quinta-feira, 30 de junho de 2011

81

Ainda quando vens em noite imensa
Trazer esta esperança a cada olhar,
O todo que pudera desvendar
No tanto que se quer mais cedo vença
As dores e temores de quem pensa
No todo quando pude imaginar
Vestígios de uma vida a se moldar,
Tentando na alegria a recompensa,
Gerasse outro momento aonde pude
Viver a minha dita em plenitude
Sem medo do que venha ou mesmo até,
Singrando este oceano sem temer
O quanto possa tanto me reter,
Variação enorme da maré.

82

Noctâmbulo fantoche na procura
De quem possa trazer algum alento
Enquanto na verdade o pensamento
Expressa além de toda esta amargura,
O verso na verdade me assegura
E traz o quanto possa em claro intento
Vestindo com brandura o pensamento,
Gerar ao fim de tudo uma candura,
Não sei se na verdade ocorrerá
O que desejo e sinto qual maná
Embora na verdade nada reste
Senão a mesma dor que inda carrego,
A vida se transforma e num nó cego,
O tanto que se quer, em vão reveste.

83

Não quero nem saber do medo quando
Mergulho nos anseios deste amor,
Que possa ser deveras redentor,
Ou mesmo noutro instante desabando,
A luta se produz propiciando
Um rumo com ternura e sem rancor
Restando dentro da alma o teu calor
E nisto o meu tormento se faz brando,
Restauro o mesmo quadro quando havia
Nos olhos do poeta a fantasia,
Que o tempo pouco a pouco dilacera,
A sorte se transforma num repente,
E todo este carinho que se sente,
Apaziguasse a vida, amarga fera.

84

Não quero acreditar no tão volúvel
Momento que se faz em tempestade,
Nem mesmo quando a vida se degrade
Gerando algum problema ora insolúvel,

Resplandecente luz neste horizonte
Programa a solução que tanto busco,
Ainda que se veja em lusco fusco
No fim a claridade nos aponte,

Em réstias o caminho se compõe
E vejo noutro fato a dimensão
Do amor que nos causasse a sensação
Na qual toda a alegria a luta expõe,

Repare cada anseio e veja bem
O quanto da emoção amor contém.

85

Nas tantas ironias desta vida,
A sorte mais audaz não pude ter,
E quando noutro tom a merecer
Paisagem que buscara, desprovida,
Ainda quando o passo ora divida
A tétrica vontade do saber
Negando cada dia o amanhecer
Gerando novamente outra ferida,
Ainda que se pense num momento
O quanto possa em nós e eu alimento
Com toda a glória feita na esperança
Buscasse pelo menos um instante
Saber do quanto o mundo me garante
E nisto o meu cenário em paz avança.

86

Inverna dentro da alma o dia a dia
Gerando em tantos erros outro além
E sei que na verdade o que contém
Expressa o quanto possa e não queria,
A luta se desenha e na agonia
O risco se demonstra e sigo aquém
Do quanto deveria e se também
O mundo noutra face moldaria,
Girando contra o todo noutro caos,
O passo derramando em dias maus
Os ermos de minha alma solitária,
Vestígios do que fora solução
Esparramados vejo pelo chão,
E sei desta loucura imensa e vária.

87

Não sei do meu momento mais feliz,
E sigo contra tudo o que pudesse
Marcando este cenário em rara messe,
Vivendo da maneira que mais quis,
O tempo se resulta em cicatriz
E nada mais ao todo se oferece
Senão este vazio que ora esquece
De um céu amargurado, duro e gris,
O peso de uma vida me envergando
O tanto que pudesse desde quando
O canto noutro espaço se perdesse,
Marcando o que virá sem precisão
Os dias com certeza moldarão
Bem mais do que em verdade eu merecesse.

88

Não quero acreditar no que perdi,
Um ermo caminheiro sem descanso
Apenas o vazio quando alcanço
Trazendo neste instante o que há em ti,
Cadenciando o quanto percebi
Nos ermos de um momento aonde avanço
Ou mesmo quando apenas sinto o ranço
Do amor que não soubera em frenesi.
Alhures emoções tão costumeiras
Apresentando espinhos sem roseiras
E a morte como fosse uma bandeira,
Não posso mais lutar, tanto cansaço,
E quando no final o rumo eu traço,
Minha alma da esperança, garimpeira.

89

Passando a minha vida, agora a limpo,
Tramasse qualquer sorte mais diversa,
Porém o tanto quanto desconversa
Expressa a turbulência de um garimpo.

E sei do descaminho aonde adentro
E vago na dispersa consciência
E possa parecer clarividência
Enquanto no não ser eu me concentro.

Arrebentando portas e janelas
Ainda sem saber o que me trazes
A vida se presume em tantas fases
E nelas o que fazes; já revelas.

E embora tantas vezes nos machuque
Ao tolo parecesse mero truque.

90

Nas tantas ilusões que o mundo trama
A sorte não pudesse ser diversa
E sei do quanto a vida sempre versa
Ousando acreditar na frágil chama
O peso de uma luta noutro drama,
Encontra o que deveras desconversa,
E gera a solidão bem mais perversa,
Enquanto o verso gira e nada exclama,
Apresentando apenas o que um dia
Gerasse novamente uma utopia
Ou mesmo outro cenário em falsos tons,
Amar e relegar ao descaminho
E preferir estar sempre sozinho,
Sem beijos, sem carinho e sem batons...
71

Não deixe que este mundo te devore
Nem mesmo noutro passo mais audaz,
A vida da maneira que ela traz
Também por outro lado não escore
Ao tempo mais sublime comemore
E tenta acreditar no quanto faz
A sorte que se mostre contumaz
E nisto noutro instante nos açore.
Na movediça parte que nos cabe
Ainda que deveras já desabe
Castelo de ilusão mantendo vivo
O quanto poderia e nunca veio,
Aumenta simplesmente o meu receio
Sem mesmo permitir um lenitivo.


72

Já não mais caberia a quem prometa
O tempo que não trace senão isto,
Enquanto em rudimento não insisto
Presenciando a sorte de um cometa
Voltando e quando a vida me arremeta
No tanto quanto possa e até persisto,
Gerando com ternura o já previsto
Cenário aonde o sonho me acometa.
Não sei se poderia acreditar
Ou seja um mero raio de luar
Imensidão da noite em pensamento,
Vagando em constelares emoções
O tanto quanto possa e tu me expões
Trouxesse ao fim de tudo algum alento.


73

Havia na esperança qualquer brilho
Que o tempo com certeza não calasse,
Gerando na verdade algum impasse
Tramando o que pudera e agora trilho,
Ainda que se faça um andarilho,
O luto noutro tom não mais embace
O rumo que deveras se mostrasse
No prazo aonde o sonho ora palmilho,
O preço da esperança é muito caro,
O tanto quanto possa em desamparo
Não mais sustentaria o sonhador,
Nos madrigais e enredos, meus saraus,
Os cantos mais tristonhos, urutaus,
E o fim do pudesse ser amor...

74

Não peço e não tentara de tal forma
Singrar outro caminho senão este,
E quando no final tudo reveste
A sorte sem sentido algum deforma,
A luta noutro tom já não se informa
E o tempo mesmo quando percebeste
Anunciando o fim que concedeste
Gerando a imensidão em rara norma,
Acrescentando o passo ao que viria
Bebendo da mais clara fantasia,
Presença delicada deste amor
Que possa traduzir felicidade
Embora noutro tom sinta a verdade
Como se fosse um brilho redentor.

75

O amor se anunciando como eu quis
Trazendo esta beleza imensurável
Que tanto faz a vida desejável
E deixa o coração bem mais feliz,
Mineiro coração, este aprendiz,
Que busca com certeza o mais amável
Caminho que se fez ora encontrável
No Bosque dos divinos Buritis,
Saber do quanto possa a cada instante
Viver o que deveras me agigante
Deixando para trás a velha insânia,
E tendo no horizonte esta beleza,
Agora que minha alma sem surpresa
Inunda-se de ti, nobre Goiânia...

76


Jamais se perderia algum momento
Meus olhos na procura deste encanto
Vestindo esta ilusão que sem quebranto
Transforma-se no quanto em paz me alento,
Vagando sem sentir o sofrimento
Rumando ao mesmo tempo em claro manto,
E sei do que em verdade não me espanto,
Trazendo em minha voz, a voz do vento,
Há muito o que aprender, e disto eu sei,
A vida se reflete em cada grei
Diversa do que tanto poderia,
Expressas emoção, e disto eu vivo,
Num ser quase feliz, contemplativo,
Refém desta esperança em lenitivo.


77

Apenas mais um sonho que se fora,
Durante tanto tempo sem saber
O quanto poderia ter prazer,
Uma alma tantas vezes sonhadora,
Mergulho no passado e a redentora
Vontade me trazendo o bem querer
De tanto que tentasse amanhecer
Gerando nova sorte, promissora.
O rumo se adianta e vejo bem,
O tanto que se queira e que convém
Ao velho sonhador, louco poeta,
Apresentando a voz em tom suave,
Quisera neste instante ser uma ave
E nisto a minha sorte se completa.

78

Lavando os olhos tristes de saudades
Nos ermos mais doridos que inda pude
Trazer sem merecer uma atitude
Que molde o quanto tento e já me invades,
Não vejo outro momento e as qualidades
Tramando o que se faz em amplitude
E nada se programa além do rude
Cenário que decerto tu degrades.
Não quero mais palavras nem as frases
Que tanto com terror ora me trazes
Falando de momentos que não tive,
Ainda que pudesse ser além
Do todo quando a vida ainda vem
Ou noutro tom apenas já me esquive.

79

Ocasos entre turvas paisagens,
Momentos mais diversos, versos sonho,
E quando noutro tempo enfim proponho
Viver além das vagas, vãs miragens,
E quando no final estas bagagens
Que possa traduzir num tom medonho,
O que inda me restara em enfadonho
Caminho transformasse em vãs visagens.
Perfaço o meu caminho e quando vejo,
O tempo noutro tanto claro ensejo
Expresso uma ilusão, e tão somente,
Ainda que se sinta de tal forma
O rumo noutro tom já se transforma
E a vida sem saber nada apresente.

80

Num dia mais feliz após os sonhos
Perdidos entre trevas e temores
Aonde quer e sei que não te opores
Vivesse meus caminhos mais risonhos,
Os olhos procurando entre bisonhos
Cenários os que possam noutras cores
Moldarem outros tantos, redentores,
Negando os mais doridos e medonhos.
Acrescentando ao canto uma emoção
Que faça deste instante a dimensão
De um mundo que pudera gigantesco,
Não posso acreditar em nova queda,
E sei do quanto a vida se envereda
Matando este espetáculo dantesco.
61

Anseios traduzissem o meu mundo
Diverso do que tanto acreditara
Sabendo da sangria, se prepara,
E bebe do que busco e me aprofundo,
Não tento acreditar nem um segundo
Nas sortes mais diversas da seara
Que agora noutro tom já me escancara
E trama este não ser onde me inundo.
À deriva seguindo meu caminho
Sem nada que transcorra com carinho,
Apenas sordidez e nada mais,
O ventre da esperança nada gere
O sonho na verdade se interfere
Expressa tão somente outro jamais.


62

Quisera acrescentar mais uma frase
Ao tanto que se fez ilusionário,
O verso segue noutro itinerário
E o tempo sem sentido sempre atrase,
E nada do que possa mais defase
Senão esta impressão que o solitário
Traduz tentando um toque solidário
De quem a cada instante nada embase.
O vento em mais diversa direção
O norte se perdera desde então
Marcando com terror e sofrimento
O prazo se extinguira, mas no fundo,
O temporal no qual agora inundo
Reflete o que deveras sempre tento.

63

Esperaria apenas o que versa
Nas tramas mais audazes e ferinas,
Enquanto noutro tom tu te alucinas
A vida encerrando esta conversa,
A luta mesmo quando mais dispersa,
Ao menos sem sentido me azucrinas
E bebo destas fontes cristalinas
Aonde o meu caminho desconversa,
Arcando com enganos do passado,
O tempo se mostrara embolorado
E o vento noutro rumo me levasse
A senda que procuro não existe,
E sei do coração deveras triste,
E nele a solução traduz o impasse.

64

No amor que me entregara sem defesas
Na luta quando o tempo se redime
E o medo quantas vezes dita o crime
E destas ilusões somente presas,
As tramas são decerto nas torpezas
Apenas o que tanto o sonho exprime
Deixando no passado o tom sublime
E segue com vigor tais correntezas,
As sofridas manhãs, os dias rudes,
E tanto sem sentido desiludes
Quem possa acreditar noutro momento,
Assim que meu cenário se desfaça
As barricadas vejo em plena praça
E o tempo mais feliz, ainda invento.


65

Olhando de soslaio vejo a queda
Do todo que se fez além do medo,
E sinto quantas vezes me concedo
Vivendo sem saber o quanto enreda
A vida noutro tom e nada seda
O velho coração já sem segredo,
Matando em desalento e em passo ledo,
A crença do que possa e se depreda.
Acolho os meus enganos, são fatais,
E neles- outros tantos – demonstrais,
Reflexos de uma vida sem proveito,
E quando me anuncias o final,
A morte se transcorre, é natural,
E sinto que afinal, tal sorte, aceito.

66

Repare cada instante e veja bem
O quanto poderia ser miragem
E beba do que possa nesta aragem
Além do quanto tenha e nos convém,
O mundo se entranhando perde o trem,
Deixando no caminho esta bagagem,
E o medo se transforma em tal viagem,
Cabendo tão somente o que não vem,
Alentos? Na verdade são mentiras,
E disto com certeza tu retiras
As tramas mais ferinas e vulgares,
Ainda que deveras mal notares
O fim se expressaria de tal forma
Que mesmo a solidão não se conforma.

67

Tramasse contra tudo e contra todos,
Vencendo ou mesmo até sem ter sucesso,
Ainda quando possa e te confesso,
Os dias entranhassem tantos lodos,

Os sonhos com ternura e com denodos,
O peso de um momento onde o progresso
Traçasse o que pudera e não expresso
Além dos meus diversos vãos engodos.

Acolho cada farsa como fosse
A solução de um tempo que agridoce
Expressa a realidade mais aguda,

E após tempestuosa noite em vão,
O tempo não traria esta emoção
Nem mesmo uma verdade que me acuda.

68

Usando da palavra como uma arma
Não tenho a dimensão do que isto traz
Somente a mesma angústia quando audaz
Expressaria além do velho carma,

O peso de uma vida nos desarma,
O conto noutro instante tanto faz,
E sei do que pudera ser tenaz
E nisto nada mais enfim me alarma,

Senão a sensação do que viria
Após a mais diversa rebeldia
Do velho coração vivo em motim,

Servindo com ternura o que pudesse
Traçando muito além da mera prece
O amor que inda acalento dentro em mim.


69

Arcando com meus dias mais suaves
E neles outros tantos mergulhasse
Meu canto que vencendo algum impasse
Trouxesse a liberdade em raras aves,
Vivenciando o todo sem entraves,
A luta não pudesse e não tentasse
Apenas o que veja e que se trace
Restando a liberdade em raras naves.
Ousasse acreditar nalgum futuro
E mesmo quando enfim eu me asseguro
Do todo que trouxeste em remissão,
Meus dias nos teus dias se aprofundam
Os olhos lagrimando ora se inundam
Mostrando toda a força da emoção.

70

Invades com teus risos o caminho
De quem se fez deveras tão sozinho
Lutando contra a fúria das marés
E sei que verdade por quem és
Já não comportaria mais espinho
Tampouco este cenário tão daninho
Sabendo e acreditando sem galés
O mundo que inda vejo de viés,
Presumo outro cenário que imponente
Expresse o quanto a gente tente e sente
Vestindo esta emoção sem paralelo,
O quanto deste amor se fez mais belo,
Agora noutro passo se apresente,
Enquanto o meu anseio eu te revelo.
61

Anseios traduzissem o meu mundo
Diverso do que tanto acreditara
Sabendo da sangria, se prepara,
E bebe do que busco e me aprofundo,
Não tento acreditar nem um segundo
Nas sortes mais diversas da seara
Que agora noutro tom já me escancara
E trama este não ser onde me inundo.
À deriva seguindo meu caminho
Sem nada que transcorra com carinho,
Apenas sordidez e nada mais,
O ventre da esperança nada gere
O sonho na verdade se interfere
Expressa tão somente outro jamais.


62

Quisera acrescentar mais uma frase
Ao tanto que se fez ilusionário,
O verso segue noutro itinerário
E o tempo sem sentido sempre atrase,
E nada do que possa mais defase
Senão esta impressão que o solitário
Traduz tentando um toque solidário
De quem a cada instante nada embase.
O vento em mais diversa direção
O norte se perdera desde então
Marcando com terror e sofrimento
O prazo se extinguira, mas no fundo,
O temporal no qual agora inundo
Reflete o que deveras sempre tento.

63

Esperaria apenas o que versa
Nas tramas mais audazes e ferinas,
Enquanto noutro tom tu te alucinas
A vida encerrando esta conversa,
A luta mesmo quando mais dispersa,
Ao menos sem sentido me azucrinas
E bebo destas fontes cristalinas
Aonde o meu caminho desconversa,
Arcando com enganos do passado,
O tempo se mostrara embolorado
E o vento noutro rumo me levasse
A senda que procuro não existe,
E sei do coração deveras triste,
E nele a solução traduz o impasse.

64

No amor que me entregara sem defesas
Na luta quando o tempo se redime
E o medo quantas vezes dita o crime
E destas ilusões somente presas,
As tramas são decerto nas torpezas
Apenas o que tanto o sonho exprime
Deixando no passado o tom sublime
E segue com vigor tais correntezas,
As sofridas manhãs, os dias rudes,
E tanto sem sentido desiludes
Quem possa acreditar noutro momento,
Assim que meu cenário se desfaça
As barricadas vejo em plena praça
E o tempo mais feliz, ainda invento.


65

Olhando de soslaio vejo a queda
Do todo que se fez além do medo,
E sinto quantas vezes me concedo
Vivendo sem saber o quanto enreda
A vida noutro tom e nada seda
O velho coração já sem segredo,
Matando em desalento e em passo ledo,
A crença do que possa e se depreda.
Acolho os meus enganos, são fatais,
E neles- outros tantos – demonstrais,
Reflexos de uma vida sem proveito,
E quando me anuncias o final,
A morte se transcorre, é natural,
E sinto que afinal, tal sorte, aceito.

66

Repare cada instante e veja bem
O quanto poderia ser miragem
E beba do que possa nesta aragem
Além do quanto tenha e nos convém,
O mundo se entranhando perde o trem,
Deixando no caminho esta bagagem,
E o medo se transforma em tal viagem,
Cabendo tão somente o que não vem,
Alentos? Na verdade são mentiras,
E disto com certeza tu retiras
As tramas mais ferinas e vulgares,
Ainda que deveras mal notares
O fim se expressaria de tal forma
Que mesmo a solidão não se conforma.

67

Tramasse contra tudo e contra todos,
Vencendo ou mesmo até sem ter sucesso,
Ainda quando possa e te confesso,
Os dias entranhassem tantos lodos,

Os sonhos com ternura e com denodos,
O peso de um momento onde o progresso
Traçasse o que pudera e não expresso
Além dos meus diversos vãos engodos.

Acolho cada farsa como fosse
A solução de um tempo que agridoce
Expressa a realidade mais aguda,

E após tempestuosa noite em vão,
O tempo não traria esta emoção
Nem mesmo uma verdade que me acuda.

68

Usando da palavra como uma arma
Não tenho a dimensão do que isto traz
Somente a mesma angústia quando audaz
Expressaria além do velho carma,

O peso de uma vida nos desarma,
O conto noutro instante tanto faz,
E sei do que pudera ser tenaz
E nisto nada mais enfim me alarma,

Senão a sensação do que viria
Após a mais diversa rebeldia
Do velho coração vivo em motim,

Servindo com ternura o que pudesse
Traçando muito além da mera prece
O amor que inda acalento dentro em mim.


69

Arcando com meus dias mais suaves
E neles outros tantos mergulhasse
Meu canto que vencendo algum impasse
Trouxesse a liberdade em raras aves,
Vivenciando o todo sem entraves,
A luta não pudesse e não tentasse
Apenas o que veja e que se trace
Restando a liberdade em raras naves.
Ousasse acreditar nalgum futuro
E mesmo quando enfim eu me asseguro
Do todo que trouxeste em remissão,
Meus dias nos teus dias se aprofundam
Os olhos lagrimando ora se inundam
Mostrando toda a força da emoção.

70

Invades com teus risos o caminho
De quem se fez deveras tão sozinho
Lutando contra a fúria das marés
E sei que verdade por quem és
Já não comportaria mais espinho
Tampouco este cenário tão daninho
Sabendo e acreditando sem galés
O mundo que inda vejo de viés,
Presumo outro cenário que imponente
Expresse o quanto a gente tente e sente
Vestindo esta emoção sem paralelo,
O quanto deste amor se fez mais belo,
Agora noutro passo se apresente,
Enquanto o meu anseio eu te revelo.
30/06/2011


Minha querida, a alegria
Traça rumos tão diversos
E se possa noutros versos
Ver o quanto mais queria
Vejo a sorte dia a dia
E nos ermos mais dispersos
Procurando ora universos
Entremeio em fantasia,
Nada pude contra a sorte
Que talvez mesmo comporte
O que a luta se desenha,
Traduzindo este cenário
Onde tomo o temerário
Caminhar que nos convenha.
51

Nas tantas e diversas ilusões
E os dias sempre foram mais sutis,
Enquanto na verdade sendo hostis
Os olhos onde os erros tu me compões,
Não quero e nem pudera em soluções
Diversas deste amor que tanto quis,
Vibrando com ternura por um triz
E nisto sigo além das emoções,
Os cantos entre encantos e temores
Seguindo sem sentido aonde fores
Vencendo os desencantos mais atrozes,
No fim de cada passo novo enredo
E sei do quanto possa e me concedo
Ousando perpetrar diversas fozes.

52

Apresentando sempre a mesma face,
Jamais imaginasse o desconforto
Da vida que gerasse novo aborto
Enquanto no final nada traçasse
Senão esta vergonha em desenlace
Marcando o meu caminho, ledo porto,
E sei do que pudera e semimorto
O rumo tantas vezes se mostrasse,
Agora apresentando o fim do jogo,
Encontro como fosse o Botafogo,
Uma esperança além da realidade,
Mas tanto faz a sorte que viria,
A luta se transcende em poesia
E busco no final, a liberdade.

53

Mineiro, capixaba e carioca,
O coração não sabe mais quem é,
Só sei que na verdade trago em fé,
O quanto esta emoção já me provoca,
Não vou ficar apenas nesta toca,
Nem mesmo de tocaia, pois até
A sorte se desenha do sapé
Ao mais sublime prédio e se desloca.
No fim apenas sinto o verdadeiro
Sentido do que seja brasileiro,
Eterno sonhador, ou quando após
Atemporal cenário que é mutante,
Ouvindo o quanto possa e não garante,
Desaguamos na mesma bela foz.

54
Apresentando o sonho aonde um dia
A luta desvendasse qualquer fato,
O sonho tão somente ora constato
Vibrando com certeza em harmonia,
Meu canto se reflete onde teria
O mais sublime instante e se retrato
O corte aprofundando ora resgato
A mesma senda em paz ou agonia,
Não mais perseverasse nem tentara
Vencer a solidão que é tão amara
Ousando acreditar no que não venha,
A luta se refaz, mas na verdade,
O mundo desnudando a realidade
Escala em mansidão a imensa penha.

55

Nos vórtices que tanto se apresentam
Após os meus enganos costumeiros,
Encontro a solidão dos derradeiros
Cenário onde os olhos não mais tentam
Vencer os que deveras desalentam
Os dias entre rudes espinheiros,
No fundo meus amores vão ligeiros
E as quedas sempre ao fim tanto atormentam.
Não teimo contra a fúria nem pudera
Saber do que em verdade traz nesta era
O sonho mais feliz de um mero anseio,
Soneteando a vida de tal forma
O quanto na verdade se transforma
Expressa a solidão que enfim receio.

56

Não quis nem poderia ousar no sonho
Que trague além do verso mais audaz
A fonte que deveras satisfaz
O rumo aonde o canto sempre ponho,
E sei quando em verdade recomponho
O preço a se pagar seja tenaz
E o manto desvendando o que se faz
Repare no final tão enfadonho,
O verso sendo lúdico ou deveras
Vivendo o turbilhão das novas eras
Permite que se tente alguma luz,
Não sou tempestuoso nem tampouco
Gritasse pelas ruas feito um louco,
O amor, somente amor, pois me conduz.

57

Não mais procuro crer no mais perfeito
Soneto nem num verso redentor,
Somente um velho e rude trovador
Encontro na emoção tudo que aceito,
Ainda que deveras quando deito,
Enfrente tantas vezes dissabor,
O manto da esperança a se compor,
Permite que este sonho seja o pleito,
Não quero, já cansado, outro cenário,
Meu passo muitas vezes solitário,
Já não encontraria este horizonte,
Espero que quem venha no futuro,
Supere este momento que, asseguro,
No fundo, tantas vezes desaponte.


58

Carpindo sobre o corpo da ilusão,
Já nada mais restasse ao trovador
Senão a mesma face interior
Que agora ponteasse um violão,
Tramando sertanejo coração
Qual fosse na verdade a bela flor
Vestígio do que possa um grande amor
Neste formato mesmo de oração,
O vento assobiando uma cantiga
Que traga no meu peito a mais antiga
Versão do grande sonho de Catulo,
O preço a se pagar pelo progresso,
Talvez eu não suporte; e ora confesso,
Transcende ao quanto sinto e mesmo emulo.

59

Nesta incerteza vago sem saber
O quanto inda viria após a queda
Das tramas onde o tempo sempre veda
Gerando o que pudesse o desprazer,
Não quero no caminho padecer
Tampouco se resume e se envereda
Ousando acreditar no quanto seda
A sólida expressão a fenecer.
Tecendo tão somente uma esperança
Não possa acreditar onde se lança
A vida em avidez ou mesmo em tédio,
Ao menos quero o sonho mais feliz
Vivendo o que deveras sempre quis,
E tendo a fantasia por remédio.

60

Opacificas tanto os descaminhos
E neles não permites novo rumo,
Ainda que pudesse eu não resumo,
Sabendo quantos dias são mesquinhos,
Os olhos procurando pelos ninhos,
O canto se perdera sem seu sumo,
E o tempo noutro tom quando me esfumo
Eclode em dias rudes e daninhos.
Não quero ter nas mãos outro momento,
Somente o que deveras hoje aguento
E bebo em solidão, sem sordidez,
Não mais anunciasse o fim de tudo,
E mesmo quando agora desiludo,
O amor inevitável; se refez.
Seguindo o carrossel que a vida trama
A cada engodo vejo outro final
Cerzindo dentro da alma o lamaçal
E nisto se resume medo e drama,
Ainda quando a luta nos reclama
No prelo esta emoção quase banal,
O vértice traduz o desigual
Caminho que deveras não se clama,
O pendular momento em dor e riso,
O tanto que se queira e se matizo
Não faço de minha alma alguma escora,
A queda se aproxima e sei do quanto
Apenas noutro enredo desencanto
O tempo quando a vida se demora.

42

Um cidadão somente e nada mais
Acrescentando o sonho, eis desnudo,
O passo noutro instante quando o mudo
Expressa o que deveras demonstrais,
Os olhos entre tantos desiguais,
Os cantos, preferia estar já mudo,
E sei do meu anseio tartamudo
Marcando com verdades tão banais.
Ousasse acreditar numa igualdade
E sinto que deveras já se evade
Dos olhos o horizonte que não veio,
Recolho meus pedaços e vagando
Nos ermos deste tempo mais infando,
Tramando muito além de algum receio.

43

Reparo cada farsa que se faz
E nisto o que pudera ser além
Do manto quando a sorte sempre vem
Gerando o quanto pude ser mordaz,
O tempo noutro instante contumaz,
A luta sem saber do manso bem
E nisto o quanto sinto traz e tem
A sorte que deveras nada traz,
O verso sem enredo, o medo e o tempo,
Se eu sou em tua vida passatempo,
Aguento esta verdade, mas prossigo,
E tento pelo menos salvação
Ousando noutros dias que virão
Tentando finalmente algum abrigo.

44

Não quero nem saber do que fizeste
Tampouco se me resta alguma luz
Ao nada cada passo me conduz
Gerando este momento em medo e peste,
O vento sem sentido que se geste
Na tétrica ilusão, o amor faz jus
Ao vento que deveras reproduz
O medo pelo qual a vida empeste.
O sonho sem sentido e sem razão
A vida noutro tom e dimensão
Apenas apresenta o sortilégio
De ser o que deveras mais me fira,
Embora se perceba nesta mira
O olhar que traduzisse sacrilégio.

45

Espero qualquer dia que não veio,
Espreito esta alegria, mas cadê?
O mundo na verdade sem por que
Exprime tão somente este receio,
O passo num sentido quase alheio
A sensação do quanto não se vê
E a melodia ousando onde se crê
Na velha tempestade sem recreio.
O carma, o tempo, o rumo, o vento frio,
Aonde poderia e me esvazio
Dos erros que carrego em alma atroz,
No fundo esta verdade me consola,
E a sensação do medo aperta a gola,
Deixando o coração quase sem voz.

46

Recebo nos ensejos mais diversos
As tramas que deveras tu fizeste,
E o tanto que pudera noutro teste
Adentra esta emoção em raros versos,
Não quero acreditar nos tão dispersos
Caminhos que me levem ao agreste
Cenário enquanto o todo já se empreste
Ao turbilhão dos sonhos tão submersos.
E tento acreditar no ser possível
Viver o mundo além e mesmo incrível
Galgando uma esperança mais sutil,
O tempo se desvenda a cada instante
E o mundo noutro rumo se garante
Marcando o quanto o coração previu.

47

Seria apenas turbilhão e medo
Não quero acreditar no que não venha
E quando a vida seja mais ferrenha
Louvando esta emoção que ora concedo,
O passo noutro caminhar procedo
E acendo da esperança a rude lenha,
Vestígios do que tanto me detenha
Ou mesmo deste sonho amargo e ledo.
Repare os meus temores, comuns, sei.
O tempo denegrindo qualquer lei
Encontra a resistência na equidade,
O pensamento ronda cada farsa
E mesmo quando a sorte mal disfarça
Procura no final, a liberdade.

48

Embora te pareça uma mentira
O todo se desvenda num segundo,
E o beijo mais audaz, onde aprofundo,
O sonho que refaz o que eu prefira,
Não meço mais a vida tira a tira
Nem tento este cenário vagabundo,
Meu tempo de outro instante ora oriundo,
Estende para além a velha pira.
Suspiro quando vejo o teu olhar
Noutro caminho e mesmo no horizonte
Ainda que deveras já desponte
Vontade sem igual de tanto amar,
Não peço mais licença e adentro a casa,
Viagem rumo ao todo, agora atrasa.

49

Não mais se permitisse novamente
As normas de uma sorte sem pavio,
E tanto quanto possa ser sombrio,
O verso noutro tom tudo desmente,
O manto mais audaz resplandecente
A luta sem saber do desafio,
E sigo margeando o velho rio,
Buscando no final, o que contente.
Mas nada se apresenta e mesmo assim,
Realço cada passo e chego ao fim,
Ultrapassando matas arredias,
E sei das minhas lutas desde quando
O tempo noutro instante se nublando
Negasse o que deveras me dizias.

50

Não quero ser apenas um bufão
Nem mesmo em tuas mãos, mero brinquedo,
E quando de tal forma, assim procedo,
Protejo o dolorido coração,
Vivendo o quanto possa em tal senão,
Ainda que pudesse em teu segredo
Vibrar a sintonia deste enredo
A sorte traduzisse uma emoção,
Não quero e nem pudera ser aquém
Do tanto que se espalha e me convém,
Convenço-me do fato e me apresento,
Um mero sonhador já tão cansado,
Do tempo noutro instante anunciado,
Jogado sem sentido ao forte vento...
31

Meu canto se espalhasse além do quanto
Pudera imaginar ou mesmo até
Tentando acreditar e tendo fé
No mundo noutro instante que o garanto,
O verso se resume no que canto
Vestindo esta ilusão e por quem é
A sorte se fizera sem galé
Sem medo e sem temor, sem desencanto.
Mas quando me aproximo e vejo enfim
Apenas novamente algum engodo
E o prazo determina o imenso lodo
Que a vida em avidez cerziu em mim,
O sonho se expressara no vazio
E o tempo noutro ocaso, ora desfio...

32

Não mais se imaginasse qualquer ato
E nem sendo diverso do que fora,
Esta alma tantas vezes sonhadora
Expressa o que deveras mal constato,
Bebendo a solidão, tanto maltrato,
Quem sabe noutra senda, a redentora,
Vestindo esta ilusão uma escritora,
Minha alma dita o quanto ora retrato.
Não sou senão lacaio dos seus passos,
E tendo no papel trazer os traços
Que elaborados foram pelo sonho,
Nas minhas agonias e sorrisos,
Os dias noutros erros mais concisos,
Eu sei que nada faço e nem componho.

33

Não conseguindo mais conter os dedos
Em cima do teclado, são libertos,
E quando apresentassem meus desertos
Incertos caminhares tantos ledos,
Os dias refletindo desenredos,
Os olhos procurando sempre abertos,
Por mais que imaginassem mais despertos,
Os tempos trazem mesmo seus segredos.
Os cantos que inda ouvira ao ser criança
A luta sem saber aonde alcança
A rota já perdida no passado,
E o medo do que venha e nos devaste
A velha solidão, de um rude traste,
E o verso noutro tom elaborado.

34

Apresentando sempre alguma forma
De relegar o quanto inda pudesse
À dimensão suave de uma prece,
Que o próprio caminhar tanto deforma,
Espero desvendar o que transforma
A luta noutro tom e não se esquece
Do rígido cenário que merece
Viver a solidão quando se informa,
Meu peso sobre o tempo e sobre o nada
A farsa que eu quisera desvendada,
A mansidão jamais se fez presente,
No quanto em tom diverso o verso avança
Pudesse reviver, mera lembrança,
O tanto que pudera e se apresente.

35

Não mais a vida traz outro momento
E sei do que em verdade não se fez
O mundo numa torpe insensatez
E o beijo não servindo mais de alento,
E quando uma expressão em paz eu tento
O todo no vazio se desfez,
O rumo sem sentido ou lucidez,
E o peso pende quando aumenta o vento.
Nos íngremes caminhos desta senda,
A morte noutro passo se desvenda
Contendas tão sutis, desejo e queda,
Após o mergulhar neste cenário,
O corte tantas vezes temerário
Apenas no final a sorte veda.

36

Um dia nos teus braços, poderia,
Viver o quanto amor nos ensinara,
Vestindo a lua imensa, bela e clara,
Trajando uma esperança de outro dia,
Sentindo o bafejar em harmonia
Deixando para trás qualquer amara
Vontade que em verdade desprepara
E o tempo noutra face mais sombria,
Teu corpo que desnudo mansamente,
Agora num instante se apresente
Na mágica expressão do amor maior,
E mesmo que isto seja uma ilusão,
Transcende ao que desejo em dimensão
No anseio que decerto eu sei de cor.

37

Acolho nos meus braços cada instante
Que amor nos traduzisse em magnitude,
E nisto volto à minha juventude
E eternidade da alma se garante,
Não quero simplesmente o fascinante
Momento aonde o passo que me ilude
Transforme com certeza uma atitude
Grassando este cenário deslumbrante,
Nem mesmo poderia ser diverso
O tanto quanto quero, busco e verso,
No tempo mais feliz que eu não sabia
Do cálice este vinho mais suave,
Vencendo em mansidão qualquer entrave,
Erguendo o meu olhar em calmaria.

38

Não cante o derradeiro adeus, pois vejo
Após a tempestade esta bonança,
E sei que tanta luta sempre cansa,
Mas sinto este pendor mais benfazejo,
E mesmo que, diverso, o tempo o almejo,
Sabendo quanto vale uma esperança
Mantendo os desenganos na lembrança,
Um novo dia é tudo o que desejo.
O canto se reflete dentro da alma
E a sorte não traria senão calma,
O mergulhar no imenso e belo mar,
Aonde tantas vezes quis bem mais
E sei do quanto possa e não te esvais
Resplandecendo sempre em meu olhar.


39

Mais um momento e a vida se refaz,
Eu sinto e na verdade o quanto possa
Traçar noutro segundo a sorte nossa
Vivenciando a glória feita em paz,
Os olhos no futuro a vida traz
O quanto o dia a dia nos endossa,
E bebo esta atitude que se apossa
Do sonho mesmo quando fora audaz,
Não quero teu afeto por querer,
Apenas o que possa no teu ser
Dizer do quanto importa estar aqui,
O rumo tantas vezes se perdendo,
O olhar da despedida mesmo horrendo,
Preserva o quanto é rude, mas vivi.

40

Não mais se apresentasse qualquer tom
De um mundo tão voraz e tão atroz,
A luta se fazendo dentro em nós,
O vento se espalhando, ledo som...
O quanto o grande amor seria bom,
A porta se abriria logo após
E o gesto confirmando a mansa voz
Mostrando ser amor mais do que dom.
Eu vejo nos teus olhos refletidos
Os olhos de quem busca a liberdade,
E nisto ao mergulhar em teus sentidos,
Encontro em consonância o meu querer,
Assim se traduzisse a liberdade
Do mundo noutro mundo a se verter.
21

As horas passam lentas e doridas
Os dias se repetem- tão iguais
E vejo no que tanto transformais
E sinto as minhas mãos já corrompidas,

As sendas são deveras mais compridas
E os erros que repito, são normais,
Mas sei dos meus anseios que, boçais,
Impedem ilusões serem cumpridas,

Não quero agora nada mais senão
A paz que me trouxesse a remissão
Dos tantos desenganos que cometo,

Um velho caminhante sem destino,
Apenas no vazio me ilumino
E faço sem prazer este soneto.

22

A velha cantilena se repete
E o canto não traria melhor sorte
A quem deveras busca e mal comporte
O tanto que se fez a canivete.

O corte aprofundando nos compete
E a torpe ladainha dita o norte
O manto noutro caos já não suporte
O vento que deveras se reflete,

O prazo determina o fim de tudo,
E quando na verdade desiludo,
O todo se transforma em pouco ou nada,

Apenas aprendera outra emoção
Seguindo do vazio desde então
Já destruindo enfim a velha estrada.

23

Não sei o que apresentas e nem posso
Tramar outro momento além do passo
Que tantas vezes tento e mesmo traço
Ousando acreditar num mundo nosso,
Se eu sou e me permito ser destroço
Meu dia se desnuda sempre lasso,
E falta na verdade algum espaço
Vivendo o que pudera em vão me aposso.
Já não me caberia acreditar
Nas farpas nas escarpas nem no mar,
Apenas resumindo o verso em dor,
O transitar do sonho no vazio,
O todo que deveras desafio
Buscando com certeza algum calor.


24

No pendular momento aonde a queda
Expressa o fim do jogo e nada mais,
Os olhos desvendando o que jamais
A sorte noutro tom tanto envereda,
Resumo o meu caminho e a vida seda
Grassando entre diversos temporais,
Navego sem saber e nem se vais
Sabendo do reverso da moeda.
O pânico se espalha, mas no fim,
O tanto que pudera tenho em mim
Qual fora a liberdade de um poeta
Que trame com firmeza cada passo,
Vagando sem sentido além do espaço
Aonde a solidão não mais repleta.

25

O marco que se possa traduzir
Em tempos mais diversos e falazes
Os olhos com certeza tu me trazes
E nisto o quanto quero resumir,
Apenas no momento que há de vir
E não nos dias rudes, velhas fases,
Aonde os tempos sejam mais mordazes
E o canto não pudesse ora abstrair.
Verdugos entre tantos companheiros
E os olhos procurando por momentos
Dispersos entre dias turbulentos
E neles outros tantos, verdadeiros,
No encanto que trouxeste, falsamente,
A vida de tal forma se apresente.

26

Andasse pelas ruas noite afora
Grassando entre sarjetas e porões
Os dias entre os tantos que me expões
Apenas a verdade desancora,
O réptil que arrastando não demora
O tempo se moldando nos senões
Apesar das diversas sensações
Os olhos noutro tom, vida apavora.
O medo de sonhar e ser feliz,
O medo de viver o quanto eu quis,
Acostumado tanto ao mesmo enfado,
Quem dera se pudesse converter
O que inda me restasse por viver
Num ato sem temor em raro agrado.

27

No solfejar do vento na janela
As velhas melodias de outras eras,
E quando na verdade não esperas
O tanto que pudera se revela,
O sonho pouco a pouco desatrela
Os templos que pudesse e não mais geras,
A vida espalha sempre tantas feras,
A solidão expondo sem a tela,
E o prazo delimita o fim de tudo,
E quando na verdade me transmudo
Apenas nova fera se criando,
Assim caminha sempre a humanidade,
O torpe turbilhão que agora invade,
E o mundo que sonhara, desabando...

28

Lavando o que pudesse com presteza,
As velhas avenidas de outros dias,
E sei que na verdade não virias
Trazer o quanto possa sobre a mesa,
O manto noutro tom dita a surpresa
E nele apenas vejo em utopias
As tantas e diversas ironias
E sou no fim de tudo, mera presa.
O quanto se tentara navegar
Ao penetrar no imenso e belo mar,
Deitando meu olhar neste azulejo,
Apenas o que possa resumir
Expressaria o quanto inda há de vir,
Marcando com ternura o que ora vejo.

29

Não quero outro cenário senão este
E sei do quanto a vida fosse assim,
O sonho se espalhando no jardim,
E nele todo o fim já percebeste,
Aonde o quanto resta e concebeste
Expressaria um gole deste gim,
E o mundo se desenha sem ter fim,
E nada do que possa e recebeste,
E sei que caminhando sigo nisto
O todo que deveras mais insisto
Gerando a solidão sem mais defesas,
As tramas são decerto sempre iguais
E os antros onde tanto agora esvais
Presumem no final temíveis presas.

30

Não mais comportaria qualquer chance
Quem sabe da verdade e não se deixa
Levar pelo que possa após a queixa
De quem tanto procura e não avance.

Deste cabelo, belo, uma madeixa,
O vento não passando de nuance,
E o canto que pudera num relance
Trazer esta ilusão, de deusa e gueixa.

Aprendo com teu sonho a ter o meu,
O verso se atingindo no apogeu
Do encanto que deveras se presume,

O amor que na verdade converteu
O tanto quanto pude noutro ardume
E nisto sinto em mim o teu perfume.
11
Viver o grande amor em plenitude
Sem medo do que venha, pois virá,
Não tendo nos teus olhos o que mude
A força deste encanto aqui ou lá,
O sol que na verdade nos ilude,
A chuva que deveras cairá,
Manter serenamente uma atitude
Que possa e com certeza brilhará.
O tempo se anuncia em tal bonança
E a vida no final a paz alcança
Gerando o que transforme o teu caminho,
E mesmo que surgisse uma intempérie
A vida não se faz como uma série,
A rosa justifica cada espinho.

12


De tantos nãos que a vida me trouxera
A solidão se fez tão costumeira,
Mas queira ou com certeza mais não queira,
A vida apascentara a rude fera,
E sei que após a morte da quimera
Renasce no jardim bela roseira
E vivo esta expressão mais verdadeira,
Traçando com ternura a longa espera.
Sabendo que no fim o que viria
Ao encharcar meu peito mostra a luz
Que tanto se recende à poesia
E noutro caminhar em paz, conduz,
Tramando o quanto quero e poderia,
Viver o quanto é pleno e nos seduz.

13

Espero qualquer dia mais diverso
Dos tantos que esta vida me trouxesse,
A luta se resume no perverso
Caminho noutro tom em vaga messe,
O mundo se tramasse e se disperso
A voz noutro cenário que se tece,
Ousando ter no peito o simples verso
Como se fosse até, quem sabe, a prece.
Meu canto se traduz na libertária
Noção de um tempo calmo que se quer,
Sem medo nem tortura mais sequer,
Na força muitas vezes solidária
E tendo esta expressão que me acalenta
Vencer qualquer temor, qualquer tormenta.

14

Chegar ao quanto pude noutro instante
Vagando sobre as ondas, mansamente,
E sei do quanto a vida num repente,
Expressa o que este sonho não garante,

A sorte muitas vezes deslumbrante,
O cântico voraz em nossa mente,
E o tanto que pudera e se apresente,
Gestando o caminhar mais intrigante.

Ocasionando queda entre espinheiros
Os dias são deveras corriqueiros,
Mas sei quando a rotina nos faz bem,

A morte da esperança gera o caos,
E rotineiramente minhas naus
Encontram qualquer rota que inda vem.

15

Amar o que viria mesmo quando
O tempo não permita novo passo,
Vencendo a solidão, agora traço,
O mundo noutro encanto o desenhando,

O verso na expressão de quem tentando
Com toda fantasia algum espaço,
Tramando mansamente este compasso,
Encontro o que pudera o desvendando,

Não tento além do quanto conseguisse,
Nem mesmo me entranhar nesta mesmice
Que gera o tom comum só por haver,

O livre pensamento nos permite
Vagar e ver além de algum limite
Sabendo este infinito em paz, conter.

16

Meu passo não se mostre mais audaz
Do quanto a vida trame e não permita
A sorte quando atroz, mordaz e aflita,
O vento que derrube qualquer paz,
E sei desta alegria quando a traz
Medindo o meu anseio onde se fita
O céu iluminando em rara dita,
Aporto o que possa e já se faz,
O manto mais suave, liberdade,
O canto que pudesse e que me agrade,
O tempo noutro enredo desfilando,
O dia se refaz todo segundo,
E assim caminha sempre o velho mundo,
E eu sigo, mesmo quando em contrabando.

17

Não vou dizer apenas o teu nome
E crer que isto pudesse te trazer,
Sabendo tão somente o que teu ser
Expressa neste sonho e me consome,

O sentimento agora não se dome,
E nele e dele vejo este prazer
Marcando com ternura o bem querer
De quem se fez além do quanto some,

Num passo destemido em noite imensa,
O quanto se deseja e sempre pensa
Uma alma sem temores, simplesmente,

Não quero que se veja após a queda
A luta noutro tom quando envereda
Traçando o quanto dói e se apresente.

18

Num ermo paraíso eu poderia
Viver o que esta noite desfilara
Na lua delicada, imensa e rara,
E a bela deusa como companhia,

Assim meu mundo pleno em fantasia,
Na comunhão sublime onde se ampara
A glória de saber o que prepara
A vida após a tarde tão sombria.

O vento me tocando traz o sonho
E neste sonho encontro a tua face
Gerando o que pudesse e nos enlace

E no caminho agora eu te proponho
Viver em plenitude e em glória plena
O quanto da esperança o encanto acena.


19

Jamais imaginasse que a verdade
Tocasse com furor cada momento
E nisto noutro tom eu me alimento
Da dor que com certeza nos degrade
O preço a se pagar, realidade,
O corte noutro tom novo elemento
O sonho sem saber discernimento
E a rude sensação que nos invade,
O prazo determina o fim de tudo
Marcando o quanto resta de nós dois,
O todo que se possa vir depois,
Enquanto na verdade tanto iludo,
Meu passo se perdera em tua estrada
E a noite não redunda mais em nada.

20

Não quero apenas medo e temporais
A vida não resume em tantos erros
Os dias superando vários cerros
Expressam da esperança o muito mais,
E mesmo quando após tu vens e trais
Nos fartos caminhares, os desterros,
Os olhos se acostumam com enterros
E sabem muito bem o que é jamais,
No fundo a minha vida não se fez
Na mais completa e rude estupidez,
Apesar de viver na escuridão,
Os olhos se acostumam com penumbra
E ao fim de certo tempo se vislumbra
Uma manhã em clara imensidão.
Não posso e nem tentara acreditar
Nas mesmas inconstâncias que transformam
Os dias entre tantos e deformam
O quanto muitas vezes quis amar,

O vento se aproxima e ao me levar
Enquanto noutro tom dias informam
Dos tantos horizontes que se formam
Nas ânsias que eu pudesse desvendar,

Acasos entre quedas e feridas
Apenas revivendo tais penhascos,
A sorte não se vê nos meros frascos

Tampouco se encontrasse em avenidas,
Suor e sangue, lágrimas, mais nada,
E ao fim a mesma história degradada.


2

Ao menos poderia ter nas mãos
O sonho onde se doura uma esperança
Gerando o quanto a vida não alcança,
Porém semeio enfim meus vários grãos,
E tento após ouvir diversos nãos
Seguir este caminho que me lança
Ao tanto quanto possa a confiança
E superando a queda em longos vãos.
Não quero acreditar num insucesso,
Embora seja assim quando tropeço,
A firme sensação que me levante,
O passo quando feiro num instante
Transcende ao que possa e ora confesso,
Seguindo meu olhar p’ra sempre avante.

3

Não tema a tempestade, ela é normal,
Tampouco se escondendo após já veja
O quanto vale cada vil peleja
Ousando noutro instante desigual,
Por mais que seja o sonho tão banal
Que sempre na verdade dele seja
A vida redundante e benfazeja,
Embora nos arraste para o mal,
O vento não sacuda as estruturas
E mesmo quando ocorra, te asseguras
Nas firmes expressões da tua fé,
Não aprisione a vida, ela é liberta,
E quando uma esperança te deserta,
Não faça de teu sonho outra galé.

4

A dor que tantas vezes nos comove,
Expressa a solução que inda virá.
E nisto caminhando desde já
O tempo tem a força que remove,

E mesmo quando a senda não renove
É necessário o sonho e se haverá
Instante mais sublime sempre é lá
Que existe toda a força que nos move.

A vida nos ensina com a queda
E sei que na verdade quando enreda
O passo num anseio sem igual,

O tempo resumindo o que viria
Transcende ao mero tom da fantasia
E traga a nós um mar descomunal.

5

Negar o que viesse e não sentir
A brisa em nossa face, mansa e calma,
Trazendo uma expressão que tanto acalma
Grassando nas estâncias do porvir.

Ao superar na vida qualquer trauma,
A luta se adivinha no sentir
De um tempo mais suave que há de vir,
E que reconhecesse em toda a palma.

Não quero a deferência de um vazio
Tampouco o que deveras desafio
Tentando acreditar ser mais além,

Espero qualquer dia que viria
Tramar a cada passo esta alegria
Que tanto gera o sonho que contém.

6

Brindando com o vinho da esperança
Gerado pelo tempo mais sutil,
E o verso se transforma quando viu
O mundo que no encanto ora se lança,

O dia após a queda sempre cansa
E trama este cenário mais hostil,
O tempo traça o sonho que sentiu
O rastro mais gentil de uma lembrança.

Não quero a porta amarga que se fecha
Nem mesmo escancarada sem a luta
De velho sonhador mereço a pecha,

Mas sei que na verdade o que se escuta
Traduz a sensação de liberdade
Que tenha em sinonímia: claridade.

7

Não mais pudesse ver após o fim
O dia se rendera ao que buscasse,
Após a solidão, em novo impasse,
O tempo traduzindo tudo em mim,

A morte se aproxima e mesmo vim
Mostrar a sensação na velha face
Rompendo com o tanto que grassasse
Lutando contra o mundo; sempre assim.

Escrevo o nome em sangue e vejo após
O tanto que pudera sempre em nós
Ousar noutro momento em luz e glória,

O mundo sem sentido e sem razão,
As sortes mais diversas, negação,
Moldando o que inda resta em mera escória.

8

Procuro pelo menos um sinal
Do quanto pude e nada mais teria,
Senão a mesma história onde arredia
A vida se fizera bem ou mal,
O caos gerando a sorte desigual,
O preço a se pagar não valeria
Sequer o que se mostra em fantasia
E nisto o meu caminho é mais venal.
O rumo se perdera noutro espaço
E o tanto que se quer, amiga eu traço,
Vencido pelos erros de um passado
Jogado nos temores e remorsos,
Procuro da esperança meus reforços
E vejo a solidão sempre ao meu lado.

9

Não quis acreditar no quanto é válido
O tempo sem sentido ou mesmo rude,
Transforma qualquer ato em plenitude
Ainda que se forme em tom mais pálido,

O corpo sem defesa segue esquálido
E o vento noutro espaço, já não pude,
Impunemente o tanto em amplitude
Gerasse o que sentisse agora cálido,

O cântico feliz de um novo tempo
Vencendo qualquer dor e contratempo
Expressaria apenas esperança,

Mas sei que na verdade o que me resta
Não deixa que se veja qualquer festa
E o passo no vazio ora se lança.

10

Amigo, mais um copo de cerveja?
A vida não traria melhor sorte
A quem se dedicando ao tanto corte
Ainda na verdade não preveja
A sorte sendo entregue de bandeja
Marcando com terror o velho aporte,
E mesmo que deveras mal comporte
A luta não seria benfazeja,
O fim se aproximando e tanto faz,
Aonde acreditasse ser audaz,
No fundo sou apenas um palhaço,
O tempo sem sentido e o velho encanto
Agora se espalhando em qualquer canto,
Traduz o que deveras já desfaço.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Meu tempo sem ter tempo de sonhar
Vagando pela vida em solitário
Caminho poderia além-fadário
Talvez saber aonde descansar,
A sorte não presume algum lugar
E sinto tantas vezes que este otário
Pressente o quanto é rude o temporário
Momento onde devesse bem-amar.
Às vezes misturando com meu sonho
O todo noutro enredo mais medonho
Regendo cada passo rumo ao fim,
Depois de certo tempo nada havendo
Somente o quanto possa em tal adendo
Expressaria o canto tão ruim...

2

Não quero acreditar no que deveras
Expresse a solidão além do lodo
Que mesmo sendo feito com denodo
Abrindo o coração espalha feras,
Nos ermos da canção, sem primaveras,
O rito se transforma neste todo,
Porém amor não passa de um engodo
Palavras que me dizes insinceras.
Restando alguma luz do que já fora
A rota mais feliz e tentadora
E agora se aproxima do final,
Ocaso após o caso e nada vejo
Somente este amargor a cada ensejo
Aonde me fizera sensual.



3


Não quero acrescentar sequer mais nada
E vejo os meus momentos sem segredo,
Enquanto novo tempo ora concedo
A boca se demonstra demarcada,
O corte desta faca aprofundada
No tempo que pudesse em desenredo,
Marcar o caminhar e desde cedo,
Deixar o quanto vejo ou mais se evada,
Não tento acreditar no que não veio,
Nem mesmo noutro tom encontre o meio
De ver além do caos algum alento.
O rude marinheiro do passado,
Agora noutro mar já naufragado
Enfrenta com ternura qualquer vento.


4

Apresentando o fim de cada peça
Na qual outro momento não viria
Tentando acreditar na fantasia
Enquanto o passo tente e se tropeça
A luta se desenha sem ter pressa,
Mas gera tão somente esta agonia
Que possa transcender ao que eu queria
E a vida mesmo assim já recomeça,
Marcando com ternura ou mesmo à faca
O passo de tal forma desempaca
Que nada mais sossegue o companheiro
Das ânsias mais ferozes e temidas
Assim se presumissem as saídas
Que tento enquanto sigo, verdadeiro.



5

As tantas emoções que a vida traz
E deixa pouco a pouco no caminho,
O vento mesmo sendo tão daninho
Espalha o que se deixa para trás,
O verso noutro tom se fez audaz
E o beijo da mulher, tanto carinho,
Pousasse nos meus lábios de mansinho,
E nisto acreditar eu sou capaz.
Resplandecendo aquém do que se tente
Ousando divagar no impertinente
Cenário feito em brumas e crepúsculos,
Os tempos entre enredos mais diversos
Pudessem ser deveras universos
Que creio noutros tons sempre maiúsculos.


6

As tétricas verdades não se calam,
Os dias entre tantos se repetem
E sei dos meus anseios que competem
E nisto vários erros avassalam,
Os pássaros que agora se acasalam,
Os dias que com fúria não completem
Os sonhos nos temores que refletem
As horas que deveras nada falam,
Talvez já se aproxime o meu final
E desta forma vejo o ritual
Angustiadamente, mas tranquilo,
O coração disforme ainda bate
E sei do quanto possa em arremate
Embora na verdade inda vacilo.

7

Brisas diversas tocam a janela
E o sonho se apresenta a cada instante
No todo que se fez e se adiante
O muito ou quase nada se revela,
O tempo se anuncia em leda cela
O vergalhão adentra e mais cortante
Presume o meu final e doravante
O todo noutro tom a sorte sela.
Repare cada voz que não viesse
Tramando na incerteza de uma messe
Apenas a vontade de seguir,
O vértice negando qualquer sonho
O vórtice transcende ao que componho,
E mostra com certeza o meu porvir.

8

Não deixe se perder toda a razão
Embora na verdade pouco importa,
A sordidez do sonho invade a porta
E mostra do vazio a dimensão,
E quando me encontrasse no porão,
O peso se transforma e me transporta
No fundo com certeza pouco importa
O quanto se prediz em perdição;
O vento sopra manso na janela
E o nome que traduz logo revela
A essência de uma vida sem temores,
Mas quando a tempestade se anuncia
O teto da esperança não traria
Além do que pudessem tais horrores.


9

Não quero e não teria melhor sorte
E sei do meu anseio sem verdade,
A luta na incerteza se degrade
E o prazo noutro tanto desconforte,
A vida se resume em cada morte
E nisto se traduz realidade
Ainda que se veja a liberdade,
Ao solo vislumbrasse nosso norte.
Franzinas esperanças, rude dor,
O canto noutro tom, sem mais sentido,
E sei do quanto pude em tentador
Cenário tantas vezes dividido,
No prazo sem saber do que este amor
Trouxera e sinto apenas neste olvido.

10

Mais um momento e nada se faria
Sequer o que adivinho ou mesmo quero,
O fato não seria mais sincero
Tampouco neste instante uma alegria,
Um erro noutro tom se perderia,
O prazo determina o ser austero
E bebo o que deveras destempero
Marcando com terror minha alegria,
Utópico país, ledo cenário,
E o tempo poderia temporário,
Mas nada se produz em um segundo,
Destarte ao caminhar contra as marés
Olhando nossa vida de viés,
Ao todo num instante me aprofundo.
A lua que contempla a nos dois,
Beijando os nossos corpos enlaçados.
Nesses momentos ternos, irisados,
Mais bela há de ficar também depois.

E sob suas luzes cor de prata,
Rolando sob as relvas orvalhadas,
Os corpos nus, as almas enlaçadas,
Explodem de prazer, feito a cascata.

E a lua enrubescida por mil pejos,
Se esconde de nós dois nas nuvens densas,
E a noite fica escura e aveludada.

E assim se passa a morna madrugada,
As horas de paixão das mais intensas,
Marcada pela fúria dos desejos.


Edir Pina de Barros

Desnuda sob um céu tão magistral
Refletes a beleza de um luar
E nesta noite em raro festejar
O mundo se moldara sensual,

E vejo neste instante sem igual
O tanto quanto possa desejar
A deusa que entranhando devagar
Transborde neste encanto de um luau,

Deixando no passado a dor sombria,
Crepusculares ânsias em neblinas,
Agora quando vens e me fascinas

Expressa a cada instante a poesia
Reinando caudalosa e plenamente,
Na orgástica loucura se apresente...
91

Apresentando a morte como sendo
A sorte que procuro a cada dia,
Apenas neste olhar, melancolia,
A vida não trouxesse um dividendo

Do tanto quanto fora em estupendo
Cenário o que meu mundo buscaria,
Amenizasse ao menos o que havia
E nisto outro temor já se perdendo,

Porém ao resumir o meu anseio
No quanto sem sentido devaneio
Apresentando os pêsames, prossigo,

E bebo da cicuta que me deste
Ousando acreditar mesmo que a peste
Deveras seja enfim o meu abrigo.

92


Não quero nem talvez mesmo tu queiras
Acrescentar um passo ao infinito,
E vendo o quanto tento e necessito,
Deixando no canteiro estas roseiras,

Marcando com ternura as verdadeiras
Palavras que mostrassem novo rito
Ou mesmo o que deveras acredito,
Subindo dentro da alma as vãs ladeiras.

O prazo se extinguira há tantos anos,
Os dias somam novos desenganos
E os passos sem certeza se perderam,

Ainda que vencesse a noite escusa
A vida se mostrara tão confusa
E os dias entre tantos esqueceram...

93

Ao menos o meu mundo não seria
Destarte o que deveras mais proclamas
E tanto quanto possa em rudes dramas
Vagasse pelos tons da poesia,

O verso noutro encanto se faria
E nele novamente velhas tramas,
Marcantes ilusões que enfim reclamas
Deixando para trás a estrela guia,

O prazo se traduz na tempestade
E sei do quanto a vida desagrade
Quem vence sem sentido o quanto traz

O mundo noutro passo seja mais
Do que pudera ver entre os venais
Caminhos onde a vida nega a paz.

94

Não quero e não pudera ser assim,
Meu mundo em sortilégio não transcende
Ao tanto quanto queira e não depende
Do marco desenhado dentro em mim,

Apenas configuras o meu fim
E o vento noutro instante não desprende
Sequer o quanto anseio e se me rende
Grassasse o mar imenso de onde eu vim.

O cântico em louvor ao Deus que um dia
Marcasse com amor a fantasia
Que tanto se fizera mais sutil,

O peso de uma vida em inconstância
Gerasse na verdade esta distância
Que o medo noutro passo não previu.

95

Apenas abandono este cenário
E sei do meu caminho entre vulcões
E na verdade quanto mais me expões
Eu sinto ser o sonho necessário,

Ainda quando tento o temerário
Momento entre sutis divagações
Os olhos noutro rumo, em dimensões,
Pudessem num instante outro fadário.

Acordo e nada vendo sigo assim,
Matando o que inda resta vivo em mim
Ou mesmo acreditando no que há tanto

Gerasse a turbulência de uma vida,
Sonoramente rude em despedida
Gerada pelo duro e triste pranto.

96

Não quero acreditar no que trouxeste,
Senão a mesma rude e vã versão,
O tempo se moldando deste não,
E nele outro cenário mais agreste

Ainda que emoção ao todo empreste
O rumo no que possa em direção
Diversa ao que se fez e desde então
Ousasse na expressão deste cipreste,

Imensidão não trague melhor sorte
E quando na verdade mal suporte
O tempo se anuncia mais voraz,

Acreditando apenas no passado,
O verso se moldara embolorado
E sei que sou de fato um incapaz.

97

Não quero e nem pergunte por que veio
O tempo tão brumoso em minha vida,
A luta se mostrara dividida
No todo que proclamo e já receio,

O medo noutro tom eu incendeio
E bebo em tua boca esta bebida
Sanguineamente agora em dor servida
E sinto a tempestade que ora anseio.

Repare tantos erros quanto possa
Viver a solidão que enfim se trame
E nisto a solução traz por ditame

A lúdica expressão que fosse nossa,
O mundo se perfaz e sei do engano
E nele com certeza ora me dano.

98

Não quero ter no olhar a mesma sorte
Que gere este horizonte em discrepância,
A luta se prepara na inconstância
De um mundo sem saber do que conforte,

O medo se desenha em rito e morte
E nada mais se mostre em tal distância
Apenas o que fora militância
E no final apenas me transporte.

Ocasionando a queda que se faz
Aonde o que vivesse deixo atrás
E bebo do vazio que me deste,

No tempo mais sutil, tempestuoso,
O canto se mostrara majestoso,
Porém o que me resta- um solo agreste...

99

Não quero acreditar no que talvez
Pudesse ser apenas o resumo
De um tempo que deveras se me esfumo
Traduz o quanto a vida me desfez,

No pouco resumindo a insensatez
De um tétrico momento onde consumo
O verso sem saber de qualquer rumo,
Aonde a minha história não mais vês,

Reparo cada passo noutro instante
E sei da solidão que não me espante
Marcando com terror o dia a dia,

Ao menos no final se reparasse
O todo que deveras demonstrasse
A sorte que se quer e não veria.

100

Termino neste instante o velho sonho
De um canto em harmonia feito em paz,
O que deveras sei e agora jaz
Presume este futuro mais medonho,

A morte me rondando e decomponho,
O passo com a luta mais mordaz
Vencendo o que se possa e sempre traz
O meu caminho rude onde me ponho.

Meu mundo se demonstra previsível
Atinjo o que pudesse e noutro nível
A luta continua sem sentido,

Bebendo cada gota do passado
O verso na verdade mais ousado
Traduz o meu caminho, desvalido...
81

Amargamente a vida não traria
Sequer algum cenário em paz, mas sei
Que tanta aleivosia nesta grei
Gerasse a face dura e tão sombria,

Não quero e não pudera dia a dia,
Marcar com mais ternura o que sonhei
Vagando sem sentido procurei
Ainda sem saber o que viria.

O quanto deixa a vida e segue aquém
Do todo que deveras não mais vem
E traz consigo o quanto desejaste,

No fim a solidão trama o sentido
Do tanto que eu quisera, resumido,
Apenas no que possa ser tal traste.


82

Braseiros entre fúrias e tormentas
Acenos sem sentido em vã promessa
O quanto o dia a dia recomeça
E nele a fantasia que ora ostentas,

Vestindo as mais diversas e sangrentas
Vontades do que possa e já tropeça
Na marca mais sutil que vi sem pressa
Gestando as ilusões tão virulentas

E quando te orientas pelo sonho,
O passo se tornara mais bisonho,
Galgando simplesmente o mesmo nada,

Depois de tanto tempo sem apoio,
A vida traz em ti como um comboio
Tentando finalmente uma alvorada.

83

Promessas tão somente e nada mais
Os erros que acometem são diversos
E sei dos meus anseios tão perversos
Enquanto vejo em ti meus temporais,

As tramas quando delas tu te esvais
Gerando sem sentido os universos
Que possam traduzir quando submersos
Os olhos entre cenas e cristais,

Astuciosamente a queda vem
E dela não se vendo mais ninguém
Somente o que talvez inda se faça

Traçando para além o mesmo impasse
No todo que deveras encontrasse
Brindando com ternura em rude taça.


84

Não quero que se veja após o fato
Momentos mais sublimes ou temidos
A noite se desenha entre gemidos
E o grande e belo amor em ti constato,

Não quero a mansidão deste regato,
Porém também não quero os presumidos
Anseios noutros tantos concebidos
Marcando com terror o que retrato,

Não beba da esperança, mera luz,
Tampouco esta verdade reproduz
Qualquer momento além do meu anseio,

E sinto tão somente o mesmo afeto
Enquanto nos teus braços me repleto
Do todo que pudera enquanto veio.

85

Não aprendesse ainda com os erros
Comuns de quem se fez um sonhador,
Ainda quando falo deste amor,
Conformo-me deveras nos desterros,

Seguindo para além do que pudesse
E tanto merecesse nova sorte,
E mesmo que em verdade não suporte
A luta noutra face em vão se tece.

Jamais valorizaste o quanto fiz
E sinto bem mais viva a cicatriz
Que trago num momento em desarranjo,

O sonho prometera algum arcanjo,
Porém o meu caminho se desfaz
E nele não se vê sequer a paz.

86

Não possa traduzir em novo dia
O todo sem juízo e sem razão,
A sorte se transforma em dimensão
Diversa da que tanto poderia,

O mundo noutro tom não me traria
Sequer o que buscasse em solução
Apenas represente o mesmo não
Que a vida não se faz em alegria.

O canto se perdendo noutra sorte
E a luta não traria o quanto aporte
Meu pendular anseio em tom diverso,

Ainda que se veja a mesma face,
Satânica figura se expressasse
Toando com terror em cada verso.

87

Não sei se acreditasse ou não viera
Apenas represento o que não tenta
Vestir a solidão e me atormenta
Mortalha sonegando a primavera,

O verso sem caminho sem vontade,
A luta noutro tom em discrepância,
A marca da temível militância
E o vento noutro tom já se degrade,

Apesar de viver sem ter no olhar
Sequer o que pudesse desvendar
Gerando novamente o que tentei,

O mundo se aproxima do final,
E vejo noutro rumo o desigual
Cenário que proclama a turva lei.

88

Jamais imaginasse qualquer passo
Marcando com ternura a poesia
E nela noutra sorte moldaria,
O quanto na verdade sempre traço,

O preço a se pagar, decerto escasso,
O canto sem certeza em agonia,
E a luta quando volta dia a dia,
Não deixa para a trova algum espaço,

O velho violeiro busca a lua
E vendo esta beldade imensa e nua,
Já não consegue mais senão tal fato

Do beijo enamorado e delicado,
Gravando cada cena do passado,
E nisto tudo quanto em paz constato.


89

O passo se fizera bem mais lépido
O tempo noutro tanto não se quis
E o vento deixa além a cicatriz,
Enquanto o coração persiste tépido,

Alada sensação de um coleóptero
Alçando noutro instante o cimo e o sonho,
E quando na expressão eu me proponho,
Levado para além neste helicóptero,

Apaziguando a vida em tom mais lúdico
Não quero desvendar qualquer segredo
E sei que na verdade me concedo
Ainda quando fosse bem mais lúbrico,

Tangenciando a dor, prossigo em paz,
Sabendo que tão pouco satisfaz.

90

A vida deve ser tão colorida
Que possa nos trazer na íris tal sonho
Iridescente encanto que proponho,
Em todo desalento é a saída,

O tanto que pudera e não divida
Gerando um ser mordaz, duro e bisonho,
No fundo outro cenário mais tristonho,
Enquanto a sorte possa ser vivida.

O prazo derradeiro determina
A senda mais suave e cristalina
Embora as crises sejam tão iguais,

No verso me espalhando reconheço
Que vença em mansidão qualquer tropeço,
Diverso dos que dizem ser normais.
71

Já não mais conseguisse qualquer sorte
Senão pudesse a vida ser assim
Vasculho o quanto reste e chego ao fim
Do tanto que deveras mal comporte,

A luta noutro intento é sempre forte
E gera o quanto quis ou nada enfim,
Marcando com terror enquanto eu vim
Trazer esta emoção que me conforte.

Não possa na verdade o quanto vejo
Tramando a cada instante o que se queira
Tecendo esta mortalha, a derradeira,

E nela se prevendo neste ensejo
A fúria de uma sorte sem valia
Que tanto noutro tempo não viria.


72

Amar sem o martírio da ilusão,
Galgando alguma luz que o tempo trace,
E sem saber do duro desenlace
Viver como se fosse algum vulcão,

E quando neste instante uma erupção
Tentara adivinhar ou mais grassasse
O vento noutro instante me tocasse,
Trazendo com ternura esta emoção,

O marco desenhado sobre a areia
O nome da sereia, a deusa nua,
Minha alma junto ao sol sempre flutua,

E tanto que te queira ora incendeia,
Numa expressão que possa me trazer
Ao fim de cada instante o teu prazer.

73

Não quero acreditar nos meus enganos
Tampouco pude até viver sem crer
Nas tramas mais diversas e conter
Os olhos em dispersos novos planos,

Os ritos são comuns e soberanos
Enquanto na verdade o que faz ver
Expressaria a vida em desprazer,
E sigo noutro enfado novos anos.

Os meus caminhos seguem sem sentido,
O tanto se mostrara desvalido
E o ocaso toma conta do horizonte,

Ainda que se mostre uma razão
Os olhos sabem deste sonho vão,
Enquanto a solidão agora aponte.

74

Ainda quando o tempo se fizera
Diverso do que agora se apresenta
Na força tão atroz de uma tormenta
A sensação da vida mais austera,

O canto noutro tempo desespera,
O mundo que se faz enquanto alenta
A parte onde não cabe, virulenta,
Angariasse o fim e destempera.

O pranto rola e deixa no meu rosto,
Marcado com terror cada desgosto,
E nisto num espelho se reflete

A fúria desta adaga ou canivete
Matando pouco a pouco uma esperança
Enquanto no vazio o passo avança.

75


Não quero acreditar no que talvez
Pudesse ser diverso do meu sonho,
O mundo a cada passo ora componho
E nele todo o medo se desfez,

Restauro o quanto pude e desta vez
O passo no vazio mais tristonho,
O cântico produz este enfadonho
Cenário sem saber da lucidez.

Apresentando o rito mais constante
O verso se mostrara e se adiante
Jogando para trás o que inda venha,

Não quero e nem pudesse ser assim,
O mundo que guardasse dentro em mim,
Apresentando a fúria mais ferrenha.


76

Agora que se creia no futuro
De um nada transformado em serenata,
A vida tantas vezes nos maltrata
Deixando o meu caminho ora inseguro,

E tendo apenas quanto eu configuro,
O rumo se presume e não constata
A luta retroage e nos desata,
Matando o que pudesse e inda procuro,

Meu canto não resume noutro canto
O todo que se fez bem menos, pois,
O amor que imaginasse de nós dois,

Agora se resume em desencanto,
E vendo de tal forma a realidade,
Esta ilusão decerto desagrade.

77


Não quero acreditar no que me dizes,
Os tempos são diversos, disto eu sei,
Assim como também a velha grei
Não superasse em paz as tantas crises,

Ou mesmo quando vejo os infelizes
Caminhos onde tanto procurei
O amor que na verdade fosse lei,
E nele o meu anseio contradizes.

O pântano que adentro desde agora,
A luta sem sentido me devora
E o pânico resume o verso atroz,

Também já não comporta qualquer tempo,
O medo se transforma em contratempo
E ninguém ouviria a minha voz.

78

Jamais imaginasse qualquer fato
Que a vida me traria num segundo
Disperso do momento onde me inundo
Do sonho que decerto não retrato,

Agora noutro tom sem desacato,
Bebendo o coração tão vagabundo
Mantenho o que pudesse e me aprofundo
Vivendo a sensação em limpo prato,

O centro dos meus passos diz do quando
O tempo noutro instante demonstrando
O passo em sutileza tão complexa

Que tudo quanto é vida já se anexa
E trama novo encanto em tom maior
Vivendo o quanto eu quero e sei de cor.

79

Procuro em teu olhar a transparência
Que possa traduzir o quanto queira
A senda mais sublime ou corriqueira
No fato aonde a vida dá ciência.

Açodo cada verso em vã falência
E bebo da verdade costumeira
Enquanto a poesia vai ligeira
Tramando o quanto quer em eloquência,

Amante das loucuras, sigo só,
E sei da minha vida em cada nó
Girando sem saber quando parar.

Não quero que se faça de tal jeito,
O tanto que deveras mais aceito
Regendo o dia a dia, em turvo mar.

80

Meus versos não são mais que meros traços
Jogados no papel e sem sentido,
A tinta sobre a qual tanto divido
O sonho sem saber dos meus espaços,

Os cantos entre tantos seguem lassos,
O medo noutro tom não sendo ouvido,
E o passo em descaminho desprovido
Dos olhos mais dispersos em cansaços.

Os ácidos momentos, solidão,
As sendas quando ausentas do horizonte,
Ainda que meu passo em paz aponte

Os dias noutros tantos me trarão
A sórdida presença anunciada
Da morte noutro instante decretada.

VOZ DO ALÉM TÚMULO. - SONETOS: 61A noite desenhando em tua tezDelírios de quem...

VOZ DO ALÉM TÚMULO. - SONETOS: 61

A noite desenhando em tua tez
Delírios de quem...
: "61 A noite desenhando em tua tez Delírios de quem tanto quis além Do quanto na verdade a vida tem E gera a mais completa insensatez, ..."
61

A noite desenhando em tua tez
Delírios de quem tanto quis além
Do quanto na verdade a vida tem
E gera a mais completa insensatez,

E quando ao perceber que tu me vês
Deitando sobre ti o farto bem
Do amor que na verdade sempre vem,
Marcando com a sombra t’a nudez...

O vento balançando estas cortinas,
Mal sabes – meu amor, quanto dominas,
Os olhos de um poeta solitário,

E o templo aonde este Éden se vislumbra
Embora tão somente na penumbra,
Expressa quão é mágico o cenário...

62

Apenas tão somente o que trazes
Expressaria a vida em novas fases
Bebendo esta aguardente mais sutil
Vivenciando o quanto se sentiu

Do tempo entre momentos mais audazes,
Deixando para trás o que desfazes
Promessas de um futuro tão hostil?
Nem mesmo outro veneno me inibiu.

E quando me imbuísse deste sonho,
Aonde com certeza ora me enfronho
Somente encontraria a paz que eu quero,

O verso se pudesse ser sincero,
O temporal no caos se resumisse
E o todo desvendasse esta tolice.

63

Amar e ter nas mãos esta certeza
De um vago caminhar em noite insana,
A luta poderia e se me engana
Gerasse noutro tom a sutileza

Do verso que pudera sem vileza
Beber do quanto quer e mais se ufana
Ainda quando dure outra semana,
O encanto se permite sem surpresa.

Após tanta magia e nada feito,
O canto noutro tom em desafeto,
O pouco que pudera não completo

Apenas tão somente agora aceito,
E sei do que vencido não faria
Sequer dentro do peito, a poesia.


64

Se revolucionaste o meu caminho
Decerto o teu caminho eu modifico,
E nada do que possa onde me alinho
Explode no que seja o quanto explico,

Nas dores e temores deste um bico,
O manto se perfaz sempre daninho
Apenas na verdade me complico
E sei do quanto sou tanto mesquinho.

Nesta espinha dorsal do grande amor,
O temporal transforma o redentor
Cenário num sublime desenredo,

E tanto poderia ser feliz,
Mas quando a realidade contradiz
Apenas vislumbrando o velho medo.

65

Ainda trago Minas dentro em mim,
Não sei por quanto tempo ou se resiste
Ao velho coração danado e triste,
Que acende a cada instante outro estopim,

Um torpe sonetista chega ao fim,
Porém tão persistente não desiste,
Ainda que a verdade o tempo liste
Brindemos nossa morte, trague o gim,

Rogara por um canto, qualquer canto,
Mas sei que com certeza me quebranto
E deveria mesmo me calar,

O verso solto e livre, sem amarras,
Porém quando nos meus agora escarras
E o mundo não permite mais sonhar.

66

Não quero que se veja após o fato
Apenas o retrato de um passado
Marcando com terror o que degrado
E nisto novo engano mal constato,


Semente se espalhando, não resgato,
O velho caminhar se mostra enfado
E o medo noutro tom já demarcado
O preço a se pagar não mais retrato.

O meu anseio gera novamente
O tanto que pudera na torrente
O prazo declinando para o fim,

Grassasse sobre velhas pradarias
E sei que no final tu me trarias
O quanto ainda guardo em teu jardim.

67

Não quero o teu amor desta maneira,
Apenas uma foto e nada mais,
E sei que na verdade quando vais
A luta não seria como eu queira.

A corda se arrebenta, e vai ligeira,
Matando sem saber, mananciais,
Aonde se pudessem carnavais,
Somente sobra a minha quarta-feira.

O passo noutro rumo se perdendo,
A rota fantasia, este remendo,
O quanto em agonia se perfaz,

O velho camarada, o tempo frio,
Inverno tão precoce e assim desfio
O mundo que eu queria feito em paz.

68

Jamais imaginasse que esta vida
Pudesse me trazer nova esperança
E quando na verdade o fim se lança
Gerando a sorte amarga e dolorida,

O tempo se traduz e não duvida
Do quanto noutro tom ditando a lança
Expressa a solidão que agora cansa
Quem tanto resumisse o quanto acida,

Não quero mais saber do passo em falso
Nem mesmo prosseguir cada percalço
Vestindo o mais diverso sentimento,

Apesar de viver sem ter no olhar
O todo que pudera imaginar
O resto do cenário é desalento.


69

Uma alma se perdendo no caminho
E o vento noutro tempo não traduz
Sequer o que deveras mal compus
E sei do quanto seja mais mesquinho.

O verso rudemente tão daninho,
O prazo se programa e não conduz
Ao tanto que pudera quando pus
Meu barco no teu mar, mesmo sozinho.

Amar é ter nas mãos o mundo inteiro
E mesmo quando seja o derradeiro
Cenário, nada impede cada aplauso,

E quando em esperança sigo ou pauso,
Na calma deste instante que viria,
Eu bebo com ternura a alegoria.

70

Vagando contra todos os temores
Seguindo sem saber aonde fores
Vencido caminheiro do vazio
Bebendo a solidão em desafio.

No tanto que traduzes belas flores
Os sonhos de um poeta, multicores,
Tramassem minha vida por um fio,
No fundo o que se fez antes sombrio

Ousasse acreditar em claridade
Que aos poucos me domina enquanto invade
Tornando este momento mais feliz,

O beco sem saída anda esquecido,
E o tanto quanto quero e até lapido
Transcende ao que desejo e sempre quis.
51

O momento supremo em tal grandeza
Permite que se veja com clareza
O quanto desta vida desejara
Quem sabe da expressão sublime e rara,

Marcando com ternura e sem surpresa
Deixando-se levar em correnteza
Que ao tanto mais suave se prepara
Vibrando em consonância e nos ampara.

A farsa feita em fera e intolerância
A morte se moldando em vã ganância
Apresentando assim o ato final,

A cena em pleno palco da esperança
Enquanto o meu caminho além se cansa,
Enveredasse o imenso pantanal.

52

Não quero acreditar no que me trazes
Embora tantas vezes, mais audazes,
Os passos ultrapassam qualquer plano
Gerando dentro da alma o desengano,

Vasculho cada ponto e se me dano,
Procuro desenhar em roto pano
As tramas mais sutis, velhas tenazes,
E nelas os sorrisos tão mordazes.

Não quero a sutileza do depois
Nem mesmo esta agonia que em nós dois
Gerasse ora somente o fim do sonho,

Ainda que deveras me proponha
A face em rudimento tão medonha
Supera qualquer luz que inda componho.

53

Não quero ser apenas o que um dia
Vivesse sem sentido a fantasia
De um tempo mais suave que não veio,
Olhando para trás em devaneio
Tentando acreditar que inda viria
O canto noutro tom, desarmonia,
Pisando bem mais forte neste freio,
Acreditando em nada, o não rodeio.
E bebo cada gota deste fel
Jogado com certeza sempre ao léu
Marcante indecisão de vida rude
E nisto o quanto possa e mesmo pude
Gerasse o que se veja em carrossel
Matando o quanto a vida nos ilude.

54

Não quero mais pedir qualquer apoio
Sabendo distinguir trigo do joio,
Seguindo sem sentir mais tal temor
Que impeça com certeza algum amor,
O vento na verdade em manso arroio,
Gerasse um maremoto e do comboio
Traçasse um novo espaço redentor
Gerando com certeza o dissabor.
Acolho entre meus braços o vazio
E sei do quanto possa e desafio,
Matando uma esperança a cada verso,
O tanto que pudera já disperso
E bebo o quanto queira noutro rio
Vagando sem sentido, este universo.

55

Não quero a sorte atroz e nem sutil
De um tempo aonde o quanto ora se viu
Já não mais desejasse algum alento,
E nisto com certeza me contento.

O pranto noutro fato mais hostil,
Lembranças recendendo ao meu vinil
Jogado nalgum canto, pensamento,
Vivendo o que pudera estar atento.

Não quero mais a sorte em tal fastio,
Vagando sem sentido no sombrio
Momento aonde o todo se perdesse,

O velho caminhar não merecesse
Sequer alguma sorte mais feliz
Matando o quanto outrora bem mais quis.

56

Meu tempo sem ter tempo de ser meu
O vento noutro tanto se perdeu
E o corte me ameaça a cada instante
Trazendo o ser decerto angustiante.

Ainda quando quis meu apogeu,
Meu canto sem sentido converteu
A vaga tempestade mais constante
Num dia feito em paz, tão fascinante.

O rumo se apresenta e vejo apenas
Ao quanto sem defesas me condenas,
Urgindo sobre tantas ironias,

Vestígios do que tanto mais querias,
Marcando com ternura em fantasias
As mesmo dolorosas toscas cenas.

57

A lua tão formosa e purpurina
Banhando o vosso corpo escultural,
Assim desnudo, exposto, sensual,
Desperta em mim encanto e me fascina.

Do vosso olhar, o brilho, me ilumina,
Tal como a lua todo o espaço astral,
Desperta em mim desejo viceral,
Que viça no meu corpo e me domina.

Mais belo que os sonhos do poeta,
E abrilhantado pela luz da lua,
O vosso corpo é fonte de poesia.

E causa dentro em mim tal alegria,
Quando tocando a minha pele nua,
Enlaça-me de vez e me completa.


Edir Pina de Barros

Pudesse a lua plena nos tocar
Gerando com certeza outro luar
No corpo fascinante da deidade
Que deitada ao meu lado é claridade.

O sonho mais sutil que possa ousar
Ascende ao mais sublime desejar
Tramando com certeza a liberdade
Já superando agora qualquer grade.

O coração de um velho seresteiro
Batendo neste instante mais ligeiro
Expressa a dimensão de um farto amor,

E faz iridescente este cenário
Da lua se eclodindo um planetário
Moldando este vislumbre multicor.



58

Ainda quando vejo esta nudez
Desfilando sublime o amor se fez
Gerando novo amor que se produz
No facho mais suave desta luz

E nisto o quanto quero e mesmo vês
Marcante este cenário em lucidez
Vibrando quando o tempo me conduz
Ao tanto que deveras não me opus.

Realces entre farsas e falácias
As horas traduzindo tais audácias
De quem se tenta além de meramente,

Meu verso no teu corpo se apresente
Ousando numa rima mais sutil,
No tanto que deseja e no que viu.

59

Não mais apresentasse alguma sorte
Diversa da que tento e que me corte,
Vagando sem sentido e sem saber
Do quanto poderia perceber.

O vento se traduz em velho norte,
E quando esta agonia o tempo aborte,
Não deixe quase nada por se ver
Prevendo um deslumbrante amanhecer.

O pouso se apresenta noutro encanto
E quando meu momento em paz garanto
Encontro tão somente quem procuro,

Meu prazo se extermina paulatino,
E o todo que pudera e não domino
Deixando este cenário mais obscuro.

60

O medo de seguir e não tentar
Vestígios de uma vida que ao buscar
As sombras noutro rumo se venceu,
E nisto teve o seu raro apogeu,

O manto que pudera se traçar
Nas tramas de quem tanto quis amar,
Senão a sorte inerte percebeu
A dura sensação do imenso breu.

E deste mesmo andar, andores vejo,
Sabendo no final que a cada ensejo
Meu prazo determina o fim do sonho,

Não quero que se faça deste traste
Apenas o que tanto sonegaste
Nem mesmo o meu caminho mais bisonho...
41


O quanto se apresenta nos teus passos
Traduz o que em verdade não escondes,
Os olhos procurando velhos bondes,
Os dias entre tantos erros, lassos.

Os cantos transformados em espaços
Aonde muitas vezes tu respondes
Às tantas agressões e destas frondes
Um arvoredo dita os rudes traços.

Não quero a perfeição de algum sorriso
Que não seja espontâneo, simplesmente.
O tanto que deveras se apresente

Diversamente possa ser preciso,
E o cântico que tanto te inebria,
Não seja simplesmente poesia...

2

Vivendo entre torturas, medos, preces,
Restando dos teus sonhos quase nada
A sorte noutro tempo anunciada
Deveras no final já não mais teces,

E quando sem sentido algum esqueces
O quanto poderia em alvorada
Traçar esta certeza desejada,
E nela outros sentidos que obedeces,

Vasculhas dentro da alma e nada vês
Somente a mesma face: estupidez
Marcando com angústia o que te sobra,

A vida não teria melhor sorte
Senão a que deveras te comporte,
Adentrando tua alma em cada dobra.

43

Ardente coração de quem se ilude
Vagando em tais caminhos mais além,
O vento na verdade não provém
Sequer outro momento em plenitude,

Ainda que procure a juventude,
O prazo determina como e quem
A vida noutro tom gera o desdém,
E o manto não refaz, nada se mude.

O peso de uma torpe consciência,
A luta sem sentido em indigência
O corte na esperança que transcende

Ao perecível passo sobre a Terra,
Que a cada novo dia mais se encerra
E nisto a tal vazio ora recende...

44

O mundo como fosse um oceano
Aonde as ondas formam turbulências
Diversas das que possas; penitências,
Tramando com certeza o desengano,

Ainda que pudesse e disto ufano,
Ousando na verdade em inclemências,
As sortes não seriam coincidências
Nem mesmo a sensação de novo dano.

Acreditando mesmo no que possa
A senda se tentasse ser mais nossa
Qual fora com certeza o livramento.

A queda se anuncia a cada instante
E sem saber sequer quem me acalante,
Inutilmente o sonho ainda tento.

45

O quanto se padece a cada dia,
E trazes nos teus olhos a esperança
Que a cada novo tempo mais avança
Marcando com ternura o que viria,

Vencendo a solidão em harmonia
O prazo determina o quanto lança
A sorte sem saber da temperança
Pungente caminhar em alegria.

O manto se resume por inteiro
No quanto poderia o derradeiro
Momento nos tramar nova verdade.

O resto se perdera num anseio,
Sabendo com firmeza o quanto veio,
O tanto que inda reste nos degrade.

46

Num vórtice temível me perdendo,
Ousando acreditar numa bonança
Meu passo sem sentido algum se lança
Gerando a solidão por dividendo.

Presumo noutro tempo o que ora vendo
Traçasse no final o que se alcança,
A luta sem sentido jamais mansa,
E o pranto noutro tom dita o remendo.

Não restaria mais qualquer alento
Nem mesmo uma alegria que tramasse
A vida seduzida noutra face,

O velho coração exposto ao vento,
E sei que na verdade o que inda tento
Traduz tanta rudeza em desenlace.

47

O desengano dita a velha crença
Na qual mergulharia sem defesas
E mesmo que prepare tais surpresas,
A vida se produz em desavença,

E nada com certeza me convença
Sequer das solidões em tais empresas,
Calcando cada passo em tais torpezas
Amar já não seria uma doença?

Eu quero recolher cada momento
E neste desejar o que ora tento
Expressaria apenas solidão,

O vento me levasse para além
E o quanto na verdade me retém
Eclode sem sentido e dimensão.

48

Desinteresse apenas o que trazes
E nada mais se veja em teu olhar,
O quanto poderia imaginar
Exclui a poesia em suas bases,

O verso mais audaz em rudes frases
O tempo que teimara em desenhar,
Na sutileza imensa deste amar,
O todo se refaz e me desfazes.

O passo sem sentido segue aquém
Do quanto tentaria e nunca vem
Somente traduzindo em medo e dor,

Porfias contra tudo e em nada crês
A vida noutro tom, insensatez,
Das mortes que carrego, refletor...

49

Pudesse acreditar no que talvez
Viesse nos tramar a paz perfeita,
E nada do que possa e já se aceita
Exprime com certeza o que tu vês,

O todo num vazio se desfez
Ousando o que deveras aproveita
Marcando com ternura o que deleita
Uma alma mais sincera em lucidez,

Mas quando se aproxima o fim do jogo,
Não adiantaria mais o rogo
Tampouco o que se vê frequentemente,

O passo noutro prazo se deslinda
E mesmo quando quero a paz, ainda,
A guerra se semeia e a fúria sente.

50

Ainda que se faça mais humano
O olhar quando é feroz não sonegasse
O tanto que se busca noutra face,
Gerando o que deveras desengano,

Meu prazo determina novo dano,
E o canto noutro instante se mostrasse
Apenas no que possa e não se trace,
Mergulho quando enfim do nada ufano,

O presumível passo se perdendo,
O dispensável sonho, este remendo,
Adentra cada canto desta casa,

E o velho pensamento que regesse
O prazo na verdade obedecesse
E a própria natureza segue em brasa.
29/06/11



A alma cosmopolita me permite
Vagar insanamente e sem descanso
E quando na verdade; o que ora alcanço
Expressa além do quanto delimite,
A vida não aceita este limite
E sempre contra a fúria eu já me lanço
E bebo o quanto possa e me afianço
Do todo que deveras necessite,
Resumo minha luta nesta rota
E sei do quanto mesmo se denota
A sorte sem proveito ou num fastio,
Vestígios encontrando pela vida
A noite se estrelando não duvida
E sigo sem temor o quanto crio.