Não quero mais as garras da pantera
Cravadas no meu peito – solidão.
Nas presas afiladas desta fera
A resposta que encontro é sempre o não.
Matando em nascedouro a primavera,
Inverna eternamente o coração.
Crudelíssima aguarda numa espera
Dando o bote destrói minha ilusão.
Algoz que se alimenta da carniça
De um sonho que se foi pra nunca mais.
O fogo da paixão e da cobiça
Às vezes, incandesce e logo trai
Negando ancoradouro neste cais,
E a noite tão vazia e fria, cai...
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