quarta-feira, 27 de junho de 2012

AS NOVIDADES NO QUARTEL DE ABRANTES

AS NOVIDADES NO QUARTEL DE ABRANTES

As velhas novidades sob o sol
Estampam nos jornais mesmas manchetes
E quando tu te inovas mal repetes
O todo que se vira em arrebol,

Depositando o sonho em urinol
Do dadaísmo ao quanto te completes
No modernismo até novas chacretes,
Pivetes, “urubus e girassol”.

E assim caminha a nossa humanidade,
Na capa da revista outra verdade
Pastores vendem Cristo no varejo,

Exploração do pobre, o milionário,
Um estelionatário, esperto-otário,
Procuro alguma luz, mas nada vejo...

Marcos Loures

SEXTINA 6 EM DOR E MEDO

SEXTINA 6 EM DOR E MEDO


Um dia poderia em dor e medo
Alçar além do cais que se aproxima
O tempo na verdade dita a rima
E o quanto se traduz neste degredo
Ousando com firmeza num segredo
O todo desenhando em duro clima,

A vida modifica o velho clima
E traz no meu olhar o imenso medo
E nada do que possa num segredo
Traçar o quanto em nós dita e aproxima
O tanto se desfaz neste degredo
E a luta renegando qualquer rima.

Meu sonho na verdade não mais rima
E nega o que pudesse em frágil clima
Tramando tão somente este degredo
E nisto se resume o imenso medo
E quantas vezes vejo e se aproxima
Trazendo uma esperança em tal segredo.

A vida não traduz novo segredo
E quando a sorte molda a paz em rima
A luta num caminho se aproxima
Mudando com certeza todo o clima
E traça neste olhar o mundo e o medo
Marcando a cada instante outro degredo.

A sorte desenhada no degredo
Expressa o dia a dia em tal segredo
E gera ao caminheiro o imenso medo
E toda esta ilusão enquanto rima
Negando o que pudesse, novo clima
Aos poucos do vazio se aproxima.


Meu canto do vazio se aproxima
E gesta o desengano de um degredo
E trama com firmeza o velho clima
Sabendo do que possa este segredo
Tentando controlar a luta e rima
O amor que tanto quis com todo o medo.

Não vendo quando o medo se aproxima
A luta diz da rima e no degredo
O mundo num segredo traça o clima.

RE-NOVA-AÇÃO

RE-NOVA-AÇÃO

A voz do que já foi não deveria
Sequer ainda ter qualquer espaço,
Porém mesmo que tonto, morto e baço,
Desfilo aqui a mesma velharia,

Não digo que se pense em agonia,
Há tempos retornando ao mesmo passo,
Não quero outro momento que não traço,
Ainda ousando em tola poesia,

Nos tempos onde tudo é internético,
Daltônico soneto, esse caquético,
Não cabe mais, deveras, disso eu sei,

Perdoe quando firo alguns ouvidos,
Com uivantes e toscos, vãos gemidos,
Renovação se mostra em regra lei.

Marcos Loures

NEM NAFTALINA SALVA...

NEM NAFTALINA SALVA...

Restara do meu verso apenas isso,
A marca de uma pútrida expressão,
Moldada pela velha sensação
Da morte sem saber sequer de um viço,

Soneto se fez tosco e movediço,
Fumo de rolo e lua do sertão,
O mundo noutro tom, revolução,
Diverso do que trago e inda cobiço,

Ainda trago em mãos a minha enxada,
Arcaica melodia dando em nada,
No pós-moderno, sim, eis o futuro,

“Modelo do meu terno”, ultrapassado,
Nem naftalina salva o embolorado
Cenário sem noção que eu configuro.

Marcos Loures

CONTEMPORANEIDADE

CONTEMPORANEIDADE

O mundo se renova, me lembraste,
E nisto concebesse o que virá,
Sabendo ou decifrando desde já,
Embora no final eu seja um traste,

A vida não permite algum contraste,
O todo; com certeza, moldará
Um novo amanhecer aqui ou lá
E o velho se presume em tal desgaste,

A cada novo tempo outro Menudo,
Ou mesmo até um sábio Dominó,
Assim se faz decerto um novo embarque,

E o quanto quixotesco inda me iludo,
Luan aonde outrora Xororó,
Mas trago ainda em mim, Chico Buarque...

Marcos Loures

ESTRELA DECADENTE

ESTRELA DECADENTE

Estrela decadente, ou mesmo morta,
O brilho que inda vês; já não existe,
O tempo quando fora outrora triste
Agora ultrapassara a velha porta,

E quando este soneto em vão deporta
O pensamento além nem mais resiste
Ao quanto se fizera e não persiste,
Contemporaneidade, enfim, me aborta,

Esgoto a cada dia um pouco mais
Dos erros que carrego, onde abissais
As fossas se abrirão e nelas sigo,

Amordaçado aos poucos, não mais vejo
Sentido inda em tocar um realejo,
Cavando a cada verso, o desabrigo.

Marcos Loures

SOBRAS DE UM SONHO

SOBRAS DE UM SONHO

Jamais serei poeta e nem pretendo,
Pousando noutra esfera, sou apenas
No verso envelhecido que condenas
O mundo sem sentido, se perdendo,

E quando se fizer algum adendo
Aos olhos de quem vendo novas cenas
Expressam solidões, onde serenas
Versões traçando espúrio dividendo,

Restasse alguma voz já sem sentido,
E quando na verdade o que ora olvido
Transcendo ao quanto resta deste sonho,

Mesclando estas visões com a verdade,
A sobra pouco a pouco se degrade
E nela o quanto fui, de fato eu ponho.

Marcos Loures

NUMA HORA BRANDA

NUMA HORA BRANDA

Numa hora branda, plena de ternura
Caminho sob os raios do luar...
Sabendo que passamos tal tortura
Espero nesta curva o teu olhar.

Ouvindo num murmúrio, a mansa fonte
Que tantas vezes mata nossa sede,
Olhando para a lua no horizonte
Espero descansar em seio e rede...

A noite é calma e longa... A madrugada,
Trazendo a brisa mansa em calmaria,
Deitados, descansando nesta estrada
Aguardamos nascer de novo dia...

E peço teu amor, p’ra sempre, agora,
No brilho e maravilha d’uma aurora!

MARCOS LOURES

FARSANTE

FARSANTE

Como um farsante, o tempo me enganara;
Deixando um sentimento assim exposto.
Amar é discernir a joia rara
Dessa bijuteria do desgosto.

Eu sinto em nosso amor, a raridade
Que vale toda a luta mais feroz.
Trazendo do brilhante a claridade
Faz o meu coração bater veloz.

Qual perla que crescera com a dor,
Amor que sempre foi ardido unguento.
Ardis que prepararam com vigor
Por pouco não destroem sentimento.

Mas sinto que este amor é mais tenaz.
Vencer as tempestades foi capaz...

Marcos Loures

INÚTEIS ESPERANÇAS

INÚTEIS ESPERANÇAS

Jamais acreditei que inda sentisse
Alguma coisa além do que não fora
A face mais cruel, mas redentora,
Fugindo ou me entranhando em tal mesmice,

O tempo na verdade contradisse
E sei doutra vertente portadora
Desta avassaladora e predadora
Menção que demonstrasse esta tolice

Que tento ainda embalde defender,
E vejo a cada instante fenecer
Nos ermos deste torpe desalento,

Mascaro com sorrisos e ilusões,
Os fatos que com força tu me expões,
E inúteis esperanças alimento.

Marcos Loures

ÚLTIMOS CAPÍTULOS

ÚLTIMOS CAPÍTULOS

O fim da minha história se aproxima,
Andante cavaleiro sem vitórias,
Nem mesmo em párias sendas, tão inglórias
Palavras mortas ditam cada rima,

Ultrizes ilusões, crinas, se estima,
Ao menos me restassem tais escórias,
E nem sequer nos ermos das memórias,
Um velho quixotesco em novo clima,

Nem epitáfio algum; talvez gargalhes,
Ao ver com atenção rudes detalhes
De entalhes que explicitem o jamais,

Envolto pelas cinzas, desenlace,
Que apenas em vis brumas demonstrasse
Hienas entre abutres, tão banais...

Marcos Loures

SER BEM MAIS FELIZ

SER BEM MAIS FELIZ

Fazendo novamente a tentativa
De ser bem mais feliz em triste vida.
Uma palavra mansa e mais altiva
Mostrando ser talvez nossa saída.

Que toda uma tristeza já nos priva
Da sorte que queríamos perdida...
Mas eis que nos teus braços, alma viva
Percebo esta amizade bem vivida.

Querendo adormecer o sofrimento
Exalto em cada verso o teu carinho.
Depois de percorrido duro vento

Encontro, minha amiga, face a face,
Um delicado e doce, tinto vinho,
Que ao menos esta dor já se disfarce...

MARCOS LOURES

FLORES ABANDONADAS

FLORES ABANDONADAS

As flores que mataste sem pudores,
Abandonadas, restos num jardim,
Não permitem perfumes e nem cores,
Mas nada representam mais em mim...

De todos os caminhos e louvores
Refeitos em desejos, sendo assim,
Singelos e perfeitos esplendores
Unidos noutro lábio carmesim...

Mas tudo o que ensinaste, de bom tom.
Amor não se permite sonhos mansos.
O mundo se transmuda e mostra o dom

Duma amizade plena em novo dia
Uma certeza imensa de remansos
Mostrando finalmente esta alegria...

MARCOS LOURES

O AMOR SOZINHO

O AMOR SOZINHO

O meu amor é tanto, mas sozinho...
Quem me dera poder dizer a ela
De toda esta vontade de carinho.
À noite a solidão já se revela

Em cada brilho frio de uma estrela
Esta tristeza imensa que não passa.
Meu barco se perdendo, nau sem vela
A vida sem sentido se esfumaça...

Quem dera ter coragem de dizer
Do amor que me domina e não se cansa.
Assim talvez pudesse renascer

Nos olhos de quem ama, uma esperança...
Quem sabe, meu amor... Ah Quem me dera...
Veria, finalmente, a primavera.

MARCOS LOURES
X

É DE MANHÃ

É DE MANHÃ

É de manhã, o sol brilha no orvalho
Dançando em mil gotículas, cristal...
No quarto refletindo qual retalho
Decora o belo corpo magistral...

Ao ver este convite para a vida,
Levanto o meu olhar para te ver,
E sinto que encontrei a paz perdida
Nesta mulher vestida de prazer.

A chuva que caíra em meu passado,
Dando lugar ao sol maravilhoso,
No amor que pressenti ter encontrado,

Vontade de sair e passear,
Neste calor sereno e tão gostoso,
Certeza de poder de novo amar...


MARCOS LOURES

SEXTINA 5 JÁ NADA MAIS PUDERA

SEXTINA 5 JÁ NADA MAIS PUDERA

Já nada mais pudera aonde eu tento
Seguir o meu caminho sem sentido
O corte desenhado onde lapido
E trama o quanto possa o pensamento
Gerando o que pudera resolvido
E nisto só presumo o sofrimento,

Meu mundo se aproxima em sofrimento
E nisto cada dia novo eu tento
Meu sonho sem estar já resolvido
E o todo noutro rumo ora sentido
Traçando o quanto possa o pensamento
E um verso sem temor hoje eu lapido,

O prazo determina e assim lapido
O mundo traduzindo o sofrimento
Rondando sem defesa o pensamento
E quando no final o canto eu tento
Tentando acreditar nalgum sentido
Tramando o que tentara resolvido.

Meu passo sem destino, resolvido
Enquanto um verso em paz hoje eu lapido
Buscando finalmente algum sentido
Podendo aliviar o sofrimento
E nisto este cenário aonde eu tento
Liberto e sem temor o pensamento.

O quanto poderia o pensamento
E nisto com certeza, resolvido
Meu passo rumo ao tanto quero e tento,
Aos poucos em verdade o bem lapido
Marcando com temor o sofrimento
Deixando este meu mundo sem sentido,

O passo noutro encanto já sentido
Rondando o quanto vale o pensamento
Gerando tanta vez o sofrimento
E o mundo se mostrara em resolvido
Momento aonde o mundo ora lapido
Enquanto uma saída ainda tento,

Meu mundo busco e tento, algo sentido
E quando assim lapido o pensamento
Deixando resolvido o sofrimento.

MARCOS LOURES

MOMENTOS EM QUE TE AMEI

MOMENTOS EM QUE TE AMEI


Nos momentos, querida, em que te amei,
Inesquecíveis dias de ilusão.
Minhas palavras, versos dediquei
Com toda a força viva da emoção...

Nos sonhos mais divinos mergulhei,
Mesmo nesta inconstância, coração.
Agora bem distante, amor eu sei,
Que tudo não passou de uma paixão...

Meu castelo foi feito de carinho
Na praia dos meus sonhos, fina areia...
O mar levou, agora estou sozinho

Bem longe desta praia, deste mar...
Saudade, o que me resta em lua cheia
Por isso, tão somente recordar...

Baseado em NOSSOS MOMENTOS

MARCOS LOURES

MOTIVOS DE CHACOTA? Eis o velho soneto se arrastando pelas ruas.

MOTIVOS DE CHACOTA? Eis o velho soneto se arrastando pelas ruas.

Num pacto que se faça com a vida,
É necessário o corpo de algum velho,
E quando um realejo, hoje eu me engelho,
O morto traz a marca presumida,

Da cena que deveras já se afasta
Afásico cometa se desloca,
E sem restar sequer gueto nem toca,
A imagem do soneto ora é nefasta,

Motivo para novas gargalhadas,
Os novos esmagando estes resquícios
Jogados pelos grandes precipícios,
Nas fossas já faz tempo abandonadas,

Contemporaneidade traz em si
O quanto desejei e sei, perdi.

Marcos Loures

SONETO: UM CADÁVER INSEPULTO? Até o féretro está apodrecido.

SONETO: UM CADÁVER INSEPULTO? Até o féretro está apodrecido.

Jamais imaginei que esta mortalha
Coubesse com tamanha precisão
No corpo sem vigor, envolto em não,
Enquanto muito além a vida talha

A força com que a forja hoje retalha
E os termos quando enfim revelarão
Os dias mais ferrenhos que virão
Literatura, um campo de batalha?

Minha arma se resume em catapulta
Contemporâneo som já me sepulta
E apenas me restasse esta carcaça,

Heroicos decassílabos? Tolices.
E sinto que em verdade o quanto visses
Demonstra este cadáver que em mim passa.

Marcos Loures

BANDEIRA APODRECIDA

BANDEIRA APODRECIDA

Carrego esta bandeira estropiada
E, louco, desafio e já me canso,
Aonde se fizera algum remanso
Literatura agora pré-moldada,

Na face do soneto, a destroçada,
Imagem que em vazios sonhos lanço,
Cheirando à podridão, carniça e ranço,
Depois de tanta luta vejo o nada.

Espectro moribundo e ultrapassado,
O canto se mostrara ora engelhado
E o preço a se pagar: anonimato,

Mas mesmo sem ter forças, inda tento,
Porém mais forte é o imenso vento,
A poluída fonte, eu não resgato...

Marcos Loures

NECRÓLOGO

NECRÓLOGO

A quem com paciência e beneplácito
Ainda ouvira a voz antiga e espúria,
Qual fosse derradeira e atroz lamúria,
No ocaso de um martírio um erro tácito,

Neste esgarçar dorido um ser incauto,
Um asqueroso verme em podridão,
Morrendo de total inanição
Carro de boi exposto em pleno asfalto,

Não mais que este excremento do que outrora
Pudesse ser chamado: poesia,
A luta agora agônica e sombria,
Necrólogo cenário me devora,

E dos poucos sarcófagos infectos,
Meus versos desnudando vis aspectos.

Marcos Loures

FIM DE JOGO.

FIM DE JOGO.


Cumprida minha etapa, é fim de jogo,
De nada valeria prosseguir,
Refeito do que pude presumir,
O todo quando o faço é mero logro,

Restara tão somente este sepulcro,
E nele o decompor do que pensara
Outrora como fonte imensa e clara,
Agora para o nada, mero fulcro,

Republicando velhos elementos,
Os dias se transcorrem bem mais lentos
Com toscos alimentos, um caquético,

Do grão que o mundo leva para o ocaso,
Aceito com ternura este descaso,
Nos rastros de um soneto, ora esquelético.

Marcos Loures

AMARELADO PELO TEMPO

AMARELADO PELO TEMPO

Trouxeste em tuas mãos as aquarelas
E nelas outras tantas reproduzes,
Caleidoscópios feitos destas luzes,
Gerando o que de fato queres; selas,

Não tendo no horizonte rotas celas,
Apesar de encontrar as minhas cruzes,
Nos sonhos do imbecil, velhos obuses,
Calados quando o agora me revelas,

Proximidade trago com a morte
E nada sem sentido algum comporte
O norte que exaurido não existe,

Nos frascos da saudade, destruídos,
Meus versos que imagino, são ruídos,
Aboio sertanejo, augúrio triste...

Marcos Loures

Velho, mas não velhaco.

Velho, mas não velhaco.

O verso embolorado que apresento
Semente apodrecida desde quando
Aos poucos fora atroz se desenhando
Levado pelo antigo e tosco vento,

No quanto se pudera em pensamento
Tentar me renovar, mas me tornando,
Um velho entorpecido em contrabando,
Morrendo em suicídio manso e lento,

No contrapé da vida sigo arcaico,
E sendo de tal forma enfim prosaico,
Envolto em velhas brumas, adormeço.

Não tenho mais vigor e nem pudesse
Trazer à poesia uma benesse,
Esqueço; do porvir, seu endereço.

Marcos Loures

SEXTINA 004 AMOR QUE NOS LIBERTA

SEXTINA 004 AMOR QUE NOS LIBERTA


Amor que nos liberta e traz no olhar
Certeza de um momento onde encontrar
Vencendo cada instante a se entregar
Vagando noutro rumo a procurar
Aonde se pudera num altar
O sonho mais diverso a se mostrar.

O rumo quando tenta se mostrar
E dita com certeza um raro olhar
Ousando em ter nas mãos o raro altar,
Buscando cada instante a me encontrar,
Depois de tanto tempo procurar
Sabendo tão somente me entregar;

E quantas vezes pude ao entregar
Meu sonho num momento a paz mostrar
Ousando na esperança procurar
E nesta direção diversa olhar
Até poder enfim paz encontrar
Reinando como fosse um nobre altar,

Quem faz do grande amor o seu altar
Já sabe o quanto possa se entregar
E após outro momento eu encontrar
O passo sem temor a se mostrar
E sinto um raro brilho em teu olhar
Depois de tanto, tanto procurar.

A vida não cansando a procurar
Aonde se ergue em nós um claro altar
E traz a força imensa neste olhar
Podendo com certeza me entregar
Até que eu possa o quanto em paz mostrar
E nisto a luz com calma eu encontrar.

E sei que poderia te encontrar
Depois de tanto tempo procurar
Estrela que nos guia a se mostrar
Ousando na alegria como altar
Tramando o que pudera ao me entregar
Trazer com maior força em meu olhar.


Pudesse neste olhar ao encontrar
O tanto a se entregar e procurar
No amor um raro altar a se mostrar.

MARCOS LOURES

POR AÍ

POR AÍ

Ao te encontrar bebendo por aí,
Rolando pelos bares , botequins,
Desculpe, meu amor, se assim sorri.
Meios não justificam-se nos fins.

Mas não pude conter minha alegria
Ao saber que quem sempre maltratou
Perambulando em dor, em agonia,
A vida, justiceira, se vingou...

O remorso te leva ao desespero...
Bem sei que este veneno que provei
Quando em traição eu te encontrei
Nos braços de um querido companheiro,

Feriste meu amor em dura lança.
Por isso essa alegria, uma vingança...


Baseado em VINGANÇA de Lupiscínio Rodrigues

MARCOS LOURES

ARISCOS

ARISCOS

Ariscos desejares em que eu possa
Grassar diversos sonhos e pecados,
Os olhos imaginam seus enfados
E os fados ditam ruas, corte e fossa,

Das nuas ilusões, nada me endossa,
O tempo trama apenas desbotados
Momentos entre enganos desdenhados,
E a luta a cada corte nos destroça,

Versáteis armas traz este inimigo,
O quanto poderia e não prossigo,
Abrigos e defesas sendo heroicos,

Esteios destruídos, desalento,
E quando noutro instante ainda tento,
Meus dias são somente vãos e estoicos.

Marcos Loures

CAIS SOTURNO

CAIS SOTURNO

Não mais me importaria qualquer fato
Que ditaria o passo mesmo além
Do pouco ou quase nada que convém
A quem aquém do vago ora retrato,

Determinando assim o desacato,
No desafeto atroz de ser ninguém
Em vacilante passo, mal ou bem,
O mundo noutro instante eu arrebato,

Querendo ou não querendo ser diverso
Do todo que se possa em cada verso
Deixando mais distante, em vão lacustre,

Na pétrea solidão de um cais soturno,
E quando se mostrara onde me enfurno,
Oceano abissal, o qual nos frustre.

Marcos Loures

BELA ESCOLHA

BELA ESCOLHA

As flores matinais, a primavera
Depositando apenas outro engano,
E nada do que possa em soberano
Momento onde esse nada degenera,

Resenhas mais diversas, a insincera
Palavra que se mostra em mais profano
Desejo que pudera em rude plano
Tomando a sensação que em dor impera,

Não mera sensação esmera o passo,
Trapaças que esta sorte desenhara,
Tornando uma alegria bem mais rara

E quando, em torpes linhas, hoje eu traço,
O olhar que se mostrara esquizofrênico,
Restando ora escolher: cicuta? Arsênico?

Marcos Loures

TERRAS DISTANTES

TERRAS DISTANTES

Das terras mais distantes, o cenário
Que tanto desejei e não viera
Apresentando a face mais austera
Do amor qual fora apenas um corsário,

O encanto se moldando imaginário,
A luta noutra farsa destempera
E a sórdida expressão somente gera
O marco mais feroz, incendiário.

Necessitasse além de algum descanso,
O todo que buscando não alcanço,
Remansos onde o barco não aporta,

A sensação diversa que se cria,
Na luta que decerto em agonia
Deixasse uma esperança ausente, morta.

Marcos Loures

MERAS ILUSÕES

MERAS ILUSÕES

Já não me esconderia do que outrora
Pousasse mansamente e não carrego
Deixando para trás o frágil ego
Morrendo enquanto a vida desarvora,

Negar o que me trama e me apavora,
Um tosco desvalido segue cego,
E o corpo já ferido ora carrego,
Marcando o quanto possa sem ter hora,

Em nebulosas tardes, meu vazio
Cenário se transforma enquanto eu crio
Apenas o que possa em porto rude,

Despisto a própria morte, mas bem sei
Que exposto sem defesas, nesta lei
Um novo dia nasce e em vão, me ilude.

Marcos Loures

Mergulhos em vão

Mergulhos em vão

Mergulharia em torno do que temo
E nisto serviria a solidão
Qual porto que pudesse desde então
Traçar na mesma sorte, corte e remo,

A morte enquanto nela em paz me algemo,
Os dias que, de fato, moldarão,
A mesma turva e amarga solidão,
Gerando a cada engano um novo demo,

Marcantes e medonhas garatujas
Enquanto com terror tu vens e sujas
Forjando o mais sombrio mundo; ocaso,

Estridulosas lutas entremeio
E nada do que molde o velho anseio,
Embora em quanto reste seja o acaso.

Marcos Loures

BASES INSTÁVEIS

BASES INSTÁVEIS

Chorasse cada flor de algum jardim
Apodrecendo os sonhos de quem tanto
Fizera da emoção mero quebranto
E a vida se esvaindo, vejo o fim,

E; quantas vezes, busco inútil sim,
Sabendo que pudera em desencanto
Traçar esta ilusão em cada canto
Marcando o que demora ainda em mim,

Negar a melhor sorte, sendo um traste,
E nisto outro sentido demonstraste,
Vestindo a mesma farsa que me trazes,

Rompendo dentro da alma esta aliança
A mera fantasia nada alcança
Tornando agora instáveis minhas bases.


Marcos Loures

SEXTINA 3 A FORMA MAIS SUAVE DA ESPERANÇA

SEXTINA 3 A FORMA MAIS SUAVE DA ESPERANÇA

A forma mais suave da esperança
Traduz felicidade e nada mais
Os dias quando fossem tão venais
A sorte na verdade ao nada lança
E quanta vez eu vejo esta aliança
Marcada por instantes desiguais.

Os sonhos tantas vezes desiguais
E o quanto poderia em esperança
Gerar noutro momento esta aliança
Deixando para além o nunca mais,
A vida quando adentra em fina lança
Expressa os erros tolos e venais.

O prazo entre momentos que, venais
Já não comportariam desiguais
Caminhos entre os todos quando lança
A voz ao se perder em esperança
No todo desejado e sempre mais
Tentando produzir tal aliança.

A noite nos tramando uma aliança
Embora dias sigam tais venais
Momentos entre os ermos; peço mais
Nos tantos que pudessem desiguais
Gestando tão somente esta esperança
Ousando na alegria onde se lança.

O canto desejado e nele lança
Marcando o dia a dia em aliança
Trazendo tão somente esta esperança
Esbarro nos engodos e venais
Momentos com temores desiguais
E neste caminhar o tempo a mais

O quanto poderia e sempre mais
Ousando na incerteza onde se lança
Ausência dentre tantos desiguais
E neste caminhar uma aliança
Presume outros sentidos mais venais
Matando o quanto fora uma esperança.


A vida em esperança traz a mais
Os dias mais venais a sorte lança
Ousando em aliança os desiguais.

MARCOS LOURES

terça-feira, 26 de junho de 2012

A RESPOSTA DO GÉCA-TATÚ - CATULO DA PAIXÃO CEARENSE

O caboclo Géca Tatú, tendo o mesmo nome do outro, a quem se referiu n’um dos seus
discursos uma personagem de grande vulto, ofendido, e julgando que todas aquelas
referências foram feitas a si, resolve vir à Capital para rebatê-las, segundo seu modo de
pensar. Ouçamos a defesa do violeiro nortista, perante o seu eminente ofensor, o maior
brasileiro do seu tempo.


A RESPOSTA DO GÉCA-TATÚ

A João Pernambuco, a alma dos violeiros e cantadores da minha terra.


Seu doutô!... Venho dos brêdo,
só prá móde arrespondê
toda aquela fardunçage
que vancê foi inscrêvê.
Eu não sei lê, mas porêm
o seu Padre Capelão,
que sabe lé munto bem,
lêu prá nós tudo, im três mez,
o seu bunito sermão.
Me dissérum, cá na Côrte,
que o seu doutô faz aquilo
de cabeça e sem trabáio!...
Vancê tem fôrgo de gato
e lingua de papagaio!
Não têje vancê jurgando
que eu sêje argum canguçú!
Não sou, não, seu Conseêiro!
Sou do Norte!... Eu sou violêro,
e vivo naquelas mata,
cumo véve um sanhassú.
Vassúncê já me cunhece!
Eu sou o Géca-Tatú!
Os hóme cá da cidade
me agarante que o sinhô
é o prêmêro entre os prêmêro,
é o mais grande brasilêro,
é o Dunga dos inscritô!....
Mas porém macaco véio
não mete a mão im cumbuca
vazia ansim, seu doutô!
Nós tudo já tá cansado
desta vida de rocêro,
prá dá mio a tantu galo
que só canta no polêro.
Meu patrão e os cumpanhêro
só leva a falá de lêzes,
que é uma grande trapaiada,
imquanto nós leva a vida
surrando as mão c’uma inxada.
Cum toda essa mapiáge,
vassuncê, seu senadô,
nunca um dia se alembrou
que lá, naquelas parage,
a gente morre de sêde
e de fôme.. sim sinhô!
Vassuncê só abre o bico,
prá cantá cumo um cancão,
quando qué fazê seu ninho
nos gáio d’uma inleição!
Vassuncê, que sabe tudo,
é capaz de arrespondê
quando é que se ouve nos mato
o canto dos zabelê!?
Im que hora é que o macuco
se põe mais a piá?
E quando é que a jacutinga
tá mió de se caçá?
Quando o urú, entre as foiage,
sabe mais assuviá?
Quá é de todas as árve,
a mais dêrêita e impinada?
E a que tem o páu mais duro,
e a casca mais incourada?
Vancê não sabe quá é
a madêra que é mais bôa,
prá fazê-se uma canôa!!!
Vancê, no meio da trópa
dos cavalo, seu doutô,
óiando prôs animá,
sem vê um só se movê,
não é capaz de iseuiê
um cavalo isquipadô!
Eu queria vê vancê,
no meio d’uma burrada,
somentes pulo um isturro,
dizê, im conta ajustada,
quantos ano, quantas manha,
quantos fio tem um burro!
Vancê só sabe de lêzes
que se faz cum as duas mão!...
Mas porém não sabe as lêzes
da Natureza e que Deos
fez prá nós cum o coração!
Vancê não sabe cantá
mais mió que um curió,
gemendo à bêra da estrada!
Vancê não sabe inscrevê
no papé, feito de terra,
quando a tinta é a do suó,
e quando a pena é uma inxada!
Se vancê não sabe disso,
não póde me arrespondê!...
Óia aqui, seu Conseiêro!...
Deos não fez as mãos dos hôme
somentes prá ele inscrevê!
Vassuncê é um senadô,
é um conseiêro, é um doutô!
É mais que um Imperadô!...
É o mais grande cirdadão!...
Mas porém eu lhe agaranto
que nada disso seria
naquelas mata bravia
das terra do meu sertão!!
A mizéra, seu doutô,
tombêm a gente consola!
O orguio é que mata a gente!...
Vancê qué sê Perzidente
e eu só quero sê rocêro
e tocadô de viola!
Vancê tem todo o dêrêito
de ganhá os cem prú dia,
prá mió pudê falá!!
Mas porém o que não póde
é a inguinorança insurtá!
A gente, seu Conseiêro,
tá cansada de espera!!
Vâncê diz que a gente véve
cum a mão no quêxo, assentado,
sem fazê caso das coisa
que vancê diz no Senado!
E vassuncê tem rézão!
Se nós tudo é anarfabeto,
cumo é que a gente vae lê
toda aquela falação?
Prá dizê que dois cum dois
faz quatro, seu Conseiêro,
vancê gasta seis tintêro
e fala uma noite toda
e um dia todo intêrinho!
Vossa Incerlença parece
a cumade Ginuveva,
quando intica cum os vizinho.
Preguiçoso?! Madracêro?!
Não, sinhô, seu Conseiêro!!
É pruquê vancê não sabe
o que sêje um boiadêro
criá cum tanto cuidado,
cum tanto amô e alegria,
umas cabeça de gado,
e, despois, a impidimia
carregá tudo, cum os diabo,
im mêno de quatro dia!
É pruquê vancê não sabe
o trabáio disgraçado
que um hôme tem, seu doutô,
de incoivará um roçado,
e, quando o ouro do mio,
vae ficando imbonecado,
prá gente entonce cúiê,
o mio morre de sêde,
pulo Só inturricado,
sequinho, cumo vancê.
É pruquê vancê não sabe
quanto custa um pai sofrê,
vendo o seu fio crescendo,
dizendo sempe: Papái!!
Vem me ensiná o A. B. C.!
Ói aqui, seu Senadô!
Não é só questão de nôme!!
Eu só votava prá um hôme
sê Perzidente, se o cabra
já subésse o que era fome!
Eu não queria sabê
se ele era, como vancê,
— um doutô de falação.
Abasta só que essa hôme
fosse um burro, cumo eu,
mas porém, um bom cristão!
Prá sarvá o mundo intêro
abasta tê coração!
Se eu subêsse, meu sinhô,
inscrevê, lê e contá,
entonce, sim, eu havéra
de sabê cumo assuntá!
Tarvez vancês não déxasse
os sertanejo morrendo,
pió que fosse animá!
Prú móde a politicáia,
vancê qué que um hôme sáia
do sertão prá vi votá
im Joaquim, Pedro, ou Francisco,
quando vem sê tudo iguá!?
Preguiçoso?! Madracêro?!
Não sinhô!... Seu conseiêro!
Vancê não sabe de nada!
Vancê não sabe a corage
que é percizo um hôme tê
prá corrê nas vaquejada!
Vossa Incerlença não sabe
o valô d’um sertanejo,
acerando uma Quêmada!
Vancê mente, sim, sinhô!!
O cabôco brasilêro
tem munto brio e valô!
Nós é que já tá cansado
de trabaiá prôs doutô!
A gente não faz questã
de levá um dia intêro
cum uma inxadinha na mão!
A gente péde, somentes,
prá vancês não se esquecê
que nós tudo sêmo érmão!
Vancê tem um casarão!
Tem um jardim e uma xáca!
Tem criado de casaca!
E ganha, todos os dia,
qué chôva, qué faça Só,
só prá falá, cem mir ré!
Eu trabáio o ano intêro,
somentes quando Deos qué!!
Eu vivo da minha roça,
me isfarfando, cumo um burro,
prá sustentá oito fio,
minha mãe, minha muié!
Eu drúmo im riba d’um couro,
n’uma casa de sapé!!
Vancê tem seu ôtrômóve!
Eu, prá vi no apovoádo,
ando dez legua de pé!!
Neste mez amarfadado,
prú via de não chovê,
vi a róça du feijão
à farta d’água morrê!!
O Só têve tão ardente
lá prôs lado do sertão,
que im mêno de quinze dia
perdi toda a criação!!
A minha vaca, a Férmósa,
que amava cum tanto amô,
pul’uma surucutinga
foi mordida, sim, sinhô!
Na sumana arretrazada,
o vento tanto ventou,
que a páia, que cobre a choça,
foi pulos mato!.. Avuôou!!!
Minha muié tá morrendo,
só prú farta de mêzinha,
e prú farta d’um doutô!
Minha fia, que é bunita,
bunita cumo uma frô,
seu doutô!!! Não sabe lê!
E o Juquinha, que inda tá
chêrando mêmo a cuêro
e já puntêia a viola,
se intrasse lá prá uma escola,
sabia mais que vancê!
Prá falá de tantas lêzes,
vancê viveu assuntando
nesta grande bibrótéca,
mais de quarenta janêro!
Imquanto lá, no sertão,
o Antonio da Caturrita
e o Mundico Cachacêro,
garrando o braço d’um pinhô,
saluça, n’um desafio,
três noite e três dia intêro!
E inda que prú má prêgunto,
vassuncê, que sabe munto,
diga, sem tutubiá: —
quem foi que ensinou o Antonio
e o Mundico Cachacêro
tanta coisa prá cantá?!
Eu — digo à vossa Incerlença
que isso é que é inteiligença: —
o sabê, sem se estudá!!!
Preguiçoso!? Madracêro?!
Não sinhô, seu Conseiêro!!
Vossa Incerlença não viu
um cabôco istruviado,
c’um cravinote ou garruncha,
ispantá um bataião
d’uma prução de sordado!
Vossa Incerlença parece
que não lê munto essas coisa,
ou finge que nunca lêu!
Vancês têm munto talento!!!!
Mas porém pércisa tento
cum a fôme e cum o sufrimento!...
Quem lhe agarante sou eu!
Vancê diga aos cumpanhêro
que um cabra, — o Zé das Cabôca,
anda cantando estes verso,
que, hoje, lá, no meu sertão,
avôa de boca um boca: —
“Eu prantei a minha roça!
“O tatú tudo comeu!
“Prante roça quem quizé,
“que tatú quero sê eu!”
Vassuncê sabe onde tá
os buraco adonde véve
os tatú infomeado?
Tá nos palaço da Côrte
dessa prução de ricaço,
que fez aquele palaço
cum o sangue dos diagraçado!
Vossa Incerlença pérciza
dizê prôs repubricano
que é pércizo tê cuidado!
Patrão!... Vassuncês tem tudo!...
Vancês tudo leva a vida
munto bem adivértida,
passeando lá de ôtrômóve
pula estrada da Avinida!!
Vancês tem rio de açude!!
Tem os doutô da Hingiena,
que é prá cuidá da saude!!
E nós?! Que tem?! Arresponda!!
No tempo das inleição,
que o tempo das bándaêra,
nós só tem uma cangáia,
prá levá toda a porquêra
dos doutô politicáia!
Sinhô doutô Conseiêro!
De lêzes eu não sei nada!...
Meu Dêrêito é a minha inxada!
Meu palaço é de sapé!
Quem da lêzes prá famia
é a minha bôa muié!
Eu sou frômado oito vez,
e sou tômbêm conseiêro,
pruqué tenho oito fiinho!
Quem dá lêzes prá minh’árma
é as dez corda deste pinho!
Vancê qué sê Perzidente!
Apois sêje, meu patrão!...
Nós já ficava contente,
se vancês désse prá gente
uns restozinho de pão!
A nossa terra — o Brazi —
já tem munta inteligença!!
Muntos hôme de sabença,
que só dá prá espertaião!!!!
O que nós pede é a Piadáde!!
É um tico de Caridade,
prá nós vivê, cumo érmão!!
Leve o diabo a falação!
Prá sarvá o mundo intêro!
abasta tê coração!
Prôs hôme de inteligença
trago cumigo esta figa!!
Esses hôme têm cabeça,
mas porêm o que é mais grande
do que a cabeça, é a barriga!!
Vancé, quando faz sermão,
fala munto im riligião!
Apois bem. Nosso Sinhô
que nasceu n’um prezepinho,
falava munto pouquinbo,
cum clarêza e cum amô!
Ele, o Doutô dos doutô
que era o êxêmpro da humirdade,
escuiéu prá seus apóstro,
entre os rico da cidade,
doze pobre, cumo Pedro,
que era um pobre pescadô!
E inté os pé desses hôme
o Cristo um dia lavou!!!
Seu Conseiêro, um consêio:
Dêxe toda a bibrotéca
dos livro, essa estupidêza,
vá estudá o Dêrêito
das lêzes, na Natureza,
vá vê cumo Deos é grande
e cumo póde ensiná
as coisa que um hôme sabe,
sem sê percizo estudá!
Vancê leva nestes livro
lendo e lendo a toda hora!
Mas porém eu só queria
cunhecê, seu Conseiêro,
o que vancê inguinóra!!!
E abasta! Já vou me embora.
Si um dia vancê quizé
passá uns dia de fome,
de fome e tarvez de sêde,
e drumi lá n’úma rêde,
n’uma casa de sapê,
vá passá cumigo uns tempo
nos mato do meu sertão,
que eu hei de li abri as porta
da choça e do coração.
Eu vórto prós matagá,
mas porém, ouça prêmêro.
Vancê pôde nos xingá,
nos chamá de madracêro,
pruquê nós, seu Conseiêro,
não qué mais sê bestaião.
Imquanto os hômé de riba
dexá nós tudo mazômbo,
e só cuida dos istômbo,
e só trata de inleição,
seu Conseiêro há de vê,
pitando o seu cachimbão,
o Géca-Tatú se rindo,
cuspindo, sempe cuspindo,
óiando ansim prá vancê,
cum o quêxo sempe na mão.
Eu sei que sou um animá!
Eu não sei mêmo o que eu sou!
Mas porém eu li agaranto
que o que vancê já falou,
e o que indá tem de falá,
e o que inda tem de inscrevê...
todo, todo o seu sabê,
e toda a sua saranha,
não vále unm palavrinha
daquelas coisa bunita
que Jesus, n’uma tardinha,
disse im riba da montanha!
VOCABULÁRIO
Brêdo — mato.
Fardunçage — reunião da muitas vozes.
Cangussú — onça.
Sanhasú — pássaro canoro.
Lêzes — plural de lei.
Mapiage — algazarra.
Cancão — pássaro comedor de frutas.
Zabelê — pássaro, cujo canto prenuncia chuva.
Jacutinga — ave de corpo esguio.
Urú — pequeno galináceo cor de rapé.
Burrada — tropa de burros.
Isturro — rincho.
Curió — avinhado (pássaro).
Madracêro — negligente.
Imbonecado — com espigão.
Acerar — cortar o matagal nas queimadas, para
evitar a propagação do incêndio.
Istruviado — destemido.
Talento — força, coragem.
Pinho — viola.
Mazombo — triste, necessitado.
Saranha — palavreado.

CATULO DA PAIXÃO CEARENSE

OBSERVAÇÃO - O EXPOENTE DO CENÁRIO BRASILEIRO A QUEM CATULO SE REFERIA ERA RUI BARBOSA, QUE NO SENADO UTILIZANDO O PERSONAGEM DE MONTEIRO LOBATO, DISSE QUE A CULPA DA MISÉRIA DO POVO BRASILEIRO ERA DO JECA-TATU, (GECA-TATU, FAZ PARTE DO ORIGINAL DE CATULO PUBLICADO NO LIVRO "SERTÃO EM FLOR".

segunda-feira, 25 de junho de 2012

SEXTINA 2 O TEMPO RELEGANDO A SOLUÇÃO

SEXTINA 2 O TEMPO RELEGANDO A SOLUÇÃO


O tempo relegando a solução
Que tanto desejei e nunca vinha
A sorte se mostrando noutro rumo
E quando vejo a luta em dimensão
Diversa da que tanto me acostumo
Enfrento tão somente a negação,

O mundo desenhando em negação
Negando o que pudesse em solução
Não traz sequer o quanto me acostumo
E a luta sem descanso já não vinha
Mostrando o quanto cabe em dimensão
Dispersa o meu caminho em tosco rumo.

Além do que pudera sempre rumo
E nisto se desenha a negação
Ousando acreditar na dimensão
E nisto se aproxima a solução
Tramando o que pudera e não mais vinha
Ao fim após a guerra eu me acostumo.

O tanto quanto possa, e se acostumo
Mudando com firmeza além o rumo
Sabendo o que em verdade sei que vinha
Traçando tão somente a negação
Refaz a cada passo a solução
E traça esta sobeja dimensão.

Meu mundo se mostrando em dimensão
Enquanto na verdade me acostumo,
Procuro nos teus olhos, solução
E tanto quanto quero e vejo e rumo
Explica a mais diversa negação
E o todo desejado ora não vinha.

Cevando com ternura a velha vinha
O quanto me engrandece em dimensão
Dispersa do que tanto em negação
Trouxesse o quanto possa e me acostumo
Marcando a cada dia enquanto eu rumo
Tentando no horizonte a solução.

A vida em solução já não mais vinha
E assim eu sigo o rumo em dimensão
E aos poucos me acostumo à negação.

MARCOS LOURES

SEXTINA 0001 AINDA QUANDO PUDE TER NO OLHAR

SEXTINA 0001 AINDA QUANDO PUDE TER NO OLHAR

Ainda quando pude ter no olhar
Os dias mais felizes ou quem sabe
A sorte noutra face já desabe
Ou mude meu caminho devagar,
Restando dentro em mim o que não cabe
Sequer eu poderia imaginar.

Ainda que quisesse imaginar
Não trago qualquer luz em meu olhar
E sei da solidão e quanto cabe
Do todo sem sentido e não se sabe
O rumo se moldando devagar
No todo quanto possa e ali desabe.

Meu tempo este castelo que desabe
Já não comporta mais o imaginar
Seguindo o meu caminho devagar
Mantendo esta esperança em teu olhar
Tramando o que deveras não se sabe
Trazendo o quanto quer e nunca cabe,

O sonho dentro da alma sempre cabe
E mesmo que esta estrada assim desabe
Resumos do cenário e já se sabe
Ousando num suave imaginar
Somente poderia ao ver e olhar
Singrar este oceano devagar.

O passo mesmo sendo devagar
Traduz o que decerto ainda cabe
Moldando a rara luz em meu olhar
Repare neste encanto que desabe
E busque o que pudesse imaginar
E o tempo noutro encanto nada sabe.

O tanto quanto pude e não mais sabe
Quem luta contra a fúria devagar
Ainda que pudesse imaginar
Ao fim de certo tempo não mais cabe
E o mundo desejado enfim desabe
Negando o que pudesse em cada olhar.

Traçasse a cada olhar o que se sabe
E o todo não desabe, devagar
Amor; somente cabe imaginar.

MARCOS LOURES

SEXTINA DUPLA 01 MEU BARCO SE PERDENDO EM TEMPESTADE

SEXTINA DUPLA 01


Meu barco se perdendo em tempestade
Distante dos teus braços, sigo só.
Não tendo mais sequer a claridade
Percebo bem longínquo o porto, o cais
Quem dera se eu pudesse ter o amor
Decerto eu poderia ser feliz.

Quem busca nesta vida ser feliz
Ao enfrentar a dura tempestade
Já sabe da importância de um amor
E nunca quer seguir assim tão só.
E busca na alegria ter seu cais,
Farol de uma esperança – claridade!

Percebo em teu olhar tal claridade
Que sabe me deixar bem mais feliz
Proporcionando à sorte um belo cais
Vencendo a mais terrível tempestade.
O coração amante não vai só
Ao ter a calmaria feita amor.

Seguindo os rastros mansos deste amor
Percebo ao fim do túnel, claridade
Que surge quando um sonho não vai só
E me permite ser enfim feliz
Embora a vida traga a tempestade
O amor leva meu barco para o cais.

Encontro nos teus braços o meu cais
Levado pelos ventos deste amor
Depois de ter vencido a tempestade.
Nos olhos de quem amo a claridade
Iluminando a glória: ser feliz,
Caminho de quem nunca vive só.

Quem pensou tantas vezes ser tão só
Ao ver no colo amado, um doce cais
Já sabe que é possível ser feliz,
Pois tem a fortaleza deste amor
Bebendo da alvorada a claridade
Não teme mais sequer a tempestade.

O meu passado em plena tempestade
Daria uma certeza de ser só
Não fosse ter a sorte e a claridade
Depois de tantos anos, como um cais
A maga sensação do pleno amor
Promessa de um futuro mais feliz.

Não tendo mais temores, vou feliz
O peito aberto enfrenta a tempestade
Contando com a força deste amor
Que nunca me abandona e deixa só.
Quem sabe que terá na vida um cais
Das trevas faz surgir a claridade.

Dos teus olhares sinto a claridade
Tornando o dia-a-dia, enfim feliz.
Ancoradouro belo, um raro cais
Afronta com bonança, a tempestade,
Matando a sensação amarga e só
Revigorado sempre pelo amor.

No barco, o timoneiro sendo amor
Traz a inerente luz e claridade
E segue o seu destino por si só
E tem por garantia o ser feliz,
Apascentando sempre a tempestade
E chega calmamente a qualquer cais.

Vagando a noite inteira, busco um cais
Levado pelos ventos de um amor
Enfrento a ventania, a tempestade,
Seguindo passo a passo a claridade,
Decerto assim serei bem mais feliz
Desembarcando aqui, não vou mais só

E peço assim querida, uma vez só,
Recebe o meu saveiro no teu cais
Deixando-me contente e mais feliz.
E ao ter o teu carinho, meu amor
Na paz que me transmite a claridade
A vida não trará mais tempestade.

É dura tempestade o ser tão só
Porém em claridade sei do cais
Que quando em pleno amor nos faz feliz.

SEXTINA DUPLA
Obs A sextina dupla foi composta inicialmente por Petrarca e Dante

APAGUE MEU NOME

APAGUE MEU NOME


Sim, apague meu nome do caderno
Dos amores que guardas qual diário...
Amor que se julgavas ser eterno
Morrendo sem carinhos, temerário...

A vida se transforma em pleno inferno,
Os dias se arrastando. O calendário
Mostrando para sempre um frio inverno
Amor que assim se foi, sempre contrário...

Amor que se esfumou sem primavera,
Negando todo o bem de uma alegria.
Amor que maltratou, velha quimera,

Do sonho que pensara, só fracasso.
Morrendo em triste areia sem magia,
Não deixa nem a marca de um abraço...


Baseado em Risque Ari Barroso

MARCOS LOURES

NOSSO RITO

NOSSO RITO


Adentro no teu quarto, em tua cama,
E roço tua nuca, em minha barba,
Provoco tua pele, nossa chama,
Tua defesa cede e assim desaba.

Subindo na parede, em viva rama,
A noite assim começa, assim acaba
No fogo que nos toma e cedo inflama,
No quarto, na tapera, lama ou taba,

Num alvoroço insano que não para,
As mãos tocando os seios devagar,
O mapa do tesouro se escancara

E vamos num passeio ao infinito,
Sorvendo cada gota deste mar,
Na delícia deste encanto, nosso rito...

MARCOS LOURES

TATUAGEM

TATUAGEM

Enfeito meu desejo, tatuagem,
Em tua pele brônzea, perfumada.
Fazendo no teu corpo esta viagem
De dia, tarde ou noite ou madrugada...

Traçando em tua cútis a colagem
Tão delicadamente desenhada.
Guardando na retina cada imagem
Da perfeição divina, abençoada...

Chegaste tão ligeira em minha vida,
Mal tive tempo, amor, de perguntar,
Apenas me entreguei sem nem pensar.

A marca da pantera, dentes, garras,
Aos poucos se entranhando... Sem saída,
Nesta delícia, amor; tuas amarras...

MARCOS LOURES

AMIGO REGINA CNL e marcos loures

AMIGO REGINA CNL e marcos loures


Ser poeta,
É flutuar,
entre a realidade e ficção
Viver a solidão para que melhor possa
ouvir a nostálgica voz das suas memórias

É contemplar o mundo desconhecido
sonhos e visões que seus olhos
nunca viram.

Um estranho no meio do povo,
seus amigos, moram na imaginação

Ao ler o que escreve surpreende seus ouvidos,
não contém o choro, diante da aflição e tristeza
que por vezes, mina sua existência, vestida de solidão...

Ao olhar no espelho não se reconhece.
ali tem algo, que os olhos da alma não conseguem ver...

Poeta que é, surdo quando não quer ouvir,
cego, quando não quer ver

Paralisado diante dos sonhos que não decifra,
um louco no mundo de gênios... ou fantasmas...

Poeta é ser, e, escrever o que o mundo não acredita que exista

Cria fantasias, prados, campinas, água corrente, desertos, vales e montanhas
Galhos transformados em serpentes coloridas.
Mulheres nuas, suspensas em nuvens desaguando...entre os prazeres da vida...

Sem que para isso, desfrute do conteúdo descrito nas páginas
que o iludem e, voam nas asas da poesia...

Um Ser às vezes racional. Outra deixo-me levar pelo vento.


Regina cnl.

Enquanto a voz se faça mais presente
Não cessará jamais de ter um sonho,
Ainda quando muito um ser tristonho,
Deveras emoção presume ou sente,

Não posso me calar, incoerente,
Vagando entre o que vejo e o que componho,
Pudesse ter nas mãos o quanto ponho
Constante imprecisão, mesmo descrente,

Ao menos num lampejo me permito
Traçar o meu anseio no infinito,
Embora saiba bem que nada reste.

Meu passo incoercível na aridez
Enquanto a cada instante se desfez,
Expressa uma alma rude, mesmo agreste.

NOSSAS NOITES

NOSSAS NOITES

Nossas noites, lençóis amarrotados,
Jogados sobre o chão do nosso quarto.
Desejos e carinhos delicados,
Amor que nos tomou. Eu não me aparto
De teus carinhos sempre apaixonados.
No gosto de teus lábios já reparto
Meus sonhos e malícias sem enfados.
Até que o dia surja, claro e farto...
Lençóis que derrubamos desta cama,
Mostrando esta volúpia, fome imensa...
Assim nos devoramos. Louca trama
Que traz efervescentes tempestades.
Secando toda a fonte, recompensa,
Sabemos traduzir saciedades...

MARCOS LOURES

SENTIR TEU TOQUE

SENTIR TEU TOQUE

Sentir teu toque, um bálsamo divino.
Tomando o meu desejo em forte gozo.
Num gesto mais profano te eternizo
Sou refém deste sonho mavioso.

Em chuvas, turbilhões, neve e granizo,
Não quero nem saber qualquer repouso,
Apenas no teu corpo mais preciso,
O toque sensual e desejoso...

Uma tortura imensa mais perfeita,
Revira nossos olhos, num segundo.
A boca não sacia, insatisfeita

E quer de novo o beijo da princesa.
Vibrando nos meus braços, mar profundo,
Que invado com meus barcos, indefesa...

MARCOS LOURES

APRISIONADOS

APRISIONADOS

Aprisionados, loucos e desnudos,
Na embriaguez insana, pele em pele.
Momentos delicados, mais agudos,
Insaciado amor sempre compele.

E juntos caminhamos sem repulsa
Estradas extremadas pernas, seios...
Vontade sem limites, cedo pulsa
E nada nos detém, não temos freios...

Tomado por insânia em frenesi,
Requebros e meneios, teus quadris.
Recebo este calor que vem de ti,
Em teu gozo, querida, sou feliz...

Estamos lado a lado, a vida inteira,
Paixão que nos decora, verdadeira...

MARCOS LOURES

AOS MEUS AMIGOS DE GRUPOS, PERDOEM-ME.

Meus amigos, após ter sido acusado por determinado grupo de utilizar o espaço dos grupos para auto-promoção, eu não mais irei publicar em qualquer grupo de poesia e/ou literatura e arte, já que não me considero como tal e não quero como nunca quis utilizar nenhum espaço para minha promoção pessoal, pois além de não ser poeta nem artista, escrevo minhas baboseiras apenas como uma forma de terapia, sem nenhum objetivo comercial nem de me promover; se, por acaso alguém quiser me dar a satisfação de ler as besteiras que posto elas serão colocadas no meu blog ou aqui na página incial do meu perfil, até que o facebook me permita, desejo aos meus companheiros de grupos a melhor sorte do mundo e me perdoem se criei algum desconforto, não sendo esse meu objetivo. Um grande abraço queridos irmãos.

RECÔNDITOS CAMINHOS

RECÔNDITOS CAMINHOS

Vagando teus recônditos caminhos,
No amor que te proponho, vivo e rijo,
Vibrando em avidez, tantos carinhos,
Guardando o teu prazer, esconderijo...

Cabelos soltos, olhos caprichosos
Que miram para o nunca, revirados.
Teus lábios carmesins, tão desejosos,
Nas fontes das delícias, mergulhados...

E vamos noite adentro, nestes jogos,
Que fazem explosões a cada instante.
Ouvindo deslumbrantes, raros fogos

Nesta lubricidade genial,
Sem rumo, sem juízo, a delirante
Viagem por teu corpo, sensual...

MARCOS LOURES

HÁ TEMPOS

HÁ TEMPOS

Há tempos te conheço, minha amiga,
E reconheço sempre teu carinho.
Nossa amizade feita em forte liga
Ajuda-nos nas curvas do caminho.

Permita Nosso Pai que assim prossiga,
E cada vez melhor, tal qual o vinho.
Que tudo que se queira se consiga
Que o mundo não me deixe mais sozinho.

Humilde e de joelhos, agradeço
A Deus por amizade tão sincera,
Em toda minha prece te ofereço

A gratidão enorme de te ter.
Nossa amizade, eterna primavera,
Uma brilho que me dá muito prazer...

MARCOS LOURES

PAR CONSTANTE

PAR CONSTANTE

Amiga, companheira ,par constante
No dia a dia sempre tão dileta,
Mostrando uma alegria deslumbrante
Que faz a nossa vida ser completa.

Estar ao lado teu a cada instante
É sorte em que esta vida se repleta,
No olhar tão mais profundo, radiante,
Indica a direção sempre correta.

Amiga em cada verso, amanhecer
Desta certeza plena que se faz,
O rumo onde pretendo percorrer

Caminhos mais tranqüilos pela vida.
Na força da amizade, imensa paz,
Pra todas desventuras ,a saída...

MARCOS LOURES

DESCAMINHOS

DESCAMINHOS

Nos descaminhos todos, sem ter hora
De chegar ou partir, sem compostura,
Vejo que talvez nunca foi embora
A dor que se fez trágica tortura.

Que me importa essa vida lá de fora
E se chora essa tétrica figura
Que há muito se mandou no mundo afora
Agora, que é bem tarde me procura.

Talvez inda proponha; minha amiga,
Falar do que passei e não passou,
Garante que inda gosta, mas nem liga.

Somente te garanto que a aflição
De ser o que não fui tampouco sou,
Maltrata o que restou de um coração.

MARCOS LOURES

AMIGA...

AMIGA...

Plantar o que colhemos pela vida
E receber o fruto da amizade.
Quem pensa que essa sorte vai perdida,
Encontra em seu caminho a claridade.

Não veja como porta de saída
A que nunca soubeste na verdade,
Não perceba somente a despedida,
A fonte inesgotável de saudade.

Um jardineiro sabe como é bom
Receber o perfume de uma flor,
Demonstra seu carinho como um dom.

Porém nunca se admite minha amiga,
Que a mão que não plantou tenha o valor
E roubar a colheita enfim, consiga.

MARCOS LOURES

EM TANTO AMOR

EM TANTO AMOR

Me acumulaste sempre em tanto amor
Que trago este rosário de esperanças.
Sabendo de teu riso sedutor
Amiga me conduzo em tuas danças.

Nas águas destes rios, leves, mansas.
Certezas deste mar encantador.
Distante de guerrilhas, medos, lanças,
Na profusão intensa em bom calor.

Amiga, não me farto de teus dedos
Beatos, carinhosos e felizes.
Amores, amizades, teus segredos,

Na cura de tais males, cicatrizes.
Ilusões por certo mais presentes,
No amor em que vivemos, somos gentes...

MARCOS LOURES

SE EU PUDESSE...

SE EU PUDESSE...

Amiga, se pudesse por instantes,
Falar de tantos sonhos que tivemos,
De todos os momentos mais constantes
Que em busca da verdade, nós vivemos.

Falando sem temores nem rompantes
De tudo o que bem sei que enfim queremos,
Do mundo onde sejamos viajantes
Dos sonhos que mais forte, saberemos...

Mas, tolo, mal percebo tais disfarces
Usados por aqueles que nos guiam.
Um lobo que se esconde em calmas faces

Devora uma esperança sem perdão.
Coitados dos cordeiros que se fiam
Nas mãos de tal senhor, vil e ladrão...

MARCOS LOURES

PERDOE

PERDOE

Perdoe toda a farsa escancarada
Na face de quem mente sobre o amor.
A boca da verdade abandonada
Nos antros da vergonha neste andor.

Perdoe toda rosa estraçalhada
Nos dentes sem limites do pastor,
Mentira no Teu nome apregoada,
Nas taças folheadas de louvor...

Perdoe cada santo que emergindo
Dos pântanos obscuros das almas.
Da podre corrupção que se aspergindo

Em nome deste amor, que é tão perfeito,
Matando este cordeiro em novos traumas,
Se acham bem mais fortes no direito...

MARCOS LOURES

CORTARAM TUAS ASAS?

CORTARAM TUAS ASAS?

Cortaram tuas asas, anjo amado?
Fecharam os teus olhos, sonhos, brilho...
Desmoronando o monte do passado
Rompeu esta barragem, fecha o trilho
Tomando numa enchente todo o prado
Matando este desejo, nosso filho..

Amada não permita que esta amarra
Limite cada passo em rumo à sorte.
Apare em mansidão a dura garra
Cravada em teu pescoço bem mais forte
No corte da navalha e cimitarra
Promessa de vingança, dor e morte....

As asas renascendo a recompor
Os vôos sem limites deste amor...

MARCOS LOURES

TUA PRESENÇA

TUA PRESENÇA

Tua presença sempre me fascina
E faz ferver desejos e loucuras.
Te quero a cada instante; uma menina
Clareia em força e luz, noites escuras...

Viajo no teu corpo, sede e sina,
Fazemos nossas santas diabruras;
A noite de prazer nunca termina,
Encontro na saliva, as minhas curas...

Deitados nessa noite sob a lua...
Tua presença em chama, fogo e brasa,
Tatuo meus segredos, pele nua

Total insensatez... Nos gritos roucos,
Desfruto de teu corpo, minha casa;
Amamos sem juízo, soltos... Loucos...

MARCOS LOURES

PERDIDO PELAS RUAS

PERDIDO PELAS RUAS

Quantas vezes perdido pelas ruas
Fiel aos meus desígnos prometidos,
Na busca por mentiras seminuas
Nas saias, nos requebros, nos vestidos,
Nas pernas tão roliças, carnes cruas,
Vivendo das paixões mal resolvidas...

Quantas vezes sangrando em cada porre
Nos becos, nos botecos, nos puteiros,
O sangue em cada corte ainda me escorre
Dos meus velhos entraves bandalheiros,
Nem mesmo o que nós fomos mais socorre
Destes canibalismos verdadeiros...

Quantas vezes risonha meretriz
Me mostra como agora sou feliz!

MARCOS LOURES

POR ESTA ESTRADA

POR ESTA ESTRADA

Por esta estrada límpida e divina
Vieste derramando o teu perfume.
Na senda maviosa e cristalina
Teus passos magistrais são de costume.
Tua beleza rara me fascina
O teu olhar de deusa, um mago lume...

Quem dera se pudesse ter abrigo
Nos passos que desfilas no caminho,
Andando a vida inteira assim, prossigo
Por certo não serei jamais sozinho.
Um sonho tão feliz e tão antigo
Se mostra em cada gesto de carinho...

Meus olhos te buscando vacilavam...
Teus pés longe do solo flutuavam...

MARCOS LOURES

UM PASSARINHO SE RECOLHE AO PRÓPRIO NINHO.

UM PASSARINHO SE RECOLHE AO PRÓPRIO NINHO.

Amigos me perdoem se parece
Que tento nalgum grupo promover
A rude fantasia a se perder
Ou mesmo procurar qualquer benesse,

Apenas trovador que não merece
Sequer o que pudesse se fazer
Num êxtase, tentado conceber
O quanto em rimas pobres, a alma tece,

Por ter e por saber o quanto insisto
Rompendo com firmeza o podre cisto,
E drenando este abscesso, trafegar

Em meio aos mais diversos descaminhos,
Meus repentes somente nos meus ninhos
P’ra imenso alívio; irei, pois publicar.

Marcos Loures

UMA ETERNA PRIMAVERA

UMA ETERNA PRIMAVERA

As flores de uma eterna primavera
Os frutos da amizade e do carinho.
Granando uma esperança; morta a fera
Libertam-se meus sonhos passarinhos...

Saber de cada corte. Quem me dera...
Não ser mais caminheiro tão sozinho.
O canto em liberdade, o que se espera;
Em toda a solidão há um caminho

Que traz esta sublime fantasia
De um dia, sermos todos como irmãos.
A terra cultivada em sintonia

Sem fome, sede; Justa, harmonizada,
Não deixe que estes sonhos sejam vãos,
A sorte em nossas mãos, está lançada...

MARCOS LOURES

Soneto cor-de-rosa JOSÉ EDWARD GUEDES

Soneto cor-de-rosa JOSÉ EDWARD GUEDES

Soneto cor-de-rosa entrou na prosa,
Mandando um beijo azul de norte a sul,
Tratando Doralice com meiguice
E para Maricota, a flor que brota

Numa linda canção do coração.
E viva o Mr. Jimmy, voz sublime,
Em que a Regina prima em rica rima
E a dona Iva explode em bela Ode,

A Ana, a talentosa, em terna rosa!
Maria Júlia faz da guerra a paz,
Marcão disse: que graça Edir nos passa!

A Soaroir na vanguarda, transvanguarda,
Sabe que o Marcos Loures faz primores,
Assim como João Gomes: grandes nomes!

JOSÉ EDWARD GUEDES

Muito obrigado pela citação querido amigo abraços fraternos marcos

SENSUAL

SENSUAL

A pele sensual, fina penugem;
O rosto tão macio, o gozo o gesto.
Movendo mansamente já ressurgem
Os medos deflagrados; sou teu resto...

Os brilhos dos teus olhos já refulgem
Nos sonhos que aos desejos eu empresto
E o corte tão profundo traz ferrugem
Na boca a sensação de um louco incesto...

Mas temo solitário em minha cama,
Que o vento que te rouba faz segredos.
Acende e vulcaniza toda a chama

Dormito lentamente e assim me esgarço,
Vencido pelos mágicos enredos,
Agarro-me ao teu corpo e nem disfarço...

MARCOS LOURES

DIVERSAS ILUSÕES

DIVERSAS ILUSÕES

Enquanto desfizesse cada sonho
Envolto em mais diversas ilusões
E neles o caminho em que repões
Os erros quando a paz; em vão, componho,

Pudesse desenhar um mais risonho
Cenário entre tantos turbilhões
E tendo tão somente as emoções,
Embora saiba o mundo ora enfadonho.

Rescaldos de outras eras trago ainda
E quando novo tempo se deslinda,
Apenas mera imagem distorcida,

Não tendo outra saída, em labirinto,
Somente o quanto forjo e mesmo minto
Expressa a minha morte em plena vida.

Marcos Loures

UM DIA...

UM DIA...

Um dia, percebendo esta menina
Deitada em minha cama, enlouqueci.
Na forma angelical que descortina
Um brilho sem igual, que nunca vi.

Tomando de surpresa minha sina
Estava tal princesa logo ali
Serena, delicada e tão franzina
Muito mais que sonhei e que pedi...

Depois, se levantou e foi embora
Qual fosse uma miragem, simples sonho.
Busquei o seu sorriso mundo afora

E nada de encontrar tal criatura,
Promessa de outro dia mais risonho...
Só nela, meu bom Deus, a minha cura...

MARCOS LOURES

DELÍRIO

DELÍRIO

Num gélido delírio a noite passa
E tudo quanto eu quis já se perdera
Na sorte que deveras perecera
Enquanto a vida mesmo se esfumaça.

Descrente sensação ora desfaça
O tanto num momento que percebera
Traçado pela farsa que vivera,
Na cena mais obscura, sempre baça.

Vestígios de um passado mais feliz,
Trazendo o quanto outrora bem mais quis
E nada do que fiz pudesse ainda

Tramar outro cenário, mesmo assim,
Desvendo cada instante de onde eu vim,
E a bruma matinal já se deslinda...

Marcos Loures

Viajo contigo! SOL FIGUEIREDO e marcos loures

Viajo contigo! SOL FIGUEIREDO e marcos loures

Eu viajo só nessa estrada,
Vou contigo em pensamento,
Vais comigo em sentimento,
Só há tua presença e mais nada!

Então, és o meu único rumo,
És meu horizonte, meu foco,
Mesmo distante, eu não troco,
Amigo, tu és o meu insumo!

Penso em ti, a cada instante,
Estás em mim, todo momento,
Consoante, eu já lamento,
Amo-te sim, de hoje em diante!

Se um instante, te esquecer...
Já esqueci também de meu ser!

© SOL Figueiredo

Apenas o vazio me acompanha
Nas curvas desta estrada e nada mais,
Os dias se repetem, são iguais
A luta sem saber em dor entranha,

A face que vislumbro em dor tamanha,
Os ermos ditam mesmos temporais
E sei dos desenganos que, fatais,
Eclodem logo após cada montanha,

Não mergulhasse em mim e não teria
Ao menos o que possa em luz sombria,
Deixando para trás os meus receios,

E sinto em devaneios tal aragem,
Seguindo sempre em frente esta viagem
Sem mesmo conhecer os claros veios.

Erros Costumeiros

Erros Costumeiros

Os erros costumeiros do andarilho
Que segue apenas rastros do que outrora
Viera em novo engano e desancora
Deixando para trás um falso brilho,

E quando sobre as pedras também trilho
Ousando nos momentos desde agora
Vencido pelo encanto que devora,
Fazendo da esperança um estribilho,

Nos vórtices comuns a quem tentasse
Seguir após o todo noutro impasse
A face se fartando em corte e fel,

Ausento-me do rumo que pudera
Ultrapassar o medo, a rude fera,
Que sinto atocaiada, em tom cruel.

Marcos Loures

AS LUZES QUE BUSCARAS

AS LUZES QUE BUSCARAS

Orvalhos matinais enquanto a sorte
Depositando neves dores trama,
E quando imaginasse nova chama,
Apenas em granizo outro suporte,

A luta que deveras não conforte,
O preço a se pagar, a farsa e o drama,
No tanto que lutando nada clama
Senão a mesma voz ditando o corte,

Mas tudo tem seu fim, imaginara,
Porém aumenta sempre a mesma escara
E a vida se demole a cada não,

Nem mesmo se o verão voltar, deveras,
Terás a imensidão que em vão esperas,
As luzes que buscaras não virão.

Marcos Loures

CADA RAIO

CADA RAIO

Reclinas sobre o encanto da alvorada
Enlanguescido olhar buscando além
O sol que enamorado quando vem
Expressa esta manhã tão desejada,

A pedra mais suave lapidada
No quanto outrora houvera mais alguém
Sentindo mansamente o doce bem
Imagem tanta vez vencendo o nada,

Restaura uma alegria em olhos tristes,
E sabe quanto queres, não desistes,
Versando sobre intensa claridade,

E mesmo na sombria tarde estende
O mundo que deveras não compreende,
Mas bebes cada raio que inda invade.


MARCOS LOURES

SEM DESCANSO

SEM DESCANSO

Numa orvalhada fonte sem descanso,
O tempo desenhasse outro desejo
E quantas vezes tento e mesmo vejo,
O mundo que de fato eu não alcanço.

Quisera ser deveras bem mais manso,
O verso mais audaz quando em lampejo,
Ousasse presumir em novo ensejo,
Mereça alguma paz, doce remanso,

Mas sei da incoerência que me trazes,
Mudando num momento em outras fases
O quanto se fizera em luz suave,

Na intensa sensação de tempestade,
O encanto sem defesas se degrade
E o passo rumo ao tanto o tempo entrave.


Marcos Loures

UMA ESPERANÇA

UMA ESPERANÇA

A fronte desenhando uma esperança
Ainda quando fosse mera luz
Que ao tanto sem promessas reconduz
Enquanto o tempo passa e não se amansa,

A vida desfazendo esta aliança
Que feita em temperança reproduz
O farto desejar sem corte e cruz,
Embora se distasse a temperança.

De pálpebras fechadas, o infinito,
O passo em raro encanto, o mais bonito,
Versando sobre as brasas de um engano,

Esquece o que se fez dorido e trama
Deixando para trás o medo e o drama,
Vencendo este vagar cotidiano...

Marcos Loures

SONHADORA

SONHADORA

Na lânguida expressão da sonhadora
Imagens diferentes, tons iguais,
Em ritos tantas vezes magistrais,
Marcando o que de fato nunca fora,

Somente a lua imensa e tentadora,
Os olhos percorrendo estes astrais,
E neles outros tantos, sem jamais
Negar a redenção mais promissora.

Mas quando a vida traz o dia a dia,
Distando de seus olhos, não teria
Sequer o que deveras tanto quis,

E o corte se aprofunda lentamente,
Enquanto a realidade volve e mente,
Nos sonhos, pelo menos é feliz.

Marcos Loures

À Noite

À Noite

À noite, entre perfumes mais diversos,
Desnuda sob a lua em seus fulgores,
Vagando com ternura em mil amores,
Corcéis adentram tantos universos,

Os dias, tantas vezes são perversos,
E sangras entre espinhos, raras flores,
A sorte desenhada em grises cores,
Momentos entre dores vão submersos,

Porém o sonho dita outro cenário
E o quanto se fizera imaginário
Presume tão somente o que não veio,

Na túrgida expressão de algum delírio,
Esquece o corriqueiro e vil martírio,
Nas mãos a percorrer rígidos seios.

Marcos Loures

AMORES.

AMORES.

Ascendo ao quanto pude além da neve
Que expressas no momento onde procuras
Além das vagas noites em torturas
O quanto deveria e não se atreve,

Vestindo a solidão embora breve,
Adentro sem sentido as amarguras
E nisto quando quis simples ternuras,
A vida noutro passo em vão se atreve,

E sei do quanto amor em brevidade
Tentasse desenhar o quanto invade
E dentre os descaminhos, tudo rege,

Não mais me permitisse ao quando fosse,
Neste raro amargor, o outrora doce,
Desnuda-se afinal o louco herege.

Marcos Loures

UM FIM AGRESTE

UM FIM AGRESTE

Sentindo tuas mãos, macias garras,
E delas presumindo o fátuo gozo,
O tempo que se fez tão caprichoso,
Deitando no passado t’as amarras,

Enquanto em tal ternura além esbarras,
Num cio sem igual, vou torporoso,
Toando a mesma insânia em doloroso
Cenário aonde enfim, sempre desgarras,

Bacante noite envolta em ar profano
E quando me presumo em desengano
Adentro os descaminhos que trouxeste,

E vejo em claridade o quanto há tanto
Moldara este momento e se me encanto,
Apenas presumisse um fim agreste.

Marcos Loures

FARSAS

FARSAS

Ainda quando a vida se fez mais
Que tudo quanto um dia imaginara
Tornando a imensidão superna e clara,
Matando os dias rudes e venais,

Ainda quando o passo foi demais
Tomando num segundo esta seara,
A porta noutro não se escancarara
Bebendo engodos fátuos, desiguais,

Ainda quando um dia acreditei
No quanto poderia e me enganei
Fazendo do meu verso uma arma vã,

Opaca sensação do nada ser,
Negando o quanto possa amanhecer
Entregue à realidade tão malsã.

Marcos Loures

DE REPENTE

DE REPENTE

Faz tempo que te quero e nem me notas
Meus dias sem te ver são tão vazios
Amor tão sem limite, sem ter cotas,
Trazendo para os sonhos tantos cios.

Mas nada do que faço já te atrai
Meu canto vai perdido sem resposta.
Eu te amo, mas a vida te distrai
E mal te vejo, nunca estás disposta

A ouvir os meus chamados desmedidos,
Às emoções que vivem quarentena
Quem dera se me desse, enfim, ouvidos

Viríamos viver intensamente,
Ao longe minha mão sempre te acena,
Talvez tu venhas logo, de repente...

MARCOS LOURES

domingo, 24 de junho de 2012

Marcos Loures - O Poeta José Edward Guedes

Marcos Loures - O Poeta José Edward Guedes



Para um poeta desse porte, o que dizer?
Um Marcos Loures não se encontra todo dia,
Conhece bem essas quebradas do viver,
Seu verso é forte, é suave, é poesia.


Quando ele some dá um quê de nostalgia,
Toda a galera quer então logo dizer:
Menino, moço, um doutor, que na grafia,
Numa tacada, um soneto faz nascer,


Ventos de Minas já lhe sopram boa sorte,
Caburaí até Chuí, repete a história,
Que volte logo, sua falta é imensa,


Sua presença é nota dez, é passaporte
Pra conhecer um mundo infindo; na memória,
Está presente em cada verso mais querença.


José Edward Guedes


MUITO OBRIGADO MEU QUERIDO AMIGO E IRMÃO JOSÉ EDWARD GOMES

SEM RUMO

SEM RUMO

De onde pusera sonho barco e nau
Perdendo todo o rumo em desespero.
Fazendo de meu verso a pá de cal
Na qual nem me disfarço nem tempero.

Planando neste céu sou sol e sal,
Distante do que temo e não mais quero,
Meu sonho na alameda tropical
É quase uma paixão ou corte fero.

Não temo e nem pretendo essa piedade
Que é quase que um disfarce da alegria.
Se dane teu carinho, uma amizade.

Não quero mais saber de algum consolo.
Se tenho minha voz e a poesia,
Os pés em podre lama eu sempre atolo...

MARCOS LOURES

OUTRO MOMENTO

OUTRO MOMENTO

Não posso conceber outro momento
Sem ter esta vontade de seguir,
Embora este futuro qual tormento,
Não deixe um sentimento assim fluir...

Se nada do que dizes, cego vento,
Consegue normalmente construir,
Do pão que me negaste, sofrimento,
Nem mesmo um novo engano a prosseguir...

Uma amizade apenas, nada mais,
Um verso abandonado no caminho
Na voz que se conteve na garganta.

Voltar uma ilusão, isso é demais
Pra quem já se cortou em tanto espinho
E, mesmo sem ter paz, de novo canta...

MARCOS LOURES

NOITES VAPOROSAS

NOITES VAPOROSAS

Em vaporosas cenas noite adentro
O medo se estampando em cada rosto,
Enquanto noutro instante decomposto,
O verso sem defesa, eu me concentro,

E quando se imagina em pleno centro
O tempo sem ter tempo sendo exposto,
O verso desenhando o que em desgosto
Aposto enquanto em vão; já não adentro,

Espero o quanto venha e mesmo sei
Da farsa se entranhando em turva grei
Nascendo do vazio que trouxeste,

Rescaldos do que fora solidez
Ao menos no que agora ainda vês
As marcas do que outrora foi celeste.

Marcos Loures

NOUTRO TOM

NOUTRO TOM


Asperges sobre mim o mesmo e insano
Momento sem defesa em fátuo passo
E o tempo se moldando enquanto faço
Meu traço transcendendo a qualquer plano,

E bebo o quanto pude e se me engano
Apenas tão somente descompasso
Vibrando em consonância traço a traço
No quanto foste e sou mais desumano,

Profética versão dita aversão
Aos dias que bem sei jamais virão,
Na falsa sensação sanções expressas,

E jogo para além qualquer momento
Enquanto alguma luz de fato invento
E sei que noutro tom já recomeças.

Marcos Loures

CEVA INÚTIL

CEVA INÚTIL

Semeasse entre os ermos e desertos
Ao menos o que fosse uma esperança
E tanto quanto além o passo avança
Os mundos já seriam mais incertos,

E vejo os horizontes quando abertos,
Na farsa feita em falsa temperança
Marcando o quanto queira e não se alcança
Na mansa sensação de sóis despertos,

Fieis outros anseios e talvez
O quanto na verdade se desfez
Refaça a cada face em claridade,

Não quero outro momento nem tampouco
O tanto que se faça muito ou pouco
Enquanto o dia a dia se degrade.

Marcos Loures

SOMBRAS

SOMBRAS

Ousasse ter nos olhos o farol
Que tanto desejei e não viera,
A tétrica ilusão fomenta a fera,
E o medo dominara este arrebol,

Não quero ser somente um girassol,
Aos poucos o caminho degenera
E bebo a solidão que sendo austera
Expressa este universo em caracol,

Redomas eclodindo a cada instante
E o todo noutro impasse se adiante
Marcantes dias feitos para o nada,

Apenas versejando sobre e como,
O tempo não sossego e nunca domo
A noite mais sombria, adivinhada.

Marcos Loures

DISPERSO

DISPERSO

Em prantos tão diversos entoasse
A vida que se faça mais falaz
E neste caminhar o que se faz
Transfunde dentro da alma o mesmo impasse,

Enquanto noutro rumo se mostrasse
O quanto fosse insumo ou mesmo traz
Deixando no abandono ao léu a paz,
E a mesma insanidade em desenlace,

Restasse pelo menos um segundo,
Ao mergulhar no quanto me aprofundo
Encontro algum resquício e nada além,

O preço a se pagar não convencesse
Quem tanto noutro tom se percebesse
Disperso do que ainda em versos tem.

Marcos Loures

MEU FINAL

MEU FINAL

Planificando a vida de tal forma
Que nada mais seria imprescindível,
Pousando aonde o tempo incoercível
Aos poucos noutro intento se transforma,

E bêbado de sono, esqueço norma,
Vestindo meu terror e indivisível
Pudesse me trazer outro impossível
Cenário aonde amor já se deforma.

Escrito noutros vértices, somente
Meu mundo que deveras não desmente
A mente mais ferina e mesmo rude,

Matando o quanto resta e sem defesa,
Encontro o meu final nesta incerteza
Enquanto o quanto tenha agora mude.

Marcos Loures

MADRUGADA EM VÃO.

MADRUGADA EM VÃO.

Ainda trago as torpes madrugadas
E faço da emoção noção mais plena
Enquanto a velha farsa me condena
Em sonhos entre vagas desenhadas,

Ao menos poderiam escaladas
Ousando no que tanto agora acena,
A mesma sedução de fato amena
E as noites que buscara ora estreladas,

Amante do que trama este cometa
Ainda quando a vida me arremeta
Ao tanto que se quis em frágeis atos,

Não merecesse além deste apoplético
Tremor que se moldara onde esquelético
Cenário traduzem teus retratos.

Marcos Loures

VERTENTE DIVINA

VERTENTE DIVINA

Enquanto concebeste esta divina
Vertente feita em éter, noutro instante,
O mundo se moldara e não garante
O quanto pouco a pouco se extermina,

Sidérea fantasia, uma farsante,
Ancora a mesma lenda e determina
No revolver da luta enquanto atina
Rapina sobrevoa; triunfante.

Os olhos entre medos desenhados
Aonde se perdessem dos meus fados
E mesmo quando foram indulgentes,

No tempo quando atento ao mais frondoso
Cenário sendo a sorte em corte e gozo,
O todo que andrajoso agora tentes.

Marcos Loures

MAIS TACANHO

MAIS TACANHO

Ainda quando fosse mais tacanho
Meu verso sem sentir o que, talvez,
A vida se moldando em lucidez
Tramasse no caminho aonde entranho,

Inebriante estágio onde este estranho
Cenário rouba o quanto se desfez
E gera no final a insensatez
Deixando para trás já qualquer ganho.

Eclodem em artérias mil torrentes
E nelas o que possa e mesmo tentes
Explicam o jamais imaginável,

Meu barco sem timão segue à deriva
Enquanto à própria sorte o sonho priva
Tornando meu lamento interminável.

Marcos Loures

QUANDO A LUA CHEGA

QUANDO A LUA CHEGA

Quando essa lua chega e se derrama
Cobrindo tal beleza inebriante
Na rubra sensação de intensa chama,
Começo esta viagem mais vibrante

Vestígios do que fora a velha trama
Que em guerras esculpiu um novo instante,
Meu corpo sem parar sempre reclama
A boca tão sedenta estonteante...

Eu quero conhecer teu território
Exposto sob o raio do luar.
Passado tão distante e merencório

Já morto não virá, isso eu garanto..
Pois vamos do momento desfrutar,
Senão a lua foge e quebra encanto...

MARCOS LOURES

CADA PASSO DESTA ESTRADA

CADA PASSO DESTA ESTRADA

Mudarás cada passo desta estrada
Em que dizes amor em profusão,
Depois de tanto tempo resta nada
Daquilo que se fora uma emoção.

Jamais te negarei, ó minha amada,
A doce namorada, meu coração.
Porém logo que chegue outra alvorada,
Por certo eu ouvirei, teu duro não.

Mas saiba que te quero mesmo assim,
Em cada novo dia, outra festança.
Morrendo o teu amor tão grande em mim,

Eu sei que sorrirás um outro dia
Verás dentro de ti, em gozo e dança,
Outro semblante pleno de alegria...

MARCOS LOURES

MORTE DA ESPERANÇA

MORTE DA ESPERANÇA

A morte da esperança, em primavera
Se faz a cada instante, sem talvez.
Resíduo do que fora a minha espera
No tempo que se foi sem ter nem vez.

A sorte que não veio, a dura fera
Tomando o meu sentido em triste tez,
A dor que sem sorrisos, degenera
Um pouco a cada dia, a cada mês...

Mas nada me tocou, nem mesmo amor,
Sou resto do que nunca havia sido.
Agora, minha amada, ao teu dispor,

Bem sei que voltarás em meu inverno,
Depois de tanto tempo, nada, olvido...
Meu braço te recebe, sempre terno...

NUNCA É TARDE

NUNCA É TARDE

O tempo não se perde e nunca é tarde
Para quem procurar felicidade.
Se a noite é dolorosa e tanto te arde
Os olhos tão chorosos de saudade,

E o sonho em desespero causa alarde,
Roubando da alegria, a claridade,
Não pense que este mundo tão covarde
Impede conhecer toda a verdade.

Nós somos meros rios em viagem
Na busca deste mar, eternidade...
Amor é fantasia, uma miragem

Que logo acabará, não tarda o dia.
Por isso é que persigo uma amizade,
Certeza de carinho, a garantia...

MARCOS LOURES

DESEJO TÃO PROFANO

DESEJO TÃO PROFANO

Desejo tão profano que nos move
Nas línguas que se buscam, destempero.
A vestimenta inútil se remove
Neste carinho enorme, com esmero.

Exploro cada ponto, sem perguntas,
A silhueta exposta, nua e bela.
As mãos que se percorrem, leves, juntas,
Toda a loucura em gozo se revela.

Degusto cada gole do teu ser,
Entranho teus mistérios e segredos.
Nesta cascata amada, teu prazer,
Delícias que me encharcam, boca e dedos...

Em cada gota encontro tal magia,
Inundação divina de alegria...

TENTANDO ADIVINHAR

TENTANDO ADIVINHAR

Tentando adivinhar o que me guardas
Quando ao cruzar as pernas, me sorris.
Nas bocas escondidas, bem guardadas
Esta impressão que sobra: ser feliz...

Tu és a tentação em carnes, osso,
Desejos te reclamam, mas não notas.
Meu peito se entrincheira em alvoroço,
Pulsando bem além das suas cotas.

Reclamo o teu carinho, essa vontade,
Em toda essa volúpia, insensatez.
Na porta se escondeu felicidade,
Pergunto sem resposta: é minha vez?

E desconversas logo, nada dizes...
As tuas pernas são somente atrizes?

LOUCURA E PAIXÃO

LOUCURA E PAIXÃO

Teu corpo tão suado em belo brilho,
Desnuda maravilha suculenta.
Percorro teus caminhos, lindo trilho,
Na noite que se chega calma e lenta.

Depois da cantinela em estribilho
De novo repetimos, mais atenta;
Sem nada que nos sirva de empecilho
Do frio que se sente a noite esquenta...

A tua pele assim, arrepiada,
Os olhos revirando, sem destino.
Na lúbrica presença extasiada,

Um gosto de magia e sedução.
Bendito nosso gozo em desatino,
Nos atos de loucura e de paixão...

EMBRIAGUEZ

EMBRIAGUEZ

Na embriaguez voraz que nos assoma,
Delitos cometidos, mil pecados,
Luxúria que nos toca, já nos toma
Promessas são cumpridas, nossos Fados.

Dois corpos são um só em nossa soma,
Desenhos onde somos mais sugados
O mundo se fechando em tal redoma
Refaz outros caminhos desejados...

Num êxtase em mergulho, teu suor
Mistura-se em humores e salivas.
A vida nos parece bem melhor,

Na entrega tão urgente e tão carnal,
As horas se passando sempre vivas,
No amor que a gente faz, assim, total...

TORPE INSENSATEZ

TORPE INSENSATEZ

Impulsionando em vórtice a loucura
Que tanto me habitara desde outrora,
A face de quem tanto me apavora
Somente outro momento em paz procura,

Enquanto a solidão volve e tortura,
No preço a se pagar, ultriz, devora,
O medo sem sentido desarvora,
Grassando a mesma senda em amargura,

O caos que na verdade ora me empana,
A vaga quando audaz e soberana,
Eclode contra a areia e me condena,

No mesmo pedestal, morte cruel,
Estende sem defesas o seu véu,
E a torpe insensatez se encontra, plena.

INGENUIDADE

INGENUIDADE

Ingênuo coração se perde quando
Tentando ultrapassar qualquer limite
Encontra este cenário que permite
O incauto noutro tom se definhando,

Mergulho no que sinto e vindo em bando
As farsas sem que nada delimite
As rudes intempéries. Não se evite
A farsa pouco a pouco desenhando,

Medonha garatuja em abissal
Momento que recende ao mais venal
Anseio noutro véu já desdenhoso,

Ao léu seguindo sempre e sem descanso,
Somente o mesmo engano; ao fim, alcanço,
Num tempo que se quis maravilhoso.

INERTE

INERTE

Um andarilho inerte; esta esperança,
Que tanto alimentasse outro vazio,
Depois da tempestade o rude estio,
E o tempo noutro engodo assim se lança,

Jamais se vislumbrasse uma bonança
Enquanto outro cenário não recrio
E quando contra o fado atroz porfio,
Morresse sem sentido a confiança.

Negar qualquer assédio do que fora
A marca mais audaz e tentadora
Depreciando o pouco que restara,

A fome se espalhando e a solidão
Transporta o que faço e se verão
Apenas as mortalhas na seara.

Desencanto.

Desencanto.

Dinamizando a luta em transparência
Depois de inúteis sonhos ardorosos,
Postergo para além meus maviosos
Momentos em sofrível eloquência,

Restara ao trovador a incoerência
E nada dos meus versos melindrosos
Ditassem dias novos, caprichosos,
Trazendo meramente esta indulgência.

Negar esta fatal deselegância,
Marcando com terror a velha estância
Sem mesmo ter sequer alguma luz,

Depositando em parvas melodias
O tanto que, deveras, me trarias,
Enquanto o desencanto me conduz.

TOLOS ANSEIOS

TOLOS ANSEIOS

A vida mais ardente entre os anseios
Dispersos pelos tons em corte e sonho
No tanto feito em norte que componho
Percebo sem sentidos velhos veios,

E os olhos se encaminham para esteios
Sem nexo nem firmeza que proponho,
Pudera ser ao menos mais risonho,
Quem sabe não traria devaneios,

A face decadente da esperança
Ao nada sem ternura ora se lança
E trama outro momento que não vejo,

E tanto se tateia em vã promessa
Desbravo o que de fato recomeça
Neste fastio tolo de um desejo.

CONTRA O VENTO

CONTRA O VENTO

Pudesse imaginar onde a beleza
Expresse alguma forma mais sutil
E tanto tempo a vida não reviu
O todo que se mostre com destreza,

Apenas soltas cartas sobre a mesa
E o vento reservando o mais gentil
Momento onde se esvai o que se viu
Na vil forma sublime da incerteza.

Ao ver o que me resta, ou mesmo o nada,
Ascendo ao quanto imensa foi traçada
A mesma incoerência que apresento,

Numa energia atroz embora viva,
O fim do quanto pude a sorte priva
E sigo passo a passo contra o vento.

DISPERSAS NOITES VAGAS

DISPERSAS NOITES VAGAS


Ao antever dispersas noites vagas
Encontro meus anseios entre enganos
E moldo tão somente rotos panos
Tentando caminhar por outras plagas,

E mesmo quando ao fim nada me tragas,
Ousasse perpetrar diversos planos,
Mas sei dos erros fartos, desumanos,
E nisto este insensato mundo; alagas.

Restauro com meus passos o que um dia
Pousasse muito além e deveria
Gerar onde grassasse uma esperança,

E sendo de tal forma o quanto vejo,
Apenas mera sombra de um desejo
Que ao nada num instante ora se lança.

MEROS SONHOS

MEROS SONHOS

Uma alma quando aspira ao ser liberta
Não mais que meros sonhos; exalasse,
E gera no não ser imenso impasse
Na mesma sensação agora incerta,

E tanto quando a vida nos desperta
Mostrando a imensidão em nova face,
Vestígios do que tanto se tramasse
Tentando desvendar vã descoberta,

Não merecesse além de algum instante
E nele o quanto vejo mais constante
Vestisse a duração de um tosco gesto,

Na turva imensidão da natureza
A luta se desvenda com destreza
E ao que jamais seria enfim me empresto.

Marcos Loures

SEM PRIMAVERAS

SEM PRIMAVERAS

Na imprecisão do passo desta fera
As incertezas todas que alimento,
E mesmo quando veja este momento
A sorte noutra face não se esmera

E o quanto ainda reste degenera,
Marcando com terror o pensamento
Grassando o quanto houvera em sofrimento
E nada mais além a vida espera,

Erguesse o meu olhar noutro horizonte
E quando noutro tom o sonho aponte,
Respaldos entre saldos devedores,

Meus dias são tramados pelo fardo
Matando o quanto reste e não aguardo,
Jardins sem primavera; buscam flores?

Marcos Loures

ANSIOSAMENTE

ANSIOSAMENTE

Quando ansiosamente a vida molda
As cenas mais diversas e sofríveis
Os erros se acumulam e, visíveis,
A trama em vaga farsa ora se solda,

Escárnios costumeiros, astros tontos,
Vestindo a imensidão que ora já dista,
E nada mais de fato traz o artista
Com olhos se vertendo em vários pontos.

Reduzo o quanto eu fora ao mesmo nada,
E singro o quando em vão não mais sentira,
Apenas se traduz noutra mentira
Marcando sem pudor cada alvorada,

Enquanto a insensatez tocando, açodo,
O mundo se desdiz de qualquer modo.

Marcos Loures

NEM MESMO...

NEM MESMO...

Aspiro ao que jamais conseguiria
Nem mesmo alimentando este cenário
Diverso do que existe, o temerário
Momento traça a rota em agonia,

Meu verso entranha a senda onde, sombria,
A fera transformada em vil corsário,
Lutando contra o quanto imaginário
Tormento pouco a pouco em vão veria.

Se misteriosamente enquanto resto,
O tempo entoa o verso mais funesto,
Deixando tantas marcas tão medonhas,

Na forma que se fez tão majestosa,
A vida se moldando pedregosa
Recende ao quanto em vão tu me proponhas.

Marcos Loures

Degredos

Degredos

A brisa levemente em teu sorriso
Transcende ao quanto a mente pode outrora
E vejo a solidão e nela ancora
O tempo noutro engano ora impreciso,

Vestígios do que fomos não preciso
E sinto a solução que se evapora,
Marcando o mesmo engodo e não demora
A vida sem ter paz, sequer juízo,

Não merecesse além do que tu tramas
Enxames de fantasmas, velhos dramas,
E ramas de diversos arvoredos

Mesclando num temível pesadelo,
E mesmo quando possa; enfim, vencê-lo,
Os erros me condenam aos degredos.

Marcos Loures

Longa Noite

Longa Noite

Na longa noite um vão desfiladeiro
Invade o pensamento e nada resta
Sequer o quanto houvera e, da tempesta,
Soçobro, mas deveras, não me esgueiro,

O mundo se desnuda por inteiro
Arisca sensação que ao fim se presta
Jogando o velho barco, imensa fresta,
Abismo eu vejo em porto derradeiro,

Mascaro doentias emoções
E delas quando; a farsa, agora expõe,
Traduzo o quanto pude e não viera,

De todos os meus erros contumazes
As sendas mais temíveis que me trazes
Eclodem numa angústia tosca e fera.

Marcos Loures

MOMENTO PÁLIDO

MOMENTO PÁLIDO

Num momento pálido a dor se via
E; tantas vezes pude ser semente,
Porém o tempo enquanto já nos mente
Desmente o quanto houvera em fantasia,

No cálice da esperança não havia
Sequer o que deveras qual nascente
Traria a imensidão que não se sente
Apenas resta a estúpida agonia.

Imerso no que seja mais temível,
O prazo se encerrando em mais visível
Temor que tanto tenho e não se queira,

A luta se fizera sem bandeira,
Reluto, mas prossigo, não há jeito,
Meu sonho morto e roto, em vão desfeito.

Marcos Loures

INÚTIL SONHO

INÚTIL SONHO

Correndo contra o tempo, inútil sonho,
Meu passo se apresenta sem valia
E tanto quanto mesmo poderia
Esgota o mundo enquanto o decomponho,

Versando sobre o outrora mais risonho,
Apenas resta mera fantasia
Qual fosse uma espúria alegoria
De um todo desdenhado, pois bisonho,

Não quero ou não pudera ser além
Do que de fato existe e não mais vem
Explodo, há solidez na velha roca,

E o medo se desenha se procedo
Tocando as frias pontas de um rochedo
Enquanto este cenário, a dor, provoca.

Marcos Loures

POR QUEM TU ÉS.

POR QUEM TU ÉS.

Desértica expressão em tosco cântico,
Não mais que mero vago se denota,
A cada verso vejo a velha rota
Matando o quanto fora antes romântico,

Esquálida figura em palidez,
Assim minha esperança se desmancha
E nada se fizera em dor tão ancha,
A mancha do que fomos se refez,

De todos os momentos em litígio,
Acumulados erros vida afora,
Nem mesmo o quanto possa me apavora,
Restando da emoção mero vestígio,

E sigo contra a fúria das marés,
Sabendo no final por quem tu és.

Marcos Loures

DESDE O INÍCIO

DESDE O INÍCIO

Sentindo este bafejo que, de fato,
Transcende ao quanto resta além do caos,
E os ermos caminheiros sem degraus
Expressam esta farsa que constato,

Apenas meramente outro retrato
De tempos mais sofríveis, rudes, maus,
Amor se desenhando em tantos graus
E nisto outro cenário mal resgato,

Repare este regato, esta nascente,
O mundo se moldara no poente
E o fim se transformando em precipício,

Nos olhos sem sequer um horizonte,
O nada novamente enfim desponte,
Mergulho em minha morte desde o início.

Marcos Loures

PRAIAS DISTANTES

PRAIAS DISTANTES

Praia distante, encantos que não calo,
E sei do que pousasse em tons diversos
Marcando o quanto resta de universos
Dos quais eu permaneço e sou vassalo,

Meu mundo se desfaz, onde encontrá-lo?
Apenas outros tantos mais perversos
Vagando sem encantos vão imersos
Na mesma solidão em que me embalo,

Abalos entre enganos e presenças
Das farsas que tu trazes e não venças
As minhas emoções, toscas, ladinas,

Na areia em tempestades ora exposta,
O tanto que se forja em vã resposta
Reposta a velha face, e desatinas...

Marcos Loures

Amor Inglório

Amor Inglório

Na deserta sensação do amor inglório
Depois de perseguir falso clarão,
Farol que se imergindo, escuridão,
Traçando em noite escusa outro velório,

Meu mundo se perdendo no escritório
Nas salas, em terror falsa união,
Vassalas do que seja solidão,
As cores tramam tom mais merencório,

Dos grises dias nada mais resiste
Senão a velha face amarga e triste
Do quanto existe em mim e não comporto,

Aos dias que se foram no vazio,
Enquanto paulatino engodo eu fio,
A cada novo verso, eu me reporto.

Marcos Loures

Longínquas melodias

Longínquas melodias

Longínquas melodias; sinto ao menos,
Os tempos mais diversos e sutis
Deixando para trás o quanto eu quis
Os olhos não seriam mais amenos,

Bebendo em tua boca estes venenos
Talvez seguindo a vida por um triz,
O quanto se perceba em cicatriz
Não mais traduz anseios rudes, plenos.

Explicitando em verso a vera história
De quem se fez em trama ora ilusória,
Mesquinha farsa; agora me apresentas,

Revoltos pesadelos, madrugadas,
E as duras sensações já tão cansadas,
Traçando as mesmas rotas violentas.

Marcos Loures

Envolta em sombras

Envolta em sombras


Enquanto envolta em sombras tu dormias,
Marcantes ilusões rondando a quem
De tanto imaginando ser além
Tramasse em noites turvas, fantasias,

E mesmo quando embalde, as alegrias,
Traçando o quanto sinto e não mais vem,
Expresso a sensação de ser ninguém
Durante as madrugadas bem mais frias,

E ouvindo a voz de quem se fez distante,
Somente esta semente não garante
Colheita que cevei sem ter suporte,

Medonha gargalhada e noutro aspecto,
O olhar que se tentara circunspecto
Retroagindo ao nada não conforte.

Marcos Loures