Qual embrião disforme vago o mundo,
Meus restos dilaceras sem promessas,
Navalhas penetrantes cortam fundo
Aborto em meus amores, às avessas,
Bem sei que não me queres, sou imundo,
Nos trapos que carrego, velhas peças,
Sem bote e naufragado, vagabundo,
Sorvido pelos vermes, sem ter pressas.
Mas não me deixe, amor; peço clemência,
Ao menos por favor, fique por pena,
Pois Deus, o criador deu-te incumbência:
Cuidar deste restolho. És meu timão,
Repare neste nada que te acena,
Impeça que me leve, a solidão!
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