Moleque que se fez em desperdício
Bebendo a tempestade e rindo tanto.
Ladrando a noite inteira como um vício,
Morrendo em ironia, cada canto.
Beijando a moça bela, um precipício.
Salgando o velho mar lambendo o pranto.
No viço das morenas, meu ofício.
Meu karma se perdendo em desencanto.
Alcanço uma manhã como quem neva
Deixando o meu prazer na doce treva
Que ronda e não descansa a vida inteira.
Noctâmbulo fantasma; eu me alucino,
Uma alma vadia, meu destino,
Na bela meretriz, a companheira...
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