Os vermes que se esbaldam num banquete
Terríveis comensais de uma esperança.
O povo não passando de joguete
Não sabe discernir nesta festança
Dos risos das canalhas, do foguete
Lambendo as suas carnes, fina lança
Rasgando em fantasias, se repete
Enchendo desta corja a grande pança.
Os tiros desferidos nas favelas,
Os risos dos abutres e das gralhas,
Governos apertando tais fivelas
Matando em asfixia insuportável,
Nos gozos, meus esgotos, nas bandalhas
O gosto deste amor tão memorável...
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