quanto resta
Noutro tempo, não relutes
Não se vendo a menor fresta
Com certeza não permutes
Viva o quanto a vida empresta
E deveras já desfrutes
Do que seja riso e festa.
Tudo passa e com certeza
O final que se aproxima,
Não prepara outra surpresa,
Vai mantendo o mesmo clima
A verdade sobre a mesa
Sem ter nada que a redima.
14
Começando, então, grumete
Não se esqueça de quem tanto
Noutro ponto se arremete
E cultiva o desencanto,
Quanto mais vida promete
É maior este quebranto,
Pois então já se complete
Na esperança em claro canto…
Pois o mundo é como o mar,
Parecendo interminável,
No final vai aportar
Noutro ponto imaginável,
Sem jamais, pois, retornar
Ao caminho desejável.
15
Vamos seguir sem temer
O que possa então surgir
Se este mundo traz sofrer
Esperança um elixir,
Que eu tentasse conceber
Aplacando o que há de vir
Na batalha posso ver
Mesmo até já presumir
Um cenário bem diverso
Do que aquele que conheço.
Segue em frente este universo
Sou somente um adereço,
E este tempo enquanto eu verso,
Não tem mais meu endereço.
Nada mais posso fazer,
Da incerteza de um afago
Ou nas tramas do poder,
Sem certeza ora divago
E pretendo até saber
Do caminho aonde vago
Sem sentido e sem querer,
No meu mundo em livre queda
Depois disto que vivi,
A saudade sempre veda
O que queira lá e aqui,
Mas pagar nesta moeda?
Com certeza eu me esqueci.
2
Um escravo e nada mais
Entre enganos costumeiros
Enfrentando os vendavais
Tão comuns, e os espinheiros
Onde agora tu te esvais
Outros erros, derradeiros
Procurando quaisquer cais
Passos vãos aventureiros,
No meu mundo sem sentido,
Jogo feito em noite escura,
O caminho a ser cumprido
Só promete a desventura,
E o meu canto mal ouvido
Nada mais ora assegura.
3
Das entranhas dos quartéis
Entre fúrias e fuzis
Já vivera em tons cruéis
Muito além do quanto eu quis,
Ouço a vida em seus papéis
E decerto por um triz,
Entre noites e bordéis,
Fui talvez bem mais feliz,
Mares tantos navegando
Escutando velhas vozes
Num cenário mesmo brando,
Tendo em ronda os albatrozes,
Noutro rumo me levando
Em navios tão velozes.
4
Fui corsário em pensamento,
Nos meus cantos timoneiro,
Ouso até por um momento
Ter em mim o mundo inteiro,
No cenário aonde invento
Outro sonho, o derradeiro,
Procurando neste vento,
Muito mais que um companheiro.
Mas agora o tempo esgota
E não vejo solução
Já perdera minha rota,
Meu caminho e embarcação
A palavra não denota
Um sentido além do não.
5
Mas quem sabe noutra fase,
Outro tempo, nova vida,
Inda mais quando se atrase
A diversa despedida,
Canto dita em velha frase
A paixão mais atrevida
Sem ter nada que me embase
Apascento esta ferida.
Vejo após a queda e o medo,
Novo dia em tom suave,
O meu mundo; então concedo,
Sem ter nada que isto agrave,
Conhecer cada segredo
E os mistérios desta nave.
6
Presunção de um sonhador?
Talvez seja ou mesmo não,
O que foi navegador
Perde sempre a dimensão,
Do que possa em claro ardor
Ter diversa sensação
Deste mundo e em tal valor
Não conhece escravidão.
Mais um gole de aguardente
Neste bar à beira mar
O que agora se apresente
Permitindo então vagar
Entre as tramas da corrente
Sem ter medo de voltar.
7
Comandante? Nunca fui,
Mas a vida de viés
Permitindo o quanto flui
Sobre o barco em seu convés
Traz o quanto o sonho intui
E procura além galés
O caminho aonde influi
Causa enfim somente stress
E depois de cada engano
Nada mais me restaria,
Nem sequer o soberano
Navegar em alegria,
Vai fechando então tal pano
Resta a noite mais sombria.
8
Dos faróis tanta saudade,
Deste mar que fora meu,
Hoje ausente liberdade,
Onde o mundo se perdeu,
Não restando na verdade
O que o sonho concebeu,
A tristeza que me invade,
Noutro engodo se verteu.
Fui decerto até atroz
E deveras não viera,
Noutro rumo em mesma voz,
A palavra mais sincera,
Não permite nada após,
Mantém viva esta quimera.
9
Ondas tantas, temporais,
Vendavais entre procelas
E o caminho sem o cais,
Onde tudo agora selas,
Noutros dias tão banais,
Mas presentes sonhos, velas
Viajando sem jamais
Conhecer da vida as celas,
Resumindo a minha história
Nada trago além do trago
E na vida sendo escória
Sobre as ondas eu divago,
Minha lua é merencória
Do oceano, nem um lago.
10
Dos tesouros enterrados
Das vontades mais sutis,
Outros dias desenhados
Onde fora tão feliz,
Trago os ventos desejados,
E decerto além já quis
Navegar e sem recados
Respondendo ao quanto fiz.
Nada mais se vendo além
Do passado sem promessa
Do que tanto quero e alguém
Na verdade não começa
Meu caminho nada tem,
Em si mesmo ele tropeça.
11
Só me resta este abandono,
Outro porre noite afora,
Até que voltando o sono
Pensamento desancora
E navega e já me adono
Do que tanto foi embora,
Cada instante eu desabono,
Sei que a vida me devora.
Hoje tudo é tão diverso
Do que tive e desejei,
Navegando do universo
No final eu mergulhei
Num cenário tão perverso
E jamais me acostumei.
12
Sinto falta do marulho
Ondeasse em alto mar,
Hoje apenas sou entulho
Sem saber qualquer lugar,
Dentro da alma o que vasculho
Jamais pude reencontrar
Junto tudo neste embrulho
E mergulho sem notar
Que o passado não retorna,
Mesmo assim o vivo inteiro,
Água fria quente ou morna
Coração aventureiro
Das saudades já se adorna
Faz do mar o seu canteiro.
13
Só te peço que me escutes,
Na verdade o quanto resta
Noutro tempo, não relutes
Não se vendo a menor fresta
Com certeza não permutes
Viva o quanto a vida empresta
E deveras já desfrutes
Do que seja riso e festa.
Tudo passa e com certeza
O final que se aproxima,
Não prepara outra surpresa,
Vai mantendo o mesmo clima
A verdade sobre a mesa
Sem ter nada que a redima.
14
Começando, então, grumete
Não se esqueça de quem tanto
Noutro ponto se arremete
E cultiva o desencanto,
Quanto mais vida promete
É maior este quebranto,
Pois então já se complete
Na esperança em claro canto…
Pois o mundo é como o mar,
Parecendo interminável,
No final vai aportar
Noutro ponto imaginável,
Sem jamais, pois, retornar
Ao caminho desejável.
15
Vamos seguir sem temer
O que possa então surgir
Se este mundo traz sofrer
Esperança um elixir,
Que eu tentasse conceber
Aplacando o que há de vir
Na batalha posso ver
Mesmo até já presumir
Um cenário bem diverso
Do que aquele que conheço.
Segue em frente este universo
Sou somente um adereço,
E este tempo enquanto eu verso,
Não tem mais meu endereço.
UMA VIAGEM INESQUECÍVEL OU TODO AZUL DO MAR...
João Polino em Santa Marta
Como um ícone seria
Sobre as mesas cada carta
Noutro tom se mostraria,
Da verdade não se aparta
Quem promete e já vigia,
Mesmo quando a sorte parta,
Não será jamais sombria,
Prometendo na verdade
Ir ao Rio de Janeiro
E matar curiosidade
Deste povaréu inteiro,
Que com tal ansiedade
Esperava o mais ligeiro.
2
Na década de quarenta
Sem ter trem sequer estrada
Tem coragem quem enfrenta
Uma história alucinada,
E decerto estando atenta
Sobretudo a mulherada,
Um herói decerto ostenta
Força nunca imaginada,
Pois então a sua irmã
A caçula dentre vinte,
Sem pensar no duro afã
Onde quer que se a sorte pinte,
Sendo a vida tão malsã,
Simples não se torna acinte.
3
Quando lera no almanaque
Que seu pai sempre comprava,
A notícia gerou baque
Explodindo como lava,
Já pensava ser de araque
E decerto não contava,
Mas Polino sendo um craque
Toda estrada desbravava.
Pois não é que lá dizia
Deste mar azul imenso,
Água quente morna ou fria,
E, porém, salgada, eu penso
Sendo assim só pediria
Comprovar e me convenço.
4
João Polino e seu cavalo,
Um enorme garanhão
Aproveitando este embalo
Segue em rumo e direção,
Ao distante Rio. Calo,
Sem dinheiro e previsão,
Cabra macho. E nada eu falo,
Sigo ouvindo esta versão.
Pois decerto um viajante
Na verdade noutro pólo
Quando muito se garante
Neste mundo que ora assolo,
Apresenta num instante
Como fosse um Marco Polo.
5
Mas de Polo e de Polino
Diferença não se vê
Igualzinho no destino,
Cada história em seu por que,
Sendo assim eu me fascino
E decerto o quanto crê
Sem temor, quase menino,
Numa casa de sapê,
Enfrentando com coragem
A aventura agora incerta,
Tão imensa esta viagem
A porteira estando aberta,
Vendo ao longe a paisagem,
Sua terra ele deserta.
6
Tantos dias numa estrada
Sem sequer ter um tostão,
Noite fria e congelada
Tão vazia a provisão,
A coragem reforçada
Traz em fogo o coração,
Não temendo quase nada,
Nem sequer assombração,
Noite e dia num anseio,
De cumprir sua promessa
Sem ter nem em devaneio
O que tanto sempre apressa
Juventude encontra um meio
E a passada recomeça.
7
Santa Bárbara ficou
Já pra trás, agora resta
Mais um pouco e logo estou
Invadindo outra floresta
Desta forma ele pensou,
A verdade então se atesta
No que tanto mergulhou
Coração vibrando em festa.
Nas entradas do Araçá
Um aviso, mas decerto
O que tanto se fará
Juvenil o peito aberto
Nem sequer reparará
Mesmo o longe fica perto.
8
Mais dois dias e em Celina
Descansando o seu corcel,
Vendo a lua que alucina
Dominando inteiro o céu
A vontade ora domina
E comanda este cordel,
Tanto tempo em cristalina
Maravilha; solto ao léu,
E dormindo no relento,
Pois dinheiro não havia,
Só coragem, juramento
Tanta força em fantasia,
E entregando ao próprio vento
O destino que teria.
9
Quis a sorte traiçoeira
Que uma gripe então viesse
Frio imenso e na poeira
Não resolve só com prece.
Procurando a benzedeira
Que decerto se padece
Dando a mão mais verdadeira
Como fosse uma benesse.
Até que curado estando
Recomeça esta aventura
Num caminho jamais brando,
Todo passo, uma tortura,
Neste céu relampejando,
Mas mantendo firme a jura.
10
Seu cavalo, tão cansado
Sei que um tanto envelhecido,
Ao se ver estropiado,
Já caindo e sem sentido,
Tudo fica desolado,
Tanto chão a ser cumprido,
Mas a vida em seu recado
Traz resposta e não duvido.
O rocim sem força alguma
Desabando em pleno chão,
Na incerteza que se assuma
Não resolve uma oração
E decerto a vida arruma,
Nova senda e solução.
11
Para o Rio, com certeza
Talvez mesmo já não dê
Vencer toda esta aspereza
E no fim sei lá pra que?
Quem de uma onça fora presa
Nada teme e mesmo vê
No problema a sutileza
Que permita o quanto crê.
Prosseguindo mesmo a pé
Desce a serra tão bravia,
Com perícia e tanta fé
Nada mais sossegaria
Deus protege e por que é
Não existe uma agonia.
12
Para Alegre mais dois dias,
De viagem depois disto,
Noutro rumo poderias
Ver o quanto não desisto,
Mesmo em noites tristes frias,
Coração sendo benquisto
Superando as mais sombrias
Emoções; teimo e persisto.
Nada no mundo destrói
Que com Deus já se aliara
Nem tampouco corta e dói
Quem desbrava uma seara.
Assim fala nosso herói,
Numa força imensa e rara.
13
Ao chegar na Charqueada
Percebendo muito bem,
Que valera tanta estrada,
Mesmo quando segue aquém
Da paragem tão sonhada,
Mas decerto o que convém,
Trabalhar e com a enxada
Vintém junto com vintém
Até que possa voltar
Para a amada Santa Marta
Depois de tanto lutar,
Mesmo quando a vida é farta,
O que resta então? Sonhar.
Juventude não descarta.
14
Na colheita do café
Um momento salvador,
Com trabalho e muita fé
Vai mostrando o seu valor,
Labutando sempre até
Conseguir tudo repor,
Um cavalo, e não a pé,
Retornar em destemor,
Ao que tanto além deixara
Sua terra tão querida,
Sendo sua esta seara
Numa estrada desmedida,
Outra sorte se prepara,
Renovando então a vida.
15
Mas lembrando da promessa
De levar água do mar,
A vontade se confessa
E não deixa de falar,
Onde tudo se professa
Nada mais irá calar,
E pensando assim depressa:
“Isso é fácil de arrumar”.
Na quitanda compro o sal,
Água serve a do cantil
E decerto sem igual
Seu caminho repetiu.
Falta o azul, mas tá legal,
Basta um cubinho de anil...
Como um ícone seria
Sobre as mesas cada carta
Noutro tom se mostraria,
Da verdade não se aparta
Quem promete e já vigia,
Mesmo quando a sorte parta,
Não será jamais sombria,
Prometendo na verdade
Ir ao Rio de Janeiro
E matar curiosidade
Deste povaréu inteiro,
Que com tal ansiedade
Esperava o mais ligeiro.
2
Na década de quarenta
Sem ter trem sequer estrada
Tem coragem quem enfrenta
Uma história alucinada,
E decerto estando atenta
Sobretudo a mulherada,
Um herói decerto ostenta
Força nunca imaginada,
Pois então a sua irmã
A caçula dentre vinte,
Sem pensar no duro afã
Onde quer que se a sorte pinte,
Sendo a vida tão malsã,
Simples não se torna acinte.
3
Quando lera no almanaque
Que seu pai sempre comprava,
A notícia gerou baque
Explodindo como lava,
Já pensava ser de araque
E decerto não contava,
Mas Polino sendo um craque
Toda estrada desbravava.
Pois não é que lá dizia
Deste mar azul imenso,
Água quente morna ou fria,
E, porém, salgada, eu penso
Sendo assim só pediria
Comprovar e me convenço.
4
João Polino e seu cavalo,
Um enorme garanhão
Aproveitando este embalo
Segue em rumo e direção,
Ao distante Rio. Calo,
Sem dinheiro e previsão,
Cabra macho. E nada eu falo,
Sigo ouvindo esta versão.
Pois decerto um viajante
Na verdade noutro pólo
Quando muito se garante
Neste mundo que ora assolo,
Apresenta num instante
Como fosse um Marco Polo.
5
Mas de Polo e de Polino
Diferença não se vê
Igualzinho no destino,
Cada história em seu por que,
Sendo assim eu me fascino
E decerto o quanto crê
Sem temor, quase menino,
Numa casa de sapê,
Enfrentando com coragem
A aventura agora incerta,
Tão imensa esta viagem
A porteira estando aberta,
Vendo ao longe a paisagem,
Sua terra ele deserta.
6
Tantos dias numa estrada
Sem sequer ter um tostão,
Noite fria e congelada
Tão vazia a provisão,
A coragem reforçada
Traz em fogo o coração,
Não temendo quase nada,
Nem sequer assombração,
Noite e dia num anseio,
De cumprir sua promessa
Sem ter nem em devaneio
O que tanto sempre apressa
Juventude encontra um meio
E a passada recomeça.
7
Santa Bárbara ficou
Já pra trás, agora resta
Mais um pouco e logo estou
Invadindo outra floresta
Desta forma ele pensou,
A verdade então se atesta
No que tanto mergulhou
Coração vibrando em festa.
Nas entradas do Araçá
Um aviso, mas decerto
O que tanto se fará
Juvenil o peito aberto
Nem sequer reparará
Mesmo o longe fica perto.
8
Mais dois dias e em Celina
Descansando o seu corcel,
Vendo a lua que alucina
Dominando inteiro o céu
A vontade ora domina
E comanda este cordel,
Tanto tempo em cristalina
Maravilha; solto ao léu,
E dormindo no relento,
Pois dinheiro não havia,
Só coragem, juramento
Tanta força em fantasia,
E entregando ao próprio vento
O destino que teria.
9
Quis a sorte traiçoeira
Que uma gripe então viesse
Frio imenso e na poeira
Não resolve só com prece.
Procurando a benzedeira
Que decerto se padece
Dando a mão mais verdadeira
Como fosse uma benesse.
Até que curado estando
Recomeça esta aventura
Num caminho jamais brando,
Todo passo, uma tortura,
Neste céu relampejando,
Mas mantendo firme a jura.
10
Seu cavalo, tão cansado
Sei que um tanto envelhecido,
Ao se ver estropiado,
Já caindo e sem sentido,
Tudo fica desolado,
Tanto chão a ser cumprido,
Mas a vida em seu recado
Traz resposta e não duvido.
O rocim sem força alguma
Desabando em pleno chão,
Na incerteza que se assuma
Não resolve uma oração
E decerto a vida arruma,
Nova senda e solução.
11
Para o Rio, com certeza
Talvez mesmo já não dê
Vencer toda esta aspereza
E no fim sei lá pra que?
Quem de uma onça fora presa
Nada teme e mesmo vê
No problema a sutileza
Que permita o quanto crê.
Prosseguindo mesmo a pé
Desce a serra tão bravia,
Com perícia e tanta fé
Nada mais sossegaria
Deus protege e por que é
Não existe uma agonia.
12
Para Alegre mais dois dias,
De viagem depois disto,
Noutro rumo poderias
Ver o quanto não desisto,
Mesmo em noites tristes frias,
Coração sendo benquisto
Superando as mais sombrias
Emoções; teimo e persisto.
Nada no mundo destrói
Que com Deus já se aliara
Nem tampouco corta e dói
Quem desbrava uma seara.
Assim fala nosso herói,
Numa força imensa e rara.
13
Ao chegar na Charqueada
Percebendo muito bem,
Que valera tanta estrada,
Mesmo quando segue aquém
Da paragem tão sonhada,
Mas decerto o que convém,
Trabalhar e com a enxada
Vintém junto com vintém
Até que possa voltar
Para a amada Santa Marta
Depois de tanto lutar,
Mesmo quando a vida é farta,
O que resta então? Sonhar.
Juventude não descarta.
14
Na colheita do café
Um momento salvador,
Com trabalho e muita fé
Vai mostrando o seu valor,
Labutando sempre até
Conseguir tudo repor,
Um cavalo, e não a pé,
Retornar em destemor,
Ao que tanto além deixara
Sua terra tão querida,
Sendo sua esta seara
Numa estrada desmedida,
Outra sorte se prepara,
Renovando então a vida.
15
Mas lembrando da promessa
De levar água do mar,
A vontade se confessa
E não deixa de falar,
Onde tudo se professa
Nada mais irá calar,
E pensando assim depressa:
“Isso é fácil de arrumar”.
Na quitanda compro o sal,
Água serve a do cantil
E decerto sem igual
Seu caminho repetiu.
Falta o azul, mas tá legal,
Basta um cubinho de anil...
UMA RESPOSTA INESPERADA
Com a cara mais lambida
Você vem me perturbar?
Deixa de ser tão fingida
Nada resta em seu lugar,
Procurando a minha vida,
Nela eu posso descansar,
Minha estrada está cumprida
Vai cantar noutro lugar!
O problema, minha amiga
Velha peste, cão sarnento,
Só pensando na barriga,
Esperança? Eu não aguento.
E se tanto assim prossiga
Eu não sou nenhum jumento.
2
Tão safada eu nunca vi,
Vagabunda de primeira,
Quando estava sempre aqui
Se fazia companheira,
Mas agora que perdi
Minha sorte, a derradeira,
Vem de novo e vem daí
Alma suja de rampeira.
Juramentos? Nada disto,
Na verdade quero paz,
Com você? Jamais insisto
Vai buscar em Satanás
Seu olhar qual de Mefisto
Amargura é o que me traz.
3
Meu compadre me perdoa
Eu não posso mais conter
A vontade segue à toa,
Mas decerto irei saber
Tão furada esta canoa,
Se eu pudesse, outrora ver,
Vida sendo em paz e boa
Tendo mais que algum prazer,
Mas demônio disfarçado
Sob as coxas da morena
Já vai dando o seu recado,
Num olhar sacana acena,
E este pobre desolado,
Pouco a pouco se envenena.
4
Que o diabo já carregue
Esta bosta que foi minha,
Eu mereço sendo um jegue
Outra peste tão daninha,
É melhor que enfim sossegue
E procure aonde aninha
Esperança enquanto entregue
Pro poleiro essa galinha.
Jogo as cartas sobre a mesa,
E sei bem do que hoje falo,
Onde fora com surpresa
Hoje tanto não me calo,
Seguir contra a correnteza?
Só quando cantei de galo.
5
Mas a peste da mulher,
Agüentava essa porrada,
E do jeito que vier,
No final não dando em nada,
Sem saber até sequer
Com a vida depravada
Dando tanto o quanto quer,
Não sossega esta safada.
Bem que amigo me avisou,
Correu longe sua fama
A cidade já provou
Maciez da minha cama,
E nem sei pra onde vou,
Que a piranha então me chama.
6
Dá vontade de bater
De enfiar na sua fuça
O que possa mais valer,
Mais que a própria carapuça
Pilantragem; possa ver
A vadia da pinguça
Cedo começa a beber
E depois em tudo fuça
Não suporto nem saber
Onde andava esta vagaba
Sem descanso o dia inteiro,
O meu mundo já desaba
Vou vivendo este espinheiro,
É melhor, pois tudo acaba
Neste velho galinheiro.
7
O priminho da sacana
Que morava, pois comigo,
Quando a noite nos engana,
Dava nela o seu castigo.
E esta quenga, a soberana,
Vou falar, mas nem consigo,
Com salsicha e com banana,
Faz a festa. Isto é antigo;
Desde muito cedo a vada,
Descobri decerto tarde,
Com a cara mais lavada
Não deixa ninguém que aguarde
Na garagem, na calçada
Só reclamando quando arde.
8
Meninada faz a festa
Diversão da adolescência
E à pilantra sempre resta
Tão somente esta indecência
Penetrando em cada fresta
Já não tem nem preferência,
Eu bem sei que ela não presta,
Mas prometo providência,
Conversa definitiva
Depois dou o resultado,
Se a danada sobreviva,
Nem matar mais é pecado,
Uma bala então me priva,
De um viver tão transtornado.
9
Só te peço, amigo meu,
Que não fales com ninguém
Qualquer coisa ela perdeu
Sem saber da vida o trem,
Ou então já se escondeu
Onde nada mais se tem;
Na semana recebeu
Com certeza mais de cem,
Se inda desse por dinheiro
Entendia a sacanagem,
Eu montava este puteiro
E com tal cafetinagem,
Mas depressa e tão ligeiro
Nada muda tal paisagem.
10
Sou decerto este panaca,
Com certeza e na verdade,
O caminho aonde empaca
Impedindo a claridade,
Vou cuidando desta vaca?
Muito embora ela me agrade,
De noitinha quando ataca
Traz total felicidade…
Já não sei mais o que faço,
Se eu mudasse esse sofá.
Mas no fundo o mesmo passo
Seja aqui seja acolá,
Só me resta esse cansaço,
É preciso agir e já.
11
Quando chegar de mansinho
Com a cara de coitada,
Mendigando algum carinho
Vou sentar uma porrada,
E depois sem ser mesquinho
Uma coça tão bem dada,
Que depressa pra outro ninho
Corra já esta safada.
Hoje à noite ou amanhã
É preciso paciência,
Numa vida tão malsã
Toda feita em indecência
Só garanto, neste afã,
Não terei qualquer clemência.
12
A mulher tem com certeza
Um sentido mais diverso,
E a pilantra de surpresa
Mudou todo este universo,
Onde achava que esta presa
Poderia e nem converso,
Hoje noutra correnteza
Segue um tempo mais disperso,
São três dias e quietinha,
Nem na rua dando as caras,
Aquietada esta galinha
Sossegando as suas taras?
A verdade não continha
Nem sequer quaisquer aparas.
13
Bicho tão desconfiado,
Da mulher sexto sentido,
Traz o mundo do seu lado,
E o danado convencido
De que é dele este recado,
Mas no fundo não duvido,
Homem tendo fama de safado,
Mas pecado é dividido.
Quase um mês e nada feito,
A vagaba sossegou?
Toda noite quando deito,
Mais depressa ela deitou,
Jogo agora estando feito,
Ninguém sabe quem ganhou.
14
Já perdendo a paciência
Fui falando o que sentia
Por que outrora uma indecência
Uma quenga tão vadia,
De repente (coincidência?)
Sossegada então se via,
Será caso de demência?
Ou então de covardia?
Na verdade eu precisava
Da resposta desta quenga
Resolvendo em fogo e lava
Mais depressa essa pendenga.
Minha sorte então se lava
Na resposta a tal arenga.
15
Ao contar a sua história
Desde cedo, maltratada,
Até que no fim a glória
Pelo amor foi encontrada
De uma sorte merencória
Outra rota iluminada,
E trazendo esta vitória
Com certeza desfraldada,
No que tanto mudará
Ao viver nos braços meus,
No final garantirá
Claridade sobre os breus,
Pois quem tanto aos pobres dá
Emprestara tudo a Deus...
Você vem me perturbar?
Deixa de ser tão fingida
Nada resta em seu lugar,
Procurando a minha vida,
Nela eu posso descansar,
Minha estrada está cumprida
Vai cantar noutro lugar!
O problema, minha amiga
Velha peste, cão sarnento,
Só pensando na barriga,
Esperança? Eu não aguento.
E se tanto assim prossiga
Eu não sou nenhum jumento.
2
Tão safada eu nunca vi,
Vagabunda de primeira,
Quando estava sempre aqui
Se fazia companheira,
Mas agora que perdi
Minha sorte, a derradeira,
Vem de novo e vem daí
Alma suja de rampeira.
Juramentos? Nada disto,
Na verdade quero paz,
Com você? Jamais insisto
Vai buscar em Satanás
Seu olhar qual de Mefisto
Amargura é o que me traz.
3
Meu compadre me perdoa
Eu não posso mais conter
A vontade segue à toa,
Mas decerto irei saber
Tão furada esta canoa,
Se eu pudesse, outrora ver,
Vida sendo em paz e boa
Tendo mais que algum prazer,
Mas demônio disfarçado
Sob as coxas da morena
Já vai dando o seu recado,
Num olhar sacana acena,
E este pobre desolado,
Pouco a pouco se envenena.
4
Que o diabo já carregue
Esta bosta que foi minha,
Eu mereço sendo um jegue
Outra peste tão daninha,
É melhor que enfim sossegue
E procure aonde aninha
Esperança enquanto entregue
Pro poleiro essa galinha.
Jogo as cartas sobre a mesa,
E sei bem do que hoje falo,
Onde fora com surpresa
Hoje tanto não me calo,
Seguir contra a correnteza?
Só quando cantei de galo.
5
Mas a peste da mulher,
Agüentava essa porrada,
E do jeito que vier,
No final não dando em nada,
Sem saber até sequer
Com a vida depravada
Dando tanto o quanto quer,
Não sossega esta safada.
Bem que amigo me avisou,
Correu longe sua fama
A cidade já provou
Maciez da minha cama,
E nem sei pra onde vou,
Que a piranha então me chama.
6
Dá vontade de bater
De enfiar na sua fuça
O que possa mais valer,
Mais que a própria carapuça
Pilantragem; possa ver
A vadia da pinguça
Cedo começa a beber
E depois em tudo fuça
Não suporto nem saber
Onde andava esta vagaba
Sem descanso o dia inteiro,
O meu mundo já desaba
Vou vivendo este espinheiro,
É melhor, pois tudo acaba
Neste velho galinheiro.
7
O priminho da sacana
Que morava, pois comigo,
Quando a noite nos engana,
Dava nela o seu castigo.
E esta quenga, a soberana,
Vou falar, mas nem consigo,
Com salsicha e com banana,
Faz a festa. Isto é antigo;
Desde muito cedo a vada,
Descobri decerto tarde,
Com a cara mais lavada
Não deixa ninguém que aguarde
Na garagem, na calçada
Só reclamando quando arde.
8
Meninada faz a festa
Diversão da adolescência
E à pilantra sempre resta
Tão somente esta indecência
Penetrando em cada fresta
Já não tem nem preferência,
Eu bem sei que ela não presta,
Mas prometo providência,
Conversa definitiva
Depois dou o resultado,
Se a danada sobreviva,
Nem matar mais é pecado,
Uma bala então me priva,
De um viver tão transtornado.
9
Só te peço, amigo meu,
Que não fales com ninguém
Qualquer coisa ela perdeu
Sem saber da vida o trem,
Ou então já se escondeu
Onde nada mais se tem;
Na semana recebeu
Com certeza mais de cem,
Se inda desse por dinheiro
Entendia a sacanagem,
Eu montava este puteiro
E com tal cafetinagem,
Mas depressa e tão ligeiro
Nada muda tal paisagem.
10
Sou decerto este panaca,
Com certeza e na verdade,
O caminho aonde empaca
Impedindo a claridade,
Vou cuidando desta vaca?
Muito embora ela me agrade,
De noitinha quando ataca
Traz total felicidade…
Já não sei mais o que faço,
Se eu mudasse esse sofá.
Mas no fundo o mesmo passo
Seja aqui seja acolá,
Só me resta esse cansaço,
É preciso agir e já.
11
Quando chegar de mansinho
Com a cara de coitada,
Mendigando algum carinho
Vou sentar uma porrada,
E depois sem ser mesquinho
Uma coça tão bem dada,
Que depressa pra outro ninho
Corra já esta safada.
Hoje à noite ou amanhã
É preciso paciência,
Numa vida tão malsã
Toda feita em indecência
Só garanto, neste afã,
Não terei qualquer clemência.
12
A mulher tem com certeza
Um sentido mais diverso,
E a pilantra de surpresa
Mudou todo este universo,
Onde achava que esta presa
Poderia e nem converso,
Hoje noutra correnteza
Segue um tempo mais disperso,
São três dias e quietinha,
Nem na rua dando as caras,
Aquietada esta galinha
Sossegando as suas taras?
A verdade não continha
Nem sequer quaisquer aparas.
13
Bicho tão desconfiado,
Da mulher sexto sentido,
Traz o mundo do seu lado,
E o danado convencido
De que é dele este recado,
Mas no fundo não duvido,
Homem tendo fama de safado,
Mas pecado é dividido.
Quase um mês e nada feito,
A vagaba sossegou?
Toda noite quando deito,
Mais depressa ela deitou,
Jogo agora estando feito,
Ninguém sabe quem ganhou.
14
Já perdendo a paciência
Fui falando o que sentia
Por que outrora uma indecência
Uma quenga tão vadia,
De repente (coincidência?)
Sossegada então se via,
Será caso de demência?
Ou então de covardia?
Na verdade eu precisava
Da resposta desta quenga
Resolvendo em fogo e lava
Mais depressa essa pendenga.
Minha sorte então se lava
Na resposta a tal arenga.
15
Ao contar a sua história
Desde cedo, maltratada,
Até que no fim a glória
Pelo amor foi encontrada
De uma sorte merencória
Outra rota iluminada,
E trazendo esta vitória
Com certeza desfraldada,
No que tanto mudará
Ao viver nos braços meus,
No final garantirá
Claridade sobre os breus,
Pois quem tanto aos pobres dá
Emprestara tudo a Deus...
NOSSA HISTORIA DE AMOR
A saudade velha tralha
Pesa tanto no meu peito
No costado faz cangalha
E não deixa satisfeito
Quem decerto enfim batalha
Neste rumo que ora aceito
A incerteza quando espalha
Não permite este direito,
Vejo o olhar noutro horizonte
De quem fora a mais sublime,
E se tanto desaponte
Sem ter nada, não redime
O meu mundo sem a fonte,
Tanto sonho ora suprime.
2
Ao saber do que não veio
E tampouco conheci,
Outro passo sem rodeio
Noutra senda mereci,
Mas amor se faz alheio
Quando vejo mesmo aqui,
Minha sorte sem esteio,
Já não fala mais de ti.
Tão somente esta lembrança
Que devora a cada dia,
A verdade quando lança
No vazio o que teria,
Na incerteza rude e mansa,
Bebo apenas a agonia.
3
Dos meninos que na roça
Entre flores e hortaliças
A verdade não endossa
As histórias movediças,
Muito mais que a vida possa,
Entre tantas vis cobiças
O que tento e já se apossa
Luzes frágeis e mortiças.
E depois de tantos anos,
Tu partiste e aqui fiquei,
Acumulo desenganos,
A tristeza rege a lei,
Quem soubera de outros planos
Diz do quanto nem mais sei.
4
Tu casaste com doutor
E eu aqui nesta lavoura,
Tendo o sol, farto calor
Que maltrata enquanto doura,
Não sabendo onde me por
A palavra duradoura,
Numa lavra sem valor,
Cada estio, uma tesoura.
Sutilmente o tempo dita
O que possa ser meu fim,
E se faz sempre maldita
A verdade viva em mim,
Outra história necessita
Refazer enquanto eu vim.
5
Tempo passa e vai ligeiro,
Nada deixa como qual pegada,
O meu mundo corriqueiro
Esperando uma invernada,
Tomo conta do chiqueiro
E da sorte cultivada
Da esperança garimpeiro,
No final não sobra nada.
Mas bem sei do que fizeste
Dama de alta sociedade
Esquecendo o solo agreste
Teu reinado é na cidade,
Se o meu mundo não soubeste
Resta apenas a saudade.
6
Sem saber sequer o quanto
Deste mundo fosse meu,
O meu passo em desencanto
Na verdade se prendeu
Ao que fora algum quebranto
E jamais soubesse teu,
E se tanto ainda canto
Este sonho em mim morreu.
Um roceiro e uma princesa,
Nada tendo por fazer,
Onde vejo esta riqueza
Meu passado eu posso crer
Já não traz qualquer surpresa
Vou cansado de perder.
7
Anos tantos, solidão,
Cultivando este desejo
De mudar velha estação
Procurando algum ensejo,
Bate firme a solidão,
Não garante a provisão
E decerto o que inda vejo,
Perde o rumo e sem sentido
O que tanto poderia
Na verdade não duvido
Numa sorte tão sombria,
Um caminho resumido
Onde nada mais havia.
8
Dos sertões o que inda resta
No cultivo da esperança
A colheita feita em festa,
Ou no fim nada se alcança,
A tristeza que me empesta
Mesmo quando na lembrança
O caminho em paz se gesta
E decerto além avança,
Mas sabendo de tal sorte
Onde o tanto coabita
Com o nada, sem aporte,
Noite atroz ou mais bonita,
Incerteza toma o norte,
Variável, turva dita.
9
Tanto eu sei que no contrário
Esta vida de rainha
Mesmo em mundo solitário
Não se fez igual à minha,
Onde além do imaginário
Toda a sorte sempre vinha,
Universo ora continha
Neste teu itinerário,
Eu percebo que em verdade
O meu mundo no horizonte
Traz a dura realidade,
E secando mesmo a fonte,
Inda busco a liberdade
Onde o olha talvez aponte.
10
Tanto tempo sem te ver
Esta vida é mesmo assim,
O começo diz prazer
A tristeza toma o fim,
Outro tempo possa ter
E quem sabe dentro em mim,
Reste algum amanhecer
Qualquer flor, ledo jardim.
Estas mãos tão calejadas
Já cansadas da batalha,
As canetas são enxadas
Incerteza agora espalha,
Mas noites enluaradas
Recompensam cada falha.
11
Depois vejo do que um dia
Pude mesmo acreditar
Onde tanto poderia
E não tento adivinhar,
Nada mais inda teria
Quem procura o seu lugar,
Noutro tom em agonia
Meu caminho a divagar,
Onde a sorte se abandona
E o passado dita a regra
A saudade volta à tona
E o meu mundo desintegra,
Do meu sonho a vida adona,
E sonega alguma entrega.
12
Sendo a vida tão diversa
Sem saber o que inda vem,
Onde a sorte desconversa
No final resta ninguém,
A palavra mais dispersa
Outro tempo já contém
E se a sina é tão perversa,
A saudade diz desdém.
Muitas vezes, cada sonho
Mesmo engano ao sol nascer
Cada verso que componho
Procurando te esquecer,
Um caminho onde me ponho
Sem prazer e sem lazer.
13
Tanto tempo e sem notícias
De quem tanto desejei,
Meu amor feito em sevícias
Sofrimento dita a lei,
Nesta ausência de carícias
Quanto sonho; imaginei,
Sendas várias e fictícias
Sem proveito eu desenhei.
A rotina da labuta
A saudade não me importa,
Se ninguém ainda escuta
Já nem tranco mais a porta,
Tão somente a força bruta
Esperança enfim aborta.
14
Mas a vida traz surpresas
E recebo tua carta,
Pondo as cartas sobre as mesas
O passado já descarta,
Nossas vidas seguem presas?
Nada mais sequer aparta
Quem seguindo correntezas
Sonhos quem ama, comparta.
E me falas de um passado
Onde fomos tão felizes
Novo tempo anunciado?
Esquecer as cicatrizes?
Um momento renovado
Nele imenso amor tu dizes.
15
Observando a minha terra,
Este solo em aridez,
A verdade se descerra
Todo o sonho já desfez,
Coração deseja e berra,
Na total insensatez,
A saudade que desterra
Nela tudo o quanto vês.
Penso no que já passei
Neste mundo tão mesquinho,
Cada grão que garimpei,
Mas o peito passarinho,
Muito além do que sonhei,
Preferiu ficar sozinho...
Pesa tanto no meu peito
No costado faz cangalha
E não deixa satisfeito
Quem decerto enfim batalha
Neste rumo que ora aceito
A incerteza quando espalha
Não permite este direito,
Vejo o olhar noutro horizonte
De quem fora a mais sublime,
E se tanto desaponte
Sem ter nada, não redime
O meu mundo sem a fonte,
Tanto sonho ora suprime.
2
Ao saber do que não veio
E tampouco conheci,
Outro passo sem rodeio
Noutra senda mereci,
Mas amor se faz alheio
Quando vejo mesmo aqui,
Minha sorte sem esteio,
Já não fala mais de ti.
Tão somente esta lembrança
Que devora a cada dia,
A verdade quando lança
No vazio o que teria,
Na incerteza rude e mansa,
Bebo apenas a agonia.
3
Dos meninos que na roça
Entre flores e hortaliças
A verdade não endossa
As histórias movediças,
Muito mais que a vida possa,
Entre tantas vis cobiças
O que tento e já se apossa
Luzes frágeis e mortiças.
E depois de tantos anos,
Tu partiste e aqui fiquei,
Acumulo desenganos,
A tristeza rege a lei,
Quem soubera de outros planos
Diz do quanto nem mais sei.
4
Tu casaste com doutor
E eu aqui nesta lavoura,
Tendo o sol, farto calor
Que maltrata enquanto doura,
Não sabendo onde me por
A palavra duradoura,
Numa lavra sem valor,
Cada estio, uma tesoura.
Sutilmente o tempo dita
O que possa ser meu fim,
E se faz sempre maldita
A verdade viva em mim,
Outra história necessita
Refazer enquanto eu vim.
5
Tempo passa e vai ligeiro,
Nada deixa como qual pegada,
O meu mundo corriqueiro
Esperando uma invernada,
Tomo conta do chiqueiro
E da sorte cultivada
Da esperança garimpeiro,
No final não sobra nada.
Mas bem sei do que fizeste
Dama de alta sociedade
Esquecendo o solo agreste
Teu reinado é na cidade,
Se o meu mundo não soubeste
Resta apenas a saudade.
6
Sem saber sequer o quanto
Deste mundo fosse meu,
O meu passo em desencanto
Na verdade se prendeu
Ao que fora algum quebranto
E jamais soubesse teu,
E se tanto ainda canto
Este sonho em mim morreu.
Um roceiro e uma princesa,
Nada tendo por fazer,
Onde vejo esta riqueza
Meu passado eu posso crer
Já não traz qualquer surpresa
Vou cansado de perder.
7
Anos tantos, solidão,
Cultivando este desejo
De mudar velha estação
Procurando algum ensejo,
Bate firme a solidão,
Não garante a provisão
E decerto o que inda vejo,
Perde o rumo e sem sentido
O que tanto poderia
Na verdade não duvido
Numa sorte tão sombria,
Um caminho resumido
Onde nada mais havia.
8
Dos sertões o que inda resta
No cultivo da esperança
A colheita feita em festa,
Ou no fim nada se alcança,
A tristeza que me empesta
Mesmo quando na lembrança
O caminho em paz se gesta
E decerto além avança,
Mas sabendo de tal sorte
Onde o tanto coabita
Com o nada, sem aporte,
Noite atroz ou mais bonita,
Incerteza toma o norte,
Variável, turva dita.
9
Tanto eu sei que no contrário
Esta vida de rainha
Mesmo em mundo solitário
Não se fez igual à minha,
Onde além do imaginário
Toda a sorte sempre vinha,
Universo ora continha
Neste teu itinerário,
Eu percebo que em verdade
O meu mundo no horizonte
Traz a dura realidade,
E secando mesmo a fonte,
Inda busco a liberdade
Onde o olha talvez aponte.
10
Tanto tempo sem te ver
Esta vida é mesmo assim,
O começo diz prazer
A tristeza toma o fim,
Outro tempo possa ter
E quem sabe dentro em mim,
Reste algum amanhecer
Qualquer flor, ledo jardim.
Estas mãos tão calejadas
Já cansadas da batalha,
As canetas são enxadas
Incerteza agora espalha,
Mas noites enluaradas
Recompensam cada falha.
11
Depois vejo do que um dia
Pude mesmo acreditar
Onde tanto poderia
E não tento adivinhar,
Nada mais inda teria
Quem procura o seu lugar,
Noutro tom em agonia
Meu caminho a divagar,
Onde a sorte se abandona
E o passado dita a regra
A saudade volta à tona
E o meu mundo desintegra,
Do meu sonho a vida adona,
E sonega alguma entrega.
12
Sendo a vida tão diversa
Sem saber o que inda vem,
Onde a sorte desconversa
No final resta ninguém,
A palavra mais dispersa
Outro tempo já contém
E se a sina é tão perversa,
A saudade diz desdém.
Muitas vezes, cada sonho
Mesmo engano ao sol nascer
Cada verso que componho
Procurando te esquecer,
Um caminho onde me ponho
Sem prazer e sem lazer.
13
Tanto tempo e sem notícias
De quem tanto desejei,
Meu amor feito em sevícias
Sofrimento dita a lei,
Nesta ausência de carícias
Quanto sonho; imaginei,
Sendas várias e fictícias
Sem proveito eu desenhei.
A rotina da labuta
A saudade não me importa,
Se ninguém ainda escuta
Já nem tranco mais a porta,
Tão somente a força bruta
Esperança enfim aborta.
14
Mas a vida traz surpresas
E recebo tua carta,
Pondo as cartas sobre as mesas
O passado já descarta,
Nossas vidas seguem presas?
Nada mais sequer aparta
Quem seguindo correntezas
Sonhos quem ama, comparta.
E me falas de um passado
Onde fomos tão felizes
Novo tempo anunciado?
Esquecer as cicatrizes?
Um momento renovado
Nele imenso amor tu dizes.
15
Observando a minha terra,
Este solo em aridez,
A verdade se descerra
Todo o sonho já desfez,
Coração deseja e berra,
Na total insensatez,
A saudade que desterra
Nela tudo o quanto vês.
Penso no que já passei
Neste mundo tão mesquinho,
Cada grão que garimpei,
Mas o peito passarinho,
Muito além do que sonhei,
Preferiu ficar sozinho...
A SOLIDÃO É FERA
Não falei de Lampião
E sequer de cangaceiro
Sendo lá do meu sertão,
Na verdade sou mineiro,
Noutro rumo e dimensão,
Não conheço Conselheiro,
Mas luar na imensidão,
Bebo sempre por inteiro,
E num gole de cachaça
Nos bailados do catira
Solidão decerto passa
Quanto mais a terra gira,
Noutro passo a mesma praça
Onde amor sempre interfira.
2
Nas verdades mentirosas
Nas mentiras verdadeiras
Quanto mais além tu gozas
Também logo ali te esgueiras,
No que possam tantas rosas
As palavras jardineiras,
Muitas vezes caprichosas
Cultivando as derradeiras,
Nada tive e nem teria
Nos anseios de quem trama
Ao vencer a noite fria,
Esperança apaga a chama,
E sequer a fantasia
Noutro tom diverso clama.
3
Ao nascer em meio às serras
E descendo estas montanhas,
As palavras que descerras
Adivinham tantas sanhas,
E se tanto agora enterras
As verdades são tamanhas,
Mas se tanto um passo; emperras.
Nada vejo e nem pudesse
Mesmo assim em tal cortejo
Procurando qualquer prece
Nada mais sequer eu vejo,
Coração nunca obedece
Aos anseios de um desejo.
4
Jamais pude conformar
Com a sorte maltrapilha
E decerto ao procurar
A saudade já me pilha
Sem saber de algum lugar
Noutro toque uma armadilha
E o meu mundo a se negar
Sonegando aonde trilha,
Vagão segue sem saber
Do que faz locomotiva,
Outro tempo a se perder
Numa sanha jamais viva,
Pude tanto conceber
Esta luta, lenitiva.
5
No caminho em pedregulho,
Na aridez de uma esperança
Outras vezes num mergulho
Onde a fúria audaz alcança
O momento aonde orgulho
Faz das suas, a lembrança
Prometendo mais barulho
Do que tanto agora avança,
Não sabendo qualquer rumo
Desta sorte em covardia,
O meu passo hoje resumo
No que tanto não podia,
Outro tempo e se me esfumo,
Sou deveras fantasia.
6
Jagunçada sertaneja
Na tocaia me esperando
Onde quer que tudo veja
Outro passo demonstrando,
A verdade que lateja
Torna o passo mais infando,
E deveras como seja
Ou sequer talvez nem quando,
Mestra noite em lua cheia
Ensinando ao coração
O quanto a vida anseia
Noutra imensa sensação
Onde amor já me rodeia,
Novos tempos se verão.
7
Bebo um gole de aguardente
Nesta boca da saudade
O que quer e se apresente
Noutro passo já degrade
O meu mundo descontente
Sem saber da velha grade,
No final quase demente,
Não percebe a liberdade,
Ouso até acreditar
No que nada representa
A verdade de um luar
Quando a sorte diz tormenta,
Vago além e ao me notar,
Esperança se aposenta.
8
Na incerteza deste passo
Sem saber de algum final,
Outra vez se descompasso
Bebo o rito em corte e sal,
Na incerteza que já traço
Meu momento desigual,
Vejo apenas no cansaço
O que possa um ritual,
A verdade não se cala
Nada falo e sigo em frente,
Adentrando quarto e sala
Quem me dera estar contente,
Porém alma hoje vassala
Noutro passo se apresente.
9
Mergulhando no passado
Vejo as sombras de quem fui,
O meu mundo abandonado
Quando em duro ocaso rui,
Traça o velho desgraçado
Caminhar enquanto influi
No momento desolado
Meu anseio nada intui,
Vendo a sombra do que outrora
Inda trouxe alguma luz,
O cenário não demora
E deveras não produz
O que tanto sei agora
E somente nunca pus.
10
Mas um dia quando o mundo
Resolvesse os seus problemas
Ao romper o quanto algemas
Coração mais vagabundo
Quanto então em ti me inundo
Nada temo, e nada temas,
Mergulhando no profundo
Desenhar em vagos lemas,
Apresenta a solução
Ou talvez ainda venha,
Colocar nesta emoção
Tanto fogo quanto lenha,
Numa frágua o coração
Já sem nada que o contenha.
11
Quando conto minha história
Sem saída e sem proveito
Luta atroz e merencória
No vazio onde me deito,
Nada trago na memória,
Mas decerto eu sempre aceito,
Caminhar sem esta glória,
Funcionário sem seu pleito,
Se eu casei, amei e agora
Sem ninguém que tanto apóia
A verdade então se aflora
E o meu peito apenas bóia
Lua imensa sem demora,
Derradeira e clara jóia.
12
Vou sozinho e sei que nisto
Nada tenho de diverso
Do caminho aonde insisto
No cenário que disperso,
Outro tempo eu não existo,
E se vens eu desconverso,
Um presente tão benquisto
Já não tento em qualquer verso.
Dos amores, nem sinal,
Dos carinhos, onde estão?
O que resta em ritual
Minha vida desde então
Traduzindo a sem igual
E tão louca solidão.
13
Ao fazer meu testamento,
Nada tenho, nem herdeiro
Minha vida solta ao vento,
Quando em vão agora inteiro
O caminho alheamento
Noutro passo o derradeiro,
Transformando este momento
Adubando este canteiro.
Sem as rosas que plantei,
Sem os sonhos que sonhara,
No vazio desta grei
No não ser de uma seara,
O que tanto imaginei,
Já não vem nem se escancara.
14
A verdade nos liberta,
E decerto nada sou,
Nesta porta sempre aberta
Ninguém nunca um dia entrou,
A palavra se deserta
E com ela também vou,
Numa sebe sempre incerta
Todo sonho abandonou.
O passado sem presente
O presente sem futuro,
Onde quer que se apresente
O meu mundo segue escuro,
E se possa imprevidente,
Procurando um chão seguro.
15
Nesta carta que ora lês
A verdade do vazio
Desta vida sem porquês
E do mundo ledo e frio,
Demonstrando a pequenez
Do que possa em tom sombrio,
Tanta gente que ora vês
Tendo o mesmo desafio.
Sem ter nome ou sobrenome,
Num bom dia ou mesmo tchau
Logo após a sombra some,
Tudo volta ao seu normal,
Se a saudade nos consome,
Solidão, pois é fatal…
E sequer de cangaceiro
Sendo lá do meu sertão,
Na verdade sou mineiro,
Noutro rumo e dimensão,
Não conheço Conselheiro,
Mas luar na imensidão,
Bebo sempre por inteiro,
E num gole de cachaça
Nos bailados do catira
Solidão decerto passa
Quanto mais a terra gira,
Noutro passo a mesma praça
Onde amor sempre interfira.
2
Nas verdades mentirosas
Nas mentiras verdadeiras
Quanto mais além tu gozas
Também logo ali te esgueiras,
No que possam tantas rosas
As palavras jardineiras,
Muitas vezes caprichosas
Cultivando as derradeiras,
Nada tive e nem teria
Nos anseios de quem trama
Ao vencer a noite fria,
Esperança apaga a chama,
E sequer a fantasia
Noutro tom diverso clama.
3
Ao nascer em meio às serras
E descendo estas montanhas,
As palavras que descerras
Adivinham tantas sanhas,
E se tanto agora enterras
As verdades são tamanhas,
Mas se tanto um passo; emperras.
Nada vejo e nem pudesse
Mesmo assim em tal cortejo
Procurando qualquer prece
Nada mais sequer eu vejo,
Coração nunca obedece
Aos anseios de um desejo.
4
Jamais pude conformar
Com a sorte maltrapilha
E decerto ao procurar
A saudade já me pilha
Sem saber de algum lugar
Noutro toque uma armadilha
E o meu mundo a se negar
Sonegando aonde trilha,
Vagão segue sem saber
Do que faz locomotiva,
Outro tempo a se perder
Numa sanha jamais viva,
Pude tanto conceber
Esta luta, lenitiva.
5
No caminho em pedregulho,
Na aridez de uma esperança
Outras vezes num mergulho
Onde a fúria audaz alcança
O momento aonde orgulho
Faz das suas, a lembrança
Prometendo mais barulho
Do que tanto agora avança,
Não sabendo qualquer rumo
Desta sorte em covardia,
O meu passo hoje resumo
No que tanto não podia,
Outro tempo e se me esfumo,
Sou deveras fantasia.
6
Jagunçada sertaneja
Na tocaia me esperando
Onde quer que tudo veja
Outro passo demonstrando,
A verdade que lateja
Torna o passo mais infando,
E deveras como seja
Ou sequer talvez nem quando,
Mestra noite em lua cheia
Ensinando ao coração
O quanto a vida anseia
Noutra imensa sensação
Onde amor já me rodeia,
Novos tempos se verão.
7
Bebo um gole de aguardente
Nesta boca da saudade
O que quer e se apresente
Noutro passo já degrade
O meu mundo descontente
Sem saber da velha grade,
No final quase demente,
Não percebe a liberdade,
Ouso até acreditar
No que nada representa
A verdade de um luar
Quando a sorte diz tormenta,
Vago além e ao me notar,
Esperança se aposenta.
8
Na incerteza deste passo
Sem saber de algum final,
Outra vez se descompasso
Bebo o rito em corte e sal,
Na incerteza que já traço
Meu momento desigual,
Vejo apenas no cansaço
O que possa um ritual,
A verdade não se cala
Nada falo e sigo em frente,
Adentrando quarto e sala
Quem me dera estar contente,
Porém alma hoje vassala
Noutro passo se apresente.
9
Mergulhando no passado
Vejo as sombras de quem fui,
O meu mundo abandonado
Quando em duro ocaso rui,
Traça o velho desgraçado
Caminhar enquanto influi
No momento desolado
Meu anseio nada intui,
Vendo a sombra do que outrora
Inda trouxe alguma luz,
O cenário não demora
E deveras não produz
O que tanto sei agora
E somente nunca pus.
10
Mas um dia quando o mundo
Resolvesse os seus problemas
Ao romper o quanto algemas
Coração mais vagabundo
Quanto então em ti me inundo
Nada temo, e nada temas,
Mergulhando no profundo
Desenhar em vagos lemas,
Apresenta a solução
Ou talvez ainda venha,
Colocar nesta emoção
Tanto fogo quanto lenha,
Numa frágua o coração
Já sem nada que o contenha.
11
Quando conto minha história
Sem saída e sem proveito
Luta atroz e merencória
No vazio onde me deito,
Nada trago na memória,
Mas decerto eu sempre aceito,
Caminhar sem esta glória,
Funcionário sem seu pleito,
Se eu casei, amei e agora
Sem ninguém que tanto apóia
A verdade então se aflora
E o meu peito apenas bóia
Lua imensa sem demora,
Derradeira e clara jóia.
12
Vou sozinho e sei que nisto
Nada tenho de diverso
Do caminho aonde insisto
No cenário que disperso,
Outro tempo eu não existo,
E se vens eu desconverso,
Um presente tão benquisto
Já não tento em qualquer verso.
Dos amores, nem sinal,
Dos carinhos, onde estão?
O que resta em ritual
Minha vida desde então
Traduzindo a sem igual
E tão louca solidão.
13
Ao fazer meu testamento,
Nada tenho, nem herdeiro
Minha vida solta ao vento,
Quando em vão agora inteiro
O caminho alheamento
Noutro passo o derradeiro,
Transformando este momento
Adubando este canteiro.
Sem as rosas que plantei,
Sem os sonhos que sonhara,
No vazio desta grei
No não ser de uma seara,
O que tanto imaginei,
Já não vem nem se escancara.
14
A verdade nos liberta,
E decerto nada sou,
Nesta porta sempre aberta
Ninguém nunca um dia entrou,
A palavra se deserta
E com ela também vou,
Numa sebe sempre incerta
Todo sonho abandonou.
O passado sem presente
O presente sem futuro,
Onde quer que se apresente
O meu mundo segue escuro,
E se possa imprevidente,
Procurando um chão seguro.
15
Nesta carta que ora lês
A verdade do vazio
Desta vida sem porquês
E do mundo ledo e frio,
Demonstrando a pequenez
Do que possa em tom sombrio,
Tanta gente que ora vês
Tendo o mesmo desafio.
Sem ter nome ou sobrenome,
Num bom dia ou mesmo tchau
Logo após a sombra some,
Tudo volta ao seu normal,
Se a saudade nos consome,
Solidão, pois é fatal…
LUA CHEIA EM SEXTA FEIRA...
Pode ser até verdade,
Mas num posso assegurar,
Outro rumo em realidade
Esta vida irá buscar,
No caminho da cidade,
Ou na roça a se mostrar
Quando em lua a claridade
Sexta feira a desnudar,
Em beleza sem igual,
Clareando este sertão,
Um momento em ritual,
Toma nova dimensão,
Outros mesmos, bem ou mal,
Novas faces mostrarão.
2
Diz o povo de Brejeiro
Nas entranhas das Gerais
Que deveras corriqueiro
Muito além e muito mais,
No caminho mais ligeiro,
Em luares magistrais,
Na clareza do luzeiro
Entre passos divinais,
Outra face se apresenta
Com diversa dimensão,
E sequer já se apascenta
Com furor e em sedução,
Na desgraça violenta
Outro rumo e direção.
3
Quem passeia pelo campo,
Entre luzes constelares
Vendo em cada pirilampo
A certeza dos milhares
De desejos; não acampo,
Mas se tu queres; notares
A beleza dos altares
Onde o mundo; em luz destampo,
Deixando que se preveja
Com astúcia e mesmo medo,
A vontade sem peleja
Outro rumo em arremedo,
Vou falar embora seja
Mesmo até algum segredo.
4
Nas mocinhas desejadas
Cada olhar com fome vem,
E durante as madrugadas,
Nestas ruas sem ninguém,
Atravessam nas estradas
Outras faces e se tem
Impressões já desenhadas
Do que tanto quer um bem.
Nuas belas ninfas; sonho?
Na verdade já nem sei,
Onde quer e me proponho
Incerteza vira lei,
E num tempo mais bisonho,
Outro rumo eu desvendei.
5
No puteiro da cidade
Descarregas o desejo,
Quando tendo a liberdade
O cenário tão sobejo,
Onde em plena claridade
Outro rumo agora eu vejo,
Trazendo felicidade,
Mesmo em falso e vão traquejo.
Nas pelejas desta vida,
Solitárias emoções,
A verdade consumida
Onde quer que tu a expões
No final a mais sofrida
Entre tantas ilusões.
6
Um momento de prazer,
Pago sempre, amigo à vista,
Sem vontade e sem querer,
Nada mais que enfim se assista,
O montante a se perder
Já não deixa qualquer pista,
Se este amor tem merecer,
Ninguém sabe nem avista,
Depois volta para casa,
Satisfeito e tão cansado,
Cinco minutos de brasa
Deixa o besta extasiado,
E decerto quando atrasa,
Ouve um gozo resmungado.
7
Novo dia de trabalho,
Nova semana em batalha
Deste fogo em plena palha,
Muito mais que quebra-galho
Solitário mundo falho,
Neste fio da navalha
A vontade que se espalha
No puteiro tendo atalho.
Como é dura a adolescência
E também a juventude,
Noutro passo em inclemência
O prazer decerto ilude,
Mas até na imprevidência
Da velhice nada mude.
8
Quando chega novo gado
Na casa da luz vermelha
O momento desejado
Acendendo esta centelha,
Um fileiro desenhado
Nem o padre que aconselha
Acredita no pecado
Salta sempre pela telha.
E assim Brejeiro dorme
Todo final de semana,
No desejo tão enorme
Que deveras tanto engana,
A vontade se conforme
Com o tempo onde se dana.
9
De uma velha cafetina,
Ouvindo a reclamação
Que esta merda se alucina
Vez em quando no sertão,
Clientela não domina,
E não faz baldeação,
A verdade cristalina
Traz a mesma sensação
De uma sorte traiçoeira
E sem nada por fazer
Vez em quando sexta feira
Ninguém quase eu posso ver,
Na certeza costumeira,
Nesta fila do prazer.
10
Tanta coisa poderia
Ser a culpa disto tudo,
Mas decerto esta agonia
Deixa o sonho quase mudo,
Promovendo até orgia
Na verdade não me iludo,
Sendo grande a putaria
O dinheiro é tão miúdo.
Mas o sábado chegando
Tudo volta ao seu normal,
Meninada chega em bando,
Volta ao mesmo ritual,
Qualquer coisa desenhando
A desculpa mais banal.
11
A Maria Milongueira
A rainha do bordel,
Mulher rude e fuxiqueira
Que conhece o seu papel,
E decerto não se esgueira
E enfrentando este cruel
Mistério da sexta feira
Planejando, isto é fiel,
Procurar a explicação
Para o costumeiro fato,
Noutro tempo em sensação
Que deveras mal constato
Fazendo averiguação
Desenhando este retrato.
12
Demorando quase um mês,
Na tocaia esta vadia,
Que não serve pra freguês,
Mas trazendo a garantia
Do que tanto em sensatez
Promovesse em galhardia,
Outra féria que ora vês
Muito além do que teria,
Quando organizava a fila
Dos meninos mais afoitos
A verdade já desfila
Em diversos, vários coitos,
A vontade desopila,
Ao molharem os biscoitos.
13
Procurando com certeza
Chifre em crina de cavalo
Noutro passo sem firmeza
Ou decerto quando calo,
Nada mais que uma surpresa
Expressando o quanto falo,
E decerto na grandeza
Coletando jovem falo,
A danada na tocaia,
Toda noite numa espreita
A verdade já não traia
Quem decerto não aceita
De tanto levantar saia,
Tendo nada por colheita.
14
Quando a noite se apontava
Sexta feira em belo céu,
A danada sem ter trava,
Vai coberta em tom fiel,
No momento aonde agrava
O caminho em carrossel,
Outro sonho, mesma lava
Num cenário mais cruel.
Com certeza neste bote
Ela tendo a dimensão,
Do que tanto já se note
Com suprema precisão,
Sem mais nada que derrote
Encontrando a solução.
15
Meia noite, lua clara
Num momento sem igual,
A verdade se escancara
Num cortejo sensual,
A danada já repara
Neste estranho ritual,
Com olhar exposto em tara
Fila imensa e magistral,
O que falo e aqui relato
Dita o quanto eu escutei
Se é mentira ou vero fato,
Nem sequer confirmarei,
Já de quatro neste mato,
Foi flagrado o lobisgay.
Soneto acordelado
Observação: não sou e nunca seria homofóbico, o fato de ter colocado o lobisgay como protagonista deste cordel é tão segregatório quanto o próprio lobisOMEM ou se fosse Lobisfêmea por exemplo.
Abraços e viva a liberdade.
Mas num posso assegurar,
Outro rumo em realidade
Esta vida irá buscar,
No caminho da cidade,
Ou na roça a se mostrar
Quando em lua a claridade
Sexta feira a desnudar,
Em beleza sem igual,
Clareando este sertão,
Um momento em ritual,
Toma nova dimensão,
Outros mesmos, bem ou mal,
Novas faces mostrarão.
2
Diz o povo de Brejeiro
Nas entranhas das Gerais
Que deveras corriqueiro
Muito além e muito mais,
No caminho mais ligeiro,
Em luares magistrais,
Na clareza do luzeiro
Entre passos divinais,
Outra face se apresenta
Com diversa dimensão,
E sequer já se apascenta
Com furor e em sedução,
Na desgraça violenta
Outro rumo e direção.
3
Quem passeia pelo campo,
Entre luzes constelares
Vendo em cada pirilampo
A certeza dos milhares
De desejos; não acampo,
Mas se tu queres; notares
A beleza dos altares
Onde o mundo; em luz destampo,
Deixando que se preveja
Com astúcia e mesmo medo,
A vontade sem peleja
Outro rumo em arremedo,
Vou falar embora seja
Mesmo até algum segredo.
4
Nas mocinhas desejadas
Cada olhar com fome vem,
E durante as madrugadas,
Nestas ruas sem ninguém,
Atravessam nas estradas
Outras faces e se tem
Impressões já desenhadas
Do que tanto quer um bem.
Nuas belas ninfas; sonho?
Na verdade já nem sei,
Onde quer e me proponho
Incerteza vira lei,
E num tempo mais bisonho,
Outro rumo eu desvendei.
5
No puteiro da cidade
Descarregas o desejo,
Quando tendo a liberdade
O cenário tão sobejo,
Onde em plena claridade
Outro rumo agora eu vejo,
Trazendo felicidade,
Mesmo em falso e vão traquejo.
Nas pelejas desta vida,
Solitárias emoções,
A verdade consumida
Onde quer que tu a expões
No final a mais sofrida
Entre tantas ilusões.
6
Um momento de prazer,
Pago sempre, amigo à vista,
Sem vontade e sem querer,
Nada mais que enfim se assista,
O montante a se perder
Já não deixa qualquer pista,
Se este amor tem merecer,
Ninguém sabe nem avista,
Depois volta para casa,
Satisfeito e tão cansado,
Cinco minutos de brasa
Deixa o besta extasiado,
E decerto quando atrasa,
Ouve um gozo resmungado.
7
Novo dia de trabalho,
Nova semana em batalha
Deste fogo em plena palha,
Muito mais que quebra-galho
Solitário mundo falho,
Neste fio da navalha
A vontade que se espalha
No puteiro tendo atalho.
Como é dura a adolescência
E também a juventude,
Noutro passo em inclemência
O prazer decerto ilude,
Mas até na imprevidência
Da velhice nada mude.
8
Quando chega novo gado
Na casa da luz vermelha
O momento desejado
Acendendo esta centelha,
Um fileiro desenhado
Nem o padre que aconselha
Acredita no pecado
Salta sempre pela telha.
E assim Brejeiro dorme
Todo final de semana,
No desejo tão enorme
Que deveras tanto engana,
A vontade se conforme
Com o tempo onde se dana.
9
De uma velha cafetina,
Ouvindo a reclamação
Que esta merda se alucina
Vez em quando no sertão,
Clientela não domina,
E não faz baldeação,
A verdade cristalina
Traz a mesma sensação
De uma sorte traiçoeira
E sem nada por fazer
Vez em quando sexta feira
Ninguém quase eu posso ver,
Na certeza costumeira,
Nesta fila do prazer.
10
Tanta coisa poderia
Ser a culpa disto tudo,
Mas decerto esta agonia
Deixa o sonho quase mudo,
Promovendo até orgia
Na verdade não me iludo,
Sendo grande a putaria
O dinheiro é tão miúdo.
Mas o sábado chegando
Tudo volta ao seu normal,
Meninada chega em bando,
Volta ao mesmo ritual,
Qualquer coisa desenhando
A desculpa mais banal.
11
A Maria Milongueira
A rainha do bordel,
Mulher rude e fuxiqueira
Que conhece o seu papel,
E decerto não se esgueira
E enfrentando este cruel
Mistério da sexta feira
Planejando, isto é fiel,
Procurar a explicação
Para o costumeiro fato,
Noutro tempo em sensação
Que deveras mal constato
Fazendo averiguação
Desenhando este retrato.
12
Demorando quase um mês,
Na tocaia esta vadia,
Que não serve pra freguês,
Mas trazendo a garantia
Do que tanto em sensatez
Promovesse em galhardia,
Outra féria que ora vês
Muito além do que teria,
Quando organizava a fila
Dos meninos mais afoitos
A verdade já desfila
Em diversos, vários coitos,
A vontade desopila,
Ao molharem os biscoitos.
13
Procurando com certeza
Chifre em crina de cavalo
Noutro passo sem firmeza
Ou decerto quando calo,
Nada mais que uma surpresa
Expressando o quanto falo,
E decerto na grandeza
Coletando jovem falo,
A danada na tocaia,
Toda noite numa espreita
A verdade já não traia
Quem decerto não aceita
De tanto levantar saia,
Tendo nada por colheita.
14
Quando a noite se apontava
Sexta feira em belo céu,
A danada sem ter trava,
Vai coberta em tom fiel,
No momento aonde agrava
O caminho em carrossel,
Outro sonho, mesma lava
Num cenário mais cruel.
Com certeza neste bote
Ela tendo a dimensão,
Do que tanto já se note
Com suprema precisão,
Sem mais nada que derrote
Encontrando a solução.
15
Meia noite, lua clara
Num momento sem igual,
A verdade se escancara
Num cortejo sensual,
A danada já repara
Neste estranho ritual,
Com olhar exposto em tara
Fila imensa e magistral,
O que falo e aqui relato
Dita o quanto eu escutei
Se é mentira ou vero fato,
Nem sequer confirmarei,
Já de quatro neste mato,
Foi flagrado o lobisgay.
Soneto acordelado
Observação: não sou e nunca seria homofóbico, o fato de ter colocado o lobisgay como protagonista deste cordel é tão segregatório quanto o próprio lobisOMEM ou se fosse Lobisfêmea por exemplo.
Abraços e viva a liberdade.
CORTANDO O MAL PELA RAIZ
No saci eu dei rasteira
Na sereia pus a saia,
Noutra sorte mais ligeira
A palavra não me traia,
Lobisomem; sexta feira
A morena nua, a praia,
Caminhando a noite inteira,
Vou caindo na gandaia,
Da cobra bebo o veneno,
No Capeta dei um nó,
Na saudade me condeno
Encontrando o mesmo pó
Que pudera ser ameno,
Mas me deixa sempre só.
2
Serenata eu fiz para ela
E decerto nem me ouviu,
Violão quando revela
Um ponteio mais sutil,
Em São Jorge noutra sela
O cavalo que fugiu,
Se a verdade não apela
Rocim igual, ninguém viu.
Atropelo quem viera
Na verdade o que se via
Muito mais que a própria fera
Feita em muita galhardia,
Nestas garras de pantera
Sem cabeça, a mula havia.
3
Dando corda pro enforcado,
Num anseio sem igual,
Outro sonho revelado,
Traz o velho ritual,
E decerto consolado
Um cenário em funeral,
Noutro passo o meu recado
Traz deveras sempre o mal,
Não me importo, pois com isso,
Satanás não quer conversa,
Onde seja movediço
Todo o passo já dispersa,
Dando nó do corrediço,
Voador tapete, persa.
4
Ansioso por saber
Onde possa ter de fato,
O caminho a se tecer
Nele a sorte hoje eu constato
Exaurido de prazer,
Noutro tom o que resgato
Da ventura de querer,
Tendo cheio, sempre o prato,
Não pudesse ser assim,
Mas se fosse diferente
Não havia dentro em mim
O que tanto me sustente,
Vou correndo no sem fim,
Sem ter nada que me alente…
5
Engravido a própria lua
E parindo nosso filho,
A danada continua
Com beleza em mesmo brilho,
Mas se vejo desta rua,
Sem saber de um empecilho
Vejo a deusa sempre nua,
Com vontade então me pilho.
Estrelas diversas vindo
Outras tantas com ciúme
No caminho mais infindo
Já sem nada que acostume,
De repente distraindo
Confundindo então tal lume.
6
Sem ter limo nos meus pés
Percorri tantos lugares,
E se vejo de viés
Procurando nos altares
Entre as moças mais fiéis
Delicadas, tantos pares,
Vejo a vida sem revés
Quando tu mal me notares,
Vou seguindo sem reforma,
Sempre pela bola sete
Coração agora informa
Da verdade de arremete,
Não suporto qualquer norma,
Meu amor é canivete.
7
De jagunço e coronel
Não suporto nem ouvir,
Mandei tantos para o Céu
Ou pro Inferno divertir,
Vou cumprindo o meu papel
Sem penar e sem carpir,
Da mocinha já sem véu,
O prazer a repartir.
Mas a vida tem seu preço
A razão perde o juízo,
Tantas vezes eu me esqueço
Do que vivo em Paraíso,
E se tanto num tropeço
Tombo novo ora impreciso.
8
Prejuízo acumulado,
Resta pouco, mas prossigo,
Tendo a sorte do meu lado
Neste Inferno o meu abrigo,
Quando o céu é constelado,
Na verdade em paz persigo
O caminho enluarado,
Tatu quer buraco antigo,
Mas se vejo no horizonte
Este sol duro e raivoso,
Meu cenário desaponte,
E não quero o perigoso
Que decerto quando aponte,
Impedisse o doce gozo.
9
Quando Iara eu conheci,
Indiazinha mais bonita,
Coração em frenesi,
A verdade sempre agita,
E decerto mereci,
Esta sorte mais aflita,
Caminhando por aí,
Sem saber de uma pepita,
Garimpeiro sem sucesso
Sem brilhante diamante
Noutro tempo em retrocesso
Nada tendo doravante,
Mas decerto eu recomeço
Minha sanha me garante.
10
Se eu caminho em paralelo
Com a sombra de quem quero,
Na verdade quando anelo
Outro tempo mais sincero,
No final nada congelo
Boto fogo e nem espero,
Meu momento ali eu selo,
Mesmo quando seja fero.
Nada mais eu poderia
Senão isto e na verdade
Outro sonho ou fantasia
Traz a mesma realidade,
E se tente ou deveria,
O desejo já me invade.
11
Mas perdendo o que carrego
Já não pude desvendar
Os segredos, quase cego
Sem saber onde encontrar,
Noutro mar quando navego
A incerteza de chegar
Se as estrelas já não pego
E sequer qualquer luar,
Na velhice que aproxima,
Dando enfim tanto trabalho,
O que fora de alta estima,
Agora se mostra falho,
Minha sorte já não prima,
Virando penduricalho.
12
No insucesso acostumando,
Já não posso reclamar,
Outro tempo bem mais brando
Meu caminho irá de achar
Devagar eu vou pousando,
Não devesse me cansar,
Noutra sorte desde quando
Aprendi a navegar,
O timão perdendo a rota,
A palavra não se faz
Da maneira que me esgota
Mesmo quando sou capaz,
O cenário da derrota
É deveras mais mordaz.
13
O problema é vaidade
Disse um grande amigo meu,
Não entendo na verdade
O que enfim aconteceu,
Vaidade? Com saudade
Do caminho em apogeu,
Vivo noutra realidade,
Aí tudo percebeu.
Vai idade já passando,
Nada mais posso fazer,
O gigante desabando
Não consigo mais conter,
Nos meus pés estou molhando,
Como dar algum prazer?
14
Nem a sorte que pudera
Ser diversa ou mais feliz,
Nem milagre na quimera
Que deveras nunca quis,
O momento destempera
Corte o mal pela raiz,
Nada mais ainda espera
Meu passado? Cicatriz,
Desta mula sem cabeça
Nem sinal, da sorte rara,
Muito mais do que ofereça
Nem a lua se escancara,
Isso mesmo me pareça
A vingança desta Iara.
15
Vou vingar este fastio,
Já cansado de lutar,
Contra tanto desafio,
Nada tenho e sem parar,
Vou descendo o velho rio
Sem saber se existe mar,
Noutro passo ou desvario,
Este mal vai terminar.
Olhando para infeliz
Que dormindo já se empaca,
No cenário onde eu não quis,
Esta cara de babaca
Atacando na raiz,
Afiada esteja a faca.
Na sereia pus a saia,
Noutra sorte mais ligeira
A palavra não me traia,
Lobisomem; sexta feira
A morena nua, a praia,
Caminhando a noite inteira,
Vou caindo na gandaia,
Da cobra bebo o veneno,
No Capeta dei um nó,
Na saudade me condeno
Encontrando o mesmo pó
Que pudera ser ameno,
Mas me deixa sempre só.
2
Serenata eu fiz para ela
E decerto nem me ouviu,
Violão quando revela
Um ponteio mais sutil,
Em São Jorge noutra sela
O cavalo que fugiu,
Se a verdade não apela
Rocim igual, ninguém viu.
Atropelo quem viera
Na verdade o que se via
Muito mais que a própria fera
Feita em muita galhardia,
Nestas garras de pantera
Sem cabeça, a mula havia.
3
Dando corda pro enforcado,
Num anseio sem igual,
Outro sonho revelado,
Traz o velho ritual,
E decerto consolado
Um cenário em funeral,
Noutro passo o meu recado
Traz deveras sempre o mal,
Não me importo, pois com isso,
Satanás não quer conversa,
Onde seja movediço
Todo o passo já dispersa,
Dando nó do corrediço,
Voador tapete, persa.
4
Ansioso por saber
Onde possa ter de fato,
O caminho a se tecer
Nele a sorte hoje eu constato
Exaurido de prazer,
Noutro tom o que resgato
Da ventura de querer,
Tendo cheio, sempre o prato,
Não pudesse ser assim,
Mas se fosse diferente
Não havia dentro em mim
O que tanto me sustente,
Vou correndo no sem fim,
Sem ter nada que me alente…
5
Engravido a própria lua
E parindo nosso filho,
A danada continua
Com beleza em mesmo brilho,
Mas se vejo desta rua,
Sem saber de um empecilho
Vejo a deusa sempre nua,
Com vontade então me pilho.
Estrelas diversas vindo
Outras tantas com ciúme
No caminho mais infindo
Já sem nada que acostume,
De repente distraindo
Confundindo então tal lume.
6
Sem ter limo nos meus pés
Percorri tantos lugares,
E se vejo de viés
Procurando nos altares
Entre as moças mais fiéis
Delicadas, tantos pares,
Vejo a vida sem revés
Quando tu mal me notares,
Vou seguindo sem reforma,
Sempre pela bola sete
Coração agora informa
Da verdade de arremete,
Não suporto qualquer norma,
Meu amor é canivete.
7
De jagunço e coronel
Não suporto nem ouvir,
Mandei tantos para o Céu
Ou pro Inferno divertir,
Vou cumprindo o meu papel
Sem penar e sem carpir,
Da mocinha já sem véu,
O prazer a repartir.
Mas a vida tem seu preço
A razão perde o juízo,
Tantas vezes eu me esqueço
Do que vivo em Paraíso,
E se tanto num tropeço
Tombo novo ora impreciso.
8
Prejuízo acumulado,
Resta pouco, mas prossigo,
Tendo a sorte do meu lado
Neste Inferno o meu abrigo,
Quando o céu é constelado,
Na verdade em paz persigo
O caminho enluarado,
Tatu quer buraco antigo,
Mas se vejo no horizonte
Este sol duro e raivoso,
Meu cenário desaponte,
E não quero o perigoso
Que decerto quando aponte,
Impedisse o doce gozo.
9
Quando Iara eu conheci,
Indiazinha mais bonita,
Coração em frenesi,
A verdade sempre agita,
E decerto mereci,
Esta sorte mais aflita,
Caminhando por aí,
Sem saber de uma pepita,
Garimpeiro sem sucesso
Sem brilhante diamante
Noutro tempo em retrocesso
Nada tendo doravante,
Mas decerto eu recomeço
Minha sanha me garante.
10
Se eu caminho em paralelo
Com a sombra de quem quero,
Na verdade quando anelo
Outro tempo mais sincero,
No final nada congelo
Boto fogo e nem espero,
Meu momento ali eu selo,
Mesmo quando seja fero.
Nada mais eu poderia
Senão isto e na verdade
Outro sonho ou fantasia
Traz a mesma realidade,
E se tente ou deveria,
O desejo já me invade.
11
Mas perdendo o que carrego
Já não pude desvendar
Os segredos, quase cego
Sem saber onde encontrar,
Noutro mar quando navego
A incerteza de chegar
Se as estrelas já não pego
E sequer qualquer luar,
Na velhice que aproxima,
Dando enfim tanto trabalho,
O que fora de alta estima,
Agora se mostra falho,
Minha sorte já não prima,
Virando penduricalho.
12
No insucesso acostumando,
Já não posso reclamar,
Outro tempo bem mais brando
Meu caminho irá de achar
Devagar eu vou pousando,
Não devesse me cansar,
Noutra sorte desde quando
Aprendi a navegar,
O timão perdendo a rota,
A palavra não se faz
Da maneira que me esgota
Mesmo quando sou capaz,
O cenário da derrota
É deveras mais mordaz.
13
O problema é vaidade
Disse um grande amigo meu,
Não entendo na verdade
O que enfim aconteceu,
Vaidade? Com saudade
Do caminho em apogeu,
Vivo noutra realidade,
Aí tudo percebeu.
Vai idade já passando,
Nada mais posso fazer,
O gigante desabando
Não consigo mais conter,
Nos meus pés estou molhando,
Como dar algum prazer?
14
Nem a sorte que pudera
Ser diversa ou mais feliz,
Nem milagre na quimera
Que deveras nunca quis,
O momento destempera
Corte o mal pela raiz,
Nada mais ainda espera
Meu passado? Cicatriz,
Desta mula sem cabeça
Nem sinal, da sorte rara,
Muito mais do que ofereça
Nem a lua se escancara,
Isso mesmo me pareça
A vingança desta Iara.
15
Vou vingar este fastio,
Já cansado de lutar,
Contra tanto desafio,
Nada tenho e sem parar,
Vou descendo o velho rio
Sem saber se existe mar,
Noutro passo ou desvario,
Este mal vai terminar.
Olhando para infeliz
Que dormindo já se empaca,
No cenário onde eu não quis,
Esta cara de babaca
Atacando na raiz,
Afiada esteja a faca.
UM TRISTE MILAGRE ou de como Deus sempre dá um jeito em tudo
Cada vida tem seu preço
E decerto disso eu sei,
Mas bem mais do que mereço
Com tais juros eu paguei,
Se eu só vivo este tropeço
Atropelo qualquer lei,
Mas mudando de endereço
Nem eu mesmo me acharei.
Tanta coisa por viver,
Alegria e fantasias,
E, porém mal posso ver
O cenário enquanto rias
Eu sei bem que sem querer,
Entre tantas agonias,
Uma a mais? Só faz sofrer.
2
Minha história começando
Quando em sua gravidez
Minha mãe sempre rezando,
Tão fiel como tu vês
Depois de um período infando
Sem saber mesmo talvez
Tantos anos já tentando
Até que um dia então se fez
O milagre desejado
E decerto com carinho,
O caminho desenhado
Noutra sorte em doce ninho,
Agora se fez ocupado,
Por pequeno passarinho.
3
Minha mãe adormecida
Entre novenas e velas
Outra sorte percebida
Com a vida já sem celas,
Noutro tempo, agradecida
Pelas noites claras, belas,
Ultrapassa da ferida
Suas rotas e cancelas.
Depois desta sorte imensa
Que decerto se consagre,
Na verdade o que ela pensa
Num momento onde já sagre
Como fosse recompensa
Ou talvez algum milagre.
4
E nasci sem ser disforme,
Mas deveras muito feio,
A minha alma não conforme,
Porém sigo o triste veio,
Quem jamais comigo dorme
Com certeza em tal receio,
Noutro bicho eu me transforme,
Sem fazer sequer rodeio.
Na verdade este coitado
Não faz mal para ninguém,
Todo ser mal desenhado
No final já nada tem,
Vida dando seu recado,
Com deboche e com desdém.
5
Quando em minha adolescência
O que via neste espelho
Já não tendo nem clemência
Não precisa de conselho,
Outra vez a paciência,
Deixa a sorte e eu ajoelho
Vida sendo penitência,
Ninguém meta o seu bedelho.
Na verdade se repares
Com certeza num exame,
Entre tantos vários pares
Não há quem tanto reclame,
Companheiro dos altares?
Corcunda de Notre-Dame.
6
Na verdade vim do avesso,
E se possa até saber
A feiúra em desapreço
Já não deixa nem se ver
Outro rumo enfim mereço?
Mas não posso conceber
Meu caminho eu sempre teço
Nos teares do querer.
Procurei a cirurgia
Algo até que me ajudasse,
Quando viu tal heresia
Outro rumo então se trace,
Doutor nunca operaria,
Só milagre muda a face.
7
Fui crescendo solitário,
Com inveja, me perdoa,
Outro tempo é necessário,
Já não resta nem canoa,
Como ser então corsário,
Tento a vida numa boa,
Mas seguindo itinerário
Tudo sei foi sempre à toa.
Não desisto, e se batalho
Nada mais posso sentir,
Procurando algum atalho,
Outro rumo a perseguir,
Neste mundo atroz e falho,
Acostumado a cair.
8
Desde quando a vida traz
Uma face desolada
Procurar, sendo capaz
De rondar na madrugada,
Na verdade tanto faz,
O final dará em nada,
Erro tanto contumaz,
Satanás fez a morada
No canteiro deste peito
Que jamais esqueceria,
Não que tenha algum defeito,
A verdade em agonia,
Traz um cabra insatisfeito
Infeliz alegoria.
9
Mas o tempo também tem
Esperanças com certeza,
Este mundo já contém
Com carinho e com leveza
A presença de outro alguém
Mesmo pego de surpresa
Que inda possa amar e vem
Carregada em correnteza.
Nos cinqüenta anos de vida
Depois de tantos enganos,
Outra sorte percebida,
Mas entrando pelos canos
No que fosse a preferida
Já mudando agora os planos,
Noutro rumo, decidida
Já não suportava os danos.
10
Mas enfim num beijo dei,
Nem que seja neste rosto,
Dele não me esquecerei,
Coração ficando exposto
Mergulhar onde sonhei
Sem saber qualquer desgosto;
Quando a zona eu procurei
Expulsado como encosto,
Numa noite sem a lua
Vendo a moça na sarjeta
A minha alma ali flutua
Um pecado que cometa
Desta deusa seminua,
Com horror um: “SAI CAPETA”.
11
Minha mãe já bem velhinha
Já passando dos noventa
Delicada uma santinha,
Que decerto me apascenta,
Uma sorte que inda tinha
Nesta vida tão sangrenta
Tantas vezes mais daninha
Feita em fúria e na tormenta,
Ao saber desta tristeza
Outra novena promete
E decerto sobre a mesa
Um banquete se comete,
Sigo contra a correnteza
Feito bola na raquete.
12
Aprendendo a cada dia,
Mas sofrendo hoje calado,
Minha voz em agonia,
Vivo apenas isolado,
No caminho onde se via
O destino mal traçado,
Tanta coisa concebia
Este ser mal acabado,
No final me acostumando,
Como posso? Nem mais sei,
Outro tempo bem mais brando,
Com a morte enfim terei,
Vou pesando em contrabando
Toda a dor; esquecerei.
13
Aproximo de tal forma
Desta sorte sem descanso
E deveras me deforma
Esperança já nem lanço,
Sem poder sequer reforma
Vou restando no balanço
Prejuízo dita a norma
E no fim eu sempre danço.
Uma criatura horrenda
Não consegue ser feliz,
E decerto se desvenda
O mistério onde o desfiz,
Não seria mera lenda?
O que importa? A cicatriz.
14
Como disse e não me esqueço
Minha mãe sendo fiel
Quando viu com tanto apreço
O carinho lá do Céu,
Mas talvez nalgum tropeço
Ou num tombo mais cruel
O que tanto em adereço
Hoje cumpre o seu papel,
Um aborto se esvaindo
Na sangrenta sensação
O que fora outrora lindo,
Não mais tendo solução,
Minha mãe ora pedindo,
Do infinito a proteção.
15
Deus ouvindo a sua filha
Tão leal a vida inteira,
Desenhando nova trilha,
A que possa derradeira,
No aborto em armadilha
Esta vida enfim se esgueira,
Mas a sorte se palmilha
Noutro passo, outra ladeira,
E sabendo da vontade
Da mulher com seus quarenta
Em completa lealdade
Acalmando esta tormenta,
Deste feto, na verdade
O que restou? A placenta
E decerto disso eu sei,
Mas bem mais do que mereço
Com tais juros eu paguei,
Se eu só vivo este tropeço
Atropelo qualquer lei,
Mas mudando de endereço
Nem eu mesmo me acharei.
Tanta coisa por viver,
Alegria e fantasias,
E, porém mal posso ver
O cenário enquanto rias
Eu sei bem que sem querer,
Entre tantas agonias,
Uma a mais? Só faz sofrer.
2
Minha história começando
Quando em sua gravidez
Minha mãe sempre rezando,
Tão fiel como tu vês
Depois de um período infando
Sem saber mesmo talvez
Tantos anos já tentando
Até que um dia então se fez
O milagre desejado
E decerto com carinho,
O caminho desenhado
Noutra sorte em doce ninho,
Agora se fez ocupado,
Por pequeno passarinho.
3
Minha mãe adormecida
Entre novenas e velas
Outra sorte percebida
Com a vida já sem celas,
Noutro tempo, agradecida
Pelas noites claras, belas,
Ultrapassa da ferida
Suas rotas e cancelas.
Depois desta sorte imensa
Que decerto se consagre,
Na verdade o que ela pensa
Num momento onde já sagre
Como fosse recompensa
Ou talvez algum milagre.
4
E nasci sem ser disforme,
Mas deveras muito feio,
A minha alma não conforme,
Porém sigo o triste veio,
Quem jamais comigo dorme
Com certeza em tal receio,
Noutro bicho eu me transforme,
Sem fazer sequer rodeio.
Na verdade este coitado
Não faz mal para ninguém,
Todo ser mal desenhado
No final já nada tem,
Vida dando seu recado,
Com deboche e com desdém.
5
Quando em minha adolescência
O que via neste espelho
Já não tendo nem clemência
Não precisa de conselho,
Outra vez a paciência,
Deixa a sorte e eu ajoelho
Vida sendo penitência,
Ninguém meta o seu bedelho.
Na verdade se repares
Com certeza num exame,
Entre tantos vários pares
Não há quem tanto reclame,
Companheiro dos altares?
Corcunda de Notre-Dame.
6
Na verdade vim do avesso,
E se possa até saber
A feiúra em desapreço
Já não deixa nem se ver
Outro rumo enfim mereço?
Mas não posso conceber
Meu caminho eu sempre teço
Nos teares do querer.
Procurei a cirurgia
Algo até que me ajudasse,
Quando viu tal heresia
Outro rumo então se trace,
Doutor nunca operaria,
Só milagre muda a face.
7
Fui crescendo solitário,
Com inveja, me perdoa,
Outro tempo é necessário,
Já não resta nem canoa,
Como ser então corsário,
Tento a vida numa boa,
Mas seguindo itinerário
Tudo sei foi sempre à toa.
Não desisto, e se batalho
Nada mais posso sentir,
Procurando algum atalho,
Outro rumo a perseguir,
Neste mundo atroz e falho,
Acostumado a cair.
8
Desde quando a vida traz
Uma face desolada
Procurar, sendo capaz
De rondar na madrugada,
Na verdade tanto faz,
O final dará em nada,
Erro tanto contumaz,
Satanás fez a morada
No canteiro deste peito
Que jamais esqueceria,
Não que tenha algum defeito,
A verdade em agonia,
Traz um cabra insatisfeito
Infeliz alegoria.
9
Mas o tempo também tem
Esperanças com certeza,
Este mundo já contém
Com carinho e com leveza
A presença de outro alguém
Mesmo pego de surpresa
Que inda possa amar e vem
Carregada em correnteza.
Nos cinqüenta anos de vida
Depois de tantos enganos,
Outra sorte percebida,
Mas entrando pelos canos
No que fosse a preferida
Já mudando agora os planos,
Noutro rumo, decidida
Já não suportava os danos.
10
Mas enfim num beijo dei,
Nem que seja neste rosto,
Dele não me esquecerei,
Coração ficando exposto
Mergulhar onde sonhei
Sem saber qualquer desgosto;
Quando a zona eu procurei
Expulsado como encosto,
Numa noite sem a lua
Vendo a moça na sarjeta
A minha alma ali flutua
Um pecado que cometa
Desta deusa seminua,
Com horror um: “SAI CAPETA”.
11
Minha mãe já bem velhinha
Já passando dos noventa
Delicada uma santinha,
Que decerto me apascenta,
Uma sorte que inda tinha
Nesta vida tão sangrenta
Tantas vezes mais daninha
Feita em fúria e na tormenta,
Ao saber desta tristeza
Outra novena promete
E decerto sobre a mesa
Um banquete se comete,
Sigo contra a correnteza
Feito bola na raquete.
12
Aprendendo a cada dia,
Mas sofrendo hoje calado,
Minha voz em agonia,
Vivo apenas isolado,
No caminho onde se via
O destino mal traçado,
Tanta coisa concebia
Este ser mal acabado,
No final me acostumando,
Como posso? Nem mais sei,
Outro tempo bem mais brando,
Com a morte enfim terei,
Vou pesando em contrabando
Toda a dor; esquecerei.
13
Aproximo de tal forma
Desta sorte sem descanso
E deveras me deforma
Esperança já nem lanço,
Sem poder sequer reforma
Vou restando no balanço
Prejuízo dita a norma
E no fim eu sempre danço.
Uma criatura horrenda
Não consegue ser feliz,
E decerto se desvenda
O mistério onde o desfiz,
Não seria mera lenda?
O que importa? A cicatriz.
14
Como disse e não me esqueço
Minha mãe sendo fiel
Quando viu com tanto apreço
O carinho lá do Céu,
Mas talvez nalgum tropeço
Ou num tombo mais cruel
O que tanto em adereço
Hoje cumpre o seu papel,
Um aborto se esvaindo
Na sangrenta sensação
O que fora outrora lindo,
Não mais tendo solução,
Minha mãe ora pedindo,
Do infinito a proteção.
15
Deus ouvindo a sua filha
Tão leal a vida inteira,
Desenhando nova trilha,
A que possa derradeira,
No aborto em armadilha
Esta vida enfim se esgueira,
Mas a sorte se palmilha
Noutro passo, outra ladeira,
E sabendo da vontade
Da mulher com seus quarenta
Em completa lealdade
Acalmando esta tormenta,
Deste feto, na verdade
O que restou? A placenta
sábado, 19 de março de 2011
UM JOGADOR
Volta e meia; meia volta
Nada sabe quem se esquece
Do caminho sem revolta
Onde a sorte recomece
Na verdade já se solta
Coração em clara prece
A verdade como escolta
O meu sonho em novo tece
Jogo feito sobre a mesa,
Tantas cartas e a roleta
Sem saber qualquer surpresa
Novo acerto ou já cometa
Outro engano e com certeza
Sorte em vão tanto prometa.
2
Muitas vezes o que trago
Como fosse um companheiro
E se vejo em claro afago
Perco todo o meu dinheiro,
Mas deveras eu me alago
Neste passo onde me inteiro
Um momento sempre vago,
Tantas cores no tinteiro,
Nesta sorte que se vendo
Nada mais se percebia,
Sobre o pano este remendo,
Noite cheia alma vazia,
Mas decerto agora estendo
Do prazer esta agonia.
3
Onde vejo o que talvez
Já não sabe de ninguém
Procurando a sensatez
A promessa sempre vem,
E depois do que se fez
Reconheço e muito bem
Minha clara estupidez
Um freguês feito em desdém,
Vez em quando vejo o sol
E sei tanto quanto perco,
Mas a vida sem farol
Apertando sempre o cerco,
Dominando este arrebol,
Esperança sem esterco.
4
Sete e meio, bacará
Outra vez perdido eu ganho
A verdade se fará
Onde o nada eu acompanho,
E procuro aqui ou lá
Desta sorte o seu tamanho,
E deveras voltará
A vitória e em vão me assanho
Apostando a própria vida
Já não tendo mais emenda,
A esperança ora perdida
Adentrando outra contenda.
Na rodada resumida
Outro não que a vida estenda.
5
Mas decerto eu continuo
Até que o fim se prepare
Neste sonho onde flutuo
Sem ter nada que repare
Solitário sem ter duo
Sem ter quem decerto ampare
Neste sonho que cultuo
Só meu fim ora escancare.
Tive em tempos mais diversos
As riquezas tão sutis,
Os meus olhos vão imersos
Procurando o quanto eu quis
E perdendo em tons dispersos
Já não sou sequer feliz.
6
Esta sina se mostrasse
A verdade nua a crua,
Quando a morte em desenlace
Tantas vezes vem à rua
Desdenhando o que repasse
E decerto assim cultua
Superando algum impasse
Quando a sorte em vão atua,
Outro peso outra medida,
Nas escadas o degrau,
Trama a sorte concebida
Num desejo sem igual,
Renascer na própria vida,
Neste estranho ritual.
7
Quando penso no futuro
Vejo as sombras do passado
Num caminho mais seguro
Desta vez já desgraçado
Outro tanto configuro
Com o anseio desenhado
Da esperança o céu escuro,
Vez em quando iluminado,
Nesta falsa fantasia
Nada mais a se fazer,
O que possa em garantia
É deveras, só saber
Desta vã dicotomia
Do ganhar e do perder.
8
Cabem tantas ilusões
Neste olhar que procurava
No caminho aonde expões
O que tanto provocava
Verdadeiras explosões
E vulcões traçando em lava
Incerteza em tais senões
A minha alma segue escrava,
Nos grilhões da jogatina,
Nada resta em minha vida,
O que tanto me domina
Deixa estrada vã perdida,
Ao secar inteira a mina,
Aguardando a despedida.
9
Da nobreza do passado
À miséria no amanhã
Meu caminho desenhado
Nesta sorte tão malsã
E se vejo algum recado
Esta vida se fez vã
Peito sendo escravizado
Na loucura deste afã,
Já não tendo mais sentido
O que resta para mim,
Na verdade dilapido
Aguardando então meu fim,
Sem caminho então regrido
Já nem sei por onde vim.
10
Na bravura de quem tenta
E consegue uma vitória
Nesta sorte que a tormenta
Torna sempre merencória
O meu passo se alimenta
Do vazio desta escória
E também tanto atormenta
Revivendo esta memória,
Onde o todo se percebe
Bem distante do que houvera,
A incerteza desta sebe
O sorriso desta fera,
O caminho onde concebe
A tocaia da quimera.
11
São seis horas e decerto
Belo sol tomando o céu,
Mas voltando ao meu deserto
Num cenário atroz, cruel,
Peito sempre estando aberto,
Esperança este corcel
Quando após vejo e desperto
Nego o passo em turvo véu,
E procuro a remissão
Noutro rumo e ainda possa
Tendo em minha direção
Um caminho além da fossa,
Quem dera a libertação
Onde o nada já me apossa.
12
Tomo um copo de conhaque
Bebo toda a insensatez
Onde usara terno ou fraque
O farrapo que ora vês,
Nova queda, último baque
Todo o sonho se desfez
Sem ter nada que inda saque
O que resta? A lucidez?
Decidido volto à rua
E procuro na calçada
A verdade nua e crua
Já não vejo disfarçada
A palavra que cultua
Traz a sorte desejada.
13
Quanto muito traz no fim,
O vazio em esperança
O meu passo diz que vim
Do caminho aonde avança
Acendendo este estopim,
Renascendo a confiança.
Esperança de outro dia
Na mudança de estação,
Eu enfim em paz teria
Com certeza a dimensão
Desta vida tão sombria
Em sublime direção.
14
Telefono; foi engano...
Já nem sei seque se existe
Tanto tempo muda o plano
Num cenário sempre triste.
Acumulo novo dano,
Porém alma agora insiste
E puído o velho pano,
Novo encanto ora persiste.
Se eu sou mesmo solitário,
Nada além de algum alento,
Sei do quanto é necessário
Renascer e quando eu tento,
Deste antigo itinerário,
Um completo alheamento.
15
Anoitece e a vida traz
Outra noite sem ninguém
Um caminho contumaz
Que decerto não contém
Nem sequer o que se faz
Noutro passo ou com desdém,
Onde enfim quisera a paz,
Só tempesta a vida tem,
Desafios vida afora
Só mais um? Nada prometa
Quem se fez e desancora
Noutro passo e se acometa,
E levanto sem demora,
Volto aos sonhos da roleta.
Nada sabe quem se esquece
Do caminho sem revolta
Onde a sorte recomece
Na verdade já se solta
Coração em clara prece
A verdade como escolta
O meu sonho em novo tece
Jogo feito sobre a mesa,
Tantas cartas e a roleta
Sem saber qualquer surpresa
Novo acerto ou já cometa
Outro engano e com certeza
Sorte em vão tanto prometa.
2
Muitas vezes o que trago
Como fosse um companheiro
E se vejo em claro afago
Perco todo o meu dinheiro,
Mas deveras eu me alago
Neste passo onde me inteiro
Um momento sempre vago,
Tantas cores no tinteiro,
Nesta sorte que se vendo
Nada mais se percebia,
Sobre o pano este remendo,
Noite cheia alma vazia,
Mas decerto agora estendo
Do prazer esta agonia.
3
Onde vejo o que talvez
Já não sabe de ninguém
Procurando a sensatez
A promessa sempre vem,
E depois do que se fez
Reconheço e muito bem
Minha clara estupidez
Um freguês feito em desdém,
Vez em quando vejo o sol
E sei tanto quanto perco,
Mas a vida sem farol
Apertando sempre o cerco,
Dominando este arrebol,
Esperança sem esterco.
4
Sete e meio, bacará
Outra vez perdido eu ganho
A verdade se fará
Onde o nada eu acompanho,
E procuro aqui ou lá
Desta sorte o seu tamanho,
E deveras voltará
A vitória e em vão me assanho
Apostando a própria vida
Já não tendo mais emenda,
A esperança ora perdida
Adentrando outra contenda.
Na rodada resumida
Outro não que a vida estenda.
5
Mas decerto eu continuo
Até que o fim se prepare
Neste sonho onde flutuo
Sem ter nada que repare
Solitário sem ter duo
Sem ter quem decerto ampare
Neste sonho que cultuo
Só meu fim ora escancare.
Tive em tempos mais diversos
As riquezas tão sutis,
Os meus olhos vão imersos
Procurando o quanto eu quis
E perdendo em tons dispersos
Já não sou sequer feliz.
6
Esta sina se mostrasse
A verdade nua a crua,
Quando a morte em desenlace
Tantas vezes vem à rua
Desdenhando o que repasse
E decerto assim cultua
Superando algum impasse
Quando a sorte em vão atua,
Outro peso outra medida,
Nas escadas o degrau,
Trama a sorte concebida
Num desejo sem igual,
Renascer na própria vida,
Neste estranho ritual.
7
Quando penso no futuro
Vejo as sombras do passado
Num caminho mais seguro
Desta vez já desgraçado
Outro tanto configuro
Com o anseio desenhado
Da esperança o céu escuro,
Vez em quando iluminado,
Nesta falsa fantasia
Nada mais a se fazer,
O que possa em garantia
É deveras, só saber
Desta vã dicotomia
Do ganhar e do perder.
8
Cabem tantas ilusões
Neste olhar que procurava
No caminho aonde expões
O que tanto provocava
Verdadeiras explosões
E vulcões traçando em lava
Incerteza em tais senões
A minha alma segue escrava,
Nos grilhões da jogatina,
Nada resta em minha vida,
O que tanto me domina
Deixa estrada vã perdida,
Ao secar inteira a mina,
Aguardando a despedida.
9
Da nobreza do passado
À miséria no amanhã
Meu caminho desenhado
Nesta sorte tão malsã
E se vejo algum recado
Esta vida se fez vã
Peito sendo escravizado
Na loucura deste afã,
Já não tendo mais sentido
O que resta para mim,
Na verdade dilapido
Aguardando então meu fim,
Sem caminho então regrido
Já nem sei por onde vim.
10
Na bravura de quem tenta
E consegue uma vitória
Nesta sorte que a tormenta
Torna sempre merencória
O meu passo se alimenta
Do vazio desta escória
E também tanto atormenta
Revivendo esta memória,
Onde o todo se percebe
Bem distante do que houvera,
A incerteza desta sebe
O sorriso desta fera,
O caminho onde concebe
A tocaia da quimera.
11
São seis horas e decerto
Belo sol tomando o céu,
Mas voltando ao meu deserto
Num cenário atroz, cruel,
Peito sempre estando aberto,
Esperança este corcel
Quando após vejo e desperto
Nego o passo em turvo véu,
E procuro a remissão
Noutro rumo e ainda possa
Tendo em minha direção
Um caminho além da fossa,
Quem dera a libertação
Onde o nada já me apossa.
12
Tomo um copo de conhaque
Bebo toda a insensatez
Onde usara terno ou fraque
O farrapo que ora vês,
Nova queda, último baque
Todo o sonho se desfez
Sem ter nada que inda saque
O que resta? A lucidez?
Decidido volto à rua
E procuro na calçada
A verdade nua e crua
Já não vejo disfarçada
A palavra que cultua
Traz a sorte desejada.
13
Quanto muito traz no fim,
O vazio em esperança
O meu passo diz que vim
Do caminho aonde avança
Acendendo este estopim,
Renascendo a confiança.
Esperança de outro dia
Na mudança de estação,
Eu enfim em paz teria
Com certeza a dimensão
Desta vida tão sombria
Em sublime direção.
14
Telefono; foi engano...
Já nem sei seque se existe
Tanto tempo muda o plano
Num cenário sempre triste.
Acumulo novo dano,
Porém alma agora insiste
E puído o velho pano,
Novo encanto ora persiste.
Se eu sou mesmo solitário,
Nada além de algum alento,
Sei do quanto é necessário
Renascer e quando eu tento,
Deste antigo itinerário,
Um completo alheamento.
15
Anoitece e a vida traz
Outra noite sem ninguém
Um caminho contumaz
Que decerto não contém
Nem sequer o que se faz
Noutro passo ou com desdém,
Onde enfim quisera a paz,
Só tempesta a vida tem,
Desafios vida afora
Só mais um? Nada prometa
Quem se fez e desancora
Noutro passo e se acometa,
E levanto sem demora,
Volto aos sonhos da roleta.
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