Nas mórbidas palavras em que teces
Teus sonhos mais profanos e ferozes.
Nos beijos que me dás e me apodreces
Matando os meus caminhos, tuas fozes.
Não quero nem sorrisos nem as preces,
Na noite solitária ouvindo vozes,
Distantes ilusões, sismos, quermesses,
Apenas minhas lendas mais atrozes.
Surcando imensidade com teus pés,
Voracidade plena em cada riso,
Ao espalhar a dor sem dar aviso,
Meus barcos já naufragam sem convés.
Disseste uma palavra ao bem do amor,
No viperino lábio, o teu licor...
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